3 anos após o 11J, mais de 600 pessoas continuam presas por protestos pacíficos em Cuba.

As organizações abaixo assinadas fazem a seguinte declaração em comemoração ao terceiro aniversário das manifestações realizadas em 11 de julho de 2021 (11J – de agora em diante) e nos dias seguintes em Cuba, e exigem que o Estado cubano respeite, proteja e garanta os direitos humanos de todos os seus habitantes, sem discriminação de qualquer tipo.

Os protestos do 11J surgiram como uma resposta da população à crise social, econômica e de direitos em Cuba. Apesar de terem se passado três anos desde essas manifestações históricas, a situação na ilha não melhorou, resultando, ao contrário, em um aumento das violações de direitos. Somente entre janeiro e fevereiro de 2024, organizações independentes da sociedade civil relataram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) “cerca de 300 ações repressivas contra ativistas e defensores de direitos humanos, dissidentes políticos, jornalistas, artistas independentes e parentes de pessoas privadas de liberdade por motivos políticos”.

Esses acontecimentos ocorrem em meio a crescentes restrições ilegítimas à liberdade de expressão, reunião, associação e outros direitos humanos. Nas palavras da CIDH, em Cuba há um padrão de “violações maciças, graves e sistemáticas dos direitos humanos”, o que é corroborado por dados documentados por organizações independentes da sociedade civil, como o Observatório Cubano de Direitos Humanos e a Cubalex.

Nesse contexto, os cubanos continuam a levantar suas vozes. De acordo com o Observatório Cubano de Conflitos, pelo menos 671 protestos foram registrados em junho de 2024. Ao mesmo tempo, o governo cubano continua a reprimir e a cercar aqueles que decidem se manifestar pacificamente. A organização Justicia 11J documentou que mais de 650 pessoas continuam presas por sua participação em diferentes protestos que ocorreram desde julho de 2021. Isso se soma ao número de pessoas exiladas à força que foram obrigadas a deixar a ilha em busca de proteção. O Relatório Mundial de Migração de 2024 da Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelou que mais de 340.000 cubanos deixaram seu país em 2022, um dos maiores êxodos já registrados na história da ilha.

Os fatos descritos acima revelam uma situação preocupante de direitos humanos em Cuba. Os efeitos do 11J persistem até hoje, afetando milhares de famílias cubanas. A fim de limitar o exercício do direito de protesto e da liberdade de expressão, intensificaram-se as detenções arbitrárias, os desaparecimentos forçados de curta duração, a vigilância, as convocações ilegais e as ameaças, entre outras práticas sistemáticas. Além disso, o governo cubano ameaçou sanções severas, incluindo a pena de morte, contra os manifestantes. A política do Estado, baseada na repressão e na intimidação constante da população, exige ações urgentes para acabar com essas violações dos direitos humanos. Portanto, por ocasião do terceiro aniversário do 11J, conclamamos o Estado cubano a respeitar, proteger e garantir os direitos humanos de todos os seus habitantes, sem discriminação de qualquer tipo; também exigimos a libertação das pessoas privadas de liberdade por exercerem seus direitos civis e políticos.

AssinadoARTICLE 19 México y Centroamérica / Artists at Risk Connection (ARC) / Civil Rights Defenders / Centro de Documentación de Prisiones Cubanas / Cubalex / Instituto sobre Raza, Igualdad y Derechos Humanos (Raza e Igualdad) / Justicia 11J / Mesa de Diálogo de la Juventud Cubana / PEN Internacional / PEN de Escritores cubanos en el exilio

Fonte: https://justicia11j.org/a-3-anos-del-11j-mas-de-600-personas-permanecen-privadas-de-libertad-por-protestar-pacificamente-en-cuba/

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[Chile] Tiremos o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Agradecemos a todos os companheiros que participaram, assistiram e colaboraram na jornada informativa contra o isolamento do companheiro Francisco Solar. Aos que contribuíram com música, suas experiências, reflexões e ao espaço anarquista La Termita.

Conhecer em detalhes a realidade carcerária, especialmente por meio de uma de suas ferramentas mais agudas: o isolamento, juntamente com outras experiências de combate a esses regimes de aniquilação, nos permite empreender uma campanha contra o isolamento do companheiro anarquista Francisco Solar no módulo de Segurança Máxima da prisão La Gonzalina, em Rancagua.

Submetido a um regime de 21 horas de confinamento em uma cela individual, restrição de visitas e de encomendas, além da ameaça de instalação de uma tecnologia mediadora como único meio de comunicação com o exterior, tirar o

companheiro Francisco Solar do isolamento se torna um desafio que assumimos entre todos os antiautoritários!

Solidariedade com prisioneires anarquistas e subversives!

Buskando La Kalle

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agência de notícias anarquistas-ana

o velho com gosto
chupa a mosquinha
que poisa em seu rosto

Olívia Iceberg

Lula, vai se foder!

[EUA] Anunciando a segunda Feira do Livro Anarquista de Sacramento no sábado, 7 de setembro.

Em território Miwok e Nisenan ocupado, convidamos você a se juntar a nós na assim chamada Sacramento, no sábado, 7 de setembro, para a segunda edição anual da “Sacramento Anarchist Bookfair”. O evento contará com a participação de editoras, projetos, organizações e distros, além de painéis, discussões e workshops práticos. As portas serão abertas às 10 horas e o evento se estenderá até as 19 horas. O evento será realizado no Washington Neighborhood Center, no centro de Sacramento.

Este ano, haverá painéis de discussão sobre ajuda mútua e socorro autônomo em caso de desastres diante do caos climático e do aumento da inflação, relatórios sobre as lutas dos inquilinos, defesa contra despejos, construção de solidariedade com solicitantes de asilo e refugiados, a intifada estudantil que luta contra a guerra em curso na Palestina e muito mais. Também temos o prazer de anunciar que o ex-preso político Eric King será um dos palestrantes! Por fim, teremos um espaço com vários organizadores de diferentes lutas autônomas discutindo o terreno que se aproxima, independentemente de quem vencer as próximas eleições.

Queremos que a feira de livros seja um lugar para as pessoas se reunirem, se conectarem a projetos autônomos, refletirem e discutirem as lutas atuais e se conectarem com uma comunidade crescente de pessoas que querem construir o poder a partir de baixo e contra esse pesadelo que nos leva ao apocalipse. Junte-se a nós!

Entre em contato!

Tem dúvidas ou preocupações, quer se envolver, ajudar a promover ou fazer uma doação para ajudar a cobrir os custos? Envie-nos um e-mail aqui: sacabf@proton.me

Vejo você em setembro!

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de inverno
o orvalho pisca
um raio de sol

Yara Darin

[Itália] Não vamos desertificar nossos cérebros

Seca. Entre a escassez e o mau gerenciamento da água

Há artigos jornalísticos que já poderiam ser confiados à inteligência artificial. Entre eles estão aqueles que repetem os mesmos conceitos, os mesmos dados, as mesmas entrevistas todos os anos. E entre esse grupo de artigos estão, infelizmente, aqueles sobre a seca e a escassez de água na Sicília. Ao ler os relatos dramáticos e os terríveis testemunhos sobre a falta de água, somos imediatamente assaltados por um sentimento de desânimo: essas são histórias que já ouvimos milhares de vezes, então por que estamos remoendo esse repetido Dia da Marmota enquanto nossa ilha está sendo desertificada, literal e simbolicamente? Ao analisar esse miserável ano de 2024, que provavelmente entrará para a história como a pior crise hídrica da Sicília, primeiro é preciso fazer uma divisão. Porque a seca, entendida como falta de chuva, é uma coisa, e a gestão da água é outra.

A ausência de chuva na Sicília é um dos efeitos mais óbvios da mudança climática. No último ano e meio, todos os meses em todo o mundo registraram temperaturas mais altas, que é basicamente o mesmo período de tempo em que a seca se desenvolveu na ilha: já em 2023, a falta da tradicional “estação chuvosa” em outubro e novembro reduziu os suprimentos de água para a primavera de 2024, que, por sua vez, acabou sendo menos chuvosa do que o normal. Em fevereiro, o que nunca havia acontecido antes, a região solicitou e obteve um estado de desastre natural devido à seca. E voltando ainda mais no tempo: já nos esquecemos, mas o recorde de temperatura na Europa foi registrado em Floridia, na província de Siracusa, em 2021, com o valor recorde de 48,8 graus centígrados. Desde 2003, a precipitação na ilha diminuiu em mais de 40%.

Em resumo, os sinais alarmantes estavam todos lá. No entanto, a Sicília não se mobilizou em relação a essas questões. Nem na adaptação climática, ou seja, na redução dos danos e dos inconvenientes causados pelo aquecimento global, nem na mitigação, ou seja, na redução das emissões de gases de efeito estufa que causam o aumento das temperaturas. A água, na Sicília, sempre será menor. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas previu que as ondas de calor e as secas afetarão cada vez mais o Mediterrâneo nas próximas décadas. Já em 2030, ou seja, em poucos anos, um terço das áreas da Sicília se tornará desértica. Diante de tais transformações históricas, fica claro que é necessária uma reversão do status quo. A população percebe isso em sua própria pele, mas talvez isso ainda não esteja totalmente claro para os movimentos e grupos de luta. Ativistas com mentalidade reformista, incluindo os das próprias associações ambientais, têm se esforçado nos últimos meses para encontrar soluções para melhorar a gestão da água. Mas eles não contam com um fato essencial: essas são hipóteses que os detentores do poder conhecem muito bem. Os documentos regionais e ministeriais estão repletos de indicações nesse sentido.

Vale mesmo a pena lembrar que, na Sicília, mais de 50% da água pública é perdida devido a tubulações desgastadas que datam da década de 1950? Vale a pena lembrar que, das 26 represas controladas pela região, algumas estão em teste há mais de 50 anos e, portanto, acabam descarregando água assim que um determinado limite é ultrapassado (menos da metade)? É realmente necessário lembrar que as usinas de dessalinização desejadas por Cuffaro duraram apenas alguns anos porque eram mal projetadas, consumiam muita energia e eram muito caras? Em nossa opinião, não se trata nem mesmo de apontar, como fez recentemente o Republica Palermo, que em 17 anos os políticos sicilianos tiveram três bilhões e meio de euros à sua disposição para enfrentar e resolver o problema da seca. Com relação à água, há questões ainda mais urgentes que precisam ser abordadas e que, em vez disso, são sempre deixadas em segundo plano. Por exemplo, os chamados “patrões dos caminhões-tanque”, aqueles para quem toda crise de água é uma barganha, com as pessoas obrigadas a pagar duas contas, a pública e a privada.

A Sicília está repleta de poços e reservas que, no entanto, são gerenciados de forma mafiosa e paramilitar, com os cursos d’água sendo roubados e drenados. Ou podemos citar as preciosas reservas de água que foram dadas a multinacionais em troca dos subornos habituais aos territórios. Dois são os exemplos mais marcantes (mas há muitos que poderiam ser citados): a água das Montanhas Sicani que foi cedida em 1999 para a Nestlé, que depois a revende para nós como Acqua Vera; a represa Ragoleto, gerenciada pela Eni, que prefere usá-la para suas próprias fábricas em Gela em vez de cedê-la aos agricultores da região de Nissena.

O último exemplo de urgência que não pode mais ser adiada diz respeito aos maus hábitos. E veja bem, não queremos aqui culpar os indivíduos, estamos longe de qualquer abordagem moralista, mas há alguns estragos que não são mais aceitáveis: desde o uso de água potável para irrigar campos ou para uso sanitário até as piscinas espalhadas nas mansões dos ricos ou nos hotéis (muitas vezes com o mar a um passo de distância). Não faltam frentes de batalha. Desde que saibamos como lidar com imobilismos deletérios e equilíbrios perigosos, porém convenientes. Porque um povo reduzido à sede é um povo que continuará a delegar. Por outro lado, o verão seco deste ano corre o risco de ser apenas o prelúdio de uma deterioração ainda maior. Juntamente com as cenas terríveis do lago Pergusa secando e as besteiras sobre a ausência de turistas – deserções que, no entanto, ocorreram – há mais uma preocupação que deve ser acrescentada pelos técnicos da região: se no início de julho os reservatórios estavam com 25% da capacidade, não é preciso dizer que o problema provavelmente piorará em setembro. Até agora, a água tem faltado principalmente para o setor agrícola, com a área de Madonie tendo que, ou sendo forçada, a ceder água para saciar a sede da cidade de Palermo e de uma província que sozinha abriga cerca de um milhão de pessoas. Mas, nesse ritmo, as torneiras secas podem se estender até a capital siciliana. Com consequências que podemos imaginar. Teremos que estar prontos para esta e as próximas temporadas sem água.

Andrea Turco

Fonte: https://www.sicilialibertaria.it/2024/07/09/non-facciamo-desertificare-i-nostri-cervelli/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

uma folha salta
o velho lago
pisca o olho

Alonso Alvarez

[Espanha] Huesca: Concentração em apoio às 6 de La Suiza

COMPANHEIRAS, VOCÊS NÃO ESTÃO SOZINHAS!

Ontem (18 de julho), em Huesca, meia centena de pessoas se reuniram para exigir a absolvição das “6 de La Suiza” e para mostrar sua solidariedade com um caso que condena o sindicalismo e abre um precedente perigoso contra o direito à liberdade sindical.

A concentração em Huesca, que ocorreu de forma unitária com outros sindicatos e organizações, juntou-se a outras dez manifestações convocadas pela CNT para quinta e sexta-feira em toda a Espanha.

Representantes de vários sindicatos e organizações, bem como a participação dos cidadãos, uniram-se em um único grito: FAZER SINDICALISMO NÃO É CRIME. Solidariedade com as seis trabalhadoras condenadas à prisão por ação sindical (repetidamente se manifestando em frente às instalações da empresa em 2017).

A concentração também foi um lembrete da repressão que estamos sofrendo nos últimos anos: a lei da mordaça, as montagens policiais, a perseguição daqueles que se manifestam contra o fascismo (os 6 de Zaragoza), ou as milhares de pessoas detidas no CIES cujo único crime foi migrar para a Europa.

A única resposta continua sendo a luta e o apoio mútuo. As condenações contra as sindicalistas de Xixón ou os Seis de Zaragoza têm como objetivo fazer com que nos sintamos sozinhos. Eles querem nos fazer acreditar que a luta é inútil, que as consequências de se levantar contra o sistema são muito piores do que permanecer em silêncio.

Mas, apesar da condenação, a CNT continuará a tecer redes de solidariedade e a ocupar as ruas para exigir justiça. Uma justiça que não proteja os interesses das empresas, uma justiça igualitária que proteja as que somos da classe trabalhadora.

Hoje, ontem e sempre, o sindicalismo NÃO é crime.

aragon-rioja.cnt.es

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agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[Espanha] Crônica da manifestação de 18 de julho em solidariedade com às 6 de La Suiza

A CNT de Ciudad Real convocou uma manifestação para a tarde de 18 de julho em solidariedade às companheiras da CNT Gijón, depois que o Supremo Tribunal rejeitou o recurso da CNT, ratificando sua sentença de três anos e meio de prisão. Durante esse dia e em nível nacional, foram convocadas manifestações de apoio em 25 cidades.

Gostaríamos de agradecer a todas as pessoas e grupos que compareceram à Plaza del Pilar, onde foram lidos vários manifestos em apoio às companheiras e onde se gritou em alto e bom som que “fazer sindicalismo não é crime”, “vocês não estão sozinhas”, “vocês fizeram algo, peçam seus direitos” ou “absolvição, companheiras de Gijón”.

Esse é um problema muito sério que afeta todo o sindicalismo deste país, mas também a sociedade como um todo. Essa sentença abre caminho para a condenação de milhares de pessoas em todo o país pelo simples fato de se mobilizarem ante um conflito.

Continuaremos a lutar pela liberdade de nossas companheiras nas ruas e nos tribunais, tanto em nível nacional quanto internacional.

ciudadreal.cnt.es

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Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

Eugénia Tabosa

[Alemanha] Saudações solidárias de Tübingen para Maja

Hoje (17/07), os antifascistas se reuniram para uma foto de solidariedade a Maja na Sternplatz, em Tübingen. Saudações também necessárias a todos os outros antifascistas presos e pessoas escondidas. Esperamos que a ação seja um prelúdio para uma solidariedade mais forte e barulhenta com os perseguidos em nossa cidade. Desde atenção pública, apoio financeiro, escrever cartas e… Há muitas maneiras de fazer algo.

Estamos unidos!

Felicidade e liberdade!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/379860

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agência de notícias anarquistas-ana

inverno iluminado
tarde azul se despede
noite traz o frio

Ana Rodrigues

[Espanha] Elas não estavam sozinhas

Milhares de pessoas saem às ruas da Espanha em apoio às trabalhadoras da La Suiza e da CNT

Milhares de pessoas se manifestaram em 18 de julho em 18 cidades da Espanha para demonstrar seu apoio às trabalhadoras da confeitaria La Suiza de Gijón, e à Confederação Nacional do Trabalho. As manifestações, que ocorreram de forma pacífica e, em muitos casos, em unidade com outros sindicatos e organizações, denunciaram a criminalização da ação sindical e exigiram a absolvição das seis trabalhadoras condenadas à prisão pelas manifestações realizadas em frente às instalações da empresa em 2017.

Manifestações multitudinárias em toda a Espanha

Em Xixón, o ponto de partida do conflito, foi realizada uma das maiores manifestações, assim como em Barcelona, onde a manifestação contou com o apoio maciço de manifestantes e simpatizantes de diferentes organizações. Em outras cidades de Astúrias, como Llangréu, também houve manifestações com grande participação.

As mobilizações foram replicadas em cidades de toda a Espanha, como Lleida, Huesca, Logroño, León, Cuéllar, Valladolid, Santiago de Compostela, Pontevedra, Iruña, Málaga, Ciudad Real, Burgos, Cáceres, Segovia e Villaverde.

As mobilizações continuam:

Hoje, 19 de julho, são esperadas outras manifestações em Zaragoza, Teruel, Jerez de la Frontera, Granada, Adra, Las Palmas e Salamanca. A rodada de manifestações será concluída no dia 20 com um comício em Aranjuez.

Uma mensagem clara:

As manifestações de ontem mostram a ampla rejeição social à condenação das trabalhadoras de La Suiza e o apoio à luta pela liberdade sindical. As manifestações serviram para tornar visível a criminalização da ação sindical e para exigir que o sistema judicial revise a condenação.

cnt.es

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agência de notícias anarquistas-ana

Durante o pôr-do-sol
Vejo andorinhas voando
Juntas, sempre em bando.

Renata da Rocha Gonçalves

[Espanha] O caso de Nahuel: quando é barato para o Estado confundir anarquistas com terroristas e mantê-los presos por 16 meses.

O jovem, do movimento anarquista e vegano Straight Edge, foi absolvido de terrorismo. Ele havia pedido uma indenização de 266.000 euros por ter passado um ano e quatro meses na prisão em um regime penitenciário severo, mas o sistema judiciário lhe concedeu apenas 54.650. 

Por Ana María Pascoal | 13/07/2024

Novembro de 2015, Madri. A Polícia Nacional prende seis jovens entre 19 e 25 anos de idade no âmbito de uma operação denominada Ice. Os seis são membros de um movimento cultural chamado Straight Edge, que se caracteriza por sua ideologia anarquista e um modo de vida que enfatiza a alimentação vegana e a rejeição absoluta do consumo de todos os tipos de drogas, ilegais e legais, especialmente o álcool.

É, em resumo, um movimento antiviolência, antidrogas, vegano e anticapitalista, mas para uma força policial sem treinamento em movimentos sociais e para uma juíza, Carmen Lamela, obcecada por casos de terrorismo, esses membros do Straight Edge eram supostamente membros de uma organização terrorista dedicada a explodir caixas eletrônicos com explosivos.

Um dos jovens presos, Juan Manuel Bustamante, conhecido como Nahuel, levou a pior. A polícia entrou em sua casa nas primeiras horas da manhã e encontrou parafusos e ferramentas da montagem de uma cama Ikea, várias bebidas gaseificadas, repolho vermelho e videogames como Red Dead Redemption, ambientado no oeste americano. E com esse material inofensivo, a polícia construiu uma história de terrorismo na qual o repolho, as bebidas e alguns dos produtos de limpeza apreendidos com Nahuel poderiam ser usados para fabricar dispositivos explosivos.

Nahuel, que tinha 26 anos na época, passou 16 meses em prisão preventiva, entre 4 de novembro de 2015 e 8 de março de 2017, sob a acusação de terrorismo e, portanto, foi classificado em primeiro grau e em regime FIES 3 (Ficheros de Internos de Especial Seguimiento).

Seu advogado, Eduardo Gómez Cuadrado, da Red Jurídica, explica a jornada de prisão de Nahuel: “O FIES 3 é o regime prisional mais severo e é uma prisão dentro de uma prisão. Nesse regime, todas as comunicações com o mundo exterior podem ser interceptadas (exceto com o advogado do preso); também há buscas constantes e mudanças constantes de cela ou centro penitenciário (política de dispersão). No caso de Nahuel, ele esteve em cinco prisões em apenas um ano e meio, quatro na Comunidade de Madri e uma em Sevilha”.

Direito a um cardápio vegano

“Ele passou um tempo em confinamento solitário, o que significa 22 ou 23 horas por dia na cela, e tudo por causa do conflito que ele tinha toda vez que chegava a um centro penitenciário e eles se recusavam a lhe fornecer uma dieta vegana dentro da prisão. Também tivemos que lutar contra isso e a Corte Nacional acabou reconhecendo seu direito de receber um cardápio vegano”, lembra o advogado da Red Jurídica.

E depois de três anos, a absolvição

Nahuel foi libertado provisoriamente em março de 2017, enquanto aguardava julgamento. “Com o passar do tempo e na ausência de provas de que eles eram os terroristas perigosos que a polícia disse em seus relatórios, o juiz não teve escolha a não ser libertá-lo”, lembra o advogado.

Pouco mais de um ano depois, após o julgamento, em julho de 2018, a Audiência Nacional absolveu os seis membros do Straight Edge Madrid. O caso havia sido esvaziado após a investigação da juíza Lamela, na época encarregada do Tribunal Central de Instrução 3, que não conseguiu reunir provas do crime de terrorismo pelo qual ela havia acusado os rapazes.

Julgamento por acusações forjadas

No final, eles não foram julgados por terrorismo, mas por glorificar o terrorismo por suas mensagens de ideologia anarquista revolucionária nas redes sociais, no site do movimento e em vídeos, como “Morte ao capital”, “Capitalismo assassino”, “Fogo e morte ao Estado e viva a anarquia”.

A acusação indicou que alguns dos réus venderam camisetas no Rastro com mensagens como “Resistência não é violência, é autodefesa”; ou tweets que parecem uma piada em um caso de terrorismo, como “Goku vive, a luta continua”, em referência ao personagem da série de mangá Dragon Ball, que o juiz considerou ser membro do ETA; os réus também reproduziram citações do filósofo alemão Hervert Marcuse, que era muito crítico do capitalismo.

A promotoria os acusou de disseminar em suas mensagens “a legalidade da luta ativa e essencialmente violenta contra a ordem constitucional e contra qualquer tipo de autoridade, sempre tentando corroer o prestígio e a credibilidade do Estado e, em particular, de suas forças de segurança”, pelo que pediram dois anos de prisão.

O advogado Eduardo Gómez relembra o momento do julgamento. “Chegamos ao julgamento com o caso completamente esvaziado, no sentido de que eles haviam sido presos pela polícia sob uma acusação grave de organização criminosa para fins terroristas, posse de explosivos, desordem pública e dano agravado, que poderia levar a dezenas de anos de prisão; e a acusação final da promotoria, e para a qual o julgamento foi realizado, era apenas por glorificação do terrorismo nas redes sociais com um pedido de sentença de apenas dois anos de prisão. E eles foram até absolvidos disso”.

Juíza Lamela, promovida à Suprema Corte

A juíza Carmen Lamena foi promovida e nomeada para a Suprema Corte ao mesmo tempo em que foi anunciada a absolvição de Nahuel e seus companheiros. A Audiência Nacional considerou que as mensagens pelas quais eles foram julgados eram um sinal de rebelião, mas que não atacavam o Estado.

“Fica claro nos procedimentos do presente caso que a disseminação aberta dos vídeos e imagens sob o nome comum de Straight Edge Madrid não gerou o risco de cometer atos de terrorismo, mesmo em abstrato, que temos estabelecido”, afirma a sentença da Câmara Criminal do Tribunal Nacional de 26 de julho de 2018.

A Operação Gelo e o processo contra os seis do Straight Edge, especialmente a repressão contra Nahuel, foi uma resposta desproporcional e injustificada, como demonstrado, do Estado contra o ativismo anarquista, equiparando esse movimento político ao terrorismo.

Denúncia ao Ministério da Justiça

“Uma vez que a absolvição foi definitiva, e tendo em vista o absurdo de todo o processo de detenção, prisão, investigação e julgamento, ficou claro que era preciso encontrar alguma forma de compensar os danos causados”, diz o advogado Eduardo Gómez Cuadrado a este jornal.

Assim, Nahuel e seu advogado apresentaram uma reclamação por mau funcionamento da Administração da Justiça, que o Ministério da Justiça rejeitou por silêncio administrativo. A vítima solicitou uma indenização de 266.000 euros por danos resultantes da prisão preventiva.

“Como os juízes e policiais são intocáveis e a reivindicação de responsabilidades individuais não teria nenhuma chance, decidimos fazer essa reivindicação ao próprio Ministério da Justiça por meio dos mecanismos de responsabilidade patrimonial da Administração por mau funcionamento, neste caso da Administração da Justiça, que está estabelecido no artigo 294.1 da Lei Orgânica do Poder Judiciário”, explica o advogado de Nahuel.

Finalmente, a Câmara Contencioso-Administrativa da Corte Suprema Nacional concordou com a defesa do jovem e deu parcial provimento ao seu recurso, ordenando que o Estado indenizasse Nahuel com 54.650 euros e não com os 266.000 euros solicitados. O advogado destaca que a sentença levou em consideração o fato de a pessoa afetada ter estado em um regime prisional tão severo quanto o FIES 3.

Prisões polêmicas

Para esse advogado de direitos humanos, o caso de Nahuel surgiu porque “às vezes a polícia, digamos, inflaciona os relatórios e as declarações que apresenta aos juízes. Às vezes, os relatórios policiais superestimam certas circunstâncias ou interpretam erroneamente certos dados, de tal forma que a detenção é justificada e, ao mesmo tempo, incentiva o juiz de instrução, muitas vezes com certo grau de automatismo e falta de rigor, a concordar com uma medida cautelar que é tão onerosa para a liberdade como a prisão preventiva”.

A sentença de indenização põe fim ao caso de Nahuel. Ficou demonstrado que é possível que eles compensem de alguma forma os danos que causaram”, diz Eduardo Gómez. Ninguém vai lhe pagar pelo tempo que passou na prisão, e o dinheiro também não compensa essa perda, mas pelo menos você pode obter o reconhecimento da injustiça cometida e que, de alguma forma, ela não fica impune”.

Fonte: https://www.publico.es/politica/caso-nahuel-le-sale-barato-confundir-anarquistas-terroristas-tenerlos-16-meses-carcel.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Flores desabrocham
à espera das borboletas.
Festa do haicai!

Maria Lucia Daloce Castanho

[Espanha] Pepita, da Paideia

Em memória de Pepita, que levou um mundo novo aos corações de tantas crianças

 La Colmena | 24/06/2024

Pepita sempre levou um novo mundo ao coração das crianças que educou. Para a administração educacional, ela era Josefa Martín Luengo, uma funcionária pública com um número de registro.

Em 1975, ela chegou de Salamanca a Fregenal de la Sierra, para ensinar na escola Nertóbriga. Ela trouxe consigo o playground de La Ruche e Summerhill, a impressora de Freinet, o quadro negro de Freire, o breviário de Tina Tomassi, os cadernos de Ferrer, a montanha de Reclus, a liberdade de Bakunin, os suspiros de Ricardo Mella, e os versos de Voltairine de Cleyre.

Em sua ânsia de alinhar a educação com o direito a uma infância livre e feliz, ela entrou em conflito com o autoritarismo do crucifixo e da palmatória. Foi repreendida, banida, exilada em La Bazana, um vilarejo de colonização. Estávamos em 1977. A palavra feminismo ainda não era moda.

Junto com outras pessoas, cria em 1978 a Escola Livre Paideia, em Mérida, uma escola libertária onde a pedagogia segue o princípio de que é com amor que se ensina. Sem ser afetada pelos ventos educacionais que vêm e vão, sujeitos ao momento político e ao currículo de uma educação chata, que não cria seres livres, mas cidadãos com direito a voto, a Paideia enfrenta tempestades, inundações, assédio de uma administração educacional que não tolera uma escola fora do subsídio público, fora do redil, livre e libertária.

Pepita aprende, ensina, escreve livros, vive, cresce. No início da década de 1990, junto com outras pessoas, ela funda o coletivo Mujeres por y para la anarquía [Mulheres por e para a anarquia]. A Paideia já é uma referência global, em um mundo sem fronteiras, sobre educação. A administração educacional ainda não sabe disso.

Em julho de 2009, logo após o verão, a vida a deixou, mas ela deixou para trás sua memória, seus livros, suas palestras, sua utopia tornada realidade. Pouco tempo depois, em setembro, aqueles que a amavam plantaram duas mimosas, sua árvore favorita, na entrada da escola.

Em dias de vento, o farfalhar dos galhos pode ser ouvido, misturando-se aos gritos das crianças, que correm felizes, livres, com ideias.

Amech Zeravla.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/la-colmena/pepita-paideia

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Na terra seca
Formigas em festa
Carregam uma semente.

Setsuko Geni Oyakawa

Convocação para o Encontro Global Pelo Clima e Pela Vida. Novembro de 2024. Oaxaca, México.

ENCONTRO GLOBAL PELO CLIMA E PELA VIDA

4 a 9 de novembro de 2024

Oaxaca, México

Mais de 70.000 pessoas participaram da Conferência das Partes (COP), conhecida como Cúpula Anual, realizada pela Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a 28ª, realizada na megacidade capitalista e petrolífera de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, uma cidade que personifica a ambição e o egoísmo dos principais responsáveis pela destruição do planeta à custa de seu prazer e privilégio. Enquanto multidões de delegados da área de combustíveis fósseis e do Norte Global se reuniam nos luxuosos corredores dos enormes edifícios de Dubai para negociar nossos territórios sob o pretexto de combater a crise climática, a comunidade costeira de El Bosque, em Tabasco, México, lutava contra a incapacidade e a indolência dos governos e das instituições internacionais diante da realidade dos milhares de deslocados climáticos em todo o mundo, que já estão deslocados pelo desaparecimento de suas terras e meios de subsistência.

Esse absurdo nos faz pensar: é possível humanizar o capitalismo? O comparecimento em massa às COPs tem funcionado? Há avanços que transcendem conceitos e discursos? Tem funcionado para pedir aos responsáveis pela crise climática que parem? Vale a pena o absurdo desperdício de dinheiro de governos e pessoas que se desculpam achando que sua presença na COP é transcendente e não tem relação com a poluição causada pelo uso da infraestrutura aeronáutica e turística que utilizam? O ano de 2023 foi o ano mais quente da história da humanidade e também o ano em que mais gases de efeito estufa foram emitidos, acelerando a crise climática.

Enquanto a ilusão e o circo midiático da COP estão ocorrendo, nós, os povos do sul global que são mais fortemente impactados pela crise climática, estamos sofrendo seus impactos violentos em nossos territórios, com total ignorância do que é e para que serve a COP. Essa situação é exacerbada pela implementação de megaprojetos e políticas de Estado que promovem não apenas os combustíveis fósseis, mas também toda a lógica extrativista, como as falsas soluções “renováveis” que são oferecidas em grandes pacotes econômicos e permanecem sob o controle do capitalismo agora “verde”, bem como nas mãos de Estados que são apenas servos das corporações, independentemente da cor e da ideologia de que estejam disfarçados.

A memória histórica de resistência dos nossos povos do Sul Global nos permite acreditar que nem tudo está perdido, nós, os povos do Sul, continuamos a nos tecer de vida e a germinar redes, articulações e alianças entre processos de diferentes pensamentos, formas e tempos, e é por isso que, enquanto os olhos de grande parte do movimento climático global estão respondendo às agendas internacionais dos Estados corporativos, o movimento dos povos, comunidades e organizações que defendem a terra, o território e a natureza, nos articulamos em assembleias, reuniões e caravanas regionais, nacionais e internacionais. Nós nos reunimos como defensores da terra para hackear as narrativas da hidra capitalista, compartilhamos nossas dores, desafios e sonhos em acampamentos e viagens para diferentes cantos do Sul Global Resiste e, dessa forma, construímos redes de ação e colaboração em defesa da vida.

No ano passado, enquanto mais uma COP era realizada em Dubai, um dos enclaves da acumulação por desapropriação, alguns de nós decidimos nos reunir para conversar e compartilhar sentimentos e pensamentos, entre 5 e 10 de dezembro em Pore, Casanare, Colômbia, durante a Conferência Social da Terra – ESC, onde nos perguntamos coletivamente qual seria o futuro do movimento climático global em um momento de Crises Transversais que ameaçam destruir a vida e o futuro da humanidade. Como resultado desse primeiro momento na Colômbia, decidimos continuar a discussão no México, colocando a vida e as diferenças como nós do comum, renomeando esse espaço de encontro, a partir da narrativa e das necessidades políticas daqueles que assumem a responsabilidade de convocá-los e recebê-los.

Após meses de diálogo e reflexão, a partir das formas de pensar, fazer, sentir e sonhar do Sul Global, concordamos que historicamente temos boicotado as COPs, ignorando total ou parcialmente sua existência; para os povos de nossos territórios, a COP é um espaço distante e irrelevante para nossa vida cotidiana, porque sua existência e seu evidente fracasso não tiveram impacto em nossas vidas, além da apropriação que quiseram fazer por meio dos mercados de carbono com os quais o grande capital pretende lavar seus negócios sujos que envenenam todo o planeta e por meio dos quais vemos o avanço do neocolonialismo com seus projetos e finanças verdes às custas de nossos territórios, nossas vidas e nossas raízes ancestrais.

Sabemos do fracasso da COP e da sua irrelevância para os nossos povos, mas também sabemos que fazemos parte desse mundo interconectado e global, no qual utilizamos essas plataformas internacionais para articular entre os povos e organizações que nos organizamos e resistimos à crise climática gerada pelos mesmos governos e empresas que simulam e endossam velhos compromissos para o planeta, enquanto milhares de pessoas sofrem impactos diretos e violentos de Deslocamentos Forçados por Megaprojetos, Guerras, Crise Climática e até Falsas Soluções Renováveis. Crise Climática e até Falsas Soluções Renováveis”, a COP é apenas um pretexto para tornar nossos problemas visíveis, permitindo-nos compartilhar a palavra com outros povos e organizações que sofrem problemas semelhantes, quase sempre causados pelas mesmas empresas e governos que participam desses eventos.

Acreditamos na autonomia e na autodeterminação como um pilar fundamental da construção de movimentos sociais e como uma prática política de respeito e apoio mútuos. Estamos cansados do eurocentrismo e do colonialismo no Movimento Climático, que reproduz discursos e práticas dos Estados Corporativos do Norte Global, continuando a dizer ao Sul Global o que é melhor para nós, impondo agendas e posições políticas. Devemos romper com essa dinâmica de poder para construir um espaço de discussão política em torno da defesa da terra, da água, das florestas, das selvas, dos rios, de nossas culturas, tradições, territórios, formas de organização e resistência; construir estratégias globais com impactos locais e articular ações locais com impactos globais; honrar e lembrar as pessoas que ofereceram suas vidas à Terra em defesa do comum, do coletivo; que deram suas vidas para defender a própria vida.

Sem mais delongas, e no espírito de continuar falando e construindo, CONVOCAMOS os Povos Indígenas, Camponeses e Populares, Comunidades e Organizações, Coletivos e Redes Climáticas, Dissidentes e Diversas, as diferentes expressões dos Movimentos Sociais do Sul Global que colocam a defesa da vida e a construção de outro mundo onde caibam muitos mundos, a se reunirem no ENCONTRO GLOBAL PELO CLIMA E PELA VIDA, de 4 a 9 de novembro de 2024 na cidade de Oaxaca de Flores Magón, México.

Para participar, colaborar, apoiar e assistir, você pode escrever para o e-mail oaxaca.nov24@gmail.com e responder ao seguinte formulário https://forms.gle/6ocanF7uGekFDWQu5

Fonte: https://tierrayterritorio.wordpress.com/2024/03/29/convocatoria-al-encuentro-global-por-el-clima-y-la-vida-noviembre-2024-oaxaca-mexico/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

chuva fina
tarde esfria
todo o lago se arrepia

Alonso Alvarez

[Reino Unido] Poster | Os 7 princípios cooperativos

£40.00

Edição limitada impressa a 5 cores.

120 exemplares, assinados e numerados. Amorosamente impressos à mãos pela Dog Section Press, uma cooperativa de trabalhadores.

Cooperativas ao redor do mundo geralmente operam de acordo com os mesmos 7 princípios e valores nucleares, suas raízes rastreáveis até a primeira cooperativa moderna de consumo, fundada em Rochdale em 1844. Embora o movimento cooperativista como um todo é cada vez mais capitalista em seus horizontes, cooperativas de trabalhadores (sem chefes, sem lucros e ninguém com mais poder que outros) podem nos ajudar a trabalhar juntos democraticamente, priorizando ajuda mútua em vez de auto-interesse e competição.

Toda a renda das vendas dos pôsteres nos ajuda a imprimir mais livros, panfletos, e propaganda radical.

Fonte: https://dogsection.bigcartel.com/product/7-cooperative-principles

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Branco instante
entre verde e azul:
garça ou pensamento.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] Atenas: 19 de julho de 1936 | 88 anos da Revolução Social na Espanha

Sábado, 20 de julho, 20h30, no jardim da Okupa Lela Karagiannis 37

Exibição do documentário “Vivir La Utopia” (Viver a Utopia)

Duração: 96 minutos

Sinopse:

 “Vivir La Utopía” (Viver a Utopia) é um documentário de 1997, produzido pela TVE e dirigido por Juan Gamero. Nele, se descreve a experiência anarcossindicalista e anarcocomunista da Espanha, que transformou radicalmente as estruturas da sociedade em amplas zonas da facção republicana — evento denominado de Revolução Espanhola, ocorrido durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39).

O filme apresenta 30 entrevistas com sobreviventes anarquistas da Revolução Espanhola, cujo testemunho mostra a construção da revolução social e os antecedentes históricos do movimento libertário espanhol. Segundo o documentário, esse trabalho de construção resultou na organização de associações agrícolas, com uma média de 7 milhões de camponeses; em 3000 fábricas e empresas coletivamente autogestionadas nas cidades; na união de 150.000 milicianos anarquistas contra o fascismo; assim como nas atividades culturais e no movimento “Mujeres Libres”, de mulheres contra o patriarcado.

A luta pela revolução social, anarquia e comunismo libertário continua…

Assembleia Aberta da Okupação Lela Karagianni 37

agência de notícias anarquistas-ana

Lentos dias se acumulam –
Como vão longe
Os tempos de outrora.

Buson

[Reino Unido] Policial espião que liderou a seção especial admite ter acusado erroneamente ativista de plano de bomba

Roger Pearce retira a alegação de que Dave Morris estava entre os anarquistas que planejavam colocar bombas na base militar

Por Rob Evans | 09/07/2024

Um policial disfarçado que se tornou o chefe da divisão especial da polícia metropolitana admitiu que acusou erroneamente um ativista de planejar colocar bombas em uma base militar.

Roger Pearce, o policial disfarçado que se infiltrou em grupos anarquistas na década de 1980, alegou em um inquérito público que dirigiu até Aldershot com um grupo de anarquistas para “verificar locais de bombas”. Ele acusou Dave Morris de ser um dos anarquistas.

Na terça-feira, Pearce retirou sua alegação depois que ela foi negada por Morris. Morris é um ativista radical de longa data que foi um dos réus no caso McLibel da década de 1990.

A retratação da alegação contra Morris foi ouvida no inquérito público conduzido por um juiz que está examinando as atividades de cerca de 139 policiais disfarçados que espionaram mais de 1.000 grupos políticos desde 1968.

A fase atual do inquérito está examinando as operações secretas nas décadas de 1980 e 1990.

Pearce fingiu ser um anarquista entre 1980 e 1984 usando o nome falso de Roger Thorley. Ele era membro do setor especial da polícia metropolitana, a divisão secreta responsável pelo monitoramento de grupos políticos. Em 1999, ele havia sido promovido a chefe da seção especial, cargo que ocupou até 2003.

Em seu depoimento de testemunha, Pearce alegou que, durante seu destacamento, ele havia sido “atraído para ajudar a fazer o reconhecimento de locais de bombas” no quartel militar de Aldershot. Ele alegou que levou um grupo de quatro ou cinco anarquistas em seu carro em uma viagem espontânea à cidade e citou Morris como um dos integrantes do grupo.

Na segunda-feira, Morris, prestando depoimento ao inquérito, disse que a alegação era “um monte de besteira”, sugerindo que Pearce havia inventado tudo.

Ele acrescentou: “Não acredito que já tenha estado em Aldershot e certamente nunca teria feito um reconhecimento de um lugar para o que quer que ele esteja me acusando”.

Na terça-feira, Pearce recuou depois de ser questionado por David Barr, o advogado do inquérito. “Sim, estou convencido de que o Sr. Morris não estava envolvido no reconhecimento do quartel de Aldershot, portanto isso é um erro”, disse Pearce.

Pearce ainda afirmou que fez a viagem com anarquistas que não foram citados no inquérito. Ele acrescentou que “nada resultou do reconhecimento”.

Morris é mais conhecido por seu envolvimento no longo julgamento de McLibel. Nesse caso de Davi contra Golias, ele e outra ativista ambiental, Helen Steel, foram processados por difamação pela gigante norte-americana de fast food McDonald’s por causa de um folheto que haviam distribuído criticando as práticas da empresa.

Fonte: https://www.theguardian.com/uk-news/article/2024/jul/09/spy-cop-who-led-special-branch-admits-wrongly-accusing-activist-of-bomb-plot

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

[Chile] Cartas da prisão dos que foram detidos recentemente em Villa Francia

“Nós os saudamos com profundo afeto e amor revolucionário, agradecidos por cada gesto de solidariedade que nos fizeram sentir em meio a esse revés que temos que assumir hoje.

Abraçamos como sempre sua atitude permanente de resistência e dignidade, porque ela é uma força vital para a continuidade das lutas do povo pobre em cujo seio se abriga nossa condição de lutadores sociais.

Obrigado por tudo e muito, que o amor de nossa querida Luisa Toledo inunde seus corações e os encha de força para continuar resistindo.

É justamente o amor infinito que Luisa nos deu que nos colocou para sempre nas trincheiras do povo; é o amor eterno de Luisa que tem guiado nossas ações, é o amor de Luisa que nos mantém firmes e dignos no caminho que nos leva à liberdade.

Com o amor de Luisa e a força que ainda irradia dela, estamos enfrentando este momento adverso cheios de convicção e vontade de lutar.

Com o amor de Luisa, continuamos a ser a decisão e a continuidade da luta inabalável do povo por sua dignidade.

Desde a Prisão Santiago 1 e a Prisão de San Miguel, máquinas de extermínio do povo pobre, com carinho e compromisso inabalável”.

PRESOS POLÍTICOS DO DIA 6 DE JULHO

Coletivo de Presos Políticos de Villa Francia.

13 de julho de 2024

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agência de notícias anarquistas-ana

Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai