[Espanha] A França “salva os móveis de uma casa em chamas”

Após o segundo turno das eleições parlamentares francesas, a mídia quer nos fazer acreditar mais uma vez que a extrema direita foi detida nas urnas. O mesmo “final feliz” para satisfazer aqueles que continuam acreditando que o circo eleitoral tem algo a ver com a realidade da maioria social.

Toda vez que uma nova edição da “festa da democracia” é organizada, não somos apenas nós que temos de pagar pela ressaca, mas também assistimos com certo entusiasmo à “luta” pelo poder de uma classe social que se opõe aos interesses dos trabalhadores, confiando (talvez) que nós também nos “beneficiaremos” da possível vitória da opção “menos ruim”.

No caso da França, a esquerda burguesa conseguiu no segundo turno, no domingo, 7 de julho, um apoio maior do que a extrema direita burguesa, e fomos levados a acreditar, com manchetes, que todos nós “ganhamos”. Mas a realidade é que – como José Luis Cuerda consegue retratar com perfeição em uma das famosas cenas do longa-metragem “Amanece que no es poco” (1989) – “ganharam os mesmos de sempre”. E a situação para as pessoas mais vulneráveis e para a classe trabalhadora em geral não será diferente (ou muito diferente do que é agora). Como dizem os camaradas libertários e anarquistas franceses, “no último domingo, conseguiu-se apenas salvar um conjunto de móveis de uma casa em chamas”.

Essa ideia nos faz refletir sobre um dos debates das últimas semanas, antes das eleições francesas. O avanço das ideias racistas e xenófobas e, em geral, de qualquer comportamento reacionário e intolerante na França. É verdade que a extrema direita não modulou seus discursos de ódio e que também encontrou a colaboração da mídia para divulgá-los. Entretanto, esse “problema” já existia e estávamos vendo as consequências de sua aceitação na sociedade francesa.

É por isso que dissemos há alguns dias que a luta deve ser constante e diária, e não deve ser abandonada ou relaxada assim que as eleições terminarem. Se o fascismo teve facilidade para encontrar “buracos” por onde entrar em nossos bairros, cidades, escolas, locais de trabalho, organizações sindicais e sociais etc., é porque esses espaços foram gradualmente cedidos a ele, e suas ideias se estabeleceram e se tornaram fortes na ideologia de nosso povo, entre muitas pessoas humildes e trabalhadoras. E isso também aconteceu e está acontecendo agora em outras partes da Europa e do mundo. Nós da CGT insistimos que nosso futuro não pode ser confiado à burguesia.

E isso também aconteceu e está acontecendo em outras partes da Europa e do mundo. Já dissemos isso há alguns dias: não podemos confiar nosso futuro àqueles que só trabalham para salvar os seus, porque a única trincheira que sempre conseguirá realmente deter o fascismo será a organização (em todos os níveis) da classe trabalhadora.

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Espanha] Comunicado de apoio às “6 de La Suiza”

Recentemente conhecemos a sentença do Tribunal Supremo que condena a 6 sindicalistas que participaram no conflito contra a confeitaria La Suiza a 3 anos e meio de prisão e vultosas multas econômicas.

Desde a Federação Anarquista Ibérica (FAI) nos ratificamos no comunicado que emitimos já no ano de 2021 rechaçando a desproporcional sentença e difundindo a forma de apoio econômico para custear os gastos judiciais das companheiras sindicalistas.

Entendemos que esta sentença atenta contra o exercício da liberdade sindical. E ainda que em um sistema democrático sobre o papel se tolere o exercício da liberdade sindical, é a mesma natureza coercitiva do Estado quem exercerá a repressão contra a classe trabalhadora, se os poderes do Estado o acharem conveniente para garantir a paz social e frear o conflito de classe. E isto não só mediante uma sentença, mas através de um processo judicial longo e complexo que busca desgastar econômica e moralmente as afetadas, os familiares, e as organizações e pessoas que estão apoiando e solidarizando-se com estas companheiras, tentando assim meter-nos medo na hora de exercer um sindicalismo independente e lutar pelas melhoras de nossas condições materiais de vida.

O marco jurídico repressivo que estabelece a famosa lei mordaça e outras ações dos poderes do Estado como esta sentença judicial, não tem outra finalidade a mais que minar e debilitar a capacidade de luta das organizações de trabalhadores que pretendam superar o sistema econômico capitalista no atual contexto de ofensiva neoliberal. Ademais, esta sentença cria um grave precedente judicial para castigar e criminalizar os piquetes contra os exploradores.

Nosso apoio a estas companheiras nestes momentos difíceis para elas e para toda a classe trabalhadora.

Federação Anarquista Ibérica (FAI)

federacionanarquista.net

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

A Ilusão Petista: Mais Austeridade

No ano de 2023 o governo Lula-Alckmin (PT-PSB) aprovou o novo arcabouço fiscal, batizado de Regime Fiscal Sustentável (RFS), substituindo o novo teto de gastos do Governo Temer, e uma “Reforma Tributária. Ambas as medidas mantiveram o sistema de exploração e dominação capitalista colonial brasileiro, na qual os capitalistas, políticos, juízes e suas famílias sempre saem ganhando. No caso do RFS favorece as privatizações e os grandes grupos capitalistas, dificultando investimento estatais em setores como Saúde, Educação, Meio Ambiente e Infraestrutura, e mantiveram o cerne do sistema de pagamento de imposto que é exemplar para tirar dinheiro das trabalhadoras e trabalhadores mais empobrecidos e transferir para a classe dominante brasileira, uma verdadeira rapinagem sobre o povo.

A estrutura de gestão da economia brasileira ainda está sob a égide dos elaboradores do Plano Real, privilegiando o setor financeiro e contingenciado o orçamento estatal para investimentos públicos. Apesar de ter uma inflação relativamente baixa, ela é mantida com juros na economia que favorecem o setor financeiro da economia capitalista, contingenciamento de salário e investimento estatais e pouco crescimento econômico para os moldes do próprio sistema capitalista. Por conseguinte, esse arranjo macroeconômico da economia brasileira também fortaleceu a burguesia do agronegócio, na medida em que as altas exportações do setor fazem com ajude na balança comercial e na formação dos superávits primários que são todos direcionados para os capitalistas, e não para melhoria em saúde e educação, por exemplo.

O RFS foi sancionado com vetos pelo presidente Lula em 30 de agosto de 2023, tornando-se a Lei Complementar nº 200. Do ponto de vista econômica é a burguesia financeira que determinou o RFS, piorando em certos aspectos a proposta de Michel Temer, do novo Teto de Gastos. Mantendo assim o caráter fiscalista, que contingencia investimento estatal, da própria gestão econômica do Estado Brasileiro, padrão que se mantém desde o governo Collor. Na prática o RFS já restringe o orçamento ao limitar o crescimento real do gasto a 1,7%. Assim, não existe no horizonte um aumento para o programa Bolsa-Família e muito menos salarial para amplo conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras do setor estatais, como já demonstra a mesa de negociação com o governo. Mesmo para o tão falado Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) os recursos são escassos.

Esse novo regime fiscal procura aumentar o investimento privado, não por acaso as privatizações e concessões continuam no atual governo, como por exemplo de presídios e parques nacionais. Se por um lado a vitória da coligação liderada pelo PT de Lula significa o fortalecimento do Estado Burguês em meio à crise da República burguesa de 1988, o novo regime fiscal é a consolidação da organização fiscal neoliberal, uma vez que para que haja mesmo crescimento econômico do capitalismo brasileiro seria necessário muito mais investimento privado.

Temos um novo governo que tem servido para dar mais legitimidade a ordem burguesa que massacra o povo. Se por um lado, toda e qualquer despesa do Orçamento destinada a saúde, educação, infraestrestrutura e meio ambiente é restringida pelo novo regime fiscal, como tem sido desde o governo FHC, isso não acontece em relação ao pagamento de juros da dívida; só em 2023 foram mais de 700 bilhões em juros da dívida pública

Ao Estado e em particular a República de 1988, não é por acaso das articulações com setores do Judiciário, principalmente do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter a ordem nacional. Enquanto isso o parlamento funciona mais azeitado do que nunca na sua fisiologia, aumentando seu preço de compra com aumento de recursos do orçamento federal para as parlamentares continuarem a fazer sua pequena política: clientelismo e compra de votos.

Não é por acaso também que Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, (PT) tem defendido o fim dos pisos constitucionais da saúde e da educação, dentro da lógica de contingenciamento de recursos de acordo a política de austeridade.

O sistema de exploração e dominação é cada vez mais aperfeiçoado. Se o novo regime fiscal está todo calcado na lógica de investimento privado com restrição de gastos estatais, mesmo para saúde, educação e meio ambiente, a reformação tributária mantém seu caráter injusto e desigual.

A reforma tributária em curso no final teve como objetivo simplificar o sistema, sem tocar na sua estrutura. Ou seja, a rapinagem sobre o povo continua a favorecer os poderosos. A simplificação dos impostos tem como objetivo principal desonerar as empresas e jogar esses impostos indiretos todos para o conjunto da classe trabalhadora. Tal como a reforma trabalhista que tinha como principal objetivo diminuir os custos jurídicos das empresas, dessa vez é a parte administrativa e tributária. A adoção do novo regime de imposto não alterou a concentração de imposto indiretos, sobre consumo, que atinge os trabalhadores mais empobrecidos.

A reforma não modificou a tributação do imposto de renda, onde trabalhadores com salários de 4664 pagam uma taxa de 27,5%, o mesmo que um diretor de banco com vencimento de um milhão mensais. Sem contar que a classe dominante tem seus rendimentos em lucros e dividendos que são isentas de impostos. Segundo a própria receita federal a renda do brasileiro quanto menor é mais taxada. Quem recebe entre 3 e 5 salários tem sua renda taxada em até 70%, no entanto que ganha mais de 300 mil mensais tem apenas 30% da renda tributável. Sem contar que as grandes corporações e capitalistas operam a parti de paraísos fiscais, tributando muito menos de suas vendas, como o próprio setor do agronegócio.

O Novo Regime Fiscal e a Reforma Tributária em nada melhoram a vida da classe trabalhadora. Estão dentro da política econômica neoliberal de Austeridade que tem marcado as últimas três décadas. Dessa vez, essas modificações são realizadas por um governo que procura junto com judiciário, principalmente o STF, garantir a República Morta de 1988, mantendo a ordem capitalista-burguesa, e com isso fortalecendo a reação contra a classe trabalhadora. As trabalhadoras e trabalhadores e os povos do campo e da floresta precisam se organizar autonomamente e romper com as ilusões do petismo e do legalismo parlamentarista. Somente uma Revolução Social é capaz de acabar com o regime de exploração e dominação e para ela acontecer é preciso romper com que impede ela de florescer.

uniaoanarquista.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.

Matsuo Bashô

[Chile] Toda classe de governo a combater e destruir! 88 anos dos capítulos insurrecionais na Espanha de 36.

Fazer memória, conhecer episódios da história do combate anárquico em qualquer território, é essencial para alimentar nossa consciência política e os fogos internos para colocar em prática as ideias que são propagadas, sempre em permanente confronto. Nessa linha, os acontecimentos insurrecionais da Espanha de 36 serão sempre belos capítulos a serem trazidos para o presente.

Seguindo a linha das iniciativas anteriores, nesta não faltará o conteúdo político primordial, com a apresentação de um livro, a atualização de companheiros e companheiras em prisão, música e muito mais.

Estão totalmente convidados para o 5º jantar no Espacio Fénix… espalhe a notícia, divulgue, participe, faça parte, estamos esperando por vocês.

Quinta-feira, 18 de julho de 2024

18h30

ESPACIO FÉNIX

Juan Martínez de Rozas 3091, metrô Quinta Normal, Santiago Centro
espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Com dignidade
nas minhas velhas roupas –
o espantalho

Stefan Theodoru

Um Argumento a Favor do Ateísmo

Um tema que sempre me desperta a atenção, é o debate sobre a existência de Deus e a relevância da religião, que tem permeado a história da humanidade por gerações. No entanto, com os avanços científicos e filosóficos dos últimos séculos, torna-se cada vez mais evidente para todos que o ateísmo não apenas oferece uma visão mais racional e lógica do mundo, mas também proporciona um alicerce para uma sociedade mais ética e justa. A crença em deuses e superstições, por outro lado, não raro conduz a práticas prejudiciais e obscuras, que em sua totalidade são nocivas aos seres humanos.

A premissa central do ateísmo é a ausência de crença em deidades ou entidades sobrenaturais. Essa perspectiva é apoiada pela falta de evidências empíricas para a existência de qualquer divindade. A ciência, que se baseia na observação, experimentação e racionalidade, oferece explicações mais robustas e testáveis para os fenômenos naturais que a religião tradicionalmente tenta explicar. O ateísmo promove o pensamento crítico e encoraja as pessoas a questionarem e buscarem evidências antes de aceitar qualquer reivindicação.

Por outro lado, a religião frequentemente baseia-se na fé cega e na aceitação de dogmas sem questionamento. Este tipo de mentalidade geralmente nos leva ao fanatismo e à intolerância. A história está repleta de exemplos onde a religião foi usada para justificar guerras, genocídios e discriminação. As Cruzadas, a Inquisição e, mais recentemente, atos de terrorismo, são apenas alguns exemplos de como a religião pode ser manipulada para servir a agendas violentas e opressoras.

Além disso, a superstição, que muitas vezes anda de mãos dadas com a religião, pode ter consequências diretas e negativas para a saúde e o bem-estar humano. A crença em curas milagrosas, a rejeição de tratamentos médicos comprovados em favor de práticas espirituais, e o medo de maldições ou espíritos malignos podem levar a decisões prejudiciais e até fatais. Um exemplo contemporâneo é o movimento antivacina, que, embora nem sempre diretamente ligado à religião, muitas vezes é alimentado por uma mentalidade anticientífica que também se encontra em certos círculos religiosos.

A religião também atua como uma força conservadora que resiste a mudanças sociais (especialmente aquelas que direta ou indiretamente podem afetar o poder das igrejas…). Questões como direitos das mulheres, igualdade de gênero e direitos LGBTQIA+ frequentemente encontram forte oposição de instituições religiosas que se apegam a interpretações arcaicas de textos supostamente sagrados. O ateísmo, ao contrário, tende a apoiar a igualdade e os direitos humanos, já que não está preso a tradições dogmáticas e pode evoluir com novas compreensões éticas e morais.

Em suma, o ateísmo oferece uma visão de mundo baseada na razão, na evidência e no pensamento crítico, podendo promover uma sociedade mais justa e igualitária. A religião e a superstição (que sempre andam de mãos dadas com o Estado e o Capital), ao contrário, perpetuam a ignorância, a intolerância e a injustiça. Ao nos libertarmos das algemas do dogma religioso e das superstições infundadas, podemos avançar como sociedade, promovendo a ciência, a ética e o bem-estar humano. O ateísmo não é apenas uma posição filosófica, mas um chamado à razão e à compaixão, valores essenciais para a construção do mundo novo que trazemos em nossos corações.

Liberto Herrera

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[Itália] 40º aniversário do Encontro Anarquista Internacional realizado em Veneza em 1984

Queridos companheiros,

Este ano de 2024 está repleto de aniversários e, depois dos 60 anos desde o início do  “A na bola”, há mais um a caminho: o 40º aniversário do Encontro Anarquista Internacional realizado em Veneza em 1984 (para aqueles que não estiveram lá, aqui está o link que dá conta dos muitos aspectos desse evento: https://centrostudilibertari.it/ven84-homepage).

Dada a importância que esse encontro tem não apenas para a nossa própria história, mas também para a história do movimento anarquista internacional, que contou com a participação maciça de trinta países diferentes, não poderíamos deixar de criar algo à altura da ocasião!

Portanto, estamos anunciando que, no final de outubro de 2024, de 19 a 31, estamos organizando em Veneza, nos mesmos lugares que testemunharam aqueles dias gloriosos, um programa de eventos que girará em torno de uma exposição, com curadoria de Elena Roccaro (que acabou de discutir o Encontro em sua tese de pós-graduação) e Fabio Santin (que fez a curadoria de toda a encenação de Veneza ’84). A exposição, dedicada aos muitos anarquismos presentes no Encontro, será realizada no Ca’ Tron, um palácio veneziano histórico que agora é uma filial da Universidade IUAV. Haverá também outras iniciativas disseminadas nas ruas e em outros lugares amigáveis: um passeio psicogeográfico pela Veneza Radical na companhia de Jean-Manuel Traimond, algumas palestras temáticas sobre a relação entre espaço e cidade a serem realizadas no palácio Tolentini – a sede da IUAV onde ocorreu a conferência de 1984, que também sediará uma segunda exposição sobre publicações radicais -, e outras pequenas surpresas (como a exibição do filme feito na época pelos camaradas de Hong Kong do grupo “70’s Biweekly”). E, certamente, alguns momentos dedicados à convivência.

Não é preciso dizer que gostaríamos de ver muitos e muitos de vocês; como a programação está sendo finalizada, não podemos ser mais precisos no momento, mas os manteremos informados com atualizações sempre que possível. Enquanto isso… reserve a data!

Para obter mais informações ou qualquer dúvida, responda a este boletim informativo ou entre em contato conosco pelo e-mail centrostudi@centrostudilibertari.it

P.S.: Vários companheiros de Montevidéu, incluindo o grupo Comunidad del Sur, também estão planejando organizar um evento em outubro para comemorar o Encontro, portanto, também os manteremos informados sobre o que está acontecendo no hemisfério sul.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de frio —
Apoiado num só pé
O papagaio dorme.

Paulo Franchetti

[EUA] Uma atualização da opositora do grande júri Cyprus Hartford

Depois de apenas cerca de uma semana, atingimos minha meta de arrecadação de fundos de US$ 5.000. A demonstração de solidariedade que recebi, tanto online quanto pessoalmente, é algo que desejo estender a todos. Nosso poder vem de nossa solidariedade. É um privilégio ser membro de uma comunidade tão solidária. Em cada etapa desse processo, recebi ajuda e apoio de muitas pessoas.

Esse dinheiro será usado para pagar as taxas legais durante todo o processo. Cerca de US$ 1.000 serão reservados para esse processo. Nesse meio tempo, US$ 1.000 ou menos serão usados para cobrir minhas despesas de subsistência para que eu possa viver até a data da intimação. Serão reservados US$ 3.000 para custear minha existência na prisão, caso eu seja encarcerada. É provável que seja necessário levantar mais fundos, pois posso ficar presa por até dezoito meses.

Em 13 de agosto de 2024, às 8h, estou convocando uma manifestação e uma coletiva de imprensa do lado de fora do Hollings Judicial Center, na 85 Broad Street, em Charleston, Carolina do Sul. Estou programada para comparecer ao tribunal às 9h, portanto, essa manifestação será realizada antes de eu entrar na sala de audiências. Será um momento para celebrar nossa solidariedade e mostrar que nosso amor é mais forte do que o medo que o Estado instila em nós. A data e o horário dessa manifestação podem estar sujeitos a alterações se eu for chamada a testemunhar em um horário diferente.

Jamais cumprirei uma intimação ou cooperarei com um grande júri. Sou anarquista e rejeito todos os grandes júris por considerá-los arcaicos, opacos e antidemocráticos. O Estado nunca conseguirá me coagir a testemunhar. Qualquer pena de prisão que me ameaçarem seria uma punição sem julgamento e uma mancha no sistema jurídico americano. Que possamos viver para ver um dia em que nenhum de nossos amigos seja mantido como refém pelo Estado.

Com amor e raiva,

Cyprus Hartford

It/they/ela

Fonte: https://www.gofundme.com/f/support-cyprus-against-state-repression

Tradução > Contrafatual

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Sob o caramanchão
o céu,
noturna renda.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Exigimos a libertação imediata e incondicional dos presos do caso de Villa Francia

A Villa Francia é e sempre será um símbolo de resistência insurrecional. Suas ruas são testemunhas da luta incansável contra o poder autoritário, e hoje seus filhos e filhas são mais uma vez alvo da repressão. Mas não se engane, toda tentativa de silenciar nossas vozes apenas alimenta nossa raiva e nossa determinação.

Não reconhecemos a legitimidade de um sistema que criminaliza o protesto. A prisão é apenas mais uma ferramenta de controle social, criada para nos manter submissos, mas não nos submetemos nem nos rendemos.

Exigimos a libertação imediata e incondicional dos presos do caso de Villa Francia e de todos os presos políticos. Não pedimos clemência, porque não reconhecemos a autoridade de suas leis, exigimos justiça e, se o Estado não a conceder, tomaremos a decisão de manter ações multiformes.

Aos presos políticos, dizemos: sua luta é nossa luta, vocês não estão sozinhos nessa batalha, desde todos os cantos da resistência, enviamos força e raiva. Estamos firmes e organizados, conspirando contra toda forma de opressão, porque sabemos que seu tempo está contado.

A solidariedade não é uma palavra vazia; é ação direta, é sabotagem, é desobediência, é confronto. Porque em cada barricada, em cada ato de resistência, está a semente da nossa liberdade e não vamos parar até vermos o novo mundo que carregamos em nossos corações se tornar realidade.

FOGO NAS PRISÕES!

LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS DO CASO VILLA FRANCIA E PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

ABAIXO O ESTADO E VIVA A ANARQUIA!

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Bolha de sabão.
Borboleta distraída…
Colisão no ar!

Fanny Dupré

[Espanha] A CGT exige o fim da perseguição aos povos originários e comunidades indígenas do México

A organização anarcossindicalista lamenta uma nova agressão de narcotraficantes à comunidade Nahua de Santa María de Ostula, em Michiocán (México).

Através de um comunicado, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) voltou a solidarizar-se com a comunidade indígena – que reside na localidade de Sta. María de Ostula, no município de Aquila (México), após conhecer uma nova incursão de membros do perigoso Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG) nas últimas horas.

A comunidade indígena, que vive neste território e que defende desde há anos seu direito a livre determinação e à autonomia, se viu novamente agredida por esta organização criminosa mexicana, que começou a funcionar em 2007, e que se dedica principalmente ao narcotráfico, ao tráfico de armas e a extorsão. Este grupo pretende controlar algumas zonas do México que tem pouca presença governamental para levar a cabo suas atividades delitivas.

Desde alguns dias, estão acontecendo nesta zona de Santa María de Ostula diferentes ataques dos narcos do CJNG, que estão afetando a população. O povo segue sofrendo uma perseguição que não cessa, nem por parte dos maus governantes – dispostos a continuar expandindo sua “democracia representativa” e suas políticas neoliberais, nem pela parte destas organizações dedicas ao crime, dispostas também a fazer-se com zonas onde a população vive desde séculos em comunidades pacíficas.

É o exemplo dos Nahua, povo numeroso do México, que estão ligados à terra que pisam e a qual defendem com sua própria vida, porque entenderam que a natureza é tudo. Por isso resistem em seus territórios e comunidades a qualquer ataque ou ingerência externa que os obrigue a deixar o lugar ou a renunciar aos costumes herdados de seus ancestrais.

Desde a CGT, através de sua Secretaria de Relações Internacionais, voltamos a dizer basta a todos os ataques e assédios aos quais estão submetidos os povos originários do México. Do mesmo modo, a CGT mostrou sua solidariedade e sua admiração por quem mantêm seu compromisso com as ideias de auto-organização e autonomia das comunidades.

Parem de perseguir os povos indígenas! Viva a luta das comunidades originárias!

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais da CGT

Tradução > Sol de Abril

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As folhas vermelhas
brilham num dia de sol:
o inverno se alegra.

Thiago Souza

[Reino Unido] Antifascista alemã extraditada para a Hungria

Maja T enfrenta agora 24 anos de prisão, acusada de atacar neonazistas em Budapeste

Apesar de meses de esforços legais e demonstrações de solidariedade, a antifascista alemã Maja T. foi extraditada para a Hungria, onde poderá pegar 24 anos de prisão. A ativista não-binária foi presa em Berlim em dezembro de 2023 e acusada por supostamente formar uma “organização criminosa”, em conexão com os ataques a um comício neonazista em Budapeste em fevereiro de 2023. Elu foi mantida sob custódia de extradição na prisão de Dresden antes de ser levada para o outro lado da fronteira.

Os procedimentos de Budapeste, que começaram 10 meses antes da prisão de Maja, dizem respeito a alegações contra vários ativistas antifascistas acusados de violência contra grupos de extrema-direita durante os eventos do “Dia de Honra” de Budapeste. Esses eventos em comemoração aos veteranos da Segunda Guerra Mundial têm atraído participantes neonazistas. As autoridades alemãs foram pressionadas a investigar e processar essas alegações por meio de ampla vigilância e prisões. Em dois casos, o Ministério Público Federal tentou aumentar as acusações para tentativa de homicídio, o que foi rejeitado pelo Tribunal Federal de Justiça. Na Hungria, a acusação existente para atos violentos oblíquos acarreta uma sentença potencial de 24 anos de prisão.

Depois de ser mantida sob custódia, o caso foi transferido para o Ministério Público Federal, o que essencialmente aumentou a probabilidade de extradição para a Hungria, conhecida por seu antagonismo em relação a indivíduos LGBTQIA+, além de condições carcerárias precárias. Os regimes autoritários e as violações de direitos humanos do país, presentes no sistema jurídico e penitenciário, não estão em conformidade com os padrões europeus, a ponto de o Parlamento da UE negar à Hungria o status democrático em 2022.

Em 28 de junho, o Tribunal Constitucional Federal emitiu uma ordem temporária para suspender a extradição de Maja até que uma reclamação constitucional pudesse ser analisada. No entanto, Maja já havia sido entregue às autoridades húngaras no início daquela manhã, apenas cinquenta minutos antes da ordem do tribunal ser emitida. Essa ação das autoridades alemãs efetivamente contornou a decisão do tribunal.

As autoridades alemãs (Prisão de Dresden, Escritório de Polícia Criminal do Estado da Saxônia, Promotoria Pública de Berlim) foram duramente criticadas por minar os direitos humanos de Maja, bem como por se recusarem a fornecer à sua família informações sobre seu paradeiro – negando os direitos de detenção.

A extinção planejada de Maja levou a uma onda de protestos em toda a Alemanha. Em dezembro passado, 200 manifestantes protestaram na cidade de Jena, exigindo a liberdade de Maja e de outros presos políticos acusados no julgamento de Budapeste. Juntamente com o apoio e os discursos de Hamburgo, o pai de Maja declarou que fica “orgulhoso quando Maja se levanta contra os fascistas”. No sábado (29.6), após a deportação de Maja, mais de 100 antifascistas se manifestaram na cidade de Erfurt, e ações de solidariedade foram realizadas em outros lugares da Alemanha durante o fim de semana.

~ Alisa-Ece Tohumcu

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/02/german-anti-fascist-extradited-to-hungary/

Tradução > Contrafatual

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Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Uruguai] Agitação contra o isolamento do companheiro Francisco Solar

Desde o território em conflito com o Estado uruguaio, nos unimos à campanha contra o isolamento que a gendarmaria [polícia] e o poder judiciário do Chile querem impor ao companheiro Francisco Solar.

A piora excepcional das condições carcerárias é um exemplo claro de que seu “direito” é uma falsidade, que não é o mesmo para todos, que é válido até que seus privilégios sejam tocados, e eles foram tocados pelos ataques diretos que receberam!

Seu direito é apenas uma encenação que eles desmontam à vontade, dependendo de quem é o prisioneiro. Sua mentira democrática está desmoronando, assim como o avanço repressivo que fizeram nestes dias na Villa Francia.

A sentença imposta ao companheiro, que eles pretendem ser exemplar, mostra o quanto eles sabem que estão ameaçados pela ação revolucionária violenta. Isso, em vez de intimidar, dá o tom da continuidade da luta, sem líderes, sem centralismo, evitando a cada passo relações hierárquicas alheias à prática antiautoritária. A anarquia sempre continua, “como um ponto de partida, não de chegada”, para recuperar nossas vidas. Que eles tenham todos os motivos para temer a anarquia!

Contra o isolamento do companheiro Francisco Solar!

Expandir as práticas de solidariedade internacional negra!

A n a r q u i s t a s

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agência de notícias anarquistas-ana

Varrer o chão
E então parar de varrê-lo —
Estas folhas secas.

Taigi

Nota de solidariedade a sindicalistas condenados na Espanha (Português, Espanhol, Esperanto)

NOTA DE SOLIDARIEDADE

Desde o Rio de Janeiro, queremos fazer chegar aos sindicalistas condenados a três anos e meio de prisão por apoiar uma companheira da Pastelaria La Suiza (em Gijón, na região de Astúrias, na Espanha), que havia denunciado o seu chefe por assédio sexual e moral, todo o nosso carinho e nosso apoio nesses momentos tão dramáticos. Essa sentença é um passo a mais no processo global de perseguição e criminalização das lutas e do sindicalismo combativo. Hoje, como sempre, frente às represálias da patronal e do Estado, são necessárias solidariedade, fraternidade e apoio mútuo. Um grande abraço fraterno pros nossos companheiros, companheiras e suas famílias. Buscaremos acompanhar a situação e ajudar no que for possível.

NOTA DE SOLIDARIDAD

Desde Rio de Janeiro-Brasil queremos hacer llegar a los sindicalistas condenados a tres años y medio de prisión por apoyar a una compañera de la Pastelería La Suiza (Gijón, Asturias) que había denunciado a su jefe por acoso laboral y sexual, todo nuestro cariño y nuestro apoyo en unos momentos tan dramáticos. Esta sentencia es un paso más en el proceso global de persecución y criminalización de la protesta y del sindicalismo de combate. Hoy, como siempre, frente a las represalias de la patronal y del Estado, solidaridad, fraternidad y apoyo mutuo. Un gran abrazo fraterno para nuestros compañeros, compañeras y sus familias. Nos esforzaremos por seguir de cerca la situación y ayudar en todo lo que podamos.

SOLIDARECA NOTO

El Rio-de-Ĵaneiro (Brazilo), ni volas alvenigi, al la sidikatistoj kondemnitaj je tri jaroj kaj duono da prizono pro subteno de laboristino de “Pastelaría La Suiza” (en Asturio, Hispanio) kiu denuncis sian estron pro morala kak seksa ĉikanado, nian plenan korinklinon kaj nian apogon en ĉi-tiuj tiel dramaj momentoj. Tiu veredikto estas plia paŝo en la tutmonda procezo de persekuto kaj krimigo de sociaj luktoj kaj batalema sindikatismo. Hodiaŭ, kiel ĉiam, antaŭ la reprezalioj de la dungantoj kaj de la Ŝtato, necesas solidareco, frateco, kaj reciproka subteno. Grandan fratan brakumon al niaj kunuloj kaj siaj familioj. Ni klopodos informiĝi pri la situacio kaj helpi kiel ajn ni povos.

Associação de Trabalhadores de Base (ATB)

Instituto de Estudos Libertários (IEL)

Organização Popular (OP)

Julho/2024

organizacaopopular.wordpress.com

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agência de notícias anarquistas-ana

meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

“Fazer sindicalismo não é crime”

Sindicalismo revolucionário, repressão política e a luta por um internacionalismo

Por Kauan Willian

No fim de junho de 2024, a CGT (Confederación General del Trabajo), em conjunto com CNT (Confederación Nacional del Trabajo) e outros sindicatos e organizações políticas da Espanha, lançaram a campanha “Hacer sindicalismo no es delito” (Fazer sindicalismo não é crime) (CGT, 2024). A campanha se refere à condenação de 6 mulheres militantes da CNT de Xixón pelo Supremo Tribunal, acusadas de caluniar um empresário em campanhas por greves. Meses antes, o sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo lançou o “Manifesto contra a perseguição aos metroviários de São Paulo” – a perseguição, no caso, era feita pelo governo de extrema direita do governador Tarcísio de Freitas, por greves contra a precarização e a privatização do serviço público (Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, 2024). Nas greves contra a privatização das gestões das escolas públicas do Paraná, ainda em junho, a Procuradoria também pediu a prisão da presidente do sindicato dos professores do Estado (Brasil de Fato, 2024).

Essa repressão tem um contexto evidente. Como em diversas ocasiões de crise do capital, ou mesmo de reação da classe dominante à emergência de revoluções, as organizações dos trabalhadores foram extremamente atacadas, desmontadas, desmobilizadas, isso quando não estavam enfrentando a tentativa de absorvê-las às instâncias administrativas oficiais. David Harvey (2011) analisa que um dos impactos da crise de 2008 foi a mutação do neoliberalismo em vertentes ainda mais agressivas e autoritárias, de forma parecida com as consequências da crise de 1929, que havia gestando os corporativismos e fascismos. Soma-se isso ao fato iminente da articulação transnacional e global das extremas direitas no mundo, obtendo alinhamentos.

Embora tenha havido a tendência do corporativismo sindical, após a Segunda Guerra Mundial, de ser diferenciado como “legal” em relação aos movimentos tidos como “espontâneos”, principalmente em movimentos sociais ou exteriores à organização do mundo do trabalho, vemos que a classe dominante e seus aparatos repressivos organizados pelo Estado, não hesitam em atacar ou destruir tentativas de organização dos trabalhadores. Sendo assim, o corporativismo sindical nascido em meio aos nacionais-estatismos e o atrelamento e reconhecimento de sindicatos nos Estados tidos como democráticos após as ditaduras militares (principalmente no caso sul-americano) não impediram uma repressão política contra trabalhadores que lutam por seus direitos, em espaços legalizados ou não (FONTES, 2014).

De outra maneira, consideramos equivocadas as ‘teorias do fim do trabalho’ que surgiram no período pós-fordista na Europa e foram adotadas por diversas correntes da esquerda. Para André Gorz, o desenvolvimento da automação e a descentralização dos polos industriais, agora voltados para o setor de serviços, desfiguraram o movimento operário e colocaram em xeque o conceito de centralidade da revolução entre os trabalhadores industriais. Segundo sua análise, a produção guiada pela racionalidade econômica capitalista tornou-se inapropriável por uma racionalidade socialista. Nessa perspectiva, a proposta era acelerar a tendência antitrabalho, acreditando que isso poderia desestabilizar o capitalismo ao gerar contradições difíceis de serem corrigidas. Além disso, Gorz defendia a luta por valores universais desvinculados da consciência proletária, como garantias de renda mínima para a subsistência, ocupações, entre outros (GORZ, 1980).

Trazendo ao debate a história do sindicalismo revolucionário, principalmente anteriormente à Segunda Guerra Mundial, mas também experiências importantes de um sindicalismo combativo após esse período, defendemos aqui a tradição de uma organização dos trabalhadores que pode ser classista, internacionalista, anti-imperialista e revolucionária. Defendemos que tanto a tendência corporativista ou reformista dos sindicatos não podem conter os ataques, a repressão ou mesmo o avanço da expropriação da força de trabalho, principalmente sob as reordenações das formas políticas para os interesses do capital, como o avanço das extremas direitas. Da mesma forma, ideias e práticas de organizações ou grupos que negam a importância do mundo do trabalho, também não foram efetivos em edificar processos revolucionários e transformações estruturais. Um sindicalismo revolucionário e combativo, portanto, transcende relações corporativas autocentradas em determinadas categorias ou aspectos regionais e nacionais (embora seja importante tais dimensões em um primeiro momento) e deve edificar uma luta por unidade dos trabalhadores formais e informais, assim como desenvolver questões de libertação nacional, anti-imperialistas e internacionalistas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://patosaesquerda.com.br/fazer-sindicalismo-nao-e-crime/

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agência de notícias anarquistas-ana

Me comovem
tuas mãos limpas
e tua boca suja

Eliane Pantoja Vaidya

Lula promovendo e apoiando a empre$a latifundiária JBS, dos bilionários irmãos Batista.

[Espanha] “Não podemos permitir que esse novo caso de repressão sindical nos faça retroceder”

  • A CNT demonstra unidade sindical no caso de La Suiza, com o apoio de organizações sindicais em nível estatal e em Euskal Herria
  • Além disso, foi realizada uma concentração de solidariedade em Donostia

A Confederação Nacional do Trabalho (CNT) realizou uma coletiva de imprensa neste sábado (13/07) na Fundação Anselmo Lorenzo para mostrar seu apoio as seis trabalhadoras de La Suiza que foram condenadas, por dois crimes diferentes, a 3 anos e meio de prisão, embora cada um não ultrapasse dois anos de prisão.

No ato, a Secretária Geral da CNT, Erika Conrado, denunciou que a sentença no caso La Suiza “mostra, mais uma vez, que a defesa dos direitos trabalhistas está em contradição com os interesses das classes dominantes em nossa sociedade”. Conrado destacou que essa sentença é “a continuação, por parte das instituições do Estado, dessa estratégia de coerção e repressão da luta sindical”.

Diante dessa situação, a líder da CNT fez um apelo à unidade e à luta de toda a classe trabalhadora: “Não podemos permitir que esse novo caso de repressão sindical nos faça retroceder em nossas aspirações de emancipação e liberdade. Devemos exigir, como sempre, a plena liberdade sindical e continuar acompanhando nossas companheiras em todas as instâncias necessárias para defender seus direitos”.

Representantes de vários sindicatos, como CCOO, CGT, Solidaridad Obrera, UGT, SAT, Co.Bas, Confederación Intersindical e SOFITU, participaram do evento em apoio as trabalhadoras de La Suiza. Desde Euskal Herria, LAB, ELA, ESK STEILAS e ELA demonstraram seu apoio lendo seus diferentes comunicados de solidariedade.

A sentença do caso La Suiza

As seis trabalhadoras de La Suiza foram condenadas e acusadas por terem coagido outros trabalhadores e por terem causado danos à propriedade. O sindicato sempre negou essas acusações e denunciou a empresa por persegui-las por seu ativismo sindical.

A luta pela liberdade sindical

A liberdade sindical é um direito fundamental que permite que os trabalhadores defendam seus interesses coletivos. Entretanto, esse direito está sendo cada vez mais atacado por empresas e governos. A CNT considera que a defesa da liberdade sindical é essencial para a luta pela emancipação da classe trabalhadora.

Nesse contexto, a CNT conclama todos os trabalhadores e trabalhadoras a se unirem na luta pela defesa dos direitos trabalhistas e da liberdade sindical.

Fonte: https://www.cnt-sindikatua.org/es/noticias/no-podemos-permitir-que-este-nuevo-caso-de-represion-sindical-nos-haga-retroceder

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Antigo casebre
Margaridas no quintal
de terra batida

Priscyla Momy Okuyama

[Espanha] A CGT organiza uma nova edição da Escola Libertária de Ruesta de 26 a 28 de julho.

Por mais um ano a CGT abre sua Escola de Verão Libertária: um espaço de encontro e debate, de aprendizado e recreação, onde todos nós podemos contribuir com nossas experiências e conhecimentos para enriquecer uns aos outros.

Este ano, nos reuniremos novamente em Ruesta (Zaragoza) sob o lema “Organizando fora do capitalismo: o papel fundamental das mulheres“.

Este ano, a Escola Libertária discutirá se é possível organizar nossas vidas fora das imposições do capitalismo e mais perto de um modo de vida autogerido e solidário, substituindo o interesse pela acumulação e pela competitividade e aproximando-se um pouco mais de uma vida digna para todos, colocando a vida no centro, e se algumas das campanhas da CGT podem contribuir para essa possibilidade.

O mesmo projeto do povo de Ruesta, a partir de nossos princípios libertários, autogestionários, e de apoio mútuo, poderia se aproximar desse objetivo, e nosso Coordenador de Ruesta falará mais sobre isso. Os mesmos princípios permeiam todos os projetos, todas as campanhas que desenvolvemos a partir da CGT, e poderemos analisar, sob esse prisma, algumas das mais recentes, como o impulso para a mudança para menos horas de trabalho, para que todos trabalhemos, para redistribuir a riqueza, para que tenhamos mais tempo para viver, e que se concretiza na campanha pelas 30 horas; Ou o direito a uma aposentadoria digna, que nós, mulheres trabalhadoras, temos tanta dificuldade de incluir entre os direitos pelos quais devemos lutar durante toda a nossa vida profissional, e em que a diferença de gênero não signifique mais uma discriminação, mais uma precariedade em nossas vidas.

E se nossos acordos incluem a promoção de grupos de consumidores, achamos interessante saber se há experiências de autogestão da soberania alimentar popular, como o desenvolvimento do direito de um grupo de pessoas ou de uma aldeia de definir suas próprias estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos com base na pequena e média produção. Outros exemplos de projetos reais já desenvolvidos podem ser encontrados nas Ecovilas. Quase todos nós conhecemos alguma, mas talvez não saibamos como viver em uma Ecovila, como elas são organizadas, como esses projetos coletivos funcionam, como estão interligados em redes. Acreditamos que será muito interessante que elas compartilhem suas experiências conosco.

Sempre que nós, libertários, nos reunimos, concordamos que a semente para um novo mundo, aquele que carregamos em nossos corações, deve ser plantada não apenas por meio de ação direta e resistência, mas, indispensavelmente, por meio da educação desde a mais tenra idade. Mas a verdade é que a grande maioria das escolas que conhecemos são fiéis transmissoras dos valores e do conhecimento do sistema capitalista. Tentaremos conhecer iniciativas de escolas libertárias e seu impacto sobre as crianças que as frequentam. Conheceremos também experiências em que o esporte é o meio para um desenvolvimento saudável, com apoio mútuo e trabalho em equipe e, com diversão, favorecendo a integração inquestionável de todas as pessoas que o praticam e que vêm compartilhá-lo, e não uma finalidade lucrativa, competitiva, individualista e excludente. O esporte, em suma, fora do capitalismo.

Todas estas são experiências que colocam a vida no centro, que nos mostram maneiras de nos afastarmos dos interesses escravizadores do capitalismo, inseparáveis do patriarcado, e é por isso que queremos destacar o papel das mulheres nessa nova maneira de ver o mundo. Em nossa assembleia final, compartilharemos o que mais ressoou em nós, o que mais nos surpreendeu ou levantou mais questões, a fim de avaliar o que podemos incorporar em nosso trabalho diário e em nossos sindicatos.

Todas as informações estão nesse link: https://ruesta.com/escuelalibertaria2024/

As inscrições, já abertas, poderão ser realizadas até o dia 15 de julho nesse link: https://forms.gle/WUkJaGVSvU8eUqPAA

Esperamos vocês!

cgt.org.es

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

meus hai-kais:
lápis caídos
de um estojo frágil

Valdir Peyceré