[Porto Alegre-RS] Reconstruir

Enquanto as pautas dos políticos são absurdos escancarados temos que lidar com os constantes colapsos de uma ordem social que insiste em se manter de pé, ignorando os claros sinais de sua falência, onde seus rastros de destruição explodem sempre nxs que tem menos recursos. O capital faz a gestão destas crises, tirando seu lucro para o 1% mais rico e se enraizando, criando estruturas onde seja cada vez mais difícil de se desvencilhar, mas que na realidade constrói e nos entrega uma vida cheia de vazios. Buscando varrer seus problemas para o esgoto, que já transborda e atinge cada vez mais gente, tomando de assalto a pacificada realidade social…

Observando e vivendo os últimos momentos nessa região, chamamos para trocar uma ideia.

Abandonar o estado e a sociedade capitalista não é nada fácil, mas aos poucos praticamos e plantamos alternativas.

Cola na Kasa, fortaleça as alternativas reais, respira, propaga e pratica a liberdade!

okupaviuvanegra.noblogs.org

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A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente

Leonardo Natal

Papo reto do Cacique Seattle para o presidente Lula…

|| “Ganhar dinheiro com esse petróleo” – Lula ||

“Quando o último rio secar, a última árvore for cortada e o último peixe pescado, eles vão entender que dinheiro não se come”.

Carta do Cacique Seattle ao presidente do Brasil, em 2024

|| Contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas ||

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Todos adormeceram
Só o canto da cigarra
Permanece na noite

Maria Renata F. Antunes

Mudanças Climáticas: Capitalismo e Caos

Apesar de ainda haverem inúmeros negacionistas acerca do tema, as mudanças climáticas são uma das questões mais urgentes e debatidas do nosso tempo. Elas referem-se a longas alterações nos padrões climáticos e de temperatura da Terra, frequentemente atribuídas às atividades humanas. A ciência tem mostrado consistentemente que o aquecimento global, uma faceta crucial das mudanças climáticas, está sendo exacerbado pela emissão de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Todavia, o que não se diz é como o capitalismo figura como um elemento significativo dessas mudanças.

Antes de mais nada, esclarecemos que as alterações de longo prazo nos padrões climáticos globais e regionais comumente são chamadas de mudanças climáticas. Embora mudanças no clima tenham ocorrido naturalmente ao longo da história da Terra, nos últimos séculos, a influência humana tornou-se a principal força motriz. O aumento na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e atividades industriais, tem levado a um aquecimento global rápido e sem precedentes.

Dessa forma, a principal causa das mudanças climáticas é a emissão de gases de efeito estufa, que retêm calor na atmosfera da Terra. As atividades humanas, especialmente desde a Revolução Industrial, aumentaram drasticamente a concentração desses gases. A queima de carvão, petróleo e gás natural para geração de energia, transporte e indústrias libera grandes quantidades de CO2. Além disso, o desmatamento reduz a capacidade da Terra de absorver CO2, exacerbando o problema.

É nesse contexto que o capitalismo, com seu foco no crescimento econômico incessante e no consumo desenfreado, tem desempenhado um papel central no caos denominado crise climática. Este sistema econômico, desigual, violento e opressor, incentiva a extração e o uso intensivo de recursos naturais sem considerar os limites ecológicos do planeta. A busca incessante por lucro leva à exploração descontrolada de combustíveis fósseis e à destruição de florestas, resultando em emissões massivas de gases de efeito estufa.

As empresas e indústrias, impulsionadas pelo capitalismo, priorizam unicamente o lucro sobre a sustentabilidade ambiental. A obsolescência programada, por exemplo, um fenômeno em que produtos são projetados para ter uma vida útil curta para aumentar o consumo, elucida como o capitalismo promove o desperdício e a degradação ambiental. Além disso, a desigualdade econômica, uma característica inerente ao sistema capitalista de produção, significa que os países e comunidades mais vulneráveis sofrem desproporcionalmente com os impactos das mudanças climáticas.

Para mitigar as mudanças climáticas (se é que isso ainda é possível), especialistas afirmam ser crucial reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa. Isso pode ser alcançado através de várias medidas, como a transição para energias renováveis (substituir combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, como solar, eólica e hidroelétrica), o reflorestamento e conservação (proteger e restaurar florestas, que são importantes sumidouros de carbono), a eficiência energética (melhorar a eficiência dos sistemas de energia e promover o uso de tecnologias de baixo carbono) e a economia circular (adotar práticas de economia circular, onde os produtos são projetados para serem reutilizados, reciclados e mantidos em uso por mais tempo).

No entanto, se as mudanças climáticas continuarem a se agravar, o planeta enfrentará consequências ainda mais catastróficas, como o aumento do nível do mar, eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e crises cada vez mais constantes de segurança alimentar e hídrica.

Para nós, eis o ponto em que o anarquismo mostra sua relevância e viabilidade, ao propor uma sociedade sem hierarquias opressivas, onde as decisões são tomadas coletivamente e os recursos são geridos de forma racional e sustentável. O anarquismo deixa claro que não basta a implantação de um capitalismo verde, ecofascista e supostamente sustentável. O capitalismo em si é o problema e, portanto, não fará parte da solução.

De outro lado, as práticas anarquistas, como o antiestatismo, o horizontalismo, a autogestão, a economia solidária e o apoio mútuo, oferecem um modelo alternativo ao capitalismo, que valoriza o bem-estar humano e ambiental. Assim sendo, a implementação prática de princípios anarquistas pode promover uma sociedade mais justa e ecológica, onde o foco está no bem comum e na sustentabilidade. Coletivos e cooperativas podem substituir empresas capitalistas, priorizando práticas agrícolas regenerativas, produção local e uso consciente de recursos.

O desafio é continuar a luta pela transformação social com foco na transição para um modelo econômico mais justo e sustentável, como o proposto pelo anarquismo, mitigando e revertendo os impactos climáticos e construindo um futuro mais equilibrado para todos os habitantes do planeta – enquanto ainda temos um planeta para isso.

Liberto Herrera.

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O menino cego
Fecha os olhos e sorri
Sonhando com flores…

Izo Goldman

 

[Chile] A seguir de pé frente aos fatos registrados em 6 de julho

Na madrugada de sábado, 6 de julho, foram realizadas várias batidas no âmbito da investigação sobre a colocação de artefatos explosivos. Mais uma vez, 14 pessoas foram presas, várias casas foram invadidas, entre elas a Rádio Villa Francia e o Espaço Comunitário Pablo Vergara Toledo, onde está localizado o Comedor Popular Luisa Toledo.

O Ministério Público está se desesperando, tirando o pó de velhas táticas, invasões em massa, shows na mídia e a premissa de invadir e prender para investigar. Não estamos pedindo uma melhoria nos protocolos da justiça, estamos apenas revelando a hipocrisia e o absurdo do labirinto judicial. Desprezamos o mundo do poder, suas lógicas, suas redes e táticas.

No mesmo dia em que lembramos a partida física de nossa querida companheira Luisa Toledo, a promotoria procurou atacar e desintegrar com essa jogada jurídica/policial/midiática. Mas, assim como lembram nomes, endereços e antecedentes, esquecem que nossa força é a solidariedade, esquecem nossa coragem e ousadia, esquecem que nem todos nós somos mercenários covardes como eles.

A memória da companheira Luisa, sua garra, coragem e solidariedade ainda estão vivas. Isso foi demonstrado no lindo dia que aconteceu naquela tarde no Espaço Comunitário Pablo Vergara Toledo, bem como durante a noite com o desfile e sua irrupção “lindamente violenta”.

Nos solidarizamos com todos os presos e presas do dia 6 de julho, com um firme apelo para que não nos intimidemos, para que ampliemos a cumplicidade e o apoio entre os companheiros e companheiras, fortalecendo a solidariedade anticarcerária.

COM LUISA EM NOSSA MEMÓRIA, A SEGUIR DE PÉ.

Espacio Fénix

Claustrofobia Ediciones

Biblioteca Antiautoritaria Sacco y Vanzetti

Individualidades Anárquicas

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a estrela d’alva se tirou
jamais clareava
negras árvores nos azulados

Guimarães Rosa

[Grécia] Morreu o companheiro anarquista Theodoras Meriziotis

Theodoras nasceu em Atenas (região de Mykoniatika) em 1961 e cresceu em Ano Liosia. Ele era filho de uma grande família proletária, ele próprio um proletário. Por muitos anos trabalhou como polidor de móveis em diversos setores.

Em 1985, Theodoras juntou-se ao movimento anarquista e foi membro durante algum tempo do Núcleo Anarcomunista de Ano Liosia e depois do Grupo Antiautoritário de Piraeus e da Associação de Objetores de Consciência e conheceu Michalis Maragakis, o primeiro objetor de consciência por razões políticas na Grécia. Ele também viveu por um tempo em uma comunidade rural fundada por Maragakis em uma vila nas montanhas de Lefkada. Além disso, conheceu o primeiro anarquista que recusou o recrutamento, Nikos Maziotis (além de companheiros, também eram amigos) e um pouco mais tarde Pola Roupa.

Juntamente com o seu irmão Giannis, foi um dos primeiros objetores de consciência anarquista na Grécia, expressando a sua recusa em servir numa declaração pública em 1988.

Nos últimos anos, Theodoras viveu na cidade natal de seu pai, Kalamata, e foi de forma aberta e prática todos os ANTIs encarnados num anarquista consistente, e quando recebeu ameaças dos fascistas de Kalamata ele não apenas não vacilou, mas tentou contribuir e participou de vários movimentos antifascistas da região.

Theodoras, por um lado, era um cara difícil, com suas contradições, e por outro, era sociável e solidário. A sua solidariedade e ajuda aos pobres – ele próprio pobre – chegou ao ponto em que ele negligenciou a ajuda a si mesmo.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1631114/

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Manhã de neve.
Até mesmo os cavalos
Ficamos olhando.

Bashô

 

[País Basco] Concentração em Bilbao em solidariedade com ‘Las 6 de La Suiza’

Concentração solidária este sábado (06/07) na esplanada do Teatro Arriaga de Bilbao em apoio às seis sindicalistas condenadas de Xixón, ‘Las Seis de la Suiza’, onde foram entoados lemas como “Sindicalismo não é crime”, “A arma do obreiro/obreira, a solidariedade”, “Fazer sindicalismo não é crime”, “Solidariedade com as 6 de la Suiza”, “Ez, ez, ez errepresiorik ez!”, “6 de la Suiza, elkartasuna!”, “Gora, gora, gora langileon borroka” a cargo de várias centenas de pessoas.

Enrique Hoz, da CNT e megafone em mãos durante 45 minutos ininterruptos, lançou os diferentes lemas e recordou o caso e, sobretudo, o passo que deu o Tribunal Supremo com esta sentença “porque protestar ante as empresas, pode te supor anos de cárcere e sanções econômicas”. Insistiu na necessidade de parar este novo rumo judicial contra os protestos dos trabalhadores ante atuações irracionais dos empresários.

Esta ação de protesto em Bilbao busca “não só expressar solidariedade” com as lutadoras da CNT, mas “o rechaço à sentença 626/2024 do Tribunal Supremo” que é considerada pelos organizadores como “um ataque direto aos direitos fundamentais da classe trabalhadora: o direito a reunião, expressão e liberdade sindical”.

A sentença do Tribunal Supremo, conhecida em 24 de junho passado, foi qualificada pelo sindicato CNT como “uma perigosa porta à perseguição do sindicalismo em todo o Estado espanhol”. A Sala Segunda do Alto Tribunal, presidida por Manuel Marchena, rechaçou o recurso de cassação interposto pelo sindicato no caso de ‘Las 6 de La Suiza’, ratificando penas de cárcere de três anos e meio e uma indenização de 125.428 euros ao empresário.

O caso remonta a 2017, quando uma trabalhadora da confeitaria La Suiza foi ao sindicato CNT Xixón para denunciar o não pagamento de horas extras e férias. Após tentativas falidas de negociação com o empresário, se iniciou uma campanha de denúncia que incluiu manifestações e distribuição de panfletos, ações sindicais comuns que foram criminalizadas pelo Tribunal do Penal xixonés, a Audiência Provincial e agora o Tribunal Supremo.

Desde então, os sindicatos da CNT e outras organizações mostraram sua solidariedade com ‘Las 6 de La Suiza’, e este esforço não cessará com a recente sentença. “Manifestar-se e defender os direitos laborais não é um crime”, assim o reafirmaram ontem membros e simpatizantes da CNT, da CGT, de Sare Antifaxista, de ELA, de Batu, de LAB, de Argitan, de Berri-Otxoak, de Ezkerraldea Antifaxista, de Barakaldo Naturala, de La Kelo Gaztetxea, Pensionistas de Bizkaia, na Concentração do Arriaga em Bilbao.

“Hoje, sindicatos e coletivos sociais nos reunimos, uma vez mais, para fazer chegar a mesma mensagem: Fazer sindicalismo não é crime. Após a sentença do Tribunal Supremo que ratifica a condenação às seis sindicalistas de Xixón, as organizações abaixo assinantes mostramos nossa solidariedade com elas, e consideramos esta sentença um ataque aos direitos fundamentais da classe trabalhadora: direito a reunião, expressão e à liberdade sindical. Por tudo isso, animamos a participar em todas as mobilizações convocadas em solidariedade com as sindicalistas condenadas”, declararam os organizadores.

Fonte: https://sareantifaxista.blogspot.com/2024/07/concentracion-en-bilbao-en-solidaridad.html

Tradução > Sol de Abril

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Cidade grande.
Nos olhos do menino
Um olhar distante.

Suzy Martinez

[São Paulo-SP] Seminário GPEL Terrorismo de Estado na Educação

Sábado, 13/07, 16h

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253 – Sala 22 – Vila Buarque – São Paulo

Roda de Conversa com Lúcia Bruno (USP), Rodrigo Rosa da Silva (UEL), João Branco (USP) e Fernando Bomfim (UNB).

Convidamos educadoras/es, estudantes, pesquisadoras/es, militantes e simpatizantes dessas discussões relativas à educação para participarem do Seminário GPEL “Terrorismo de Estado na Educação” que, além de debater questões específicas do impacto das ações Capital/Estado na área da educação, pretende abordar temáticas gerais relacionadas à exploração do ser humano/Planeta Terra, catástrofes socioambientais, genocídio do povo palestino, resistências, novas utopias. Também será realizada a apresentação do livro “Pirataria pedagógica e a arte de navegar: escritos sobre educação e cultura política” abordando a luta antimilitarista, a memória social e a educação popular.

Saiba mais:

Instagram: @gpel.grupo

Facebook: gpel.grupo

Site: https://gpel.milharal.org/

Inscreva-se no canal do youtube: https://youtube.com/@gpel-grupodepesquisaeducac8716…

https://www.instagram.com/p/C84cD5vOt-m/

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Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[Reino Unido] Faça você mesmo em Doncaster

A Commune in the North (ACitN) está se baseando no trabalho da Bentley Urban Farm, liderada por anarquistas, para criar novas maneiras de atender às necessidades essenciais, tanto para a comuna quanto para a comunidade local mais ampla, a fim de mostrar que o capitalismo não é o único jogo na cidade.

Bentley, uma antiga cidade de mineração de carvão ao norte de Doncaster, South Yorkshire, está entre as 10% das áreas mais pobres do Reino Unido. A expectativa de vida é de uma década a menos do que a média nacional. Isso se deve, em parte, às altas taxas de doenças relacionadas à nutrição, como obesidade infantil, doenças cardíacas, diabetes e câncer. Todas elas podem estar diretamente ligadas à pobreza alimentar.

A comida é uma arma central na guerra do capitalismo contra os pobres. Como disse Bob Vylan em Health is Wealth (um manifesto musical de três minutos sobre alimentação, saúde e poder):

A matança de crianças com frango e batatas fritas de 2 libras
É uma tática de guerra travada contra os pobres
Não se pode economizar salários com escravos assalariados
E você não pensa em frutas frescas com o rosto no chão

Sob o capitalismo, a vida é importante apenas na medida em que pode aumentar os lucros. A sociedade capitalista é habitualmente abusiva com qualquer pessoa que não esteja ativamente produzindo, consumindo, vendendo, comercializando ou protegendo os interesses do capitalismo. Os jovens, os idosos, os pobres e os marginalizados são apoiados na medida em que permanecem como engrenagens em potencial na roda econômica e/ou em que ainda é possível ganhar dinheiro apoiando-os (no caso dos pobres e dos desempregados, a própria existência deles funciona como uma ameaça para que as pessoas não saiam da linha, caso também acabem pobres ou desempregadas). A expansão dos lucros do sistema de assistência é um fator central na estratégia atual que leva as autoridades locais à falência, com todos os serviços, exceto os mais centrais, sendo privatizados para o benefício dos capitalistas.

Mas o capitalismo nunca pode “cuidar”. A linha de fundo do lucro e do crescimento não permite colocar coisas como bem-estar, felicidade, diversão e compaixão antes do dinheiro. De fato, uma economia do cuidado seria a própria antítese da economia capitalista do dinheiro/dívida, e é exatamente por isso que os anarquistas precisam lutar para construí-la. O Estado – sendo uma parte integrante e importante da economia capitalista mais ampla – também se mostrou incapaz de fornecer níveis adequados de cuidados para os seres humanos. Ninguém virá para nos salvar. Se quisermos um mundo melhor, mais corajoso, mais brilhante, mais feliz e mais verde, devemos construí-lo nós mesmos.

Felizmente, há grupos de pessoas em todo o país que estão fazendo exatamente isso. Há oito anos, criamos a Bentley Urban Farm (BUF), liderada por anarquistas, um projeto de horta comunitária reciclada, como resposta direta ao problema da pobreza e dos desertos alimentares em Doncaster. Ensinamos as pessoas a cultivar seus próprios alimentos em canteiros elevados feitos de materiais residuais e até compramos alguns dos produtos que elas cultivaram para o esquema de caixas de legumes da BUF.

Nossa missão sempre foi proteger as pessoas da pobreza infligida a elas pelo capitalismo e pelo Estado, fazendo isso por meio de educação, ação direta e ajuda mútua.

Ironicamente, como anarco-pragmatistas confessos, temos feito isso em terras “pertencentes” ao conselho. Anos de reestruturação econômica ideologicamente conduzida em nome da “austeridade” criaram rachaduras no sistema, onde podemos começar a criar alternativas à ganância capitalista e às soluções paternalistas do Estado. Isso poderia ser um acordo com as autoridades locais, como o que temos para o BUF, em que o cumprimento de uma série de requisitos verdes para o conselho nos permite realizar iniciativas mais abertamente anarquistas em um local de propriedade do conselho. Ou pode ser uma solução anarquista mais tradicional, como o recém-fundado Sheffield Action Resource Centre (ShARC), que ocupou uma grande propriedade abandonada da autoridade local no interesse da mudança sociopolítica e para o benefício dos residentes.

Além de criar oportunidades físicas para a construção de iniciativas de base para a mudança, o neoliberalismo criou vácuos políticos que deixaram as comunidades famintas por políticas alternativas. Quando Tony Blair se mostrou um fervoroso herdeiro do legado neoliberal de Thatcher, confessando abertamente que seu trabalho era “desenvolver as políticas de Thatcher”, a primeira coisa que o New Labour fez foi abandonar politicamente as comunidades tradicionais da classe trabalhadora com “muros vermelhos”, como as antigas comunidades de mineração de Doncaster. Ele até usou John Prescott – o equivalente do New Labour ao infeliz personagem de desenho animado Andy Capp – como porta-voz para nos dizer que agora somos “todos de classe média”. Como se a simples adoção de uma perspectiva de classe diferente fosse uma solução em si.

A extrema direita tem sido muito melhor do que a esquerda em tirar proveito desse vácuo político, seja abertamente com partidos populistas como o BNP, o UKIP e o Reform UK, seja secretamente por meio de políticas alternativas e conspiratórias que dominam os tópicos de mídia social e que são propagadas em publicações como The Light.

As pessoas que são atraídas por fantasias conspiratórias não são necessariamente atraídas por uma ideologia de direita explícita. É muito mais provável que elas estejam desiludidas, traumatizadas ou simplesmente cientes da necessidade urgente de mudança social que as crises convergentes do capitalismo criaram. Se, como grande parte da esquerda autoritária (que geralmente não tem a menor consideração pela realidade confusa da vida nas comunidades da classe trabalhadora), nós simplesmente os desprezamos como fascistas ou loucos, então entregamos essas pessoas à direita em nome da pureza ideológica. Em vez disso, deveríamos estar combatendo a propaganda sem fundamento com ilustrações vívidas de mudanças sociais reais.

Nossa missão, como anarquistas, é viver nossas crenças na realidade confusa, imperfeita e muitas vezes desconfortável da vida cotidiana. A Commune in the North está se baseando no trabalho do BUF, criando novas maneiras de atender às necessidades essenciais da comunidade e da comunidade local mais ampla, a fim de mostrar que o capitalismo não é o único jogo na cidade. Com o objetivo de longo prazo de criar uma comunidade ecológica igualitária, com compartilhamento de renda, anticapitalista e anti-opressiva para até 200 pessoas, precisamos construir sistemas mais autônomos e ecologicamente sensíveis, com cadeias de suprimentos mais curtas para atender às nossas necessidades de alimentos, energia, abrigo e cuidados.

Esses sistemas não podem e não devem existir isoladamente. Eles atuarão como uma ponte entre a comunidade, a comunidade mais ampla e o mundo exterior. A rede de cooperativas necessária para que isso aconteça criará uma economia solidária no coração de uma comunidade economicamente marginalizada e nos dará a oportunidade de mostrar à comunidade como um todo que não precisamos do capitalismo ou do Estado para sobreviver… ou, de fato, para prosperar.

Da mesma forma, o Kurdistan Freedom Movement enfatiza as mulheres e os jovens na tomada de decisões porque eles são os mais distantes do patriarcado e, como tal, estão em melhor posição para oferecer alternativas a ele. As pessoas das comunidades mais afastadas dos benefícios econômicos do capitalismo são as que menos têm a perder e as que mais têm a ganhar com a criação de alternativas ao sistema capitalista. O fato de os fornecedores do capitalismo terem abandonado econômica e politicamente essas comunidades só aumenta o potencial de mudança.

As autoridades supostamente encarregadas de cuidar dessas comunidades têm provado rotineiramente que a vida das pessoas nessas comunidades não importa. É nosso trabalho provar que as autoridades e o sistema que elas representam não importam para aqueles de nós que vivem em comunidades marginalizadas. Parafraseando Crass, não há autoridade além de nós mesmos.

De hortas comunitárias a centros sociais, de cooperativas de trabalhadores a assembleias populares, todo ato de autonomia é um ato de resistência a um sistema que vê a vida humana – e a vida em geral – como um recurso a ser explorado implacavelmente até que o pouco que resta dessa vida deixe de ter importância. Os anarquistas reconhecem que mesmo as estruturas autoritárias mais bem intencionadas inevitavelmente se tornarão egoístas com o tempo e que as instituições sempre se tornarão mais importantes do que as vidas individuais.

O anarquismo também reconhece que a liberdade e a igualdade social estão intimamente relacionadas. Ninguém é livre até que todos sejam livres. É preciso que um indivíduo seja corajoso o suficiente para se libertar das correntes da escravidão capitalista para mudar a sociedade, mas é a construção de economias solidárias, redes de ajuda mútua e zonas autônomas que torna possível a liberdade individual a longo prazo. Se você quer uma sociedade livre, deve lutar para se libertar. Se você quer se libertar, deve lutar para libertar a sociedade. A revolução, portanto, é a arte de ser importante para si mesmo.

Portanto, largue este papel (na verdade, é melhor entregá-lo a um vizinho e espalhar a palavra!) e vá construir nas fendas do capitalismo. Todo ato de solidariedade, por menor que seja, mostra às pessoas que elas são importantes. Todo ato de rebelião mostra às autoridades que elas não importam.

Deseja uma revolução social e individual, mas não sabe por onde começar? Venha se envolver com a ACitN. Visite nosso site para obter mais detalhes:

~ Warren Draper de A Commune in the North (acommuneinthenorth.org.uk)

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/06/23/diy-in-doncaster/

Tradução > Contrafatual

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Jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga

Paulo Leminski

[México] Mesa Redonda pela liberdade de Mumia Abu-Jamal no aniversário de sua sentença de morte

No 42º aniversário da sentença de morte de Mumia Abu-Jamal, expressamos nossa solidariedade desde a Cidade do México com as atividades virtuais e presenciais na Filadélfia e outras cidades do mundo. Parece-nos importante promover conversações em meios livres e espaços solidários sobre a barbaridade que aconteceu em um tribunal na Filadélfia em 3 de julho de 1982 e também sobre algumas das conquistas e colaborações recentes de nosso querido companheiro Mumia, sua relação solidária com os universitários em seus acampamentos em apoio à Palestina, e a urgente necessidade de ganhar sua liberdade.

O que aconteceu naquele tribunal na Filadélfia em 3 de julho de 1982?

Dado que o jurado havia considerado Mumia culpado de assassinato em primeiro grau no dia anterior, no dia coube determinar sua sentença. Ainda que em muitos casos o juiz dá aos advogados da defesa uma semana ou dez dias para preparar seus argumentos, o Juiz Albert Sabo havia prometido chegar à sentença sem atraso para que todos pudessem chegar em casa para festejar o 4 de julho.

E quem era o Juiz Sabo? O mesmo juiz que havia dito a um sócio no primeiro dia do julgamento que ele “iria ajudá-los a fritar esse negro“, segundo a estenografa Terri Maurer Carter.

Ex-delegado e membro vitalício da Ordem Fraternal de Polícia (FOP), Sabo havia enviado mais homens ao corredor da morte que qualquer outro juiz no país. Só 2 dos 32 condenados eram brancos. Sabo assegurou que qualquer evidência favorável a Mumia não seria escutada pelo jurado. Fez todo o possível para calá-lo uma vez e para sempre.

Durante o julgamento, o promotor perguntou a Mumia por que não tinha se levantado cada vez que o juiz entrava na corte. Respondeu: “Porque o juiz Sabo não merece honra… porque opera pela força e não pela razão… (levantando-se) porque é um verdugo, um juiz da forca… por isso”.

No dia 3 de julho, Anthony Jackson, o advogado designado pela corte para representar Mumia, não chamou uma só pessoa para dar testemunho sobre o bom caráter de Mumia, um grave erro, mas pelo menos Jackson insistiu em que Mumia tinha o direito de fazer uma declaração. Mumia declarou:

Sou inocente das ofensas das quais me acusaram e condenaram… e a verdade vai me liberar… Em 9 de dezembro de 1981, a polícia tentou executar-me na rua e este julgamento é o resultado de seu fracasso… A decisão que vocês determinam hoje não estabelece minha culpabilidade, tampouco minha inocência. Só comprova que o sistema acabou.

O promotor no julgamento de Mumia era Joseph McGill, que na seleção do jurado usou 10 ou possivelmente 11 de seus vetos peremptórios para excluir os candidatos negros. Según J. Patrick O’Connor, autor do livro La Incriminación de Mumia Abu-Jamal, a alta prioridade de McGill era assegurar que o jurado soubesse da história de Mumia Abu-Jamal com o partido Panteras Negras, uma história que o jornalista assumiu com orgulho. O promotor usou os falsos testemunhos do taxista sem licença Robert Chobert e da prostituta Cynthia White para identificar Mumia.

Ademais, McGill escondeu informação sobre a presença de um passageiro no carro do irmão de Mumia, Billy Cook: seu amigo Kenneth Freeman. McGill sabia que Faulkner levava em seu bolso uma solicitação de permissão de dirigir de Arnold Howard, o qual havia emprestado a Freeman, mas o promotor queria que o jurado pensasse que só Faulkner, Mumia, e Billy Cook estiveram presentes no momento do assassinato. Quase todos os observadores pensam que Kenneth Freeman assassinou o agente Faulkner.

Patrick O’Connor afirma que, para conseguir uma sentença de morte, McGill queria convencer o jurado que Abu-Jamal era “a encarnação do caos total”. Não somente havia assassinado um policial, mas que o tinha feito com a mesma “arrogância” e “descaramento” que havia mostrado para a corte. Para convencer ao jurado que Mumia Abu-Jamal deveria morrer porque um policial foi assassinado, McGill disse: “A lei e a ordem, simples assim… A lei e a ordem. E disto se trata este julgamento, damas e cavalheiros, mais que qualquer outro julgamento que jamais tenha existido… Vamos viver em uma sociedade de lei e ordem e fazer cumprir as leis… ou vamos fazer nossas próprias regras e atuar de acordo com elas? Disso se trata”.

Como já sabemos, o jurado optou pela sentença de morte.

E o que acontece este 3 de julho?

Na Filadélfia, há um programa virtual, People vs the State, com a participação de Mumia, simpatizantes seus que vivem e trabalham na cidade, e porta vozes de vários recentes plantões universitários pela liberdade da Palestina. Sintonizem em LINKTR.EE/Mumia.  Em outras cidades estão organizando atividades também.

Longe de morrer como resultado da sentença de morte ditada aquele 3 de julho de 1982, este brilhante escritor e analista sempre esteve solidário com lutas pela liberdade no mundo. Isto se nota em seu livro #14 que está para sair, Sob a Montanha, Relatos Contra a Prisão, coeditado com Jennifer Black e publicado por City Lights. As histórias anti-carcerárias apresentadas vão desde as guerras de povos indígenas expulsos de suas terras e obrigados a viver em prisões ao ar livre chamadas reservas, até as lutas de escravos africanos e de revolucionários e ativistas encerrados por sua maneira de pensar e atuar. Escutamos também as palavras de abolicionistas comprometidos em pôr fim aos crimes contra os homens e mulheres nas prisões dos Estados Unidos, assim que as de anti-imperialistas que lutam contra os crimes de guerra cometidos contra a humanidade.

Desde seus dias com os Panteras Negras nos anos 60, Mumia Abu-Jamal esteve ao lado do povo palestino em sua luta por terra e liberdade. No ano de 2006, escreveu:

“Israel, desde seu nascimento até sua condição atual como um servidor dos Estados Unidos, não conheceu a paz durante os 58 anos de sua existência”. É um estado militar, definido tanto por sua perseguição do povo indígena das terras que ocupa como pela perseguição de judeus na Europa que justificou sua fundação. As relações de poder existentes marcam Israel como um agressor impiedoso com poucos amigos agora e menos ainda no futuro previsível…”

“O acadêmico e antigo diplomata estadunidense William Polk em seu livro The Arab World Today  escreveu: “Os poderosos consideram os débeis como irresponsáveis, violentos, indignos de confiança, ilegais e terroristas reais ou potenciais, enquanto os que não tem poder veem os poderosos como tiranos que usam o aparato do Estado e a lei injustamente e sem piedade para tirar-lhes as posses, a segurança, até a humanidade mesma”.  Tais raízes só podem produzir frutos amargos”.

Este 3 de julho destacamos a recente interatuação de Mumia com estudantes estadunidenses em seus plantões fora de grandes universidades. Em 26 de abril passado, Mumia se comunicou com os manifestantes da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY): “Irmãos, irmãs, camaradas, amigas e amigos, os saúdo desde o sistema estadunidense de encarceramento massivo… É maravilhosa a decisão que vocês tomaram de romper o silêncio e falar contra a repressão que veem com seus próprios olhos. Por isso, fazem parte de algo massivo.  Estão do lado correto da história… Quando vejo o que acontece em Gaza agora, reconheço seus residentes como “os condenados da terra” que estão lutando para liberar-se de gerações de ocupação. Por isso, não é suficiente, irmãos e irmãs, exigir um cessar fogo. Que tal isto: Que sua demanda seja: Fim à Ocupação! Que isto seja seu grito de batalha porque é o chamado da história, da qual todas e todos vocês fazem parte. Vocês são parte de algo magnânimo, magnífico, algo que muda a alma, a vida, a história. Não percam este momento. Façamo-lo maior, mais massivo, mais poderoso para que ressoe até as estrelas. Me emociona seu trabalho. Os quero. Os admiro. Vamos nos mover!”.

Mumia também teve uma conversação com os estudantes da Universidade da Pensilvânia (U Penn) em seu acampamento na cidade da Filadélfia. Disse: “Irmãos, irmãs, camaradas, amigas e amigos. O que estão fazendo? E por que estão sendo castigados e ameaçados pelo Estado? Pensem. Vocês estão protestando contra a mega violência, contra o genocídio pago em grande parte pelos contribuintes estadunidenses. Seus impostos compram as armas utilizadas pelo estado de Israel para castigar as pessoas de Gaza. Quem tem o direito de fazer isto? Vocês estão atuando contra o colonialismo que pretende despersonalizar, desumanizar, desaparecer e destruir os palestinos como se não fossem seres humanos. Vocês estão aí porque seus corações, mentes e almas foram comovidos a sair às ruas, construir um acampamento, e lutar pela vida e a liberação do povo palestino. Não merecem castigos, mas admiração. Não sei o que vão dizer os administradores de sua universidade. Tenho uma ideia, mas não sei. Não sei o que vão dizer seu governo. Tenho uma ideia, mas não sei. Mas eu os felicito por seu compromisso em salvar as vidas de gente que merece viver e sair adiante. Agradeço-lhes a todas e todos e os quero”.

QUE SIGA A MESA REDONDA!

Fonte: https://www.centrodemedioslibres.org/2024/07/04/conversatorio-por-la-libertad-de-mumia-abu-jamal-en-el-aniversario-de-su-sentencia-a-muerte/

Tradução > Sol de Abril

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tarde cinza
toda azaléia
arde em rosa

Alice Ruiz

Lançamento: Rumo a uma nova revolução, de Jaime Balius (Agrupação Amigos de Durruti)

“Rumo a uma Nova Revolução” é um panfleto político escrito pelo grupo Agrupação de Amigos de Durruti, formado em 1937 durante a Guerra Civil Espanhola. Este grupo era composto por militantes anarquistas que se recusaram a se submeter à militarização imposta pelas forças republicanas e buscavam manter vivos os ideais revolucionários e de luta contra a contrarrevolução. O panfleto foi publicado originalmente em 1938, em um contexto de desesperança diante do avanço das forças fascistas e da traição interna nas fileiras republicanas.

A obra é um chamado à resistência e à luta contínua pela revolução, abordando temas como a traição dos reformistas, a necessidade de um verdadeiro internacionalismo proletário e a importância de manter o espírito revolucionário vivo.

Destaca eventos-chave da Guerra Civil Espanhola, como a insurreição de 19 de julho e os acontecimentos de maio de 1937, além de analisar criticamente o papel das forças colaboracionistas e a luta de classes.

A obra, com 48 páginas, tem o valor de R$15,00 e acompanha o pôster “um mundo novo em nossos corações” aos 20 primeiros pedidos.

Encomendas pelo link da bio ou em http://tiny.cc/tsa.editora

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No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno

Novo Vídeo: Assimilação = Morte

Em junho de 2024 a organização da parada do orgulho LGBT de São Paulo fez um chamado para que as pessoas comparecessem ao evento vestindo verde e amarelo e empunhando bandeiras do Brasil junto com bandeiras do arco-íris, numa retomada dos símbolos nacionais, que consideram “sequestrados” pela direita. Como se o Brasil não fosse, desde sua criação pelos invasores europeus, um projeto colonial imposto violentamente sobre as populações que habitam estas terras. A bandeira brasileira sempre representou os poderosos e os proprietários, a violência colonial, cristã, institucional, militar e policial.

Se os holofotes estão apontados para a disputa entre uma direita neofascista e uma esquerda progressista e eleitoreira, ainda existe quem busca outro caminho. Queers revoltoses não querem “ressignificar” seus símbolos ou eleger polítiques progressistas. Recusamos a posição de vítimas que exigem a proteção do Estado, e nos juntamos para forjar meios de viver e lutar por conta própria. Para nós, queer não é mais uma identidade a ser reconhecida e incluída ao lado de outras pelas instituições, e sim uma posição de conflito que luta pelo fim dessa ordem social.

>> Veja o vídeo aqui:

https://antimidia.org/assimilacao-morte/

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Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

Nota do Conselho de Lideranças do Povo Guató sobre os incêndios que destroem o Pantanal

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) se solidariza com os e as camaradas do Povo Guató, oportunidade na qual difundimos a nota por eles confeccionada. Destacamos que somente o combate imparável contra o capitalismo e o estado poderá garantir um futuro viável e sustentável aos povos que habitam o Guadakan e toda a Terra!

Nós, membros do Conselho de Lideranças do Povo Guató no Guadakan/Pantanal, vimos a público prestar esclarecimentos e registrar posicionamento sobre os incêndios que destroem a planície pantaneira.

Em primeiro lugar, descendemos das mais antigas populações indígenas canoeiras que se estabeleceram no Pantanal. Ao longo de mais de 8 mil anos, jamais destruímos o Guadakan, pelo contrário; sempre promovemos a preservação ambiental e mudanças positivas nas paisagens locais. Este bioma é sagrado e nosso território ancestral, onde somos o que somos, um povo originário resistente, aguerrido, trabalhador e defensor da biodiversidade.

Em segundo lugar, os incêndios que ocorrem em muitos lugares, como verificado em 2020 e agora em 2024, em nada têm a ver com qualquer prática tradicional de queimada promovida por povos originários. Esses incêndios são invenções dos brancos que se instalaram no Guadakan e percebem a região como um espaço de oportunidades para o lucro sem fim. Em 2020, por exemplo, incêndios destruíram grande parte da cobertura vegetal de áreas tradicionalmente ocupadas pelas comunidades das Aldeias Aterradinho e Barra do São Lourenço, e por pouco não chegaram até a Aldeia Uberaba. Também atingiram e seguem atingir áreas onde comunidades Guató sofrem um doloso processo de invisibilidade étnica, tanto em Mato Grosso quanto em Mato Grosso do Sul.

Em terceiro lugar, a ausência da presença eficaz e moralizadora do Estado Brasileiro no Pantanal profundo faz parte de um projeto político e econômico de longa data. Favorece para que o Guadakan continue a ser uma terra onde a lei predominante é a vontade dos poderosos, que detêm o poder econômico e possuem representantes nos poderes constituídos na República. Esses poderosos têm acesso à mídia e costumam posar de defensores da natureza, divulgar inverdades e falar impropérios sobre a crise climática e os incêndios. A ausência efetiva do Estado Brasileiro também serve para o empoderamento de ONGs (Organizações Não Governamentais) ambientalistas e anti-indígenas, financiadas com recursos sabe-se lá de onde, que promovem a invisibilidade étnica do povo Guató, causam cisões e desentendimentos nas comunidades e propagam mentiras a nosso respeito. Elas impõem a muitas de nossas famílias e comunidades os rótulos de “tradicionais”, “ribeirinhas”, “descendentes de indígenas”, “isqueiras”, “corixeiras” etc. Ora, sabemos que filhote de onça-pintada não pode ser outra coisa senão onça-pintada. Portanto, filhas e filhos de pais Guató ou de pai ou mãe Guató são Guató, e isso deve ser motivo de orgulho, jamais de vergonha.

Em quarto lugar, a experiência exitosa da Expedição Guató e da Expedição Técnica Guató, realizadas na segunda quinzena de abril de 2024, são exemplos positivos do que desejamos em relação à presença eficaz e moralizadora do Estado Brasileiro. As duas expedições contaram com a valorosa participação da Marinha do Brasil (6º Distrito Naval e Flotilha de Mato Grosso), Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (representado pelo Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais), Secretaria Especial de Agricultura Familiar, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da SEMADESC (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Mato Grosso do Sul), GIZ (Agência Alemã de Cooperação Internacional), FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Ministério Público Federal, AGRAER (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Fundação de Cultura de Mato Groso do Sul, pesquisadores de universidades e representantes de movimentos sociais. Por isso, a data de 24 de Abril de 2024 marca um novo momento para a comunidade da Aldeia Barra do São Lourenço, há muito esquecida no Pantanal profundo, onde, na década de 1990, muitas de suas famílias foram vítimas de remoção forçada e tiveram suas casas destruídas na localidade chamada Acurizal. O esbulho foi feito por pessoas a serviço da ONG Ecotrópica, que a época também posava de defensora do Pantanal e sua biodiversidade.

Em quinto lugar, desde os anos 1990 que registramos a ausência do apoio de ONGs indigenistas. Até aquela década, contávamos com assessoria e ajuda do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), Kaguateca (Associação de Índios Kaguateca Marçal de Souza) e outras entidades. Elas nos ajudaram nas lutas iniciadas em 1976 na cidade de Corumbá, que culminaram com a regularização fundiária da Terra Indígena Guató, localizada na Ilha Ínsua, onde há o Destacamento de Porto Índio, do Exército Brasileiro, com o qual mantemos boas relações.

Em sexto lugar, embora saibamos da existência do Ministério dos Povos Indígenas, criado no início do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até o momento não registramos qualquer ação positiva desta pasta em nossas comunidades, sequer uma visita para tomar ciência da realidade enfrentada pelas famílias do povo Guató. As principais notícias que chegam até nós são de ações político-partidárias, para tentar destituir o Prof. Elvisclei Polidório do cargo de Coordenador Regional da FUNAI em Campo Grande, favorecer familiares e emplacar candidaturas às eleições deste ano. Seria de bom alvitre para nossas comunidades se o referido Ministério ou outra pasta governamental nos enviasse, emergencialmente, combustível e conjuntos básicos de equipamentos de proteção individual para o combate a incêndios.

Em sétimo lugar, iniciativas parlamentares de aprovação de certas leis, como a Lei Transporte Zero (Lei n. 12.197/2023) em Mato Grosso, o Projeto de Lei do Pantanal em Mato Grosso do Sul e a proposta de Estatuto do Pantanal que tramita no Congresso Nacional (Projeto de Lei n. 5.482/2020), dentre outras, jamais foram pensadas em atenção ao nosso modo de vida e sequer fomos devidamente ouvidos para isso. O que observamos sobre o assunto são pessoas posando de “experts” e defensores do Pantanal, e ávidos por curtidas, comentários e compartilhamentos de postagens nas redes sociais. Até agora, nenhum deles veio a nossas comunidades para saber da realidade enfrentada no dia a dia e nos ouvir a respeito da proteção e preservação do Pantanal.

Dito isso, conclamamos as autoridades e órgãos do Estado Brasileiro que venham ao nosso encontro, ajudando-nos a preservar o Pantanal e socorrendo-nos neste momento em que muitas partes do Guadakan ardem em chamas por conta dos incêndios.

Pantanal, 1º de Julho de 2024.

Coordenação do Conselho de Lideranças do Povo Guató no Guadakan/Pantanal

Osvaldo Correia da Costa – Cacique da Aldeia Uberaba (T.I. Guató, Corumbá-MS) / Carlos Henrique Alves de Arruda – Cacique Aldeia Aterradinho (T.I. Baía dos Guató, Barão de Melgaço-MT) / Denir Marques da Silva – Cacique da Aldeia Barra do São Lourenço (T.I. Barra do São Lourenço, Corumbá-MS)

Fonte: https://federacaocapixaba.noblogs.org/post/2024/07/06/nota-do-conselho-de-liderancas-do-povo-guato-sobre-os-incendios-que-destroem-o-pantanal/

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Num só cobertor
Órfãos num canto da rua
– Menino e gatinho.

Mary Leiko Fukai Terada

[França] Comunicado de Organizações Libertárias

CONTRA A EXTREMA DIREITA, CONTRA O CAPITALISMO E O ESTADO E TODOS AQUELES QUE ASPIRAM A GERENCIÁ-LO, VAMOS LUTAR PELA REVOLUÇÃO LIBERTÁRIA!

Quatro organizações anarquistas: Federação Anarquista Francófona, Organização Comunista Libertária, Organização Anarquista e CNT-AIT, reunidas no domingo, 23 de junho de 2024, em Paris, conseguiram chegar a uma posição comum que compartilham com vocês por meio deste breve comunicado de imprensa:

Ao final dessa reunião construtiva, afirmamos que o movimento anarquista estabelecido na França “não deposita nenhuma esperança no atual processo eleitoral”!

Enquanto a extrema direita está prestes a assumir o controle do conselho de ministros, nosso anti-politicismo e nosso anti-eleitoralismo continuam sendo as escolhas fundamentais do anarquismo. Essas rejeições de uma “democracia desvalorizada” implicam a rejeição da delegação de poder…

As Quatro organizações são a favor da ação direta como corolário da democracia direta. A ação direta, que não é uma “ação violenta”, favorece a ação daqueles que são os principais interessados. Uma ação que permite a organização sem nenhum representante, sem mandato ou controle.

Nas empresas, nos bairros, nas ruas, essa ação será a única capaz de levar suas reivindicações, suas esperanças e nos permitirá vislumbrar a ruptura real e esperada com o sistema de dominação mortal no qual toda a humanidade se encontra.

Contra a extrema direita, contra o capitalismo, contra o Estado, contra todos aqueles que aspiram a gerenciá-lo, pretendemos trabalhar pela revolução libertária.

29 de junho de 2024

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Orquestra mágica
Balanço sussurrante das árvores
A maestria do vento.

Clície Pontes

[Espanha-França] Descanse em paz, Julien

Nas últimas horas, e por meio de companheiras e organizações com ideias semelhantes em nível internacional, ficamos sabendo da partida de Julien Terzics. A banda redskin ‘Brigada Flores Magon’, da qual ele era baterista, anunciou a notícia em 2 de julho.

Nascido em Paris em 1968, Terzics era anarquista e membro fundador da “Red Warriors”. Durante a década de 1980, eles enfrentaram o fascismo, organizando um movimento de jovens, de origem operária e antifascista, para se opor e combater a extrema direita nas ruas da capital francesa. Seu exemplo teve um impacto em muitos jovens de bairros pobres, disseminando a ação direta e uma mensagem clara que, infelizmente, ainda é muito relevante hoje: “Não deixe as ruas para os movimentos neonazistas“. Essa ideia, que temos apontado para nossa própria militância anarcossindicalista há alguns anos, é muito importante. Na Espanha, vimos como, depois de alguns anos de baixa mobilização após a pandemia de covid e as restrições a certas mobilizações sob o pretexto de “segurança”, a extrema direita e seus satélites organizacionais (pseudosindicatos, coletivos, grupos de jovens, mídia de desinformação etc.) têm assumido o centro do palco diante de diferentes realidades que sempre foram exigidas nas ruas pelo movimento dos trabalhadores e pelo sindicalismo combativo e de classe. Nosso lugar, como sempre afirmamos, é com o povo, ao lado da realidade da classe trabalhadora e das pessoas mais vulneráveis de nossa sociedade. Em outras palavras, nosso lugar é (e sempre será) nas ruas, com os de nossa classe.

Em vários obituários dedicados a Julien, há um paradoxo no fato de que esse companheiro faleceu justamente quando em seu país, onde por tantos anos ele lutou contra as ideias reacionárias e os discursos de ódio das formações de extrema direita, há novamente o perigo de que os filhos e netos desses fascistas dos anos 80 ocupem um lugar no parlamento francês, determinando a vida de milhões de pessoas. Estamos observando como os eventos se desenvolvem, não apenas na França, mas também em outras partes do mundo onde estão ocorrendo lutas nos dias de hoje relacionadas ao renascimento de ideias de eras muito sombrias da humanidade. É triste dizer adeus a companheiros como Julien, mas também é muito desanimador fazer isso em tempos de agitação, quando pessoas como ele são mais necessárias do que nunca.

Tentaremos não parar na luta, continuar avançando no caminho internacionalista da solidariedade e da ação direta contra aqueles que tentam nos quebrar.

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

cgt.org.es

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De baixo das árvores
As pessoas saem dançando.
Chuvarada na roça.

Nempuku Sato

[França] História da Sabotagem Volume 1 & 2 (Victor Cachard)

Uma história de sabotagem em dois volumes é uma oportunidade para explorar os muitos movimentos que se opõem a todas as formas de exploração e opressão. De ataques a fortificações durante a Idade Média, a incêndios contra antenas 5G hoje, passando por trenós em fábricas e a sabotagem da colonização, esses dois volumes nos permitem entender o que é sabotagem e por que ela ainda é relevante.

O volume 1 foi publicado em 25 de novembro de 2022

O volume 2 será publicado e entregue em novembro de 2024

Formato 14×21,6 cm

2 volumes de ~300 páginas

editionslibre.org

Descrição

No primeiro volume, trata-se de voltar às origens anarquistas da prática. Foi numa altura em que os militantes renunciaram ao assassínio político que foi tomada a decisão de minar a produção. Além da quebra de máquinas, a sabotagem também se manifesta na preguiça do trabalhador, naquele que demite voluntariamente, cruza os braços e, assim, retarda a produção, como Bartleby, personagem do conto de Hermann Melville que responde sistematicamente ao patrão: “Prefiro não fazê-lo”. Neste primeiro volume, a reflexão filosófica sobre as diferentes técnicas de luta cruza-se com as principais datas da sabotagem. Revoltas pouco conhecidas são descritas e revolucionários esquecidos são retirados dos arquivos. Ficamos sabendo que a construção do metrô de Paris está ligada ao massacre de grevistas em Draveil e Villeneuve-Saint-Georges. Fala-se também da insurreição contra as agências de emprego e, claro, das duas grandes ondas de sabotagem representadas pela greve do PTT em 1909, depois pela greve dos ferroviários em 1910. Por fim, no apêndice, há textos inéditos do revolucionário Émile Pouget.

No segundo volume, trata-se de evocar a situação atual de sabotagem. Após as duas Guerras Mundiais, a sabotagem mudou de cara. Ela está deixando as indústrias, deixando o mundo do trabalho para atacar tecnologias assassinas de forma mais ampla. É assim que a resistência à colonização pode ser interpretada como sabotagem das técnicas de invasão. Com a transição para a era pós-industrial favorecida pela automação, a sabotagem enriquece seu repertório de ações. Em suas formas mais contemporâneas, encontramos os ceifeiros dos transgênicos, os movimentos de libertação animal e da terra e do mar, os hacktivistas que se infiltram nas redes de comunicação, as lutas dos povos colonizados, o movimento antinuclear, a sabotagem de meios de transportes poluentes e grandes projetos inúteis, etc.

Este projeto já recebeu o apoio de 300 pessoas que encomendaram os dois volumes do livro através do site de crowdfunding Ulule (www.ulule.fr/histoire-du-sabotage).

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Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

No exército dos EUA há mais mortos por suicídio do que em combate

Ao contrário dos tempos da Segunda Guerra Mundial, após os ataques de 11 de setembro de 2001, as forças armadas dos EUA têm mais vítimas por suicídio do que em combate.

Por Marcelo Raimon | 29/05/2024

Nesta semana, os Estados Unidos comemoraram mais um Memorial Day, um dia para lembrar os soldados do país que morreram em combate. É um dos feriados nacionais mais solenes em uma nação onde não faltam guerras. E lá, para testemunhar esse envolvimento em conflitos internacionais, estão os túmulos de cerca de 400.000 militares americanos que morreram na Segunda Guerra Mundial, os 36.000 que morreram na Guerra da Coreia e os 58.000 que morreram lutando no Vietnã.

Muitos desses túmulos estão no Cemitério de Arlington, na Virgínia, a uma curta distância de Washington, DC. De lá, o presidente Joe Biden fez o discurso habitual do residente da Casa Branca para a ocasião. “Hoje”, disse Biden, “nós nos unimos ao luto com gratidão: gratidão aos nossos heróis mortos, gratidão às famílias que ficaram para trás e gratidão às almas corajosas que continuam a carregar a chama da liberdade em nosso país e em todo o mundo”.

Não faltam filmes, livros e histórias sobre a bravura da “Grandiosa Geração” americana que lutou contra o nazismo na Europa e o Império Japonês no Pacífico. E, embora os motivos tenham sido muito menos honestos, também não há como ignorar o fato de que a maioria dos soldados americanos se arriscou na Coreia e no Vietnã.

Depois dessa série de conflitos cobertos mais ou menos ao vivo pela imprensa, quando o exército conscrito foi deixado para trás e chegou o tempo das forças armadas profissionais (de mãos dadas com uma crescente indústria de armas), com mais combates secretos, invasões vergonhosas como Granada e Panamá ou guerras politicamente muito complexas como as do Iraque e do Afeganistão, o quadro é radicalmente diferente.

De acordo com as estatísticas oficiais, entre 1980 e 2022, quase 61.000 pessoas morreram durante o serviço militar ativo. Isso representa uma média de 1.400 mortes por ano, mas também inclui uma média de mais de 250 por ano que morreram de ferimentos autoinfligidos, observou uma reportagem da revista US News publicada por ocasião do Memorial Day.

“Acidentes, doenças, homicídios e ferimentos autoinfligidos são responsáveis pela grande maioria do número de mortes durante esse período”, disse o relatório.

Ainda de acordo com as contagens oficiais, estima-se que 2.459 militares norte-americanos tenham morrido no Afeganistão, mas apenas 1.922 deles em decorrência de combates ou ataques inimigos. Mesmo considerando que se trata de vidas humanas e que todas são preciosas, o número de baixas americanas é insignificante no contexto da guerra como um todo. Por exemplo, o Programa de Dados sobre Conflitos da Universidade de Uppsala, na Suécia, estima que mais de 212.000 civis morreram em decorrência do conflito afegão.

Uma história semelhante se desenrolou no Iraque. Possivelmente a fonte mais popular para o número de mortos, o Iraq Body Count Project, informa que entre 183.249 e 205.785 civis perderam suas vidas no Iraque desde a invasão de 2003. Os militares dos EUA, por sua vez, tiveram que lamentar 4.507 mortes.

A proporção de mortes de civis e militares na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, foi muito mais próxima. Entre o Holocausto, outros massacres nas mãos dos invasores nazistas, fomes como as sofridas pelos países soviéticos e pela China, bombardeios e massacres e várias repressões internas, o número total de civis mortos está confortavelmente entre 50 e 55 milhões, enquanto o número de militares mortos em geral está entre 21 e 25 milhões.

Epidemia de suicídios de soldados, um sinal dos tempos

O Memorial Day desta semana não foi, entretanto, usado para lembrar os civis mortos em qualquer guerra. Mas ao falar dos mortos, foi feita referência a um fenômeno relativamente novo para as forças armadas dos EUA: a epidemia de suicídios de soldados.

Um estudo do Watson Institute for International and Public Affairs da Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, fornece, nessa frente, um número surpreendente: pelo menos quatro vezes mais pessoal da ativa e veteranos dos conflitos pós-11 de setembro morreram por suicídio do que em combate. Em números, 30.177 teriam morrido por suicídio, em comparação com 7.057 mortos em combate desde os ataques ao Pentágono e às torres gêmeas em Nova York.

De fato, o relatório observou que “as taxas crescentes de suicídio” tanto para ex-combatentes quanto para o pessoal da ativa “estão ultrapassando as da população em geral”. Essa é “uma mudança alarmante, já que as taxas de suicídio entre os membros do serviço militar têm sido historicamente menores do que as taxas de suicídio entre a população em geral”, acrescentou o estudo.

De acordo com os pesquisadores da Universidade de Brown, essas altas taxas de suicídio são causadas por vários fatores, incluindo “os riscos inerentes ao combate em qualquer guerra, como alta exposição a traumas, estresse, cultura e treinamento militar, acesso contínuo a armas e dificuldade de reintegração à vida civil”.

Mas eles também descobriram que há “fatores exclusivos” da era pós-11 de setembro, como “um enorme aumento na exposição a dispositivos explosivos improvisados, um aumento concomitante de lesões cerebrais traumáticas e avanços médicos modernos que permitiram que os membros do serviço sobrevivessem a esses e a outros traumas físicos e retornassem às linhas de frente em vários destacamentos” em conflitos altamente violentos, como os do Iraque e do Afeganistão.

Uma pesquisadora da Universidade de Auburn, no Alabama, que também estuda esse problema, a professora April Smith, analisou em um artigo para o The Conversation as principais causas por trás desse fenômeno preocupante. No artigo, também publicado para coincidir com o Memorial Day, Smith disse que alguns dos fatores relacionados ao suicídio entre soldados e ex-combatentes “incluem solidão, problemas de relacionamento, dificuldades no local de trabalho, traumas, horários alterados, aumento do estresse, falta de sono, ferimentos e dor crônica”.

Além disso, os membros das forças armadas “podem ter uma alta capacidade de suicídio”, facilitada por um “menor medo da morte, alta tolerância à dor e familiaridade com o uso de meios altamente letais, como armas de fogo”.

Racismo, agressões sexuais e lesões

Smith e sua equipe realizaram um experimento para tentar entender melhor o problema. Para isso, eles convidaram 92 membros das forças armadas para fazer o download de um aplicativo em seus celulares, no qual foram solicitados a responder a pequenas pesquisas quatro vezes por dia durante um mês para avaliar os fatores de risco de suicídio.

Com base nos resultados, escreveu o pesquisador, eles descobriram que a sensação de “inutilidade” ou de ser um fardo para os outros, “um sentimento de pouco pertencimento ou de estar desconectado dos outros”, além da agitação ansiosa, “são fatores de risco importantes para pensamentos suicidas no momento e a longo prazo” entre militares ativos e veteranos de guerra.

Um jornalista que cobriu a guerra no Iraque em 2016 apresentou uma visão um pouco diferente do problema. Os chefes do Pentágono, escreveu Daniel Johnson em uma coluna para o Chicago Tribune, “tentaram repetidamente atribuir os números e as taxas de suicídio a membros individuais” das forças armadas, “apontando fatores de relacionamento, dívidas excessivas, dificuldades administrativas e legais ou falta de habilidades de enfrentamento” ao retornar aos EUA como riscos.

Porém, “muito raramente” os líderes militares reconhecem a influência culpável de algumas de suas práticas que “criam um estresse avassalador devido à má liderança e a questões como racismo, agressão sexual e lesões cerebrais”. O Departamento de Defesa, protestou Johnson, “também estigmatiza com frequência o tratamento de saúde mental” para soldados ou ex-combatentes.

O jornalista citou dados do Pentágono que mostram que os homens americanos que servem nas forças armadas tiveram uma taxa de suicídio 22% maior em 2022 do que todos os homens do país, enquanto que para as mulheres a taxa foi de quase 70% da população civil feminina.

Por outro lado, acrescentou, o risco de suicídio entre militares da ativa e veteranos de ascendência asiática era 350% maior do que a média nacional, enquanto para afro-americanos e latinos era o dobro da média da população civil como um todo.

Johnson contou que, durante seu destacamento no Iraque em 2016, sua unidade perdeu apenas um de seus membros. Desde então”, advertiu ele, “perdemos pelo menos seis por suicídio, e isso sem contar aqueles que tentaram tirar a própria vida”.

Fonte: https://www.perfil.com/noticias/internacional/en-el-ejercito-de-estados-unidos-mas-muertos-por-suicidio-que-en-combate.phtml

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Guilherme de Almeida