[EUA] Apoio ao companheiro Jesse Cannon (Tall Can)

Jesse Cannon é um antifascista militante que está cumprindo uma sentença de cinco anos por dois casos distintos. O primeiro está relacionado à defesa de sua comunidade contra grupos de extrema direita e supremacistas brancos. O segundo está relacionado à suposta defesa de Cannon de sua comunidade contra outra ameaça externa crível à segurança dos participantes do parque durante um evento no qual estavam presentes idosos e várias famílias com crianças.

Cannon é um artista de hip-hop, escritor e fotógrafo que atende pelo nome de “Tall Can” ou “T.C.”. Ele também é um ativista comunitário de longa data, anarquista e defensor do parque. Nos últimos anos, ele se envolveu na campanha para repelir a invasão da supremacia branca no Barrio Logan, uma área predominantemente latina da chamada San Diego, ocupou a terra Kumeyaay e protegeu o Chicano Park, um marco histórico que representa gerações de luta política para o movimento Chicano. Ele também tem a maior concentração de murais chicanos do mundo. Nos últimos anos, o parque tem sido alvo da Guarda Americana, dos Proud Boys e de outro grupo de supremacia branca chamado Border Town Patriots. Eles foram ao parque com o objetivo de antagonizar ou atacar a comunidade local, que conseguiu se mobilizar em oposição à presença deles. Marcha patriota. Em 9 de janeiro de 2021, três dias depois que manifestantes pró-Trump invadiram o edifício do Capitólio dos EUA, os apoiadores do ex-presidente na Califórnia organizaram uma “marcha patriota” na área de Pacific Beach, em San Diego. Entre os grupos que organizaram a marcha estavam a Guarda Americana, os Proud Boys e outro grupo racista de direita local chamado Defend East County.

Ativistas comunitários locais e grupos antifascistas organizaram um contraprotesto. Durante várias horas, os dois lados entraram em conflito. A polícia tentou separar os lados opostos, mas concentrou sua brutalidade nos manifestantes antirracistas. Após quase sete horas de protestos e brigas de rua, a área acabou sendo liberada. O governo local, a mídia e os ativistas de direita atribuíram a culpa pelo incidente ao “Movimento Antifa”. Em 6 de dezembro de 2021, após uma audiência com o grande júri, o promotor público de San Diego, Summer Stephan, anunciou o indiciamento de onze ativistas antifascistas por 29 acusações criminais relacionadas ao incidente ocorrido no início do ano. A acusação afirmava que de 15 a 20 membros da Antifa de San Diego e Los Angeles organizaram e executaram atos de violência contra os participantes do comício da Marcha Patriótica. Os ativistas da Antifa supostamente usaram pedras, vidros, spray de pimenta, bastões e outras armas para agredir pelo menos 16 vítimas. A acusação afirma que uma conspiração criminosa começou com indivíduos que curtiram e compartilharam publicações nas mídias sociais que convocavam um contraprotesto contra a manifestação pró-Trump. Outros supostamente entraram em uma conspiração ao comparecerem para participar do protesto antirracista e se envolverem em ações violentas.

Cannon foi um dos indiciados e foi acusado de conspiração criminosa, agressão criminosa por meios que provavelmente produziriam grandes lesões corporais e duas acusações de agressão com arma letal. A acusação também apontou que Cannon estava em liberdade sob fiança em um caso anterior por seu papel no ativismo comunitário. Perseguição política. Depois que a acusação foi anunciada, os organizadores da comunidade expressaram sua indignação com a acusação unilateral. Embora ambos os lados tenham se envolvido no confronto em 9 de janeiro de 2021, o promotor público optou por processar apenas aqueles que foram rotulados como membros da “Antifa”. Várias pessoas, que foram vítimas de agressões não provocadas perpetradas por membros da American Guard e dos Proud Boys, testemunharam o promotor público fechar os olhos para esses ataques.

A promotoria também não informou ao grande júri e às testemunhas de defesa dos onze réus que muitos dos que foram rotulados como “vítimas” eram membros da Guarda Americana e foram agressores durante o conflito. Embora a promotoria tenha se esforçado muito para caçar as supostas “vítimas da Antifa”, eles evitaram entrevistas com várias vítimas dos extremistas de direita porque isso prejudicaria a agenda da promotoria.

A ação da promotora distrital de San Diego, Summer Stephan, não deveria ser surpresa, já que ela construiu toda a sua campanha eleitoral para seu cargo com base no medo contra a Antifa e George Soros. Em 2018, Stephan usou imagens de black blocs com bandeiras da Antifa com legendas como “A segurança pública de San Diego está sob ataque” como parte de sua campanha eleitoral. Sua campanha também acusou seu oponente de ser apoiado por George Soros, o filantropo judeu que é frequentemente usado pela extrema direita em sua retórica antissemita codificada. Embora Stephan não tivesse problemas em vilanizar a Antifa ou George Soros para promover sua campanha, também parecia que ela não tinha problemas em receber dinheiro de supremacistas brancos ou usar sua posição para protegê-los de processos.

Um dos que doaram para a campanha de Stephan foi o líder do Partido Republicano de San Diego e autodenominado “rei dos republicanos” local, Tony Krvaric. Semanas antes do incidente de janeiro de 2021, Krvaric tuitou que a polícia deveria se concentrar nos “terroristas antifa”. Não deveria ser surpresa que Krvaric não gostasse de antifascistas. Em 2020, surgiu um vídeo de um jovem Krvaric e seus amigos fazendo saudações ao poder branco, desenhando suásticas em seus corpos, com uma foto de Hitler aparecendo na tela.

Um dos filhos de Krvaric, que era reservista, foi investigado pelos fuzileiros navais por causa de uma inscrição no Patriot Front, outro grupo neonazista. Seu outro filho trabalhou para o Escritório de Gestão de Pessoal de Trump, participou da insurreição de 6 de janeiro e tinha perfis em sites neonazistas nos quais elogiava Hitler, apoiava a deportação de pessoas não brancas e expressava repulsa à população LGBTQ+.

Essa não é a única conexão de Stephan com a comunidade supremacista branca local. Em maio de 2018, poucas semanas depois que a promotora lançou seu site de campanha de conspiração, ela aceitou uma contribuição de campanha de Kristopher Wyrick, presidente da seção do sul da Califórnia da Guarda Americana. Seis meses antes da contribuição, quando Summer Stephan estava atuando como promotora interina, Wyrick e vários outros membros da Guarda Americana agrediram várias vítimas em um ataque cruel. Apesar dos inúmeros vídeos do ataque, o promotor público optou por não apresentar acusações contra os supremacistas brancos. Esse não foi um incidente isolado. Em setembro de 2020, membros da Guarda Americana atacaram manifestantes da justiça racial, incluindo um homem em uma cadeira de rodas. Em julho de 2021, Wyrick e vários outros membros da Guarda Americana atacaram manifestantes pró-palestinos durante um comício, usando armas que incluíam spray de urso. Apesar das reportagens da mídia que documentaram os incidentes, o escritório do promotor público mais uma vez se recusou a processar. No total, há pelo menos cinco incidentes documentados em que o gabinete de Stephan optou por não processar Wyrick e sua Guarda Americana por agressões violentas. Para piorar a situação, muitos dos indivíduos que eles decidiram não processar eram as supostas vítimas do incidente de 9 de janeiro de 2021 e testemunhas de acusação.

No final de 2023, Cannon se envolveu em outra ação em defesa de sua comunidade contra uma ameaça externa que levou a outras acusações, incluindo o suposto uso de uma arma mortal, vandalismo, brandir uma arma de fogo oculta e agressão e agressão. As acusações crescentes e as possíveis melhorias na sentença levaram Cannon a tomar a decisão de fazer um acordo. Em fevereiro de 2024, Jesse Cannon aceitou um acordo de não cooperação no qual recebeu uma sentença de dois anos pelo caso de janeiro de 2021 e três anos pelas acusações adicionais do final de 2023. No total, Cannon foi condenado a cinco anos de prisão estadual por defender sua comunidade contra agressores fascistas e racistas.

Escreva para Jesse:

Jesse Cannon #BX4822

Sierra Conservation Center

5150 O’Byrnes Ferry Road

Dormitório 27, Camada superior 7U

Jamestown, CA 95327 – EUA

Fonte: https://www.abcf.net/blog/support-for-comrade-jesse-cannon-tall-can/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

olhos de gato
luz dos faróis na noite
pulo no mato

Carlos Seabra

[Reino Unido] Freedom busca contribuições para a edição impressa de outubro

Nosso tema desta vez: “O internacionalismo deles – e o nosso”

As classes dominantes e a extrema direita estão se ajudando avidamente em todo o mundo, porque não há limites para seu ódio e fome de poder. Autoritários, oligarcas e teofascistas se importam muito pouco com fronteiras quando se trata do controle do corpo das mulheres ou da construção de fortalezas para si mesmos contra a maré do colapso da biosfera.

Enquanto isso, o restante de nós está praticando a ajuda mútua além das fronteiras: resistindo à violência das agências de fronteira e das empresas de armamento, ajudando uns aos outros a lidar com a pobreza e a migração forçada, divulgando informações em vários idiomas e redes e enviando dinheiro de volta para a família e os amigos.

Na próxima edição impressa da Freedom, queremos destacar histórias que cruzam fronteiras e mostram conexões internacionais por meio de atos de resistência organizada, sobrevivência e igualdade. Queremos saber sobre suas próprias experiências ou sobre assuntos em que você tem experiência.

Envie suas contribuições (com cerca de 800 a 1600 palavras) para editor@freedompress.org.uk

Tradução > Contrafatual

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/31/freedom-seeks-contributions-to-october-print-issue/

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A frágil libélula
repousando no capim —
Bailado do vento.

Fagner Roberto Sitta da Silva

[Chile] Sobre as últimas transferências dos anarquistas e subversivos presos no interior do Cárcere La Gonzalina e a manutenção do isolamento ao companheiro Francisco Solar.

Desde o início de julho de 2024, o Módulo 1 de Alta Segurança no Cárcere La Gonzalina começou a ser desocupado, permanecendo apenas os companheiros anarquistas e subversivos em seu interior: Marcelo Villarroel, Juan Aliste, Joaquín García e Juan Flores. Depois de uma série de rumores, finalmente em 29 de julho de 2024, Marcelo Villarroel, Juan Aliste, Joaquín García e Juan Flores, provenientes do Módulo 1 de Alta Seguridad, junto com Mauricio Hernández Norambuena, do Módulo 2 de Máxima Seguridad, são transferidos para recentemente anunciado Módulo 33, que conta com um regime de Alta Segurança onde permaneceram todos agrupados.

O companheiro Francisco Solar, por sua vez, não está incluído nessas transferências nem nesses grupos, apesar de estar condenado, permanecendo no Módulo 2 sob regime de isolamento.

Essas medidas são implementadas como parte de uma relocalização de presos, logo após o anúncio do governo sobre a inauguração iminente de uma nova prisão de alta segurança e o endurecimento das condições de isolamento nos diferentes pavilhões de segurança máxima ao longo do país.

Chamamos para aprofundar a solidariedade com os companheiros presos, com as diferentes campanhas específicas, pela saída da prisão de Marcelo Villarroel sequestrado sob as leis de Pinochet e pela saída imediata do isolamento de Francisco Solar.

Prisioneiros anarquistas e subversivos às ruas!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/26/chile-semana-internacional-de-agitacao-e-solidariedade-contra-o-regime-de-isolamento-do-companheiro-francisco-solar-10-a-17-de-agosto/

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prosa de chuva
deságua em trova
trêmulo trovão

Luciana Bortoletto

[EUA] “Sin miedo a las ruinas | Anarquismo, vanguardias artísticas y la crisis de representación en España (1930-1937)”, de Luis González Barrios

Ao falar de “vanguardas artísticas”, ou “vanguardas históricas”, não é estranho o emprego do adjetivo qualificativo “anárquico” que, às vezes ambiguamente, alude a certa atmosfera de ruptura no primeiro terço do século XX. No caso espanhol esta situação remete à coexistência, durante a Segunda República (1931–1939), de ismos estéticos muito politizados e um importante movimento anarquista. Onde convergem ou se distanciam o vanguardismo de galerias, pavilhões ou revistas e as ações revolucionárias da Confederação Nacional do Trabalho (CNT). Ate que ponto as práticas do obreirismo libertário se correspondem com o teatro experimental de García Lorca, o cinema de Luis Buñuel, ou a escultura de Alberto Sánchez? E com a literatura feminista de Lucía Sanchez Saornil, o filmado proletário de Helios Gómez, ou a pintura anticolonial de Wifredo Lam? “Sin miedo a las ruinas” propõe que a resposta a estas questões se encontra no comum questionamento, por parte de vanguardas e anarquistas, não já do sistema de representação dominante, mas do conceito mesmo de “representação” e sua pretendida transparência. Este ensaio-colagem de “textos”, gêneros e autores de vanguarda convidará o leitor a repensar a relação entre arte e política na Espanha republicana. E lá onde a representação se encontre em crise.

Sin miedo a las ruinas

Anarquismo, vanguardias artísticas y la crisis de representación en España (1930-1937)

Luis González Barrios

294 pp.

ISBN: 978-1-4696-7768-2

$65,00

uncpress.org

Tradução > Sol deAbril

agência de notícias anarquistas-ana

passos de pássaro
no telhado lá de casa
embalam sonhos

Marland

[França] Jogos Olímpicos de Paris 2024 | “Espetáculo em toda parte, revolução em lugar nenhum!”

E de repente, na pompa e circunstância da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, a estátua de Louise Michel apareceu (não está claro o que ela está segurando na mão esquerda. Um cajado de pastor com um novelo de lã? E algumas pessoas se alegraram porque (e eu cito) “Pelo menos os jovens verão e ouvirão seu nome”.

De fato, eles verão. E eles a associarão ao Estado, à República, ao Vermelho Branco e Azul… O que é perfeitamente o efeito desejado: torná-la inofensiva ao Poder, transformando-a em um ícone desencarnado…

Espetáculo em toda parte, revolução em lugar nenhum!

CNT-AIT Toulouse

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/28/o-dia-em-que-louise-michel-inventou-a-bandeira-anarquista/

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Sombra de árvore –
Até mesmo a companhia de uma borboleta
É karma de uma vida anterior.

Issa

Declaração final da Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs 2024

De 5 a 7 de julho, Prishtina, no Kosovo, transformou-se em um centro de pensamento anarquista, coordenação e solidariedade ao sediar a 16ª edição da Balkan Anarchist Bookfair (BAB). Esse primeiro encontro anarquista em uma localidade de língua albanesa reuniu mais de 250 participantes de 29 países, desde o Chile até o Azerbaijão. Um total de 32 coletivos e iniciativas expuseram livros e zines, e 18 discussões e eventos foram organizados, mostrando a diversidade abrangente do movimento. No verdadeiro espírito do coletivismo e da ajuda mútua, os participantes se envolveram na organização, tornando esse evento uma demonstração notável do que pode ser alcançado por meio do esforço coletivo.

A realização desse evento em Prishtina é de particular importância. Desde o fim da guerra, o Kosovo tem permanecido em um estado perpétuo de conflito, levando a uma atmosfera duradoura de tensão entre o estado do Kosovo e a Sérvia. As elites de ambos os lados capitalizaram muito essa situação, garantindo e prosperando com a divisão entre as sociedades. O simples fato de camaradas de todos os Bálcãs, inclusive do Kosovo e da Sérvia, terem se posicionado lado a lado, denunciando o nacionalismo e a política estatal, é um poderoso testemunho de nosso compromisso coletivo com a solidariedade, a resistência e a colaboração além das fronteiras artificiais e da política estatal que visa a nos dividir.

A urgência desse encontro não pode ser exagerada. Em um momento em que os fogos da guerra estão devastando o mundo e o espectro do fascismo evidente está se espalhando, os Estados estão se tornando cada vez mais militarizados e a repressão é cada vez maior. Durante a BAB, compartilhamos as experiências de nossas localidades e analisamos como os estados dos Bálcãs estão aumentando sua retórica nacionalista e, ao mesmo tempo, acumulando armas e iniciando discussões para reinstituir o serviço militar obrigatório. Essas ações alimentam as narrativas umas das outras, que são usadas como justificativa para as últimas e instilam medo nas sociedades. Consideramos imperativo que as pessoas dos Bálcãs e de outros países, como coletivos anarquistas e indivíduos, aprofundem a coordenação e fortaleçam as redes de resistência contra o ressurgimento do nacionalismo e do militarismo. Não fazer isso levará inevitavelmente à guerra.

A guerra é uma parte intrínseca do sistema capitalista. Seja ela de baixa intensidade ou de grande intensidade, serve como uma ferramenta importante para a expansão do capitalismo, abrindo novas fontes de exploração, como terra, mar, minerais, todos os seres vivos ou a produção e venda de armas como capital. Não caímos na armadilha de considerar um conflito como um binário entre estados-nação, embora aceitemos suas nuances e contextos de como eles acontecem; nós o vemos como uma guerra do capital contra as sociedades. As guerras na Ucrânia, no Sudão, na Síria, em Mianmar, na África subsaariana, as guerras de cartéis no México e outras compartilham a mesma lógica de dominação e expansão do capital, que só traz morte e destruição.

Reconhecemos que os Estados dos Bálcãs não são meros espectadores secundários do espetáculo da guerra, mas uma parte intrínseca dela; por abrigarem grandes instalações militares mundiais, fornecerem campos de treinamento para forças armadas, oferecerem logística e corredores para transferências de armas e tropas, contribuírem com know-how técnico, desempenharem um papel significativo nas manobras de guerra global e produzirem e venderem armas em todo o mundo, portanto, fazendo parte e possibilitando assassinatos e genocídios. Enquanto os setores privado e estatal trabalham arduamente, de mãos dadas, para transformar até mesmo os menores países dos Bálcãs em uma região séria produtora e/ou compradora de armas, vemos uma pressão cada vez maior sobre as sociedades locais para que aceitem uma nova realidade, cada vez mais militarizada, sob o pretexto de medo e incerteza quanto ao futuro.

Talvez o exemplo mais vil e evidente da lógica de guerra seja o genocídio que está ocorrendo em Gaza e os ataques na Cisjordânia contra o povo palestino, com dezenas de milhares de civis mortos e toda a região destruída, em transmissão contínua em nossas telas; tudo isso apoiado pelas potências imperialistas mundiais e pelo complexo militar-industrial, incluindo os Estados dos Bálcãs, que fornecem apoio político e militar. A guerra genocida de aniquilação em Gaza serve tanto como um lembrete da capacidade colonialista do Ocidente de conduzir guerras de extermínio quanto como um laboratório de tanatopolítica, mostrando o que as classes dominantes atualmente querem e são capazes de fazer com populações inteiras.

Somos solidários ao povo palestino e pedimos resistência em cada localidade dos Bálcãs para interromper o apoio político e militar fornecido pelos Estados dos Bálcãs ao Estado de Israel. Reconhecemos que o inimigo não é apenas a guerra em si, mas também os Estados e os sistemas capitalistas que a perpetuam.

Com tudo isso em mente, convocamos dias transnacionais de ação contra o militarismo e o nacionalismo na primeira semana de outubro (1 a 10 de outubro de 2024). Durante esse período, convidamos todos, em sua própria localidade e à sua maneira, a organizar ações contra as condições de guerra: nacionalismo, militarismo, patriarcado, política de exclusão etc. Convocamos ações contra a indústria de armas e o transporte de armas, contra todos os aparatos militares nacionais, coalizões militares multinacionais e a crescente militarização de nossas sociedades. Como nos anos anteriores, enfatizamos nossa solidariedade com todos os desertores, resistentes à guerra e objetores de consciência.

A militarização dos Bálcãs levou, inadvertidamente, à militarização das fronteiras estaduais, que se tornaram sentenças de morte para os migrantes que usam os Bálcãs como rota para chegar às cidades europeias. Retratados como a fronteira da “Fortaleza Europa”, os países dos Bálcãs assumiram um papel de controle sobre o movimento, o que significa empurrar para trás, roubar, espancar, deter e até mesmo assassinar migrantes, tudo isso encoberto pela linguagem tecnocrática da gestão da migração. Centenas de milhões em fundos foram doados aos países dos Bálcãs, equipando-os com tecnologia de ponta para a militarização e vigilância das fronteiras, ao mesmo tempo em que hospedam as forças da Frontex, em um esforço conjunto para proteger a “Fortaleza Europa”. Agora, os países dos Bálcãs não apenas agem como um impedimento para os migrantes que chegam à Europa, mas também assumem um papel ativo no “processamento” de migrantes por meio do estabelecimento de centros na Albânia em nome da Itália, ou por meio do aluguel de 300 celas de prisão de Kosovo pela Dinamarca para serem usadas por estrangeiros a serem deportados. Compreendendo nossa própria experiência como oriunda de sociedades moldadas pela migração (ou sendo uma), somos solidários com os migrantes que chegam e passam pelos Bálcãs e enfatizamos a necessidade de fortalecer as iniciativas anarquistas transnacionais para fornecer apoio às pessoas em movimento.

A existência agonizante de mulheres, pessoas trans, não conformes com o gênero e queer em sociedades capitalistas patriarcais é ainda mais exacerbada por reformas neoliberais, forças clericais-conservadoras reacionárias e políticas estatais desumanizadoras. Em estados cada vez mais nacionalistas e militarizados, a retórica do declínio demográfico é usada para justificar políticas mais restritivas com relação à autonomia das pessoas que dão à luz. Os corpos são reduzidos a meros recipientes para a reprodução, tanto em termos de nascimento quanto de cuidados, que são explorados pelo capital como trabalho estreitamente controlado por meio do controle direto sobre os corpos. Portanto, a luta anarquista por liberdade e igualdade é inerentemente uma luta feminista. Afirmamos nosso compromisso com a luta contra o patriarcado em todas as suas formas de exploração e desigualdade, bem como nosso compromisso com a luta por justiça reprodutiva, aborto seguro e autogerenciado.

Além disso, enfatizamos que nosso movimento anarquista deve ser um espaço seguro para todos, promovendo ambientes que englobem o ideal de igualdade, livre de machismo, misoginia, homofobia, transfobia e queerfobia. Entendendo que ainda há trabalho a ser feito nesse sentido e a fim de promover essa cultura, nós nos comprometemos com a justiça transformadora em nossas comunidades.

Lutar contra o capitalismo significa combater sua lógica e seu controle em várias frentes. Portanto, nossa luta é parte integrante da multiplicidade de lutas dentro da sociedade, com cada localidade vivenciando um contexto diferente. Portanto, a luta anarquista contra o capitalismo é também uma luta contra toda a violência e destruição do Estado. Esse BAB reafirmou nosso compromisso com a abolição das prisões e enfatizou nosso apoio público aos prisioneiros anarquistas na região e fora dela. Como anarquistas, também devemos estar na vanguarda da luta contra a destruição ambiental. Portanto, devemos desenvolver estratégias que não apenas abordem crises imediatas (que muitas vezes sobrecarregam nossas capacidades), mas também criem análises de longo prazo em várias camadas, bem como estruturas de resistência contra o capitalismo. Isso só pode ser alcançado com o reconhecimento da interconexão de nossas lutas, que deve ser refletida em todos os aspectos de nossa organização e ações.

Durante esse BAB, também discutimos a importância de expandir e estabelecer ainda mais nossa própria infraestrutura autônoma. Os squats e os centros sociais autônomos são de importância significativa nessa infraestrutura, proporcionando espaços para organização, construção de comunidades e resistência. Entretanto, esses espaços enfrentam desafios significativos, desde a repressão estatal até as contradições internas. Confirmamos a necessidade de fomentar essas iniciativas, reconhecendo seu papel no movimento e nas comunidades em que vivemos.

Na mesma nota, enfatizamos a importância de estabelecer nossas próprias iniciativas de impressão e mídia anarquista, como projetos de rádio, que são cruciais para divulgar notícias e experiências sobre a luta de nosso movimento, bem como para a sociedade em geral. Da mesma forma, também reconhecemos a necessidade de cuidar de nossa própria história por meio de projetos de arquivo. Esses projetos podem servir não apenas como plataformas para registrar e escrever a história por meio de nossas próprias narrativas, mas também como fontes de conhecimento sobre táticas, práticas e análises que ainda podem ser bem utilizadas.

A Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs de 2024 reafirmou nossa força coletiva e nosso compromisso com a construção de um mundo livre de opressão, destacando nossa dedicação à resistência, por um lado, e à solidariedade, por outro. Ao olharmos para o futuro, devemos continuar a construir redes de apoio e desenvolver estratégias para enfrentar o sistema capitalista e o Estado que o protege. Devemos expandir nossas redes e chegar às cidades dos Bálcãs onde não há iniciativas anarquistas, apoiando-as para que se estabeleçam e prosperem. A coordenação e a solidariedade são os pilares sobre os quais construiremos nossa resistência e criaremos um futuro baseado na ajuda mútua, na liberdade, na empatia radical e na igualdade.

Devemos enfatizar mais uma vez a importância de realizar essa feira de livros em uma localidade de língua albanesa, marcando-a como o primeiro encontro anarquista já realizado nessas terras. Os coletivos, grupos e indivíduos que vieram de todo o mundo tiveram a chance de aprender sobre o contexto da luta local e compartilhar suas experiências com o povo de Prishtina. Para muitas pessoas de Prishtina que visitaram a feira de livros, bem como para os coletivos e indivíduos que a apoiaram, essa foi uma experiência de aprendizado que demonstrou o poder da organização não hierárquica baseada apenas na solidariedade e na ajuda mútua. Ela também destacou a relevância da análise e da organização anarquista nas lutas locais e regionais.

Por fim, temos o prazer de anunciar que a próxima Balkan Anarchist Bookfair será realizada em Thessaloniki, na Grécia.

Participantes da Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs 2024
7 de julho, Prishtina.

bab2024.espivblogs.net

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/01/kosovo-feira-do-livro-anarquista-dos-balcas-2024/

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de inverno,
ouço calado
o vento gelado.

Fabiano Vidal

[Espanha] II Encontro do Livro Anarquista de Santander (ELADOS)

Por que um encontro anarquista do livro e por que 6 anos depois?

Temos o prazer de anunciar que estamos de volta com uma nova edição do Encontro do Livro Anarquista de Santander. O primeiro encontro foi realizado em 2018. Embora estejamos acostumades a organizar esse tipo de evento anualmente, demoramos um pouquinho. Tanto que, quando nos reunimos novamente, uma das primeiras perguntas que nos fizemos foi: por que um encontro de livros anarquistas?

Precisamente, como o nome sugere, porque sentimos a necessidade de fazer um “encontro”. Um encontro motivado por várias razões: pela importância e pela necessidade de criar espaços comuns para anarquistas na Cantábria. Espaços que, nos últimos anos, foram murchando e encolhendo em detrimento de outras propostas políticas não relacionadas e até mesmo claramente hostis às nossas ideias. Sentimos a necessidade de compartilhar e trocar ideias anarquistas entre nós e com a companheirada de outros territórios. Também queremos apostar na cultura e na diversidade que definem o anarquismo, fazer um trabalho de propaganda e mostrar “para fora” aquilo pelo que lutamos todos os dias, contribuir para o debate, nos organizar.

Por outro lado, consideramos importante, como se faz em muitos outros lugares, destacar aqui a ampla produção bibliográfica que bebe e nasce das ideias que surgem do anarquismo, e também o indiscutível trabalho e dedicação das pessoas que a tornam possível, desde indivíduos, até pessoas organizadas em coletivos, distribuidores, livrarias, editoras, as pessoas por trás de cada autor e aqueles que leem… Todos esses elementos motivam e dão sentido a esses encontros, como plataformas de divulgação e espaços de compartilhamento e aprendizado, de expressão. Não queremos que esta seja uma simples feira de livros, embora o livro seja o protagonista. Queremos que ocorram atividades, palestras, oficinas, expressões políticas e artísticas diversas, trocas de ideias que, acreditamos, fazem desses encontros uma ferramenta essencial e necessária para nossas lutas.

E por que 6 anos depois?

O primeiro encontro do livro anarquista de Santander ocorreu em um momento em que o ciclo político iniciado após o 15M ainda não havia se esgotado completamente e era alimentado por eventos políticos relevantes que estavam ocorrendo na época, como a greve feminista do 8M 2018. Isso, juntamente com os caprichos do destino, significou que um bom punhado de anarquistas baseados na Cantábria coincidisse em várias lutas e resistências. A OSC La Lechuza reuniu parte dessas energias que conduziram e motivaram a organização do encontro. Sentimos que foi um sucesso na época, e foi assim que permaneceu na memória da maioria das pessoas que participaram dele. Foi um sucesso não só pelo fato de ter sido realizado, mas também por ter sido muito bem recebido, por ter servido para tecer redes e nos reunir dentro e fora de nossas fronteiras territoriais. Foram 3 dias de envolvimento absoluto, além de meses de trabalho prévio. Demos tudo de nós e cobrimos tudo o que nossas mentes e corpos podiam cobrir e, graças ao apoio de muitas pessoas e coletivos, o evento foi adiante. Não temos palavras para descrever esse sentimento.

Mas esse marco na história recente do anarquismo cantábrico foi seguido por anos difíceis. A própria exaustão gerada pela reunião, as crises internas na OSC, a pandemia e o fim do ciclo político mencionado, bem como nossas próprias circunstâncias pessoais, reduziram o desejo e a força para assumir e organizar outro encontro. Passamos por vários conflitos políticos e pessoais consecutivos. Entrar em detalhes seria só morbidez, mas é verdade que, nos movimentos sociais, as divergências causam estragos e o gerenciamento desses conflitos traz à tona nossa falta de ferramentas para resolvê-los, em muitos casos com várias consequências, como foi o caso desse longo hiato.

Mas nem tudo é desgraça e tristeza. Muitas das pessoas que participaram do primeiro encontro se reuniram novamente, provando a nós mesmos que os laços que criamos naquela época não foram rompidos, mas, pelo contrário, foram fortalecidos. Sem elas, esse segundo encontro não teria sido possível. O processo de organização nos ajudou a compartilhar essas experiências passadas, a aprender com elas, a continuar construindo e melhorando a nós mesmos e, em resumo, a reforçar as redes existentes e tecer novas. As portas se fecham, mas as janelas se abrem. Seguimos em frente, e com grande entusiasmo.

VOLTAMOS A NOS ENCONTRAR!

Em 5, 6, 7, 8 e 14 de setembro em Santander – 2024

encuentrolibroanarquistasantander.noblogs.org

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida

Roséli

[EUA] James C. Scott (1936-2024)

O prolífico acadêmico teve uma influência monumental nos estudos agrários e anarquistas do sudeste asiático.

O pesquisador e autor James C. Scott faleceu em sua casa de Connecticut este 19 de julho. Tinha 87 anos. Suas obras fundamentais incluem The Moral Economy of the Peasant, Weapons of the Weak, Domination and the Arts of ResistanceThe Art of Not Being Governed, Two Cheers for Anarchism, e Against the Grain.

Scott cresceu em Nova Jersey, teve uma educação quaker. O evangelho social quaker e os campos de trabalho de uma semana em refúgios para pessoas em condição de rua, prisões e espaços similares deixaram uma profunda impressão em sua visão de mundo e da política. Se encontrava estudando Economia Política em Williams College, com especialização em Economia, mas se enamorou em seu último ano e se distraiu de seus estudos. No momento de defender sua tese de licenciatura seu assessor rechaçou seu trabalho. Obrigado a buscar um novo patrocinador, se topou com a porta do economista William Hollinger, que sentia curiosidade pelo desenvolvimento econômico da Birmânia (Mianmar). Converteu-se em orientador de Scott, que depois de terminar sua licenciatura postulou o programa de pós-graduação em Economia em Yale. Scott teve a oportunidade de visitar o norte da África esse verão, o que não lhe permitiu fazer o curso de cálculo, o que provocou seu translado ao departamento de Ciências Políticas.

Scott decidiu que para chamar a si mesmo um pesquisador “camponês” necessitava envolver-se de fato no trabalho etnográfico de campo, uma medida que seus colegas politólogos pensavam que era, no pior dos casos, um suicídio profissional e, no melhor deles, uma perda de tempo. Passou quatorze meses em uma aldeia da Malásia que se converteu na coluna vertebral da investigação que derivou em Weapons of the Weak. Este trabalho captou a atenção de antropólogos como Clifford Geertz e Benedict Anderson; um politólogo que utilizava a etnografia como parte de sua metodologia era algo inaudito nesse momento. O livro também foi criticado por Edward Said, que pensava que expor e analisar as estratégias “ocultas” dos subalternos minava sua capacidade de resistência. Isto abre uma pergunta mais ampla sobre a natureza da própria investigação desde o radical: quando dissecamos e fazemos legíveis os mecanismos e táticas de resistência e rebelião, atenuamos seu potencial? Nos atrapalhamos com nossa própria investigação?

Pode ser que Scott não tenha se identificado publicamente como anarquista, mas certamente o era. Em Two Cheers for Anarchism emprega o que ele chama um “estrabismo anarquista”: posicionar-se para obter ideias a partir de “formas informais de cooperação, coordenação e ação que encarnam [o princípio de Proudhon de] mutualidade sem hierarquia”. Outro conceito útil desse trabalho é o de “ginástica anarquista”, a ideia de que devemos manter-nos ágeis incorrendo em violações rotineiras de leis menores: cruzar a rua imprudentemente, roubar em supermercados, perambular e similares, pois algum dia será necessário violar leis maiores. Sua resenha de The World Until Yesterday, de Jared Diamond, é muito recomendável, uma leitura prazerosa e útil para o anarcoprimitivismo em sua vida.

Seria negligente não reconhecer a controvérsia em torno de Scott, quem alguma vez solicitou unir-se à CIA, informando inicialmente de forma voluntária sobre o ativismo estudantil birmano para, mais tarde, negar-se a fazê-lo, mas aparentemente continuar proporcionando informes de maneira acidental. Conhecer esta história é importante, mas não estou em desacordo com as afirmações de que de alguma maneira contamina sua pesquisa e suas contribuições. Kropotkin foi moldado pelas interações com os servos que pertenciam a sua família aristocrata. Chelsea Manning pode filtrar esses documentos devido a que estava no exército dos Estados Unidos. Voltando a Birmânia, George Orwell desenvolveu seu ódio pelo imperialismo depois de servir para a Polícia Imperial Índia aí mesmo. As pessoas se moldam pelas coisas que fazem, incluídas aquelas das quais se arrependem.

Conheci Scott uma vez na primeira conferência da North American Anarchist Studies Network em Hartford, Connecticut, em 2009. Falamos um pouco, nesse momento eu acabava de terminar minha tese sobre a transição do comunismo ao capitalismo na Mongólia e seus impactos nos pastores nômades, assim que tínhamos os estudos agrários como língua vernácula comum. Creio que filosoficamente Scott se sentia muito anarquista. De nossas breves conversações presumo que evitou usar essa etiqueta porque sua investigação não se baseava no trabalho de escritores anarquistas clássicos, uma condição que a maioria dos anarquistas autoproclamados evitaria.

Scott deixa os filhos e sua companheira, a antropóloga Anna Tsing.

James Birmingham

* O autor é membro do Conselho de Administração do Instituto de Estudos Anarquistas e membro fundador do Black Trowel Collective.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/25/james-c-scott-1936-2024/

Tradução > Sol de Abril

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O casulo feito
bicho dentro dele dorme
vestido de seda.

Urhacy Faustino

Monstro dos Mares: Navegando novos rumos na publicação anarquista

A Monstro dos Mares, uma editora de publicações anarquistas, agora está em Cachoeira do Sul/RS, cidade onde foi fundada em junho de 2013. Após oito anos no Paraná, onde aprendemos muito sobre processos editoriais, produção artesanal, distribuição e, principalmente, a criação de comunidades por meio do livro impresso e suas possibilidades, retornamos ao interior e iniciamos a implementação de mudanças significativas em nosso modo de produzir.

Com o passar dos anos, novas necessidades e configurações demandaram novas soluções. Hoje, precisamos encontrar maneiras de continuar existindo como coletivo editorial em um momento de distâncias – e isso afeta diretamente as nossas possibilidades de produção artesanal.

Por isso, todas as publicações passaram a ser produzidas em gráfica e conforme a demanda de pedidos em nossa loja. Além disso, alguns livros estão disponíveis em diferentes marketplaces.

Para realizar essa transição, foi necessária uma reformulação de nosso catálogo, que passa agora a ser constituído apenas de livros. Os zines que integravam o catálogo da Monstro dos Mares passarão a ser produzidos pelas amizades da Impressora Anarquista (https://impressora-anarquista.lojaintegrada.com.br), de Goiânia/GO.

A Monstro dos Mares continua produzindo com a mesma radicalidade desses 11 anos, e celebramos as cinco impressoras, a impressão de um milhão de folhas e a produção de milhares de livros e zines artesanais.

Neste novo capítulo, nos dedicaremos a encontrar novos títulos, elaborar mais textos e lançar publicações que possam contribuir com a educação e as ideias de quem está fazendo o século 21, seja na escola, nos movimentos sociais, nas universidades, no trabalho, no campo ou na cidade.

Içamos nossas velas, mais uma vez navegando sonhos e desejos em direção à Utopia, na companhia das amizades com quem compartilhamos as águas turbulentas das publicações independentes de livros anarquistas no nosso tempo.

monstrodosmares.com.br

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/11/29/criamos-a-monstro-dos-mares-dentro-de-uma-garagem-numa-noite-fria-de-inverno/

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Sertão nordestino —
mandacaru solitário
enfeita a paisagem.

Renata Paccola

Flecheira Libertária 772 | “Eta vida besta com deuses e satãs.”

a moderação da semana

Enquanto os(as) conformistas reverenciam Trump, os(as) conformados(as) acatam e, sobretudo, aplaudem a vice de Biden e encarceradora da Califórnia, embalados pela música-grana de Beyoncé. Eta vida besta!

por aqui…

o rebanho do “novo pai dos pobres”, ao contrário do que muitos supõem ou fingem supor, gosta de compra e venda de armas, de militarização das escolas e clama por punição. Seus costumes são tão conservadores e, em muitos casos, reacionários como o das ovelhas que marcham em direção ao homem que sentava no trono do palácio. O óbvio: suas condutas são mais do mesmo. O resto é retórica que visa recrutar novos voluntários – os tolos que almejam “contribuir” – para uma ou outra manada.

ainda por aqui…

o rebanho e a revoada por terra e ar, junto ao cardume por água, perseguem conformados os seus conformismos, também autocráticos, indiferentes aos governos policiais e milicianos, gabando-se de suas condutas fascistas e democráticas. Eta vida besta com deuses e satãs.

>> Para ler o Flecheira Libertária 772 na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/07/flecheira772.pdf

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os raios de sol —
como fios de cortina
a esgarçar a nuvem.

Guilherme Aniceto

[Reino Unido] Gaetano Bresci, 1869-1901

Um breve relato da vida de Gaetano Bresci, que em 1900 assassinou o rei Umberto I da Itália em resposta a um massacre de trabalhadores em Milão.

Por Sam Lowry

Gaetano Bresci nasceu em 11 de novembro de 1869 em Coiano, um pequeno vilarejo na comuna de Prato, na Toscana, região central da Itália. Seus pais o mandaram para o trabalho ainda jovem, durante o qual ele trabalhou como tecelão de seda, profissão que manteve por toda a vida.

Em uma época em que as ideias anarquistas estavam começando a se espalhar pela Itália, com a Toscana em particular se tornando um reduto de atividades radicais, Bresci se envolveu em um grupo anarquista. Pouco se sabe sobre as atividades do grupo, mas está claro que Bresci cumpriu uma curta sentença na prisão por estar envolvido em um “distúrbio anarquista”.

Após sua libertação, Bresci emigrou para os Estados Unidos, morando primeiro em New Hoboken, onde se casou com uma imigrante irlandesa em 1897. Ele e a esposa se mudaram logo depois, estabelecendo-se na grande cidade industrial de Paterson, Nova Jersey, onde começou a trabalhar como tecelão em uma das inúmeras fábricas da cidade, com um salário de US$ 15 por semana.

Envolvendo-se em um grupo anarquista local, Bresci e seus companheiros começaram a apresentar as ideias anarquistas para a considerável população de imigrantes italianos em Paterson, acabando por criar um jornal, La Questione Social. Ganhando reputação como um propagandista habilidoso, Bresci tornou-se um dos principais colaboradores do jornal, dedicando grande parte de seu tempo livre a escrever e a se organizar entre os trabalhadores imigrantes das fábricas.

Ao ouvir e relatar notícias do movimento trabalhista e anarquista internacional no La Questione Social, Bresci estava bem ciente da situação política e social cada vez mais instável na Itália. Em 1898, ele recebeu a notícia de um evento em sua terra natal que mudaria sua vida para sempre. Após uma prolongada campanha de greves e manifestações em toda a Itália para protestar contra o aumento do custo de vida, uma manifestação em massa de trabalhadores foi realizada nas ruas de Milão em 6 de maio de 1898. A marcha se tornou cada vez mais violenta e, temendo um ataque ao Palácio Real, as tropas receberam ordens para atirar na multidão. Os tiroteios, conhecidos como o massacre de Bava-Beccaris em homenagem ao general que ordenou o ataque, deixaram centenas de mortos.

Desejoso de vingar os trabalhadores que haviam sido mortos nas ruas de Milão naquele dia, Bresci começou a planejar um assassinato que atingiria os mais altos escalões da ordem social italiana. Inesperadamente, em maio de 1900, Bresci se aproximou de seus companheiros do La Questione Social e exigiu a devolução de um empréstimo de US$ 150 que havia sido usado para fundar o jornal. Sem oferecer nenhuma explicação para suas ações e deixando seus companheiros profundamente amargurados com ele, Bresci deixou os Estados Unidos em 17 de maio de 1900 com a intenção de assassinar o rei Umberto I da Itália.

Dois meses depois, Bresci foi para a pequena cidade de Monza, cerca de 16 quilômetros ao norte de Milão. A cidade era o local de uma das vilas reais do rei, na qual ele ficaria hospedado por várias semanas. Foi lá que Bresci cometeu seu atentado. Na noite de 29 de julho, enquanto o rei distribuía prêmios aos atletas após um evento esportivo, Bresci saiu do meio da multidão e disparou três vezes contra o rei, matando-o quase que imediatamente.

Representado pelo famoso advogado anarquista Francesco Saverio Merlino, Bresci foi julgado em Milão e, em 29 de agosto, foi condenado a trabalhos forçados em Santo Stefano, a ilha-prisão famosa por seus muitos prisioneiros anarquistas e socialistas. Ele não ficaria por muito tempo. Menos de um ano depois, foi encontrado enforcado em sua cela e seu corpo foi jogado no mar pelos guardas da prisão logo em seguida. Embora o suicídio tenha sido apresentado como a explicação oficial para sua morte, isso foi amplamente contestado na época e agora parece mais provável que ele tenha sido morto por seus guardas.

Os relatos sobre a vida de Bresci nos dizem que ele era um homem sensível, altamente suscetível às injustiças cometidas contra os trabalhadores. Foram essas características que o levaram a dar sua vida por uma ação que, segundo ele, aumentaria a consciência social da classe trabalhadora italiana e aceleraria o caminho para a revolução.

Fonte: https://libcom.org/article/bresci-gaetano-1869-1901

Tradução > Contrafatual

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Ipê roxo
desmente sozinho
o mês de agosto

Norma Shirakura

[Canadá] Convergência Tecnológica Anarquista de Montreal

Junte-se a nós na Convergência Tecnológica Anarquista de Montreal (Montreal Anarchist Tech Convergence)

No fim de semana de 7 e 8 de setembro de 2024

Dentro e nos arredores do Bâtiment 7 Tiohtià:ke (Montreal, Quebec)

Em meio à destruição esmagadora causada pelo complexo militar-industrial em expansão e à recuperação do hack pelos “bros” tecno-capitalistas, a resistência anarquista persiste dentro do monstro cadavérico do próprio Leviatã.

A Montreal Anarchist Tech Convergence é uma oportunidade para anarquistas discutirem e explorarem os possíveis papéis da tecnologia em nossas vidas e lutas. Vamos aprender sobre as melhores práticas de segurança, formas autônomas e auto-hospedadas de nos conectarmos e nos encontrarmos, e projetos de mídia que nos permitam formar comunidades internacionais de solidariedade e como construir coisas a partir do lixo deixado para trás pelo capitalismo.

Entre em contato se quiser saber mais ou para apresentar ideias de workshops, falas, compartilhamento de habilidades ou atividades com as quais gostaria de contribuir:

mtl-atc@riseup.net

https://mtl-atc.org

https://kolektiva.social/@MTL_ATC

Tradução > Contrafatual

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A lua crescente
Está arqueada —
Que frio cortante!

Issa

[Espanha] Campanha pela memória das mulheres perseguidas por bruxaria

Apesar de que nunca conheceremos o número exato de execuções que aconteceram sob acusação de bruxaria na chamada Idade Moderna, sim sabemos que estes assassinatos foram parte de uma vasta perseguição impulsionada pelo Estado e a Igreja que durante três séculos semeou o terror em muitas comunidades ao longo da Europa ocidental, levando à morte a milhares de mulheres. Ademais, já no século XVI os missionários estenderam a caça às bruxas ao “Novo Mundo” como instrumento de conquista e colonização, especialmente no Brasil, Colômbia e Perú. Houve acusações de bruxaria contra homens e mulheres submetidos à escravidão nas plantações americanas. É evidente, pois, como denunciaram as feministas, que a caça às bruxas dos séculos XVI, XVII e XVIII foi um fenômeno histórico mundial de máxima importância, crucial para reprimir a rebelião contra a submissão e para a definição da posição social das mulheres no desenvolvimento do mundo capitalista.

Por este motivo, caberia pensar que um fato histórico tão extraordinário deveria ter movido grandes esforços e inspirado centenas de projetos de investigação com o fim de descobrir suas causas e consequências e as condições econômicas e políticas que o tornaram possível. Mas, como bem sabemos, nada mais longe da realidade. Antes do movimento feminista, só uns poucos especialistas tinham abordado este tema, produzindo textos e artigos disponíveis unicamente para um número limitado de acadêmicos; e a história da caça às bruxas nunca foi incluída em nenhum currículo acadêmico, como se o assassinato legal de milhares de mulheres acusadas com delitos claramente pré-fabricados fosse um fato sem relevância histórica. E o que é ainda pior, como no caso do extermínio das populações indígenas nativas americanas, a caça às bruxas que acompanhou o nascimento do capitalismo se converteu em um brinquedo de criança e em uma diversão, como no caso dos Estados Unidos, onde a noite de Halloween as meninas pequenas colocam “chapéus de bruxas” e brincam ao “trick or treat” (travessura ou gostosura). No  momento no qual as “bruxas” se convertem em objeto de lenda, brincadeira, folclore, parte de um mundo imaginário de duendes e fadas, a bruxa real/histórica, a camponesa/artesã/proletária/mulher escrava horrivelmente torturada e assassinada se torna invisível, fica eliminada da história e inclusive ridicularizada. Para gerações de mulheres, incluída a nossa, este fato significou  a usurpação de uma história que teria nos ajudado a compreender a origem de nossa subordinação social e a realidade da sociedade na qual vivemos.

Queremos fazer um chamado para reclamar esta história e a memória desta perseguição. Porque o que não se recorda, se repete. E, com efeito, em várias partes do mundo, ao menos desde os anos noventa, temos assistido a uma nova caça às bruxas que já conta com milhares de vítimas e que de novo é dirigida principalmente contra as mulheres. Esta onda de violência e misoginia aumentou de forma alarmante nos últimos anos por parte de movimentos religiosos extremistas que se mesclam com interesses capitalistas e extrativistas e atacam mulheres e comunidades em defesa de seus territórios. Por isso decidimos não ficar caladas. Recuperar a história das “bruxas” que, para muitas das quais procedemos da Europa e América é a história de nossas bisavós, também é necessário para compreender a onda global de violência que acompanhou o processo de “globalização” e que tem todas as características de uma nova caça às bruxas.

Desde que começamos a Campanha em 2018 se formaram grupos de leitura em diversas cidades para discutir os materiais disponíveis sobre a caça às bruxas, tendo em conta a todo o momento sua conexão com o presente. Iniciamos investigações locais e começamos a compor um mapa com os lugares onde se deu a caça às bruxa histórica para analisar a memória que se tem desses fatos. Reunimos de forma sistemática livros, artigos, imagens e outros recursos sobre a caça às bruxas presente e passada. Nesta web podem  consultar as conferências realizadas em 2019 no I Encontro Feminista pela Memória das bruxas em Iruñea; o encontro de 2020 teve que ser adiado para 2021, mas seguimos trabalhando de forma coordenada.

>> Mais infos: memoriadelasbrujas.net

Tradução > Sol de Abril

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

Gastos Militares-Mercado da Morte | Exército Brasileiro adquire misseis de Israel

O Exército Brasileiro recebeu um carregamento de 100 mísseis Spike LR2 enviado por Israel através de um avião KC-390 do 1º Grupo de Transporte de tropa, da Força Aérea Brasileira, segundo informações do jornalista Marcelo Godoy do Estadão publicadas nesta segunda-feira (15/07). Os mísseis, anticarro, chegariam para reforçar a defesa do país. A entrega, atrasada por um ano e meio devido à guerra na Ucrânia e ao conflito em Gaza, inclui também lançadores, simuladores e outros equipamentos.

Os mísseis Spike LR2 são considerados de quinta geração e possuem alcance de até 5 quilômetros. Eles podem ser lançados por soldados ou por veículos blindados, o que os torna altamente versáteis. Além disso, os mísseis são guiados por eletro-óptica, o que significa que são mais precisos e eficazes contra alvos em movimento.

A entrega dos mísseis Spike LR2 estava prevista para outubro de 2022, mas foi atrasada devido à guerra na Ucrânia e ao conflito em Gaza. Esses eventos afetaram a logística e a produção dos armamentos, dificultando a entrega no prazo originalmente acordado.

Junto com os mísseis Spike LR2, o Exército Brasileiro também recebeu lançadores, simuladores e outros equipamentos. Esses equipamentos são essenciais para garantir a operacionalidade dos mísseis e para o treinamento dos militares que os utilizarão.

A aquisição dos mísseis Spike LR2 faz parte de um amplo programa de modernização do Exército Brasileiro. O objetivo do programa é equipar o Exército com os melhores armamentos e equipamentos disponíveis no mercado, para que ele possa defender o país de forma eficaz e eficiente. Por isso, segundo Godoy, o Exército estaria também recriando uma companhia mecanizada anticarro.

Fonte: agências de notícias

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do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[São Paulo-SP] “‘Seja homem!’ Masculinidades na esquerda latino-americana”

“‘Seja homem!’ Masculinidades na esquerda latino-americana” é o tema do do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades (GEAFM) de agosto.

As fileiras anarquistas não estão isentas de refletir formas de reiteração simbólicas de uma masculinidade em disputa. Levando em consideração que as narrativas de luta contra a política hegemônica também estão crivadas de imagens de um “corpo-da-revolução” masculino e viril, podemos discutir até que ponto as representações de militância incorporam discursos masculinistas como ferramentas de uma emancipação pelos trabalhadores e para os trabalhadores (excluindo-se, assim, as pessoas que destoam desse arquétipo).

Lucía Teti, com o artigo “‘Devemos ser homens.’ Masculinidades no anarquismo durante as primeiras décadas do século XX em Montevidéu” (tradução do GEAFM), e Helena Vieira, em “E agora, quem poderá nos defender?”, nos convidam a destrinchar representações midiáticas de um ideal de novo homem atrelado a uma bandeira de emancipação que acaba por reiterar binarismos de gênero em nome de uma identidade libertária. Embora derivados de épocas e regiões distintas, os textos versam sobre esses modelos que dialogam constantemente com a representação latino-americana de revolução e seus porta-vozes icônicos.

Para os textos e as orientações de participação, acesse http://tinyurl.com/GE0824  

Data: Sábado, 03/08/24 (16h-18h)

Local: Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo)

Infelizmente, não teremos intérprete de Libras.

Os encontros do grupo são presenciais, gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas.

Crianças são bem-vindas ao CCS!

Traga algo para um lanche vegano coletivo, faremos café.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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Como versos livres
– ao toque dos tico-ticos –
as flores que caem…

Teruko Oda

Super Michi, um gato negro que voa pelas ruas do mundo

Nas sombras da noite, sob o manto de um céu estrelado, surge uma figura que desafia a gravidade e as expectativas. Não é um pássaro, nem um avião, é… Super Michi! Um gato negro com uma missão: voar pelas ruas do mundo levando a mensagem do anarquismo.

Super Michi não é um herói comum. Às vezes usa capa ou máscara, mas, seu poder radica em sua convicção e seu coração rebelde. Com cada vibração de suas patas mágicas, espalha ideias de liberdade e autonomia, inspirando os habitantes da cidade a questionar a autoridade e buscar a harmonia sem opressão.

Mas Super Michi não está só em sua luta. Acompanhado por um bando de gatos de rua, cada um com sua própria história de resistência, formam uma coalizão felina dedicada à justiça social e à igualdade. Juntos, enfrentam as injustiças do mundo, sempre com a esperança de um amanhã mais justo.

Ainda que alguns o vejam como um foragido, para muitos Super Michi é um símbolo de esperança. Em um mundo onde as regras geralmente favorecem o poderoso, este gato anarquista voa alto para recordar-nos que outro mundo é possível, um onde cada ser possa viver livremente e sem cadeias.

E assim, noite após noite, Super Michi continua seu voo silencioso, um vigilante nas sombras que sonha com um mundo sem amos nem servos. Um super herói para os que anseiam a liberdade, um gato negro que voa pelas ruas do mundo.

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Lá em casa tinha um gato tão
preguiçoso que só fazia mi
e esperava o cachorro fazer au.

Rui Werneck Capistrano