[Espanha] As mortes sustentáveis

Entre as respostas que a inteligência artificial (IA) me ofereceu quando lhe perguntei sobre o transporte de animais vivos em barcos de um continente a outro, a primeira eu esperava: eficiência e baixos custos que permite “aos produtores acessar a mercados estrangeiros e ampliar suas oportunidades comerciais, o qual se considera lucrativo para o crescimento econômico global“. Certo, em um só navio podem transportar mais de 20.000 terneiros, por exemplo. A segunda também era previsível, pois parece que dita inteligência se move com argumentações neoliberais muito precisas: “Se devem estabelecer padrões de bem estar animal para garantir que os animais sejam tratados com cuidado e respeito durante todo o processo. Isto inclui proporcionar-lhes suficiente espaço, água, alimentação adequada e atenção veterinária durante a viagem“. Mas a terceira me pasmou quanto à capacidade criativa destes algoritmos: “Também, em alguns casos, os animais podem ter acesso às áreas ao ar livre no navio, o que proporciona uma experiência mais enriquecedora durante a viagem“. Vamos, como um cruzeiro.

Foi por brincar, por provar e conhecer estas tecnologias totalitárias às quais teremos que nos acostumar (ou não), porque na realidade aonde queria chegar ao meu trajeto investigativo é a consideração de alguns exemplos sobre como o transporte marítimo se mantêm como um dos principais elementos na atual economia global e capitalista, afastando de nossa vista, com escasso controle e muito sigilo.

No setor alimentício, a imagem de um navio mercante convertido em um estábulo amarrado no porto de Cádiz, procedente da Colômbia e com destino ao Egito, é tão impactante como ilustrativa, tanto que nos faz meditar sobre o que significa ecossocialmente dedicar um território e seus bens para a criação de animais que depois se exportarão a terceiros países. Mas temos que saber que, na península, esta imagem se repete assiduamente para dar saída a uma parte importante da produção animal estatal, que tem como destino principalmente a Arábia Saudita junto com outros países do Oriente Médio e do Norte da África. De fato, na Europa só três portos se dedicam à exportação de animais vivos, cujo tráfico é liderado pelo porto de Cartagena, com envios anuais que superam as 500.000 cabeças de gado, seguido pelo de Tarragona, com umas 240.000 cabeças por ano.

A IA me diz que o transporte marítimo também é chave para o tráfico de combustíveis e minerais, mas a ignoro e prefiro centrar-me no informe Os portos da mortecúmplices das exportações de armas espanholas para a guerra, onde o Centre Delàs desvela outro grande grupo de operações marítimas entre Espanha e Arábia Saudita. “As armas são preciso levá-las da fábrica à trincheira. Da cadeia de produção ao campo de batalha” e para isso, explicam, vários buques propriedade da dinastia Saud fazem escala na Espanha após carregar contêineres de armas e explosivos de todo tipo nos Estados Unidos “para completar o abastecimento de um exército muito ativo cuja principal atividade militar se dá na guerra do Yemen“. As cifras são aterradoras: “Desde 2016 os portos espanhóis de Bilbao, Santander, Motril, Sagunto e Cádiz carregaram ao redor de 35.000 toneladas em armamento, que bem podem supor mais de um milhão de munições e explosivos fabricados na Espanha com destino ao exército da Arábia Saudita“. Um comércio de armas que, segundo a IA, “propõe preocupações éticas e de direitos humanos, mas que em termos econômicos oferece o potencial de gerar rendas consideráveis para os países exportadores de armas. Para Espanha, a exportação de armas pode contribuir para o crescimento econômico e a criação de emprego no setor de defesas e tecnologia militar“.

Todo este ir e vir de materiais também gera contaminação. Concretamente, segundo um informe de 2.021 da Comissão Europeia, a indústria de transporte naval provoca 14% do total de gases contaminantes, e não faz falta ser nem artificial nem inteligente para intuir que já se fala de propostas milagrosas para dar sustentabilidade a este setor. Efetivamente, entre elas, destacam as iniciativas para conseguir que esta maquinaria pesada de difícil eletrificação possa navegar graças ao hidrogênio verde que, como vimos no informe O hidrogênio verde um risco para a soberania alimentar, será uma nova agressão para os ecossistemas rurais.

Intuindo como a transição energética só quer fazer sustentável o que é insustentável e inaceitável, não se equivocava o pastor de Os contos do progresso, quando previu “Se uma empresa armamentista funciona com energia verde, as mortes serão sustentáveis?“.

Mais que inteligência nos convêm sabedoria.

Gustavo Duch

ctxt.es

Tradução > Sol de Abril

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No cimento quente,
A ilusão de um oásis:
Vaso de samambaias

Edson Kenji Iura

[Alemanha] Disrupt Tesla – Carros elétricos incendiados no oeste de Leipzig

Quando a poeira baixou lentamente em Grünheide e os policiais foram embora, saímos na noite de 12 para 13 de maio para incendiar vários Teslas pertencentes a uma concessionária de automóveis no oeste de Leipzig.

Infelizmente, aparentemente erros técnicos fizeram com que apenas alguns veículos fossem atingidos e, portanto, os danos foram limitados.

Vemos essa ação como uma oportunidade de agir contra o capitalismo verde. Os diferentes meios de ação que escolhemos devem se complementar e não competir uns com os outros.

Seja em Grünheide, Leipzig ou nos países onde são extraídas as matérias-primas para carros elétricos ou outras besteiras inteligentes, estamos contra o “velho” mundo dos combustíveis fósseis e o “novo” mundo verde!

Saudações às florestas, cidades e vilarejos resistentes!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/360186

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/13/alemanha-ataques-incendiarios-a-veiculos-tesla/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/13/alemanha-manifestantes-tentam-invadir-fabrica-da-tesla-perto-de-berlim/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/11/alemanha-protesto-contra-a-ampliacao-de-fabrica-da-tesla-arvores-em-vez-de-concreto-pare-a-gigafabrica/

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Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

[Espanha] Lançamento: Nesse lugar maldito onde reina a tristeza… Reflexões sobre as prisões para animais humanos e não humanos. Assembleia Antiespecista de Madri.

Um enorme edifício no meio do nada, grandes muros de concreto, arame farpado. Indivíduos privados de sua liberdade, horas contadas, comida insípida, pequenos compartimentos nos quais mal podem se mover. Indivíduos que sofrem, que querem fugir, que fogem e se rebelam. Pessoas que dedicam seu tempo e energia para lutar contra a injustiça escondida atrás desses muros. Pessoas que dedicam suas vidas a manter esses muros, a privar outros de sua liberdade, pessoas que se enriquecem às custas deles. E uma sociedade que olha para o outro lado, que legitima, que se beneficia, que participa voluntária ou involuntariamente de sua engrenagem.

Poderíamos estar falando de qualquer prisão. Poderíamos estar falando de qualquer centro de exploração animal. Esses lugares não são tão diferentes um do outro, nem roubar a liberdade de indivíduos humanos é tão diferente de roubá-la de indivíduos de outras espécies. As experiências de ambos são muito semelhantes; os valores que perpetuam sua opressão e confinamento são os mesmos.

E uma jaula, sempre é uma jaula.

En ese sitio maldito donde reina la tristeza… Reflexiones sobre las cárceles de animales humanos y no humanos.

Asamblea Antiespecista de Madrid.

Medidas: 13×19 cm

Peso: 200grs.

ISBN: 978-84-946223-4-2

Páginas: 176

P.V.P: 6 euros

ochodoscuatroediciones.org

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O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

Stalin ou Hitler?

Estes dias tenho me sentido como num túnel do tempo, vivendo uma situação semelhante ao que houve na Segunda Guerra: não apenas por causa da catástrofe que está assolando o Rio Grande do Sul (RS), mas também por causa do cenário político que a permeia. 

Na grande guerra, dois genocidas disputaram entre si pelo poder de fascinação das massas, um mais à direita (Hitler) e outro mais à esquerda (Stalin), e ali quem era de direita não admitia questionamentos à imagem do Fuher Hitler, enquanto quem era de esquerda não admitia questionamentos à imagem do Paizinho Stalin: enquanto as massas alinhadas a cada lado atacavam os pastores supremos do lado oposto e defendiam cegamente os seus pastores políticos de estimação, ambos os pastores, de direita e de esquerda, chafurdavam impunemente na lama dos mais hediondos crimes contra a humanidade – Stalin com seus Gulags e Hitler com seus campos de concentração (aliás, inspirados nos Gulags de Stalin).

O que se passa agora no Brasil com o caso do RS não é muito diferente: enquanto milhares de pessoas morriam afogadas (sim, ou vocês acreditam realmente no discurso da grande mídia e das autoridades de que numa catástrofe daquelas proporções morreram apenas algumas centenas?), um simplesmente sumiu da cena, enquanto o outro fazia “brincadeiras” com chistes futebolísticos (enquanto sua esposa “curtia” em mega eventos) e impunha um “corpo mole” nos processos burocráticos e nas providências oficiais necessárias para acudir o povo.

E eu nisso? Bem, como anarquista que sou, tenho apontado para os crimes contra a humanidade cometidos pelo governo durante esse processo, e eis que vem eclodindo um “ai, ai, ai” da parte de compas que, antes, eu jurava não serem crentes de nenhum pastor político: o raciocínio de fundo motivando a pelegagem aí é fácil de deduzir, pois é o mesmo que calou a esquerda na grande guerra com relação aos crimes de Stalin: ” não se pode apontar os crimes dele agora, sob risco de fornecer lenha para a fogueira do outro”.

Então, é “menos ruim” ser cúmplice (por omissão) de um genocida supostamente “democrático popular” do que de outro “antidemocrático”? É “menos ruim” porque, supostamente, a maioria das vítimas são apoiadores do outro? Porque, supostamente, são “xenófobas”, “amantes de ditaduras”, “monstros inumanos”? Afinal, não foi esse o sentimento que uma influencer governista expressou, ao declarar em uma postagem em suas redes que “estava feliz em ver o gado boiando”?

E eis que, no final, o que um condena no outro aparece claramente como mácula própria dos dois lados: a crueldade.

Eu quero ver quando as águas do RS baixarem, e o processo etnogenocida de construção da ferrovia Ferrogrão (projeto desenvolvimentista apoiado por ambos os genocidas de plantão) começar a avançar, exterminando grupos humanos tradicionalmente associados ao campo do governo (tal como foi nos casos de Belo Monte e da construção das ‘arenas’ da Copa da FIFA de 2014), como vai ficar torcido o discurso de ambos os lados para justificarem uma “necessidade de união em torno de um empreendimento necessário para o benefício comum”, e que se danem os indígenas e quilombolas atingidos, contanto que não se ataque a imagem de seus respectivos pastores políticos. Duvidam? Não seria nenhuma novidade histórica, afinal, no início da Segunda Guerra Stalin e Hitler foram aliados, e os grupos de fiéis seguidores de ambos reproduziram acefalamente a “narrativa” imposta a eles goela abaixo de que “naquele momento isto era necessário”. Ah, as artimanhas do poder.

Porém, no contexto do atual drama do RS, tenho visto pelas redes que começam a surgir manifestações populares frequentes de decepção para com todos os governos, ecoando sentenças do tipo “o povo não precisa dos governos para (sobre)viver”, o que – se os anarquistas não estivessem tão rendidos ao “papai” (ex) “operário”, por medo do mitológico “Fuher” – poderia ser aproveitado como um campo de sentimento coletivo fértil para a promoção de ideias e práticas de autogestão social, antigovernamentais, de modo a construir a partir daí a perspectiva de um cenário pós catástrofe mais tendente ao desenvolvimento de organizações de autonomia popular, ao invés da perpetuação de um cenário de divisão dos de baixo  em torno de dois pólos de poder elitistas, como aconteceu ao final da segunda guerra.

O que mais me impressiona nisto tudo é a estupidez dos “anarquistas”, que não aprendem nada com a história.

Vantiê Clínio Carvalho de Oliveira 

Anarquista Ácrata

agência de notícias anarquistas-ana

Teus olhos formam
das ázimas lágrimas
rios que retornam ao mar

Anibal Beça

[França] Criação de uma fazenda solidária e autogestionária no Lot

Somos um grupo de pessoas que trabalham juntas em uma associação agrícola chamada Caracol, sediada no parque natural regional Causses du Quercy (departamento de Lot, Occitânia). Como concordamos com a ideia de que “a falta de acesso a alimentos é uma forma de violência perpetrada contra os mais pobres” (Bénédicte Bonzi, 2023), começamos a criar uma fazenda de horticultura orgânica cujos produtos serão distribuídos por um fundo de segurança social alimentar autogerido.

No dia em que Paris entender que saber o que comemos e como o produzimos é uma questão de interesse público; no dia em que todos entenderem que essa questão é infinitamente mais importante do que os debates no Parlamento ou no conselho municipal, nesse dia a Revolução terá terminado“. (Kropotkin, 1892)

Somos um grupo de pessoas que trabalham juntas em uma associação agrícola chamada Caracol, sediada no parque natural regional Causses du Quercy (departamento de Lot). Começamos a montar uma fazenda de horticultura orgânica, cujos produtos serão distribuídos por um fundo de segurança social alimentar autogerido.

Nossa abordagem combina questões agrícolas, ecológicas e políticas. Ela incorpora soluções acessíveis, ecológicas e econômicas para alimentação, moradia e energia. Ela se baseia em uma abordagem estritamente igualitária e autogestionária. Ela leva em conta a qualidade de vida, principalmente por meio da rotação de tarefas, da multiatividade e do tempo livre. Nossa preocupação com o bem-estar e a saúde se estende aos animais não humanos e ao seu ambiente: nossa fazenda não envolverá nenhuma forma de exploração animal (criação, tração animal), a dieta da fazenda é vegana, estamos implementando protocolos para proteger a biodiversidade (cercados, participação em programas de pesquisa participativa etc.).

Esperamos incentivar a replicação de tal iniciativa, mas também integrar novas pessoas em nosso coletivo.

Se quiser participar de um dia de reuniões em nossa fazenda (todo último domingo do mês), se quiser vir e nos ajudar, se quiser participar de um campo de trabalho participativo (construção ecológica, preparação da primeira temporada de horticultura comercial, melhorias agroecológicas), convidamos você a entrar em contato conosco neste endereço: caracol46@protonmail.com

Abaixo está um esboço de nosso projeto. Você também pode visitar nosso blog: caracol46.noblogs.org

Plantação orgânica intensiva de mercado em uma pequena área, multiatividade

Nosso projeto não é a reprodução de um modelo camponês baseado na autoexploração, na pobreza e na alienação do tempo de vida às tarefas agrícolas. Escolhemos um modelo de horticultura de mercado que oferece excelentes condições de vida e produção de alto rendimento que pode alimentar um grande número de pessoas. A gestão coletiva significa que as tarefas podem ser alternadas e as pessoas podem assumir vários trabalhos: quando nossa fazenda estiver em funcionamento, cada pessoa poderá dedicar metade de seus dias à horticultura comercial e a outra metade a atividades de sua escolha.

Fundo de seguridade social para o setor de alimentos

Nós concordamos com a ideia de que “a falta de acesso a alimentos é uma forma de violência perpetrada contra as pessoas mais pobres”. (Bénédicte Bonzi, 2023) Nossa abordagem não é uma retirada da comunidade, mas uma ação política de solidariedade para com as pessoas que são vítimas dessa violência.

Em curto prazo, os produtos de nossa fazenda serão destinados a pessoas que sofrem de insegurança alimentar. No médio prazo, criaremos um fundo de alimentos para a seguridade social para fornecer financiamento para fazendas de hortas (salários, custos operacionais, ajuda para a instalação) e acesso direto para os contribuintes a um volume estável de alimentos orgânicos locais para atender às suas necessidades nutricionais. Esse sistema de contribuição solidária, gestionado pelas fazendas e pelos beneficiários, deve proporcionar acesso universal aos alimentos.

Algumas etapas

Já criamos duas parcelas de horticultura comercial com paisagismo agroecológico (cercas vivas, árvores frutíferas etc.) e matéria orgânica (madeira fragmentada ramial, adubo verde etc.). Atualmente, estamos criando uma terceira parcela dedicada à produção de plantas fibrosas e plantas tintureiras. A primeira temporada de produção está prevista para começar em setembro de 2024.

A primavera de 2024 será dedicada à instalação de uma oficina de madeira leve com base no modelo da Ponte Vinci, permitindo a construção do primeiro edifício (área de processamento) durante o verão. Trabalhamos em um modelo de construção que é econômico, ecológico e replicável: fundações de pedra seca, paredes de palha de suporte de carga, laje de terra, estrutura de viga de treliça leve, etc. O equipamento combinará energias renováveis e tecnologias de baixa tecnologia: um sistema fotovoltaico de baixa energia, turbinas eólicas domésticas, recuperação de água da chuva tratada por filtragem lenta de areia, aquecedores solares de água com termossifão, tratamento de água cinza por fitodepuração etc.

Autogestão

Operamos em uma base estritamente igualitária e autogestionária: (i) todas as tarefas (manuais, intelectuais, culturais, administrativas) são realizadas igualmente por todos os membros, (ii) a aquisição do conhecimento e do know-how necessários é garantida por uma abordagem coletiva de treinamento contínuo, (iii) todas as decisões são tomadas por consenso.

Estamos “tomando nosso tempo”. Estamos cientes da urgência das questões socioambientais atuais e estamos participando da aceleração de iniciativas para combatê-las, mas afirmamos que isso não pode ser tudo. A autogestão requer tempo: tempo para aprender, tempo para compartilhar, tempo para melhorar. Essa é a única maneira concebível de evitar a reprodução de uma diferenciação hierárquica entre as pessoas, de lutar contra a opressão, de proteger nosso bem-estar e nossa saúde e de desenvolver e disseminar uma cultura de cooperação e ajuda mútua.

Condições de recepção

Para garantir que tudo corra da melhor forma possível para todos, é importante que as pessoas que desejam participar de nossas atividades se identifiquem com nossa abordagem e nossos valores. Convidamos você a ler os princípios da associação, que especificam que o consumo de produtos de origem animal e de drogas psicotrópicas (álcool, tabaco, maconha, cocaína, MDMA etc.) não é permitido na fazenda.

Estamos ansiosos para conhecê-lo!

A Turma do Caracol

agência de notícias anarquistas-ana

sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida

Roséli

[Espanha] Livraria Anarquista Ruta a la Libertad

Desde o Núcleo Confederal de Hellín da CNT-AIT queremos informar a toda a classe trabalhadora de Hellín que nosso grupo local concordou em promover uma iniciativa com o objetivo de difundir as ideias libertárias entre a classe trabalhadora da cidade. A iniciativa consiste em uma Livraria Anarquista que se chamará Ruta a la Libertad (Rota para a Liberdade).

Esse projeto nasce com o objetivo de colocar à disposição da classe trabalhadora toda uma série de títulos sobre anarquismo e anarcossindicalismo básicos, a fim de facilitar o conhecimento e a disseminação dos princípios e fundamentos do anarquismo, bem como das figuras, debates e experiências revolucionárias em que o movimento operário anarcossindicalista e o anarquismo colocam em prática, na medida de suas possibilidades, suas propostas sobre a organização social e econômica da sociedade.

Livraria Anarquista Ruta a la Libertad, Calle Barrionuevo, Nº 9, Hellín.

agência de notícias anarquistas-ana

Vento do anoitecer –
Aos pés da garça-real
o lago se encrespa.

Yosa Buson

[EUA] Convergência Anarquista Indígena de 2024, de 26 a 28 de novembro

Estamos animados para anunciar a Convergência Anarquista Indígena de 2024, que ocorrerá em O’odham Jeved, também conhecido como “Phoenix, Arizona”.

Junte-se a nós em novembro, a semana da “Não vou dar Graças, obrigado”, para uma incisiva reunião anticolonial, com vistas a aprofundar nossas afinidades em direção à libertação total e a mostrar que indígenas são uma ameaça incontrolável à sociedade dos colonos e ao colonialismo como um todo.

Certifique-se de que está nos seguindo para acompanhar mais detalhes e informações sobre este evento.

Vejo vocês em novembro.

Fonte: https://www.instagram.com/indigenous.abolition/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

O pequeno córrego
Se esconde sob o capim –
O outono fenece.

Shirao

[Espanha] Lançamento: “Breviario de ecología libertaria”, de Carlos Taibo

O debate ecológico desde uma perspectiva libertária.

Boa parte de nossas discussões nos últimos tempos se refere à ecologia em suas diferentes manifestações. Neste livro, Carlos Taibo resgata algumas dessas discussões, e o faz a partir de uma ampla perspectiva libertária, que coloca os princípios da autogestão e do apoio mútuo no centro. Por essas páginas passam as disputas sobre um eventual colapso geral, a condição da proposta alternativa, o futuro das cidades, a relação da ecologia com a luta de classes e com os países do Sul, o anarcofeminismo, a renda básica, a famosa Agenda 2030, os parques eólicos ou o papel da mídia de massa.

Breviario de ecología libertaria

Carlos Taibo

ISBN: 978-84-1352-918-9

Páginas: 160

15,00 €

catarata.org

agência de notícias anarquistas-ana

No sublime instante,
a placidez das Eras.
Mistérios do Tempo.

Márcio Catunda

[Espanha] Falam xs compas: Avaliação do 1º de Maio

Passados já uns dias após o 1º de Maio e com a intenção de avaliar, também as coisas que nem sempre saem bem, falando com outras companheiras de outros sindicatos da CNT sobre como enfrentam esse dia, como se organizam, em que aspectos dão mais importância ou vêem que há coisas que podem melhorar ou que faltam, compartilhamos pareceres e comparamos o que fizemos nesta convocatória de 1º de Maio interseccional. E ao fazê-lo há várias coisas pelas quais alegrar-se.

A primeira é que somos diversas, nestas lutas, nestas organizações, na participação o que mais que assinalar é a diversidade, diversidade desde os pontos que partem as diferentes lutas: quem não tem documentos, quem sente o racimo em muitos mais aspectos dos quais pensávamos, tão básicos como onde viver, ter acesso à educação ou à saúde.

Partimos de que quem mais sofre a desigualdade são os que se diferenciam do modelo normativo: raça, gênero, sexualidade, capacitismo, ter documentação, viver em tal ou qual bairro ou povoado, ter trabalho com contrato. Todas somos classe obreira, mas não todas sofremos as mesmas opressões.

Ao ouvir diversas vozes com diversas reclamações é onde nos damos conta de que este mundo no qual vivemos, seu mundo com suas regras, as do capitalismo (ponha-se aqui o sobrenome que se queira) lutamos por esse mundo novo que levamos em nossos corações, corações que batem de forma diversa, que nos fazem melhores. E mais alegres, sim. Porque o sonho é alegria.

Nosso mundo frente a seu sistema era o espírito do lema. Nosso mundo, o que tentamos construir/viver e que nos faz estar juntas para estar melhor, viver melhor. Que não assume que consumir mais nos faz mais felizes, que sempre está contra as guerras que só beneficiam os capitalistas. Que considera a vida como o centro, que vê nos cuidados e em cuidar-nos entre nós o que nos faz mais fortes. Os problemas se resolvem se o fazemos entre todas, de cada uma segundo sua capacidade, a cada uma segundo sua necessidade. Que não vê fronteiras, mas um planeta que sofre o capitalismo, por definição egoísta e depredador que destrói.

Estamos, falamos, denunciamos, organizamos e juntas.

Sinto-me alegre, porque sinto que frente à distopia para a que nos encaminha o sistema há UTOPIA.

YOLANDA

>> Mais fotos: https://comarcalsur.cnt.es/hablan-ls-compas-valoracion-del-1o-de-mayo/

Tradução > Sol de Abril

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no poste
duas casas de João-de-Barro
rua iluminada

Joaquim Pedro

[Chile] Uma morte em ação é um eterno chamado à luta

15 anos se passaram desde a morte em ação do anarquista Mauricio Morales. O coração negro de “Punky Mauri” parou de bater quando um dispositivo explosivo com o qual ele ia atacar uma escola para agentes penitenciários detonou precocemente.

Mas suas ideias não se apagaram; pelo contrário, desde a afinidade e a informalidade anárquica, elas brotaram com mais força. As motivações libertárias de sua ação se espalharam como fogo, inflamando os corações de pessoas encapuzadas inflexíveis que estão procurando as maneiras mais precisas de lançar ataques contra todas as formas de autoridade.

Nenhum esforço é em vão quando se almeja a liberdade absoluta, e é por isso que projetamos e imprimimos essa série de propaganda autoadesiva sediciosa para o “DIA DO CAOS”.

22 de maio…

Com o fogo insurrecional do caos!

Intransigente contra o poder!

Pelo niilismo e pela anarquia!

NOSSA MEMÓRIA É NEGRA,

NOSSO CORAÇÃO TAMBÉM!

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/13/chile-mural-em-memoria-do-companheiro-mauricio-morales/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/09/chile-cartaz-em-memoria-do-companheiro-mauricio-morales/

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Junco ressequido –
Gelado ao sol da manhã
O vulto do peixe.

Hirose Izen

[Espanha] Sempre nos sobram motivos para atacar os bancos

1º maio de 2022 na passagem do bloco libertário da mani do dia do trabalhador são vandalizadas algumas entidades bancárias e multinacionais (CaixaBank entre outras), todas elas símbolos do capitalismo e da injustiça que supõe ver como estas entidades que há alguns anos foram salvas com dinheiro público (como CaixaBank), e ano após ano aumentam os lucros, quanto a nós se condena a uma vida de miséria e precariedade. Entidades financeiras que especulam e desalojam e agora arruínam e encarceram as nossas companheiras.

Seguimos com os fatos: depois de uns meses, em agosto de 2022, a infame Brigada de Delitos de Extremismos Violentos detêm 5 pessoas na porta de suas casas acusando-as falsamente de formar um grupo organizado (nem se conheciam entre elas). A implicação de cada uma nos fatos não nos importa. Sobram-nos os motivos para atacar os bancos e não deixaremos que arruínem a vida das nossas companheiras sem lutar. Agora enfrentamos um julgamento onde CaixaBank que, apresentando-se como vítima lhes pede 35.000 euros que se somam aos 3 anos de cárcere que pede a promotoria. ESTA CAMPANHA À QUAL ESPERAMOS QUE TE SOMES é para exigir à entidade mafiosa CaixaBank que retire a denúncia às processadas e se abstenha de perseguir as que virão. Também para fazê-los saber que acabou a impunidade na hora de perseguir as nossas companheiras. Que sua justiça a serviço do capital poderá seguir com a repressão, mas para nós, as que lutam, são o melhor deste mundo e não as deixaremos sós; banqueiros, maderos [polícias], juízes, exemplificam mais que ninguém a miséria de um sistema que nos sufoca. Viva as que lutam, una-te à revolta contra a repressão!! Porque agora mais que nunca nos sobram motivos para atacar os bancos, pelo imenso prazer da revolta, pelo apoio mútuo, pelas presentes e as que virão; entidade mafiosa CaixaBank, retira a denúncia!! Queremos ser a chispa que acenda de novo as ruas e advertir a CaixaBank que nós já ditamos a sentença. Lutaremos até o final!!

ELES ENCHEM O COFRE, NÓS FAZEMOS A REVOLTA

QUE NÃO FIQUE NENHUM CAIXA EM BARCELONA

SOMA-TE À CAMPANHA COM TUAS AÇÕES E RECORDA, A REVOLTA COMPARTILHADA É MAIS DIVERTIDA

Resumo

Que queremos fazer?

Queremos pressionar a CaixaBank para que se retire no julgamento contra as companheiras de 1º maio de 2022 e que se abstenham de perseguir a outras companheiras. O faremos com boicote, ação direta, a sabotagem e a revolta. É importante deixar claro que não temos nada que negociar nem com CaixaBank nem com ninguém, não queremos a força policial para negociar nada, simplesmente que se retirem. Não queremos nenhum porta voz nem pretendemos sê-lo, simplesmente a força do apoio mútuo e o prazer de atacar os bancos.

3 de maio de 2024 data para começar. A ideia é que o máximo de caixas de CaixaBank sejam vandalizados, e não parar até consegui-lo, jogando ácido (recomendamos entre 30 e 50 ml.), pelas ranhuras dos cartões e dos blocos e, pegar um adesivo na tela que encontrarás nos CSO [centros sociais ocupados] e ateneus libertários de Barcelona ou que podes baixar desde este blog.

Tampe a cara, ponha luvas e desfruta!! Tenha em conta que interessa que o líquido (ácido) entre bem pela ranhura do cartão para que surja a magia.

TUA IMAGINAÇÃO E A DE TODAS CONTRA O PODER!!

Depois suba as ações aqui abaixo nos comentários do blog.

Agradecemos por somar-te à revolta. Sempre nos sobram os motivos para atacar os bancos. Aqui tens um vídeo tutorial.

TÚ, EU, NÓS, CAIXABANK

sobrenmotius.noblogs.org

Tradução > Sol de Abril

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Os banhos agora
Num dia sim, noutro não –
Canto dos insetos.

Konishi Raizan

[EUA] O anarquismo não deve ser criminalizado | Declaração de 12 das 61 pessoas indiciadas por acusações da RICO em Atlanta.

Essa declaração foi escrita antes do Dilúvio de Al-aqsa, durante o qual combatentes palestinos romperam a cerca ao redor da prisão a céu aberto conhecida como Faixa de Gaza em 29 locais. Condenamos Israel nos termos mais veementes e apoiamos a libertação do povo palestino. Sabemos que as mesmas armas e táticas que foram e continuam a ser usadas para colonizar a Palestina foram e continuam a ser usadas para colonizar a Turtle Island, como podemos ver no Programa GILEE (Georgia International Law Enforcement Exchange), em que os soldados da IDF (Força de Defesa de Israel) compartilham “melhores práticas” com a polícia da Geórgia. A Cop City proposta [em Atlanta] será a base militar a partir da qual a ocupação de Atlanta será promovida, e nós nos opomos à progressão do projeto genocida conhecido como Estados Unidos.

Essa acusação da RICO (ou Racketeer Influenced and Corrupt Organizations ou Organizações Influenciadas e Corruptas de Extorsão e Chantagem) é uma tentativa do Estado de não apenas criminalizar a dissidência, mas um conjunto específico de ideias que leva à dissidência e oferece uma estrutura alternativa ao Estado e ao capitalismo. O anarquismo, a solidariedade, a ajuda mútua e o coletivismo são especificamente citados na acusação para fazer com que as pessoas tenham medo dessas ideias, quando as únicas pessoas que realmente têm medo dessas formas coletivas de organização são os políticos, os policiais e as corporações que buscam preservar seu poder absoluto sobre a humanidade. Se tivéssemos maneiras de viver de forma mais coletiva, se satisfizéssemos nossas necessidades por meio de ajuda mútua e se fôssemos solidários uns com os outros, as pessoas poderiam perceber que não precisam do Estado ou do capitalismo e que as maiores causas do sofrimento humano e as barreiras à liberdade e à segurança são o Estado e o capitalismo. O Estado quer que sejamos consumidores atomizados que não podem sobreviver sem se vender a alguém mais rico do que nós, que dependem de sistemas judiciais alienantes e impessoais e da violência de um bando de forasteiros armados para resolver nossos conflitos, que terceirizam a produção de nossos alimentos a trabalhadores invisibilizados, em sua maioria não brancos e não cidadãos, e que terceirizam nossas decisões a uma classe política corrupta e irresponsável. O Estado quer que fiquemos aterrorizados e paralisados para permitir a continuação de seu legado sórdido por meio da apropriação de terras, da plantação e da fazenda-prisão que assombra a floresta de Weelaunee e todos os territórios do Estado até hoje. Essa análise crítica do estado é uma parte importante do anarquismo, e é disso que o estado e a mídia corporativa querem nos afastar e criminalizar.

Agir de forma autônoma e direta para moldar nosso mundo é uma coisa boa. Solidariedade significa ver nossos irmãos da espécie humana como pessoas com o mesmo valor intrínseco que nós. Uma sociedade que depende da competição interminável, da subcotação, da exploração, da dominação e da venda mútua será examinada e combatida por qualquer pessoa que acredite na solidariedade. Ajuda mútua significa prover uns aos outros e ganhar coletivamente com a construção de relacionamentos interpessoais/intercomunitários mutuamente benéficos. Uma sociedade que depende de nos privar da capacidade de atender às nossas necessidades de alimentação, água, abrigo e saúde e depois vendê-las de volta para nós será vista como injusta e merecedora de mudança/rejeição por qualquer pessoa que acredite na ajuda mútua. A descrição de coletivismo feita por Fowler é um bicho-papão que pretende sugerir que os anarquistas pretendem forçar todos a abrir mão de sua autonomia pessoal e sacrificar suas necessidades em prol do coletivo, mas, na verdade, um objetivo central do anarquismo é capacitar as pessoas para que tenham mais autonomia, e um objetivo central do Estado é forçar todos a sacrificar parte ou toda a sua autonomia para a continuação de sistemas que enriquecem uns poucos chocantes e estão tornando a Terra inabitável. Você se sente livre quando vai trabalhar? Quando paga impostos? Quando paga aluguel? Quando paga pelo seguro de saúde? Quando paga por mantimentos? Se as pessoas tivessem mais solidariedade, talvez não permitissem que os EUA invadissem e explorassem outros países impunemente. Talvez não permitissem que os EUA prendessem milhões de pessoas, separassem famílias na fronteira ou deixassem as pessoas morrerem de fome enquanto jogavam fora metade de toda a comida. Se as pessoas aprendessem sobre ajuda mútua, talvez começassem a resolver esses problemas por conta própria, começassem a mitigar os danos causados pelo Estado e demonstrassem que nada disso é necessário.

Se o Estado conseguir processar esse caso, ele causará danos duradouros a todos nós. Assim como a lei RICO foi ostensivamente escrita para acabar com a máfia e se expandiu para acabar com os anarquistas, ela se expandirá para acabar com qualquer movimento social que exija mudanças substanciais do Estado. A lei não precisa considerá-lo culpado de nenhum crime, apenas de “conspirar” com pessoas que o são, sendo que “conspirar” agora significa tão pouco quanto compartilhar crenças ou objetivos. Se você acredita que o Estado está fazendo algo errado ou tem o objetivo de fazer com que ele pare de fazer isso, você pode ser culpado de conspiração, mesmo que nunca tenha encontrado alguém que tenha cometido um crime em prol dessa crença ou objetivo.

Não existe nenhuma organização “Defend the Atlanta Forest” ou “Stop Cop City”, apenas o objetivo de defender a floresta de Weelaunee da destruição e a oposição à construção de uma base militar para a polícia. As pessoas escolheram uma infinidade de maneiras de atingir esses objetivos, mas ninguém estava recebendo ordens, ninguém foi iniciado em nenhum grupo e nunca houve um plano singular. O fascismo do estatuto do RICO da Geórgia está na inclusão de relações sociais livres em sua definição de empresa, para incluir “qualquer união, associação ou grupo de indivíduos associados de fato, embora não seja uma entidade legal”. Por essa lógica, um grupo de amigos pode ser uma empresa criminosa – ou um grupo de estranhos. “Tanto entidades governamentais quanto outras”, “lícitas quanto ilícitas”? Qualquer um e qualquer coisa, então, pode ser demarcado como existente dentro da jaula do estado policial da Geórgia de “empresa” – depende apenas do que o estado deseja domesticar. De acordo com o estado policial da Geórgia, “será ilegal participar”, “direta ou indiretamente”, da luta pela vida, ombro a ombro, de mãos dadas, com aqueles que compartilham nossa luta inextricavelmente. Não podemos nos separar e não vamos nos separar. A ajuda mútua e a solidariedade são intrínsecas à forma como nossa Terra e seus habitantes sobrevivem – apesar dos sistemas de sufocamento permanente, todos nós respiramos o mesmo ar – uma conspiração com as árvores. Amar uns aos outros é como vivemos e lutamos em conjunto. Não precisamos de uma “organização”, “entidade” ou “empresa” centralizada para nossa luta, porque ela pertence a todos nós. Somos todos defensores da floresta.

A luta da qual cada um de nós está participando é a luta contra o heteropatriarcado imperialista, supremacista branco e cis-normativo. Essa luta pode parecer escolhida, dependendo dos privilégios de cada um de nós. Manter-se firme em solidariedade é enfrentar a história dessa luta. O Estado está tentando equiparar as ações pessoais de qualquer indivíduo e a definição de anarquia, coletivismo, ajuda mútua e solidariedade social como terrorismo doméstico ou extorsão. Com isso, o Estado pretende semear a divisão entre os indivíduos que desejam acabar com a cidade policial por qualquer motivo pessoal que cada um de nós tenha. Essa estratégia tem sido usada repetidas vezes pelos opressores.

Em vez de nos abaixarmos e mantermos a cabeça baixa na esperança de que o Estado “pegue leve conosco”, estamos optando por nos manter firmes em nossa solidariedade uns com os outros, bem como com a ideia, o estilo de vida e as práticas da anarquia e as ações de ajuda mútua que sustentam a vida.

Ajuda mútua é o que fazemos e solidariedade é como nos relacionamos.

O medo é o assassino da mente.

A solidariedade é o nosso escudo, a anarquia é a nossa espada.

Solidariedade da chamada Atlanta à Palestina

Fonte: https://anarchiststudies.org/anarchism-must-not-be-criminalized/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/26/eua-chamada-para-acoes-de-solidariedade-digital-contra-o-complexo-cop-city/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/12/eua-defensores-da-stop-cop-city-espalham-o-nome-de-policial-assassino-e-agora-enfrentam-20-anos/

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A porta da casa
amarela-se com folhas
pintadas de outono.

Júlio Parreira

[Espanha] Marcha ao Presídio de Topas no dia 19 de maio

A marcha para Topas continua em mais um ano. Mesmo que o vento não seja favorável continuaremos remando; com esta são vinte e cinco edições. As duas primeiras foram por dois insubmissos zamoranos que foram presos e posteriormente não se parou mais.

Como todos os anos, a Marcha a Topas quer dar visibilidade às lutas antiprisão e apontar aquilo de que não querem falar: as milhares de pessoas que o sistema decide enterrar vivas atrás de muros de ferro e concreto, chamados prisões, Centros de Detenção de Menores ou Imigrantes.

A repressão e as prisões não são a solução para as injustiças sociais, mas sim parte do problema. As prisões são para os pobres, a prisão não protege nem reinsere, apenas marginaliza e destrói. Uma sociedade que precisa de prisões é uma sociedade injusta.

Junte-se, nesta edição, à Marcha ao Presídio de Topas no dia 19 de maio e as jornadas antiprisão que serão realizadas durante a semana. Além disso, por ocasião da vigésima quinta edição, este ano será realizada uma exposição sobre o percurso desta atividade desde os anos noventa.

Também neste ano será lembrada Virgínia que foi atropelada na segunda edição da marcha e que morreu às portas do centro de extermínio de Topas.

Pela liberdade, contra a repressão e o confinamento. Abaixo os muros das prisões!

Nem isolamento, nem dispersão, nem doentes na prisão!

marchatopas.noblogs.org

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Com dignidade
nas minhas velhas roupas –
o espantalho

Stefan Theodoru

[Espanha] Nova sede em Alcalá

No dia 20 de abril, comemoramos a inauguração da nossa sede em Alcalá. Localizada na Calle Río Eresma, número 4, no Barrio de Venecia, ela se torna o foco de ação do verdadeiro anarcossindicalismo em nossa cidade e seus arredores.

Durante o evento, foi explicado por que estamos aqui e quais são os valores e as estratégias da CNT-AIT. A ação direta como principal meio para enfrentar os conflitos trabalhistas, a autogestão e a assembleia sobre a burocracia, a independência que nos faz fugir do teatro dos conselhos de empresa e do sindicalismo de liberados, entre outros temas.

O livro “Crecer libres. Anarquismo y Educación” também foi apresentado por Alfredo Olmeda, seu coordenador. Foram discutidas as experiências das escolas livres nos últimos anos: suas conquistas e dificuldades para alcançar uma educação voltada para a formação da classe trabalhadora de forma autogestionária e não para a reprodução das estruturas do capitalismo, como as escolas costumam fazer.

Em seguida, tivemos um jantar vegano no qual pudemos compartilhar com dezenas de pessoas interessadas em comemorar o início de nosso sindicato em Alcalá.

Nenhum funcionário público ou seus capangas compareceram. Nós também não os convidamos. Mas estamos orgulhosos de ter contado com a presença de um pequeno grupo de menores do centro de recepção de migrantes em Alcalá. Eles sofrem na própria carne os danos causados pelas fronteiras e o racismo promovido pelas instituições.

Todos estão procurando seu próprio caminho: nós estamos procurando o nosso e acreditamos que no dia em que o reino da liberdade e da igualdade chegar, a raça humana será feliz (Louise Michel).

Carregamos um mundo novo em nossos corações (José Buenaventura Durruti)

Fonte: https://alcala.cntait.org/se-presento-sede-en-alcala/

Conteúdo relacionado:

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o crisântemo amarelo
sob a luz da lanterna de mão
perde sua cor

Buson

 

[EUA] “Anarchist Review of Books” #7 | Inverno/Primavera de 2024

Sobre este número

Bem-vindo à sétima edição da “Anarchist Review of Books” (Resenha Anarquista de Livros), produzida por um coletivo com sede em Atlanta, Chicago, Exarchia, Nova Iorque, Berkeley, Richmond e Seattle.

Imprimimos este número no momento em que dezenas de milhares de pessoas estão sendo assassinados no Oriente Médio em nome do nacionalismo e do fundamentalismo. O bombardeio e o despejo de Gaza, como o bombardeio de Bagdá, como o bombardeio de Porto Rico, como o massacre de El Mozote, como o massacre de Guangxi, como o bombardeio do Camboja, como o bombardeio de Hiroshima, como o bombardeio de Dresden, como o bombardeio de Londres, como o bombardeio de Lviv, como os crematórios de Auschwitz, como o massacre na Floresta de Katyn, como a invasão do México, como o genocídio de Moriori, como o genocídio de Uyghur, como o genocídio de Burundi, como o genocídio de Ruanda, como o genocídio armênio, como a ocupação de Argel, como o estupro em massa de bengaleses, como os milhares de pogroms na Ucrânia, como a fome forçada na Irlanda, como a escravização dos negros americanos, como os genocídios indígenas, envergonharam o mundo.

O controle, o deslocamento forçado, a extração e a aniquilação são o que o Estado faz.

Toda guerra é uma guerra do Estado contra o povo, e a atual guerra em Gaza é uma nova frente nessa guerra. A agressão nacionalista nunca foi contida por leis, fronteiras ou simpatia humana. Leis, fronteiras e simpatia humana são ficções para os tiranos, regras que se aplicam somente aos subjugados.

A “Solução Final” do estado alemão nazista foi inspirada no etnolatrocínio dos povos indígenas pelos colonizadores americanos. E os sionistas buscaram a solução para sua repressão na fundação de sua própria nação, no mesmo sonho de ocupação e expansão.

À medida que essa nova frente se abre diante de nós, as palavras da artista Emily Jacir ressoam: “Não apenas tivemos que suportar esse genocídio, ser privados de espaço para velar nossos parentes, responder à propaganda estatal que nos acusa de nos matarmos, mas em meio a tudo isso ainda somos alvo das mais avançadas tecnologias e campanhas de desinformação para tentar silenciar nossas vozes”.

A cada novo ato de agressão por parte do Estado, a liberdade de expressão é restringida. No ano passado, vimos jornalistas serem alvos e executados em Gaza, na Ucrânia, na América Latina, no Haiti, na Síria e no Líbano; artistas serem censurados e rotulados de terroristas na Europa, nos EUA e na Ásia; professores de todos os temas e de todas as convicções políticas serem ameaçados de censura e perda de emprego.

Do Irã ao Camboja, ao Chile e ao Timor Leste, testemunhamos o sequestro de revoluções populares por fundamentalistas religiosos e nacionalistas autoritários, cujos primeiros atos foram prender ou assassinar anarquistas, comunistas não-estatistas, socialistas e intelectuais, e estabelecer sistemas de opressão baseados em classe, raça e gênero que reforçam seu controle.

Sempre haverá motivos para se desesperar com a crueldade do Estado. Mas não estamos sem poder. Neste momento sombrio lembramos aos nossos leitores que são as pessoas, e não seus “representantes”, que constroem a paz, a segurança, a proteção e a comunidade.

Rejeitar a guerra em Gaza desde outubro levou a manifestações maciças em todo o mundo nas embaixadas dos EUA e de Israel, à documentação de crimes de guerra e a exigências de cessar-fogo. Esses são pequenos atos de resistência, que ultrapassam fronteiras estatais, religiosas e étnicas, criando pequenos bolsões de confiança.

Em Nova Iorque e em Chicago, coletivos de ajuda mútua em toda a cidade estão fornecendo apoio, recursos e moradia para milhares de migrantes. Grupos de ajuda mútua de Vermont ao interior da Itália se uniram para ajudar as vítimas de enchentes e incêndios. A resistência ao desmatamento e a expansão do treinamento policial galvanizaram os jovens no sul dos Estados Unidos.

As ocupas gregas que fornecem alimentos, programas de refeições e bibliotecas para a comunidade, que foram despejadas no verão passado pelo Estado, foram reocupadas neste inverno com o apoio maciço de vizinhos e companheiros.

Se o que você quer é paz, segurança, proteção e comunidade, não há outra bandeira a ser agitada senão a bandeira negra.

Neste número, lhes trazemos informes de Atlanta, Exarchia, e Emilia-Romagna; os Mad Housers expõem seus planos, Mattilda Bernstein Sycamore aborda a arte, Ashlyn Mooney analisa as fotografias sinceras de Bev Grant, Panagiotis Kechagias faz um balanço, Shellyne Rodriguez fala sobre assimilação e sobre o 50º aniversário do Hip Hop, e Cara Hoffman conversa com Peter Werbe. Tudo isso e a arte de Chitra Ghanesh, Médar de la Cruz, Jenny Polak, Sameena Sitabkhan, Ellen Lesperance, Dianna Settles, N. Masani Landfair, e ZOLA.

Todo poder às pessoas

Por uma solução sem Estados

TODO PODER À IMAGINAÇÃO

Cara Hoffman, Janeiro de 2024

anarchistreviewofbooks.org

Tradução > anarcademia

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De flor em flor.
Cada abelha levando
recados de amor.

Cumbuka

[Holanda] Pinksterlanddagen: um festival anarquista de 17 a 19 de maio em Appelscha!

O Pinksterlanddagen é um festival anarquista que acontece anualmente no acampamento Vrijheidsbezinning em Appelscha durante o fim de semana de Pinksterweekend (Pentecostes). É um encontro para anarquistas e todos que se inspiram no anarquismo. O fim de semana inteiro é repleto de oficinas, palestras e discussões sobre anarquismo e luta social. Há também uma programação especial para crianças e uma programação cultural à noite.

100 anos lutando, organizando e relaxando juntos

O festival comemora este ano sua 100ª edição. Todos estes anos, as Jornadas de Pinksterlanddagen foram organizadas por anarquistas. Para muitos anarquistas é um lugar para se reunir, aprender e agregar novas informações. Naturalmente, o encontro é inteiramente sobre o tema do 100º aniversário. O tema é “passado, presente e futuro”. O que conseguimos? Como nos organizamos num mundo cheio de conflitos e polarização? E qual é o nosso papel como anarquistas e ativistas?

Você pode ir ao camping durante o festival. Você pode acampar lá ou reservar a casa de hóspedes através deste site.

pinksterlanddagen.org

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/21/holanda-pinksterlanddagen-um-festival-anarquista-de-26-a-28-de-maio-de-2023/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/09/29/alemanha-o-acampamento-anarquista-pinkersterlanddagen-2014-na-holanda/

agência de notícias anarquistas-ana

Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti