[Dinamarca] Repressão em Copenhagen

Se você tem seguido o Fundo Internacional para a Defesa Antifascista por algum tempo, isso vai soar bastante familiar. Dessa vez, antifascistas em Copenhagen planejaram e executaram um protesto de 1º de Maio pacífico e bem-organizado em solidariedade com os povos colonizados da Palestina e ao redor do mundo. Policiais que buscavam por encrenca decidiram arruinar a atmosfera positiva ao aleatoriamente selecionar um participante para espancar e prender. Agora o pobre antifascista que eles atacaram não só está sendo processado, mas o ataque ativou questões de saúde mental oriundas de encontros pregressos com a polícia.

Sua família se aproximou do Fundo de Defesa para pedir por ajuda. E foi isso que fizemos! Esperamos que nosso amigo dinamarquês vença o processo e se recupere totalmente.

Fonte: https://intlantifadefence.wordpress.com/2024/05/31/crackdown-in-copenhagen/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

curta noite
perto de mim, junto ao travesseiro
um biombo de prata

Buson

[São Paulo-SP] “Abolicionismo Penal”

Sobre o tema: “Reconhecemos que o sistema prisional neste país é um microcosmo do que está acontecendo na sociedade em geral. O racismo, a exploração, a desumanização que ocorrem nas prisões são um reflexo direto das injustiças que existem na sociedade em geral.” – Huey P. Newton

No encontro do GEAFM de junho, fazemos um convite à discussão do abolicionismo penal. Essa perspectiva emancipatória, nascida na intersecção das lutas anti-racistas, anti-capitalistas e anti-estatais, é necessária para o enfrentamento de um dos legados mais fortes da colonização, o encarceramento em massa. O abolicionismo penal não só explicita as opressões chanceladas pela justiça criminal, como também busca implodir a diferença entre preso político e preso comum.

Todo prisioneiro é prisioneiro político.

Sugerimos como leitura principal a introdução do livro (recentemente traduzido para o português) Califórnia Gulag, escrito por Ruth Gilmore, integrante do grupo Critical Resistance que, desde 1997, vem expondo e desafiando as forças econômicas, políticas e sociais que impulsionam a expansão do sistema prisional. Por meio de um diálogo entre as perspectivas estadunidenses e brasileiras, buscamos construir novas coalizões na luta pelo abolicionismo penal.

Leituras indicadas para o encontro: www.tinyurl.com/GE0624

Quando? Sábado, 08/06/24 (16h-18h)

Onde? Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo)

Infelizmente, não teremos intérprete de Libras.

agência de notícias anarquistas-ana

Lá vai de saltos
dona pata apressada
correndo aos saldos

Eugénia Tabosa

[Grécia] Perseguição e Prisão “Antiterrorista” Contra Anarquista por Postagem nas Redes Sociais – uma mensagem do coletivo Rouvikonas

O coletivo anarquista grego Rouvikonas, de Atenas, e outras forças radicais manifestaram-se no passado sobre a presença de uma ditadura de baixa intensidade, ou seja, a tentativa de abolir todos os direitos e liberdades civis deixados dentro dos limites “democráticos” sob o reinado do partido Nova Democracia.

Eles exigem hegemonia absoluta e estão construindo-a passo a passo, avançando de forma constante e tortuosa contra todas as frentes de lutas sociais.

Os exemplos são incontáveis: a abolição do direito à greve e a criminalização da organização sindical, os escândalos das escutas telefônicas, as execuções extrajudiciais de pessoas com a cor de pele “errada” pelas mãos da polícia após escapar de uma blitz de trânsito, imigrantes se afogando em massa para chegar à Europa e a normalização desses eventos nos meios de comunicação e na sociedade, o deslocamento forçado de habitantes dos centros das cidades para dar lugar aos rebanhos turísticos, a gentrificação da zona de Exarchia através da construção de uma estação de metrô e da repressão. Vemos até mesmo a violação do seu próprio “texto sagrado”, a Constituição, com a privatização das universidades, campanhas por penas mais duras e rigorosas que conduziram à recente revisão do código penal que permite ao Estado prender quem quiser sob o pretexto de combate ao terrorismo.

Inúmeros exemplos que são apenas a ponta do iceberg. Neste momento, nos encontramos nos limites da luta final contra a liberdade de expressão.

Prisão e o futuro da repressão

No dia 8 de Maio o nosso companheiro G.K. foi preso por um esquadrão antiterrorismo por uma postagem nas redes sociais. Durante a sua detenção, ele foi transportado constantemente sob a mira de armas por vários guardas, algemado e forçado a usar um colete à prova de balas. Apenas por uma postagem nas redes sociais.

Não é a primeira vez que um dos nossos membros é preso por tal ação. No entanto, é uma novidade que as acusações sejam feitas com base no terrorismo e ao abrigo do referido código penal draconiano e absurdo. É a primeira vez que um militante pode ser preso apenas por expressar o seu pensamento.

Como Rouvikonas, fizemos as nossas escolhas em termos das nossas formas de luta, fizemos publicamente e continuamos a trilhar esse caminho com pleno conhecimento do que nos espera. As nossas escolhas são bem conhecidas e o Estado tenta rotulá-las como “terrorismo” desde sempre.

Definitivamente não é uma coincidência como tal prisão do nosso companheiro aconteceu num momento em que uma investigação judicial que rotula Rouvikonas como uma “organização criminosa” está em andamento. Seria, no entanto, um erro considerar isto uma vingança pessoal contra nós. A sua verdadeira vingança é contra toda a base da sociedade e o que eles tentam desesperadamente evitar é exatamente a reação social que inevitavelmente surgirá contra eles.

Neste momento estamos diante do último bastião, o da liberdade de expressão. Se companheiros forem presos por tal motivo, então o inimigo já violou os seus portões. O tempo de uma ditadura de baixa intensidade está a chegar ao fim, começa uma ditadura plena. Da nossa parte continuaremos o que sempre fizemos e faremos melhor, com maior intensidade e frequência, mesmo que nos encontremos atrás das grades.

Nunca é demais repetir, no entanto, é que esta não é uma disputa “Rouvikonas vs Nova Democracia”. Isto diz respeito a todas as pessoas que não fazem parte da sua trama. Cada uma que é politicamente ativa, cada radical, cada pessoa de pensamento progressista deve refletir sobre isto: onde é que isto leva, como é que isto termina, como é que esta situação pode ser superada?

Essas perguntas exigem uma resposta, aqui e agora. Porque se uma ditadura se estabelecer, não haverá escolhas a fazer. As ditaduras só caem de poucas maneiras e muito específicas…

Atualização: o companheiro G.K. foi condenado a 6 meses de prisão em liberdade condicional, mas não como “terrorista”. Toda solidariedade segue ativa!

>> NOTA DO COLETIVO ROUVIKONAS <<

SOLIDARIEDADE AO COMPANHEIRO DO COLETIVO ROUVIKONAS PRESO PELO ESTADO GREGO SOB ACUSAÇÃO DE TERRORISMO

No dia 8 de maio, por meio de uma operação midiática, o Estado grego enviou policiais do esquadrão antiterrorismo fortemente armados para prender o companheiro G. K., integrante do coletivo anarquista Rouvikonas. Ele foi sequestrado, algemado, forçado a usar um colete a prova de balas ao mesmo tempo em que foi mantido permanentemente sob a mira de armas de grosso calibre. A acusação absurda de terrorismo tinha como base uma postagem na rede social feita por ele contra a asquerosa presença policial na praça de Exarchia, bairro com intensa presença de grupos antiautoritários e amplo histórico de resistência na capital grega.

O contexto de repressão do Estado grego, ampliado sob o governo do partido Nova Democracia, inclui a abolição do direito à greve e a criminalização da organização sindical, escutas telefônicas, execuções racistas de pessoas não brancas por escaparem de uma blitz de trânsito, o massacre de imigrantes que são deixados morrer afogados enquanto tentam chegar à Europa, o recrudescimento do código penal, o deslocamento forçado de pessoas que vivem nos centros das cidades pelo mercado imobiliário, transformando as regiões em “áreas turísticas”. Em Exarchia, isso se manifesta especialmente com a construção de uma estação de metrô e a presença policial ostensiva, esta última tema da postagem do companheiro, utilizada para acusá-lo de terrorismo. Após ser levado ao tribunal, a acusação de terrorismo não foi mantida, porém, mesmo assim, o condenaram a 6 meses de “liberdade” condicional.

Como o coletivo afirma em uma nota divulgada após a prisão, “não é a primeira vez que um dos nossos membros é preso por tal ação. No entanto, (…) é a primeira vez que um militante pode ser preso apenas por expressar o seu pensamento”. Vale lembrar que simultaneamente à operação policial recente, o grupo é alvo de outra investigação que acusa integrantes de fazerem parte de uma organização criminosa.

Ainda na nota, completam: “Da nossa parte continuaremos o que sempre fizemos e faremos melhor, com maior intensidade e frequência, mesmo que nos encontremos atrás das grades”.

Solidariedade irrestrita a G. K. e demais presxs da guerra social!

Ninguém fica para trás!

Morte ao Estado y que viva a anarquia!

faccaoficticia.noblogs.org

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agência de notícias anarquistas-ana

Porque não sabemos o nome
Tenho de exclamar apenas:
“Quantas flores amarelas!”

Paulo Franchetti

 

[Espanha] Roteiro da Rede E.S.C: Ecologia social e comunalismo

 A observação

 O colapso da biodiversidade e o envenenamento do meio ambiente que estamos testemunhando há várias décadas são um reflexo direto do empobrecimento das relações humanas em sua diversidade e de tudo o que tem bom senso. Esse é o triste resultado do capitalismo, o grande organizador do trabalho alienado, da industrialização agroalimentar e da mercantilização globalizada, bem como da desvitalização da política. Isso levou a uma economia em crise permanente, acompanhada de uma miséria multifacetada que provoca cada vez mais indignação e surtos de revoltas em todo o mundo.

Essas raivas legítimas correm o risco de se transformar em ódio ao próximo e alimentar crenças ilusórias em partidos que defendem o Estado-nação e confiscam a soberania popular. Longe de combater o capitalismo, o regime partidário tem apenas um objetivo: a rivalidade pela conquista do Estado. Uma vez no controle, eles apoiam a lógica destrutiva do capitalismo e nos privam de nosso poder coletivo. A democracia representativa, a face tranquilizadora do sistema, é apresentada como um horizonte democrático insuperável. No entanto, ela está perdendo força, como evidenciado pela recorrente abstenção nas eleições. Os partidos políticos não nos fazem mais sonhar, e ainda bem.

Com a esquerda eleitoral tendo perdido definitivamente sua alma, duas grandes correntes estão cruzando o cenário político/midiático: uma tecnocracia neoliberal que tende cada vez mais ao autoritarismo e à vigilância generalizada; e um bloco reacionário, identitário e racista, cujas ideias nunca foram tão banalizadas pela mídia. Esse desastre nos deixa diante da falta de perspectivas, do vácuo político deixado pelas ilusões da esquerda quando ficou claro que ela estava fascinada pelas práticas neoliberais e apenas fingia humanizá-las… Ao mesmo tempo, porém, vemos surgir um forte desejo de emancipação e de alternativas nas quais seria possível levar uma vida significativa. Redes associativas estão surgindo em quase todos os lugares, na cidade e no campo, e estão restabelecendo vínculos. Vemos o surgimento de lutas que articulam a ecologia e a questão social (contra projetos inúteis, contra o desaparecimento de serviços públicos em áreas rurais, contra a agricultura industrial, contra políticas de educação, energia, saúde, transporte, contra o patriarcado…). Muitos deles defendem o fim do capitalismo. Mas como a maioria das pessoas viverá se nada foi feito para preparar o mundo após o capitalismo?

A ecologia social como um passo à frente

A Ecologia Social nasceu dessa constatação, considerando que os problemas ecológicos têm origem nas injustiças sociais e na lógica de dominação que as alimenta. É nessa estrutura que situamos nossos campos de intervenção e nossas principais perspectivas. Ao mesmo tempo em que se afasta gradualmente da lógica capitalista, a Ecologia Social propõe como horizonte a descentralização da sociedade e a reintegração das comunidades humanas em atividades ancoradas localmente, em equilíbrio dinâmico com os ambientes naturais e ligadas umas às outras por confederações.

O comunalismo como uma ferramenta política

A partir dessa observação, surge a necessidade de nos organizarmos de modo a incentivar a maior participação possível da população do município nas deliberações e decisões que lhes dizem respeito. Chamamos essa forma de organização política de “comunalismo”, porque ela se baseia em uma confederação de comunas livres. O projeto comunalista, teorizado por Murray Bookchin, foi utilmente inspirado pela longa e rica história dos movimentos revolucionários que visam à emancipação popular. Essa abordagem libertária defende uma sociedade descentralizada, a abolição de todas as formas de dominação e exploração, e vê suas relações com os ambientes naturais a partir de uma perspectiva local, sem se prender ao localismo chauvinista ou ao sobrevivencialismo.

A questão política e social é, portanto, inseparável da questão ecológica. A opção comunalista emerge claramente em um movimento que vai além das práticas partidárias e da democracia representativa em direção à democracia direta, em tensão com as instituições do Estado. Ela se afirma nas margens, por meio de práticas, em territórios restritos, em municípios e onde quer que os grupos humanos busquem recuperar o controle de suas vidas (moradia, lutas camponesas, saúde, produção de energia e bens essenciais, vida artística etc.). Nenhum projeto alternativo pode ser bem-sucedido se, juntos, não construirmos um movimento que reúna lutas contra a dominação e pela dignidade, mas também alternativas concretas que busquem conscientemente se projetar fora do capitalismo. Portanto, é necessário aumentar as trocas entre esses espaços, criar vínculos de solidariedade, dentro e entre municípios, regiões e internacionalmente.

Fortalecidos por essa cultura e práticas comunalistas, os inúmeros experimentos em andamento em pedagogia social, educação alternativa, educação popular, habitats e lugares compartilhados, produção autogerida, fazendas coletivas, lutas antipatriarcais, lutas feministas, solidariedade ativa com migrantes, ZADs, podem participar do enriquecimento dessa dinâmica política de começar no nível local para se unir em um território (por exemplo: município, distrito da cidade, vale ou bacia da montanha etc.).

O chamado

A construção da Ecologia Social e do Comunalismo não se baseia em um decreto ou em qualquer tomada de poder. Não podemos e não vamos esperar pela Grande Noite. Devemos agora trabalhar ativamente para conectar uma infinidade de iniciativas coletivas concretas. É na discreta construção desses vínculos sobre as bases delineadas acima, no crescimento desse micélio, que o convidamos a participar. Quer você esteja envolvido em sindicatos, associações, coletivos informais, Amaps, cooperativas integrais ou simplesmente como indivíduo na luta contra a dominação do mercado. A partir desses movimentos sociais, não queremos mais delegar nosso poder político, mas assumi-lo diretamente em nossas assembleias populares e decisórias. É nesse processo que construímos nossas próprias autoinstituições municipais em tensão com o Estado.

É a partir dessas assembleias, que se tornaram espaços de reconstrução e aprendizado da comunidade, que poderemos identificar nossas reais necessidades. Inicialmente, o objetivo será forjar um contrapoder capaz de forçar as atuais autoridades municipais a implementar as propostas das assembleias comunitárias. Porque o objetivo é avançar em direção a uma democracia direta e eficaz. Trata-se também de recriar uma política estruturada por nossa diversidade e nossos vínculos com nossos ambientes naturais. Por meio dessa abordagem consciente e determinada, queremos criar as condições para uma saída definitiva do capitalismo e uma ecologia social. Cabe a todos nós criar esse movimento emancipatório que trará esperança, localmente, depois regionalmente e além. Este roteiro é apenas o primeiro passo para o desenvolvimento coletivo de uma estratégia que continuará a se desenvolver à medida que avançarmos. O caminho é feito caminhando; vamos caminhar questionando a nós mesmos; vamos nos transformar transformando a nós mesmos!

Fonte: https://ecologiesocialeetcommunalisme.org/hoja-de-ruta-de-la-red-e-s-c-ecologia-social-comunalismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Beija-flor na janela —
entre nós a cortina
movida pelo vento

Clara Toma

[Espanha] Lançamento: Sob três bandeiras | Anarquismo e imaginação anticolonial

de Benedict Anderson (Escritor), Cristina Piña Aldao (Tradução)

A troca de ideias faz história tão seguramente quanto uma troca de tiros. “Sob três bandeiras: anarquismo e a imaginação anticolonial” é um relato das conexões improváveis que moldaram a política e a cultura do final do século XIX. Benedict Anderson examina as ligações entre anarquistas militantes na Europa e na América e as revoltas anti-imperialistas em Cuba, na China e no Japão. Contada por meio das complexas interações intelectuais de dois grandes escritores filipinos – o romancista político José Rizal e o pioneiro folclorista Isabelo de los Reyes – esta é uma obra brilhantemente original sobre como as redes globais moldaram os movimentos nacionalistas da época.

“Uma história curiosa e fascinante… Emocionante e transcendental”. The Guardian

“Uma visão fascinante do fluxo global de ideias anarquistas e anticoloniais”. Publishers Weekly

“Um estudo formidavelmente erudito”. The Independent

“Feroz e pungentemente local, focado em um punhado de homens notáveis e anos fatídicos, mas também expansivamente global. […] Anderson está cada vez mais convencido de que a história de nenhuma nação faz sentido a não ser pelas lentes mais amplas e abrangentes do mundo, mas será que seus nacionalismos particulares são híbridos em sua essência e estão sempre em fluxo? Essa é a pergunta deste livro”. T. J. Clark, London Review of Books

Bajo tres banderas | Anarquismo e imaginación anticolonial

Escritor Benedict Anderson

Tradução Cristina Piña Aldao

ISBN 978-84-460-5467-2

288 Páginas

24,00 €

akal.com

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

vozes no brejão
o cururu dos sapos
ecoando noite adentro

Paladino

Encontro de Libertação Animal na Holanda

O que: Encontro internacional de libertação animal.

Quando: De 9 a 11 de agosto

Onde: Appelscha, Holanda.

Palestras, workshops, networking, planejamento e relaxamento. Venha participar do encontro e, juntos, daremos um impulso ao ativismo. Registre-se aqui: https://www.biteback.nl/campagne/animal-liberation-gathering/english/

Camping tot Vrijheidsbezinning

O encontro será realizado no Camping “Tot vrijheidsbezinning” em Appelscha. Adquirido por anarquistas em 1933, desde então se tornou um ponto de referência entre os ativistas, onde vários eventos são realizados todos os anos.

O camping também está situado diretamente ao lado da reserva natural Drents-Friese Wold. Você pode entrar na floresta diretamente do acampamento. Um lugar ideal para relaxar do recente período de ativismo e se motivar para o que está por vir. Veremos você lá?

Quer compartilhar seu próprio conhecimento também?

Você tem um workshop ou uma palestra que gostaria de dar, ou outra coisa interessante que se encaixe no programa? Por exemplo, uma apresentação para o programa noturno, uma atividade para crianças ou gostaria de montar um estande em nome de sua organização?

Sobre o encontro

O encontro é uma iniciativa da Bite Back Netherlands, mas foi planejado como uma reunião para e pelo movimento.

Um fim de semana para aprendermos uns com os outros, nos conhecermos e relaxarmos. Um fim de semana em que nos sentiremos motivados e poderemos tornar nossas campanhas e ações ainda mais eficazes. Para que possamos atingir nossa meta ainda mais rápido!

>> Mais infos: www.animalliberationgathering.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Suave impressão de asas
abrindo em tempo-semente
e pausa suspiro

Nazareth Bizutti

[França] Moção Congresso Esportivo 2024 | Jogos Olímpicos

Os Jogos Olímpicos, assim como as competições esportivas em geral, são uma das ferramentas de manipulação e propaganda dos dominantes. Eles reproduzem os mecanismos em jogo no coração do capitalismo, em sua dimensão falsamente festiva e de muitas maneiras. Reforçando assim as formas mais inaceitáveis de dominação, são os “Pão e Jogos” que participam da inércia dos povos.

As denúncias de estupro, agressão sexual, homofobia, transfobia, no mundo do esporte profissional e amador são cada vez mais numerosas. Revelando comportamento inaceitável.

A glorificação do sucesso, a ênfase no desempenho e na competição, como modelo a ser seguido em uma sociedade capitalista produtora de hierarquias sociais.

Atos racistas, gritos de macaco, palavras de ordem em faixas com personagens racistas, aparecem nas arquibancadas de eventos esportivos; As brigas entre torcedores, cheiro de nacionalismo, regionalismo, essas práticas vergonhosas não param.

Esses jogos, que nos são apresentados como pacificadores, são usados para fins políticos e nacionalistas, para o registro dos Jogos de Berlim em 1936 – durante os quais a rota da tocha foi inventada -, os Jogos de Moscou 1980, os Jogos de Inverno de Sochi 2014 no mesmo ano da anexação da Crimeia. Se esses jogos não fossem colocados sob o signo do nacionalismo, os hinos nacionais não seriam ouvidos em caso de vitória.

Como todos os Jogos Olímpicos, os Jogos de 2024, em Paris, são colocados sob a bandeira do rei dinheiro, em diferentes aspectos. Salários e bônus exorbitantes em caso de vitória. Publicidade e patrocínio de todos os tipos, e não beneficia o esporte.

Somas muito grandes de dinheiro para concreto e construção de equipamentos que nos dizem que estarão disponíveis para todos. Mortes em canteiros de obras, por uma questão de avançar rapidamente em detrimento das normas de segurança. O aumento do preço do transporte público em detrimento dos mais pobres. O uso de voluntários para baratear os custos dos jogos.

O rebaixamento dos Jogos Paralímpicos para uma data posterior aos Jogos Olímpicos, banindo o esporte deficiente, escondido e menos divulgado, como se os atletas valessem menos que os demais. Além dos Jogos Paralímpicos em data posterior aos Jogos Olímpicos, estes são um álibi para uma sociedade que exclui diariamente as pessoas com deficiência, especialmente nos transportes.

As Olimpíadas também colocaram sob o signo da limpeza, incluindo a limpeza social, de Paris, de populações consideradas indesejáveis, especialmente os sem-teto. Inquilinos obrigados a ceder o alojamento para alojar o pessoal necessário para realizar os jogos e reabilitá-los em hospedagens de aluguel. A realização das Olimpíadas piora as condições de vida dos trabalhadores e, cada vez mais, dos habitantes. Por ocasião desse tipo de evento, veremos um aumento da prostituição, participando do fortalecimento do sistema de prostituição.

Colocado sob o signo de “segurança máxima”, vigilância em massa, reconhecimento facial, uso de códigos QR para filtrar o acesso a vários lugares e até mesmo o isolamento de bairros inteiros, com zonas proibidas impedindo a liberdade de movimento. Com o risco de que algumas medidas excepcionais de segurança e vigilância se tornem permanentes.

Vamos lutar de todas as formas possíveis. Vamos mostrar nossa determinação para que a prática do esporte se livre para sempre de todos esses comportamentos deletérios, tóxicos, mortais.

Moção aprovada no 82º congresso da Federação Anarquista, reunido em Merlieux (02) nos dias 18, 19 e 20 de maio de 2024

www.federation-anarchiste.org

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o rio ondulando
a figueira frondosa
no espelho da água.

Alaor Chaves

Carta em Solidariedade ao Povo do Rio Grande do Sul – Brasil

A Federação Anarquista Capixaba, filiada à IFA Brasil, difunde comunicado desta, acerca da tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul, nos termos abaixo:

Nós, da  Iniciativa Federalista Anarquista no Brasil (IFA Brasil), lamentamos profundamente as perdas de vidas humanas e a aniquilação da fauna e flora no território do Rio Grande do Sul.

A atual catástrofe no Rio Grande do Sul é entendida por nós como consequência de décadas de destruição do meio ambiente, em pról do desenvolvimento da agricultura e pecuária capitalista, anos da destruição da natureza para ocupação irresponsável e inconsequente do solo por indústrias e cidades, bem como a omissão criminosa dos sucessivos governos municipal, estadual e federal que se somam com a devastação climática produzida pelos centros irradiadores de poluição avassaladora nos continentes.

Para além de palavras, nossos associados realizaram doações e contribuições para auxiliar aos impactados desta catástrofe, para auxiliar na sobrevivência destes atingidos pela omissão criminosa dos governos citados, pelas ações devastadoras da agroindústria e da gestão econômica aniquiladora de vidas realizada no Brasil, sendo, por certo, o Rio Grande do Sul um de seus expoentes.

Neste momento de pesar por todas as vidas perdidas, vimos a público manifestar nossa consternação e nossa solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul.

Com isto, aprofundaremos nos nossos estudos e batalhas construindo soluções coletivas, difundindo analises e promovendo ações sociais para impedir a perda de mais vidas e o aniquilamento da vida no Rio Grande do Sul, no Brasil e no nosso planeta Terra.

Maio de 2024

Iniciativa Federalista Anarquista – Brasil

Federada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA.

federacaocapixaba.noblogs.org

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a noite sorri
lua crescente
nos olhos do guri

Alonso Alvarez

Contra o carro e seu mundo! Viva a bicicleta!

[EUA] Quando os anarquistas eram os inimigos públicos número um

Por Clyde Haberman | 11/05/2024

Uma nova e divertida história de Steven Johnson explora um momento explosivo em que o terror e a vigilância nascente se chocaram.

A imagem antiga de um anarquista que há muito tempo está fixada no imaginário popular é a de um sujeito com cabelos rebeldes e um sorriso perturbado, segurando uma bomba circular com um pavio aceso. Alexander Berkman e Emma Goldman não se pareciam em nada com isso. Fotografias deles de mais de um século atrás mostram que eram bastante adequados e bem vestidos; poderiam ter sido qualquer casal elegante que estivesse em um passeio pela Quinta Avenida.

Mas Berkman e a mais conhecida Goldman, antigos amantes nascidos no Império Russo, eram de fato anarquistas, acreditando em uma sociedade sem líderes, enraizada em um espírito igualitário, livre da organização de cima para baixo que definiu a governança por, oh, apenas para sempre. Claro, muitos anarquistas eram indisciplinados: Em seu apogeu, aproximadamente de 1880 a 1920, eles saíam por aí explodindo coisas, empregando a dinamite inventada por um sueco, Alfred Nobel, cujo nome agora estampa o prêmio da paz mais cobiçado do mundo.

Berkman e Goldman aparecem com destaque no último livro de Steven Johnson, intitulado “The Infernal Machine” (A Máquina Infernal), que também era como a bomba dos anarquistas passou a ser chamada. Berkman cumpriu 14 anos de prisão por tentar, sem sucesso, matar o industrial Henry Clay Frick. Na esperança de arrecadar dinheiro para a causa, Goldman recorreu, por um breve período e também sem sucesso, à prostituição. Por fim, no final de 1919, eles e 247 outros chamados “indesejáveis” foram deportados para a recém-comunista Rússia, um país que, como logo descobririam, dificilmente havia se transformado em um paraíso para os trabalhadores.

Pouco antes de seu navio zarpar de Nova York, Goldman ficou cara a cara com um jovem que, na época, estava começando a trabalhar na polícia federal. “Eu não lhe dei um acordo justo, Srta. Goldman?”, perguntou-lhe o homem, J. Edgar Hoover. Como não era de se deixar abater, Goldman respondeu: “Ah, acho que o senhor me deu o tratamento mais justo possível. Não devemos esperar de ninguém algo além de sua capacidade”.

Esse livro bem pesquisado de Johnson, autor de vários best sellers, incluindo “The Ghost Map“, segue por dois caminhos. Uma segue Goldman, Berkman e uma série de outros anarquistas que talvez não sejam familiares aos leitores de hoje, incluindo outro teórico nascido na Rússia, Peter Kropotkin. A outra trilha limita o surgimento de uma burocracia federal comprometida em repelir a ameaça percebida à ordem. Como mostra Johnson, o esforço se baseou significativamente em avanços nos procedimentos policiais que hoje são tidos como certos, mas que eram incipientes na virada do século passado, sejam eles impressões digitais, escutas telefônicas ou um conceito mais amplo de profissionalismo policial.

Há muitas pessoas para acompanhar; felizmente, as primeiras páginas oferecem uma folha de dicas que lista os principais personagens do livro. Entre eles estão figuras importantes da aplicação da lei, como Joseph Faurot, pioneiro da coleta de impressões digitais; Arthur Hale Woods, que se esforçou para modernizar o Departamento de Polícia de Nova York; Joseph Petrosino, policial nascido na Itália que lutou contra o crime organizado e foi morto a tiros na Sicília em 1909; e Owen Eagan, inspetor do Corpo de Bombeiros de Nova York que desarmou cerca de 7.000 bombas, perdendo alguns dedos ao longo do caminho.

Johnson expõe os mundos dos homens-bomba e de seus perseguidores com detalhes admiráveis e com uma prosa robusta agraciada por um toque leve ocasional, como em sua discussão sobre a Reaper Works, uma empresa de manufatura com um registro nada invejável de mortes e ferimentos de trabalhadores. “As evidências indiretas sugerem que a (sombria) Reaper Works foi apropriadamente batizada”, escreve ele. Alguns leitores, no entanto, podem ter problemas para acompanhar uma série de nomes russos e saber exatamente em que ano está sendo discutido. Há também uma referência infeliz a Julius Rosenberg, que foi executado em 1953 com sua esposa, Ethel, depois que ambos foram condenados por espionagem para a União Soviética; seu primeiro nome não era Charles.

Ainda assim, somos conduzidos habilmente por uma impressionante procissão de horror, grande parte dela pouco lembrada em meio à névoa de atos terroristas mais recentes, nenhum mais devastador em nossa história encharcada de sangue do que os ataques de 11 de setembro de 2001. Patrick’s Cathedral, em Nova York, e ultrajes como o massacre de Ludlow – o assassinato pela Guarda Nacional do Colorado de mineiros de carvão em greve e suas famílias – são apenas alguns dos episódios narrados.

Se há um personagem central em toda a história, ele é a criação de Nobel: a dinamite. Seus usos práticos eram evidentes. Sem ela, várias obras públicas duradouras – o metrô de Londres e o Canal do Panamá, para citar apenas duas – não teriam sido possíveis. No entanto, ela exigiu um alto custo humano. Os acidentes industriais relacionados à dinamite tiraram muito mais vidas do que os lançadores de bombas.

No final, os anarquistas provaram ser seu pior inimigo. Eles passaram a definir o “caos indisciplinado”, escreve Johnson. De forma simples e direta, a estratégia deles foi “sem dúvida uma das mais desastrosas estratégias de marca da história política”, escreve ele. “Eles viraram uma palavra contra sua causa”.

THE INFERNAL MACHINE: A True Story of Dynamite, Terror, and the Rise of the Modern Detective | By Steven Johnson | Crown | 346 pp. | $32

Fonte: www.nytimes.com/2024/05/11/books/review/the-infernal-machine-stephen-johnson.html

Tradução > Contrafatual

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entre flores velhas
o som da abelha
treme flores novas…

Luiz Gustavo Pires

[Reino Unido] Alain Pecunia (1945-2024)

Uma curta biografia de Alain Pecunia, militante anarquista francês.

Por Nick Heath | 18/05/2024

Quando eu morava e trabalhava em Paris no início dos anos 70, participei de reuniões da Aliança Sindicalista Revolucionária e Anarco-Sindicalista [Alliance Syndicaliste Revolutionnaire et Anarcho-syndicaliste] (ASRAS) na Rua Jean Robert, 21, no 18º distrito. Essas reuniões envolviam cerca de 30 militantes que desejavam orientar o movimento anarquista para a agitação no local de trabalho. Ao lado de exilados búlgaros e da neta do libertário espanhol Juan Peiro, vítima dos pelotões de fuzilamento do ditador General Franco, e de franceses tanto veteranos quanto novos no movimento, estava Alain Pecunia, na época confinado a uma cadeira de rodas.

Ele foi um cofundador da Alliance e um de seus pilares. Outro participante relembrou: “preferíamos instalações militantes de um único andar. Caso contrário, teríamos de carregar Alain e sua cadeira de rodas pelas escadas dos veneráveis prédios que frequentávamos nos anos 70… Os novos companheiros, inclusive eu, sabiam vagamente que Alain havia realizado ações na Espanha e que havia sofrido um “acidente” depois, mas o camarada Pecunia não contava muito. Os militantes libertários espanhóis no exílio sabiam mais do que nós, jovens pós-68 atraídos por ideias anarco-sindicalistas.”

Alain nasceu em Paris em 1945, filho de um oficial naval sênior que serviu na equipe de De Gaulle em Londres durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1958, com apenas treze anos de idade, Pecunia participou de algumas manifestações contra a guerra da Argélia organizadas em Paris pelo grupo de jovens do Partido Comunista. Dois anos depois, ele se aproximou do grupo Verité-Liberté, liderado por Pierre Vidal-Naquet, e do Grupo Louise Michel da Federation Anarchiste. No início de 1961, Pecunia, ainda um “republicano rebelde e romântico”, conheceu um exilado anarquista espanhol, Paco Abarca, com quem formaria um grupo de agitação contra a OAS, a organização terrorista de extrema direita criada após o referendo de autodeterminação da Argélia. Por meio de Abarca, Pecunia foi apresentado ao mundo dos anarquistas espanhóis exilados. Nos meses seguintes, ele conheceria Octavio Alberola e Luis Andrés Edo, faróis da resistência anarquista ao franquismo.

O grupo de Defesa Interior foi uma organização criada pelo movimento anarquista espanhol no exílio que reuniu notáveis veteranos, como Cipriano Mera e Juan Garcia Oliver, e militantes mais jovens, como Alberola e Edo. Eles começaram a se envolver em ações simbólicas contra interesses turísticos espanhóis, como bancos e companhias aéreas, para forçar a imprensa francesa e internacional a falar sobre o regime de Franco.

Em junho e julho de 1962, Pecunia participou, com outros dois franceses, de uma série de ações na Espanha. Em menos de dois meses ele cruzou a fronteira ao menos três vezes para levar material a um colega em Barcelona e observar os controles policiais de Franco.

Foi nesse período que Pecunia conheceu Jacinto Ángel Guerrero Lucas, na época um colaborador próximo de Alberola na Defesa Interior e provavelmente já um informante da polícia espanhola.

No final de março de 1963, contra o conselho de Alberola, Abarca pediu a Pecunia que participasse de outra operação. Preso em 6 de abril, este foi condenado a 24 anos de prisão por “atividades subversivas” e se tornou o mais jovem preso político da Espanha, aos dezessete anos de idade. Detido na prisão de Carabanchel Alto, em Madri, ao lado do anarquista escocês Stuart Christie, ele compartilhou o destino de cerca de 250 prisioneiros políticos no local.

“Era a nossa guerra contra o fascismo”, disse Pecunia. “Meu pai havia participado da resistência na França e meus bisavós italianos eram da Carbonari. Sabe, quando tínhamos vinte anos, não pensávamos na velhice.”

Libertado em 1965 graças a intervenções no mais alto nível, em parte devido à influência de seu pai nos círculos gaullistas, ele foi vítima, pouco depois de seu retorno à França, de um ataque que permaneceu inexplicável. Nas primeiras horas de 5 de agosto de 1966, um carro desconhecido o atropelou, deixando-o inconsciente e, mais tarde, paralisado em ambas as pernas. Ele e outras pessoas acreditavam que ele havia sido vítima de elementos da polícia francesa, em aliança com as autoridades franquistas. Depois de estudar sociologia na Universidade de Nanterre, ele trabalhou como revisor de publicações e impressos. Foi cofundador da ASRAS e presidente do comitê da Espanha Livre entre 1974 e 1977.

Desde 2002 ele se dedicou à escrita, incluindo duas séries de suspense noir, Petits Films Noirs e Chroniques Croisées, com mais de vinte livros, bem como um romance histórico em três volumes, Mathilde, e suas memórias da vida na prisão de Carabanchel, Les ombres ardentes: un Français de 17 ans dans les prisons franquistes, publicado em 2004. Outro romance, Le Dernier Maquisard, foi publicado em 2006. Mais recentemente, Alain Pecunia lançou um volume sobre a história anarquista espanhola, Les Anarchistes espagnols aux portes du pouvoir – I: Histoire de la guerre des classes en Espagne (1812-1939), publicado em 2023.

Ele manteve suas convicções anarquistas até o fim, tendo falecido no dia 6 de maio de 2024.

A foto acima foi tirada por Stuart Christie em outubro de 1998.

Fonte: https://libcom.org/article/alain-pecunia-1945-2024

Tradução > anarcademia

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/21/reino-unido-anarquista-editor-e-aspirante-a-assassino-a-exposicao-documenta-a-vida-de-stuart-christie/

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Os grilos cantam
Apenas do meu lado esquerdo –
Estou ficando velho.

Paulo Franchetti

[Espanha] Almeida não encontra local para a estátua da anarquista Federica Montseny aprovada pelos chamberileros

Um informe municipal assegura que a Prefeitura de Madrid não encontra “nenhum local adequado” em Chamberí, seu bairro de nascimento, para a que se converteu na primeira ministra na história da Espanha, a quem foi acordado homenagear com um busto na edição de Orçamento Participativo de 2021.

Por Diego Casado | 30/05/2024

Nem nos Jardins de Concha Méndez, nem no Parque Santander, nem no de Enrique Herreros nem em nenhuma parte dos 4,68 quilômetros quadrados que abrange o distrito de Chamberí. A Prefeitura de Madrid não encontra nenhum lugar “ideal” para dedicar um busto à primeira ministra na história da Espanha, Federica Montseny, segundo um informe a que teve acesso este jornal e que se debaterá esta quinta-feira na Comissão de Qualidade da Paisagem Urbana.

A homenagem em forma de estátua foi aprovada pela própria Prefeitura em 2021 através da edição de Orçamento Participativo desse ano no distrito de Chamberí, onde nasceu Montseny em 1905. A proposta foi eleita ao ser a quinta mais votada pelos cidadãos desta zona central de Madrid e para sua fabricação e colocação se orçou a quantia de 18.000 euros.

Mas dois anos depois de conhecer os resultados desta votação popular, a equipe de Almeida resiste a colocar o monumento, segundo os documentos aos quais teve acesso Somos Chamberí. Em um informe prévio à Comissão de Qualidade da Paisagem Urbana, o conselho assegura que sua colocação é “inviável” porque descarta as localizações propostas pelo autor da ideia e a Junta de Chamberí manifesta que “não foi possível a localização de nenhum lugar que se considere ideal para sua colocação”.

Concretamente, a Prefeitura assegura que o busto não pode ir ao Jardim de Concha Méndez, na Rua Bretón de los Herreros “porque é dedicado a outra pessoa reconhecida da vida madrilenha” e “não resulta apropriado”. Tampouco pode situar-se no Parque Enrique Herreros por idêntico motivo. E nos parques Santander e do Canal se descartou por ser “propriedade da Comunidade de Madrid”. Assim que o grupo de trabalho de monumentos “considera inviável a solicitação”.

Nascida na Rua Cristóbal Bordiú, Federica Montseny (1905-1994) foi uma importante escritora e política espanhola, defensora do anarquismo. Em 1936, durante o governo de Largo Caballero na Segunda República, se converteu na primeira ministra do país ao assumir a pasta da Saúde e Assistência Social. Em seu breve mandato (até 1937) impulsionou pela primeira vez a descriminalização do aborto, cujo projeto de Lei não chegou a se aprovar ainda que sim na Catalunha através da Generalitat até as doze primeiras semanas de gestação.

Obrigada ao exílio depois da vitória franquista na Guerra Civil e a posterior ditadura, Montseny fixou sua residência em Toulouse, onde seguiu militando na CNT, a organização na qual estava filiada. Regressou à Espanha após a morte de Franco e continuou ministrando conferências e comícios até 1985.

Local para as estátuas militares

Mas Madrid lamenta que a Prefeitura não encontre espaço para este monumento. “É um veto a tudo o que Federica representa: as liberdades, os direitos das mulheres e a própria democracia”, denuncia sua conselheira Cuca Sánchez.

A edil acusa ao PP de “sectarismo ideológico” e assegura que “já alcançou os níveis de seus sócios do Vox”. Sánchez recorda: “Após demolir a marteladas a memória das vítimas da repressão da ditadura e do que foi primeiro ministro Largo Caballero, após levantar homenagens ao colonialismo da Legión, os tercios de Flandres ou os últimos de Filipinas, agora veta uma proposta cidadã aprovada nos orçamentos participativos de 2021”.

Almeida chegou à alcaldia em 2019 com a promessa de colocar uma estátua em Chamberí dedicada a Los últimos de Filipinas. Neste caso a Prefeitura encontrou local rapidamente: junto à Rua Alberto Aguilera, em um extremo da praça del Conde de Valle de Suchil, outro espaço do distrito dedicado à memória de uma pessoa que neste caso não foi um impedimento para receber o novo pedestal.

Muito perto desse mesmo lugar o alcaide permitiu a colocação de outra homenagem em forma de escultura: uma cabine vermelha em memória a Antonio Mercero, a pouca distância do lugar de rodagem de seu famoso filme.

Mais polêmica resultou a inauguração do monumento à Legión junto ao Passeio de la Castellana, outra estátua militar à qual o Governo de Almeida buscou uma localização em menos tempo do que está empregando para o busto da primeira mulher espanhola a dirigir um ministério.

Fonte: https://www.eldiario.es/madrid/somos/chamberi/almeida-no-encontra-local-estátua-anarquista-federica-montseny-aprovada-chamberileros_1_11404674.html

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/05/espanha-3-razoes-pelas-quais-federica-montseny-e-essencial-para-o-feminismo-e-o-anarquismo/

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O gato no cio
mia e remia
canta ao desafio

Eugénia Tabosa

[Espanha] Lançamento: Esboço de uma crítica à teoria e à prática leninistas, de Oscar del Barco

Editado por Pablo S. Lovizio

Introdução de Luis Ignacio García

O ponto de partida deste trabalho é o reconhecimento do fracasso da Revolução Russa, e seu objetivo é tentar entender esse fracasso. Partimos, portanto, de um fato que pode ser afirmado da seguinte forma: a Revolução de Outubro, por meio de um processo longo e dramático, encerrou uma sociedade baseada em novas formas de exploração. […] Sem exagero, podemos dizer que esse fracasso do projeto socialista em sua substância libertária e autolibertadora sempre foi conhecido; mesmo antes da revolução, houve quem alertasse, como Rosa Luxemburgo, que, a partir das premissas teóricas sobre as quais a organização revolucionária russa estava sendo construída, ela necessariamente terminaria em uma ditadura; e certamente não em uma ditadura dos explorados sobre os exploradores, mas dos líderes da organização revolucionária e dessa mesma organização sobre as massas populares. […]

Há decisões que a história metamorfoseia, produzindo resultados que não estavam na mente daqueles que as tomaram; caso contrário, a história seria translúcida. Não se trata, portanto, de julgar as intenções. E isso deve ficar claro: nosso objetivo não é seguir o itinerário dos sujeitos, mas o das forças, e quando nos referimos aos sujeitos, estamos realmente nos referindo a eles como formas dessas forças. Certamente, ninguém entre os líderes bolcheviques queria o fracasso da revolução, mas esse não é o problema; o problema é descobrir por que foram tomadas medidas que inevitavelmente levaram ao fracasso e quais eram as ideias que fundamentaram teoricamente essas medidas; ou seja, para nos expressarmos de forma paradoxal, qual teoria fundamentou o fracasso do socialismo.

Esboço de uma crítica à teoria e à prática leninista

Oscar del Barco

Editado por Pablo S. Lovizio

Introdução de Luis Ignacio García

ISBN: 978-84-126833-3-2

Páginas: 202

17,50€

https://terceroincluido.net/

Tradução > Liberto

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urubus desenham
no teto cinza da tarde
lentas espirais

Zemaria Pinto

Flecheira Libertária n. 763 | “Não há como “ressignificar” o terror do Estado.”

assimilados e uniformizados

A 28ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a maior e mais rentável do planeta, convoca o/a/es participantes a trajarem uniforme verde e amarelo. Em comunicado oficial, a entidade que organiza o evento declarou que Madonna e Pabllo Vittar, durante apresentação no show em Copacabana, “ressignificaram” a bandeira nacional, supostamente “apropriada pela ala mais retrógrada da sociedade, aquela que utiliza o amor à pátria como um disfarce para propagar o ódio”. Mesmo dentro do binarismo judaico-cristão, amor x ódio, qual bandeira nacional não celebra o monopólio do uso legítimo da força pelo Estado? Desde essas terras, empunhar a bandeira pela “ordem e o progresso” é aplaudir os mais de 500 anos de massacres, genocídios e etnocídios, e clamar por sua continuidade. Inclusive, é sob o tremular dessa bandeira que incontáveis existências não-heterossexuais são violentadas, torturadas e executadas. A camisa da CBF é campeã “do mundo”, deste mundo que possui ranking dos Estados que mais matam pessoas trans e travestis. Não há como “ressignificar” o terror do Estado. Essa bandeira é de quem apoia todas essas violências. Qual a ala mais “retrógrada da sociedade”: os patriotas sanguinários que coerentemente se embrulham na bandeira do Brasil ou as minorias democráticas que desejam ser o mesmo que toda essa merda.

Deus (ou Cristo), pátria e família LGBTQIA+

Na disputa por protagonismo identitário, na mesma semana da Parada, mercadologicamente chamada de Semana do Orgulho LGBT, ocorrerão dois eventos anteriores: a Marcha Trans e a Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de SP. Es organizadorus da Marcha aderiram à convocação patriótica. Arrebanhades, também, pela esquerda, alegam que Madonna e Pabllo Vittar ressignificaram a bandeira ao utilizarem-na em um “contexto de amor e tolerância, distante do autoritarismo e da depredação”. Autoritarismo dos outros, claro, o delus, sob a condução da esquerda e o cada vez mais severo policiamento identitário, não. (Na Marcha do ano passado, teve até pregação de pastor evangélico LGBT). Tal qual a meta da Parada, a Marcha clama por democracia, mais e melhor representação política e mais segurança. Já as organizadoras da Caminhada não aderiram ao coro e consideram as cores verde e amarela vinculadas “à extrema-direita e ao fascismo”. Embora também rezem pela cartilha da segurança e peçam justiça por lésbicas assassinadas. Este ano, relembram a execução de Luana Barbosa por polícias, em 2016, e de Carol Campêlo, brutalmente executada, não se sabe por quem, no final do ano passado. Para elas, fica o recado das anarquistas que agitam as ruas mexicanas: “me cuidan mis amigxs, no la policía”. Aos outres, que algo desafine seu coro de hino nacional e de louvores em meio à música pop.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/05/flecheira763.pdf

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As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto

Eugénia Tabosa

[México] Abstencionismo ativo contra a via eleitoral

Desde Xalapa, Veracruz…

Em 2 de junho de 2024, fazemos um chamado para não ir às urnas e para a desobediência permanente. É ridículo ver que, mesmo nos dias de hoje, alguém ainda acredita em processos eleitorais democráticos para eleger novos senhores. Quem busca e assume o poder, independentemente de ser mulher, homem ou qualquer dissidência de gênero ou étnico-racial, torna-se automaticamente nosso explorador e gerente do progresso assassino, escravagista e ecocida da sociedade industrial, estatal e capitalista. O saltitar de membros entre partidos com ideologias supostamente opostas, o conflito televisionado e viralizado nos noticiários e em “La mañanera” entre as oligarquias de esquerda e de direita e as coalizões mais absurdas (PRI-PAN-PRD, MORENA-PT-PVEM) demonstram o negócio vil de perpetuar cúpulas de poder. Parece mais do que óbvio que a via 4T [Quarta Transformação] continuará independentemente de quem quer que seja, [Claudia] Sheimbaum está se visualizando na cadeira e o Peje [Andres Manuel Lopez Obrador] já a mantralizou. Mas, no final, não importa, seja via 4T ou via direita, seja comunista ou revolucionário, seja cidadão e comunitário, o sistema continuará a fazer seu trabalho. A esquerda também assassina seus críticos, que nossos mortos não sejam esquecidos! Se nos próximos anos houver uma retomada da direita ao poder, isso não será surpreendente. O fascismo se fortalece quando o Estado/capital o considera necessário para continuar conduzindo os seus valores em direção à ordem e ao respeito pelo sistema, o panorama global reflete isso.

Liquide o cidadão dentro de você que o faz pensar que, ao participar das eleições e das instituições do Estado, você provoca mudanças; pelo contrário, você participa voluntariamente da gestão de seu controle e dominação. Se a via eleitoral fosse boa, ela seria proibida!

Não participe, boicote, abstenha-se, sabote, reocupe sua vida anarquicamente contra a lógica do poder, organize-se e desorganize-se quando necessário. Não há orgulho em ter amos.

Não vote, anarquize-se!

Alguns dias antes das eleições.

A n a r q u i s t a s

Nota da ANA:

As eleições gerais no México em 2024 estão marcadas para 2 de junho.

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A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
a morte das cigarras

Matsuo Bashô

[Espanha] O curioso caso do tenente negro basco do Exército Basco

O comandante do batalhão anarquista Isaac Puente, Antonio Salón, depois de uma corte marcial e anos na prisão, estabeleceu-se em La Bañeza, onde os mais velhos não sabem de seu passado militar.

Por Iban Gorriti | 05·05·24

O País Basco também teve um Oliver Law em suas fileiras durante a Guerra Civil. Seu nome era Antonio Salón. Mas quem foi o primeiro e quem foi o segundo? Oliver Law (Texas, 1900-Jarama, 1937) foi um icônico comunista, sindicalista e ativista social que lutou com o Batalhão Lincoln na Espanha. Chegou a ser comandante e o primeiro comandante negro de uma unidade de tropas integrada por branca. Antonio Salón, por outro lado, era um jovem anarquista nascido em 13 de junho de 1897, de acordo com algumas fontes em Santurtzi e, de acordo com outras, em Madri. Na época, alcançou o posto de tenente no batalhão cenetista Isaac Puente. Enquanto o americano morreu em combate, o de ascendência venezuelana sobreviveu à guerra e morreu anos depois em La Bañeza, León, onde ainda hoje é lembrado como zelador de uma sociedade recreativa.

O pesquisador Miguel Ángel Fernández, natural de Zumaia e residente de Madri desde os 18 anos de idade, foi um dos primeiros memorialistas a se concentrar na pessoa de Antonio Salón Cubano. “Não era seu apelido, era seu segundo sobrenome”, ele confirma. No entanto, ele era conhecido pelo apelido de Soloir. “Enquanto documentava”, continua ele, “para um artigo sobre a repórter de Toulouse Cecilia García de Guilarte, notei uma foto dos oficiais do batalhão Isaac Puente, tirada em algum lugar da Bizkaia no início de 1937, e fiquei impressionado com o fato de que, entre os presentes na foto, ao lado de Enrique Araujo, a figura central e comandante da unidade, destacava-se um tenente negro. A curiosidade me levou a investigar um pouco mais sobre uma presença um tanto exótica para a época e o contexto”, disse à DEIA esse membro da Fundação Anselmo Lorenzo.

Suas anotações, assim como as da Enciclopédia do Anarquismo Ibérico, uma obra de referência do histórico militante libertário Miguel Íñiguez, lançam mais luz sobre esse morador de Santurtzi que trabalhou em Altos Hornos de Vizcaya desde muito jovem.

Quando a guerra começou, ele lutou no batalhão Isaac Puente, número 3 das Milícias Antifascistas da CNT e no décimo primeiro batalhão do Exército Basco. Aparentemente, ele também morava em Bilbao e forneceu um endereço em Gallarta para o arquivo de seu prisioneiro. Além disso, há relatos de que ele passou algum tempo em Lerma, talvez também como prisioneiro. Foi nomeado tenente em dezembro de 1936, depois de lutar na histórica batalha de Villarreal (Legutio). “Ele se destacou por sua coragem”, acrescenta Fernández. Meses depois, ele foi convocado para a viagem de solidariedade basca à ofensiva das Astúrias, na qual o conhecido comandante Saseta, entre outros, morreu, e da qual Salón saiu vivo.

Miguel Ángel Fernández ilustra isso com uma anedota contada pelo cronista Guilarte. No ataque a Oviedo, Antonio se envolveu em um evento que “nos mostra que ele também não era desprovido de humor e boa disposição”. Nas escaramuças sobre a conquista malsucedida da capital asturiana, um de seus companheiros de batalhão quase atirou nele ao confundi-lo com um membro das tropas mouras que lutavam como mercenários ao lado do golpe. “Salón, ao saber do incidente, jurou em tom de brincadeira pintar suas orelhas de vermelho e assim refletir as cores confederadas em seu rosto para não ser confundido novamente com o inimigo”, sorri a pessoa que já relatou essa curiosidade no site Ser Histórico.

Ao retornar, o anarquista continuou na linha de frente em Bizkaia e na área de Santander. Ele foi preso pelas forças de Franco em Santoña, e em 1º de fevereiro de 1939 foi condenado pelo 10º Conselho Permanente de Guerra de Bilbao a 15 anos de prisão pelo crime de “auxílio à rebelião”, comutados para seis anos e um dia. De acordo com seu registro de prisão, fornecido por Cabañas e assinado na Prisão Central de Astorga, naquela época ele era pai de uma menina de 12 anos.

O veredicto do julgamento sofre de alguns episódios desprezíveis. “A sentença, com uma pena de 15 anos de prisão por suas ações na guerra, mostra um discurso cheio de preconceitos: embora pertença à raça negra, é de nacionalidade espanhola e completamente desprovido de conhecimentos e dotes culturais”. Fernández se manifesta contra esse crime histórico: “Não conheço a capacidade intelectual de Antonio, mas estou convencido do fundo racista das afirmações contidas na sentença, porque precisamente o que sua história pessoal mostra é que desde muito jovem ele tinha um conhecimento inquestionável das lutas e aspirações da classe trabalhadora e libertária à qual pertencia”.

Iñaki Astoreka, responsável pela memória histórica da CNT em Bilbao, também reage a isso: “Na opinião dos franquistas, por ser negro, ele era um idiota, como não poucos pensam hoje em dia. No entanto, Antonio era membro da CNT e trabalhador da AHV em Barakaldo, e tinha muita clareza sobre a situação dos trabalhadores naquela época, com suas dificuldades, seus baixos salários, suas longas jornadas, etc. Por isso, lutou contra o fascismo em Bizkaia, Astúrias e Santander”, acrescenta o anarquista histórico.

La Bañeza

Salón acabou cumprindo pena em prisões em Bilbao e Astorga, uma cidade em León onde se estabeleceu após sua libertação. Ele morreu em La Bañeza, onde morava. O pesquisador José Cabañas é de Jiménez de Jamuz, uma cidade próxima a esse último município de León. Quando perguntado sobre o assunto por este jornal, ele diz que, quando criança, “com cinco ou seis anos, segurando a mão de minha mãe, cruzávamos com um homem negro de vez em quando em uma rua de La Bañeza. E eu me lembro muito bem disso, porque era muito incomum na época. Ele costumava estar vestido com um uniforme”, acrescenta.

Outro morador da cidade que o conheceu é Toño Odón Alonso. “Sim, havia um homem negro na cidade quando eu era jovem. E meu pai o conhecia e conversava com ele. Ele o chamava de Sr. Antonio. Ele era muito respeitado. Eu não sabia nada sobre seu passado na guerra. Ele usava uniforme e uma vez tirei uma foto dele. A roupa era da Sociedad Recreativa Bañezana”, diz o ex-técnico de cultura do conselho local. Outro vizinho que conhecia Salón de vista, Manuel A. Raigada, confirma outro fato: “Sim, eu não tinha nenhum relacionamento com ele, mas me lembro muito bem de Antonio, o negro, e que ele se casou. Ele tinha muita simpatia do público”.

A Fundação Anselmo Lorenzo conclui com o valor da pesquisa e do resgate de vidas como a desse basco. “Recuperar pequenas histórias como a de Antonio Salón ajuda a expandir o mosaico desconhecido de minorias racializadas no coração do movimento libertário” e em sua extensão da Guerra Civil no País Basco.

Fonte: https://www.deia.eus/historias-vascas/2024/05/05/curioso-caso-teniente-negro-vasco-8196384.html

Tradução > anarcademia

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no relâmpago
movem-se as vozes
do firmamento

Paladino