Lançamento: “Anarquismo antifascista”, de Errico Malatesta

É com imensa honra que lançamos o livro “Anarquismo Antifascista: escritos de combate contra o fascismo italiano”, que reúne diversos artigos e reflexões do anarquista Errico Malatesta, produzidos durante a vigência governo de Muss0lini. Com 40 páginas, a obra é um testemunho valioso da coragem, abnegação e resistência das e dos anarquistas frente ao fascismo.

“Anarquismo Antifascista traz pela primeira vez ao português vários escritos de Malatesta sobre a luta antifascista a partir da perspectiva anarquista, cuja principal argumentação apontava que a estrutura do Estado e do capitalismo, apesar de sua retórica liberal e republicana, se transformaria sempre que necessário em um aparelho abertamente violento, antissocialista, que defenderia os interesses das burguesias nacionais a todo custo.

A obra já está disponível para encomendas, pelo valor de R$15,00 com frete grátis para todo o país. Disponibilizamos ainda 50 pôsteres que acompanharão os primeiros pedidos!

Esta é uma oportunidade de compreender mais aprofundadamente o pensamento de Malatesta e a ação antifascista pela perspectiva anarquista, e que tem por missão fortalecer o combate diante do avanço reacionário, liberal e conservador no Brasil e no mundo.

Encomendas em nossa loja virtual, em https://linktr.ee/tsa.editora  

agência de notícias anarquistas-ana

Após urinar,
Um buraco perfeito
Na neve do portão!

Issa

[EUA] Polymath (pré-venda) – The Life and Professions of Dr. Alex Comfort (A Vida e as Profissões do Dr. Alex Comfort), autor de The Joy of Sex (A Alegria do Sexo)

Eric Laursen (Autor)

Agora disponível em pré-venda. Encomende sua cópia agora com 25% de desconto no preço de tabela e enviaremos assim que o livro for lançado em agosto!

Temos muito mais a aprender sobre (o autor de) A Alegria do Sexo! Esta biografia cobre tudo: a vida de um jovem poeta, o pacifismo, o ativismo anarquista, a vida acadêmica, a contracultura dos anos 60, começando de novo na Califórnia, The Joy of Sex, envelhecimento e morte.

Polymath é a primeira biografia de um dos intelectuais mais notáveis e abrangentes da segunda metade do século XX. Alex Comfort foi um poeta, romancista, biólogo, crítico cultural, ativista e anarquista britânico, e autor do best-seller internacional The Joy of Sex. Ele desempenhou um papel vital em tornar a gerontologia (o estudo do envelhecimento) um ramo viável da ciência moderna, energizando o movimento de ação direta pelo desarmamento nuclear, revitalizando o anarquismo como uma filosofia política nas décadas pós-Segunda Guerra Mundial e persuadindo doze milhões de leitores de seu livro mais popular a banir a culpa e a ansiedade do sexo em favor do prazer e da compreensão humana mais próxima.

A Alegria do Sexo passou onze semanas no topo da lista de best-sellers do New York Times – e setenta e duas semanas no top cinco. Mas o livro ganhou vida própria quando algumas gerações de jovens e adultos usaram A Alegria do Sexo como uma ferramenta para entender o prazer fora do reino da culpa e da vergonha e abriram as portas para uma cultura sexual mais saudável.

Comfort gostava de dizer que tudo o que ele fazia era parte de “um grande projeto”: trazer uma nova consciência, fundamentada na ciência, da importância da responsabilidade pessoal nas relações humanas, incluindo a obrigação de desobedecer quando a autoridade estava sendo exercida abusivamente. Polymath traça a interseção na vida e no trabalho de Comfort entre biologia e literatura, anarquismo e humanismo, sexo e socialidade, e como seus escritos, pesquisa e ativismo continuam a lançar luz crítica sobre as escolhas morais e políticas que fazemos hoje. O livro de Laursen relata a vida cheia de eventos de uma figura brilhante e complexa, incluindo sua vitória sobre uma possível deficiência que encerra a carreira, seu tumultuado segundo casamento, suas lutas com o establishment científico e a fascinante história da realização de A Alegria do Sexo. Será uma leitura vital para quem quiser entender como o pessoal se tornou político e o político se tornou pessoal nos últimos cem anos.

Elogios para Polymath:

Este maravilhoso estudo captura a vida e a obra de um dos mais fascinantes, embora pouco compreendidos, escritores anarquistas do século XX. A palavra “libertário” foi arruinada por libertários de direita, e “anarquista” foi danificado também. Mas Alex Comfort, fiel à tradição anti-guerra, precisava, agora mais do que nunca, levar adiante a luta da literatura para a sexologia, de forma brilhante, corajosa e memorável. Espero que esta biografia meticulosa e lúcida receba a ampla atenção que merece. — Paul Buhle, fundador/editor da Radical America, editor de graphic novels de não-ficção

Embora a Alegria do Sexo seja amplamente conhecida, muito menos se sabe de seu autor Dr. Alex Comfort. A biografia de Eric Laursen oferece um livro abrangente, compreensivo e perspicaz que nos permite finalmente entender Alex Comfort e as inspirações por trás de seu trabalho. — Susan Quilliam, coautora de A Alegria do Sexo (2008)

Polymath é um relato cativante, esclarecedor e penetrante da vida e do trabalho de Alex Comfort. Eric Laursen capta brilhantemente o ambiente dos tempos de Comfort para revelar a inventividade de seu pensamento e explicar suas intervenções. Sua impressionante pesquisa não se esquiva das realizações intelectuais de Comfort. Sublinha a consistência da aplicação criativa de Comfort dos princípios anarquistas e sua visão otimista do anarquismo como um caminho para a libertação e a comunidade. — Ruth Kinna, autora de O Governo de Ninguém

Alex Comfort era um tipo extraordinário de intelectual público – um médico e ativista anarquista cujo escopo e realizações proteicas abrangiam os campos da biologia, sociologia, psiquiatria, geriatria e sexologia, bem como a escrita de poesia, drama e ficção. Com base em extensa pesquisa arquivística, bem como em estudos mais especializados sobre Comfort, a notável biografia de Eric Laursen é o primeiro estudo sintético a considerar toda a gama de realizações de Comfort e a revelar o papel fundamental do anarquismo como o núcleo ético que orienta todos os aspectos do desenvolvimento pessoal e profissional de Comfort. — Mark Antliff, Mary Grace Wilson Distinguished Professor Emérito, Duke University, e autor de Sculptors Against the State: Anarchism and the Anglo-European Avant-Garde

Eric Laursen é jornalista, historiador e ativista independente. Ele é o autor de The People ‘s PensionThe Duty to Stand Asidee  e The Operating System. Seu trabalho apareceu em uma ampla variedade de publicações, incluindo In These TimesThe Nation e The Arkansas Review. Vive em Buckland, Massachusetts.

Editor: AK Press

Formato: Livro

Encadernação: pb

Páginas: 780

Lançamento: 29 de agosto de 2023

ISBN-13: 9781849354967

www.akpress.org

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

 

Ação direta contra a indústria da experimentação animal no Estado espanhol

Segundo testemunhos de diversas pessoas envolvidas no movimento de liberação animal nas décadas dos 80/90, o interesse de muitas delas pela luta contra a vivissecção no estado espanhol cresceu graças a dois documentários: “Alicia en el país de los experimentos” e “Crímenes Ocultos”, ambos traduzidos de maneira um tanto rudimentar e projetados em diversas ocasiões em centros sociais ocupados e jornadas pela libertação animal. A dureza das imagens ficou marcada a fogo em uma geração de ativistas, como nos conta uma das pessoas que viveu aquela época ao recordar a primeira vez que vi “Alicia en el país de los experimentos”: “Era da British Union For The Abolition of Vivisection e me impactou muito, recordo que tive uns pesadelos terríveis após vê-lo e aí foi quando tornei-me vegetariano”. As pessoas que naqueles anos se envolveram na luta pela libertação animal, começaram a criticar duramente a indústria da vivissecção em textos, canções, adesivos ou cartazes. Alguns, inclusive, decidiram passar à ação.

Em 1986, segundo um comunicado assinado pela Frente de Libertação Animal no qual se reivindicavam diversas ações, aparecem pichações na faculdade de medicina para denunciar “a tortura e a fraude que supõe a vivissecção tanto para as pessoas como para os animais”. Esta é, que saibamos, a primeira ação direta realizada no Estado espanhol que teve como objetivo a indústria da experimentação animal.

No número 4 do fanzine “Libertação Animal”, publicado em 1990, se cita uma libertação realizada em Zaragoza, entre 27 e 28 de janeiro (ano sem especificar) na qual se resgataram dois cães e dois porcos do centro de experimentação do Hospital Clínico “após cortar as cercas atrás das quais estavam presos”.

Também na década de 90, se realizou a primeira libertação massiva reivindicada pela Frente de Libertação Animal no Estado. Uns 200 ratos e camundongos destinados a experimentação foram resgatados da Universidade Complutense de Madri. “Deslizaram pelos banheiros e acessaram o departamento de biologia celular. Não só levaram todos os ratos, como também com isso prejudicaram experimentos muito trabalhosos. Também, decoraram todas as instalações com pichações que nos tachavam de assassinos”, declarava Alberto Varas, membro do departamento de biologia celular da complutense à revista Época após a ação.

É na década de 2000 quando a ação direta pela libertação animal vai pouco a pouco aumentar. Os ataques contra curtumes, açougues e outros centros de exploração crescem e se estendem por toda a península. Como era de se esperar, também aumenta o número de sabotagens e liberações que tem como objetivo a indústria da experimentação animal. A primeira ação relacionada com a vivissecção da qual temos conhecimento nessa época é a libertação de vários cães Beagle em Bilbao.

Pouco tempo depois, em 2003, uma granja em Tulebras, Navarra, na qual criavam-se coelhos que depois seriam enviados a laboratórios, também recebeu a visita de ativistas da F.L.A., que liberaram entre 250 e 300 animais e realizaram pichações com frases como “vivissecção = tortura” ou “vivissecção: fraude científico e moral”. A ação foi reivindicada pelo Comando Dave Blenkinshop, nome escolhido em homenagem a um ativista pela libertação animal que naquele momento cumpria pena.

No ano seguinte, em 12 de setembro de 2004, se produz uma nova libertação. Desta vez é uma cadela que é resgatada das instalações da Universidade de León. Após a libertação, os ativistas chamaram a cadela de Ginna, em recordação a outra pessoa represaliada em sua luta pela libertação animal.

Outras táticas usadas para atacar a indústria da vivissecção foram as visitas a domicílios de pessoas relacionadas com a experimentação animal. Que saibamos e nos baseando nos relatos de ações que se realizaram nesses anos, visitaram as casas de pessoas relacionadas com a SECAL (Sociedade Espanhola para as Ciências do Animal de Laboratório), Sankyo Pharma, Dupont, Roche ou Novartis. Em várias dessas ações picharam frases ou colaram cartazes explicando ao que se dedicavam estas pessoas, para que assim seus vizinhos pudessem saber que tipo de pessoa vivia a escassos metros de seus domicílios e por que havia sido realizada a ação. Em ocasiões, também deixaram notas explicativas nas caixas de correio da vizinhança.

Também os escritórios de empresas que estavam relacionadas diretamente com a experimentação animal ou que mantinham relações contratuais com HLS, (o maior laboratório de experimentação por contrato da Europa naqueles anos, contra o qual estava se desenvolvendo a campanha SHAC, que se estendeu a nível internacional), sofreram sabotagens. Pichações, quebra de vidros ou ataques com pintura foram alguns dos métodos que se empregaram.

As liberações para resgatar animais destinados a experimentação continuaram. Assim, em 1º de janeiro de 2006, poucas horas depois das badaladas de ano novo, várias pessoas entraram no biotério da Faculdade de Veterinária de Madri e resgataram 28 cães Beagle, muitos deles machos e, como depois se soube, uma cadela prenhe que deu à luz a uma ninhada que, afortunadamente, não teve que conhecer o cárcere e a tortura. Poucos dias antes, outros 5 Beagles haviam sido liberados em Granada.

Em 2007 realizou-se uma nova libertação, desta vez em Valverde, Ciudad Real, na granja de experimentação animal do Instituto de Investigação de Recursos Cinegéticos, organismo dependente do CSIC e da Universidade de Castilla la Mancha. Na libertação, segundo o comunicado, resgataram-se dezenas de coelhos e umas 200 perdizes.

Em 9 de fevereiro de 2008 realizou-se em Barcelona uma manifestação denunciando a relação de Novartis com HLS que acabou em destroços. Entre 150 e 200 pessoas percorreram as ruas da cidade condal entoando cânticos contra a experimentação animal e, ao chegar à sede da Novartis, um grupo de pessoas causou destroços em uma câmara de segurança, uma vitrine da empresa e realizaram diversas pichações.

As ações contra empresas relacionadas com HLS se sucederam no Estado espanhol. UPS, empresa de correio que mantinha relações comerciais com o laboratório, sofreu numerosos ataques contra seus escritórios e seus veículos de entrega, aos quais em ocasiões furaram as rodas, em outras pichavam frases e, em alguns casos, sofreram inclusive ataques incendiários. Este tipo de sabotagens se multiplicou em diversas cidades da península.

O ano de 2011 começou de maneira espetacular, com a libertação de 36 cães do viveiro  para experimentação animal de Harlan Interfauna, em Sant Feliu de Codines. Também, em junho de 2011, três cães Beagle são liberados do vice-reitorado de investigação da faculdade de veterinária da Universidade Complutense de Madri.

Estes são só alguns exemplos das ações realizadas desde finais dos 80 a princípios dos 2000 contra a indústria da experimentação animal. Mergulhar entre todas as que se realizaram naqueles anos e detalhar uma por uma poderia gerar um artigo que levaria horas de leitura e não é essa nossa intenção. O que queremos é mostrar como a luta pela libertação animal pode se valer de diversas táticas que tem um claro objetivo: a libertação dos animais e o fim das empresas que comercializam e lucram com sua prisão e sua morte.

Para os que pensam que este tipo de práticas são demasiado extremas ou agressivas, cabe recordar que trata-se de ações diretas não violentas, nas quais não houve nenhum ferido nem jamais se pretendeu que o tivesse e só danificaram propriedades. A indústria contra a qual se dirigiam, no entanto, tira a cada ano a vida de milhões de animais aos quais previamente submetem a uma vida de prisão e dor.

Não queremos cair na mensagem simplista de que “só a ação direta conta”. A difusão e a educação, a palavra e a tinta, são tão importantes como a pedra e a tesoura. Todas elas são ferramentas que devem caminhar juntas porque, se algo nos ensinou a história de nosso movimento, é que a combinação de diversas formas de trabalho e ação, é a chave da efetividade.

cerremosvivotecnia.noblogs.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

vento nenhum
parou para ouvir
o silêncio da noite

Alexandre Brito

[Itália-França] Chamada para um acampamento itinerante passamontanha em agosto de 2023

4-5-6 de agosto de 2023

Claviere (ITA)- Briancon (FR)

Três dias no caminho para um mundo sem fronteiras ou autoritarismo

Três dias de reuniões e discussões, compartilhando reflexões, experiências e práticas

TRÊS DIAS DE LUTA CONTRA AS FRONTEIRAS

As políticas da União Europeia continuam a aumentar as mortes no mar e nos territórios de trânsito, construindo fronteiras internas e externas.

Novos acordos são assinados com países de trânsito e de partida.

Milhões são alocados em tecnologia, polícia e novos muros para deter as pessoas que estão a caminho da Europa ou em espaços no exterior.

Um esquema funcional para a aniquilação de migrantes.

Aqueles que chegam à UE são condenados a uma vida de escravidão na esperança de obter um passe para um status considerado aceitável pelo sistema.

Aqueles que não conseguem se desvencilhar da corrida de obstáculos burocráticos, aqueles que não trabalham legalmente, aqueles que se rebelam, aqueles que não são considerados integráveis ou exploráveis, tornam-se bucha de canhão para o sistema de centros de detenção ou para as prisões.

Nesse contexto, o número de pessoas forçadas a migrar devido à crise climática e ecológica desencadeada pelo modelo de produção dos Estados ocidentais também está aumentando. A fim de expor a hipocrisia desse sistema que saqueia, rejeita e deporta enquanto prega o ecologismo, acreditamos que a ação direta é o curso de ação necessário.

Se, por um lado, a União Europeia implementa um sistema que gera guerras e miséria e depois criminaliza e explora as pessoas que escapam dele, por outro lado, há aqueles que, com força e determinação, continuam a desafiar esse sistema todos os dias.

As passagens de fronteira que escapam do controle cada vez mais intenso dos Estados, os tumultos e as lutas que emperram as engrenagens dos centros de detenção administrativa, às vezes transformando-os em escombros – como em fevereiro de 2023 no CPR de Turim – mostram que a monstruosa máquina estatal é menos invencível do que parece.

Por essas razões, sentimos a necessidade de nos reunir, de nos encontrar, de nos reconhecermos, de nos organizarmos melhor, tentando escapar das armadilhas do assistencialismo ou das ações da mídia.

Durante os dias do acampamento, gostaríamos de cruzar novamente essa fronteira próxima a nós, mais uma vez de forma coletiva.

Gostaríamos de reafirmar sua prática e significado simbólico, contra todas as fronteiras, internas e externas, e os dispositivos que as alimentam. Contra os novos decretos assassinos italianos (Cutro) e franceses (Darmanin). Contra as novas leis europeias que permitirão uma externalização cada vez mais forte e violenta das fronteiras, com futuras deportações diretas para países terceiros sem origem.

Bilhões estão sendo gastos nessas montanhas na tentativa de construir o TAV (trem de alta velocidade), devastando um território em nome da velocidade das mercadorias e do transporte, enquanto aqueles que não têm documentos são forçados a arriscar suas vidas, sofrendo perseguições, assédio e violência policial por falta daquele pedaço de papel que continua a matar enquanto mercadorias e turistas viajam sem serem incomodados.

Pelo menos nove pessoas morreram nessa fronteira. Muitas ficaram feridas, inúmeras foram rejeitadas. Dezenas de pessoas por dia tentam cruzar essa linha imaginária protegida por gendarmes franceses e guardas italianos.

Nós estivemos, estamos e estaremos ao lado deles!

Participamos em grande número do acampamento itinerante –Passamontagna– em uma tentativa de relançar momentos de encontro e confronto coletivo, de agir em conjunto, tentando coordenar diferentes realidades e territórios em luta, na perspectiva de novos caminhos possíveis.

O evento de três dias é totalmente autogerido: não há organizadores ou usuários, apenas participantes!

Os cafés da manhã, almoços e jantares serão distribuídos gratuitamente. É necessário levar roupas de montanha, barraca, saco de dormir e louça.

Acompanhe as atualizações aqui em www.passamontagna.info

E-mail: info@passamontagna.info

Fonte: https://www.passamontagna.info/?p=4435

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

solo de mansinho.
poema ensaiando canto
de passarinho

Paulo Sérgio Vieira

[Espanha] Rádio Traficantes: Emma Goldman. Um Furacão Na História.

Damos as boas-vindas a este segundo capítulo da série “Breve historia del pensamiento feminista“. Hoje nos aproximamos de uma das revolucionárias que com mais intensidade implementou a mudança do século XIX ao XX: Emma Goldman.

Desde sua saída da Rússia czarista e após seu estabelecimento como trabalhadora têxtil em Nova York, se forjou um autêntico mito revolucionário.

Em 1907, as primeiras crises financeiras açoitaram os Estados Unidos. Logo a crise se transformou em protestos obreiros. Emma se lançou a uma de suas múltiplas turnês de comícios.

A sua chegada a São Francisco, o rumor estendido pela polícia foi que Emma visitava a cidade para destruir a frota estadunidense situada em seu porto.

Definida pela segurança do estado como “A mulher mais perigosa da América”. Emma cresceu ao calor da greve de Haymarket e o movimento anarquista dos Estados Unidos. Logo se converteu em uma das oradoras, agitadoras, organizadoras e revolucionárias mais importantes do movimento obreiro internacional, percorrendo diversos países. Um trabalho que esteve respaldada por sua aposta editorial Mother Earth (Mãe Terra) desde onde publicou uma revista e numerosos livros entre 1906 e 1918.

Nesta sessão faremos uma revisão desta apaixonante vida. Para isso contaremos de novo com Ana Muiña, historiadora, investigadora e impulsionadora da editora La linterna sorda.

Com a intenção de perguntar-nos sobre as apostas políticas e revolucionárias naquele momento crítico de finais do século XIX e começos do XX. Os deixamos com “Emma Goldman, un huracán en la historia“.

>> Escutar aqui:

https://www.ivoox.com/2-emma-goldman-un-huracan-historia-audios-mp3_rf_111166715_1.html

Fonte: https://traficantes.net/node/237044

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Neste céu nublado,
Olhos atentos do gato
Procurando a lua

Gustavo Moraes

[França] Vaquinha para apoiar o assassino de Nahel arrecada mais de 150 mil euros

CHAMADA PARA COLOCAR A PLATAFORMA GOFUNDME SOB PRESSÃO

Sábado, 01 de julho de 2023

Jean Messiha é fascista, assessor e propagandista. Ele também apoia assassinos adolescentes. O Médiapart revelou que este ativista pró-Zemmour, que há anos passa quase diariamente nas antenas de Bolloré para espalhar ideias de extrema-direita, recebia 6.000 euros mensais do Ministério das Forças Armadas, enquanto não trabalhava lá desde 2017. Este Jean Messiha lançou uma “angariação de fundos de apoio [vaquinha]” ao policial que matou Nahel.

Sim, você leu certo: um polemista de extrema-direita organiza o apoio financeiro de um policial indiciado por homicídio voluntário, após a execução filmada de Nahel, cujas imagens são avassaladoras e sem apelação. Na sequência desta angariação de fundos, os sindicatos da polícia Aliança e UNSA ameaçaram abertamente o governo após o encarceramento do atirador da polícia. Fascistas, policiais, sindicatos de policiais, mídia bilionária: é o mesmo clã que está unido.

Voltemos àquela angariação de fundos. Graças aos retransmissores policiais e às redes de extrema-direita, explode. Em dois dias, o assassino já arrecadou mais de 153 mil euros de 7800 doadores, com donativos até de 1000 euros! É uma verdadeira mobilização silenciosa para apoiar um criminoso fardado.

Em comparação, a arrecadação de fundos criada para apoiar a mãe de Nahel, para ajudá-la a superar as muitas dificuldades que a aguardam, incluindo funerais, processos legais, etc. arrecadou 55 mil euros. Uma bela soma, uma demonstração de solidariedade, mas três vezes menos do que para o policial!

Essas vaquinhas têm valores simbólicos e políticos. Em 5 de janeiro de 2019, o boxeador Christophe Dettinger retirou com as próprias mãos uma linha de gendarmes [polícia] para proteger uma mulher que havia caído no chão durante uma carga [repressão] em Paris. As imagens, épicas, circularam pelas redes sociais. Dettinger foi rapidamente preso e jogado na prisão. Uma vaquinha destinada a apoiar a família deste “herói” dos Coletes Amarelos tinha despertado um vasto apoio popular: foram arrecadados 130 mil euros em 24 horas na plataforma online de donativos Leetchi. Um tapa na cara do poder que esperava demonizar aquele que teve a ousadia de devolver os golpes após semanas de repressão. Por vingança, o governo fechou a vaquinha, cujas doações nunca foram devolvidas à família. As autoridades chegaram a pedir à plataforma os nomes dos doadores, o Ministério Público abriu uma investigação e convocou dezenas de colaboradores… Ao mesmo tempo, uma vaquinha de “apoio policial” recebeu ampla publicidade da mídia.

Após o espancamento racista do produtor negro Michel Zecler pela polícia parisiense, o sindicato Alliance denunciou no BFM o “tumulto” de que a polícia seria vítima, e criou uma vaquinha de apoio aos espancadores: “no contexto da presunção de inocência, nossos colegas precisam mais do que nunca de nossa ajuda para o aspecto judicial (custas judiciais, advogado)”. Poucas horas depois, a vaquinha já contava com dezenas de doações e milhares de euros.

É disso que se trata: a batalha do jackpot revela uma competição de popularidade.

O dinheiro obtido pelo policial responsável pela morte de Nahel será capaz de lhe oferecer os melhores advogados e até mesmo um acordo confortável. Isso é um bônus para o assassinato racista! O policial já pediu sua soltura, que será ouvida na próxima semana. A Justiça está mostrando uma grande reatividade sobre o destino desse agente.

A vaquinha desprezível para o atirador foi lançada na plataforma americana Gofundme, liderada pelo CEO Rob Solomon. É a principal plataforma de doação do mundo.

Você pode entrar em contato com esta empresa em massa para encerrar esta vaquinha da vergonha em seu site: https://www.gofundme.com/fr-fr

Por e-mail: legal@gofundme.com

E por qualquer meio que você julgar apropriado.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/01/une-cagnotte-pour-soutenir-le-tueur-de-nahel-recolte-plus-de-150-000-euros/

>> Atualizando: até esta terça-feira (04/07), a vaquinha já arrecadou quase 1,6 milhão de euros (cerca de R$ 8,44 milhões).

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/29/franca-morte-de-nahel-em-nanterre-noite-de-protestos-furia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/28/franca-racismo-e-violencia-de-estado/

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trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado

Carlos Seabra

[Espanha] O que eles chamam de democracia

Saúde!

Finalmente eles tiraram suas máscaras de democratas. Os Peperos (apoiadores do partido político PP), os Voxeros (apoiadores do partido político Vox) e outras pessoas que usam a “democracia”, bem, o que eles chamam de “democracia”, para expor seus planos de destruição humana: um toureiro à frente de um departamento de cultura, defesa da violência doméstica, rejeição do salário mínimo, aumento do preço do transporte público… e que aumento! Pessoas ligadas aos Voxeros, clamando pelo “assassinato preventivo” de mulheres, injeções de milhões na educação privada e abandono total da educação pública, um arcebispo que compara o casamento de homossexuais à celebração da missa com um refresco, ensino ultracatólico, um presidente de certa comunidade autônoma que levou os idosos que sofriam de covid nos asilos a uma morte certa…

E tudo isso em um ambiente em que a Europa está sendo conquistada por Hitler, embora com outros nomes: Zelenski, Putin, Erdogan, Novák, Duda, Niinistö, Meloni, Trump, Xi Jinping…). E o fascismo (agora chamado de “extrema direita”) está ganhando terreno no mundo. A União Europeia aumenta as hipotecas com as quais muitas mulheres trabalhadoras não conseguirão pagar suas contas e serão despejadas, os fundos abutres continuam esfregando as mãos e não encontram mais tempo para contar seus lucros, extraídos da pauperização da classe trabalhadora…

E tudo isso em um clima de guerra ao qual a mídia quase não dá atenção e, se dá, esconde que as enormes quantias de dinheiro que os governos “democráticos” enviam a Zelenski, dizem eles, ao “povo ucraniano”, passam despercebidas aos olhos das pessoas que passam fome e miséria, que vivem precariamente, se não diretamente nas ruas, as filas nos refeitórios crescem a cada dia, os migrantes morrem em busca de algo que não existe, e o Estado, esse deus que diz proteger a todos, gasta sua renda, a renda dos impostos da classe trabalhadora, já que a burguesia tem como esconder a sua, quando não leva suas fortunas para paraísos fiscais (eles que se dizem patriotas), em mortes, repressão e eleições. Mas não é só a guerra Rússia/Ucrânia, também na Armênia e no Azerbaijão, no Irã, no Iêmen, na Etiópia, na República Democrática do Congo, no Sahel, no Haiti e assim por diante.

Essa é a situação à qual o que eles chamam de “democracia” está nos levando. E agora algumas pessoas vão e nos assustam dizendo que a “extrema direita” quer governar… E agora eles percebem isso! E então eu me pergunto… Para que serve a democracia? Acho que a resposta é muito simples: para fortalecer o Estado, qualquer Estado. E, ao mesmo tempo, a democracia tenta fortalecer esse “espírito patriótico” que, em última análise, serve para colocar seres humanos contra seres humanos enquanto os “democratas” olham e sorriem, pois, como disse Emma Goldman, “todas as guerras são guerras entre ladrões covardes demais para lutar, e eles induzem os jovens do mundo a lutar por eles”. Está claro que, enquanto nós mesmos não nos protegermos do capital e do fascismo que inventam para explorar cada vez mais, ninguém nos protegerá, nem o Estado, nem as urnas, nem suas leis….

É uma pena que o movimento dos indignados não tenha se tornado um movimento de pessoas revoltadas com consciência de classe! Mas as instituições chegaram na forma de partidos e estragaram tudo.

Simón Peña

Fonte: https://www.portaloaca.com/opinion/eso-que-llaman-democracia/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

[Itália-Chile] Em vista do 50º aniversário do golpe, campanha pela liberação dos presos subversivos chilenos, em particular Marcelo Villarroel Sepúlveda

Por ocasião do 50º aniversário do golpe militar contra o governo socialista de Allende, em 11 de setembro de 1973, se desenvolve uma campanha internacional pela liberação dos presos subversivos chilenos, em particular Marcelo Villarroel Sepúlveda. Para apresentá-lo esteve em nossos estúdios Felipe, companheiro chileno e ex-preso político e sociólogo, que recordou a aberração jurídica que afeta Marcelo Villarroel: “cumpre uma condenação imposta por um tribunal militar que não tem imparcialidade, e durante muitos anos se criticou o Chile por manter esta jurisdição militar sobre civis. Como é possível que 50 anos depois do golpe militar siga existindo a injustiça de uma condenação militar? Marcelo começou no final dos 80 militando em uma organização de guerrilha urbana marxista-leninista, e no final dos 90 desenvolveu um pensamento anarquista. Não pedimos – acrescentou Felipe – simpatia pelas ideias ou causas pelas quais está preso, mas sim um pronunciamento humanitário contra esta aberração jurídica que não existiria em nenhum outro país ocidental”.

Em seguida, Felipe reconstrói o levante social de 2019, caracterizado pelas organizações sociais de base, as assembleias comunitárias de bairro, e traça os processos políticos que conduziram à eleição do presidente de esquerda Boric, após o rechaço em referendo do projeto de nova constituição e a vitória da direita nas eleições para renovar a assembleia constituinte. Por último, explica como os movimentos e organizações sociais autônomos, de base e insurrecionais se preparam para o 50º aniversário do golpe de Pinochet.

>> Escuta o programa aqui:

https://www.radiondadurto.org/wp-content/uploads/2023/06/Cile-intervista-Felipe-su-Marcelo-e-situazione.mp3

www.radiondadurto.org

agência de notícias anarquistas-ana

É ou não é
o sonho que esqueci antes
da estrela d’alva?

Jorge Luis Borges

[Espanha] A ampliação do aeroporto de Barcelona, mais um passo na devastação do delta do Llobregat

1.- Sobre as pistas do aeroporto de Barcelona e a insustentabilidade do capitalismo.

O Capital e o Estado (Generalitat incluída) têm um projeto para Barcelona, um projeto que é de fato único, um só projeto, ainda que briguem entre si (ou finjam brigar frente ao público) por motivos políticos/eleitorais ou para saber quem fica com a maior fatia do bolo.

O projeto único: seguir devastando a região (o pouco que ainda não foi devastado) e, se agora a industrialização já não é o suficiente (a produção industrial, a exploração do trabalho e sua nocividade se espalharam para outros países), a atividade do capital se desloca para o setor de serviços (em especial turístico).

Neste setor, tanto a terra como os trabalhadores e a natureza, passam a ser mercadorias. Ser mercadoria não as poupam da devastação, pelo contrário, a agrava, são necessárias infraestruturas (hotéis, comunicações…) e, o que não é devastado diretamente se banaliza e se converte em parque temático paisagístico.

Este é o caso do tema da ampliação do aeroporto de Barcelona, que recentemente foi reavivado, com o pacto orçamentário do governo e a sequência de propostas que ele gerou.

As propostas e ameaças de propostas das quais se têm notícias são basicamente 3 (ainda que a Foment de Treball digam que sejam 9):

1.- A primeira é um ministério, que está sendo elaborado pela patronal do Foment del Treball (os criadores do banditismo antisindical dos anos 20 do século passado), https://www.foment.com/es/constitucion-comision -ampliacion-aeropuerto-barcelona/ , neste link é possível ver a composição da comissão.

A Comissão é presidida pelo presidente da Câmara de Contratistas de Obras de Cataluña (os donos do cimento, curiosamente) e 24 votantes. Os votantes representam todos os aspectos do capitalismo local, o próprio Fomento, há outra grande patronal, a CECOT, o Gremio de Hoteles, Turismo de Barcelona (consórcio promovido pelo Ayuntamiento e o setor de hotéis), a Cámara de Comercio, o IESE… e a farsa ambientalista de Jordi Sargatal, ex diretor do “Parc dels Aiguamolls”, atualmente executivo de uma empresa turística. Estas propostas são um mistério (dizem que incluem um novo aeroporto em Vilafranca?!), já que não será apresentada até o fim da primavera ou começo do verão, mas está nítido que terá um viés turístico e de obras públicas.

2.- A mais recente proposta, de um grupo de lideranças acadêmicas reunidas ao redor da Universidad Pompeu Fabra y el Colegio de Economistas, com a participação estelar do ex conselheiro Mas Colell, professor da UPF e autor da política neoliberal (incluindo a privatização do saneamento) nos governos de Artur Mas (2010-2016), este projeto é a farsa ambiental de Joandemènec Ros, ex professor de ecologia da UB e ex-presidente do Institut d’Estudis Catalans. É uma proposta de cimento, como pode ser visto neste vídeo publicitário.
https://www.youtube.com/watch?v=koG6RDxkjhk . De alguma maneira o grupo responsável pela proposta está vinculado com a comissão de Foment del Treball, já que compartilham alguns membros.

3.- A proposta da AENA, de ampliação, foi rejeitada, mas contava com o apoio do Estado e de JuntsxC (na época, governo), consiste basicamente em ampliar a terceira pista em 500m. Todavia, é preciso acrescentar 300 metros de sinalização, como se pode ver na imagem em anexo, isso propõe “de fato” avançar além da lagoa de Ricardia (https://www.youtube.com/watch?v= 08Lu_vGRFf8 ).

O projeto de AENA tem muitas propostas semelhantes enviadas por várias pessoas e entidades, tratando de terraplanar os dois extremos da pista (350m até a Ricardia, 100m até o Remolar…), o problema é que ela está localizada entre duas lagoas, Ricardia e Remolar e não há mais espaço para ser ocupado.

É preciso dizer que as três propõem desviar milhares de passageiros para Girona e Reus (sobre Lleida não dizem nada), a segunda proposta, que fala de uma pista sobre o mar prevê desviar 9 milhões de passageiros. Se levarmos em consideração que em 022 entre Reus e Girona serviram a um milhão de passageiros, podemos ver como se transfere o problema para outro local (típico de Barcelona). Qual será o impacto de multiplicar por 10 os vôos nestes aeroportos?

O desvio de voos para aeroportos “periféricos” tem como consequência a construção de novas ruas e estradas ou trens rápidos, um novo passo na devastação do território.

Resumindo, podemos dizer que estas 3 propostas serão feitas para agradar ao empresariado, especialmente o de obras públicas (milhares de milhões na construção) e o de turismo (aumentar em muito os mais de 40 milhões de turistas em El Prat), dois setores que, por hora movem a economia, assim continua o desenvolvimento baseado em coisas como o Mobile World Congress, Feira Auddiovisual, Copa América ou mesmo, o projeto do gasoduto de hidrogênio.

O foco está no transporte de passageiros, mas não é preciso esquecer do crescimento do transporte de mercadorias. Em Barcelona movem-se mais de 130.000 toneladas com um valor estimado de 7.000 mil euros. Hoje, as empresas de transporte de carga que lideram o transporte em Barcelona são DHL, Amazon Air e UPS… que se expandem montadas no crescimento do devastador e-comerce.

Existe uma quarta opção que é a que propõem as plataformas e organizações “opositoras” baseadas em sustentabilidade ou, as mais radicais e “consequentes”, no decrescimento. São opções que não se concretizam totalmente, são como uma hidra com muitas cabeças, por exemplo não tem nítido o que seria o “turismo sustentável” que muito se parece com o “turismo de qualidade”. De fato, tudo o que “sustente” ou “decresça” dentro do sistema vem a ser uma continuação da dominação e da devastação.

O mundo das plataformas é um mundo confuso, onde se encontram paradoxos como, na luta contra a gentrificação se igualam aqueles que se opõem as rotas turísticas com aqueles que não querem um instituto próximo pois pensam que este vai fazer baixar o preço de suas propriedades… Há também o problema do imediatismo das instâncias políticas (governos de todo tipo, estatal, autônomo, municipal…), partidos e empresas capitalistas que através de subversões acabam reorientando, detendo, silenciando e mesmo eliminando qualquer dissidência.

Sem dúvida dentro dos movimentos contra as grandes infraestruturas existem pessoas e grupos muito válidos com os quais se pode confluir, mas vigiando que a interrupção das reivindicações não está nas mãos de ninguém e que a agência não será marcada pelos interesses de uma facção do Estado e do Capital.

O problema não é um aeroporto novo ou maior, o problema não é a destruição da um espaço natural, por mais escasso e vulnerável que seja, o problema não são as emissões e o descumprimento do tratado de Paris (que por outro lado, não nos protege da “catástrofe” climática), o problema não é que o turismo massivo gentrifique as cidades e nos expulse para a periferia… o problema é a devastação capitalistas e os Estados.

Não é possível encontrar alternativas dentro do sistema atual pois todas são falsas. Apoiar aeroportos menores (mais eco sustentáveis?) ou conexões entre ele e o AVE [trem de alta velocidade] ou qualquer outra via “eficiente” e “sustentável” é, no melhor dos casos, uma tolice e no pior cenário um engano premeditado para perpetuar um sistema de dominação e devastação. É preciso deter qualquer tipo de ampliação!

Aeroportos? Nem El Prat, nem em Reus, nem em Riudellots de la Selva.

Nem Hard Rock’s, nem rodovias.

Contra a devastação da terra pelo capitalismo extrativista!

Vamos levantar as pistas de pouso, as autoestradas, os trilhos do trem de alta velocidade… e vamos renaturalizar o espaço!

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Sob a lua
a sombra que se alonga
é uma só.

Jorge Luis Borges

[França] Comunicado da Federação Anarquista: Justiça Para Nahel

Verdade e justiça para Nahel, vítima de um estado racista onde a polícia mata impunemente!

Terça-feira, 27 de junho de 2023, por volta das 8h em Nanterre, a polícia matou a tiro um jovem de 17 anos durante uma “ação de controlo de estrada”. Com a arma apontada para Nahel, um policial diz “Vais levar um tiro na cabeça”, enquanto que um outro policial diz “atira!”. Alguns segundos depois, não correndo qualquer perigo, o policial dispara friamente à queima-roupa. É uma execução sumária.

O nosso total apoio e condolências à sua família e entes queridos.

Este assassinato policial não é um erro flagrante nem um caso isolado, apenas no ano de 2022 13 pessoas foram mortas por “desobediência”. A polícia mata e a justiça é cúmplice. Os subúrbios são verdadeiros laboratórios da violência de Estado e de racismo desenfreado, com as populações a viverem aí permanentemente sob o controlo da polícia, que se entrega aos piores atos com total impunidade.

Durante todo o dia houve um desencadeamento de ódio, desprezo, mentiras contra Nahel. Os sindicatos de policiais parabenizaram o policial por ter atirado, a extrema direita e o Estado inventam para ele uma ficha criminal na polícia e chegam a dizer que os únicos responsáveis ​​são os pais que não o educaram. Um policial, acabado de chegar ao local do assassinato, dirá até para uma mulher “volta para a África”, instantes depois de terem acabado de matar um menor.

Mais do que nunca, apoie as revoltas populares! Abolir a polícia é uma necessidade!

Apelamos à adesão a todas as manifestações de apoio e mobilizações espontâneas contra o racismo e os crimes policiais!

Exijamos justiça e verdade para Nahel.

A Federação Anarquista em 28.06.2023

Fonte: https://monde-libertaire.net/?articlen=7337&article=Communique_de_la_Federation_anarchiste_:_Justice_pour_Nahel

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no tanque verdoso
uma libélula rasga
o azul do céu

Rogério Martins

Lançamento: Revista Tormenta #3 – 2023: “Quem Tem Medo de Junho de 2013?”

Nossa revista Tormenta retorna para uma terceira edição especial em 2023, com destaque para os 10 anos dos levantes de 2013 pelo Brasil, incluindo os artigos “Por que 2013 agora?” e o “Junho (rastejante) em Belo Horizonte” e uma reedição do nosso artigo sobre os também 10 anos da revolta pelo Parque Gezi e Praça Taksin na Turquia. Além disso, análises sobre o fascismo e as eleições brasileiras de 2022, relatos e entrevistas dos levantes no Peru, na França e dos bloqueios de estradas em São Paulo na luta indígena contra o PL 490.

Baixe o PDF, difunda, imprima, debata na sua comunidade, seus coletivos, movimentos e cumplicidades.

Conteúdo:

  • Por que 2013 agora?
  • Esquerda eleitoral, ações diretas fascistas e resistência antifascista as eleições brasileiras de 2022
  • Isto não é uma insurreição popular
  • A revolta popular no Peru: anarquistas discutem o levante contra a violência policial e o estado de emergência
  • “O governo quer roubar anos de nossas vidas”: as lutas contra a reforma da previdência na França
  • Gezi Park: 10 anos dos levantes na Turquia
  • O junho (rastejante) em Belo Horizonte
  • Das barricadas: relato dos bloqueios contra a PL 490

>> Baixar PDF Tormenta 2023 aqui:

https://faccaoficticia.noblogs.org/files/2023/06/Tormenta-Revista-2023-_-DO-infernoCORRECT.pdf

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gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado

Rosa Clement

[França] Revolta Contra a Violência Policial, dia 4

Na noite de sexta (30/06) para sábado (01/07), o Ministério do Interior identificou:

• 31 ataques a delegacias de polícia

• 16 ataques a delegacias municipais

• 11 ataques a quartéis da gendarmeria

Uma tentativa de invasão ocorreu nas instalações da Direção Central da Polícia Judiciária (DCPJ), localizada em Nanterre.

Tantos locais de repressão visados ​​simultaneamente é algo sem precedentes na França. Também aconteceu:

• 2.560 incêndios e 234 prédios queimados, incluindo prefeituras

• Em Marselha, um arsenal de armas foi saqueado

• 1.311 pessoas detidas, um recorde desde o início da revolta

O número de feridos e mutilados pela polícia não é conhecido, mas provavelmente é extremamente alto.

Fonte: Contre Attaque

Conteúdo relacionado:

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agência de notícias anarquistas-ana

“Viajante”,
Poderia ser meu nome —
Primeira chuva de inverno.

Bashô

Veículos incendiados, lojas saqueadas… terceira noite de fúria na França após a morte de Nahel

É a terceira noite de protestos que começou em Nanterre (e em pelo menos vinte cidades), onde o jovem Nahel foi morto na terça-feira (27/06) por um policial durante uma fiscalização. Ele foi indiciado por homicídio doloso e ficou preso preventivamente.

Na tarde desta quinta-feira (29/06), a marcha em homenagem a Nahel, de 17 anos, terminou em confusão com confrontos, troca de gás lacrimogêneo, morteiros e fogos de artifício, enquanto mobiliário urbano foi destruído e carros incendiados. Pelo menos um banco foi saqueado.

As autoridades temem “uma generalização” da violência urbana nas próximas noites e 40.000 policiais e gendarmes foram mobilizados em várias cidades da França, incluindo 5.000 em Paris. O governo também recorreu a unidades especializadas em intervenções difíceis, como a BRI (Brigada de Busca e Intervenção), projetada no final do dia em Nanterre ou o GIGN (Grupo de Intervenção da Gendarmaria Nacional).

Em Nanterre, no início da noite, um banco foi saqueado e depois incendiado, a esplanada de um café também foi incendiada. Fogos de artifício e morteiros foram disparados contra a polícia.

Em Marselha, uma manifestação começou durante a noite, e veículos foram incendiados por toda a cidade e lojas saqueadas, enquanto tumultos eclodiam em Saint-Étienne. Também em Toulouse a situação era tensa.

A noite vai ser longa na França… “Isto é por Nahel, nós somos Nahel”.

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Primeira chuva de inverno —
O macaco também quer
Uma capinha de palha.

Bashô

[Espanha] Anita Garbín, a miliciana anarquista que agora dá seu nome (e memória) à icônica foto da Guerra Civil.

A imagem foi escondida por seu autor com 5.000 outras fotografias da Guerra Civil. Quando seus descendentes descobriram a “caixa vermelha”, eles revelaram os negativos e exibiram as imagens. Por acaso, dois turistas franceses reconheceram sua tia-avó Anita na foto.

A história começa apontando para um nome, o de Anita. A fotografia de uma jovem mulher miliciana anarquista em uma barricada em Barcelona no início da Guerra Civil foi exibida em exposições e museus. No entanto, a identidade da protagonista da imagem icônica era desconhecida até agora.

Nela, uma jovem exibe o sorriso de alguém que acreditava, naqueles primeiros dias da Guerra Civil, que a derrota dos rebeldes era possível. Com o rosto iluminado, ela desfralda a bandeira da CNT em uma barricada em Barcelona, e o fotógrafo Antoni Campañà está lá para capturá-la.

O fato de terem perdido a guerra que conheceriam três anos depois e de que, após essa guerra, viriam 40 anos de ditadura era algo que Anita não poderia imaginar naquela manhã de julho nas ruas de Barcelona.

Seu rosto feliz foi congelado no tempo por uma fotografia que acabaria escondida, junto com outras, em uma caixa vermelha. Seu autor, Campañá, escondeu-as por medo de represálias.

Quando seus herdeiros as revelaram em 2018, descobriram um imenso legado que acabou sendo exposto em Barcelona. Foi lá que o sorriso de nossa miliciana desconhecida chamou a atenção dos turistas franceses.

Eles reconheceram sua tia-avó Anita e juntaram as peças de sua história. Nascida em Almería, logo se mudou para Barcelona, ​​​​onde atuou no anarquismo, em 1939 fugiu para a França, onde seus netos se lembram dela cozinhando paellas e cantando para Lola Flores. Ela morreu feliz em 1977. Seu nome era Ana Garbín Alonso, e durante o tempo que durou a foto que a destaca hoje, ela sonhou que a vitória era possível.

Fonte: https://www.lasexta.com/noticias/sociedad/anita-milicina-intrahistoria-imagen-guerra-civil-que-turistas-franceses-reconocieron-tia-abuela

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

Raiva e medo da polícia ecoam em protesto por jovem baleado e morto na França

Com os braços erguidos em uma caminhonete, Mounia pede justiça por seu filho Nahel, baleado pela polícia em um subúrbio de Paris, enquanto as pessoas ao seu redor demonstram sua raiva contra as forças de segurança francesas, vistas como agressivas e racistas.

“Justiça para Nahel”, diz o lema na camiseta branca que Mounia veste, em referência ao filho morto na terça-feira (27/06) com um tiro disparado pela polícia quando se recusou a obedecer aos agentes durante uma blitz.

Aproximadamente 6.200 pessoas responderam ao chamado desta mãe que criou seu filho sozinha para participar dessa marcha celebrada em Nanterre e que degenerou em confrontos e em incêndios de carros e mobiliário urbano.

“São sempre os mesmos os atacados, os negros e os árabes, os bairros pobres. Matam um rapaz de 17 anos assim, sem motivo. Essa morte nos dá ódio”, explica Ayoub, de 16 anos, vestido de preto.

Nem ele, nem seu amigo Rayane, de 17 anos, estão surpresos pelos carros incendiados e o disparo de morteiros nas últimas duas noites em seus bairros. “As pessoas estão fartas, as gerações passam e sempre a mesma coisa, o que mudou desde 2005?”, disse Ayoub.

O adolescente se refere aos distúrbios que eclodiram naquele ano nos subúrbios das grandes cidades francesas, depois que dois adolescentes perderam a vida eletrocutados quando fugiam da polícia em Clichy-sous-Bois, a nordeste da capital.

Apenas no ano passado, 13 pessoas morreram em blitzes e muitos eram negros ou de origem árabe. Em meados de junho, um guineense de 19 anos perdeu a vida em Angoulême (centro) em circunstâncias semelhantes.

– “Era apenas um menino” –

Os ativistas estão há anos reclamando da linha dura da polícia nos subúrbios multiétnicos da França, mas os sindicatos de policias respondem que enfrentam uma tarefa impossível nesses locais com altos índices de criminalidade e onde não são bem recebidos.

A mistura de ódio e medo está presente na marcha que percorre a avenida Pablo Picasso até a praça Nelson Mandela. “Polícia assassina”, “Todo mundo odeia a polícia” e ” A República mata os nossos filhos”, gritam os manifestantes.

Nahel “era apenas um menino. Nós o conhecíamos um pouco. Todo mundo se conhece por aqui”, afirma Fanta Traore, funcionária de uma escola de 36 anos, que diz não acreditar na polícia e entender a indignação, mesmo depois que seu carro foi incendiado nos distúrbios de quarta-feira (28/06).

“Pessoalmente, a polícia me dá medo”, acrescenta Corinne, uma negra de 45 anos, moradora do local, que diz não aguentar mais. “A forma como falam com você é grosseira e a gente sempre sabe que as coisas podem sair do controle rapidamente”.

As autoridades pediram calma e para se “evitar uma escalada”, já que as duas noites de distúrbios já deixaram escolas, prefeituras e delegacias, assim como carros e mobiliário urbano incendiados por toda a França.

Corinne reconhece que “queimar coisas não é a solução”. “Estão destruindo a propriedade de outras pessoas em nossa comunidade. Mas talvez seja a única forma de sermos ouvidos e parece que está dando certo”, acrescenta.

Fonte: agências de notícias

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na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.

Alaor Chaves

[França] Por Nahel e os outros

Aqui está, mais um, mais um, um dos nossos que morre sob as balas da polícia. Ele tinha 17 anos de idade. O policial aponta a arma para sua cabeça e diz que vai atirar. Ele foge e o policial atira. Um homem morto. É preciso matar um irmão para se apaixonar por um momento de solidariedade?

Uma morte e a mesma procissão. O de especialistas em segurança mundial, políticos, sindicatos de policiais, prefeitos, enfim, um desfile de todas as pessoas que explicarão detalhadamente que a polícia é exemplar, que a justiça fará seu trabalho, que a lei é a lei. Eles seguirão a falar suas besteiras na mídia e em coletivas de imprensa. Por meio dessa enxurrada de palavras, eles tentam esconder a verdade que, no entanto, é simples: a polícia mata.

O tiro de um policial é apenas a consequência das leis que legitimam o fuzilamento em uma situação de negativa a obedecer, de todos esses especialistas que promovem armas cada vez mais violentas e sofisticadas para que o Ministério do Interior as compre cada vez mais, desses políticos que sempre estigmatizam as mesmas franjas da população, os perigosos, os radicalizados, os não republicanos, o inimigo interno.

Eles constroem um discurso racista e, com suas palavras, justificam e preparam o terreno. De Sarkozy a Darmanin, a mesma retórica que busca justificar a morte de uma pessoa porque um policial está cansado ou porque, no final, a pessoa que se recusa a obedecer sabe o que a espera.

Portanto, é impossível manter a calma. Ninguém combaterá a violência policial melhor do que aqueles que a vivem todos os dias, aqueles que a sofrem, aqueles que a conhecem, a violência que assola nossos bairros.

Já em 2005, nossos irmãos se levantaram em oposição com dignidade àqueles que fizeram com que eles e suas famílias sofressem por tantos anos. Portanto, em resposta ao grupo La Rumeur que perguntou há alguns anos “até quando, até quando o gueto permanecerá tão paciente?“, respondemos que nesta noite de 27 de junho, alguns se recusam a se submeter, a agir e a não permanecer em silêncio.

Sem justiça, não há paz. Hoje e nos próximos dias, o desafio é estar ao lado das pessoas que se rebelam, criar vínculos, fornecer assistência jurídica e antirrepressiva, se necessário (e sem pretender ser professores), escrever textos, distribuí-los, fazer cartazes e faixas. Se a conexão for feita, como foi o caso até certo ponto no passado (caso Theo, Adama etc.), poderemos realmente reivindicar a interseccionalidade, pelo menos para que nossas diatribes antirracistas não sejam apenas palavras vazias de ação.

Fonte: https://paris-luttes.info/pour-nael-et-les-autres-17228?lang=fr

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Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô