[México] Solidariedade com Yorch!

Jorge “Yorch” Esquivel é um querido companheiro da comunidade punk e anarquista do México DF, além de cozinheiro, artesão e um membro veterano da okupa Che Guevara. Foi detido em 9 de dezembro passado por vários policiais à paisana quando saía do campus da Cidade Universitária da UNAM do México DF, dentro de uma campanha orquestrada pelas autoridades universitárias e políticas para criminalizar a okupa Che Guevara (situada perto do campus).

Em 24 de fevereiro de 2016 a polícia à paisana já o deteve arbitrariamente e colocaram uma mochila com drogas com a intenção de incriminá-lo. Todo o caso esteve repleto de irregularidades. Foi torturado e transladado a Oaxaca e depois ao cárcere de máxima segurança de Hermosillo. As autoridades usaram esta estratégia supondo que a distância dificultará sua defesa legal, mas apesar de tudo, graças à solidariedade e o trabalho legal seu delito foi reclassificado de tráfico de drogas a mera posse de narcóticos (4 testemunhos declaram que Jorge não levava mochila e as bolsas com droga não tinham suas impressões, as declarações policiais se contradizem…), assim que em março de 2016 foi liberado após pagar uma fiança.

Jorge decidiu não continuar com o processo legal pelo tema da droga e as torturas, mas a perseguição contínua com ameaças e inclusive reportagens jornalísticas acusando-o de pertencer ao crime organizado ou dando-o por morto.

Em 8 de dezembro de 2022 foi detido de novo no mesmo lugar, a uns passos da okupa, nas proximidades da Cidade Universitária. A desculpa: que o escritório do Promotor Geral havia recorrido a qualificação do delito de 2016. A saúde do companheiro é frágil devido a várias enfermidades e uma longa hospitalização que sofreu nos últimos anos.

Jorge permanece preso no cárcere Reclusorio Oriente do México DF onde o reinado das máfias e a corrupção generalizada faz a vida dura e custosa (há que pagar por tudo).

Nos primeiros meses de 2023 se iniciou o processo legal, mas chegados à fase de apresentação de provas e testemunhos a incompetência e irregularidades cometidas pelo escritório do Promotor Geral provocaram vários adiamentos e atrasos, uma estratégia comum no México para alongar o encarceramento dos presos políticos.

Após múltiplos adiamentos a última audiência do processo de instrução devia celebrar-se em agosto de 2023. Com o fim de sair da prisão quanto antes nessa audiência Yorch renunciou a seguir com a denúncia por torturas, mas ainda assim, em vez de encerrar o processo de instrução o juiz voltou a programar uma audiência mais em 23 de outubro de 2023.

Solidariedade ativa com Yorch!

Borrokan

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

vela branca
o vento leva
leve a lembrança

Alexandre Brito

[França] Solidariedade com as ocupações anarquistas na Grécia, de Heraklion à Atenas

Comunicado da Secretaria de Relações Internacionais da Federação Anarquista

Em 25 de agosto, dois espaços anarquistas ocupados em Atenas foram despejados pela polícia: Ano-Káto-Patíssia e Zizania, na Praça Viktoria. Esses espaços estavam efetivando uma organização não hierárquica e antipatriarcal da vida do bairro e apoiando ativamente os migrantes. Outros espaços autogestionados estavam na mira do governo. Em 1º de setembro, um comunicado da Secretaria de Relações Internacionais da Federação Anarquista Francófona emitiu o seguinte aviso: “Outras ocupas anarquistas estão sob ameaça no país“.

Um mês depois, foi em Heraklion, na ilha de Creta, que esse novo despejo ocorreu, tendo como alvo uma das maiores ocupações anarquistas da Grécia: a ocupação Evangelismo. A operação policial começou na madrugada de sábado, 30 de setembro, com uma combinação de forças motorizadas da DRASI e DIAS, MAT, OPKE e a unidade antiterrorista TEKAM, e resultou em prisões de espantosa violência contra nossos companheiros e companheiras.

O prédio ocupado desde 2002, oficialmente propriedade da Faculdade de Medicina da Universidade de Creta, estava abandonado desde 1985 e em ruínas. Durante 21 anos, ele foi um ponto de encontro e um local para ações de solidariedade para grupos anarquistas e antiautoritários, bem como para coletivos de contrainformação. Até 30 de setembro deste ano, a ocupa, restaurada pela assembleia de ocupação autogerida de 2017 a 2023, ofereceu acomodação, preparou refeições gratuitas e organizou vários eventos na quarta maior cidade da Grécia.

A., um jovem estudante anarquista de pós-graduação, foi arrastado pelos cabelos e depois espancado por forças policiais especiais no telhado do prédio, e caiu doze metros, algemado. Outro companheiro, Yannis Stefanis, que estava algemado de bruços quando A. caiu, foi chutado na cabeça por um policial da unidade especial, que gritou para ele: “Cale a boca ou você também acabará no necrotério”. Nosso companheiro A. sobreviveu à queda, mas está hospitalizado há três semanas, ainda gravemente ferido, com fraturas nas pernas e na coluna, em um hospital de Atenas. Onze moradores da ocupa foram presos e estão aguardando a notificação de acusação, inclusive nosso companheiro anarquista Yannis Stefanis, membro da Associação de Pesquisadores de Heraklion. Ele recebeu outras ameaças de morte de policiais na rua nos dias que se seguiram.

A Federação Anarquista expressa sua solidariedade com os centros sociais anarquistas que estão trabalhando sem trégua pela revolução social e libertária, que é bem compreendida por seu inimigo de três faces: o Estado, o capitalismo e o autoritarismo.

Apoiamos os protestos que continuam em Heraklion com o objetivo de retomar a ocupação, como foi o caso em 2019 em Chania, no oeste de Creta, quando a mobilização maciça do movimento social possibilitou a reabertura da ocupação Rosa Nera, enquanto os policiais de plantão fugiam. Apoiamos as outras ocupações anarquistas na Grécia, começando por aquelas que ainda estão resistindo em Exarchia: a ocupação de refugiados e migrantes Notara 26 (que acaba de comemorar seu oitavo aniversário, apesar das ameaças e dos ataques), a estrutura de saúde autogerida do bairro (ADYE), a K*Vox, administrada pelo grupo anarquista Rouvikonas há dez anos, sem esquecer duas das ocupações anarquistas mais antigas de Atenas: a Antipnoia, em Petralona, desde 2007, e a Lelas Karagianni 37, em Kipseli, que resiste desde 1988! E muitas outras!

No momento em que o governo grego está mostrando sua determinação em acabar com as ocupações anarquistas (e quando, ao mesmo tempo, organizações fascistas de toda a Europa estão se preparando para se reunir em Atenas no dia 1º de novembro), é importante mostrar a eles nosso apoio irredutível.

A solidariedade internacional é a nossa arma.

21 de outubro de 2023, Federação Anarquista

federation-anarchiste.org

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agência de notícias anarquistas-ana

O pássaro responde
Ao ruído da janela —
Tem chovido tanto…

Paulo Franchetti

[Grécia] Quarta-feira, 1º de novembro de 2023: O coração do antifascismo bate em Atenas!

A todos os antifascistas da Europa

Todas as organizações neofascistas da Grécia emitiram uma convocação para uma manifestação neonazista pan-europeia em Atenas, especificamente na área de Neo Heraklion, marcada para quarta-feira, 1º de novembro, às 18h, horário da Grécia.

A mais proeminente entre essas organizações é o Aurora Dourada, que foi condenada em outubro de 2020 como uma organização criminosa nazista, resultando em extensas sentenças de prisão para seus principais membros. Na área de Neo Heraklion, há um monumento em memória de dois jovens membros do Aurora Dourada que foram fatalmente baleados há uma década em um caso criminal ainda não resolvido.

Essa convocação dos neonazistas foi tornada pública em 13 de agosto, mas até o momento o governo e a polícia gregos permaneceram como observadores passivos.

Surgem várias perguntas urgentes:

– Quem concedeu permissão a uma organização neonazista condenada para realizar uma manifestação desse tipo?

– Qual é o raciocínio por trás da abertura das fronteiras para bandidos neonazistas capazes de cometer atos criminosos?

Mais recentemente, em 7 de agosto de 2023, um grupo de torcedores neonazistas afiliados ao Dínamo de Zagreb chegou a Atenas. Isso ocorreu apenas um dia antes do jogo de seu clube de futebol contra o AEK Atenas nas eliminatórias da Liga dos Campeões. Eles lançaram um ataque contra os torcedores do AEK e assassinaram Michalis Katsouris com uma faca.

Não é difícil imaginar as possíveis consequências se centenas de neonazistas de países vizinhos e de outros países tiverem permissão para se reunir e circular livremente em Neo Heraklion e Atenas em 1º de novembro. Além da ameaça imediata às vidas humanas, isso os encorajará a organizar manifestações semelhantes em outros países.

Isso marca a primeira tentativa pan-europeia de uma reunião pública de neonazistas em um país europeu em vários anos. Acreditamos firmemente que a unidade e a ação em massa são nossas melhores armas contra essas ameaças fascistas.

NO PASARAN!

A Coordenação Antifascista de Atenas e Pireu tem uma década de história como uma frente unida diversificada e inclusiva, composta por vários coletivos políticos e sociais, além de ativistas não afiliados. A Coordenação tomou a iniciativa de organizar uma manifestação antifascista em 1º de novembro, às 16 horas, horário da Grécia. A manifestação será realizada no mesmo local em que os neonazistas programaram seu comício, com a clara intenção de impedir qualquer tentativa neonazista de aparecer no espaço público.

Convidamos todos os grupos antifascistas de diferentes regiões da Grécia e de países europeus a unir forças nessa batalha crucial contra o encontro neonazista pan-europeu.

Nosso grito de guerra continua sendo:

UNIDADE-SOLIDARIEDADE-LUTA!

Juntos, trabalharemos incansavelmente para DESTRUIR O FASCISMO EM TODO O MUNDO!

COORDENAÇÃO ANTIFASCISTA DE ATENAS E PIRAEUS

Tradução > Contrafatual

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Surge a primavera.
Borboleta colorida
Encanta a manhã.

Tânia Souza

[Argentina] Novo livro da Editora Reconstruir: “El anarquismo en las alturas | Luchas obreras en la construcción del Ferrocarril Transandino | Salta-Antofagasta en la década de 1920”

Os estudos sobre o anarquismo argentino se concentram quase que exclusivamente nas lutas que ocorreram no Rio da Prata, eclipsando as de outras regiões argentinas.

Propomos resgatar a experiência das lutas e greves ocorridas no norte da Argentina no início do século XX, durante a construção da linha ferroviária de Huaitiquina, hoje conhecida como Tren a las nubes (Trem para as Nuvens).

Essa obra envolveu um universo cosmopolita de trabalhadores, muitos deles anarquistas, que denunciaram a exploração que sofriam.

O descontentamento dos trabalhadores levou à formação do sindicato dos trabalhadores da construção civil de Salta-Chile.

Para reconstruir esses eventos, as diferentes crônicas que os próprios trabalhadores enviaram daquele lugar desolado foram de vital importância.

A partir desses testemunhos, pretendemos manter viva a memória de suas lutas na Cordilheira dos Andes.

Será apresentado no sábado, 28/10/2023, a partir das 18 horas, em Finochitto e Anchoris, Cidade de Buenos Aires.

Na mesma ocasião, serão apresentados os livros de Santiago Lapine: “Métricas pa’tomar medidas“, de Nadia Ledesma Prieto: “La revolución sexual de nuestro tempo” e de Jacinto Cerdá: “La FORA anarquista en la Ciudad de Buenos Aires“.

Haverá uma feira de livros, música e leituras.

>> Vídeo promocional:

https://www.youtube.com/watch?v=b3XDAJ1jce8&t=2s&ab_channel=archivoacrata

Federação Libertária Argentina (FLA)

federacionlibertariaargentina.org

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jardim sem flor
entre as páginas do livro
a rosa e sua cor

Alice Ruiz

[Uruguai] As bases sociais anárquicas do bairro Cordón de Montevidéu

Durante anos, o anarquismo no bairro de Cordón vem tentando manter uma influência constante e definidora. Embora tenha havido e haja muitas lutas, acima de tudo, ele tem feito isso a partir de uma projeção comum ligada à ação autônoma e à intensificação da auto-organização social. Das diferentes estruturas sociais auto-organizadas que os anarquistas criaram, o boxe anticapitalista e a chamada “Merienda Ácrata”, cuja base é o Centro Social Cordón Norte, um bastião de anarquistas no centro da cidade, destacam-se por seu impacto e durabilidade. As bases, portanto, coexistem e se alimentam dos conflitos sociais presentes no bairro.

Baseadas no respeito, na não competição, no antirracismo e no antimachismo, as aulas de boxe antiautoritárias tiveram grande participação e impacto nos últimos anos. Treinando crianças e adultos várias vezes por semana, elas mantêm uma crítica aberta contra todas as formas de dominação por meio de uma prática comum baseada na solidariedade e na auto-organização. Uma prática que também tenta envolver ativamente todos em diferentes questões sociais. As aulas livres só são proibidas para atitudes autoritárias se forem preenchidas com pessoas comprometidas com um projeto de um lugar ocupado em constante tensão contra a ordem capitalista. Tudo isso está longe de ser um clube cuja única característica era ser livre, seus membros são efetivamente parte de uma comunidade de luta contra o capital, o Estado e qualquer tipo de autoritarismo.

Sem guetos e sem medo de errar e corrigir, o boxe de Cordón busca fomentar as bases para uma ação comum que transforme a realidade de todos, golpe a golpe. A sociedade defende a si mesmas e não há espaço para a indiferença.

A segunda estrutura auto-organizada é o centro de merendeiro Ácrata.

O merendeiro é uma estrutura auto-organizada de ação direta que busca intervir em uma emergência específica: a necessidade de se alimentar. Mas, ao mesmo tempo, parte do reconhecimento de que a alimentação é mais do que o ato de comer e beber. É um ato social simbólico em que todas as possibilidades e misérias da atualidade são expressas. O capitalismo produz mais do que a falta de comida, ele produz uma imensa solidão, uma falta de vínculos e uma miséria que busca eliminar a solidariedade popular por meio da generalização da competição constante. Nesse sentido, as margens da sociedade funcionam como carne para o picador sistêmico.

Então, todo ato de fornecer alimentos para outras pessoas é um ato de caridade? Os papéis de mendicância e institucionalização são sempre reproduzidos? No centro de piquenique, é demonstrado que não. São as ações e as práticas que falam. A situação que leva à emergência e os motivos que produzem a realidade atual, os papéis e como desenvolver instâncias contrárias e a auto-organização são problematizados o tempo todo. A diferença, então, está na tensão que se busca gerar contra a ordem estabelecida e seus modos de remendar, ao mesmo tempo em que se criam práticas de solidariedade real sem lucro e sem interesses ocultos.

O centro merendeiro Ácrata coloca em operação uma ampla rede de vontades em uma estrutura auto-organizada em que o agrupamento é essencial. A assembleia como método de resolução e a busca constante de responsabilidade são adicionadas a um projeto mais amplo de autogestão e conflito anticapitalista explícito: a comunidade de luta de Cordón. A liberdade é uma construção social, a anarquia é uma tensão constante contra os poderes que tentam inibir os poderes das pessoas. No centro merendeiro, tentamos romper a “doação de comida” colocando em operação modos autogerenciáveis e solidários em que todos devem boicotar sua posição no mundo e reaprender junto com os outros. A solidariedade é subversiva e transformadora. Lá fora está chorando o liberalismo que diz que todos devem se salvar sozinhos e que a empatia é bobagem.

A caridade vem de cima, a solidariedade é construída horizontalmente e sempre estaremos na linha de frente. Não há clientes, não há usuários, em um bairro auto-organizado ninguém está sozinho, todxs são companheirxs.

A solidariedade é a nossa arma

Periódico Anarquia

Tradução > Liberto

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Sob a árvore
sobre o carro
repousa o joão-de-barro

Tânia Diniz

Lula de$envolviment$ta incentiva à indústria do carro

[Espanha] Lançamento: “Diccionario anarquista de emergencia”, de Ivan Dario Alvarez e Juan Manuel Roca

Se existem dicionários de filosofia, de literatura, de arte, de heráldica, de símbolos, se existem dicionários históricos e dicionários de muitos outros assuntos e disciplinas, por que o anarquismo, que tem sua própria filosofia, sua própria literatura, seus teóricos da arte e artistas, seus símbolos contestadores e uma história vasta e poderosa, não pode ter um? Dois anarquistas colombianos incorrigíveis e incontroláveis se propuseram a coletar o que estava disperso: vidas extraordinárias, poemas, polêmicas, definições, aforismos, canções? Eles o fizeram com o humor e o inconformismo de quem sabe que a anarquia é uma utopia que concebe uma sociedade distante do canibalismo do estado capitalista e patriarcal e que, para continuar com a empreitada, é necessário praticar uma reverencial irreverência.

Diccionario anarquista de emergência

Ivan Dario Alvarez e Juan Manuel Roca

Editorial: LA VORAGINE

Número de páginas: 276

Dimensiones: 240 cm × 160 cm × 0 cm

Fecha de publicación: 2023

ISBN: 978-84-127446-6-8

20,00€

traficantes.net

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ao seu voo rápido
borboletinha amarela
o mais é cenário!

Gustavo Terra

Dossiê sobre ataques e crimes turcos contra a região de Rojava

A Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria (AANES) compilou um dossiê sobre os crimes cometidos pelas forças estatais turcas durante a última onda de ataques à região, que ocorreu de 4 a 10 de outubro de 2023.

A investigação, que também contém imagens, denunciou novamente o bombardeio turco contra instalações de serviços vitais no norte da Síria.

De acordo com o dossiê, o Estado turco realizou 304 ataques aéreos e terrestres em 224 locais, incluindo 211 bombardeios com artilharia e armas pesadas e 83 ataques com drones e jatos de combate.

Os ataques militares tiveram como alvo instalações e campos de petróleo e gás, usinas de energia, estações de água, centros de saúde, bem como as proximidades dos campos de Washokani e Al Roj. Os ataques também atingiram dezenas de vilarejos, causando enormes danos materiais à infraestrutura da região, estimados em US$ 56 milhões.

O dossiê revelou que um total de 47 pessoas foram mortas pelo Estado turco em apenas seis dias, e outras 55 ficaram feridas.

Fonte: ANF / Edição: Curdistão Latino-Americano

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Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado

Edson Kenji Iura

Mercado de arma$, defe$a, $egurança e… ESTUPIDEZ!!!

“Lula acerta quando estimula a entrada do Brasil no mercado da indústria bélica. Em franca expansão não podemos ficar de fora. As indústrias da Rússia, da China, da Europa e dos EUA estão bombando com quatorze guerras em andamento no mundo”, escreveu um ‘admirador de Lula’ nas redes sociais comentando a recente (17/10) venda pela brasileira Embraer de avião militar KC-390 para a República Tcheca. É o quinto país a fazer isso na Europa e o terceiro da Otan, a aliança militar ocidental, consolidando a entrada da fabricante brasileira neste mercado.

Contra o militarismo, contra a máquina de guerra, produção e venda de armas!

> antimilitaristas anarquistas <

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Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Não ao fechamento do Centro Social Recuperado de Gamonal

O Centro Social Recuperado de Gamonal está ameaçado de fechamento pelo Prefeitura de Burgos. Reproduzimos abaixo o comunicado que começou a se espalhar a partir do CSR, onde uma manifestação de apoio é convocada para este sábado, 28 de outubro, a partir das 19 horas, no Marco Zero de Gamonal.

Vizinha, vizinho, a Prefeitura (PP e VOX) quer fechar o Centro Social Recuperado de Gamonal.

O espaço onde o CSR está localizado já foi o pasto da especulação e do abandono da corrupta Fundación Caja de Burgos por mais de 13 anos. Então, em 24 de janeiro de 2014, durante a revolta contra o Bulevar, um projeto especulativo e ditatorial de Francisco Javier Lacalle e Méndez Pozo, o CSR foi recuperado, organizado e habilitado coletivamente por e para todo o bairro.

Durante esses 10 anos de funcionamento autogerido, horizontal e autônomo, foram realizadas inúmeras atividades (palestras, teatro, poesia, concertos, oficinas, reuniões) nas quais não houve problemas de segurança ou outros, sempre tentando respeitar o sono e a convivência de todos.

O CSR é um espaço onde cuidamos uns dos outros, livre de racismo, sexismo, homofobia. Um espaço que é ponto de encontro e referência em difusão cultural e pensamento crítico, gratuito, aberto e que tem contado com a colaboração solidária de muitas pessoas, coletivos, grupos de Burgos e de toda a Espanha. Um espaço que é amigo do bairro e inimigo do poder. Um espaço em luta e um incômodo para o fascismo que tenta silenciar qualquer tipo de dissidência.

Recuperemos esse espírito de luta, orgulho e dignidade!

A partir deste ano de 2023, a Prefeitura do PP-Vox já colocou em ação a perseguição, a criminalização e a eliminação daqueles que não estão de acordo com seus interesses ideológicos de extrema direita. A eliminação do festival Enclave de calle, a retirada da ajuda pública à associação de Memória Histórica e, agora, a tentativa rasteira de fechar nosso Centro Social. Esta Prefeitura com Cristina Ayala à frente, travou uma batalha contra a diversidade e a cultura crítica, contra tudo o que significa liberdade, feminismo, antirracismo, arte, memória…

A homogeneização da sociedade e o pensamento único são muito perigosos porque conseguem nos transformar em ovelhas dóceis a serem manipuladas e, assim, continuar a perpetuar as desigualdades sociais e os privilégios de poucos.

Assim é o fascismo!

Vale lembrar que a primeira coisa que a prefeita fez depois de assumir o cargo foi aumentar seu salário para 92.701 euros e retirar a bandeira LGTBI da Prefeitura, para que fique claro o caráter moral dessa política. Essa senhora, que entregou à VOX o departamento de segurança pública, deixando o braço armado da Prefeitura (a polícia local) nas mãos da ultradireita, que, de forma servil, age contra os interesses da classe trabalhadora sem questionar as ordens ditadas por fascistas reconhecidos. Os Gallardos, os Peñas, os Alegría, os Ayala fazem parte da classe política parasitária que aumenta seus salários enquanto corta nossas liberdades e endurece nossas condições de vida. Nossos verdugos têm nomes e sobrenomes.

O fato de que eles não estão nem aí para nossos direitos e muito menos para nossa qualidade de vida já é uma realidade. Que só o povo pode salvar o povo já é um fato; basta pensarmos na pandemia de 2020, quando foram organizadas inúmeras redes de solidariedade, das quais o CSR foi uma delas e continua cobrindo as necessidades de muitas famílias da cidade. É um choque de dois mundos antagônicos, o mundo da desigualdade versus o mundo da justiça social; o mundo do fascismo versus o mundo da liberdade; o mundo da privatização versus o mundo dos bens comuns; o mundo do apoio mútuo e da cooperação versus o mundo da competição e do individualismo; o mundo do cinza versus o mundo multicolorido.

O mundo que temos e o mundo que precisamos.

Estamos comprometidos com uma sociedade livre, aberta e plural, onde o lazer e a cultura estão disponíveis para todos. Mas a Prefeitura e seus políticos não querem que pensemos por nós mesmos, não querem que todos nós tenhamos acesso à cultura ou que tenhamos um espaço onde possamos nos encontrar, nos expressar e fortalecer nossos laços. É por isso que é importante defender o CSR porque, além das quatro paredes, ele é um espaço de resistência a esse mundo sombrio, comercializado, individual e cinza. Um espaço para construir imaginários, para desenvolver e se auto-organizar como bairro. Um lugar para levantar nossas vozes e lutar contra a injustiça; e tudo isso sem a tutela do poder.

Vizinhança, vocês são necessários!

Sejamos um só, sejamos um só na defesa do CSR!

Vizinhos, vizinhas e vizinhanças unidos em defesa do Centro Social Recuperado de Gamonal e contra todos os atos de censura e perseguição política!

Prefeita, lembre-se daquele 10 de janeiro de 2014 e de como seu antecessor, Lacalle, teve seus planos especulativos interrompidos aqui em nosso bairro de Gamonal.

Vamos repetir esse feito e não vamos permitir que arranque de nós o que nasceu da dignidade coletiva de um bairro inteiro.

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/no-al-cierre-del-centro-social-recuperado-de-gamonal.php

agência de notícias anarquistas-ana

O dia já tarde
festeja a alegria
nas bolhas do guaraná

Winston

[Espanha] Paz justa para Palestina

Nós que nos concentramos nos dias 24 de cada mês nesta mesma praça para reclamar o final da guerra da Ucrânia, não podemos deixar de ter em nossa mente e nosso coração as pessoas que estes dias sofrem e morrem na Palestina.

Nos solidarizamos com todas as vítimas e familiares das pessoas, em sua maioria civis, que sofreram o ataque palestino de sete de outubro passado, e com quem nos dias de hoje permanecem sequestradas. Pedimos sua imediata libertação.

Dito isto, não podemos deixar de expressar nossa mais profunda repulsa e indignação ante a desproporcional, cruel e desumana resposta que as autoridades ultra-direitistas do estado de Israel desencadearam indiscriminadamente sobre milhões de pessoas inocentes.

O terror e a matança que contemplamos estes dias não é novo. Conhecemos suficientemente o longo histórico do estado de Israel, o qual podemos chamar criminoso com toda propriedade, que durante décadas praticou uma política expansionista e genocida sobre a população palestina. Não existe em todo Ocidente uma ação política de estado, como a que Israel vem desenvolvendo com impunidade a longos anos, que alcance tão altas cotas de desprezo e violação de todo tipo de direitos humanos, assim como de convênios e legislações internacionais a respeito.

A denúncia do estado de Israel, novamente, uma vez mais, há de ser veemente. E assim o queremos expressar hoje aqui. Mas também há que condenar o silêncio cúmplice, quando não o mais descarado dos apoios que os governos da União Europeia e Estados Unidos proporcionam à política criminosa de Israel. Por muitíssimo menos do que as autoridades belicistas e genocidas de Israel estão realizando estes dias, a Rússia sofre todo tipo de sanções – políticas, econômicas e culturais – por parte dos Estados Unidos e da União Europeia e, ademais, se vê castigada em uma guerra na qual ditos agentes armam e financiam sem cessar o seu país rival. A hipocrisia e o cinismo não podem ser maiores.

Assistimos estes dias, como também está sucedendo por causa do conflito da Ucrânia, a um incremento da censura e o controle social. É repugnante como as autoridades de nossos estados e os principais meios de comunicação de massas se esforçam em avaliar a legitimidade do Estado de Israel para cometer seus crimes em nome do que chamam “o direito à defesa”. Em países europeus vizinhos, a suposta Europa da liberdade e a democracia, ao tempo que amordaçam os meios de comunicação críticos com este estado de coisas, se detêm e encarcera pessoas pelo simples motivo de mostrar publicamente seu apoio ao povo palestino.

Queremos nos solidarizar com todas as vítimas deste longo e terrível conflito. Com as de ambos os lados, mas especialmente com os milhões de pessoas que hoje sofrem o atroz e indiscriminado bombardeio da Faixa de Gaza. Também com a população civil da Cisjordânia que, em meio da maior das impunidades, está sendo atacada e assassinada por colonos e militares israelenses fascistas a quem, apesar de sê-lo com toda propriedade, ninguém chama “terroristas”. Nos causa uma profunda vergonha a inação e indiferença da chamada “comunidade internacional”, começando por nosso próprio governo e uma grande parte da sociedade espanhola, a quem parece não importar que se esteja perpetrando este holocausto em pleno século XXI.

Por último, queremos recordar que nesta, como em toda guerra, apesar de seu caráter profundamente assimétrico e desigual, não convêm fazer leituras maniqueístas ou binárias dividindo os contendores entre “bons” e “maus”. Em ambos os lados existem perfis cruéis e desumanos, ao tempo que tanto na Palestina como entre os judeus do estado de Israel abundam os indivíduos e grupos que desejam a Paz justa e se esforçam para que se possa dar. Em Israel há numerosas pessoas cumprindo prisão por negar-se a fazer parte do exército. Também é conhecido o amplo movimento antissionista e pró palestino integrado por pessoas de religião e cultura judia, em muitas partes do mundo e também em Israel. Precisamente estes dias muitos destes judeus israelenses permanecem sob detenção ou em prisão por terem se mostrado contrários à ação bélica criminosa de seu governo.

Junto a todas estas pessoas que lutam pela paz, e junto a todas as vítimas desta guerra injusta e desigual, pedimos que cesse toda operação bélica, que cesse o genocídio, que cesse a violência, que cesse a injustiça por parte do Estado de Israel e que se abram caminhos para uma Paz justa e verdadeira.

Grupo Antimilitarista Tortuga

Elx, 24 de outubro de 2023.

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/25/espanha-nem-guerras-nem-fronteiras/

agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

O anarquista Lev Skoryakin foi sequestrado no Quirguistão

Na noite de 16 para 17 de outubro, em Bishkek, de acordo com a DOXA, pessoas desconhecidas sequestraram o ativista do Bloco de Esquerda, o anarquista Lev Skoryakin. Os advogados não sabem de seu paradeiro. Na Rússia, Skoryakin é acusado de “hooliganismo com armas”, devido à ação contra um escritório do FSB no sudoeste de Moscou com outro ativista do Bloco de Esquerda, Ruslan Abasov. Skoryakin e Abasov estavam segurando faixas e queimando sinalizadores no escritório. Eles foram presos preventivamente na prisão de Butyrka, em Moscou, mas foram libertados em um processo judicial pendente e fugiram da Rússia. Skoryakin foi preso na ausência em fevereiro de 2022, e o mandado de prisão foi emitido em abril de 2022.

Em junho, Skoryakin foi preso em Kyrgysztan devido a um pedido de extradição internacional feito pela Rússia, mas em setembro ele foi libertado da prisão preventiva devido à decisão do promotor geral do Quirguistão, que recusou sua extradição para a Rússia. Desde então, Skoryakin permaneceu no Quirguistão como requerente de asilo, e sua extradição para a Rússia é ilegal. Ele também obteve um documento de viagem e um visto humanitário da Alemanha, e estava pronto para viajar do Quirguistão para a Alemanha. Ele recebeu seu documento de viagem em 16 de outubro, mas no mesmo dia dez oficiais foram ao abrigo em que ele estava hospedado, apresentaram-se como oficiais da polícia do Quirguistão e sequestraram Skoryakin.

Enquanto Vladimir Putin visitava o Quirguistão, Lev Skoryakin foi preso, mas liberado após duas horas.

No final de junho, o anarquista Alexei Rozhkov, acusado de ataque incendiário contra o escritório de alistamento militar, foi sequestrado no Quirguistão. Ele foi extraditado ilegalmente para a Rússia, torturado e preso novamente.

Esta notícia foi fornecida a você pela Autonomous Action. Apoie nosso projeto fazendo uma doação para nosso esforço de financiamento coletivo aqui (avtonom.org/en/pages/donate).

Fonte: https://avtonom.org/en/news/anarchist-lev-skoryakin-kidnapped-kyrgyzstan

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.

Paulo Franchetti

[Espanha] Fim da greve por tempo indeterminado na Sevilla Control

A CNT põe fim à greve por tempo indeterminado na Sevilla Control S.A., iniciada em 2 de outubro, após chegar a um acordo satisfatório que inclui a maioria das demandas da força de trabalho.

Sevilha, 21 de outubro de 2023.

Após 19 dias de uma dura greve, a seção sindical da CNT em Sevilla Control S.A. chegou a um acordo na manhã de 20 de outubro que, depois de ser ratificado na assembleia de trabalhadores, põe fim à greve por tempo indeterminado iniciada em 2 de outubro. Desde o início da greve, a seção sindical enfrentou com bravura e coragem uma situação difícil devido à recusa inicial da empresa em reconhecer a CNT como interlocutor válido de negociação. Mas a perseverança e o apoio mútuo que os trabalhadores demonstraram uns pelos outros e que receberam de outros sindicatos, organizações políticas e trabalhadores individuais valeram a pena.

Finalmente, as negociações começaram no início desta semana e culminaram no acordo assinado ontem. Esse acordo inclui várias melhorias nas condições de trabalho atualmente estabelecidas, incluindo promoções de categoria, novos bônus não absorvíveis, um aumento no bônus noturno, garantias de estabilidade no emprego e melhorias nos direitos e garantias para a seção sindical da CNT. Desde a CNT confiamos que a administração da empresa manterá abertos os canais de diálogo que permitiram chegar a um acordo muito satisfatório e que restabelece a confiança e a comunicação fluida entre as partes. Isso, sem dúvida, resultará não apenas em evitar situações semelhantes no futuro, mas também na melhoria da produtividade e do bom clima da força de trabalho.

A CNT conseguiu sustentar 19 dias de greve por tempo indeterminado de mais de 60 trabalhadores graças ao seu Fundo de Resistência, que ajuda os membros em dificuldades a resistir à perda de salários durante a greve. A CNT também gostaria de agradecer a todas as pessoas, organizações e coletivos que demonstraram solidariedade com os trabalhadores em greve, bem como às pessoas que contribuíram com uma pequena quantia para o Fundo de Resistência.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/fin-a-la-huelga-indefinida-en-sevilla-control/

agência de notícias anarquistas-ana

cubista musa
com os pés na cabeça –
obra confusa

Carlos Seabra

[Espanha] Nem Guerras Nem Fronteiras

Para a maioria não custa identificar a guerra como causadora de mortes em massa, deslocamentos forçados, torturas, fome ou violações. Mas também supõe um negócio tremendamente rentável para as minorias dirigentes carentes de escrúpulos.

Os conflitos armados quase sempre se produzem por motivos econômicos e geopolíticos. Sob eufemismos como “missão de paz” ou “ajuda humanitária” se camuflam operações cujo objetivo é o controle militar de zonas estratégicas para o espólio de recursos naturais e matérias primas como o petróleo, o gás ou certos minerais.

A população mais humilde sofre as piores consequências: infraestruturas e lares destruídos, vidas e famílias destroçadas e, no melhor dos casos, a fuga desesperada a outro lugar, através de perigosas rotas migratórias, para tratar de começar do zero em um desapiedado entorno hostil longe de seu lugar de origem.

Após padecer as piores penúrias, se têm sorte, se topam com um novo absurdo físico e legal: as fronteiras em terra, mar e ar. Em 2022, das 120.000 pessoas que solicitaram asilo na União Europeia, tão só cerca de 7.000 receberam o status de refugiado. Esse mesmo ano, 2.925 pessoas morreram tentando chegar à Europa. Uns dados tão vergonhosos como chocantes.

As fronteiras não existiram desde sempre, nem apareceram por arte de magia. Os estados mais poderosos as fixaram na base de massacres e saques, e as seguem mantendo, reforçando e ampliando. Não duvidam em reprimir, deportar, encarcerar, deixar morrer ou matar os que tentam saltá-las, exceto se se trata de importantes capitalistas.

O patriotismo nos inculca simpatia para quem nos pisoteiam neste país e desconfiança para nossos iguais do resto do mundo. Governos, forças de segurança e partidos filofascistas protagonizam e propagam atuações e sentimentos asquerosamente racistas.

A existência de fronteiras só convém à burguesia mundial, que domina o mundo enquanto mal vivemos e morremos sob sua exploração. À classe trabalhadora internacional, sem pátria nem cor, só nos resta a solidariedade das obreiras e obreiros, venham de onde venham.

NOSSA PÁTRIA É O MUNDO. NOSSA FAMÍLIA, A HUMANIDADE.

Fonte: https://marina-alta.cnt-ait.org/2023/10/22/ni-guerres-ni-fronteres/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[Chile] Quatro anos após a Revolta, centenas de jovens lutaram contra os carabineiros de Boric e recuperaram a Plaza de la Dignidad

Não eram as multidões de 2019, mas houve confrontos semelhantes aos daquela época, com os “pacos bastardos” do presidente Boric, esse grande usurpador e carreirista que se aproveitou da indignação popular. E o fez graças à deserção de muitos da “esquerda progressista”, que preferiram baixar suas bandeiras e botar um votinho na urna, acreditando que assim ganhariam a Assembleia Constituinte pela qual haviam lutado tanto. Caíram na armadilha partidária: imaginaram, graças aos cantos de sereia de seus líderes concertacionistas, que estavam derrotando o fascismo e se depararam com um governante que reprime os mapuches mais do que Piñera (o que não é pouca coisa), abraça os carabineiros que assassinaram vários jovens e furaram os olhos de muitos outros.

Não, esse quarto aniversário não foi como os anteriores, mas, mesmo assim, houve dezenas de eventos de bairro em todo o país e, na Plaza de la Dignidad, em Santiago, centenas de jovens lutaram contra o gás e a água com produtos químicos dos carabineiros e, em um determinado momento, tomaram conta da Plaza, cantaram suas palavras de ordem, agitaram bandeiras mapuches e desafiaram a repressão, exigindo liberdade “para os prisioneiros por lutar” que ainda restam da Revolta, e também para aqueles revolucionários lendários como o Comandante Ramiro (Mauricio Hernández Norambuena) e outros como ele, que lutaram a vida inteira pelo socialismo, e o regime os mantém como reféns.

Esses jovens e outros como eles são a semente daquela revolta política e cultural que, naquela época, iluminou todo o Chile e a América Latina com esperança. É muito provável que, se a situação não melhorar (algo que parece improvável), a pradaria, sem dúvida, voltará a se incendiar, porque o Chile de Boric serve aos ricos e não aos que estão na base. Porque nada de bom aconteceu para aqueles que estão amontoados nas cidades ou que sobrevivem em empregos mal remunerados, com um governo que se define como progressista e é apenas um capacho desbotado dos ianques, das corporações e agora também dos sionistas.

As convocações continuam para comemorar os quatro anos do início do movimento político-social mais importante das últimas décadas.

Embora os oportunistas, pelegos e progressistas, sentados em seus ministérios e instituições, tentem nos desmobilizar, o gigante popular ainda está nas ruas.

Para acabar com o sistema de opressão capitalista.

agência de notícias anarquistas-ana

teu corpo deitado
acorda desejos
não confessados

Eugénia Tabosa

Sensível como uma navalha

Bem, companheiros e companheiras, estamos de volta com os artigos aqui no blog do À Margem. Sem “domínio” e sem “hospedagem”, mas não menos radical. Sem faltar com respeito a quem eu acredito que irá ler este texto de peito aberto e com senso crítico que merece. Todos nós sabemos, ou quase todos nós percebemos o quão acelerado está esse tempo burocrático – aquele que marca os milésimos, os segundos e as horas – do que devemos fazer ou deixar de fazer, o porquê e como fazer aquilo que nos impõe. Eu adoro o cheiro de uma flor cujo seu aroma faz-me transbordar de poesia. Mas se a jornada de trabalho extrapola todo o limite mínimo para que um corpo possa se conectar com a natureza, como vou permitir deixar a poesia entrar em mim?

Aqueles que defendem o status quo (aqui concebido como um conjunto de relações que predominam boa parte das narrativas sociais) irão reproduzir o velho e tóxico discurso no qual criminalizam o fazer política. É bizarro, porque estes mesmos, apoiam a existência de um Estado, as atividades de um agronegócio genocida e por aí vai. Nós os anarquistas, você que não se identifica com a atmosfera partidária, temos muitos motivos para criticar as hipocrisias e violências vindas do parlamento. O mesmo acontece com o que se chama de grande mídia – aquela com maior repercussão de audiência. Posso ser sincero com vocês? Nesse exato momento ocorre-me uma raiva enorme desse sistema capitalista, que é a extensão daquela força energética de outros tempos. A disputa por “poder”. Concentração de riqueza. Depois querem que sejamos moderados. Deixa eu respirar três vezes e me recompor. Aliás, estou me comunicando com quem, a princípio almejo que tenha interesse em minha reflexão. Pois bem, com o tempo linear, aprisionado pelos “poderosos” que mais querem que não fiquemos ociosos do que realmente possamos produzir mais. Até porque no capitalismo não tem espaço para todos. Os meios de produção são destruídos para que poucos possam controlar a classe trabalhadora através das “trocas voluntárias” – leia-se salário precarizado.

Essas coisas que citei acima geram vários tipos de comportamentos em nossa sociedade. Tem o que não se importa mesmo, aceita a submissão, tem o que sabe que é maçante mas tem preguiça de lutar, porque no fundo quer ser “bom vivant” também (sem moralismo”, tem o que se sensibiliza, se engaja, absorve e compreende que a luta por um mundo melhor, não é um mero desejo individual, mas uma vontade política que de fato atinja toda uma população. Os preguiçosos ou “burgueses de espíritos” certamente vão vir com o papo que isto é uma “utopia”. Recentemente assisti (por acaso) um vídeo na internet pelo qual o locutor (um ex deputado de um partido de direita) dizia que as pessoas com “ideologia” estavam ultrapassadas e que essa coisa de ver “política em tudo” é uma perda de tempo, porque o mundo não quer saber mais desses empecilhos. Essa velha tática dos sentinelas do capital de coagir as pessoas não falarem sobre o bairro, a cidade, a vida, politicamente, é bastante nocivo para a melhoria nas vidas dos mais vulneráveis – do ponto de vida da falta de moradia, saúde frágil, salário precarizado, etc. – e portanto a inércia vai tomando conta consideravelmente de boa parte dos espaços sociais. Tem diversos vulcões dentro de mim querendo entrar em erupção, não para destruir o mundo, mas para irromper com tal estrutura de sociedade que gera fome, miséria e mortes em grande escala. Por um outro lado reconheço que não posso agir com violência nem com proselitismo junto ao meu vizinho ou qualquer outra pessoa na rua. O mundo é complexo. Com isso é sábio utilizar da prudência para se relacionar em determinadas situações. Veja, não estou falando de se curvar a uma pessoa nem a uma narrativa. Mas da gente ser sagaz, observar, e agir com a sensibilidade de uma navalha. Deixa o soberbo achar que você está “morto”. Quanto ele menos esperar vai sentir a força da resistência – não necessariamente violenta, mas tão sutil como a água que sobrepõe a mais dura das pedras. – Eu publiquei em minhas redes sociais um breve texto sobre o porquê da expressão “sensível como uma navalha”, em outra ocasião colocarei aqui. Prosseguindo com a minha construção reflexiva, acredito que o cerco está apertando para cima dos insurgentes, revolucionários, anarquistas, radicais, seja o que for que pede uma outra sociedade. Olha o que está acontecendo com os povos indígenas na américa latina, sobretudo aqui no Brasil. Sem contar os apartheids pipocando pelos quatro cantos do planeta. A partir dessa dura realidade para quem tem propósito em contribuir para um mundo mais igualitário, é que acredito que os mesmos terão que pensar mais ainda em modos sofisticados de implementar nas várias atuações diante das lutas espalhadas por aí. O mundo está acontecendo agora. O que aconteceu lá atrás pode não acontecer mais. Alguns creem que temos que responder na mesma moeda aquilo que sofremos diariamente. Confesso que em dado momento, isso passa pelo meu corpo, a revolta é inevitável, mas será que talvez não seja essa uma armadilha que o Estado-Militar-Capitalista, quer que façamos? ´Que aí pode ser uma justificativa para gerar mais ainda repressão. Perceba, não falo sobre binarismo – de não-violências versus autodefesa – pelo simples fato de que o debate fica capenga com essa condição. A minha questão é mais a nível do cotidiano, até de fato atingir um aspecto mais macro, de encontrarmos caminhos que reconfigurem um modo sofisticado de nossa parte. É evidente que tem artistas, professores, comunidades, coletivos, ativistas, fazendo esse papel, entretanto minha indagação talvez vá de encontro com um pilar bem importante para o anarquismo que é o internacionalismo, e nisso, penso em como estas forças de ações, podem se aglutinar para sairmos do jogo da resistência e entrarmos no campo da real disputa.

Querem que sejamos comedidos ao mesmo tempo que a polícia invade uma comunidade dita periférica que mata corpo pobre e preto. Como falei acima, eu amo me conectar com a minha sensibilidade. De poder ver a beleza em uma flor que está molhada com a água da chuva. Acho lindo o bater das asas de uma borboletinha que voa, voa para afirmar a sua beleza e sua vida. Não está sendo fácil ver a limpeza étnica que os palestinos estão sofrendo por um Estado colonial. Essa praga do colonizador é quem degrada o solo, as diversas espécies, o meio ambiente. Quem fez jorrar lama em cidades como Mariana (MG) e Brumadinho (MG), destruindo ambas, não foi quem estava questionando a indústria extrativista e suas atividades nocivas, na verdade foram os gananciosos. Se privatiza para enriquecer acionista estrangeiro. Belo Monte até hoje mexe com o psicológico dos afetados pela toxicidade dessa usina.

Dias atrás falei para uma companheira que a sociedade é como um jogo de xadrez, com a diferença que nesse jogo real, pessoas pagam com suas vidas. Uma grande narrativa vai sendo disseminada em tudo que é canto, da conversa da padaria até a um bizarro anúncio que fala em ficar rico em segundos. E como mencionei anteriormente, quando esta narrativa do “olhe, não fale de política, não questione quem quer empreender”, faz com quem está a procura de um emprego para pagar os seus sustentos, se afaste das discussões sobre a cidade, o mundo. Tenho a consciência de que em muitas comunidades, as pessoas reinventam seus modos de sociabilidades de forma sofisticada. As culturas de matriz africana afirmam isto.

A narrativa que se pretende hegemônica visa fazer com que a população se afaste cada vez mais das decisões que irão impactar direta e indiretamente em suas vidas. Como disfarce, vão colocar gestores ricos para se eleger como parlamentar, falando que não é político. Trazendo Murray Bookchin para esta proposição, o mesmo aponta para o quão a esfera anarquista não pode deixar de pensar o progresso, a civilização, as tecnologias, porque senão vai deixar que os capitalistas ditem o ritmo das coisas. Bookchin inclusive fala que se não pensarmos uma tecnologia que erradique o trabalho braçal, por exemplo, o sistema capitalista irá continuar remando para que o trabalho continue precário. É exaustivo demais ficarmos horas do dia pensando, trabalhando para que tais situações aconteçam. Mas assim como o norteamericano pontua sobre as tecnologias, também acredito que se abdicar de tais debates, é oferecer caminho livre para os oligarcas mundiais.

Não abrir mão de meditar, de brincar, de dar um banho no mar, na cachoeira, de encontrar amigos, pessoas, faz muito bem para o corpo. Escapar para resistir. Ludibriar o sentinela do capital, são táticas cotidianas poderosas ao meu ver, mas a mim acredito, como um corpo rebelde, anarquista, que nunca possamos deixar a nossa sensibilidade como uma navalha, se desprender de nossas almas. É ela que ajudará a iluminar sempre que preciso aquele cantinho precioso do nosso inconsciente. Quero amar vocês permitindo que os mesmos discordem de mim sem desejar o meu fim. Quero receber o amor de vocês que respeitem a minha decisão de não seguir o que a maioria quer.

Gabriel Ribeiro
À Margem

amargemcanal.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

Guilherme de Almeida