[Espanha] A CIA espionou os anarquistas e comunistas espanhóis durante o franquismo

Os serviços secretos dos EUA realizaram um monitoramento detalhado das reuniões e ações dos membros da CNT e do PCE. As tarefas de controle se estenderam pelo menos até os primeiros anos da Transição e também foram direcionadas contra a CCOO.

Por Danilo Albin | 29/04/2023

A longa noite franquista estava sob os olhos da CIA. Enquanto a ditadura torturava e fuzilava militantes políticos, os serviços de inteligência dos EUA colocavam seu radar nas atividades do sindicato CNT e do Partido Comunista, dentro e fora da Espanha.

Como o [jornal] Público pôde verificar por meio de vários documentos da CIA parcialmente desclassificados, a CIA produziu vários relatórios sobre as reuniões e conversas realizadas por grupos anarquistas e comunistas, todos eles proscritos e perseguidos até a morte pela ditadura.

Os relatórios compilados por este jornal têm, em vários casos, trechos ocultos, o que torna impossível conhecer seu conteúdo integral. Esse é o caso, inclusive, de documentos que datam da década de 1940.

Em um desses relatórios, elaborado em fevereiro de 1947, a CIA revela que havia monitorado uma conversa entre líderes exilados do POUM e membros da liderança da CNT. A agência de inteligência alegou que o sindicato havia empreendido a “reorganização” de “ações terroristas”.

Seus informantes na Espanha também disseram que os “esquadrões” da organização anarcossindicalista haviam assumido o controle dos “grupos guerrilheiros nas áreas da Galícia, Astúrias e Catalunha”, e até mesmo afirmaram que ela havia “colocado especialistas em sabotagem em várias fábricas”.

Algumas semanas antes, outro relatório já havia alertado Washington de que “o proletariado espanhol pertence às duas grandes organizações sindicais: a CNT, de tendência anarquista, e a UGT, de tendência socialista”.

“Atos de violência”

No entanto, o Partido Comunista também estava entre suas grandes obsessões quando se tratava de realizar ações de acompanhamento no país. “Os comunistas e simpatizantes do comunismo estão preparados para realizar atos de violência na Espanha, embora não tenham ilusões quanto aos resultados de tais ações. Eles acreditam que movimentos grevistas, explosões e sabotagem confirmarão a existência de elementos comunistas ativos na Espanha”, declarou um agente da CIA em um documento enviado aos EUA em 23 de janeiro de 1947.

Nesse e em outros relatórios, a agência de inteligência dos EUA descreveu a estrutura do PCE em detalhes: nesses documentos, os agentes deram os nomes daqueles que realizaram várias atividades nos órgãos clandestinos do partido.

Paraquedas com armas comunistas

Em janeiro de 1949, a CIA foi ainda mais longe e afirmou que os líderes do Partido Comunista estavam supostamente preparando uma “primavera” cheia de ações, embora “a dificuldade de obter armamentos” fosse sua “principal preocupação”. “Eles têm um grande depósito de armamentos na Itália e têm estudado possíveis maneiras de lançar esses suprimentos na Espanha”, disse ele em outro parágrafo.

Em outro documento datado de 18 de junho de 1949, que também tem vários parágrafos censurados, os agentes da CIA na Espanha e na França detalharam as atividades realizadas pelas “facções” da CNT tanto em Toulouse quanto nesse lado da fronteira. Ele até mesmo forneceu números sobre o número de militantes da CNT e da Federação Ibérica da Juventude Libertária em ambos os países na época: cerca de 15.000 na França e outros 30.000 na Espanha.

A espionagem americana contra a resistência antifranquista não cessou. Em julho de 1951, informantes da agência dos EUA afirmaram que, embora “o exército espanhol e as forças de segurança tenham sido capazes de lidar com a atividade de guerrilha comunista até agora, os grupos comunistas existentes poderiam, em caso de guerra, aumentar com cerca de 100.000 simpatizantes e alguns dos membros mais fervorosos das organizações sindicais clandestinas”.

“Com o grupo mais eficientemente organizado e os grupos guerrilheiros mais bem disciplinados da Espanha, o PCE poderia fornecer quadros prontos para uma expansão imediata das atividades de sabotagem”, argumentou a agência.

Espionagem sobre La Pasionaria

Em outubro de 1959, a CIA produziu um documento ultrassecreto que revelava o conteúdo de uma reunião em Moscou entre a líder comunista espanhola Dolores Ibarruri, La Pasionaria, e um representante do Partido Comunista dos EUA.

“Dada a natureza extremamente sensível de algumas das fontes de informação, solicita-se que o conteúdo desta comunicação seja tratado com o máximo de segurança e que seu uso seja restrito ao estritamente necessário”, dizia uma nota que acompanhava o relatório, endereçada a Allen W. Dulles, então diretor da CIA.

De acordo com o documento, Ibarruri declarou naquela reunião na capital russa que “as circunstâncias e condições atuais na Espanha são tais que, quando o PCE faz uma proposta, as pessoas ouvem e acreditam nos comunistas porque os comunistas são conhecidos como um partido de luta. Por outro lado, se o Partido Socialista tentasse fazer propostas semelhantes, as pessoas as rejeitariam porque desconfiariam dos motivos dos socialistas”.

Preocupação com o CCOO

O rígido controle sobre as atividades dos comunistas espanhóis continuou pelo menos até os primeiros anos da Transição, já sob governos democráticos em Madri. Isso é demonstrado por um relatório produzido em dezembro de 1953 pelo Escritório de Análise Europeia da CIA sobre “o papel comunista no sindicalismo no sul da Europa”.

Os autores do documento observaram que “os sindicatos na Espanha sob Franco” eram caracterizados como organizações “patrocinadas” pela ditadura. Nesse sentido, eles destacam que, “ao permitir que apenas grupos oficialmente aprovados participassem de sindicatos”, o regime de Franco “buscou controlar o trabalho e destruir a capacidade dos comunistas e de outros oponentes de influenciar as políticas trabalhistas”.

O relatório prossegue observando que “as organizações comunistas formaram clandestinamente Comisiones Obreras (CCOO) dentro dos sindicatos para servir como centros de treinamento e recrutamento”. “A reputação adquirida pelos comunistas como apoiadores das reivindicações dos trabalhadores lhes foi muito útil após o estabelecimento de sindicatos livres em 1977”, acrescenta o documento.

De acordo com seus dados, a CIA afirmou, na época, que os “pró-soviéticos” constituíam “minorias” tanto no PCE quanto no CCOO, mas eram “proporcionalmente mais fortes” no centro sindical. Esse documento, que descreve as atividades do sindicato, contém vários parágrafos censurados.

Fonte: https://www.publico.es/politica/cia-espio-anarquistas-comunistas-espanoles-franquismo.html

Tradução > Liberto

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Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida

Thanos Chatziaggelou – Da Grécia ao Chile a Anarquia é o julgamento, não o réu

Carta do membro preso da Ação Anarquista Thanos Chatziaggelou aos companheiros presos chilenos Mónica Caballero e Francisco Solar em vista de seu julgamento em 19 de maio

…sem um traço de remorso

A anarquia não se dobra. Ela permanece orgulhosa e ilesa. Ela viaja como ondas nos mares mais turbulentos, escondendo sua vontade e raiva. Não desvia, não foge. Caminha de todo o coração para o fogo e arde para purificar a fragmentação da dignidade humana. Encontra refúgio temporário em cada batalha pela liberdade absoluta. Ela sangra, quebra, morre e renasce de novo e de novo, dando um pesadelo sem fim aos seus tiranos.

A anarquia não se curva. Permanece desobediente diante dos carrascos da liberdade. Defende sua entidade sob a lâmina da guilhotina político-ideológica mesmo no ambiente mais sufocante. Dedicada ao seu peso histórico, deixa a sua marca indelevelmente a tempo de armar novos exércitos incontroláveis de minorias desobedientes. Não desiste, não se arrepende. Não diminui e não se cala diante da subjugação e da exploração. Ela se levanta.

A anarquia não inclina a cabeça diante dos inquisidores da guerra social. Ela encara seus perseguidores até o fim com a cabeça erguida e seu olhar não mais é branco. Não está em julgamento, ela é o julgamento, para salvar a verdade de sua morte, para esmagar a incerteza aprisionada. Não perdoa, mas espera. Ela arde com a mesma vontade inabalável e jura a mesma devoção. Isso é anarquia e esses somos nós nela. Carne de sua carne. Gotas do sangue dos canalhas. Chamas de intolerância em um mundo que está destinado a queimar por inteiro. As feridas de guerra se espalharam erraticamente pelo universo fechado. Silêncios, soluços, lágrimas, palavras ensurdecedoras. Despojos de guerra jazendo nos buracos do inferno, alarmismo e oratória da lei democrática de subjugação.

O que fazemos é o que somos. Erguemos nossas correntes diante de nossos perseguidores, sintonizando o chocalhar mais familiar – o das correntes do cativeiro, com orgulho. Camaradas Mónica e Francisco, de mãos atadas, mas com o coração para sempre livre, permanecemos inflexíveis, impenitentes até o fim.

Da Grécia ao Chile, no banco das testemunhas do exame sagrado, reina uma única verdade que esmaga o desarmamento, a decadência e a apatia política: mil e uma respirações aprisionadas de expectativa sem pensar duas vezes, até a liberdade absoluta.

Força ao nosso irmão Alfredo Cospito que defende com firmeza a anarquia em ação.

Thanos Chatziaggelou, membro capturado da Organização de Ação Anarquista

Ala Especial, Hospital de Prisioneiros de Korydallos

18/4/2023

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1624838/

Tradução > Contrafatual

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terno salgueiro
quase ouro, quase âmbar
quase luz…

José Juan Tablada

Relato de um 1° de maio em $ão Paulo

Hoje, 1° de maio de 2023, enquanto as centrais sindicais se reuniam em festa com o presidente e autoridades num evento oficial e com autorização da polícia, saímos às ruas na cidade de $ão Paulo para relembrar mais uma vez que este é um dia de luta histórico contra a exploração e a dominação.

Sem pedir autorização para ninguém, sem negociar com a polícia asquerosa – que em alguns momentos apareceu com armas em punho pra nos intimidar -, xs anarquistas presentes romperam com a pacificação e o silêncio cada vez mais recorrente até mesmo em nossos meios.

Estivemos nas ruas para lembrar que a luta se faz no agora, que nossa memória serve para seguirmos, seja em poucxs ou em muitxs, tensionando com o poder. Lembramos dxs nossxs que foram assassinadxs e encarceradxs tanto no decorrer da história quanto hoje. Estivemos nas ruas para lembrar que a guerra social segue em curso, que somos inimigxs declaradxs do Estado, do capitalismo e do princípio da autoridade.

E que seguimos em guerra, furiosxs.

Morte ao estado

y que viva a anarquia!

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/05/02/relato-de-um-1-de-maio-em-ao-paulo/

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Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

Guilherme de Almeida

[Chile] Concepción: A 7 anos do caso 21 de maio. Comunicado de Felipe Ríos

A tortura nos impunha sua linguagem e terminamos apertando os pinos uns aos outros” – Uma dura batalha pelas recordações. Margrit Schiller.

Apesar de que o poder busque ver-nos submetidos e derrotados, a reflexão e a crítica é algo que não podem nos arrebatar, por mais castigos exemplificadores ou ordens de busca e captura que utilizem contra quem ousa enfrentar este sistema de dominação. Ainda que cada experiência seja única, intercambiar e discutir as vivências atrás das grades pode ajudar a outros companheiros a contar com melhores ferramentas do que as que eu tive ao chegar aqui.

Aterrizar na prisão é um processo muito difícil quando não manejas conhecimento real e prévio ao que te enfrentas. Chegar só a um pátio sem conhecer ninguém, dificulta ainda mais o processo. Os presos bandidos têm construído um esquema bem definido de “como deve funcionar o cárcere”, faltar a seus códigos por não entendê-los ou por não conhecê-los pode agravar ainda mais o estar dentro dos muros.

A vida política no cárcere é muito diferente ao que acostumava. Os códigos carcerários são autoritários, violentos e coisificadores. A ideologia da mercadoria e a filosofia da navalha é o que domina aqui. O não ser absorvido ou arrastado por esta lógica é o que termina sendo a práxis cotidiana enquanto tratas de posicionar-te como preso político.

Sobre isto penso que é importante a clareza política ao estar aqui já que podem gerar-se distorções ao confundir comportamentos da vida bandida e narcotráfico, com os gestos anárquicos só por ir em vias ilegalistas. Assim também creio importante não cair na reprodução propagandística e idealização de condutas autoritárias e mercantis próprias do mundo do bandido e do narcotráfico. Ter um pensamento crítico próprio e manter clareza nas ideias aporta em construir uma própria identidade na prisão.

O tempo que levo no cárcere me ensinou que é importante potencializar redes entre presos políticos e vínculos com presos que reconheçam a existência de lógicas e códigos diferentes aos autoritários que eles reproduzem, já que a comunicação e  solidariedade entre nós como presos e as redes externas a estes muros são vitais para uma luta anticarcerária que faça retroceder os tentáculos do poder que buscam dominar, silenciar e isolar nossos corpos sequestrados como também a totalidade destes territórios carcerários.

Todas as ações e gestos solidários públicos ou anônimos que rompem o silêncio, anulam as distâncias e tiram do esquecimento os companheiros presos e fugitivos, constituem um golpe de força moral e um sopro de oxigênio para os que resistimos a esta asfixiante sociedade carcerária.

Envio desde este confinamento uma saudação fraterna e revolucionária a todos os companheiros que se encontram na prisão, em especial àqueles que, e diferentes casos, que logo enfrentarão julgamentos. De igual forma ao povo mapuche que combate permanentemente. A Luis Tranamil e seus companheiros perseguidos pelo Estado que busca utilizá-los em seus típicos jogos justificando o aumento da violência policial e jurídicas.

Para finalizar aproveito para enviar um forte abraço cheio de convicções a meus companheiros que se mantêm na clandestinidade. Que a cumplicidade e a solidariedade não lhes sejam esquivas no caminho e que com seus atos sigam burlando a autoridade. Dizer-lhes que minha maior dor é não estar com vocês e que minha maior alegria é sua liberdade. Deitado e olhando o teto desta pequena, fria e nunca acolhedora cela lhes recordo explodindo em gargalhadas quando mais lhes necessito.

Liberdade a todos os presos políticos!

Solidariedade revolucionária e permanente com os companheiros em fuga!

Morte ao Estado e viva a Anarquia!

Felipe Ríos

Condenado a 12 anos de prisão

CCP Bío-Bío, Concepción, $hile

Tradução > Sol de Abril

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a estrela d’alva se tirou
jamais clareava
negras árvores nos azulados

Guimarães Rosa

[França] Comunicado de imprensa n°4 dos pais de Serge

Um mês depois do ataque com granada que feriu gravemente na cabeça a nosso filho Serge, em 25 de março de 2023, durante a manifestação contra os mega reservatórios  de Sainte-Soline, ainda persiste a incerteza sobre seu futuro.

Segundo critérios médicos puramente clínicos, Serge saiu do coma. Isto significa que abre os olhos, mas de nenhuma maneira que esteja desperto.

A atenção que recebeu desde sua chegada ao hospital teve como objetivo frear diversas lesões e infecções. Estas foram provocadas pelo fogo de granada que sofreu, mas também pelas condições nas quais lhe prestaram os primeiros socorros no mesmo lugar da manifestação, proibindo as forças de segurança o acesso de bombeiros e ambulâncias para atender os feridos.

Estes tratamentos contribuíram para a situação na qual se encontra Serge, que segue sendo “extremamente frágil”. Isto dá esperança para seu regresso à consciência, mas este ainda não é o caso.

Até esta data, é impossível dizer que Serge recuperará seus sentidos e o uso de seu corpo (suas extremidades e seus sentidos, sua capacidade para respirar e falar) ou avaliar as sequelas de sua lesão, e permanece a possibilidade de uma recaída infecciosa.

Seu prognóstico vital, portanto, segue comprometido. É por isso que denunciamos qualquer uso que possa fazer-se quando saia do coma: Lamentavelmente, Serge está muito longe de estar fora de perigo. Afirmar o contrário seria uma completa mentira.

Os pais de Serge

26 de abril de 2023

Agradecemos a difusão deste comunicado o mais amplamente possível.

Tradução > Sol de Abril

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Cresci com gorjeios
sobre a jabuticabeira
entre os sabiás.

Urhacy Faustino

[Itália] Atualizações sobre o estado de saúde de Alfredo após interrupção da greve de fome (27 de abril de 2023)

Alfredo voltou a comer (embora mais devagar do que gostaria, heh! heh!), aos poucos vai também reintroduzindo massas e alimentos sólidos, seguindo as sugestões da nutricionista.

Os valores gerais são muito bons. Parece haver uma ligeira melhora no estado do pé que ele havia parado de sentir, mas no momento segundo os médicos não é possível arriscar um prognóstico, de qualquer forma ele está caminhando um pouco melhor.

Ele ainda está na enfermaria da prisão de San Paolo, ansioso para deixar o hospital, pois no momento não pode aproveitar nem o tempo de ar livre e essencialmente nunca sai do quarto/cela, que é privado até de luz natural; os médicos, entretanto, dizem que ele deve ficar lá pelo menos mais uma semana. Seu humor está bom; em suma, ele está se recuperando.

Ele continuará recebendo visitas do advogado e do médico, então as atualizações serão feitas.

Ele quase não recebe correspondência, mas pedimos a todos que sobrecarreguem os censores com cartas e telegramas, que façam por merecer seus salários sujos! Lembramos que, para escrever para ele, o endereço da Opera se aplica mesmo que ele esteja no hospital:

Alfredo Cospito

Casa di Reclusione di Milano Opera

via Camporgnago 40

20141 Milão – Itália

Tradução > Contrafatual

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nuvem parada
beijada pela brisa
fica molhada

Carlos Seabra

[São Paulo-SP] Nova sede da Biblioteca Terra Livre

Caros companheiros

Nesse dia primeiro de maio fizemos a mudança para a nova sede da Biblioteca Terra Livre.

Deixamos uma sala de 14m2 que nos abrigou por 12 anos e levamos nossas esperanças para um novo local, com o dobro do tamanho e localizado no centro da cidade de São Paulo. Inauguramos uma nova fase e com ela surgirão novas responsabilidades.

Agora poderemos concentrar nosso trabalho de centro de documentação, estudos, propaganda, editora e educação em um mesmo espaço. Há ainda muito trabalho para organizar o espaço, mas faremos isso com muita vontade e convicção.

Lançamos novas sementes para que germinem e se tornem árvores frondosas e centenárias para serem testemunhas de uma Terra Livre. Para isso contamos com o apoio e solidariedade de todas pessoas que carregam um mundo novo em seus corações! Apoiem-nos divulgando nosso trabalho, doando livros ou publicações, escutando nosso podcast, adquirindo livros, fazendo doações financeiras ou simplesmente acompanhando nossas redes e canais de comunicação.

Saúde e anarquia!

>> Mais infos: https://linktr.ee/bibliotecaterralivre

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Capela em ruínas.
As aranhas tecem véus.
Cobrindo o silêncio.

José N. Reis

[Rússia] Nosso camarada Dmitry Petrov morreu lutando pela liberdade na Ucrânia

Um dia escuro para todo o movimento anarquista e para nossa organização em particular.
 
19 de abril de 2023, perto de Bakhmut na Ucrânia, nosso amigo, um dos fundadores e participante ativo da Organização de Combate dos Anarco-Comunistas (BOAK), Dmitry (Dima) Petrov, foi martirizado lutando pela liberdade.
 
Díma é um anarquista de longa data e consistente. No movimento era conhecido como “Ecolog” mas sua atividade não se limitava à defesa do meio ambiente.
 
Ele participou da defesa do Bitsa Park em Moscou, no “Food not bombs”, lutou contra a criação de aterros e contra a construção de incineradores, pelos direitos dos trabalhadores nas fileiras do sindicato anarquista MPST e contra a brutalidade policial.
 
Ele participou do movimento antifascista e lutou contra os nazistas nas ruas de Moscou e outros lugares. Participou dos protestos na Praça Bolotnaya em Moscou 2011, em Maidan no Kiev em 2014, na Bielorrússia em 2020.
 
Ele publicou e traduziu literatura ativista.
 
Participou em expedições etnográficas e doutorou-se em História.
 
Isso daria para dez ativistas, mas Dima não se limitou aqui.
 
Dima esteve na base do movimento partisan anarquista no final dos anos 2000. E continuou participando todos os dias desde então. “Vingança do povo”, “ForNurgaliev”, “Ação AntiNashi*” – todos esses grupos não operavam sem a sua participação. E sim, claro, Dima foi um dos fundadores do famoso Black Blocg** e participante ativo de todas as suas ações. Incluindo a explosão do posto da polícia de trânsito no km 22 do anel viário de Moscou em 2011.
 
Ao mesmo tempo, Dima não se dedicou apenas à prática revolucionária. Ele também desenvolveu a teoria anarquista. Parte significativa da programação e dos textos teóricos do Black Blog e do BOAK foram escritos por ele ou com sua participação.
 
Como revolucionário, Dima era internacionalista. Ele lutou contra a atrocidade da opressão em todos os lugares, as fronteiras não o impediram. Além das atividades na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, ele foi para Rojava e lá treinou, participou da luta de libertação do povo curdo.
 
Em resposta à invasão de Putin na Ucrânia, ele se juntou ao Comitê de Resistência para lutar contra a agressão com armas nas mãos. Mais tarde, ele participou da batalha da linha Svatove–Kreminna.
 
Em tudo o que fez, agiu com total dedicação. Ele não viveu, mas queimou.
 
Sua façanha é imortal. Seu caso é eterno.
 
Ainda não compreendemos completamente essa perda. Não conseguimos encontrar as palavras certas para perceber que pessoa ele era. Todos devem se esforçar para ser esse tipo de pessoa. Mas vamos tentar encontrar e trazer essas palavras. Enquanto isso, publicamos a mensagem de Dima que ele deixou quando foi para o front:
 
Meu nome é Dmitry Petrov e, se você está lendo estas linhas, provavelmente morri lutando contra a invasão de Putin na Ucrânia.
 
Sou membro da Organização de Combate dos Anarco-Comunistas (BOAK) e continuarei assim após minha morte. O BOAK é uma criação nossa, nascida de nossa crença em uma luta organizada. Conseguimos carregá-lo em diferentes lados das fronteiras do estado.
 
Dei o meu melhor para contribuir para a vitória sobre a ditadura e para aproximar a revolução social. E estou orgulhoso de meus camaradas que lutaram e lutam na Rússia e além.
 
Como anarquista, revolucionário e russo, achei necessário participar da resistência armada do povo ucraniano contra os ocupantes de Putin. Fiz isso pela justiça, pela defesa da sociedade ucraniana e pela libertação do meu país, a Rússia, da opressão. Pelo bem de todas as pessoas que são privadas de sua dignidade e da oportunidade de respirar livremente pelo vil sistema totalitário criado na Rússia e na Bielorrússia.
 
Outro sentido importante para participar desta guerra é aprovar o internacionalismo pelo exemplo. Nos dias em que o imperialismo mortal desperta, como resposta, uma onda de nacionalismo e desprezo pelos russos, defendo por palavras e atos: não existem “povos maus”. Todos os povos têm a mesma dor – governantes gananciosos e sedentos de poder.
 
Não foi apenas minha decisão e passo individual. Foi uma continuação de nossa estratégia coletiva voltada para a criação de estruturas sustentáveis e combate de guerrilha no confronto com os regimes tirânicos de nossa região.
 
Meus queridos amigos, camaradas e parentes, peço desculpas a todos aqueles que magoei com minha partida. Eu aprecio muito o seu calor. No entanto, acredito firmemente que a luta pela justiça, contra a opressão e a injustiça é um dos significados mais valiosos com que o ser humano pode preencher sua vida. E esta luta requer sacrifícios, até o completo auto-sacrifício.
 
O melhor memorial para mim é se você continuar lutando ativamente, superando ambições pessoais e conflitos prejudiciais desnecessários. Se continuar a lutar ativamente para alcançar uma sociedade livre, baseada na igualdade e na solidariedade. Para você e para mim e para todos os nossos companheiros. Risco, privação e sacrifício neste caminho são nossos companheiros constantes. Mas tenha certeza – eles não são em vão.
 
Eu abraço todos vocês.
 
Seu Ilya Leshy, “Seva”, “Lev”, Fil Kuznetsov,
 
Dmitry Petrov

*Nashi (“Nosso”) foi um movimento juvenil pró-Putin na Rússia, fundado em 2005.
**Black Blocg era uma plataforma de mídia e rede que conectava militantes anarquistas no espaço pós-soviético.  
 
Fonte: https://boakeng.noblogs.org/post/2023/04/27/our-comrade-dmitry-petrov-died-fighting-for-freedom-in-ukraine/

Tradução > Contrafatual

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silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

[Espanha] Manifesto por um Primeiro de Maio da classe trabalhadora, militante e libertário

Saímos às ruas hoje, 1º de maio, para reivindicar esta data como um dia de luta no qual gritaremos com uma voz comum que não nos contentaremos em ser o parceiro social desta crise.

Somos as trabalhadoras, as desempregadas, as despejadas, as migrantes que movem, constroem, produzem, cuidam e sustentam essa estrutura econômica que chamamos de realidade. Uma realidade que não nos tocou por acaso, como um kinder ovo, mas que foi projetada e preconcebida com o objetivo de lucrar e enriquecer um pequeno setor da sociedade. Um cenário predisposto para que algumas pessoas vivam cercadas de luxos, enquanto o restante da população corre para conseguir substitutos baratos para esses produtos luxuosos ou para sobreviver simplesmente com uma geladeira que não esteja vazia e com aquecimento em suas casas.

Na Espanha, onde mais de um milhão de pessoas milionárias enriqueceram graças aos frutos de empregos precários, instalou-se um discurso falso e enganoso de que aqueles que não têm sucesso nesse sistema de possibilidades é porque não se esforçam, porque não colocam toda a sua vontade para subir e também porque não têm visão. Mentiras que nos tornam responsáveis pelo fracasso de um sistema econômico chamado capitalismo, que precisa crescer e aumentar para se sustentar às custas de nossas energias.

Produzimos, consumimos e tiramos selfies enquanto as grandes fortunas estão nos simplificando para números negativos de seus lucros. E aceitamos tudo isso em condições cada vez mais deploráveis: empregos ainda mais precários graças à reforma da legislação, com a qual a palavra “indefinido” não tem mais o mesmo significado, embora antes não significasse muito. Mão de obra barata para ser usada e jogada fora a cada facilidade, correntes enferrujadas que se quebram a qualquer momento. Demissões durante ou após a licença médica sem nenhum dano à empresa além de trinta moedas jogadas no ar. Mais um passo para trás. Um sistema de saúde pública espoliado e saqueado, no qual os recursos e o tempo jogam contra nós e nos condenam a enfrentar a doença da desesperança em salas de espera superlotadas, enquanto nossos corpos sucumbem ao peso de listas intermináveis e atendimento insuficiente. E o futuro parece sombrio, pois a ilusão de acumular ao longo dos anos como formigas trabalhadoras desaparece, deixando para trás um sustento incerto para os anos da velhice. Desta vez, a cigarra pega tudo em seu caminho, avançando a todo vapor.

Mas não há espaço para reclamações se a desculpa for uma guerra na qual não são os tomadores de decisão em seus escritórios que morrem, mas milhares de pessoas que não tomaram as decisões. Ou uma pandemia na qual parece que quem mais perdeu foram as empresas que agora estão sendo reembolsadas ao adaptar a legislação à sua necessidade imperativa de pessoal barato.

Sem acreditar em nenhuma de suas desculpas, nem em seus discursos paternalistas, estamos aqui hoje, o primeiro de um Primeiro de Maio operário, combativo e libertário, para nos lembrarmos de que somos capazes de mudar essa situação. Vamos converter a energia que produz e reproduz um sistema injusto de desigualdades em energia para a mudança, ou melhor, para a ruptura. Vamos gerar a ruptura como um princípio destrutivo de tudo o que nos restringe e nos torna cúmplices em silêncio. Vamos erguer nossas vozes e lutar juntos para deixar claro que não precisamos de decisões mal-intencionadas (ou mesmo bem-intencionadas) tomadas nas poltronas dos parlamentos. E vamos usar essa energia para, juntos, acendermos o pavio que explodirá a realidade que não escolhemos para construir conscientemente um mundo melhor.

Como já gritaram milhares de pessoas em nossa história:

Por um Primeiro de Maio de luta e dignidade!

Por um Primeiro de Maio revolucionário!

Por um Primeiro de Maio que nos leve à emancipação!

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/27/espanha-manifestacao-em-burgos-1o-de-maio-obreiro-combativo-e-libertario/

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De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

Junte-se à chamada de apoio da Hunt Saboteurs Suécia e ajude-os a continuar na luta!

Hunt Saboteurs (Sabotadores da Caça) da Suécia tem se expandido maciçamente no ano passado, participando de várias ações contra a caça e precisando de apoio. Eles dependem exclusivamente de doações, e para sobreviver, muitos dos sabotadores de caça têm gasto muito do seu dinheiro pessoal apenas para manter os custos de combustível!

Com cada vez mais pessoas juntando-se nessa iniciativa e mais ações no horizonte, pedem apoio econômico para poderem comprar novas ferramentas para sabotar as caçadas, desde câmaras, rádios e lanternas a custos de combustível. Se você puder doar um trocado eles ficarão muito gratos pela solidariedade.

Eles também disseram que se você tiver câmeras, rádios ou outras ferramentas sobrando que possam ser úteis em sua luta pela selva, eles ficarão felizes em recebê-los em vez de dinheiro, então dê uma olhada e veja se há algo sobrando!

A campanha de arrecadação de fundos deles está pedindo apenas 220 euros, o que significa que se todos doarem apenas 1 euro, arrecadaríamos esse dinheiro ou mais rapidamente! Se você puder contribuir, este é o link para a doação:

https://www.firefund.net/fightforthewildlife

Você pode entrar em contato com eles aqui:

IG: @huntabssweden

FB: https://www.facebook.com/HuntSaboteursSweden

E-mail: Huntsabsswe@gmail.com

SOLIDARIEDADE COM O SELVAGEM E COM A AÇÃO DIRETA!

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

sob a folhagem amarela
o mundo repousa enterrado…
exceto o Fuji

Buson

[Uruguai] Lançamento: “Pólvora Verde”, de Reyino Martínez e Pascual Muñoz

O mate, infusão de origem guarani estendida entre as classes populares, com o tempo foi se arraigando em todas as esferas da sociedade. Dificilmente tem alguma assembleia ou reunião onde não tenha um ou vários mates carregados de pólvora verde; companheiro em lutas e nos cárceres, é parte da vida cotidiana de nossa sociedade assim como os valores anárquicos.

Em poucos lugares o anarquismo participou tanto na construção dos fundamentos de uma sociedade como no Rio da Prata. Contrariamente ao desejo da “gente de bem”, os proletários que povoaram a região traziam, junto com sua vontade de viver melhor, suas ideias de subversão e justiça social. A terra purpúrea que os recebeu não era alheia às lutas pela dignidade. A todas as liberdades ganhas a custa de sangue, se devem agregar todos os demais aportes, feitos pela chusma organizada, a transformação social. Escolas, teatros, associações mutuais, comissões fomento, bibliotecas, clubes desportivos, coros, sindicatos e cooperativas levam em seu DNA algo das lutas das federações obreiras, das greves, das bombas e da solidariedade entre oprimidos.

Este pequeno dicionário dá conta disso. Por suas páginas transitam histórias, conceitos, pessoas e, principalmente, ferramentas para pensar a realidade anarquicamente…

Pólvora Verde

Autor: Reyino Martínez y Pascual Muñoz

ISBN: 978-9915-9514-6-1

Precio: $ 500

Páginas: 240

alterediciones.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

1º Maio: tomar as nossas vidas das mãos dos governos e patrões!

O capitalismo e o Estado, no contexto do neoliberalismo, trabalham para sequestrar e enterrar as histórias e memórias das e dos de baixo. É parte do projeto dominante de sociedade em toda América Latina, inclusive no Brasil. Desde o apagamento dos modos de vida e organização social dos povos originários e de suas lutas seculares contra a colonização, das manifestações políticas, econômicas e culturais do povo negro que vem resistindo ao genocídio desde a escravidão, do protagonismo das mulheres nas lutas populares, que (sobretudo as mulheres negras) sofrem com duplas ou triplas jornadas de trabalho e muitas vezes são expostas a violências de todos os tipos, tanto no espaço público quanto no doméstico. Enfim, é possível fazer uma lista expressiva dos sequestros e apagamentos que envolvem as lutas das classes dominadas em todo o mundo, e com o 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, um marco no luto e na luta das e dos de baixo, não é diferente.

Nesse dia, fazemos memória ao ano de 1886, mais especificamente na cidade estadunidense de Chicago, quando a classe trabalhadora, como tantas vezes, fez das praças e ruas palcos de sua ação direta por vida digna. Em 2021, junto a organizações irmãs de todo o mundo, publicamos a declaração Por um Primeiro de Maio de Luta!, que dizia:Em 1º de maio de 1886, uma greve massiva inicia nos Estados Unidos exigindo uma jornada de trabalho de 8 horas. A palavra de ordem dessa campanha era ‘Oito horas de trabalho, Oito horas de lazer, Oito horas de descanso’, propagada desde a metade do século 19 através da qual o movimento da classe trabalhadora lutava para retirar poder do Capital e disputar o tempo de trabalhadores e trabalhadoras para a vida, a cultura e a diversão”.

O braço armado do Estado capitalista não tardou a reprimir o movimento, ferindo e assassinando trabalhadores grevistas e acirrando ainda mais os confrontos, até que, no dia 4 de maio, em um novo ato na Praça Haymarket, uma pessoa desconhecida atirou um explosivo em resposta à repressão policial. Isso instigou uma reação brutal da polícia e da justiça burguesa, que lançou uma campanha conspiratória de perseguição, aprisionamento e tortura de trabalhadores e suas lideranças, entre as quais muitos eram anarquistas. Essa conspiração foi amplamente denunciada pelo movimento operário e ganhou notoriedade internacional e, embora isso não tenha impedido que oito anarquistas fossem condenados à morte por enforcamento ou à prisão, a história dos Mártires de Chicago tornou-se o pano de fundo para a criação do Dia Internacional dos Trabalhadores, data celebrada pela primeira vez em 1890 e que incentivou a classe trabalhadora de diferentes países a lutar e conquistar a jornada de 8 horas.

Hoje, 137 anos após esse episódio, se observarmos nossos locais de trabalho, estudo, moradia e lazer, poderíamos afirmar que contamos com ‘Oito horas de trabalho, Oito horas de lazer, Oito horas de descanso’? O tempo dedicado ao trabalho de reprodução social, historicamente relegado às mulheres, está dentro das oito horas de trabalho remunerado? E o tempo de deslocamento gasto no transporte coletivo? As mensagens em grupos de aplicativos que invadem nosso tempo de lazer e descanso? A responsabilização que nos é imposta se não estamos “trabalhando ou estudando enquanto eles dormem ou se divertem”?

O capitalismo busca destruir os direitos historicamente conquistados com sangue e suor da nossa classe e, para isso, não apenas roubam o tempo que dedicamos ao trabalho assalariado, mas também invadem nossos momentos de lazer e descanso, nossos sonhos e subjetividades. Isso impede a classe trabalhadora de instruir a si mesma enquanto classe, entendendo-se como parte do conjunto das classes oprimidas que lutam e conquistam. É o capitalismo neoliberal levando o povo a viver em isolamento, fora das vivências comunitárias em seus territórios.

Além do cansaço da rotina de trabalho, soma-se o desgaste de nossos olhos, mentes e corpos com o tempo dedicado ao consumo de informações nas redes sociais e aplicativos de comunicação. A nova tecnologia sobre domínio dos capitalistas direciona o que lemos, pois os algoritmos trabalham como uma nova censura do capital que impõe os conteúdos que lhes servem ideologicamente.

Cansados, não encontramos forças para ler, estudar, debater, produzir e organizar formas de resistir contra a atual etapa do capitalismo. Este sistema nos impede de conhecer experiências revolucionárias em curso como as protagonizadas pelos zapatistas no México e pelos curdos em Rojava, de acompanhar a luta da classe trabalhadora francesa contra os ataques de Macron à previdência, a luta contínua dos povos indígenas pela retomada de seus territórios, o protagonismo das mulheres feministas no combate à extrema-direita nas ruas das cidades brasileiras, o protagonismo estudantil pela revogação do Novo Ensino Médio, a luta do povo negro em diferentes frentes sociais.

Tornou-se comum não nos identificarmos como parte integrante das lutas dos povos oprimidos de todo o mundo. É no presente que o capitalismo opera para destruir as nossas histórias e memórias do passado e minar nossa confiança em conquistar um futuro digno, e o apagamento do conteúdo rebelde do 1º de Maio e seu sequestro por governos e patrões, que passaram a comemorá-lo como “Dia do Trabalho” e tratá-lo como uma data festiva, faz parte dessa operação. A cooptação da data conta ainda com o consentimento das centrais sindicais pelegas, que muitas vezes priorizam realizar showmícios a convocar a classe para lutar por suas demandas concretas, como é o caso da revogação das reformas antipovo aprovadas no último período, marcado pelo aprofundamento do ajuste fiscal.

Nesse sentido, cabe ao conjunto da militância anarquista pautar essa data como um marco histórico da nossa ideologia, destacando a inserção anarquista nas lutas de ontem e de hoje e ressaltando a construção das nossas histórias e memórias como tarefa fundamental na atual etapa de resistência, a fim de forjar uma nova subjetividade pautada em valores como a defesa da liberdade individual e coletiva, da igualdade em termos sociais, políticos e econômicos e da solidariedade e apoio mútuo. Devemos seguir organizadas/os junto às classes oprimidas nos locais de trabalho, estudo e moradia, construindo Poder Popular em nossa peleia diária por vida digna e ocupando as ruas pela revogação do Novo Ensino Médio, da Reforma Trabalhista e da Previdência, contra o novo arcabouço fiscal e quaisquer outras medidas do atual governo de conciliação que visem manter a precarização dos nossos direitos e serviços públicos!

VIVA O 1º DE MAIO ANARQUISTA!
EM MEMÓRIA AOS MÁRTIRES DE CHICAGO!
REVOGAR AS REFORMAS NAS RUAS E CONSTRUIR PODER POPULAR!

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

relampejou
sobre as árvores
a tarde trincou

Alonso Alvarez

[Vitória-ES] 1º Maio: Dia de Luto, Dia de Luta!

A origem do 1º de Maio remonta diretamente ao ano de 1886, nos EUA, quando as exploradas conseguiram alcançar a jornada de 8 horas de trabalho diário e como resultado cinco anarquistas foram presos e terminaram executados, pagando com a própria vida por lutar por um mundo melhor.

O espírito rebelde desta data até hoje continua vivo e neste 1º de Maio de 2023, no Parque Moscoso, na Av. Cleto Nunes, s/n, Centro de Vitória, às 09 horas, no território dominado pelo estado do Espírito Santo, as trabalhadoras e exploradas de todas as categorias e cores farão ecoar seu grito de protesto contra o Estado e o Capital, recordando que o ÚNICO CAMINHO PARA UM MUNDO MELHOR É A LUTA!

FEDERAÇÃO ANARQUISTA CAPIXABA – FACA

agência de notícias anarquistas-ana

fim do dia
porta aberta
o sapo espia

Alice Ruiz

[EUA] Por quê? ou, Como um camponês entrou na terra da anarquia (pré-venda) Um conto de fadas anarquista da Revolução Russa

Abba e Wolf Gordin (Autores); Jesse S. Cohn e Eugene Kuchinov (Traduzido e Introduzido por)

Agora disponível em pré-venda! Encomende a sua cópia com 25% de desconto no preço de capa e enviaremos quando o livro for lançado, em maio.

Um conto de fadas revolucionário para adultos que torna divertida a sua crítica ao capitalismo.

Por quê? segue as viagens de um menino chamado Pochemu – “Por quê” em russo – enquanto ele tenta entender o império do czar, o capitalismo, a violência do Estado e muito mais. As respostas que suas perguntas rápidas provocam, que fazem cada vez menos sentido quanto mais ele investiga, são tão ridículas hoje quanto eram há um século, e tão descritivas de uma sociedade que deu errado. Quando Pochemu finalmente entra na Terra da Anarquia, ele é confrontado por sua própria estranheza para seus cidadãos, que estudam os costumes bizarros que ele traz para sua sociedade livre. Este é um conto atemporal do ridículo do poder e seus defensores iludidos.

Nesta fábula, as perguntas inocentes de uma criança encontram as mentiras usadas para justificar um mundo de crueldade e desigualdade. O resultado é uma, quase absurdista, comédia política. Abba e Wolf Gordin, anarquistas judeus na Revolução Russa, escreveram literatura proletária para iluminar e entreter. É um gênero que não existe mais, mas dado este livro delicioso, talvez devesse.

Capa e ilustrações interiores por Y_Y.

“Um conto de fadas encantador e muitas vezes hilariante sobre a anarquia desde os primeiros dias após a Revolução Russa” – Molly Crabapple, autor de Drawing Blood e, com Marwan Hisham, Brothers ofthe Gun

Abba Gordin (1887–1964) foi uma testemunha da Revolução Russa como um jovem adulto. Perseguido pelos bolcheviques, emigrou para os Estados Unidos em 1927 e tornou-se co-editor do jornal anarquista iídiche Freie Arbeiter Stimme.

Wolf Gordin (1885-1974) foi um prolífico escritor de literatura e ensaios, com um interesse especial na libertação da juventude.

Jesse S. Cohn é autor de Underground Passages: Anarchist Resistance Culture, 1848–2011 e tradutor de Little Philosophical Lexicon of Anarchism From Proudhon to Deleuze, de Daniel Colson. Membro do conselho do Instituto de Estudos Anarquistas, ele ensina inglês no noroeste de Indiana.

Eugene Kuchinov é um editor de textos de anarco-biocosmistas, pan-anarquistas (e figuras de outros anarquismos estranhos), filósofo e tradutor. É investigador e professor na Universidade Federal Immanuel Kant Baltic (Kaliningrado, Rússia).

Why? or, How a Peasant Got Into the Land of Anarchy

Abba and Wolf Gordin (Authors); Jesse S. Cohn and Eugene Kuchinov (Translated and Introduced by)

Editor: AK Press

Formato: Livro

Fls.: 120

Lançado: 23 de maio de 2023

ISBN-13: 9781849355025

$11.25

www.akpress.org

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de desejo!
O amor penetra e ilumina
Quando a luz se apaga…

Clície Pontes

[Itália] 1º de Maio Nasceu Anarquista

Redescobrimos a vontade de lutar e de nos organizar para mudar esta sociedade, porque mais uma vez é necessária uma luta concreta e auto-organizada contra todas as injustiças e formas de exploração, contra a nova pobreza e a nova marginalização.

Hoje, o inimigo é o migrante, bom para fazer bicos com salários irrisórios, mas que, ao mesmo tempo, parece ameaçar a identidade da nação. Mas que nação? A nação é o mundo sem fronteiras, sem as chamadas barreiras étnicas, sem guerras, sem divisões entre todos aqueles que são forçados a trabalhar subjugados aos interesses de um capitalismo desenfreado e incontrolável.

Vamos retomar as rédeas de nosso futuro e de nosso planeta. Os estados-nação e os órgãos supranacionais neutralizaram movimentos potencialmente subversivos, como o movimento ambientalista, buscando promover um ecologismo “verde” sob a ilusão de que é possível combater a crise atual mantendo os paradigmas do crescimento sem fim e do ganho econômico.

Somente a solidariedade entre aqueles que sofrem as mesmas dores e passam pelas mesmas angústias é a condição necessária para aspirar e criar um mundo melhor, no qual os direitos coletivos e individuais sejam os portadores da paz, da liberdade e do bem-estar. Feliz Primeiro de Maio Solidário para todos e todas.

Os anarquistas e as anarquistas de Ímola e do mundo inteiro.

L’Assemblea degli Anarchici Imolesi

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Leve escorre e agita.
A areia. Enfim, na bateia
fica uma pepita.

Guilherme de Almeida

[Espanha] Coletiva de imprensa da CNT Jerez para apresentar sua mobilização do Primeiro de Maio

Esta manhã (27/04), a CNT realizou uma coletiva de imprensa para apresentar sua mobilização do Primeiro de Maio. A sede da CNT em Jerez contou com a presença de um grande número de meios de comunicação locais, e vários porta-vozes do sindicato explicaram as razões para sair às ruas.

Os companheiros e companheiras lembraram que o Primeiro de Maio é um dia de luta da classe trabalhadora. “Não é um dia para ir ao campo ou à praia, não é um presente do Estado e do Capital para nos divertirmos, é um dia de mobilização para levar às ruas nossas reivindicações e homenagear os Mártires de Chicago”, que foram assassinados há 137 anos por sua luta pela jornada de trabalho de 8 horas.

A CNT destacou a perda significativa do poder aquisitivo que está afetando as classes trabalhadoras, especialmente neste momento, e lembrou que aspectos como o aumento da eletricidade, do combustível, da moradia etc. empobrecem toda a sociedade; portanto, temos motivos mais do que suficientes para protestar e nos mobilizar.

A Rede de Apoio ao Imigrante “Dimbali” aderiu à convocação.

Por fim, o sindicato incentiva toda a população a participar da Manifestação convocada em Jerez no dia 1º de Maio, às 12 horas, que este ano sairá da Plaza Belén (bairro de San Mateo) e terminará na Plaza del Arenal, com os slogans “Sobran los motivos” e “Que viva la lucha de la clase obrera”.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/rueda-de-prensa-de-cnt-jerez-para-presentar-su-movilizacion-por-el-primero-de-mayo/

agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras da noite
fecham-se
sem ruído

Rogério Martins