[México] Carta de Miguel Peralta ante a sentença de proteção interposta contra a condenação de 50 anos de prisão

Quando a justiça segue simulando que tem independência e atende os princípios de direitos, não é mais que a continuidade da expansão do poder de mando, que a todo custo pretende manter calada a voz dos que se organizam.

Recentemente nos notificaram de outro fato que se soma a essas simulações jurídicas e que reafirma a intromissão política da atual diretora da Secretaria da Mulher em Oaxaca, Elisa Zepeda Lagunas, que desde o uso e abuso de seu cargo público, pretende retroceder o caminho traçado dos presos e perseguidos de Eloxochitlán de Flores Magón.

A proteção promovida em agosto de 2022 por minha defesa, “Los Otros Abogadoz”, na qual se demostrava uma vez mais as reiteradas contradições e fabricação de provas dentro do expediente 02/2015 foi resolvido sem entrar a fundo do que se propõe.

Atendendo à simulação da justiça, os magistrados decidiram regressar o processo jurídico à etapa de apresentação de provas com a suposta finalidade de realizar acareação entre minha pessoa e os seis testemunhos instruídos, marionetes de Elisa Zepeda e seu pai Manuel Zepeda Cortes.

Isto implica em uma regressão de pelo menos sete anos do trajeto jurídico de meu processo e a insistência da privação de minha liberdade.

Não é demais recordar que uma dessas marionetes reconheceu que em 2014 não fez sua declaração ante o Ministério Público porque a levaram a assinar; outra marionete se amparou para não testemunhar nos interrogatórios; para conseguir que Manuel Zepeda e seu irmão se apresentaram, teve que se recorrer a que se realizassem na mesma data na qual iam ao Tribunal de Huautla para assinar por outra causa penal na qual estavam sendo processados; e finalmente Elisa Zepeda e as outras duas marionetes demoraram por mais de um ano para apresentar-se.

Com estes antecedentes, somados ao poder que atualmente ostenta Elisa Zepeda, é impossível falar de um julgamento justo em igualdade de condições, quando por quase nove anos, desde o conflito sociopolítico em Eloxochitlán de Flores Magón, a perseguição, os encarceramentos, a repressão e a intromissão de poderes aumentaram.

Ante o cenário indolente da fabricação de dois delitos que não cometi, a pretensão de manter a perseguição e devolver-me à prisão, lhes chamo novamente a fortalecer a solidariedade que mostraram pela exigência de uma firme liberdade de todos os presos e perseguidos de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca.

Acendamos nossa fúria até que todas e todos sejamos livres!

Nos queremos nas ruas!

Liberdade aos e as presas políticas!

Miguel Peralta Betanzos

#LibresYa

#AltoALaPersecuciónPolítica

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

na blusa velha,
muitas borboletas –
ele adora tocá-las…

Rosa Clement

[EUA] “Cop City” não será construída!

Em abril de 2021 surge o movimento descentralizado “STOP COP CITY” em resposta à construção do maior centro de treinamento policial dos Estados Unidos e em defesa dos bosques da cidade de Atlanta, no estado da Georgia. A frente está formada principalmente por companheiros anarquistas que se organizaram em 2020 durante as revoltas contra a brutalidade policial pelo assassinato de George Floyd. Os companheiros relatam que neste contexto, se pode falar pela primeira vez da abolição da polícia como uma proposta viável para romper o ciclo de violência que a pobreza e a militarização impõem nos territórios, no entanto, todas as tentativas para diminuir recursos às forças repressivas através de meios institucionais foram infrutíferas.

“Cop City” tem por objetivo a privatização e militarização das forças repressivas. Calcula-se que o investimento estimado para a construção deste centro é superior a 90,000,000 de USD [dólares], e que estará a cargo de diversas corporações privadas incluída Hollywood. O projeto consiste na construção de uma cidade simulada onde se realizarão treinamentos para operações especiais como revoltas e incêndios florestais. Devido à gravidade dos impactos ambientais e políticos deste centro, ambientalistas, ativistas, defensores de direitos humanos e membros do setor artístico e cultural se somaram às mobilizações.

Desde o início do movimento se realizaram diversas ações. Entre elas mais de 30 manifestações, ações diretas que implicaram tanto o confronto com as autoridades como a sabotagem à maquinaria de construção, a ocupação temporária de diversas zonas do bosque onde se realizaram festivais culturais e a criação de hortas comunitárias. Também se efetuaram investigações para localizar as moradias dos promotores e acionistas da “Cop City” e realizar manifestações fora de suas casas e escritórios operativos. (Cabe mencionar que este tipo de ação provocou a deserção de alguns deles).

O bosque de Atlanta se converteu em um ponto culminante de resistência. Depois de dois anos de conflito latente, a situação se intensificou. A partir do ano passado, a polícia começou a atribuir delitos por “terrorismo doméstico” contra quase todos os ativistas presos. Os advogados aderidos ao movimento também realizaram uma série de ações legais para frear o avanço deste projeto de morte, incluído um referendum eleitoral, muitos deles foram vítimas de perseguições por parte das autoridades, invasão a seus lares, detenções e acusações por fraude.

Uma das estratégias do movimento para a difusão de suas demandas e deter o avanço da repressão, foi aproximar-se dos meios massivos de comunicação ou os meios burgueses como eles os chamam. Isto foi um fator determinante pois, através das entrevistas que conseguiram nos meios suas reivindicações foram escutadas por todo o país e a nível internacional, isto também abriu a possibilidade de que a voz dos nativos americanos e dos anarquistas radicais tenhamos eco fora de nossas comunidades.

Em 18 de janeiro de 2023 agentes da polícia estatal da Georgia assassinaram Manuel Paez Terán conhecido como “Tortuguita”, companheiro eco-anarquista de origem venezuelana que fazia parte da comunidade em resistência assentada nos acampamentos do bosque em Atlanta. Este é o primeiro caso de um defensor ambiental assassinado na história recente dos Estados Unidos.

É provável que a implementação deste centro de operações seja um divisor de águas para sua replicação em países da América Latina e em outras partes do mundo e que muitos dos elementos policiais treinados aí prestem seus serviços em situações como “intervenções” efetuadas pelo governo dos Estados Unidos ou que brindem assessoramento às corporações policiais em outros territórios. Um exemplo disto, é a escola das Américas fundada em 1944 que funcionou como centro de treinamento especializado em doutrinas de contrainsurgência militar latinoamericana.

A importância deste movimento não só radica na defesa do bosque de Atlanta e toda a vida que o habita. Deter a construção de uma cidade polícia é deter o avanço da brutalidade policial contra as comunidades negras, latinas e das minorias que durante décadas foram vítimas da discriminação e da violência. Isto representa também a luta contínua pela defesa da vida e o direito dos povos do mundo a uma vida sem policiais nem militares nas ruas nem nos bairros nem nas comunidades nem em nenhum lugar da face da terra.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

depois de horas
nenhum instante
como agora

Alexandre Brito

[França] Modi-Macron: A extrema direita é uma família

EM 14 DE JULHO DE 2023, O PRIMEIRO-MINISTRO INDIANO DE EXTREMA DIREITA, NARENDRA MODI, FOI O CONVIDADO DE HONRA NO DESFILE DO DIA DA BASTILHA, EM PARIS. O PRESIDENTE MACRON DESCREVEU MODI COMO “UM GRANDE AMIGO” E CONDECOROU-O COM A LEGIÃO DE HONRA DURANTE A SUA VISITA. NOVAMENTE, NESTE DOMINGO, 10 DE SETEMBRO, MACRON PUBLICA UMA FOTO DE UM ABRAÇO COM O CHEFE DO GOVERNO INDIANO ACOMPANHADA DO TEXTO: “O MUNDO É UMA FAMÍLIA”.
ALGUNS LEMBRETES:

  • Modi lidera a Índia desde 2014. Seu partido é o Bharatiya Janata Party (BJP), um movimento hindu ultranacionalista inspirado no fascismo europeu. Seus fundadores são admiradores de Mussolini e Hitler. O plano do BJP é tornar a Índia um território “puramente” hindu, sem minorias.
  • Em 2002, Modi estava à frente da província de Gujarat. Ele acusou os muçulmanos de serem responsáveis por um desastre ferroviário, o que provocou pogroms antimuçulmanos que deixaram mais de 2.000 pessoas mortas.
  • Desde que ele assumiu o cargo em 2014, os linchamentos de muçulmanos têm se tornado cada vez mais frequentes. O BJP apela regularmente para a violência contra os muçulmanos nas redes sociais. Recentemente, um vídeo causou um escândalo nas redes, mostrando uma professora hindu pedindo a seus alunos que batessem em seus colegas muçulmanos.
  • No estado de Assam, Modi está construindo um acampamento para abrigar “migrantes ilegais” que foram destituídos de sua cidadania indiana por suspeita de terem vindo de Bangladesh. Em 2019, a Suprema Corte da Índia publicou uma lista de 1,9 milhão de pessoas abruptamente privadas de sua nacionalidade e de todos os seus direitos.
  • Partidos de direita e de extrema direita na Europa, incluindo o flamengo Vlaams Belang, fizeram recentemente viagens de estudo à Índia.
  • No plano social, Modi está implementando uma política neoliberal que é hostil aos direitos dos trabalhadores. Os sindicalistas estão sendo severamente reprimidos, e os contrapoderes estão sendo atacados. O primeiro-ministro indiano desmantelou leis que protegem os trabalhadores, o meio ambiente e as comunidades marginalizadas.
  • Este ano, o governo indiano alterou uma lei que protegia as árvores, facilitando o desmatamento. Um quarto das florestas da Índia está ameaçado.
  • A repressão e a violência do Estado contra a sociedade civil, jornalistas, advogados e sindicalistas continuaram a crescer. A Anistia Internacional teve até mesmo que deixar o país.
  • A Índia ocupa a 160ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2023.

A humanidade pode ser uma grande família. Mas a amizade exagerada entre Macron e Modi mostra, acima de tudo, que a extrema direita em todos os países sabe como reconhecer os seus e colaborar. Perseguição islamofóbica, autoritarismo, violência social e destruição da natureza: tudo para agradar o governo francês.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/09/10/modi-macron-lextreme-droite-est-une-seule-famille/

agência de notícias anarquistas-ana

Na poça d’água
o gato lambe
a gota de lua.

Yeda Prates Bernis

[Áustria] Feira do Livro Anarquista de Viena acontece neste final de semana

A Feira do Livro Anarquista de Viena acontecerá neste final de semana, 15, 16 e 17 de setembro.

Queremos criar um espaço para nos reunirmos, lermos e discutirmos. Além das bancas de livros, haverá palestras, cozinha para todos e concertos – portanto, compareçam!

Se quiser entrar em contato conosco, escreva-nos um e-mail para a-bookfair-vienna@riseup.net. Portanto, traga seus companheiros e amigos, leia e discuta conosco – estamos ansiosos por isso!

>> Mais informações: http://abuchmesse.noblogs.org.

agência de notícias anarquistas-ana

patins no gelo –
riscos que se cruzam
como novelo

Carlos Seabra

[Portugal] Crowdfunding: Por um novo Ateneu Libertário em Lisboa!

O espaço que o Centro de Cultura Libertária (CCL) ocupa e arrenda há quase 50 anos está novamente em perigo. A contínua pressão exercida pela gentrificação e pelo mercado imobiliário, que tantas pessoas e associações tem despejado e forçado a sair do centro das cidades, volta a atingir o CCL, desta vez com força definitiva: depois de anos de ameaças e processos de despejo a que resistimos, em Março de 2024 o CCL terá mesmo de deixar a sua histórica sede em Cacilhas.

Queremos um espaço novo que sirva não só o CCL como também a comunidade libertária portuguesa, um espaço protegido de novas ameaças de despejo, que nos pertença. Por isso, o coletivo do jornal centenário A Batalha e o coletivo da BOESG decidiram juntar os seus esforços ao CCL para a aquisição de um espaço conjunto que seja um novo Ateneu Libertário na zona de Lisboa. Um espaço que aloje a biblioteca, o arquivo e a livraria do CCL, e também os importantes acervos da BOESG e de A Batalha. Um espaço de difusão e proteção da cultura libertária que tenha por objetivo a recuperação e a proteção da memória, o encontro e o dinamismo das ideias anarquistas. Um espaço aberto a novos e velhos coletivos que dele queiram fazer uso.

Nos próximos meses multiplicaremos as iniciativas de angariação de fundos e apelamos à contribuição de todas as pessoas e coletivos solidários através de donativos, da realização de eventos e da divulgação da campanha. Sabemos que temos pela frente uma difícil tarefa, mas acreditamos que pela força do conjunto e pela solidariedade anarquista conseguiremos levar esta ideia a bom porto.

Dados da conta bancária para donativos:

Titular: CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

IBAN: PT50003501790000215493029

BIC: CGDIPTPL

MBWAY: 913 125 532

Liberapay: https://liberapay.com/CCL/donate

Paypal: https://www.paypal.me/cculturalibertaria

Crowdfunding: https://whydonate.com/en/fundraising/anarchistcenter

https://www.facebook.com/jornalabatalha

https://www.instagram.com/jornalabatalha/

https://culturalibertaria.blogspot.com

https://www.instagram.com/centroculturalibertaria/

https://www.facebook.com/Biblioteca.BOESG/

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agência de notícias anarquistas-ana

a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa

[Itália] Uma caixa de solidariedade para os condenados de Brennero

O veredito da apelação no julgamento da manifestação de Brennero de 7 de maio de 2016 determinou mais de 120 anos de prisão. Se as condenações forem mantidas na Suprema Corte, cerca de 30 companheiros podem acabar atrás das grades, vários outros precisarão de uma casa onde possam cumprir prisão domiciliar e, em todos os casos, não faltarão despesas para arcar.

Coletivo foi o evento “Derrubando fronteiras” e, da forma mais coletiva possível, gostaríamos que fosse a maneira de lidar com a repressão, para que ninguém se encontre sozinho.

Por isso, decidimos criar um fundo de solidariedade.

Não apenas um número de conta para o qual as contribuições financeiras podem ser enviadas, mas também um contato para material informativo, para combinar possíveis intervenções em concertos ou outras iniciativas de solidariedade, um espaço no qual possamos nos confrontar.

Enquanto os massacres de imigrantes no mar continuam, os recintos de detenção administrativa se ampliam e o terror policial aumenta em relação àqueles que não têm os documentos certos em seus bolsos; enquanto os trabalhadores em logística e no campo se organizam e resistem contra o racismo do Estado e a exploração patronal; enquanto o rearmamento e os planos de guerra se intensificam, arrancando milhões de seres humanos de seu mundo e atacando aqueles que não se alinham; enquanto o controle tecnológico separa cada vez mais os incluídos dos excluídos, as razões pelas quais fomos em Brennero em 7 de maio só se multiplicaram. Se, acima de tudo, é na continuação da luta contra a guerra e as fronteiras que se expressa a solidariedade com os condenados por esse dia, uma caixa de apoio é uma pequena – mas necessária – peça.

As contribuições financeiras podem ser feitas para o IBAN:

IT04H3608105138216260316268

em nome de Kamilla Bezerra (especificando “solidariedade Brennero”).

Para contatos: cassasolidarietabrennero@riseup.net

Aqui estão alguns links úteis sobre os motivos, as modalidades e as consequências da manifestação de Brennero:

https://abbatterelefrontiere.blogspot.com/p/documenti.html

https://abbatterelefrontiere.blogspot.com/2016/05/7-maggio-una-giornata-di-lotta.html

https://ilrovescio.info/2021/05/16/manifestazione-al-brennero-condanne-per-166-anni/

https://ilrovescio.info/2023/02/03/dichiarazione-al-processo-dappello-per-la-manifestazione-del-brennero/

https://ilrovescio.info/2023/03/19/sentenza-dappello-del-processo-brennero

Fonte: https://ilrovescio.info/2023/09/02/una-cassa-di-solidarieta-per-i-condannati-e-del-brennero-it-de/

Tradução > Liberto

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o velho coelho
só se reproduz
no espelho

Millôr Fernandes

[São Paulo-SP] No CCS, 16/09: “O Anarquismo em Cuba” | “História social cubana a partir de uma perspectiva anarquista”

No próximo dia 16 de setembro, sábado, a Editora Entremares e o Centro de Cultura Social realizam o lançamento do livro “O Anarquismo em Cuba”, de Frank Fernández, e convidam o companheiro Cassio Brancaleone para uma conversa sobre a “História social cubana a partir de uma perspectiva anarquista”.

A ideia é resgatar a história das lutas sociais em Cuba a partir da história de seus atores e organizações.

O evento acontece no espaço do CCS, rua General Jardim, 253, sala 22, e terá início às 16h e a entrada é gratuita!

Convide as pessoas amigas e não deixe de comparecer!

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

#anarquismo #anarquia #cuba #revolução #lançamento #livro #ccs #centrodeculturasocial

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Jardim sem rosas
Camisa aberta
Sem nenhum botão

Maria Cristina Dias Alves

[Chile] Palavras desde o cárcere de Joaquín García em solidariedade com Marcelo Villarroel.

Temos sido terrivelmente constantes em pôr sobre a mesa em cada instância política, jurídica e intracarcerária a aberração que significa manter condenações emanadas da promotoria militar sobre Marcelo Villarroel; a situação em que se encontra não aguenta uma análise bem feita, é evidente que o Poder busca qualquer resquício legal ou ilegal para perpetuar uma condenação que a todas as luzes é inviável.

Não existe nem nele, Marcelo, nem em nós, anarquistas e subversivos, nenhum tipo de mendicância ou vitimismo frente a esta situação particular ou o cárcere em geral, transitamos por esta trincheira com altos e baixos, mas nos mantemos em pé orgulhosos frente a cada ataque do inimigo e do mesmo modo utilizaremos cada ferramenta para enfrentá-los, mas sempre com consciência e tendo presente que nem tudo é válido, nossa moral, nossos códigos, são a bússola de nosso confronto.

Pela anulação das condenações da promotoria militar!

A multiplicar as ações de ataque e propaganda!

Joaquín García Chancks

CP Rancagua

Setembro 2023

Tradução > Sol de Abril

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Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô

Ronald Creagh morre aos 94 anos em Montpellier, França

Ronald Creagh nasceu em 1929 e faleceu no último dia 8 de setembro. Ele foi um sociólogo e anarquista, conhecido por seus estudos sobre as comunidades utópicas norte-americanas. Ministrou aulas na disciplina Civilização Americana em Montpellier, França. Além de Laboratoires de l’Utopie (1983), que abordava as comunidades libertárias nos Estados Unidos da América nos séculos 19 e 20, Creagh também escreveu L’Affaire Sacco et Vanzetti (1984), La Déférence, l’insolence anarchiste et la démocratie (1998) e Terrorisme, entre spectacle et sacré (2001).

>> Link direto para uma resenha traduzida sobre o livro Laboratoires de l’Utopie:

https://drive.google.com/file/d/1LfR_NbBryqoVdUDmYkP5RRx20CWQZDRb/view?fbclid=IwAR1H

Biblioteca Emma Goldman

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pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra

[Bélgica] Como o sistema protege a polícia e a polícia protege o Estado

Na terça-feira, 12 de setembro, o Anarchive oferece uma noite de apresentação + discussão sobre o tema da repressão policial e o sistema que a protege.

Daremos assim as boas-vindas ao coletivo “Désarmons-les!” que organiza a resistência à violência policial e estatal, bem como ao antiterrorismo na França há 10 anos, desde uma perspectiva anarquista. Lutando ao lado de pessoas preocupadas principalmente com a violência racista do Estado, mas também com a repressão política, o coletivo deseja partilhar o trabalho que realiza, bem como as formas de resistência coletiva que estão a emergir.

Para quem ainda não assistiu ao filme produzido pelo coletivo: A NOS CORPS DEFENDANTS recomendamos vivamente (trailer aqui https://vimeo.com/380032242 e filme com acesso gratuito aqui https://vimeo.com/390496893).

Não hesite em trazer bebidas/comida para desfrutar.

Ansiosa para ver você lá!

Os Anarchivistes

COMO O SISTEMA PROTEGE A POLÍCIA E A POLÍCIA PROTEGE O ESTADO

Terça-feira, 12 de setembro de 2023 | 19h30 – 22h00 | Anarchive, Rua Josaphat, 101, 1030 Schaerbeek, Bruxelas

agência de notícias anarquistas-ana

sonho colorido
o sol dança com a lua
você comigo

Carlos Seabra

[Chile] 50 anos do golpe: “Nunca Mais” Estado e Capital

“(…) A experiência indica que os trabalhadores, ao manterem esse movimento [de tomada de fábricas], compreendem a essência reacionária do Estado burguês, ao verem na prática a atitude do governo em relação a eles. Longe de acreditar em uma transição pacífica, eles estão se dando conta de que a única maneira de colocar as coisas em ordem é acabar com esse estado-maior da burguesia que é o governo”[1].

Mais de três mil pessoas foram assassinadas, entre elas mais de mil desaparecidos. Dezenas de milhares que passaram por centros de detenção e campos de concentração, vítimas do horror da tortura, enquanto um território inteiro era devastado pelo terror uniformizado. Mulheres, homens, meninas e meninos fazem parte desses números terríveis. Por que esse nível de brutalidade e crueldade? Contra quem toda essa violência genocida foi dirigida? O que eles queriam enterrar após o golpe sangrento de 11 de setembro de 1973? Esse terrorismo de Estado era realmente novo?

Hoje, as narrativas da esquerda e da direita convergem para a necessidade de defender a democracia e atribuem mutuamente a responsabilidade pela quebra da ordem constitucional naqueles anos. Sob essa premissa, constroem seus discursos de “Nunca Mais”: se não querem que o horror volte, há margens que não podem ser ultrapassadas. Quais? A legalidade que permite e ordena a produção e o acúmulo contínuos e sempre crescentes de capital. A necessidade de defender a ordem democrática a todo custo deriva da necessidade de reprodução do capital.

Portanto, a carnificina desencadeada após o golpe não foi apenas uma manobra maquiavélica do “imperialismo ianque” (embora a interferência do governo dos EUA na estratégia do golpe e na repressão subsequente esteja totalmente comprovada), nem foi apenas a reação de uma burguesia crioula assustada contra um governo de esquerda anti-imperialista que tentou alcançar a “justiça social” por meios pacíficos. Não foram as reformas do bloco liderado por Allende que motivaram a sangrenta resposta militar, mas sim a atividade das bases de um movimento que, desde a década anterior, vinha tendendo à radicalização maciça e colocando em marcha experiências autônomas que rompiam com a estrutura legal e procuravam responder por si mesmas às demandas e necessidades de seus protagonistas, com a consciência de que a revolução social era o caminho a seguir. Diante dessas lutas, a classe capitalista local e mundial respondeu com brutalidade, afogando em sangue um processo que havia capturado o interesse do anticapitalismo em todo o mundo.

Assim, embora as lembranças da contínua repressão policial e militar não pudessem ser apagadas da memória popular, desde o “massacre da escola de Santa María de Iquique”, em 1907, até o massacre de Pampa Irigoin, em Puerto Montt, em 1969, após seu triunfo eleitoral, a coalizão reformista fez acordos de governabilidade justamente com o partido responsável pelos assassinatos na cidade do sul no ano anterior[2] e tentou seduzir as forças armadas, incentivando o mito da tradição democrática dessas forças, um mito que explodiu na sua cara na manhã de 11 de setembro, Depois que o mesmo “camarada presidente” incorporou os militares ao seu gabinete em 1972, apesar das advertências explícitas dos trabalhadores e camponeses de base, e reprimiu a atividade autônoma dos Cordones Industriales e outras experiências de ação direta (em Punta Arenas, em 4 de setembro de 1973, os militares invadiram a empresa “Lanera Austral” em busca de supostas armas, sob a cobertura da Lei de Controle de Armas promovida pelo próprio governo, que terminou com o assassinato do trabalhador Manuel Gonzalez).

O programa da UP estava em continuidade com o governo anterior de Frei, buscando modernizar o capitalismo na região, o que causou as esperadas fissuras e confrontos entre os diferentes setores da burguesia, mas também teve que lidar com a contenção da ascensão do movimento proletário que, no Chile como em todo o mundo, ameaçava a ordem dominante e se recusava a se conformar com o papel de espectador ao qual todo o espectro político queria condená-lo. Foi essa resistência à passividade, o impulso de assumir o controle de suas próprias vidas, que contagiou uma grande parte da população, que realmente assustou a classe capitalista como um todo. O capitalismo mundial teve que se reestruturar para responder à crise que havia atingido naqueles anos, e essa reorganização teve que ser imposta com sangue e fogo, especialmente quando havia a ameaça de transformar a crise em uma solução revolucionária liderada pelo próprio proletariado, que deu sua energia e criatividade para responder à atividade reacionária dos aparatos clássicos da burguesia e gerou suas próprias instâncias de coordenação e organização, superando e confrontando a burocracia dos partidos do governo instalados nos sindicatos e em outras organizações.

“Estamos absolutamente convencidos de que, historicamente, o reformismo que é buscado por meio do diálogo com aqueles que traíram repetidas vezes é o caminho mais rápido para o fascismo. E nós, trabalhadores, já sabemos o que é o fascismo… Consideramos não apenas que estamos sendo conduzidos pelo caminho que nos levará ao fascismo em um tempo vertiginoso, mas que fomos privados dos meios para nos defendermos”[3].

“Nós nos organizamos, camarada, nas frentes populares. Nós nos organizamos nas frentes de trabalhadores, nos sindicatos. Também nos organizamos nos cordões de isolamento e ainda estamos dizendo, camarada, que “não é hora” e que há um poder legislativo e um judiciário. Pediram-nos que nos organizássemos, desde o início, desde a população até o nível mais alto, e até agora nos organizamos, camarada, e ainda estamos dizendo que o “camarada presidente” ainda está nos pedindo calma, que continuemos a agir dessa forma e que continuemos a nos organizar, mas para quê? … A verdade, camarada, é que o povo, os trabalhadores estão se cansando disso, porque isso é um processo e nós estamos lutando contra a burocracia e dentro de nós mesmos, dentro de nossas próprias defesas, dentro de nossos próprios sindicatos, dentro de nosso próprio poder, camarada, como é a CUT, a burocracia ainda está lá, camarada… Até quando? … e os camaradas continuam nos pedindo calma, até quando, camarada? … se isso já está indo longe demais” [4].

“Ou seja, a repressão burguesa triunfa em meio ao processo de unificação e autonomia da classe trabalhadora. Agora entendemos, no meio do caminho, o que o golpe produziu. A constante repressão da burocracia da UP contra a luta independente da classe, sua dissolução após o golpe, permite que as Forças Armadas e a burguesia continuem essa tarefa, mas sob as condições, agora, da contrarrevolução: de forma massiva, com sangue e fogo. Nem mesmo o dobro de armas teria mudado a atitude da UP. Isso não foi uma expressão de bravura ou covardia, mas de seus objetivos políticos e econômicos. Um dos poucos mártires da liderança da UP que morreu em combate, Salvador Allende, estabeleceu claramente, por meio de suas palavras e ações, o comportamento de um homem que liderou consistentemente a implementação do programa reformista: ele cai defendendo os princípios da honra, da democracia burguesa, de uma constituição, em suma, que selou legalmente a exploração secular da classe trabalhadora. Ele morre defendendo a casa dos presidentes. Mas quem poderia ter exigido que ele lutasse ao lado dos trabalhadores nos cordões industriais, se eles eram a negação do que ele defendia? Ninguém. Nem mesmo os trabalhadores exigiram isso (…) Mas aqueles que pediram à UP, por três anos, que cumprisse seu programa, sem entender a profundidade da atividade política da classe trabalhadora, também foram consistentes durante o golpe. Primeiro, exigiram que a UP lutasse e, quando ela obviamente não o fez, recuaram para proteger seu partido. Eles ainda não entendiam que no estado de consciência e organização da classe trabalhadora estava a única resposta possível ao golpe militar”[5].

No entanto, hoje em dia, o que deveria ser a principal lição histórica daquele período ainda parece indefinido: A confiança na institucionalidade, na participação no Estado, foi o cerne da derrota de nossa classe há cinquenta anos e foi novamente há quatro anos, quando, em vez de afirmar as redes que se espalharam pelos bairros depois de 18-19 de outubro, desfilaram maciçamente para as urnas e a combatividade implantada em todas as cidades e territórios da região chilena foi novamente sequestrada e pacificada por meio de formas de domesticação democrática, abrindo caminho para a contrarrevolução e semeando o mal-estar nas centenas de milhares de pessoas que se manifestaram nas ruas e praças por mais de três meses.

Não deixamos de sentir a dor desencadeada pela brutalidade do Estado. Não cessar a luta por um mundo radicalmente diferente da miséria do Capital é manter viva a memória daqueles que nos antecederam. Mas para acabar com as derrotas, precisamos examinar criticamente nosso passado e nosso presente. Um olhar sem mitos ou idolatria. Não podemos aspirar a imitar um movimento nascido em um determinado contexto histórico, mas podemos entender quais dinâmicas desenvolvidas por esse movimento provaram ser um obstáculo intransponível e tentar não reproduzi-las nas lutas atuais.

CONTRA SEU SISTEMA DE MORTE, VAMOS EM DIREÇÃO À VIDA!

[1] Entrevista com trabalhadores da fábrica ocupada COOTRALACO, Revista “Punto Final” N° 90, outubro de 1969, um ano antes da eleição de Allende.

[2] O famoso “Estatuto de Garantias Constitucionais” assinado com a Democracia Cristã-DC.

[3] “Carta dos Cordones Industriales a Salvador Allende”, 5 de setembro de 1973.

[4] Intervenção de um camarada em uma assembleia da CUT nos últimos dias da UP. Extraído do documentário “La Batalla de Chile, Parte II (El Golpe de Estado)”.

[5] Artigo “Quem somos”, no jornal “Correo Proletario” N° 2, novembro de 1975.

Fonte: https://hacialavida.noblogs.org/a-50-anos-del-golpe-nunca-mas-estado-y-capital/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Não é meia-noite
e as mariposas cansadas
já dormem nas praças.

Humberto del Maestro

[Chile] Palavras de Mónica Caballero em solidariedade com Marcelo Villarroel.

Para quem decidimos não aceitar o discurso dos poderosos, sabemos que os princípios jurídicos que cimentam a legalidade do Estado não são aplicados a todo mundo da mesma forma. O papel pode aguentar muito e pode nos mostrar uma visão muito longe da realidade.

A realidade do poder nos nega que existam pessoas castigadas por serem abertamente inimigas de suas formas dominadoras, e que em prol de ser os mais implacáveis violam suas próprias leis. Não pretendo que os Poderosos atuem corretamente, mas nem por isso perderei a oportunidade de evidenciar o uso de suas sujas ferramentas contra os que enfrentam os opressores.

No dia de hoje Marcelo Villarroel completa quase 29 anos de presídio em 3 períodos não podendo por anos alcançar benefícios carcerários, tudo isso pelas condenações que tem pendente da promotoria militar. Ainda lhe restam 13 anos para cumprir na prisão para recém postular.

O poder nega o tratamento especial que tem com Marcelo, se fosse tratado como um preso comum hoje mesmo estaria na rua.

Abaixo todas as jaulas!

presos subversivos e anarquistas à rua!

Mónica Caballero Sepúlveda

Prisioneira Anarquista

Cárcere de San Miguel.

Santiago, setembro 2023.

Tradução > Sol de Abril

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Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

[Chile] Palavras de Francisco Solar em Solidariedade com Marcelo Villarroel.

Solidariedade é ataque.

Não é fruto de uma profunda análise que golpeando com contundência e com frequência, é possível dobrar a mão do Poder. Isto ficou demonstrado em múltiplas experiências de luta em diversos territórios e em diversas épocas.

Nestes momentos a situação do companheiro Marcelo Villarroel requer, sem dúvida, dessa decisão e vontade coletiva e individual para conseguir que o Poder e seu aparato jurídico se dobre. São vários os documentos, escritos e comunicados que se difundiram nos últimos tempos que expõem a situação de Marcelo e a aberração jurídica que lhe estão aplicando, onde em última instância se percebe uma clara razão de Estado para mantê-lo preso. Portanto, o que resta é atuar para conseguir a saída à rua do companheiro e assim abrir caminhos insuspeitos para a volta à rua dos presos anarquistas e subversivos.

Marcelo Villarroel à rua!!

Presos anarquistas e subversivos à rua!

Viva a anarquia!

Francisco Solar Domínguez

Cárcere La Gonzalina – Rancagua

Set 2023

Tradução > Sol de Abril

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Tarde de inverno:
Sobe do fundo dos vales
A sombra das montanhas.

Paulo Franchetti

[Chile] Palavras Anárquicas Solidárias com o companheiro Marcelo Villarroel

Como companheiros anárquicos, subversivos, e declarados inimigos do poder, é sumamente importante gestar instâncias onde se conflitua a nefasta ordem desta sociedade, que ainda permite represálias aos que combateram e combatem a herança da ditadura de Pinochet, a qual ainda hoje segue sendo tangível nesta realidade carcerária que hoje diversos companheiros estamos habitando.

O caso do companheiro Marcelo Villarroel é o vivo exemplo disso, que hoje segue sob as repugnantes condições da justiça militar.

Ainda que a sociedade busque instâncias de reconciliação jamais será viável, por que há os que cultivamos a memória e temos claro que o único caminho é a vingança, nossa história se marca com o sangue de tantas mulheres e homens que em diversos contextos de luta, repressão, desaparições, tortura e morte, marcaram um presente no cotidiano dos anos mais obscuros deste território.

A liberdade está sendo restringida por diversos aparatos e artimanhas com nosso companheiro e a necessidade de agitação é uma urgência para enfrentar e ver nosso apoio irrestrito.

Aproveito para saudar a todos os companheiros de diversos territórios que fazem da luta um cotidiano, aos diversos homens e mulheres combatentes, militantes, rebeldes que na ditadura deram a vida por combater e derrubar o poder todo meu respeito, a estes 50 anos que nada se resolveu, agitação pela anulação das condenações da justiça militar contra o companheiro Marcelo Villarroel.

Cativos em conflito à rua!

Lucas Hernández Valdés.

Preso Anarquista.

Carcel-Empresa Stgo 1. Setembro 2023.

Fonte: Buscando la Kalle

Tradução > Sol de Abril

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a casa
a lua o sol
nem sempre só

Estrela Ruiz Leminski

 

[Espanha] VI Encontro de escritos libertários (2023)

Pelo sexto ano volta o Encontro de escritos libertários com umas completas jornadas de difusão e reflexão sobre diferentes temas desde posições libertárias.

A cultura, a reflexão e a diversão se combinam nestas jornadas. Documentários, palestras e apresentações, teatro, uma mesa redonda, microfone aberto. Também, participarão editoras e haverá postos de fanzines e livros.

Na segunda-feira, 11 de setembro, começam as jornadas com a projeção de “Un guerrillero llamado Santeiro”, documentário que recupera uma parte da história da guerra e do pós guerra em El Bierzo.

Continuando com a recuperação da memória histórica, na terça-feira se representará em Sierra Pambley 1975. “Verbenas de agosto”, uma peça teatral sobre as lembranças não compartilhadas sob a ditadura.

No dia seguinte volta a tradicional mostra de vinhetas libertárias nas ruas. Previamente, uma palestra nos aproximará da figura de B. Traven, mais conhecido como Ret Marut, escritor e ator de teatro anarquista do S. XX.

Nos adentramos na quarta-feira com o projeto de Errekaleor, um bairro em Vitoria-Gasteiz autogestionado há dez anos. Em seguida será a vez das línguas das minorias, uma palestra que permitirá conhecer a situação tanto das línguas co-oficiais como não oficiais, entre elas, o asturleonés.

Na tarde de sexta-feira começa com a apresentação de um projeto artístico sobre o aborto espontâneo desde a criatividade e a reflexão. Seguidamente, acontecerá uma mesa redonda sobre o movimento LGBTIAQ+ e se dinamizará a noite com um microfone aberto de poesia.

No fim de semana haverá atividades todo o dia começando com um intercâmbio de sementes ao qual seguirá um comedor para recuperar forças. Já pela tarde se apresenta o último número da revista feminista “La madeja” e dois livros de crítica social e anarquista.

No domingo, último dia das jornadas, começa com uma rota teatralizada que percorrerá as ruas de León mostrando as greves e manifestações dos últimos 70 anos. Depois de repor forças, o Encontro concluirá com uma rifa colaborativa para apoiar a organização das jornadas.

alcuentrullibertariollion.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

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Bolha de sabão.
Uma explosão colorida
sem nenhum estrondo.

Maria Reginato Labruciano

[França] Justiça Negligente… Para Fascistas

ENQUANTO MANIFESTANTES DE SAINTE-SOLINE VÃO A JULGAMENTO EM NIORT, O TRIBUNAL DE PARIS RETIRA AS ACUSAÇÕES CONTRA NEONAZISTAS

Os fatos remontam ao dia 14 de dezembro, em Paris, noite do jogo França-Marrocos da Copa do Mundo de futebol masculino. Uma gangue de várias dezenas de militantes encapuzados de extrema direita foi presa em posse de sacos cheios de armas. O projeto deles? Ir e espancar, até matar, já que tinham armas brancas, torcedores marroquinos nos Campos Elísios. Eles carregam gás, cassetetes, martelos, proteções… Eles também dispunham de um “cartão de legionário e um cartão de circulação militar”, segundo o Le Monde.

38 prisões. Todos liberados. Incluindo o líder, o descendente de uma dinastia de nobres, Marc De Caqueray-Valeunier. Este líder da matilha está coberto de tatuagens nazistas, incluindo o símbolo da SS em uma perna, e comete atos de violência há anos. Esteve na linha da frente para atacar os Coletes Amarelos, depois durante um ataque a um bar antifascista parisiense ou para espancar ativistas do SOS Racisme numa reunião em Zemmour, entre outros fatos. Em 2020, ele até divulgou uma foto sua com uma Kalashnikov na mão, uniforme e símbolo da SS no colete. Foi na Arménia, onde o conflito contra o Azerbaijão é visto como uma guerra santa para a extrema direita. Ele também viajou para a Ucrânia para se juntar ao Batalhão neonazista Azov. Ele estava à frente de um grupo ultraviolento dissolvido: os Zouaves Paris.

Um centésimo desse pedigree do lado anticapitalista é enviado imediatamente para a prisão sob um regime antiterrorista. Já não contabilizamos os manifestantes que cumprem penas pesadas por simples presunções. Mas não para este neonazista. Ele é um informante da polícia? Protegido por sua condição de filho de um nobre? A justiça aprecia tanto os fascistas? Um pouco de tudo isso, sem dúvida.

Os outros perfis são do mesmo tipo, de alta burguesia: um deles está na escola de negócios e ganha quase 20 mil euros por ano, outro é agente imobiliário no bairro mais caro da França, um terceiro quer ser prefeito… Tudo para agradar a justiça de classe.

A polícia parece ter preparado o terreno para a defesa dos nazistas: uma bolsa pertencente a um dos réus teria cassetetes, mas esta bolsa foi “perdida” durante o procedimento. Além disso, 31 indivíduos detidos já tinham se beneficiado de licenças ou de alternativas à acusação.

Assim, o julgamento deste grupo racista parecia precipitar-se para a libertação. Aconteceria nesta sexta-feira, 8 de setembro. No entanto, não houve sequer um julgamento… eles simplesmente não foram julgados. Sete homens compareceram ao tribunal em Paris. Três militantes de Rouen e quatro do GUD, um grupo neonazista. Antes mesmo de debater os fatos, os juízes simplesmente cancelaram todo o procedimento por “irregularidades”. Pronto, sem debate. O tribunal considera que a detenção dos arguidos num bar “não se enquadrava no âmbito de atuação atribuído à polícia” naquela noite. Eles estão, portanto, todos livres e nunca serão julgados.

Os próprios sete nazistas ficaram surpresos. Segundo o Le Monde  eles “se abraçaram e se parabenizaram”. “Não acreditei”, alegra-se um deles.

O jornalista da Street Press Christophe-C Garnier escreve: “é a primeira vez na minha vida que vejo isto, as nulidades levantadas pelos advogados de defesa são aceitas pelo tribunal” e acrescenta: “a sala é relativamente segura, se eu posso dizer isso”.

Na verdade, centenas de pessoas detidas após a morte de Nahel foram colocadas atrás das grades por terem catado um objeto numa loja ou por estarem no local errado, apesar de procedimentos inexistentes e sem a menor investigação ou prova tangível.

E esta decisão surge num momento em que ambientalistas são julgados em Niort, numa cidade completamente isolada pela polícia, acusados de terem convocado uma manifestação em Sainte-Soline.

Em agosto, também foi libertado outro comando de neonazistas que tinha cometido violência com armas em Angers após a morte de Nahel, apesar das provas contundentes. Os agressores foram filmados por várias testemunhas. Mas o juiz considerou que agiram “em estado de necessidade”. A necessidade de ir e atingir os manifestantes de esquerda e os jovens das periferias que passavam perto deles, sem dúvida…

A JUSTIÇA JÁ NEM SEQUER FINGE DAR A ILUSÃO DE JUSTIÇA

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/09/08/justice-laxiste-pour-les-fascistes/

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a noite esporeia
suas negras ancas
cravando-se estrelas

Federico Garcia Lorca