[Áustria] Festa Anarquista da Cruz Negra

Data: quinta-feira, 27 de abril de 2023 – 09h00 a sábado, 29 de abril de 2023 – 23h15

Por que um festival beneficente para a ABC Viena?

Simples e sinceramente: precisamos de dinheiro. É certamente uma coisa chata, mas necessária. Isso nos permite apoiar nossos companheiros dentro e fora do país que foram presos ou enfrentam outras formas de repressão. Permite-nos financiar panfletos, cartazes, adesivos e outros materiais. Como anarquistas, acharíamos mais fácil se você nos desse seu dinheiro sem nenhum serviço recíproco, mas muitas vezes parece que muitas pessoas gostariam de consumir pelo menos um pouco em troca de sua solidariedade. Portanto, nos juntamos à massa interminável de tais eventos com este festival beneficente.

Além de festas e shows, haverá mais info-eventos e discussões este ano. Esperamos que esta estrutura organizacional nos possibilite ter um olhar diverso e específico sobre as questões da prisão, repressão, controle social e etc. Por isso convidamos pessoas e grupos de diferentes cidades, ou eles mesmos nos contataram. Na sequência, haverá muita música e espaço para trocas informais. Uma pequena visão geral dos eventos específicos pode ser encontrada nas páginas a seguir. Esperamos que além de todo o “espetáculo da festa” ainda haja espaço para novos contatos e troca de informações e materiais. A esfera gastronômica será – assim como no ano passado – cuidada com o apoio do incrível “F.U.G.” e grupos culinários da KGB. Todos os dias a partir das 14h haverá um info-ponto em frente ao infoshop (EKH/piso térreo). Se você tiver alguma dúvida sobre os locais para dormir, quiser oferecer seu apoio durante o festival ou precisar de qualquer tipo de ajuda ou informação, esse será o melhor lugar para ir. É natural para nós que comportamentos desrespeitosos ou qualquer tipo de assédio sejam inaceitáveis, seja durante a festa ou em qualquer outro lugar, por isso não hesite em interferir e/ou pedir ajuda no bar.

Quanto à organização, também é preciso dizer que existem alguns locais para dormir no EKH, no entanto, o número deles não é ilimitado. Também organizaremos novamente uma sala WomenLesbianTrans. Portanto, é bom nos avisar com antecedência se você precisa de um lugar para dormir. Além disso, gostaríamos de informar que você fará um grande favor a nós e aos seus cães se os deixar em casa, pois não podemos oferecer nenhuma maneira agradável de acomodá-los.

Contra todas as formas de prisão, liberdade para todos os presos!

Estamos felizes e orgulhosos em anunciar a maior parte do nosso line-up para o ABC FEST 2023!

P r o g r a m a

Quinta-feira 27.04.2023

A ser anunciado em breve!

Sexta-feira 28.04.2023

Verklärungsnot | deutschpunk, wien

https://vknt.bandcamp.com/

Catastrophy | hc punk, wien

https://catastrophypunx.bandcamp.com/

Frozen Man Syndrome | crust punk screamo, gießen

https://frozen-man-syndrome.bandcamp.com

Bolzenschuss | hc punk, marburg/gießen

https://bolzenschuss.bandcamp.com/

Strage di Stato | raw punk, brno

https://stragedistato.bandcamp.com/

Gfrast | cello electro crust punk, wien

https://med-user.net/~gfrast/

Sábado 29.04.2023

Face The Owl | | doom grunge punk, wien

https://facetheowl666.bandcamp.com/

Funeral Damage | metal crust, berlin

https://funeraldamage.bandcamp.com/

Nörgel | hc punk, münchen

https://noergel.bandcamp.com/

Brüd | crust punk, berlin

https://brudpunx.bandcamp.com/

Alter Egon | ndw punk, ravensburg

https://alteregon.bandcamp.com/

Malatesta | crust d-beat, münchen

https://malatestapunk.bandcamp.com/

ABC Viena

https://abcfestvienna.noblogs.org/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Um verde cobertor
todo trançado de relva
aquece a terra.

Delza Faldini

[Espanha] Manifestação em Burgos: 1º de Maio, obreiro, combativo e libertário

Os sindicatos libertários CNT, CGT de Burgos, junto com a Biblioteca Anarquista La Maldita, organizam a manifestação “1º de Maio, obreiro, combativo e libertário” que sairá da plaza del Cid na segunda-feira, 1º de maio, às 13:00 horas.

A manifestação faz parte de uma iniciativa conjunta das diferentes organizações e coletivos que compõem o movimento libertário de Burgos com o qual se pretende reivindicar a importância de uma data chave para a luta social e obreira, desde uma perspectiva assembleária e libertária.

agência de notícias anarquistas-ana

Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

Indústria da morte | Com aval do presidente Lula, Embraer assina acordo para produzir avião militar em Portugal

A Embraer anunciou nesta segunda-feira (24/04) um acordo para produzir o avião militar A-29N Super Tucano em Portugal. Trata-se de um avião de ataque leve para atender aos requisitos operacionais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental.

O acordo foi anunciado em um evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa.

Segundo a Embraer, a cooperação será entre a Embraer e as empresas aeroespaciais Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), Empordef Tecnologias de Informação, S.A. (ETI), GMVIS Skysoft, S.A. (GMV) e a OGMA S.A.

Como é o A-29N do Super Tucano

O A-29N é uma versão do A-29 Super Tucano com equipamentos e funcionalidades na configuração da Otan e havia sido lançado pela Embraer no dia 12 de abril.

O objetivo, segundo a Embraer, é atender às necessidades de nações da Europa — a empresa quer se aproveitar do aumento dos gastos de defesa desses países por medo da Rússia após a invasão à Ucrânia.

Entre as funcionalidades, estão um novo datalink (tecnologia que permite a troca de informações simultâneas entre a aeronave, outra aeronave ou uma base no solo) e o single-pilot operation (quando apenas um piloto comanda o avião).

Conhecido por sua versatilidade, o A-29 Super Tucano pode ser usado para ataque leve, vigilância e interceptação aérea e contra-insurgência. Além disso, consegue operar a partir de pistas remotas e não pavimentadas em bases operacionais avançadas com pouco apoio logístico, segundo a Embraer.

Segundo a Embraer, o avião é equipado com sensores e armas de última geração, incluindo um sistema eletro-óptico/infravermelho com designador de laser, óculos de visão noturna, comunicações seguras de voz e dados.

Já foram entregues 260 unidades do A-29 Super Tucano em todo o mundo. Atualmente, a aeronave é usada por 15 diferentes forças aéreas, incluindo a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

Em Portugal, a Embraer também fabrica o cargueiro militar KC-390. Nesta segunda-feira (24/04), o presidente Lula viajou em um modelo vendido ao país europeu.

Em 2019, o governo português disse que compraria cinco aeronaves de transporte militar KC-390 da Embraer e um simulador de voo por 827 milhões de euros. Países como Suécia e Colômbia recentemente também manifestaram interesse em comprá-lo.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

[São Paulo-SP] Roda de Conversa “Saúde Mental e Anarquismo”

A Roda de Conversa “Saúde Mental e Anarquismo” pretende realizar encontros para conversar sobre saúde mental a partir de um ponto de vista libertário. Os eventos são presenciais, gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas.

Sábado, dia 29 de abril, às 14h, vamos conversar sobre modos autônomos de cuidar de nossa saúde, a partir da leitura da zine “Autodefesa Médica Panteras Negras e Zapatistas”, nesse encontro iremos nos basear nas lições dos e das Zapatistas (pag. 33-46). Os links para a versão em pdf ou para a loja da Terra Sem Amos (@tsa.editora), onde você pode adquirir a versão física do texto, estão na nossa bio.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

https://www.instagram.com/p/CrA9pUkOnT7/?igshid=ZTE2MDY0MWU=

agência de notícias anarquistas-ana

sol atrás da cortina
dizendo baixinho:
— já é dia

Alonso Alvarez

[Armênia] No aniversário do desastre de Chernobyl, uma palestra sobre a visão anarquista da ecologia será realizada em Yerevan

Amanhã, 26 de abril, no aniversário do desastre de Chernobyl, às 19h30 em Yerevan, no espaço “”Мама Джан”” (Spendiaryana 5), ​​haverá uma palestra com o título “Mãe Terra: uma visão anarquista da ecologia”. Como a ascensão do capitalismo e a poluição do nosso planeta estão conectadas? Por que nosso modo de vida, se não mudarmos nada, levará a crises sem precedentes e à destruição de nossa espécie?

A palestrante Sona Aznauryan tentará analisar os problemas sistêmicos associados às mudanças climáticas, além de falar sobre soluções práticas oferecidas por vários movimentos anarquistas.

agência de notícias anarquistas-ana

À beira do lago
aliso o brilho da lua
com as mãos molhadas

Eunice Arruda

[Alemanha] Ataque à Peugeot por apoiar a polícia foi realizada pela célula de ação agressiva ‘Zineb Redouane’ em Berlim

Você é a Crise – Episódio 17: Peugeot: apoiadora da polícia

Uma série de ataques ao redor do mundo contra concessionárias de determinadas marcas de veículos nos últimos anos abriu a sugestão de uma linha estratégica: quem dá mobilidade e transporte para a polícia é tratado como inimigo. No mercado de equipamentos policiais, um punhado de corporações compete pelos favores dos esquadrões da morte do Estado.

Nós os enfrentamos, ao lado dos protestos massivos no Estado francês contra a “reforma previdenciária”, nos bairros quentes dos subúrbios onde a BAC [Brigade Anti-criminalité] e outras unidades matam há décadas, ao lado de nossos camaradas de Sainte-Soline, com os insurgentes das colônias francesas… em todos os lugares onde a Peugeot, um dos fabricantes de veículos mais importantes da França, está em uso.

Para dar apenas alguns exemplos, na Grécia também vemos os mesmos inimigos da liberdade ajudando a polícia grega. Quase quatrocentos Peugeot 308 foram entregues como novos carros de patrulha. Com vidros fumês “para transportar delinquentes discretamente”, o grupo anuncia seu produto.

A Peugeot Deutschland GmbH fornece à polícia de Saarland tudo o que o cérebro tecnocrata deseja: 120 carros de patrulha, 80 veículos de investigação disfarçados, vans…

Na noite de 21 de abril, queimamos vinte e cinco veículos nas instalações da concessionária Peugeot na Landsberger Allee em Berlin-Marzahn. Entre eles, sofisticados SUVs elétricos e várias vans (presumivelmente veículos alugados) da empresa de segurança ISS. A ISS não está apenas envolvida na operação de prisões, mas também, por meio de uma participação na empresa UNISON, na destruição e privatização de parques em Atenas.

Nosso ataque deve ser entendido como um apoio à identificação dos criadores e aproveitadores de crises que já ocorrem há algum tempo nesta categoria. Ao mesmo tempo, participamos da Chamada à Ação Anarquista para 1º de maio, a fim de desenvolver uma perspectiva militante de longo prazo em relação às próximas manifestações em Berlim. Como anarquistas, apoiamos todos as FLINTA* (mulheres, lésbicas, intersexo, não-bináries, trans e agêneres) que retomarão as ruas na noite de Walpurgis, assim como em todas as outras noites antes e depois desta data. Nosso ataque pretende ser um complemento ao chamado da manifestação Take Back the Night, que entendemos como parte necessária da escalada da luta militante antipatriarcal.

Apoiamos o chamado anarquista à ação no contexto das manifestações revolucionárias do Primeiro de Maio porque a perspectiva insurrecional deve buscar o conflito em todos os momentos. Sem nos distanciarmos, criticamos alguns dos grupos autoritários e reformistas nas manifestações do Primeiro de Maio. Nossa ação pode contribuir para discutir nossas divergências nas questões teóricas.

Colonialismo e destruição da natureza

A Peugeot vende carros elétricos para cuja produção depende de matérias-primas saqueadas do sul global, o que está ligado à destruição da natureza e à saúde dos trabalhadores. Posteriormente, o lixo elétrico é enviado de volta para lá. A Peugeot, como outras corporações europeias, usa mecanismos desenvolvidos por potências coloniais durante séculos para subjugar outros continentes. O capitalismo verde não é menos sangrento que as versões anteriores. Enquanto os policiais podem chegar rapidamente a qualquer lugar a qualquer momento, o capitalismo consegue manter a ilusão de sua invencibilidade nas metrópoles ocidentais.

Cooperação com o estado iraniano

O Irã é um dos mercados de maior crescimento para vendas de automóveis. Em 2016, a Peugeot se tornou o primeiro grupo ocidental a reabrir fábricas no país após o fim das sanções, sobre o que o chefe da Peugeot, Jean Christophe Quemard, comentou: “Estamos mostrando que estamos realmente comprometidos com o futuro do Irã e prontos para investir neste país”. Dada a aberta misoginia do regime iraniano, uma posição foi enfatizada com o Peugeot 206 como o carro patrulha lá.

Na perspectiva anarquista, não há negociação com o sistema para tornar suas crises mais suportáveis. Devemos supostamente sentir medo da “criminalidade” para dar espaço à sua violência. Mas não nos iludamos, são os assassinos e estupradores que se sentam nos carros da polícia e cuidam de seus negócios. Os motins passados e futuros são, entre outras coisas, também uma expressão de legítima defesa. Nossa solidariedade é com todos aqueles que combatem a presença dos policiais nas ruas e com quem podemos desenvolver momentos coletivos no processo. A manifestação de 1º de maio pode se tornar mais um passo para a revolta social.

Célula de Ação Agressiva “Zineb Redouane”

(Zineb Redouane (80) foi morta pela polícia em 2 de dezembro de 2018 em Marselha, quando atiraram na cabeça dela com uma granada de gás lacrimogêneo enquanto ela tentava fechar a janela do 4º andar).

Fonte: https://de.indymedia.org/node/274006

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.

Matsuo Bashô

[EUA] A informante Suzie Savoie foi sabotada no sul do Oregon

No domingo, 16 de abril de 2023, um grupo de ambientalistas amantes das abelhas impediu com sucesso um evento que estava sendo liderado pela informante do Green Scare e ré cooperante Suzanne Savoie. Apesar de delatar seus ex-companheiros em 2006, Savoie continua a se infiltrar em espaços de ativistas ambientais.

Sim, já faz muito tempo, mas Suzie, não esquecemos! Você é uma inimiga das borboletas, formigas e todas as criaturas que amam a terra.

Suzie estava agendada para dar uma palestra na cidade de Talent, no sul do Oregon, sobre jardins de polinizadores com sua empresa Klamath-Siskiyou Native Seeds. Mas Suzie, como uma delatora sem remorso e inimiga do movimento ambientalista, não é amiga das abelhas! Antes do evento, a cena fervilhava de emoção quando rostos amigáveis invadiram o local e penduraram um banner com uma imagem fofa de uma lagarta vingativa anunciando “Suzie dedo-duro NÃO É bem-vinda!”. Nesse ponto, a equipe de Suzie chamou a polícia – lógico! Uma vez informante, e ainda informante.

Quando os participantes do evento chegaram junto com meia dúzia de policiais, ambientalistas circulavam distribuindo panfletos sobre Suzie. Alguns polinizadores intrépidos conseguiram se infiltrar e atrapalhar o evento lendo documentos judiciais da sentença de Suzie sobre sua “cooperação extraordinária” com o Estado.

A palestra de Suzie estava marcada para 13h às 15h, mas ela simplesmente não podia continuar em meio ao zumbido e gritos. O evento terminou mais de uma hora antes, quando uma chorosa Suzie foi escoltada até seu Toyota Tacoma cinza com placa de Oregon 216KPY por vários policiais. A cabeça de Suzie estava baixa… mas será que ela notou que uma mariposa travessa havia colocado um panfleto sobre ela embaixo do limpador de pára-brisa?

Depois que alguém coopera com o governo federal, pode ser chamado a fazê-lo novamente. Se queremos um mundo seguro para abelhas, lagartos, borboletas e mariposas, devemos dizer: sem plataforma para delatores!

Fonte: https://earthfirstjournal.news/2023/04/18/snitch-suzie-savoie-swarmed-and-deplatformed-in-southern-oregon/

Tradução > Contrafatual

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O campo lavrado
Volta a ficar em repouso –
Cotovias do entardecer.

Kiin

[Espanha] 1º de Maio em Valência

Queridos companheiros e companheiras

Falta pouco para voltar a sair às ruas em um novo primeiro de maio, dia internacional das pessoas trabalhadoras e, desde o Secretariado Permanente da Federação Local da CGT-Valência, fazemos um chamado a participar na manifestação que sairá às 11:30 horas desde a Plaza de San Agustín de Valência.

Neste 1º de maio de 2023 existem muitos motivos para sair à rua e desde a CGT queremos denunciar “A perda de poder aquisitivo, a precariedade e a sinistralidade laboral”, as quais nos estão submetendo os governos e a patronal.

Uma jornada de comemoração na qual recordamos a todas e todos aqueles companheiros e companheiras que lutaram ao longo da história para conseguir os direitos com os quais hoje contamos a classe trabalhadora e que, em muitos casos, pagaram com sua vida. De nossa parte, também é um dia de luta, no qual reivindicamos os direitos que ainda hoje e apesar de tudo nos restam conseguir e que nos negam desde as cúpulas políticas e econômicas, as quais regem desde há muito tempo o devir do mundo no qual vivemos.

Na CGT lutamos desde nossos centros de trabalho contra um sistema que nos explora e que faz com que cada vez os ricos sejam mais ricos e os pobres sejamos mais pobres. Os sindicatos do regime seguem pactuando convênios de miséria. Hoje em dia, ter um trabalho não te garante contar com os suficientes recursos para poder levar uma vida digna. Tanto é assim, que muitas famílias em nosso país tentam subsistir com salários de miséria procurando cobrir as necessidades básicas. Trabalhos mal remunerados, em condições lamentáveis, que nos levam à precariedade e à sinistralidade. Os acidentes de trabalho estão aumentado de forma considerável, e é que nas três últimas décadas já morreram mais de 41.000 trabalhadores e trabalhadoras, por causa dessas condições de precariedade nas quais nos obrigam a trabalhar.

Por tudo isso, este primeiro de maio te convidamos a erguer a voz uma vez mais juntas contra a perda do poder aquisitivo, contra a precariedade e contra a sinistralidade laboral.

Viva o primeiro de maio!

Viva a luta da classe obreira!

Viva a Confederação!

Secretariado Permanente da Federação Local de Valência

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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chuva torrencial
sob a laje de concreto
um casal de pardais

Jorge Lescano

Três pessoas serão julgadas por desacato após terem dirigido insultos e o dedo médio ao presidente da França, Emmanuel Macron

Três pessoas serão julgadas em setembro por mostrar o dedo médio e insultar Emmanuel Macron durante a visita do presidente a Sélestat (Baixo Reno), anunciou o promotor de Colmar no sábado, 22 de abril. Estes três manifestantes sem antecedentes criminais, dois homens e uma mulher, vão responder por prévia admissão de culpa por desacato a pessoa “depositária da autoridade pública”, disse Catherine Sorita-Minard à AFP, confirmando informação do jornal L’ Alsace.

Emmanuel Macron foi vaiado e perseguido na quarta-feira, 19 de abril, durante uma caminhada pelas ruas de Sélestat. Foi sua primeira viagem em contato com os franceses desde a promulgação da polêmica reforma da Previdência.

O procurador de Colmar também recebeu duas denúncias, uma apresentada pelo Estado e outra pela Enedis [empresa distribuidora de eletricidade], sobre o corte de energia ocorrido durante a visita de Emmanuel Macron à cidade vizinha de Muttersholtz. Esta ação foi reivindicada pela CGT.

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Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

[Salvador-BA] Bate-papo sobre “O Inimigo do Rei” será realizado nesta quarta-feira na Maloca Libertária

Neste dia 26 de abril de 2023 o historiador autônomo João Correia vai apresentar parte de sua investigação sobre a presença anarquista e sua atuação durante a ditadura e transição no Brasil.

A partir da pesquisa do jornal anarquista criado em Salvador, difundido pelo Brasil e países do Continente Americano e Europeu o historiador trata de identificar, descrever, cartografiar e interpretar o movimento anarquista, sua pauta, sua organização e relações no Brasil e fora.

Todxs estão convidadxs para este momento de reconhecimento da nossa história. Sobretudo, diante do ressurgimento de iniciativas militaristas ditatoriais no país e no mundo, assim como a aliança entre setores conservadores liberais e neofascistas.

A Maloca Libertária é um espaço composto por biblioteca e arquivo libertário na cidade de Salvador. O acesso é livre e gratuito aos livros e seu arquivo. Privilegia a experiência de trabalhadores e trabalhadoras no território baiano do século XX até nossos dias.

Também conta com documentos do movimento anarquista nas suas várias manifestações: jornal, revista, movimentos, realizações, redes, dissertações. Parte deste acervo já se encontra online.

Este é um espaço de encontro do livre pensamento. Realiza frequentemente mostra de filmes, conferências, rodas de conversa, grupos de estudos e mais.

Maloca Libertária

Praça. Duque de Caxias, 04, Sala 02. Mouraria, Salvador-BA.

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Guardei para você,
num verso de porcelana,
as flores da manhã.

Eolo Yberê Libera

Ocupação Nestor Makhno: Organização Terra Liberta Ocupa Terra Abandonada em Massapê-CE

Na madrugada do dia 15 de Abril de 2023, trinta famílias trabalhadoras ocuparam uma terra abandonada à mais de 30 anos na zona rural de Massapê (CE), próximo ao bairro Nossa Senhora de Fátima. A ocupação é organizada pela Organização Popular Terra Liberta e é fruto do trabalho de base junto á população que mora de aluguel e vive em área de risco nas periferias de Massapê. A ocupação reivindica terra para estas famílias viverem e trabalharem com dignidade.

Situação da Terra

A terra em questão, além do visível abandono, possui a inconsistência documental comum às terras griladas. Outra informação importante é que por esta região passava o trem da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e que após sua desativação, por volta dos anos 70, muitas terras ficaram devolutas e foram ocupadas por populações empobrecidas em pequenas partes ou griladas aos montes por gananciosos empresários.

O povo de Massapê

A situação atual da população de Massapê é marcada pela falta de acesso à terra. Muitas famílias migraram das zonas rurais para as zonas urbanas do município, fazendo inchar os bairros periféricos e construção de casas em áreas de risco como margens de rios. Não existe política publica pública de habitação, somente lembranças dos anos 80 e 90. Para piorar, no recente inverno muitos proprietários aumentaram o preço dos alugueis para lucrar com o desespero de quem não tem moradia digna.

De 1996 à 2007 a concentração de terras só piorou na microregião de Sobral, que agrega Massapê e mais 11 municípios próximos. Existem somente 2 assentamentos rurais federais (Morgado e Contendas) que foram criados em 1991 e 1992. Ou seja, os ricos com cada vez mais terra e os pobres com cada vez menos.

Organização da Ocupação

Desde Novembro de 2022 a Terra Liberta realiza trabalho de base nas comunidades de Massapê, buscando elevar a consciência de classe para superar a situação de miséria e a dependência da política eleitoreira que parasita o povo. O fruto desse trabalho é a Ocupação Nestor Makhno que até o presente momento semeia nova vida onde antes só pisava o gado e a servidão.

Assim, a vida comum se faz na construção de espaços comuns. A cozinha comunitária trabalha a soberania alimentar dos ocupantes junto aos futuros roçados e hortas. O barracão é um espaço para realizar assembleias onde tudo é decidido coletivamente. Ao invés do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, seguimos o princípio do mandar obedecendo. Todos e todas somos igualmente responsáveis pelas decisões. Assim, fazemos uma luta que não é só por um pedaço de chão, mas por uma outra relação entre o povo e com a terra.

A escolha do nome

A ocupação homenageia o revolucionário Nestor Makhno. Nascido em 1888 na cidade Huliaipole onde hoje é o país da Ucrânia e na época era dominado pelo império russo. Sendo o caçula de uma família de 5 filhos, começou a trabalhar aos 7 anos pastorando gado. Na sua juventude enfrentou com muita coragem o império russo na defesa do povo do campo, gesto que o levou para a prisão dos 22 até os 28. Após a saída da prisão, Makhno retorna a sua terra natal e promove uma organização em massa de todos os trabalhadores do campo e da cidade conquistando terra para os camponeses e garantindo o controle dos operários sobre as industrias.

Durante a Guerra Civil Russa, comandou o Exército Negro da Ucrânia que defendeu a autonomia do povo ucraniano contra o exército branco (que defendiam o antigo regime) e o vermelho (bolcheviques). Seu exército conseguiu controlar grande parte de seu país e mostrou que um povo organizado pode transformar sua realidade sem se curvar a ninguém.

Relações da ocupação com o poder público

Até o presente momento (20/04), a ocupação não foi notificada por nenhum suposto dono ou autoridade do Estado. O que houve foi, no dia 15/04, a visita de um funcionário de um empresário que reivindica propriedade. Este apenas colocou que em breve o dono entraria com um processo para “retomar” a posse da propriedade. No primeiro e segundo dia houve visita de dois jornais locais que retrataram a luta das famílias pelo direito à terra.

No dia 19 de Abril, um homem engravatado fotografa a ocupação de maneira furtiva, porém sai correndo ao ver que foi descoberto. No dia 20/04, um contingente do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), da Polícia Militar do Ceará (PMCE), ronda a ocupação e utiliza de drones para realizar filmagem aérea do local.

A legitimidade

A ação das famílias acampadas é antes de tudo legítima. Não se pode aceitar que a grande massa popular viva privada do acesso à terra enquanto uma minoria acumula terra e tantos outros bens materiais. A razão desta acumulação não é o trabalho, pois se o trabalho desse direito à terra, quem mais teria terra é a classe trabalhadora que sofre por não ter um pedaço de chão.

Solidariedade de Classe

A Federação das Organizações de Base do Ceará (FOB-CE), assim como a Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), contribuem imensamente com esta luta. Articulando setores populares, sindicais e estudantis de norte a sul para fortalecer esta luta justa por terra e liberdade.

Logo ao entrar na terra, foi possível irradiar a notícia pelas redes sociais com muita força. Recebemos solidariedades de todo o Brasil e até internacional! Afirmamos assim, o internacionalismo proletário. Os trabalhadores de todo mundo tem muito mais semelhança entre si do que com as classes dominantes de seu próprio país.

A luta apenas começou. Sabemos que nada para o povo é dado, tudo é conquistado. Assim, pedimos a atenção de toda a classe para os momentos seguintes. Que possamos defender juntos o direito à vida digna, seja onde for.

VIVA À OCUPAÇÃO NESTOR MAKHNO

VIVA À ORGANIZAÇÃO POPULAR TERRA LIBERTA

FÉ NA LUTA: VENCEREMOS!

Caso queira entrar em contato com a ocupação, mande mensagem pela página do instagram ou pelo email ‘terraliberta.protonmail.com’ . Podemos articular doações presenciais de alimentos e materiais de construção por estes canais. Para transferências bancárias, estamos aceitando através do pix -> pixfobce@protonmail.com.

Fonte: https://lutafob.org/9745/

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agência de notícias anarquistas-ana

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

Guilherme de Almeida

Por que jovens no Reino Unido estão retornando ao anarquismo

Em meio a abusos descarados do poder do Estado e crescente desigualdade, os princípios anarquistas têm rastejado de volta para o mainstream. Jak Hutchcraft fala com algumas pessoas que lideram o ataque.

Quarta-feira, 19 de abril de 2023 | Texto de Jak Hutchcraft

Há um local fechado em uma estrada movimentada em Brighton. Encravado entre uma Oxfam e uma Fábrica de Cartões, não tem sinalização sofisticada, nenhuma indicação clara do que se passa dentro, ou se o lugar está aberto. Mas nas placas que cobrem as janelas há algumas palavras:

“Por um sistema social baseado na ajuda mútua e na cooperação voluntária: contra todas as formas de opressão. Estabelecer uma participação na prosperidade geral para todos – a quebra de barreiras raciais, religiosas, nacionais, de gênero e sexuais – para resistir à destruição ecológica e lutar pela vida de uma terra.”

Estou no Cowley Club, o centro social cooperativo anarquista e espaço musical de Brighton. Dentro há uma livraria e uma área de café exibindo títulos como Prison: A Survival Guide, A Primer on Anarchist Geography e Crass Reflections. Mais adiante na sala há um enorme mural em mosaico que diz Ajuda Mútua e Cooperação, ao lado de uma parede coberta de cartazes dizendo coisas como FIM DO CERCO em GAZA e Fascista bom é fascista morto. Um quadro de avisos à minha direita está cheio de panfletos e folhetos sobre caça à raposa, fraturamento hidráulico e próximos shows punk. Este local administrado por voluntários foi inaugurado em 2003 e realiza shows várias vezes por mês, além de organizar workshops e palestras, oferecer uma biblioteca gratuita, administrar um banco de alimentos e se orgulhar de ser uma base para “projetos dedicados à mudança social de base.”

“Também criamos um espaço onde diferentes grupos anarquistas podem se organizar, como sabotadores de caça ou qualquer outro tipo de grupo anarquista local, se quiserem planejar uma ação política direta”, diz Floralis, um dos voluntários. A jovem de 27 anos dedica seu tempo todas as semanas à livraria, ao café e à biblioteca, além de trabalhar em tempo integral em outros lugares. “Isso também significa apenas fornecer um espaço quente para as pessoas e alimentar as pessoas que estão com fome.” O espaço tem o nome do próprio Harry Cowley, que foi uma figura-chave na luta contra o fascismo na década de 1930, bem como na organização e campanha para as comunidades desabrigadas e desfavorecidas em Brighton.

A atividade de extrema-direita tem aumentado no Reino Unido nos últimos anos, com o projeto de lei antiprotesto do governo e a crescente retórica antimigrantes e antirrefugiados alimentando o ódio de cima para baixo. A oposição do Partido Trabalhista tem sido em grande parte desdentada após o fracasso do projeto de Corbyn, levando muitas pessoas a deixar o partido ou abandonar a política de Westminster completamente. Além disso, há a resposta do governo à pandemia, que ignorou os conselhos dos profissionais de saúde e se concentrou em dar contratos lucrativos a seus comparsas. Isso colocou a assistência social e o dever nas mãos do povo. Neste cenário, os valores anarquistas surgiram em lugares inesperados – e até mesmo mainstream. Um deles foi a resposta de ajuda mútua à pandemia.

“Alguém me enviou um link para o One Show na BBC. Você sabe, um programa realmente brilhante e feliz”, o escritor anarquista Dr. Jim Donaghey me diz por telefone de sua casa em Belfast. “Você raramente vê algo político lá, mas eles convidaram uma das pessoas que montaram a rede COVID Mutual Aid UK para o sofá para conversar. Eles são anarquistas e estavam sentados lá falando sobre os princípios da ajuda mútua. Todo mundo estava balançando a cabeça como, ‘Isso é ótimo. Todos ajudando uns aos outros, isso é fantástico!”

Havia 4.300 grupos de ajuda mútua criados por voluntários durante a pandemia para ajudar a fornecer alimentos e outros itens essenciais para comunidades em todo o Reino Unido; de Londres a Newcastle, no oeste do País de Gales, a Glasgow. Estima-se que esses projetos de base tenham até três milhões de voluntários em seu auge, e quatro em cada dez centros ainda estão ativos. Até o final de 2021, os conservadores tentaram sequestrá-los, chamando a resposta de “conservadorismo administrado pela comunidade.” No entanto, o Dr. Donaghey – um autodescrito “anarquista punk que trabalha na academia” na Universidade de Ulster – explica que a ajuda mútua é na verdade um princípio central do anarquismo. Um, que é tudo sobre as pessoas “ajudando uns aos outros em uma base democrática para garantir que as necessidades sejam atendidas, e não esperando que o Estado entre e faça isso por elas.” A frase foi cunhada pela primeira vez pelo anarquista e antropólogo russo do final do século XIX Peter Kropotkin. Em Mutual Aid: A Factor of Evolution (Ajuda mútua: um fator de evolução, 1902) ele afirma que a ajuda mútua está presente e é essencial por toda história humana e o reino animal. “[A ajuda mútua] está profundamente entrelaçada com toda a evolução passada da raça humana”, escreve ele.

Outra crença anarquista chave é a abolição da polícia e do sistema prisional. Apesar de ser aparentemente uma das ideias mais extremas e divisivas, também entrou na conversa principal nos últimos anos. Na esteira do horrível assassinato de George Floyd em 2020 e dos inúmeros outros vídeos de brutalidade policial contra pessoas de cor nos Estados Unidos, o Black Lives Matter (vidas negras importam) adotou #DefundThePolice (cortem os fundos da polícia) como um de seus focos. No Reino Unido, com o assassinato de Sarah Everard em 2021 e a prisão do estuprador em série e ex-oficial David Carrick no mês passado, muitos têm questionado o poder da polícia. Números recentes mostram que um em cada 100 policiais na Inglaterra e no País de Gales enfrentou acusações criminais somente em 2022, aumentando ainda mais a desconfiança pública. Na rádio BBC em janeiro, até mesmo a conservadora comissária de polícia e de crime, Donna Jones, pediu que a Polícia Metropolitana fosse “desmembrada” após o nível de corrupção e má conduta grave que veio à tona.

“Quanto dinheiro você precisaria do Conselho de Artes para incendiar um carro da polícia, todas as noites, por um mês no Fringe?” Liv Wynter grita no início de sua peça antipolícia How To Catch a Pig (Como caçar um porco). “Para cada instituição que queimamos, deixe algo crescer em seu lugar.”

Liv é uma dramaturga, performer, anarquista e abolicionista de Londres. Eles usam seu desempenho e criatividade como uma maneira de compartilhar suas ideias, seja através de sua banda punk Press Release ou coletivo DJ Queer House Party. “A cena DIY [punk] está cheia de um monte de neoliberalismo e as pessoas gostam de dizer ‘foda-se os Tories’ [conservadores] a cada dois dias, mas na verdade não está fazendo nada”, Liv me diz em uma videochamada. “How To Catch a Pig reúne pessoas que estão se organizando. Convidamos pessoas para reuniões, distribuímos guias de intervenção policial e guias de intervenção de parada e busca.”

Há percepções de anarquistas como violentos, e anarquia como caos. Com o discurso de Liv sobre carros de polícia em chamas em mente, pergunto-lhes se essas percepções são justas. “Para mim, é um momento ‘não vai ser fácil'”, dizem eles. “A revolução não vai ser uma coisa super simples. Vai ser longo, duro e difícil, e a polícia vai ficar maior e mais forte, e você vai ter que levar uma arma para o tiroteio, entende o que quero dizer?” Como Sarah Lamble escreve em seu livro Abolishing the Police (Abolindo a Polícia), a abolição não deve ser tratada como um evento singular ou revolucionário, mas como um processo contínuo – “um modo de vida e uma abordagem coletiva da mudança social.”

Ao longo da história, a mudança social tem sido liderada por duras batalhas. Quer se trate dos direitos das mulheres, da libertação gay ou do movimento dos direitos civis, tanto a ação direta violenta quanto a não-violenta têm sido usadas em graus variados para ganhar quaisquer liberdades que desfrutamos hoje. Floralis entrou no anarquismo através da leitura sobre o ativismo de Martin Luther King Jr., Malcolm X e os Panteras Negras quando adolescente.

“Eu cresci como uma pessoa de cor em uma cidade bastante branca. Eu entrei em um monte de história ativista porque eu estava experimentando o racismo, mas eu não entendia o que estava acontecendo comigo.” Como uma pessoa não-binária de cor, ela explica, ser uma anarquista faz parte de sua identidade. “Se você anda por Brighton, há uma razão pela qual a maioria das pessoas transexuais que você conhece são anarquistas”, explica ela. “É porque nós, como comunidade, nos ajudamos mais do que nosso governo nos ajudou. Se esperarmos por alguém para nos sustentar, então simplesmente não vamos sobreviver.”

Assim como Floralis, todos com quem falei tinham seus próprios pontos de entrada pessoais para o anarquismo, que não envolvem necessariamente falar e falar sobre a história política ou livros de teoria para se familiarizar com seus valores fundamentais. A música, especialmente o punk, é uma porta de entrada para muitos. Dr. Donaghey co-editou Smash The System! (Esmague O Sistema!) – um livro que examina a relação entre punk anarquista e resistência, cobrindo bandas, ativistas e movimentos anarquistas da Croácia até a China. Entre suas entrevistas está Asel Luzarraga, um músico basco e autor que foi enquadrado e condenado por terrorismo pelo governo chileno depois de escrever blogs discutindo a violência do Estado chileno contra o povo Mapuche indígena.

Mais perto de casa, a banda de black metal Dawn Ray’d hasteia a bandeira negra desde que se juntaram em Liverpool em 2015. “A anarquia vem da antiga palavra grega Anarkhia, que significa apenas sem governantes”, diz o vocalista e violinista/vocalista Simon Barr. “Eu acho que é uma explicação maravilhosa para isso, porque não significa caos. Isso não significa violência, necessariamente.” Ele continua dizendo que na verdade é o capitalismo que é inerentemente violento. “[O capitalismo] usa a violência para roubar recursos de todo o mundo. Move, destrói e mata as populações indígenas que estão no caminho. A violência está ao nosso redor o tempo todo. Você pode não estar sofrendo, mas está acontecendo. Então eu acho que quando alguém ataca e quebra uma janela ou dá um soco na cara de um fascista em um centro da cidade, isso é tão ruim quanto os crimes contra a terra e os crimes contra as pessoas que vemos sendo cometidos pela classe dominante constantemente?”

Apesar de suas visões militantes, Dawn Ray’d apareceu recentemente na capa da Kerrang! – a maior revista de rock do Reino Unido. “Eu tenho sido muito cuidadoso neste novo álbum para ser o mais politicamente direto possível, liricamente”, diz Barr. Tentamos viver essas ideias em nossas vidas diárias, com o melhor de nossas habilidades. Nós não diluímos nossas crenças de forma alguma. Para muitas pessoas, o apelo é a militância, eu acho.”

Não tem sido uma jornada tranquila para o trio, no entanto. A cena do black metal tem tido um problema com o fascismo e o neonazismo desde o seu início na Noruega no início dos anos 90. Na Grã-Bretanha, houve ligações diretas entre músicos de black metal e grupos terroristas de extrema direita, como a Ordem dos Nove Ângulos. “Fizemos um show beneficente antifascista e tiramos uma fotografia com uma bandeira de ação antifascista do lado de fora do local em Lewisham. Essa foto [foto acima] explodiu”, diz Barr. “Recebemos um monte de abusos online. Um monte de ameaças de morte. Tipo, centenas e centenas de respostas negativas a isso.” Em vez de assustá-los, porém, fez a banda dobrar seus valores. Seu novo álbum, ToKnow The Light (Conhecer A Luz), não deixa muito à interpretação, abrindo com o apelo à ação: “Foda-se a polícia, derrube as prisões, foda-se o estado, interrompa seus mecanismos. Rompa seu tecido, ação agora!

Como a reação à foto de Dawn Ray’d ilustra, as tensões políticas modernas muitas vezes se desenrolam no campo de batalha moderno das mídias sociais. No entanto, muitas mensagens anarquistas estão sendo proliferadas na imprensa, continuando uma longa tradição de jornais anarquistas no Reino Unido. Em Londres, encontro-me com George e Oriana, que fazem parte da Dog Section Press – uma editora sem fins lucrativos que publica inúmeros livros e que administra um jornal trimestral chamado DOPE. Com um público leitor de cerca de 30.000 (para o contexto, isso é mais do que o The Spectator), principalmente em Londres, Bristol e Manchester, a DOPE é dada aos vendedores de rua gratuitamente para vender por £ 3 uma cópia, o que lhe rendeu um apelido de “Big Issue anarquista.” Isso levanta £ 360.000 anualmente para os vendedores, muitos dos quais são vulneráveis, sem-teto ou vivem abaixo da linha de pobreza.

“Temos uma seção que fala sobre trabalho, uma seção que fala sobre libertação e uma seção que fala sobre prisão. O resto dos artigos são todos os tipos de coisas”, explica Oriana, que projeta as revistas, enquanto nos sentamos no andar de cima da livraria anarquista de longa data de Whitechapel, Freedom. Oriana trabalha frequentemente com artistas consagrados, como o artista de Sheffield Phlegm, especializado em enormes murais de rua surrealistas de criaturas do estilo Bosch e máquinas impossíveis. “Coisas bonitas não são apenas para pessoas ricas”, acrescenta. “Elas são para todos.”

“Tentamos incluir ideias atemporais”, acrescenta George. Infelizmente, muitas das coisas que estavam sendo combatidas há 100 anos ainda são completamente relevantes agora. Propriedade, moradia, prisão, trabalho, todas essas lutas anticapitalistas ainda são completamente relevantes. Os problemas com a polícia, os proprietários, a propriedade em geral, todas essas grandes ideias são atemporais.” A situação e o desequilíbrio entre chefes e funcionários também são indiscutivelmente piores agora do que eram cinquenta anos atrás. Com contratos de zero horas, falta de segurança no emprego, automação e greves em massa (incluindo uma greve total no NHS [Sistema Nacional de Saúde] pela primeira vez na história), as lutas que as pessoas estavam lutando na virada do século 20 estão muito vivas hoje.

Essa ideia de lutas recorrentes é ecoada por Jay Kerr, um anarquista de Londres que dirige a campanha contra fábricas clandestinas No Sweat. Ele me diz por telefone que sente que está lutando uma briga antiga, não uma nova. “As grandes marcas que exploram pessoas nos países em desenvolvimento e no Sul global são apenas uma extensão do que aconteceu há 100 anos no extremo leste de Londres. Muitas das soluções são semelhantes também, em termos de trabalhadores se reunindo, se organizando e lutando por melhores salários e condições, e outras coisas.” Ele cita Emma Goldman, uma trabalhadora que se tornou revolucionária anarquista e tomou medidas diretas contra as fábricas clandestinas no final do século 19.

O falecido antropólogo e ativista David Graeber argumentou em um ensaio de 2004 que o século XXI será um século de revolução anarquista. Ele contextualiza o anarquismo em nosso cenário político moderno e elogia as mudanças positivas na ação e no pensamento anarquistas. Ele também destaca os “detalhes” ausentes na visão, como alternativas concretas às legislaturas contemporâneas, tribunais e polícia, e também como uma visão política anarquista será realizada de maneira não autoritária. Textos acadêmicos à parte, porém, as crenças anarquistas não têm sentido, a menos que sejam postas em ação no mundo real. Seja fornecendo comida e refúgio para aqueles que precisam, como o Cowley Club, lutando ativamente contra o fast fashion como Jay no No Sweat, ou fornecendo um exemplo de como o mundo poderia ser, como os projetos de ajuda mútua ainda espalhados por todo o Reino Unido. Para as pessoas com quem conversei, o ativismo vem em primeiro lugar e a teoria vem em segundo lugar. Há enormes obstáculos enfrentados por aqueles que tentam mudar as coisas, mas nenhum grande o suficiente para anular sua luta por um amanhã melhor. Para citar o ensaio acima mencionado de David Graeber, “É claramente um processo de longo prazo. Mas então, o século anarquista está apenas começando.”

Se você é um anarquista ou não, com a agitação social, a crise do custo de vida, a crise climática, os abusos descarados de poder que vemos e a crescente desigualdade, é difícil não sentir que o sistema atual está falhando conosco. Na recente edição da DOPE, um escritor chamado “C” nos descreve como estando “entrincheirados em uma espécie de capitalismo zumbi”: “Ninguém realmente acredita nisso, não está mais realmente vivo, mas ainda tropeça, recusando-se a morrer.”

Com isso em mente, é de se surpreender que as pessoas estejam procurando por respostas em outros lugares? O sistema está realmente funcionando para alguém além dos super-ricos agora? E não cabe a nós, as pessoas, fazer do mundo um lugar mais justo e gentil? No passado, poderia ter sido fácil ignorar as questões que o anarquismo aborda de frente, como emprego, desigualdade, opressão e corrupção policial, mas em 2023 essas questões bateram em todas as nossas portas, em voz alta e com mais urgência do que nunca.

Fonte: https://www.huckmag.com/article/why-young-people-in-the-uk-are-returning-to-anarchism

Tradução > abobrinha

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sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento

Alexandre Brito

[São Paulo-SP] 1º de Maio de 2023 | Venha fortalecer esse encontro!

O 1º de Maio é um dia para lembrar da luta das pessoas trabalhadoras, uma data escolhida em memória dos cinco operários anarquistas que foram injustamente condenados à forca pelo governo dos Estados Unidos por lutarem por melhores condições de trabalho, em 1886.

O Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS-SP), a Biblioteca Terra Livre (BTL), o Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (Nelca) e a Coletiva Anarco Feminista Insubmissas (CAFI), convidam a todas, todos e todes para um cortejo com música (Bloco Fluvial do Peixe Seco e Fanfarra Clandestina) e panfletagem, pelo centro de São Paulo, saindo da Praça Roosevelt e tendo como ponto final a sede do CCS-SP. No salão do CCS haverá uma mini-feira com publicações dos coletivos organizadores e a leitura da peça de teatro “1º de Maio”, escrita por Pietro Gori. Venha fortalecer esse encontro, nossas memórias e nossa força coletiva para um presente de muita luta!

Data: 1º de maio de 2023

Concentração: 14h, Praça Roosevelt – SP

Saída: 14h30

Destino: Sede do CCS-SP – Rua Gal. Jardim, 253 – sl 22 – Vl. Buarque, São Paulo – SP

Encerramento: 20h

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os raios de sol
iluminam de manhã
o velho farol

Carlos Seabra

[Europa] Campanha de Solidariedade! | O Estado é o verdadeiro terrorista, liberte todos os presos políticos!

Camaradas em todo o mundo!

A repressão policial mostra sua verdadeira cara na Europa, atacando estruturas antifascistas, autônomas e anarquistas e escolhendo indivíduos como “líderes”, ameaçando-os com encarceramento de longo prazo. Essas coisas não devem ser vistas como incidentes isolados, mas sim como parte de um padrão maior de terror de Estado e repressão contra ativistas políticos na Europa.

Governos em todo o continente, incluindo Alemanha, Itália, Grécia e França, têm uma longa história de uso de violência policial, vigilância e repressão para suprimir a dissidência política e manter seu poder.

Eles usam o pretexto do terrorismo e outras ameaças para justificar suas ações. Mas, na verdade, é o Estado o principal terrorista, usando o sistema judiciário e a força bruta quando necessário para ameaçar, coagir, mutilar e até matar quem se empenha em lutar por justiça e igualdade. Na Alemanha, o governo reprimiu grupos de esquerda e antifascistas, usando leis antiterrorismo para justificar detenções e prisões.

Na Itália, o Estado também usou o antiterrorismo como desculpa para prisão e sentenças severas para camaradas.

E na França, o governo usou poderes de emergência para restringir as liberdades civis e reprimir os protestos durante a recente rebelião contra a reforma previdenciária.

Todos esses são exemplos claros desse estado de terror e repressão, e é nosso dever nos solidarizar com nossos camaradas e exigir sua libertação. Devemos também trabalhar para expor e desafiar o sistema mais amplo de violência e repressão do Estado que permite que tais injustiças ocorram.

Pedimos sua ajuda para apoiar nossos camaradas que atualmente são presos políticos na Europa. Esses indivíduos foram perseguidos e presos por suas crenças e ações políticas e precisam de nossa solidariedade e apoio.

Nossa campanha está focada em arrecadar fundos para fornecer assistência financeira a vários presos políticos, incluindo o anarquista italiano Alfredo Cospito, a antifascista alemã Lina e vários camaradas franceses presos nos últimos distúrbios contra a reforma previdenciária. Esses indivíduos foram presos e acusados de vários crimes relacionados ao seu ativismo e crenças políticas, e estão enfrentando longas penas de prisão, despesas médicas e honorários advocatícios.

Ao apoiar nossa campanha, você estará ajudando a fornecer assistência financeira crucial a esses indivíduos e suas famílias. Suas doações serão usadas para cobrir honorários advocatícios, despesas médicas e outros custos associados à prisão.

Nosso objetivo é arrecadar pelo menos 2500 Euros que iremos dividir pelos diferentes casos.

Acreditamos que ninguém deve ser preso por suas crenças políticas e estamos comprometidos em nos solidarizar com nossos camaradas que estão atualmente sob ataque do Estado. Com a sua ajuda, podemos fornecer o apoio de que precisam e combater o terror do Estado.

Eles têm as armas, o dinheiro e o sistema prisional. Temos uns aos outros e nossa solidariedade eterna.

Vamos usá-la, vamos vencer!

Lute contra o terror de estado!

Aliança Nórdica Revolucionária Autônoma – ARNA

>> Para apoiar a campanha clique aqui:

https://www.firefund.net/thestateistherealterrorist

Tradução > Contrafatual

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em vão espero
as desintegrações e os símbolos
que precedem ao sonho

Jorge Luis Borges

[França] Lançamento: “As raízes libertárias da ecologia política”, de Patrick Chastenet

Os cinco pensadores apresentados aqui por Patrick Chastenet compartilham o mesmo amor pela liberdade e pela natureza. Três afirmam ser anarquistas, dois estão próximos disso, todos enriqueceram profundamente o solo libertário da ecologia política. O autor tornou-se amigo de Jacques Ellul, de quem é um especialista reconhecido. Ele simpatizava com Ivan Illich e Bernard Charbonneau antes de descobrir as obras de Élisée Reclus e Murray Bookchin.

Seu livro, rigoroso e animado, nos apresenta os pensamentos desses precursores ainda muito pouco conhecidos, mas cuja atualidade continua a nos surpreender.

Les racines libertaires de l’écologie politique

Patrick Chastenet

240 páginas | 16 x 22,5 cm | 20 euros | 9782373091182 ISBN

www.lechappee.org

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Meio-dia. O cego
marcha, batendo, batendo
sobre a própria sombra.

Alexei Bueno

Defenda a floresta

Stop Cop City ou Defend Atlanta Forest é um movimento descentralizado cujo objetivo é impedir a construção do Atlanta Public Safety Training Center na floresta (EUA). O movimento surgiu a partir do Black Lives Matter, após o assassinato de George Floyd e Rayshard Brooks em 2020.

O local proposto para a instalação fica na floresta de Weelaunee, onde se localizava a Old Atlanta Prison Farm, uma fazenda-prisão criada em 1920, onde os presos, na maioria pessoas não-brancas, eram torturados e forçados a trabalhar em condições de escravidão. A Cop City é uma afronta, tanto pela escolha de um local historicamente relacionado ao racismo, quanto pela destruição da floresta e pelo fato de que a militarização da polícia significa apenas mais violência policial nas comunidades pobres da região.

Em resposta, vários protestos contra Cop City foram organizados, incluindo um acampamento na floresta para impedir a construção. No dia 18 de janeiro de 2023, a polícia atacou um desses acampamentos e matou Manuel “Tortuguita” Esteban Paez Terán com mais de 50 tiros. Tortuguita era eco-anarquista não-binárie de origem venezuelana. Os tiros foram disparados depois que um policial foi ferido na perna. O áudio da câmera que os policiais usavam sugere que o ferimento foi resultado de um disparo equivocado de outro policial. 

A autópsia também não encontrou nenhum resíduo de pólvora nas mãos de Tortuguita. Com base na trajetória das balas e dos ferimentos em ambas as mãos, a autópsia indica que Terán estava com as mãos levantadas e de pernas cruzadas. Mas um relatório de análise balística forense afirma que uma pistola 9 mm pertencente a Terán (comprada legalmente em 2020) foi usada contra o policial. Os detalhes deste relatório não foram divulgados publicamente.

Tortuguita tinha 26 anos, estudou na Universidade da Flórida, atuou em vários movimentos de justiça social, incluindo Food Not Bombs!, e faria 27 anos hoje, dia 23 de abril de 2023. Este assassinato não será esquecido. Em memória de todas as pessoas presas e assassinadas pelo estado, em defesa de todas as florestas, contra todo racismo e toda forma de opressão policial, a luta continua.

Fonte: https://medium.com/contra-a-civiliza%C3%A7%C3%A3o/defenda-a-floresta-e4ed299491f1

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folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins