[Itália] Operações de busca e apreensão relacionadas ao ataque de 2023 ao tribunal de Pisa.

Na manhã de 11 de setembro, uma operação policial coordenada pela DDAA [Direção Distrital Antimáfia e Antiterrorismo] na principal cidade da Toscana e conduzida pela DIGOS [Divisão Geral de Investigações e Operações Especiais] em Pisa e Florença ocorreu nos municípios de Carrara, Montignoso, Pisa e Sarzana.

A operação parece ter sido batizada de “Entrega” [Delivery].

Conforme nossas informações, dois companheiros anarquistas que estão sujeitos a uma ordem de prisão preventiva em regime de prisão domiciliar (ainda não se sabe se há alguma restrição específica; atualizações serão fornecidas) foram presos em Pisa e Carrara.

Os camaradas – que já haviam sido revistados em 26 de março em relação aos mesmos atos – estão sob investigação por “atos terroristas envolvendo dispositivos letais ou explosivos” e outros crimes relacionados. Isso faz parte do processo relativo ao ataque ao tribunal de Pisa em 21 de fevereiro de 2023. Gostaríamos também de salientar que os camaradas estiveram envolvidos na operação “Scripta Scelera” de 2023, orquestrada pela DDAA de Gênova [Genoa] contra a revista quinzenal anarquista internacionalista “Bezmotivny” (e que essencialmente “naufragou” durante o julgamento realizado em Massa contra quatro réus).

De acordo com as últimas informações, os outros camaradas envolvidos nesta operação foram apenas revistados em suas casas e veículos. Isso também estava relacionado ao crime de “associação subversiva com o objetivo de terrorismo ou subversão da ordem democrática”.

“Todos os dias, em todos os tribunais, centenas de pessoas exploradas são condenadas. Por meio de sentenças, homens e mulheres são enterrados em prisões e suas amizades e relações amorosas são mutiladas. Por meio de explosivos, estruturas serão atingidas e homens poderosos serão mutilados. Por cada morte no mar, na prisão, no trabalho, nos CPRs, não uma, mas 100 bombas contra os senhores. Suas câmeras e guardas patrulhando a cidade nunca serão suficientes para impedir que a ação penetre em seus prédios”, dizia a declaração do Gruppo di Solidarietà Rivoluzionaria – Consegne a Domicilio [Grupo de Solidariedade Revolucionária – Entregas em Domicílio] (afiliado à FAI-FRI), sobre a ação contra o tribunal. Esta ação fez parte de uma intensa mobilização contra o regime prisional 41 bis e a prisão perpétua sem liberdade condicional, e foi realizada em solidariedade com Alfredo Cospito, que estava em greve de fome há mais de 120 dias na altura. “Solidariedade com todos os prisioneiros revolucionários em todo o mundo. Apoiem as lutas sociais com a luta revolucionária”, concluía o texto.

AO LADO DOS CAMARADAS PRESOS

Dois dos que foram revistados

ATUALIZAÇÃO: Os camaradas estão em prisão domiciliar com todas as restrições (sem comunicação ou visitas permitidas).

Fonte: https://abolitionmedia.noblogs.org/21449/

Tradução > Lagarto Azul / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio

Alphonse Piché

[Espanha] Crentes, agnósticos e… ateus lúcidos!

Já disse outras vezes que, quando (muito) jovem – pecados da juventude –, fui um fervoroso crente político. Não no sentido estritamente religioso, mas acaba sendo algo muito parecido para o assunto que nos interessa. No meu caso, terrivelmente inclinado para a esquerda na minha juventude, a crença consistia em confiar no sistema eleitoral para mudar as coisas (para melhor, entende-se). Devo dizer, deixando de lado qualquer aparência de modéstia, que isso não me fez cair em nenhum tipo de fanatismo, nem abraçar qualquer dogma (coisas que, frequentemente, são extremamente equivalentes). Apesar disso, como todo crente de qualquer tipo e nível, isso me dava uma dose nada desprezível de tranquilidade existencial, que agora não tenho nem busco.

A questão é que, com os anos, meu ateísmo político foi aumentando sem que – e aqui é onde começo a falar uma língua desconhecida para grande parte das pessoas – eu tenha me tornado uma espécie de desligado nem um sem-vergonha (pelo menos, não para uma determinada visão das coisas distante da reação). No lugar deste último termo depreciativo, eu usaria o de “cínico” no seu sentido mais vulgar, mas vamos ter respeito por essa escola de filósofos, que não eram desprovidos de vergonha no pior sentido, mas sim excêntricos e céticos em relação às convenções sociais. Sim, também sou orgulhosamente cínico nesse sentido.

Esse meu ateísmo tão lúcido e pertinaz, também chamado de niilismo – termo que quase agrada mais a mim, por ser outro conceito profundamente mal interpretado –, faz com que a não participação política se desenvolva em mim de uma maneira terrivelmente natural e, por que não dizer assim, existencialmente prazerosa. Eu sou assim, o que vamos fazer?

Claro, quando falamos de política em sentido amplo, não nos referimos exclusivamente a, de vez em quando, ir votar num bando de iluminados para que decidam por você – mas vá explicar isso para o povão (com perdão). Há quem considere que a crença em uma autoridade sobrenatural (chamem de Deus ou como quiserem) está intimamente ligada à subordinação à autoridade política (chamem de Estado, por favor). Não, não falo desses sonhadores loucos anarquistas, que claro, também, mas me refiro a importantes juristas desta época contemporânea declaradamente insana.

Minha trajetória de vida – e isso não enriquece em nada meu desenvolvimento pessoal, sejamos extremamente sinceros – está cheia de inúmeros encontros dialéticos com crentes de vários graus. Nessas experiências, muitas vezes se acredita que, fora dessa forma de democracia – onde você escolhe o amo ao seu gosto com uma deliciosa aparência de liberdade –, há coisas muito piores: ditaduras, caos… Por outro lado, desculpem de novo, mas esse argumento só confirma ainda mais nossa posição, já que parece muito similar à crença religiosa, segundo a qual a falta de fé abre a porta para todos os males possíveis.

Dirão que, claro, há não crentes não praticantes, ou seja, que vão votar e o fazem por motivos peculiares, como achar que é melhor que uns governem do que outros. Tudo bem, será que são ateus só na aparência, mas respeitam os sagrados sacramentos e querem um sumo pontífice progressista? Sem comentários.

Num debate recente, num contexto tão questionável quanto o balcão de um bar, meus interlocutores reconheceram dois fatores tão esperançosos quanto: que a corrupção dentro do sistema é intolerável e que – não necessariamente ligado ao anterior – não se pode mudar as coisas dentro dele. Mas isso foi seguido por uma frase do tipo “mas tem que ir votar”. Claro, não era a primeira vez que ouvia esse argumento, mas eu mesmo ainda me surpreendo com minha capacidade de ficar pasmo.

Entender que o sistema político é um circo, cheio de lixo e mentiras, não faz com que muita gente perca a fé – acaba sustentando a tenda de um jeito ou de outro. Claro, sempre há a opção – também frequentemente mencionada nesses pseudo-debates – de votar em branco. Tudo bem, mas então você não é um ateu de verdade, meu amigo, é uma espécie de agnóstico; ou seja, alguém muito provavelmente ávido por continuar acreditando, talvez trocando os deuses, mas mantendo o esquema intacto.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/creyentes-agnosticos-y-lucidos-ateos/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Manchas de tarde
na água. E um vôo branco
transborda a paisagem.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Programação do IV Congresso Internacional de Pesquisas sobre Anarquismo(s)

O IV Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo(s) será realizado em Santiago de 8 a 11 de outubro de 2025, marcando um novo marco no diálogo e na reflexão sobre as ideias libertárias.

Após suas edições bem-sucedidas em Buenos Aires (2016), Montevidéu (2019) e São Paulo (2022), este encontro consolida sua tradição de ser um espaço plural e transdisciplinar. Com o apoio institucional do Departamento de História da Universidade de Santiago do Chile (USACH), o congresso promete quatro dias de intenso intercâmbio intelectual e cultural.

O evento acontecerá em diferentes locais, combinando o rigor acadêmico com a divulgação cultural e o encontro comunitário.

• De 8 a 10 de outubro:

As jornadas principais de palestras e mesas temáticas serão realizadas nas dependências:

Universidade de Santiago do Chile (USACH), Casa Central

Av. Alameda Libertador Bernardo O’Higgins #3363, Metrô Estación Central, Santiago

(Salão de Honra – Auditório Eduardo Morales)

Instituto de Estudos Avançados (IDEA-USACH)

Román Díaz # 89, Metrô Salvador, Providencia, Santiago.

(Auditório IDEA – Sala Videoconferências IDEA)

Librería Proyección

(San Francisco #51, Metrô U. de Chile, Santiago)

• Sábado 11 de outubro: A clausura será de 10:30 a 18:00 hrs em:

 Escola Popular de Artes

(Santa Rosa #599, Metrô Matta,Santiago).

O programa oficial, disponível para consulta, detalha uma vasta agenda organizada em eixos temáticos que abrangem história, filosofia, educação, gênero, ecologia e muito mais.

Para acessar a programação detalhada, conhecer os horários específicos de cada atividade e ficar por dentro das últimas novidades, os organizadores convidam a seguir as contas oficiais:

• Instagram: @4congresoanarquismos

• Blog: https://4congresoanarquismos.noblogs.org/

• E-mail de contato: 4congresoanarquismos@gmail.com

Esperamos você em Santiago para construir, debater e aprender juntos!

agência de notícias anarquistas-ana

Recolhida em si mesma
a alma do figo
é flor em za-zen.

Yeda Prates Bernis

A Rua é Nossa! Semeando a Anarquia em Muriaé/MG!

Companheiras, companheiros, povo trabalhador de Muriaé e de todo o Brasil!

No dia 29 de setembro, as ruas da cidade foram tomadas por uma voz que não é a dos poderosos, não é a dos políticos profissionais e muito menos a dos exploradores. Foi a voz do povo, ecoando em alto e bom som através da ação direta da União Anarquista Federalista (UAF). Panfletos que desmascaram a farsa do Estado e do Capital foram distribuídos mão a mão. Cartazes que clamam por liberdade e autogestão foram fixados como bandeiras de guerra nos muros da cidade. A propaganda revolucionária não pediu licença: ocupou.

Este não foi um simples passeio. Foi um ato de coragem e um lembrete potente: a organização popular não espera por eleições, não deposita esperança em salvadores de paletó. A mudança real nasce da base, das mãos calejadas de quem constrói a riqueza e dos pés cansados de quem pisa o asfalto todos os dias. A UAF, com esta ação, não veio trazer uma verdade pronta, mas sim um convite à luta e à construção coletiva. Veio dizer que a semente da anarquia – que é a semente da liberdade, da solidariedade e do apoio mútuo – pode e deve florescer em cada bairro, em cada fábrica, em cada escola.

Enquanto o Estado nos oprime com seus impostos, sua polícia e suas leis que só servem para proteger a propriedade privada dos ricos; enquanto o Capital nos explora com salários de fome, jornadas exaustivas e a ameaça constante do desemprego, nós, anarquistas, respondemos com a única linguagem que eles entendem: a Ação Direta.

Distribuir um panfleto é um ato de ação direta. É educar, é agitar, é organizar sem intermediários.

Fixar um cartaz é um ato de ação direta. É retomar o espaço público que nos é roubado pela propaganda comercial e pelo cinismo político.

Ocupar as ruas é um ato de ação direta. É mostrar que a cidade também nos pertence, a nós, a classe que a constrói e a mantém de pé.

Mas esta ação, por mais importante que seja, é apenas o começo. Uma faísca num campo seco de injustiças. Sozinhos, somos facilmente abafados.

Organizados, seremos uma tempestade que nenhum governo consegue conter.

A UAF não quer ser a sua vanguarda. Quer ser a sua ferramenta, o seu braço organizado na luta cotidiana. Convocamos a todas e todos que se identificam com esta luta:

  • Aos que estão cansados de ser governados: Juntem-se a nós!
  • Aos que sonham com uma sociedade sem patrões nem Estado: Juntem-se a nós!
  • Aos que acreditam que o poder deve estar nas mãos do povo, organizado de baixo para cima: Juntem-se a nós!

Não basta torcer pela revolução na sombra. É preciso construí-la à luz do dia. É preciso estudar, debater, formar grupos de afinidade, criar sindicatos combativos, fortalecer as comunidades e, acima de tudo, agir.

A semente foi plantada em Muriaé. Cabe a nós, povo organizado, regá-la com nossa coragem e nossa luta incessante. Que a ação de 29 de setembro seja a primeira de muitas. Que cada rua, cada praça, cada coração oprimido se torne um território livre da luta anarquista.

Pela organização popular! Pela ação direta! Pela revolução social!

Viva a Anarquia! Viva a UAF!

União Anarquista Federalista (UAF)

uafbr.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

probleminhas terrenos:
quem vive mais
morre menos?

Millôr Fernandes

[EUA] História radical e predecessores revolucionários: O que a juventude queer deve saber sobre seus ancestrais

É hora de recuperar o que é nosso, de reapropriar os muitos fragmentos de nosso legado popular de boa rebeldia.

Por Cindy Barukh Milstein

O texto a seguir é um trecho adaptado de “Be Gay, Do Crime: Everyday Acts of Queer Rebellion” (Seja gay, cometa crimes: atos cotidianos de rebelião queer), editado por Riley Clare Valentine, Blu Buchanan, e Zane McNeill, colaborador da LGBTQ Nation.

Esses dias, frequentemente se encontra o slogan “Proteja crianças trans” em camisetas, pintado em banneres, ou entoado nas ruas durante manifestações. Os radicais acrescentaram um toque especial, intercalando ilustrações de uma rosa e uma adaga entre essas três palavras simples, dando-lhes um toque mais ousado. Mas ume amigue minhe anarquista de quinze anos recentemente compartilhou sua crítica sobre essa frase popular, declarando categoricamente que: “Nós podemos nos defender!”.

Sua afirmação aponta para os superpoderes de muitos jovens de hoje, ao menos a partir de meu ponto de vista como pessoa queer mais velha e anarquista em Turtle Island. Elus já sabem, desde cedo, que não se encaixam nos padrões heteronormativos. Elus já parecem abertamente confortáveis com quem são, de tantas maneiras fabulosas que não se enquadram nos padrões de gênero e até mesmo que aboliram o gênero. E, como adolescentes e até pré-adolescentes, elus já estão reagindo e se esforçando para criar suas próprias utopias queer.

Todavia, essas juventudes frequentemente não percebem que seu espírito de luta não é tão diferente do de seus antepassados, nem sua dedicação à autodefesa da comunidade. Basta dar uma olhada em apenas uma citação desta ampla amostra de atos cotidianos de resistência e rebelião queer, proclamada pelo antifascista gay Willem Arondeus quando enfrentada a execução por ações militantes diretas contra o nazismo… “Homossexuais não são covardes.” Na verdade, muitos de nós, adultos, também não conhecemos nossas próprias histórias vindas de baixo.

A história, como diz o ditado, é escrita por aqueles que estão no poder, que intencionalmente conspiram para solidificar seu domínio coercitivo e violento, apagando tudo o que não se conforma à sua narrativa. Os hegemônicos vitoriosos — sejam eles o colonialismo e o capitalismo; os Estados, a polícia, e as prisões; ou os homofóbicos, transfóbicos, e fascistas —, em essência, colocam nossas histórias populares em um armário e trancam a porta.

Ou é isso o que eles pensam.

Be Gay, Do Crime, com sua abundância de ofertas calendáricas, age como um alicate de corte. Cada entrada abre outro cadeado, permitindo-nos roubar de volta o que é nosso. Para reapropriar os muitos fragmentos de nossos legados de boa rebeldia, que de outra forma seriam “perdidos” para as histórias impostas de cima para baixo, e usar esses gloriosos remanescentes, essas pontas soltas, para criar figurativamente nossos próprios amuletos de proteção mútua. E para compartilhar esses talismãs da lembrança livremente com cúmplices, co-conspiradores e outros hereges visionários como o material que sustenta nossa construção de mundo não sancionada e descaradamente mágica.

Este livro é de fato uma forma de proteção comunitária – um tema que permeia todas as suas páginas. É o tipo de proteção que vem do aprendizado sobre a história radical e os antecessores revolucionários, tirando força do conhecimento de que já fizemos isso antes, e não apenas uma ou duas vezes. Durante séculos, resistimos e nos revoltamos, fizemos avanços, choramos entes queridos, experimentamos e às vezes falhamos, criamos espaços autônomos, grafamos paredes e bloqueamos prédios, escolhemos nossos próprios parentes, emprestamos nossos corações e solidariedade, vivemos perigosamente e dançamos ilegalmente, nos rebelamos e nos assumimos, lutamos, desafiamos fronteiras e quebramos binários, permanecemos ilegivelmente subversivos e muito mais.

Como cada capítulo nos lembra, quando chega a hora da verdade, defendemos uns aos outros, e a sabedoria não desaparece, mesmo que os poderes constituídos conspirem para enterrar nossas histórias. “Estamos aqui, somos queer, não vamos desaparecer” (Noruega, 25 de junho de 2022). E quer sejamos jovens, idosos ou qualquer coisa entre os dois, como este livro sublinha, persistimos em atos diários de reciprocidade que reduzem os danos e aliviam o sofrimento, dentro e fora dos nossos círculos.

Ou como o poeta Federico García Lorca diz… “Eu sempre estarei do lado daqueles que não têm nada e que nem sequer podem desfrutar em paz do pouco que têm”.

Fonte: https://blog.pmpress.org/2025/08/25/radical-history-revolutionary-predecessors-what-queer-youth-should-know-about-their-ancestors/

Tradução > Lagarto Azul / acerto trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Lua de primavera.
O teu brilho não permite
que eu aperte o passo.

Neide Portugal

[Espanha] XIII Jornadas Homenagem “Dia da Guerrilha” – El Torno (Cáceres)


Nos próximos dias 3 e 4 de outubro, o povo de El Torno acolherá as XIII Jornadas Homenagem Dia da Guerrilha, um espaço de memória e dignidade para honrar aqueles que se levantaram contra o fascismo e a opressão.

Na sexta-feira, 3, às 19h30, na Casa de Cultura Dulce Chacón, serão abertas as jornadas com a apresentação do livro Extremadura Contra o Olvido, a cargo de Ángel Olmedo e Chema Álvarez.

No sábado, 4, o Mirador da Memória será o palco do ato central de homenagem às guerrilheiras, guerrilheiros e a todas as pessoas que, com coragem e esperança, lutaram pela liberdade. A jornada continuará no local de Las Vaquerizas com um almoço fraterno, a apresentação do jornal Extremadura Livre e apresentações musicais. À tarde, às 19h00, a Casa de Cultura acolherá a apresentação do livro Querida mía, a cargo de Paqui Maqueda Fernández.

Estas jornadas não são apenas uma lembrança: são um grito vivo de resistência, um lembrete de que a memória não se rende e de que a luta contra toda forma de dominação continua pulsando em nossos povos.

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem pára-quedas

João Acuio

[Grécia] Patras: Chamada para a Greve Geral de 1º de outubro

1º DE OUTUBRO: GREVE GERAL

CONCENTRAÇÃO: 10:30 PRAÇA GEORGIOU

Contra a guerra, o sionismo, o imperialismo

Liberdade para a Palestina – Bloqueio ao genocídio

Solidariedade a quem zarpa para Gaza

Contra a pobreza, a miséria, o feudalismo trabalhista, os despejos e leilões de casas, os assassinatos patronais, o terrorismo de Estado e a criminalização das lutas

Não esquecemos – não perdoamos o crime estatal-capitalista em Tempe

Solidariedade ao grevista de fome Panos Routsis

Nenhuma paz sem justiça

ORGANIZEMOS A AUTODEFESA SOCIAL – E O CONTRA-ATAQUE DE CLASSE

Organização na base | Unidade na ação

Após o término da marcha de protesto, haverá uma festa no espaço autogerido “Epi ta Prosopou”, onde parte da renda será destinada ao apoio financeiro de uma família de trabalhadores com 3 filhos, cuja eletricidade foi cortada há um mês devido a uma dívida de 1500 euros.

Grupo Anarquista “Cavalo Indomável”

agência de notícias anarquistas-ana

ipê amarelo
até a calçada
floresce

Ricardo Silvestrin

[Itália] Manifestação antimilitarista em La Spezia

Ontem (27/09), em La Spezia, grande sucesso da marcha “Reconvertamos a Seafuture”, contra a feira da indústria militar-naval. Uma manifestação participativa e determinada percorreu as ruas da cidade para gritar bem alto sua oposição às feiras da morte, à indústria de armas, contra todas as guerras e massacres, a começar pelo genocídio em Gaza.

No final do ato, foi montado um acampamento na praça para dar continuidade à mobilização. Foi forte a presença antimilitarista e anarquista, e grande a contribuição das companheiras e companheiros para construir este marco. Nos discursos, foi também anunciado o próximo protesto: a marcha de 29 de novembro em Turim, contra a feira da indústria aeroespacial, promovida pela Assembleia Antimilitarista.

Tradução > Liberto

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Suando com nunca,
Rego as flores no quintal —
Primavera quente!

Sandra Miyatake Sakamoto

Frantisek Kupka, pintor, ilustrador, cartunista e anarquista

Em 23 de setembro de 1871, o pintor, ilustrador, cartunista e anarquista Frantisek Kupka nasceu em Opočno, onde hoje é a República Tcheca. Iniciou sua formação artística na Academia de Belas Artes de Praga, onde estudou pintura e desenho.

Em 1896, fixou residência permanente em Paris… e foi na capital francesa que colaborou com grupos anarquistas e estabeleceu laços de amizade com ativistas libertários, especialmente entre 1900 e 1912.

Mais tarde, ele começaria a criar cartazes para cabarés e a ilustrar publicações satíricas e anarquistas, como Cocora, Children’s Corner, Les Temps Nouveau ou The Butter Plate, onde criticava o dinheiro, o militarismo e as religiões.

Ele também criará a capa do panfleto de Kropotkin “O regime assalariado” (1909), as ilustrações para o último volume da obra de Élysée Reclus “O homem e a terra” e, em 1909, preparará as ilustrações para uma nova edição da obra de Kropotkin “A grande revolução”, que infelizmente foram perdidas.

Além de seu trabalho como ilustrador, a criação artística de Kupka durante esses anos evoluiria dentro do movimento simbolista. A partir de 1906, ele começou a estudar a fundo a teoria da cor, com base nas teorias de Newton e Goethe, o que o levaria à criação de obras com cores intensas aplicadas arbitrariamente, constituindo o primeiro passo para seu afastamento definitivo da arte representacional e se aproximar da abstração.

No final da primeira década do século XX, começou a escrever textos estéticos, como A Criação nas Artes Plásticas, e participou das reuniões dos irmãos Duchamp Villon.

Foi membro de vários grupos de vanguarda, incluindo a Section d’Or e a Abstraction-Création . Ele também era amigo de muitos outros artistas famosos da época, incluindo Kandinsky e Mondrian. O trabalho de Kupka foi altamente inovador, apresentando cores ousadas, formas geométricas e composições dinâmicas. Hoje, Kupka é reconhecido como um dos pioneiros da arte abstrata, e seu trabalho é altamente considerado por sua originalidade e criatividade. Suas pinturas podem ser encontradas nos principais museus e galerias de todo o mundo, incluindo o Centre Pompidou em Paris, o Museu de Arte Moderna de Nova York e o Museu de Belas Artes de Houston.

agência de notícias anarquistas-ana

silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

Terá o anarquismo o mesmo destino que o comunismo, na Indonésia?

A polícia está detendo aqueles rotulados de “anarcos”, enquanto livros são, mais uma vez, coletados como evidência. Estará a Indonésia testemunhando o retorno de velhos hábitos autoritários?

Por Fadiyah Alaidrus | 18/09/2025

Jorgiana Augustine (28), estudante de pós-graduação em Direito que trabalha como assistente jurídica voluntária, participa do Dia do Trabalhador em Jacarta vestindo somente uma camiseta azul, leggings e uma bolsa tipo sling. Jorgiana, também conhecida como Oji, planeja sair com os amigos depois do evento, esperando que a manifestação permaneça pacífica, ao contrário de muitos protestos recentes em Jacarta. A atmosfera festiva, com bandas se apresentando em um palco na frente do prédio da Câmara dos Deputados, parece confirmar o seu otimismo.

Ela não esperava que a sua participação a tornasse suspeita, com a mídia nacional a identificando como uma “intrusa anarquista” no protesto. Essa caracterização surgiu depois que a polícia deu uma entrevista coletiva, fazendo tais alegações.

“O uso do termo ‘intrusa anarquista’ carrega uma conotação negativa, fazendo parecer que a palavra ‘anarquista’ é criminosa, quando na verdade é apenas uma ideologia ou ideia”, diz Oji.

Oji é uma das 14 pessoas presas e acusadas no Dia do Trabalhador; em Jacarta, incluindo três dos seus colegas paramédicos. Nos protestos do Dia do Trabalhador em Bandung e Semarang também foi alegado haver infiltração por algum coletivo anarquista, levando outros a se tornarem suspeitos.

Embora a Indonésia não proíba as pessoas de terem uma ideologia anarquista ao contrário do comunismo ou do marxismo-leninismo, a polícia costuma rotular os manifestantes detidos como parte do movimento anarquista. No entanto, Oji nunca fez parte de nenhum coletivo anarquista.

Oji apresentou queixa ao Conselho de Imprensa sobre a cobertura da mídia que a identifica como “intrusa anarquista”. Embora isso tenha levado um veículo de comunicação a alterar a manchete, muitas publicações mantiveram a sua abordagem original. Oji quer fazer com que a plataforma de mídia entenda que é um problema continuar usando os termos “anarquista” e “intrusa” para identificar manifestantes ou o pessoal de suporte.

Cho Yong Gi (22), paramédico que se tornou suspeito no protesto do Dia do Trabalhador, diz que logo após ser detido pela polícia, foi questionado se era parte do movimento “anarco” ou não. “Foi a segunda pergunta depois de pedir minha identidade”, diz.

Anarquismo na Indonésia

A Instituição Policial da Indonésia publica uma série de vídeos chamada “Resposta da Polícia: Caos, Polícia Persegue Anarquistas” no site oficial. A série afirma que grupos anarcossindicalistas provocaram algumas manifestações e as levaram ao caos, nos últimos anos, citando como exemplos os últimos protestos do Dia do Trabalhador em Jacarta, Bandung e Semarang.

“Grupos anarquistas geralmente têm a característica distinta de invadir protestos, [como] vestir roupas totalmente pretas, distribuir propaganda por meio de panfletos ou grafites, destruir símbolos do Estado ou instalações públicas”, diz a narração da série. O vídeo explica três abordagens policiais ao movimento anarquista: “inteligência, prevenção e repressão proporcional” que, segundo a publicação, ajudam a equilibrar a liberdade de expressão com a ordem pública.

Recentemente, a Instituição Policial e Militar também foi ordenada pelo presidente Prabowo Subianto a tomar medidas firmes contra “ações anarquistas”. Recentemente, a Instituição Policial e Militar também recebeu ordens do presidente Prabowo Subianto para tomar medidas firmes contra “ações anarquistas”.

Quando solicitamos uma entrevista com dois funcionários da Instituição Policial da Indonésia, bem como com seu departamento de relações públicas, nenhum deles respondeu até a publicação deste artigo.

Ferdhi Putra, pesquisador independente e escritor sobre o movimento anarquista na Indonésia, afirma que o movimento anarquista cresceu desde a Reforma de 1998, e agora pode ser encontrado tanto em áreas urbanas quanto rurais em todo o país. No entanto, existe um equívoco sobre o movimento de que “anarquismo é violência, então qualquer pessoa que cometa violência é chamada de anarquista”.

A polícia já havia usado o rótulo “anarco” para descrever manifestantes em Yogyakarta em 2018, com 11 pessoas detidas. Contudo, Ferdhi argumenta que isso se tornou um padrão sistemático depois que o então chefe da Polícia Nacional, Tito Karnavian, declarou que a instituição abordaria o “problema anarcossindicalista” da Indonésia.

A declaração foi feita depois que a polícia regional de Bandung prendeu 619 pessoas que vestiam roupas pretas, depois as despiu publicamente e raspou as cabeças. A luta da instituição policial de Java Ocidental contra a comunidade anarco em Bandung continua até hoje, pois afirmam que “os anarco são inimigos comuns” no site oficial.

Ferdhi diz que o movimento anarquista na Indonésia é muito diversificado. Embora alguns usem o vandalismo como tática, principalmente contra símbolos de autoridade, como delegacias de polícia, nem todo vandalismo vem do movimento anarquista.

Com o padrão atual, Ferdhi argumenta que o movimento anarquista pode ser um novo “comunismo”, no sentido de que a autoridade identifica um inimigo comum com base na ideologia. “Isso é uma repetição. Eles (a autoridade) costumavam ter como alvo os comunistas, depois os terroristas e agora os anarquistas”, diz ele.

O desafio para as autoridades, explica Ferdhi, é que os anarquistas não têm uma organização, estrutura ou líder, ao contrário do comunismo na Indonésia. “As autoridades estão confusas para identificar quem é o responsável pelo movimento”, diz Ferdhi.

Asfinawati, professora de direito e acadêmica da Faculdade de Direito Jentera da Indonésia, argumenta que as autoridades indonésias ainda operam com a mentalidade antissubversiva da era da Nova Ordem do presidente Suharto. Durante esse período, atividades “subversivas” eram proibidas e as autoridades podiam invadir e confiscar materiais impressos, incluindo livros. As leis antissubversivas foram revogadas em 1999, e o direito de apreensão de livros terminou em 2010.

“A polícia ainda adere a conceitos autoritários nas instituições. Essa indicação fica mais ressaltada ainda nos casos de anarquistas”, diz Asfinawati. “Eles não sabem que agora temos liberdade de pensamento. Mesmo sendo anarquista, desde que não cometa crime, não há problema.”

Ela vê a narrativa anarquista como parte de um padrão antigo. “Em 1965, o comunismo era nosso inimigo comum. Sob Susilo Bambang Yudhoyono, eram as minorias religiosas, como ahmadiyah ou xiitas. Depois, veio a comunidade LGBT.”

Andi Achdian, historiador e professor da Universidade Nacional de Jacarta, oferece uma perspectiva diferente, argumentando que o anarquismo não pode ser comparado ao comunismo indonésio porque o comunismo tinha raízes históricas profundas e um poder político significativo por meio de um partido que já foi um dos maiores do mundo.

“Ele (o anarquismo) não tem uma raiz histórica forte”, diz Andi.

Símbolos como alvo

Rio Imanuel Adolf Pattinama (28), rapper, foi preso com amigos após fazer grafites com a frase “sudah krisis, saatnya membakar” (A crise já existe, é hora de queimar). Logo, eles foram presos e rotulados como “anarquistas”.

Durante o interrogatório policial, os policiais perguntaram repetidamente quem liderava o movimento anarquista. Rio e seus amigos foram posteriormente condenados por “notícias falsas, causando deliberadamente agitação entre o povo” e presos em 2020. As provas usadas contra eles incluíam uma camiseta preta com o símbolo do Círculo A e alguns livros, incluindo um livro escrito por Tan Malaka, um herói nacional, intitulado “Ação em Massa”.

“Sempre que há caos, é rotulado como anarquista, mesmo que não haja base legal”, diz Rio. “Os anarquistas se tornaram o novo bode expiatório para substituir o PKI (Partido Comunista da Indonésia).”

Ao contrário do rótulo comunista, que pode levar a grave discriminação social e exclusão, Oji diz que a designação anarquista não criou um estigma social significativo na vida cotidiana. “A verdadeira desvantagem é que isso impede as pessoas de estudar diferentes perspectivas e ideologias”, explica ela.

Oji e três colegas enfrentam acusações ao abrigo de dois artigos do Código Penal, desobediência à autoridade (artigo 216) e aglomeração e recusa deliberada de sair do local após três ordens da autoridade (artigo 218). Por outro lado, Oji está processando a polícia por alegada violência sexual e os seus três colegas estão processando a polícia por alegados abusos durante a sua detenção. Ambos os casos, nos quais são suspeitos e relataram o processo de prisão, ainda estão em andamento.

Apesar dos problemas legais, continuam trabalhando como paramédicos em manifestações durante o jovem governo de Prabowo Subianto. Enquanto isso, a polícia continua prendendo centenas de manifestantes e rotulando-os como grupos anarquistas, como visto nos incidentes recentes de agosto.

Entramos em contato e solicitamos entrevistas com o chefe da Divisão de Relações Públicas da Polícia Nacional da Indonésia, Trunoyudo Wisnu Andiko, em 19 de agosto; com Ade Ary Syam Indradi, o policial que rotulou os casos de Jorgiana Augustine e Cho Yong Gi como “anarquistas”, em 26 de agosto; e com o assessor de imprensa Jihan Isnaini no mesmo dia. Trunoyudo e Ade Ary não responderam. Jihan inicialmente respondeu à minha primeira mensagem, mas parou de responder depois que mencionei o assunto do pedido de entrevista.

Fonte: https://magdalene.co/story/will-anarchism-face-the-same-fate-as-communism-in-indonesia/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

Soneca da tarde.
Uma brisa companheira
chega sussurrando.

Alberto Murata

[Reino Unido] Dois caminhos diferentes para a paz mundial?

Erich Mühsam e Bertha von Suttner, antimilitarismo anarquista e pacifismo organizado

Bernd Drücke, ZivilCourage ~

A equipe editorial da Civil Courage me pediu para descrever as posições anarquistas e antimilitaristas de Erich Mühsam e demonstrar as diferenças entre pacifismo e antimilitarismo anarquista. Gostaria de responder a essa pergunta com a ajuda de Mühsam e de outra figura histórica: Bertha von Suttner. Ela é um ícone do pacifismo organizado, enquanto a vida e a obra de Mühsam são homenageadas principalmente por anarquistas e antifascistas.

Bertha von Suttner

A pacifista austríaca Bertha von Suttner, nascida em 1843, é homônima da Fundação Bertha von Suttner. Ela foi a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel da Paz e foi a mulher a que inspirou Alfred Nobel, o inventor da dinamite, a criar o prêmio. O seu livro, sucesso em 1889, “Lay Down Your Arms” (Abaixar armas), é um romance sobre os horrores da guerra da sua época. Como muitos pacifistas de hoje, apela aos governos, pedindo o desarmamento geral e a resolução pacífica de disputas com base no direito internacional. O livro a tornou uma estrela do movimento pela paz, e inspirou a fundação da “Sociedade Austríaca dos Amigos da Paz”, em 1891. A base social dessa sociedade, que se considerava “apolítica”, era a nobreza liberal. Isso também se aplicava à Sociedade da Paz, fundada em Berlim, em 1892, cuja organização sucessora, a Sociedade Alemã da Paz – Resistência Unida à Guerra (DFG-VK), é hoje a maior organização pacifista da Alemanha.

Erich Mühsam

Erich Mühsam, nascido em 1878, foi inspirado, entre outros, pelos anarquistas russos Peter Kropotkin, Mikhail Bakunin e Leon Tolstoy. Junto com Gustav Landauer, Rudolf Rocker e Ernst Friedrich, ele foi um dos anarquistas alemães mais influentes da sua época. Mühsam era judeu, mas, como ateu, abandonou o judaísmo.

Como escritor, ficou famoso pelos textos satíricos. Os seus poemas, como “Obedecer significa mentir” e “O limpador de lâmpadas”, foram interpretados musicalmente por Konstantin Wecker, Harry Rowohlt, Christoph Holzhöfer, Slime e Dieter Süverkrüp, entre outros.

Na Primeira Guerra Mundial, tentou, sem sucesso, estabelecer uma “Liga Internacional de Opositores à Guerra”. Em 1915, foi condenado a 6 meses de prisão por se recusar a servir no exército. Foi colaborador, entre outros, da revista “Der Sozialist”, publicada pelo anarcopacifista Gustav Landauer, e da “Weltbühne”, editada por Carl von Ossietzky.

Como agitador social revolucionário, desempenhou papel fundamental na proclamação da República Soviética de Munique, em 1919. Por isso, cumpriu 5 anos de prisão. Foi editor da revista mensal anarquista “Fanal”, de 1926 até sua proibição, em 1931, por “desprezar o governo do Reich”.

Em 28 de fevereiro de 1933, o conhecido antifascista foi preso e, após encarceramento e tortura, brutalmente assassinado por homens da SS no campo de concentração de Oranienburg em 10 de julho de 1934.

Mühsam e Suttner

Particularmente interessante do ponto de vista antimilitarista é “Cain”, a revista anarquista “para a humanidade” (subtítulo), que Mühsam publicou entre 1911 e 1919. A publicação foi interrompida na Primeira Guerra Mundial, em razão da censura à imprensa.

Após a morte de Bertha von Suttner, Mühsam publicou um obituário da ganhadora do Prêmio Nobel na edição 4 da “Kain”, em julho de 1914. Ele homenageou a sua postura e enfatizou o objetivo comum, a “paz mundial”. Além disso, abordou as diferenças entre pacifismo e antimilitarismo anarquista: “Não acreditamos na compreensão internacional entre os Estados, pois sabemos que os Estados representam demarcações hostis entre os países”. Mühsam estava convencido de que as populações, e não os governos, eliminariam as guerras. “Os Estados capitalistas têm interesses capitalistas, e os interesses capitalistas nada sabem sobre ideais. (…) Enquanto houver Estados e exércitos, haverá guerras. Assumimos o grito de guerra de Bertha von Suttner, mas não o transmitimos aos governantes e governos e, sim, aos povos e exércitos: Larguem as armas!”

Mühsam lutou por toda a sua vida pela revolução social e por uma sociedade socialista liberal. Como anarquista, via a principal causa da guerra no Estado, no domínio do homem sobre o homem, no sistema de comando e obediência que torna possível o assassinato em massa por ordens superiores.

No Império Alemão, a militarização começava já no jardim de infância. As crianças eram duramente testadas para antissemitismo, com castigos físicos e para uma obediência cega ao estilo prussiano.

Na época de Mühsam, a Sociedade Alemã pela Paz (DFG) era uma organização elitista dominada por aristocratas e patronos da classe alta. Não apoiava desertores e objetores de consciência, defendendo amplamente uma suposta “guerra defensiva”. Assim como o SPD, muitos desses pacifistas burgueses não queriam abolir as forças armadas, apenas democratizá-las. Mühsam ridicularizou os “congressos da paz” que realizavam, no poema “Calendário 1913”, em Brennende Erde (“Terra em Chamas”), Munique, 1920:

Como as coisas no mundo são ruins

Isso é determinado em congressos.

As pessoas bebem, dançam, conversam alegremente,

e tudo continua como está.”  

O rifle quebrado

O rifle quebrado, agora também usado por pacifistas e antimilitaristas não anarquistas, foi um símbolo usado quase exclusivamente por anarquistas antimilitaristas até o fim da Primeira Guerra Mundial. Serviu não só para agitar contra o militarismo, o que foi frequentemente criminalizado pelo Império Alemão, e pela objeção de consciência, a deserção e a sabotagem na produção de armas, mas também como um símbolo de identificação. A partir de janeiro de 1909, os anarquistas holandeses da “Internationale Anti-Militaristische Vereniging” (Associação Antimilitarista Internacional) utilizaram o rifle quebrado no título da revista “De Wapens neder” (Holanda). O jornal anarcocomunista “Der Freie Arbeiter” também o apresentou, em manchete de abril de 1909. Após a Primeira Guerra Mundial, o símbolo do rifle quebrado também apareceu frequentemente nas capas do semanário anarcossindicalista “Der Syndikalist” e em revistas anarquistas juvenis.

WRI

Em 1921, a Internacional de Resistência à Guerra (War Resisters’ International, WRI) foi fundada na Holanda, inicialmente sob o nome “Paco” (palavra em esperanto para ‘paz’). A WRI é uma rede de antimilitaristas, pacifistas e objetores de consciência anarquistas e não anarquistas. Os membros incluem 90 organizações em 40 países, incluindo a Fundação Alemã de Pesquisa (DFG-VK), a IdK e, desde 1972, a revista mensal anarquista não violenta Graswurzelrevolution (“Revolução Popular”).

Apesar de todas as diferenças entre pacifistas e antimilitaristas anarquistas, muitos, hoje, concordam com o rifle quebrado como símbolo e com a Declaração da WRI como máxima para a ação: “A guerra é um crime contra a humanidade. Portanto, estou firmemente determinado a não apoiar nenhuma forma de guerra e a lutar para eliminar todas as causas da guerra”.

Vamos trabalhar juntos para impedir a guinada à direita e a remilitarização e fazer valer o direito humano à objeção de consciência e o direito ao asilo para desertores.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/09/07/two-different-paths-to-world-peace/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

[Itália] Não confiamos nas amnésias de Nordio! Voltamos às ruas contra a renovação do regime 41 bis para Alfredo Cospito!

Desde maio de 2022, o companheiro anarquista Alfredo Cospito foi transferido para o regime prisional de 41 bis. O cárcere duro que prevê uma socialidade extremamente restrita, a censura permanente sobre a correspondência e diversos impedimentos para o acesso a livros. Refeitórios realizados rigorosamente com familiares autorizados, separados por um vidro à prova de balas. Uma área de passeio projetada para limitar seu olhar com muros altos até o céu e uma rede como teto. Uma pressão constante do Estado sobre o detento, seus familiares, seus advogados. Uma única mensagem para todos aqueles que são forçados a orbitar em torno desse universo: o que acontece no 41 bis não pode ser comunicado. O objetivo é destruir o prisioneiro, torturá-lo a ponto de levá-lo à colaboração. Um dogma intocável que não é questionado nem mesmo diante da morte.

Um regime – visto pelo próprio direito burguês que o criou como uma exceção a si mesmo – cuja renovação deve necessariamente ser endossada pelo Ministro da chamada “Graça e Justiça”, por meio de um decreto motivado que justifique sua prorrogação. Esse trâmite administrativo soaria como uma boa notícia, considerando que o encarregado desse dicastério é Carlo Nordio. Um homem afetado por uma desmemória crônica, presa de amnésias fulgurantes que o levam a repatriar, com voos de Estado, notórios torturadores como o general líbio Almasri, esquecido, subitamente, dos mandados de prisão pendentes contra ele por cortes internacionais.

Infelizmente, a patologia de que sofre o ministro é objetivamente seletiva e ataca apenas quando algum poderoso tem algo a perder. Portanto, para o destino prisional do companheiro Alfredo Cospito, há pouca esperança na doença de Nordio. Afinal, Alfredo não é procurado por crimes de múltiplos homicídios de pessoas em condição de defesa diminuída (detentos nas prisões que o general administrava, presos principalmente por terem tentado clandestinamente fugir dos horrores e da miséria de seus lugares de origem), não é acusado de sevícias e estupros, praticados com maior sadismo em prisioneiros acusados de ateísmo ou homossexualidade, visando à extorsão, não é chefe de bandos de milicianos a soldo do poder e do dinheiro. Sobretudo, não é acusado de ter feito isso e muito mais a serviço do imperialismo italiano, internando e torturando refugiados em nosso nome e combatendo sua parte da guerra civil pelas facções patrocinadas por nosso país e pela Eni [multinacional petrolífera italiana].

Alfredo é, ao contrário, um anarquista que acredita, como acreditam os anarquistas, que um pouco de justiça, diferente daquela comumente chamada de lei, pode realmente ser trazida a este mundo condenado, afetado por lógicas de dominação. Por isso, reivindicou ter baleado as pernas, em uma esplêndida manhã de maio de 2012, de um dos maiores dirigentes da energia nuclear na Itália. Alfredo é um anarquista e, como os anarquistas, como a companheira Anna Beniamino, não se deixa dobrar por um Estado que primeiro os acusa e depois os condena com acusações totalmente desproporcionais, como a de “massacre político”, permanecendo de cabeça erguida e, ainda que submetidos a um processo farsante, reafirmando por meio de declarações espontâneas a verdadeira natureza massacrante do Estado italiano.

Alfredo, portanto, não é um líder e não ocupa cargos de chefia. Os anarquistas não têm chefes nem hierarquias. É apenas um homem coerente em um mundo no qual a coerência assusta.

Por isso Alfredo não usufruirá das amnésias seletivas dos poderosos. Para tirá-lo do 41 bis, é necessária a nossa determinação.

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2025/09/20/non-ci-affidiamo-alle-amnesie-di-nordio-torniamo-in-piazza-contro-il-rinnovo-del-41-bis-ad-alfredo-cospito/  

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Itália] O conceito de liberdade – Confronto entre individualismo burguês e socialismo anarquista

Trecho do opúsculo “As bases morais da anarquia” (1904)


por Pietro Gori

O conceito de liberdade tem se transformado de forma cada vez mais rápida. Assim como não existe no mundo moral o livre-arbítrio, senão como uma ilusão herdada dos nossos sentidos, também não existe, em sentido absoluto, uma autonomia completa do indivíduo na sociedade. O instinto de sociabilidade, desenvolvido aos poucos no ser humano com o avanço da civilização, tornou-se uma necessidade fundamental da espécie em seu desenvolvimento contínuo, e reconhece hoje no princípio da associação a alavanca mais firme e eficaz para impulsionar a humanidade no caminho ascendente de seus melhores destinos — tanto pelos esforços individuais quanto coletivos.

Daí nasce a concepção moderna e sociológica da liberdade, que, mesmo encontrando na mútua dependência das relações entre indivíduos uma leve limitação da independência absoluta de cada um, encontra ao mesmo tempo, na solidariedade social fortalecida e cada vez mais complexa, sua defesa e sua garantia — de modo que, em vez de ser diminuída, a liberdade se sente ampliada.

Se o homem selvagem, no estado antissocial, parece à primeira vista mais livre, é incomparavelmente mais escravo das forças brutas do ambiente que o cerca do que o homem associado, que encontra no apoio de seus semelhantes a salvaguarda de seus direitos.

Mas a associação, no sentido de agrupamento orgânico das várias “moléculas” sociais, ainda não existe. Pois na sociedade atual não há fusão espontânea de elementos homogêneos, mas uma amálgama disforme de princípios e interesses contraditórios.

Ao princípio da egocracia, no campo econômico e político (visto que a exploração e o domínio de classe não são senão consequência disso, pela solidariedade instintiva das duas forças dominadoras: o dinheiro e o poder), está se sobrepondo, no lento e subterrâneo processo de elaboração de uma nova forma e de uma nova alma social, o princípio do apoio mútuo — mais conforme ao desenvolvimento de uma evolução avançada que pareceu interrompida, apenas aparentemente, por essa parêntese sombria e ao mesmo tempo esplêndida que foi o século XIX.

Esplêndida, porque a concorrência desenfreada entre indivíduos e classes, que representou — no plano econômico — um verdadeiro retorno ao individualismo selvagem primitivo, criou os milagres da mecânica, da indústria, da engenharia moderna.


Sombria, porque as obras gigantescas dessa luta, travada a golpes de bilhões contra a natureza resistente, custaram milhões de vidas humanas — nobres existências anônimas, extintas após sofrimentos indizíveis, com músculos drenados de toda força e vitalidade sob o jugo do trabalho assalariado. Assim, pode-se dizer que o colossal edifício da civilização burguesa — que certamente terá um lugar notável na história do progresso material e científico da humanidade — foi construído com esse cimento de vidas operárias, e a grande alma coletiva das classes trabalhadoras pulsa no organismo infinito de toda a produção moderna, como se a força vital daquelas vidas sacrificadas no e pelo trabalho tivesse sido transfundida nas coisas criadas pelo próprio labor.

Dessa nova condição de atividade e de esforços associados — graças aos meios de produção transformados, nos quais reinam soberanas a grande máquina e a grande oficina — ergue-se triunfante o novo princípio jurídico de um direito social sobre o produto gerado pelo trabalho coletivo.

Não se trata mais das lamentações sentimentais dos santos padres da Igreja contra a iniquidade que, pisando a maioria, separa uns dos outros os filhos de Deus — como dizia João Crisóstomo.


Tampouco se trata das declarações “naturianas” dos pré-rafaelitas do socialismo simplista, que reclamavam para cada um sua parte de terra, pão e sal — distribuídos por uma natureza-mãe a todos em comum.
Não são as invectivas ascéticas dos antigos comunistas, diante dos temores milenaristas; nem as declarações filosóficas e abstratas dos enciclopedistas sobre os direitos do homem, ante a aurora vermelha de 1789.


É algo mais — e melhor: a maturação de certos fatos e a evolução completa de certas formas.

Nunca como agora, por força da divisão do trabalho na grande indústria e na fábrica mecanizada, o operário esteve tão estreitamente ligado a outros operários, os ofícios a outros ofícios, as artes entre si — graças à mútua dependência e à cooperação coordenada dos esforços, dos quais se origina um resultado muito superior à simples soma das forças individuais. A associação desses esforços para aumentar a produção foi, pouco a pouco, criando não apenas os laços materiais que hoje unem indissoluvelmente os trabalhadores, mas também laços morais — primeiro imperceptíveis, depois cada vez mais firmes, por serem mais conscientes.

E já que a revolução — agora completa — causada pela mecânica em todas as artes e ofícios, socializando o esforço das mãos operárias antes isoladas, já elaborou o esqueleto de um mundo novo, em que a socialização do esforço, sem o gozo do produto por quem se sacrificou, deve ser completada pela socialização dos frutos desse mesmo produto, declarado de direito e de fato como patrimônio comum de toda a sociedade, então uma correspondente revolução nas consciências e nas forças proletárias completará o lento trabalho dessa transformação dos vínculos econômicos e morais entre os homens, integrando a estrutura social ideal que represente o oásis de descanso onde a humanidade, após milênios de sofrimento e dor, possa recobrar o fôlego da árdua caminhada — e onde os dois instintos fundamentais do ser humano, autopreservação e preservação da espécie, possam enfim encontrar uma forma de se conciliar após longo conflito.

Onde o homem, para conquistar seu bem-estar, não precise — como os poderosos de ontem e de hoje — passar por cima do corpo de seus semelhantes; pois isso não seria liberdade, mas a perpetuação da tirania sob outra forma. À violência dos governos, sucederia a violência do indivíduo — expressões igualmente brutais da autoridade do homem sobre o homem.

A liberdade de cada um só é possível na liberdade de todos, assim como a saúde de cada célula só é possível na saúde do organismo inteiro.

Fonte: https://umanitanova.org/il-concetto-di-liberta-individualismo-borghese-e-socialismo-anarchico-a-confronto/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

[Chile] Indonésia, Nepal, França: A insurreição é uma linguagem comum – Rede de Luta e Propaganda

INDONÉSIA

Em 25 de agosto de 2025, na Indonésia, a raiva explode em múltiplas cidades contra os privilégios obscenos da classe política: subsídios parlamentares excessivos, um aumento de impostos sobre propriedade de até 250%, projetos de austeridade, corrupção e brutalidade policial. Um dos estopins foi a aprovação de um subsídio habitacional mensal para parlamentares de 50 milhões de rúpias, quase dez vezes o salário médio em Jacarta, o que desencadeou a indignação contra os privilégios da classe política.

As mobilizações derivaram em ataques violentos contra a polícia, saques de casas de parlamentares, destruição de edifícios governamentais, o que gerou como resposta uma forte repressão, incluindo ciberataques a páginas de contrainformação e meios alternativos. Em 28 de agosto, confirmou-se a primeira morte (um motociclista atropelado por um blindado policial), agudizando ainda mais o descontentamento.

NEPAL

Em 8 de setembro, desencadearam-se protestos massivos e violentos no Nepal, conhecidos como a “Revolução da Geração Z”. O estopim foi a proibição, por parte do governo, de 26 redes sociais (entre elas Facebook, Instagram, YouTube, WhatsApp, X e Signal), com o objetivo de controlar a organização juvenil e frear a difusão de críticas e convocações que escapavam de seu controle político. No entanto, o governo disfarçou isso como uma medida de “segurança nacional” e “proteção contra a desinformação”. Esta foi a faísca que acendeu um mal-estar mais profundo e acumulado durante anos: a corrupção sistêmica, o nepotismo político, as reformas neoliberais que privatizaram tudo, a precariedade e o aumento do custo de vida.

As mobilizações derivaram em marchas, barricadas, enfrentamentos com a polícia e rapidamente em uma insurreição materializada em ataques a edifícios governamentais, incêndios e assaltos a prisões com fuga de presos, funcionários fugindo em helicópteros ou pelo rio em meio aos distúrbios. A magnitude da violência derrubou o governo e o primeiro-ministro K.P. Sharma Oli renunciou, evidenciando uma profunda crise de legitimidade das classes políticas.

FRANÇA

Em 10 de setembro passado, na França, viveu-se uma grande mobilização convocada pelo movimento “Bloquons Tout” (“Vamos Bloquear Tudo”), em rejeição a um novo orçamento de austeridade para 2026, que corta bilhões de euros do gasto público, reduzindo pensões, gastos em educação e saúde, eliminando também feriados e benefícios trabalhistas. Cortando assim direitos sociais para equilibrar orçamentos e proteger os interesses do mercado. As mobilizações coincidiram com a chegada do novo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

Bloquearam ruas, transportes e fábricas, levantaram barricadas e enfrentaram-se fortemente com a polícia. Esses protestos somam-se a um ciclo mais longo de descontentamento social na França: desde a revolta pela morte de Nahel Merzouk, um jovem de 17 anos morto pela polícia em junho de 2023, até a resistência contra as políticas de corte de gastos públicos.

Os protestos no Nepal, Indonésia e França, embora desencadeados por motivos distintos, são expressões de uma mesma crise global do capitalismo. Todos compartilham a raiva contra governos que se enriquecem às custas das necessidades básicas das pessoas, e a rua como único espaço de resistência capaz de fazer tremer o poder. No Nepal e na Indonésia, a revolta assumiu um caráter insurrecional que inclusive derrubou governos, mostrando que a possibilidade de transformação radical é real e contemporânea. Na França, o protesto é mais recorrente: não derruba o Estado, mas desgasta sua legitimidade e anuncia que novas revoltas voltarão.

Infelizmente, muitas vezes, quando se carece de organização, de coordenações, de projeção e não se constroem alternativas sustentadas, os movimentos se diluem no momento: a rua se apaga, a raiva se dispersa e o sistema não só continua quase intacto, como também aprende com as táticas empregadas pelo protesto para se blindar mediante novas leis e mecanismos de controle que buscam evitar futuros levantes.

A grande incógnita é se essas lutas ficarão em explosões momentâneas ou poderão se converter em lutas capazes de abrir novos horizontes. O certo é que as revoltas se replicam, se contagiam. Desde distintos estrondos sociais nos reconhecemos entre continentes, porque para além de qualquer fronteira sabemos que, enquanto os governos negociarem com nossas vidas, a raiva continuará encontrando caminhos coletivos para irromper nas ruas. Não é preciso entender as línguas quando a insurreição se converte em um idioma comum.

Rede de Luta e Propaganda

Setembro de 2025

Fonte: https://lapeste.org/indonesia-nepal-francia-la-insurreccion-es-un-lenguaje-comun-red-de-lucha-y-propaganda/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

[França] Tanques da Segunda Guerra Mundial são alvo de pichações na Normandia

Pichações foram descobertas em tanques da Segunda Guerra Mundial na segunda-feira, 22 de setembro de 2025, em Lion-sur-Mer, ao norte de Caen (Calvados).

O incidente foi descoberto na segunda-feira, 22 de setembro de 2025. O tanque Churchill Avre localizado na saída de Lion-sur-Mer (Calvados), em direção a Luc-sur-Mer, na Côte de Nacre (Calvados), foi marcado, provavelmente na noite anterior.

Símbolos anarquistas e pacifistas

O veículo da Segunda Guerra Mundial trazia a inscrição “Nascido para Matar”, bem como o símbolo anarquista e o símbolo de “Paz e Amor”. O tanque localizado em Hermanville-sur-Mer teria sofrido o mesmo destino.

agência de notícias anarquistas-ana

No rosto do opressor,
o reflexo de mil espelhos:
ninguém é só um.

Liberto Herrera

Medo Negro na Ásia: os governos culpam os “anarquistas” pelo descontentamento em massa

Levantes populares nas Filipinas, no Nepal e na Indonésia não precisam de ajuda para não terem líderes

Simoun Magsalin ~

Setembro de 2025 se tornou um mês de Primavera Asiática. Depois da Indonésia, o povo do Nepal se levantou em protestos espontâneos em massa, seguidos por tumultos anticorrupção nas Filipinas. Na esteira dessas revoltas, os governos iniciaram uma “onda de pânico” com o objetivo de perseguir “anarquistas”, independente da real orientação política ou “antipolítica”. Configurado por Trump, Prabowo e muitos outros, o espectro da anarquia causa medo nos corações de todos os governantes.

Embora houve anarquistas realmente participando dos protestos e ações violentas nesses países, continuamos sendo minorias. Não surpreende a ninguém que a grande maioria dos jovens detidos em Manila não tenha essa convicção anarquista. O objetivo do medo negro é simples: suprimir a amok massa (as massas em fúria). Intimidar a nossa classe, quebrar a solidariedade. Não se pode negar, contudo, que o medo desproporcional da invocação da anarquia atinja aos soberanos do mundo. A bandeira negra voa novamente na forma da bandeira pirata de palha do anime *One Piece*.

No Nepal, o repúdio popular à corrupção e decadência das coalizões governamentais maoístas e marxistas-leninistas que se sucederam só poderia significar que a orientação “antipolítica” incluiria a rejeição completa dos partidos comunistas. O Nepal é o país com mais “partidos comunistas” per capita, com partidos marxistas-leninistas e maoístas se alternando regularmente na liderança do governo. Anarquistas e comunistas não partidários começaram a se organizar de forma espontânea, com o objetivo de intensificar a insurreição. Os insurrectos nepaleses levaram as ações além dos incêndios em massa, apreendendo armas e causando o rápido colapso do governo. Quando os militares nepaleses assumiram o controle, começaram a culpar os “anarquistas” pela insurreição. A democracia liberal foi finalmente restaurada por meio da infame eleição Discord, quando outra onda de amok masa diminuiu.

Na Indonésia, onde as massas protestavam contra o regime cada vez mais corrupto e militarizado de Prabowo Subianto, o assassinato de Affan Kurniawan por uma viatura blindada da polícia desencadeou uma onda de amok masa. As insurreições na Indonésia foram marcadas por saques e incêndios de prédios governamentais, delegacias de polícia e mansões de políticos. Sendo o país do sul global com o maior meio anarquista, eles prontamente participaram e intensificaram as insurreições. No final de agosto e início de setembro, Prabowo condenou os “anarquistas”, ordenando uma temporada de caça aberta: uma onda de repressões e prisões de “anarquistas”, fossem quem fossem. Prabowo e as forças de segurança começaram a ver “anarquistas” em todos os lugares, detendo mais de três mil pessoas até meados de setembro, acusando os anarquistas de serem dalang (“mestre de marionetes”) orquestrando as insurreições. Espelhando o genocídio indonésio de 1965-66, o novo “medo negro” teve como alvo livremente anarquistas, insurrectos, estudantes, socialistas e progressistas.

Nas Filipinas, após décadas de desmoralização, a esquerda atingiu um grau quase histórico de baixa popularidade. Embora os atos de vandalismo amplamente divulgados e os confrontos de rua delimitados não tenham provocado uma onda de violência em massa no início de setembro, a insurreição indonésia e a revolução política no Nepal inspiraram muitas facções de esquerda, progressistas, liberais e de direita a programar vários protestos anticorrupção em todo o país, sendo o maior deles a Marcha do Trilhão de Pesos no último domingo (21 de setembro). Como de costume, os comícios contaram com a delimitação básica, policiamento pacífico e autoconfinamento de todas as facções da esquerda. Após o término dos programas de vários grupos, principalmente o BAYAN, de orientação democrática nacional, jovens não afiliados usando máscaras aparentemente começaram brigas de rua com a polícia na ponte Ayala e em Mendiola, historicamente a estrada literalmente disputada para Malacañan, o palácio presidencial. Essa ação direta resultou em uma segunda batalha de Mendiola, que se transformou em tumulto, resultando na prisão de centenas de jovens e transeuntes, sendo mais de noventa menores. Após repressão violenta, o secretário do Interior denunciou os supostos insurrectos como “anarquistas” e descreveu uma história fantasiosa de conspiração de financiadores estrangeiros e sabotadores locais, enquanto os advogados compilavam evidências de tortura.

Mesmo com esses agentes de engodo de vermelhos (ou de negros?) do Estado ou aliados da polícia da esquerda buscando sabotar a solidariedade entre os proletarizados para deslegitimar a insurreição, os asiáticos não se deixam levar. Hoje, o símbolo da rebelião é o pirata de chapéu de palha. Independente de onde sinais e símbolos específicos venham, o seu poder é inspirar, e invocar a anarquia, instilando medo nos corações da classe dominante. Esse medo de amok massa, o medo da anarquia ela mesma, declara ao mundo que a insurreição e a revolução continuam possíveis.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/09/25/black-scare-in-asia-governments-blame-anarchists-for-mass-discontent/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

Canção sem letra:
assobio nos becos
desafia hinos de Estado.

Liberto Herrera