[Holanda] Quatro anos de guerra na Ucrânia: Milhões de vítimas, mas uma festa para a indústria armamentista

Por Marc Vandepitte | 24/02/2026

A Ucrânia sangra, a Rússia resiste e a Europa paga a conta. Após quatro anos de guerra, impõe-se uma pergunta: continuar com a loucura bélica ou encontrar a coragem para buscar a paz?

De invasão rápida a guerra sem fim

Em 24 de fevereiro de 2022, Vladimir Putin deu a ordem de invadir a Ucrânia. A Rússia talvez esperasse uma vitória rápida; mas esta não chegou, em parte devido à forte resistência da Ucrânia, que Moscou havia claramente subestimado.

Na fase inicial da guerra, houve oportunidades reais para entabular negociações de paz. Segundo o ex-primeiro-ministro israelense Naftali Bennett, essas tentativas foram, no entanto, ativamente obstaculizadas pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha. O ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, declarou sem rodeios que o objetivo era “enfraquecer a Rússia“.

A Ucrânia foi utilizada para eliminar ou enfraquecer um adversário estratégico sem ter que enviar tropas próprias. A partir desse momento, a guerra passou de um conflito sobre território ucraniano a um projeto geopolítico.

Devido à forte ingerência da OTAN, o que começou como um conflito entre dois países vizinhos se transformou em uma guerra por procuração. A Ucrânia atua tragicamente como carne de canhão para os interesses estratégicos do Ocidente.

O Ocidente forneceu maciçamente armas pesadas e impôs duríssimas sanções econômicas. Paralisou-se o comércio, cortaram-se os vínculos energéticos e congelaram-se os ativos russos no exterior. Era preciso colocar a economia russa de joelhos, mas não ocorreu.

A Rússia transformou com sucesso sua economia em um eficiente sistema de produção de guerra e encontrou saídas para seu comércio através de rotas alternativas, o que não significa que a Rússia não tenha experimentado uma forte pressão, mas a estratégia de ruptura econômica total não deu o resultado desejado. Moscou resistiu e continuou a guerra.

Tornou-se uma guerra total de desgaste. As linhas de frente quase não se moviam, mas cada mês trazia novas mortes. Em ambos os lados, acumularam-se as perdas. Segundo estimativas, 1,2 milhão de militares russos e quase 600.000 soldados cranianos morreram ou ficaram feridos. A Europa vive assim sua guerra mais mortífera desde a Segunda Guerra Mundial.

A guerra foi mais intensa do que nunca no ano passado. Em 2025, a Rússia lançou mais de 54.000 drones, cinco vezes mais que no ano anterior. Devido à escassez de mísseis de defesa antiaérea, impactaram mais projéteis e o número de civis mortos aumentou 30%.

Recentes ataques com mísseis hipersônicos Oreshnik, que mal podem ser interceptados, paralisaram a capital durante dias. A vida cotidiana é marcada por cortes de eletricidade e água, frio extremo e uma ameaça constante. As perdas também são enormes do lado russo; Moscou paga um alto preço por limitados ganhos territoriais.

Um alto preço

A Ucrânia paga o preço mais alto nesta guerra. As cidades estão em ruínas e milhões de pessoas foram deslocadas, tanto dentro quanto fora do país. A infraestrutura está destruída e a economia, desarticulada. O país se mantém de pé graças ao apoio estrangeiro; sem essa ajuda, desmoronaria a base social, econômica e militar.

A situação também não se vê bem no plano militar. Desde o segundo mandato de Trump, desapareceu por completo o apoio financeiro dos Estados Unidos. Outros aliados, como a UE e o Canadá, tentam compensá-lo, mas o total da ajuda militar comprometida caiu ao nível mais baixo desde o início da invasão.

Embora o exército russo tenha dificuldades com operações complexas, Putin dispõe de superioridade numérica. Kiev, além disso, enfrenta uma grave escassez de efetivos e deserções. Se as coisas não mudarem, existe a ameaça de que haja um cenário semelhante ao da Primeira Guerra Mundial, no qual as linhas defensivas podem colapsar repentinamente.

As pesquisas entre a população mostram um sentimento ambivalente. Uma maioria da população ucraniana quer resistir, mas 72% aceitaria um plano de paz que congele a linha atual do front, desde que existam garantias de segurança e não se reconheça oficialmente o território ocupado.

Do lado russo, a situação não é simples, mas é melhor que a da Ucrânia. Apesar das grandes perdas, Putin ainda pode contar com um apoio considerável entre sua população. Parece surtir efeito a propaganda de Putin, que apela à restauração do poder da Rússia. Além disso, o Kremlin tenta ocultar na medida do possível os verdadeiros custos da guerra, como o número de baixas.

Desde o início da invasão, seu índice de aprovação se manteve constantemente acima de 80%, embora se devam considerar com a devida cautela as pesquisas em um sistema político desse tipo. No entanto, pode-se assumir que Putin conta com um front interno relativamente estável.

Devido às sanções e aos grandes esforços bélicos, a economia russa não tem vida fácil mas, em qualquer caso, não se pode falar de uma queda livre. O Banco Mundial prevê para 2026 um crescimento de pouco mais de 1%, assim como em 2025. A médio prazo, no entanto, existe a ameaça de estagnação e danos duradouros.

A União Europeia também não sai ilesa. Enquanto a indústria armamentista registra lucros recordes, o resto da UE enfrenta as consequências da política de confronto. Dispararam-se os custos energéticos devido às sanções, o que solapa fundamentalmente a competitividade das empresas europeias. Trocamos nossa energia relativamente barata da Rússia pelo caríssimo gás natural liquefeito (GNL) procedente dos Estados Unidos. Passamos assim de uma dependência a outra. Além disso, a Europa fica com os custos exorbitantes de uma guerra que não pode vencer e que ajudou a prolongar.

Saída

Putin persegue neste momento dois grandes objetivos. Em primeiro lugar, manter a Ucrânia fora da OTAN. Essa é uma linha vermelha estratégica e um motor por trás da lógica de desgaste. Em segundo lugar, um “grande acordo” com os Estados Unidos. Quer fechar um grande pacto no valor de centenas de bilhões de dólares sobre a exploração de petróleo e metais raros, entre outras coisas. A Europa fica à margem e observa impotente.

Para manter aberta a margem de negociação com os Estados Unidos, Moscou evita por enquanto uma escalada extrema. A guerra não se resolve, mas se gerencia, enquanto a Rússia aposta no tempo e na superioridade numérica.

Uma possível saída é o “cenário coreano“, que significaria não uma paz real, mas um conflito congelado. A atual linha de frente se converteria então em uma linha de demarcação. Ambas as partes se retirariam alguns quilômetros para formar uma zona desmilitarizada de amortecimento. As garantias de segurança deveriam impedir uma nova escalada. Não é em si mesma uma solução “justa”, mas em uma guerra sem um cenário realista de vitória, pode ser uma maneira de deter o derramamento de sangue.

A Europa em uma encruzilhada

Ao seguir docilmente os Estados Unidos, a Europa deixou de construir uma estrutura de segurança equilibrada na qual a Rússia também pudesse ter um lugar após a queda da União Soviética. Agora que está sendo abandonada por Washington, surge uma oportunidade histórica de seguir um rumo próprio e independente.

A Europa enfrenta assim uma escolha histórica. Trump e o complexo militar-industrial impulsionam a militarização do continente europeu. Por enquanto obtêm eco: a maioria dos líderes europeus continua apostando na dura política de confronto com Moscou, enquanto que Washington já a deixou de lado.

Esse caminho de guerra não fará senão aumentar as tensões no continente europeu e, além disso, solapa nossa prosperidade. Os esforços bélicos previstos custarão aos países europeus centenas de bilhões de euros, em detrimento das pensões, da saúde, da educação e da transição ecológica da economia.

Será a Europa finalmente capaz de seguir um rumo próprio e independente à margem dos Estados Unidos e escolher a prosperidade e uma estrutura de segurança equilibrada no continente, ou nos deixaremos arrastar pela febre de guerra? A resposta a esta pergunta é crucial para o futuro que nos espera.

Marc Vandepitte é membro da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade (REDH).

Fonte: https://www.dewereldmorgen.be/artikel/2026/02/24/vier-jaar-oorlog-in-oekraine-miljoenen-slachtoffers-maar-wapenindustrie-viert-feest

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O mar, sempre desperto,
na verde espera
da barca mensageira.

Thiago de Mello

[Alemanha] Dias de (re)construção de Hambi

A megamáquina precisa expandir ou então colapsa. Assim foi que a Floresta de Hambacher, já remanescente de uma muito mais vasta e antiga extensão de mata, foi quase que completamente destruída pela expansão de uma imensa mina de carvão, a maior da Europa. Apenas uma pequena porção deste habitat foi poupada, devido à resistência feroz centrada ao redor de numerosas ocupações na floresta, iniciadas em 2012.

Hambi tem sido um ponto de foco para a luta anticapitalista e ecológica radical na Europa. A zona de autonomia aberta aqui é dividida em tamanho às ZAD¹ de Notre-Dame-des-Landes [França] e Exarchia em Atenas [Grécia]. Hambi também serviu como antecessora de muitas outras lutas pela terra na Alemanha, sendo como de Lützerath e Dannenröder Wald os exemplos mais conhecidos.

No entanto, todos os locais de resistência explicitamente mencionados aqui, foram despejados. E ainda Hambi se mantém independente até o dia de hoje, um lugar sem leis onde podemos fazer o que quisermos. Ao invés de ser totalmente esmagado, Hambi foi principalmente esquecido – tanto por companheirxs como pela ampla sociedade – desde que a suposta saída-de-carvão foi anunciada. Seria uma estranha conclusão para esta luta que enfraquecesse até a irrelevância.

A Hambi nunca foi “salva”. Ao invés de ser diretamente afetado, foi sentenciado à morte-lenta de ter sua água subterrânea roubada por um poço tóxico que continua a se expandir. Existem planos futuros para explorar a região transformando-a em um resort turístico eco-yuppie, completo com porto para iates. E em tempos de militarização e aumento da escassez de recursos, o estado está apenas a uma eleição de distância de esquecer a saída-de-carvão e terminar com o que resta da mata.

Ainda por cima, a Mina de Hambach não está no centro da restrição do poder, em suas próprias palavras “do carvão para IA”. A Microsoft está construindo vários centros de dados na parte leste da mina, tentando estabelecer o que alguns estão chamando de “Vale do Silício da Europa”. No lado oeste, em Jülich, foi instalado o computador mais poderoso da Europa, simbolizando a entrada da Alemanha na corrida armamentista da IA. Inclusive mais perto da ocupação, em Morschenich-Alt, o prefeito local faz barulho sobre construir “a vila do futuro”, um hotspot para empresas tecnológicas neocoloniais.

Agora não é o momento de esquecer de Hambi. Esperamos axs amigxs, antigxs e novxs para que se juntem a nós aqui, que se estabeleçam, e participem na regeneração desta ocupação. Existem desafios no viver por temporadas na floresta. Mas também é uma oportunidade única de vivência, na qual as estruturas –   estruturas sociais assim como infraestruturas físicas – podem ser construídas livres das regras impostas pelo mundo de fora.

A porta está sempre aberta para forasteirxs. Através desta chamada convidamos vocês para um evento específico nesta Primavera. Seria um grande momento para renovar estruturas, desconstruir aquilo que o necessário, e talvez também construir algo novo, dependendo de nossas prioridades no momento. Tem também muito lixo pra ser recolhido, inclusive de árvores que foram ocupadas anteriormente.

Haverá também um momento para propor escritórios e outros acontecimentos, como já fizemos outras trocas de conhecimento tantas vezes antes. Seria uma boa oportunidade para falar sobre visões para o futuro da ocupação. E no dia 14 de Abril, teremos o 14º aniversário da ocupação para comemorar.

Doações de material de construção seriam ótimas, especialmente lonas (lonas de caminhão, que não sejam lonas trançadas, que contaminam a floresta). Doações de ferramentas também seriam ótimas. Sintam-se livres para trazer comida vegana para a cozinha coletiva.

Pela anarquia e alta-traição!

estoxs moradorxs da

hambacherforst.org

mail[at]hambacherforst.org

[1] Zona a ser defendida; do francês zona de defesa.

Tradução > Emilio Henrique

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/08/14/alemanha-chamada-para-defender-sundi-e-hambi/

agência de notícias anarquistas-ana

Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.

Soares Feitosa

[Espanha] Campanha de Financiamento do Ateneu Lumbre Libertaria da CNT-AIT Villarrobledo

POR UM ESPAÇO OPERÁRIO E ANARQUISTA EM VILLARROBLEDO

Desde o Sindicato de Ofícios Vários da CNT-AIT de Albacete temos o prazer de anunciar a iniciativa do nosso Núcleo de Villarrobledo para conseguir um Ateneu nesta localidade.

E para isso, lançaram um financiamento coletivo (crowdfunding) que ajude a custear as despesas do primeiro ano. A ideia é que, com esse impulso inicial para começar, se possa desenvolver ao longo do primeiro ano uma comunidade suficiente e estável que consiga manter no tempo um espaço físico que se transforme em ferramenta para o fortalecimento da classe operária local, através da autocapacitação sindical e do desenvolvimento da consciência de classe antiautoritária, promovendo a cultura proletária e humanista, sob os princípios da Ajuda Mútua, da Solidariedade e da Ação Direta, e com a autogestão como motor organizativo.

Um espaço aberto para agregar inquietudes e lutas regionais em defesa da liberdade, da justiça social e do meio ambiente. Um espaço sem hierarquias e antiautoritário de encontro, análise e deliberação coletiva.

Fazemos, pois, um chamado à solidariedade de todas as pessoas críticas à ordem do privilégio capitalista e seus aparatos de concentração de poder, que fizeram do mundo um lugar corrupto, alienado e violento, onde a desesperança escurece o porvir. Recuperemos a utopia revolucionária como horizonte emancipador.

Vocês podem colaborar com esta iniciativa através deste link:

No link encontrarão toda a informação e os detalhes do projeto, que terá este nome: Ateneu Lumbre Libertaria.

Minha pátria é a liberdade,

Minha bandeira a razão.

Meu caminho a verdade.

Fonte: https://cntaitalbacete.es/2026/01/sindical-ateneo-lumbre-l

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sob o sol se pondo
como alfinete no lago
descansa a garça

Marcelo Santos Silvério

[Itália] Sempre ao lado de Alfredo Cospito! Concentração em Spoleto no dia 9 de março

Na segunda-feira, 9 de março, será realizada em Spoleto uma audiência do processo que coloca no banco dos réus alguns daqueles que foram às ruas em 1º de novembro de 2022, acusados de participar de uma passeata espontânea que atravessou algumas ruas do centro histórico após um ato em frente ao presídio da cidade, em solidariedade ao companheiro anarquista Alfredo Cospito, que então estava no décimo segundo dia de sua longa greve de fome contra o regime 41 bis e a prisão perpétua restritiva (ergastolo ostativo). Um episódio certamente marginal, mas que representa mais uma vez uma oportunidade para manifestar contra a detenção do nosso companheiro neste regime de aniquilamento. Diante da possível renovação da medida, prevista para o final dos primeiros quatro anos no próximo mês de maio, é necessário voltarmos a nos mobilizar contra a extensão indefinida deste tratamento vingativo contra um prisioneiro que eles não conseguem dobrar.

Enquanto as tensões internacionais nos arrastam cada vez mais rapidamente para o abismo de um conflito bélico em escala mundial, com a Itália — capacete na cabeça — alinhada ao lado da OTAN, dos EUA e dos sionistas em todas as frentes, é bom lembrar que a repressão é desde sempre a expressão mais eloquente da guerra na frente interna, onde o Estado e os patrões fazem de tudo para combater os revolucionários e as classes oprimidas.

Paz entre os oprimidos, guerra aos opressores!

Sabotemos a frente interna apoiando os prisioneiros da guerra social!

O 41 bis é uma prisão de guerra. Queremos Alfredo Cospito fora do 41 bis!

Nos vemos na segunda-feira, 9 de março de 2026, em Spoleto, para uma presença nas proximidades do tribunal. Concentração na Piazza Pianciani às 08h30.

Fonte: https://ilrovescio.info/2026/03/05/sempre-al-fianco-di-alfredo-cospito-appuntamento-a-spoleto-il-9-marzo/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/27/italia-operacao-cidade-uma-repressao-a-mobilizacao-contra-o-regime-prisional-41bis-na-italia-e-em-solidariedade-a-camarada-anarquista-alfredo-cospito/

agência de notícias anarquistas-ana

Me comovem
tuas mãos limpas
e tua boca suja

Eliane Pantoja Vaidya

[Itália] Sempre ao lado de quem deserta. Quatro anos após o início da guerra na Ucrânia – as manifestações

Em diversas cidades, por volta do dia 24 de fevereiro, houve manifestações e iniciativas antimilitaristas. Nesta data simbólica, quatro anos após a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, realizaram-se iniciativas de rua contra todas as formas de imperialismo, contra o militarismo, em solidariedade aos desertores de todas as frentes. Respondendo ao chamado da Assembleia Antimilitarista, em Trieste, Livorno, Turim, Reggio Emilia e Palermo, houve manifestações nas praças e ações simbólicas em alguns dos locais que mais representam a corrida armamentista e a guerra, como fábricas de armas e monumentos belicistas.

Por ocasião deste “aniversário”, o governo italiano relançou a propaganda de guerra para estabelecer a corrida armamentista, aprovando um novo decreto para a cessão de armas à Ucrânia, o décimo terceiro desde 2022. Entre os temas que temperaram a retórica belicista das últimas semanas, ouvimos falar novamente de um novo avanço do exército ucraniano. Continuam a contar a guerra em termos heróicos, enquanto a Ucrânia e a Rússia se sofreram um grande matadouro para os proletários, com centenas de mortos por dia numa frente tão extensa quanto toda a península italiana. É este o futuro que perspectivam para as jovens gerações que querem alistar nas forças armadas, para a classe trabalhadora que quer na miséria, curvada e disciplinada, minimamente a lutar pelos seus patrões ou a produzir e transportar armas que matarão outros proletários. Diante deste cenário, a única possibilidade de salvação é desertar. Mas o que isso significa exatamente? Uma imagem concreta nos chega justamente da guerra no Leste Europeu.

Dados surgidos entre 2024 e 2025 permitem focar a situação. Na Ucrânia, cerca de 1,5 milhão de pessoas se tornaram incontactáveis ​​para os Centros de Recrutamento Territorial. Não comunicaram a nova residência à administração, não podendo, portanto, ser formalmente realizados pela convocação para o alistamento. Essas pessoas, se ainda estiverem no país, correm o risco de serem reconhecidas e detidas nas ruas e serem alistadas à força. Nos bairros das cidades, há grupos solidários que afastam as equipes de recrutadores para evitar que levem as pessoas que moram na área para alistá-las. Há também quase 290 mil processos penais abertos contra militares que abandonaram injustificadamente sua unidade. Destes, a maioria, cerca de 235 mil, não devolveram após uma licença ou saída temporária, enquanto 54 mil, segundo a lei, são “desertores”, ou seja, salvaram-se sem justificativa de sua unidade. Não parece muito diferente ser a situação na Rússia; Não haja dados comparáveis, sabe-se que de 2022 a 2025 cerca de 800 mil russos deixaram seu país. Excluindo outras causas de emigração, algumas fortemente influenciadas pela situação de guerra em que o país se libertou, muitos tentaram fugir da mobilização militar.

Fomos às ruas desde o início, não para apoiar um governo, não para escolher um campo imperialista, não para apoiar um nacionalismo, mas contra todos os exércitos e contra todas as guerras.

Não nos pertence à neutralidade dos estados ou à equidistância burguesa, estamos contra todos os governos, contra todos os estados e todos os imperialismos. Escolhemos um lado, o lado das classes oprimidas e exploradas, lançados no moedor de carne da guerra lá onde se combate, lançados na miséria e esmagadas pela repressão em todo o mundo. Por isso, somos solidários com os desertores, com aqueles que mostram como é possível subtrair-se ao massacre, à máquina militar. Mas não basta. Como destacou o grupo Assembly de Kharkiv em alguns artigos, é necessário que, na Ucrânia, a massa de refratários e desertores vá além de se esconder e derrube o seu governo. O mesmo deveria acontecer na Rússia, onde a pressão repressiva precisaria de um forte movimento de massa para desmantelar o estado policial e parar a guerra. Essa reflexão serve para nos lembrar que a deserção deve ser o primeiro passo e transformar-se em revolução. Não basta a escolha ética individual de subtrair-se ao massacre, que ainda assim deve ser aprimorada; É preciso que a escolha se torne coletiva, para construir um movimento de massa capaz de parar uma guerra e derrubar um governo.

No meio de uma guerra, porém, sob as bombas, no medo e no sofrimento, na fuga, sob uma lei marcial, colocar esses processos em movimento é extremamente difícil. É preciso agir antes. Por isso, temos que ter claro o que podemos fazer desde agora e ampliar o sentido da deserção. Nos locais de trabalho, na produção como na logística, assim como nas escolas e universidades, abandonar a guerra significa parar a produção de armas, bloquear os transportes militares, recusar a reintrodução do serviço militar em qualquer forma que se apresente, rejeitar a propaganda de guerra, trabalhar na construção de um movimento de massa antimilitarista que possa colocar em questão as políticas de guerra.

Dario Antonelli

Fonte: https://umanitanova.org/sempre-a-fianco-di-chi-diserta-a-quattro-anni-dalla-guerra-in-ucraina-le-manifestazioni/

Tradução > Liberto

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Silêncio:
charros escutam
o canto das rochas

Matsuo Bashô

Novo Blog | Nascer livre num mundo de cercas – este é o Liberto

É com uma mistura de entusiasmo e rebeldia que dou as boas-vindas a quem chega. O blog Liberto Herrera nasce hoje, não como um manifesto definitivo, mas como um caderno aberto – um lugar onde poderei registrar, questionar e compartilhar minhas opiniões e visões sobre o anarquismo e o mundo em que vivemos.

Por que Liberto? Porque acredito que a liberdade não é um ponto de chegada distante, mas uma prática cotidiana. É um verbo que se conjuga no plural, na luta contra as cercas – sejam elas do Estado, do capital, ou daquelas que carregamos na cabeça sem perceber. Este blog será, acima de tudo, um exercício de autonomia: pensar por conta própria, sem medo de desagradar, e sempre em busca de horizontes mais justos e horizontais.

O que você vai encontrar por aqui?

  • Notícias – mas não qualquer notícia. Vou garimpar acontecimentos do Brasil e do mundo que revelem as engrenagens do poder e, principalmente, as brechas por onde a autonomia floresce. Greves, ocupações, experiências de autogestão, insurreições, resistências indígenas, quilombolas, LGBTQIA+ e de tantos outros corpos que insistem em existir para além da lógica dominante.
  • Reflexões – ensaios, opiniões e divagações sobre o anarquismo moderno. O que significa ser anarquista hoje? Como dialogar com as lutas climáticas, a tecnologia, o feminismo, o antirracismo? Que ferramentas teóricas podemos usar para desmontar os discursos de ódio e as novas roupagens do autoritarismo?
  • Visões pessoais – sim, este é um espaço assumidamente subjetivo. Não tenho a pretensão de falar em nome de ninguém, muito menos de oferecer verdades absolutas. Aqui, vou expor minhas inquietações, meus aprendizados, minhas contradições inclusive. Porque acredito que o anarquismo também se faz na honestidade radical com nós mesmos.

A ideia é que o blog seja um canteiro de ideias em germinação. Um lugar para quem sente na pele que “outro mundo é possível” e quer não só sonhar com ele, mas discutir os caminhos para construí-lo – aqui e agora, com as mãos e a mente.

Fique à vontade para discordar, questionar, sugerir. Liberdade também é isso: diálogo sem donos.

Que venham os próximos passos. Que venham as palavras que nos libertam.

Com afeto e rebeldia,

Liberto Herrera.

>> Acesse o blog aqui: libertoherrera.noblogs.org

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De manhã, a brisa
encrespa o igarapé
e penteia as águas.

Anibal Beça

O Brasil vende armas para quem? Um mapa da indústria bélica brasileira

Em 2025, indústria de defesa brasileira bateu recorde em exportação de produtos e serviços

Em 2025, a indústria de defesa brasileira ultrapassou recordes históricos. Segundo o Ministério da Defesa, o país faturou no ano passado US$ 3,1 bilhões em autorizações para exportações de produtos e serviços – uma cifra 74% maior em relação ao ano anterior.

Uma “indústria fantasma” raramente considerada pelo público, a indústria armamentista brasileira exporta equipamentos de alta qualidade para todo o mundo, inclusive para potências já estabelecidas como a Alemanha e os Estados Unidos.

A maior exportadora desse setor é a empresa aeroespacial Embraer, cujo avião Super Tucano é amplamente utilizado em treinamentos e em operações de baixo risco no mundo todo, armado com mísseis de precisão também brasileiros, como o MAA-1A Piranha.

Além da aeronáutica, sistemas de armas brasileiros e suas munições nos colocam entre os maiores produtores globais de pequenas armas e munições constantemente por duas décadas.

Somados todos os setores da indústria bélica brasileira – sejam exportações de aeronaves, munições, armas pequenas e leves, entre outros – o setor fatura cerca de US$ 60 bilhões anualmente, segundo dados do think tank brasileiro Instituto Igarapé.

Para onde vão os equipamentos e como eles são utilizados?

Atualmente, o Brasil exporta armamentos em diversas formas para a Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal, que formam os 5 principais importadores de produtos bélicos brasileiros, segundo a Defesa. A pasta também aponta que a chamada Base Industrial de Defesa (BID) comercializa produtos para 140 países em todos os continentes, com 80 empresas exportadoras.

Fonte: https://exame.com/mundo/o-brasil-vende-armas-para-quem-um-mapa-da-industria-belica-brasileira/  

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agência de notícias anarquistas-ana

o mar urrava
como um fauno
após o coito

Oswald de Andrade

[Espanha] Para transbordar o seu mundo

Sabemos que os fascistas sempre existiram. Ainda que, agora, sejam mais ouvidos, ainda que, agora, haja mais. Embora possam ser cada vez mais recorrentes e de forma marcante nos algoritmos, nos locais de trabalho, nas nossas casas, parques e caminhadas. Pensamos nos fascistas e nos social-democratas que os protegem e sentimos raiva. Percebemos, todos os dias, que o trabalho deles, como sempre foi, não é só a nossa censura, mas, acima de tudo, é coerção: é a imposição sistêmica de existir dentro de seus quadros, leis e discursos. 

Embora nós, mulheres trabalhadoras, nunca nos encaixemos nesses limites. Da esquerda institucional às posições ainda mais reacionárias, elas enchem a boca com o que, segundo elas, “somos mulheres”. Somos definidos por um tipo de corpo, uma forma de vestir, uma sexualidade muito específica, ofícios que, aparentemente, nos dignificam.

Nós não nos encaixamos nisso. Nessas margens de manobra, de imaginário estreito, não vemos isso. Porque somos nós que fomos eliminados da história, das histórias, como se nunca tivéssemos tido agência, como se não tivéssemos tomado nenhuma decisão ou significado qualquer mudança. Somos corpos que cuidamos de si mesmos, a partir de olhares criteriosos, somente para a nossa saúde e o nosso prazer. Somos corpos que mudam à vontade e se adornam se quiserem, mas não do jeito que eles queriam. Somos corpos que definem a própria identidade, expressão e estar no mundo.

Os nossos corpos também cuidam, sustentam, acompanham, são cuidados, apoiados e acompanhados por aqueles que são como nós. Combinamos todo esse trabalho reprodutivo com trabalho produtivo, condenando a nossa saúde por causa desse sistema miserável. Alguns de nós também são migrantes e eles se revoltam porque talvez a cor da nossa pele ou uma de nossas expressões culturais, segundo eles, os ataquem. Somos nós as loucas, as exageradas, as frias, as que desejavam demais, as que falam alto demais, ou que ficam caladas o tempo todo.

Porque alguns de nós somos mães, talvez felizes, mas também somos as arrependidas e, certamente, as cansadas, porque a criação de filhos nunca foi compatível com esse sistema que nos sufoca. Outras são meninas, embora a crueldade de tantas, e o seu poder volumoso às vezes nos roubem a infância. Somos filhas, sobrinhas, avós, tias, ou nenhuma dessas coisas.

Somos nós que, todos os dias, incansavelmente, colocamos na prática o apoio mútuo para não deixar que os outros caiam. Estendemos as mãos e as oferecemos umas às outras, não importa o quanto nos prendam, como as camaradas na Suíça; não importa o quanto os olhares apontem para nós, nos expulsem, nos afoguem.

Sabemos que a história não é linear e que os direitos adquiridos precisam ser defendidos. Podemos conquistar novos, porque, organizados, eles não podem nos derrotar. O antifascismo, no entanto, nos define. Então hoje, como sempre, eles nos terão diante deles.

Porque transbordamos o mundo deles. Vamos quebrar esse mundo até construir o nosso, novo, no qual sabemos que todos cabemos. Este 8M, como todos os dias, continuaremos lutando.

Organizadas. Juntas. Diversas.

cnt.es

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

o vento afaga
o das velas
que apaga

Carlos Seabra

[EUA] O Ataque ao Irã é um Ataque a Todos Nós

O ataque dos EUA e de Israel contra o Irã é moralmente repugnante. Calcula-se apenas para beneficiar uma elite de racistas e islamofóbicos sedentos por guerra. Não beneficiará o povo iraniano ou pessoas comuns em qualquer lugar da Terra.

Há movimentos de base genuínos que resistem ao governo iraniano, que é um regime autoritário encharcado de sangue – assim como os governos dos EUA e de Israel que o estão atacando. Mas os participantes de movimentos sociais iranianos não querem que Donald Trump ataque o Irã. Como alguns deles escreveram no mês passado,

“Nesta conjuntura, qualquer intervenção militar ou imperial só pode enfraquecer a luta de baixo e fortalecer a mão da República Islâmica para realizar a repressão.”

Movimentos sociais no Irã têm resistido a um governo opressivo por décadas. Mas o estabelecimento de um regime fantoche que serve os EUA e Israel não vai ajudá-los. Ao atacar o Irã, Trump não necessariamente procura derrubar o governo, mas simplesmente subordiná-lo à sua vontade, derrubando as principais figuras para se colocar no lugar delas. Ele fez exatamente isso na Venezuela em janeiro de 2026. O sequestro de Nicolás Maduro não fez nada para mudar a distribuição de poder na sociedade venezuelana; o principal resultado da intervenção de Trump tem sido que ele colocou as peças no lugar para saquear o país de seus recursos naturais em benefício de elementos da classe dominante dos Estados Unidos.

Como outros autocratas em todo o mundo, Trump pretende marginalizar as pessoas comuns, reduzindo toda a política a uma questão de tiranos que disputam o poder em detrimento daqueles que governam. Ele sacrificará com prazer a vida de iranianos, israelenses e cidadãos dos EUA para se beneficiar.

À medida que o lucro capitalista está se deparando com limites inerentes em todo o mundo, os déspotas voltaram a acumular riqueza à moda antiga: pela violência brutal do Estado. Uma das coisas que tem sustentado a economia global nos últimos anos é o boom da especulação de mercado em um punhado de empresas de tecnologia que tentam vender produtos de “inteligência artificial”. Na verdade, esta é uma corrida para investir na próxima geração de tecnologia militar, a fim de se preparar para uma era em que será ainda mais central para determinar como a riqueza e o poder são distribuídos. Podemos ver provas no conflito desta semana sobre se os militares dos EUA devem ser capazes de usar ferramentas de IA produzidas pela Anthropic para perseguir a vigilância doméstica em massa de cidadãos dos EUA e para soltar armas totalmente autônomas sobre o mundo.

Os militares israelenses fizeram uso extensivo da IA para perpetrar genocídio em Gaza. Isso é o principal motivo para uso da inteligência artificial – e não apenas ajudar os burocratas a escrever seus próprios e-mails.

Para o governo israelense, todo o Oriente Médio é agora a Cisjordânia. O ataque ao Irã mostra que eles estão determinados a sujeitar centenas de milhões à violência que já têm infligido ao povo palestino, libanês e sírio.

Nos EUA, a decisão de Trump de declarar guerra sem consultar o Congresso mostra que ele já se entende como um ditador. O ataque contra os iranianos destina-se a lançar o terror contra os inimigos de Trump em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos.

Devemos entender esse ataque como uma ameaça para nós também. De Caracas e Minneapolis até Teerã, é fácil ver que tipo de mundo eles estão tentando criar. As mesmas armas que são usadas contra os iranianos hoje serão viradas contra qualquer um que resista a Trump e seus capangas amanhã, a menos que os façamos a resistência juntos antes que seja tarde demais.

Temos de construir movimentos de base com a capacidade para interromper a máquina de guerra. As centenas de milhares de pessoas massacradas sem sentido em GazaSíriaSudão, Iêmen, IraqueMianmar, and Ucrânia mostram o que nos espera no fim desse caminho se não conseguirmos.

A verdadeira libertação só pode acontecer através da solidariedade entre os movimentos de base. Devemos resistir ao belicismo de Trump por todos os meios.

Fonte: https://pt.crimethinc.com/2026/03/02/o-ataque-ao-ira-e-um-ataque-a-todos-nos-1

agência de notícias anarquistas-ana

Solidão no ninho
O pássaro se assusta
No eco do trovão

Rodrigo de Almeida Siqueira

[EUA] Centenas de pessoas protestam em Minneapolis contra a guerra no Irã

Por Niko Georgiades , Unicorn Riot – 04/03/2026

“Esses ataques vergonhosos aconteceram bem no meio das negociações entre os EUA e o Irã”, disse Sarah Martin, da organização Mulheres Contra a Loucura Militar (WAMM), em um megafone conectado a alto-falantes instalados na carroceria de um caminhão no estacionamento do prédio que antes abrigava a loja de calçados Roberts Shoes. “Enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano e seu homólogo jordaniano anunciaram que as negociações estavam indo bem, Trump planejou o ataque militar.”

Até 4 de março, mais de 1.000 iranianos foram mortos por bombardeios aéreos dos EUA e de Israel, incluindo o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, juntamente com muitos membros de sua família e vários funcionários de alto escalação.

Os oradores no protesto compartilharam um tema principal: eles não confiavam no raciocínio do governo para o ataque preventivo, enquanto muitos observavam como os agressores estão intimamente ligados aos arquivos de Epstein, e isso era uma grande distração para eles.

“Estou aqui para lembrar a vocês que nosso inimigo não é o povo do Irã”, disse Mnar Adley, fundadora e diretora da organização de mídia independente MintPress News. “Nosso inimigo são os bilionários parasitas que comandam este país”, disse ela, “que estão literalmente estuprando nossas crianças”.

“Trump e Netanyahu não estão em posição de criticar, muito menos punir, o Estado iraniano”, disse o ativista pacifista Kim DeFranco. “Eles são os criminosos de guerra mais tiranos e fascistas, os políticos mais antiéticos da nossa época. Se houver alguma mudança na estrutura do governo iraniano, ela deverá ser decidida pela maioria dos 85 milhões de habitantes do Irã.”

Entretanto, Israel também está realizando uma campanha de bombardeios mortais no Líbano, enquanto planeja colonizar o sul do país e fixar mais território da Faixa de Gaza. Pelo menos 83 milhões de pessoas foram deslocadas à força no Líbano desde a nova onda de ataques aéreos israelenses.

Quase simultaneamente ao protesto em Minneapolis, um colaborador da UR filmava mísseis iranianos sobrevoando a Faixa de Gaza. A maioria dos mísseis foi interceptada pelos EUA e por Israel. Um navio militar israelense pôde ser visto em chamas na costa de Gaza, e interceptações e sinalizadores foram observados sobre Ashkelon, uma cidade ao norte de Gaza, reivindicada por Israel na criação do Estado em 1948. Os trechos próximos ao final do vídeo mostram as áreas fronteiriças a leste da Cidade de Gaza que foram recentemente controladas pelas forças israelenses.

Fonte: https://unicornriot.ninja/2026/hundreds-in-minneapolis-protest-the-war-on-iran/

agência de notícias anarquistas-ana

os teus cabelos
por travesseiro
como dormirei?

Rogério Martins

[Grécia] A guerra revela a verdadeira natureza desta sociedade…

Verificamos, mais uma vez, que ainda estamos na pré-história política da humanidade.

A GUERRA REVELA A VERDADEIRA NATUREZA DESSA SOCIEDADE QUE SE DIZ MODERNA, MAS É ARCAICA

A guerra é o estágio final das relações de dominação e da violência social que dela resulta; o mais devastador dos jogos de poder individuais é uma multidão de pessoas comuns. É ápice lógico de um jogo de exploração e acumulação que faz com que os poderosos digam “tudo dentro”, como em um jogo de pôquer ou em um parquinho, onde crianças se matam de mentira e fingem cair.

A guerra confirma que aqueles que afirmam governar e liderar economicamente são: assassinos em série completamente narcisistas, estúpidos e perigosos.

A guerra revela a verdadeira natureza desta sociedade que se diz moderna quando é profundamente arcaica: um caos feroz de tiranos que se desafiam desde os seus bunkers, usando a maré humana como exército, escudo ou alvo.

Queremos viver em paz? Vamos acabar com o poder. Vamos escolher horizontalidade, liberdade autêntica, igualdade real, fraternidade universal. Vamos estar decididos a não servir mais, a não servir a nós mesmos, a não nos escravizar mais.

Vamos sair da pré-história política da humanidade.

Yannis Youlountas

* ou adelphité, uma palavra grega que significa a mesma coisa e tem a vantagem de incluir todos.

Fonte: http://blogyy.net/2026/03/04/la-guerre-devoile-la-vraie-nature-de-cette-societe/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa

Detenham as guerras, silenciem as bombas

Por Internacional de Resistentes à Guerra (WRI-IRG) | 01/03/2026

As guerras e as escaladas armamentistas em todo o mundo seguem deixando marcas nas comunidades e desestabilizando regiões inteiras. Mesmo assim, o estouro da guerra entre o Paquistão e o Afeganistão acrescentou uma nova frente a um panorama mundial já marcado pela devastação no Sudão, a destruição na Ucrânia, o genocídio em Gaza, os bombardeios implacáveis ​​no Iêmem e os ataques aéreos no Líbano. Agora, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, arrastando o Oriente Médio para outro ciclo de destruição.

Os ataques que ocorreram em 28 de fevereiro não são golpes isolados, mas atos de agressão que ameaçam envolver toda a região. A represália do Irã contra as bases estadunidenses já ampliou o conflito, arrastando o Barein, Catar, os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia e Israel à espiral de violência. Milhões de civis em todo o mundo se encontram agora presos sob a sombra da guerra.

As políticas agressivas dos Estados Unidos e de Israel estão transformando o Oriente Médio em um campo de batalha, eliminando qualquer possibilidade de diálogo e estabilidade. Ao mesmo tempo, a escalada do Irã corre o risco de converter este enfrentamento em uma onda de violência contra os povos que vivem dentro e ao redor de suas fronteiras. Esta espiral militarista não é apenas uma violação do direito internacional e do princípio de proteção da população civil, mas também propõe a possibilidade aterradora de uma guerra nuclear. O mundo não pode permitir uma catástrofe de tal magnitude.

Nenhuma justificativa pode legitimar os bombardeios que desprezam a vida humana, e parece que nem sequer se tentou dar uma explicação coerente: Trata-se de uma guerra pelo simples fato de guerrear. Nenhum planejamento estratégico pode desculpar a transformação de regiões inteiras em zonas de guerra. O que há que fazer hoje é claro e urgente: a guerra deve terminar, os bombardeios devem cessar, os civis devem ser protegidos, o direito internacional deve ser respeitado e todas as partes devem comprometer-se com o diálogo em lugar de com a destruição.

A paz deve ser estabelecida não só para o povo do Irã, mas para todos os povos da região. Nosso chamado é inflexível: detenham os ataques, silenciem as armas, evitem a propagação da guerra e rechacem o caminho do militarismo. A solidariedade, a justiça e a paz não são opcionais, são responsabilidade compartilhada da humanidade e devem defender-se contra a maquinaria da guerra.

Fonte:  https://wri-irg.org/en/node/42880

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/05/espanha-comunicado-da-cnt-cordoba-ante-a-agressao-militar-dos-eua-e-israel-contra-o-ira/

agência de notícias anarquistas-ana

apaga a luz
antes de matéria
um vagalume

Alice Ruiz

Militarização: Nem na França, nem em lugar nenhum!

Num contexto de fascistização mundial, a militarização segue crescendo. Macron anuncia um serviço militar que inicialmente alegou ser voluntário, para depois torná-lo obrigatório para 50.000 jovens selecionados até 2035. O JDC (Dia da Defesa e da Cidadania), obrigatório para obter o diploma do ensino secundário, é acompanhado por aulas de defesa no ensino básico e secundário, com 15 turmas abertas no departamento [divisão administrativa].

A falta de financiamento das universidades obriga a tornarem-se prestadoras de serviços e a associarem-se a todas as empresas, independentemente da sua produção. As universidades de Tours e Orléans são parceiras do grupo ST Microelectronics, fabricante mundial de chips informáticos usados ​​em drones israelenses e russos. Tudo isso se soma à presença regular do exército e da polícia militar nas escolas e universidades, cujos cartazes de recrutamento são agora comuns e aceitos pelos reitores.

Nunca aceitaremos esta situação! É por isso que nós, organizações europeias de estudantes e jovens, apelamos à mobilização contra o armamento e a guerra!

Solidários estudantes-es

E-mail: tours@solidaires-etudiant-es.org Instagram: @solidairesetutours

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre mim a lua.
Lá atrás das altas montanhas
outro deve olhá-la.

Alexei Bueno

[Chile] O companheiro subversivo Tomás González foge da ex-penitenciária

No dia 25 de fevereiro de 2026, o ex-prisioneiro subversivo Tomás González, junto com outro prisioneiro, foge da ex-penitenciária vestido de gendarme. O companheiro Tomás foi condenado a mais de 21 anos de prisão (16 anos por atirar em policiais para evitar sua detenção em maio de 2022) e 5 anos (pendentes por porte de festa molotov).

Diante dos cercos repressivos que começam a ser armados dentro e fora, o chamado é para não fornecer nenhuma informação útil à repressão. Nenhuma colaboração é aceitável! Nenhuma foto do companheiro, nenhum dado sobre seu entorno e vínculos entregues às polícias!

Longa fuga e vida aos companheiros foragidos e fugidos. Toda a força e cumplicidade aos que ainda resistem na prisão.

” Guardo cada momento em que pude, em conjunto com meus companheiros, aprender com as vivências que desde tempos atrás horizontes diferentes gerações entregaram, com base na cumplicidade e humildade. Nada está acabado, pois a tarefa continua ao contribuir sempre de maneira concreta .

Tradução > Liberto

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gota de chuva
na parreira
lei na uva

Carlos Seabra

[Espanha] CGT celebra a liberdade de Miguel Peralta Betanzos, acusado e perseguido durante anos por um crime que não cometeu.

O anarquista mazateco esteve sequestrado durante cinco anos pelo Estado do México. A solidariedade internacional fez com que sua história de luta e dignidade chegasse a muitos lugares do planeta.

Peralta Betanzos:  “O que me ajudou foi o acompanhamento constante, o saber que outras pessoas lutaram pela minha liberdade.”

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) acolheu com alegria a notícia sobre a recente decisão judicial que anula a sentença que condenou Miguel Peralta há alguns anos por factos dos quais foi acusado falsamente.

A configuração político-policial contra Peralta começou em maio de 2015, quando ele se opôs e denunciou a superexploração dos recursos naturais, a entrega de concessões a empresas construtoras para supostas obras públicas e os atos de tortura e repressão contra diferentes pessoas da comunidade indígena de qual qualidade, Eloxochitlán de Flores Magón, em Oaxaca (México). Foi nessas ações contra as autoridades que Miguel foi detido, junto com outros membros de sua comunidade e inclusive de sua família, e acusado de assassinar e tentar assassinar Iván Zepeda e Elisa Zepeda, respectivamente (políticos do Movimento Regeneração Nacional – MORENA).

No entanto, nunca existiram provas suficientes que incriminassem Miguel. Ainda assim, foi encarcerado em duas graças e condenado em 2022 a 50 anos de prisão por isso, tendo que pedir o asilo político. Agora, mais de dez anos após o início de tudo, um tribunal federal do México anulou a sentença por “tentativa de homicídio”, registrando que nenhum processo contra o anarquista mazateco existiam “inconsistências”.

Para a CGT, assim como para muitos outros coletivos e organizações em nível internacional, esta é uma sentença histórica, muito importante para aqueles que, como Peralta, levam décadas lutando por seu território e contra a fabricação de provas e relatos falsos.

Desde a CGT, o compromisso de apoio e respaldo a Miguel Peralta sempre foi constante. Por isso, a organização anarcossindicalista reconheceu o valor e a dignidade deste jovem, e lembrou que resistir é vencer.

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

cgt.es

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/20/mexico-depois-de-mais-de-dez-anos-de-perseguicao-politica-esta-sexta-feira-miguel-peralta-pode-obter-sua-liberdade-plena/

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uma quente sopra
um canto de rola
o pinhal

Rogério Martins

[EUA] Smash By Smash West  SXSW

13 de março de 2026, 00h00 – 22 de março de 2026, 23h59

Um festival independente de primavera que ocorre todo mês de março na chamada “Austin, TX”.

Toda primavera, o South by Southwest atrai uma enxurrada de turistas, celebridades, políticos, tecnocratas, capitalistas de risco, oficiais militares, ativistas profissionais e a elite. Juntos, eles mostram o lado mais avançado do Capital, com suas alas esquerda e direita unidas numa aliança profana para traçar o futuro dos mundos infernais do Império. Para Austin, esta semana é ao mesmo tempo a força vital econômica da cidade e um período de exploração e desapropriação intensificadas — acampamentos de sem-teto são removidos, bairros são colonizados para o desenvolvimento voltado para o Sul e a hipergentrificação, e trabalhadores precários são levados ao limite físico e financeiro. O SXSW é um momento em que nossos inimigos se reúnem para se conectar, traçar estratégias e consolidar seu poder.

Além das paredes da sala de conferências, estamos construindo algo diferente: o Smash By Smash West, um contra-festival para aqueles de nós que lutam contra a dominação para se conectar, comungar e conspirar. A cada ano, desenvolvemos novas formas de pensar e agir que minam o domínio de nossos inimigos e fortalecem nossos poderes coletivos. Enquanto a conferência é uma demonstração de força para a ordem dominante, transformamos os pontos fortes de nossos inimigos em pontos fracos e seus pontos fracos em oportunidades, aproveitando a sobrecarga infraestrutural e a reunião dos poderosos para nos engajarmos em uma ruptura criativa e vigorosa.

Todos os anos, convidamos todos aqueles que constroem e defendem realidades do inferno tecnológico para se reunirem de perto e de longe para organizar eventos e tomar medidas estratégicas com esses objetivos em mente. Também convidamos os moradores locais que, ano após ano, organizam uma variedade de eventos “SXSW Não Oficiais” para adotar uma postura explicitamente anti-SXSW com a marca e o ethos SmashBy, para privar o SouthBy de publicidade gratuita. Enquanto o SXSW diminui em tamanho e relevância, o SmashXSmashWest continua sendo um contrafestival de 10 dias que abrange dois fins de semana inteiros de música, construção e ação. Estamos construindo uma rede que infunde cultura na política – contra a mercantilização despolitizada da cultura – e infunde política na cultura – contra a profissionalização enfadonha e sufocante da política. Estamos criando um festival para celebrar a autonomia e a primavera, muito tempo após o fim do SXSW e seu mundo.

Smash By não é uma organização. É uma alternativa radical, uma oportunidade para reconstruir o que o SXSW nos tirou e promover nossas próprias iniciativas libertadas. É uma plataforma e uma marca aberta que você pode usar para todas as atividades que no espírito deste convite, que não fazem parte do SXSW e expressam antagonismo em relação a ele.

Incentivamos o máximo possível de autossuficiência e autoorganização. Entre em contato pelo e-mail SmashBySmashWest@protonmail.com para perguntas ou suporte sobre:

• Compartilhe seu evento (ou relatório pós-evento) nas redes sociais e em nosso calendário

• Conectar-se a locais, artistas ou workshops

• Recursos que você tem a oferecer (como espaço, hospedagem, produção artística)

• Dúvidas sobre hospedagem e acomodação para viajantes

• Propostas mais ambiciosas nas quais você deseja ajuda para colaborar

Faremos o nosso melhor para ajudá-lo, compreendendo que nossas capacidades como uma rede descentralizada e de base podem ser limitadas.

Além do SouthBy e seu mundo

SmashXSmashOeste

smashxsmashwest.noblogs.org

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Atrás do bem
um latido afoito
balançar junto com a noite

Winston