Cuba, um olhar libertário e emancipador

Há alguns anos, quando já se passava mais de meio século do início da revolução cubana, e por ocasião da morte de Fidel Castro, escrevi um artigo, similar a este que agora atualizo em setembro de 2025. Aquele texto começava recordando as paixões e as rejeições que ela produzia, assim como ocorre com outros experimentos socialistas de Estado, como o caso do chavismo, e muitas vezes sem possibilidade de matizar entre os dois extremos devido à visceralidade das posições a favor e contra. Desde posições transformadoras e socialistas, mas também amantes da liberdade em todos os âmbitos da vida, só podia denunciar mais uma vez o rotundo fracasso que havia significado o comunismo de Marx, filtrado posteriormente pelo leninismo, tanto em sua teoria supostamente científica, como em sua práxis política levada a cabo em não poucos países. No entanto, apesar desta evidente prática fracassada, com uma negação da liberdade em todos os âmbitos da vida, e com uma fracassada política econômica (que, em qualquer caso, nunca foi autogestão por parte dos trabalhadores, nem pareceu ter caminhado em nenhum caso rumo a isso) certa esquerda encontrava, pelo menos até não muito tempo atrás, novos referenciais uma e outra vez nessas experiências de Estado.

Os debates sobre o regime cubano se perderam em discussões sobre se aquilo é ou não uma ditadura, sobre a suposta participação popular intrínseca não homologável com as democracias liberais ou, inclusive, pelo menos até não muito tempo atrás por parte de alguns intelectuais europeus, sobre que era preciso deixar que os cubanos levassem a cabo seu próprio caminho para o socialismo livre de interferências e tutelas externas. Os mais recalcitrantes defensores da revolução apontavam para todos aqueles, entre os quais suponho me encontrar (um vínculo familiar me une à ilha e estive lá em duas ocasiões), que pretendem julgar seu sistema político e econômico só por ter estado lá algumas semanas fazendo turismo, e se esforçavam em nos mostrar supostos dados benévolos, especialmente sobre saúde e educação, comparados com outros países pobres. Tudo de negativo no regime era, supostamente, produto das mentiras da imprensa burguesa capitalista (difícil de defender isso de maneira plena com a revolução tecnológica das comunicações que ocorreu nos últimos anos e sem negar a confusão que pode continuar existindo sobre qualquer parte do planeta).

Um clássico tem sido também aqueles que asseguravam que o foco negativo era colocado sempre em países socialistas como Cuba, embora o certo é que, se isso foi assim, tenho a sensação de que já faz muito tempo que não é; é possível que o quase total silêncio de nossa imprensa generalista esteja motivado por todos aqueles investidores ocidentais dispostos a converter o capitalismo de Estado atual em Cuba em capitalismo privado sem importar demasiado o bem-estar dos próprios cubanos. Os opositores cubanos mais viscerais consideram, assim ouvi de alguns, que figuras como Fidel Castro ou o Che Guevara, longe de serem louváveis líderes revolucionários, não eram melhores que Hitler. Outra acusação habitual destes, que pouco ou nada acrescenta, é atacar de maneira cortante quem sustente algo bom do regime cubano com algo assim como “Vai morar lá!”. O certo é que todo esse maremágnum retórico não deixa de encobrir uma realidade, com um povo cubano em permanente crise econômica, com um regime encurralado em medidas autoritárias e com perspectivas transformadoras bastante desalentadoras.

Anarquistas em Cuba

Vamos dar, em primeiro lugar, uma rápida olhada no que tem sido o movimento anarquista em Cuba, partidário do socialismo autogestionário, com maior peso do que se quis ver de maneira oficial. Na luta contra Batista, como é lógico, os ácratas tiveram um papel ativo. Muito cedo, com a chegada de Fidel Castro ao poder, encontrarão uma repressão em suas fileiras; em suas publicações, advertirão sobre o autoritarismo, o centralismo estatal e a hegemonia do Partido Comunista e reclamarão democracia nos sindicatos. Os anarquistas, assim como deveriam fazer os marxistas à margem de doutrinas pseudocientíficas e finalidades “históricas”, apostavam pela autogestão e pela emancipação dos trabalhadores. Não obstante, o caminho do Estado cubano derivou, com sua falta de liberdade e de iniciativa própria, no totalitarismo e na dependência do modelo soviético.

Ao serem conscientes deste desastre, em 1960 os anarquistas fizeram uma declaração de Princípios mediante a Agrupação Sindicalista Libertária; nela, atacava-se o Estado, o centralismo agrário proposto pela reforma do governo, assim como o nacionalismo, o militarismo e o imperialismo. Os libertários mantinham-se fiéis à sua concepção da liberdade individual, como base para a coletiva, à sua aposta pelo federalismo e por uma educação livre. As habituais acusações aos críticos da revolução cubana, que de uma forma ou outra chegam aos nossos dias, de estarem a soldo dos Estados Unidos ou outros elementos reacionários não tardariam a chegar. Depois daquilo, a repressão castrista fez com que o anarcossindicalismo não tivesse lugar ao ser erradicada a liberdade de imprensa e não pudesse fazer propaganda ideológica. Iniciou-se o êxodo anarquista nos anos 60, restando poucos militantes em Cuba e sofrendo um miserável despotismo.

Naqueles primeiros anos da revolução cubana, criaram-se organizações no exterior, como o Movimento Libertário Cubano no Exílio (MLCE), e houve outros manifestos libertários criticando a deriva totalitária. Uma obra anarquista destacada é Revolución y dictadura en Cuba, de Abelardo Iglesias, publicada em 1961 em Buenos Aires. A posição anarquista, pelo menos por parte da maior parte do movimento, estava clara. A incansável atividade intelectual de alguns anarquistas cubanos faz com que se exponha com clareza meridiana conceitos como os seguintes: “expropriar empresas capitalistas, entregando-as aos operários e técnicos, isso é revolução”; “mas convertê-las em monopólios estatais nos quais o único direito do produtor é obedecer, isso é contrarrevolução”. Apesar destes esforços, no final da década de 60, o castrismo parecia estar ganhando a propaganda ideológica, o que provocou que alguns meios libertários, na Europa e na América Latina, tendessem cada vez mais a apoiar a revolução cubana.

Um ponto de inflexão para esta situação será a publicação em 1976 no Canadá do livro The Cuban Revolution: A Critical Perspective (A Revolução Cubana: uma abordagem crítica), de Sam Dolgoff, excelentemente distribuído e que “fez um impacto demolidor entre as esquerdas em geral e os anarquistas em particular”. O livro constituiu uma certeira abordagem crítica do castrismo, recolhendo a luta do MLCE (reiteradamente acusado de estar a serviço da reação) e propiciando seu reconhecimento internacional; o impacto sobre o anarquismo internacional, e inclusive sobre outras correntes de esquerda, foi considerável. Nos anos seguintes, é destacável a publicação Guángara libertaria, a cargo do MLCE, iniciada em 1979 e que chegou até 1992. Merece a pena também mencionar que o sindicato anarco-comunista Sveriges Arbetares Centralorganisation (SAC), na Suécia, em colaboração com a revista Cuba Nuestra, editada em Estocolmo, foi um nobre e solidário apoio no final dos anos 90 ao renascimento do anarquismo cubano.

Já no século XXI, destacou-se durante anos o boletim Cuba libertaria, do Grupo de Apoio aos Libertários e Sindicalistas Independentes em Cuba, onde estava nosso companheiro recentemente falecido Octavio Alberola, cujo primeiro número apareceu em fevereiro de 2004. O Taller Libertario Alfredo López, chamado assim em homenagem a uma figura destacada do anarcossindicalismo em Cuba, organizou as Jornadas Primavera Libertária de Havana quase de maneira ininterrupta desde 2013 até 2024, momento final em que mal tinha atividade; foram anos com múltiplas atividades, em espaços afins e públicos fomentando o debate, a criação de uma editora e de diversas publicações. Em 2018, graças à ajuda de libertários de todo o mundo, pôde-se comprar um espaço em Havana para dar lugar à ABRA, o primeiro centro social anarquista na ilha depois de décadas de ausência. Em 2016, criou-se a Federação Anarquista da América Central e do Caribe (FACC), da qual hoje é difícil encontrar rastro além de um mínimo espaço de comunicação e coordenação entre diversas regiões. A chamada quarta geração de anarquistas em Cuba foi uma grande esperança através do Observatório Crítico de Havana, do mencionado Taller Libertario ou de diversas associações, de marcado caráter antiautoritário e autogestionário, promotoras da pedagogia libertária, dos direitos LGBTQi+, do ecologismo ou da cultura africana. Desgraçadamente, todas estas iniciativas desapareceram atualmente ou têm grandes dificuldades para se manter.

Perspectivas do processo revolucionário atualmente

Se algo alimentou o mito da revolução cubana tem sido o criminoso bloqueio ou embargo dos Estados Unidos, que perdura até nossos dias apesar dos vaivéns nas diferentes administrações; Biden teve certa continuidade com as relações diplomáticas iniciadas com Obama, mas Trump acabou por destruí-las. Mais uma vez, gostaria de deixar claro que é tão intolerável esse bloqueio econômico norte-americano quanto o que estabeleceram os Castro sobre a população cubana. Essa dicotomia Estados Unidos versus Cuba, como em tantas outras, essa escolha entre o ruim e o pior, tendência tantas vezes da mentalidade humana, é pobre e falaciosa; o ruim continua sendo ruim, é preciso trabalhar por um caminho que assegure a justiça e a liberdade. Assim tentaram fazer historicamente os anarquistas, desde a época colonial até o atual sistema totalitário no qual a chamada quarta geração mantém a chama libertária, ainda que de forma muito debilitada devido às grandes dificuldades. Apesar da propaganda sobre a democracia interna do regime e a participação popular, desgraçadamente, disse-se que os movimentos sociais têm sido inexistentes em Cuba durante a chamada revolução, já que a única representação política tem sido através do Partido Comunista e da União de Jovens Comunistas, e não parece que o regime evolua tampouco no que respeita a isso.

A revolução cubana mostrou-se duplamente perversa, por sua condição intrínseca, suavizada pela magnificação de seus logros, e por arrogar-se uma autoridade moral fundamentada em sua suposta natureza transformadora e progressista, que hoje já se vê como uma caricatura. A queda do bloco soviético, do qual dependia economicamente em grande nível, significou um duro golpe para Cuba com o chamado período especial; naquela década de 90, começam algumas mudanças, mas só para levantar as excessivas proibições que saturavam a vida dos cubanos e obrigá-los a numerosas práticas sociais para sua sobrevivência. Tratava-se de um encurralamento permanente do regime no centralismo e nesse suposto socialismo, que mais bem deveríamos chamar de capitalismo de Estado. Após a morte de Fidel Castro em 2016, o regime teve continuidade com a liderança de seu irmão Raúl, hoje ainda muito influente segundo dizem apesar de sua avançada idade, embora a presidência corresponda desde 2019 a Miguel Díaz-Canel. Em qualquer caso, após o desaparecimento de Fidel Castro, apesar de algumas reformas internas aparentemente liberais (embora assegurando o controle estatal da economia), produziu-se uma evidente política de continuidade. Certas reformas e abertura, que em qualquer caso nunca caminharam para nenhum efeito emancipador e mais pareciam um caminho similar ao do comunismo chinês, constituíram apenas um miragem. Após sucessivas crises, agravadas pela pandemia, uma onda de protestos ocorreu na ilha no final de 2020 e começos de 2021, farto o povo da carestia e penúrias de todo tipo, ante o que o regime só soube recuar para uma maior repressão. Passado já um quarto do novo século, não é possível continuar escorando moralmente um regime que, de um ponto de vista autenticamente social e revolucionário, não conduz a lugar nenhum e mantém a população em uma intolerável precariedade sem aportar soluções e culpando, ainda, a fatores externos pela situação econômica.

Em seu momento, ante o caminho autoritário, centralista e burocrático, da práxis marxista-leninista na Rússia, os anarquistas advertiram que iam conseguir que as pessoas acabassem odiando a palavra comunismo. Atualmente, uma reprovação mais a realizar à suposta revolução, exemplos como o de Cuba levaram a que resulte difícil imaginar, para a maior parte das pessoas, nenhuma solução a nível econômico que não seja a da entrada na ilha de investidores privados; ou seja, substituir o capitalismo de Estado, insistirei em que não podemos denominar de outro modo o esclerotizado sonho “revolucionário” cubano, por um capitalismo livre de barreiras para os que mais têm. E é que, à margem de discursos e proclamações que à medida que passam os anos resultam cada vez mais patéticos, a única realidade é que dita Revolução jamais cumpriu a promessa de acabar com a explotação, nem com as diferenças de classe e, assim como nos países capitalistas, um abismo separa as elites do povo. No que concerne às liberdades políticas, igualmente, essa insistência do regime cubano em levar a cabo seu próprio processo participativo de Partido único, que encobria obviamente formas nitidamente autoritárias, conduziu a reclamar para a ilha uma homologação com as democracias liberais multipartidárias. Desde um olhar libertário e autenticamente emancipador, e como já assinalaram os companheiros do Taller Libertario, só podemos exigir “todas as formas de auto-organização de quem trabalha, convive e cria em Cuba” sem imposições autoritárias de nenhum tipo e com uma liberdade em todos os âmbitos vivenciais onde predomine a solidariedade. Apesar da apatia e falta de organização da classe trabalhadora cubana, assim como da precarização de grande parte da população, por décadas de subordinação e dependência do Estado, é um desejo compartilhado pelo conjunto dos libertários pelo qual continuaremos apostando e apoiando em qualquer parte do planeta.

Capi Vidal

Fonte: https://redeslibertarias.com/2025/09/16/cuba-una-mirada-libertaria-y-emancipadora/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Aqui e ali,
Sobre os campos florescem
As quaresmeiras.

Paulo Franchetti

[Espanha] CNT ELX – Voltemos à luta!

Mais uma vez iniciamos nossas atividades para conformar um sindicato em combate, como sempre foi a Confederação Nacional do Trabalho.

Um sindicato que faz das palavras União, Ação e Autogestão a guia de nossas atividades e objetivos.

Porque não lutamos apenas contra a precariedade e a situação que enfrentam os/as trabalhadores/as, lutamos contra o capital, contra a exploração e o roubo da mais-valia pela classe empresarial. Em um momento em que, praticamente, a quase totalidade da mal chamada esquerda renunciou a seus postulados históricos e se converteu em meros gestores assalariados do capitalismo e da economia de mercado, esquecendo os problemas enfrentados pela classe trabalhadora. Claro, nossos políticos nunca tiveram que estar às 8 da manhã em uma linha de montagem de fábrica.

Nós nos declaramos firmemente ANTICAPITALISTAS, já que o capitalismo é um sistema que precisa ser derrubado ou acabará destruindo tudo, talvez até se autodestruindo, com um consumo desenfreado e irracional, tanto dos recursos quanto do nosso próprio planeta.

Mas não temos apenas que levantar nossas armas contra o sistema econômico atual. Também – e tod@s têm consciência da situação que vivemos a nível mundial e nacional – é preciso enfrentar o retorno do fascismo. Sim, com todas as letras, com governos liderados por genocidas que implementam políticas de extermínio e discriminação. Não é necessário listar os países sob esse tipo de governo. Um câncer que se espalha e que, evidentemente, também já chegou à Europa.

É preciso frear o fascismo em todos os fronts.

Ao mesmo tempo, é hora de criar consciência, cultura e organização para que nossa alternativa seja viável, desde baixo, como não poderia ser de outro modo. Somente com cultura e formação, com solidariedade e apoio mútuo, podemos e devemos criar e tecer redes de autodefesa.

Pela Anarquia, para que esta seja visível em nossa teoria, mas também para colocá-la em prática, para ir além das palavras. É preciso defender a liberdade e as liberdades, aquelas que pouco a pouco estão sendo retiradas de nós. É preciso lutar pela igualdade e pela justiça social.

Isto não é uma moda, é um compromisso de todo revolucionário, de toda pessoa com consciência de classe, de classe trabalhadora.

Como não podemos esquecer, este é o nosso hino:

Tempestades negras agitam os ares
Nuvens escuras nos impedem de ver
Ainda que nos esperem a dor e a morte
Contra o inimigo nos chama o dever

Hoje como ontem, a CNT está em luta. Se você quiser, aqui tem o seu lugar. Não vai ser fácil, mas juntos somos mais fortes.

Saúde e Anarquia!

Fonte: https://elche.cnt.es/2025/09/09/cnt-elx-volvemos-a-la-carga/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A rã de Bashô
sai num pulo do haicai
dele para o meu.

Otoniel

Conferências da UAF: Não é falta de comida, é excesso de Capitalismo: A invenção da Fome

A fome não é um acidente nem uma fatalidade. É um projeto político e econômico do capitalismo, que transforma o alimento – um direito básico – em uma mercadoria lucrativa. Enquanto o agronegócio ostenta recordes de produção e lucros bilionários, milhões são lançados à miséria extrema, vítimas de um sistema que prioriza a exportação e a acumulação de riqueza nas mãos de poucos. A fome é a violência mais visceral deste modelo de morte.

É urgente desmascarar essa engrenagem perversa e romper com a narrativa de que não há alternativa. Precisamos falar de soberania alimentar, de autogestão, de apoio mútuo e de como a organização popular direta pode construir um novo caminho, desde já, a partir da base, sem depender do Estado ou dos capitalistas.

União Anarquista Federalista (UAF) convoca todes para a conferência “A Fome é uma Invenção do Sistema Capitalista”, no dia 03 de Outubro de 2025, às 20h. Vamos juntar a fome com a vontade de lutar! Para garantir sua inscrição e receber o link de acesso, envie um e-mail para uaf@riseup.net. Não vamos apenas denunciar a fome; vamos organizar a sua abolição!

União Anarquista Federalista (UAF)

uafbr.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

Humberto del Maestro

[Holanda] Parlamento aprova moção que proíbe movimento Antifa

O parlamento da Holanda aprovou na noite desta quinta-feira (18/09) uma moção do líder da oposição Geert Wilders classificando o movimento Antifa como terrorista e exigindo que o governo central adote a designação.

Na moção, Wilders afirmou que as células Antifa estão ativas na Holanda, acusando-as de ameaçar políticos, interromper eventos públicos e intimidar estudantes e jornalistas.

A moção pedia ao governo que tomasse medidas semelhantes às dos EUA, onde Trump anunciou que a Antifa seria designado como uma “grande organização terrorista” após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.

Com a moção agora adotada, o governo holandês deve responder formalmente e decidir se implementa o pedido. Se realizada, a designação pode ampliar os poderes de aplicação da lei relacionados à vigilância, monitoramento e acusação de atividades suspeitas da Antifa no país.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

o sol inclinado
leva até minha parede
o gato do telhado

José Santos

Após decisão de Trump, premiê da Hungria quer declarar Antifa como organização terrorista

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, anunciou nesta sexta-feira (19/09) que proporá a declaração do movimento Antifa como organização terrorista, seguindo a iniciativa do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.

“Fiquei feliz com a decisão do presidente americano e vou propor que façamos o mesmo aqui, na Hungria”, disse Orbán em suas declarações de sexta-feira à emissora de rádio pública Kossuth.

O chefe de governo húngaro, aliado de Trump, afirmou que na Hungria “chegou o momento de que, seguindo o exemplo americano, classifiquemos organizações como a Antifa como terroristas”.

“A Antifa é, sem dúvida, uma organização terrorista”, enfatizou o primeiro-ministro húngaro, que não deu mais detalhes sobre o funcionamento dessa organização em seu país.

Trump declarou a Antifa como organização terrorista no último dia 17/09. O presidente americano também pediu na ocasião a abertura de investigações sobre os financiadores desse movimento nos Estados Unidos.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

no brejo,
os sapos coaxam.
o vento é frio e úmido.

Alaor Chaves

[Indonésia] Somos todos titereiros

42 pessoas de redes antiautoritárias nomeadas como suspeitas após manifestações #bubarkanDPR (abolir o parlamento)

De 25 de agosto a 5 de setembro, a Indonésia foi um mar de fogo. Uma onda de manifestações simultâneas terminou em batalhas de rua, incêndio de prédios governamentais e delegacias, além do saque de casas de políticos. Um total de 3.195 pessoas foram detidas em vários locais durante esse período. Isso sem contar as prisões posteriores.

Como parte das operações pós-manifestação, a polícia investigou e prendeu ativistas, administradores de contas de redes sociais de movimentos sociais e influenciadores. Esses receberam certa visibilidade, além do apoio merecido. Mas, ao mesmo tempo, na base, no nível popular, dezenas ou talvez centenas de pessoas foram presas, espancadas, isoladas do contato com suas famílias e privadas de assistência jurídica da Lembaga Bantuan Hukum – LBH (Instituto de Assistência Jurídica). Algumas foram noticiadas pela mídia local, mas a maioria permaneceu no silêncio: desapareceram de repente, e o movimento inteiro imediatamente foi forçado à clandestinidade, dominado pela paranoia.

Nossos temores são bem fundamentados. Sabemos que o Estado pode ser o perpetrador de violações de direitos humanos e de terrorismo. Temos memórias coletivas dos massacres de 1965, dos desaparecimentos de ativistas em 1998, do assassinato do ativista de direitos humanos Munir, de tudo de ruim que acontece a quem ousa lutar. Quem ousaria negar que a mesma coisa não pode acontecer novamente hoje?

Finalmente, na terça-feira, 16 de setembro de 2025, a Polícia Regional de Java Ocidental realizou uma coletiva de imprensa anunciando 42 suspeitos envolvidos em atos de vandalismo em Bandung. No entanto, todos foram resultado de uma investigação e prisões em nível nacional, realizadas até em Jombang e Makassar. Foram acusados de serem anarquistas.

Durante a coletiva, a Polícia Regional de Java Ocidental declarou que grupos anarquistas estavam envolvidos em atos de vandalismo, incitação à violência, distribuição de materiais sobre como montar coquetéis molotov e captação/gestão de fundos de organizações anarquistas internacionais no valor de 1 bilhão de rupias indonésias (60.795 dólares).

Nós não negamos essas acusações. Apenas destacamos como o governo tenta convencer o público de que a onda de revolta popular não se deve inteiramente à raiva do povo. O governo sempre pensa em uma lógica centrada no titereiro: acreditando que tudo é mobilizado centralmente por um punhado de atores intelectuais. Alguns acreditam que isso é orquestrado pela oposição política, o que é impossível, considerando a coalizão sólida de Prabowo que abarca toda a elite predatória. Outros acusam que seja obra de capangas financiados do exterior. Alguns conspiram sobre operações de inteligência militar. Ou então, que 42 anarquistas orquestraram os distúrbios.

Digamos que as acusações contra os anarquistas sejam verdadeiras. Mesmo assim, o governo ainda busca um bode expiatório, subestimando o raciocínio popular. Acham que, se milhares de membros do Partido Comunista da Indonésia (PKI), milhares de anarquistas, ou agentes estrangeiros, ou a oposição forem presos, milhões de outros indonésios, como motoristas de aplicativo (ojol), estudantes, universitários e donas de casa, não carregarão paus, não lançarão pedras, nem prepararão garrafas de vidro cheias de gasolina? Nosso governo não é estúpido. Eles negam deliberadamente e dizem: “está tudo bem.” Têm medo de admitir que o povo, isto é, todos nós, somos os titereiros.

Somos todos titereiros. Esta insurreição é a mais magnífica performance política que já encenamos. Nossa história é um roteiro ainda não escrito. Nosso diálogo começa com as palavras “Cukup!” (Basta!) e termina com “Merdeka 100%” (Independência 100%). Nosso papel é ser protagonistas de nossa própria libertação.

Em pouco tempo, a insurreição vai arrefecer, o fogo se apagará, a fumaça será levada pelo vento. Os prédios do parlamento (DPR) serão reconstruídos ainda mais fortes, o orçamento militar pós-insurreição disparará, mas as florestas dos povos indígenas continuarão a ser desmatadas, os trabalhadores ainda terão salários baixos, e o um por cento, a classe dominante, continuará a se beneficiar desse sistema explorador.

Organizemo-nos novamente, unamo-nos em sindicatos, fóruns comunitários e alianças estudantis. Vamos ler e debater, realizar formações, recrutamento e kaderisasi (regeneração/militância). Mostrar que as prisões não nos intimidam.

O Serikat Tahanan (Sindicato dos Prisioneiros) é um coletivo de prisioneiros antiautoritários. Organizamo-nos principalmente dentro, mas também fora das prisões em toda a Indonésia, para apoiar companheiros ativistas antiautoritários que foram encarcerados e para educar o público sobre as condições prisionais na Indonésia. Essa iniciativa, impulsionada por prisioneiros, começou como um simples ato de solidariedade entre nós, para cultivar esperança, para que não nos sintamos marginalizados nem saiamos da prisão mais destruídos do que entramos. Ao nos organizarmos, somos constantemente lembrados do porquê de termos começado nossa luta. Entre em contato conosco para mais informações em sociabuzz.com/serikattahanan.

Fonte: https://sea.theanarchistlibrary.org/library/serikat-tahanan-we-are-all-puppeteers-en

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

agência de notícias anarquistas-ana

Desfile de máscaras:
os tiranos são palhaços
quando o circo pega fogo.

Liberto Herrera

[República Tcheca] Feira Anarquista do Livro em Brno

Convidamos vocês para a 3ª Feira Anarquista Anual do Livro em Brno! Ela acontecerá no dia 4 de outubro de 2025 (sábado) em Káznice.

Vamos criar juntos um espaço onde possamos compartilhar não apenas livros e ideais, mas também habilidades práticas no espírito do Faça Você Mesmo (Do It Yourself – DIY). Além disso, como é habitual nas feiras anarquistas de livros, queremos nos encontrar, refletir juntos sobre nossa prática e forjar novas alianças.

  • No sábado, nos encontraremos no centro comunitário Káznice (Bratislavská 249/68), onde haverá, é claro, barracas com livros, zines, revistas e outros itens, mas também um programa paralelo (oficinas, palestras, performances, exibições e muito mais).
  • Em seguida, haverá um concerto e depois uma festa (afterparty).

Se você quiser compartilhar alguma habilidade prática, organizar uma oficina ou debate, não hesite em entrar em contato conosco por e-mail. Também agradecemos a ajuda na organização no local.

anarchist-bookfair-brno@riseup.net

anarchisticky-bookfair-brno.cz

Tradução > Lagarto Azul / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

Flor esta
De pura sensação
Floresta.

Kleber Costa

[Itália] Guerra imperialista e impacto no meio ambiente.

As guerras e os conflitos armados causam danos indescritíveis à população civil, precipitando-a na barbárie. Os conflitos passados e os atuais de Gaza e da Ucrânia estão aí para nos mostrar isso, mas também têm um impacto acelerador na devastação do meio ambiente em todos os seus aspectos, tanto de forma direta quanto indireta. A guerra moderna, da qual faz plenamente parte a perspectiva atômica, traz consigo a destruição de ecossistemas inteiros e mudanças climáticas irreversíveis, somando-se ao que o capitalismo já produz “normalmente” em sua espoliação intensiva e frenética dos recursos do planeta e nos estragos que isso acarreta. A guerra é o ponto focal de condensação de todos os fatores de crise do capitalismo, além de ser um salto qualitativo em direção à barbárie generalizada para toda a humanidade. A própria “transição ecológica” peculiar a um certo capitalismo “verde” não representou nada mais do que um dos setores de alto desenvolvimento capitalista e intensidade de capitais investidos, em concorrência com outros, mas agora enfrenta as prementes necessidades da fase do ciclo econômico e as prioridades da economia de guerra atual. Portanto, nada de alternativo ou resolutivo, tudo funcional ao lucro, de qualquer maneira. A única alternativa real é sempre a da afirmação da perspectiva proletária para construir uma relação diferente entre homem e natureza.

Eis uma síntese dos principais efeitos da guerra sobre o meio ambiente no esquema a seguir.

1. Aumento direto das emissões de CO

• Uso massivo de combustíveis fósseis: os meios militares (tanques, aviões de guerra, navios…) consomem enormes quantidades de combustíveis fósseis, emitindo grandes quantidades de CO₂;

• Produção e logística militar: fábricas de armamentos, transportes e bases militares geram emissões elevadas e raramente estão sujeitas a limites ambientais;

• Explosões e incêndios: bombardeios e ataques causam incêndios generalizados, liberação de substâncias tóxicas e radioativas e combustão descontrolada de materiais (como em depósitos de combustível ou instalações industriais).

2. Impactos indiretos e de longo prazo

• Destruição ambiental: florestas, solos e áreas agrícolas são destruídos ou contaminados, reduzindo a capacidade dos ecossistemas de absorver CO₂;

• Deslocamento de populações: milhões de deslocados por questões ambientais e de guerra aumentam a pressão sobre outras áreas, muitas vezes causando superlotação urbana e maior consumo de recursos;

• Reconstrução pós-guerra: a reconstrução de infraestruturas requer grandes quantidades de cimento, aço e energia, aumentando as emissões globais.

3. Erosão das “políticas climáticas”

As políticas “verdes” também visam o lucro. A transição “ecológica” visa melhorar o ciclo produtivo, mas essa transição é interrompida quando as crises e as guerras impõem outras prioridades, destinando todos os recursos disponíveis para a guerra.

4. O perigo da guerra atômica

Exemplos recentes:

• A guerra na Ucrânia causou uma massiva liberação de gases de efeito estufa (entre 100 e 150 milhões de toneladas de equivalente de CO₂ estimados nos primeiros meses);

• Os conflitos no Oriente Médio acarretaram destruição ambiental duradoura e incêndios em instalações petrolíferas.

As guerras são um multiplicador da mudança climática: aumentam as emissões, danificam os sumidouros naturais de carbono e reduzem a transição para energias alternativas ao petróleo.

Não existe uma guerra justa ou errada: existe o capitalismo e sua lógica bárbara de produção e exploração do ser humano e do meio ambiente.

A mudança climática também é, sobretudo, uma questão de classe, uma vez que o maior agente de destruição ambiental é o capitalismo.

O ecologismo sem uma visão anticapitalista é jardinagem.

Apoiar a guerra imperialista, ou mesmo apenas uma de suas frentes, significa destinar a raça humana ao risco de enormes sofrimentos e de extinção.

A única guerra digna de ser travada é uma e apenas uma: a luta de classes.

Fonte: https://interlab.blog/2025/09/11/guerre-imperialiste-e-impatto-sullambiente/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Subo no caminhão
para uma longa viagem—
Adeus, ipê roxo.

Teruo Hamada

[Itália] Atualizações sobre o anarquista Salvatore Vespertino “Ghespe”

Após meses em que conseguimos manter uma correspondência regular com o companheiro anarquista Salvatore Vespertino, atualmente preso no cárcere de Spoleto e sob aplicação de censura à sua correspondência, notamos um progressivo atraso na troca de cartas, tanto de entrada quanto de saída. Não sabemos se algumas cartas estão desaparecendo informalmente ou não, como acontece com outros companheiros, como no caso de Paolo Todde, prisioneiro no cárcere de Uta (CA), que atualmente só recebe cartas registradas. A partir da última carta de Salvatore, datada de 28/08 e que nos chegou em 08/09, ficamos sabendo que, no momento, ele tem 18 cartas bloqueadas formalmente, além de vários livros que são classificados como “pacote”, apesar de terem sido enviados como “P.L.” (impresso postal).

Considerando a situação atual, lançamos um apelo para o envio massivo de cartas postais comuns, devido ao baixo custo, para mostrar uma forte presença e proximidade ao companheiro, além de sobrecarregar o setor de censura. Também convidamos a enviar cartas preferencialmente de forma registrada. Considerando o bloqueio informal e arbitrário de livros, recomendamos o envio de um único livro por vez, usando o envelope padrão para impressos postais, sem embalagens caseiras com vários livros juntos, bem como o envio de revistas e jornais de todos os tipos (o companheiro gosta especialmente de revistas históricas). Obviamente, tudo deve ser enviado de forma registrada.

Para escrever ao companheiro:

Salvatore Vespertino 

C. D. R. Spoleto, Loc. Maiano 10

06049 Spoleto (PG) – Itália

Arquivo-Biblioteca Anárquica “G. Ciavolino” Assemini 

Círculo Anárquico “G. Bertoli” Assemini 

Fonte: https://sardegnaanarchica.wordpress.com/2025/09/11/aggiornamenti-sullanarchico-salvatore-vespertino-ghespe/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

agência de notícias anarquistas-ana

Nos olhos da libélula
refletem-se
montanhas distantes.

Issa

[Itália] 22 de setembro: greve geral

Os sindicatos de base USI, USB, CUB, SGB e ADL proclamaram greve geral para o dia 22 de setembro, durante todo o dia, contra a escalada belicista que atinge uma fase dramática com o genocídio em curso em Gaza, o bloqueio de ajuda humanitária por parte do governo e do exército israelense, e os ataques à missão internacional de solidariedade civil da Frota Global Sumud. Uma guerra cada vez mais violenta e sangrenta, que é acompanhada por uma guerra interna feita de exploração, pobreza, desemprego, precariedade e cortes nos serviços essenciais. Uma guerra alimentada pela produção de armas e até por uma reconversão cada vez mais frequente do civil para o militar. A resposta dos trabalhadores é importante, dos transportes à logística e a todos os setores. Apoiamos a greve geral!

Redação – Umanità Nova

umanitanova.org

agência de notícias anarquistas-ana

Pessoas vieram
de lugares tão distantes…
Cerejeira em flor !

Carlos Martins

Perseguição e repressão contra anarquistas na Indonésia

  • O Presidente Prabowo ordena às Forças Armadas Nacionais da Indonésia (TNI) e à Polícia Nacional da Indonésia (Polri) que tomem medidas firmes contra as ações anárquicas em massa.
  • Uma operação repressiva em grande escala contra as redes anarquistas na Indonésia está em andamento após sua participação na revolta popular em massa nas últimas semanas. Dezenas de anarquistas (e outros) já foram presos, e mais prisões são esperadas.
  • Um aspecto crítico do atual clima de medo na Indonésia é que o Estado prende dezenas de pessoas por “anarquismo”, independentemente de sua orientação política. Para o Estado, a criminalização do “anarquismo” visa a todos.
  • 42 manifestantes foram acusados de participar em atividades anarquistas em Java Ocidental, com a polícia regional a investigar contas nas redes sociais e uma suposta “rede anarquista internacional”.

QUE A SOLIDARIEDADE ANARQUISTA ULTRAPASSE AS FRONTEIRAS!

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/17/alemanha-ataque-ao-consulado-honorario-da-indonesia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/15/grecia-atenas-acao-de-solidariedade-com-os-rebeldes-na-indonesia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/10/espanha-barcelona-evento-solidario-com-anarquistas-da-indonesia/

agência de notícias anarquistas-ana

Paz não é silêncio.
É o trovão que desaba
sobre tribunais.

Liberto Herrera

[Espanha] Conclusões da Conferência de Militantes no Encontro da CNT-AIT do Sudeste Peninsular

Conclusões da Conferência de Militantes sobre «A desestruturação do sistema político-econômico, consequências e respostas libertárias organizadas» no Encontro da militância da CNT-AIT do Sudeste Peninsular.

No encontro militante organizado pela CNT-AIT Albacete na Serra do Segura, de 27 a 31 de agosto, foi realizada uma Conferência de Militantes para analisar a situação estrutural do binômio capitalismo-Estado diante de suas limitações atuais e seu reflexo social e ambiental em nível global e regional. Compilamos as principais conclusões deste debate, do qual participaram pessoas de Alicante, Múrcia e Albacete.

Situação de colapso sistêmico: Não houve unanimidade na conclusão de estarmos em um processo completo de colapso da civilização industrial. Mas foi majoritária a conclusão de que nos encontramos em um ponto final do sistema de produção e consumo financeirizado, provocado pelo alcance dos limites energéticos, ecoclimáticos e redistributivos do “capitalismo social” representado pelos Estados de Bem-Estar Social nascidos após a Segunda Guerra Mundial, que se apoiavam em um forte crescimento econômico para se financiar. Não se vê o fim do capitalismo, mas sim uma grande mudança estrutural onde a produção será reduzida em muitos setores por falta de matéria-prima ou energia barata, com drásticas consequências trabalhistas, onde a capacidade de consumo necessário será cada vez mais limitada por escassez ou encarecimento, onde os sistemas estatais de previdência social acabarão por ruir, onde o autoritarismo e a repressão aumentarão para controlar o descontentamento social e onde o belicismo por recursos será a norma geopolítica. Um capitalismo “de feudos” formado por estados “ecofascistas” em busca de recursos, onde a maior parte das classes populares fica excluída e desprotegida.

Geopolítica atual, um eco a ser levado em conta nas lutas de base. Foram identificados vários pontos recorrentes sobre a situação internacional atual e os movimentos dos estados que indicam a decadência globalista tutelada pelos EUA. O maior peso econômico dos BRICS está superando a hegemonia mundial dos EUA, as estruturas internacionais criadas para dar legitimidade aos interesses imperialistas ocidentais perderam força, começa a se impor uma geopolítica de dois blocos que leva a uma maior pressão belicista sobre territórios de fronteira ou ricos em recursos. No entanto, este novo bloco, que desde algumas posições políticas é visto como “esperançoso”, não traz nada novo, continua baseando sua força na exploração capitalista das pessoas e do meio ambiente, além de se esquecer do sofrimento dos povos em todo este jogo.

Sobre esta questão geral, surgiram opiniões sobre se a militância também deve estar atenta a estas questões geopolíticas, quando nosso trabalho fundamental se baseia em atender a realidade operária mais próxima e imediata para abordar a luta a partir dessa base. E sendo evidente que deve ser assim, não podemos deixar de acompanhar os movimentos globais de forma atenta, porque suas tendências finalmente se transformam nas consequências mais próximas; levar em conta o devenir autoritário global pode nos ajudar a estar um pouco mais preparadxs, é em parte a ideia desta Conferência.

A decadência cultural. Houve concordância majoritária de que um sintoma do processo de colapso do sistema é a involução cultural. O triunfo do individualismo impulsionado pelas últimas décadas do capitalismo de consumo, junto com as novas tecnologias de comunicação, desenham um perfil social padrão baseado no egoísmo, na autorrealização e no hedonismo, onde os valores comunitários se perderam quase completamente, empurrando a sociedade para uma desorientação ética e moral que afeta as interações entre pessoas, já que o utilitarismo é o motor das novas relações humanas. A solidão, a depressão, a ansiedade, etc., são consequências da falta de inter-relação coletiva; os afetos, as empatias, os cuidados, o apoio, a solidariedade… se encontram tangivelmente nas relações coletivas. Os partidos políticos sufragistas e os sindicatos de estado também contribuíram para o individualismo ao absorver as reivindicações dos grandes movimentos de classe para a ação delegada, que não tardou a trocar o ideal emancipador pelo possibilista.

Sob este individualismo e a instabilidade econômica geral, dão-se as condições adequadas para a proliferação do populismo reacionário atual, onde a superficialidade de suas ideias se impõe como referente cultural, e é a partir dessa posição que abordam a tomada política. A crítica anticapitalista e antiestatalista ficou para trás na corrida cultural, primeiro ante o reformismo progressista e agora ante os criadores de opinião midiáticos, e no entanto é a proximidade com as práticas anarquistas o que mudaria completamente o rumo para o precipício em que nos encontramos.

O Apoio Mútuo como defesa. Sob um panorama político mais autoritário, repressivo e hierárquico, o Estado será cada vez mais militar e menos social, e previsivelmente sustentado por grupos neofascistas nas ruas, como já começa a ser observado atualmente. Este processo intimidatório que hoje está se concentrando principalmente na migração, e em coletivos LGBTIQ+, feministas, ou na condição de indigência, não tardará a superar o identitário ou o eventual para se centrar no vínculo geral, a pertença à classe operária, sobretudo se, chegando o momento, as reivindicações operárias perturbarem a hegemonia das classes dominantes. No conjunto, o que hoje são sinalizações, desumanizações ou escaramuças, se converterão cada vez mais em atos organizados de violência contra a classe operária e sua heterogeneidade.

A ação anarcossindicalista, que foi empurrada para a marginalidade pelo sindicalismo de estado e o reformismo em geral, se apresenta novamente como a melhor forma possível de organização coletiva ante as interferências reacionárias, já que seus componentes de Apoio Mútuo e Solidariedade se prestam à unidade de ação e resposta. Abrir estas formas de atuar a outros coletivos, agrupações ou pessoas não militantes entre as classes populares deve ser um objetivo dentro da autodefesa para chegar a certa capacidade de resposta ante qualquer agressão. As alianças ou vínculos devem surgir a partir do território, do bairro ou da cidade, no calor das lutas em defesa dos espaços e direitos coletivos atacados pelo capital-Estado (habitação, justiça social e ambiental, saúde, consumo necessário…) sob uma base mínima, a Assembleia, sem partidos nem aparatos corporativos, para conseguir uma Rede de Apoio Mútuo, estável e ampla em cada zona, que possa contra-atacar ofensivas e passar à ofensiva sobre as reivindicações operárias mais profundas.

A necessidade de ruptura com o capitalismo, o Estado e seus diferentes mecanismos de consenso social e de canalização dos conflitos, neutralização e integração, na verdade responde a uma crise cultural, que se baseia em uma falta de referentes e valores para a classe trabalhadora.

Neste sentido, a divulgação anarquista e anarcossindicalista se adaptou aos tempos, gerando todo tipo de conteúdos em diferentes formatos de divulgação para chegar a todos os níveis culturais da classe trabalhadora.

Diante do estado de emergência, subversão organizada. O Estado demonstra com cada catástrofe sua incapacidade de atender as necessidades imediatas das afetadas, apesar de o reformismo aludir à sua função de protetor; ele não está desenhado para tal fim, é um complemento introduzido após o desastre da primeira metade do século XX, mas que vai desaparecendo à medida que o capital reclama mais espaço. A função primordial do Estado é manter a ordem do privilégio, por isso sua matriz fundamental permanece inalterável (forças de ordem e sistemas punitivos) e assim continuará durante o processo de colapso, mas a parte protetora seguirá se debilitando. É necessário organizar as respostas às pequenas e grandes emergências que a instabilidade capitalista atual seguirá provocando cada vez com mais frequência.

Não se trata de nos organizarmos de forma preventiva, trata-se de fazer ao mesmo tempo que se vive, de gerar e estabilizar espaços autogeridos que cubram necessidades (coletividades de consumo ou trabalho agrícola, espaços de intercâmbio, etc.) junto com nossas vizinhas e vizinhos, companheiras e companheiros de trabalho, ou apoiar projetos deste tipo já criados, e a partir daí organizar e socializar a subsistência para que, aconteça o que acontecer, tenhamos certa autonomia e capacidade de resposta. Se a esta possibilidade se soma a ação do Apoio Mútuo organizado, podem-se chegar a planteamentos expropriadores de profundidade quando a necessidade apertar.

Desde o anarcossindicalismo e o anarquismo organizado se devem propor estas análises gerais entre a militância ante as perspectivas vindouras. Nesta Conferência de Militantes, apontamos majoritariamente para a necessidade de atender a vínculos sociais comuns e a partir daí construir a necessária subversão desta época.

cntaitalbacete.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala de rosa
no vento
ah, uma borboleta

Rogério Martins

[Reino Unido] Enfrentando aqueles que reivindicam a bandeira

Para resistir à normalização, precisamos de um trabalho de base duradouro com as comunidades atacadas e de espaços para a elaboração de estratégias abertas.

Blade Runner ~

No sábado, 13 de setembro, entre 110 mil e 150 mil pessoas foram às ruas em resposta ao chamado de Tommy Robinson, uma mobilização enquadrada como uma defesa da “liberdade de expressão”, mas impregnada de retórica nacionalista branca, islamofóbica e anti-imigrante. Diz-se que foi o maior protesto de extrema direita da história.

Na manifestação, juntaram-se a ele simpatizantes internacionais: Elon Musk apareceu por videoconferência, pedindo a demissão do governo e a dissolução do parlamento. Éric Zemmour, o político francês de extrema direita, invocou o mito da “grande substituição” em termos abertamente islamofóbicos.

A multidão marchou desde a South Bank e a ponte de Westminster até Whitehall, mas o fluxo de pessoas rapidamente se tornou avassalador. Milhares permaneceram na ponte e na Parliament Square, enquanto outros se congregaram na Trafalgar Square. A polícia passou a maior parte do dia canalizando e dispersando a multidão.

Os cantos eram dirigidos a migrantes e a Keir Starmer; Seven Nation Army foi adaptada para cantar “Keir Starmer é um imbecil” junto com o lema cooptado “De quem são as ruas? Nossas ruas”. Bandeiras do Reino Unido e cruzes de São Jorge estavam por toda parte, junto com bandeiras dos EUA e de Israel.

Esta mobilização segue um verão de indignação racista, coordenada online, amplificada especialmente por políticos trabalhistas e legitimada pela cobertura midiática. Já em junho, Londres recebeu uma manifestação massiva sob a bandeira “Football Lads Against Grooming Gangs / For Our Children” (Rapazes do Futebol Contra Gangues de Aliciamento / Por Nossas Crianças), outra marcha abertamente racista na qual um pequeno bloco antifascista foi encurralado “para sua própria proteção”.

No contraprotesto de sábado, cerca de 20 mil pessoas, organizadas por sindicatos locais e grupos de base, marcharam após uma concentração em Russell Square e terminaram atrás do palco da extrema direita. Elas foram cercadas e praticamente encurraladas por horas, com multidões hostis pressionando as linhas policiais. Um pequeno bloco negro ficou preso atrás das linhas da extrema direita antes de recuar para o bloco de esquerda. Garrafas de cerveja e outros projéteis foram lançados contra o lado antifascista.

A magnitude do protesto, impulsionado por trens e ônibus, inicialmente pegou a polícia de surpresa. Ao final do dia, a Polícia Metropolitana informou que 26 agentes ficaram feridos, quatro deles gravemente, e pelo menos 25 prisões por agressão e distúrbios violentos, a maioria contra participantes de extrema direita que tentavam romper os cordões. Os blocos antifascistas foram finalmente escoltados através de corredores estreitos no meio de multidões hostis.

Enquanto grande parte da esquerda se esconde atrás de suas rotinas, campanhas de causa única e ciclos de esperança eleitoral, derrota e desilusão, anarquistas e antiautoritários continuam se mobilizando, mas sem as estruturas necessárias para elaborar estratégias e construir resiliência. Assembleias abertas são escassas. Com demasiada frequência, desconectados das comunidades não brancas e marginalizadas nas quais deveríamos estar enraizados, nos apresentamos como atores externos.

Não podemos nos dar ao luxo de simplesmente reagir. A extrema direita está sendo normalizada como parte de uma estratégia nacional mais ampla de contrainsurgência. O Brexit e o mito da “invasão” são oferecidos de cima como a resposta à crescente lacuna entre os excluídos e as zonas de conforto do consumidor. Não se trata de força, mas de medo: uma classe dominante atormentada por revoltas passadas que luta para evitar o colapso do sistema com repressão interna e guerra no exterior.

Nesta situação, nossa tarefa é construir laços de confiança com as comunidades mais atacadas e forjar espaços de rejeição onde possamos elaborar estratégias abertamente e discordar sem nos fragmentar.

Precisamos de estruturas locais de defesa e apoio mútuo que perdurem além dos ciclos de notícias, enraizadas na vida cotidiana e não apenas no espetáculo. E precisamos da coragem de enfrentar não apenas o fascismo nas ruas, mas também o sistema mais amplo que o alimenta.

Sem esta base, a extrema direita continuará a dominar o espaço público e as ruas. Com ela, a próxima ruptura poderia abrir a oportunidade de atacar as raízes do próprio sistema.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/09/15/facing-down-the-flagshaggers/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

manhã
me ilumino
de imensidão

Giuseppe Ungaretti

Notícias sobre a repressão na Indonésia

Em resumo, em todo o país, 5.444 pessoas foram presas por causa da revolta. 583 estão sob investigação. Esse é o relatório recente da instituição de assistência jurídica [www.lbhbandung.or.id]. Em 3 de setembro, a mesma organização jurídica de esquerda divulgou informações de que 3.337 pessoas haviam sido presas, então podemos ver que a repressão está ganhando força. Centenas de anarquistas foram presos.

A unidade antiterrorista indonésia “Densus 88” é basicamente um esquadrão da morte e foi ativada pelo governo. A “Densus 88” está agora caçando os círculos insurrecionalistas anarquistas, niilistas e egoístas e se concentrando nos presos. Eles tentarão acusar os companheiros já presos e os procurados por terrorismo, o que será difícil de provar em tribunal, mas a repressão pode ser sangrenta e pedimos atenção internacional e solidariedade revolucionária. A unidade antiterrorista está oficialmente caçando o mesmo círculo em Makassar. É assim que o Estado indonésio tenta criar um clima de paranoia, o que não será muito bem-sucedido.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/17/alemanha-ataque-ao-consulado-honorario-da-indonesia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/15/grecia-atenas-acao-de-solidariedade-com-os-rebeldes-na-indonesia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/10/espanha-barcelona-evento-solidario-com-anarquistas-da-indonesia/

agência de notícias anarquistas-ana

Nem heróis, nem vilões –
somos rede de vozes
tecendo o possível.

Liberto Herrera

[Cuba] Prisioneiros são forçados a trabalhar como escravos para produzir exportações para a Europa

Dezenas de milhares de prisioneiros estão sujeitos a trabalhos forçados, produzindo bens, como o carvão e charutos, para exportação.

Nas prisões cubanas, dezenas de milhares de reclusos são alegadamente submetidos a trabalhos forçados para a produção de bens de consumo destinados não só à economia interna, mas também à exportação, nomeadamente para a Europa.

A revelação está num relatório da ONG Prisoners Defenders, publicado esta segunda-feira (15/09). O relatório baseia-se em documentos oficiais de Cuba, verificados pelo Institute for Crime and Justice Policy Research da Universidade Birkbeck de Londres, em investigações no terreno e em testemunhos de atuais e antigos reclusos.

Dos 90.000 reclusos e 37.458 condenados a cumprir penas de prisão em regime aberto identificados na ilha, o relatório estima que 60.000 – incluindo presos políticos – estejam sujeitos a trabalhos forçados, em condições próximas da escravidão.

O relatório apresenta uma panorâmica pormenorizada de um sistema de trabalho forçado em grande escala, organizado no âmbito de uma rede de 242 estabelecimentos penitenciários, incluindo prisões tradicionais, mas também os chamados “centros correcionais”, “campos” e “fazendas”.

As tarefas impostas aos prisioneiros são variadas e vão desde o trabalho agrícola, industrial e de construção até à coleta de lixo e à limpeza de ruas, hospitais ou delegacias de polícia.

Os testemunhos apresentados no relatório descrevem condições de trabalho penosas e um cotidiano repleto de privações, assédio e violência, tudo sob vigilância apertada.

“Obrigam-nos a trabalhar de manhã à noite, sob um sol escaldante, sem água nem comida suficientes. Se nos recusarmos, a violência é imediata. Vários dos meus colegas desmaiaram de exaustão, outros foram encerrados na solitária durante dias, só por terem falado”, recorda Jorge, um antigo preso político.

“Trabalhar descalço nos canaviais, à chuva e ao calor, é como ser escravo”, diz Maria, ex-reclusa de direito comum. “Não há indenização, não há respeito. É uma vida de sofrimento em que todos os dias nos perguntamos se vamos conseguir.”

Para além da falta de ferramentas adequadas e de condições mínimas de segurança, que resultam em numerosos ferimentos, uma grande maioria das testemunhas relata uma grave deterioração da própria saúde em resultado do trabalho forçado e da falta de cuidados médicos.

Algumas das atividades mais árduas impostas aos prisioneiros incluem a produção de cana-de-açúcar e, sobretudo, de carvão vegetal a partir da madeira de marabu, o principal produto agrícola produzido pelos prisioneiros, afirma o relatório.

“Para produzir o carvão, dormimos no campo, sem cama nem teto. Temos de construir cabanas improvisadas e só podemos dormir em cima de fardos de palha… Só podemos beber água suja de um bebedouro ou das vacas da fazenda vizinha”, confidenciou um recluso.

Carvão e charutos, um negócio opaco na prisão

Esta produção destina-se, em grande parte, à exportação, refere o estudo.

De acordo com o relatório da Prisoners Defenders, que cita dados do Observatório da Complexidade Económica (OCE) e do Banco Mundial, em 2023, “o carvão vegetal produzido por trabalho escravo foi o sexto produto mais exportado por Cuba”, tornando-se o nono maior exportador de carvão vegetal do mundo.

Os principais destinos incluem Espanha, Portugal, Grécia, Itália e Turquia, com o carvão vegetal produzido nas prisões cubanas presente em todos os países europeus, segundo as conclusões do relatório.

Outro sector lucrativo do comércio nas prisões envolve o tabaco, mais especificamente, a produção dos icónicos charutos Habanos.

“O trabalho forçado afeta o setor cubano de produção de tabaco e charutos de Havana, controlado pela Tabacuba, numa forma mista de trabalhadores civis especializados e prisioneiros sujeitos a trabalho forçado”, afirmou a Prisoners Defenders, com base em numerosos testemunhos e numa auditoria a sete prisões cubanas.

O relatório cita o exemplo da fábrica de charutos da prisão de alta segurança de Quivicán, onde trabalham 40 reclusos, supervisionados por dois civis especializados.

Os presos trabalham até 15 horas por dia, exceto aos domingos à tarde, sem pausas nem lanches. Recebem pouco mais de 6 euros por mês, contra cerca de 100 euros dos trabalhadores que não fazem parte do efetivo prisional.

De acordo com as informações recolhidas pela ONG, as fábricas de charutos situadas em muitas prisões cubanas são responsáveis por uma grande parte da produção de charutos cubanos para exportação.

A União Europeia é o maior mercado. A produção prisional de charutos cubanos, tal como o carvão vegetal de marabu, representa um negócio muito lucrativo para o governo cubano, cujas margens brutas são de quase 100% nas exportações para a Europa, sublinha o relatório.

Acabar com o silêncio internacional

É também um negócio lucrativo para os distribuidores e importadores estrangeiros, sobretudo europeus, que se beneficiam direta ou indiretamente do trabalho dos prisioneiros cubanos.

A opacidade das cadeias de abastecimento e dos canais de distribuição, que por vezes passam por subsidiárias ou parceiros comerciais locais, dificulta a rastreabilidade dos produtos e, consequentemente, a responsabilização das empresas estrangeiras.

A Prisoners Defenders pede à comunidade internacional que atue para pôr fim ao trabalho forçado, que é proibido pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, pela Organização Internacional do Trabalho e pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem.

Entre as medidas concretas recomendadas pela ONG estão o estabelecimento de um embargo direcionado aos produtos fabricados com trabalho forçado, em particular os exportados para a Europa, e a suspensão de quaisquer acordos comerciais ou de cooperação com Cuba enquanto o trabalho forçado persistir.

Mas, se tal não acontecer, as linhas de ação mudaram no seio das instituições europeias. Em novembro passado, o Conselho Europeu adotou um regulamento que proíbe a colocação no mercado, importação e exportação na União Europeia de produtos fabricados com recurso a trabalho forçado, independentemente do país de origem.

Este regulamento, que entrou em vigor em dezembro de 2024, está longe de ser concretizado. Os Estados-membros têm até dezembro de 2027 para começar a aplicá-lo.

Fonte: agências de notícias

Conteúdos relacionados:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/27/cuba-sete-anos-de-prisao-por-dizer-em-redes-sociais-que-a-desobediencia-civil-e-um-direito-nao-um-delito/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/10/09/cuba-prisao-e-escravidao-moderna-no-paraiso-dos-trabalhadores/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/04/incidentes-repressivos-ou-violadores-de-direitos-humanos-em-centros-penitenciarios-cubanos/

agência de notícias anarquistas-ana

Sob a garoa fria
Vagam pelas ruas vazias
Um velho e o cão.

Hazel de São Francisco

[Rússia] Justiça de Putin condena integrantes do Pussy Riot à prisão por criticarem a guerra na Ucrânia

Cinco artistas receberam penas de 9 a 13 anos de reclusão; elas são acusadas de espalhar “informações falsas” sobre o regime de Putin

Cinco integrantes da banda feminista russa Pussy Riot foram condenadas nesta segunda-feira, 15/09, pelo Tribunal de Basmanny, em Moscou, acusadas de protestar contra as operações militares da Rússia na Ucrânia. A decisão foi tomada sem que o grupo tivesse direito à defesa.

Segundo o jornal Mediazona, Maria Alyokhina, Taso Pletner, Olga Borisova, Diana Burkot e Alina Petrova foram condenadas por disseminação de “informações falsas” sobre o exército russo e por cometer “atos obscenos” com o retrato do presidente Vladimir Putin. A Justiça russa alega que as ativistas espalharam fake news sobre o governo e sobre a incursão militar sobre a Ucrânia, que já dura três anos, em um videoclipe de dezembro de 2022 intitulado “Mamãe, não assista TV”.

Já a segunda acusação tem a ver com uma apresentação do grupo feita em Munique, na Alemanha, em abril de 2024, em que uma das integrantes urinou em uma foto do líder russo. As cinco receberam penas que vão de nove a 13 anos de cadeia. As sentenças devem passar a valer quando as rés forem extraditadas para a Rússia. 

O jornal The Moscow Times informou que as defesas das cinco jovens rejeitam as acusações, alegando que as sentenças foram motivadas por uma perseguição política.

Fonte: agências de notícias

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/07/31/russia-ativistas-do-pussy-riot-sao-novamente-detidos-apos-cumprirem-pena-de-15-dias/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/07/17/russia-ativistas-das-pussy-riot-sao-condenadas-a-prisao-por-invasao-na-final-da-copa/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/07/16/russia-pussy-riot-assume-invasao-de-campo-na-final-da-copa/

agência de notícias anarquistas-ana

Vidraça quebrada –
o reflexo do opressor
se esvai em estilhaços.

Liberto Herrera