[Alemanha] ACAB-Day | Manifestação em Berlim contra a violência policial reúne milhares de pessoas

Berlim.1312. Cerca de 3 mil pessoas marcharam por Friedrichshain em 13 de dezembro de 2025, sob o lema “Guerra ao Sistema – ACAB”, contra a violência policial, a guerra e em solidariedade a Gaza.

A polícia estava presente em grande número, com mais de 500 policiais. A manifestação começou pouco antes das 20h na Helsingforser Platz e seguiu pela Marchlewskistraße, entre outras ruas. O protesto também passou pela delegacia de Wedekind, onde foram relatados repetidos casos de violência policial, houve gritos e fogos de artifício. Neste momento a polícia interrompeu temporariamente a manifestação.

Mais tarde, na rua Rigaer Straße, a polícia interrompeu a manifestação novamente e, sem provocação, atacou brutalmente a frente da marcha, dispersando o protesto. Vinte pessoas foram presas sob a acusação de usar símbolos de organizações inconstitucionais e resistir à prisão. Apesar da dispersão, foi, no geral, uma manifestação ruidosa e impactante, repetidamente recebida com fogos de artifício de telhados e ruas laterais.

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agência de notícias anarquistas-ana

Pichação no muro:
a tinta é verbo, o muro
é a página do povo.

Liberto Herrera

[Espanha] ESPORAS: uma revista libertária de crítica de livros

Em pleno século XXI, lançar uma revista em papel pode parecer um gesto absolutamente anacrônico. No entanto, para nós, também pode ser um ato de resistência e uma afirmação da leitura crítica frente à mercantilização da cultura. Esporas surge com um propósito claro: reivindicar o trabalho autônomo e emancipatório das editoras libertárias, visibilizar as propostas do mundo libertário e para o mundo libertário, e contribuir para a construção de uma memória coletiva.

Esporas não nasce do nada. Surge das cinzas, de projetos que não chegaram a iniciar, e também da distância: dos que, ainda que geograficamente dispersos, sabem que estão perto em ideias e afetos. Após diversos encontros informais, sentimos a necessidade de manter vínculos, fortalecer redes e normalizar as relações geradas em feiras, encontros e outros espaços de sociabilidade do livro libertário.

A revista, cujo primeiro número já viu a luz, se apresenta em formato A5 a cores. É gratuita, coletiva e horizontal: funciona mediante assembleia e reúne escritoras, historiadoras, filólogas, eletricistas, editoras, corretoras e bibliotecárias, com um ponto em comum: o compromisso com a difusão de ideias libertárias e a paixão pelo mundo do livro.

Estrutura-se em várias seções, que poderão variar em futuros números: resenhas longas, entrevistas e crônicas, olhares fugazes (resenhas breves), agenda de encontros e listas de publicação. Seu objetivo é mostrar a riqueza e vitalidade de um tecido editorial vivo, que surge, aparece e desaparece, e oferecer sugestões que ajudem a ler, pensar e organizar-se criticamente. Esporas quer visibilizar livros libertários atuais ou aqueles cuja perspectiva aporte um olhar antiautoritário. Também busca fortalecer redes locais e internacionais, incluindo colaborações com iniciativas na América e a edição conjunta de livros.

A revista está aberta: quem deseje participar, enviar propostas ou colaborar são bem vindos. A ampliação e conexão contínuas são uma prioridade, porque cremos que a circulação de ideias e experiências fortalece a autonomia e a organização coletiva. Esporas não é um círculo de leitores, nem um espaço de venda de livros, nem um lugar de autorrepresentação. É um projeto de memória, autoafirmação e cooperação: um espaço para fortalecer a lucidez, a autonomia e a colaboração em um contexto no qual estas seguem sendo mais necessárias do que nunca.

Definitivamente, a revista é uma ferramenta para ler, pensar, organizar-se e tecer redes; um espaço aberto que convida a somar vozes, propostas e experiências, manter viva a cultura libertária e fortalecer os vínculos que nos permitem resistir e criar coletivamente.

Assembleia Esporas

P.S.: O número 01 já pode ser baixado em nossa web:

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A ética nasce
do apoio mútuo, não
de tábuas de pedra.

Liberto Herrera

[Itália] Eu venho te devolver um pouco do teu terror, da tua desordem, do teu barulho.

Com um pensamento aos nossos companheiros e companheiras no cárcere e em prisão domiciliar, com um pensamento a quem continua lutando dentro e fora das prisões, a dizer que a prisão é uma merda e que o 41-bis é tortura. E a reafirmar que, apesar de tentarem quebrar a solidariedade, apesar de suas tentativas de nos isolar, nos assustar, nos separar dos nossos afetos mais queridos, tentando nos apertar na mordaça da tristeza e da repressão; apesar dos anos de prisão com os quais gostariam de enterrar vivos os nossos companheiros e companheiras, nós estamos e estaremos sempre ao lado deles, nas ruas, nas praças, debaixo das prisões. Que a solidariedade derrube esses muros infames.

ATÉ QUE DE CADA PRISÃO NÃO RESTEM SENÃO ESCOMBROS

ALE, BAK, LUIGI LIVRE

TODOS E TODAS LIVRES

Fonte: https://brughiere.noblogs.org/post/2025/12/15/io-vengo-a-restituirti-un-po-del-tuo-terrore-del-tuo-disordine-del-tuo-rumore/

agência de notícias anarquistas-ana

O pudor, um véu
para esconder o terror
da hipocrisia.

Liberto Herrera

[Espanha] Novidade editorial: “Solidaridad Internacional Antifascista (SIA) en la Guerra Civil Española”, de Anna Pastor Roldán

Com o nascimento da Solidaridad Internacional Antifascista (SIA) em 1.937, se concretizaram duas realidades: uma, a solidariedade internacional entre anarquistas foi sempre um imperativo moral do anarquismo, e, dois, era manifesta a necessidade de criar um organismo que velasse pelos interesses dos filhos e filhas da militância libertária em plena guerra; em um momento, ademais, em que as conquistas revolucionárias estavam sendo atacadas sistematicamente desde diversos âmbitos de poder hostis ao movimento libertário e suas organizações.

Este ensaio é uma aproximação histórica ao papel político e os projetos de melhoramento social que motivaram o trabalho humanitário, a retórica e a ação revolucionária da SIA. Também é uma reflexão desde o presente, pois pretende compreender por que a solidariedade é um valor do qual jamais devemos nos desprender. A necessitaram na ocasião, a necessitamos agora. Nela vivem os últimos lampejos de nossa humanidade.

Anna Pastor Roldán (L’Hospitalet de Llobregat, 1993). Graduada em Humanidades e mestre em História Contemporânea. Orienta suas investigações a projetos de recuperação de memória histórica e valorização do legado libertário na Espanha. Explora propostas pedagógicas que contribuam a construir um relato da memória antifascista e revolucionária desde a educação não formal.

Solidaridad Internacional Antifascista (SIA) en la Guerra Civil Española

Autor: Anna Pastor Roldán

ISBN: 979-13-990905-1-2

Medidas: 195 mm. x 125 mm.

Páginas: 163

2025

14,00 € IVA incluido

piedrapapellibros.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ruído de chinelos
No quintal do lado –
Mas que calor…

Paulo Franchetti

A Justiça da Bolívia encerra caso Caza & Safari: não investigará mais a empresa argentina que promovia a caça de jaguares

Por Iván Paredes Tamayo | 16/12/2025

A Justiça da Bolívia encerrou o caso Caza & Safari, no qual se investigava uma empresa argentina que vendia pacotes turísticos para viajar à Bolívia e matar jaguares na região do Pantanal. Os demandantes acusam a Promotoria de Santa Cruz de não revisar as provas apresentadas e de evitar dar informação sobre o processo.

O dono da companhia Caza & Safari, Jorge Néstor Noya, é acusado na Argentina de ser o principal artífice do maior caso de tráfico de fauna silvestre desse país.

O jaguar é uma espécie protegida na região. Estima-se que na Bolívia só restam um pouco mais de 3000 indivíduos, segundo o biólogo Huáscar Bustillos. A lei proíbe sua caça e os especialistas pedem que se mude sua categoria de vulnerável para em perigo.

Na Bolívia, Noya levou clientes de maneira irregular para caçar jaguares na zona oriental desse país. O fez durante mais de 30 oportunidades desde a década de 1980. Noya foi processado em seu país e a investigação teve relevância regional, já que o negócio deste caçador também chegou ao Paraguai, Brasil e inclusive alguns países da África.

Rodrigo Herrera, advogado boliviano que levou o caso com a parte demandante, que é a ativista Lisa Mirella Corti e o guarda parque Marcos Uzquiano, explicou a Mongabay Latam que na Bolívia se introduziu uma demanda penal em dezembro de 2024 e que logo se formou uma comissão de investigação formada pela Promotoria do município de San Matías (fronteira com o Brasil), a Promotoria especializada em delitos ambientais de Santa Cruz e a Promotoria Geral, que tem sede na cidade de Sucre.

“Todo este tempo, como parte demandante, apresentamos à Promotoria muitas provas, muitas evidências e também se remeteu o informe oficial da promotoria argentina no qual se mostra informação coletada do telefone celular do senhor Noya que confirmava que ele estava na Bolívia em novembro de 2023 realizando a caça ilegal do jaguar”, detalhou Herrera.

O advogado acrescentou que esperaram a resposta da Promotoria boliviana e que em julho deste ano o processo já não se encontrava no sistema digital do Ministério Público da Bolívia. “Na Promotoria de Santa Cruz nos disseram que o promotor de San Matías havia encerrado o caso por insuficientes provas”, disse. Herrera disse que não foram notificados na data com a extinção do processo e afirmou que seguirão insistindo em um julgamento contra Noya na Bolívia.

No marco deste caso, na Argentina se fizeram 12 buscas na província de Buenos Aires, na cidade de Buenos Aires e na província de Santiago del Estero. Também embargaram 37 veículos automotores, os quais eram propriedade dos acusados, vários deles de alta gama. Embargou-se também um imóvel de grande valor situado na costa atlântica argentina que era propriedade de um dos supostos chefes da organização e também foram embargados os três terrenos de caça nos quais se haviam feito as caçadas ilegais.

Esse processo se instalou na Promotoria Federal 1 de Lomas de Zamora, que é a que instruiu a investigação, e também interveio o Tribunal Federal 2 de Lomas de Zamora. Neste caso, segundo a investigação, também se apreenderam 44 armas de fogo, que haviam sido utilizadas para entregá-las aos clientes estrangeiros do argentino Noya, com as quais haviam realizado as atividades cinegéticas (técnicas e mecanismos para caçar) ilegais.

A provisão de armas de fogo aos clientes de Noya se fazia – segundo a investigação – sem que estes tivessem permissões para caçar nem tampouco permissões para usar armas de fogo na Argentina e na Bolívia.

Os “troféus”

Durante os operativos se apreenderam 7951 taxidermias, quer dizer, animais dissecados para conservá-los com aparência de seres vivos. Este processo de taxidermia se realizava – segundo a investigação – em oficinas ilegais na Argentina e logo esses “troféus” eram enviados aos países dos clientes caçadores.

Na investigação incluem-se detalhes das viagens e clientes de Noya. O caçador argentino recebia seus clientes, a maioria de nacionalidade estadunidense e espanhóis, na Argentina. Desde ali, os levava até a cidade de São Paulo e logo a Cuiabá, perto da fronteira com Bolívia. Desde Cuiabá ingressava com os caçadores em pequeno avião a vários destinos do oriente boliviano, onde buscavam jaguares para matá-los.

Lisa Mirella Corti, que é uma das denunciantes do caso na Bolívia e parte do coletivo El llanto del Jaguar, explicou a Mongabay Latam que na Bolívia a demanda se apresentou em dezembro de 2024, após conhecer os atos que havia cometido Noya na Bolívia, principalmente na Área Natural de Manejo Integrado (ANMI) San Matías, que é a segunda maior reserva da Bolívia.

“Admitiu-se a denúncia, mas no processo de investigação a rejeitaram. Nos tiraram do sistema digital faz uns meses e agora não podemos acessar a informação do caso. Nos disseram que rejeitaram o caso porque o promotor de San Matías disse que não há provas suficientes, mas isso é incorreto, já que apresentamos todas as provas, como uma foto de Noya com um jaguar morto na Bolívia”, disse Mirella Corti.

A ativista acrescentou que na Bolívia não se fez nenhuma busca e que não se gastaram recursos econômicos para levar adiante a investigação. “Este é um crime transnacional. Nós vamos reativar o caso e queremos que se impute Noya para pedir sua extradição”, ressaltou Mirella Corti.

Mongabay Latam contatou com a Promotoria de Santa Cruz para pedir informação e confirmou que esse caso foi encerrado pela Promotoria de San Matías. Esta última dependência evitou dar declarações sobre o tema.

A Promotoria de Santa Cruz explicou a este meio que no marco desta investigação pediu-se, por exemplo, informação ao Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA) para determinar se o prédio onde ocorreram os delitos é um imóvel particular ou é uma reserva nacional. Ademais, esta instância detalhou que separado de Noya se investigava um cidadão espanhol, que ingressou na Bolívia com o empresário argentino para matar jaguares.

Segundo detalhou Mirella Corti, a parte demandante apresentou fotografias que são profundamente indignantes e cruéis: se vê Noya posando com seus clientes com os jaguares abatidos. Há felinos mortos pendurados em árvores e ao lado dos caçadores lançando sorrisos.

A investigação argentina confiscou os telefones dos imputados, especialmente o de Noya. Em uma das comunicações, os chefes da organização conversam com um cliente panamenho que queria caçar um “bicho que come cavalos”, referindo-se ao jaguar. As datas não estão claras na investigação, mas essa caçada pode ter sido em julho de 2024. O panamenho nunca pôde caçar um jaguar em seu percurso pela Argentina e seu sonho era ter um troféu desta espécie. Como não conseguiu seu intento em solo argentino, Noya convidou o caçador panamenho para ir caçar na Bolívia sem nenhum custo.

A rota de Noya

Para conseguir esse objetivo na Bolívia, Noya primeiro tomou um vôo da Argentina para o Brasil e desde ali um pequeno avião para a Bolívia. O vôo desse avião era ilegal porque não se registrou sua passagem na fronteira do Brasil à Bolívia. Noya fez saber que a caça se realizaria no oriente boliviano. Até aí chegaram com o cliente panamenho e se desconhece se o caçador conseguiu levar seu “troféu” a seu país.

Noya oferecia alojamento na Argentina e diversos tipos de caças. Seus clientes chegavam a pagar muito dinheiro por cada “troféu”: quanto mais raro, mais difícil de ver ou mais escasso era o animal a caçar, se considerava mais valioso. A caça de um jaguar na Bolívia chegou a custar até 50.000 dólares. Os clientes de Noya seriam personagens reconhecidos em seus países.

Um deles é um destacado médico espanhol que tem inclusive um Museu da Fauna Selvagem na Espanha. Era o segundo estrangeiro investigado na Bolívia.

A rota que realizava Noya e seus clientes para chegar à Bolívia tinha duas escalas no Brasil. Saiam de Buenos Aires para São Paulo e daí chegavam a Cuiabá, que está muito perto do ANMI San Matías. Todas essas rotas a faziam em vôos comerciais, segundo a investigação. Desde Cuiabá, muitas vezes ingressavam ilegalmente em pequenos aviões. Esse espaço aéreo é dominado pelas máfias do narcotráfico. Outras vezes realizavam viagens pela via terrestre, também, violando os controles migratórios, já que na investigação boliviana não existe um registro migratório oficial de entrada e saída por parte do empresário argentino.

Na investigação argentina se confirmou que Noya viajou a Bolívia com seus clientes e inclusive com as fotografias tomadas com o telefone celular de Noya se verificou com aplicações digitais que essas imagens foram realizadas em território boliviano. Mongabay Latam contatou com o advogado de Noya, mas o jurista não respondeu os requerimentos.

Fonte: https://es.mongabay.com/2025/12/bolivia-cierra-caso-caza-safari-empresa-argentina-caza-jaguares/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

chuva na rua
lágrimas nos olhos
orvalho da dor…

Carlos Seabra

[Belém-PA] Ecologia Libertária na Amazônia: o papel do CCLA

Entre a memória da Cabanagem e o espetáculo da COP em Belém, a Amazônia continua sendo palco de resistências que não cabem nos discursos oficiais. O CCLA nasce nesse entremeio: reivindicando a insurreição popular como inspiração e denunciando a farsa do capitalismo verde. Nossa ecologia é libertária, feita de solidariedade concreta com povos indígenas, migrantes e comunidades diversas, e não de promessas vazias em palcos internacionais.

A memória insurgente da Cabanagem

A história da Amazônia não pode ser contada sem a lembrança da Cabanagem, insurreição popular que explodiu em 1835 e que marcou profundamente o Pará. Mais do que um episódio isolado, a Cabanagem foi a expressão de uma revolta contra a brutal concentração de riquezas e poder nas mãos de elites coloniais e imperiais, que mantinham a maioria da população amazônica em condições de miséria e subjugação. O levante cabano, ainda que fragmentado e atravessado por contradições, carregava um viés libertário ao reivindicar autonomia popular e desafiar a ordem estabelecida. Ao escolher o 7 de janeiro — data de início da revolta — como marco de sua fundação, o CCLA inscreve-se nessa tradição de resistência, reivindicando a memória cabana como inspiração para uma prática libertária contemporânea. Essa escolha não é mero simbolismo: é a afirmação de que a luta popular, quando enraizada na história, pode iluminar os caminhos da emancipação presente.

A Cabanagem e a COP: duas faces da mesma lógica de dominação

A Cabanagem foi marcada pela revolta contra a concentração de riquezas e pela recusa em aceitar que a Amazônia fosse apenas território de exploração. Hoje, quase dois séculos depois, a COP30 em Belém expõe outra forma dessa mesma lógica: a gestão capitalista da catástrofe climática. Em vez de enfrentar as causas estruturais da destruição ambiental — o extrativismo, o agronegócio, a mineração — o espetáculo internacional legitima governos e corporações que lucram com a crise. Assim como na Cabanagem, o que está em jogo é a luta dos povos organizados contra a apropriação de seus territórios e vidas. O CCLA, ao se colocar como referência atual nessas frentes de luta ecológica, retoma o fio libertário da insurreição cabana: não aceitar que a Amazônia seja palco de exploração e marketing, mas afirmar que ela é território de resistência, solidariedade e liberdade.

O espetáculo da COP e o “capitalismo verde”

Belém, palco da COP30, tornou-se vitrine de discursos oficiais sobre sustentabilidade e preservação. Mas por trás das promessas e dos palcos internacionais, o que se vê é a continuidade da devastação: avanço do agronegócio, mineração predatória, expulsão de comunidades tradicionais. O “capitalismo verde” transforma a Amazônia em cenário de marketing, enquanto os povos que a habitam seguem sendo marginalizados. Para nós, anarquistas, a COP não é espaço de emancipação, mas de cooptação. É o espetáculo que legitima governos e corporações, enquanto silencia as vozes insurgentes. Denunciar essa farsa é parte essencial da tarefa libertária: mostrar que não há ecologia verdadeira sem ruptura com o Estado e com o capital.

Povo Ka’apor: resistência na floresta

Entre as lutas que o CCLA acompanha, destaca-se a dos Ka’apor, povo indígena que enfrenta diariamente invasões de madeireiros e pressões de grandes projetos. Sua resistência não se dá apenas em discursos, mas em práticas concretas de defesa territorial, de vigilância comunitária e de afirmação cultural. Os Ka’apor mostram que a ecologia não é uma abstração, mas uma prática de sobrevivência e dignidade. Ao lado deles, aprendemos que solidariedade libertária significa apoiar sem tutelar, caminhar junto sem impor agendas. A luta Ka’apor é exemplo vivo de que a Amazônia não precisa de salvadores externos, mas de aliados que reconheçam sua autonomia.

Povo Warao: migração e dignidade

Outro eixo de nossa prática é a solidariedade com os Warao, povo indígena oriundo da Venezuela que, em razão da crise e da perseguição, migrou para o Brasil. Em Belém e em outras cidades amazônicas, os Warao enfrentam condições precárias, discriminação e invisibilidade. O CCLA acompanha suas demandas por moradia, alimentação e respeito cultural, buscando construir pontes de solidariedade. A presença dos Warao nos lembra que a Amazônia é também espaço de migração e de encontro, e que a ecologia libertária deve incluir a luta contra fronteiras e nacionalismos. Apoiar os Warao é afirmar que nenhum ser humano é ilegal, e que a dignidade não pode ser condicionada por documentos ou por políticas de Estado.

Bookchin e a ecologia social

As leituras de Murray Bookchin têm sido fundamentais para nossas reflexões. Sua proposta de ecologia social mostra que a crise ambiental não pode ser separada da crise social: a dominação da natureza é reflexo da dominação entre seres humanos. Inspirados por Bookchin, entendemos que a luta ecológica deve ser também luta contra hierarquias, contra o patriarcado, contra o racismo e contra todas as formas de opressão. A ecologia libertária que buscamos não é apenas preservação de florestas, mas construção de comunidades autônomas, horizontais e solidárias. Ao trazer Bookchin para nossas rodas de leitura e debates, buscamos traduzir sua teoria em prática amazônica, conectando pensamento crítico com ação militante.

Práticas libertárias cotidianas

O CCLA não se limita a denunciar: organiza cineclubes, debates, traduções de textos libertários, ações de solidariedade com povos indígenas e migrantes, e práticas de alimentação vegana em nossas atividades. Essas ações, aparentemente pequenas, são sementes de uma ecologia libertária. Ao cozinhar coletivamente, ao traduzir textos, ao debater filmes, estamos construindo espaços de autonomia e de cultura crítica. A solidariedade com a comunidade LGBTQIA+ e com movimentos populares reforça que nossa luta é interseccional, que não há emancipação parcial. Cada gesto cotidiano é parte de uma resistência maior, que se opõe ao espetáculo da COP e às promessas vazias do Estado.

Belém periférica e vulnerável após a COP

Belém recebeu a COP30 no mês passado, e o saldo para as populações marginalizadas e periferizadas foi de agravamento das dificuldades cotidianas. As obras realizadas para o evento, muitas vezes marcadas por suspeitas de desvio de recursos públicos e pela destruição de áreas verdes urbanas, deixaram cicatrizes profundas no território. Enquanto o centro foi maquiado para o espetáculo internacional, as periferias continuaram expostas ao acúmulo de lixo não tratado, à poluição dos rios e igarapés e ao avanço desordenado de atividades comerciais e industriais. Nessas áreas, a vulnerabilidade às doenças aumentou, os serviços públicos seguiram precários e a promessa de “sustentabilidade” revelou-se uma farsa cruel. A cidade que se vendeu ao mundo como vitrine da preservação ambiental expõe, em suas margens, a contradição mais brutal: a vida das maiorias sacrificada em nome de um espetáculo que já passou, mas cujas consequências permanecem.

Entre memória e horizonte

O artigo que propomos aqui é, portanto, uma ponte: entre a memória da Cabanagem e o horizonte de uma Amazônia libertária. Entre a denúncia do espetáculo verde e a afirmação de práticas concretas de solidariedade. Entre a teoria de Bookchin e a luta dos Ka’apor e dos Warao. Essa ponte não é linear nem fácil, mas é necessária. Ao escrever e publicar, queremos afirmar que a Amazônia não é apenas território de exploração, mas também de resistência e de criação. Queremos mostrar que o anarquismo não é utopia distante, mas prática viva, enraizada em comunidades e em solidariedades reais.

Caminhos abertos da ecologia libertária

Em tempos de discursos oficiais e promessas de sustentabilidade, reafirmamos que a verdadeira ecologia nasce da insurgência. Nasce da memória cabana, da resistência Ka’apor, da dignidade Warao, das leituras de Bookchin e das práticas cotidianas de solidariedade. O CCLA é parte dessa trama, não como protagonista, mas como aliado. Nosso papel é dar visibilidade, construir pontes, fortalecer redes. A Amazônia não precisa de palcos internacionais: precisa de autonomia, de solidariedade e de liberdade. É nesse horizonte que seguimos caminhando, entre memórias e práticas, entre resistências e criações, tecendo uma ecologia libertária que não se encerra aqui, mas que se reinventa a cada encontro e a cada gesto coletivo.

Centro de Cultura Libertária da Amazônia – CCLA

Rua Bruno de Menezes (antiga Gen. Gurjão), 301. Campina. Belém, Pará, Brasil.

Site: cclamazonia.noblogs.org

Instagram: @cclabelem

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agência de notícias anarquistas-ana

Floresce a ameixeira
e canta o rouxinol
mas estou só

Kobayashi Issa

[Espanha] Lançamento: “Viaje a través de Utopía”. Marie Louise Berneri.

Ilustrações: Walter Crane. Tradução: Ana Muiña.

’Viaje a través de Utopía’ é um atlas de lugares e sociedades imaginárias. A terra de Utopia, a comunidade ideal, pode-se encontrar em uma ilha ou em um continente imaginário, em algum planeta distante, no passado ou no futuro.


Marie Louise Berneri, a lúcida autora deste livro de referência, traduzido e publicado pela primeira vez na Espanha pela La Linterna Sorda, examina, com uma análise crítica e detalhada, as utopias na literatura, começando por ‘La República‘ de Platão e por Aristófanes. Além de incluir os textos mais conhecidos de Thomas More, Campanella, Winstanley e William Morris, se detêm em outras Utopias como ‘Christianopolis‘ de Andreae, ‘La abadía de Thelema‘ de Rebelais, ‘Aventuras de Jacques Sadeur en La Tierra Austral‘ de Foigny, ‘Suplemento al viaje de Bougainville‘ de Diderot, ‘Viaje por Icaria‘ de Cabet, ‘El año 2000‘ de Bellamy, ‘La raza del porvenir‘ de Lytton, para finalizar citando as distopias de Zamiatin, H. G. Wells, George Orwell e Aldous Huxley, entre outros.


Esta obra não só é de interesse acadêmico. Mostra, com notável clareza, a relação entre o pensamento utópico e a realidade social. Seu foco nos leva ao presente: o autoritarismo avançando em todo o mundo, com a única esperança da humanidade posta na tirania tecnológica, enquanto que o único planeta que conhecemos está sendo convertido em inabitável para todos os seres vivos. Urge situar no centro a comunidade e a potência criadora de cada pessoa. Berneri sustenta que o pensamento utópico ao longo da história expressou duas orientações. “Uma tende à felicidade humana através do bem estar material, a imersão do indivíduo no grupo e na grandeza do Estado. A outra, ainda que exija certo bem estar material, crê que a felicidade é consequência da livre expressão da personalidade”.

Como veterano estudioso das utopias, sinto um respeito especial por ‘Viaje a través de Utopía’ de Marie Louise Berneri, porque é o estudo mais exaustivo e perspicaz dessa terra ideal, que encontro escrito em qualquer idioma. Como trabalho de erudição é superior a meu ensaio e ao de Hertzler, mas o que lhe confere um mérito especial é que este livro só pôde ser escrito por alguém dotada de uma inteligência audaz e um espírito ardente; alguém que se opõe a todas as forças que degradam o ser humano à condição de autômato servil e alguém que se posiciona a favor de tudo o que fomenta a liberdade e a expressão criadora“. – Lewis Mumford

Marie Louise Berneri nasceu na Itália, em 1.918 e morreu em Londres, junto com seu bebê durante o parto, em abril de 1.949. Seu parceiro era o fotógrafo e jornalista Vernon Richards.

Berneri foi uma escritora, jornalista e divulgadora anarquista. Filha mais velha de Camillo Berneri e de Giovannina Caleffi, ela e sua família se exilaram na França em 1.926 por sua militância antifascista contra Mussolini. Maria Luisa Berneri tomou a versão francesa de seu nome, Marie Louise, e estudou e se graduou em Psicologia na Universidade da Sorbonne na década de 1.930. Durante a guerra de Espanha, visitou Barcelona em duas ocasiões, a segunda vez após o assassinato de seu pai nos acontecimento de maio de 1.937, afundando-a em uma depressão. Coeditou o diário ‘Spain and the World‘ e ‘Revolt!‘ Viveu a maior parte de sua vida em seu país de adoção, Inglaterra. Escreveu prolificamente para os jornais libertários ingleses: ‘War Commentary‘ e o prestigiado ‘Freedom‘.

Viaje a través de Utopía. Marie Louise Berneri. Ilustraciones: Walter Crane. Traducción: Ana Muiña.

Colección Guardianes del sueño, 23
Contem imagens
416 páginas
Preço 23 €
ISBN: 978-84-126464-9-8

lalinternasorda.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Luzes piscantes
Dançam em noites escuras –
Show de vagalumes.

P. Nohamá

[Itália] De Carrara: “Coisas velhas, de outro século?” Fora Alfredo Cospito do 41-bis!

Divulgamos o panfleto “Coisas velhas, de outro século?”, centrado no encarceramento do companheiro Alfredo Cospito sob o regime do 41-bis. O texto foi distribuído em Carrara por ocasião da inauguração da exposição “Anarquistas”, com 25 obras de Flavio Costantini sobre companheiros e ações ocorridas entre o final do século XIX e o início do século XX.

COISAS VELHAS, DE OUTRO SÉCULO?

Ravachol, Émile Henry, Malatesta, Lucetti, Ferrer são anarquistas que, na história, uniram pensamento e ação, lutando em primeira pessoa pela anarquia. Flavio Costantini retratou alguns momentos dessa nossa história, e uma exposição sobre eles encontra espaço no Palazzo del Medico.

Cerca de cem anos depois, Alfredo Cospito também decidiu unir pensamento e ação. O diretor-presidente da Ansaldo Nucleare foi ferido a tiros em Gênova, em 2012. Uma mensagem contra os produtores de morte, os responsáveis pelo desastre nuclear que virá. Em seguida, uma vez preso, não deixou de lutar, de se expressar a favor da ação direta e revolucionária. Por isso, depois de quase 10 anos, foi transferido para o regime do 41-bis, com o objetivo de silenciá-lo.

Também naquele momento continuou lutando, junto a milhares de companheirxs (e não), contra esse regime de detenção e contra a prisão perpétua “ostativa”, levando adiante uma greve de fome que durou 181 dias. Dentro e fora das prisões, foi apoiado por uma maré de ações, iniciativas e manifestações. Com a luta, impedimos uma condenação à prisão perpétua e colocamos obstáculos na engrenagem da repressão estatal que diz respeito a todxs nós.

Na primavera será discutida a renovação desse regime em relação a Alfredo. Ninguém merece estar na prisão, ninguém merece a tortura do 41-bis.

Dentro e fora das fronteiras, nos convocam a massacrar e destruir os “inimigos”, como já começaram a fazer na Ucrânia, Palestina, Sudão… Prisões, regimes especiais e repressão são o horizonte que o Estado apresenta a quem quiser desertar e não respeitar a censura e as mais amplas políticas de guerra.

As ações dos anarquistas não são coisas de outros tempos. Sejam elas distantes ou próximas, parecem suspensas em um tempo próprio, iluminando também as injustiças de hoje. Desde a época da propaganda pelos fatos até hoje, “fazem parte de um contínuo histórico que não desaparecerá; apesar de nos condenarem a décadas de reclusão, e mesmo que nos matassem, sempre haverá indivíduos e grupos de indivíduos dispostos a responder à brutalidade do Estado e do capitalismo: isso é inevitável” (Francisco Solar, 2023).

Contra a guerra e a repressão, são necessárias escolhas e ações claras como razões de vida.

Carrara, 13 de dezembro de 2025
Círculo Cultural Anarquista “Gogliardo Fiaschi”

Fonte: https://ilrovescio.info/2025/12/15/da-carrara-cose-vecchie-dellaltro-secolo-fuori-alfredo-cospito-dal-41-bis/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Borboletas e
aves agitam voo:
nuvem de flores.

Bashô

Indócil, o romance rebelde de Laura Gómez Ortiz: feminismo, anarquismo e lutas sociais em Buenos Aires

Por Josep Masanés | 03/10/2025

Indócil. Laura Gómez Ortiz. Editorial Barrett

Indócil, de Laura Gómez Ortiz (Bogotá, 1986) é uma incursão na literatura social e experimental. Após sua estreia com um livro de contos e um diário no qual relata seu retorno à Colômbia depois de morar por alguns anos na Argentina, Gómez Ortiz situa seu primeiro romance na turbulenta Buenos Aires de 1907, onde a greve de inquilinos (ou “greve das vassouras”) serve como pano de fundo para uma história de resistência. A obra narra o desafio de um grupo de mulheres anarquistas que decide parar de pagar o aluguel, mas o faz a partir de uma perspectiva formal arriscada: a voz principal da história é a da casa em que os personagens vivem.

A história é estruturada por meio de pequenos monólogos e uma prosa poética e bela que flui com facilidade. A história concentra-se inicialmente em duas protagonistas, as imigrantes ucranianas Vira e Olena, inquilinas da casa. Elas encarnam um mundo feminino, triste e torturado, confrontado com o mundo masculino, representado pelo proprietário, o médico Demetrio Núñez Ortega, um homem que aparece como selvagem, ímpio e maligno. A dicotomia é brutal: a classe operária e a imigração, representadas por essas mulheres que se sentem furiosas, irritadas e perdidas, são vítimas de um sistema incapaz de aliviar seu sofrimento.

O romance é um texto hiperbólico, carregado de excessos verbais e emocionais. Os personagens, que frequentemente parecem extremistas ideológicos, se expressam por meio de frases lapidares que se acumulam sem conjunções, criando um efeito de adjetivação e substantivação muito floreada. O romance se torna uma grande fonte surrealista e barroca, um mundo estranho, poético e uterino. O elemento onírico e a atmosfera líquida e amniótica reforçam uma sensação claustrofóbica e explosiva.

O coração do romance reside em seus múltiplos narradores, destacando-se pela extensão e importância a casa rebelde e indócil. Este espaço não é apenas uma testemunha, mas um pequeno deus, poderoso, sábio e forte, a quem ninguém pode vencer. A casa não apenas narra, mas age: estoura os canos para forçar a saída dos proprietários, permitindo que fiquem no comando as empregadas domésticas, que enchem o lugar de “gente de má vida”. A casa vive as mudanças em seu interior como um ser vivo, refletindo a carga política da história: o direito à propriedade, o problema da moradia e da imigração, o feminismo e a violência policial. O romance, que começa com o anarquismo operário, conclui com um salto temporal que nos leva até a figura de Norma Beatriz Gimiel de Pla, ativista dos direitos dos aposentados nos anos 90, fechando um círculo sobre as lutas sociais na Argentina.

Indócil é uma obra ambiciosa que consegue fundir a experimentação formal com as ideias políticas. A multiplicidade de narradores constitui uma grande conquista, no entanto, seu maior triunfo é a criação de um espaço (a casa) que simboliza a capacidade de resistência do movimento operário feminino. Trata-se de um romance que gosta e busca manter o feminino como eixo, entregando um texto corajoso, vibrante e com uma tese política bem definida. Embora a hiperbolização e os excessos emocionais possam ser intensos, são necessários para refletir a raiva e a paixão de seus personagens. Uma leitura fundamental para quem busca uma literatura que, como a casa, se recusa a se submeter ao status quo.

Aqui deixo um vídeo explicativo sobre A Greve das Vassouras:

https://www.youtube.com/watch?v=-PbFDhKFlWg&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Ffanfan.es%2F&source_ve_path=MjM4NTE

Fonte: https://fanfan.es/indocil-laura-gomez-ortiz-novela-anarquista/

Tradução > Liberto

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Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.

Yeda Prates Bernis

Kalinov Most. Publicação Anarquista Internacional #12

Neste número poderás encontrar:

– Editorial

– A faceta socialdemocrata do domínio: O governo de Gabriel Boric

– Que anarquia do sul?

– Breves considerações sobre a reestruturação do poder e o atuar anarquista”

– A guerrilha dos sentimentos? Emoções, cárceres mentais e “saúde mental”.

Aportes externos:

– Essa guerra está perdida

– Sobre reducionismos guerrilheiros

Este e outros números podes encontrar no Chile (Editorial Memoria Negra), Argentina (Expandiendo La Revuelta), Uruguai (Ediciones Orsini), México (Konspiración Iconoclasta) e outros lugares…

www.kalinovmost.wordpress.com

kalinovmost@riseup.net

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Pelos fios do poder,
os pardais tecem ninhos
de desobediência.

Liberto Herrera

[Alemanha] Lüneburg: Lüni fica! As árvores da floresta de Lüner Holz estão ocupadas!

Não é uma surpresa agradável para a Autobahn GmbH.

Desde sábado, 13 de dezembro de 2025, várias árvores no norte de Lüneburg estão ocupadas para impedir seu desflorestamento. A floresta “Lüner Holz” está destinada à destruição para a expansão da autoestrada federal B4 até o primeiro trecho da planejada autoestrada A39. A ocupação, “Lüni bleibt” (Lüni fica), se opõe à construção dessa autoestrada e consiste em diversas plataformas.

Este trecho da rodovia faz parte da nova autoestrada planejada entre Lüneburg e Wolfsburg. Os 100 km da nova autoestrada significarão 100 km de destruição. Desde o início, o planejamento foi acompanhado por inúmeros protestos. Atualmente, uma ação judicial movida pela organização ambiental BUND Baixa Saxônia contra este trecho está sendo analisada pelo Tribunal Administrativo Federal. Ao desmatar a floresta de Lüner Holz, a Autobahn GmbH pretende criar um fato consumado, abrindo caminho para a continuidade da construção e sufocando discussões sobre o futuro da A39. A B4 já havia sido renomeada para A39 no início de dezembro.

A construção de uma nova autoestrada entre Lüneburg e Wolfsburg é um desastre em todos os níveis. Novas autoestradas sempre levam a mais tráfego e, portanto, a mais emissões prejudiciais ao clima. Os efeitos das mudanças climáticas já são devastadores em todo o mundo. Construir novas autoestradas só irá agravar ainda mais a crise climática.” Localmente, a construção da A39 também significa a destruição da natureza e do meio ambiente. A A39 irá dividir áreas protegidas valiosas. O fechamento de áreas naturais destruirá habitats e levará à perda de biodiversidade. Além disso, Lüneburg já possui um dos níveis mais altos de poluição por óxido de nitrogênio na Baixa Saxônia – como demonstraram recentemente as medições da Ajuda Ambiental Alemã (DUH). Ao contrário do que se costuma afirmar, a A39 não oferece nenhum valor agregado significativo para a maioria da população. Os imensos custos investidos na nova construção são urgentemente necessários em outros lugares, como a reativação de linhas ferroviárias e a expansão do transporte público.

A construção da autoestrada A39 e o desmatamento da floresta de Lüner Holz são inaceitáveis ​​do ponto de vista ambiental e das políticas climáticas. Já que todas as outras formas de protesto falharam em gerar a mudança de mentalidade necessária, agora queremos proteger ativamente as árvores ameaçadas. Em vez de uma autoestrada para poucos, queremos mobilidade para todos!

O grupo de ocupação “Lüni bleibt!” (Lüni fica!) se considera um grupo climático autônomo. Afirma ser anticapacitista, queer-feminista e anarquista. “Onde o capitalismo fóssil impera, a ocupação cria uma utopia de solidariedade e antifascismo. 100 km de nova rodovia também significam 100 km de resistência contra a infraestrutura de transporte baseada em combustíveis fósseis!

Em vez de mais destruição com novas rodovias, precisamos finalmente de uma revolução na mobilidade para todos – ecologicamente correta, socialmente justa e sem barreiras!

Grupo de Ação Esquilo-Morcego

Localização da ocupação: Lüner Holz, coordenadas 53.269290, 10.429467, acessível a pé.

Redes sociais:

Instagram @lueni_bleibt

Mastodonte @ lueni_bleibt@climatejustice.global

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Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Lançamento: “La práctica de la autogestión”, de Guido Candela e Antonio Senta

La práctica de la autogestión” é o vigésimo título da coleção central de La Neurosis o Las Barricadas Ed. Este original trabalho de Guido Candela e Antonio Senta cumpre diversos objetivos: nos introduz os aspectos básicos da organização da produção e o consumo sob parâmetros anarquistas, nos aproxima da variedade de experiências autogestionárias e, também, realiza uma série de experimentos que mostram a potencialidade da cultura libertária como ferramenta fundamental para a implementação de iniciativas de caráter anticapitalista. Este trabalho é um estudo verdadeiramente original em seu foco que vai interessar a todos os leitores e leitoras que se atrevam a mergulhar em suas páginas:

A autogestão, a possibilidade de assumir as rédeas de nossas vidas, passou de ser um conceito puramente econômico para ampliar-se abarcando outros aspectos vitais. Este texto desmonta duas das acusações que recebeu: a da ineficácia e a de necessitar de uma ética impossível de alcançar.

Para isso, os autores recorrem a práticas, dados e diferentes argumentos que revelam que as iniciativas autogestionárias significaram geralmente um questionamento do sistema e, também, o fizeram de maneira satisfatória para seus participantes, cobrindo suas necessidades. Também, em uma proposta muito original, apresenta os resultados de um estudo experimental sobre a nossa racionalidade que permite afirmar que uma ética do apoio mútuo, focada em solucionar os problemas comuns, não sé é possível, mas que, de fato, existe entre as pessoas que mostram sensibilidade libertária.

La práctica de la autogestión serve assim como pequeno manual teórico sobre o conceito de autogestão, como mapa de experiências passadas e presentes e como exposição dos resultados da experimentação. Tudo isso com o objetivo de ampliar propostas liberadoras e fendas no sistema depredador que é o capitalismo.

La práctica de la autogestión

€ 10

Guido Candela e Antonio Senta

Páginas/Cubierta: 250 pp. Cartoné

Tamaño: 18 x 14 cm.

Data/Lugar: Novembro de 2025, Madrid

laneurosis.net

Tradução > Sol de Abril

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Com gestos de amor
a bailarina
equilibra a dor

Eugénia Tabosa

[Chile] “A rebeldia feminista não faz acordos com o Estado”

Desde La Ventolera, coletiva do feminismo autônomo de Concepción, se põe à disposição para livre difusão e baixar o seguinte texto intitulado “La Rebeldía Feminista no pacta con el Estado” (A rebeldia feminista não faz acordos com o Estado) uma análise política sobre os acontecimentos que motivaram a revolta e a sua posterior asfixia por parte das estratégias institucionais.

Colectiva la Ventolera

Nossa história nos ensinou que as mulheres – e as feministas – estivemos sempre presente nos momentos de agitação, revolta ou revoluções sociais. A Revolta Social de 2019 não foi uma exceção. É assim que, como Colectiva la Ventolera, após cinco anos da potente revolta, nos emerge a necessidade de escrever e analisar nossa história e experiências desde o território de La Ribera Del Río Bío-Bío, no povoado Lorenzo Arenas. Considerando, também, o atual contexto político, caracterizado por uma forte institucionalização do processo vivido, no qual se instaurou uma memória derrotista a partir do “fracasso constituinte” que invisibilizou a memória social e popular de nossas lutas dentro das já conhecidas políticas de esquecimento.

Não poderia ser de outra maneira, pois esta revolta pôs, uma vez mais, em dúvida a política burguesa e fomos testemunhas de como a resposta do poder foi unânime: toda a classe política se uniu para defender seus privilégios e a institucionalidade que a sustenta. Nos falaram de ocupar seus postos representativos como uma estratégia válida, porque em momentos fundamentais estariam aí para “complementar” nossa luta cotidiana, de rua, etc. No entanto, vemos que aí estão e não estiveram de nosso lado.

Atualmente parece que uma grande maioria renega o vivido, desconhecendo importantes expressões de protesto, de negação do capital e questionamentos profundos ao sistema patriarcal-capitalista. Em contraposição, cremos importante construir uma memória desde um feminismo autônomo, que consiga dar conta dos processos vividos com um olhar desde baixo, desde o local, desde o coletivo, desde as mulheres, distanciando-nos do centralismo da capital, que coloque valorize o cotidiano. Para isto, nos referiremos a alguns fatos, ideias e organizações da revolta, a processos que a antecederam, à repressão vivida, às relações sociais subvertidas, à forma de fazer política, à institucionalização de nossas lutas e às tensões com o feminismo institucional.

Nossa tarefa é conseguir sonhar e criar projetos a partir da leitura dos que nos antecederam, de suas experiências históricas, com base na comunhão de quem portamos ideias revolucionárias, sem cair nessa sororidade a-política que nos propõe nada e que reafirma a feminilidade imposta onde todas devemos ser “boas”, mas nunca impertinentes ou inconvenientes.

Nesta análise lhes convidamos a sair dos esquemas da política tradicional e situar-nos desde os olhares críticos à democracia, com teorias radicais anticapitalistas, antipatriarcais e antipartidárias, com o fim de construir nossos próprios relatos.

Queremos que este exercício nos sirva para olharmos com mais carinho e respeito, honrar os nossos mortos e assassinadas, presas e presos, mutiladas e mutilados para seguir construindo frestas ao capital…

LÊ E/OU BAIXE O TEXTO COMPLETO NO SEGUINTE LINKE:

Fonte: https://lazarzamora.cl/colectiva-la-ventolera-la-rebeldia-feminista-no-pacta-con-el-estado/

Tradução > Sol de Abril

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nas noites de frio
um bom vinho, um edredon
dois corpos no cio

Cristina Saba

[Indonésia] Oito detidos anarquistas do caso “Chaos Star” foram transferidos após audiência

Oito detidos anarquistas do caso “Chaos Star” passaram por sua primeira audiência judicial em 18 de novembro de 2025. Com isso, foram transferidos para o centro de detenção da promotoria.

Eles são acusados de atirar pedras contra policiais, supostamente causando cerca de 2 bilhões de Rúpias em danos (cerca de R$ 119,6 milhões de Reais) durante a manifestação de 30 de agosto de 2025. Os oito foram denunciados com base em múltiplos artigos: Artigo 170 (violência em público), Artigo 214 (resistência coletiva) e Artigo 406 (destruição de propriedade alheia) do Código Penal da Indonésia. São eles:

– Muhamad Subhan (M.S)

– Eli Yana (E.Y)

– Muhamad Vansa Alfarisi (M.V.A)

– Muhamad Rifa Aditya (M.R.A)

– Veri Kurniawan Kusuma (V.K.K)

– Joy Erlando Pandiangan (J.E.P)

– Muhamad Jalaludin Mukhlis (M.J.M)

– Jatnika Alang Ramdani Septiawan (J.A.R.S)

Todos os oito foram torturados para forçá-los a confessar os supostos crimes.

Envie mensagens de solidariedade aos detidos anarquistas, em inglês ou em bahasa indonésio:

[Nome]

Jl. Jakarta No. 42–44,

Kebonwaru, Kec. Batununggal,

Cidade de Bandung, Java Ocidental

Indonésia

Palang Hitam / Anarchist Black Cross: precisamos urgentemente de solidariedade financeira para continuar as atividades de apoio aos presos e para garantir advogados privados para os réus. Entre em contato com Dark Nights (darknights [A] riseup.net) ou com grupos ABC reconhecidos e de longa atuação para realizar doações.

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2025/11/18/eight-anarchist-detainees-from-the-chaos-star-case-have-been-transferred-after-court-indonesia/   

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/11/05/atualizacao-sobre-as-situacoes-de-satria-putra-pustaka-catut-e-um-chamado-a-solidariedade-para-a-indonesia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/10/28/indonesia-atualizacao-e-endereco-postal-dos-431-camaradas-presos-da-rede-chaos-star-em-bandung/


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É quase nada
a cara da libélula:
somente olhos. 

Chisoku

[Espanha] Descoberta Memória Histórica da CNT

Compartilhamos esta notícia

MUSEU DO MAR SANTAPOLA

Ontem (15/12), a equipe de arqueólogos que está trabalhando na prospecção da Arquitetura Defensiva na serra de Santa Pola encontrou este emblema da CNT que representa Hércules lutando contra o leão, uma peça muito significativa que indicaria a presença de milicianos na região. Continuamos documentando cada detalhe para reconstruir com maior precisão nossa história recente.

Felipe Mejías López José Ramón Ortega Pérez Eloy Poveda.

elche.cnt.es

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Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

[Reino Unido] Relembrando Joe Hill

O lendário compositor e membro da IWW, executado 110 anos atrás, foi celebrado mundialmente por sua resiliência e seu humor

Owen Clayton ~

Joseph Emanuel Hägglund, mais tarde conhecido como Hill, nasceu em 1879 na Suécia. Depois de seu pai ter morrido, quando ele ainda era criança, ele foi criado em meio a dificuldades. Sem treinamento formal, ele herdou dos pais um amor pela música – seu pai tocava órgão e sua mãe era uma cantora talentosa. Conforme foi crescendo, Hill foi afiando suas habilidades musicais e líricas criando músicas de paródia, algo que acabaria o tornando famoso. Seu talento também se estendia aos quadrinhos, um meio de comunicação popular dentre a classe trabalhadora.

Hill se mudou para os Estados Unidos em 1902. As evidências sobre o que ele fez pelos próximos 5 anos são controversas, mas provavelmente ele ia rodando o país como um trabalhador temporário, situação de trabalho também chamada na época de “hobo”. Esses trabalhadores se deslocavam ilegalmente, pegando carona em trens de carga, trabalhando nas minas, nos moinhos, assentando trilhos de trem, e em geral construindo o Oeste capitalista estadunidense. Sabemos que Hill estava em San Francisco durante o terremoto de 1906, porque ele escreveu sobre isso para o jornal da sua cidade natal.

Em 1908 ele estava em Portland, onde se uniu ao Industrial Workers of the World (a IWW, ou os “wobblies”), o único sindicato que não excluía pessoas por etnia e que também tentava organizar todos os trabalhadores, ao invés de apenas aqueles em cargos “qualificados” (os cargos de ofício da época). Os wobblies acreditavam que se todos os trabalhadores estivessem em “Um Grande Sindicato”, isso poderia levar a uma greve geral, e, a partir daí, à tomada dos meios de produção. Eles evitavam política partidária e a via eleitoral, em prol de uma postura revolucionária, o que fez deles o inimigo público número 1 no que ficaria conhecido mais tarde como o “Primeiro Terror Vermelho” dos Estados Unidos.

Hill participou da famosa luta por liberdade de expressão em Spokane, Washington, nos anos de 1909 e 1910. Foi uma luta contra uma retirada de direitos de livre associação e expressão. A IWW chamou centenas de ativistas para ir a Spokane com a deliberada intenção de serem presos por falar em público. As cadeias de Spokane ficaram logo cheias de wobblies incontroláveis, o que desesperou um governador, que não conseguia fazê-los parar de cantar. O custo ao Estado foi astronômico, e então os prisioneiros eventualmente foram soltos e o banimento à liberdade de associação e expressão foi revogado – um evento que ecoa atualmente nas prisões em massa da Palestine Action.

Por essa época, Hill e camaradas wobblies começaram a usar música de rua para combater as bandas do Exército da Salvação que deliberadamente tentavam abafar oradores da IWW. Foi um momento crucial para a IWW, que depois ficou conhecida como um “sindicato que canta”: lançando edições regulares de seu Little Red Songbook (Livrinho Vermelho de Canções), também conhecido como “música para atiçar as chamas do descontentamento”.

Hill embarcou numa onda prolífica de composições. Sua música mais famosa é “The Preacher and the Slave” (também conhecida como “Long Haired Preachers”), que critica o “Exército da Inanição” por prometer uma “torta no céu” (“pie in the sky”, uma frase que Hill inventou) ao invés de dar ajuda mais imediata. Assim como ele fez na Suécia, Hill frequentemente usava melodias religiosas ou populares, em parte porque suas músicas muitas vezes eram paródias, mas também porque isso deixava as músicas mais fáceis de aprender.

Hill disse que “se uma pessoa conseguir colocar alguns fatos frios, de senso comum, numa música, e vesti-los com um manto de humor… ela terá sucesso em atingir um grande número de trabalhadores”. E sua música era imensamente popular: de 12 músicas da edição de 1913 do Little Red Songbook, 10 eram de Hill. Valorizando sua música como uma forma de propaganda, a IWW o enviou a um local de greve no Canadá para que ele pudesse escrever uma nova música por lá.

Hill acreditava na importância de alcançar mulheres trabalhadoras, que eram, ele escrevia, “mais exploradas que os homens”. Ele escreveu uma de suas músicas mais famosas, “The Rebel Girl”, em homenagem a organizadoras wobbly como Elizabeth Gurley Flynn (o nome “Rebel Girl” é provavelmente um trocadilho com “Gurley”), Katie Farr, e Anges Thecla Fair. Ele também escreveu cartas argumentando que os wobblies passavam tanto tempo organizando homens trabalhadores que eles acabavam negligenciando a organização de mulheres. Não é necessário dizer que, ao fazer esses argumentos, ele estava bem à frente de seu tempo.

Em 1911, Hill manifestou seus sentimentos revolucionários de um jeito mais prático. Com vários outros wobblies, ele se juntou à Revolução Mexicana, que depôs com sucesso o Porfirio Diaz, ditador apoiado pelos EUA. A revolução logo foi traída, como acontece frequentemente, por seus temporários aliados Liberais: uma vez que Diaz saiu do poder, eles voltaram o exército mexicano contra os rebeldes. Hill teve sorte não apenas por escapar com vida, mas também por poder retornar com sucesso aos Estados Unidos.

Entretanto, em 1913, sua sorte acabou. Como é sabido, ele levou um tiro no que ele alegava ter sido uma discussão por uma mulher na mesma noite que um vendedor e seu filho foram assassinados. A evidência era extremamente frágil, mas o juiz do julgamento de Hill, Morris L. Ritchie, era tão tendencioso, que Hill foi considerado culpado pelos assassinatos e condenado à morte. A IWW lançou uma campanha pública em massa sobre seu julgamento injusto, embora Hill tivesse expressado receio de se tornar um mártir, ou um “Jesus de Lata”, como ele sarcasticamente dizia. Quando a hora finalmente chegou, ele foi estoico e bastante irônico: segundo relatos, ele deu ao pelotão de fuzilamento a ordem para atirar.

Logo antes da sua execução, ele rascunhou um poema chamado “The Last Will of Joe Hill”, que proclama que seu testamento é fácil de ditar, por ele não ter nada a dividir; e que sua família não precisa chorar, porque pedras que rolam não juntam musgo. O poema também expressa um desejo de ser cremado, o que a IWW honrou. Suas cinzas foram divididas em seiscentos envelopes e enviados ao redor do mundo, para que uma parte de Joe Hill pudesse inspirar futuras gerações. Em uma de suas cartas finais mais famosas, Hill disse ao líder da IWW “Big” Bill Haywood: “Não percam nem um segundo em luto – organizem”. Mas, na verdade, parece mais apropriado fazer os dois.

A influência de Hill só aumentou depois de sua morte. Isso se deu em parte à popular música-poema de 1936 “Joe Hill” por Alfred Hayes e Earl Robinson, em que Joe volta em um sonho, que diz que ele “nunca morreu”, e diz que ele está presente “Em toda mina e moinho/Onde trabalhadores fazem greve e se organizam/Lá você encontrará Joe Hill”. Músicos como Joan Baez, Tom Morello, Billy Bragg e a estrela de hiphop finlandesa Paleface citaram Hill como inspiração. Seu nome até foi tomado em homenagem pelo escritor de terror Joseph Hillstrom King, o filho de Stephen King (que escolheu dar ao filho o nome “Hillstrom”). E, principalmente, suas músicas ainda são cantadas em marchas e em linhas de piquete ao redor do mundo, em que trabalhadores e ativistas buscam concretizar a promessa de um mundo melhor por Joe Hill.

Imagem: Joe Hill, ‘Oh You Hoboing’ [tradução pro português: Ah, Você Sendo Hobo], enviado para Charles Rudberg por carta, em 2 de setembro de 1911

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/11/19/remembering-joe-hill/ 

Tradução > Caio Forne

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Dia de chuva.
João-de-barro constrói ninho
No alto do poste.

Ângela Iachechen