[EUA] Mural de Elon Musk vandalizado em Brownsville com símbolos e frases anarquistas

Um mural de Elon Musk em Brownsville, Texas, foi vandalizado com a frase “Deny, Defend, Depose” (Negar, defender, depor) e um símbolo anarquista sobre seu rosto.

O mural, localizado fora de Los Elizondos, chamou a atenção devido à recente nomeação de Musk como “funcionário especial do governo” no governo Trump.

Os críticos argumentam que sua crescente influência no governo levanta preocupações sobre o poder corporativo na governança pública.

O Departamento de Polícia de Brownsville ainda não registrou um boletim de ocorrência ou fez qualquer prisão relacionada ao vandalismo.

O papel de Musk no desmantelamento da USAID e seu novo cargo no governo provocaram reações e protestos.

O incidente destaca o debate em andamento sobre o impacto de Musk nas políticas federais e na transparência.

Fonte: https://www.msn.com/en-us/news/technology/elon-musk-mural-vandalized-in-brownsville-with-anarchist-symbols-and-phrases/ar-AA1ysCBe

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

o sapo, num salto,
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã

Zemaria Pinto

[Austrália] A Colônia Deve Cair

Nas primeiras horas da manhã (26/01), na véspera do Dia da Invasão de 2025, um monumento dedicado aos soldados da Primeira Guerra Mundial foi vandalizado. Tinta vermelha foi jogada por toda a estátua, com as palavras “a colônia deve cair” e “devolvam a terra”, além de um triângulo vermelho virado para baixo pintado sobre ela. A contínua comemoração dos ANZACs e da chamada participação “australiana” em guerras imperialistas é usada para reforçar a supremacia branca, a identidade colonial-settler e o militarismo. Acabem com a máquina de guerra imperialista. Morte à “Austrália”. Devolvam a terra, devolvam a lei já!

>> Mais fotos aqui: https://backlashblogs.wordpress.com/2025/02/02/the-colony-must-fall/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem de flores –
Este sino será de Ueno?
Será de Asakusa?

Bashô

[EUA] ‘Ele vai pra casa’: novo filme documenta a luta para libertar Leonard Peltier

Free Leonard Peltier (do inglês “Liberte Leonard Peltier”) de Sundance descreve os esforços de décadas para libertar o ativista indígena da prisão – até a comutação de sua sentença uma semana antes da estreia

Por Adrian Horton em Park City, Utah | 30/02/2025

De todos os documentários no festival de cinema de Sundance este ano, talvez nenhum seja tão oportuno quanto o filme Free Leonard Peltier, de Jesse Short Bull e David France, sobre o ativista indígena preso por quase meio século.

Peltier, agora com 80 anos, está cumprindo penas de prisão perpétua consecutivas pelo assassinato de dois agentes do FBI durante um tiroteio na Reserva Pine Ridge, em Dakota do Sul, em 1975, embora tenha mantido sua declaração de inocência. Ativistas, celebridades e defensores da libertação, como Nelson Mandela, pedem sua libertação há décadas, citando a justiça forçada e evidências de má conduta do Ministério Público; o FBI e a polícia, por sua vez, fizeram uma campanha feroz contra qualquer comutação de sua sentença.

Short Bull (diretor de Nação Lakota vs Estados Unidos) e a France começaram a trabalhar no documentário depois que Peltier já havia cumprido 45 anos de sentença, enquanto uma nova geração de ativistas trabalhava para libertar o prisioneiro político mais antigo dos EUA. “Se você é nativo americano nos Estados Unidos, conhece a história de Leonard Peltier”, diz a ativista Holly Cook Macarro (Nação do Lago Vermelho) no início do filme.

O documentário de 110 minutos ressalta o status de Peltier como um ícone da independência e resistência dos nativos americanos, ligado a mais de meio século de ativismo indígena nos EUA, desde a organização dos direitos civis do Movimento Indígena Americano (American Indian Movement – AIM) na década de 1960, pelos protestos em Standing Rock em 2016, até o recente lobby para libertá-lo. Peltier “lutou por muitas dessas coisas das quais somos beneficiários diretos – ressurgimento cultural, Lei de Liberdade Religiosa dos Nativos Americanos, Lei de Autodeterminação Indígena”, diz Nick Tilsen (Oglala Lakota), fundador do grupo de direitos civis liderado por indígenas NDN Collective no filme. “Tem sido apenas uma parte do léxico de estar no movimento.”

Parecia que o arco do filme não terminaria em mudança – Free Leonard Peltier captura parte de uma audiência de julho de 2024 na qual Peltier teve sua liberdade condicional negada novamente; a versão final original do projeto terminou com um clipe de uma entrevista de 40 anos com Peltier, que não tem permissão para falar publicamente desde a década de 1990, na esperança de que um dia ele fosse libertado.

Mas em 20 de janeiro, com 14 minutos restantes em seu mandato presidencial, Joe Biden comutou sua sentença, permitindo que Peltier cumprisse o restante de seu tempo em prisão domiciliar – e enviando a equipe de documentários para a sala de edição com uma semana até a estreia. O filme então terminou com uma nota altamente emocional de triunfo, enquanto ativistas se abraçavam e soluçavam do lado de fora do complexo correcional federal em Coleman, Flórida.

Peculiarmente, a comutação não admite irregularidades em nome do Estado. Ela permitirá que Peltier, que sofre de inúmeras doenças, “passe seus dias restantes em prisão domiciliar, mas não o perdoará por seus crimes subjacentes”, de acordo com um comunicado da Casa Branca. O filme descreve o porquê, tecendo uma narrativa de ativismo geracional e justiça falha que retratou o tiroteio em Pine Ridge não como uma escalada de olho por olho, como foi retratado pela grande mídia na época, mas como uma incursão do governo em terras indígenas.

Vários anciãos da AIM, fundada em Minneapolis em 1968 por Dennis Banks e Clyde Bellecourt, aparecem no documentário, atestando a injustiça do encarceramento de Peltier, bem como as intenções do movimento. Forjada pelos protestos pelos direitos civis da década de 1960, a AIM combateu o Bureau of Indian Affairs (BIA) por sua destruição da cultura e da identidade por meio da opressão e da assimilação forçada. “Tentar ser indígena é uma luta diária em si”, disse Peltier na entrevista de 40 anos extraída do filme. “A AIM estava revidando, em todo o país. Estávamos todos vivendo sob o mesmo tipo de opressão.”

Peltier ajudou a organizar uma ocupação de uma semana do escritório da BIA em 1972, como parte de um esforço para abordar a “Trilha de Tratados Quebrados”, pedindo a restauração do processo de elaboração de tratados, o reconhecimento legal dos tratados existentes e a devolução de 110 milhões de acres de terra, entre outras demandas. Em Pine Ridge, Peltier estava defendendo muitos nativos americanos contra o que estes viam como mais um roubo de suas terras; o filme sugere que o FBI estava espionando os moradores e sabia que a AIM estava mudando seu foco para as práticas de mineração na área. No dia do tiroteio, Dick Wilson, o controverso presidente tribal com uma força policial privada e laços com o governo federal, assinou um oitavo das terras da reserva.

O tiroteio matou os agentes do FBI Jack Coler e Ronald Williams, bem como um nativo americano, Joe Stuntz. Nenhuma ação foi tomada sobre a morte de Stuntz. Três ativistas indígenas – Peltier, Robert Robideau e Dino Butler – foram processados pelas mortes dos agentes. Robideau e Butler foram absolvidos com base em legítima defesa. Mas Peltier foi condenado, com base em táticas de acusação que “mancharam as autoridades com vergonha”, diz James Reynolds, um ex-procurador dos EUA que lidou com a acusação e desde então pede a libertação de Peltier, no filme.

Ninguém contesta que Peltier estava atirando naquele dia. O FBI insistiu que o tiroteio representou um ataque descarado a seus agentes, e que Peltier atirou nos agentes para matar. O diretor do FBI, Christopher Wray, advogou pessoalmente contra a liberdade condicional de Peltier em julho de 2024, chamando-o de “assassino sem remorso que executou brutalmente dois dos nossos”. Peltier diz que não estava nem perto dos agentes e que foi transformado em bode expiatório. Ele manteve sua declaração de inocência e se recusou a confessar mesmo que isso tivesse ajudado os seus esforços com a liberdade condicional. “As pessoas me conhecem. Não sou um assassino a sangue frio “, diz ele no filme.

A prisão de Peltier, percebida como injustiça nas mãos de um governo indiferente dos EUA, continua a servir como uma metáfora para muitos nativos americanos. “Tudo o que aconteceu com ele é realmente um espelho de tudo o que aconteceu com o povo indígena ao longo da história”, diz Tilsen no filme.

Peltier ainda não saiu da prisão; ele será libertado 30 dias após a comutação, em 18 de fevereiro, quando retornará a um novo lar na reserva indígena Turtle Mountain, em Dakota do Norte. Sua vida continua em perigo, de acordo com os defensores. Mas o filme termina com uma nota de esperança duramente conquistada – “conseguimos!” diz Cook Macarro entre lágrimas. “Ele vai pra casa.”

Free Leonard Peltier está sendo exibido no festival de cinema de Sundance e está buscando distribuição

Fonte: https://www.theguardian.com/film/2025/jan/30/free-leonard-peltier-documentary

Tradução > Bianca Buch

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Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

[Espanha] Lançamento: “Anarquía para jóvenes (y para quienes no lo son tanto)”, de Carlos Taibo

O anarquismo explicado com simplicidade para entendê-lo desde a prática e não desde as teorias.

Este livro oferece uma introdução rápida e pedagógica, para jovens e para quem não o são tanto, às ideias anarquistas e libertárias. Sublinha, conforme a essas ideias, que as sociedades podem e devem organizar-se desde baixo, desde a autogestão e do apoio mútuo, à margem de fórmulas autoritárias. Com um foco pessoal, oferece uma visão ligada aos problemas do momento e explora temas chave como o papel da mulher, a situação dos países do Sul e a crise ecológica global, centrando-se mais nas práticas reais que nos conceitos teóricos. Inclui também um capítulo sobre a juventude de nossos dias, misturando experiências próprias, conhecimentos socialmente estabelecidos e leituras especializadas. As conclusões prestam atenção a matérias como os livros, os idosos, a realidade, nada florescente, do capitalismo e os tempos obscuros nos quais nos adentramos.

Carlos Taibo foi durante três décadas professor de Ciência Política na Universidade Autônoma de Madrid. Entre seus livros se contam ¿Tomar el poder o construir la sociedad desde abajo? (2015), Anarquismo y revolución en Rusia, 1917-1921 (2017), Libertari@s (2017), Los olvidados de los olvidados. Siglo y medio de anarquismo en España (2018), Anarquistas de ultramar (2018) y Anarquismos. Ayer, hoy y mañana (2022).

Anarquía para jóvenes

(y para quienes no lo son tanto)

Escritor Carlos Taibo

ISBN 978-84-1067-183-6

Páginas 128

14,50 €

catarata.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No jardim —
Dando passeio
Vai a borboletinha.

Paulo Ciriaco

Pierre-Joseph Proudhon: ontem e hoje

Pierre-Joseph Proudhon nasceu em 15 de janeiro de 1809 (sim, já se passaram 216 anos!), em Besançon, França. Essa data marca o início da trajetória de um dos pensadores mais influentes do anarquismo e da teoria social moderna. Filho de uma família humilde, Proudhon viveu em um contexto de transformações profundas na Europa pós-Revolução Francesa, o que influenciou sua visão crítica sobre o poder, a propriedade e as desigualdades estruturais. Seu trabalho seminal, “O Que é a Propriedade?”, publicado em 1840, trouxe a célebre frase “A propriedade é um roubo”, desafiando os fundamentos do sistema capitalista e propondo reflexões que ressoam até hoje.

Considerado por muitos como o pai do anarquismo moderno, Proudhon foi pioneiro ao articular uma filosofia política que rejeitava tanto a tirania do Estado quanto as explorações do capitalismo. Sua abordagem buscava um equilíbrio entre a liberdade individual e a solidariedade coletiva, defendendo a autogestão, o federalismo e a criação de associações livres de trabalhadores como alternativa ao modelo estatal. Essas ideias foram fundamentais para os movimentos anarquistas do século XIX e continuam a inspirar debates sobre formas mais justas e horizontais de organização social no século XXI.

No contexto atual, marcado por crises econômicas, desigualdades crescentes e desconfiança nas instituições tradicionais, o pensamento de Proudhon ganha nova relevância, valendo a pena nos dias atuais a leitura de suas obras. Suas críticas à concentração de poder e riqueza oferecem uma lente para analisar os desafios contemporâneos, como a precarização do trabalho, a crise ambiental e as tensões entre globalização e soberania local. Além disso, suas propostas de descentralização e autogestão encontram ecos nas práticas modernas de cooperativismo, economia solidária e movimentos sociais que buscam autonomia e justiça social.

Portanto, Proudhon não é apenas uma figura histórica, mas uma referência viva para aqueles que procuram compreender e transformar o mundo. Sua capacidade de combinar teoria e prática, somada à sua visão crítica e inovadora, faz dele um pensador ainda essencial para os debates do século XXI. Celebrar sua contribuição é não apenas reconhecer seu papel na história do anarquismo, mas também explorar suas ideias como ferramentas para construir sociedades mais livres, igualitárias e sustentáveis.

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

Varrendo folhas secas
lembrei-me do mar distante:
chuá de ondas chegando.

Anibal Beça

[Itália] Abolamos os exércitos, paremos as guerras, desmascaremos os nacionalismos!

A Federação Anarquista Italiana – FAI reafirma seu apoio à Assembleia Antimilitarista com o objetivo de construir um vasto movimento antiguerra, unido e independente de partidos, contra as políticas belicistas dos sucessivos governos. Daí a importância de apoiar as lutas contra a militarização das escolas e universidades, as lutas contra as instalações [militares], a produção bélica e as bases militares do Friuli à Sicília, do Piemonte à Toscana, as iniciativas dos trabalhadores contra a produção e o tráfico de armas, a solidariedade com os desertores de todas as guerras.

O mundo está mais uma vez se aproximando da catástrofe nuclear, um risco que se tornou novamente atual, antecipado por tantos conflitos e massacres que, mesmo que ocorram em menor escala, ainda assim impressionam por sua natureza trágica. Entre os muitos fatores que levaram a essa situação dramática está a crescente loucura belicista das classes dominantes “ocidentais” e “orientais”, compostas por personagens cada vez mais miseráveis e implausíveis, cujo charlatanismo rivaliza e, às vezes, excede sua ânsia por poder e lucro, este último cada vez mais baseado na indústria da guerra.

Por um lado, no chamado Ocidente, estamos testemunhando elaborações cada vez mais explícitas de políticos e intelectuais da esfera liberal, e não só, que desenham os cenários potenciais de uma nova guerra mundial. Para eles, o chamado “mundo livre”, expressão já utilizada nas décadas que viram o mundo dividido em dois blocos, estaria travando uma batalha existencial contra as autocracias do resto do planeta, identificadas com os novos estereótipos orientalistas como o local de origem das ameaças à nossa “civilização”.  Nessa narrativa tóxica e maniqueísta, nações aliadas que compartilham os valores da democracia liberal, como Ucrânia, Israel e Taiwan, ou mesmo a chamada oposição democrática em países como Mianmar, estariam travando a mesma batalha global dos “mocinhos” contra os “bandidos”. Seguindo a mesma lógica, até mesmo os fundamentalistas do HTS na Síria se alistaram ao lado dos “mocinhos”.

O atual governo italiano está totalmente engajado nessa corrida para o desastre, caracterizando sua política externa em um sentido agressivo. Esse discurso serve, em primeiro lugar, como pretexto para fazer passar o aumento dos gastos militares e a produção da morte como até virtuosos em nome da suposta necessidade de “defesa”, e para descartar o pacifismo e o antimilitarismo como ferramentas obsoletas e inadequadas para resolver as novas urgências “práticas”, claramente, de acordo com uma única narrativa. Em todas as latitudes, a propaganda nacionalista alimenta o conflito e envenena o debate público, erguendo muros entre as classes oprimidas.

No caso da Palestina, isso implica uma constante minimização dos crimes de guerra israelenses e do genocídio em curso em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, a ponto de até mesmo os governos europeus terem relativizado o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra o criminoso Netanyahu, depois de aplaudirem o mandado de prisão do criminoso Putin.

No que diz respeito à Ucrânia, há claramente um projeto internacional para alistar o mundo da esquerda e os movimentos, incluindo libertários ou autodenominados libertários, na frente de guerra contra o “tirano”. Essa narrativa se baseia na retórica da resistência nacional à invasão, na qual o fim justifica qualquer meio (inclusive a guerra nuclear nos casos mais extremos), com o objetivo de dividir as forças pacifistas e antimilitaristas ao desativar uma das ferramentas de luta que historicamente têm sido mais eficazes nos países ocidentais: a oposição às guerras e aos gastos militares acompanhada de objeção e deserção em relação a lutas sociais mais amplas.

Uma retórica belicista tem sido abundantemente utilizada nos últimos três anos por setores autodenominados antifascistas e antiautoritários, cujos slogans, análises e documentos públicos não se desviam de forma alguma da propaganda de guerra ocidental e liberal e das narrativas nacionalistas locais, na total ausência de quaisquer pontos de qualificação em termos de classe ou de leituras libertárias da situação. Sem reivindicar, de acordo com nossos princípios fundadores, qualquer monopólio do anarquismo, está claro para nós que tais desvios nacionalistas, militaristas e liberais não têm e não podem ter nada a ver com nossa ideia de anarquismo e, portanto, devem ser confrontados como os de qualquer outra força política que se oponha a nós: no reconhecimento de diferentes posições, sem qualquer confusão ou associação formal entre programas e projetos políticos irreconciliáveis.

Do outro lado dessa linha de frente, o projeto de um mundo “multipolar” promovido por alguns governos dentro do BRICS+, que é apenas mais uma agenda imperialista, fatalmente seduziu remanescentes do bolchevismo e setores da esquerda que passaram a considerar ditadores sanguinários como Putin na Rússia, Maduro na Venezuela e vários associados como “camaradas” ou quase camaradas. Pela mesma lógica, há aqueles que legitimam os fanáticos religiosos, misóginos, homofóbicos e assassinos de grupos como o Hamas e o Hezbollah, ou os burocratas de autoridades corruptas mais ou menos “nacionais”, como protagonistas de uma suposta resistência a Israel. Embora a miséria e as contradições desses últimos discursos sejam óbvias, não podemos deixar de reafirmar com veemência o princípio fundamental da coerência de meios e fins, segundo o qual nosso antimilitarismo não pode, em hipótese alguma, ser separado de nossa inspiração antiautoritária, anticlerical, antipatriarcal e anticapitalista.

Em cenários internacionais futuros, certamente não será a instalação de velhas ferramentas reacionárias como Donald Trump que trará uma alternativa à loucura belicista de seu antecessor Joe Biden e da maior parte da classe dominante ocidental. Tampouco um possível sucesso (ou fracasso) militar do mundo “não ocidental” trará mais justiça ou desafiará o capitalismo, a colonialidade do poder ou o imperialismo.

No entanto, não podemos esquecer as outras centenas de conflitos que ainda estão em andamento em nível global, especialmente no Sul Global, incluindo, como nossos companheiros do Brasil e da América Latina nos lembram, a guerra genocida que vem sendo travada há mais de 500 anos em suas partes contra as mulheres, contra os pobres e contra as comunidades indígenas e afrodescendentes. Embora reconheçamos a necessidade contínua de ações anticoloniais e decoloniais, é importante deixar claro que isso não deve, de forma alguma, levar a novas formas de nacionalismo, comunitarismo ou essencialismo de civilização. O conceito de indivíduo permanece central contra qualquer tendência a essencialismos étnicos, raciais e culturais, mesmo que se baseiem na ideia de “povos”, entidades estas sempre caracterizadas internamente por dinâmicas de desigualdade e opressão em termos de classe, gênero e todas as formas possíveis de discriminação e marginalização.

Apesar de todas as dificuldades, há espaços importantes para a ação e a organização de baixo para cima, onde nossa contribuição pode ser decisiva na construção da oposição social à guerra e ao militarismo. Um ponto central de nossa ação tem sido o apoio às greves gerais do sindicalismo conflitivo e de base, que, nos últimos anos, têm se caracterizado pelo fato de associarem as lutas sociais e salariais a uma abordagem antimilitarista contra as guerras e a economia de guerra, o que é coerente com nossa premissa de que uma perspectiva antimilitarista está intimamente ligada a uma perspectiva de classe.

Também é necessária uma iniciativa cultural importante para combater a propaganda militarista que é veiculada diariamente, de forma mais ou menos explícita, nas escolas e na comunicação pública em uma base cada vez mais ampla, e pronta para explorar locais de educação e treinamento para tornar mais eficaz um discurso que apresenta a suposta “boa” face das forças armadas do Estado como se fossem empresas humanitárias.

Nesse sentido, nosso apoio à objeção, à deserção, à evasão do serviço militar obrigatório em todas as frentes de guerra e ao derrotismo revolucionário continua sendo fundamental, especialmente em um momento em que, para mencionar apenas uma das frentes mais conhecidas, os próprios comandantes militares russos e ucranianos reconhecem a deserção como um problema real que prejudica seus respectivos programas de morte. Esse apoio é desenvolvido dentro da estrutura de nosso compromisso internacionalista, em particular no contexto da Internacional de Federações Anarquistas, que deve ser desenvolvido por meio da promoção de novas iniciativas para desconstruir fronteiras e desafiar qualquer ideia de nacionalismo e soberania territorial do estado-nação ou de qualquer outra entidade que aspire a sê-lo, substituindo-a por novos mecanismos de solidariedade internacional e fraternidade universal.

Precisamos de um diálogo, no âmbito de ações realizadas consistentemente de baixo para cima e fora dos partidos e do controle das instituições, com todos os grupos e movimentos que compartilham nossa intransigência antimilitarista, construindo alianças funcionais com objetivos bem definidos e coerentes com todas as premissas que expressamos neste documento. Somente desenvolvendo e generalizando ações de baixo para cima, com base nessas premissas, será possível renovar verdadeiramente a esperança em um mundo de liberdade e igualdade, em vez do mundo de morte, destruição e guerra permanente que o capitalismo e o Estado nos impõem cada vez mais descaradamente.

XXXII Congresso da Federação Anarquista Italiana – FAI, Carrara, 3-6 de janeiro de 2025

Fonte: https://federazioneanarchica.org/archivio/archivio_2025/2025010306carrara.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Teu azul profundo,
nos olhos do cristal tímido,
cintila o mundo

Fred Matos

[México] Comunicado Ante a Publicação da Sentença da Suprema Corte de Justiça da Nação

Em 6 de novembro de 2024 passado, realizou-se a sessão onde a Suprema Corte de Justiça da Nação divulgou, em termos muito gerais, a resolução sobre o amparo direto em revisão (um recurso extraordinário na Justiça mexicana) promovido no caso de Miguel Peralta Betanzos, indígena mazateco, anarquista e defensor comunitário de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca. Posteriormente, em 28 de novembro a Corte tornou pública dita resolução onde pudemos conhecer de maneira detalhada sua decisão.

Como já havíamos mencionado, ainda que pudesse ter sido pior, estamos bastante inconformados com esta determinação. A Suprema Corte de Justiça da Nação poderia ter outorgado a Miguel sua liberdade plena e ter detido a perseguição política contra ele. Não o fez. Em lugar disso, sob um discurso de multiculturalismo e respeito aos direitos indígenas, devolveu o caso ao Tribunal Colegiado de Oaxaca que resolveu o amparo direto em 2023, ordenando-lhe vagamente que tomassem certas considerações ao emitir uma nova sentença.

Em sua resolução, a Corte fez uma espécie de repreensão ao Tribunal por não ter considerado a identidade indígena de Miguel, pois não garantiu seu direito a uma pessoa intérprete (uma saída fácil da Corte e desnecessária neste caso) e não levou em conta os costumes e especificidades culturais da comunidade. Também lhe disse que devia estudar se foram respeitados os direitos à livre determinação, a autonomia e o acesso à jurisdição do Estado. Este último dá oportunidades de defesa.

A revogação da sentença de amparo direto que havia ditado o Tribunal de Oaxaca significa que este deverá estudar novamente o assunto de Miguel, evitando reenviar o caso à Huautla e resolvendo de fundo: que é inocência, que a comunidade se viu ameaçada em seu exercício à livre determinação e autonomia, que o contexto é de perseguição política por seu trabalho de defesa do território e por enfrentar o mandante local e que, há um desequilíbrio de poder entre quem acusa e os que são acusados.

É lamentável que a Suprema Corte não tenha considerado nada do aportado pela família, a comunidade, as cartas de organizações civis nacionais e internacionais, nem os Amicus Curiae que apresentaram organizações e pessoas antropólogas. Não resolveu com perspectiva intercultural, só repetiu direitos que estão na Constituição.

Nos sentimos preocupados também por alguns meios de comunicação –próximos e não- que, depois da audiência de 6 de novembro na Suprema Corte deram a entender de diferentes maneiras que Miguel havia ganhado sua liberdade plena, o que com esta resolução sua liberdade plena estava às portas. Lamentavelmente não é o caso.

Sejamos claros. A perseguição política contra Miguel Peralta continua. O sistema judicial de Oaxaca, que caminhou lento em seu caso durante dez anos, volta a ter este expediente em sua jurisdição. O sistema judicial em todo o país está passando por uma séria transformação, incluindo a eleição de juízes federais este ano, o que só poderia atrasar ainda mais a resolução no caso de Miguel.

Enquanto isso, Miguel continua deslocado de sua comunidade, vivendo sob a constante ameaça de ser capturado pelo Estado. Sua família segue sem pai, sem filho, sem irmão, sem sobrinho, sem primo. Sua comunidade segue dividida, perseguida, criminalizada. As feridas provocadas por dez anos de repressão caciquil e estatal seguem abertas e sem cicatrizar.

Além de tudo isso, Elisa Zepeda Lagunas, figura central da família caciquil Zepeda Cortes em Eloxochitlán de Flores Magón – responsáveis da criminalização de Miguel e outros membros da comunidade – recebeu o cargo político de deputada local no atual congresso LXVI do Estado de Oaxaca. Nem sequer teve a capacidade de ser “eleita popularmente” – que de todo modo sabemos que são só eleições compradas e vendidas pelos aparatos dos partidos políticos – mas que, o cargo de três anos lhe foi outorgado diretamente pelo partido político MORENA, partido que atualmente está no poder federal e estatal. Sabemos que tem conexões com a gente do poder, juízes, promotores, polícias, políticos, administradores universitários, inclusive com a presidenta do país.

Neste contexto, seguimos chamando à agitação e solidariedade exigindo a liberdade absoluta de Miguel Peralta. Animamos a todos a baixar, imprimir e distribuir os diferentes materiais que temos relacionados com seu caso, que se pode encontrar na página de arquivo:  https://archive.org/details/@miguelperaltalibre. Também chamamos a organizar ações, eventos, arrecadar fundos, pendurar faixas, pintar grafites, escrever cartas, mostrar uma solidariedade ativa e permanente com Miguel Peralta e a comunidade de Eloxochitlán. Tiremos o sono aos donos da “Justiça”, sejamos criativos e espontâneos à luz do sol e sob a sombra da lua.

Liberdade plena para Miguel Peralta!

Liberdade plena para todos os perseguidos e processados de Eloxochitlán de Flores Magón!

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/14/mexico-comunicado-da-resolucao-da-suprema-corte-sobre-o-caso-miguel-peralta/

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Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

[Espanha] Palavras do prisioneiro anarquista Abel por causa da marcha a Brians

Me aproximo dos 8 meses de prisão neste centro penitenciário. Quase 8 meses de ódio e raiva, mas também de amor e solidariedade. Pensava sair de licença em maio deste ano, que é quando cumpro a 1/4 parte e segundo o regulamento penitenciário é o momento de acessar benefícios sempre que a junta de tratamento formada pela equipe de tratamento (psicóloga, educadora, jurista e direção) seja favorável. Desta maneira, mediante a chantagem nas permissões, te obrigam a fazer o programa de tratamento quando segundo o mesmo regulamento é voluntário e rechaçá-lo não pode supor nenhum castigo.

Não lhes deve ser suficiente encarcerar-te, também vão te reeducar. Devido a que tenho que fazer 3 cursos do programa individual de tratamento, estão me atrasando as permissões de maio até o 3º trimestre de 2025. E tudo sem ter nenhum expediente disciplinar o qual alargaria ainda mais o processo.

Se comenta que os cursos são subvencionados e por isso há tanto interesse em que todo o mundo passe pelo aro, o qual é um negócio. Eu penso que a parte é uma maneira de justificar o trabalho dos burocratas da repressão desde a equipe de tratamento ao Tribunal de Vigilância Penitenciária que para permissões de mais de 48h terá que dar sua aprovação.

Não é muito tempo o que levo encarcerado, mas neste período já soube de duas mortes: uma no módulo 12 deste CP e outra no módulo de mulheres de Brians 1. Nos dois casos a causa da morte segundo a direção foi o suicídio. No caso de Maria, seu companheiro está no mesmo módulo em que eu estou e me comentou que de modo algum a via com intenção de tirar a própria vida, se viam cara a cara, trocavam cartas e se chamavam habitualmente. Não o deixaram velar o cadáver, lhe deram pastilhas e ativaram o protocolo anti-suicídios contra ele, obrigando-o a estar acompanhado a todo momento. Há que imaginar estar em uma situação assim e que além de tudo tenha que compartilhar cela com quem não tens nada em comum.

É difícil manter um bom estado de ânimo aqui dentro, entre o encarceramento, viver sob um regime disciplinar, a exploração laboral… e isto um dia e outro e saber que teu futuro está completamente submetido a esta trama de carcereiros e demais funcionários. Ainda assim, tento manter-me forte e alegre, e nisso tem muita responsabilidade toda a solidariedade que estou recebendo. O cárcere te converte em um autômato medicado sem personalidade.

Espero que para a marcha do ano que vem possa estar do outro lado e encorajá-los a fazer muito ruído para que transpasse os muros.

Um forte abraço, os quero, saúde e liberdade.

Abel Mora Campos

Janeiro 2025, C.P. Brians 2

Fonte: ÈGIDA

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/29/espanha-a-6-meses-de-reclusao-do-companheiro-anarquista-abel/

agência de notícias anarquistas-ana

Brilho da lua se move para oeste
a sombra das flores
caminha para leste.

Buson

[Espanha] 8F: Caminho à manifestação em apoio às 6 de La Suiza

A convocatória de manifestação em Madrid do próximo sábado 8 de fevereiro supõe o ponto culminante da campanha de apoio implementada pela Plataforma Madrid com as 6 de La Suiza, outra mostra da solidariedade e o apoio mútuo que vem se desenvolvendo desde o começo, com grandes demonstrações como as doações recebidas no crowdfunding.

Em consonância com a escalada de ações em resposta ao périplo judicial e dado o último giro nos acontecimentos do caso, com o indeferimento por parte do Tribunal Constitucional, consideramos indispensável que se redobrem os esforços e se demonstre a máxima solidariedade possível através desta manifestação.

No dia 8 de fevereiro esperamos uma manifestação que encha as ruas de solidariedade e apoio mútuo com nossas companheiras. Para dizer uma vez mais que não estão sós, que seguimos com elas e que têm toda nossa ternura, e de um montão de gente que está se organizando.

A manifestação de 8 de fevereiro é o ponto culminante de uma série de atos e encontros em Madrid que começam no domingo 26.

Domingo, 26 de janeiro

Vermú solidário às 13:00 no CSO La Rosa, C/ del Bastero, 1

Sábado, 1 de fevereiro

Roots Rebel Dance. Sound System nas mãos de Echo Chamber Roots Hi-Fi a às 18:00 no local do sindicato, Paseo Alberto Palacios,2

Terça-feira, 4 de fevereiro

Ato central. Mesa redonda com diversas organizações e coletivos. Às 19:00 no  Teatro do Barrio, C/ Zurita, 20

Sábado, 8 de fevereiro

MANIFESTAÇÂO

12:00

Atocha-Benavente

Te esperamos, porque não estão sós, porque somos mais de seis.

Fonte: Comarcalsur.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Tarde de sol,
o armador da rede
range devagar.

Luiz Bacellar

[Chile] Semana de Agitação. Chew muley Julia Chuñil Catricura? Está desaparecida há 88 dias!!!

Desde 8 de novembro de 2024 não aparece junto com seu cachorro Cholito. Mulher mapuche defensora da terra, mãe de cinco filhos e avó de 10 netos.

“Se acontecer algo comigo vocês já sabem quem foi”, em mais de uma ocasião Julia disse isto se referindo a Juan Carlos Morstadt Anwanted. Latifundiário que desde 2018 até 2024 ameaçou e perseguiu Julia Chuñil Catricura. Há quase 3 meses de seu desaparecimento, os familiares de Julia Chuñil Catricura criticaram os poucos avanços que tiveram por sua busca.

“Peço a pessoa que a tenha que veja isto e que tenha piedade de nós e diga até aqui chegou o sofrimento, até aqui vou ter esta senhora e a deixo ir. Nós esperamos vê-la com vida ainda”, comentou o filho de Julia, Pablo San Martín, em uma entrevista com o jornal El Ciudadano.

A promotoria em Los Ríos não outorgou informações suficientes sobre se conseguiu achar alguma pista, devido a que este caso se mantém com reserva, mas os familiares temem que aconteça o mesmo que com o caso de Tomás Bravo, o menino assassinado do qual não se sabe nada dos culpados há mais de 3 anos do ocorrido, devido a grosseiros erros na investigação.

Familiares apresentaram uma queixa criminal contra os que são responsáveis pelos supostos delitos de sequestro, homicídio e possível feminicídio, pois temem o pior devido aos nulos avanços.

Se faz um chamado a todos os territórios em resistência a mandar mostras de afeto, solidariedade, preocupação e de presença, porque não vamos ficar calados nem de braços cruzados ante o desaparecimento possivelmente forçado de uma lamien [irmã]. Desde onde seja, como seja e com o que tenhas.

A acionar pelas vidas de Julia e Cholito!

VIVA A LEVARAM, VIVA A QUEREMOS!

A SOLIDARIZAR DESDE TODOS OS TERRITÓRRIOS EM RESISTÊNCIA!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

selva de pedra
condor solitário
vôo triste

Manu Hawk

[EUA] Leonard Peltier “será recordado como um guerreiro por seu povo”: Mumia Abu-Jamal

Leonard Peltier “será recordado como um guerreiro por seu povo”, escreveu em 21 de janeiro passado o preso político Mumia Abu-Jamal, após a notícia de que o agora ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, outorgou clemência executiva ao ativista que permaneceu injustamente no cárcere durante quase 50 anos.

É algo maravilhoso e alegre escutar que Leonard Peltier passará seus últimos dias fora da jaula de ferro, essa jaula que o reteve durante quase cinco décadas. Respirará o ar que respirou quando era jovem. Estará rodeado, com um pouco de sorte, por suas netas, bisnetas e bisnetos. Viverá entre sua gente em Dakota do Sul, onde vivia em sua juventude como integrante do Movimento Indio-Americano. E será recordado como um guerreiro por seu povo, um artista fantástico, e um integrante amoroso da tribo humana, um homem que se manteve fiel a si mesmo apesar das enfermidades do tempo e da idade. Já sabem, as boas notícias às vezes chegam quando menos as esperamos. Este é um bom dia.

Com amor, sem medo, sou Mumia Abu-Jamal.

21 de janeiro de 2025

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agência de notícias anarquistas-ana

quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

[Alemanha] Sete antifascistas procurados pela Hungria se entregam

Maja T. recebe oferta de 14 anos em acordo judicial por ataques no ‘Dia de Honra’ neonazista

~ Juju Alerta ~

Sete dos antifascistas que estavam foragidos desde os eventos do ‘Dia de Honra’ em Budapeste se entregaram às autoridades alemãs, informou o ABC Dresden [Cruz Negra Anarquista] em 20 de janeiro. Os ativistas, cujas identidades não foram reveladas, são acusados de lesão corporal grave e participação em uma organização criminosa após ataques a neonazistas alemães, poloneses e húngaros durante o encontro da extrema direita em fevereiro de 2023.

Entende-se que vários deles também são acusados de tentativa de homicídio. Gino, outro antifascista procurado no caso, foi recentemente preso na França e está lutando contra sua extradição para a Hungria.

Enquanto isso, apoiadores relataram que Maja T., uma ativista não-binária também acusada no caso, está sendo pressionada a aceitar 14 anos de prisão em troca de uma confissão. Extraditada para a Hungria em uma operação descrita pelos apoiadores como de ‘noite e neblina’, Maja pode enfrentar até 20 anos de prisão se o caso for levado a julgamento.

O Escritório Federal do Procurador Geral da Alemanha e o serviço de segurança interna têm cooperado com as autoridades húngaras na busca de dois anos pelos ativistas. Familiares e amigos deles também foram alvos de vigilância intensa, incluindo mais de vinte buscas domiciliares. Durante a investigação, a agitação generalizada de neonazistas húngaros e alemães ganhou destaque na imprensa. Assim como no caso Antifa-Ost, “cenários absurdos de ameaça de uma nova RAF e de terrorismo de esquerda foram propagados”, afirmou a ABC de Dresden.

“A vontade potencial de nos extraditar é uma expressão de uma caça transnacional a antifascistas”, disseram os sete em um comunicado. Eles descreveram a acusação de tentativa de homicídio levantada contra alguns deles como “uma escalada politicamente motivada” que serve “para dissuadir e legitimar as ações contra a prática antifascista. É óbvio que o movimento antifascista atual não tem como objetivo matar nazistas”.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/01/27/seven-anti-fascists-wanted-by-hungary-turn-themselves-in/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

Alonso Alvarez

[Itália] Acusações de terrorismo retiradas contra a revista ‘Vetriolo’

Juíza rejeita processo contra o preso anarquista Alfredo Cospito e outros 11 por incitação e subversão

~ Sonia Muñoz Llort ~

Uma juíza na Itália recusou-se a indiciar doze anarquistas associados à revista insurrecional ‘Vetriolo’ por várias acusações de incitação e subversão. Alfredo Cospito e Michele Fabiani, junto com outros dez, enfrentavam agravantes de terrorismo em quase todas as acusações solicitadas pelo Ministério Público.

Cospito e sua companheira Anna Beniamino estão presos há anos, assim como outros camaradas acusados de ações clandestinas. Em 2013, Cospito foi condenado a dez anos e oito meses de prisão por ter disparado contra a perna de Roberto Adinolfi, um gerente da empresa de engenharia Ansaldo. Já estando na prisão, em junho de 2006, ele também foi condenado por ter colocado dois dispositivos explosivos em frente a uma escola de formação da polícia Carabinieri no norte da Itália.

Em 2022, ele foi transferido para a prisão de Bancali, na Sardenha, e submetido ao regime restritivo de isolamento conhecido como 41 bis, que organizações de direitos humanos condenaram como tortura. Isso levou a uma campanha generalizada por sua libertação e o fez iniciar uma greve de fome em protesto.

O processo contra a revista Vetriolo começou em novembro de 2023. No entanto, na audiência de 15 de janeiro, a juíza anunciou que a acusação solicitada pelo Ministério Público de Perugia não prosseguiria.

Durante a audiência, os acusados fizeram declarações espontâneas para esclarecer suas posições sobre todo o caso contra eles, bem como pela abolição do regime 41 bis. Cospito alertou que seu processo perturbador, por supostamente ter um “papel de liderança” em uma organização anarquista, “abre amplamente as portas do 41 bis para qualquer um que perturbe o poder”, descrevendo o caso como “fundamentalmente um ataque à liberdade de pensamento e de imprensa”.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/01/22/italy-terrorism-charges-dropped-against-vetriolo-magazine/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual

Winston

[Argentina] Convocatória a participar da 7ª edição do Festival Internacional de Cinema Anarquista em Buenos Aires a realizar-se em 3 e 4 de maio

> 3 de maio no Espaço Cultural Bonpland em Caba (Buenos Aires)

> 4 de maio no Espaço Galpon B em Caba (Buenos Aires)

Bases e condições

Estamos recebendo material audiovisual realizados sob qualquer técnica e equipamento: Documentários, curta metragens, vídeo performance, etc.

– Não é um festival convencional de cinema onde se compete. Não há categorias, não há jurado, não há prêmios.

– Para participar com teu trabalho não necessitas pagar, de todas as formas podes colaborar com a gestão se o desejas.

– Arquivo, sinopses, cartazes e se tens trailer.

– Recebemos material de conteúdo crítico (antiespecista, dissidente, saúde mental, anticarcerário, em defesa da terra, etc.).

– De 2022 à atualidade.

– Sem financiamento do Estado.

– A data limite de entrega é fins de março.

– Se o arquivo está em outro idioma, é necessário que envies a legenda em espanhol.

O dia 4, domingo, é só de projeções com a presença de seus realizadores, esclarece em teu correio se você é de Buenos Aires ou virás de longe para participar.

É uma atividade aberta a todo público, estás convidado a participar, assistir e conhecer outras formas de fazer cinema.

O festival de cinema anarquista se gestiona com o apoio dos companheiros e das pessoas que assistem em cada edição, esperamos seu apoio para poder seguir insistindo ano a ano.

Escreve a festivaldecinea@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

[Alemanha] Manifestações gigantescas contra a extrema direita

Mais de 300.000 pessoas nas ruas de Berlim, centenas de barcos em Colônia, uma maré humana em Hamburgo.

No sábado, 1º de fevereiro, uma demonstração de força contra a extrema direita ocorreu em toda a Alemanha. Na capital, o enorme cortejo partiu da sede da CDU, o principal partido de direita que governa o país em alternância com os social-democratas.

Em 29 de janeiro, a CDU quebrou um tabu ao votar com o partido neonazista AfD (Alternativa para a Alemanha) em uma moção anti-imigração. Essa quebra do “cordão sanitário”, em um país há muito assombrado pelo espectro do nazismo, foi a primeira desde 1945. O fim de uma era.

Essa votação conjunta normaliza a extrema direita, que está fazendo um avanço eleitoral impressionante antes das eleições gerais daqui a três semanas.

Os deputados da AfD no parlamento alemão saudaram o voto xenófobo com aplausos estrondosos. Um deles declarou: “Este é realmente um momento histórico […] Uma nova era está começando aqui e agora e essa era será liderada pela AfD”.

Em resposta: uma indignação maciça nas ruas, mas inofensiva, sem slogans revolucionários e, em grande parte, impulsionada pela social-democracia.

Um ano atrás, no final de janeiro de 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas se manifestaram contra a extrema direita naquele fim de semana na Alemanha. A imprensa tinha acabado de revelar a existência de uma reunião secreta entre membros da AfD, um identitário austríaco chamado Martin Sellner e empresários ricos, com o objetivo de deportar vários milhões de pessoas consideradas não integradas à Alemanha.

Um ano depois, a mesma coisa aconteceu novamente. Devido à sua história, ainda existe uma rejeição maciça ao fascismo na população alemã. No entanto, essas grandes comunhões “pela democracia” não atacaram as raízes do fascismo: desigualdades crescentes, retórica militarista e racista, falta de perspectivas emancipatórias…

Fonte: contre-attaque.net

agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

[Chile] Fevereiro Anti-extrativista “Em todos os territórios”.

As lógicas extrativistas do capital são empregadas nos diferentes aspectos do que nos impõem como existência.

A usurpação dos territórios e sua posterior extração, não só ataca a terra em si, ataca também a vida vegetal e animal modificando e exterminando os eco sistemas, ataca as comunidades que habitam os territórios, extraindo seus conhecimentos, história e práticas culturais para capitalizá-las, destrói as práticas autônomas e impõe uma dependência econômica.

O extrativismo monopoliza as possibilidades de sustento destas comunidades, destruindo as práticas ancestrais de sobrevivência e intercâmbio, para impor seus trabalhos tornando cúmplices da devastação as próprias pessoas que os habitam.

O extrativismo, motor central da manutenção e reprodução do capitalismo (hoje pintado de verde e sustentável) inunda os territórios com devastação e miséria.

Hoje os territórios historicamente colonizados são obrigados a sustentar a chamada transição energética que saqueia e devasta em nome da sustentabilidade, da eletromobilidade e da vigilância extrema.

Os grandes capitais da indústria mineira e florestal avançam apropriando-se da terra com a ajuda dos governos de turno e de toda a casta política, ignorando e silenciando os posicionamentos e decisões coletivas das comunidades afetadas.

Este fevereiro nos convida a apagar a máquina de destruição, a que em cada território ameaçado se implementem ações que impeçam por todos os meios a imposição e funcionamento dos projetos de devastação.

A crueldade do capital e seus executores não dá trégua, hoje com Julia Chuñil desaparecida, com Emilia Milén, com Macarena Valdés na memória e com a longa lista de assassinados por defender a terra, nos cabe atuar.

Não ao sistema da devastação. Sejamos sua pedra no sapato, seus obstáculos, seus inimigos.

Por Bau a 4 anos de seu assassinato liberando o lago Riñihue dos oligarcas.

Fora mineradoras

Fora Florestais 

Pela liberação animal e da terra

Fora extrativistas de Abya Yala

#febreroantiextractivista

Fonte: https://lazarzamora.cl/febrero-antiextractivista-en-todos-los-territorios/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Paira no ar por um instante
A figura de um menino,
Saltitante.

Sérgio Sanches