A única descendente do revolucionário anarquista leonês José Buenaventura Durruti morreu na França aos 93 anos, sempre mantendo vivo o legado de seus pais.
Colette Durruti, filha do revolucionário anarquista nascido em León, José Buenaventura Durruti, e da ativista libertária francesa Émilienne Morin, morreu na semana passada na cidade francesa de Morellàs, de acordo com fontes sindicais. Também conhecida como Diana, Colette era filha única do histórico lutador anarquista, figura-chave durante a Guerra Civil Espanhola.
Nascida em Barcelona em 4 de dezembro de 1931, ela veio ao mundo enquanto seu pai estava preso, em plena Segunda República. A infância de Colette foi marcada por dificuldades econômicas e mudanças constantes, mas também por um relacionamento familiar baseado na igualdade e no apoio mútuo.
Filha da revolução
Durante a eclosão da Guerra Civil em 1936, sua mãe se juntou à Coluna Durruti na frente de Aragão, deixando Colette aos cuidados de um companheiro anarquista. Poucos meses depois, seu pai morreu na frente de Madri quando ela tinha apenas cinco anos. Esse acontecimento marcaria sua vida e a de sua mãe, que se propôs a cria-la fiel aos ideais libertários do falecido.
Depois da guerra, mãe e filha se exilaram na França, onde Colette viveu pelo resto da vida. Na década de 1950, ela adquiriu a nacionalidade francesa ao se casar com Roger Mariot, com quem teve duas filhas. Estabelecida na Bretanha, ela administrou uma empresa de laticínios antes de se aposentar nos Pireneus franceses.
Compromisso libertário até o fim
Ao longo de sua vida, Colette Durruti nunca abandonou a ideologia anarquista. Ela participou ativamente de eventos memoriais e homenagens a figuras históricas do movimento libertário, mantendo viva a memória de seu pai e de toda uma geração revolucionária. Em 2009, ela fez parte do documentário Celuloide colectivo, dedicado aos filmes produzidos durante a Guerra Civil, e em 2019, participou de um evento comemorativo no cemitério de Montjuïc.
Apesar de ter passado pouco tempo com o pai, Colette falava dele com admiração e ternura. Sua morte fecha um capítulo na história viva do anarquismo espanhol, mas sua figura continua sendo uma ponte entre a memória e a luta.
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A jabuticabeira. Através de líquida cortina olhos negros espiam.
Desde que o primeiro padre ergueu um altar, a religião tem sido o braço espiritual da opressão. Igrejas, mesquitas, sinagogas — todas são máquinas de controle, vestidas de virtude, que vendem promessas de paraíso em troca da tua submissão aqui e agora. Enquanto você espera ou reza por um milagre, os mesmos líderes que te cobram dízimos abraçam políticos, abençoam exércitos e lucram com a miséria alheia. A cruz, a estrela, o crescente: símbolos que unem tronos e altares há séculos. Salvação? Só existe na luta coletiva contra esses parasitas de batina.
Irmão, você acha mesmo que um deus que permite fome, guerras e exploração vai te dar justiça? A teologia é a cortina de fumaça perfeita para manter o pobre de joelhos, esperando uma recompensa pós-morte enquanto o patrão rouba seu salário agora. Os mesmos que condenam o pecado do homem pobre são cúmplices do pecado maior: a propriedade privada, a desigualdade, a dominação. Nenhum sermão apaga o sangue nas mãos da Igreja (seja ela qual for!) — da Inquisição às ditaduras.
Todavia, veja: anticlericalismo não é ódio à fé, é ódio à hierarquia. Padres, pastores, gurus — todos se intitulam intermediários do divino, mas só intermediaram mesmo é o teu medo. Transformam tua revolta em culpa, tua fome em resignação, teu corpo em pecado. Enquanto isso, abusam, acumulam riquezas e ditam moralidades convenientes aos poderosos. Quer espiritualidade? Olha para o fogo da solidariedade, não para a cinza dos rituais.
A libertação não vem de um deus que castiga, mas da multidão que se organiza. Queima os confessionários, ocupa os templos, transforma a caridade em ação direta! Nossa “salvação” está nas ruas, nas greves, nas redes de apoio mútuo que construímos sem patrões, sem polícia e sem padres. A verdadeira fé é acreditar no poder do povo — e nenhum milagre é maior que uma revolução.
Camarada, para de olhar pro céu. O inferno já é aqui — e só nós podemos extingui-lo. Nem deus, nem mestre: luta!
O “salve-se quem puder” parece ser a única saída de um sistema que se desfaz. Para muita gente, será a resposta lógica a um tecnocapitalismo que evidencia o esgotamento total da civilização atual. No campo político, estamos testemunhando uma luta implacável da burguesia conservadora para impor sua agenda tecnofascista. Ela busca construir uma narrativa que culpa o feminismo, os migrantes, o ecologismo, a comunidade LGTBIQ+, os avanços sociais e até as instituições liberais tradicionais (que eles próprios ergueram ou integraram por décadas) pela decadência da civilização burguesa. Muitas pessoas, inclusive parte da classe trabalhadora (sem consciência de classe), são seduzidas por essa mensagem ao verem desaparecer o sonho de plenitude vital prometido pela sociedade de consumo: uma casinha, um carro, férias na praia ou em uma cidade badalada, base para construir uma família branca, heterossexual e feliz.
Nesse contexto, as facções da burguesia liberal que pretendiam construir um capitalismo verde estão cada vez mais enfraquecidas. A solução de transformar a transição ecológica em um negócio lucrativo para salvar o planeta e viabilizar um “Green New Deal” parece perder adeptos. Para surpresa dos mais ingênuos, vemos os grandes magnatas da tecnoburguesia abandonando suas fileiras e aderindo sem pudor ao tecnofascismo. Independentemente de quem o defenda, a ideia de que a crise climática pode ser resolvida com mais tecnologia não condiz com o que a experiência nos mostra. Ao longo da história, comunidades ou grupos sociais que demandaram mais tecnologia sempre poluíram mais.
O que a classe trabalhadora deve fazer nesta situação histórica? Certamente não permanecer passiva como mera espectadora. A tensão política atual entre os dois modos de administrar a depredação capitalista consome nossas vidas, das trabalhadoras e trabalhadores: a privatização das aposentadorias para transformá-las em negócio lucrativo, a exploração da moradia para espremer as classes populares até o limite, o deterioro dos serviços de saúde para nos empurrar a seguros privados de merda, o aumento dos preços de produtos básicos enquanto multinacionais lucram em silêncio com recordes de lucros – são apenas alguns exemplos. Além disso, nossas duras condições materiais não são o único problema em cidades neoliberais cada vez mais hostis (repletas de asfalto, turistas e solidão), que destroem nossa saúde mental: o lazer alienante em novos formatos (TikTok, Instagram) ou tradicionais (futebol), a cultura do esvaziamento da vida pela redução ao espetáculo (da política à culinária), o medo teledirigido (do “okupa”, do migrante), a automatização da vida, entre outros fatores, tornam a artificialização brutal da existência insuportável. O capitalismo pós-industrial parece devorar a vida humana e o planeta no mesmo ritmo. A crise climática é a prova máxima disso, e a chuva torrencial em Valência, que ceifou mais de 200 vidas, parece ser o prelúdio de um futuro cujo roteiro precisamos mudar. É hora de as trabalhadoras e trabalhadores darem um golpe no tabuleiro e reescreverem as regras do jogo. Nossa contribuição no passado foi fundamental para conquistar avanços sociais; agora, é preciso impulso para minar os pilares da opressão em todas as suas formas e construir, sobre seus escombros, um mundo novo sem relações de dominação.
Por um 1º de maio contra a depredação do planeta e de nossas vidas. Trabalhador/a: una-se à CNT-AIT. Juntas, entre iguais, podemos mudar tudo.
MANIFESTAÇÃO 1º DE MAIO (12h) Metrô BUENOS AIRES até PUENTE DE VALLECAS Contra a depredação da vida e do planeta. Anarcossindicalismo para mudar tudo.
Federação Local de Madrid CNT-AIT madrid.cntait.org
Saiu o número 18 de Germinal. Revista de Estudos Libertários, uma publicação semestral criada no ano de 2006. Esta revista nasceu com a vontade de constituir-se em lugar de encontro e discussão sobre o renovado e crescente interesse que se gerou sobre o mundo ácrata. Desde um horizonte plural e amplo, pretende criar um âmbito no qual se divulguem os novos enfoques e linhas de investigação que se suscitam em matéria histórica, filosófica, sociológica, política…
Uma revista de investigação, com a qual formar um espaço para o debate e o pensamento. Um lugar para repensar o passado como caminho que se abre para a possibilidade e a pluralidade do futuro.
Este número contém, como de costume, artigos e resenhas de livros. Os artigos são três, todos eles acompanhados de resumo em castelhano, abstract em inglês e resumo em esperanto:
“La Cecilia, enseñanzas para el siglo XXI”, (A Cecília, ensino para o século XXI) de Isabelle Felici, no qual se analisa a trajetória da coletividade experimental Cecilia, montada por anarquistas italianos no Brasil de final do século XIX. “La huelga general de constructores de calzado de Barcelona en 1918”, (A greve geral de sapateiros de Barcelona em 1918) de Joël Delhom, que conta os detalhes de uma luta levada a cabo pelos obreiros sapateiros em circunstâncias singulares. “La utopía quebrada. Campo Abierto, una editorial anarquista en la Transición española”, (A utopia quebrada. Campo Aberto, uma editora anarquista na Transição Espanhola) de Alejando Civantos Urrutia, uma análise da trajetória de uma editora chave para compreender como se desenvolvia a publicação de livros na época.
Além destes artigos, a revista contém resenhas de sete livros de tema libertário recentemente publicados: Primera y última tierra, de José Ardillo (La Vihuela, 2020); Historia de la FAI. El anarquismo organizado, de Julián Vadillo Muñoz (La Catarata, 2021); Cipriano Mera, vida y acción de un anarquista de Madrid, de Martín Bellaco et al. (La Linterna Sorda, 2022); Poesía del tango. Pasión, transtierros y pensamiento libertario en el siglo XX, de Rafael Flores Montenegro (La Linterna Sorda, 2022); Pierre-Joseph Proudhon. Federalismo y mutualismo anarquistas, de Florentino Iglesias (FAL, 2023); Nestor Majnó, el cosaco libertario (1888-1934). La guerra civil en Ucrania (1917-1921), de Alexandre Skirda (La Tormenta, 2023); e Un verso en la trinchera. El verso revolucionario de León Felipe, de Carlos Coca y Jordi Maíz (Calumnia, 2023).
Nesta quarta-feira, 16 de abril, completa-se um ano desde que quatro jovens antifascistas — Imad, Javitxu, Daniel e Adrián — conhecidos como os Seis de Zaragoza, começaram a cumprir pena. Em solidariedade, a banda punk aragonesa Guiñote de Qontaqto (GDQ) lançou a música “A los presos por su nombre”, inspirada nesse caso.
O grupo denuncia as irregularidades do processo, as acusações desproporcionais e o forte viés político do julgamento. Após cinco anos de trâmite judicial, os quatro jovens, cuja única comprovação foi a participação em uma manifestação contra a extrema direita em 2019, foram condenados pelo Supremo Tribunal da Espanha a quatro anos e nove meses de prisão por “desordem pública agravada”, “atentado” e “lesões”.
A canção, disponível no YouTube, Bandcamp e Spotify, é descrita como um grito musical contra a criminalização do protesto e um gesto de solidariedade com aqueles que enfrentam repressão por exercer seu direito à manifestação. Ela incorpora sons de manifestações e declarações, incluindo a celebração da prisão por parte de Alejandro Nolasco, líder do partido de extrema-direita Vox.
O caso gerou uma ampla rede de apoio social em Aragão e outras regiões, destacando o uso do Judiciário para reprimir a dissidência. Mais de 3 mil pessoas marcharam recentemente em Zaragoza exigindo liberdade para os jovens. GDQ pretende, com essa música, amplificar o clamor coletivo por justiça.
A Biblioteca Terra Livre e o Centro de Cultura Libertária da Amazônia (Belém) têm o prazer de anunciar o lançamento do livro “Por uma economia libertária”, de Frédéric Antonini.
Para celebrar esta publicação receberemos o autor do livro, Frédéric Antonini, para conversar sobre o livro e a importância de pensar um outro modelo de economia para a sociedade hoje.
A conversa contará com tradução consecutiva do tradutor do livro, Xavier van Welden. Além deste teremos a presença de companheiros dos coletivos editores.
O evento será online, transmitido em nosso canal no YouTube:
“(…) O que é certo para mim é que hoje já não há piores inimigos do povo do que os que procuram desviá-lo da revolução social, a única que pode lhe dar a verdadeira liberdade, a justiça e o bem estar, para o arrastar novamente para as experiências enganosas destas reformas ou destas revoluções exclusivamente políticas, das quais ele foi sempre o instrumento, a vítima e o papalvo.” Mikhail Bakunin
PANORAMA GERAL
O 1° de maio se aproxima, naturalmente, as organizações de esquerda reivindicam a data, desde o bloco democrático popular (PT e satélites), passando pelos partidos marxistas (PCBR, UP, PSTU, etc) até as organizações anarquistas (CAB, OSL e, claro, UNIPA), cada um à sua forma.
Os reformistas, naturalmente, apagam o conteúdo combativo do 1° de maio, enquanto os partidos marxistas buscam ofuscar a essência anarquista e sindicalista revolucionaria, com raras exceções. Por outro lado, as organizações anarquistas tendem a reivindicar a data como expressão da força do sindicalismo revolucionário e do anarquismo.
Entretanto, é evidente que, em grande medida, parte dos anarquistas resgatam a data numa perspectiva memorista, de forma isolada e desconectada com a luta proletária atual que se desenrola no Brasil e no mundo, de forma saudosista e distante.
Diferentemente, os bakuninistas devem articular as experiências passadas e os ensinamentos fundamentais históricos com a luta de classes presente, certamente associada diretamente com a reconstrução do sindicalismo revolucionário, por um lado, e do anarquismo disciplinado e militante no seio das organizações de massa por outro.
Nesse sentido, faz-se necessário uma análise da conjuntura brasileira para este 1° de maio que se aproxima, a fim de que os anarquistas tenham condições de orientar as organizações de massa (sindicalismo revolucionário) na direção correta.
Em uma de nossas saídas de sabotagem da pesca (isto inclui todo dano que se possa fazer aos assassinos e seus pertences e, claro, entorpecer sua atividade de matar) nos cruzamos com uma cena aterrorizante nas margens do rio, pescadores da zona criaram uma armadilha para os peixes, fizeram um caminho para que os peixes acessem a margem, logo tampam o acesso e quando o rio baixa, os peixes ficam presos, desta forma pegam centenas de peixes, os que não lhes servem ou não lhes importam ficam mortos no lugar…
Quando chegamos vimos centenas, muitos na armadilha, muitos outros mortos, outros agonizando e desesperados em busca da escassa água que havia no pequeno canal que ia do rio à armadilha.
Não duvidamos em tratar de ajudar os peixes agonizantes e presos e, claro, romper a armadilha. Era um trabalho impossível e de corrida contra o tempo, nos dividimos na tarefa de devolver todos os peixes ao rio que ainda estavam com vida e cavar para tornar o canal mais profundo e que tenha maior vazão, mas era um trabalho sem fim resgatar todos os peixes encalhados.
Em um momento de nosso trabalho, se aproxima um grupo de especistas pescadores, buscando sangue para alimentar-se já que sua pesca não havia sido boa. Com um pouco de sagacidade lhes fizemos crer que esses peixes estavam envenenados que devíamos enviá-los ao rio para que as pessoas não se envenenem, por sorte para esses peixes, nos acreditaram e nos ajudaram a devolver muitos dos peixes ao rio.
Após eles irem, apareceram uns assassinos não tão crédulos, a quem não pudemos persuadir, levando várias bolsas com peixes tal qual se fossem um objeto. Nos alegramos de termos cruzado com tal cena, na qual pudemos ajudar centenas de peixes dos incontáveis que havia. Uma vez longe, como despedida do lugar, furamos os pneus de vários veículos de pescadores e riscamos seus carros.
ANARQUIA . Anarquia é não mandar, / nunca servir ou obedecer. / É recusar toda expressão de poder. . É fazer da liberdade um modo de vida / contra toda autoridade, / descobrindo, aqui e agora, / um mundo novo / na contramão de deus e do Estado. . Anarquia é viver para autonomia, / é jamais colonizar o outro, / ser único, estar entre muitos, / questionar privilégios e hierarquias. . A MULTIDÃO FURIOSA . Algum dia uma multidão furiosa / de negros, quase negros, / indígenas, / inclassificáveis e desesperados, / há de fazer sentir sua fúria / sobre governos, ricos e supremacistas. . Ela não será contida pela polícia, / por decretos ou falsas promessas de democracia. . A multidão furiosa há de subverter a ordem. / Abolir privilégios e hierarquias, / criar autogestão, comunhão, / liberdade e anarquia. . DIREITO A RAIVA . Tenho direito a raiva, / a defesa agressiva da minha existência / frente qualquer situação de exclusão ou agressão. . Toda ação gera uma reação. / Não esperem, portanto, / que eu fique passivo, submisso, / obediente e calado, / quando submetido a opressão. . Tenho direito a raiva, / a rebelião. / É uma questão de sobrevivência / e não me interessa sua vã opinião.
É óbvio que o bairro de Exarchia está mudando de forma violenta, mas isso não se deve a tumultos ou protestos.
Na noite de sábado, 12 de abril de 2025, dezenas de anarquistas atacaram com molotovs as dezenas de policiais da tropa de choque que cercavam um show ao vivo que acontecia em Strefi Hill [Colina Strefi], em Exarchia, em apoio ao povo da Palestina. A discussão pública que se seguiu ao violento tumulto que se desenrolou e às ameaças feitas por membros do governo grego de esmagar o movimento anarquista no bairro foi sobre os eventos daquela noite, mas propositalmente evitou abordar os motivos que levaram a isso.
Exarchia sempre foi um lugar cercado e atacado. Mas, nos últimos anos, a transformação do bairro está ocorrendo por meio da violência sistêmica, tendo a gentrificação como arma. Antes um berço do pensamento radical e da resistência política, o bairro agora é o local do que muitos descrevem como uma ocupação [militar].
Em qualquer dia, a Praça Exarchia – o único espaço aberto comunitário da área – é cercada pela polícia de choque. Três cantos da praça são vigiados 24 horas por dia, sua presença é um lembrete constante da ameaça do Estado às pessoas da área. Desde 9 de agosto de 2022, quando começou a construção de uma nova estação de metrô sob a praça, essa postura militarizada só se aprofundou. O projeto foi recebido com oposição local intransigente, não apenas pela destruição do único espaço verde, mas pelo que ele simboliza: a determinação do Estado de refazer a Exarchia à sua própria imagem.
Sob o governo de direita da Nova Democracia [partido], Exarchia se tornou um símbolo de confronto ideológico. Todos os dias, a polícia marcha em formações regimentadas, mudando de turno com uma coreografia militar. Sua onipresença transformou a vida cotidiana em um tenso teatro de vigilância e intimidação. As pessoas frequentemente enfrentam detenções arbitrárias e, em muitos casos, força excessiva.
Essa não é simplesmente uma história sobre renovação urbana. É uma luta pela história, pela memória e pelo direito à dissidência.
Bulldozers e cassetetes: A violência da gentrificação
A construção da estação de metrô na praça Exarchia se tornou um ponto de inflexão – não apenas por motivos ambientais ou logísticos, mas porque é vista como a última frente de uma campanha de deslocamento. Para os críticos, isso é gentrificação com escudos antimotim.
Porque o objetivo é fechar por uma década o principal espaço livre onde as pessoas podem se reunir, quando há outros locais mais adequados ou úteis para uma estação de metrô, como perto do Museu Arqueológico Nacional, com mais de meio milhão de visitantes por ano, a apenas duas quadras da Praça Exarchia.
Os aluguéis aumentaram muito. Os preços saltaram de € 5,50 para € 8,50 por metro quadrado entre 2017 e 2022, enquanto as listagens recentes mostram taxas superiores a € 10, efetivamente dobrando.
Os residentes de longa data se veem sem saída, com seus contratos de aluguel encerrados para transformá-los em Airbnb. As empresas locais lutam para coexistir com cafés boutique, restaurantes finos e lojas hipster que falam um dialeto urbano diferente. O que se perde não é apenas a acessibilidade econômica, mas a identidade. A gentrificação é sempre violenta, mas aqui ela também é ideológica. Trata-se de apagar uma memória.
A armadilha turística da rebelião
Mesmo com a polícia de choque apertando o cerco, Exarchia está sendo comercializada para os visitantes como um enclave boêmio – corajoso, “autêntico” e pronto para o Instagram. Visitas guiadas convidam os turistas a “explorar o lado radical de Atenas”.
Os críticos argumentam que o turismo higieniza a própria história que busca mostrar, transformando locais de luta em espetáculos e transformando a resistência em marca.
Enquanto isso, a dissidência é punida com severidade. Todos os tipos de protestos ou reuniões políticas são geralmente enfrentados com gás lacrimogêneo e detenções. Os grafites desaparecem sob novas camadas de tinta. As okupações são despejadas. A tensão entre imagem e realidade é tão palpável quanto o cheiro de gás lacrimogêneo que às vezes permanece no ar.
A memória como um campo de batalha
A transformação urbana raramente é neutra. Em Exarchia, ela está intrinsecamente ligada a um esforço para reescrever uma versão específica da história – uma história na qual a resistência do bairro ao autoritarismo permanece central. Os canteiros de obras e os outdoors de imóveis têm uma função dupla: desenvolvimento físico e conquista simbólica. Alguns chamam isso de “limpeza urbana”.
A praça, que já foi um ponto de encontro de pessoas, agora é um canteiro de obras cercado e sob constante vigilância. Seu destino reflete o do próprio bairro – sob reforma, sob guarda e, muitos temem, sob apagamento.
No entanto, apesar da pressão, o espírito da Exarchia não se extingue facilmente. Os murais ainda florescem nas paredes dos becos. Cartazes políticos aparecem da noite para o dia. E todas as noites, quando o sol se põe atrás do Monte Licabeto, a pergunta persiste: como as pessoas devem reagir contra o assassino silencioso da gentrificação que um dia o encontra com suas malas à mão, forçando-o silenciosamente a deixar sua casa para sempre?
A biblioteca do espaço anarquista Magdalena completou 20 anos em 2023. Seu acervo está localizado na rua Dos Hermanas 11, no centro de Madrid, perto de Latina e Tirso de Molina.
Um pouco mais de três mil livros organizados em estantes constituem um refúgio do que, em outros tempos, foi uma prática comum dos movimentos sociais. As bibliotecas autogestionadas começaram a desaparecer de forma generalizada durante a segunda década deste século por múltiplas razões. Apesar de parecer que a combinação leitura/coletivo não combina muito bem com as vidas freneticamente aceleradas que levamos, a biblioteca resiste e continua abrindo suas portas semana após semana. Não vamos enganar ninguém, as massas não vêm, mas pessoas suficientes frequentam para que consideremos que o projeto faz sentido.
E por que faz sentido? O que nos faz acreditar que é relevante continuar envolvidos em um projeto como este?
O que segue são algumas notas frágeis que buscam responder a essa pergunta, um relato provisório de conversas informais que ocorreram nos últimos meses…
Uma biblioteca física oferece um lugar de encontro real em um contexto onde o virtual ganha cada vez mais espaço.
O anarquismo tem uma longa tradição de bibliotecas populares que vale a pena honrar.
Os livros são caros, compartilhá-los é um exercício de bom senso (e um prazer).
Os livros são necessários para pensar em outras formas de viver que não sejam aquela em que estamos imersos.
Os livros ocupam espaço (ocupam muito espaço), e vivemos em moradias que geralmente são pequenas e muitas vezes precárias.
Nosso acervo bibliográfico é uma ferramenta de aprendizado e, ao mesmo tempo, um recurso para diversas lutas.
As estantes cheias de livros estão vivas, mudam, crescem, se livram de pesos mortos, iniciam novas ramificações e exploram territórios desconhecidos.
A leitura estabelece alianças.
Pensar sozinho é complicado e, muitas vezes, não é recomendável; é melhor fazê-lo acompanhado.
Recomendar livros entre iguais é uma das coisas boas da vida.
Esta biblioteca é um lugar sempre em construção.
Precisamos de materiais que permitam superar a contração do pensamento incentivada pelas redes sociais (e pela sociedade em geral).
Acreditamos na formação como uma ferramenta emancipatória.
Apostamos no coletivo, em sustentar enquanto for possível tudo o que o promova e fortaleça. E uma biblioteca nos parece um exemplo disso.
A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convoca a todas as pessoas insurgentes, trabalhadoras e lutadoras do Espírito Santo a se unirem para celebrar o Primeiro de Maio de 2025, data histórica de resistência e luta da classe trabalhadora internacional. Reafirmando nosso compromisso com a ação direta, a autonomia e a construção de um mundo livre de hierarquias, anunciamos que ocuparemos as ruas para denunciar a exploração capitalista, a opressão estatal e todas as formas de dominação.
O Primeiro de Maio não é um dia de festa patronal, mas de memória viva das rebeliões operárias e de reivindicação por direitos coletivos. Em 2025, transformaremos essa data em um espaço de agitação, solidariedade e organização popular. Em breve divulgaremos a programação completa, com debates, oficinas, intervenções culturais e ações de rua que reforçarão nossa luta por uma sociedade baseada na ajuda mútua, na justiça social e na liberdade radical.
Enquanto os poderosos tentam apagar o caráter combativo desta data, nós, anarquistas, reacendemos sua chama revolucionária. Convidamos coletivos, sindicatos autônomos, movimentos sociais e indivíduos insurgentes a somarem forças conosco.
Organizem suas bases, fortaleçam as redes de apoio e preparem-se para ocupar os espaços públicos com coragem e rebeldia!
A luta não se delega: se constrói nas ruas, nas ocupações, nas greves e na ação direta do povo.
Primeiro de Maio na Rua! Pela emancipação de todxs! Anarquia e Liberdade!
FEDERAÇÃO ANARQUISTA CAPIXABA (FACA) Ação Direta e Autogestão!
federacaocapixaba.noblogs.org
agência de notícias anarquistas-ana
Ah, noite de outono — Passeando com o cachorro Em meio a lembranças.
“Precisa haver mais barulhos novamente”, escreveram companheiros de Bremen algumas semanas atrás.
Concordarmos com isso e, portanto, deixamos muitos cacos de vidro em dois bancos na Osterstraße na noite de 13 para 14 de abril de 2025.
Filiais do Deutsche Bank e do Targo Bank foram afetadas. Ambos têm se envolvido de forma relevante no comércio de armas e na exploração da natureza há muito tempo. Como tal, esses bancos representam um alvo significativo e importante para nós.
Desejamos a todos um maravilhoso Primeiro de Maio Preto e Vermelho (13h / Berliner Tor, Hamburgo) e saudamos especialmente nossos companheiros e companheiras na prisão e na clandestinidade. Libertem todos os Antifas!
Por quanto tempo mais toleraremos produtos caríssimos nas prateleiras dos supermercados de cabeça baixa? Por quanto tempo mais viveremos em casas podres, alugadas por valores equivalentes ao nosso salário-base? Nossas perguntas são retóricas e nossas respostas são óbvias:
Não há mais paciência e tolerância para com as cicatrizes de nossas vidas. 26 de janeiro [greve geral] e 28 de fevereiro [greve geral] são duas datas que demonstraram exatamente isso. Enquanto os chamados se referiam ao crime capitalista de Tempe, grande parte do povo que foi às ruas expressou sua indignação com a miséria diária imposta pela burguesia e seus asseclas. Os assassinatos diários sofridos por pessoas de nossa classe nos campos de trabalho, nas fronteiras e nos trens-caixão permanecem na mente coletiva e passam a ser expressos pela antiviolência da base social. Assim como os chamados de massa anteriores, os próximos compromissos que estão por vir devem nos encontrar prontos para intensificar nosso confronto com as instituições do poder e ser capazes de capturar a raiva social que busca uma saída para se expressar.
Voltando à luta diária pela sobrevivência que enfrentamos, ficamos furiosos quando vemos a hipocrisia e o conforto que eles sentem em nos bombardear com mentiras. Anunciam o aumento do salário base para apenas 50 euros brutos (de 830 para 880) e apresentam-no como um feito que resolve os problemas das famílias, enquanto nós precisamos de pelo menos 500 euros por mês para ficarmos num buraco e não morrermos de frio no inverno. As redes de supermercados estão literalmente se enriquecendo às nossas custas, aumentando constantemente os preços de produtos básicos e nos vendendo desculpas baratas para uma crise econômica. Em toda essa situação, vivemos sob o medo diário de nos tornarmos bucha de canhão para a máquina de guerra, já que o estado grego vem demonstrando há anos sua boa vontade em participar ativamente de frentes de guerra abertas, mas também no genocídio em curso que o estado israelense assassino está cometendo contra o povo não escravizado da Palestina, reivindicando um pedaço do bolo no tabuleiro de xadrez global.
Respondemos à barbárie capitalista e ao terrorismo de estado com um ataque às suas estruturas de lucro. Por meio da luta de classes e antiestado, agimos em direção a outro mundo onde o lucro não terá lugar em nossos relacionamentos.
No sábado, 05 de abril, atacamos com martelos e tinta um supermercado Masoutis na área de Agios Pavlos e a agência imobiliária ΟΝΕΙΡΟ, na rua Ippodromiou, no centro da cidade. No domingo, 06 de abril, em dois supermercados (AB Vasilopoulos, Masoutis) na rua Kassandrou.
Essa imobiliária em particular, além do papel que desempenha nos altos aluguéis do centro, que está se tornando um ponto turístico cada vez maior, é de propriedade de um infrator que já foi denunciado no passado por seus clientes.
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!