[EUA] Anarquistas na mira do FBI

O FBI lançou uma força-tarefa na segunda-feira (24/03) para tentar prender os indivíduos que atearam fogo em veículos e estações de recarga da Tesla —  chamando os atos de “terrorismo doméstico”  e mirando blogs anarquistas que divulgam campanhas e notícias de ataques contra a Tesla.

O departamento recebeu relatos de 48 ocorrências até agora neste mês relacionadas a veículos, concessionárias e estações de carregamento da Tesla e está investigando pelo menos sete delas em conjunto com as autoridades locais.

A força-tarefa recém-formada de 10 pessoas da agência mobilizará pessoal da ATF — agentes especiais e analistas de inteligência do Bureau de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos do Departamento do Tesouro — e pessoal da Divisão de Contraterrorismo do FBI, incluindo sua Seção de Operações de Terrorismo Doméstico e Armas de Destruição em Massa.

O presidente Trump prometeu ser duro com os “vândalos violentos” que estão por trás dos ataques que cruzaram o país e visaram a empresa do amigo e conselheiro bilionário Elon Musk.

Recentemente, ele sugeriu enviar os “criminosos” para cumprir penas de 20 anos de prisão em El Salvador, onde os EUA recentemente alugaram uma prisão para supostos membros de gangues ilegais deportados.

O FBI está tratando os ataques como “terrorismo doméstico” e rastreando pessoas que ameaçam realizar atos de “vandalismo” contra a empresa de veículos elétricos como parte de um plano de vingança contra a intervenção governamental de Musk como chefe do polêmico Departamento de Eficiência Governamental.

“Parem de ser malucos”

“Não consigo passar na frente de uma televisão sem ver um Tesla pegando fogo”, disse Musk, numa reunião da Tesla na semana passada. “Eu entendo se você não quer comprar o nosso produto, mas não precisa tocar fogo nele. Isso é maluquice. Parem de ser malucos”.

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agência de notícias anarquistas-ana

A porta da casa
amarela-se com folhas
pintadas de outono.

Júlio Parreira

[Irã] Primavera: Ou na Revolução ou na Prisão

De asranarshism

À medida que o aroma da primavera enche as ruas do Irã, o fedor da pobreza e da miséria também emana das mesas vazias do povo. O Nowruz, que já foi uma celebração do renascimento da natureza e momento de esperança, tornou-se um lembrete amargo da alta dos preços, da estagnação econômica e da ruína financeira. Para muitos, o ano novo não é um momento de alegria, mas sim uma queda mais profunda em dívidas e desespero. Mas quem é responsável por essa crise? E, mais importante, que caminho resta para o povo?

O Custo de Vida: Mais Caro Que a Morte

A cada ano que passa, as mesas das pessoas ficam mais vazias. Arroz, frutas, legumes e até ervas frescas não são mais itens comuns do cotidiano, mas sim artigos de luxo. A inflação descontrolada e o colapso da moeda nacional tornaram a vida insuportável para a classe trabalhadora e até mesmo para a classe média. De acordo com as estatísticas, a taxa de inflação tem aumentado continuamente nos últimos anos, chegando a 47,7% em 2022 e 52,2% em 2023.

No entanto, essa catástrofe econômica não é apenas o resultado de sanções externas ou má administração interna; é o produto de um sistema econômico corrupto que prioriza a sua própria sobrevivência em detrimento do bem-estar da população. O regime tomou o povo como refém por meio de impostos paralisantes, taxas de câmbio altíssimas e supressão de subsídios diretos e indiretos. Os bancos concedem empréstimos com taxas de juros absurdas, mas o dinheiro acaba indo para os bolsos das elites do regime, financiando a compra de imóveis de luxo na Europa e no Canadá.

A “Classe Neutra” Não Existe Mais

Dentre as pessoas afetadas, estão os proprietários de pequenas empresas e comerciantes que antes formavam a chamada “classe neutra” – um grupo que evitava o confronto direto com o regime enquanto tentava navegar pelo sistema. Hoje, eles não podem mais se dar ao luxo de jogar esse jogo. A dívida esmagadora e o colapso financeiro os empurraram para as fileiras da pobreza, deixando-os com apenas duas opções: submissão à classe dominante ou rebelião contra ela.

O regime está bem ciente de que uma classe média relativamente estável poderia se tornar uma poderosa força de mudança. Portanto, ele sistematicamente empurra essa classe para a submissão ou para a pobreza por meio de pressão econômica. Essa é uma estratégia comum entre os estados autoritários – manter a classe média tão onerada pela sobrevivência que ela fica exausta demais para resistir.

Revolução ou Prisão? Não Há Outra Opção

Hoje, trabalhadores, professores, aposentados e até mesmo proprietários de pequenas empresas se encontram em uma encruzilhada, enfrentando apenas duas opções:

Submissão e resistência:

Continuar a viver em condições cada vez piores, enquanto o regime reprime brutalmente qualquer protesto e elimina até mesmo a menor possibilidade de reforma. No final, muitos se afogarão em dívidas e irão para a prisão.

Revolta e transformação: Recusar-se a aceitar esse ciclo de pobreza, exploração e humilhação.

Se as pessoas não se levantarem e protestarem, todos – proprietários de empresas, trabalhadores e profissionais liberais – acabarão sendo esmagados pelo peso das dívidas e da opressão. Aqueles que antes esperavam por uma reforma gradual logo se verão falidos e atrás das grades. No entanto, se os trabalhadores, empresários e a classe média desfavorecida se unirem e se juntarem às manifestações, ainda pode haver uma chance de mudança. Mas como seria essa mudança?

Estratégias Anarquistas para Resistência e Luta

Ao contrário daqueles que ainda se apegam à ilusão de reforma dentro do sistema, os anarquistas defendem a auto-organização, a ação direta e a resistência descentralizada. Algumas das principais estratégias anarquistas para se libertar dessa crise incluem:

  1. Autogestão de Trabalhadores

A autogestão dos trabalhadores – assumir o controle dos locais de trabalho e administrá-los sem depender dos capitalistas – é um princípio fundamental da luta anarquista. Exemplos disso podem ser vistos no movimento Zapatista no México e nas comunas de Rojava.

  1. Criação de Cooperativas Populares e Redes Econômicas Independentes

Em vez de depender da economia controlada pelo estado, as pessoas podem reduzir sua dependência do regime formando cooperativas de trabalhadores e de produção, mercados independentes e usando criptomoedas e sistemas de troca direta. Essas estratégias redirecionam o controle financeiro do regime iraniano de volta para as mãos do povo. Modelos semelhantes foram bem-sucedidos na Espanha.

  1. Resistência Descentralizada e Lutas nas Ruas

Os movimentos anarquistas enfatizam que a resistência não deve se limitar apenas a protestos pacíficos. A resistência descentralizada significa empregar uma ampla gama de táticas, desde a formação de comunas locais até a ação direta nas ruas e a autodefesa contra a repressão estatal.

O povo não tem mais meio-termo – ou ele se levanta ou será enterrado sob o peso da opressão. Se houver um futuro, ele não virá de dentro do sistema, mas da destruição de seus alicerces.

  1. Boicotes e Desobediência Civil Generalizada

A desobediência civil é outra ferramenta poderosa na luta contra a tirania. O boicote às políticas estatais – desde a recusa em pagar impostos até a rejeição de leis impostas pelo governo – pode enfraquecer e desestabilizar gradualmente o regime. O estado depende da conformidade para se sustentar; a não cooperação em massa pode derrubá-lo.

  1. Educação e Conscientização para a Construção de uma Sociedade Livre

Nenhuma mudança pode ser realmente sustentável sem educação e conscientização. Anarquistas acreditam que uma sociedade deve romper com a censura da mídia imposta pelo estado e promover a consciência de classe por meio da educação de base. Nessa luta, as redes de informação on-line independentes, a publicação de livros e materiais educacionais e os grupos de discussão locais desempenham um papel crucial no empoderamento das pessoas com conhecimento.

Quebre as Correntes ou Apodreça Nelas.

The Anarchists Union of Afghanistan and Iran (Media Section) / A União Anarquista do Afeganistão e Irã (Seção de Mídias), como parte da auto-organizada Federation of Anarchism Era / Federação da Era do Anarquismo

Tradução > acervo trans-anarquista

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agência de notícias anarquistas-ana

No céu cor de rosa,
a lua já se insinua,
crescente e vaidosa .

Zunir Andrade

[EUA] A Continuous Struggle (Pré-Venda) | A Vida Revolucionária de Martin Sostre

Garrett Felber (pessoa autora); Robin D.G. Kelly (prefácio)

Para cada exemplar de A Continuous Struggle adquirido em pré-venda pela AK Press ou Burning Books, será enviada uma cópia gratuita da edição para leitores encarcerados a alguém na prisão.

A primeira biografia do preso político revolucionário que estabeleceu as bases da luta abolicionista contemporânea e do anarquismo negro.

A Continuous Struggle (Uma luta contínua, em tradução livre) é uma biografia política de um dos mais importantes revolucionários do século vinte nos Estados Unidos. Martin Sostre (1923 – 2015) foi um porto-riquenho negro de East Harlem que se tornou um prisioneiro politizado e consultor jurídico informal, ganhando casos no início dos anos 1960 que ajudaram a assegurar os direitos constitucionais da população encarcerada. Ele abriu uma das primeiras livrarias negras radicais do país e foi usado como bode expiatório, sendo incriminado pela polícia e o FBI após a rebelião de Buffalo de 1967. Ele recebeu, de um júri totalmente branco, uma sentença de trinta e um a quarenta e um anos.

Durante os nove anos em que esteve preso, Sostre transformou a si mesmo e os movimentos revolucionários dos quais fazia parte, até o ponto em que passou a se identificar como um anarquista revolucionário e estabeleceu as bases do anarquismo negro contemporâneo. Nesse tempo, ele resistiu às revistas íntimas, pelo que ele foi espancado onze vezes, conscientizando sobre a rotina de agressões sexuais contra pessoas aprisionadas. O movimento Free Martin Sostre durou uma década e foi uma das maiores e mais improváveis vitórias de uma campanha de defesa da era Black Power, junto daquelas para libertar Angela Davis e Huey Newton. Embora Sostre tenha se afastado da vida pública após sua libertação em 1976, ele viveu outras quatro décadas de luta engajada como um organizador de inquilinos e mentor de jovens em Nova York e Nova Jersey. Por toda sua longa vida, Martin Sostre foi um consultor jurídico informal, livreiro revolucionário, iogue, mentor e professor, organizador anti-estupro, ativista pela justiça habitacional e pensador político original. A variedade de estratégias que ele usou e os terrenos nos quais ele lutou enfatizam a necessidade e a possibilidade de uma luta contínua e multifacetada contra todas as formas de opressão na busca de uma sociedade igualitária fundamentada nos princípios de “liberdade humana máxima, espiritualidade e amor”.

Elogio à A Continuous Struggle:

“Estava esperando há anos por uma biografia de Martin Sostre que fizesse jus a ele. Aqui está. Garrett Felber conta uma história cativante de um homem comprometido e complexo que dedicou sua vida a lutar pela liberação dos oprimidos com profundidade e amor revolucionário. Agora, uma nova geração conhecerá alguém cujas contribuições tornaram nossas vidas mais possíveis. A Continuous Struggle será um dos destaques da minha estante e das minhas recomendações de livros.” —Mariame Kaba, coautora de Let this Radicalize You

“Agora que Garrett Felber nos deu uma biografia envolvente e profundamente pesquisada de Martin Sostre, suas contribuições abrangentes e cruciais para o movimento contra as prisões e o abolicionismo de maneira mais ampla não podem mais ser ignoradas. Esse livro é mais do que a biografia de um simples indivíduo, ele mapeia o trabalho coletivo que nos guia até hoje.” —Angela Y. Davis é ativista política e autora de inúmeros livros, incluindo A liberdade é uma luta constante

A Continuous Struggle é uma leitura urgente para organizadores em toda parte. A visão revolucionária baseada em projetos de Martin Sostre nos presenteia com ideias perspicazes. Garrett Felber nos mostra de maneira vívida como Sostre entendeu o poder de expandir a consciência dos, frequentemente modestos, ‘exemplos objetivos’. Como resultado, a vida do homem e esse livro nos encorajam a perceber as muitas pessoas anônimas que trabalham por uma nova sociedade militando de formas práticas.” —Ruth Wilson Gilmore, autora de Abolition Geography

“Um exame rigoroso da vida revolucionária de Sostre que oferece lições vitais para aqueles que buscam levar a luta adiante.” —Orisanmi Burton, autor de Tip of the Spear

“A vida radical e verdadeiramente revolucionária de Martin Sostre, um prisioneiro político porto-riquenho e negro, é memorável. Ele foi para a prisão vendo a si mesmo como apolítico, mas aprendeu, através de lutas e experiências duras, que cada vez que enfrentamos o estado (Leviatã), nós nos evolvemos com a política… Sua biografia nos conta a história de um homem que se transformou quando confrontado com novos desafios, se tornando mais radical a cada transformação. Os estudantes dos anos 60, os nacionalistas negros e o movimento pelos direitos dos encarcerados fariam bem em ler essa obra.” —Mumia Abu-Jamal, prisioneiro político e coeditor de Beneath the Mountain

Garrett Felber é uma pessoa educadora, escritora e organizadora. Elu é pessoa autora de Those Who Know Don’t Say: The Nation of Islamthe Black Freedom Movement and the Carceral State e pessoa coautora de The Portable Malcolm X Reader, com Manning Marable. Felber é pessoa cofundadora do coletivo abolicionista Study and Struggle e atualmente está construindo uma biblioteca radical móvel, a Free Society People’s Library, em Portland, Oregon.

Robin D. G. Kelley é autor ou coeditor de inúmeros livros premiados, incluindo Freedom Dreams: The Black Radical ImaginationThelonious Monk: The Life and Times of an American Original Race Rebels: Culture, Politics, and the Black Working Class, entre outros.

Editora: AK Press

Formato: livro

Encadernação: capa dura

Páginas: 424

Lançamento: 6 de maio de 2025

ISBN-13: 9781849355902

$30,00

akpress.org

Tradução > C. Gauche

agência de notícias anarquistas-ana

está calor
o sapo coaxa
dentro da bromélia

Akemi Yamamoto Amorim

Mercado da Morte: Governo Lula patrocina a maior feira de armas, defesa e segurança da América Latina

O evento, ou mercado da morte, acontece no Rio de Janeiro, de 1 a 4 de abril, no Riocentro. A página oficial da LAAD Defence & Security destaca os seguintes tópicos do encontro, que é restrito as forças policiais, forças armadas, autoridades e profissionais dos setores de defesa e segurança:

  • 5ª edição da maior e mais importante feira de Defesa e Segurança da América Latina;
  • Defesa e Segurança em todas as frentes: Marinha, Exército, Força Aérea, Segurança Pública e Corporativa;
  • Presença de visitantes qualificados: autoridades das três Forças Armadas, Forças Policiais, Forças Especiais, executivos da indústria de defesa e segurança e agências governamentais;
  • Programa de Delegações Oficiais: autoridades de defesa e segurança do Brasil, da América Latina e outros países convidados para participar do evento;
  • Exposição da cadeia produtiva: expressiva participação da cadeia produtiva industrial – âmbito nacional e internacional – de todos os elos da defesa e segurança;
  • Eventos paralelos: reuniões ordinárias de importantes instituições de Segurança Pública, Simpósio Internacional de Logística Militar.

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agência de notícias anarquistas-ana

Voando, canta
ruidosa maritaca
no céu outonal

Kingo Yamazaki

Como sempre, Lula foi fortalecer o capitalismo e defender os interesses das grandes empresas que exploram e destroem a natureza

Lula, líderes do Congresso e 11 ministros estão no Japão para uma visita oficial. Todos sorridentes (foto). O traste levou uma delegação de empresários que inclui executivos da JBS (gigante global do mercado de carne), da Vale (uma das principais produtoras de minério de ferro do mundo), da Embraer (gigante brasileira que atua no segmento de defesa e segurança, fornecendo aeronaves e sistemas para forças armadas) e outros mais para “negociações”.

Ou seja, trocando em miúdos, como sempre, foi fortalecer o capitalismo defendendo os interesses das grandes empresas que exploram a população e destroem a natureza. E migalhas ao povo com medidas eleitoreiras. O sujeito ainda levou na “bagagem” uma cambada de sindicalistas-pelegos da CUT, Força Sindical, CGT… Para quê?

Com a alta dos preços, do custo de vida, projetos desenvolvimentistas de destruição do meio ambiente em vários cantos do país e outras coisas mais, na volta para o Brasil, deviam ser recebidos com as ruas “urrando”, com poesias, pedras, paus e molotovs… Mas, realidade crua e nua, tristes tempos de alienação e apatia…

agência de notícias anarquistas-ana

O gari folheia
o livro de poesias—
Voa passarinho!

Regina Ragazzi

[Cuba] Sete anos de prisão por dizer em redes sociais que a desobediência civil “é um direito, não um delito”

O ex-preso do 11J, Alexander Fábregas Milanés, condenado por “propaganda contra a ordem constitucional”

Um tribunal cubano condenou a sete anos de cárcere a Alexander Mario Fábregas, ex-preso do 11J, por mostrar em redes sociais vídeos nos quais, segundo a sentença, “questionou o sistema do Estado cubano e atacou o presidente” do país.

A sentença 20/2025 da Sala dos Delitos contra a Segurança do Estado do Tribunal Provincial Popular de Villa Clara, à qual EFE [agência de notícias] teve acesso, assegura que Fábregas, de 34 anos, cometeu por esses fatos um delito de “propaganda contra a ordem constitucional”.

A sentença apresenta que o condenado realizou vários vídeos ao vivo no Facebook nos quais advogou por sair às ruas para protestar, assegurou que a desobediência civil “é um direito, não um delito” e pediu para apoiar os “presos políticos”.

O documento detalha que estas publicações tiveram entre 30 e 22 reações, entre 50 e 383 comentários e que foram compartilhadas entre 19 e 167 vezes, além de amplificadas por três canais de Youtube.

Por tudo isto, o tribunal considerou provado que o condenado realizou estas publicações “com a intenção de estimular as pessoas a atentar contra a estabilidade social e o Estado socialista proclamado pela Constituição da república”, ainda que Cuba tenha quase 10 milhões de habitantes.

A primeira detenção de Fábregas aconteceu em dezembro de 2020, durante só três dias – prazo máximo sem julgamento –, por publicar uma fotografia em redes sociais onde aparecia com um cartaz que dizia: “Não Mais Miséria”.

Posteriormente, foi detido na noite de 11 de julho de 2021 em sua casa, por transmitir em suas redes sociais seu chamado a sair às ruas de Sancti Spíritus para acompanhar os protestos antigovernamentais que durante essa jornada sacudiram a Ilha.

Nove dias depois de sua detenção em um dos muitos julgamentos sumários que se realizaram nesse contexto, o jovem foi condenado a nove meses pelo delito de incitação a delinquir, ainda que nem sequer saiu ele mesmo à rua aquele 11 de julho.

A mãe de Fábregas sofreu, como ele pressões da Segurança do Estado, que começaram após sua saída do cárcere em abril de 2022.

O Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) qualificou em redes sociais a sentença de “injusta” e “produto de uma clara violação dos direitos humanos”, fruto de “um tribunal carente de independência”.

Nos últimos anos várias pessoas foram condenadas a prisão em Cuba por expressar sua oposição ao sistema político em redes sociais.

A ONG Prisoners Defenders registrou até fevereiro um total de 1.150 presos por razões políticas em Cuba.

Fonte: Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH)

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agência de notícias anarquistas-ana

Flocos de algodão
suspensos nos ramos verdes.
Paineira no outono.

Delores Pires

[Alemanha] Bem-vindo à primavera, queime um Tesla!

Nestes tempos sombrios, o horizonte parece estar bloqueado pela escravidão tecno-industrial, pela guerra e pela ascensão do fascismo com o patriarcado ao seu lado.

Quando o desespero reina, uma proposta ofensiva é valiosa. Uma proposta para atacar um alvo que está na encruzilhada de nossas lutas já existentes. Uma tentativa de dar novo ímpeto às nossas lutas.

Uma dessas propostas é atacar a Tesla. Com isso, queremos dizer os carros elétricos da empresa, que estão lotando as ruas apenas esperando que você os ataque.

Nós o convidamos a se preparar e atacar o mais rápido possível para dar as boas-vindas à primavera! Mesmo que outros alvos sejam mais estratégicos, a escolha da Tesla não é uma coincidência.

Os carros elétricos são um dos elos de uma eletrificação forçada pela qual o mundo está passando em nome do mito da “transição energética” ou “transição ecológica”. O mito do capitalismo verde e de uma sociedade tecnológica que supostamente seria menos poluente. Na realidade, porém, estamos vendo uma intensificação do desastre industrial que está devastando nosso planeta. Longe de substituir os combustíveis fósseis, as chamadas energias “renováveis” estão se sobrepondo a eles para intensificar a produção e a corrida pelo progresso.

Turbinas eólicas, painéis fotovoltaicos e energia nuclear apenas aumentam a demanda por minerais e, portanto, a exploração e a poluição da terra por meio da existência de minas. Não é coincidência que os Estados estejam atualmente lutando pela soberania de sua cadeia de suprimentos de metais estratégicos, tanto por meio de conflitos globais quanto pelo renascimento da mineração doméstica, como o controverso projeto de mina de lítio em Allier, na França, que está enfrentando ampla oposição.

Os carros elétricos também são um símbolo do “mundo” conectado. Câmeras, sensores, telefones, relógios, geladeiras e postes de iluminação pública conectados: toda uma Internet das Coisas está sendo desenvolvida atualmente. Ela elimina nossa conexão direta com o mundo ao nosso redor e aumenta ainda mais a vigilância e o controle. Cada Tesla tem 8 câmeras e representa o modelo da Cidade Inteligente: outro obstáculo à liberdade.

A Tesla também representa o império construído por Elon Musk, um dos mais poderosos gigantes da tecnologia, que está trabalhando ao lado de Donald Trump em sua ofensiva fascista e patriarcal, que está longe de se limitar às fronteiras dos EUA.

A luta contra o sistema tecnoindustrial, a luta contra o patriarcado, a luta contra a devastação da natureza e a consequente miséria social, a luta contra o fascismo, a busca por uma vida mais livre – tudo isso são motivos para atacar a Tesla.

Reúna seus amigos de confiança ou deixe que sua própria motivação o guie e planeje seu projeto agora mesmo!

Bem-vindo à primavera, queime um Tesla!

Importante quando você der a partida:

– Além das câmeras na estrada, um Tesla tem 8 câmeras: não se esqueça de se proteger!

– Tenha cuidado para não deixar impressões digitais ou rastros de DNA.

– Um incêndio em um veículo elétrico é particularmente difícil de apagar. Isso pode ser uma vantagem, mas também um risco à segurança se você não quiser que o fogo se espalhe pela área ao redor.

– Se você usa acendedores ou gasolina, com atrasos ou não, depende de você… mas, acima de tudo: cuide de si mesmo e divirta-se!

Fonte: https://switchoff.noblogs.org/post/2025/03/05/aufruf-begruesst-den-fruehling-zuendet-einen-tesla-an/

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agência de notícias anarquistas-ana

O pequeno córrego
Se esconde sob o capim –
O outono fenece.

Shirao

[França] Convite da ZAD Notre Dame Des Landes

La Grée, uma das últimas ocupações da ZAD, uma antiga fazenda com galpões, que vem experimentando a “autogestão” e a “acolhida incondicional” desde a primavera de 2015 (em breve fará 10 anos), recebeu a visita de representantes do Estado, do proprietário e, pela primeira vez, de um oficial de justiça, acompanhado de policiais à paisana, na sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025.

Nós nos perguntamos se estamos sendo alvo de um processo de despejo, que pode ser rápido, permitindo que eles tentem nos despejar nas próximas semanas… Outras ocupações “ilegais” podem estar envolvidas…

Estamos convidando todos que queiram se juntar a nós para nos encontrarmos (ou nos reunirmos novamente!), participar de campos de trabalho (hortas, barracas, fortificações, barricadas, reciclagem, cozinha, palco de teatro etc.), preparar a festa do 10º aniversário em maio (mais informações em breve), compartilhar conhecimentos e técnicas, colocar o estúdio de rap em funcionamento novamente, preparar discussões e workshops, falar sobre ocupações e também fazer uma pausa conosco ou simplesmente passear!

Então é hora de suas ideias!

Há terrenos por aqui que poderiam ser usados para cultivar hortas coletivas e individuais…

Há lajes e asfalto que podem ser usados para caminhões, caravanas e outras construções!

Se você tiver algum material extra, ficaremos muito felizes em tirá-lo de suas mãos:

Pregos, louças, paletes, colchões, cobertores, veículos com e sem rodas, velas, pneus, baterias, luzes, baterias sobressalentes, ferramentas, materiais de construção, caravanas, cordas, barbantes etc.

Nossa determinação continua total para tentar viver fora das caixinhas impostas por um sistema político moribundo, sujeito aos lobbies de indústrias, bancos e acionistas cujos únicos objetivos são a dominação e o lucro máximo, em detrimento das pessoas e do meio ambiente.

Que cada despejo provoque uma multidão de ocupações!

* Venha como você é e seja o mais autônomo possível.

** Para o 10º aniversário do l’Agrée, músicos, grupos, atores etc. podem entrar em contato conosco em: greezou@protonmail.com A Shlag Division estará lá!

*** E uma página no insta: https://www.instagram.com/les_invendus_de_la_zad/

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de outono
Pela porta entreaberta
um grilo machucado.

Teruo Hamada

[Reino Unido] Toby Shone: “A máquina do Estado morre de medo dos laços que criamos entre nós”

O anarquista libertado falou sobre solidariedade e abolicionismo no Cowley Club, em Brighton

Por Elizabeth Vasileva

Uma palestra do ex-prisioneiro anarquista Toby Shone no Cowley Club, em Brighton, reuniu cerca de 20 pessoas na sexta-feira (7 de março). O clima foi acolhedor e a recepção a Toby, muito positiva.

Ele contou que o apoio dos amigos e camaradas, escrevendo, visitando e organizando protestos com fogos de artifício do lado de fora da prisão — foi essencial para manter seu ânimo. Assim como se organizar com outros presos, apoiar uns aos outros e construir solidariedade. Toby observa que o sistema simplesmente não tolera quando prisioneiros se solidarizam entre si — e foi aí que ele encontrou a verdadeira força lá dentro. “A máquina do Estado morre de medo dos laços que criamos entre nós”, afirma, argumentando que as condições nas prisões são o retrato de uma sociedade em seus dias finais. Ouvindo Toby, fica fácil concluir que a única ação possível diante das prisões é aboli-las.

Toby Shone foi preso em 2020 durante a operação Adream, acusado de envolvimento no projeto 325. A Adream foi uma investigação antiterrorista de várias agências estatais contra o coletivo anarquista 325, nascido da cultura rave e dos squats de Brighton nos anos 2000. O grupo publicava um zine e um site, divulgando informações sobre diversas ações anarquistas.

Toby foi preso após alguns incidentes em que veículos foram incendiados na região entre Bristol e Bath. Ele foi acusado de administrar o site do 325 por “distribuição de publicações terroristas”, “financiamento ao terrorismo” e “posse de informações usadas para fins terroristas”. Uma série de ações diretas assinadas por FAI, ELF e ALF também foram jogadas nas costas dele, enquanto a polícia invadia sua casa, a casa de amigos, espaços coletivos e veículos. Embora até o próprio Estado reconhecesse que não havia líderes, tentaram enquadrá-lo como liderança e ainda ligá-lo a supostos “chefes” anarquistas na Grécia. Felizmente, poucas dessas acusações se sustentaram, e no fim Toby acabou condenado por posse de drogas.

Em novembro de 2024, Toby saiu da prisão após 5 anos em vários presídios de segurança máxima. Na palestra, ele focou principalmente nas condições dentro das prisões, na crítica ao sistema de justiça criminal, nas ações do Estado para mantê-lo preso e no apoio recebido dos camaradas.

As prisões, comenta Toby, são lugares horrendos: “Lá dentro não existe esse papo de direitos humanos. Você é tratado do jeito que decidem te tratar”. Falta cobertor, falta comida decente, falta higiene, falta banheiro digno, as celas nunca foram limpas, não tem academia, nem espaço ao ar livre… e a lista segue. Isso te destrói. Mas o pior é o jeito como seres humanos são tratados. Para alguns, o isolamento, o trauma e a dor são insuportáveis. Presos se machucam em desespero, e ninguém chama ajuda ou sequer vai ver como estão.

Na experiência de Toby, não há espaço para dúvidas: vidas humanas são desperdiçadas, não existem oportunidades de reabilitação, e raramente há chance de estudo, desenvolvimento pessoal ou qualquer atividade que dê algum sentido à existência. “Nessas circunstâncias, você precisa achar uma razão dentro de você para estar lá. E a razão é que somos revolucionários, queremos um mundo melhor, queremos isso para todos”, disse ele.

>> Foto de capa: Ato de solidariedade com Toby em frente ao escritório da condicional em Cardiff, março de 2024.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/03/12/toby-shone-the-state-machine-is-terrified-of-the-links-we-make-with-each-other/

Tradução > Contrafatual

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Filhote de cabra
É lambido pela mãe
Na sombra da árvore

Vanessa Belo

[País de Gales] Anarcha Folk Fest Cymru 2025

Temos o prazer de anunciar finalmente que o Anarcha Folk Fest 2025 será realizado de 15 a 17 de agosto no País de Gales, no The Workhouse, em Llanfyllin. Estamos muito animados por sermos os próximos anfitriões e esperamos que você se junte a nós!

Muito mais informações serão divulgadas em breve, mas esperamos que sejam suficientes para que você comece a planejar suas viagens a essa maravilhosa terra verde. O País de Gales tem uma forte história de conexão com a natureza e com a medicina popular, bem como com a música, e o tema deste ano será o herbalismo.

Vendas de ingressos em breve (com preços reduzidos).

As inscrições para as bandas estarão abertas de 1º de fevereiro a 31 de março.

Informações sobre inscrições para propostas de workshops em breve.

Site em breve com muitas outras informações que responderão às suas perguntas mais urgentes!

Por enquanto, salve a data…

E espalhe a notícia!

Se tiver alguma dúvida urgente, fique à vontade para enviar uma mensagem para AFFCymru@protonmail.com

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Céu cheio de estrelas.
Manada de capivaras
Degusta o capim.

Josete Maria Vichineski

[Indonésia] Bandung: “Rejeite a Lei do Exército Nacional”

“Rejeite a Lei do Exército Nacional”, “Sem regras, apenas caos” e “Queime o Banco Mundial” são pixos de um grupo anarquista de afinidade informal.

Somos responsáveis ​​pelo incêndio em dois caixas eletrônicos do Hana Bank [o maior banco da Coreia do Sul, com filiais em vários países], do edifício que abriga os escritórios do Banco Hana, uma tela publicitária de propriedade de algum capitalista e um veículo motorizado pertencente ao Exército Nacional Indonésio.

O ataque incendiário ocorreu depois que manifestantes ocuparam as ruas contra a adoção da Lei do Exército Nacional Indonésio (Lei TNI); A ação direta aconteceu em Bandung, província de Java Ocidental, na noite de sexta-feira, 21 de março de 2025.

A ação realizada pelos manifestantes em frente à Câmara Provincial dos Representantes (DPRD) foi ignorada pela polícia de choque, apesar dos coquetéis molotov, cilindros de propano, pedras e fogos de artifício terem sido atirados na varanda do prédio. Até que optamos pela ação direta, queimando os muitos objetivos já mencionados.

Estamos completamente além da autoridade da linguagem do Estado e do capitalismo, somos a irracionalidade, somos uma forma do caráter ilógico da autoridade da própria linguagem. Somos uma das organizações informais do fim do mundo que não acredita na chegada do Iluminismo amanhã, porque para nós o futuro é apenas uma nova forma de sofrimento. Somos um fogo que devora prédios inteiros da cidade à noite.

Não acreditamos na revolução da esquerda e de outros anarquistas sociais. Somos escritores e poetas, insurreição é poesia, poesia é insurreição.

Morte ao Estado!

Morte ao exército nacional!

Morte a toda civilização!

Morte ao Banco Mundial!

Longa vida à Conspiração das Células de Fogo!

Longa vida à Associação Livre de Fogos Autônomos!

Longa vida à ISP/FRI!

Longa vida à anarquia!

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Bananeira ao vendaval de outono –
Noite de ouvir a chuva
Pingando numa bacia.

Bashô

 

Revolta na Indonésia

Recentemente, os antiautoritários se reuniram para o pré-congresso Perhimpunan Merdeka em algum lugar da Indonésia para trabalhar em prol de uma federação anarquista.

Um companheiro envolvido nesse evento relata um levante que está ocorrendo na Indonésia e que até agora recebeu pouca cobertura da mídia internacional.

Para entender melhor o contexto, confira abaixo tradução de um folheto distribuído por anarquistas como parte do movimento na cidade de Makassar em 20 de março. Ele foi publicado originalmente em perhimpunanmerdeka.wordpress.com.

“O projeto de lei do TNI (Exército da Indonésia) não é apenas mais uma lei – é uma declaração de guerra contra a liberdade do povo!

Esse REGIME DE OLIGARQUIA ARMADA busca restaurar o domínio militar sobre todos os aspectos da vida, repetindo os tempos da Nova Ordem, quando o exército era uma ferramenta de opressão!

Com o apoio de vários partidos políticos, ex-ativistas, influenciadores e intelectuais oportunistas, eles estão ansiosos para inserir os militares nas instituições civis, garantindo o controle total sobre a vida das pessoas. Desde o Gabinete do Procurador-Geral, ministérios e agências civis até a distribuição de arroz e fertilizantes, passando por questões de terras agrícolas e programas de refeições gratuitas – tudo é projetado para garantir os interesses oligárquicos e manter as pessoas submissas sob as botas dos militares!

Eles falam sobre “Operações Militares Diferentes da Guerra”, mas sua verdadeira intenção é clara: livrar os militares da supervisão parlamentar, dando-lhes legitimidade sem controle para agir como bem entenderem! Isso significa que podemos esperar mais desaparecimentos forçados, apropriação de terras de cidadãos e comunidades indígenas, destruição de florestas e oceanos e repressão aberta contra aqueles que ousam resistir!

Pior ainda, os militares agora estão se intrometendo no fornecimento de alimentos, na distribuição de GLP e em projetos nacionais! Essa é a verdadeira face do capitalismo de estado – os militares como executores dos capitalistas, garantindo que as pessoas permaneçam abaixo de um padrão de vida decente e sem poder!

O projeto de lei do TNI deve ser combatido! Não precisamos de militares em assuntos civis!

Construa o poder popular de baixo para cima por meio de conselhos locais, conselhos de fábrica, acampamentos, cooperativas e redes econômicas para substituir essa estrutura social corrupta!

Organize a resistência de base por meio de comitês de ação autônomos!

Combater a dominação armada!

Expulsem os militares dos assuntos civis!

Retomar o controle de nossas vidas!

Sem Patrões, Sem Escravos!

Solidariedade, liberdade e justiça para todos!

Perhimpunan Merdeka – Makassar

Aparentemente, estão ocorrendo tumultos em todo o país. Muitos jovens estão nas ruas usando símbolos anarquistas. Policiais da tropa de choque atacam o movimento e até mesmo sequestram ambulâncias com ativistas feridos que deveriam ser tratados no hospital. Delegacias de polícia e parlamentos regionais são atacados.

Mais informações sobre isso provavelmente serão fornecidas mais tarde. Fique ligado!

Fonte: https://globalmayday.net/2025/03/25/anarchist-uprising-in-indonesia/

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Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda


Seis Razões para Abraçar o Anarquismo

Vivemos em um mundo onde a opressão se disfarça de normalidade: governos que nos vendem a ilusão de liberdade enquanto nos vigiam, empresas que nos exploram em troca de uma vida precária, fronteiras que nos separam para nos manter submissos. O anarquismo não é um convite ao caos, mas uma revolução radical contra todas as formas de dominação. É a coragem de perguntar: por que aceitamos hierarquias que nos esmagam? Por que naturalizamos a desigualdade como destino? Este pequeno texto é um chamado à insubordinação — àqueles que ousam sonhar com um mundo onde a autonomia, a solidariedade e a justiça não sejam ideais distantes, mas a base de uma vida verdadeiramente livre. Se o sistema nos trata como peças descartáveis, ser anarquista é recusar o script e escrever, com nossas próprias mãos, um novo começo. Portanto, seguem seis razões para abraçar o anarquismo:

01. O Estado é uma Máquina de Opressão
O Estado, em todas as suas formas, é um instrumento de controle que concentra poder nas mãos de poucos, perpetuando desigualdades e reprimindo liberdades. Seja através de leis que criminalizam a pobreza, polícias que assassinam em nome da “ordem” ou burocracias que sufocam a autonomia, o Estado não existe para servir o povo, mas para garantir a dominação de classes. Um anarquista entende que a liberdade só floresce quando destruímos essa estrutura hierárquica e construímos relações horizontais, onde todas as vozes têm igual valor.

02. O Capitalismo Corrói a Vida em Comum
O sistema capitalista transforma tudo em mercadoria: terra, água, até relações humanas. Trabalhadores vendem sua força por migalhas, enquanto bilionários acumulam riquezas à custa da exploração. O anarquismo propõe uma economia baseada na cooperação, não na competição. Cooperativas autogestionárias, onde os produtores decidem coletivamente seu destino, mostram que é possível viver sem patrões. Afinal, por que aceitar um sistema que nos faz mendigar por sobrevivência em troca de nosso próprio trabalho?

03. Liberdade Não se Concede: Conquista-se
A democracia representativa é uma farsa. Políticos são marionetes de corporações, e eleições são leilões para os mais ricos. O anarquismo defende a ação direta como forma de transformação: greves, ocupações, apoio mútuo e organizações comunitárias. A história prova que mudanças reais vêm da rua, não das urnas. Quando mulheres, negros e indígenas tomam praças e derrubam estatuetas de colonizadores, estão praticando anarquismo: questionando hierarquias e construindo poder popular.

04. Um Mundo sem Fronteiras ou Prisões
O Estado-nação é uma ilusão que divide a humanidade em “nós” e “eles”, alimentando guerras e xenofobia. O anarquismo sonha com uma sociedade sem fronteiras, onde ninguém precise fugir da miséria ou da guerra. Além disso, o sistema prisional é uma indústria de tortura que criminaliza a pobreza. Em seu lugar, comunidades autônomas podem resolver conflitos através da mediação e da justiça restaurativa, não da vingança estatal.

05. Ecologia ou Extinção
O capitalismo está destruindo o planeta. Governos e empresas sacrificam florestas e rios no altar do lucro, enquanto nos vendem falsas soluções “verdes”. O anarquismo eco-socialista entende que a Terra não é um recurso, mas nossa casa coletiva. Comunidades zapatistas em Chiapas ou os curdos em Rojava mostram nos dias de hoje que é possível viver em harmonia com a natureza, administrando recursos de forma coletiva e sustentável.

06. A Beleza da Autonomia e da Solidariedade
Anarquismo não é caos, mas ordem construída livremente. É a certeza de que, sem amos, podemos organizar escolas, hospitais e redes de apoio mútuo. Movimentos como o MST (mesmo com todos os seus problemas) ou as ocupações urbanas provam que, quando nos unimos, somos capazes de criar alternativas reais. A solidariedade, não o individualismo, é nossa maior arma contra o medo que o sistema semeia.

Por fim…  O Futuro é um Projeto Coletivo

Ser anarquista é rejeitar a ilusão de que “não há alternativa”. É lutar por um mundo onde ninguém domine ninguém, onde a vida valha mais que o dinheiro, e onde a liberdade seja prática cotidiana. Não precisamos de salvadores: somos nós, com nossas mãos e corações, quem pode construir essa utopia. A pergunta não é “por que ser anarquista?”, mas “como não ser?”.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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Amanhece em flor
e anoitece pelo chão
— efêmero ipê

Marba Furtado

 

Milhares protestam na Indonésia contra lei que militariza o Estado

A Câmara dos Deputados da Indonésia aprovou uma revisão da Lei Militar, permitindo que oficiais militares ocupem mais cargos no governo e assumam posições civis sem renunciar às Forças Armadas Nacionais da Indonésia.

Em protesto, desde 20 de março, estudantes, anarquistas e outros antiautoritários estão realizando manifestações de rua simultâneas em diversas cidades do país em resposta à promulgação da Lei.

Os críticos argumentam que essa mudança pode levar a abusos de poder, violações de direitos humanos e impunidade política para o pessoal do exército, lembrando a era do ditador Suharto, que deixou o cargo em 1998.

O momento é particularmente significativo, pois a Indonésia agora é liderada pelo Presidente Prabowo Subianto, ex-general militar, acusado de abusos de direitos e crimes de guerra durante os dias sombrios do regime de Suharto, que foi empossado em outubro de 2024.

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dissolve-se a tarde
no alarido das araras
e em flocos de chumbo

Zemaria Pinto

 

[Espanha] Homenagem da CNT Madri a três jovens anarquistas mortos por fascistas

Nesta sexta-feira, 28, pagamos uma dívida a três jovens anarquistas que perderam suas vidas nas mãos dos fascistas durante a supostamente ordeira Transição.

É hora de lembrar suas vidas e unir sua luta à nossa. Para isso, contaremos com pessoas que viveram em primeira mão aqueles momentos convulsivos e que os conheceram.

Lembraremos de Vicente Cuervo, vizinho de Vallecas e trabalhador da Telefunken, delegado sindical da CNT nessa empresa, assassinado quando tinha apenas 21 anos de idade após uma concentração fascista no bairro; Agustín Rueda, 25 anos, morto na prisão de Carabanchel por espancamento múltiplo depois de anos sendo deslocado por várias prisões do estado, tudo por sua militância anarquista e por não vender seus companheiros presos; e Jorge Caballero, membro da CNT, morto aos 21 anos por fascistas que viram nele um crachá com um A quando ele estava saindo do cinema.

A CNT de Madri não esquece.

Esperamos por você na sexta-feira, 28 de março, às 19 horas, em nossa sede na Glorieta de Embajadores 7, 1ºB.

madrid.cnt.es

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zunir da cigarra…
no instante da pausa
o silêncio ecoa

Gustavo Terra

 

[Itália] Desarmemos a guerra! Antimilitaristas contra a Cidade do Espaço Aéreo

Turim, 23 de março – Uma visita surpresa ao canteiro de obras da Cidade do Espaço Aéreo, na avenida Marche, onde, há cerca de um mês, começaram as demolições do prédio 27 da antiga Alenia-Aermacchi.

Um manequim ensanguentado, pichações, fumaças, cartazes que nos lembram das vidas roubadas por bombas, armas e guerras. Guerras entre poderosos que disputam recursos e poder, indiferentes à destruição de cidades, à contaminação do meio ambiente e ao futuro negado de tantos que vivem neste planeta.

Os escombros são apenas bons negócios para um capitalismo voraz e destrutivo, que tem uma única lógica: o lucro a qualquer custo. Homens, mulheres e crianças são apenas peças sacrificáveis em um jogo terrível, que não tem outro limite senão a força daqueles que oprimem e exploram – e daqueles que se rebelam contra uma ordem mundial intolerável.

Enquanto a Europa – e o mundo – aceleram numa corrida insana por rearmamento, é cada vez mais necessário se colocar no caminho, travar as engrenagens, lutar contra a indústria bélica e o militarismo.

Não ao novo polo bélico da Leonardo e do Politécnico!

Não contem com nossa resignação!

Como gotas, continuaremos a alimentar a maré que os afogará.

Devemos isso a quem, todos os dias, morre pelas armas projetadas e fabricadas a poucos passos de nossas casas.

Devemos isso a quem é massacrado no Congo, no Sudão, na Ucrânia, em Gaza, na Síria…

Devemos isso a quem morre nas fronteiras que separam os afogados dos salvos.

Devemos isso a quem não se conforma, a quem luta contra Estados, fronteiras e nacionalismos.

Não existem povos oprimidos, porque a noção de povo está na raiz de todo nacionalismo, de toda armadilha inventada pelos poderosos para recrutar corpos e consciências.

Nós não apoiamos nenhum povo – nós apoiamos oprimidos e oprimidas de todos os lugares.

Nós estamos do lado de quem deserta. Nós somos desertores de todas as guerras.

A guerra está a poucos passos de nossas casas: vamos detê-la!

Assembleia Antimilitarista

antimilitarista.to@gmail.com

Fonte: https://umanitanova.org/disarmiamo-la-guerra-antimilitaristi-contro-la-citta-dellaerospazio/

Tradução > Liberto

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Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

Serban Codrin