[Espanha] 29-A: Não somos números, nem mais uma morte! Paremos as mortes no trabalho

Nos dois primeiros meses de 2025, 98 trabalhadores morreram e houve um total de 91.950 acidentes de trabalho. Diante desses números devastadores e inaceitáveis, pedimos que você participe da concentração que a Federação local da CGT València está convocando para a terça-feira, 29 de abril, às 11h30, na Plaza Manises (em frente ao Palácio da Generalitat), para denunciar esses fatos e lembrar que não somos números. Nem mais uma morte! #AcidentesdeTrabalho #CGT #València

Paremos as mortes no trabalho

Nos dois primeiros meses de 2025, 98 trabalhadores morreram e houve um total de 91.950 acidentes de trabalho. Diante desses números devastadores e inaceitáveis, convocamos os delegados, delegadas e afiliados da Federação Local de Valência a participarem da manifestação que ocorrerá na terça-feira, 29 de abril, às 11h30, na Plaza Manises (em frente ao Palácio da Generalitat) para denunciar esses fatos e lembrar que não somos números, nem mais uma morte!

Se a responsabilidade pela organização do trabalho for do empregador e as mortes ocorrerem como consequência do trabalho – contratos precários, trabalho por peça, ritmos frenéticos e estressantes, tempos de viagem cada vez maiores, pressão e violência (moobing) na organização do trabalho, autoritarismo e falta de democracia no local de trabalho, … – há apenas uma pessoa responsável: OS EMPREGADORES.

ACIDENTES DE TRABALHO E SAÚDE OCUPACIONAL

Desde a Confederação Geral do Trabalho (CGT), nos perguntamos: para que serve ao trabalhador morto a dor fictícia de seu patrão ou a dor mais real de seus companheiros, de sua família ou da sociedade?

O trabalho assalariado é uma necessidade para milhões de pessoas que estão empregadas, trabalham, têm um emprego ou estão procurando um. Trabalho que produz bens e riquezas para a sociedade.

Todos os dias, uma média de 2 trabalhadores têm suas vidas ceifadas em várias atividades. Centenas de milhares de pessoas sofrem acidentes graves ou muito graves e lesões incapacitantes todos os anos pelo simples fato de irem trabalhar.

A Lei, o Estatuto dos Trabalhadores, a Lei de Prevenção de Riscos Ocupacionais, obriga os empregadores a proteger a saúde e a vida de milhões de funcionários. Essas garantias são desrespeitadas diariamente ao serem condicionadas à lógica da eficiência econômica e dos lucros das empresas.

A sociedade aceita a morte nos “trabalhos” como um fato “normal”, pois a lógica da eficiência econômica capitalista é abençoada a ponto de nos fazer acreditar que ela é imutável e, além disso, inevitável. Como prova disso, basta dar uma olhada nas estatísticas oficiais de cada ano.

A Lei do Mercado funciona como uma máquina que tritura direitos e vidas, e as mortes, doenças e acidentes causados por essa lei têm nome e sobrenome: os empregadores, seus gerentes, seus diretores, os políticos e legisladores.

É uma guerra em que, a cada dia, dois trabalhadores morrem, ou seja, são “assassinados legalmente”, seja por acidente ou por doença ocupacional. Nessa guerra, não há direitos de refúgio, pelo contrário, as políticas são antiproativas na proteção dos direitos dos trabalhadores.

Fonte: Gabinete de Comunicación de la Confederación General del Trabajo del País Valenciano y Murcia

agência de notícias anarquistas-ana

casca oca
a cigarra
cantou-se toda

Matsuo Bashô

Três Vivas Pelos Atos Pela Juventude Trans.

Há muito o que comemorar neste 24/04. O esforço para realizar manifestações em favor dos direitos e da juventude trans em todo país, fortemente puxado pelo Coletivo Antiordem, que está no mesmo grupo que nós (o Lunária) e o Coletivo Chama, foi um enorme sucesso.

Através das cinco regiões do Brasil, em metrópoles e em alguns casos no interior, os atos reuniram pessoas dispostas a lutar por seus direitos e contra a transfobia do CFM (Conselho Federal de Medicina), além de terem demonstrado que a comunidade LGBTQIA+ é materialmente capaz de se organizar pelo país inteiro.

Talvez o detalhe mais bonito desses atos tenha sido a expressividade, em Belo Horizonte houve cartazes e um desenho, em Franca bandeira colocadas lá pela comunidade (inclusive as bandeiras anarquistas do Antiordem e do Anarco-Comunismo), no Rio de Janeiro houve discursos poderosos, apenas para citar alguns exemplos.

E quem quer que seja que afirmar que os atos não incomodaram ou não vão fazer a diferença é mentiroso. O CFM de várias cidades fechou o prédio e as janelas, a polícia foi chamada de forma unânime, e a direita se fez presente num caso bem irônico:

Lucas Pavanato, sujeito cuja altura pequena só é maior que o pequeno caráter, tentou atrapalhar a manifestação em São Paulo, e só teve “coragem” de aparecer porque foi protegido por vários policiais: uma clara demonstração que o Estado serve para proteger os privilegiados.

Depois do sucesso dessas manifestações o dia 24/04 é a mais nova data comemorativa da esquerda e comunidade LGBTQIA+ brasileira.

Um brinde!

Fonte: https://novaplebe.com/tres-vivas-pelos-atos-pela-juventude-trans/

agência de notícias anarquistas-ana

lua n’água
entre pétalas
alumbra o abismo

Alberto Marsicano

[Áustria] Conectando as lutas emancipatórias – Vá para as ruas no dia 1º de maio!

MAYDAY / MAYDAY

1º de maio, 15:00, S-/U-Bahn Simmering

As pressões impostas pelas estruturas da sociedade estão constantemente impondo desafios. A alta inflação, o aumento dos aluguéis e o domínio dos investidores no mercado imobiliário são um problema. Aqueles que não têm acesso a moradias municipais ou ao mercado de aluguel seguro enfrentam contratos de curto prazo e aluguéis exorbitantes. Muitos não podem mais se dar ao luxo de morar em Viena. Nós nos opomos a isso e saímos às ruas por uma cidade para todos!

Isso é necessário à luz da crescente violência da direita nas ruas de nossa cidade. Globalmente, as estruturas feministas e queer estão sob ataque, e o número de feminicídios está aumentando. Recentemente, uma rede de extrema direita na Áustria foi exposta, tendo como alvo homens homossexuais e indivíduos queer. As pessoas que se opõem consistentemente à ideologia de direita, especialmente os antifascistas, estão se tornando cada vez mais alvos de medidas autoritárias do Estado. Seja Maja, na Hungria, que enfrenta uma sentença de 24 anos de prisão, vários antifascistas envolvidos no caso de Budapeste que estão enfrentando punições igualmente draconianas, ou a severa repressão que está ocorrendo atualmente em Graz contra ativistas antifascistas.

Onde quer que os partidos de direita consigam entrar no governo, eles começam a implementar sua ideologia na prática. Não precisamos olhar para os EUA em busca de exemplos – isso também está acontecendo na Áustria. Recentemente, na Estíria, o governo conservador de direita substituiu os conselhos consultivos existentes para o financiamento da cultura por indivíduos de sua escolha, mesmo antes do término de seus mandatos.

No entanto, as iniciativas e os espaços culturais são vitais para a coesão social. Esses espaços fornecem uma base fundamental para combater a polarização da sociedade e lutar pela solidariedade. Atualmente, muitos desses espaços estão ameaçados, e defendemos a preservação de espaços livres como o St. Mar, que corre o risco de ser demolido.

Não são apenas o antifascismo e o trabalho cultural que estão sob ameaça. O antissemitismo e o racismo estão em ascensão. Desde o dia 7 de outubro e a guerra que se seguiu, tanto a propaganda islâmica quanto a de extrema direita aumentaram, afetando nossos movimentos. O número de ataques antissemitas – incluindo aqueles provenientes de círculos supostamente de esquerda – aumentou drasticamente, juntamente com um aumento de incidentes racistas e antimuçulmanos.

As pessoas que são vistas como “diferentes” sofrem exclusão cotidiana. Aqueles com nomes percebidos como “não alemães” enfrentam grave discriminação no mercado imobiliário. A discriminação no local de trabalho devido à origem (percebida) também é desenfreada, sem mencionar as lutas dos indivíduos que não têm acesso ao mercado de trabalho. Aqueles com direitos de trabalho limitados, como os solicitantes de asilo, geralmente acabam trabalhando como autônomos subcontratados em setores precários, como entrega de alimentos e pacotes. Atualmente, esse setor está sofrendo reveses significativos – recentemente, a Lieferando demitiu 1.000 motoristas empregados, mudando totalmente para contratos freelance. Esse é um ataque direto aos direitos dos trabalhadores, que nós, como esquerdistas e movimentos emancipatórios, não podemos ignorar!

O trabalho precário geralmente leva a condições precárias de vida e saúde. Apartamentos muito caros, às vezes sem aquecimento ou eletricidade. Altos custos de saúde para indivíduos sem seguro. Muitas vezes, as pessoas afetadas precisam se organizar contra essas condições desumanas – enfrentando repressão severa, às vezes até a perda do emprego. Todos esses são sintomas da lógica do lucro capitalista e da marginalização.

Estamos vivendo em um mundo de múltiplas crises e guerras, que não podem ser resolvidas com respostas simplistas e retórica de direita. Uma crise que a política dominante continua a ignorar é a mudança climática. Desde as enchentes do último outono, ficou claro: a crise climática chegou à Áustria. Devemos reconhecer que muitas regiões – especialmente no Sul Global – são afetadas de forma desproporcional. O que vivenciamos até agora é apenas uma prévia do que está por vir. Está ocorrendo uma organização local, como a “Wir fahren gemeinsam”, em que motoristas de ônibus, sindicatos e ativistas ambientais unem forças para pressionar por uma transição do nosso sistema de transporte.

Para nós, a questão é como construir um modo de vida diferente – livre da guerra, da opressão estatal, do capitalismo, do racismo, do antissemitismo, do fascismo e do patriarcado; livre da dominação e da exclusão.

É hora de unirmos nossas lutas e desenvolvermos soluções coletivas. O mundo de amanhã deve ser melhor – livre de todas essas restrições!

Em resposta à exclusão, construímos solidariedade! Por essa visão, sairemos às ruas em 1º de maio! Junte-se a nós às 15h00 no S-/U-Bahn Simmering para uma manifestação militante pelo 11º distrito.

MAYDAY / MAYDAY

www.mayday.jetzt

[Espanha] Ofensiva anarcossindicalista 1º de Maio

Este dia 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora, a Confederação Geral do Trabalho de Andaluzia, Ceuta e Melilla, ergue sua voz em nome de quem sustenta esta sociedade com seu esforço e sacrifício. Desde os campos, às fábricas, desde os hospitais ate os lares, as trabalhadoras e os trabalhadores de Andaluzia demonstraram uma vez mais sua resistência frente à exploração e a injustiça. Somos os que produzem a riqueza e, por isso, temos o poder de transformar este sistema opressor.

Desde a CGT Andaluzia, reivindicamos um 1º de Maio combativo e cheio de memória histórica. Recordamos os que lutaram por direitos que hoje tentam nos arrebatar: jornadas dignas, salários e pensões justas, condições laborais seguras, liberdade sindical… Não esquecemos que foi a organização obreira e a ação coletiva as que arrancaram estas conquistas do poder estabelecido. E hoje, ante uma crise que não provocamos, mas que sim pagamos, voltamos a levantar nossas bandeiras vermelho e negras em sinal de rebeldia e luta.

O capitalismo segue mostrando seu verdadeiro rosto: uma máquina insaciável que converte nosso esforço em lucros para uns poucos, enquanto nos deixa só umas migalhas. Em Andaluzia, terra rica em recursos e cultura, seguimos sendo testemunhos de como a precariedade, a exploração e a desigualdade se perpetuam como se fossem inevitáveis. Mas não o são. Juntos podemos mudar este injusto regime.

Neste contexto, denunciamos com firmeza o recente anúncio da União Europeia de aumentar o gasto militar em 800.000 milhões de euros, financiados — o reconheçam ou não — às custas de cortes em políticas sociais já bastante minguadas, especialmente em comunidades como a andaluza, açoitada por uma onda de cortes e privatizações como a de motosserra. Este dinheiro, que poderia garantir serviços públicos universais, moradia digna, pensões justas, emprego estável ou a Renda Básica Universal, será utilizado para alimentar uma maquinaria bélica que só beneficia as elites econômicas e políticas. A militarização não resolve problemas como a desigualdade, a crise climática ou a falta de direitos laborais; ao contrário, aprofunda a miséria das classes populares e a mudança climática. Rechaçamos redondamente este giro militarista e exigimos que os recursos públicos se destinem a melhorar a vida das pessoas, não a fabricar armas.

Também, elevamos nossa voz em apoio ao povo palestino, que resiste heroicamente frente ao fascismo sionista, supremacista e colonial de Israel. Denunciamos a ocupação militar, os assentamentos ilegais, os muros da vergonha, os bombardeios indiscriminados, o apartheid sistemático que sofrem milhões de palestinos e palestinas ou as ameaças de limpeza étnica.

Exigimos o fim imediato da ocupação, o desmantelamento do muro ilegal, o fim dos assentamentos coloniais e o reconhecimento pleno dos direitos do povo palestino, incluindo o direito ao retorno. Rechaçamos qualquer cumplicidade com o regime israelense, seja mediante o comércio de armas, acordos econômicos ou relações diplomáticas que legitimam a opressão.

Também denunciamos a criminalização e exploração sistemática das pessoas migrantes, tratadas como criminosas por buscar uma vida digna longe de guerras, pobreza e devastação ambiental causadas pelo capitalismo e o colonialismo. Nenhuma pessoa é ilegal. As fronteiras são uma invenção do poder para dividir-nos e debilitar-nos como classe trabalhadora. Se não há fronteiras para o capital, não deveria haver para as pessoas. Exigimos a regularização imediata de todas as pessoas migrantes, o fechamento definitivo dos Centros de Internamento de Estrangeiros (CIEs) e o fim das políticas racistas e xenófobas que criminalizam os que buscam uma vida melhor. A luta das pessoas migrantes é nossa luta.

Finalmente, é o momento de recordar a sangria de mortes e enfermidades graves que ocorrem diariamente nos centros de trabalho sob o eufemismo de «acidentes laborais». Não são acidentes, mas consequências diretas da falta de medidas de prevenção, o descumprimento de normas de segurança e saúde, e a pressão insustentável para aumentar a produtividade. Por trás de cada vida truncada há uma empresa que prioriza os lucros sobre a vida humana. Dizemos basta a esta cultura de exploração extrema. Nem um trabalhador ou trabalhadora a menos! Exigimos medidas efetivas de prevenção, castigo exemplar para as práticas empresariais irresponsáveis e o direito universal a um trabalho seguro e saudável.

A tudo isto, voltamos a lançar um chamado urgente pela paz na Europa. A escalada militar impulsionada pela Comissão Europeia pretende perpetuar o conflito ao invés de buscar sua solução. Não queremos uma Europa militarizada nem uma guerra interminável que só alimente ódio, destruição e sofrimento. Se queremos a paz, devemos preparar a paz, não a guerra. Os fundos destinados à militarização devem dirigir-se urgentemente às escolas, hospitais, moradia social e programas de reconstrução. A Europa tem a oportunidade de ser um farol de cooperação, solidariedade e diplomacia, mas para isso deve abandonar a lógica do confronto e apostar pelo diálogo.

Este 1º de Maio não é um dia de celebração vazia nem de discursos ocos. É um chamado à ação diária e permanente. A CGT de Andaluzia, Ceuta e Melilla convida a todas as trabalhadoras e trabalhadores a organizarem-se, a construir redes de apoio mútuo e enfrentar o poder mediante a assembleia, a greve e a mobilização. Não esperemos que outros mudem o mundo por nós; juntas, podemos transformá-lo. Isso é o que querem que não saibas.

Recordemos que a verdadeira mudança não virá de cima, mas de baixo. Este 1º de Maio nos comprometemos a seguir lutando por um futuro onde a liberdade, a igualdade e a justiça social sejam uma realidade para todas as pessoas.

CGT de Andaluzia

cgtandalucia.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as ruas, eu,
e em mim, eu em outras ruas,
sob a mesma noite.

Alexei Bueno

[Espanha] Vivendo a minha vida Kelly

Era 20 de junho de 2004, o dia da minha chegada à cidade de Pamplona. Eu tinha dezesseis anos e soube o que era limpar merda. Começava minha vida como Kelly, embora não soubesse o que significava ser “sudaka”, “proletária” ou “cenetista”. Limpava um bar “no mercado informal” durante os finais de semana por 100 € por mês. Esse foi meu primeiro trabalho. E a ele se somaram o cuidado de crianças, limpeza de casas e portões.

Descobri o que era um contrato de trabalho seis anos depois, momento em que passei a doar meu tempo e minha força de trabalho a muitos patrões sem escrúpulos. Nem sabia que estava sendo explorada. Quando você é uma mulher migrante e todo o seu entorno também é, acaba se acostumando a esses trabalhos precários, a abaixar a cabeça, a ser grata aos seus “conquistadores” e a se ver como uma cidadã de terceira classe.

Contrariando todas as previsões, entrei na universidade sem bolsas de estudo ou qualquer tipo de ajuda. Com esforço infinito e alvejante (equipe de limpeza), consegui acessar os espaços que pessoas como eu só contemplavam da rua. Qualquer um poderia imaginar que, com um diploma e um mestrado, eu teria mais oportunidades de trabalho. Mas não. Continuo sendo Kelly. Pode ser que estudar Filosofia e Literatura Castellana não seja a opção mais rentável do mercado, eu sei disso.

Também não tenho um corpo hegemônico nem cumpro os parâmetros ocidentais de beleza, por isso, no mundo da hotelaria, nunca me colocaram para atender os clientes, mas para limpar seus quartos ou cozinhar como uma empregada doméstica sudaca à la carte.

Vinte anos depois, começam os problemas da vida Kelly. Não conheço ninguém do meu coletivo que seja feliz limpando ou fazendo quarenta camas diárias. Não há crianças dizendo “quando crescer, quero ser Kelly, foder minha coluna e receber abaixo do salário mínimo”. Se ninguém deseja ter rizartrose e síndrome cervicobraquial que vai paralisando os braços aos 37 anos, por que permitimos que esse tipo de trabalho continue existindo? Nos chamam de essenciais, mas ninguém nunca se colocou no nosso lugar ou tentou melhorar nossas condições. Eu gostaria que políticos e empresários limpassem dezoito quartos em seis horas e meia, como exigem as agências de emprego temporário, especialmente quando todos os hóspedes vão embora e você tem que trocar os lençóis e edredons sujos por outros.

Não é só o fato de ser mulher, mas também ser imigrante. Duplo preconceito. A sociedade continuará atribuindo os trabalhos que ninguém quer para você, não importa o que estude. Se você quiser ser independente e não contar com a ajuda econômica dos seus pais, acaba negociando com a merda e se prometendo que algum dia deixará de ser Kelly.

Na luta entre o senhor e o escravo, o servo não deseja se tornar patrão e lucrar com o seu trabalho, ele só deseja eliminar a dialética que determina sua vida. Por isso milito na CNT, para que um dia todas as Kellys do planeta façam a revolução.

Saúde e Anarquia.

Mariela Díaz, afiliada CNT Iruñea.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/viviendo-mi-vida-kelly/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No solar ruído
há ainda verdes cortinas
e um senhor, o sapo.

Alexei Bueno

[EUA] Novidade editorial: Desobediência: Declarações Anarquistas diante do Juiz e do Júri

Desde que existem anarquistas, há conflito com a lei. Do local de trabalho às ruas, nossas ações nos colocaram repetidamente diante de juízes e júris. Muitos de nós escolhemos manter nossa oposição desafiadora à lei, apesar da ameaça de punição. Esta antologia reúne as palavras de anarquistas que enfrentaram a condenação por um sistema judiciário no qual não acreditamos.

“…o banco dos réus tem sido a mais eficaz e, permitam-me dizer, a mais gloriosa de nossas tribunas.”

– Errico Malatesta

Defiance: Anarchist Statements before Judge and Jury

256 páginas

Preço promocional: US$ 13,50

detritusbooks.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas
As sombras do outono.

Kyoshi

[Espanha] Inicia Ruido Feminista Radio, ondas livres contra o patriarcado!

Ruido Feminista Radio surge com a intenção de seguir criando ferramentas de transformação social que sejam espaços coletivos de encontro para pessoas atravessadas pela categoria mulher (cis, trans, etc.), e espaços de difusão de perspectivas feministas.

Criamos uma rádio on-line na qual reeditamos programas e podcast feitos por mulheres CIS, Trans, Não binárias, sexualidades dissidentes, etc. que se encaixam nos princípios das rádios livres.

Uma Rádio Livre para dar lugar a todas aquelas vozes do território com um objetivo comum: uma Cantábria anticapitalista, feminista, libertária e antirracista.

Queremos oferecer formatos e conteúdos para despertar através das ondas vosso espírito crítico, a informação verídica e o livre pensamento, mas também os sonhos.

Podes encontrar toda a informação sobre o projeto e escutar a rádio on-line em
https://ruidofeministaradio.org/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de outono
Folhas secas de momiji
Entopem a calha

Chico Pascoal

[França] Contra o negócio da guerra! Não à OTAN, nem em Toulouse nem em nenhum outro lugar.

De segunda a quarta-feira, generais, pesquisadores e industriais britânicos, franceses, americanos e da OTAN se reunirão no Centro de Congressos Pierre Baudis, em Toulouse, para a primeira conferência inaugural do futuro “Centro Espacial de Excelência da OTAN”, que será localizado em Toulouse neste verão.

A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) é o braço armado do imperialismo ocidental e está constantemente expandindo sua influência por meio de armamentos e guerras.

Toulouse é um centro nevrálgico da indústria bélica. Sob o pretexto de pesquisa e desenvolvimento nos setores aeronáutico e espacial, suas empresas (Airbus, Thalès, Safran, etc.) e laboratórios universitários (CNES, OMP, ONERA, etc.) contribuem ativamente para armamentos e mortes em todo o mundo.

De 28 a 30 de abril, os principais atores das guerras de ontem, hoje e amanhã estarão conversando, comendo e comemorando em nossa cidade. Não deixemos que eles perpetuem a morte e a destruição em paz!

Vamos nos manifestar contra esse projeto mortal nesta terça-feira, 29 de abril, às 17h30. em frente ao centro administrativo, estação de metrô Compans Cafarelli.

Guerra contra a guerra!
OTAN, fora de Toulouse!

A N T I M I L I T A R I S T A S

agência de notícias anarquistas-ana

alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Itália] O sabor da liberdade: “Anarquia à mesa”, de Fiamma Chessa

“Anarquia à mesa”, de Fiamma Chessa, é mais do que um simples livro de receitas: é um diário gastronômico anárquico que entrelaça histórias, tradições e lutas que atravessam gerações, demonstrando como a comida pode ser um instrumento de memória, resistência e comunidade.

“Anarquia à mesa”: uma jornada entre culinária e memória
 
O que a culinária tem a ver com anarquia? Esta é a pergunta que surge ao nos depararmos com “Anarquia à mesa”, o novo livro de Fiamma Chessa, estudiosa e curadora do Arquivo Família Berneri Aurelio Chessa. A resposta é simples: a comida é cultura, tradição, narrativa, e torna-se um fio que entrelaça histórias, ideias e comunidades. Neste livro, a culinária não é apenas sustento, mas um ato de resistência, compartilhamento e identidade. A citação de Tiziano Terzani que abre o volume – “Nós não somos apenas o que comemos e o ar que respiramos. Somos também as histórias que ouvimos, os livros que lemos, a música que escutamos” – introduz perfeitamente o sentido da obra. Através de receitas transmitidas, encontros com figuras do movimento anarquista e relatos de lugares vividos, Chessa nos conduz em uma jornada pessoal e coletiva, onde a culinária se torna o espelho de uma ideia de liberdade e pertencimento. Não se trata apenas de um livro de receitas, mas de uma narrativa que atravessa gerações, desde a lembrança dos pratos de família até as experiências nas cozinhas coletivas dos encontros anarquistas. “Anarquia à mesa” é um livro que celebra a comida como veículo de memória histórica e política, transformando cada prato em um fragmento de história e cada ingrediente em uma narrativa.

As raízes familiares: as receitas de Giovanna Caleffi
 
A jornada culinária de “Anarquia à mesa” tem início nas raízes familiares da autora, entrelaçando-se com a memória de Giovanna Caleffi, esposa de Camillo Berneri. É ela quem transmite a Fiamma Chessa a paixão pela culinária, presenteando-a com uma cópia de “A ciência na cozinha e a arte de comer bem”, de Pellegrino Artusi, um clássico da gastronomia italiana. As receitas de Giovanna Caleffi não são apenas uma herança gastronômica, mas o reflexo de um modo de viver e pensar: pratos simples, ligados à tradição camponesa, mas carregados de significado afetivo e político. Através desses sabores, o livro recria a atmosfera de uma época em que a cozinha também era um momento de socialização, confronto e cuidado mútuo. As iguarias narradas não são apenas uma lista de ingredientes e procedimentos, mas pequenos fragmentos de vida: cada prato torna-se o pretexto para evocar episódios, encontros, anedotas ligadas à figura de Caleffi e ao contexto anarquista em que viveu.

A Vitrine da Editoria Anarquista e Libertária
 
Se as primeiras seções de “Anarquia à mesa” mergulham na dimensão íntima e familiar, o livro se abre posteriormente para uma dimensão coletiva e comunitária com o relato da Vitrine da Editoria Anarquista e Libertária, manifestação iniciada em 2003 em Florença, com periodicidade bienal. Este evento não é apenas um momento de encontro para editores e autores independentes, mas também uma oportunidade para experimentar e compartilhar diferentes cozinhas, entre cultura libertária e tradições populares. Ao longo dos anos, a manifestação deu origem a uma cozinha coletiva, organizada para alimentar os participantes com pratos que são fruto das experiências e das contaminações de quem participa. As receitas desta seção do livro narram uma culinária mestiça e solidária, que acolhe pratos da tradição camponesa, mas também propostas vegetarianas e veganas, adaptando-se às necessidades e sensibilidades de uma comunidade em constante transformação. Entre as receitas apresentadas, encontramos a torta de maçã, pera e chocolate; o babka (doce da tradição judaica da Europa Oriental); e o sanduíche de lampredotto, símbolo da culinária popular florentina. Através dessas experiências, a comida se confirma não apenas como necessidade, mas como instrumento de relação e agregação, uma maneira de entrelaçar histórias e identidades diversas, no caminho de uma tradição anárquica que sempre fez da convivialidade um elemento central de sua cultura política.

Reggio Emilia e a redescoberta das raízes familiares

A última parte de “Anarquia à mesa” nos leva a Reggio Emilia, cidade para onde Fiamma Chessa se mudou nos anos 2000 para acompanhar o Arquivo Família Berneri-Aurelio Chessa, guardião de grande parte da memória anarquista italiana. Aqui, a narrativa se entrelaça com novas descobertas e encontros significativos, incluindo aquele com os sobrinhos-netos de Giovanna Caleffi, que permitem à autora aprofundar ainda mais as tradições culinárias de sua família.
Esse retorno às origens não é apenas uma jornada gastronômica, mas também um momento de redescoberta, onde a comida se torna um veículo de memória e continuidade. Entre as receitas transmitidas pela família Caleffi, destacam-se a galinha recheada e a zuppa inglese, pratos que carregam consigo o sabor de uma época e de uma comunidade que, através da culinária, soube manter vivos seus laços.

O livro se encerra com uma entrevista com Libereso Guglielmi, jardineiro e anarquista, conhecido por sua ligação com a família de Mario Calvino, pai de Italo. O diálogo com Guglielmi acrescenta uma perspectiva inédita sobre a relação entre botânica, liberdade e culinária, reforçando a ideia de que a comida, assim como as plantas, é um elemento de conexão profunda entre indivíduos e território. Com esta seção, “Anarquia à mesa” demonstra mais uma vez como a culinária nunca é apenas nutrição, mas um idioma cultural e político, capaz de contar histórias de resistência, solidariedade e pertencimento.

Comida, memória e anarquia: o valor de “Anarquia à mesa”

Com “Anarquia à mesa”, Fiamma Chessa assina uma obra que vai além de um simples livro de receitas. Através da culinária, a autora nos oferece um retrato da história anarquista italiana, narrando episódios, encontros e tradições que muitas vezes permanecem à margem da grande narrativa histórica. Das receitas de Giovanna Caleffi e Aurelio Chessa aos pratos compartilhados na Vitrine da Editoria Anarquista e Libertária, cada página do livro é um testemunho de resistência e comunidade, uma ode à simplicidade e ao compartilhamento.

O volume também demonstra como a culinária é um instrumento de conexão, capaz de atravessar épocas e gerações. As experiências da autora, desde os relatos de sua infância até os anos mais recentes em Reggio Emilia, nos mostram como as tradições gastronômicas podem se transformar em arquivos vivos, capazes de transmitir valores e ideias com a mesma força de um manifesto político.

“Anarquia à mesa” é, em essência, um livro sobre anarquia e convivialidade, sobre laços familiares e luta política.

Anarchia a tavola
Fiamma Chessa
diario
Edizioni Malamente
novembro 2024
180 págs.
20,00€
edizionimalamente.it

Fonte: https://www.magozine.it/il-sapore-della-liberta-anarchia-a-tavola-di-fiamma-chessa/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Soneca da tarde.
Uma brisa companheira
chega sussurrando.

Alberto Murata

Contra a guerra, contra o poder: um apelo da IFA a todxs os anarquistas para se posicionarem contra a OTAN

A cúpula da OTAN em 2025 acontecerá no Fórum Mundial de Haia, nos Países Baixos, de 24 a 26 de junho. Enquanto a máquina de guerra reúne milhares de delegados de seus 32 Estados-membros para orquestrar a próxima grande onda de expansão militar, não podemos ficar em silêncio. Precisamos erguer uma bandeira de desafio e resistência. A OTAN não existe para nos proteger. Ela serve aos interesses dos Estados, das corporações e de poucos às custas de muitos.

O Estado e a OTAN, ou qualquer outra aliança militar multinacional, não nos trazem segurança — trazem controle, buscando apenas nossa obediência, nossa conformidade e nossa capitulação. Seja na violência endêmica da polícia em nossas comunidades, nos campos de batalha ensanguentados da Ucrânia ou nos oceanos de ruínas de Gaza, temos um único inimigo: o capitalismo e o Estado.

Desde sua criação em 1947, a OTAN agiu apenas como executora da violência imperialista, instrumento de repressão e motor de guerra. Ela não protege a paz. É nossa inimiga de classe e uma ameaça direta à vida e ao bem-estar de cada um de nós. Nossa luta não é entre nações, mas contra a classe dominante à qual todxs resistimos. Isso continua verdadeiro, mesmo diante da brutal realidade da guerra. Sob o pretexto da segurança europeia e nacional, os governos da OTAN estão canalizando bilhões para orçamentos militares, cortando serviços sociais vitais.

Enquanto constroem exércitos, nos deixam lutando pela sobrevivência. Impõem austeridade enquanto acumulam recursos para a guerra. Eles erguem forças armadas enquanto nós lutamos por saúde, moradia e dignidade básica. Vemos todos os dias como recrutam as próximas gerações, preparando-as para pegar em armas — privadas de oportunidades, sem outra escolha a não ser se alistar e virar carne para canhão em conflitos que não criaram, vendidas à aventura, à falsa fraternidade e ao patriotismo. Quando os recrutas voltam, mutilados e destroçados, são descartados, úteis apenas como símbolos em desfiles vazios. Em seus uniformes militares, mostram à luz do dia que a propaganda nunca termina.

Chamamos todxs os anarquistas, antiautoritários e quem se opõe à guerra para se unir, organizar e resistir ao militarismo. A OTAN e seus senhores da guerra se reunirão, mas nós também. Vamos às ruas. Vamos perturbar suas demonstrações de poder. Criaremos redes de solidariedade e nos oporemos diretamente às suas guerras, à sua polícia militarizada e à repressão de nossos movimentos. Nós, anarquistas, lutamos por um mundo sem fronteiras, sem Estados e sem exércitos que sustentem seu domínio.

Conclamamos à solidariedade internacional contra a OTAN e toda manifestação de opressão militarizada — seja a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), a Força Escudo da Península (PSF), a Aliança dos Estados do Sahel (AES), o Plano ReArm Europe 2030 ou qualquer outro pacto ou exército supostamente de “segurança coletiva”. Todos servem ao mesmo propósito: manter o domínio pela força, perpetuando o sofrimento no mundo. As armas que usam hoje para garantir recursos serão voltadas contra nós amanhã.

Pedimos a todxs anarquistas, antiautoritários e antimilitaristas que ajam nesses dias em Haia e em todo o mundo, em solidariedade internacional. Que os detalhes de nossos planos cresçam juntos. Organizem-se e preparem nossas ações. Juntos, faremos com que saibam: rejeitamos as falsas escolhas do nacionalismo. Rejeitamos a ideia mentirosa de que a OTAN existe para proteger. Rejeitamos a brutalidade de seu militarismo e as doutrinas marciais da guerra. Repudiamos suas propostas de orçamento que esvaziam os cofres da classe trabalhadora e apoiamos as vítimas e desertores de todas as guerras.

Nenhuma guerra entre os povos, nenhuma paz entre as classes.

Comissão de Relações da Internacional das Federações Anarquistas (IFA)

Marselha (França), 22-23 de março de 2025

Fonte: https://umanitanova.org/contro-la-guerra-contro-il-potere-un-appello-dellifa-a-tutt-l-anarchic-a-schierarsi-contro-la-nato/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sai em disparada
da grande moita de mato
o esquilo cinzento…

Hazel de S. Francisco

[Espanha] Primeiro de Maio de 2025 CNT-AIT Granada

Neste Primeiro de Maio, a CNT-AIT de Granada o celebrará na Placeta de la Cruz a partir das 12h.

Uma jornada para que todos estejam juntos, no qual o ato central serão os comícios nos quais serão abordadas diferentes questões atuais. O sindicato dará ênfase especial a como o crescente aumento do militarismo e do fascismo afeta os trabalhadores. Para reverter essa situação, nada melhor do que gerar comunidades de luta organizadas desde baixo, sem a mediação de partidos e organizações de vanguarda.

Além da CNT-AIT de Granada, outros coletivos participarão.

Além disso, durante toda a jornada haverá banquinhas com livros e outros materiais. Ao meio-dia, teremos um almoço popular, provavelmente paella, e desfrutaremos de algumas apresentações artísticas: concerto, poesia, palhaços e DJ.

Por um Primeiro de Maio revolucionário, autogestionado e libertário!

granada.cntait.org

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a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

[Bélgica] Bem-vindo à Antena Negra!

Desde janeiro passado, o centro social autogerido Antena Negra (rue du Marais 1) está aberto a todos para se encontrarem, compartilharem, discutirem, brincarem, se organizarem, comerem juntos, lutarem e reviverem um lugar abandonado que foi transformado em um espaço de liberdade no coração de Bruxelas!

Sinta-se à vontade para participar das diversas atividades semanais e trazer suas próprias ideias, necessidades e atividades para o local. A Antena Negra precisa que você continue existindo e resistindo!


Hoje encontramos lá:

  • o café para desempregados (segunda-feira de manhã, a partir das 9h30),
  • a assembleia de luta em solidariedade com o Congo (segunda-feira à noite, às 19h),
  • o caf’anar (quarta-feira à noite, das 18h30 às 22h),
  • o café queer (quinta-feira, das 17h30 às 22h),
  • o dia de atualidades (sexta-feira, das 10h às 16h),
  • a cantina popular + projeção (1 domingo de cada mês, a partir das 16h),
  • o soft rock café (domingo, das 19h30 às 22h)

E muitas outras atividades!


Todas as novas propostas são bem-vindas nas reuniões gerais do centro social (duas vezes por mês, terça-feira à noite, às 18h30).


Você também pode nos escrever em lantennenoire@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Outono –
uma folha úmida
cobriu o número da casa.

Constantin Abaluta

Os Karuanas não querem petróleo | “É ele o maior vilão na aceleração da crise climática”

Por Luene Karipuna | Oiapoque-Amapá

Morei a maior parte da minha infância numa aldeia chamada Encruzo, na Terra Indígena Uaçá, no município de Oiapoque. Tenho boas lembranças da minha aldeia: cheiro de lama, o vento que vinha do mar, a pororoca, o peixe assado, as histórias do meu avô. Ele sempre nos ensinou a respeitar o rio e os Karuanas. Os Karuanas são seres sobrenaturais, que se conectam com os pajés e vivem no Outro Mundo, onde são gente como nós. Apenas os pajés conseguem vê-los e se comunicar com eles. Os Karuanas vêm do mar, dos rios, dos lagos, da mata e do espaço. São espíritos de Aves, Cobras, Peixes, Árvores e Estrelas. Eles são responsáveis por nos curar e manter o equilíbrio entre o nosso mundo e o mundo deles.

Quando criança nós aprendemos a respeitar as regras – a gente não podia pular no rio às 6 da manhã, ao meio-dia ou às 6 da tarde. Nosso avô dizia que nesses horários a gente perturbava o descanso dos Karuanas, pois eles também precisavam dormir. Ele nunca se referia aos Karuanas como espíritos, mas sim como gente, pessoas que cuidavam de nós.

Por esse conhecimento ancestral sou contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas. Os Karuanas são extremamente importantes para o equilíbrio da vida. Sem eles, nós ficamos enfraquecidos. Quando operações como a exploração de petróleo chegam aos lugares onde moram os Karuanas e incomodam a casa deles, eles vão embora e se afastam. E nossa conexão se enfraquece. Com isso, vamos adoecendo espiritualmente.

Meu avô sempre nos ensinou que precisamos respeitar os Karuanas. Por toda a minha vida eu aprendi isso. Não consigo sequer imaginar o que é viver em um lugar morto de espírito, onde a ganância é soberana, onde todos os ensinamentos do meu povo correm perigo, onde eu não possa mais sentir os Karuanas. Onde o brincar na lama e tomar banho de rio não são mais possíveis. Eu me recuso a viver em um lugar onde meus sobrinhos não possam ver esses lugares sagrados e não possam aprender sobre os Karuanas.

A vida não pode ser determinada pela ganância dos humanos. Vejo todas as minhas memórias de infância correndo risco de não ser mais realidade: comer Caranguejo e Caramujo, cair na lama com meus pais e irmão, pegar Akari, um peixe cascudo. Por muitos anos eu acreditei que nunca iria sentir esse medo de perder tudo em um piscar de olhos. Mas hoje vivo com medo todos os dias.

Eu sou contra a exploração de petróleo porque ela ameaça o território e a história do meu povo. Eu sou contra a exploração de petróleo porque é ele o maior vilão na aceleração da crise climática. Eu sou contra a exploração de petróleo porque ela acabou com o nosso sossego. Eu sou contra a exploração de petróleo porque isso ameaça a vida dos Karuanas – e me ameaça.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/20/lula-defende-exploracao-de-petroleo-na-foz-do-rio-amazonas-o-pais-nao-pode-deixar-de-ganhar-dinheiro-com-esse-petroleo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/25/lula-farsa-ambiental-capitalismo-verde-atrair-quem-diz-que-ama-a-amazonia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/19/plano-da-petrobras-para-perfurar-foz-do-amazonas-enfrenta-forte-resistencia-indigena/

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

[Grécia] Microbombardeiros da Hellenic Train protestam contra “encobrimento do crime em Tempi”

Sem feridos no ataque, reivindicado em homenagem aos mártires palestinos e a Kyriakos Ximitiris

Por Kit Dimou

Um extenso manifesto foi publicado no Greek Indymedia reivindicando a responsabilidade pela detonação de uma mochila nas proximidades dos escritórios da Hellenic Trains, principal companhia ferroviária da Grécia, na noite de sexta-feira (12 de abril). Não houve feridos e apenas danos menores foram causados na microexplosão. O desastre ferroviário de Tempi, que deixou 57 mortos, provocou protestos em massa na Grécia no início deste ano, seguidos de distúrbios no aniversário da tragédia.

Segundo a polícia, a mochila explodiu às 21h35, 42 minutos após ligações anônimas para dois veículos de mídia alertarem sobre um artefato que explodiria no local, enfatizando que “não era uma brincadeira”. Embora a polícia tenha declarado que “avaliou o incidente como uma ameaça séria”, esvaziando a área e evacuando o prédio e um hotel próximo, a mochila foi permitida a explodir sem ser examinada pela equipe antibombas chamada ao local. O artefato foi descrito como um “dispositivo improvisado de baixa potência com temporizador”.

Sob o nome “Autodefesa de Classe Revolucionária”, também utilizado na microexplosão contra o Ministério do Trabalho da Grécia em 3 de fevereiro de 2024, o manifesto dedicou ambas as ações “ao povo palestino e à sua resistência heroica”, bem como em homenagem a “Kyriakos Xymitiris e a todos que tombaram lutando no caminho da revolução social”.


O manifesto acusa o governo e a Hellenic Train de encobrirem as verdadeiras causas do desastre ferroviário de Tempi, atribuindo-o a erro humano e utilizando o incidente como pretexto para novas privatizações. Critica o governo por não processar a Hellenic Train e por permitir que a empresa continue operando o sistema ferroviário, assumindo, assim, responsabilidade política pelo desastre.

O texto conclama à continuidade da luta de classes e da organização coletiva, sugerindo que a única forma de alcançar justiça e segurança para os trabalhadores é por meio da ação coletiva e da mudança revolucionária. O documento também manifesta solidariedade com o povo palestino e menciona o agravamento das tensões internacionais, conectando as lutas na Grécia a conflitos globais mais amplos.


Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/04/13/greece-hellenic-train-micro-bombers-protest-cover-up-of-the-crime-in-tempi/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/03/06/grecia-sexta-feira-28-02-ainda-nao-acabou/  

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No pensamento
Um esqueleto abandonado –
Arrepios ao vento.

Bashô

Guardião ou Gestor? A armadilha da conciliação e o futuro da luta indígena

O poder político institucionalizado tem a astúcia de engolir até mesmo aqueles que nasceram para proteger a Terra. A política, como está organizada no Brasil, não acolhe as causas coletivas, ela as absorve, reconfigura e esvazia seus significados ancestrais.

É dentro desse jogo de máscaras que muitos parentes, ao ingressarem no cenário institucional, deixam de ser guardiões da floresta para se tornarem peças controláveis de uma engrenagem corrupta e corruptível. Acreditam estar se tornando gestores, mas na prática não têm poder de mando nem promovem mudanças efetivas para os povos, a não ser alguns eventos sociais que apenas alavancam candidaturas.

Alguns acreditam que ocupar espaços no governo representa um avanço. Mas não estamos vendo isso na prática. Outros, como nós, sempre alertaram para o risco de que essas estruturas sirvam apenas para administrar concessões e transformar direitos conquistados com muita luta e sangue em moeda de troca. A institucionalização serve, sobretudo, como instrumento de conciliação e controle. E se não houver enfrentamento real à lógica do capital e à colonialidade do poder, o caráter de guardião se dissolverá.

O sistema político não foi feito para nos libertar, ele foi feito para manter o capitalismo e os sistemas de exploração dos recursos naturais em movimento. E quando alguém aceita jogar segundo essas regras, sem tensioná-las e principalmente sem rompê-las, torna-se mais um gestor da destruição. Nunca um guardião, propriamente falando.

A imagem de “guardião da floresta” carrega em si a potência da resistência indígena há mais de 525 anos. É uma conexão incorruptível, porque nossa cultura ancestral não permite conciliação com quem nos fere é como água e óleo: não se misturam. A história mostra que, quando tomamos lados dentro da lógica do opressor, sempre somos traídos.

Quando alguém é cooptado pelo poder político, acaba se tornando apenas um símbolo publicitário. Uma espécie de acessório de uma falsa diversidade. Enquanto isso, a realidade territorial continua violenta, e as bases com suas urgências, suas vozes, seguem esquecidas

Pastas e documentos acumulam poeira. Nunca resultados.

Precisamos nos perguntar: que tipo de representatividade estamos construindo? Ela liberta ou apenas concilia? Ela eleva a voz coletiva ou serve para garantir os direitos individuais de quem já está dentro da estrutura? Os representantes indígenas de hoje agem como mensageiros da ancestralidade ou como mediadores econômicos de conflitos que deveriam ser enfrentados com coragem?

Seus projetos são realmente voltados para os mais desfavorecidos? Ou estamos vendo uma verticalização das prioridades, em que os parentes mais invisibilizados continuam sem escuta e sem retorno?

A luta indígena não é compatível com a lógica do lucro. Ela não se presta à vaidade, nem cabe na frieza dos invasores. A floresta é corpo vivo e quem é fiel ao papel de guardião carrega essa verdade com coragem, sem se deixar corromper.

Essa verdade mora nos corações indomáveis, atentos às falhas históricas da conciliação. Mesmo antes da República, os franceses e portugueses já manipulavam uma polarização durante o período da invasão. E quem pagou o preço da conciliação, ontem como hoje, foram os parentes.

A história repete suas armadilhas, mas nós seguimos lembrando, resistindo, e dizendo não!

Autonomia Indígena Libertária – AIL

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Já nasceram frutos.
Não descansa, mesmo assim,
a chuva de outono!

Maria Helena Sato

[Grécia] “Evangelismos não se rende, luta”

Na noite desta quarta-feira (23/04) centenas de pessoas, principalmente anarquistas, se reuniram em frente à Basílica de São Marcos, no coração da cidade de Heraklion, para se manifestarem contra o despejo da ocupação Evangelismos.
 
Os manifestantes carregavam faixas com slogans como “Evangelismos não se rende, luta”, “Vamos tomar tudo de volta”, “Defender as ocupas e as estruturas de luta”. O ato foi acompanhado por um forte contingente policial.
 
Primeira manifestação
 
Ataques ocorreram na noite de terça-feira (22/04) no centro de Heraklion durante uma passeata de manifestantes anarquistas que protestavam contra o despejo da ocupação “Evangelismos”. Bancos, lojas e um shopping center da cidade foram alvos de ações diretas.
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/04/23/grecia-ilha-de-creta-ocupacao-evangelismos-e-despejada-pela-segunda-vez/
 
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Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado
 
Edson Kenji Iura