[Chile] A 9 anos da detenção dos companheiros Kevin Garrido e Joaquín García | Memória e solidariedade com os que atentam contra o poder

Na madrugada de 19 de novembro de 2015, o companheiro Kevin Garrido, que tinha 18 anos de idade, se dirigiu em sua bicicleta às imediações da Escola de Gendarmeria de San Bernardo, armado de uma bomba, uma lamina e um acendedor. Depois de selecionar o lugar de colocação, o companheiro ativa a bomba que havia fabricado de maneira artesanal (composta por um extintor cheio com mais de 2 kilos de pólvora negra, estilhaços e uma mecha).

Depois da detonação em uma das entradas da escola de carcereiros, o companheiro foi rapidamente perseguido e capturado por um carro civil da bastarda polícia chilena que vinha seguindo seus passos, por causa da colocação de outro artefato explosivo que foi posto na 12° delegacia de San Miguel, em 29 de outubro de 2015, o qual foi adjudicado pela “Conspiração Internacional pela Vingança – Célula Deflagrante Gerasimos Tsakalos” (companheiro da CCF encarcerado na Grécia).

Essa mesma noite, se emite uma ordem de captura para o companheiro anarquista Joaquín García Chancks, que foi qualificado como coautor do atentado realizado na 12° delegacia, junto a Kevin. Na manhã do dia seguinte ambos os companheiros foram expostos em todos os canais de televisão como um troféu para o estado policial chileno: “Me sentaram em uma de suas salas de espetáculos por mais de seis horas a ouvir as palavras que esparramava um promotor com um fedor de vômito. Ante os discursos de juízes e promotores culpando-nos a mim e a meu companheiro e ameaçando-nos com dezenas de anos na prisão esperaram caras de tristeza ou preocupação sem saber que riríamos e insultaríamos em suas caras” (Kevin Garrido, Novembro de 2016).

Após sua formalização, os companheiros ficaram na prisão preventiva na seção de segurança máxima do CAS. Em junho de 2016, após viver 7 meses neste regime de castigo e isolamento, Kevin pediu o translado ao cárcere/empresa Santiago 1, onde foi enviado a diferentes módulos para presos reincidentes, sem passar antes pelos módulos de “novatos” como é o protocolo, evidenciando um claro ato de vingança por parte da gendarmeria. Ainda assim, Kevin jamais pediu considerações a seus miseráveis carcereiros, nem caminhou com temor ao interior do cárcere. Pelo contrário, Kevin viveu o encarceramento com a mesma consequência que praticava na rua, e por isto sempre foi bem recebido por outros presos nos módulos nos quais viveu.

Em julho de 2016, o companheiro Joaquín consegue sair da prisão, com uma prisão domiciliar total, o qual transgrediu em poucos dias. Em setembro de 2016, após estar clandestino por mais de dois meses, Joaquín foi recapturado pela PDI, portando um revólver e munições.

Após 3 anos e 7 meses de encarceramento, realizou-se um extenso julgamento oral contra ambos os companheiros. A instância os declarou culpados do atentado contra a 12ª delegacia de San Miguel, mas além disso a Kevin declararam culpado do atentado contra a escola de gendarmeria e a Joaquín pelo porte de arma de fogo e as munições que portava ao ser recapturado. Por estes delitos, em 05/09/2018 Kevin e Joaquín foram sentenciados a 17 e 13 anos de prisão, respectivamente.

Na manhã da sexta-feira, dia 02 de novembro de 2018, após a contagem matutina, o companheiro Kevin Garrido enfrentou em um conflito com um bastardo preso autoritário, que o atacou covarde e indignamente pelas costas, enquanto o companheiro Kevin ia em busca de sua arma para confrontá-lo. Após este covarde ataque, Kevin permaneceu gravemente ferido, sem receber a assistência médica necessária, esperando a chegada da ambulância durante 1 hora e 15 minutos. Foi transladado ao hospital Barros Luco, onde falece após uma operação de alto risco.

No domingo, dia  5 de novembro se levou a cabo um multitudinário funeral, o qual percorreu desde San Bernardo até o povoamento La Victoria, onde foi recebido por afinidades e companheiros, que acompanharam o cortejo fúnebre com gritos, panfletos, faixas, fogo, pirotecnia e chumbo. Tudo isto sob um grande assédio policial que contou com helicópteros, GOPE, carros policiais, feridos e enfrentamentos.

O companheiro Kevin Garrido nunca se considerou uma vítima do sistema carcerário; pelo contrário, o enfrentou dignamente declarando a guerra a todas as expressões do bastardo autoritarismo que o forma, seja com carcereiros, presos autoritários, juízes ou promotores.

O caminho insurrecional que empreendeu Kevin desde curta idade, o reivindicamos cada ano ao fazê-lo presente na luta de rua, em múltiplas formas de propaganda e em ações diretas que atentam contra a autoridade, o cárcere e a infraestrutura do progresso.

Atualmente o companheiro Joaquín García se encontra prisioneiro no cárcere/empresa La Gonzalina de Rancagua, condenado até novembro de 2028.

“Quem pode dizer que é o primeiro a cursar este caminho, abarrotado sempre de múltiplas trilhas? Herdamos, talvez sem querê-lo, as ferramentas e o ímpeto que outros deixaram, alguns renunciaram, outros foram e outros poucos seguem por aí dando cara, mas o que nunca cessou de existir é o terreno fértil, o espaço antagonista no qual se pode exercer a violência, projetar, amadurecer, diferenciar-se”. (Joaquín García. Dezembro 2018)

Novembro Negro em memória do companheiro
Kevin Garrido e todos os nossos mortos
Liberdade para o companheiro Joaquín García!

>> Em destaque fotografia de Kevin Garrido em uma ação em 2012.

Tradução > Sol de Abril

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Algo faz barulho —
Cai sozinho, sem ajuda,
O espantalho.

Bonchô

[Espanha] Só o povo salva o povo! Reflexões sobre uma catástrofe

Estamos em um momento decisivo para o nosso futuro político. Chegou a hora de decidir e tomar uma posição; não é mais suficiente nadar e depois guardar as roupas. É urgente porque disso dependerá o que seremos nas próximas décadas, e é nosso dever interromper essa deriva histérica que nos relega a seres passivos, espectadores das decisões em que nossas vidas estão em jogo, que nos condena a ser explorados sem fim, que nos desumaniza e nos rouba a vida.

Temos de escolher uma de duas opções: o Estado ou o povo. E, por mais que a mídia ou aqueles cujos salários dependem dela possam nos martelar, não se trata de uma dialética entre pagar ou não pagar impostos, não se trata de saber se estes ou aqueles são incompetentes, pois todos são – eles mesmos reconhecem sua negligência ao entregar a administração de empresas públicas, para as quais foram eleitos, a empresas privadas que eles reconhecem que administram melhor -, ou que o que é necessário é uma mão firme e uma liderança clara, como propõem a ultradireita e a esquerda radical. O que importa é quem elegemos para tomar decisões e por que e como essas decisões são tomadas, porque quando as decisões precisam ser tomadas em uma emergência – mas também em questões econômicas ou educacionais, por exemplo – não deveríamos ter que recorrer a pessoas/personagens que não sabem nada sobre o assunto, o que precisamos é que especialistas que sabem sobre nossos objetivos, que conhecemos e reconhecemos, assumam a liderança.

Precisamos dar um passo à frente e demitir todos os fantoches que tomaram conta de nossas decisões, mandá-los para lugares onde não possam causar danos e repensar tudo desde o início. E o começo não é outro senão os seres humanos, as pessoas que habitam o mundo ao lado de outras espécies animais e vegetais, mas também ao lado de rios e montanhas, ao lado de pomares e campos de grãos e mares e nuvens. Começar a partir daí, do básico da existência: comida, moradia, roupas, amor… e também poesia, filosofia, arte, ciência… e construir um sistema que valorize o outro, que enfatize a interdependência e o apoio mútuo (solidariedade, se você quiser usar uma palavra menos politizada), a diversão e o prazer. Vamos criar uma sociedade que nos faça felizes, onde haja tempo para brincar, para o desenvolvimento pessoal e também, é claro, para o trabalho como algo necessário para manter a vida.

Uma vez que tenhamos pensado nisso e colocado em preto e branco, teremos que ver como nos organizaremos, mas nada de comissões de charlatães ou vendedores ambulantes pagos, nada de recriar o Estado de uma forma mais humana ou de trabalhadores para trabalhadores. Vamos pensar nas pessoas mais válidas ao nosso redor e vamos dar a elas a responsabilidade de serem nossos porta-vozes, evitando que rompam com sua comunidade, que se desconectem para se tornarem mais profissionais, e vamos acompanhá-las contribuindo com nosso conhecimento – que as empresas têm conseguido explorar tão bem. Ninguém poderia ser responsável por nada porque todos nós seríamos responsáveis e, se algo desse errado, teríamos a capacidade de corrigi-lo e, juntos, aprender com ele. Seria difícil fazermos algo pior.

O capitalismo teve séculos de tentativas e erros, várias guerras mundiais e conflitos permanentes, pilhagem e repressão, milhões de inocentes mortos, baseia-se em incentivar o que há de pior em cada ser humano, seu individualismo e egocentrismo, cada um por si e, em suma, chegar a esse ponto em que apenas alguns, cada vez menos, se beneficiam. Chegou a nossa hora, a hora dos outros, aqueles de nós que são mais e têm mãos e pernas e produzem e consomem e sem os quais esse sistema não funcionaria. Só precisamos romper o véu que foi colocado sobre nós para podermos ver claramente que há outras maneiras de nos organizarmos, um novo sistema criado à nossa imagem, no qual não haverá acumulação por poucos.

Vamos nos organizar em bairros, em ateneus, em centros sociais, em grupos habitacionais que lutam contra a gentrificação e a turistificação, em grupos feministas, em qualquer espaço que funcione horizontalmente e, se não houver nenhum, vamos criá-los. Não deixemos os lugares para serem reconstruídos, organizemo-nos também em nossos locais de trabalho em sindicatos combativos e de classe. Vamos criar nossos próprios espaços para mostrar que não queremos os deles, vamos tornar o Estado desnecessário. O tempo está se esgotando e está se tornando cada vez mais urgente.

Será hoje ou amanhã, mas será. Tenho a sensação de que será com sofrimento, mas não precisa ser, é fácil se pensarmos nisso. Hoje é melhor do que amanhã.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/solo-pueblo-salva-al-pueblo-reflexiones-torno-una-catastrofe

Tradução > Liberto

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As margaridas
na ciranda, sorridentes
como crianças

Maria Fátima A. V. da Silva

23D: Convocatória para a mobilização nacional contra a escala 6×1! Por 30 horas semanais, sem perdas salariais! Fim do banco de horas já!

Por Coordenação Nacional da FOB

A Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB) convoca toda a classe trabalhadora para uma ação de mobilização nacional no dia 23 de dezembro de 2024. Nosso objetivo é combater o regime desgastante da escala 6×1 e reivindicar condições dignas de trabalho para todas e todos!

Por que lutar?

A escala 6×1 é fruto da ganância da classe dos patrões, que sacrifica a saúde e a vida social das trabalhadoras e trabalhadores em troca de lucros.- Exigimos 30 horas semanais de trabalho, sem perdas salariais, para garantir mais tempo para viver, estudar e participar de nossas comunidades.

O fim do banco de horas é essencial, pois ele é um instrumento injusto que prolonga as jornadas diárias de trabalho sem o pagamento de hora extra. Além da falta de pagamento das horas acumuladas, seu uso para compensar alguma falta por necessidade são bastante rígidos.

O que faremos?

Neste dia de luta, ocuparemos nossos locais de trabalho e moradia com atividades organizadas pela base:

– Piquetes em frente a locais de trabalho, denunciando a exploração e conscientizando sobre a necessidade da redução da jornada.

– Reuniões nas comunidades, ampliando o diálogo com moradoras e moradores sobre como essa luta nos afeta a todas e todos.

Construção da Greve Geral

Não podemos confiar no parlamento e na sua dinâmica de reuniões e acordos. É preciso mais ação direta, ou seja, mais ação auto-organizada nos locais de trabalho, estudo e moradia. Essa mobilização é um passo fundamental na construção de uma greve geral combativa e popular. Apenas através da organização direta e do enfrentamento ao sistema explorador seremos capazes de conquistar nossas pautas históricas.

Junte-se à luta!

Vamos acumular forças para este dia com atividades preparatórias. É importante realizar atividades em escolas de ensino médio, promovendo debates e formação política junto às novas gerações da classe trabalhadora. O mesmo vale para as faculdades e universidades.

Se vai trabalhar neste dia e não tem condição agir publicamente em seu local de trabalho, participe das atividades preparatórias, articule para que outros trabalhadores possam realizar piquetes em seu local de trabalho.

Ser classe é cumplicidade. Só através da ação coletiva organizada poderemos romper as correntes que nos mantêm presos à lógica do lucro.

23 de dezembro: dia nacional de luta!

Pelo direito à vida, ao descanso e à dignidade! Com força e solidariedade, rumo à vitória! Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB)

lutafob.org

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quarto escuro
silhuetas se amam
pecado puro

Carlos Seabra

[Espanha] Guadalajara: Recepção popular para Amadeu Casellas, ex-preso anarquista, após 27 anos de prisão

Amadeu Casellas finalmente deixa as masmorras fascistas, e nós o recebemos junto com nossos companheiros da CNT-Guadalajara.

Amadeu passou 27 anos de sua vida na prisão, uma vida que ele dedicou à luta revolucionária. O Estado não o perdoou pelo fato de sua militância ter sido o foco e a luz de muitas gerações de pessoas em todo o mundo, que seguiram seus passos.

Durante muito tempo, ele se envolveu na expropriação de bancos para financiar greves e organizações de trabalhadores, o Estado o prendeu várias vezes e também não o perdoou pelo fato de que, dentro das prisões, ele organizou centenas de presos sociais para lutar contra o tratamento desumano que historicamente receberam.

Nós o receberemos nesta sexta-feira, às 18h, para conversar e fazer um lanche com ele, e para que esse companheiro sinta o calor e o apoio daqueles de nós que veem em sua história um exemplo para todos aqueles que querem transformar a sociedade a partir de suas raízes.

Os benefícios do encontro serão revertidos para o Fundo de Resistência de as @6delasuiza

Fonte: https://kaosenlared.net/guadalajara-recibimiento-popular-a-amadeu-casellas-expreso-anarquista-tras-27-anos-de-carcel/

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Cem anos de idade-
A paisagem das folhas
Caídas no jardim

Bashô

Responda o Quiz: Foi Lula 3 que disse que o “Petróleo é presente de Deus”?

Petróleo na Foz do Amazonas: Lucro para Poucos, Devastação para Todos

A proposta de exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, mesmo diante de reiteradas negativas (até o momento) do IBAMA e de alertas sobre os riscos socioambientais, exemplifica o avanço desenfreado do modelo capitalista em busca de lucro, ignorando os custos humanos e ecológicos.

O ministro do governo Lula, Alexandre Silveira, apoiado por lideranças políticas e pela Petrobras, mantém otimismo sobre a concessão da licença, ignorando as evidências científicas de que a região enfrenta altíssimos riscos ambientais e impactos irreversíveis sobre as comunidades locais, incluindo povos indígenas que habitam a área. Essa postura não nos surpreende e reflete, uma vez mais, a predominância de interesses econômicos sobre a preservação ambiental e os direitos das populações afetadas.

Os impactos potenciais vão além do local. A exploração pode causar danos irreparáveis a ecossistemas únicos e às espécies que dependem deles, além de aumentar a dependência de combustíveis fósseis, uma das principais causas da crise climática global. Em um contexto de eventos extremos, como secas, inundações e incêndios florestais, o Brasil enfrenta consequências devastadoras da emergência climática, agravadas por ações que priorizam lucros sobre a sustentabilidade e a resiliência ambiental.

Essa insistência na exploração na foz do Amazonas expõe o paradoxo de um país que, ao mesmo tempo, busca liderar esforços de transição energética e investe em projetos que reforçam um modelo energético ultrapassado. A lógica capitalista subjacente a essas decisões transforma recursos naturais em mercadoria, negligenciando as vidas humanas e a biodiversidade envolvidas. Essa visão míope não só ameaça ecossistemas cruciais, como também exacerba desigualdades sociais e destrói a base de sustentação da vida no planeta. Desde o anarquismo, superar esse modelo econômico é uma necessidade imperativa para alcançar o equilíbrio socioambiental e garantir a sobrevivência das gerações futuras.

Concretamente, para o aqui e agora, confrontar a exploração predatória e priorizar políticas de justiça climática e ambiental em um esforço coletivo para reformular prioridades globais pode e deve ser posto em pauta pelos movimentos sociais. Sem isso, os custos da crise climática continuarão a ser pagos pelos mais vulneráveis, enquanto as grandes corporações lucram à custa da destruição planetária.

Liberto Herrera.

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Vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

[Espanha] Alfa e Ômega da revolução nos anarquistas

Por Eduardo Montagut | 07/11/2024

A fundamental escritora e jornalista Soledad Gustavo publicou um breve artigo no Almanaque de La Revista Blanca do ano de 1903 onde refletia sobre o sentido revolucionário dos anarquistas, “alfa e ômega” da revolução, e que queremos comentar nesta breve nota, nestes tempos nos quais estamos tão interessados pelo conceito de revolução.

Para nossa protagonista era certa a premissa de que cada qual levava dentro de si mesmo um anarquista porque até a pessoa mais inofensiva se rebelava contra a menor injustiça e desobedecia às leis que geravam obstáculos, e até se revolvia contra os causadores de um dano ou prejuízo, tivessem autoridade ou não. Até os “amantes cristãos” mais moralistas, e até segundo o conceito que estabelecia a Igreja Católica, e mais respeitosos com todo tipo de preceitos, o burlavam tudo se fossem obstáculos à satisfação de suas esperanças e desejos.

De tudo isso se deduzia que o homem, por muito reacionário que fosse, aceitava somente, em princípio, a tutela que lhe sujeitava, antes pela força e depois pelo atavismo.

Assim pois, Soledad Gustavo, expunha que, na realidade, os anarquistas não pretendiam nada impossível quando anunciavam que aspiravam transformar a sociedade. Era como seguir o curso natural, como o das águas de um rio que avançam para a desembocadura. Os anarquistas tinham que trabalhar nas consciências. O amor, as ilusões, as ditas, os “horizontes infinitos do pensamento” nada seriam sem a esperança que fazia com que a humanidade pudesse alcançar um dia a formação de uma sociedade na qual todos os seres fossem felizes por serem livres, sãos e porque viveriam conforme o que sua natureza lhes exigisse. Esse era, em conclusão, o trabalho dos anarquistas, os representantes do “alfa e ômega” da revolução.

Fonte: https://www.nuevatribuna.es/articulo/sociedad/historia-soledad-gustavo-alfa-omega-revolucion-anarquistas/20241107180011232190.html

Tradução > Sol de Abril

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A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

Contra Todos os Governos

Governos não servem ao povo,

não mudam a cidade,

o Estado ou o mundo.

.

Governos mantém a ordem

reduzindo vidas a algoritmos,

realizam grandes negócios

contra os interesses públicos.

.

Governos não são transparentes,

nem democráticos.

Não passam de arranjos oligárquicos

a serviço de interesses obscuros.

.

Por tudo isso, não serviremos a nenhum governo,

seremos desde sempre desobedientes,

ingovernáveis

e, terrivelmente, libertários.

Carlos Pereira Júnior

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Argentina] Buenos Aires: Feira do Livro Anarquista – 7 e 8 de dezembro

“A paixão pela destruição também é uma paixão criativa”

A feira do livro anarquista é um espaço de encontro, debate e aprofundamento das ideias anarquistas em Buenos Aires.

Este tipo de feiras, historicamente datadas há várias décadas em diferentes cantos do mundo, são espaços dinâmicos, que a cada ano renovam o foco e a tensão em torno de ideias e práticas antiautoritárias, entendendo que, embora façamos parte de uma linha histórica, nossa memória é ativa e está direcionada, não apenas para a efeméride ideológica, mas acima de tudo para o conflito.

Contato: feriadellibroabsas@riseup.net

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rio premeditado
abisma-se no mar,
sua mãe, seu túmulo.

Alaor Chaves

[Espanha] A 6 meses de reclusão do companheiro anarquista Abel

Este 30 de novembro fazem 6 meses que nosso companheiro anarquista Abel foi sequestrado pelo Estado e encarcerado no C.P. de Brians 2 com uma condenação firme de 3 anos e 9 meses pela agressão a um manifestante da JUSAPOL [associação de extrema direita da Polícia Nacional e da Guarda Civil] que portava simbologia fascista em 2018. Todas as instâncias judiciais do Estado ratificaram a acusação do delito de lesões com agravante de ódio com o objetivo de blindar assim seus esbirros e criminalizar ainda mais a militância do companheiro. Um castigo, que o confinamento converteu em dobro, posto que durante todo este tempo rechaçou em duas ocasiões a classificação em terceiro grau, fazendo alusão à ideologia do compa e sua falta de empatia com a “vítima”. Assim justifica o Poder os programas de reinserção (condição indispensável para obter licenças penitenciárias) aos quais deve submeter-se o preso com o objetivo de aniquilar sua consciência revolucionária: qual carpinteiro que tocam os pregos torcidos da tábua. Assim convertem a condenação em tortura e chantagem.

Mas para nós, não representa nenhuma novidade sua política penitenciária baseada em exercer um conjunto de violências estruturais segundo a posição social dos presos: a pura exploração laboral, as humilhações e agressões dos carcereiros e o maltrato sistemático às famílias são só a ponta do iceberg. Tampouco nunca esperamos que suas leis nos servissem de ferramenta, nem muito menos aspirado a reformá-las para edulcorar o abuso e sofrimento. Porque sabemos que o cárcere, como qualquer outra instituição repressiva, é um instrumento a serviço do Poder e da classe dominante, cujo objetivo é aniquilar qualquer vestígio de dissidência na sociedade. Uma Instituição que só merece ser destruída e abolida.

Portanto, a prisão, esse agulheiro onde o tempo parece que se detêm e em momentos passa sem dar-se conta, é o lugar que destina a Democracia para quem se atreve a questionar a ordem estabelecida. Jogando nele aos que obrigam a viver no ângulo morto e aos que lutam sem cessar. Por todos eles também saímos a gritar. Porque não nos esquecemos dos outros presos em luta que resistem dentro e fora do Estado e dos que podem estar por vir. Porque não nos conformamos em fazer tremer com nossos punhos o vidro que nos separa, com apurar nossas vozes em uma chamada contra o tempo, com enviar nosso afeto por correio postal. Queremos esses muros vê-los cair.

Este 30 de novembro saímos a defender o que é nosso e nos querem roubar. Por amor a Anarquia e ódio a repressão. Já que nós somos os que amando os espaços que habitamos, resistimos neles, pondo nosso corpo pelo trivial e simples fato de que são nossas trincheiras. Preferimos as cinzas da metrópole ao jugo do Capital. Pelo ódio a suas pátrias, fronteiras, guerras e desastres, onde em frente estamos nós, amantes do conflito e da revolta, quem semeamos o apoio mútuo e solidariedade contra todo sistema de dominação. Sem oferecer aos mortos, feridos e caídos, nem um minuto de silêncio, nem um minuto de joelhos, tão somente uma vida inteira de combate e de vingança. Pelo ódio aos chefes, burgueses, partidos, fascistas e tiranos que com sua careta de democratas nos quiseram a força como figurantes do espetáculo da miséria. Apesar disso, decidimos ser protagonistas por nossa paixão à liberdade e o ódio a sua autoridade, pelo carinho a nossos iguais e o amor a nossos irmãos que nos querem arrebatar. Por tudo isso, saímos às ruas em 30 de novembro. Porque a solidariedade é a arma que corta a distância que nos separa. Por amor à Anarquia e ódio à repressão.

GRUP DE SUPORT ABEL, Novembro 2024

Tradução > Sol de Abril

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Dia de primavera –
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura

Nestor Makhno, Emma Goldman e a etnografia espontânea da Revolução Russa

Penso em Nestor Makhno e Emma Goldman como “etnógrafos espontâneos” da Revolução Russa. Suas obras, O comunismo não existe na Rússia (Goldman, 2007) e A “Revolução” contra a Revolução (Makhno, 1988), apresentam descrições desse evento político crucial do século XX a partir de olhares atentos aos “detalhes que se repetem cotidianamente” (Bakunin, 2015).

O termo “espontânea” destaca o fato de que Makhno e Goldman não eram cientistas sociais de formação nem pretendiam alinhar seus escritos às normas acadêmicas. Ainda assim, há sentido em chamar de etnografia esse tipo particular de análise, pois ambos captaram aspectos do cotidiano e da cultura que moldaram e revelaram processos sociais em curso.

Nestor Makhno descreveu em detalhes o cotidiano de um processo de transformação social fundamental, a partir de sua própria localidade natal. No contexto de uma radical reconfiguração das relações sociais no campo, registrou falas e práticas de camponeses em assembleias, demonstrando uma sensibilidade quase etnográfica para captar as noções morais – como a de justiça – que norteavam suas ações. Esses registros permitem compreender como os camponeses negociaram suas demandas frente a grupos como os antigos latifundiários e as novas autoridades bolcheviques.

Emma Goldman, por sua vez, identificou na desigual distribuição de rações alimentícias entre a população e a burocracia soviética os sinais de uma nova hierarquia social emergente. Essa hierarquia, segundo Goldman, consolidou-se com o enfraquecimento político dos conselhos de trabalhadores, camponeses e soldados, enquanto o “estatismo” (Bakunin, 2003) se tornava a base do governo na Rússia pós-revolucionária. Goldman demonstrou como, a partir de um aspecto aparentemente mundano – as práticas alimentares –, era possível compreender a burocratização da revolução e seus desdobramentos.

Esses trabalhos oferecem contribuições valiosas que ecoam princípios da sociologia e da antropologia acadêmicas: descrever a produção de estruturas sociais a partir do cotidiano das interações humanas e identificar as lógicas culturais que orientam as ações de grupos sociais. Assim, as obras de Nestor Makhno e Emma Goldman podem ser vistas como para-etnográficas, fornecendo análises sobre os processos históricos e sociais que moldaram a Revolução Russa.

Raphael Cruz

Professor de sociologia na Universidade Federal do Piauí.

Referências

BAKUNIN, Mikhail. Aonde ir e o que fazer? [1872]. In: BAKUNIN, Mikhail. Educação, ciência e revolução. São Paulo: Intermezzo Editorial, 2015.

BAKUNIN, Mikhail. Estatismo e anarquia [1873]. São Paulo: Imaginário, 2003.

GOLDMAN, Emma. O comunismo não existe na Rússia [1935]. In: GOLDMAN, Emma. O indivíduo, a sociedade e o Estado, e outros ensaios. Série Estudos Libertários. São Paulo: Hedra, 2007.

MAKHNO, Nestor. A “revolução” contra a revolução [1927]. Coleção Pensamento e Ação, v. 4. São Paulo: Cortez, 1988.

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um dia a casa cai
e nasce dos seus escombros
um novo haikai.

José Carlos de Souza

Leão, urso… Putin oferece animais selvagens a Kim Jong Um

Para comemorar seu acordo militar e a participação da Coreia do Norte na guerra contra a Ucrânia, Vladimir Putin presenteou o ditador Kim Jong Un e o povo coreano com uma série de animais. Uma leoa africana, 2 ursos marrons, 5 cacatuas brancas, 40 patos mandarins, 25 faisões de diferentes espécies… 70 animais serão transferidos do Zoológico de Moscou para o Zoológico de Pyongyang, na Coreia do Norte.

Essa é a quarta troca de animais selvagens entre a Rússia e a Coreia do Norte desde o início do ano, de acordo com o Courrier international. Essas transferências de animais são um sinal da aproximação política e militar entre os dois países e ilustram como os ditadores veem os seres vivos: como uma simples moeda de troca para transações diplomáticas destinadas a torná-los cada vez mais poderosos.

E quanto ao bem-estar desses animais selvagens? O zoológico de Pyongyang que os abriga tem sido alvo de críticas: há um chimpanzé fumante de cigarros, cães inteligentes, pombas que patinam… Descrito pelo guia Lonely Planet como “um lugar deprimente e desinteressante, que deve ser evitado a todo custo“. Diz-se que o zoológico central de Pyongyang foi usado como locação para um filme horrível com lutas autênticas até a morte envolvendo espécies protegidas.

agência de notícias anarquistas-ana

Gripe forte? Não!
Apenas adormeci
entre espirradeiras.

Leila Míccolis

[Espanha] A Polícia Local de Valência multa dois veículos da CGT durante seus trabalhos de apoio aos afetados pela DANA

Os veículos se encontravam parados na porta de carga e descarga da sede do sindicato na cidade de Valência, onde, desde o início da catástrofe, se carregaram e distribuíram produtos de primeira necessidade às vítimas.

Na quarta-feira passada, 27 de novembro, dois veículos da Confederação Geral do Trabalho estacionados na porta traseira da sede de sua Federação Local (F.L.) em Valência – lugar no qual se realizam as cargas e descargas –  foram propostos para sanção por parte de agentes da Polícia Local de Valência.

Ditos veículos, segundo denunciam desde o sindicato libertário, estavam identificados com um cartaz impresso no qual se podia ler em maiúsculas: “serviço de emergências, distribuição de produtos de primeira necessidade”; posto que estes se encontravam realizando trabalhos de carga de material para sua posterior distribuição nas zonas afetadas pela DANA,

“Havia chegado a nossos ouvidos que iriam intensificar os controles para o pessoal voluntário que acede às populações afetadas – explica Juan Miguel Font, Secretário Geral da F.L. de Valência – mas não esperávamos que fosse a golpe de multa, ainda que parece que a polícia é a única linguagem que entende e a única forma que conhece para tratar a população”. “Na consciência de quem lhes ditam estas ordens tão miseráveis ficará que alguém desista de fazer voluntariado por medo das multas e que a população deixe de receber esta ajuda tão necessária, não só material mas também humana”, acrescenta Miguel Rodríguez, Secretário de Ação Sindical da F.L. de Valência.

Desde a CGT quiseram manifestar toda sua repulsa para este tipo de atuações policiais que nada tem que ver com o “suposto serviço à cidadania” sob o qual se justificam. E concluem: “Na consciência do amo e na de quem executa suas ordens, sem nem sequer questioná-las, ficará este fato tão desprezível”.

Fonte: Gabinete de Comunicação da Confederação Geral do Trabalho do País Valenciano e Murcia

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta

Arakida Moritake

Indú$tria da Morte | Governo Lula negocia míssil Brahmos NG com 800 km de alcance para caças Gripen-E e submarinos Riachuelo da Marinha

No último dia 21, a imprensa indiana noticiou que o presidente Lula, em suas discussões com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante a cúpula do G20 no Rio, expressou o desejo do Brasil de expandir a cooperação bilateral em setores estratégicos como defesa, tecnologia espacial e aeroespacial.

Durante o encontro, os dois líderes exploraram maneiras de aprofundar os laços de defesa entre os países. O primeiro-ministro Modi afirmou:

“Fizemos um balanço de toda a gama de laços bilaterais entre nossas nações e reafirmamos nosso compromisso de melhorar a cooperação em setores como defesa, biocombustíveis, agricultura e muito mais.”

Ainda segundo a matéria, o presidente Lula destacou o interesse do Brasil em fortalecer as parcerias de defesa e iniciativas espaciais. Ele declarou:

“Queremos… fortalecer nossa cooperação de defesa, bem como nossas iniciativas espaciais.”

No campo da defesa, a matéria indiana confirmou o interesse da Índia no avião cargueiro brasileiro KC-390, além de reforçar que o Brasil avalia os caças indianos Tejas e os mísseis antiaéreos Akash. Entretanto, outro ponto chamou atenção: o Brasil estaria interessado no míssil de cruzeiro anti-navio indiano BrahMos-NG, com alcance de até 800 km e capacidade de ser empregado contra alvos terrestres.

O BrahMos-NG pode ser lançado de diversas plataformas, incluindo sistemas terrestres, aeronaves e navios de guerra. Um alto funcionário do Ministério da Defesa do Brasil teria afirmado durante o G20:

“Para o Brasil, o BrahMos-NG pode ser uma escolha adequada para… a aeronave Gripen.”

BrahMos-NG é considerado um dos mísseis de cruzeiro mais modernos e de maior alcance do mundo

Desenvolvido por meio de uma joint venture indo-russa, o BrahMos-NG é considerado um dos mísseis de cruzeiro mais modernos e de maior alcance do mundo. O caça leve Gripen-E, utilizado pela Força Aérea Brasileira, é visto como uma plataforma ideal para o lançamento do BrahMos-NG, especialmente devido ao seu menor peso e tamanho em comparação com a versão de primeira geração do míssil.

Além disso, o site indiano Financial Express apontou que a Marinha do Brasil estaria avaliando o BrahMos-NG para equipar seus futuros submarinos nucleares, bem como os submarinos da classe Scorpene. Isso ocorre porque o BrahMos-NG já está sendo adaptado para lançamento a partir de submarinos, incluindo os da classe Scorpene, utilizados tanto pela Índia quanto pelo Brasil.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

A serra silencia
só se ouve agora
o grito do pardal

Rosalva

[Espanha] Feira de Armas: A esquerda tem um modelo de defesa?

A Feindef 25, a Feira Internacional de Defesa e Segurança da Espanha, ou Feira de Armas, sem eufemismo, continua sendo notícia. O pior e mais nocivo é a assinatura pela UGT-FICA de “um acordo para impulsionar a indústria da defesa”. Uma indústria que não estamos exagerando se a definirmos como a indústria da morte, pois a UGT deve ser lembrada de que as armas matam e são fabricadas e projetadas para esse fim. O fato de que um sindicato que se diz progressista, em vez de promover a conversão da indústria militar em empregos socialmente úteis, insista em justificar os prósperos negócios dos senhores da guerra dá muito o que pensar sobre a falta de consciência social da UGT como sindicato, já que as armas que ela incentiva a produção são aquelas que acabarão com as vidas e as famílias de outros trabalhadores em qualquer lugar do mundo. Mas se o acordo em si é lamentável, ainda mais lamentável é sua argumentação que assume acriticamente todos os clichês e enganos do militarismo. Este parágrafo do acordo é imperdível:

A UGT-FICA considera fundamental promover a cultura de defesa e segurança com o objetivo de impulsionar o investimento nesse setor, essencial para dotar as Forças Armadas espanholas das capacidades necessárias para garantir a sustentabilidade do nosso Estado de Bem-Estar Social, defender os princípios e valores democráticos, contribuir para garantir a paz e impulsionar um setor estratégico para o país.”

Por que chamam isso de cultura de defesa quando é uma “cultura” de guerra, uma cultura de violência, de conquista, de subjugação, de dominação, enfim, uma cultura patriarcal? Que segurança nos dá ter mais capacidade de ameaçar quando isso nos leva a ser mais ameaçados? Desde quando os exércitos garantem o estado de bem-estar social? Se isso fosse verdade, os EUA deveriam ser o paradigma do estado de bem-estar social, mas milhões de pessoas pobres deitadas nas ruas desmentem isso; a falta de assistência médica para todos desmente isso; a falta de educação pública desmente isso… Em que país a UGT vive? Ela pode nos dizer, desde 1888, quando foi fundada, quando o exército defendeu efetivamente os valores democráticos? A UGT pode afirmar sem corar que as intervenções de nosso exército no Afeganistão, no Iraque ou na Líbia contribuíram para a paz? Não menos embaraçoso é o parágrafo a seguir, repleto de mentiras mil vezes repetidas. Não, o investimento em armamentos é oneroso para os contribuintes, sem utilidade social e abertamente imoral, o que só beneficia as multinacionais do setor, tornando os trabalhadores reféns, porque eles sabem que só haverá trabalho enquanto houver guerras e elas são incentivadas.

A segunda notícia é que a Feindef está excluindo as empresas israelenses de sua feira de armas, uma exclusão que, embora positiva, ainda é uma reforma na imagem sangrenta de uma feira de armas. A exclusão é o resultado de protestos populares na Espanha e no exterior que levaram Israel a não participar de feiras como o evento Enise do Instituto Nacional de Segurança Cibernética (Incibe), realizado em León de 21 a 23 de outubro, ou a exclusão de Israel da Euronaval e da Eurosatory na França. A exclusão de Israel da Feindef também contribuiu para que a IU apresentasse no Congresso uma iniciativa para “excluir as empresas israelenses envolvidas no genocídio do povo palestino das feiras de defesa e segurança na Espanha”. Com essa linguagem, a IU assume como certo que as feiras de armas são para defesa e segurança. Mais uma vez, vemos a falta de uma alternativa da esquerda à ideia de defesa e segurança: o que queremos defender, de quem, como? Quando as pessoas se sentem seguras?

É evidente demais que os exércitos existem para defender o sistema injusto em que vivemos e para garantir os privilégios das classes dominantes. Não temos inimigos além daqueles que nos criaram e não temos mais segurança do que a de que acabaremos como bucha de canhão para suas guerras de poder e dominação. A defesa do que é importante para nós está sendo feita nas ruas por cidadãos que defendem as liberdades e os direitos humanos, o direito à moradia, à saúde, à educação, à alimentação, ao cuidado com o planeta, a viver sem ser ameaçado pelo machismo, a uma cidade habitável… Tudo isso nos daria segurança. A realidade é que o crescente militarismo que está sendo instilado em nós acabará por corroer nossos direitos e liberdades. Os gastos militares são uma séria ameaça ao bem-estar da população, uma despesa supérflua da qual apenas alguns lucram, sobrecarregando a sociedade. Os mais de 60.000 milhões de euros que este ano serão gastos com despesas militares poderiam ser usados para muitas melhorias na saúde, na educação ou na prevenção e solução de catástrofes, no cuidado com o planeta ou no alívio da fome no mundo. Não fazer isso é uma questão de decisões políticas e campanhas premeditadas de militarização. Menos militares significa mais segurança. Só teremos uma vida livre, igualitária, segura e pacífica quando superarmos o militarismo.

Notas:

53 feiras comerciais relacionadas a defesa e armamentos na Europa em 2024-2025 https://www.eventseye.com/ferias/zst3_ferias_europa_defensa-armamento.html

Artigos: https://www.grupotortuga.com/Al-menos-57-000-millones-de-euros

Fonte: https://alternativasnoviolentas.org/2024/11/23/feria-de-armas-tiene-la-izquierda-un-modelo-de-defensa/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Tens frio nos meus braços
Queres que eu aqueça
O vento

Jeanne Painchaud

[Itália] Malnisio. Manifestação contra o polígono militar

“Mais de trinta anos após o fim da “guerra fria”, Friuli Venezia Giulia continua a manter o triste registro da região mais militarizada na Itália: desde o pós-guerra uma base americana tem operado em Aviano com uma presença comprovada de ogivas nucleares e possível objetivo estratégico para a Rússia em caso de guerra.

Friuli V.G. está agora interessada em um plano para novos assentamentos militares que inclui a construção de 4 quartéis “verdes” e o fortalecimento das atividades de treinamento nos polígonos com sua consequente expansão.

E, enquanto isso, as comunidades locais são cobradas pelos custos da recuperação de áreas militares abandonadas que passaram para a propriedade civil.

Diante desta situação trágica, devemos rejeitar o papel de espectadores passivos que nos foi atribuído e tornar-nos atores de uma inversão de tendência.

Estamos conscientes de que a reconstrução dos processos de fraternidade e solidariedade, a defesa do meio ambiente e da nossa saúde são um bom antídoto para as guerras imperialistas, nacionalistas, étnicas e religiosas.

Com este apelo, estabelecemos o objetivo de construir uma ampla mobilização regional contra a guerra e o militarismo para sábado, 30 de novembro de 2024 em Malnisio (PN), para o fechamento do campo militar Cao Malnisio.”

Estes são alguns trechos do apelo do “Comitê No Poligono Cao Malnisio”.

O encontro para a marcha é às 13h30 em Malnisio (PN), na praça Trieste esquina com via Manzoni.

A n t i m i l i t a r i s t a s

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

flores a volta
chega a primavera
a me colorir

Ivanilton Tristão