Em 15 de abril, houve uma greve geral de um dia convocada pela União Sindical Italiana (USI-AIT) contra a guerra na Líbia. A iniciativa desta organização anarco-sindicalista foi apoiada pelos sindicatos independentes Cobas e SISA e também pelo Comitê de Imigrantes na Itália.
A greve foi direcionada contra a participação da Itália na intervenção militar na Líbia e contra a política social e econômica do governo italiano. Os/as organizadores/as declararam o 15 de abril um “Dia de Fúria”.
A greve mais ampla teve lugar na área de transporte. Começou às 21 horas do dia anterior e durou o dia inteiro. Alguns trens foram cancelados e o transporte municipal foi afetado em diferentes cidades. A greve também envolveu serviços médicos, educação e vários outros setores.
Ocorreram manifestações em Milão, Turim, Palermo, Bolonha, Gênova, Roma e outras cidades – no total, mais de 20.
Tempos de Guerra
A operação Odissey Dawn (Odisséia da Alvorada) marcou o começo da intervenção militar na Líbia, outra missão de guerra com que as grandes potências do ocidente querem proteger interesses econômicos e equilíbrios geopolíticos que são ameaçados por instabilidade, tensões locais e ambições de caudilhos e ditadores.
Trata-se do mais recente entre os episódios que tornam ainda mais patente o estado de guerra permanente no qual vivemos. Ao passar dos anos, mudam os cenários: dos Bálcãs (Bósnia, Kosovo) até o Magreb, passando pelo Oriente Médio (Iraque) e pela Ásia (Afeganistão); muda o nome das operações militares: de operações de polícia internacional a força tarefa contra o terrorismo a dispersão de forças de interposição e dissuasão, até chegar a definições mais tranqüilizadoras como missão de paz ou missão humanitária; mas, concretamente, não mudam nem os meios para levá-las a cabo nem a substância: bombardeios e mísseis, em uma palavra, se trata de guerra.
Desde o começo ficou claro que a revolta na Líbia, ainda que impulsionada pelas insurreições que continuam estremecendo os países norteafricanos e do Oriente Médio (Tunísia, Argélia, Marrocos, Egito, Iêmen, Bahrein), apresentava traços de luta entre facções rivais pelo poder, fixadas no território por base em pertences tribais (Tripolitânia, Cirenaica e Fezã). Também era evidente que o papel exercido pela Líbia em vários níveis no cenário mediterrâneo (produção de petróleo e gás, economia-social relevante do ocidente, vigilância da área, controlador do fluxo migratório) faria com que a crise do regime de Gadafi se tornasse crise de nível internacional. Os bombardeios em Trípoli não são nada menos que a prova disso.
Começou uma guerra de verdade, suja e vil como toda guerra, cujos objetivos não coincidem com nenhum dos que foram declarados: nem a queda de Gadafi, nem a implementação da “democracia”, nem a proteção da população. O objetivo real é bem claro: voltar a colonizar a Líbia, um país de suma importância por seus recursos energéticos e sua posição estratégica, através de sua balcanização. Em segundo lugar, não de menor importância, a intervenção militar aponta para a manutenção de um estado de guerra permanente e global que oculta as verdadeiras emergências (fome e miséria, desastres ambientais e nucleares, migrações massivas, supremacia das ganâncias sobre as necessidades) e que permita sufocar permanentemente lutas e revoltas.
Uma guerra da qual a Itália participa hipocritamente, nem sequer assumindo suas próprias responsabilidades; direita e esquerda se unem nas mesmas declarações pseudopatrióticas, amparando-se por trás das indecentes palavras de Napolitano, para confundir e enturvar as consciências. Uma guerra na qual nosso “belo país” recolherá as migalhas, como um abutre.
Nós somos contra esta guerra, como somos contra todas as guerras capitalistas e imperialistas. A única frente que reconhecemos é a da luta social contra os patrões e seus servos. Uma frente que une todos/as os/as explorados/as, independentemente de sua nacionalidade, etnia, língua e cultura, que os enfrenta sem possibilidade de conciliação à barbárie capitalista. Uma frente que para se opor ao alcance dos acontecimentos atuais não pode se limitar a defender as últimas migalhas da paz e do suportável nos resta, mas tem que oferecer alternativas concretas à miséria e à barbárie do mundo no qual vivemos e nas quais nos querem afundar cada vez mais.
Os desfiles pela paz não são suficientes, devemos começar a construir uma sociedade diferente.
Contra as guerras do capital, guerra social por um mundo diferente, livre de estados, exércitos e patrões!
Secretariado Nacional USI-AIT
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!