Neste post, publicamos a segunda parte de uma série de artigos temáticos sobre a diacronia do fascismo no território do Estado grego. O artigo original, intitulado “Falemos sobre o fascismo moderno” e subtitulado “atualizar nossa análise e organizar a guerra contra suas raízes e não apenas contra os fascistas declarados”, foi publicado no site da coletividade anarquista de Volos Manifesto. A primeira parte pode ser lida clicando no link abaixo.
Recordemos de como a peste fascista nasceu e aumentou
“A nação não é a causa, mas é o resultado do Estado. É o Estado que cria a nação e não é a nação que cria o Estado… A nação é a luta artificial pelo poder político, assim como o nacionalismo nunca foi nada além da religião política do Estado moderno. Pertencer a uma nação nunca é determinado por causas naturais profundas, como pertencer a um povo. Pertencer à nação sempre tem razões políticas e baseia-se nas razões do Estado por trás das quais sempre estão os interesses das minorias privilegiadas“- Rudolf Rocker, 1937, Nacionalismo e Civilização.
O fascismo apareceu como uma corrente ideológica-política no início do século XX e, algumas décadas depois, assumiu a forma de um Poder estatal autoritário. Tendo como principais eixos de sua influência política no corpo social o nacionalismo e o racismo, ele brindou seus “favores” relativamente rápidos às classes burguesas da época, que o adotaram e o apoiaram plenamente. Em um momento de revoltas sociais e revoluções de classe, em um período histórico crucial para a reprodução do sistema capitalista, o fascismo rapidamente formou as condições sociais políticas e autoritárias apropriadas para reprimir os oprimidos, durante o choque de classe então desenvolvido, entre opressores e oprimidos, e para montar o matadouro dos estratos sociais inferiores em todo o mundo. A “nação” – o Estado e a guerra são irmãos gêmeos. Não pode haver um sem o outro, e eles farão todo o possível para coexistir.
Em geral, a evolução desta guerra mundial é conhecida. Muitas dezenas de milhões de proletários foram massacrados, tendo fé cega em alguma bandeira “nacional”. Milhões de sujeitos fiéis à Soberania e impregnados com a propaganda nacionalista e “patriótica” dos Estados fascistas ou não, sacrificaram suas vidas, sem qualquer forte resistência social e política, constituindo as peças recicláveis no tabuleiro de xadrez do capitalismo internacional. É um tabuleiro de xadrez em que as classes burguesas “nacionais” das coalizões estatais em conflito, bem como a classe governamental burocrática do capitalismo de estado da União Soviética capitalista, disputavam de forma belicista “espaços vitais nacionais” (novos mercados, novas fontes de matérias-primas, vias comerciais, infraestruturas, etc.). Disputaram a extensão territorial de sua soberania e uma posição melhor ou mais privilegiada na divisão do trabalho em todo o mundo no período pós-guerra. Além dos milhões de proletários sacrificados nos campos de batalhas pelos interesses dos soberanos e, além dos milhões de civis indefesos mortos nos constantes bombardeios de cidades e áreas habitadas, com execuções em massa sistematicamente organizadas, com torturas e pogroms, nas dezenas de campos de concentração, trabalho forçado e extermínio em massa, o fascismo-nazismo, já possuindo uma entidade estatal, revelou na prática suas raízes: exploração de classe, racismo, nacionalismo e patriarcado.
Os batalhões de assalto organizados pela socialdemocracia alemã antes da guerra (Freicorps) para reprimir as revoltas de classe e as revoltas sociais constituíram o germe da criação dos respectivos batalhões de assalto nazistas (SA). Milhões de judeus, pessoas de fala eslava, ciganos, comunistas, anarquistas, homossexuais, bem como pessoas de identidade cultural, política e religiosa diferentes da dominante, foram colocadas na mira com a lavagem cerebral de Goebbels, acusado de “seres inferiores”, “animais”, “terroristas”, “traidores da nação”, “inimigo interno” e “miasmas”, foram presos em campos de concentração e trabalhos forçados, constituindo por muitos anos o potencial obreiro que trabalhava gratuitamente para a burguesia, até que, no final, a maioria deles foi levada para os crematórios, onde foram exterminados massivamente. O sangue de dezenas de milhões de pessoas regava a horrenda árvore do fascismo-nacionalismo e aumentou dramaticamente os lucros dos soberanos. Ao lado desta imagem horrível dos campos de concentração nazistas, há outro que os vencedores desta guerra mundial conseguiram apagar da história: um dos campos de concentração montados nos EUA durante a guerra. Seu conceito (inspiração) era semelhante ao dos nazistas. Naquela época, os cidadãos americanos de origem japonesa morreram neles. Além disso, dezenas de milhares de “americanos-japoneses” sofreram por muitos anos (após a guerra) o “patriotismo” e o racismo do Estado “democrático” dos Estados Unidos.
No território do Estado grego, a ditadura de Metaxás (regime fascista estabelecido em 4 de agosto de 1936), seguindo os passos do fascismo italiano e do nazismo alemão, tendo o apoio da corte (que, no entanto, pertencia a esfera de influência britânica), constituiu uma receita similar de gestão política por parte do Capital “nacional”, cujo objetivo era a repressão imediata e absoluta do movimento operário daquela época, de suas organizações e dos partidos comunistas, que aspiravam à derrubada revolucionária do capitalismo. Naquela época, a Inglaterra “democrática” não teve problemas para colaborar e ajudar um regime fascista. Esse fato demonstra mais uma vez no curso da história quão hipócrita e falso é o chamado “antifascismo” da democracia burguesa contemporânea e quão vil é sua versão moderna: o “espectro institucional”.
O texto em grego:
https://manifesto-volos.espivblogs.net/2017/09/18/about-fascism/
O texto em castelhano:
http://verba-volant.info/es/hablemos-del-fascismo-moderno-parte-ii/
Tradução > Liberto
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o nunca chegar.
Yeda Prates Bernis

Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!