Os seus planos realizaram-se. Agora resta cumprir com as nossas promessas…
Ninguém de nós foi apanhado desprevenido na quinta-feira (04/01/2018) pela manhã. As figuras repressivas que cercaram a nossa casa, vestidas com seus uniformes, cumprindo o seu dever na madrugada da mísera festa de Natal, não nos surpreendeu. A metodização do despejo da okupa Termita é uma história que não é nova e nos deu espaço para agudizar as nossas resistências e desejos.
Já falamos sobre o lobo disfarçado de ovelha há muito tempo. Com certeza que o processo que a Universidade de Tessália S.A pôs contra nós, sendo o seu executor as forças policiais de Tessália, e a operação de despejo-demolição dos edifícios da okupa, são uma prova mais da nossa opinião sobre a Universidade. O processo e a demolição dos edifícios, na nossa presença e na presença de outras pessoas solidárias que se encontravam próximas dos edifícios, esclareceram o papel que joga cada um. Com os policiais armados até os dentes e segurando as suas armas, na quinta-feira às 7h04 o despejo foi realizado como um “processo tranquilo” (com gruas, furgões, jornalistas e um helicóptero) que confirmou o papel da Polícia grega, da imprensa local, dos servos de todo o tipo, dos patrões e dos “superiores” deste mundo. Não sentindo remorsos pelas suas ações, procederam à demolição direta dos edifícios, oferecendo imagens de destruição a seus olhares de macho, agressivos, esfomeados de lucro.
No verão passado lutamos não só pelas paredes dos edifícios, mas também por nossas relações. Estas relações edificaram-se com esforço, com penas, com cuidado e com reforço. Não se limitaram a Volos, mas fortaleceram-se com o companheirismo e a solidariedade de outros grupos, assembleias e companheiras de outras cidades. A nossa comunidade edificou-se sobre a base de acordos políticos contra o patriarcado, o capitalismo, o Estado, o Capital e a identidade nacional grega. Deste modo, conseguimos manter a nossa comunidade viva na difícil condição do despejo eminente.
Este texto não constitui o epílogo da okupa Termita, mas a necessidade de exteriorizar as nossas intenções perante os dias que estão por vir, a nossa intenção de eliminar as relações de dominação e exploração em todas as suas formas, já que esta intenção é capaz de anular os planos de disciplina de nossas vidas. Faz tempo que os seus métodos estão se desenvolvendo de maneira agressiva contra nós, e o refinamento, capitalista ou não, está arrastando tudo com o que nos identificamos, mas os nossos passos continuam firmes. O amor e o companheirismo que nos rege estarão se agudizando e ameaçará qualquer exclusão material ou não. A tristeza pelo que temos perdido e pela horas de ansiedade que vivemos, não podem funcionar de maneira repressiva, mas sim que se transformem em raiva, preparando-nos para realizar os nossos novos ataques.
Assim que chegamos ao dia de hoje… A um presente triste e perigoso. E tão perigoso como os criadores de ideologia dominantes e os seus apoiadores, tão rígido e rigoroso como a opinião pública que anda falando de legalidades e normativas. A uma realidade cujas regras impõem-se com polícias e juízes, num mundo no qual os depositários das suas ideias propõem despejos e expulsões com interesse de desenvolvimento, da reabilitação e do lucro. Neste momento, não vamos ficar de braços cruzados.
Em relação à maioria social que concordou silenciosamente com o que sucedeu, a coisa é simples. Uma boa parte do movimento estudantil identificou-se com os interesses da Universidade, e outra boa parte dos vizinhos identificou-se com os interesses dos patrões- refinadores do bairro. Chama-se alienação e ideologia dominante, e eles engoliram uns quantos quilos. Falta por esperar que lhes afetem com consequências (ao menos os que têm ascendência burguesa) quando os estudos se intensifiquem, quando a Universidade se tenha “esterilizado” e participe na guerra dentro e fora das fronteiras deste maldito país, e quando os aluguéis no bairro custem mais que a mansão do reitor Petrakos. Aí, vão recordar os punks com ideias estranhas e se arrependerão. Seja como for, seguiremos agitando a paz social e o diremos cara a cara.
O nosso encontro será onde os nossos sonhos se cruzam com os vossos pesadelos. Guerra contra o patriarcado, o Estado, o Capital, a Grécia e suas escórias acadêmicas.
Solidariedade com as acusadas da okupa Termita. Que se retirem os processos da Universidade de Tessália.
A comunidade da okupa Termita
O texto em grego:
O texto em castelhano:
http://verba-volant.info/es/comunicado-de-la-okupa-termita-sobre-su-desalojo/
Tradução > Rosa e Canela
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Mas é seu perfume…
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!