Na madrugada de sexta-feira (06/04), a polícia de Hamilton invadiu uma casa associada a alguns dos envolvidos com a organização da Feira de Livros Anarquistas de Hamilton. A porta foi chutada para dentro, uma granada de luz foi lançada na casa e uma equipe completa da SWAT [“Armas e Táticas Especiais”] entrou. Com os fuzis de assalto engatilhados, a equipe da SWAT começou a tirar todos da cama, alguns dos quais estavam nus e, com uma exceção, algemaram todos. Três pessoas foram detidas e uma pessoa foi presa. Cedar, um membro do Coletivo A Torre [“The Tower”, Centro Social Anarquista localizado em Hamilton] e nosso querido amigo, foi preso e atualmente permanece sob custódia.
Aqueles que não foram presos foram obrigados a esperar do lado de fora por cerca de cinco horas, enquanto policiais “revistavam” a casa. Similar aos fascistas que atacaram a Torre no mês passado, a polícia destruiu completamente o espaço e até mesmo mexeu nas estantes de livros. Todos os três andares da casa e muitas coisas foram danificados, incluindo uma coleção de cartões feministas emoldurados que foram quebrados em vários pedaços e jogados no banheiro. Os policiais são porcos misóginos, pura e simplesmente, sem exceção. Uma longa lista de itens foram apreendidos, incluindo todos os eletrônicos (telefones, computadores, câmeras, discos rígidos externos etc.), livros, pôsteres, zines e uma grande quantidade aleatória de documentos (artigos de revistas acadêmicas, textos traduzidos de um projeto de livro, notas escritas à mão, programas de eventos, panfletos etc.).
Em relação à sua detenção, Cedar está enfrentando acusações de conspiração em relação ao chamado Tumulto da Rua [uma revolta na Rua Locke, no dia 03/03/2018]. Não temos desejo de nos envolver com a política da inocência. O conceito de inocência e sua criminalidade indireta obscurecem mais do que iluminam – ninguém é inocente e o mais “criminoso” entre nós administra a economia e o governo. Além disso, essas noções perpetuam a lógica de um sistema jurídico colonial enraizado na supremacia branca. Dito isto, vale a pena notar que as acusações de conspiração são notoriamente duvidosas e frágeis, e têm um legado de serem usadas como ferramenta de perseguição política. Elas são um ato de desespero destinado a lançar uma rede ampla e assustar as pessoas. Tais cobranças não são uma questão de se engajar em uma atividade particular, mas sim uma questão de possivelmente encorajar uma atividade em particular.
A Torre é um projeto abertamente anarquista que, desde o início, promoveu ideais de ajuda mútua e solidariedade, igualdade e autonomia da comunidade, bem como ação direta, guerra de classes e resistência. Nossa política sempre incluiu tanto jardins quanto protestos. Queremos ver pessoas construindo belas alternativas de libertação, tanto quanto queremos ver pessoas atacando estruturas de dominação. Nada sobre isso vai mudar, e apesar dos recentes desafios, nosso projeto continuará a impulsionar essas ideias. Ainda não temos lágrimas para a Rua Locke, e continuamos sem nos apoiar nas atividades que aconteceram no mês passado. São ações como essas que podem impulsionar as conversas que ninguém quer ter (neste caso, intensificando a gentrificação em toda a cidade), e vemos isso como positivo.
Conforme as coisas continuam a se desdobrar, é importante que as pessoas lembrem que nunca é correto cooperar com a polícia – não converse com elas e não compartilhe nenhuma informação (não importa quão grande ou pequena) com elas. Não se trata de concordar ou discordar de táticas particulares, mas de se recusar a realizar ações que ajudem a facilitar a violência e a repressão do Estado. Além das discussões sobre a Rua Locke, a mídia local tem sido dominada por histórias de corrupção policial, má conduta, brutalidade e, mais recentemente, assassinato. Há menos de uma semana, a polícia de Hamilton atirou e matou Quinn MacDougall, um garoto desarmado de 19 anos que havia ligado para o 911 em busca de ajuda. Policiais não são e nunca serão nossos aliados. Nós ganhamos segurança e força nos unindo e permanecendo em silêncio.
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Ufa! que parece
que a gente vai caminhando
com o sol às costas!…
Jorge Fonseca Jr.

Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!