Pode-se construir uma sociedade livre em um mundo tão frágil quanto o nosso? No curso dos dois últimos séculos, a maioria dos projetos políticos que tinham a emancipação por horizonte não se colocaram essa questão, porque tudo lhes parecia possível. A rarefação dos recursos, o desaparecimento de espécies e a poluição não eram levadas em consideração, o poder das ciências e das tecnologias pareciam então sem limites.
Ao contrário, a ecologia nos ensina hoje que a liberdade do ser humano deve ser relacionada com as restrições que lhe impõe o mundo físico. Autores como Thoreau, Reclus, Kropotkin, Landauer, Huxley, Mumford, Ellul, Illich ou Bookchin compreenderam bem cedo que a natureza e os limites do planeta e do mundo vivo não são correntes que entravam nossos desejos e nossas ações: elas são, ao contrário, as condições de sua realização o mais autêntica possível.
O ponto comum desses pensadores: eles situaram-se todos, de uma maneira ou de outra, no cruzamento da ecologia e do pensamento libertário. Com um estilo vivo e numa linguagem acessível a todos, esse livro faz o inventário dos marcos filosóficos e políticos postos por esses pensadores fora da norma. É um convite a revisitar suas obras e a retomar suas reflexões, em vista de uma crítica radical da sociedade industrial.
José Ardillo (pseudônimo de José Antonio Garcia), antigo editor e redator, na Espanha, da publicação “Os Amigos de Ludd”, escreveu romances e ensaios, e colabora em publicações libertárias.
La liberté dans un monde fragile. Écologie et pensée libertaire
José Ardillo
Edições L’échappée, 288 p., 18 €.
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Itamar Rabelo

Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!