
por Carlos de Oliveira
Há cinco anos, em Joinville (SC), se busca, ainda que de maneira humilde com que as pernas e passos permitem, resgatar a verdadeira importância e significados do Dia do Trabalhador e Trabalhadora. Por não acreditarem que o data seja apenas de festa, um favor do patrão ou ainda pior: o “dia do trabalho”, pessoas se reúnem para sim, celebrar, mas não só, também refletir e reafirmar a importância de todos nós, pessoas que vendem a mão de obra por uma vida digna, apesar de ainda explorada.
Pelo terceiro ano seguido, o Sarau 1º de Maio do Coletivo Anarquista Bandeira Negra de 2019 foi realizado na Associação dos Moradores do Bairro Itinga (Amorabi), espaço referência em sentido comunitário e coletivo de se levar a vida. Lá, centenas de pessoas assalariadas, de infinitas funções diferentes, de diversas idades, compartilharam sentimentos, emoções e orgulho de não estar no lado dos patrões cruéis e impiedosos.
A leitura inicial fez todos navegarem pelos oceanos Atlântico e Pacífico, mas não da forma que aqueles que, décadas atrás, trouxeram a matança; mas exaltando os povos de países trabalhadores e rebeldes da América Latina. Depois, pela delicadeza das peças de teatro que promoveram a revanche contra quem nos ataca, nos quer escondidos atrás da maldade exploratória, aos que nos querem trabalhando até a morte.
O futebol e a música, ao contrário dos que dizem os sábios da vida amargurada, também estiveram ao lado dos de baixo. O campeonato rebelde de pênalti exaltou a categoria de cada menino e menina que sonha em conquistar o mundo com os pés – ou mãos, para aqueles diferentes que trazem a vitória com defesas surreais -. A cantoria do imigrante haitiano David Lover e suas companheiras de palco, encantara provando que não há muros ou tentativas de exclusão que se apague o talento e a valentia inesgotável dos que rasgam linhas impostas pelos que acham mandar no planeta.
No Itinga, em 1º de Maio, é o dia que Joinville, Florianópolis, Curitiba, Itajaí, Porto Alegre, Haiti e qualquer país do mundo se torna apenas um local: dos trabalhadores carregados de amor e rebeldia.
O 1º de Maio derruba muros, desafia exploradores desalmados e relembra que a data é daqueles que, um dia próximo, chegarão à vitória. Colocando fim à exploração e maldade. Construindo dias de paz, dignidade, fraternidade e justiça.
Viva os trabalhadores e trabalhadoras do mundo! Viva o 1º de Maio!
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!