
Dia 5 de abril, um amigo do Paquistão estava caminhando na rua Amfipoleos, em Votanikos, em direção à estação de ônibus de Rouf. No semáforo, 2 motos DIAS (polícia motorizada) que estavam na direção oposta deram meia-volta e pararam-no. Perguntaram-lhe onde ele morava e para onde estava indo, ele mostrou-lhes o papel escrito à mão que dizia que ia fazer exercício e depois pediram-lhe a autorização de residência. Ele mostrou-lhes o certificado de requerente, porque ele estava à espera de ter os seus documentos no mês seguinte, eles rasgaram o certificado, gritando que aquilo não era válido em nenhum lugar, empurraram-no contra a parede batendo-lhe na cara, um deles puxou a sua arma, os outros dois o seguraram e o terceiro olhou à volta. Um deles cuspiu-lhe. Naquele momento o telefone do homem tocou, os policiais viram que eram chamadas da sua namorada e começaram a gozar com ele dizendo: “Tens um encontro?” e “A tua namorada está à tua procura?”
Depois tiraram-lhe as calças e abriram-lhe o casaco, procuraram drogas no seu corpo, assim disseram, procuraram dentro da sua roupa interior e tiraram-lhe as meias e os sapatos. Começaram a ameaçar que iam prendê-lo visto que ele não tinha documentos, disseram que o levariam diretamente para a delegacia, e quando viram que ele não respondia e pedia para chamar o seu advogado, eles recusaram, bateram-lhe, e sarcasticamente perguntaram também se ele ia começar a chorar. Além disso, eles duvidaram que o papel de movimento tivesse sido escrito por ele e riram dele, dizendo que não era possível ele escrever tão bem. Eles disseram que agora iam enviar as fotos dos seus documentos para todo o lado e que vão observá-lo onde quer que ele vá e no final disseram-lhe que vão mandá-lo de volta para o Paquistão se ele quiser andar livremente na rua ou fazer exercício, porque “aqui, é proibido”. Depois o deixaram ir, dizendo-lhe que estavam fazendo um favor ao deixá-lo ir, só com a condição de ir para casa.
Mais uma vez, a face da democracia e dos seus instrumentos ficam claros. Estamos relatando este incidente não como algo novo, nem como algo chocante. Estamos cientes das condições de vida das e dos migrantes na Grécia, dos abusos do Estado, dos maus-tratos por parte da polícia e de toda a escória fascista e do sofrimento que eles e elas sofrem para obter — se tiverem sorte — os seus documentos e viver com dignidade.
Em breve lidaremos com os canibais deste mundo.
NINGUÉM SOZINHO, SOZINHA CONTRA A REPRESSÃO.
SOLIDARIEDADE PARA COM OS E AS MIGRANTES.
QUEBREMOS O MEDO.
Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1604287/
Tradução > Ananás
agência de notícias anarquistas-ana
Cobre-se de flores
O ipê amarelinho
Perto da janela.
Felipe Teixeira Remes – 11 anos
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!