
Mollie Steimer, uma destacada anarquista e defensora dos direitos dos presos políticos, foi coacusada em um dos julgamentos antirradicais mais divulgados da história estadunidense.
Nascida em 21 de novembro de 1897 em Dunaevtsy, Rússia, Steimer chegou à cidade de Nova York aos quinze anos, junto com seu pai, sua mãe Fannie Steimer e cinco irmãos e irmãs. Para ajudar a manter sua família, trabalhou em uma fábrica de roupa, onde esteve exposta pela primeira vez ao radicalismo. Em 1917, se converteu em anarquista e se uniu a um grupo de radicais judeus que se chamava Frayhayt [Liberdade]. O grupo apoiou a Revolução Russa e, além de publicar uma revista yiddish, distribuiu em segredo folhetos e outros materiais de propaganda que estavam proibidos pela legislação em tempos de guerra. Entre estes materiais havia dois folhetos, um em inglês e outro em yiddish, que se opunham à intervenção estadunidense na revolução russa e criticavam energicamente o governo estadunidense.
Os dois folhetos logo puseram a Frayhayt em problemas com as autoridades governamentais. Um dos membros do grupo foi detido por distribuir folhetos. Depois de que concordou em cooperar com a inteligência militar, outros seis membros, incluído Steimer, foram presos e acusados de conspirar para violar a Lei de Sedição.
O julgamento posterior se converteu em uma causa célebre, notável como o primeiro grande processo sob a Lei de Sedição e pela flagrante violação dos direitos dos acusados. Steimer e seus coacusados foram representados por Harry Weinberger, um conhecido defensor dos objetores de consciência, pacifistas e radicais. O julgamento de duas semanas começou em 10 de outubro de 1918. Weinberger argumentou que, dado que as ações dos acusados não interferiram diretamente com o esforço de guerra, não eram puníveis segundo as disposições da Lei de Sedição. Apesar de sua defesa, todos menos um dos acusados foram declarados culpados e quatro receberam sentenças importantes. Jacob Abrams, Hyman Lachowsky e Samuel Lipman foram condenados cada um a vinte anos de prisão e multados com mil dólares, enquanto que Steimer recebeu quinze anos e uma multa de cinco mil dólares. Os quatro apelaram seu caso ante a Corte Suprema.
Liberada sob fiança, Steimer continuou com suas atividades radicais. Se tornou amiga da anarquista Emma Goldman, que acabava de sair do cárcere. Goldman admirou a atitude intransigente de Steimer para com os ideais anarquistas e a chamou “uma espécie de Alexander Berkman com saias”. As contínuas atividades radicais de Steimer resultaram em ao menos oito prisões enquanto seu caso estava em apelação, e finalmente a levaram à prisão em Blackwell’s Island no East River no final de 1919. Enquanto esteve ali, a Corte Suprema confirmou sua condenação e as de seus colegas. Steimer foi transladada a uma prisão em Jefferson City, Missouri, onde a puseram para trabalhar costurando roupas.
Enquanto isso, Harry Weinberger continuou seus esforços para liberar os quatro anarquistas, desta vez com a esperança de obter um indulto, um decreto de anistia ou a deportação à Rússia. Pode obter uma onda de apoio para o grupo, não só entre os radicais judeus, mas também entre vários advogados e intelectuais destacados que estavam convencidos de que não tinham recebido um julgamento justo. Apesar desse apoio, Steimer se negou a assinar uma petição de anistia ou solicitar a deportação à Rússia.“Não quero nenhum perdão”, escreveu a Weinberger. “A palavra ‘perdão’ me perfura os ouvidos e afeta meu sentido de direito, que já é mau”. Se opôs à deportação sobre a base de sua crença de que “cada pessoa viverá onde escolher” e que “nenhuma pessoa tem direito de enviar-me fora deste ou de qualquer país!” Apesar destas objeções, Weinberger conseguiu a liberação do grupo. Em 1921, aos quatro anarquistas foi permitido serem deportados à Rússia soviética por conta própria e receberam um perdão total com a condição de que nunca regressassem aos Estados Unidos.
Depois de chegar à Rússia, Steimer se sentiu decepcionada ao descobrir que os anarquistas eram pouco mais bem vindos que nos Estados Unidos. Goldman e Berkman, que haviam sido deportados uns meses antes que ela, já haviam abandonado o país desiludidos. O novo regime comunista não tolerava nenhuma oposição à política estatal e via os anarquistas como uma ameaça a sua autoridade. Prometendo “defender meu ideal, o comunismo anarquista, em qualquer país no qual esteja”, Steimer começou a difundir propaganda por causas anarquistas e em nome dos presos políticos soviéticos.
Pouco depois de sua chegada a Rússia, Steimer conheceu e se enamorou de sua companheira anarquista Senya Fleshin, uma judia nascida na Rússia que havia imigrado aos Estados Unidos e regressado depois da Revolução. Ainda que as duas nunca se casaram, se converteram em devotas companheiras. Assim como Steimer, Fleshin estava desiludida com o regime soviético e as duas uniram forças em seu trabalho para ajudar os presos políticos. Em 1922, Steimer e Fleshin foram presas pela polícia secreta soviética, acusadas de ter conexões anarquistas na Europa e Estados Unidos. Foram condenadas a dois anos de exílio na Sibéria, mas foram liberadas quando realizaram uma greve de fome. Depois de serem presas pela segunda vez e realizar outra greve de fome, as duas foram expulsas da União Soviética e partiram para a Alemanha em 1923.
Durante os seguintes quinze anos, Steimer e Fleshin se transladaram entre Berlim e Paris, ajudando a presos políticos e exilados anarquistas. Mantiveram contatos com inumeráveis prisioneiros — a quem enviaram pacotes de atenção — e com radicais em vários países, muitos dos quais receberam como convidados. O casal também participou nos principais debates do dia sobre política radical, incluída a controvérsia em torno a Peter Arshinov e sua Plataforma Organizacional. Arshinov propôs a criação de um comitê executivo central para guiar o movimento anarquista, um movimento que Steimer e Fleshin sentiram conduziria ao autoritarismo e uma subversão dos princípios anarquistas.
No começo da Segunda Guerra Mundial, Steimer e Fleshin viviam em Paris. Com a invasão da França pelos alemães, enfrentaram o perigo tanto como radicais como judias. Em 1940, Steimer foi presa e levada a um campo de internamento, enquanto que Fleshin fugiu ao setor desocupado. Capaz de negociar sua liberação, Steimer se reuniu com Fleshin em Marsella e as duas fugiram para a Cidade do México, onde abriram um estúdio fotográfico e se converteram em parte de um crescente grupo de exilados políticos. Em 1963 se retiraram ao povoado de Cuernavaca. Steimer passou seus últimos anos mantendo correspondência com seus companheiros radicais e recebendo muitos visitantes que a admiravam como uma veterana do movimento anarquista internacional. Morreu em 23 de julho de 1980, aos 82 anos.
Fonte: https://circuloacrata.blogspot.com/2020/11/mollie-steimer-anarquista.html
Tradução > Sol de Abril
agência de notícias anarquistas-ana
Gotas ao chão
Tudo escurece
Solidão
Silvia Avila
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!