
Alguns deturparam o sentido do amor livre, e o qualificaram como prostituição. Será prostituição apenas para as mulheres, pois o homem sempre teve liberdade sexual e a mulher carrega apenas o epíteto da prostituta; esse, são prostitutas; aqueles que a usam tão bojudos e altivos, são chamados de cavalheiros jovens honestos e corretos.
Curioso cavalheirismo!… a de utilizar essas mulheres e logo depois as insultar e as depreciar: não sei o que vale mais, “aquele que renuncia para pagar ou aquele que paga pelo pecado”.
Como que se entende, imaculados julgadores, que a mulher que sente atração e amor por outro que não seja seu marido é uma prostituta? Ainda que seja uma só vez em sua vida?
O que pensam do homem que tendo três mulheres ainda se deixa cair, de vez em quando ou semanalmente, entre os mártires da vida pública e que não contente, ainda necessita “saborear” PRAZERES ou aberrações antinaturais? Será ele um prostituto, um viciado, um degenerado, ou o que? Vocês diriam isso?
De modo que, uma mulher se casa ou se une a um homem e tem obrigação, ainda que não goste, ao mês ou a semana ou ao ano, de viver com ele; me disseram que devesse avisar ao homem quando se apaixona por outro; O homem avisa à ela quando se apaixona?
Agora se opta pelo divórcio, mas não se liberta da crítica e da injúria, caluniam-na e tratam de anulá-la como honrada e boa mulher, convertendo-a em uma prostituta, tanto se ela se divorciar ou se vai com outro que ela goste mais.
A lei matrimonial escraviza a mulher? Pois venha o matrimônio livre, a união dos seres livre, o amor livre.
Porque o matrimônio atual é a venda feminina pela qual ela cede todos seus direitos ao marido.
Ela embora deixa de querê-lo, não se libertar pois o dogma escraviza-a perpetuamente e a lei a obriga a cumpri-la; a lei feita pelos homens a cobre de qualificações injuriosas que deixa um rastro sobre ela para que caia sobre seus filhos e familiares e, sentindo o desprezo dos filhos e dos país, se vê impotente de poder usar a liberdade que à custou tão caro.
Quantas tem sustentado essa luta por um marido infiel que as abandonaram!
Mas não querem aceitar que o amor não pode ser escravo, e para deformá-lo aprisionaram a vontade feminina, e a ataram ao poste dos dogmas religiosos, e não viram que o posto estava desgastado e que ao cair a mulher se tornaria livre.
Desorientada, a mulher depois de tantos séculos de opressão, vem buscado e vem encontrando uma grande porta de escape na liberdade do homem e aí tem o respaldo na liberdade que durante muito tempo as escravizou e se falavam; o homem é livre, a mulher tem igual direito e habilidades para ser também.
A atmosfera está cheia de lamentos e gemidos de milhões de mulheres que sofreram horríveis mutações por um conceito equivocado de moral.
Milhares morreram tísicas[2], histéricas, deformadas por essa abstenção que foram condenadas. A prostituição, com seus vícios e aberrações, não forneceu um número de tísicas, histéricas, nervosas e de outras disfunções, como forneceu o que chamaram de “virtude”, “moral” e “castidade”, que não são outra coisa que conceitos equivocados da ignorância combinados com o egoísmo e a força.
Por que senhores? O que há na natureza de impuro e desonesto? Se formos supor que o ato sexual é um ato sujo de rebaixamento moral, estão somos todos produto dessa degradação.
Se o ato sexual é indigno, ele é em qualquer forma que se realize. É igual em todos os idiomas como em todos os seres da criação, desde o inseto até ao homem.
De todos os modos, é uma necessidade como prazer e como meio de procriar de tanta urgência como o de comer, dormir e passear. Se alguém se abstém é dono de suas escolhas; assim, ninguém tem o direito de julga-lo ou acusa-lo. É uma necessidade? É para ambos os sexos. Quem o determinou e o legislou? – O Homem, – Pois que ele a siga e a pratique, ele não tem o direito de legislar para a mulher, nem de dize-la o caminha, nem assinalar os limites. A mulher é a única que sabe o que à ela lhe convêm e deve eleger o que lhe agrade. A liberdade da mulher, é a liberdade do gênero humano! Que lei mais justa, que faz com que tudo isso chegue ao fim! Abaixo a civilização escravizadora das mulheres!
Tradução > Rodolpho Jordano Netto
Notas
[2] Tuberculosa; mulher acometida por tuberculose (Nota do Tradutor)
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Paulo Franchetti
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!