
A cultura anarquista construiu, desde o começo do século XX até a Guerra Civil, um relato emancipador sustentado por um movimento social de uma amplitude que hoje nos parece quase inverossímil.
Sua potência transformadora se enraizava nas relações com o escrito e o publicado, o que possibilitou a produção cultural de grupos tradicionalmente excluídos destes meios.
Não foram poucas a mulheres, muitas delas jovens, autodidatas e com ofícios agrícolas ou industriais, que participaram na produção de uma literatura social-revolucionária, que alcançou êxitos inusitados de distribuição e vendas as mãos editoras pequenas, quase marginais.
Neste ensaio nos centramos nas autoras que publicaram na coleção La Novela Ideal, da editora anarquista La Revista Blanca. Tratava-se de folhetins de 32 páginas com novelas curtas vendidas a preços acessíveis ao bolso dos trabalhadores e com tiragens superiores a 10.000 exemplares. Entre 1925 e 1938 surgiram mais de meio milhão de títulos, em muitos casos, reeditados, que demonstram uma vitalidade e força que contrastava com o silêncio com o qual aquela experiência se deparou, o cruel e persistente silêncio franquista.
Frente uma historiografia oficial baseada nas cômodas ideias de gerações burguesas e feminismos pacificados, esta obra rende homenagem as autoras que, através de seus escritos em La Novela Ideal, defenderam, desde abaixo, a possibilidade de outras vidas, a potência da escrita para gerá-las e a intervenção não delegada no político através da cultura.
Las sin Amo. Escritoras olvidadas y silenciadas de los años treinta
Autor: Antonio Orihuela
Editorial:
La Oveja Roja
Número de páginas: 470
Ano: 2024
PVP: 20,00 euros (IVA incluído)
laovejaroja.es
Tradução > 1984
agência de notícias anarquistas-ana
Venta. Folhas correm.
Fico preocupado e penso
na volta pra casa.
Thiago Souza
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!