
assimilados e uniformizados
A 28ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a maior e mais rentável do planeta, convoca o/a/es participantes a trajarem uniforme verde e amarelo. Em comunicado oficial, a entidade que organiza o evento declarou que Madonna e Pabllo Vittar, durante apresentação no show em Copacabana, “ressignificaram” a bandeira nacional, supostamente “apropriada pela ala mais retrógrada da sociedade, aquela que utiliza o amor à pátria como um disfarce para propagar o ódio”. Mesmo dentro do binarismo judaico-cristão, amor x ódio, qual bandeira nacional não celebra o monopólio do uso legítimo da força pelo Estado? Desde essas terras, empunhar a bandeira pela “ordem e o progresso” é aplaudir os mais de 500 anos de massacres, genocídios e etnocídios, e clamar por sua continuidade. Inclusive, é sob o tremular dessa bandeira que incontáveis existências não-heterossexuais são violentadas, torturadas e executadas. A camisa da CBF é campeã “do mundo”, deste mundo que possui ranking dos Estados que mais matam pessoas trans e travestis. Não há como “ressignificar” o terror do Estado. Essa bandeira é de quem apoia todas essas violências. Qual a ala mais “retrógrada da sociedade”: os patriotas sanguinários que coerentemente se embrulham na bandeira do Brasil ou as minorias democráticas que desejam ser o mesmo que toda essa merda.
Deus (ou Cristo), pátria e família LGBTQIA+
Na disputa por protagonismo identitário, na mesma semana da Parada, mercadologicamente chamada de Semana do Orgulho LGBT, ocorrerão dois eventos anteriores: a Marcha Trans e a Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de SP. Es organizadorus da Marcha aderiram à convocação patriótica. Arrebanhades, também, pela esquerda, alegam que Madonna e Pabllo Vittar ressignificaram a bandeira ao utilizarem-na em um “contexto de amor e tolerância, distante do autoritarismo e da depredação”. Autoritarismo dos outros, claro, o delus, sob a condução da esquerda e o cada vez mais severo policiamento identitário, não. (Na Marcha do ano passado, teve até pregação de pastor evangélico LGBT). Tal qual a meta da Parada, a Marcha clama por democracia, mais e melhor representação política e mais segurança. Já as organizadoras da Caminhada não aderiram ao coro e consideram as cores verde e amarela vinculadas “à extrema-direita e ao fascismo”. Embora também rezem pela cartilha da segurança e peçam justiça por lésbicas assassinadas. Este ano, relembram a execução de Luana Barbosa por polícias, em 2016, e de Carol Campêlo, brutalmente executada, não se sabe por quem, no final do ano passado. Para elas, fica o recado das anarquistas que agitam as ruas mexicanas: “me cuidan mis amigxs, no la policía”. Aos outres, que algo desafine seu coro de hino nacional e de louvores em meio à música pop.
>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:
https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/05/flecheira763.pdf
agência de notícias anarquistas-ana
As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto
Eugénia Tabosa
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!