
Uma declaração apaixonada do que significa ser um anarquista.
Ser anarquista significa, acima de tudo, ser bom; significa pensar, sonhar e discutir sem sectarismo.
Significa odiar tudo o que causa sofrimento, lágrimas e morte.
Significa conceber e explicar as coisas de forma clara, simples, sem medo das consequências e sem esperança de lucro.
Significa rejeitar tudo o que é feio, mesquinho, desumano, servil ou dócil.
Significa aproximar-se de tudo o que é belo, bom, orgulhoso, justo, amigo da liberdade e da verdade.
Significa seguir um caminho reto, sem se distrair com ameaças, insultos ou apelos à traição.
Significa ser útil, inclinando-se aos sofrimentos de seus semelhantes; um lutador, guiando aqueles que se rebelam; um pensador, vislumbrando a aurora de um dia melhor.
Significa acarinhar o amante, guiar os passos vacilantes da criança, reverenciar a velhice, ajudar os que estão ao seu redor.
É não se limitar a nenhum horizonte, a nenhuma fronteira; é querer ser irmão de todos os seres humanos, sem distinção de raça, idioma ou cor.
É escalar montanhas, correr pelas planícies, entregar seu corpo à pureza do riacho, aos raios benéficos do sol.
Significa saborear os belos frutos maduros, morder o fruto ainda mais belo do amor; fazer dos animais uma segunda família, fiel, amorosa, afetuosa.
Significa viver intensamente sem preconceitos, sem respeito aos costumes antiquados, inveja, ressentimento ou ódio; viver duas vidas significa viver duas vezes.
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Quantos pensavam que eram anarquistas, mas estavam cegos pela visão deslumbrante. Para eles, o egoísmo banal assumiu o controle, e uma sinecura falsamente nutritiva pôs fim ao belo sonho que haviam vislumbrado; eles não foram feitos para esse sonho fantástico, para esse apostolado.
Mas quantos também foram anarquistas sem saber, todos os nomes que, depois de uma vida de coragem, bondade, rebeldia e generosidade, deixaram uma lembrança na história, foram dignos de nosso nome, e também os eclipsados que lutaram, sofreram e morreram para que a humanidade pudesse avançar.
Vá em frente, meu amigo, você que me lê e talvez esteja indeciso, não hesite mais, a mais bela causa lhe é oferecida.
Leia, reflita, observe, discuta, analise, compreenda e lance-se à luta; as satisfações superarão em muito as tristezas e, na alvorada de sua vida, antes que seus olhos se fechem para sempre, quando em um instante o filme de sua existência se desenrolar em uma retrospectiva breve demais, nenhuma preocupação escurecerá sua testa, nenhum arrependimento obscurecerá seus lábios, exceto o pesar pelo fato do sonho estar se interrompido e encerrando.
Fonte: https://libertamen.wordpress.com/2024/07/24/ser-anarquista-1934-fernand-planche/
Tradução > anarcademia
agência de notícias anarquistas-ana
lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça
Gustavo Felicíssimo
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!