
Por Alf Bojórquez
Olá. Escrevo do México. Sou uma escritora trans e não binária. Há alguns meses está circulando meu segundo livro — um ensaio pessoal que explora o tema do anarquismo latino-americano — intitulado Não existe dique capaz de conter o oceano furioso. Potência, alegria e anarquismo. Está disponível na rede de distribuição da Traficantes de Sueños, Virus e Cambalache.
Meu nome é Alf Bojórquez, sou romancista e ensaísta de uma pequena cidade próxima a Cuba. Iniciei o caminho que desemboca neste livro editando e traduzindo para a editora Tumbalacasa. Coordenei a tradução, em parceria com Traficantes de Sueños, AK Press e Tumbalacasa, de Militancia alegre. Tejer resistencias, florecer en tiempos tóxicos de Nick Montgomery e Carla Bergman. Tenho ministrado oficinas na América Latina, Europa, Estados Unidos, Filipinas e Marrocos. Tenho também um podcast intitulado Un sueño largo, ancho y hondo, disponível em todas as plataformas, onde trato há anos das problemáticas da narrativa, da arte e da teoria crítica.
Não existe dique capaz de conter o oceano furioso é um livro que defende a alegria: uma capacidade que surge sem aviso prévio, sem antecipação nem planejamento. Desde que trabalhei em Militancia alegre, tenho me concentrado nesse tema porque acredito que é uma forma de definir o anarquismo de modo afirmativo e não apenas negativo (contra o Estado, o capital, o patriarcado etc.). O anarquismo, para mim, é a favor da alegria e da improvisação (é expansivo em termos spinozianos, isto é, de ação), portanto, não teme tanto o erro.
Desde o stalinismo, o anticapitalismo em geral tende a ser cinza, áspero, mecânico, melancólico, trágico, sombrio, gótico — por isso venho há anos criticando a vertente capacitista e adultocêntrica que, junto com tudo isso, nos diminui. Não existe dique capaz de conter o oceano furioso é um livro que busca libertar o anarquismo de si mesmo — de suas bandeiras rígidas, de suas personagens engessadas e previsíveis — para expandi-lo a novos horizontes coletivos onde caibam mais mundos e formas de vida. Além disso, aborda como as ideias e práticas anárquicas viajaram para a América e se somaram às lutas anticoloniais, às revoltas de indígenas e de pessoas escravizadas.
Não existe dique capaz de conter o oceano furioso é um ensaio pessoal sobre a extrema esquerda, com um estilo agradável e ágil, que fala das lutas atuais. É o resultado de minhas colaborações com a Asamblea de Defensores del Territorio Maya Múuch Xíimbal, aOrganización Popular Francisco Villa de Izquierda Independiente e a Preparatoria Comunitaria José Martí. É uma autobiografia desde e em direção ao político, que atravessa muitas outras questões que podem interessar a vários tipos de leitores. É um ensaio sobre adolescência, proletariado, necessidade de pertencimento, os povos, o zapatismo, as subculturas urbanas nos países colonizados. Por isso é narrado com um tom poético e pessoal.
O PDF do livro está disponível para download gratuito em: https://archive.org/details/no-existe-dique-digital
Com esta pesquisa poética busco dar visibilidade ao anarquismo mexicano. No livro, defendo que, embora seja uma invenção europeia, na América Latina ressignificamos o anarquismo ao integrá-lo às lutas anti-imperialistas e anticoloniais em diferentes momentos da história. Por trás do progressismo de Boric, Petro, Lula, Kirchner e Sheinbaum há um proletariado enfurecido — uma linha de frente que saiu para defender o pouco que nos resta antes que o protesto social fosse reciclado pela socialdemocracia latino-americana. O ciclo insurrecionalista das últimas duas décadas chegou ao fim com o agravamento do genocídio na Palestina e a ascensão de Trump e Milei. A conjuntura deste momento histórico nos convida a retomar o antifascismo e repensar a revolução.
Não existe dique capaz de conter o oceano furioso é um livro autopublicado. Fiz sozinha minha própria distribuição, indo aos correios enviar um exemplar após o outro para as pessoas que ouvem meus podcasts. Por isso mesmo disponibilizei gratuitamente o PDF — para divulgar minhas (auto)críticas ao anarquismo.
Se tiverem interesse no meu trabalho, nas mesmas distribuidoras encontra-se meu primeiro livro, um romance sobre um amor adolescente em uma cidade devastada pelo colonialismo, intitulado Pepitas de calabaza.
Fonte: https://redeslibertarias.com/2025/10/29/un-libro-sobre-anarquismo-en-abya-yala/
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
Uma frente à outra,
floridas sibipirunas
trocam amarelos.
Reneu do A. Berni
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!