
Mark Bray se tornou uma das pessoas mais em destaque que foi acusada nos esforços de Donald Trump de fazer a Antifa um alvo.
Por Ashifa Kassam | 18/11/2025
Com bagagem despachada e cartões de embarque em mãos, Mark Bray e família passaram pela segurança do aeroporto de Newark no início de outubro. O voo à Espanha transportaria a família de quatro pessoas a um lugar seguro após dias de ameaças crescentes; Em vez disso, enquanto esperavam no portão para embarcar, foram informados de que alguém havia cancelado a reserva.
“Parecia que eu estava sendo observado e ridicularizado”, disse Bray, professor da Universidade Rutgers que ministra um curso sobre a história do antifascismo e que, em 2017, escreveu um livro sobre Antifa. “Eu sabia que era algo motivado politicamente de um jeito ou de outro.”
O incidente catapultou Bray para as manchetes como uma das pessoas de maior destaque envolvidas nos esforços de Donald Trump de atacar a Antifa.
Por anos, Trump mirou a Antifa, buscando transformá-la em inimigo formal, apesar do fato de que o movimento descentralizado; que se opõe à extrema-direita, a fascistas e a racistas, não tem estrutura, hierarquia e nem líder.
A sua cruzada ganhou nova vida após o assassinato do ativista de extrema-direita Charlie Kirk. Dias após o assassinato, sem nenhuma evidência que comprovasse ligação entre o suspeito de assassino e a Antifa, o presidente assinou uma ordem executiva designando o movimento como “organização terrorista doméstica”.
Nos últimos dias, a administração foi além, acusando quatro entidades europeias de serem “grupos violentos Antifa” e anunciando planos para designá-las como organizações terroristas estrangeiras.
Os esforços para estabelecer uma ligação entre a morte de Kirk e Antifa, por mais frágeis que fossem, abalaram a vida de Bray. Desde a publicação do seu livro, em 2017, Antifa: The Anti-Fascist Handbook, o professor tem sido amplamente considerado como um especialista no movimento.
A distinção sempre foi clara. “Sou antifascista na medida em que não gosto do fascismo e gostaria muito que nos organizássemos contra o fascismo”, disse ele. “Mas é só isso. Nunca fiz parte de nenhum grupo.”
No final de setembro, enquanto as tensões continuavam a aumentar em torno do assassinato de Kirk, influenciadores de extrema-direita e a mídia de direita intensificaram esforços para borrar essa distinção. Um proeminente influenciador de direita o descreveu como “professor de terrorismo doméstico”, acusação rapidamente adotada por outros, enquanto um grupo estudantil afiliado à organização fundada por Kirk o acusou de ser “líder proeminente do movimento Antifa no campus” e pediu a sua demissão.
Logo se seguiram algumas ameaças de morte. Quando o livro sobre Antifa foi publicado, em 2017, Bray ignorou as ameaças que chegaram. Porém, agora, pai de dois filhos pequenos, era difícil ignorar o email ameaçando matá-lo na frente dos alunos ou o fato de alguém ter postado o seu endereço residencial nas redes sociais.
“Eu ficava lutando contra a ideia de que você está jogando nas mãos deles ao ficar com medo disso”, disse ele. “Mas a diferença entre essa e a anterior, entre outras coisas, era ter filhos pequenos e, se havia tipo 0,001% de chance de alguém passar pela nossa casa e pulverizar uma arma automática naquela casa, eu não posso correr esse risco.”
Com o apoio de Rutgers, ele e a esposa, que também é professora, decidiram se mudar para a Espanha, pelo menos até o final do ano letivo, e lecionar remotamente, na esperança de que a situação eventualmente se acalmasse. Com as ameaças pairando sobre eles, arrumaram o que precisavam em dias, deixando as cortinas fechadas e os filhos sem saber sobre o motivo da mudança repentina.
Quando a primeira tentativa de embarque falhou, ficou claro como o contexto havia mudado. Anos antes, quando Bray ficou conhecido por suas pesquisas sobre Antifa, sentiu como se a raiva contra ele tivesse surgido de algumas pessoas ressentidas que então buscavam mobilizar outros para atacá-lo.
“Desta vez, porém, não foi uma bolha. Era de cima para baixo”, disse ele. “Do jeito que vejo, a Casa Branca decidiu que a Antifa está na mira.”
Horas antes do voo de Bray ser cancelado, Trump e seus principais funcionários realizaram uma reunião na Casa Branca, prometendo usar toda a força do governo para esmagar a Antifa, que eles comparavam a algumas das gangues e cartéis de drogas mais violentos do mundo.
“No dia em que eu estava saindo do país, os influenciadores de extrema-direita que me miraram estavam na reunião da Casa Branca com Trump sobre a Antifa e em contato direto com ele”, disse Bray.
No dia seguinte, enquanto a mídia, advogados e um senador democrata acompanhavam o progresso da família, eles conseguiram embarcar no voo para a Espanha. Antes do embarque, porém, foram retidos por cerca de uma hora por agentes da alfândega e da patrulha de fronteira, que bombardearam Bray e a esposa com perguntas, pediram para ver o celular e espiaram na bagagem de mão da família.
As perguntas deles para Bray logo se tornaram mais incisivas, sugerindo que Bray havia doado metade dos lucros do livro de 2017 para o Fundo Internacional de Defesa Antifascista, que apoia os custos legais e médicos de pessoas ao redor do mundo acusadas de crimes relacionados a ações antifascistas. “Não é um grupo Antifa”, disse Bray, observando que os agentes recuaram quando ele disse que precisaria do advogado presente para responder a essas perguntas.
Algumas semanas depois, tomando café em uma rede espanhola conhecida, Bray conversou com o Guardian. Do ponto de vista de mais de 5600 quilômetros de distância, descreveu o sofrimento da família como parte de uma estratégia mais ampla da administração Trump para usar a Antifa, movimento ainda pouco compreendido por muitos, para promover os seus próprios objetivos.
“O manual fascista autoritário é bem documentado e prospera com crises e emergências”, disse ele. “Está bem documentado que figuras como essa querem sufocar a resistência da oposição e geralmente tentam criar uma categoria de bicho-papão genérico para isso.”
A Antifa estava sendo usado dessa forma, apesar da falta de estrutura a tornar mais parecida com o socialismo do que com qualquer organização formal. “Eu realmente acho que Maga é um movimento fascista, acredito que a intenção da administração é destruir a oposição e os protestos e criar um sistema autoritário”, disse ele.
À medida que o governo Trump iniciava esse processo, a vida que ele e sua esposa construíram nos EUA, ao menos temporariamente, tornou-se um dano colateral. “Não era realmente sobre mim, propriamente dito, mas sim sobre usar um bicho-papão para tentar atacar qualquer um que a administração não goste. É assim que vejo”, disse, apontando para o ecossistema midiático de extrema-direita que amplificou essas alegações, deixando-o repelindo ameaças de morte. “Foi irritante que alguém pudesse simplesmente mandar um email e mudar a minha vida.”
Tradução > CF Puig
agência de notícias anarquistas-ana
para medir o calor
do dia, olhe o comprimento
do gato que dorme
James W. Hackett
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!