
O governo trata zines anarquistas como evidência de terrorismo.
Por Autumn Billings | 26/11/2025
Os processos federais contra nove membros do que o Departamento de Justiça chama de “Célula Antifa do Norte do Texas”, supostamente responsável por uma manifestação contra a aplicação da lei de imigração que se tornou violenta em julho, devem avançar para a fase de acusação na próxima semana. Os supostos membros enfrentam acusações que vão desde tentativa de homicídio até fornecimento de materiais para apoiar terroristas. Contudo, é o caso de um dos réus, baseado no transporte de “documentos contra a aplicação da lei, contra o governo e contra a aplicação da lei de imigração”, que levanta sérias preocupações em relação à Primeira Emenda da constituição americana.
Na noite de 4 de julho, manifestantes contra a aplicação da lei de imigração chegaram ao centro de detenção da Prairieland Immigration and Customs Enforcement (ICE) em Alvarado, Texas, Estados Unidos. Conforme a promotoria, “começaram a atirar e jogar fogos de artifício… e vandalizar veículos e um posto de guarda”. Em resposta, um oficial do Departamento de Segurança Interna chamou a polícia local. Pouco depois da chegada de um policial do Departamento de Polícia de Alvarado, tiros teriam sido disparados pelos manifestantes, e o policial foi atingido no pescoço, sem ferimentos graves.
A ocorrência acabou levando à prisão de 16 pessoas, algumas nem estavam presentes no tiroteio nas instalações da Prairieland ICE.
Embora Daniel Rolando Sanchez não estivesse lá quando os tiros foram disparados, a sua esposa, Maricela Reuda, estava e foi posteriormente presa. Conforme a denúncia criminal apresentada contra Sanchez, Reuda ligou ao marido da prisão do condado de Johnston e pediu para fazer “o que fosse necessário, mover o que fosse necessário na casa”.
Mais tarde, os policiais viram Sanchez levar uma caixa da sua casa para a caminhonete e depois deixá-la em outra residência. Sanchez foi parado pouco depois e preso por infrações de trânsito estaduais. Após a prisão, as autoridades cumpriram um mandado de busca na segunda residência e “encontraram, no que parece ser a mesma caixa que [Sanchez] foi visto carregando, um documento manuscrito de treinamento, táticas e planejamento para distúrbios civis com sentimentos antissegurança pública, antigovernamentais e antitrumpistas”. Os documentos da caixa incluíam zines e panfletos que o ICE chamou de “propaganda insurrecional literal”.
Com base nisso, Sanchez pode pegar até 40 anos de prisão por conspirar e “transportar uma caixa que continha vários materiais da Antifa… com a intenção de ocultar o conteúdo da caixa e impedir a sua disponibilidade para uso em um grande júri federal e em um processo criminal federal”, conforme a acusação mais recente.
Porém, esses materiais, embora controversos na sua defesa da insurreição, ocupação ilegal e anarquia, são todos protegidos pela Constituição americana como liberdade de expressão. O governo não pode infringir o direito da Primeira Emenda de ler, possuir ou escrever, a menos que o autor esteja incitando ações ilegais iminentes, literatura antigovernamental ou pró-revolução. Embora alguns possam considerar as ideias contidas na caixa de Sanchez perigosas, os zines e panfletos antigovernamentais são muito mais semelhantes à literatura da era revolucionária popular quando a Primeira Emenda foi aprovada do que o panorama atual das redes sociais, como aponta Seth Stern, do The Intercept.
No entanto, depois que o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em setembro designando a “antifa” como “grande organização terrorista”, promotores, como os do caso Sanchez, tentam usar materiais que “explicitamente [clamam] pela derrubada do governo dos Estados Unidos, das autoridades policiais e do nosso sistema jurídico” como prova de criminalidade, apesar da proteção constitucional.
O caso de Sanchez mostra por que dar ao governo o poder de designar e processar “organizações terroristas domésticas” é tão perigoso. Seja escrevendo um artigo de opinião ou sendo incluído no vago movimento antifascista, os amplos poderes do governo sempre levam ao mesmo resultado: violações dos direitos constitucionais e silenciamento da dissidência.
Tradução > CF Puig
agência de notícias anarquistas-ana
Apito de fábrica
A poluição é o tempero
da marmita fria.
Teruko Oda
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!