
Na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, na França, fascistas tentaram interromper um evento que denunciava o genocídio em Gaza. Como costuma acontecer, esses confrontos ocorreram em Lyon, cidade onde organizações fascistas e neonazistas vêm causando sérios problemas em diversos bairros há anos. Mas desta vez, não foi um migrante, um homossexual ou um antifascista que foi morto, e sim alguém do lado oposto. Este homem acaba de falecer no hospital em decorrência dos ferimentos.
Embora numerosos ativistas de extrema-direita tenham cometido assassinatos e atos de violência racista e homofóbica nos últimos anos, o Estado francês não dissolveu o Rassemblement National (“Reagrupamento Nacional”). O capitalismo precisa do fascismo. Especialmente quando está em crise.
Contudo, quando, excepcionalmente, o falecido está do lado oposto, políticos e meios de comunicação franceses imediatamente exigem a dissolução de grupos antifascistas. Chamam-nos de monstros, embora sejam eles que tenham semeado o ódio aos estrangeiros: nos seus programas de televisão e nos seus comícios políticos. Alguns chegam agora a querer classificar os grupos antifascistas franceses como organizações terroristas, tal como Trump nos EUA e Orbán na Hungria.
Jamais nos esqueçamos de que, quando o fascismo toma o poder, ele nunca se declara fascista; não diz “Eu sou fascista”. Em vez disso, é reconhecível pelo tratamento que dispensa aos antifascistas e a todos aqueles que se opõem à sua agenda política e social. Estamos vendo isso também na Grécia. Aqui também, as autoridades estão tentando criminalizar o movimento social, fabricando uma narrativa absurda contra nós, mesmo enquanto defendemos a liberdade, a igualdade e a solidariedade.
Há mais de dez anos, o movimento antifascista na França participa de inúmeras ações em apoio às nossas lutas na Grécia: ações de solidariedade, manifestações em frente aos consulados gregos e à embaixada na França, mensagens de apoio e comboios para a Grécia para nos ajudar no bairro de Exarchia e em outros locais. Para nós, a solidariedade não conhece fronteiras. E funciona nos dois sentidos.
Apesar da ascensão do totalitarismo em nível internacional, nossa luta contra o fascismo, o capitalismo e o Estado continua. Nem tudo está perdido. O fascismo não é inevitável, nem na França, nem na Grécia, nem em lugar nenhum.
Solidariedade aos antifascistas na França, que são mais uma vez vítimas de repressão e ameaçados de criminalização e descrédito pelo Estado e pelos fascistas.
Rouvikonas
Atenas, 16 de fevereiro de 2026
agência de notícias anarquistas-ana
O sol brilha
Nas vigas da ponte –
Névoa da tarde.
Hokushi
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…