[Itália] Rovereto: Sobre vacinas, livre escolha e outras coisas

Folheto distribuído ao pessoal de saúde do hospital de Rovereto. De acordo com a imprensa local, são cerca de 700 trabalhadores da saúde a ter recusado a vacinação no Trentino

Após um ano de emergência da Covid-19, podemos dizer sem medo de sermos contraditórios que tudo o que as instituições não fizeram para enfrentar esta epidemia foi e é literalmente derrubado sobre nós sob a forma de limitações cada vez mais pesadas à nossa liberdade.

Deixemos de lado aqui as causas estruturais da propagação do vírus (desmatamento, agitação climática, agricultura intensiva, agressão química ao nosso sistema imunológico…), que não foram sequer consideradas. Vamos falar sobre o sistema de saúde e a que ele foi reduzido em trinta anos de cortes, privatização e corporatização. Se enfrentados a tempo em casa, os sintomas de Covid quase nunca degeneram em formas graves. Se as unidades de terapia intensiva estão dramaticamente cheias, isto não se deve apenas ao corte no número de leitos ao longo dos anos, mas precisamente porque nenhuma ação foi tomada a montante, devido a políticas de saúde específicas. Os muitos clínicos gerais que não seguiram os protocolos ministeriais tiveram muito poucos pacientes admitidos e nenhuma morte. Das instituições, eles só receberam obstáculos. Se um médico de Bérgamo não tivesse violado a diretiva do Ministério da Saúde que desencorajava a realização de autópsias, quantas mais mortes por tromboembolismo teriam ocorrido por causa das primeiras terapias erradas? Quantas pessoas – tanto idosas como jovens – acabam oxigenadas por não terem consultado um médico nos dez dias anteriores? Por que a enorme implantação logística para as vacinas não foi sequer remotamente arranjada para o atendimento domiciliar?

A razão não é misteriosa. Se você abolir qualquer ideia de cuidado do debate público, em nome da saúde (e do medo) você pode impor as medidas mais autoritárias sem encontrar nenhuma resistência. Se a Covid “não pode ser curada” (o que é desmentido pela experiência de centenas de clínicos gerais) o que resta? A vacinação em massa como o único remédio.

O fato de serem vacinas geneticamente modificadas; de seus efeitos a médio e longo prazo serem completamente desconhecidos; de não protegerem o vacinado contra Covid (talvez o imunizem de suas formas mais severas); de não garantirem que o vacinado não infecte outras pessoas; de terem uma duração limitada no tempo (três meses? seis meses?, nem mesmo seus desenvolvedores sabem) – são todos aspectos que estão proibidos de se falar.

E assim, depois de chamá-los de “heróis”, agora o governo emite mais um decreto, desta vez para impor a vacinação àqueles milhares de trabalhadores da saúde que a recusam. Repetimos (sabendo que ninguém pode nos contradizer): mesmo os vacinados podem transmitir o vírus. Mas é tão conveniente descarregar a culpa do desastre sanitário para aqueles que não tomam por garantidas as indicações dos comitês técnico-científicos!

Como nenhuma voz se levanta em defesa dos “monstros” que recusam estas vacinas, nós o fazemos. Primeiro, porque somos pela livre escolha, e estamos horrorizados com qualquer passo em direção à medicalização forçada. Em segundo lugar, porque a administração de vacinas cujos efeitos não são conhecidos é uma verdadeira experimentação em massa. Em terceiro lugar, porque o que precisamos não é de produtos de bricolagem biotecnológica, mas de medicina local e preventiva, medicina que esteja em contato com a população e apoiada por ela.

Estamos fartos das declarações unilaterais da OMS, dos comitês técnico-científicos, dos diretores do Instituto Italiano de Saúde e agora até dos generais!

Queremos ouvir de nossos médicos! Queremos saber o que fazer quando os sintomas de Covid surgirem! Sobre como nos tratar! Como nos tornar coletivamente mais saudáveis! Queremos espaços públicos de discussão!

A liberdade e a saúde são defendidas ou perdidas juntas.

Rovereto, 31 de março de 2021

Coletivo Saúde e Liberdade

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/04/01/rovereto-su-vaccini-libera-scelta-e-altre-cose/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

No orvalho da manhã,
Sujo e fresco,
O melão enlameado.

Bashô

[Galícia] Um tributo ao anarquista russo Pyotr Kropoktin

Por L. Penide | 29/03/2021

A Fundação Cuña-Casasasbellas anunciou que a Sala VerSus acolherá a partir de quinta-feira a conferência e exposição que prestará homenagem a Pyotr Kropotkin por ocasião do centenário de sua morte. Organizada pelo Ateneu Libertário de Pontevedra com a colaboração da CGT, após os compromissos destes últimos dias, esta tarde (19 horas), Jordi Máiz falará sobre a Vigência do Pensamento e Ação em Kropotkin.

Devido as restrições sanitárias, todos os interessados em comparecer devem confirmar sua presença pelo e-mail hipofanias@gmail.com ou pelo telefone 627 791 645. Os locais serão cobertos por ordem de inscrição até que a capacidade total seja atingida.

Por sua vez, a exposição sobre a vida e a obra do anarquista russo Pyotr Kropoktin pode ser visitada até 21 de maio. É composta, entre outros documentos, de fotografias, mapas, pinturas, panfletos, cartazes, desenhos, jornais, livros e obras originais produzidas pelo Ateneu.

Fonte: https://www.lavozdegalicia.es/noticia/pontevedra/2021/03/27/homenaje-anarquista-ruso-piotr-kropoktinr-ganapan-extiende-semana-santa/0003_202103P27C10994.htm

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agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[Canadá] Servidores da “North Shore Counter-Info” e da “Montreal Counter-Info” foram apreendidos pela polícia holandesa

Tomamos conhecimento de que a polícia holandesa havia apreendido servidores do “No State tech collective” (Coletivo Tecnológico Sem Estado), que hospeda os sites da “North Shore Counter-Info” (Coletivo Costa Norte Contrainformação) e da “Montreal Counter-Info” (Montreal Contrainformação)além de vários outros sites anarquistas. O que sabemos é que esta ação está no contexto de uma investigação criminal e praticamente nada mais além disso.

North Shore Counter-Info” está inacessível nesse momento, mas o projeto não está morto e nós vamos migrar para novos servidores nos próximos dias. Nesse meio tempo, nós iremos aceitar envios pelo e-mail da “northshore” no “riseup dt net” e iremos repassá-los no nosso twiter (@nscounterinfo) e no raddle.me/f/Canada.

Apesar deste recente ataque nas infraestruturas do anarquismo online ser desapontador, ele não é uma surpresa. Nosso objetivo como um projeto é permitir a comunicação entre anarquistas através de Ontário (estado do Canadá) e ir muito mais além, com a finalidade de desenvolver nossas ideias e práticas para construir um mundo sem dominação e baseado na autonomia. Este simples objetivo terá sempre a oposição daqueles que estão no poder e a nossa tarefa agora é achar caminhos para seguir em frente, como os anarquistas sempre fizeram em face à repressão.

Nós iremos postar maiores atualizações em ambas as plataformas assim que as recebermos. Enquanto isso, é útil compartilhar essa atualização mais amplamente.

North Shore Counter-Info Collective

Fonte: https://raddle.me/f/Anarchism/128874

Tradução > Ligeirinho

agência de notícias anarquistas-ana

Sem nenhum barulho
Comendo o caule de arroz:
Uma lagarta.

Ransetsu

[Chile] Informe dos 15 dias de greve de fome de presxs subversivxs, anarquistas e da revolta

Desde 22 de março de 2021, ocorre uma greve de fome nas prisões de Santiago 1, San Miguel, na Seção de Segurança Máxima e na Cárcere de Alta Segurança.

Se passaram quinze dias nos quais nove presxs subversivxs, anarquistas e da revolta estão mobilizadxs e em pé de guerra contra as últimas modificações do DL 321 que regulamenta a “liberdade condicional”, pela libertação imediata de Marcelo Villarroel e para denunciar a prisão preventiva como punição. O companheiro Juan Aliste apoia e adere à mobilização, mas permanece fora da greve de fome devido à sua situação de saúde.

No que diz respeito à questão médica, todxs xs companheirxs são pesadxs diariamente e têm seus seus sinais básicos examinados. Mónica é transferida uma vez por semana ao Hospital Penal para um check-up completo, enquanto Francisco, Juan, Marcelo e Joaquín são visitados uma vez por semana por um médico da ex penintenciária (prisão chilena mais antiga, localizada na capital do país). Em Santiago 1, o deplorável e colapsado sistema de saúde da A.S.A (Área de Saúde Ambulatorial) é o local onde os companheiros são controlados clinicamente e onde inclusive chegaram a negar-lhes a pesagem em uma ocasião.

Com uma perda média de 5.7 kg, além de dores de estômago e de cabeça, cansaço, cãibras e tonturas leves, os efeitos da greve já começam a ser sentidos no corpo dxs companheirxs.

*Prisão de San Miguel

Mónica Caballero:Perda de 5 kg.

*Seção de Segurança Máxima

Francisco Solar: Perda de 6 kg.

*Cárcere de Alta Segurança

Marcelo Villarroel:Perda de 5 kg.

Joaquín García: Perda de 7 kg.

Juan Flores: Perdida de 6 kilos.

*Prisão Santiago 1

Pablo Bahamondes Ortiz: Perda de 9 kg.

José Duran Sanhueza: Perda de 5 kg.

Tomas González: Perda de 4 kg.

Gonzalo Farías:Perda de 5 kg.

As palavras viajam desde o módulo 3 da prisão Santiago 1 e xs companheirxs José Duran, Tomas González y Gonzalo Farías nos apontam:

“Desde Santiago 1, compartilhamos com vocês nosso processo de greve:

José Duran começou com 74,8kg e até esta data se encontra com um peso de 70kg. Apresentando como sintoma uma dor e ardência na boca do estômago de curta duração.

Gonzalo Farías começou com 78,9kg e até agora pesa 73,3kg. Com dores de cabeça em alguns dias, defesas baixas e fadiga em determinados momentos.

Tomas González iniciou a greve com 69,4kg e hoje se encontra com 65,3kg. Com uma dor aguda na boca do estômago de curta duração.

Apesar de tudo, estamos firmes e avançando na luta que estamos travando junto com nossxs companheirxs nas diferentes prisões de $hile.

O ânimo não decai e seguimos até vencer ou morrer”.

Por sua vez, Pablo Bahamondes, no módulo 2, envia as seguintes palavras:

“Irmãxs, no início da greve de fome líquida meu peso inicial era de 99,7kg e até o momento baixou para 90,8kg. Até agora os sintomas são esporádicos, como dores de cabeça, alguns episódios de câimbra e breves crises de fome… mas em geral bem.

Acredito fortemente nesta batalha que estamos fazendo e continuo com o newen suficiente. Todo gesto de solidariedade é o alimento que absorvo nestes dias, entendendo que cada ato são energias que mantêm viva a luta contra quem deseja nos submeter.

Um abraço cúmplice atravessando os muros a quem mantém o espírito indômito, todo meu carinho a vocês”.

Cada dia se faz mais urgente estender a solidariedade e a mobilização com todas as formas possíveis.

PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO DECRETO DE LEI 321!

PELA LIBERDADE IMEDIATA AO COMPANHEIRO MARCELO VILLAROEL!

PELO FIM DA PRISÃO PREVENTIVA COMO CASTIGO!

05 de abril de 2021

Dia 15 da greve de fome

Território dominado pelo Estado Chileno

Buscando la kalle

Informativo sobre a mobilização e greve de fome de prisioneirxs subversivxs e anarquistas.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/04/05/informe-dos-15-dias-de-greve-de-fome-de-presxs-subversivxs-anarquistas-e-da-revolta/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/29/chile-presxs-em-greve-de-fome-sao-levadxs-ao-tribunal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/27/chile-ante-a-greve-de-fome-a-suspensao-de-visitas-e-a-restricao-de-comunicacoes/

agência de notícias anarquistas-ana

Vou sair –
Divirtam-se fazendo amor,
Moscas da minha casa!

Issa

Como a estátua de general Baquedano virou foco de manifestações no Chile

Passava da uma da manhã quando o general, montado sobre seu cavalo, pairava nas alturas. Eles foram erguidos por um guincho, diante de pelo menos uma dúzia de militares prestando continência. O clima cerimonial, musicalizado por uma corneta, era interrompido por gritos de “assassino” vindos dos arredores. No edifício mais alto da praça, era projetada a frase “Extirpar de Raiz”, referência a uma analogia usada pela ditadura do general Augusto Pinochet, que comparou o comunismo a um “câncer”.

A projeção pôde ser lida somente por cerca de três minutos. Rápido, mas suficiente para figurar nas fotos da remoção histórica. Depois de 93 anos, a estátua do general Manuel Baquedano, considerado por muitos um herói do Exército chileno pelo desempenho na Guerra do Pacífico, era retirada do centro da Praça Itália — rebatizada por manifestantes da insurreição social chilena como “Praça da Dignidade”.

Disputa de narrativas 

“Tinha tantos militares que até dava medo”, diz Octavio Gana, que realizou a projeção durante a retirada do monumento. Seu coletivo artístico e de design, o Delight Lab, realizou diversos mappings no local — como o da a palavra “Renasce”, que marcou, no plebiscito do ano passado, a aprovação da reforma constitucional chilena herdada da ditadura.

A Praça Itália, outrora utilizada para comemorações de torcidas de futebol, virou o espaço central das manifestações iniciadas com o reajuste do transporte público em 2019, mas que acabaram expressando diversas demandas por direitos, como acesso à educação, à saúde, à aposentadoria e até à água, que no Chile é privatizada.

Em um país que decidiu, com quase 80% dos votos, reescrever suas regras, o simbolismo do general no centro da praça também foi colocado em xeque. Baquedano atuou na ocupação do sul do país e, apesar de não haver consenso na historiografia sobre seu grau de participação nas campanhas militares, seu nome acabou vinculado ao massacre da população mapuche. Algo que, após diversas tentativas de derrubar as duas toneladas de bronze da sua estátua, parece não poder conviver com manifestações por uma vida digna.

“Queria que a gente tivesse derrubado, tentamos muitas vezes”, diz Mons, pedreiro e grafiteiro de 40 anos, sobre o sentimento ao ver a remoção da estátua do centro da praça. Pai de dois filhos e morador da periferia de Santiago, ele vai à capital todas as sextas-feiras para protestar. Com outras seis pessoas, Mons integra um coletivo anarcoartístico que promove ações “vandálicas e antissistêmicas”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2021/04/06/removida-sob-protestos-estatua-de-general-baquedano-e-controversa-no-chile.htm

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silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

[Espanha] “Meu avô já está enterrado”: uma sepultura digna para duas vítimas do franquismo em Puerto Real, como exemplo do fim da Memória

 

Depois de quase 200 pessoas assassinadas pelos golpistas e resgatadas do túmulo de Puerto Real (Cádiz): os números 29 e 56 já têm nomes e sobrenomes, Juan Díaz Menacho e Pedro Cumplido Casas.

Por Juan Miguel Baquero | 31/03/2021

Os ossos do número 29 pertencem a Juan Díaz Menacho. E os da caixa 56, a Pedro Cumplido Casas. Ambos foram fuzilados pelos golpistas no quente verão de 36 e enterrados na vala comum de Puerto Real (Cádiz). Os dois corpos receberam um enterro digno, fechando o círculo do direito de luto de suas famílias, após anos de trabalho que culminaram com a então segunda maior sepultura na Andaluzia como um exemplo do terror franquista.

“Bem, meu avô já está enterrado”, diz Amparo Sánchez Cumplido, neta daqueles dígitos que já têm nome e sobrenome. “Minha avó ainda não apareceu”, lamenta Francisco Lebron, um dos parentes das vítimas do franquismo que veio ao enterro e homenagem na manhã chuvosa de sábado, 6 de março, na baía de Cádiz.

“Ninguém mais pode dizer que meu avô não foi assassinado, porque eu vi o crânio, perfurado por uma bala daqui até aqui”. Amparo toca sua têmpora esquerda, depois sua direita. A memória está abrindo feridas, dizem alguns. “É um dia de grande emoção para nossa família, há muito esperado”, diz Lourdes Díaz Mateo, neta daquele número 29 que já não sofre mais no esquecimento eterno.

Com quase 200 esqueletos recuperados da terra portorrealeña, as análises genéticas comparadas com mais de 50 famílias só deram resultados positivos nos casos de Díaz Menacho e Cumplido Casas. A dificuldade científica é máxima. Muitos descendentes estão faltando. Os restos esqueléticos têm sofrido a deterioração de décadas de esquecimento.

A intervenção arqueológica em Puerto Real marcou um paradigma nas ações em valas comuns. A segunda maior, até Pico Reja (Sevilha) e depois de Málaga. E um exemplo a seguir da Andaluzia, a região mais castigada pelo terror fascista, com pelo menos 45.566 mortos e 708 sepulturas. A parte ocidental da região tem mais pessoas desaparecidas à força do que o terrorismo de estado das ditaduras da Argentina e do Chile juntos.

Números com nomes e sobrenomes

Número 29: Juan Díaz Menacho. Ele tinha 41 anos de idade quando foi assassinado em 13 de agosto de 1936. Ele nasceu em Algar (Cádiz) em 15 de março de 1895. Ele viveu em Dehesa de los Arquillos com sua esposa, Manuela Betanzos Pérez, e sete filhos, Manuel, Isabel, María, José, Luisa, Rosário e Juan. O DNA deste último serviu para confirmar o resultado positivo do teste genético. Juan Díaz Betanzos (88 anos) não pôde viver o funeral de seu pai devido ao seu atual estado de saúde.

Número 56: Pedro Cumplido Casas. Ele tinha 32 anos de idade quando um fascista lhe deu um tiro na cabeça. Ele nasceu em 17 de setembro de 1904 em Puerto Real. Ele era carpinteiro, anarquista e vice-presidente do Sindicato Metalúrgico aderido a CNT. Casado com Dolores Albiach Moreno, eles tiveram Pedro e Josefa como descendentes. A amostra genética de sua filha Josefa Cumplido Albiach (89 anos de idade) confirmou a relação de parentesco, embora ela não tenha vivido o enterro devido a sua condição física.

“É pena que eu não tenha podido dizer a meu pai, ele não sabe nada, por recomendação dos médicos é melhor esperar… mas ele já está enterrado com sua esposa e seu filho Manuel”, diz Lourdes Díaz, neta de Juan. “Isto é muito forte”, ela confessa emocionada. A caixa com os ossos do número 29 está indo para o túmulo da família no cemitério de San Roque, em Puerto Real.

“Pelo menos o temos coletado, como deveria ser, bem enterrado, e não jogado por aí”, diz Amparo Sanchez, neta de Pedro. “A ferida está um pouco fechada, mas ainda há uma longa fila”, diz ela, sentindo a busca por milhares de vítimas do regime de Franco. E ela não acredita que tudo esteja feito. “Não se faz justiça, os assassinos que mataram meu avô e muitas pessoas não estão vivos, mas devemos saber quem eles eram, isto seria suficiente”, exige. “Meu avô não matou ou feriu ninguém, ele era o líder da CNT e uma pessoa muito inteligente que ensinou muitas pessoas, e naquela época o que eles queriam era gente ignorante, foi por isso que o mataram”.

“Não esquecer do que aconteceu”

A Associação para a Recuperação da Memória Histórica Social e Política de Puerto Real entregou os restos do esqueleto às famílias de Juan Díaz Menacho e Pedro Cumplido Casas, das mãos de Paco Aragón e Antonio Molins. E também caixas com os objetos associados a seus esqueletos.

“Um ato muito emotivo” e de acordo com as normas sanitárias causadas pela pandemia da COVID-19. “Hoje nos lembramos de duas pessoas que foram vilmente assassinadas em 1936 pelo regime fascista”, nas palavras de Aragón, presidente da associação memorial Cádiz. A Memória, destaca, “com a ideia de não esquecer o que aconteceu em nossa cidade, aqui não houve guerra, apenas repressão, repressão por este bando de criminosos fascistas”.

Os corpos de Juan e Pedro foram recuperados de uma enorme vala comum. O Departamento de Medicina Legal, Toxicologia e Antropologia Física da Universidade de Granada assinou a análise genética.

A intervenção arqueológica começou em 2010 e, após várias fases, a cova ilegal media 31 metros de comprimento por 2 metros e meio de largura e 1,60 metros de profundidade. A terra rendeu até 185 pessoas mortas pelos golpistas sob o comando de Francisco Franco e Gonzalo Queipo de Llano em solo andaluz.

Apenas duas eram mulheres. A faixa etária predominante tem menos de 30 anos de idade. E nove sujeitos adolescentes, com cerca de 17 anos de idade, se destacam. Os esqueletos apresentaram episódios violentos em 152 casos, mais da metade deles com orifícios balísticos e quase 40% com fraturas perimortem. Um em cada dez tinha projéteis alojados junto aos ossos, de acordo com o relatório da equipe chefiada pelo arqueólogo Jesús Román, o antropólogo forense Juan Manuel Guijo e o antropólogo físico Juan Carlos Pecero.

Juan Díaz Menacho, número 29. E Pedro Cumplido Casas, número 56. Duas pessoas que “deram suas vidas por um mundo melhor, como tantos homens e mulheres de nossa cidade cujo comportamento exemplar na defesa de seus direitos os levou à morte”, segundo Paco Aragón. Como os escravos do regime de Franco, aqueles que sofreram nos campos de concentração, sofreram o saque do golpe ou no exílio… “e todos aqueles que morreram e que não sabiam onde estavam seus parentes”.

“Cada dia que identificamos uma vítima, estamos muito mais seguros do que nunca mais pode acontecer”, disse a Ministra da Presidência, Relações com os Tribunais e Memória Democrática, Carmen Calvo, durante a apresentação do “plano de choque” da Espanha para atacar a realidade das valas comuns do franquismo. “Não podemos dizer aos jovens que lhes entregaremos o bastão de uma Espanha digna, de uma democracia em pé de igualdade com qualquer outra no mundo, se ainda tivermos essa escuridão atrás de nós”, insistiu a primeira Vice-Presidente do Governo, apontando o caminho a seguir: Memória contra o esquecimento.

Fonte: https://www.eldiario.es/andalucia/cadiz/abuelo-enterrado-tumba-digna-victimas-franquismo-puerto-real-ejemplo-memoria_1_7283010.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Outono em fuga
Assustado com o frio
De cara feroz.

Leosan

[Espanha] Madrid: Nem uma rua, nem um bairro, nem um respiro ao fascismo. Sobre a próxima visita do VOX a Vallekas

O que [o partido] Vox pretende fazer é claramente uma provocação, como quando os nazis do MPS (Movimento Patriota Socialista) no ano de 2009 tiveram a fatal ideia de fazer uma manifestação que passava pelo metrô de Puente de Vallekas. Ou como quando o NR (Nação e Revolução) tentou terminar sua manifestação em Tirso de Molina no ano de 2009, também a modo de provocação e prévia expulsão por parte da polícia de todos os migrantes que se encontravam na praça.

A modo de pequena recordação, assinalar que 18 pessoas foram detidas e processadas por enfrentar os nazis na contramanifestação de Vallekas, por tentar alcançá-los e por deter a marcha e o normal transcurso da mesma. Igualmente em Tirso de Molina, os distúrbios e enfrentamentos, fizeram com que os nazis tiveram que abandonar o bairro sem poder terminar de ler seu comunicado. Salvando as diferenças que existem entre o Vox e o extinto MPS (a ante sala do MSR – Movimento Social Revolucionário, encabeçado pelo conhecido Alberto Ayala, e com estreitas relações com o HSM – Hogar Social Madrid), ou com Nação e Revolução, o posicionamento ante qualquer tipo de discurso fascista, mais ou menos institucionalizado, deveria ser o mesmo.

E nos últimos tempos, onde uma boa parte da extrema direita se aglutinou em torno ao VOX, em Vallekas os enfrentou. Não sem a consequente repressão e as consequentes sanções. Também se confrontou em diferentes “incursões” de grupúsculos fascistas que vinham caçar no bairro.

O fascismo toma diferentes estratégias, umas mais legais e amparadas pelo sistema parlamentar e outras, mais ilegais amparadas pela impunidade da qual normalmente gozam através dos diversos coletivos e organizações mais descaradamente “nazis” que existem em alguns bairros.

No próximo 7 de abril, deveríamos nos propor como objetivo que nenhum dos porta vozes do Vox possam terminar o ato com normalidade. Não em nosso bairro e não em nenhum outro. Como continuação do pequeno lembrete de memória histórica, a modo de resposta pela repressão sofrida ante as detenções após a manifestação de 2009, dezenas de antifascistas irromperam na sede do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) de Vallekas como protesto ante a autorização e legalização do ato nazi.

Estes exemplos pretendem dar umas ideias das possíveis respostas as quais podemos aspirar, especialmente em um bairro como Vallekas, com uma longa trajetória de luta antifascista e com grandes conquistas a respeito, a custa de uma confrontação direta e clara. Pretender não fazer algo contundente e mostrar um rechaço meramente verbal, não vai impedir que os fascistas realizem seu ato e que, como consequência, repitam em outras ocasiões ao ver que não há resistência alguma.

Ter que justificar isto ante a “esquerda antifascista”, com um longo percurso neste tipo de ações mas que agora trata de situar-se em uma posição de repentina “tolerância”, põe por terra tudo o que foi conquistado neste bairro e em toda Madrid (recordamos que durante muitos anos, os nazis escondiam os endereços de suas sedes e as datas de seus atos e manifestações por medo dos ataques que sofriam). Mas o mais grave ainda seria escutar e presenciar como qualquer um que se faz chamar antifascista, assinala e culpa a quem responde e não a quem provoca e gera esses discursos de “ódio” a que tanto fazem alusão.

Sabemos identificar os elos das cadeias que nos submetem: os partidos políticos, o parlamentarismo e a democracia, como fórmula de domínio e exploração, que nos pretendem fazer crer em representantes que decidam por nós, que nos vendem a ficção de uma suposta mudança ou alternância no poder para que tudo siga igual. Aqueles que querem reduzir a liberdade a um voto em uma urna são seus maiores inimigos.

Não te equivoques de inimigo: não há nazis bons nem manifestantes maus. Não caiamos na provocação que o sistema, a imprensa e a esquerda tenta nos fazer. Nos vemos em 7 de abril para enfrentar o fascismo e a sua cumplicidade democrática. Para que não voltem e para que não pensem que Vallekas é um lugar tranquilo para fazerem propaganda eleitoral.

FORA FASCISTAS DE NOSSOS BAIRROS

VALLEKAS ZONA INGOVERNÁVEL

Quarta-feira, 7 de abril, às 18h00, na Plaza de la Constitución (Plaza Roja)

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O jarro quebra –
Ah, o despertar
Do gelo da noite!

Bashô

[Itália] Adeus Luca

Luca Villoresi entrou pela primeira vez nos escritórios da Via dei Taurini 27, o escritório editorial de Umanità Nova, nosso semanário, no inverno de 1968/69. Ele nos deixou há alguns dias, na primavera de 2021.

Desde o início de sua militância, nesses anos intensos, Luca se distinguiu por seus traços característicos, que ele sempre manteve ao longo de sua vida: seriedade, capacidade analítica e lúdica.

Sua seriedade e confiabilidade foram imediatamente apreciadas por seus camaradas históricos do Grupo “Bakunin”, veteranos da Resistência, da Guerra Espanhola e dos campos de concentração.

Suas habilidades dialéticas e analíticas o levaram a desempenhar um papel de liderança naqueles anos na Federação Anarquista de Roma através do Collettivo Studentesco Libertario e da Organização Anarquista Romana. Luca, que está envolto na contrainformação militante e na redação do Umanità Nova, em todo este caminho foi um ponto de referência. O fato de ele ser muito alto o levou a ser facilmente identificável em situações de conflito: ele pagou mesmo com a cadeia essa visibilidade.

Sua simpatia o levou a ter boas relações com todos, independentemente das diferentes posições políticas, conseguindo manter boas relações pessoais que ele transformou politicamente na valorização do respeito mútuo, da dignidade das pessoas e da possibilidade de colaboração entre camaradas que pensavam de maneira diferente.

Luca conseguiu sua carteira de jornalista com Umanità Nova e em nome de nosso jornal foi muito ativo na campanha de contra-investigação do massacre da Piazza Fontana e no julgamento de Giovanni Marini.

Ele tinha então entrado na redação da Repubblica e, apesar de seu novo papel, sempre manteve relações com os camaradas e o movimento anarquista. Mesmo como jornalista, manteve suas posições: acabou preso novamente por relatar as torturas sofridas pelos militantes da BR durante o sequestro de Dozier e se recusou a revelar as fontes de suas informações. Na segunda metade dos anos 80, ele participou da tentativa de relançamento do Grupo Bakunin em nossa sede na Via Vettor Fausto 3, em Garbatella.

Ele estava sempre presente e disponível com os camaradas. Ele contou como protagonista, os camaradas mais jovens, a situação e as histórias dos militantes daqueles anos. Ele participou de muitas de nossas iniciativas, em 12 de dezembro, da morte de Pinelli, sobre os “5 anarquistas do sul”.

A última iniciativa que organizamos com ele foi, em 12 de dezembro de 2018, uma conferência sua no aniversário do massacre da Piazza Fontana. Sua morte foi um soco no estômago, nos pegou de surpresa. Ele estava doente, mas nós o tínhamos ouvido ao telefone alguns dias atrás e ele não tinha nenhuma impressão do mal que carregava dentro de si.

Tínhamos estado em contato para organizar um encontro em vídeo com os camaradas da BFS, o tema era a figura de Attilio Paratore, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, editor histórico do UN na época da redação romana nos anos 70 e militante do grupo Bakunin. Luca, como sempre, tinha estado disposto a colocar sua memória à disposição do movimento. Não houve tempo: morreu repentinamente, enquanto fazia compras, em 2 de abril.

Hoje os anarquistas do Grupo Bakunin lamentam a morte de um de seus próprios. Apresentamos nossas condolências a sua esposa Patrizia, seus filhos Giulia e Fabrizio.

Adeus, que a terra que você tanto amou quanto cultivou lhe seja leve.

Grupo Anarquista Bakunin – FAI Roma e Lazio

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

vejo as flores
coloridas e lindas
brilham meus olhos

Thiphany Satomy

[Chile] Buscando La Kalle Nº1 – boletim em português

E D I T O R I A L

Em 22 de março de 2021 começou uma greve de fome por parte de Marcelo, Joaquín e Juan, na Cárcere de Alta Segurança, Francisco na Seção de Segurança Máxima, Pablo, José, Tomas e Gonzalo na Prisão/empresa Santiago 1 e Mónica na Cárcere de San Miguel.

Esta mobilização é inédita em sua extensão e diversidade, onde confluem companheirxs de distintas experiências e realidades, coordenando-se na ação para o avanço da luta anticarcerária e antiautoritária. Tem como principal objetivo revogar as últimas modificações ao Decreto de Lei 321, que regula a “liberdade condicional” e assim exigir a liberação imediata de Marcelo Villaroel, além de denunciar a prisão preventiva como método de castigo. Marcelo poderia optar pela “liberdade condicional” em outubro de 2019, mas em decorrência das últimas modificações, sua data mínima foi alterada para 2036 ou 2040.

Este pequeno boletim será uma contribuição e um resumo ao qual anexaremos distintos materiais como entrevistas e outras iniciativas que vão surgindo. Pretendemos manter o lançamento deste boletim periodicamente a cada 10 dias em que xs companheirxs mantenham essa mobilização. O chamado segue sendo para se agitar, mobilizar e transbordar a solidariedade.

PELA REVOGAÇÃO DAS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES NO D.L. 321!

PELA LIBERDADE IMEDIATA DO COMPANHEIRO MARCELO VILLAROEL!

PELO FIM DA PRISÃO PREVENTIVA COMO CASTIGO!

>> Clique aqui para baixar o PDF em formato leitura:

https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/files/2021/04/BoletinN%C2%B01Portugues.pdf

>> E aqui em formato impressão:

https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/files/2021/04/BoletinN%C2%B01Portugues-Booklet.pdf

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/04/05/boletim-no1/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/27/chile-ante-a-greve-de-fome-a-suspensao-de-visitas-e-a-restricao-de-comunicacoes/

agência de notícias anarquistas-ana

À sombra do arvoredo
Alguém canta sozinho
A canção do plantio do arroz.

Issa

20 unidades do livro “A mulher é uma degenerada”

Reinserimos na loja 20 unidades da edição fac-símile de A mulher é uma degenerada, de Maria Lacerda de Moura. Ao comprar, você leva um trabalho exclusivo e de muita dedicação e contribui na manutenção da Tenda de Livros, que é um projeto de produção, edição, circulação e pesquisa em livros e publicações anarquistas. Junto ao livro será enviada uma carta cujo conteúdo traz o processo de construção da edição, seus lançamentos e outros detalhes.

Sobre o livro:

Uma das grandes novidades do pensamento de Maria Lacerda é a crítica à moral sexual de sua época e ao regime de verdades hegemônico com a imposição da identidade mulher, asséptica e higienizada, a afirmação é da professora titular da Unicamp Margareth Rago. “As bandeiras da luta da anarcofeminista Maria Lacerda de Moura só serão retomadas pelo movimento feminista na década de 1970, sem necessariamente alguma referência inicial a ela, já que, apenas nos anos de 1980, passamos a tomar contato com sua história e escritos, ainda hoje de difícil acesso”, explica Rago.

A edição de 2018 de A mulher é uma degenerada possui 320 páginas, que incluem o livro original em fac-símile, textos inéditos de pessoas convidadas, estudo gráfico e intervenção artística. A organização e edição são de Fernanda Grigolin, capa e projeto gráfico de Laura Daviña e comentários de pessoas que estudam e possuem uma relação com a obra de Maria Lacerda, como a já citada Margareth Rago; a pesquisadora especializada na história das mulheres anarquistas na Primeira República e sua relação com o anarcossindicalismo Samanta Colhado Mendes; a anarcofeminista e pesquisadora do Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri, Juliana Santos Alves de Vasconcelos, a historiadora e pesquisadora independente de sexualidade e anarcofeminista Carolina O. Ressurreição e as anarcofeministas Eloisa Torrão e Marina Mayumi.

O conselho editorial é composto por Antonio Carlos Oliveira e Maria de Moraes, e a pesquisa de fontes primárias foi feita no Arquivo Edgard Leuenroth (AEL- IFCH/Unicamp), na Biblioteca Terra Livre, no Centro de Cultura Social e no Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri.

A mulher é uma degenerada é um entre tantos livros e é, seguramente, o mais conhecido de Maria Lacerda de Moura. Desde 1932 não havia notícia de uma nova edição. A última edição em vida da autora foi por ela revisada e inclui cartas enviadas por pessoas que leram o livro. Há impressões de Roquette Pinto e trechos do texto da poeta Gilka Machado, por exemplo. O trecho da carta de Gilka a Maria Lacerda de Moura é particularmente interessante: “quando a miséria nos acirra, é inútil recorrer a uma patrícia: ela não tem noção da caridade (que eu diria, solidariedade), do dever humano e só protege em dias determinados, por meio de chás concertos e requebros de tango; para elas a desgraça sempre é motivo de divertimento”.

Mais alguns trechos do livro:

Quantas grandes almas femininas por este mundo afora, desejam ardentemente o filho não desejando absolutamente o marido!… E essas, justamente, são as chamadas “emancipadas”, as inteligentes, as de caráter, as que se não sujeitam ao jugo do senhor medíocre e presunçoso, muito abaixo delas, entretanto, sujeitar seriam gostosamente ao jugo da maternidade absorvente.

É ao caráter feminino que atacam, é o combate à rebeldia e à superioridade moral, à insubmissão, ao anseio de liberdade e Amor – na mais ampla significação da palavra.

Os homens têm tido por objetivo conservar a irresponsabilidade feminina, a eterna futilidade do sexo, porquanto assim é mais fácil comprá-la com bombons e rendas e leques e pérolas…

As exceções femininas provam que a mulher se faz por si mesma e, para isso, precisa acotovelar os preconceitos e voar o pensamento para além das pequeninas minudências da vida e das futilidades sociais.

Eu não discuto com um homem apenas, com o sr. Bombarda, com Lombroso, ou com Ferri: protesto contra a opinião anti-feminista de que – a mulher nasceu exclusivamente para ser mãe, para o lar, para brincar com o homem, para diverti-lo. O sr. Bombarda foi o pretexto.

A mulher é fisiologicamente diferente do homem – não inferior. Sua inferioridade é apenas econômico-social, inferioridade de preconceito.

A criança e a mulher proletárias são os entes mais prejudicados pelo capitalismo, pelo industrialismo moderno…

Lançado no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçú e Campinas) e na Argentina (Buenos Aires), o livro foi vendido para pessoas do mundo todo. Muito Obrigada a todas as pessoas que estiveram conosco. Reinserimos 20 unidades na loja como forma de contribuir na manutenção da Tenda de Livros na pandemia.

Distribuição gratuita e anarquismo: 30% da cota foi distribuída gratuitamente para coletivos anarquistas, bibliotecas e grupos anarcofeministas. Apenas para o Centro de Cultura Social foram disponibilizadas 65 unidades na época.

>> Compre aqui:

https://tendadelivros.org/loja/produto/a-mulher-e-uma-degenerada/?mc_cid=87e6746e18&mc_eid=8caea939b8

agência de notícias anarquistas-ana

Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Redescobrir Bakunin, como a filosofia transcendental alemã iluminou o pensamento revolucionário

A atual crise do sistema parlamentar, nas mãos de uma casta política profissional aflita pelo cesarismo e a serviço de interesses econômicos espúrios, torna a figura de Mikhail Bakunin surpreendentemente atual, um personagem histórico do socialismo operário cuja vida quase nova, seu amor pela liberdade, seu exemplo de perseverança e sua análise original da realidade social de seu tempo, fazem dele uma referência atraente do radicalismo contemporâneo. Além dos clichês habituais como o de “pai” do anarquismo, conspirador inveterado ou oponente ferrenho de Marx, assim que ele for estudado objetivamente, os estereótipos serão abandonados e ele será colocado no lugar de destaque do pensamento revolucionário que lhe corresponde.

O salto de um jovem idealista russo da filosofia especulativa para a ação subversiva é lógico se levarmos em conta que a Rússia czarista proibiu o pensamento livre e que os círculos de debate filosófico eram pouco menos do que clandestinos. Bakunin, ao deixar a autocracia russa, pôde ver in situ a decomposição material e intelectual da velha Europa, à beira do colapso, e este choque racional com a realidade o fez abandonar a abstração, esquecendo para sempre a metafísica e deixando-se levar pelo redemoinho da revolução. Seu compromisso com a vida real – com a verdade contida nos acontecimentos históricos – o levou a mergulhar nas revoltas populares contra o absolutismo monárquico com a intenção de ir além dos horizontes burgueses.

Suas influências, desde Hegel e Comte até as teses da Primeira Internacional (via Proudhon), são fáceis de detectar em seus escritos, quase sempre circunstanciais, mas nunca encontraremos neles os elementos de um sistema susceptível de se tornar uma doutrina ou pelo menos uma fonte de receitas políticas atemporais ou respostas a tudo, embora encontremos um método e uma perspectiva histórica que deram coerência a suas contribuições e agora estimulam a pesquisa inteligente.

Sua contribuição teórica mais duradoura foi a crítica ao Estado, um irmão mais novo da Igreja que, embora determinado em sua forma moderna pelo modo de produção capitalista, tornou-se, por sua vez, a condição necessária para essa produção. Qualquer revolução que parasse nos parlamentos, ou seja, qualquer revolução burguesa, acabava no Estado, onde os interesses de classe eram organizados. A regra da burguesia seria consolidada mesmo sob a bandeira do socialismo, pois a função de um governo “socialista” não seria desenvolver a liberdade civil, mas desenvolver a economia de mercado, e assim resultaria na exploração dos trabalhadores e camponeses. Para que a revolução fosse social, os interesses dos oprimidos tinham que ser ordenados de baixo para cima através de uma federação livre, sem burocracias ou concentração de poder: a política tinha que ser dispensada e o Estado abolido desde o início,

Em um século em que a revolução estava na ordem do dia, muitos eram aqueles que pensavam que qualquer movimento dos explorados que não perseguisse objetivos revolucionários imediatos acabaria se tornando um instrumento da burguesia. A classe média era uma pedreira de intelectuais sem futuro, filantropos, intermediários, os “exploradores do socialismo” e outros “exploradores do socialismo”, com os quais um despotismo com a pretensão de “científico” poderia ser criado sob o disfarce de representação popular. De acordo com os postulados do socialismo parlamentar, as massas só seriam libertadas se submetidas aos ditames estatais de líderes iluminados por uma doutrina infalível. A crítica do Estado foi assim completada com uma crítica da casta política alimentada por ela e dos lugares comuns que constituíam o ideal burguês do serviço voluntário: dever cívico, eleições, interesse geral, representação delegada, maiorias, respeito pela lei…

Em resumo, destaca-se a profunda visão de Bakunin sobre a degeneração estatista das revoluções. Confiando cegamente na paixão criativa das massas, em sua opinião bem fundamentada a revolução não precisava de líderes (mesmo que fossem homens de ciência), nem de vanguarda, nem de convenções, nem de governos “proletários”, pior ainda se fossem investidos de poderes excepcionais. A auto-organização das massas serviu como antídoto para a centralização do Estado, a fonte da corrupção burocrática que deveria ser evitada a todo custo. O estado proletário não teria sentido: daria necessariamente origem à formação de uma nova classe privilegiada de especialistas, funcionários e homens do aparato. Mesmo se sua origem fosse a classe trabalhadora, deixaria de ser assim no local; os trabalhadores que governam defendem interesses de classe estranhos ao proletariado: os da “burocracia vermelha”, a mais vil aberração contida no comunismo “autoritário”. Em pouco tempo o Estado absorveria toda atividade social, produção, pensamento, cultura…, e com a ajuda de um contingente de forças de ordem regularia “cientificamente” até mesmo os menores detalhes da vida cotidiana. O comunismo estatal transformaria a revolução em um despotismo da pior espécie, que, longe de estabelecer o reino da igualdade e da liberdade, entronizaria a regra de uma nova burguesia mais voraz e predatória do que a antiga.

O legado de Bakunin, seu testamento político, repousa nestas críticas astuciosas.

Miguel Amorós, para o boletim do Centro Ascaso Durruti de Montpellier

1° de dezembro de 2020

Fonte: https://kaosenlared.net/redescubrir-bakunin/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Janela fechada:
borboleta na vidraça
dá cor ao meu dia.

Anibal Beça

[Argentina] Amor livre, Eros e Anarquia

O anarquismo reivindicava absolutamente liberdade e autonomia. Esta nota tem a ver com as concepções anarquistas de casamento, união livre, liberdade da mulher e sexualidade.

Por Nilda Redondo

O anarquismo não admitia ordens superiores ou instituições que significassem opressão; foi assim que rejeitou o Estado, a ideia de um Deus ou ser superior, os patrões. Tudo o que emanava do Estado era considerado opressivo e repressivo: escola, casamento, polícia, justiça, eleições, parlamento.

Sua sociedade utópica surgiria quando, catastroficamente, o mundo seria dilacerado através, por exemplo, de uma greve geral, e uma nova sociedade baseada em comunidades autônomas e baseada na solidariedade dos livres surgiria. Eles também rejeitaram a ideia da nação porque ela unia o que estava em desacordo: chefes e proletários, hierarquias e oprimidos.

Embora eles não tenham desenvolvido o conceito de luta de classes como o motor da história, um conceito trabalhado intensamente por Marx a partir do Manifesto Comunista (1848), na verdade eles defendiam a solidariedade das classes sociais oprimidas e exploradas do mundo.

Amor livre, união livre

O aspecto que vamos tratar neste artigo tem a ver com as concepções anarquistas de casamento, união livre, liberdade da mulher e sexualidade. Vou me concentrar nos textos compilados por Osvaldo Baigorria e publicados em 2006 sob o título El amor libre. Eros y Anarquia.

Os anarquistas rejeitam o casamento por três razões: quando ele é consagrado por uma cerimônia religiosa, porque eles não acreditam que exista um ser divino superior à vontade do homem e da mulher; quando é consagrado também pelo Estado, porque para eles o Estado é opressivo, ele pertence ao poder da burguesia; também porque na época da ascensão do anarquismo, ele foi concebido como para a vida: “até que a morte vos separe” e isto não se enquadrava na natureza dos seres de acordo com sua perspectiva.

Dentro do anarquismo, foram desenvolvidas tendências feministas que propunham a liberdade das mulheres para se unirem quando desejassem e também para desunir quando o amor tivesse chegado ao fim. Eles também trabalharam na possibilidade de ter vários amores ao mesmo tempo, isto tanto para homens quanto para mulheres. Estas tendências polêmicas com os anarquistas que defenderam a união livre em termos de estar livre de cerimônias estatais e/ou religiosas, mas mantinham a mulher em submissão no coração da relação.

A questão de ter vários amantes ao mesmo tempo era uma questão de reflexão e controvérsia; estava ligada à ideia de comunidade e à decisão de que, se alguém tivesse filhos, eles seriam cuidados por essa comunidade. Tratava-se de reivindicar a liberdade, mas não a irresponsabilidade. Em qualquer caso, estas concepções e práticas foram muito racionalizadas pela dor que podiam produzir no outro, como é evidente no texto de Giovanni Rossi (1856-1943), Cardias, “La Colonia Cecilia”, uma experiência comunitária realizada entre 1890 e 1894, no Brasil.

Em geral, estas reflexões se concentraram nas relações heterossexuais. Pelo menos, nos textos selecionados, a possibilidade de relações homossexuais não aparece.

Na Argentina

É significativo que no anarquismo este debate tenha ocorrido porque naquela época – as duas últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX – no resto da sociedade argentina, por exemplo, as mulheres eram consideradas objeto de possessão masculina: tanto no mundo indígena, pelo menos dentro da cultura mapuche organizada em torno de caciques viris; entre os pobres rurais: os gaúchos; a oligarquia latifundiária, tanto em relação às suas “senhoras” como às outras mulheres que faziam parte de suas fazendas.

Podemos afirmar que foi no coração da classe trabalhadora, operária e oprimida das cidades, que se desenvolveram as primeiras práticas libertárias e reflexões em relação ao amor e à sexualidade. As reflexões vieram, inicialmente, de intelectuais revolucionários europeus relacionados ao anarquismo ou ao socialismo e tiveram um significado sócio político muito difundido na Argentina, Uruguai, México, Brasil e Estados Unidos da América.

Os mais renomados pensadores anarquistas europeus foram Mikhail Bakunin, Enrico Malatesta, Piotr Kropotkin, Pier Josep Proudhom, entre outros.

Três autoras anarquistas femininas

Os textos sobre os quais vou me concentrar agora, os de três mulheres autoras, são semelhantes e ao mesmo tempo diversos e que mostram um pensamento vital e uma práxis em movimento.

Pepita Guerra, em “No os caséis”, não espera o máximo de liberdade para o presente e que o máximo de liberdade é o amor livre, por isso opta por ficar sozinha, e adverte de forma elusiva, que se estivesse grávida não abortaria para manter as aparências de honestidade, como fariam as ricas. Trata-se de um texto publicado em A Voz da Mulher em 1896.

Maria Lacerda de Moura (1877-1945), uma feminista anarquista brasileira, em “Feminófobos e Feminófilos”, critica a posição de um setor de anarquistas, incluindo o próprio Kropotkin, em relação ao seu conservadorismo em relação à união monogâmica e à família. Ela diz: “eles são libertários que têm as ideias de minha avó” (2006: 55). Ela reivindica a possibilidade de “entregar-se livremente a vários homens por causa de predileções sentimentais, afinidades eletivas ou por qualquer outro motivo”. Ela sustenta que isto não é um “afeto venal” porque “o que é afeto não pode ser venal” (55). Ela conclui seu texto salientando que a incorporação da mulher nas lutas não será efetiva enquanto existir “o monopólio do amor” (58).

A carta de América Scarfó, companheira de Severino Di Giovanni, é muito importante porque afirma que a liberdade com respeito ao amor deve ser exercida no presente, antes de alcançar a sociedade futura. Um pensamento revolucionário e livre porque ela subverte práticas vitais e institucionais no exato momento em que decide escolher de acordo com seus princípios e desejos. É uma carta escrita quando ela tinha 16 anos de idade, em 3 de dezembro de 1928, ao camarada E. Armad. (1862-1963), um anarquista individualista e intelectual ativo pelo amor livre. Nele ela pede conselhos por causa das críticas que recebe, mesmo de outros anarquistas, por causa de sua relação com Severino; Armand lhe responde: “Ninguém tem o direito de julgar a maneira como você se comporta, mesmo que a esposa de seu amigo seja hostil a tais relações. Qualquer mulher unida a um anarquista (ou vice-versa) sabe muito bem que não deve exercer sobre ele ou sofrer dele um domínio de qualquer ordem” (2006: 99).

Armand, em “O amor entre os anarcossindicalistas” havia dito àqueles ciumentos convencidos de que o ciúme é uma função do amor, que “o amor também pode consistir em querer, acima de tudo, a felicidade de quem é amado, em querer encontrar a alegria na realização máxima da personalidade do objeto amado” (2006: 70).

Nilda Redondo: Pesquisadora. Faculdade de Ciências Humanas, UNLPam.

Fonte: http://www.laarena.com.ar/caldenia-el-amor-libre-eros-y-anarquia-2112634-5.html

Tradução > Liberto

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De uma casa branca
No meio da encosta da montanha
Sobe um fio de fumaça.

Paulo Franchetti

[Chile] 07/04: Apresentação do livro “Llamaradas de rebelión. Breve historia del anarquismo en Chile (1890-2000)”

Editorial Eleuterio convida à apresentação de “Llamaradas de rebelión. Breve historia del anarquismo en Chile (1890-2000)” do historiador e professor Eduardo Godoy Sepúlveda.

Reuniremos-nos virtualmente com um painel internacional para compartilhar perspectivas sobre a história do anarquismo na América Latina.

Participarão deste encontro os historiadores Ingrid Ladeira (Brasil), José Julián Llaguno (Costa Rica), Felipe Mardones (Chile) e Eduardo Godoy Sepúlveda (Chile).

O encontro será transmitido ao vivo na próxima quarta-feira, 7 de abril, às 20:00 horas, através do canal de YouTube do Grupo Gómez Rojas e do Facebook Watch na página de Editorial Eleuterio.

Mais informações sobre o livro em nosso site: eleuterio.grupogomezrojas.org

FB: https://www.facebook.com/events/907000760138066/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/02/chile-a-cozinha-da-historia-dialogos-sobre-a-historia-do-anarquismo-latino-americano-audios/

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Montanhas de outono –
Aqui e ali,
Fios de fumaça.

Gyôdai

[Chile] “É nosso dever impedir o crescimento desses grupos”

O Clan Celta (Clã Celta) que começou como um grupo de treinamento para jovens da ultra-direita para combater grupos antifascistas e anarquistas tinha entre seus membros mais conhecidos “Tito Van Damme”, condenado por assassinato há alguns anos e que é um dos fundadores do atual Movimento Patriótico Social (MSP).

Atualmente vários membros do Clan Celta compõem as fileiras do MSP liderado por Pedro Perez Kunstmann, atual candidato a prefeito da Isla de Maipo.

Consideramos atualmente dentro da variedade de grupos fascistas o MSP como o mais perigoso (puramente político), uma vez que eles foram articulados em até mesmo pequenas células em todo o país fazendo propaganda e algum trabalho social, e ainda conseguiram levantar uma candidatura para prefeito.

É nosso dever expor este grupo e o que está por trás de seus slogans e propostas, quase todas baseadas no ódio contra a imigração ilegal que se traduz claramente em ódio e racismo contra os pobres.

O MSP e seu líder candidato a prefeito se apresentam como uma alternativa nova e independente, livre da política corrupta dos partidos políticos, mas aqueles de nós que os conhecem há muito tempo sabem seu passado fascista, racista e classista.

É NOSSO DEVER IMPEDIR O CRESCIMENTO DESSES GRUPOS.

CLAN CELTA = MSP = FASCISMO.

Tradução > Liberto

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Hora da comida –
Pela porta,
O pôr de sol de outono.

Chora

[Itália-Grécia] Koufondinas: um, poucos, dez mil

Janeiro de 2021: quando começa a greve de fome de Dimitris Koufondinas, poucas pessoas saem às ruas para apoiar sua luta e, assim que uma faixa é desfraldada, as acusações policiais começam pontualmente, de acordo com as diretrizes de um governo cuja agenda política inclui a guerra aberta contra qualquer forma de oposição social.

Março 2021: Por trás da faixa que diz “Nasci em 17 de novembro” (foto), mais de dez mil pessoas se manifestam nas ruas de Atenas. O que aconteceu nestes dois meses? Quais foram os elementos que contribuíram para uma mudança tão drástica da situação na Grécia? Como se explica tal ampliação da solidariedade com um companheiro condenado a várias penas perpétuas por suas atividades na mais importante organização armada da Grécia?

O que está acontecendo lá fora é muito mais importante do que aquilo pelo qual começou“, escreve Dimitris em sua declaração, quebrando sua greve de fome. De um de nossos correspondentes em Atenas, a análise desses dois meses de paixão.

>> Escute (em italiano) no link abaixo:

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/03/31/koufondinas-uno-pochi-diecimila/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

o pato, menina,
é um animal
com buzina

Millôr Fernandes

Tradução | Ajuda | Colaboração