[Argentina] Brequemos o embate capitalista contra nossa classe! Organizemos a revolta e a greve geral!

Assim não se aguenta mais!

Após as P.A.S.O. [eleições primárias presidenciais realizadas no domingo 11/08/2019], onde ficou claro quais serão as mãos que dirigirão o estado no próximo período, o movimento de mercado não se fez esperar, a corrida bancária não começou na segunda-feira pela manhã quando o dólar se estabeleceu em 60 pesos, começou após as dez quando apenas davam uma porcentagem menor ao 50% do escrutínio. A venda de dólares na internet disparou, anunciando que o resultado eleitoral era irreversível, o qual nos deixa em um panorama bastante crítico, pois sabemos que o que sobra do governo será uma constante degradação de nosso salário, com alguns ajustes e a imprevisibilidade econômica que gera a inflação galopante que golpeia nossos bolsos. Ainda que mude de cor o estado, o FMI buscará levar a cabo seu plano de ajuste, e quem estiver no governo terá que levar adiante mais ajustes e reformas tanto provisórias como laborais que estarão contra os interesses dxs trabalhadorxs, porque a situação internacional assim o exige, pois o contexto de crise e ajuste vem acontecendo em toda a extensão do mundo capitalista, que busca cada vez mais a precarização laboral, e a adaptação ao capitalismo de plataformas.

Agora, deslegitimado e sem nenhuma credibilidade, nem com o povo trabalhador nem com seus sócios no saque, o governo tenta uma espécie de “compensação” irrisória pela desvalorização que começou na segunda-feira, mas nem pensam em compensar a destruição que levaram a cabo, faz quatro anos e sem pausa, de nossos salários, nossos trabalhos e nossas vidas.

A passividade nos encurrala
Enquanto no seio do peronismo se saboreia um novo mandato do qual não temos esperança alguma, pois recordamos como conseguiram impor a Lei Antiterrorista, ou suas alianças estratégicas com a sempre servil burocracia sindical, a classe trabalhadora segue sofrendo as consequências de cada governo de turno.


Estes meses seguiremos nos enfrentando com um governo de saída que se esmera por nos saquear até o último centavo de nosso bolso e seremos vítimas de um peronismo que entra que só espera sentar-se na poltrona em dezembro, negando sua parte de responsabilidade na crise atual, pois sendo “oposição” votaram convenientemente leis ao macrismo. É responsabilidade deles haver mantido a governabilidade para que o governo leve a cabo cada uma de suas medidas contra o povo, restando-lhes poder aquisitivo a nossos salários e tirando nossos direitos. Agora dirigindo-se com um discurso paternalista e conciliador dizendo que já não há fenda, como o disse Alberto Fernández, buscam a conciliação de classes característica do peronismo, inclusive chamando a não sair às ruas para não cair na provocação por parte dos poderosos.

Não é o momento para eles, é o momento para nós
Nestes quatro anos poderíamos mencionar vários momentos em que soubemos estar de pé nos momentos determinantes, sem o apoio das burocracias dos sindicatos e das centrais obreiras; cabe mencionar as extensas jornadas de dezembro onde houve uma resistência muito importante contra a reforma previdenciária, na qual enquanto éramos reprimidos pela polícia e gendarmeria a burocracia da CGT boicotava sua própria paralisação, e em cada resistência ante fechamento de fábricas, demissões, e suspensões, inclusive um grande momento quando xs trabalhadorxs exigiram uma data de Greve Nacional em 2017 depois de vários discursos onde o triunvirato da CGT só ameaçava sem concretizar nada. Demonstramos como classe que sabemos construir solidariedade, inclusive frente a medidas absurdas da CGT e demais sindicatos não combativos, chamando a paralisações domingueiras que não buscavam fazer ruído dentro das esferas do governo, mas que foram pactuados para não entorpecer a governabilidade.

Até um horizonte conhecido
Quase 20 anos nos separam do último momento de auge da história da classe trabalhadora. O liberalismo menemista havia deixado como saldo um desemprego de 22,7% e ao calor das assembleias em fábricas e bairros começava a se gestar um movimento que via na assembleia e na ação direta, o caminho de pressão social, que levou à renuncia do então presidente Fernando de la Rúa, e impulsionou uma verdadeira mudança social.

Hoje mais do que nunca devemos recuperar esse espirito assembleário e de ação direta, para desde a base, pressionar e semear a terra para que cheguemos a medidas de impacto, assembleias convocadas em busca de paralisações gerais, greve e manifestações. Podemos manifestar a necessidade de uma saída real e sem representantes burocratas ante este incêndio do país, que cresce momento a momento no jogo capitalista, com o olhar posto no futuro que se vem, no qual se realizarão reformas laborais, mais aumentos dos preços e tarifaços. É necessário deixar claro que existem forças que sentimos que não podemos esperar que terminem em dezembro, mas que a saída deve ser iminente e seguida de uma verdadeira mudança social que permita que o povo trabalhador seja partícipe direto de seu presente e artífice de seu futuro, um futuro livre da casta parasitária que nos manipula, nos explora e nos oprime.

PARA TIRAR MACRI SAIAMOS ÀS RUAS!
PARA FREAR OS TARIFAÇOS E AUMENTOS, ORGANIZAÇÃO DXS TRABALHADORXS SEM PARTIDOS NEM DIRIGENTES!
PARA UM NOVO “QUE SE VAYAN TODOS“, GREVE GERAL!

Conselho Federal, 14-08-19
FORA-CIT

fora.home.blog

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/06/argentina-e-desde-xs-oprimidxs-que-um-novo-organismo-social-se-desenvolvera-nao-separado-deles/

agência de notícias anarquistas-ana

Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

 Serban Codrin

[México] Chamado à ação anárquica por Féminas Brujas e Insurreccionalistas

SOMOS MÁS e PODEMOS SER PIORES: SOMOS SEU PIOR PESADELO!

“Provocação” e “Ilegalidade” é qualquer ação que não é executada pelo Estado e excede suas leis e normas; é por isso que as autoridades insistem em apresentar a guerra anárquica contra o sistema de dominação como uma “provocação” que busca desencadear a repressão. Mas a realidade nos ensina que a repressão está aqui e agora e é praticada cotidianamente pelo poder, velada ou brutalmente.

O Estado continua exercendo o monopólio da violência e só está disposto a compartilhá-lo com os grupos do chamado “crime organizado” com quem também compartilham o DNA, demonstrando que não há nada novo em sua Quarta Transformação. Como sempre dissemos: são os mesmos cães misóginos agora com a coleira vermelha.

Finalmente a raiva antissistêmica conseguiu espalhar a raiva para amplas frações do chamado “movimento feminista”, tristemente adormecidas até a tarde de ontem. Finalmente compreenderam que o pacifismo é o cúmplice mais ativo do poder patriarcal e da dominação.

Nós sempre expressamos que não somos feministas. NÓS SOMOS ANARQUISTAS e por isso lutamos contra o Patriarcado, não pelo feminismo. Conhecemos a ideologia feminista e a vemos cotidianamente em “ação”, ocupando assentos e cargos públicos, empoleirando-se em nossas vidas e nossos corpos para propagar “a Pátria feminista” como declarou uma senadora do MORENA (partido político mexicano de esquerda), esquecendo (consequentemente) que a Pátria é o território do Patriarca.

Nem Martha Lucia Michel (senadora mexicana), nem Marta Lamas (antropóloga mexicana), nem Marilú Razo (integrante do Espacio Mujeres para una Vida Libre de Violencia), nem nenhuma das feministas sistêmicas (políticas, acadêmicas e dialogadoras) nos representam. Sua reação contra a violência roxa e negra, seu amasiado com Sheimbaum (atual prefeita da Cidade do México), só reforça sua condição de oportunistas em busca de ossos, de modo que lambem as botas e chupam os ovos de seu presidente.

A melhor mostra de sua cumplicidade é a hashtag #EllasNoNosRepresentan, afirmando que com a violência antissistêmica mancharemos “a defesa dos direitos das mulheres”, promovendo a passividade cúmplice e impondo a conduta politicamente correta da “pessoa de bem”.

Nós não somos Povo. Ser “povo” é delegar nossa realidade como mulheres, nossa liberdade e nossa autonomia a Outro, é negar nossa individualidade e nossa essência. SOMOS GUERREIRAS ANÁRQUICAS EM LUTA CONTRA O PATRIARCADO.

Somos conscientes de que estamos em guerra e sabemos quem são nossxs inimigxs. Sabemos quem estamos enfrentando, como também sabemos quem são xs aliadxs do sistema e quem são nossas cúmplices. Reconhecemos o que outras calam: a presença no palácio nacional de um fascista misógino e sexista, pró-vida, ultraconservador e evangélico a quem a esquerda se aliou em seu oportunismo constante para “tomar o poder” a todo custo.

Portanto, não pedimos justiça aos nossos carrascos nem a destituição e o castigo de seus porcos violadores. Isso seria distinguir entre policiais bons e policiais maus. Para nós o melhor policial é o que está morto.

Nós não queremos diálogo, por isso não colocamos limites à revolta. Nossos desejos de destruição e nosso ânsia de liberdade não ficarão presos nos apanhadores de sonhos: seremos seu pior pesadelo!

Se algum dia não voltemos pra casa: Não acendam velas, acendam barricadas!

Nem Deus, nem Estado, nem Amo, nem Marido!

O Estado-Capital, com AMLO (Andrés Manuel López Obrador, atual presidente do México) ou sem AMLO, patriarcado é o que tece!

Destruíamos tudo o que nos domina e condiciona!

Solidariedade anárquica com todas as companheiras e companheiros presxs em todo o mundo!

Contra a civilização patriarcal!

Pelo controle de nossas vidas!

Pela destruição do gênero!

Pela tensão anárquica insurrecional!

Pela Anarquia!

Fogo a tudo o existente!

Féminas Brujas e Insurreccionalistas (F.B.I)

Cidade do México, sábado 17 de agosto de 2019.

Tradução > keka

agência de notícias anarquistas-ana

vento nas cortinas
fico atenta
ao que a manhã ensina

Camila Jabur

[Europa] Pia Klemp se recusa a ser condecorada com honra em Paris

Ativista alemã Pia Klemp se recusa a receber da prefeita de Paris medalha Grand Vermeil, a mais importante condecoração por respeito aos direitos humanos. Libertária, bióloga e militante em defesa dos direitos humanos, Pia ajudou a resgatar mais de mil refugiados no Mediterrâneo, através de seu trabalho no navio Iuventa e no Sea-Watch 3. Atualmente ela encara processo movido pelo governo da Itália, do líder neofascista Matteo Salvini, que pode resultar em mais de 20 anos de cadeia, além de multas altíssimas. A seguir, um comunicado de imprensa que ela divulgou nesta terça-feira (20/08).

“É hora de denunciar as honras hipócritas e encher tudo de justiça social”

Paris, amo-te. Amo-te por toda as pessoas livres e solidárias que vivem em ti. Lutando pela sua liberdade, todos os dias, ombro a ombro, distribuindo cobertores, amizade e solidariedade. Amo-te pelos que estão a partilhar as suas casas, amor e batalhas a cada dia – sem olhar a nacionalidade, sem olhar a quem tem documentos, ou não.

Madame Hidalgo [prefeita de Paris], quer premiar-me com uma medalha pela ação de solidariedade no mar mediterrâneo, porque nossas equipes “trabalham diariamente para salvar migrantes das suas condições difíceis”. Ao mesmo tempo, a sua polícia está a roubar cobertores às pessoas que vocês obrigam a viver nas ruas, enquanto reprime protestos e criminaliza pessoas que estão apenas a lutar pelos direitos dos migrantes e de quem procura asilo. Quer dar-me uma medalha por ações em que você luta contra na sua própria muralha. Tenho a certeza que não ficará surpresa por eu não aceitar a medalha Grand Vermeil [a mais importante condecoração da cidade].

Paris, eu não sou humanitária. Não estou aqui para “ajudar”. Eu junto-me a vocês na solidariedade. Nós não precisamos de medalhas. Não precisamos de autoridades a decidir quem é ou não “herói”, e quem é “ilegal”. Na realidade, eles não estão sequer em posição de fazer esta denominação, porque somos todos iguais.

O que precisamos é de liberdade e direitos. É hora de denunciar as honras hipócritas e encher tudo de justiça social. É hora de todas as medalhas serem lançadas como pontas de lança da revolução!

Documentos e casa para todos!

Liberdade de movimento e residência!

Pia Klemp

20 de agosto de 2019

Tradução > Ophelia

>> Foto em destaque, Pia Klemp em Exarchia, Grécia, onde esteve recentemente participando de rodas de conversas em okupações de migrantes e espaços anarquistas.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/28/europa-ativista-alema-corre-o-risco-de-enfrentar-uma-pena-de-prisao-de-20-anos-por-salvar-migrantes-no-mar-mediterraneo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/01/europa-policia-italiana-prende-capita-de-navio-de-resgate-de-imigrantes/

agência de notícias anarquistas-ana

Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[Espanha] Passeio libertário por Zamora

Na tarde da sexta-feira, 16 de agosto, as ruas de Zamora acolheram a atividade cultural “Um passeio libertário. Percurso caminhando pelos lugares emblemáticos do movimento libertário histórico zamorano”.

Foi um ameno passeio, rememorando os lugares urbanos onde o anarquismo e o movimento obreiro deixaram sua marca na história e nas pessoas de Zamora. Visitaram suas ruas, sedes e edifícios, rememorando greves, escritos, ofícios, ou suas criações literárias, assim como seus nomes e as propostas que desenvolveram para tentar melhorar a sociedade. Um divertido percurso entre histórias e vivências, guiados por especialistas nesta pesquisa.

Atenderam ao chamado um bom grupo de interessados, desejosos de conhecer a história ácrata zamorana, recordando destacadas figuras históricas como: Visitación e Baltasar Lobo, Agustín García Calvo, José Durán, Jacinto Torhyo, Palmira San Juán, Antonio Vara Calvo, os irmãos Lobato Quevedo, José López Martín ou José Justo Bruňa.

 Além dos movimentos libertários na cidade, se repassou brevemente a força de sua gente no mundo rural, por exemplo: entre os obreiros da construção da via-férrea nos túneis sanabreses nos anos 30, na obra do Salto del Esla ou nos trabalhadores do viaduto Martín Gil; assim como a força sindical em algumas localidades tais como Villalpando, Losacio de Alba, Requejo, Lubián, Vigo de Sanabria ou nas partidas do maquis anti-franquistas.

 O ato terminou junto ao monólito do parque de Olivares, onde se homenageou os represaliados pelo franquismo, tocando umas peças musicais o cantautor Buterflai.

 A iniciativa partiu da organização do XII Encontro do livro de Salamanca, interessado em divulgar nesta edição a tradição libertária zamorana, mediante uma divertida atividade informativa.

 Fonte: https://www.cnt.es/noticias/paseo-libertario-por-zamora/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Teu azul profundo,
nos olhos do cristal tímido,
cintila o mundo

Fred Matos

[País Basco-França] Comunicado Revolucionário Unitário: “Privilegia a ação direta”

De 24 a 26 de agosto acontecerá em Biarritz a cúpula do G7. Sete das maiores potências capitalistas e imperialistas se unirão para defender os interesses da classe burguesa. Estarão acompanhados por um longo cortejo de lobistas e empresas, como cortesãos na corte do rei. Durante o G7, a região se converterá em uma zona ultra militarizada, bunkerizada pelas forças repressivas, o que obstaculizará a liberdade de ir e vir.

Em resposta a esta perturbação capitalista e da segurança, está se organizando uma contra cúpula no País Basco (19-26 de agosto) com uma multidão de organizações de esquerda. Como ativistas e libertários, os temas discutidos, a forma de organização, as eleições de luta não correspondem a nossa estratégia. Nossa resposta deve ser revolucionária, fundamentalmente anticapitalista, internacionalista e autogestionária. Não cremos que a forma escolhida para a contra cúpula mobilize as classes dominadas ou desencadeie um amplo movimento de protesto. Muitas cúpulas internacionais, muitas contra cúpulas, mas poucos resultados…

É hora de que as forças revolucionárias questionem as respostas que se darão durante tais eventos para lhe pôr um fim. Estas reuniões de contra cúpulas são geralmente o lugar de encontro e intercâmbio entre pessoas exclusivamente militantes. Cremos que isto não é suficiente, estas reuniões juntam somente pessoas que já estão conscientes sobre estes temas e durante esse tempo nós, os ativistas, estamos desconectados das lutas.

Esta intersecção nos isola da população. Não respaldamos nem apoiamos oficialmente a organização da contra cúpula do G7. No entanto, não estamos ali para minar o trabalho dos camaradas que organizam esta anticúpula e, inclusive, se não nos corresponde, gostaríamos de expressar nossa solidariedade com eles e elas. Encontremo-nos nas lutas! É liberdade dos ativistas determinar suas táticas. Não chamamos a cruzar os braços nem a permanecer na crítica. Sejamos numerosos nas lutas pelos interesses de nossos trabalhadores. Privilegia a ação direta. Sejamos numerosos para participar nas ações de bloqueio, desobediência civil e protestos que acontecerão durante o G7.

Assinam: Collectif Anarchiste Sud Adour, Indar Beltza, IPEH Antifaxista, Sare Antifaxista, Union Comuniste Libertaire Burdeaux-Gironde.

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/26/franca-bloqueemos-o-g7-e-seu-mundo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/08/franca-nem-em-biarritz-nem-em-nenhum-lugar/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/17/franca-chamado-dos-coletes-amarelos-contra-o-g7/

agência de notícias anarquistas-ana

Um grande silêncio —
Nuvens escuras se acumulam
Sobre a terra seca.

Paulo Franchetti

Ataque neonazista contra jovem antifascista na Ceilândia (DF)

Na última sexta-feira (16/08), um jovem grafiteiro chamado Jhamau foi espancado por neonazistas na Ceilândia, Distrito Federal. O jovem é um dos organizadores do evento “Antifascismo pela Liberdade Consciente”, que teve que ser adiado.

Estes neonazistas se organizam em grupos covardes que consideram que sua “raça” é superior à grupos como nordestinos, negros, mulheres, homossexuais, judeus e demais grupos da sociedade que consideram ser “inferior”.

Assim como nos Estados Unidos da América, que recentemente teve um atentado em El Paso no Texas, no qual o terrorista fascista afirmava que queria matar negros e latinos, aqui no Brasil também acontecem ataques racistas e preconceituosos, mas com menor intensidade. Estes grupos se sentem à vontade para praticar tais atos pois sabem que o sistema capitalista os defendem, mantendo os oprimidos em seu lugar de submissão através do terror e do medo.

É necessário que, para estes casos não se repetirem, sejam criados coletivos ou comitês de autodefesa, que possam impedir que estes grupos preconceituosos possam agir com liberdade. Eles têm que ter medo de praticar tal ato, eles têm que ter medo de assumir quem são.

As companheiras e companheiros do Distrito Federal lançaram uma nota em relação ao ocorrido, que compartilhamos logo abaixo:

REPÚDIO AGRESSÃO FASCISTA AO CAMARADA JHAMAU

Nós do Sindicato Geral Autônomo (SIGA-DF) manifestamos nossa total solidariedade e sentimentos ao militante antifascista e camarada, Jhamau, covardemente agredido na noite do dia 16 de agosto por uma gangue de neonazistas e fascistas. Jhamau se encontra em estado grave, na UTI.

Essa gangue recentemente vem tentando aterrorizar, com pichações e agressões, a comunidade da Ceilândia, formada majoritariamente por trabalhadores negros e nordestinos. Em uma pichação escreveram “Nordestino fede!”. Xenofobia que ofende grande parte da população local.

Ceilândia é conhecida pela forte influência nordestina desde a onda migratória para construção de Brasília. Hoje, cerca de 27% dos moradores nasceram em algum dos nove estados nordestinos, são mais de 126 mil pessoas.

A agressão covarde contra Jhamau se deu na véspera do evento “Antifascismo pela liberdade consciente”, do qual Jhamau era um dos organizadores. O evento foi uma reação aos ataques da gangue fascista na região.

Nós do SIGA, um sindicato revolucionário recém fundado, iremos buscar apoiar de forma concreta e na medida das nossas forças o camarada e, também, dar continuidade e ampliar a luta contra a escória racista e fascista que busca tão somente desgraçar a vida de jovens e trabalhadores honestos.

Convocamos todas e todos a não abaixar a cabeça, a transformar nossa indignação em união e ação por um mundo onde caibam vários mundos, livre de racismo, de machismo, homofobia e da opressão do Estado e do Capital.

NINGUÉM FICA PRA TRÁS!

RACISTAS, FASCISTAS, NÃO PASSARÃO!

Sindicato Geral Autônomo – SIGA, 18 de agosto de 2019

federacaoautonoma.wordpress.com

>> Nota da ANA | Notícia de última hora:

Pessoas próximas ao jovem agredido, informaram que Jhamau apresentou melhora e deixou, no domingo (18/08), o leito da unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital particular onde está internado. O quadro de saúde dele é considerado estável, mas não há previsão de alta hospitalar.

agência de notícias anarquistas-ana

Um trovão estronda –
e os trovõezinhos ecoam
na selva em redor.

Nenpuku Sato

[Indonésia] Anarquista é detido por usar camiseta “antipolicial”

Em Jakarta, na sexta-feira, 16 de agosto de 2019, um jovem anarquista foi parar na delegacia porque a camiseta que usava tinha, segundo as autoridades, “uma imagem ofensiva insultando a polícia”. Ele estava participando de um protesto trabalhista em frente ao Edifício do Parlamento da cidade.

De acordo com a imprensa local, a pessoa que foi presa estava vestindo uma camiseta preta, estampada com uma foto da polícia usando escudos e capacetes, e na frente da linha policial um homem urinando e a inscrição ‘Fuck You’.

Mais detidos

Durante o protesto, outros sete anarquistas foram presos, acusados pela polícia de fazerem parte do grupo anarcossindicalista “Anarko”, que, segundo as autoridades, é o grupo “suspeito de ser o cérebro por trás da destruição de várias instalações públicas e vandalismo nos protestos do Dia Internacional do Trabalho de 2019 em Bandung em maio passado”. A polícia também afirmou que “esse grupo não tinha permissão para realizar uma manifestação em frente ao prédio do Parlamento”.

Até a tarde desta segunda-feira (19/08), os oito anarquistas continuavam detidos em uma delegacia de Jakarta.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/22/indonesia-declaracao-da-frente-anti-fascista-de-bandung/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/09/indonesia-jovem-anarquista-e-agredida-pela-policia-durante-o-may-day-bandung/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/06/indonesia-atualizacao-do-pos-1o-de-maio-e-apelo-a-solidariedade-internacional/

agência de notícias anarquistas-ana

O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Mais uma edição da Feira do Livro Anarquista da Carolina do Norte

De 23 a 25 de agosto, Asheville, na Carolina do Norte, sediará a terceira edição da Another Carolina Anarchist Bookfair (ACAB), juntamente com a terceira Pansy Fest, um festival queer e trans de música DIY (Faça Você Mesmo) com grupos LGBTQ.

O final de semana contará com workshops, apresentações de livros, discussões, além de sessões de leitura, shows e refeições veganas. A Feira do Livro é um espaço que oferece iniciativas coletivas e compartilhamento de conhecimento para ajudar a fortalecer redes regionais antiautoritárias.

Esperamos que esta Feira do Livro seja mais uma vez um ponto de convergência para descobrir e compartilhar ideias antiautoritárias, anticapitalistas, antirracistas e decoloniais.

Construída com base no sucesso dos dois anos anteriores, esperamos receber centenas de pessoas da região e além para participar neste fim de semana de eventos, livros, zines, folhetos, concertos e festas.

>> Mais infos, programação:

acab2019.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

poeirão
se levanta no caminho
secam meus olhos

Marcos Amorim

[Uruguai] Montevidéu: Reivindicação de ação contra a fundação María Tsakos

Na segunda-feira, 05 de agosto, de madrugada, atacamos com tinta a fundação Tsakos em Montevidéu.

Fizemos isso em solidariedade com xs companheirxs que estão ameaçadxs pelo fascista Estado grego que quer expulsá-lxs do bairro Exarchia e apagar do mapa seus projetos de solidariedade e luta.

Saúde compas!

A luta revolucionária triunfará, sem fronteiras contra o capital!

Anarquistas.

Tradução > keka

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/16/grecia-nao-passarao-se-converte-no-lema-de-exarchia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/01/alemanha-novos-e-velhos-senhores-na-grecia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/16/grecia-acabou-o-asilo-universitario-policia-grega-autorizada-a-intervir-livremente-em-universidades/

agência de notícias anarquistas-ana

Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô

[EUA] Fascistas abafados por antifascistas em Portland

Quiseram dar uma prova de força e apenas o conseguiram por metade. Foi o maior protesto na era Trump e ainda assim foram ultrapassados pelos antifascistas em Portland, no Oregon, Estados Unidos. Houve confrontos aqui e ali entre os dois lados, com seis pessoas a ficarem feridas e outras 13 detidas. Podia ter sido pior, muito pior.

Horas antes, as autoridades, num esforço coletivo de mais de 20 agências locais, estaduais e federais, apreenderam paus de madeira, bastões de ferro, escudos e outras armas aos fascistas, impedindo-os de semear o terror na cidade. As autoridades estavam em alerta máximo por recear confrontos, chegando mesmo ao ponto de proteger os fascistas, como já se tornou hábito.

Além disso, fecharam a ponte e colocaram barreiras de cimento. E emitiram um mandado de captura contra Joey Gibson, líder dos Patriots Prayer, obrigando-o a entregar-se na sexta-feira — saiu depois sob fiança e participou no protesto, mas a detenção baixou-lhe significativamente o tom.

O protesto, chamado de “Terminem com o Terrorismo Doméstico” e convocado pelo grupo neofascista Proud Boys, foi organizado poucos dias antes e tinha como alvo os grupos antifascistas que atuam na cidade. O tiro de partida foi a agressão que o jornalista da alt-right Andy Ngo sofreu quando cobria uma manifestação antifascista na cidade, a 29 de Julho. Despejaram-lhe um batido e esmurram-lhe a nuca — Ngo fez-se depois de vítima.

O protesto de extrema-direita teve 1300 pessoas e foi o maior na era Trump. O líder dos Proud Boys, Enrique Tarrio, prometeu que o grupo iria marchar todos os meses em Portland até libertar a cidade dos seus adversários. “Mais cedo ou mais tarde, [o presidente da Câmara de Portland, Ted Wheeler] vai ficar sem dinheiro e os seus pares no Governo vão deixar de o levar a sério. O caminho é simples para o presidente Wheeler: libertar a sua cidade das mãos dos Antifa, tomar ações diretas, significativas”, disse Tarrio em comunicado.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://medium.com/flashback-observat%C3%B3rio-antifascista/estados-unidos-fascistas-abafados-por-antifascistas-em-portland-48d8d20e6bbe

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/02/eua-trump-considera-declarar-os-antifascistas-como-grupos-terroristas/

agência de notícias anarquistas-ana

No parapeito
da velha janela
a gata espreita

Eugénia Tabosa

Vídeo: Anarquistas presentes em ato contra Bolsonaro em Porto Alegre (RS)

Anarquistas e antifascistas estiveram presentes na manifestação contra o presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) em Porto Alegre (RS) no dia 13 de agosto de 2019.

>> Assista o vídeo (01:48) aqui:

https://vimeo.com/354544892

Antimídia

antimidia.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

florescente espinheiro
tão parecido aos caminhos
onde eu nasci!

Buson

[Portugal] “Somos todos antifascistas”, gritou-se nas ruas de Lisboa

Poucos são os que não param. Olham das varandas, das portas das lojas, dos passeios. Uns aplaudem, outros ficam apenas curiosos e outros tantos tiram fotos. Sabem que são antifascistas quem por ali passa a gritar palavras de ordem contra o nazismo e o fascismo, mas não a razão mais específica de as bandeiras esvoaçarem, pacartas preencherem o horizonte e faixas avançarem pelas ruas de Lisboa num sábado à tarde. Mas isso não lhes tira a curiosidade.

Centenas de antifascistas marcharam este sábado à tarde, com um calor tórrido, entre o Rossio e a Praça Luís de Camões, passando pelos Armazéns do Chiado, para se oporem à conferência neonazi do Nova Ordem Social, de Mário Machado. Fizeram-no numa frente unida, onde os sectarismos foram quase postos de lado num grito comum da extrema-direita não ser bem-vinda em Portugal.

Nas suas fileiras estavam partidos, colectivos, associações, antifascistas, sindicatos. Portugueses e estrangeiros, militantes e ativistas, novos e mais velhos, experientes e inexperientes, mais ou menos ativos. E de todas as cores de pele. Várias gerações de antifascistas e anti-racistas. O povo saiu à rua, garantem os manifestantes. “Povo unido, fascista está fodido”, gritou-se.

A polícia avançou que a manifestação teve 400 pessoas, mas a organização contesta esse número e contrapõe que estiveram presentes 2000 pessoas entre o Rossio e a Praça Camões e 500 durante as intervenções.

“Nazis, fascistas chegou a vossa hora. Os imigrantes ficam, vocês vão embora”, gritam, com energia, os antifascistas. Ao longo da quase uma hora de marcha, os antifascistas não perderam a energia e quem integrava a manifestação não podia por vezes deixar de sentir um arrepio pela espinha. Erguiam-se punhos, puxava-se pelos pulmões e batiam-se, ritmamente, palmas. E depois ouvia-se: “Siamo tutti antifascisti” (somos todos antifascistas, em português). E, alguns, andavam, vestidos de negro, de cara tapada — eram sobretudo jovens.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://medium.com/flashback-observat%C3%B3rio-antifascista/somos-todos-antifascistas-gritou-se-nas-ruas-de-lisboa-8439ec2c73ac

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/01/portugal-antifascistas-mobilizam-se-a-nivel-europeu-contra-conferencia-neonazi-da-nos/

agência de notícias anarquistas-ana

greta no muro –
dois olhos ao fundo,
lá no escuro

Carlos Seabra

[Chile] Terceira Feira do Livro em Resistência

Companheiras e companheiros:

Com alegria e grande motivação para construir alternativas antagônicas a este sistema de dominação, como Sindicato de Ofícios Vários de Santiago abrimos a convocatória para a Terceira Feira do Livro em Resistência, a qual se desenrolará entre os dias 5 (sábado) e 6 (domingo) de outubro de 2019.

Sintam-se convocadas todas as editoras, distribuidoras, projetos, coletivos e organizações que desejem expor estes dois dias de diálogo e construção libertária. Além da Feira do Livro, contaremos com atividades culturais, palestras, cine, poesia e muito mais.

Para solicitar um posto na Feira, podem escrever para sovsantiago@gmail.com

A atividade será durante os dois dias em horário estendido.

Breve mais informação e cronograma de atividades.

FB: https://www.facebook.com/events/1417981545017407/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/05/chile-segunda-feira-do-livro-em-resistencia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/06/13/chile-convocatoria-feira-do-livro-em-resistencia/

agência de notícias anarquistas-ana

É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.

Eolo Yberê Libera

[Suíça] Feira do Livro Anarquista de Delémont

Nossa motivação

O ser humano precisa procurar muito, como uma agulha no palheiro, até encontrar livros de resistência, filmes corajosos e lugares libertários. No entanto, estas coisas são necessárias para nos mostrar perspectivas acessíveis e horizontais. Isso nos abre possibilidades de organização e também nos permite nos encontrar de igual para igual. Trabalhar em direção a um mundo livre da opressão requer esses momentos de troca intensa e amigável. Por este motivo, nós convidamos vocês para o encontro que ocorrerá do dia 30 de agosto até o dia 1° de setembro em Delémont, para aproveitarmos o tempo juntos enquanto descobrimos a extraordinária variedade de publicações libertárias atuais.

Durante a feira

Nós convidamos coletivos e editoras para expor e vender os seus livros. O fim de semana será acompanhado de leituras, palestras e discussões. Claro que também estão previstos shows e exibição de filmes. Haverá comida e bebidas disponíveis para alimentar este mundo lindo. Haverá também um lugar dedicado às crianças, organizado por voluntários.

A organização

Esta primeira edição da Feira do Livro Anarquista em Delémont será realizada em diferentes locais. A feira do livro propriamente dita, com as suas bancas e degustações, terá lugar no coração industrial de Delémont, no Espace autogéré La Cantine, um centro de cultura e artesanato autônomo. No sábado de manhã estaremos presentes no mercado em Delémont. Os e as participantes e ajudantes serão acomodados em coletivos locais da região.

Qualquer ajuda é bem-vinda, basta entrar em contato com: salondulivre@riseup.net

Até mais!

O Grupo de Organização

salondulivre.noblogs.org

Tradução > Rosa Hoffnung

agência de notícias anarquistas-ana

As folhas vermelhas
brilham num dia de sol:
o inverno se alegra.

Thiago Souza

[Peru] Fúria do Livro Anarquista “Horas de Luta” acontece de 23 a 25 de agosto

De sexta-feira 23 de agosto, à domingo 25 de agosto de 2019, no hall da Biblioteca Mario Vargas Llosa da Casa da Literatura Peruana (Jr. Áncash 207, Centro Histórico de Lima) se realizará a terceira edição da Fúria do Livro Anarquista, organizada pelo Comitê Horas de Luta. O ingresso é livre.

Os horários serão: na sexta-feira 23 de agosto de 16h00 a 19h00; enquanto que no sábado e domingo de 12h00 a 19h00.

Sobre a Fúria do Livro Anarquista

No ano de 2018 se deu início à Feira do Livro Anarquista, proposta para promover o trabalho editorial (fanzines, revistas, folhas, periódicos e livros) dedicado à propaganda escrita dos ideais anarquistas.

Esta terceira edição do evento se denomina Fúria do Livro Anarquista e busca afiançar seu primeiro objetivo. Da mesma forma, incentivar a difusão, o intercâmbio de ideias através de fórum e encontros e congressos com os(as) diversos(as) escritores(as) anarquistas. O Comitê Horas de Luta está integrado por Lutxo Rodríguez, Franz García, Jamiro, Efraín Altamirano e Sebastián Verdú.

Atividades

Durante os três dias, que se realizará a feira, se realizarão diversas atividades como palestras, apresentações de livros, oficinas e recitais poéticos, entre outros. Também se realizará uma exposição de cultura libertária.

>> Confira a programação aqui:

https://www.facebook.com/events/920477101628398/

agência de notícias anarquistas-ana

O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

Wallmapu – Macarena Valdés – “Quando te matam por conservar o rio”

por Ayelén Correa Ruau

Em 22 de agosto de 2016, Macarena Valdés foi assassinada em Tranguil, comuna de Panguipulli. Depois a enforcaram para simular um suicídio. Não é a primeira vez que algo assim acontece no Chile.

Macarena nasceu 32 anos antes em Hualañé – um vilarejo a 50 quilômetros da cidade de Curicó – e viveu a maior parte de sua vida na região metropolitana de Santiago. Inserida na vida urbana, nunca perdeu sua sensibilidade pela Ñuke Mapu[1] e o território habitado.

Em 2014, a vida urbana com sua razão mercantil e predatória tornou-se insuportável, então ela decidiu começar uma viagem de volta às suas memórias ancestrais. Macarena foi uma pioneira no retorno à Mapu, na recuperação da vida e da cultura originária livre de essencialismos.

Ela e sua família chegaram em Tranguil, uma pequena comunidade rural perto de Liquiñe. Os ngen[2] já sabiam e haviam avisado: chegariam para cuidar e defender as águas do rio Tranguil, como os povos da terra sabem fazer.

Levantaram sua ruka[3] graças à solidariedade de Mónica Paillamilla, que compartilhou a terra, e dali geraram um espaço de trawün[4] entre homens e mulheres. Um lugar de aprendizagem recíproca que alternou o culminar de estudos de habitantes da comunidade com a aproximação ao mapudungun e a confiança entre mulheres. Macarena se tornou uma lamgen[6] para outras como ela e construiu um laço de sororidade.

A empresa apontada

Em 2014, RP El Arroyo Energías Renovables S.A chegou ao território de Tranguil para concluir a instalação de sua “Mini Central Hidroelétrica de Paso – Tranguil”. Uma instalação que nunca foi consultada com as comunidades indígenas.

Rubén Collío, companheiro de Macarena e engenheiro ambiental, se colocou à disposição da organização mapuche. Assim, iniciou-se um processo de exercício de direitos por parte das comunidades Mapuche da região: subiram cada um dos degraus do prédio da burocracia para impedir a instalação da empresa no território.

A casa da família de Rubén e Macarena tornou-se um espaço de reuniões e valentia.

Naquela época, o companheiro de Macarena foi escolhido pelas comunidades como werken[7]. De acordo com a cosmovisão mapuche é um mensageiro, representante ou porta-voz de uma comunidade ou família. A designação era uma grande responsabilidade e significou uma visibilidade excepcional para ele, Macarena e seus filhos.

Em 1° de agosto de 2016, membros da comunidade Quillempan e da Coordenação Newen de Tranguil, com o apoio do Koyagtun[8] de Koz Koz fecharam a rota CH 201, uma rodovia nacional que dá acesso a um dos passos fronteiriços com a Argentina. Macarena esteve lá colocando o corpo e freando o avanço repressivo. O fechamento conseguiu que os carabineros deixassem o lugar e mostrou a todo o país a newen[9] da organização mapuche contra as empresas extrativistas.

As comunidades exigiram que se respeite a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a opinião do Serviço Nacional de Turismo, que a considera uma zona protegida. Mas não foram escutadas. A empresa construiu a central no território Mapuche Quillempan de maneira ilegal, sem permissão das famílias proprietárias e sobre dos Eltuwe[10].

Em 21 de agosto de 2016, um dia antes do assassinato de Macarena, Juan Luengo e Osvaldo Jaramillo Paillán, ligados à empresa RP Arroyo, foram à casa da mulher que teria cedido o terreno onde Macarena e sua família viviam. Lhe exigiram que os tirasse sob ameaça de morte.

Macarena foi assassinada no dia seguente em sua casa em Tranguil. Seu filho de dois anos estava com ela e presenciou tudo. A morte foi registrada na Procuradoria de Panguipulli com o registro de CAUSA RUC N°1600790791-9 e na autópsia do Serviço Médico Legal de Valdivia a cargo de Enrique Rocco Rojas, a causa foi chamada de “asfixia por enforcamento” e disse que seu corpo no apresentava lesões atribuídas a terceiros.

Mas sua família e a Comunidade Newen de Tranguil sabiam que não era um suicídio: a haviam matado. Um ano depois, o especialista médico forense Luis Ravanal realizou uma análise pericial sobre a autópsia de Macarena e questionou o resultado. Na nova autópsia e exame histológico, concluiu que Macarena já estava morta quando foi enforcada, porque a pele de seu pescoço não apresentava lesões vitais normais por enforcamento.

Apenas no final de 2018 a mudança para “descoberta de cadáver” foi alcançada, mas 3 anos após o assassinato a investigação não avançou.

Dois meses depois do assassinato de Macarena, a empresa informou em seu site que a construção da hidroelétrica havia sido concluída. Apesar disso e das múltiplas estratégias da empresa para gerar divisionismo e terror na comunidade, a casa de Macarena segue no mesmo lugar e Rubén, seus filhos e a comunidade Newen de Tranguil continuam resistindo.

O corpo de Macarena

Quando Macarena apareceu morta, as mulheres organizadas e lesbofeministas foram as primeiras a denunciar que ela havia sido assassinada e que isso representava um feminicídio empresarial: a mataram por ser uma mulher mapuche e por defender os bens comuns das empresas que saqueiam o território.

Em um dos registros audiovisuais da mobilização de 1º de agosto, Macarena pode ser vista colocando o corpo contra uma van para que não avance. Pequena e imóvel ao lado de um carabinero que carrega duas cabeças. Não grita, não faz gestos grandiloquentes, quase não se vê seus lábios se mexerem, mas está lá, inquieta e firme como una montanha cuidando do leito de um rio.

Com o femicídio de Macarena, são expressas múltiplas mensagens que podem ser lidas na chave de uma gramática das violências, que usa o corpo como um território de disputas. Os corpos das mulheres mutiladas, assassinadas, violadas.

De seu lugar de mulher mapuche, Macarena Valdés vivia para conservar a ñuke mapu, produzir seus próprios alimentos e conviver com seu entorno. Macarena, cuidadora da vida. Está guardada na memória viva de Wallmapu e quer transcender fronteiras para que sua morte não fique impune.

>> Palavras/Expressões em idioma mapuche

[1] Ñuke Mapu – mãe terra

[2] ngen – espíritos da natureza

[3] ruka – casa

[4] trawün – reunião, assembleia

[5] mapudungun – idioma mapuche

[6] lamgen -irmã/irmão

[7] werkén – mensageiro, porta-voz

[8] Koyagtun – Parlamento

[9] newen – força

[10] Eltuwe – cemitérios

[11] wallmapu – território mapuche

Radio Kurruf – radiokurruf.org

Tradução > keka

agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala de rosa
no vento
ah, uma borboleta

Rogério Martins