Carlo Giuliani Presente!!!

20 DE JULHO DE 2001-2026

20 de julho de 2001: Na Itália, a polícia fascista mata o Companheiro Carlo Giuliani na contra-cúpula do G8 em Gênova.

Carlo, como tantxs companheirxs em todo o mundo, faz parte de nossa história de luta e resistência anárquica e subversiva ao podre mundo do existente.

De Santiago a Buenos Aires, de Montevidéu a Gênova, o mesmo grito se escuta em nosso irrenunciável caminho de confronto:

MORTE AO ESTADO

VIVA A ANARQUIA!

agência de notícias anarquistas-ana

Em dia chuvoso
Urubu na campina
Voando sem rumo.

Gabriela Affonso Greco – 14 anos

Pré-venda: Uma casa de santo anarquista

É com grande satisfação que nós, da Editora Terra sem Amos, lançamos Uma casa de santo anarquista, de Rafael Garcia Madalen Eiras. A obra propõe uma leitura decolonial das religiões de matriz africana, aproximando as práticas comunais dos terreiros das tradições anarquistas e do comunalismo africano.

Ao longo do livro, a casa de santo é pensada como um espaço de resistência ao colonialismo, ao racismo e às formas autoritárias de organização social. Temas como ancestralidade, ajuda mútua, ação direta e autonomia atravessam a reflexão, mostrando que os terreiros preservam experiências coletivas que por vezes escapam à lógica do Estado e do capitalismo.

O livro tem o valor de R$ 17,00, com frete grátis para todo o Brasil. Durante a sua pré-venda, acompanha o pôster “Salve a banda de quem pode mais“.

Adquira o seu exemplar em tiny.cc/casadesanto!

agência de notícias anarquistas-ana

Caminho da escola
Passa um beija-flor
Para onde foi?

Eduarda Aparecida Miranda – 09 anos

[Itália] Carlo Giuliani

Há 25 anos, entre 19 e 22 de julho de 2001, os dias dramáticos do G8 em Gênova deixaram uma marca permanente na nossa memória com os confrontos e a devastação da cidade, o assassinato de Carlo Giuliani e o ataque na escola Diaz realizado pela polícia.

No dia em que Giuliano morreu, eu fiz esta ilustração para “Il Messaggero” (foi distribuída pelo mundo inteiro e também pela C&W Syndicate). Um desenho que foi utilizado mais tarde e serviu de inspiração para cartazes em vários eventos, mas também como uma ideia que foi amplamente apropriada por outros autores.

Arte & texto by Marco De Angelis

agência de notícias anarquistas-ana

Papagaio esperto –
Ao ver a laranja
Dispara a falar.

Pamela Cruz Machado – 10 anos

“Matrona Imoral”: breve biografia de Gilka Machado (1893-1980)

Gilka da Costa de Melo Machado (1893-1980), mais conhecida como Gilka Machado, foi uma poeta e escritora afro-brasileira. Foi uma das primeiras escritoras brasileiras a escrever poesia erótica no país. Suas poesias foram consideradas imorais e ela ficou conhecida na imprensa conservadora como a “matrona imoral”.

Gilka Machado casou-se com o poeta Rodolfo de Melo Machado (1885-1923) e teve dois filhos: Helios e Hélia, que se tornou uma das maiores bailarinas e atrizes do país sob o nome de Eros Volúsia (1914-2004).  Gilka Machado publicou o primeiro livro em 1915, Cristais Partidos. Logo depois a escritora publicou: A revelação dos perfumes (1916), Estado de alma (1917), Poesias (1915–1917) e Mulher Nua (1922). Em 1933, ganhou um concurso que a escolheu como a melhor poeta do século 20.

Gilka Machado nunca se disse anarquista. Porém, sempre foi muito lida e admirado pelos operários, libertários e socialistas. Além disso, a escritora tinha em seu círculo de amizade libertários e libertárias conhecidos como José Oiticica, Edgar Leuenroth, Maria Lacerda de Moura, Pereira da Silva, Elysio Carvalho, Manoel Bomfim e Raimundo Reis. A escritora era próxima a Maria Lacerda de Moura.  Em carta a anarquista feminista e individualista Maria Lacerda de Moura, Gilka Machado criticava as feministas de elite:  “quando a miséria nos acirra, é inútil recorrer a uma patrícia: ela não tem noção da caridade (que eu diria, solidariedade), do dever humano e só protege em dias determinados, por meio de chás concertos e requebros de tango; para elas a desgraça sempre é motivo de divertimento”.

Gilka Machado chegou a ser entrevistada pelo jornal A Plebe na década de 1910, onde demonstrou vários pontos em comum com o pensamento anarquista: aversão a política tradicional; aversão aos partidos políticos; e aversão ao poder patriarcal. Muitos jornais divulgaram palestras e conferências de Gilka Machado em associações e sindicatos obreiros. Gilka renegou convites para entrar na Academia Brasileira de Letras.  O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade definiu Gilka Machado como uma anarquista romântica, pois havia muito mais que sensualismo e erotismo na sua poesia. Havia preocupação social, de acordo com Drummond.

A escritora ganhou o Prêmio Machado de Assis em 1979. Devido ao preconceito da sociedade, como também o dos seus pares escritores, Gilka Machado escondia com pesada maquiagem clara seus traços negros. O escritor Afrânio Peixoto, ao visitá-la um dia, se surpreendeu com a habitação da escritora e com a verdadeira cor de pele de Gilka Machado afirmando que a escritora era, na verdade, uma “mulatinha muito escura”. Gilka da Costa de Melo Machado morreu em 10 de dezembro de 1980, no Rio de Janeiro.

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Humberto. Diário Íntimo.

MOURA, Maria Lacerda. A Mulher é uma Degenerada.

PLEBE, A. ano:1917

KARLLOS, JR. Brasil Negro Insurgente. Monstro dos Mares. 2026.

Autor:

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

BLOG PLUMA NEGRA: https://plumahnegra.blogspot.com/

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livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Reino Unido] Em memória do G8 de Gênova

Vinte e cinco anos depois de quase ter sido morto na invasão da Escola Diaz, estou voltando à cidade como convidado de honra do prefeito
 
Mark Covell ~
 
A partir deste fim de semana, a cidade de Gênova comemora o 25º aniversário dos protestos do G8 de 2001. Estima-se que pelo menos 20 mil italianos participem de uma série de eventos, manifestações e conferências em memória dos protestos históricos, do assassinato de Carlo Giuliani, da invasão da Escola Diaz e das torturas no quartel da polícia de Bolzaneto.
 
Como parte da programação, o movimento europeu “No Kings” e a “Global Sumud Flotilla” realizarão suas conferências em Gênova. Espera-se que uma manifestação antifa hoje atraia milhares de pessoas. No dia 20 de julho, todos se reunirão na Piazza Alimonda para relembrar a morte de Carlo, e o filme “Diaz: Não limpem este sangue” será exibido para um público convidado no Palazzo Ducale. Na noite do dia 21, haverá uma manifestação à luz de velas na Escola Diaz.
 
Então, o que aconteceu em Gênova e por que isso é importante?
 
Em 30 de novembro de 1999, em Seattle, a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio foi interrompida com sucesso por mais de 60 mil manifestantes, impedindo o início de uma nova rodada de negociações comerciais para promover o neoliberalismo destrutivo. O Indymedia nasceu nas ruas de Seattle e, alguns meses depois, tornei-me jornalista do Indymedia UK.
 
Avançando para julho de 2001, após protestos em massa em Praga, Londres, Gotemburgo e Davos, mais de 250 mil manifestantes se reuniram na cidade portuária italiana de Gênova, onde a reunião do G8 estava sendo realizada no Palazzo Ducale. Bush, Blair e Putin estavam todos lá. Eu também estava lá, fazendo parte da iniciativa global do Indymedia.
 
Naquela época, o movimento de ação direta contra o neoliberalismo estava sendo ofuscado por uma coalizão maior e menos radical de ONGs, como a Drop the Debt. O Fórum Social de Gênova era uma rede que reunia mais de 900 dessas organizações presentes. É claro que grupos mais militantes, como os “Macacões Brancos” do Ya Basta e grupos de afinidade anarquistas, também estavam presentes.
 
Do lado do G8, 22 mil militares e policiais foram mobilizados para a cúpula de três dias. O centro da cidade foi isolado e designado como “Zona Vermelha”, com uma política declarada de atirar para matar. 400 mil genoveses tiveram que sair da cidade enquanto o anel de aço se fechava ao redor do centro da cidade naqueles dias quentes.
 
A manifestação dos imigrantes na quinta-feira transcorreu pacificamente, mas, enquanto todos se preparavam para a sexta-feira, uma estratégia de tensão pairava no ar. Como diriam mais tarde os italianos, a “guerra do fim de semana” havia começado. O movimento dos movimentos teria sido levado a uma armadilha? Ou os manifestantes conseguiriam impedir a realização da cúpula do G8? Para resumir uma longa história, foi a primeira opção.
 
A Anistia Internacional descreveria a Cúpula do G8 em Gênova como a “maior suspensão dos direitos democráticos em um país ocidental desde a Segunda Guerra Mundial”. Na sexta-feira, 20 de julho, a repressão policial nas ruas foi sem precedentes. A polícia atacou e lançou gás lacrimogêneo contra todos os diferentes grupos que participavam do protesto. A polícia lançou gás lacrimogêneo de helicópteros contra o ponto de encontro da marcha pacifista, investiu contra os “Macacões Brancos” e a “Network for Global Rights” antes mesmo que eles iniciassem suas ações e empurrou deliberadamente parte do “black block” para dentro do ponto de encontro pacifista a fim de provocar confrontos.
 
Na Piazza Alimonda, a polícia matou a tiros Carlo Giuliani, de 23 anos, e depois passou de ré sobre seu cadáver. Carlo nunca obteve justiça em um dos casos de homicídio mais controversos da Itália.
 
No dia seguinte, a polícia atacou parte da marcha em massa sem motivo algum, e as ruas ficaram novamente cheias de gás lacrimogêneo. Em seguida, na noite de sábado, a polícia invadiu a Escola Diaz, um dos locais de acomodação onde os ativistas dormiam naquele momento. Eles espancaram todos a tal ponto que a maioria das vítimas teve que ser carregada em macas para fora da escola.
 
De acordo com o depoimento de uma pessoa que conseguiu fugir antes de ser presa, as pessoas estavam deitadas no chão gritando “sem violência” quando a polícia invadiu o primeiro andar, onde ele se encontrava, e espancou as pessoas com tanta violência que um dos policiais teve que intervir para impedir o massacre.
 
Os promotores de Gênova e os policiais réus passariam a descrever a operação contra a Escola Diaz como um “açougue mexicano”. Outro local de horror foi o quartel da polícia de Bolzaneto, “onde todas as leis foram suspensas e as vítimas entraram em um lugar muito sombrio”, onde enfrentaram tortura pelas 72 horas seguintes.
 
Nos 11 anos seguintes, investigações exaustivas levaram a dois julgamentos policiais, nos quais 25 comandantes e policiais de alto escalão foram condenados por tortura e violação dos direitos humanos, uso de armas militares, destruição de provas, obstrução da justiça, prisão ilegal e falso testemunho. No Julgamento de Bolzaneto, 40 policiais e 2 médicos foram condenados por tortura e outros crimes, com os juízes afirmando que Gênova foi o “dia mais negro da história da força policial”. Vinte e cinco manifestantes também foram julgados, e 11 condenados, em um julgamento político e corrupto.
 
Na Itália, costuma-se dizer que houve um “antes de Gênova” e um “depois de Gênova”, quando o país deixou de ser governado pela velha classe política para passar a ser governado por figuras como Berlusconi e partidos de extrema direita, como a Lega Nord e a Alleanza Nazionale.
 
Nos próximos dias, os eventos se concentrarão não apenas no passado, mas na necessidade de analisar a mensagem do G8 de Gênova no contexto da atual crise dos refugiados, causada pelo colapso da globalização corporativa americana, 25 anos de guerra global e o advento do caos climático.
 
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/07/18/genoa-g8-remembered/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/29/italia-a-memoria-de-ontem-para-os-desafios-de-hoje-25-anos-do-g8-de-genova/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/07/21/italia-genova-centenas-de-pessoas-na-praca-alimonda-em-memoria-de-carlo/
 
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Pertinho do quarto
O canto do sabiá.
E dá pra dormir?
 
André dos Santos- 09 anos

[Argentina] Homenagem aos 90 anos da Revolução Espanhola

Este ano, no contexto dos 90 anos da Revolução Social Espanhola, nós, da Federação Libertária Argentina (FLA), realizaremos um evento aberto em nossa sede no sábado, 18 de julho, às 19h.

Essa data tem um significado especial para nós, pois durante a Revolução Social Espanhola, a FLA (que, na primeira metade da década de 1930, chamava-se Federação Anarco-Comunista Argentina – FACA e, em 1955, passou a adotar o nome atual) participou e apoiou ativamente essa gesta revolucionária.

Por esse motivo, a editora Reconstruir, selo editorial da FLA, publica dois livros sobre essa importante experiência revolucionária. Os dois livros foram editados especialmente para esta data e serão apresentados no dia do evento “Homenagem à Revolução Espanhola aos 90 anos“:

O primeiro é uma pesquisa de um companheiro da FLA e do coletivo Ácratas de Salta, intitulada: “José Puertas, Un anarquista salteño en la Revolución Social Española“. Filho de imigrantes espanhóis, Puertas nasceu em Salta (no norte da Argentina), mas ainda muito jovem sua família retornou à Península Ibérica, especificamente ao País Basco. Lá, passou boa parte de sua adolescência e, com o passar do tempo, forjou sua própria história como militante anarquista em uma Espanha em turbulência. Essa região estava imersa em um processo pré-revolucionário, com os setores conservadores preparados para derrubar a Segunda República Espanhola. O golpe de Estado, consumado em 1936, deu início à Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 a 1939, mas, paralelamente ao conflito, desenvolveram-se diversas experiências revolucionárias. Nesse contexto, Puertas teve de empunhar um fuzil para defender essas experiências e combater as forças fascistas.

O segundo livro reúne duas pesquisas realizadas pelas companheiras Nadia Ledesma Prietto e Gisela Manzoni. Os trabalhos são intitulados: “Una hebra en la urdimbre transnacional: Trayectoria ácrata de Ana Piacenza/Nita Nahuel entre Argentina y España” e “En un mundo de Mujeres Libres ¿por qué no anarquizar el feminismo?“. O primeiro artigo busca dar visibilidade e questionar a história das lutas pela emancipação feminina. Nele, é reconstruída a militância anarquista de Ana Piacenza (1906-1972), uma trajetória pouco lembrada. Ana participou ativamente da formação da FACA. Em 1936, ela viajou para a Espanha para colaborar na Revolução, e suas contribuições foram importantes em organizações como as Mulheres Livres, o jornal “Tierra y Libertad” e a rádio da CNT–FAI, entre outros espaços. Nas décadas seguintes, já na cidade de Rosário (Argentina), ela continuou comprometida de forma incansável e impulsionou a formação de novos espaços, como a União das Mulheres Socialistas Libertárias. A reconstrução biográfica é acompanhada por uma série de fotografias que testemunham sua passagem por Barcelona em 1937. A tudo isso, acrescentamos a transcrição integral dos diversos artigos que Ana Piacenza divulgou em publicações militantes da época. Já o segundo artigo aborda o papel das mulheres durante a revolução espanhola e as razões para criar espaços fora das organizações sindicais ou políticas, bem como os debates que elas tiveram de travar, inclusive dentro das organizações ideologicamente afins.

Este último livro será apresentado durante a Homenagem aos 90 anos da Revolução Espanhola, no dia 18 de julho, na presença de suas autoras.

Além disso, durante essa homenagem, haverá leitura de textos de Ana Piacenza, música ao vivo com “Gaita rebelde” e “Flamenco revolucionário“, feira de livros e comida para compartilhar.

@federacionlibertariaargentina

editorialreconstruir@disroot.org

federacionlibertariaargentina@disroot.org

http://www.federacionlibertariaargentina.org/

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Algo de dança
nas algas,
quase canção dos corais.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] 19 de julho, 90 anos da utopia vivida

Apesar de todos os contratempos e erros, a revolução espanhola teve o mérito de se concretizar. A obra revolucionária das coletivizações será sua marca indelével no espaço e no tempo.

José Peirats.

O golpe de Estado de 17-18 de julho de 1936 e a guerra que se prolongou oficialmente até 1º de abril de 1939 constituem um dos fatos mais reinterpretados da história da Espanha, se nos limitarmos à questão puramente bélica. Mas, se falarmos do processo revolucionário que surgiu e acompanhou todo o conflito, o silêncio se impõe de tal forma que, noventa anos depois, ele continua sendo desconhecido para uma imensa maioria.

Em 19 de julho de 1936, poucas horas após a revolta militar, as trabalhadoras e os trabalhadores das organizações operárias saíram às ruas de Barcelona e de outras capitais provinciais, mas também em muitas cidades e vilas da Espanha, para impedir o golpe militar. Sua determinação frustrou, a princípio, as intenções criminosas de um exército experiente nas guerras coloniais do Rif e do norte da África.

Não se deve esquecer que o golpe de Estado foi uma conspiração militar e política promovida pelas classes privilegiadas: a oligarquia econômica e aristocrática — grandes empresários, rentistas, latifundiários e grandes proprietários de terras —, a elite da Igreja Católica e a direita política mais reacionária. E que contou com o apoio dos regimes fascista italiano e nazista alemão, uma ajuda que chegou muito antes do início do golpe de Estado; com grandes somas de dinheiro, material de guerra, além de assessoria militar e dos serviços de inteligência.

Hoje continuamos relembrando os heroicos acontecimentos insurrecionais que conseguiram colocar de joelhos todo um exército bem armado, mas também a Revolução Social que o povo trabalhador protagonizou a partir de então. O que aconteceu na Espanha daqueles anos representa uma das maiores conquistas sociais da história recente. Naquele breve período, e em plena guerra, desenvolveram-se muitas das fórmulas organizacionais e econômicas promulgadas pelo anarquismo e pelo anarcossindicalismo.

Em grande parte do território leal à República — em cidades como Barcelona, Madri e Valência, em municípios de médio porte, mas também em vastas áreas rurais de Aragão, Castela, Catalunha e Levante —, as instituições do Estado foram tomadas; prefeituras e governos regionais, bem como as forças armadas e o próprio exército, ficaram subordinados à vontade popular. Foram organizadas Colunas de milicianos, com trabalhadores voluntários — embrião do Exército Popular da República —, que conseguiram deter o avanço do exército fascista, definindo e delimitando as diferentes frentes de guerra.

Surgiram organismos revolucionários como os Comitês Revolucionários Locais, inicialmente, e depois os Conselhos Municipais. Em nível regional, foram criadas estruturas maiores, como o Comitê de Milícias da Catalunha ou o Conselho de Aragão, entre outras. Os meios de produção foram socializados, a propriedade da terra foi coletivizada, assim como a indústria: fábricas, oficinas etc. A economia ficou sob controle dos trabalhadores. A experiência organizacional, proveniente em grande parte do Movimento Libertário, contribuiu para realizar grandes transformações sociais, dando prioridade aos escassos serviços de saúde e ao acolhimento social de idosos, órfãos e refugiados de guerra. Vale destacar que tudo o que se relacionava à cultura recebeu atenção especial da Revolução, com prioridade para a educação; deu-se impulso à frágil infraestrutura criada recentemente pela República, além de se organizar um sistema educacional próprio, criando escolas onde elas eram inexistentes. O cinema e o teatro também receberam grande atenção, favorecendo a chegada dessas artes às zonas rurais e aos vilarejos mais remotos, além de toda uma rede de bibliotecas públicas, como a que foi criada em Fraga, a primeira na história da cidade.

Por essa razão, nós, do Movimento Libertário, sempre mantivemos viva a memória, insistindo na lembrança da Revolução Social de 19 de julho de 1936; alguns de nós fazemos isso longe da autocomplacência e de qualquer dogma. Estudamos seus acertos e erros; aprendemos com o que a classe trabalhadora é capaz de alcançar quando toma consciência e se organiza; quando o faz pelo bem comum, à margem de qualquer estrutura de poder e questionando as decisões das burocracias e dos líderes improvisados.

O anarquismo está profundamente enraizado na Espanha. O orgulho e a resistência são valores próprios do nosso povo. Entre nós, a anarquia é uma atitude natural que nasce da rebeldia contra a injustiça. Não é uma teoria. O ser humano, em qualquer época, sempre terá esse espírito de rebeldia. Abel Paz

Das Terras Baixas do Cinca

Fraga, 14 de julho de 2026

Centro de Estudos Libertários José Alberola

centrodeestudioslibertariosjalberola.blogspot.com

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Beira do lago
A mãe ganso e filhotes
Passeiam sem pressa.

Bruno Cercounei – 8 anos

[Grécia] Tirem as mãos de nossos companheirxs | Caso Banco Marfin

Em 5 de maio de 2010, durante uma manifestação multitudinária em Atenas contra as medidas de austeridade, a agência do banco Marfin foi incendiada após o lançamento de artefatos incendiários. Três trabalhadores, que estavam dentro do edifício, morreram como consequência do incêndio. O caso provocou uma profunda comoção na sociedade grega e continua sendo um dos episódios mais trágicos e controversos daquele período. Dezesseis anos após os acontecimentos de Marfin, várias pessoas estão sendo processadas com base em um e-mail anônimo. Este caso levanta sérias dúvidas sobre as garantias do Estado de Direito, especialmente quando a acusação se apoia em uma prova cuja credibilidade foi amplamente questionada. Entre outros elementos, o próprio e-mail apontava como autor dos fatos uma pessoa que, naquela data, estava presa, o que põe em xeque a confiabilidade de seu conteúdo e a solidez das acusações dele derivadas. Em 2011, iniciou-se a primeira investigação a partir de uma nota anônima. Três pessoas foram acusadas; duas foram excluídas do processo em uma fase inicial e a terceira foi finalmente absolvida por unanimidade. Em 2020, uma segunda investigação foi aberta após uma chamada telefônica anônima que apontava outras pessoas como supostos autores. Após uma ampla investigação policial, o caso foi arquivado sem resultados.

A MANOBRA ESTATAL NÃO PASSARÁ. TIREM AS MÃOS DE NOSSOS COMPANHEIRXS

O 5 de maio de 2010 ficou gravado na memória coletiva como um dia de rebelião social generalizada, um dia que condensa uma enorme onda de resistência e questionamento ao regime do memorando. É o dia em que os caciques políticos e econômicos, o Estado e o capital, tentaram erguer uma lápide e apagá-lo da memória histórica do movimento. Dezesseis anos depois, a quadrilha estatal de pessoas impenitentes tira da gaveta um caso judicial (que terminou com a condenação da patronal do banco), iniciando outra caça às bruxas. Aproveitando-se da situação atual, de forma seletiva e hipócrita, após os recentes acontecimentos de Tessalônica [caso de artefatos explosivos com a morte da mãe de uma política do partido Nova Democracia], tenta conciliar fatos desconexos – separados por dezesseis anos – com o denominador comum da ação anarquista. Assim, em 10/07, começa outro pogrom, com buscas e apreensões nas casas dos companheiros, detendo dois deles, enquanto é emitido um mandado de prisão contra outra pessoa que mora no exterior há anos. Retomam o discurso do terrorismo, com o objetivo de mudar a agenda, após as consultas governamentais para eleições antecipadas, numa tentativa de desorientar a sociedade. Falam do valor da vida humana. Mas, afinal, todas as vidas valem o mesmo?

Ao mesmo tempo, um jovem de 20 anos é declarado com morte cerebral por disparos da ELAS [Polícia Grega] após uma perseguição [um jovem de 20 anos diagnosticado com autismo foi assassinado pela polícia após não parar numa blitz], enquanto 11 trabalhadores são hospitalizados com queimaduras graves, 3 deles intubados após uma explosão numa indústria de Aspropyrgos [subúrbio de Atenas]. Dois episódios a mais de uma guerra social e de classes encarniçada. Dois casos a mais na longa lista de violência do Estado e dos patrões. A violência assimétrica de um sistema que, por mais que proclame defender a vida, na verdade propaga a exclusão e a marginalização, a miséria e a exploração, a imigração e os refugiados, a guerra e a morte ao longo do tempo.

E a verdade é que, olhando para trás, a lista é pesada: desde os trabalhadores da VIOLANDA assassinados [cinco mortos em incêndio de fábrica de biscoitos], os 57 assassinados em Tempe [“acidente” ferroviário – crime estatal na Tessália], os mais de 500 (será que, quantos e quantas foram?) nos restos do naufrágio de Pilos, as centenas assassinadas em acidentes industriais só no último ano. E olhando a lista, a lista é avassaladora… Como compensar os milhares de assassinados no genocídio que está ocorrendo na Palestina, os assassinados pelas guerras que ensanguentaram mais uma vez o mapa da vizinhança? Isso não é possível. Não nos acostumaremos com a morte.

Por mais lágrimas de crocodilo que derramem, não conseguirão lavar o sangue de seus crimes. Por muitos encarceramentos, conspirações, torturas e represálias estatais que desencadeiem contra o movimento e os combatentes, a vida e a resistência continuarão pulsando nas lutas sociais e de classe de cada época, em cada continente. É nessas lutas que a sociedade ainda permanece viva, de pé diante dessa distopia.

Ouvimos muito durante tantos dias. Devemos erguer a voz também. Diante da monotonia da propaganda estatal e da imundície de seus capangas, somos nós quem melhor podemos falar sobre a trajetória política de nossos companheirxs. Uma trajetória rica em lutas coletivas e ações desinteressadas para derrubar a barbárie do capitalismo de Estado: lutas estudantis contra a lei Arsenis, mobilizações contra a guerra do Iraque, o movimento estudantil de 2006-2007, projetos de ocupação e ação política nos bairros, lutas pela defesa da natureza, organização e reivindicações trabalhistas. Pertencemos à mesma geração política, crescemos juntos e não desejávamos nos tornar nem chefes nem mimados, nem dirigentes de partido. Nem por um instante aceitamos nossa condenação a uma vida de austeridade imposta para os de baixo, com o fim de que uns poucos se enriquecessem. Nesse caminho, nos encontramos juntos inúmeras vezes, e uma delas foi o levante massivo de meio milhão de manifestantes no centro de Atenas em 5 de maio de 2010, contra a imposição de seus memorandos antissociais.

Apoiamos incondicionalmente nossos amigxs e companheirxs, que têm nome e trajetória, vida e sonhos, e que foram nossos valiosos companheirxs em todos os momentos. Uma vida inspirada nos valores de solidariedade, resistência e auto-organização, dos quais nos orgulhamos, assim como nossos companheirxs. A ética, o espírito de luta e a constituição política do nosso povo ficam completamente desacreditados com as acusações que lhes são imputadas e que os vinculam à indiferença pelo valor da vida humana.

Aqueles que se atreveram a perturbar e aterrorizar as famílias de nossos companheirxs pagarão por isso. O governo e os meios de comunicação corruptos que tentam impor sua agenda pré-eleitoral de lei e ordem sobre a vida de nossos companheirxs, sobre a criminalização de todo um movimento de resistência, serão derrotados.

Pertencemos ao movimento que pagou um alto preço por sua decisão de persistir, resistir, lutar e combater: detenções preventivas incríveis de 18 meses, longos períodos de reféns e encarceramentos, tortura e perseguição, até mesmo com o sangue de nossos companheirxs. Nossas contas com o sistema de injustiça e barbárie continuam em aberto.

Fomos, somos e continuaremos sendo um espinho cravado em todo poder.

SÓ RESISTINDO, LUTANDO E LUTANDO PODERÁS TER ESPERANÇA

Anarquistas e companheirxs dos acusados em mais uma conspiração estatal.

Fonte: https://alasbarracidas.org/noticias/node/59215

Tradução > Liberto

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Forte ventania
na janela da escola.
Param as conversas.

Livia Antônio da Rocha – 9 anos

[Itália] Espanha ‘36 a utopia se faz história

Noventa anos atrás, aquela experiência única representada pela revolução espanhola tornou possível que operários, mulheres, camponeses e proletários tomassem as rédeas de suas próprias vidas, combatessem o fascismo e esvaziassem de significado o pálido reformismo da República, fazendo vislumbrar a brilhante realidade da solução libertária, tornando concreta a utopia. Tudo isso foi possível porque as forças verdadeiramente revolucionárias do anarquismo social estavam poderosamente organizadas na Federación Anarquista Ibérica, e estavam em profunda sintonia com o proletariado, organizado em sua maior parte na Confederación Nacional del Trabajo, expressão direta de um mundo concretamente alternativo ao capitalista. A relação entre FAI e CNT baseava-se no dualismo organizativo entre organização específica e organização de massa que, de Bakunin a Malatesta, é um dos traços característicos do anarquismo social.

Vivemos tempos diferentes, mas ainda hoje os anarquistas estão presentes nas lutas, ao lado dos explorados, daqueles que sofrem com a chantagem, a miséria, a repressão. Nossa perspectiva permanece intacta. Cabe a nós comunicá-la com eficácia, dialogar com as lutas, imprimir radicalidade às reivindicações, alimentar as esperanças de uma mudança real e profunda. Tivemos a revolução em nossas mãos, vimos um ideal se realizar. Se aconteceu, significa que é possível. Se é possível, significa que é preciso criar as condições para que o que é possível se torne realidade. Com a solidariedade, com o trabalho de massa, com o fortalecimento de nossos instrumentos organizativos. Para romper as trevas da exploração, da opressão, da guerra. Para que haja um longo verão da anarquia.

Bom verão.

A Redação do Umanità Nova

Fonte: https://umanitanova.org/spagna-36-lutopia-si-fa-storia/

Tradução > Liberto

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Poça de água
Banho do canarinho
Perto da janela.

Eliton Lucas Wagner – 10 anos

[Espanha] Apresentação do álbum “19 de julho. Espanha” e visita guiada à exposição “A chama, sempre viva, da Revolução Social”

No próximo domingo, 19 de julho, às 12h, será apresentada na sede madrilenha da Fundação Anselmo Lorenzo a edição fac-símile do álbum “19 de julho. Espanha”, publicado originalmente pelas Oficinas de Propaganda da CNT-FAI poucos meses após a derrota da revolta militar em Barcelona.


Após o término da apresentação, por volta das 13h, será realizada uma visita guiada à exposição “A chama, sempre viva, da Revolução Social”; exposição comemorativa do 90º aniversário da Revolução Espanhola (aberta ao público apenas até 20 de julho).


Após a visita guiada, desfrutaremos de um lanchinho na área do bar da Fundação, com o qual celebraremos de maneira descontraída a recuperação desta pequena joia das artes gráficas anarquistas.


***


Para o movimento libertário, poucas datas têm um significado tão especial quanto o dia 19 de julho. Exatamente nesse dia, em 1936, o povo de Barcelona derrotou os golpistas em sua cidade, comemorando uma vitória que abria um horizonte de possibilidades infinitas. Essa mesma vitória se repetiu em outras cidades e vilas onde o fascismo não triunfou de imediato.


Apenas alguns meses depois, as Oficinas de Propaganda da CNT-FAI apresentaram ao público um álbum fotográfico, intitulado “19 de julho de 1936. Espanha”, que registrava a efêmera vitória do proletariado. O livro, que pode ser lido como uma crônica gráfica dos primeiros meses de guerra e revolução, combina fotografias — algumas delas tiradas por Margaret Michaelis (1902-1985) ou Antoni Campañà (1906-1989) — e textos em cinco idiomas: espanhol, francês, inglês, alemão e sueco.


Em 2026, a Fundação Anselmo Lorenzo (FAL), fundação cultural e centro documental da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), relança o álbum e o disponibiliza a todo o público interessado. Sem dúvida alguma, trata-se de uma joia das artes gráficas — operárias e anarquistas — que volta a ver a luz no 90º aniversário da Revolução Social.


fal.cnt.es


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De papel de seda
Vai subindo, vai subindo
O meu balãozinho.


Jennifer Codognos – 10 anos

[Chile] Jornada: Fumiko Kaneko – 100 anos desde seu fogo

A memória anárquica é teimosa e inquieta, impossível de ser confinada justamente porque nossa memória negra visa destruir todas as jaulas, inclusive aquelas nas quais caímos por inércia. Mas, como todas as nossas práticas exercitam a memória, esta, tal como um músculo fortalecido, é capaz de atravessar cem anos, um oceano e uma infinidade de diferenças culturais para alcançar ambientes e companheiros que nem mesmo o manto do tempo é capaz de ocultar.


Há um século, em um território assolado pela invasão da industrialização, uma companheira niilista decidiu seu próprio destino em uma cela do Império Japonês. Essa companheira, Fumiko Kaneko, desde criança foi assediada por diferentes manifestações do poder: sua família a expôs a diversas humilhações, seu pai se recusou a reconhecê-la legalmente numa época em que a validação era tudo, e uma sociedade inteira a relegava a um papel servil e desprezível por ser mulher. Apesar de estar tomada pela raiva e pela frustração, ela soube navegar por esse mar até encontrar as afinidades que a equipariam com o necessário para enfrentar um mundo incompatível com ela.


Em 1923, ela foi acusada, juntamente com seu companheiro, o anarquista coreano Pak Yol, de ter conspirado para atacar a família imperial com bombas caseiras. Após serem condenados à morte sob a acusação de “alta traição”, receberam um perdão imperial que converteu sua pena em prisão perpétua. Fumiko rasgou o perdão em pedaços e, como último ato de resistência, se enforcou na cela que não conseguiu contê-la.


Em homenagem a Fumiko Kaneko, a Luisa Toledo e a todos aqueles que decidiram seu próprio destino, navegando pela vida ou pondo fim a ela… Tempestade, vento e fogo, insubordinação e guerra total contra toda forma de exploração!


Domingo, 19/07/26
Exibição do filme “Anarchist from Colony”


Domingo, 26/07/26
Exposição de fotos e artes gráficas: Anarquismo no Japão
Afinidades do Dragão Negro
Apresentação de textos e bate-papo
Refeição: Veggie Ramyun mutante
17h (pontualmente) | Arrecadação de doações para presos | Endereço por e-mail (Santiago)


CONVOCA:

Biblioteca Anárquica Nihil Sebastián Oversluij Seguel
biblioangryantiso@riseup.net / biblioangry.noblogs.org


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Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho


Matsuo Bashô

[Chile] Aniversário de nascimento de Emilia Milen 1995-2021

Há 31 anos, num dia como hoje, nasceu nossa companheira Bau; nós a lembramos, honramos e reivindicamos sua trajetória em defesa da terra, das águas, das pessoas e dos animais.


Já se passaram cinco anos desde seu assassinato e continuamos celebrando sua existência rebelde, anarquista, guerrilheira e combativa. Nunca a partir de uma postura de mártir, pois ela, com lucidez, mantinha-se em guerra constante contra esse sistema patriarcal, capitalista e antropocêntrico; sabia das consequências de se posicionar, de agir. Por isso mesmo, era muito estudiosa, disciplinada e perseverante. Também coletivista, ela sempre buscou, apesar de suas próprias decisões, construir uma comunidade marica e, em seus últimos anos, uma comunidade em torno do kimun ancestral mapuche.


Sua vida, como a de muitos que trilham o caminho da luta, permaneceu em risco até o dia de sua morte. E não apenas por reivindicar e revitalizar o kimun mapuche, mas também por ser uma mulher trans, travesti visível e defensora contra todas as formas de dominação.


Agradecemos por sua passagem por esta terra, por todos os seus ensinamentos e pela coragem que nos demonstrou em suas decisões.


Amaldiçoaremos para sempre seus assassinos, todo o poderoso que destrói a terra, os animais e os defensores da terra.


Sua memória continuará viva no weichan, companheira!


Emilia Milen Presente!


La Zarzamora


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Ao pôr-do-sol
O brilho humilde
Das folhas de capim.


Paulo Franchetti

[Itália] Ciao Sole, Ciao Baleno

Hoje homenageamos “Sole” e “Baleno”, anarquistas que cometeram suicídio na prisão de Turim em 1998


Em 28 de março de 1998, Edoardo Massari (“Baleno”), um anarquista de 35 anos que vivia em ocupações, tirou a própria vida na prisão de Vallette, em Turim.


Em 11 de julho de 1998, sua companheira Maria Soledad ROSAS (“Sole”), que se encontrava em prisão domiciliar em Benevagienna, seguiu o mesmo caminho.


“Sole” havia deixado escrito:


Eles nos querem mortos, porque somos seus inimigos.
E não sabem o que fazer de nós, porque não somos seus escravos”.


Os dois jovens foram retratados pela imprensa e descritos como “ecoterroristas” por uma infame campanha política difamatória, repleta de falsidades, distorções e insinuações — um processo de criminalização com o objetivo de criar um inimigo público.


CIAO, SOLE, CIAO, BALENO!


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Da janela de casa
Ouço sanhaços cantando
Hora do lanchinho!


Evandro Gomes Sanches – 8 anos

[Itália] Obrigado, muito obrigado a todes.

A quem acreditou em nós, a quem organizou com paixão e paciência; a quem fez os materiais gráficos, a quem fez a sonorização e trouxe o sistema de som; a quem veio, a quem não pôde vir mas gostaria; a quem cozinhou quilos de macarrão e cuscuz; a quem montou e desmontou as mesas para o jantar, os bancos para as conferências e as barracas para a divulgação do pensamento livre.
 
Obrigado a quem contribuiu para animar os debates da tarde e obrigado a quem nos levou para passear pelos lugares do anarquismo carrarino e da resistência anarquista partigiana nos montes da Lunigiana.
 
Obrigado a quem tocou para nós e conosco nas praças do centro e no encerramento da festa, no pátio do círculo anarquista mais antigo da Itália.
 
Obrigado, sobretudo, aos companheiros e companheiras de Carrara e Gragnana, sem os quais nada disso, nestes belíssimos três dias, teria sido possível.
 
E obrigado à Federação Anarquista, que apesar de tudo continua a existir e resistir, representando um outro mundo possível.
 
Tradução > Liberto
 
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Vejo um brilho
Nos olhos do menino
Que vê a fogueira.
 
Bruno Sales – 13 anos

[Espanha] A CGT presta homenagem aos anarquistas de Soria vítimas da repressão em 1936

O Sindicato CGT de Soria prestará homenagem, mais um ano, aos anarquistas vítimas da repressão em 18 de julho, com uma jornada de Memória Libertária no próximo dia 18 de julho. Além da tradicional oferta floral no cemitério do Espino, este ano haverá duas novas atividades: um passeio guiado pela cidade e um concerto.

A jornada começará com um passeio por “La Soria Libertaria”, com partida às 11h da praça Mariano Granados. Nele, serão percorridos os pontos-chave da atividade anarquista no início do século e, durante aproximadamente uma hora, será apresentada a história do movimento anarquista em Soria. Este passeio contará ainda com a participação de Elena de Nicolás ao violão, que proporcionará o acompanhamento musical nas diversas paradas, e será guiado por Daniel Hernández-Marín, autor do fanzine “Anarquistas: O movimento libertário na província de Soria”.

Em seguida, às 12h30, ocorrerá o ato mais solene do dia: a tradicional oferenda floral que os anarcossindicalistas de Soria realizam no muro do cemitério onde foram fuzilados alguns dos pioneiros do movimento libertário de Soria após o golpe de Estado de 1936 e a repressão fascista que se seguiu.

Por fim, em caráter de protesto, o evento será encerrado com a apresentação de Kike Babas e La Desbandá na Praça do Tubo, às 13h. Kike Babas & La Desbandá criam canções com consciência a partir das entranhas do “barrionalismo” poético, com um pé no rocknroll de autor e outro na rumba rebelde. Alheio a clichês, atento apenas ao seu impulso vital, Kike Babas continua desenvolvendo sua já extensa carreira, desafiando ventos e marés para dar testemunho de sua expressividade visceral e da alta intensidade literária de suas letras.

cgt.es

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Escondidinha
na copa da árvore.
Cigarra canta!

Juliana Valéria dos Santos Pinto – 9 anos

[Escócia] Food Not Bombs: Distribuição Anárquica de Alimentos em Queen’s Park

por Liam Smillie


Quatro caixas comerciais vermelhas brilhantes parecem quase resplandecer sob as luzes halógenas da área de entrega de um supermercado, em algum lugar no interior do Southside.


Ker-chunk… Ker-chunk… Ker-chunk…


Um jovem vestido todo de preto se move rapidamente da esquerda para a direita, abrindo as tampas planas de plástico das lixeiras em ritmo perfeito. Observo enquanto três outras pessoas o seguem e se posicionam em cada lixeira. Em silêncio e em uníssono, começam a vasculhar o lixo, retirando sacos de lixo transparentes e separando-os em pilhas distintas.


Já se passaram cinco minutos desde o início da operação. A equipe trabalha com rapidez e silêncio – pegando alimentos em bom estado e colocando-os em mochilas e alforjes de uma bicicleta. Fico em silêncio a alguns metros de distância, observando e ouvindo.


De repente, um dos membros da equipe levanta a mão. A equipe para instintivamente. Antes que tenham chance de fugir, ouvem passos se aproximando de dentro do supermercado. O som da porta de entrega se abrindo ressoa no ar.


“Que porra está acontecendo aqui?!” exclama uma voz com sotaque rude de Glasgow.


Os ladrões foram pegos em flagrante. A equipe não diz uma palavra; em vez disso, agarra freneticamente suas mochilas, dá meia-volta e se afasta rapidamente, ignorando os gritos que vêm atrás deles.


O “bin squad” (esquadrão do “recicle”) faz parte do Glasgow Food Not Bombs; um núcleo independente de um coletivo internacional fundado nos Estados Unidos na década de 1980 como uma “iniciativa de ação direta não violenta” para protestar contra o armamento nuclear, distribuindo comida gratuita a pessoas vulneráveis. Atualmente, há núcleos estabelecidos em mais de 1.000 cidades em mais de 65 países, todos totalmente autônomos uns dos outros. Não há estrutura hierárquica dentro do coletivo, não há líderes nem sede; todas as decisões dentro de um capítulo do grupo são tomadas por consenso.


A atividade noturna que eu estava acompanhando era uma “incursão em lixeiras”, um método de obtenção de alimentos para o Food Not Bombs. As incursões em si se enquadram em uma zona cinzenta legal, embora possam ser consideradas furto segundo o direito consuetudinário na Escócia. Os participantes também podem se meter em apuros por invasão de propriedade, o que muitas vezes é necessário para acessar lixeiras comerciais.


A coleta em lixeiras (recicle por aqui) não é o principal método de obtenção de alimentos do Food Not Bombs. Eles também recebem muito apoio por meio de cestas básicas, tanto do público quanto de organizações como a Green City Whole Foods.


No entanto, o grupo nem sempre pode contar com doações. O ativista (que prefere permanecer anônimo) que liderava a “bin raid” (batalha do recicle) explicou o motivo pelo qual o grupo pratica a busca em lixeiras:


“O recicle é uma ação anticapitalista. Estamos lutando contra o desperdício de alimentos — a quantidade que simplesmente é jogada fora. É um classismo flagrante. Se você está comendo do lixo, está comendo dos lucros deles.”


Pode parecer chocante que as pessoas estejam dispostas a vasculhar o lixo para alimentar outras pessoas – mas, além da motivação política, isso também é visto como uma necessidade na luta contra a fome. Na pesquisa sobre recursos familiares, publicada pelo Departamento de Trabalho e Pensões (DWP) em 25 de março, foi relatado que, entre 2019 e 2020, 43% das pessoas que recebiam o Crédito Universal relataram ter segurança alimentar baixa ou muito baixa. O valor recebido por quem recebe o Crédito Universal não é suficiente para que as pessoas consigam se alimentar; mal sustenta o beneficiário em situação de pobreza.


A Trussell Trust lista as três principais razões para o uso de bancos de alimentos entre 2019 e 2020 como: baixa renda (39%), atrasos nos pagamentos de benefícios (17%) e alterações nos benefícios (15%).


Quase metade de todas as famílias pesquisadas nos bancos de alimentos pela Trussell Trust no verão de 2020 devia dinheiro ao DWP por empréstimos e pagamentos a maior. Além disso, quase três quartos das famílias pesquisadas estavam pagando atrasados com o auxílio mensal, utilizando o “adiantamento” oferecido para cobrir o período inicial de cinco semanas antes do início dos pagamentos do Crédito Universal.


Isso nos leva de volta ao Food Not Bombs, um dos muitos grupos comunitários que atuam no fornecimento de alimentos em Glasgow. O que os diferencia de muitos outros grupos é que eles são abertamente políticos, atuando tanto como um grupo de pressão quanto como um provedor de alimentos. Além disso, oferecem apenas comida vegana e vegetariana. Eles consideram isso essencial, pois tentar seguir uma dieta restritiva como o vegetarianismo (e especialmente o veganismo) é incrivelmente difícil quando se vive em situação de insegurança alimentar.


Toda a comida que eles recolhem das lixeiras é preparada na manhã seguinte, para distribuição no dia depois disso. Os alimentos que utilizam estão protegidos contra contaminação devido ao excesso de embalagens. Cozinhar logo em seguida garante que a comida recolhida não estrague, e os prazos de validade nas lojas costumam ser exagerados por motivos de proteção legal.


“Comida de graça! Haggis de graça!”, grita uma voz solitária com sotaque inglês no Queen’s Park, numa tarde de domingo. É a Flo, orgulhosamente em pé atrás da barraca da Food Not Bombs. Ela protege os olhos do sol da tarde com as mãos enquanto grita para os transeuntes que aproveitam um passeio dominical.


“Estou bem, querida. Mas vocês estão fazendo uma coisa ótima!”, responde uma senhora mais velha, que saiu para passear com dois westies branquinhos impecáveis.


O público no Queen’s Park é, no mínimo, variado: famílias de classe média, jovens descolados, skatistas, góticos, imigrantes recém-chegados de todas as partes do mundo, pessoas que buscam asilo, bem como moradores de rua ou pessoas em situação de vulnerabilidade.


Para que a comida chegue primeiro às pessoas que mais precisam, o grupo envia mensageiros com as refeições de bicicleta, enquanto uma equipe de duas ou três pessoas fica na barraca realizando atividades de aproximação com a comunidade e distribuição de alimentos no parque.


Um desses mensageiros é Rory, que chega de bicicleta logo após a montagem da barraca. Ele é bem mais alto do que todos os outros, vestindo uma peita branca da Hello Kitty enfiada em calças pretas justas, cortadas acima do tornozelo e presas por suspensórios pretos.


Quando perguntado por que estava usando uma peita da Hello Kitty, ele ri e responde: “Sou um cara grande e as pessoas podem se assustar se eu aparecer na frente delas, então uso roupas que não pareçam ameaçadoras, como essa, quando estou fazendo a distribuição. Tenho uma gaveta cheia de camisetas assim!”


Logo em seguida, duas adolescentes se aproximam da barraca de patins, dizendo enfaticamente aos voluntários como o trabalho que estão fazendo é incrível. Elas pegam algumas caixas para distribuir enquanto patinam pelo parque.


Um dos beneficiários é um violinista romeno na casa dos 70 anos, que toca nas ruas a apenas algumas jardas da barraca. Ele toca música desde criança e agora se apresenta todos os dias no Queen’s Park, economizando dinheiro para voltar à Romênia. Ele visita a barraca todos os domingos para almoçar e bater um papo com os voluntários antes de voltar a tocar nas ruas.


Um senhor mais velho se aproxima da barraca, escolhe algumas caixas para ele e sua esposa e diz: “Vocês são pessoas boas por fazerem isso. Vou viajar por alguns meses, mas espero voltar. Espero ver vocês aqui também. O mais importante é continuar por aqui.”


De volta à equipe de catadores de lixo, já há distância suficiente entre eles e o supermercado, o que significa que é hora de dar uma olhada no que foi coletado. Os catadores reuniram oito sacolas de batatas, uma grande quantidade de frutas e legumes variados, além de centenas de biscoitos e chocolates. Tudo será lavado, cozido e distribuído. Em seguida, a equipe sairá novamente, em busca de um novo destino para catar lixo.


Tradução > Reno Moedor


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Nas águas do mar
O salto dos golfinhos.
Parece que dançam.


Eduarda Penteado – 10 anos