[Grécia] De Exarchia para Beirute

Como comunidade da Okupação de Imigrantes e Refugiados Notara 26, estamos profundamente tristes com a explosão que estremeceu Beirute. Enviamos as nossas condolências às famílias das vítimas e desejamos aos que ficaram feridos boa saúde e recuperação rápida.

Nos últimos meses, temos acompanhado o movimento de resistência do povo do Líbano nas ruas de Beirute e acreditamos que a sua resistência será vitoriosa. O povo do Líbano está atualmente vivendo em uma situação terrível devido à intervenção do regime iraniano através do Hezbollah, à constante ameaça de Israel contra o seu país, bem como às políticas neoliberais perseguidas e implementadas pelo governo libanês. No dia em que a explosão aconteceu em Beirute, representantes do FMI estiveram presentes no país para oficializar acordos e contratos econômicos que continuariam a explorar ainda mais as pessoas deste país.

Mais uma vez, estamos em solidariedade com o povo do Líbano e esperamos ver a vitória deles em breve.

Okupação de Imigrantes e Refugiados Notara 26

agência de notícias anarquistas-ana

folhas no quintal
dançam ao vento
com as roupas do varal

Carlos Seabra

[França] A Village du Peuple deve viver

 

A Village du Peuple (Vila do Povo), em Donges (Loire-Atlântico), ameaçada de despejo, precisa de seu apoio.

Há mais de um ano, a Village Du Peuple vem resistindo ao despejo para proteger algumas das últimas áreas naturais do litoral de Nazaire. Durante todo esse tempo, homens e mulheres têm assumido riscos legais para evitar que os 50 hectares de terra que ocupam desapareçam sob concreto em favor de um projeto industrial mortal, em uma região que já apresenta altos índices de câncer. Os desafios são altos: proteger a terra, a fauna e a flora – incluindo algumas espécies raras – presentes na terra, e os habitantes da região.

Durante este ano de luta, muita coisa aconteceu. Reuniões foram realizadas, crianças nasceram lá, criaram-se laços que não existiriam no cotidiano “normal” – ou melhor, normalmente anormal – de nossa sociedade. As pessoas necessitadas, colocadas em um estado de sofrimento material ou psicológico pelo sistema, tentam encontrar aqui um lugar para se recriar. Surgiram projetos com o objetivo de fazer da Village Du Peuple uma fazenda educacional onde experimentar, compartilhar e disseminar um modo de vida ao qual é absolutamente necessário recorrer, se queremos evitar ser totalmente destruídos pelo desastre ecológico que está em curso.

Este lugar é uma encruzilhada: da vida, das reuniões e das escolhas a serem feitas para o futuro. É um terreno fértil para a resistência, essencial no momento em que os projetos capitalistas não escondem mais a sua natureza mortal. É, por último, mas não menos importante, um local de combate: um local onde a resistência coletiva contra os poderes de dominação, para salvar as formas de vida e a terra, é colocada em prática.

Precisamos de todas as pessoas na luta prontas para se envolver, todos os talentos que possam contribuir, todos os jornalistas na luta por informações de interesse público. A batalha está de fato entrando numa fase decisiva: o processo legal está chegando – a menos que haja uma grande reação coletiva do povo em luta – ao seu fim. Seremos expulsos pela polícia a partir do início de outubro; a data deve cair dentro de uma quinzena. Apelamos a todas as pessoas motivadas.

Algumas das ações que podem ajudar o movimento:

1. Divulgação de informações através de todos os canais, levando a questão à atenção das redes de ativistas e do cenário midiático. Artigos, vídeos, reportagens, compartilhamento em grupos de facebook… são bem-vindos. Organizaremos também uma coletiva de imprensa em breve.

2. Chamada para presença e ação: venha e monte sua barraca na vila para descobrir as terras e nos encontrar, participar de um dos acampamentos de trabalho planejados ou da vida do lugar, ou se envolver na luta ao nosso lado. Se coletivos comprometidos criassem equipes para se juntarem a nós ou nos ajudarem, isso seria benéfico. Se você mesmo ou tiver amigos no mundo jurídico, jornalístico, etc. prontos para se envolver conosco, não hesite em entrar em contato.

3. ESPALHE A PALAVRA: PRECISAREMOS DO MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS NO LOCAL E PRONTAS PARA MOSTRAR SEU APOIO A PARTIR DO FINAL DE SETEMBRO – INÍCIO DE OUTUBRO.

4. Quaisquer outras idéias de apoio, projetos, ações que você poderia colocar em prática onde você estiver (demonstração pública, etc.).

> A Village du Peuple está localizada em La Petite Lande, 44480 Donges.

> O blog da Village du Peuple:

https://levillagedupeuple.noblogs.org/

> A página do FB da Village du Peuple:

https://www.facebook.com/pages/category/Cause/Le-Village-du-peuple-2090939627641088/

Tradução > Estrela

agência de notícias anarquistas-ana

café da tarde—
na mangueira em flor
farra de pardais

Nete Brito

[Espanha] Lançamento: “La Revolución Russa. Una interpretación crítica y libertaria”, de Agustín Guillamón

Uma revolução comunista só poderia ser mundial, e fracassou na Rússia quando ocorreu a derrota do proletariado revolucionário na Alemanha e a revolução soviética ficou isolada. Esse isolamento, juntamente com as catástrofes da guerra civil, o caos econômico, a miséria e a fome, ampliaram os terríveis erros dos bolcheviques, entre os quais se destacou a identificação entre Partido e Estado, que levou ao triunfo inevitável da contrarrevolução stalinista, desde o seio do próprio partido bolchevique que promoveu a revolução soviética de Outubro de 1917. A contrarrevolução stalinista foi de natureza política e desembocou, finalmente, em uma onipotente tirania burocrática e estatal. Este livro estuda o início, apogeu e degeneração da revolução russa desde uma perspectiva crítica e libertária.

La Revolución Russa. Una interpretación crítica y libertaria

Agustín Guillamón

Editorial Descontrol, Barcelona 2020

69 págs. Rústica 14×11 cm

ISBN 9788418283055

7,00€

descontrol.cat

agência de notícias anarquistas-ana

cai, riscando um leve
traço dourado no azul
uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

[Chile] Suas migalhas são nossa riqueza!

Uma das maiores diferenças que existem hoje em dia entre as pessoas que habitamos no mundo, e que de alguma forma ou outra nos determina, é a quantidade de dinheiro que possuímos. É o dinheiro mesmo como matéria física e metafísica a que reproduz esta diferença tão determinante e que inclusive, em algumas pessoas, os condiciona vitalmente a viver uma vida digna ou indigna. O dinheiro, a moeda, se converteu em uma necessidade vital, mais vital que a comida (ainda que a cédula não se coma), pois para obter comida se necessita dinheiro, um paradoxo contraditório e bastante decadente da modernidade.

No Chile, uma lei do Estado como muitas outras, outorgará dinheiro às pessoas, no entanto, esta lei diferente de outras, outorgará às chilenas e chilenos um dinheiro que por direito lhes pertence faz muito tempo, o qual, foi roubado durante uma ditadura milico estatal para criar uma nova elite burguesa que pudesse administrar o país. Quem foram os ladrões? Esta mesma elite burguesa criada por Pinochet e fundamentada nos Chicago Boys com seu paradigma neoliberal. Que se fez? Com este roubo a ditadura milico estatal consolidou as hierarquias econômicas que hoje nos governam (por exemplo: a família Piñera), mas pior ainda, as consolidou com dinheiro que pertenciam ao povo. Hoje em dia está em voga a retirada de 10 por cento das Administradoras de Fundo de Pensões (AFP) criadas em 1980 pelo irmão do presidente atual no Chile, se existe uma maneira de demonstrar a profunda determinação que significa o dinheiro em si mesmo para as pessoas, é este acontecimento. Este acontecimento nos demonstra duas coisas principalmente: uma, a necessidade vital que significa o dinheiro nas pessoas para manter uma vida digna, cômoda e sem grandes penúrias, e duas, a diferença entre os que tem mais e os que têm menos, mas inclusive pior: os que têm mais possuem mais porque tem nosso dinheiro investido em outros lugares, quer dizer, são ricos a nossa custa e por isso nos governam, seja política ou economicamente!

Como anarquistas propomos que o dinheiro deve ser abolido pois é inaudito que uma especulação determine nossa condição humana e não nos permita viver de uma forma digna. A única forma de abolir o dinheiro é fazendo-o desde uma batalha cultural, pois sem eliminar esse pensamento capital individualista, ainda que o dinheiro seja abolido a miséria seguirá existindo assim como o egoísmo e a propriedade privada, fatores que hoje se contradizem com o amor que promove a anarquia; naturalizada no bem estar humano das pessoas. Não obstante, tampouco somos cegos para o que acontece em nosso entorno e sabemos que o dinheiro das AFP nem sequer deveria pertencer a privados e menos ainda ao Estado, o fundo de pensões que antes pertencia às mutuais de socorros mútuos e mancomunais, quer dizer, organizações obreiras, após a imposição do código do trabalho em 1931 durante o período ditatorial de Carlo Ibáñez del Campo passaram às mãos do Estado do Chile, o qual, após grandes reformas, até o dia de hoje chegou a privatizar este dinheiro. Como anarquistas propomos que as AFP deveriam deixar de existir e o dinheiro passar às mãos dos trabalhadores e estudantes do país, já que, o dinheiro não é de privados, mas que da mesma gente que através de seu sacrifício, imposto por uma economia capitalista teve que realizar durante toda sua vida, menos ainda deveriam decidir os políticos que não nos representam o que se faz com esse dinheiro e não deveríamos agradecer a eles que nos entreguem migalhas que se convertem em nossa pseudo-riqueza com cheiro de fome, aquisição e consumo.

O que hoje em dia está fazendo o Estado de Chile é algo que devia ter feito há muito tempo, mas não nos enganemos, todos e todas sabemos que isto não eliminará a hierarquia econômica já imposta e criada com nosso dinheiro, pois para os donos das AFP, e todo seu monopólio cíclico, isto não será mais que uma crise financeira que com o tempo melhorará graças ao nosso trabalho, portanto, continuarão nos explorando e mentindo como o fazem hoje. Como anarquistas não nos deixamos enganar e sabemos que a história cor-de-rosa marcará esta lei como uma passagem a uma vida mais justa e digna, mas a história negra, marcada pela desumanidade da verdade, marcará esta lei como o que é: a mancha mais imunda do Estado chileno presidido por sua hierarquia econômica que, submetida ao império da lei e da especulação monetária, degrada a humanidade de todos e todas, escravizando-nos obrigatoriamente ao dinheiro por fome. Por último, é verdade que para qualquer ideologia a realidade é implacável, mas é melhor dar-se conta como estamos submetidos a acreditar que somos livres.

“Liberdade política sem igualdade econômica é uma pretensão, uma fraude, uma mentira; e os trabalhadores não querem mentiras.” – Mijaíl Bakunin

Que viva a anarquia, amor, solidariedade e fraternidade!

Sindicato Ofícios Vários Santiago

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Um trovão estronda –
e os trovõezinhos ecoam
na selva em redor.

Nenpuku Sato

Últimos cem dias do “Jornal de Borda”

Chegou, de fato, o Fim do Borda. Desde maio, estou contando por aqui e no Instagram todos os motivos que me levaram a decidir acabar com o projeto.

As assinaturas com todos os números acabaram. Ninguém mais terá acesso a todos os números juntos. Mas ainda dá para assinar o melhor do Borda. Tenho 29 assinaturas do 04 ao 10.  Você não gostaria de ser parte do grupo de assinantes?

Logo. Logo acaba e depois disso só haverá venda unitária do número 09 mesmo.

Calendário dos 100 dias:

• Agosto – postagens constantes no Instagram;

• Setembro – encontro virtual com assinantes e pré-venda da edição 09;

• Outubro – impressão e distribuição dos números 09 e 10 para assinantes e 09 para quem comprou na pré-venda;

• Novembro – webnário de lançamento Borda 09.

A edição 10 será apenas para assinantes.

Muito Obrigada por estar comigo.

Um abraço forte meu.

Fernanda Grigolin

Para qualquer informação ou detalhe, escreva para: tendadelivros@gmail.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/07/31/os-cinco-anos-de-existencia-do-borda-foram-muito-bonitos-e-sou-muito-grata/

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As folhas secas
caem com a ventania
sobre o riacho

Antonio Malta Mitori

Instituto de Estudos Libertários entrevista Cibele Troyano: “Anarquista de todo coração”

Instituto de Estudos Libertários > Fale sobre Cibele Troyano.

Cibele Troyano < Em primeiro lugar, muito obrigada pelo convite de fazer essa entrevista.

Bem, Cibele Troyano hoje é uma mulher de 65 anos, mãe de dois filhos, que estudou Ciências Sociais na PUC de São Paulo nos anos 1970, período em que começou também a fazer teatro. Anarquista de todo coração.

IEL > Como o teatro entrou na sua vida e você na dele?

Cibele < Desde muito pequena eu sentia muito prazer em cantar, declamar poesias e me apresentar em público. Lá pelos 13 ou 14 anos (isso em 1968-69), eu tive uma professora de Inglês que adorava teatro e nos levava para ver o que havia de mais importante na época: O Auto da Compadecida, Roda Viva, Morte e Vida Severina… Quando eu assisti “Morte e Vida” no teatro de Arena, fiquei tão emocionada que pensei: – É isso que eu quero fazer: Teatro!

Já no ensino médio, eu e uma colega fomos conversar com o diretor da escola para criarmos um grupo de teatro. Ele ficou muito feliz e convidou o filho do tesoureiro para coordenar o grupo. Era o Carlos Alberto Riccelli, que estava dando os primeiros passos na carreira artística. Mas nossa alegria durou pouco. O diretor descobriu que estávamos estudando o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles e disse que o texto era subversivo e que o grupo não poderia continuar. Foi muito triste. Sentimos na carne a força embrutecedora da censura.

Depois, em 1973 eu entrei na PUC e lá havia um grupo universitário chamado TESE. Participei do grupo durante um ano,  mas não montamos nenhuma peça. Fiquei bem frustrada com isso  e passei a frequentar um grupo que se formava na Escola de Comunicações e Artes da USP. Com esse grupo, que se chamava Cena Livre, nós montamos um espetáculo com textos do dramaturgo Bertold Brecht e apresentamos em vários espaços da cidade. Misturávamos a atividade teatral com ação política. Depois de algum tempo nós nos profissionalizamos e passamos a integrar o que se costuma chamar  de “classe teatral”. E desde então eu tenho participado de diversos grupos e espetáculos.

IEL > É possível um teatro que não seja libertário?

Cibele <Vou responder com as mesmas palavras que o pintor anarquista Camille Pissaro (1830-1903) disse para alguém que lhe perguntou se toda arte era anarquista:

-“Se for boa, é anarquista.”

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2020/08/05/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-cibele-troyano/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/12/11/o-teatro-e-sempre-necessario-e-a-forma-de-arte-mais-completa-para-dar-as-respostas-a-qualquer-conjuntura/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/31/sao-paulo-sp-emma-goldman-uma-vida-libertaria-e-atracao-na-casa-de-cultura-vila-guilherme-neste-domingo-02/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/12/12/a-vida-de-emma-goldman-no-teatro-no-ano-que-vem-pretendo-monta-lo/

agência de notícias anarquistas-ana

pardal no fio
ouve o telefone
mas não dá um pio

Carlos Seabra

Anarquistas na Inglaterra e no País de Gales lançam site autônomo de notícias

Nesta semana, anarquistas radicados na Inglaterra e no País de Gales lançaram um novo site, o Autonomy News (autonomynews.org). O site foi idealizado durante a pandemia do coronavírus em 2020 e tem como objetivo destacar os esforços de apoio mútuo das comunidades e reunir as diferentes vertentes da resistência e das lutas anarquistas.

O Autonomy News é produzido por pessoas que estão se organizando para atender às suas próprias necessidades, de modo a criar autonomia, resiliência e poder coletivo para além do Estado, do capitalismo, da supremacia branca e do patriarcado.

O site Autonomy News tem uma perspectiva revolucionária e busca publicar notícias das linhas de frente das lutas anticoloniais, antirracistas e antifascistas. O Autonomy News compartilha ações e ideias de movimentos que trabalham para destruir prisões e fronteiras, contra a dominação, a exploração animal e a destruição ecológica. O site se inspira nas lutas revolucionárias em todo o mundo, incluindo o Movimento de Libertação Curdo.

O Autonomy News está buscando contribuições de camaradas. O site aceita conteúdo original e artigos reeditados. Descubra como contribuir em autonomynews.org/contribute/. Ou envie um e-mail para info[at]autonomynews.org

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

Tremendo de frio
no asfalto negro da rua
a criança chora.

Fanny Dupré

[Espanha] Nova decisão a favor da CNT contra a Prefeitura de Castro Caldelas

Por CNT Galiza

• A Prefeitura de Castro Caldelas sofre outro revés na justiça contra o sindicato CNT

• As reivindicações de antiguidade, aumento salarial e horas extras são estimadas pelo Tribunal N° 1 de Ourense

• Desta forma, a Prefeitura continua a perder processos para a seção sindical do Grupo de Emergência Supramunicipal (GES) da CNT.

Após os conflitos em matéria de saúde e segurança durante o período de Emergência Sanitária e a decisão favorável sobre a questão de fixação, a CNT continua a denunciar a não conformidade da Prefeitura de Castro Caldelas com o pessoal público do Grupo de Emergência Supramunicipal (GES). Nesta ocasião, a Corte Social Nº 1 de Ourense mais uma vez concorda com o sindicato, condenando a Prefeitura a pagar os valores correspondentes à antiguidade, aumento salarial e horas extras dos trabalhadores demandantes. Como é usual nas empresas e na Administração, a Prefeitura de Castro Caldelas queria que seu pessoal trabalhasse mais horas por uma quantidade menor do que aquela reconhecida pela legislação. O setor público não está isento de descumprimento e o sindicato vê diariamente como as táticas utilizadas não variam muito em relação às do setor privado.

A administração local excedeu as 1665 horas por ano determinadas na Lei do Orçamento do Estado para os funcionários públicos na organização do trabalho. Desta forma, os trabalhadores da equipe de proteção acumularam mais de 150 horas extras em média por trabalhador durante o ano. O pessoal continua a exigir o cumprimento dos regulamentos em diferentes áreas para que os habitantes da área possam ter qualidade e serviços públicos garantidos diante de novas situações de emergência que possam surgir.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/nueva-sentencia-favorable-a-la-cnt-frente-al-ayuntamiento-de-castro-caldelas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Varrendo folhas secas
lembrei-me do mar distante:
chuá de ondas chegando.

Anibal Beça

[Grécia] Atenas: Bancos para a Praça Victoria!

Venha nesta quinta-feira (06/08) às 18h para atividades infantis, pintura, música e novos bancos na Praça Victoria!

No mês passado, a Prefeitura de Atenas removeu todos os bancos da Praça Victoria. Victoria tem sido uma praça onde os imigrantes descansam e relaxam. Nas últimas semanas, também foi um lugar onde os imigrantes foram forçados a dormir na calçada, deixados sem teto pelas leis de asilo do Estado grego e pela burocracia absurda. A Prefeitura removeu os bancos para que essas pessoas não pudessem sentar-se confortavelmente ou descansar, nem por um minuto. Em vez disso, enviaram policiais para patrulhar constantemente o local e tentar forçar os imigrantes a deixar a praça, e irem para um acampamento ou até para uma rua fora de vista. As empresas privadas e as cafeterias ocupam cada vez mais o espaço público para obter lucro. Mas as praças pertencem ao povo! Então, nesta quinta-feira, trazemos nossos próprios bancos, vamos jogar e ouvir música, e juntos vamos sentar confortavelmente na Victoria pelo tempo que quisermos. Tragam suas tintas, jogos e paletes de madeira que vocês têm!

Praças pertencem ao povo!

Solidariedade aos imigrantes e os locais, contra as forças da ordem e os chefes!

Vejo você na Praça Victoria!

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1606582/

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

o rio ondulando
a figueira frondosa
no espelho da água.

Alaor Chaves

[Espanha] Ecofeminismo e revolução social

PorElena Martínez| Ilustração: Mamen Moreu

Nestes dias que escrevo, acabo de plantar minha pequena horta e observo as folhas dos tomates, os pimentões, as abobrinhas e as acelgas, um pouco murchas nos vasos, como se estiram e reverdecem já na terra quando as rego. Me vem à cabeça conceitos como soberania alimentar, ecofeminismo, Rojava. São dias estranhos e observar esta hortinha pequena e vê-la crescer, me ajuda também a suportar melhor esta situação que parece que nunca acaba. É como apegar-se à vida, como se esta pequena experiência me fizesse sentir mais intensamente esse vínculo tão importante com a terra e com o resto da humanidade.

Já faz 44 anos que surgiu o termo Ecofeminismo. E o criou uma mulher que também era anarquista: Françoise d’Eaubonne, filha de mãe aragonesa e pai anarcossindicalista francês, que em 1974 relaciona a preocupação pelo meio ambiente e a igualdade entre homens e mulheres como base de uma nova sociedade. Escritora e pensadora francesa que em seu livro “O feminismo ou a morte” introduz também o termo Falocracia. “A Falocracia está na base mesma de uma ordem que não pode senão assassinar à Natureza em nome do lucro, se é capitalista, e em nome do progresso, se é socialista”. Nem mais nem menos.

O Ecofeminismo é um movimento global que vincula ecologismo e feminismo, denunciando a opressão para com as mulheres e a exploração da natureza e dos demais animais como parte da mesma lógica de dominação patriarcal.

Ecologia e feminismo ganham sentido no marco do devir atual com uma força impressionante. A Revolução Social de Rojava fundamenta seu ideário nestes princípios. Já não é tanto a questão de tomar os modos de produção, mas de mudá-los radicalmente. Em Rojava, são as mulheres as que organizam a vida. Crescem cooperativas, hortas comunais, experiências educativas, formas de organização novas. Sempre desde o respeito à natureza e o meio ambiente. Desenvolvem o pensamento coletivo em Jineology, a ciência das mulheres.

Ynestra King, companheira de instituto de Murray Bookchin foi quem lhe sugeriu a ideia dessa particular posição histórica das mulheres dentro desta forma de dominação do homem pelo homem. Desenvolve as ideias de Bookckin em um sentido ecofeminista. Organizou a primeira conferência ecofeminista em março de 1980 chamada “Mulheres e vida na Terra”, onde se examinaram as conexões entre o feminismo, a militarização, a arte de sarar e a ecologia.

Também a ativista índia Vandana Shiva, em “Quem alimenta realmente o mundo?”, aborda o conceito de “soberania alimentar” e aposta em explorar um modelo de justiça e sustentabilidade agrícola.

O direito dos povos a alimentar-se e a decidir o que querem produzir, se choca radicalmente com as políticas neoliberais que priorizam o comércio internacional. O sistema agrícola não busca alimentar as pessoas, mas produzir mais. Não contribuíram em absoluto a erradicação da fome no mundo. Ao contrário, incrementaram a dependência dos povos das importações agrícolas, e reforçaram a industrialização da agricultura, arriscando assim o patrimônio genético, cultural e meio ambiental do planeta, assim como nossa saúde.

O papel das mulheres em defesa do meio ambiente em lugares tão emblemáticos como a América Latina foi fundamental. Poderia inclusive dizer-se que neste lado do mundo se produziu uma feminização das lutas sociais. O movimento feminista na Argentina, ou nomes como o de Bertha Cáceres, feminista e ambientalista hondurenha, apontam alto no importante papel do Ecofeminismo para se organizar frente à nova ordem mundial que virá.

Os princípios da economia social tem o propósito de aumentar os recursos das sociedades em lugar de explorá-los, e os princípios de igualdade asseguram que a revolução será feminista ou não será.

No entanto, isto não significa converter-nos em salvadoras do mundo, nem voltar ao conceito primitivo da volta ao lar da mulher, nem a uma mística da maternidade. Muito ao contrário. Queremos participar em igualdade, construindo paz. É a socialização atual a que nos inunda de papeis de gênero: as tarefas domésticas, os cuidados. Não há nada que impeça que os homens desenvolvam capacidades para estas tarefas com tanto ou mais acerto e carinho que qualquer de nós. É tão somente o discurso do poder que adapta os gêneros a seu capricho e em função de seus interesses. Se pretende pôr a ênfase no individual frente ao coletivo, em competir em lugar de compartilhar e de cooperar, mas esse não é o caminho.

O aquecimento global e suas consequências deveriam fazer-nos reagir e pôr mãos à obra. Buscamos uma vacina que nos proteja do COVID-19, mas estamos acabando com a biodiversidade, derretendo os polos, perdendo espécies animais e sementes, queimando nossos bosques e selvas, fumigando com pesticidas, aniquilando todas as proteções naturais. Ainda expostos a novos vírus e a catástrofes de todo tipo, se impõe o domínio patriarcal e o capitalismo de consumo que exploram sem medida os recursos naturais, os animais e as pessoas.

Se caminhamos para o colapso, mais tarde ou mais cedo estaremos nele. Ou abandonamos este modelo de domínio e exploração ou estaremos expostos ao desastre. Observemos por exemplo as tarefas nas quais ocupamos nosso tempo. Deslocamentos longos e desnecessários que implicam maiores níveis de estresse, elevada contaminação e esgotamento de recursos, obsolescência programada, dependência tecnológica, consumo exacerbado.

O Ecofeminismo propõe uma reformulação de tudo o que entendemos por trabalho e vida. Os trabalhos cotidianos de hoje em dia não servem para manter-nos vivas nem com melhor qualidade de vida, muito pelo contrário, assistimos à degradação da vida.

Não podemos ficar impassíveis. Os anarquistas sabemos muito bem que se nos organizamos podemos conquistar o impossível. Não temos que demonstrar nada, só mostrá-lo. As coletividades surgidas em 36 são um exemplo de Revolução Social que emocionou o mundo. Agora nosso olhar se tinge de roxo e se alimenta de vida. Por isso entre nossas mensagens, entre nossas linhas, também se infiltra essa palavra que, como tantas outras, pôs o Eco na frente. Ecofeminismo. Ecologia e Feminismo. Dois ingredientes que nos mostram um horizonte novo. Como em Rojava. Só temos que passar à ação.

Fonte: Jornal CNT nº 424, Julho-Setembro 2020

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sou definitivamente
louca do haikai.
Ele, também.

Manuela Miga

[Itália] Sempre contra as fronteiras!

Hoje em dia a luta na fronteira enfrenta mais uma vez um ataque repugnante do Estado. 17 camaradas foram banidos do território dos municípios fronteiriços do Vale de Susa. O objetivo é claro: expulsar para romper os laços de luta e solidariedade criados nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, a presença de policiais em torno da Casa Cantoniera aumentou consideravelmente. A polícia italiana patrulha a aldeia de Oulx todos os dias, tentando interceptar a rede de solidariedade que foi criada; e, como sempre, impedindo através do medo que aqueles que não têm os documentos “adequados” tomem o caminho da liberdade.

Mas os policiais, a COVID e a repressão não impediram que as pessoas desafiassem as barreiras. Apesar da externalização das fronteiras europeias, a rota dos Balcãs está transbordando, e o Mediterrâneo é o principal ponto de passagem. Além disso, desde o anúncio da “sanatoria” muitas pessoas retornam à Itália na esperança de serem regularizadas, e são pontualmente vigiadas e revistadas pela polícia. Nos próximos meses, com a reabertura das fronteiras, O Refúgio será mais uma vez um espaço de solidariedade para aqueles que querem atravessar estes vales.

Na Casa Cantoniera a luta contra os Estados e suas fronteiras precisa, mais do que nunca, ser apoiada ativamente por todos. Diante destas intimidações, estamos respondendo como sempre, relançando nossa solidariedade ainda mais fortemente, indo além das tentativas mesquinhas de repressão.

A onda de choque que criamos se espalhou. O refúgio Casa Jesoulx é, e permanecerá para sempre, um espaço autogerido, livre e contra a máquina econômica de “acolhimento”.

De agora em diante, vamos nos reunir em números, determinados a lutar. Há muitas coisas a fazer, desde estar na fronteira até trabalhar na casa. Não se esqueça de trazer suas ferramentas e seu desejo de fazer as coisas, O Refúgio precisa de cuidados! JUNTE-SE A NÓS!

Aqueles que lutam podem perder, mas aqueles que não lutam já perderam.

Na Casa Cantoniera como em qualquer outro lugar, sempre contra as fronteiras!

Fonte: https://www.passamontagna.info/?p=1648&lang=fr

Tradução > Estrela

agência de notícias anarquistas-ana

Luzinhas acesas —
Pirilampos iluminam
O matagal denso.

Carlos Alberto Bittar Filho

Lançada em português a Revista Lêgerîn!

Acaba de ser lançada em português a Revista Lêgerîn, um importante veículo de divulgação da luta curda e da defesa do Confederalismo Democrático. A edição, que conta com diversos e interessantes debates, demonstra a vitalidade e potência do pensamento de libertação curdo, que tanto pode colaborar para refletirmos sobre a América Latina em geral, e o Brasil em específico.

>> A Revista pode ser acessada gratuitamente em seu site, através do link: 

http://bit.do/legerin01

agência de notícias anarquistas-ana

A pedra da rua.
Humilham-te sem cessar.
Ah! os pés humanos…

Fanny Dupré

[Chile] Comunicado frente às detenções de Mónica e Francisco

Há exatamente um ano da detonação de um artefato explosivo na delegacia de Huechuraba e o frustrado atentado contra o outrora Ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter, após a maior revolta que tenhamos lembrança na história do território, em plena pandemia global e ante a revelação do fracasso do modelo chileno, que não é mais um minúsculo vislumbre da crise mundial do capital, dois anarquistas são presos e a imprensa burguesa os expõe como culpados antes de qualquer julgamento.

A rapidez com que os meios acederam às supostas provas apresentadas pela promotoria, sua presença de abutre durante as detenções e a abordagem mórbida que deram ao caso evidenciam uma vez mais que o poder tão arraigado que tem nos cimentos da sociedade se sustenta em seu servilismo aos ricos e a sua cumplicidade com a polícia.

Nas redes e nos bairros circulam especulações e reflexões sobre a origem do atual contexto social, que surpreendeu tanto às páginas dos matinais como à classe política. Seu estreito raciocínio não compreende que a base de tudo não está em um grupo político particular nem em um estratégico e macabro plano para pôr sua ordem em pé, se negam a ver que a potência que colocou (e que voltará a colocar) nas ruas a milhões de pessoas de forma espontânea provêm das raízes mesmas do sistema social.

Frente a isto sua única resposta foi modernizar a repressão e apontar todos os que se levantam contra o sistema, especialmente a quem abertamente se proclamou inimigos do Estado. É o caso de Mónica e Francisco, companheires anarquistas cujo curtido prontuário é esgrimido por seus mesmos persecutores.

Não é coincidência que isto ocorra quando estamos às portas da promulgação de uma nova Lei de Inteligência, que outorga novos poderes às polícias e envolve as Forças Armadas. Esta reformulação persecutória criminaliza ainda mais as organizações sociais e constitui uma ameaça direta a qualquer tentativa de protesto popular.

Como Coordenadora também fomos apontados, perseguidos e amedrontados neste cenário. A denúncia da prisão sistemática dos lutadores sociais calou fundo em grande parte da sociedade e as arremetidas repressivas evidenciaram as contradições do sistema e suas falências mais profundas, dando lugar à crítica mais certeira e radical. Ao nos organizarmos em Coordenadora para apoiar aos presos políticos se dissiparam alguns limites que nos separavam como classe e isso permitiu nos encontrarmos na luta, o que sabemos que lhes parece problemático e ameaçador. Por isso não é estranho que insistam em diferenciar os tipos de protesto e dividir os manifestantes, já que pretendem isolar os que podem ferir mais profundamente a esta democracia que não é mais que a ditadura totalizante do dinheiro sobre nossas vidas.

Francisco e Mónica: com amor fraterno lhes expressamos nosso total e contundente apoio, aqui estamos e nos manteremos sem vacilar. Todo nosso afeto a vocês e a quem os recebem no interior dos muros carcerários. Admiramos vossa firmeza, vossa clareza nas ideias, vossa coerência. Os dias que virão trarão consigo muita agitação aqui fora e esperamos que também no interior dos centros onde foram recolhidos, mas se for assim, contem com nossas maneiras de apoiar-lhes. Não retrocederemos em nosso apoio. NÃO ROMPERÃO NOSSOS LAÇOS NEM NOSSOS AFETOS! Eles buscam quebrar o que nos une, nós construímos um tecido mais forte.

Nos move a raiva e o amor, e neste dia negro – como tantos outros que resistimos historicamente – nos organizamos sem limite.

Companheires, todos os nossos recursos estão a sua disposição. Abraçamos-lhes olhando a lua crescente, aquela que podemos olhar vocês e nós separados por esses muros, mas mais unidos que nunca.

Nossa Coordenadora sempre se levantou ao lado dos que lutam, sem julgar diferenças nas formas das mesmas. É por isso que agora mais do que nunca, quando um de nossos companheiros está nas penumbras das masmorras, reivindicamos a viva voz a solidariedade de classe pela liberdade de Mónica, Francisco e todos os presos políticos.

Mónica e Francisco à rua!

Liberdade a todos os presos políticos!

Coordenadora 18 de Outubro pela liberdade dos prisioneiros políticos

Fonte: https://coordinadora18deoctubre.wordpress.com/2020/07/29/comunicado-frente-a-las-detenciones-de-monica-y-francisco/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Ao sol da manhã,
Imóvel como se dormisse,
A coruja no fio.

Paulo Franchetti

[Chile] Ordem social e desconfinamento

Em meados de abril deste ano de pandemia, Piñera saiu em cadeia de televisão anunciando a “volta à normalidade”. Justificava a decisão em que as curvas de novos contágios e de recuperados haviam se cruzado, interpretando com este antecedente que o pior havia passado. Em respaldo toda a direita saiu para justificar esta nova normalidade: reabertura de centros comerciais, comércio de bens de luxo, volta às aulas, entre várias iniciativas que iniciaram em questão de dias.

Três meses depois, a campanha se chama “leve melhoria” e a lidera o ministro de saúde Enrique Paris, explicando que os casos novos de Covid-19 caíram substancialmente, junto com outros indicadores que se correlacionam estatisticamente como porcentagem de PCR positivos, enfermos em UTI, etc. No entanto, o nível de contágios é similar ao que existia em meados de maio, com pouco mais de 2.000 novos casos diários, por certo muito menos que o pico de 6.938 de 14 de junho, mas muito longe de um nível razoavelmente baixo como para pensar que não existe a possibilidade de um incremento exponencial novamente e, inclusive, é superior ao nível que fez fracassar o discurso da nova normalidade.

A pandemia está longe de ser controlada e tudo indica que só 6 a 8 % da população foi contagiada pelo vírus, sendo detectados pelos exames PCR uma fração destes. Esta porcentagem é relevante, porque para que exista imunidade de rebanho, ao menos 60 ou 70% da população deveria ter tido a enfermidade (com ou sem sintomas), o que faz pressagiar que uma vez liberadas as restrições haverá possivelmente contágios importantes. Isto nos leva a analisar se as medidas que se manterão são razoáveis para restringir a expansão do vírus, até que exista uma vacina, data absolutamente incerta, na verdade.

A definição do governo é que haverão cinco etapas: Quarentena, Transição, Preparação, Abertura Inicial e Abertura Avançada.

Para definir a passagem de uma etapa a outra, o governo assinala uma série de critérios, no entanto não se gerou o que em matemática se chama “figura de mérito”, quer dizer, uma fórmula que entregue um valor objetivo que permita “medir” o nível da pandemia. Assim o governo pode interpretar a sua vontade os diversos indicadores para justificar sua decisão de avançar ou retroceder as medidas de prevenção, tal como o tem feito até agora.

Algumas comunas da Região Metropolitana entrarão na etapa de Transição, pondo em risco o avanço no controle da pandemia, dado que não é possível, diferente de outros lugares do Chile, limitar a mobilidade desde as zonas em quarentena às que caminham para o desconfinamento.

Esta etapa se caracteriza porque se permitirá a abertura das empresas e o comércio, para isso se permite o translado livremente das pessoas durante o dia, mas se mantém o toque de recolher durante as noites. Se permitem reuniões sociais de até 10 pessoas em lugares abertos e de 5 em lugares fechados. Restaurantes, cinemas, bares, discotecas e ginásios seguem fechados.

Curiosamente estas medidas assumem que um par de bêbados em uma praça, representam maior risco de difusão do vírus que um trem de metrô abarrotado com centenas de pessoas, todas elas a uma distância muito curta umas das outras. Inclusive os noticiários mostraram que, em plena quarentena, há ônibus que às sete da manhã circulam cheios de trabalhadores, que devem dar empurrões para conseguir um espaço no chão, respirando literalmente cara a cara com desconhecidos. Quando estas pessoas são controladas pela polícia a imensa maioria conta com uma permissão de trabalho: o Capital requer que os trabalhadores sacrifiquem sua saúde e inclusive sua vida em prol da produtividade.

Partes importantes da limitação nas medidas a considerar provêm do conceito de ordem da elite chilena. Sua ideia é que ordem é um grupo de pessoas que se encontram em filas à distância homogêneas enquanto contemplam o discurso dos poderosos, para logo dar um aplauso fechado a um discurso do qual são só espectadores e que muitas vezes nem sequer entendem. Ou acaso as longas filas frente as AFP (Administradoras de Fundos de Pensão), esperando poder retirar dinheiro de uma lei que nem sequer está vigente, não mostra plenamente este desconhecimento da forma em que funciona o sistema político-econômico do país?

Aparte deste conceito de ordem pública de caráter prussiano, o governo está “obrigado” a apurar o salto nas medidas de desconfinamento, dado que as diversas medidas econômicas tomadas a nível central foram incapazes de amenizar a profundidade da crise econômica e social. Existe quase um milhão de apelações à categorização que entrega o Registro Social de Casas e que deixou sem acesso ao Recurso Familiar de Emergências a centenas de milhares de famílias que caíram na pobreza. Ao mesmo tempo só uma fração menor dos créditos Fogape foram dados às pequenas empresas e em geral por montantes muito menores aos requeridos. Outras medidas como as caixas de alimentos são claramente insuficientes e não se ajustam ao que necessita uma família para sobreviver a meses de carência de recursos.

O Estado é incapaz de detectar os que requerem ajuda urgente, inclusive a mais de quatro meses de quarentena.

Definitivamente, a pandemia está nos mostrando que agora que consumimos só o que necessitamos, o Capitalismo entra em crise, porque requer um consumo desenfreado para funcionar, com todas as consequências sociais e ecológicas que leva esta necessidade de crescimento infinito, o que fisicamente não é possível.

Isto nos leva a que como anarquistas tenhamos que buscar novas formas de nos relacionarmos no social e econômico, não só agora, mas pensando na geração de uma sociedade igualitária, realmente humana e que respeite as limitações ecológicas que tem o planeta que habitamos. Mas isso já é matéria de outra análise, e também de um grande debate, que deixamos pendente por agora, mas que convidamos a todos os companheires a construir coletivamente.

Sindicato Ofícios Vários Santiago

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

[Espanha] Fanzine “Fuenlabrada Libertaria” N°6. Especial Pedagogia Libertária

Conteúdo do Nº 6. Especial Pedagogia Libertária (julho-agosto de 2020):

• Anarquistas e criação, por Manuel Rodríguez “Txelu”.

• As voltas com a não-diretividade, por Ani Pérez.

• Aprendizagem em tempos de confinamento, uma visão anarquista, por Afinidad Libertaria Parla.

• HQ Casas Viejas.

• A pedagogia libertária e sua soterrada defesa da liturgia escolar, por Vicente Gutiérrez.

• Referências culturais.

E D I T O R I A L

Na luta pela mudança social rumo a uma vida em acrácia, a pedagogia desde cedo desempenha um papel fundamental e chave para garantir uma sociedade baseada em novos valores e aspirações que contradizem aqueles incutidos na mentalidade e ideologia predominantes. A pedagogia libertária educa na rejeição da autoridade arbitrária enquanto promove a autonomia e o desenvolvimento individual e coletivo, pondo em prática o livre pensamento.

Fazer revolução sem antes fazer um exercício de desconstrução e aprendizagem significaria que mesmo se ganhássemos o processo revolucionário, repetiríamos os mesmos erros do mito de Sísifo, ou seja, faríamos um grande esforço para obter o mesmo resultado.

A escola tem que ser um foco de irradiação cultural, oferecendo ferramentas que não se baseiam na competitividade ou desigualdade, mas na cooperação e no trabalho compartilhado. Longe dos dogmas, valorizando de forma integral todo o potencial do indivíduo, rejeitando a especialização, germes de desigualdades.

As experiências de pedagogia libertária como a Escola Moderna Francisco Ferrer, La Ruche promovida por Sébastian Faure, a escola racionalista de José Sánchez Rosa, a cultura trabalhista dos ateus libertários ou, atualmente, a escola livre de Paideia ou La Tribu em Villaverde Alto, nos fazem acreditar que ela não só é possível, mas fortemente necessária, senão essencial.

>> Para baixar “Fuenlabrada Libertaria” N°6, clique aqui:

https://fuenlabrada.cnt.es/wp-content/uploads/2020/06/fuenlabrada-libertaria-6-final.pdf

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Antes que algum nome
nos designasse, já rias,
pequena cascata.

Alexei Bueno

[Espanha] Inauguração em Logroño da rua ‘Luisa Marín Lacalle’

Em 26 de junho passado, aconteceu em Logroño a inauguração da rua Luisa Marín Lacalle, líder sindicalista tabaqueira assassinada em 1936 pelos militares sublevados. O pequeno ato realizado a tal efeito contou com a participação da Municipalidade de Logroño, da UGT e do biógrafo de Luisa e autor do livro publicado pela FAL “Haciendo historia. Mujeres trabajadoras a la conquista de sus derechos” (La Rioja, 1860-1936), Aleix Romero Peña.

Dadas as características do mesmo, convertido em um gesto de desagravo para com a memória de Luisa e das valentes tabaqueiras, os discursos tenderam a enfatizar a importância da UGT, até raiar o exagero, apesar de que a Federação Tabaqueira saiu da UGT em 1921, mantendo-se em uma posição de estrita “neutralidade” – mas solidária – entre esta e a CNT.

Em outra ordem de coisas, convêm destacar a presença de Dori, a neta da tabaqueira de simpatias libertárias Carmen Villar Aguado, que se emocionou ao ser recordada sua avó, assassinada junto a Luisa Marín.

Fonte: https://fal.cnt.es/inauguracion-en-logrono-de-la-calle-luisa-marin-lacalle/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

 À luz da manhã
cigarras cantam uníssonas:
homenagem ao sol. 

Ronaldo Bomfim