[México] Comunicado Presos Políticos Mazatecos, Oaxaca

Sete indígenas mazatecas sofrem prisão política, estão a 8 anos em prisão preventiva e seus casos sofrem adiamento sistemático, apesar de que já demonstraram suas inocências.

COMUNICADO PRESOS POLÍTICOS MAZATECOS, NOVEMBRO 2022

A nossas famílias e habitantes de nosso povoado de origem, Eloxochitlán de Flores Magón,
Sierra Mazateca, Oaxaca, México:
A nossas irmãs e irmãos de luta de México e no Mundo:
Habitantes do Mundo:
Aos meios de comunicação:

Somos os presos mazatecos Jaime Betanzos, Herminio Monfil, Fernando Gavito, Alfredo Bolaños, Omar Hugo Morales, Isaías Gallardo e Francisco Durán. Cinco de nós estão a oito anos presos sem julgamento nem sentença, e dois de nós estão a quatro anos nas mesmas circunstâncias. Alguns de nós fomos liberados em março de 2019, mas na mesma porta do cárcere fomos detidos novamente por delitos falsos, não pudemos desfrutar um só minuto de nossa liberdade. Mais quinze companheiros sofrem deslocamento forçado porque são perseguidos com ordens de captura pelas mesmas acusações falsas que existem contra nós, entre eles, Miguel Peralta Betanzos.

Seguimos encarcerados, ainda que já tenha se comprovado que os falsos delitos são fabricados. Não entendemos que, por sermos mazatecos e querermos a livre autodeterminação de nosso povo, os governos de Oaxaca nos mantenham confinados. Que lei ou quem permite isso?

Temos a nosso favor mais de 13 amparos ganhos e mais de 20 sentenças de liberdade ganhas por outros companheiros.

Fomos reconhecidos pelo governo federal, desde dezembro de 2018, como pessoas injustamente presas e presos políticos. As mulheres, nossas mães, companheiras, filhas, irmãs e pessoas solidárias exigiram incansavelmente nossa liberdade, mas receberam discriminação e racismo.

Por isso, queremos fortalecer nossa exigência. Acordamos seguir organizados em Coletivo de luta, porque já basta! Já foi demasiado! Tínhamos que estar fora Já! Nossa liberdade e a de toda pessoa, é preciosa e vamos defendê-la, nunca a trocaremos nem por todo o ouro do mundo.

Decidimos nomear nossa luta assim: “Tjí’nde-najin Kjoabijnandií-najin”, voz mazateca que quer dizer: “Temos direito à liberdade”.

Acordamos que nosso Coletivo se some às lutas pela liberdade, assim, iniciamos sendo parte da “Coordenadora Internacional de Solidariedade e pela liberdade de presos políticos e revolucionários do mundo, base Oaxaca”, porque não estamos sós. A 100 anos do assassinato, na prisão, de nosso irmão, o anarquista mazateco Ricardo Flores Magón, dizemos: Basta! Ninguém deve estar na prisão por pensar diferente! Nenhuma pessoa deve morrer no cárcere! Abaixo os muros de todas as prisões!

Convocamos novamente a solidariedade de cada pessoa do mundo e aos que já nos oferecemos, lhes pedimos que nos deem a honra de seguir contando com ela. Os convidamos a somar-se a nossos chamados. Se estamos de pé é porque, desde fora, vocês nos sustentaram com sua solidariedade. Agradecemos sua Fé e sua sensibilidade de reconhecer que somos inocentes.

Sinceramente, desde os cárceres de Villa de Etla, Taniveth e Cuicatlán, todos em Oaxaca, México: Coletivo:

Tjí’nde-najin Kjoabijnandií-najin” “Temos direito à liberdade“.

Jaime Betanzos
Herminio Monfil
Fernando Gavito
Alfredo Bolaños
Omar Hugo Morales
Isaías Gallardo
Francisco Durán

Importante: Te convidamos a compartilhar e difundir este comunicado, também a traduzi-lo a todos as línguas que conheças e a compartilhá-lo com falantes dessas línguas.

Tradução > Sol de Abril

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verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota

Guimarães Rosa

Nova data | Atividade virtual no Centro de Cultural Social Vira-Lata Caramelo

O Centro de Cultural Social Vira-Lata Caramelo convida para um bate-papo sobre “A Constituinte e a luta social no Chile: um olhar desde o sul”, com a participação de um companheiro da região do sul do Chile. Será online, no dia 24/11 às 19h.

É NECESSÁRIO INSCRIÇÃO PRÉVIA através do link abaixo:

https://tinyurl.com/DebateChile

O Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo, localizado em Santo André, é um espaço de fortalecimento das lutas sociais no ABC Paulista. Composto pela Brigada Lucas Eduardo Martins, Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio e Quilombo Invisível em conjunto com outras organizações autônomas, e tem como objetivo a construção de atividades educativas, culturais e políticas, em dialogo com a comunidade local, valorizando princípios libertários de atuação popular.

Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo

Rua Sumaré, 732, Vila Metalúrgica, Santo André (SP)

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vôo de borboletra
do mundo das coisas
pro mundo das letras

Alexandre Brito

[Portugal] A greve dos lanifícios da Covilhã, em 1941: a última grande greve influenciada pelos militantes anarco-sindicalistas da CGT

A greve dos trabalhadores dos lanifícios da Covilhã, em 1941, já depois de destruídos os sindicatos livres e com uma parte grande dos ativistas sindicais  presos, fosse no Tarrafal ou noutras prisões do fascismo, foi a última grande greve influenciada e participada  por elementos anarco-sindicalistas  da antiga CGT.

A greve iniciou-se a 5 de novembro e teve como causa imediata a carestia de vida e os racionamentos provocados pela II Guerra Mundial.

Ferreira de Castro, o escritor anarquista, antigo colaborador de “A Batalha”, proibida pelo regime fascista, escolhe a greve de 1941 e o ambiente social e operário da indústria têxtil como a matéria-prima para construir o seu romance “A lã e a Neve”, cuja 1ª edição é publicada em 1947.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://memorialibertaria.blogs.sapo.pt/a-greve-dos-lanificios-da-covilha-em-27615

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Manchas de tarde
na água. E um vôo branco
transborda a paisagem.

Yeda Prates Bernis

 

[Espanha] A poeta, atleta e anarquista Anna María Martínez Sagi, resgatada do esquecimento

O escritor Juan Manuel de Prada recupera em ‘El derecho a soñar’ a figura da jornalista, feminista, lésbica, repórter fotográfica na Guerra Civil e campeã de lançamento de dardo Anna María Martínez Sagi.

Por Emma Pons Valls | 29/10/2022

A poeta, jornalista e feminista pioneira Anna Maria Martínez Sagi (1907-2000) dedicou a recompilação de poesias que havia escrito no exílio à sua filha Patricia, à qual legava “o mais importante dos direitos humanos, o direito que ninguém pode nos tirar nunca: o direito de sonhar”. O escritor Juan Manuel de Prada toma este fio e publica agora “El derecho a soñar. Vida y obra de Ana María Martínez Sagi”  (Espasa), uma extensa biografia desta mulher fascinante, caída no esquecimento, a quem uma vida “dura” e com “tensões constantes” o levou a condensar em Patricia um anseio de maternidade que realmente nunca viu satisfeito.

Em um encontro com o Público em um hotel das Ramblas de Barcelona, o escritor reconhece que o episódio da filha é um dos mais “tremendos” aos quais teve que enfrentar na ingente investigação que fez da figura de Sagi. Durante cerca de 20 anos, De Prada se dedicou a desenterrar a vida e a obra desta escritora multifacetária, entrevistando-se várias vezes com ela antes de sua morte, em 2000, com pessoas de seu entorno e também consultando numerosos arquivos, registros e documentos. “É uma história trágica de sonhos quebrados, ilusões pisadas, sonhos que não chegaram a tornar-se realidade”, afirma.

Anna Maria Martínez Sagi foi poeta, jornalista, a única repórter fotográfica espanhola que fotografou a Guerra Civil desde a frente, pioneira no esporte feminino com a criação do “Club Femení i d’Esports en Barcelona”, campeã de arremesso de dardo da Espanha e a primeira mulher diretora do “Futbol Club Barcelona”, entre outros grandes êxitos cultivados antes de 1939. Mas depois da guerra, as coisas mudaram. No exílio “começa sua segunda vida, igualmente apaixonante, mas a mais desconhecida, porque é uma vida no anonimato”, diz De Prada.

Da alta burguesia barcelonesa ao anarquismo

Sagi havia nascido em uma família burguesa barcelonesa, muito conservadora, com a qual depois de anos de relação tumultuosa com sua mãe rompeu de forma total. Isto já a situou em um terreno de ninguém que pouco a pouco a iria empurrando para o anonimato no qual viveria nas últimas décadas de sua vida, reclusa por decisão própria em Moià (comarca barcelonesa do Moianès). “Era uma mulher sem papas na língua, beligerante”, explica o escritor. Antes da guerra militou em ambientes catalanistas e se vinculou a Esquerda Republicana (ERC), e em 1936 se voltou para o anarquismo.

É só uma das contradições internas que enfrentou e que para De Prada mostra como sempre foi uma “mulher fora de lugar” imersa em uma “tensão constante” para si mesma e o mundo. Educada em castelhano e francês porque sua família considerava o catalão uma língua “de camponeses”, os desafiou escrevendo artigos jornalísticos em catalão, ainda que com a obra poética não o conseguiu e isso a situou em um terreno inóspito entre os círculos literários catalanistas. Terminada a guerra, se exilou em Paris, onde viveria sob a ocupação nazi e colaboraria com o movimento da Resistência.

Iniciada desde muito jovem no esporte por recomendação médica, praticou disciplinas como o tênis, a natação ou o esqui, e se converteu em campeã de lançamento de dardos da Espanha. Em 1928 participou na criação do “Club Femení i d’Esports”, pioneiro no Estado, que promovia o acesso ao esporte a jovens da classe obreira. E em 1934 se converteria na primeira mulher na Europa a fazer parte da direção de uma equipe de futebol, o FC Barcelona, apesar de ser uma detratora do futebol feminino. “O considera um esporte muito violento e o rechaça porque defende que a mulher não deve imitar o homem, tampouco no esporte”, diz o biógrafo.

De meados dos anos 20 até final dos anos 30 foi seu momento de esplendor. Sagi exerceu como jornalista com colaborações em publicações como “Las noticias”, “La Rambla”, “Crónica”, “La Noche” e “Nuevo Mundo” até o final da Guerra Civil. Transladada à Frente de Aragão, também exerceu de repórter fotográfica, publicando imagens em “La Vanguardia”. O mesmo que se encontrava fazendo Gerda Taro, a célebre fotógrafa que junto a seu marido Endre Ernö Friedmann popularizou o pseudônimo de Robert Capa. Sagi e Taro não coincidiram na mesma frente, mas a catalã escreveu sobre a morte de sua companheira de profissão, esmagada acidentalmente por um tanque republicano.

Em sua vertente criativa, Sagi se destacou como poeta com uma obra prolífica, que incluía as recompilações “Caminos” (1929), “Inquietud” (1931), “Canciones de la isla” (1932), “País de la ausencia” (1938), e “Laberinto de presencias” (1969) –auto publicado-, entre outros. A escritora não encontrou editor ao regressar do exílio e legaria a obra inédita ao próprio biógrafo, que a compilou em “La voz sola” (2019).

Uma vida pessoal agitada e com frustrações

Sua vida pessoal não esteve isenta de uns “fracassos e tragédias” que, mais além das conquistas, também a marcaram e a levaram, em suas últimas décadas de vida, a fechar-se em si mesma em um exílio voluntário em Moià. “Decide sepultar-se em vida, levar uma vida de anonimato absoluto”, explica De Prada. Sem nenhum vínculo com a localidade da comarca barcelonesa de Moianès, a escolheu pelas bondades de seu clima, que havia lido em uma reportagem, e se mudou em 1978 ou 1979. Durante os anos no exílio, Sagi viveu principalmente nos Estados Unidos, onde exerceu de professora de idiomas na Universidade de Illinois até que se aposentou. Em seu regresso, viveu em Moià até que, poucos meses antes de sua morte em 2000, se transladou a uma residência no município próximo de Santpedor.

Quando o biógrafo a conheceu, uns anos antes de sua morte, Sagi era “uma mulher amarga, muito golpeada pela vida”. Dois dos fatos que mais lhe impactaram foram seu grande amor pela também escritora catalã Elisabeth Mulder, de pai holandês, com quem teve uma relação “embora breve, agitada, clandestina, provavelmente assimétrica”; e também a frustração em seu anseio jamais realizado de ser mãe.

Com Mulder, que era viúva, compartilhou uns dias em 1932 no município maiorquino de Alcúdia, que posteriormente guardaria na lembrança e na poesia. O demonstra um poema incluído na recompilação “La voz sola”, escrito 40 anos depois e que não veria publicado em vida:

“Me acuerdo sí me acuerdo / de la noche y del mar. / En mi boca perdura / terco sabor de sal. / Me acuerdo sí me acuerdo / de la noche y del mar. / De los mástiles quietos. […] / Era yo caracola / arca de castidad / madrépora dormida / en un cuenco de paz. […] / Ceñida de albas frías / me supiste apresar. / Recóndita pureza. / Hiriente intensidad. / Milagro más inédito / no se repetirá. […] / ¡Me acuerdo! / ¿Cómo quieres / que lo olvide jamás? / Me quedé allá en la isla / en la noche y el mar”.

“Esta relação a afetou tanto que a partir desse momento dedica grande parte de sua obra poética a evocar obsessivamente esse amor perdido”, assinala De Prada. Precisamente este é um dos poemas incluídos na obra não publicada que Sagi legou ao biógrafo sob a promessa de que não a publicaria até 20 anos depois de sua morte. O motivo era evitar ofender a familiares de Mulder ou outros conhecidos com poemas que podiam considerar-se explícitos. De Prada cumpriu, e com “La voz sola” (2019), começou a reparar o desconhecimento no qual havia caído a autora, que não encontrou editor ao regressar do exílio.

Sagi teve outras relações com mulheres como Marie-Thérèse Eyquem, que chegou a ser secretaria geral do Partido Socialista francês. Também com homens, talvez buscando ter o filho que tanto ansiava e que nunca conseguiu, aventura o escritor. Isto a fez inventar uma filha, Patricia, morta de meningite aos sete ou oito anos e que a investigação de De Prada desmentiu. “Essa filha a inventou. Era filha da dor e da frustração de não ter podido ser mãe”, assinala.

Sagi foi uma mulher excepcional para seus tempos, a quem a Guerra Civil truncou uma carreira literária, desportiva e jornalística de êxito. O difícil encaixe na sociedade da época, em parte por seu feminismo e lesbianismo, e o exílio obrigado acabou relegando-a a uma vida no anonimato. Nos últimos anos se recuperou ao menos parcialmente do esquecimento, mas demasiado tarde para impedir que terminasse seus dias na comarca barcelonesa de Bages imersa em uma solidão quase absoluta.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/poeta-atleta-anarquista-anna-maria-martinez-sagi-resgatada-esquecimento.html#analytics-noticia:relacionada

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Como versos livres
– ao toque dos tico-ticos –
as flores que caem…

Teruko Oda

[Espanha] Atualização sobre nosso companheiro Gabriel Pombo Da Silva | Outubro 2022

Em termos concretos, a situação de nosso companheiro não mudou muito. Aqui vai um resumo das poucas novidades desde o último comunicado aparecido na internet no mês de abril passado. Até agora sempre dizemos que juridicamente um dos problemas a resolver tem que ver com uma confusão deliberada na aplicação de um Código Penal concreto. O de 1973 (que corresponde a uma condenação de 30 anos com a aplicação dos diversos benefícios acumulados nestas décadas), vigente no momento da condenação pelos fatos do ano de 1990. Ou o código de 1995 (que corresponde a uma condenação de 20 anos sem a aplicação dos citados benefícios), evidentemente mais favorável em termos de cálculo.

Recordamos que, teoricamente, sempre devem aplicar o Código Penal mais favorável, mas sabemos que o “sempre” varia segundo quem seja… Gabriel segue sendo quem é e sua determinação, constância e clareza certamente não jogam a seu favor em relação ao tempo. Em todo caso, o Código Penal de 1973 ou de 1995, já deveriam deixá-lo em Liberdade porque está há muitos anos a mais detido.

Com uma lentidão de tempos bíblicos, em 5 de julho chegou a boa notícia: sua sentença pode ser recalculada a 20 anos (deveriam devolver-lhe muitos anos de vida). Como sempre, as coisas não são fáceis, já os tempos da justiça estatal são fisiologicamente longos e há que somar os tempos da vingança política. Dito e feito: esta boa notícia na realidade corresponde ao pronunciamento do Promotor mas a última palavra cabe ao juiz que só tem que confirmar o dito por seu colega e logo apresentar o novo cômputo aos demais tribunais competentes. Não é difícil imaginar como este juiz está tomando todo o tempo que pode (não tem um prazo formal) e não comunicou nada até o momento. Não é de estranhar: Se tivessem aplicado sua própria lei Gabriel já estaria livre!

Como nos surpreendermos também de que em 6 de julho passado, no dia seguinte desta boa notícia, o procedimento italiano “Scripta Manent” (os convidamos a ler mais informação “online”) acabara com sentenças exorbitantes contra vários companheiros? Gabriel Pombo Da Silva: 2 anos por instigação ao delito! Trata-se de uma sentença definitiva sem possibilidade de recurso e que, no momento, ainda não chegou ao Estado espanhol em forma de OEDE (Ordem Europeia de Detenção e Entrega)… cuja emissão na Itália é arbitrária (um livre arbítrio completamente legal para sentenças de 1 a 4 anos). Portanto mais um outro limbo legal.

Apesar deste quadro repressivo, Gabriel está bem e segue mantendo-se em forma física e mental, sempre desde o lado de quem luta com dignidade sem vender-se ao inimigo.

Podem passar meses ou inclusive anos antes de que voltemos a ver nosso companheiro em Liberdade. É importante seguir mostrando nossa solidariedade com atos.

Liberdade para Gabriel Pombo Da Silva! Liberdade para todos!

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/28/espanha-novidades-juridicas-desde-o-ultimo-comunicado-publico-sobre-gabriel-pombo-da-silva-abril-2021/

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Sempre perseguido
o grilo fica tranqüilo
cantando escondido.

Luiz Bacellar

[Peru] O regresso de Miguelina Acosta Cárdenas

Por José Luis Ayala

Joel Rojas resgatou do esquecimento uma mulher maravilhosa que durante muitos anos esteve desterrada da memória social, da política e discussões acadêmicas. Trata-se de Miguelina Acosta Cárdenas (26/11/1887-26/10/1933). Se graduou como advogada na Universidade Nacional Maior de San Marcos (UNMSM). Em 1920 apresentou a tese “Nossa instituição do matrimônio rebaixa a condição jurídica social da mulher”. Se doutorou com “Reformas necessárias do Código Civil Comum peruano tendentes a tornar efetiva a igualdade civil e jurídica do homem e da mulher”. Foi a primeira advogada da classe obreira e das mulheres.

A esplêndida edição de Joel Rojas “Evangelina Acosta Cárdena. Escritos selectos”, (Heraldos Editores), se refere a sua biografia, comentários a sua tese universitária e divulgação de artigos jornalísticos. Sobretudo permite conhecer seus textos políticos inéditos. Desse modo, bem podemos dizer que Miguelina Acosta Cárdenas foi a primeira advogada defensora dos direitos dos trabalhadores e das mulheres, quando era um delito reclamar melhores salários e direitos para uma classe vilmente explorada.

“Por outro lado – diz Joel Rojas – Miguelina teve uma faceta como educadora. Seus artigos ‘Educación e instrucción de la mujer’, ‘Escuelas rurales ambulantes para la educación de los niños indígenas’. ‘Os educacionistas suíços e os textos inéditos sobre a Universidade de Loreto, mostram reflexões sobre esta matéria. Fundou um colégio para senhoritas chamado ‘Bolognesi’ em sua cidade natal e o Instituto Sudamericano para senhoritas no Jirón Lampa 983 (Centro de Lima)”. (1)

Era impossível que na década de vinte no século passado, uma mulher estudasse Direito na UNMSM. A sociedade com uma dura herança colonial, discriminatória e machista, acreditava que as mulheres serviam só para ações domésticas, do lar e reprodução humana. A igreja católica tinha uma marcada influência, sustentava que não devia participar na política porque era um pecado mortal. Menos ainda reclamar seus direitos como trabalhadoras.

Miguelina Acosta Cárdenas que havia vivido na Europa, devido a sua sensibilidade social, educação e leituras, se convenceu de que tinha um compromisso com as mulheres humilhadas e trabalhadoras do Peru. Aderiu ao anarquismo sindicalista, anticlerical e militante. Desse modo se converteu em advogada de trabalhadores, sindicalistas, dirigentes e obreiras. Muitas vezes não cobrava às mulheres que mantinham seus lares com o pouco que ganhavam.

Como escritora seus textos tinham o propósito de intervir não só no debate ideológico da época. Mas que também se converteu em uma mulher que participou na vida política e exposição de ideias, em referência por melhores salários e condições de vida para trabalhadores, mas em relação a um sistema educativo peruano que respondesse aos objetivos do século XX.

Como educadora escreveu artigos destinados a formular uma educação libertária e descolonizar a ideia dominante. A liberdade de pensamento para Miguelina Acosta Cárdenas era essencial, fundamental para fundar uma sociedade livre de toda classe de imposições alheias aos interesses de mulheres trabalhadoras.

“Desta maneira, – diz Joel Rojas – Miguelina faz parte da tradição do pensamento crítico peruano. Esta tradição foi construída não só por homens; mas também por mulheres que ao longo da história peruana foram invisibilizadas ou omitidas do pensamento crítico. Este livro é dedicado a todas as mulheres peruanas por seu importante trabalho que realiza nos diferentes âmbitos e por ser condição de possibilidade de nossa existência”. (Pág.15)

Miguelina Acosta Cárdenas, questionou severamente não só o sistema conservador e inadequado do ensino na UMSM. Pediu que os docentes entregassem o currículo dos cursos, dessa maneira os alunos poderiam alcançar três objetivos: ter uma visão dos conhecimentos a desenvolver. Acesso a uma nova informação. Ampliar os temas desenvolvidos nas aulas. Isto foi proposto por ocasião de uma das tantas reformas universitárias. Pelo que escreveu:

“Entre as reformas propostas pelos alunos esqueceram a principal: A formação de programas analíticos, os mais sintéticos possíveis, programas que devem ser entregues ao matricular-se o aluno. Quando se entra em um cinema, ou em uma simples exposição de quadros, o primeiro que pedimos é um programa, os alunos da Universidade, muitas vezes não conhecem em todo o ano o programa que seria o primeiro que deveria necessitar. Todo o ano assistem a uma representação sem programa que o guie. Só em nossa Universidade se toleram tais coisas! (Pág. 98)

Pouco se conhecia Miguelina Acosta Cárdenas como constitucionalista. No entanto, seus textos a situam como defensora da democracia, separação de poderes e legalidade: “O Estado – diz – não é a nação. O Estado é o grupo que forma o governo e a administração. A Nação, o país, são todos os homens e mulheres que palpitam com o espírito de sua nação e são os únicos que podem dispor do futuro de seu povo que é futuro deles mesmos. O Estado pode alijar-se do país quando é um perigo para seus interesses ou as vidas que o formam. O Estado é rico porque tem em suas mãos toda a riqueza da nação, que por esta mesma razão é pobre para satisfazer as necessidades de cada um que o formam”. (2)

Assim, desde o fundo do tempo e o esquecimento, regressou Miguelina Acosta Cárdenas, para ficar e seguir lutando pela classe trabalhadora.

NOTAS:

1.- Joel Rojas. Miguelina Acosta Cárdenas. Escritos selectos. Heraldo Editores. Pág.14. Lima 2020.

2.- Joel Rojas. Miguelina Acosta Cárdenas. Escritos selectos. Heraldo Editores. Pág. 125. Lima 2020.

Fonte: https://diariouno.pe/columna/el-regreso-de-miguelina-acosta-cardenas/?fbclid=IwAR2s4oD9DIxGJV0PUNlw2EKyXpZsgfETcG2BxQiZcuuFAk2STFAvbd01iVU

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Espanha] Netflix traz para as telas a incrível vida de Lucio Urtubia

Juan José Ballesta interpretará o histórico anarquista de Navarra em “Un hombre de acción” (Um homem de ação).

A incrível vida de Lucio Urtubia, o pedreiro navarro que no final dos anos 70 colocou o banco mais poderoso dos Estados Unidos nas cordas, dá o salto para a ficção audiovisual, com Juan José Ballesta como protagonista, em “Um homem de ação”, que estreará na Netflix em 30 de novembro.

A figura deste histórico anarquista, que morreu em julho de 2020 aos 89 anos de idade, já havia sido objeto de um documentário, “Lucio” (2007) dirigido por Aitor Arregi e José María Goenaga, vários livros e um gibi, “El tesoro de Lucio” (Mikel Santos, 2018), mas não havia sido feito até agora um filme de ficção.

“É uma história de David contra Golias ou como uma pulga pode vencer um elefante”, diz seu direto a Efe, Javier Ruiz Caldera, conhecido por títulos como “Superlópez” (2018), “Promoción fantasma” (2012) ou “Spanish Movie” (2009), sua estreia.

“Temos a tendência de pensar que você não pode fazer nada contra algo tão gigantesco, mas isto realmente aconteceu e mostra que às vezes sim, o impensável pode ser alcançado”, diz o diretor, que está atualmente imerso na filmagem de uma série para outra plataforma.

Nascido na cidade navarra de Cascante em 1931, Urtubia realizou atividades de contrabando enquanto fazia seu serviço militar e quando foi descoberto desertou e fugiu para a França em 1954, onde começou a trabalhar como pedreiro – um trabalho que nunca abandonou – e ao mesmo tempo entrou em contato com as Juventudes Libertárias.

O filme reflete a importância que teve em sua vida conhecer o guerrilheiro antifranquista Quico Sabaté – interpretado por Miki Esparbé -, que ele hospedou em sua casa em Paris durante anos e que o introduziu no mundo dos roubos e furtos para arrecadar fundos para a causa revolucionária.

Com o tempo, Urtubia se afastou do roubo para se especializar em falsificações. Em suas memórias, ele conta que até encontrou Che Guevara para propor um plano para afundar a economia norte-americana enchendo o mercado com dólares falsificados, mas o guerrilheiro argentino não o levou a sério.

Seu maior golpe veio no final dos anos 70, quando ele estafou mais de 20 milhões de dólares do que é hoje o Citibank, falsificando os chamados cheques de viagens. As receitas foram para financiar vários movimentos de guerrilha na América Latina e Europa.

“Ele nunca foi violento”, salienta Ruiz Caldera, “ele costumava dizer que o crime de roubar um banco não é nada comparado a fundar um… ele distribuía a grana para aqueles que precisavam, em sua mente ele fazia para um bem maior”.

Nem Urtubia nem seus familiares estiveram envolvidos no projeto, mas eles sabiam de sua existência e deram seu consentimento, segundo o diretor, que nunca se encontrou com ele, embora o roteirista, Patxi Amezcua, o tenha feito.

“Ele nunca deixou de dar palestras e acho que gostaria de saber que sua vida e seu trabalho seriam transmitidos em 190 países, ele teria se divertido”, diz sobre o paradoxo de que foi um gigante como Netflix que finalmente lança seu filme.

Com uma dedicação final às “novas gerações de anarquistas e libertários”, Ruiz Caldera admite que hoje pode ser difícil encontrar tais herdeiros.

“É verdade que se pode perguntar onde estão hoje os anarquistas, mas acredito que o idealismo não se perdeu, embora às vezes seja complicado trazê-lo à luz, quero acreditar que os valores do filme e o que Lúcio queria transmitir ainda são válidos”.

Neste sentido, ele sublinha o humanismo de Urtubia como um valor fundamental. “Ele colocou a pessoa acima de tudo e a liberdade como um elemento essencial, embora algumas vezes ele entrasse em contradição com sua causa, como quando se casou na igreja e o reprovaram e ele respondeu: ‘um anarquista faz o que quer'”.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Wkm1Cr4pbMk&feature=emb_title

Fonte: https://www.noticiasdenavarra.com/cine-y-series/2022/11/15/netflix-lleva-pantallas-increible-vida-6230687.html

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante 

Winston

[Grécia] Anarquistas nas ruas no 49º aniversário da revolta da Escola Politécnica

Milhares de pessoas participaram na manifestação do 17 de novembro de 2022 em Atenas, no 49º aniversário da revolta da Escola Politécnica em 1973 contra a Ditadura da época.
 
Antes do início da manifestação cerca de 6.000 policiais uniformizados e à paisana haviam sido espalhados no centro da cidade, lembrando-nos que “a Ditadura não acabou em 1973”, segundo um dos lemas gritados na marcha.

Contra o Estado e o capital. O protesto teve grande “presença” anarquista na marcha de Atenas com seus respectivos blocos. Aconteceram confrontos com a polícia no final da marcha.

Em Tessalônica, a marcha foi muito grande. A presença da polícia foi igualmente sufocante como em Atenas. Aconteceram confrontos entre anarquistas e policiais. Em Patras, um grupo de anarquista atacou a polícia com pedras e uma “chuva” de coquetéis molotov (foto).

Manifestações com presença anarquista foram registradas também em outras cidades gregas.

agência de notícias anarquistas-ana

Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

[Grécia] Anarquistas expropriam supermercado em Patras

Na manhã de ontem, 17/11, ocorreu uma expropriação de bens essenciais do supermercado “Arapis” na região da Ag. Sophia e distribuição em uma praça pública próxima. A seguir, reproduzimos trechos do folheto espalhado no local.

“Para frear o aumento do custo de vida que atinge nossas próprias condições de vida”. “Tudo nos pertence porque tudo é roubado”.

“No momento atual, todos nós na base da sociedade estamos vivendo um ataque sem precedentes por parte da elite econômica e política. O Estado e o capital procuram por todos os meios transferir o custo da profunda crise capitalista atual para os pobres, os desempregados, os empregados precários, os mal pagos, os pensionistas e os imigrantes. Um ataque que vem ocorrendo há anos com cortes nos salários, pensões e estruturas assistenciais, com o despedimento e esmagamento de trabalhadores, criminalizando a ação sindical, o desmantelamento da saúde pública, educação, transporte, a pilhagem da natureza para seu “desenvolvimento” e lucros. A crise sanitária da Covid-19 ampliou este ataque. Os ricos estão ficando mais ricos, os pobres e despossuídos estão gemendo sob o peso do desemprego, da insegurança no emprego, do terror dos patrões no local de trabalho e do aumento assustador do custo de vida.”

“Diante de tudo isso, diante da pilhagem de nossas vidas e da natureza, temos apenas a nós mesmos. A solidariedade e a ajuda mútua entre os que estão na base é uma via de sentido único se quisermos enfrentar nossos senhores e lutar com dignidade contra nossos opressores e exploradores comuns. Auto-organização militante nos espaços de escravidão, de classe e de solidariedade social, e resistência coletiva em todas as áreas de exploração e opressão de nossas vidas pelo Estado e pelo capital. Tomemos nossas vidas e toda a riqueza que produzimos em nossas próprias mãos. Nossas necessidades sobre seus lucros!”

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1621864/

agência de notícias anarquistas-ana

Urge a maritaca.
Desafia a paz do dia
a golpes de faca.

Flora Figueiredo

[Grécia] Pichações na embaixada italiana em apoio a greve de fome do anarquista Alfredo Cospito

Durante a marcha anual para o aniversário de 17 de novembro no centro de Atenas, pichações com frases contra o regime 41bis e em solidariedade com Alfredo Cospito foram feitas em um edifício histórico do Banco Nacional da Grécia e outras na embaixada italiana, apesar da presença sufocante da polícia antidistúrbio que seguia os blocos antiautoritários e anarquistas.

Encontramos todos vocês na embaixada italiana na quarta-feira 30/11 às 18h30.

Anarquistas

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agência de notícias anarquistas-ana

primavera
até a cadeira
olha pela janela

Alice Ruiz

[Itália] Ataques em linhas de trem em solidariedade com Alfredo Cospito

Reivindicação de ato de sabotagem contra linhas ferroviárias em solidariedade com Alfredo Cospito em greve de fome

6 DE NOVEMBRO, ROMA – SABOTAGEM DE LINHAS DE TREM EM SOLIDARIEDADE COM O ANARQUISTA ALFREDO COSPITO

Na noite de 6 de novembro, sabotamos linhas ferroviárias de alta velocidade e outras linhas de trem em vários lugares da cidade. Escritos contra o 41 bis foram deixados no local. O objetivo desta ação era dar visibilidade à luta de Alfredo e dos outros prisioneiros em greve de fome. A ação, apesar de ter sido bem sucedida (verificamos que houve grandes atrasos na circulação no dia seguinte), foi silenciada pela mídia.

Reconhecemos o Estado e suas instituições responsáveis pela condição e saúde de Alfredo, e estas tentativas de invisibilizar sua luta não nos deterão: continuaremos a apoiar Alfredo porque sua luta é a nossa luta.

NEM UM PASSO ATRÁS!

FORA ALFREDO DO 41 BIS!

FECHE O 41 BIS!

COM JUAN, IVAN, ANNA E TODOS OS PRISIONEIROS ANARQUISTAS!

VIVA A AÇÃO DIRETA!

VIVA A ANARQUIA!

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2022/11/15/claim-of-sabotage-act-against-rail-lines-in-solidarity-with-alfredo-cospito-on-hunger-strike-rome-italy-november-6-2022/  

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faisão da montanha,
o sol da primavera
pisa sua cauda

Buson

[Itália] Vandalismo em solidariedade com os prisioneiros anarquistas em greve de fome

Janelas e caixas eletrônicos quebrados do Unicredit, Benetton, Banca Popolare di Milano e rojões para a RAI em solidariedade com Alfredo Cospito, Anna Beniamino, Juan Sorroche e Ivan Alocco em greve de fome

Na noite de 12 de novembro, em uma rua de Roma, quebramos as janelas e caixas eletrônicos do Unicredit, Benetton e Banca Popolare di Milano e jogamos fogos de artifício na RAI em solidariedade aos companheiros anarquistas em greve de fome. Para Alfredo, Anna, Juan e Ivan vai nossa solidariedade sem limites.

Uma saudação conspiratória ao povo mapuche em luta.

Contra o 41 bis, contra a prisão perpétua sem liberdade condicional e contra qualquer prisão.

Pela anarquia.

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2022/11/14/shattered-windows-and-smashed-atms-in-solidarity-with-alfredo-anna-juan-and-ivan-on-hunger-strike-rome-italy-november-12-2022/

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agência de notícias anarquistas-ana

As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.

Issa

[Espanha] Algumas razões para a falta de razão

O neofascismo encontrou terreno fértil no vácuo ideológico das sociedades pós-industriais e no relativismo democrático através do qual qualquer partido que obtenha representação parlamentar tem o direito de expressar as suas ideias a nível midiático. Oferecem assim um horizonte ideológico à população; um horizonte criminoso e aberrante, mas um horizonte, não obstante. Criam a ilusão de proporcionar transcendência ao cidadão médio descrente e cético, secretamente desejoso de “emoções fortes”, inscrito na rotina diária de trabalho e na contemplação acrítica a que os meios de comunicação social o obrigam.

O neofascismo é um sintoma negativo do esgotamento supremo da civilização democrática ocidental. As vítimas do neofascismo são facilmente identificáveis, estigmatizadas e indefesas. As pessoas afundadas em vidas vulgares e medíocres satisfazem a sua insipidez ao estabelecerem-se como superiores a outros grupos sociais. Esta ilusão de superioridade é, para eles, o revulsivo de que necessitam. O sentimento de pertencer a uma comunidade escolhida pelo destino para realizar grandes feitos em nome de deus, pátria e família, isenta-os de assumirem responsabilidades ou critérios individuais. “Make America Great Again” ou “Somos as pessoas normais”. “Somos um partido de extrema necessidade” (Santiago Abascal ). O medo de ser diferente, de carregar o peso da própria singularidade, empurra-os para a mente da colmeia quando, paradoxalmente, presumem ser ferozmente individualistas. Esta aparência individualista, implicitamente imersa nos jogos de capital-estado e poder, atrai para o campo neofascista certo ambientalismo, feminismo e parte do movimento LGTBI. É o resultado, num mundo organizado através de hierarquias, da luta para ocupar posições hierárquicas: a esfera do autoritarismo diversifica-se desta forma sem perder um ápice da sua natureza opressiva. Não importa – de fato, faz parte da sua estratégia – quão louco pode ser o discurso neofascista. Quanto mais estranhas e escandalosas forem as suas declarações, tanto mais repercussões terão nas redes e nos meios de comunicação social. O objetivo é tomar o centro do palco e monopolizar o discurso político e social.

O neofascismo é a descendência do que os neoliberais proclamaram como o fim das ideologias quando o sistema soviético entrou em colapso. O fim das ideologias foi na realidade o triunfo do capitalismo e o declínio do socialismo. A piada macabra era que o que era referido como socialismo não era na realidade mais do que regimes autoritários que tinham como bandeira o marxismo-leninismo ou o maoísmo – o que significa que é duvidoso que fossem alternativas libertadoras ao capitalismo. Este colapso da esquerda afetou a socialdemocracia, o comunismo de estado e o anarquismo, que na sua formulação tradicional do comunismo libertário não se apercebeu que o substantivo devorava o adjetivo: qualquer coisa que cheirasse ou fosse identificada ou chamada socialismo era totalmente descartada e desacreditada tanto a nível da elite intelectual como a nível popular. Este estado de prostração durou até à emergência do Movimento de Resistência Global que, apesar das suas dissensões internas causadas por ser uma amálgama de correntes ideológicas diferentes e por vezes opostas, conseguiu uma grande presença pública e apoio popular e serviu de base para atacar o capitalismo com um discurso renovado. Tudo isto serviu para levar ao poder partidos de esquerda e indigenistas, especialmente na América Latina, e com o poder veio o que sempre acontece quando os partidos políticos assumem um discurso que é em princípio emancipatório: a dissolução da base ativista, quer através da cooptação, quer através da marginalização, uma vez que esta tenha sido utilizada como um terreno fértil para os eleitores. Com o desaparecimento público dos MRG, surgiu um segundo momento de vazio ideológico. Tanto a esquerda como a direita ou são transformadas em ditaduras ou não têm outra escolha senão adaptar-se ao velho dualismo democrático de períodos de oposição – períodos de governo, sendo ambos autoritários quando no governo e liberais quando na oposição.

Depois, a seguir, fecha-se no tempo, a Primavera Árabe, 15-M, os coletes amarelos na França, o vigoroso movimento anarquista grego… rebentam mais ou menos simultaneamente como resposta a uma profunda crise capitalista da qual não saímos, nem, presumivelmente, alguma vez iremos sair. Mais uma vez, toda esta agitação foi canalizada através de partidos políticos e eleições gerais que, a longo prazo, geram mais frustração. Mas desta vez essa frustração não será o estímulo para os movimentos sociais emancipatórios, mas o neofascismo, incluindo o neofascismo islâmico, será o meio de dirigir e controlar toda essa raiva coletiva. O exercício de expropriação terminológica levado a cabo pelo movimento neofascista é significativo. Em primeiro lugar, afirma ser antiglobalização, tal como os nazis em tempos passados afirmaram ser anticapitalistas (Krupp, Thyseen, Bayern, Volkswagen e companhia ainda devem estar a rir). Não importa que se trate de uma falácia facilmente verificável: Trump, Abascal, Orban ou Biden vão opor-se à expansão planetária dos GAFA? O que importa é como os termos e conceitos utilizados e popularizados pela esquerda radical são subtraídos e assimilados pelo neofascismo. Como soa Giorgia Meloni quando diz “sim à soberania do povo, não à burocracia de Bruxelas”?

No estado espanhol VOX declara-se um partido de extrema necessidade, roubando um termo que foi originalmente difundido pelo SOC de Marinaleda e a sua figura pública mais proeminente, o Presidente da Câmara Gordillo, que respondeu desta forma quando acusado de ser de extrema-esquerda. Exemplos como este denotam um estudo das correntes sociológicas e um planeamento muito cuidadoso dos contextos culturais predominantes num dado período histórico, e creio que embora os neofascistas tenham uma cabeça cheia de detritos, não é menos verdade que se estão a aplicar inteligentemente à sua tarefa devastadora.

Isto não pode ser contrariado pelo aborrecido e cansativo politicamente correto da esquerda institucional – enfatizar uma responsabilidade individual fictícia igual num mundo dividido em classes sociais e hierarquicamente organizado é equiparar o prisioneiro ao juiz de vigilância penitenciária ou o condutor do camião ao gestor da Repsol. Por outro lado, a esquerda e os meios de comunicação social propagam o discurso neofascista quando falam de imigração ilegal, justificando assim o racismo para-político. Como sempre, os partidos e o autoritarismo não serão a forma de combater outros partidos autoritários. A questão não é se a imigração é legal ou ilegal, a questão é que todas as pessoas têm o direito de viajar e residir em qualquer parte do mundo que lhes agrade. As fronteiras só existem nos mapas, mesmo que infelizmente colonizem muitas mentes.

Aciago Bill

Fonte: https://www.portaloaca.com/articulos/politica/algunas-razones-de-la-sinrazon/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

estrela extinta
milhões de anos-luz
para ser vista

Alexandre Brito

[Espanha] A Copa do Mundo do Catar e o sangue dos trabalhadores

Dentro de poucos dias, o fenômeno universal de alienação coletiva conhecido como Copa do Mundo de futebol começará em um pequeno país árabe. Aparentemente, há alguns anos, foi uma surpresa que o Catar, um lugar sem tradição futebolística e sem infraestrutura, tenha sido premiado com o país anfitrião, com temperaturas acima de 50 graus Celsius, o que explica porque o evento alienante foi adiado para novembro e dezembro.

Lembremos que o país anterior a sediar a Copa do Mundo, em 2018, era a agora criminalizada Rússia. Em 2015, alguns anos após essas decisões, vamos fazer um pouco daquela coisa tão necessária chamada memória histórica, quando foi revelada toda uma trama criminosa ligada à FIFA, com todos os tipos de fraude, comissões e subornos, relacionada às futuras Copas do Mundo na Rússia e no Catar; algo deve ter dado errado para que, mais uma vez, fosse decidido remover líderes para colocar outros em seu lugar e que tudo permanecesse mais ou menos na mesma. De fato, apesar das ocasionais mascaradas policiais e judiciais, a Rússia sediou o evento esportivo alienante e não haveria problema para o Catar fazê-lo anos depois, apesar das alegações de violações de direitos humanos, trabalhadores mortos e corrupção na construção dos estádios. Isto não deve surpreender, pois a mesma situação se repete uma e outra vez neste sistema econômico e político iníquo que sofremos; os empresários, em plena conivência com os poderes políticos que o são, oferecem uma grande ideia para um projeto de grande escala apenas para que todos os tipos de pagamentos sejam feitos imediatamente, de modo que alguns benefícios e os meios de comunicação social se enganem sobre a benevolência do projeto.

Parece incrível que tantos incautos e idiotas continuem a aceitar o discurso de que tudo isso significa investimentos, empregos e novas instalações, neste capitalismo de camaradagem, apesar do fato de que normalmente as despesas são muito maiores do que os benefícios e os que estão no fundo continuam bem e verdadeiramente ferrados. A toda esta ignomínia, neste caso, somam-se estas violações permanentes dos direitos mais elementares, com condições de trabalho insalubres para os trabalhadores que o Catar importou de outros países para a construção de todo tipo de infraestrutura; naturalmente, é impossível conhecer o número real de pessoas mortas, que certamente é muito superior ao número relatado de alguns milhares; dos quais, naturalmente, as autoridades do Catar reconheceram muito poucos, atribuindo as mortes a “causas naturais” e negando qualquer ajuda aos parentes. São os países de origem dessas pessoas, Índia, Bangladesh, Nepal, Sri Lanka ou Paquistão, que forneceram algumas informações esclarecendo que os falecidos estavam de boa saúde, mas estavam sujeitos a duras condições de trabalho em altas temperaturas. As próprias potências ocidentais democráticas, mais uma vez, apoiam um regime repulsivo, o do Catar, na forma de uma monarquia absoluta onde o trabalho é escravizado, as mulheres são discriminadas, a homossexualidade é proibida, a liberdade de expressão é severamente restringida e a pena de morte é praticada.

Lembremos também, apenas para ser perfeitamente explícito, que o Catar é um país rico em petróleo que conseguiu manter um equilíbrio entre os negócios com os Estados Unidos e os conflitos no Oriente Médio. Na verdade, como em tantas partes do mundo, os seres humanos chegam a um país com uma alta renda per capita em busca de algum benefício econômico para encontrar o mais cruel dos infortúnios. Recordaremos também que a federação de futebol deste país inefável, chamada Reino da Espanha, com os grandes clubes na vanguarda, tendo patrocinadores do Oriente Médio, apoiou sem hesitação a candidatura do Catar para a Copa do Mundo. A realidade é que tudo em um sistema globalizado é amarrado firmemente pelos poderosos; desta vez, a tão falada democracia é posta de lado quando importa, o que ninguém acredita em lugar algum, e os direitos humanos não importam nada. Exigir, como alguns fazem, que o regime do Catar reconheça e compense as vítimas, e que as federações de futebol denunciem a violação dos direitos humanos, é apenas um sinal de ingenuidade em não entender toda esta conspiração criminosa. Um sistema especificamente nauseante, o deste pequeno país, que procura lavar sua imagem através da celebração de grandes eventos e com o patrocínio de grandes clubes e empresas naqueles países que têm a coragem de falar sobre liberdade e direitos humanos. Ocorre que nenhuma organização, nenhum evento, é inocente no mundo político e econômico em que vivemos; se também for temperado com competições esportivas nobres, que causam tanta alegria entre as massas, tanto melhor.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/el-mundial-de-qatar-y-la-sangre-de-los-trabajadores/

Tradução > Liberto

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Tarde no parque
As cores do pôr-do-sol
admiro sentada.

Mileni Vitória Freitas – 10 anos

[Itália] Uma atualização importante sobre o anarquista Alfredo Cospito, em greve de fome há 27 dias

Atualização sobre a situação de Alfredo Cospito, que está em greve de fome desde 20 de outubro contra os 41 bis e a pena perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Alfredo perdeu 16 quilos até o momento e está de boa saúde em geral. Ele ainda não está tomando nenhum suplemento alimentar. Informamos também que o reexame da medida 41 bis contra ele foi marcado para 1º de dezembro. A audiência é muito importante, pois terá que decidir sobre a legitimidade da decisão da anterior ministra da Justiça Marta Cartabia de aplicar o regime prisional 41 bis contra nosso companheiro.

Solidariedade com Alfredo Cospito!

(A)

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o monte liso
contra o céu uma só árvore.
Gesto de vitória!

Alexei Bueno

Buscamos escritoras ou pesquisadoras feministas

Bom dia,

Buscamos duas pessoas feministas, escritoras ou pesquisadoras com uma formação transdisciplinar e com afinidade com o trabalho da Tenda de Livros (que acreditam no que produzimos e acreditem em um feminismo latino-americano com pessoas trans e não binárias em atuação, recomendam-se afinidade e conhecimento sobre anarquismo).

As duas pessoas farão resenhas sobre os 2 últimos livros da coleção Charlas y Luchas, sobre Juana Rouco Buela e Margarita Ortega Valdés.

Os textos serão publicados no nosso blog e as pesquisadoras serão remuneradas pelo trabalho que deve ser entregue em dezembro.

Interessou? Mande seu portfólio e carta intenção por e-mail (contato@tendadelivros.org) até dia 30 de novembro.

Aceitamos textos em português e espanhol.

(lembre-se de falar da Tenda e de você na carta e também da coleção Charlas y Luchas).

agência de notícias anarquistas-ana

As cores da noite
recamadas de silêncio
preparam o dia.

Eolo Yberê Libera