[Argentina] Família de Santiago Maldonado se pronuncia sobre corpo encontrado no rio Chubut

Família e juiz responsável pelo caso afirmaram que não é possível confirmar identidade de corpo encontrado antes de perícia

A família do jovem anarquista Santiago Maldonado — desaparecido desde o último 1º de agosto na Argentina — emitiu um comunicado na madrugada desta quarta-feira (18/10) pedindo respeito pelo momento difícil que está vivendo. Na tarde de terça-feira (17/10), um corpo foi encontrado nas proximidades do rio Chubut, na comunidade de Pu Iof Cushamen, onde Maldonado foi visto pela última vez — quando foi abordado por forças militares durante um protesto indígena.

Em relação ao corpo encontrado no dia de ontem na comunidade Pu Iof Cushamen, a família quer salientar que o achado ocorreu em uma zona do rio que já havia sido rastreada em três oportunidades. Até que sejam realizadas as perícias pertinentes, não é possível estabelecer a identidade e nem as causas da morte. Pedimos, por favor, que se respeite o difícil momento que vivemos. Muito obrigado”.

A busca em que foi encontrado o corpo se deu por ordem do juiz Gustavo Lleral. Ele assumiu há duas semanas a investigação sobre o caso de desaparecimento forçado — que ocorre quando uma pessoa é secretamente presa ou sequestrada por uma organização política ou estatal, de acordo com a Declaração Universal de Direitos Humanos adotada pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). O próprio Lleral também já declarou que não é possível confirmar a identidade do corpo até que existam provas suficientes.

Nas últimas semanas, protestos reuniram multidões em Buenos Aires e em outras cidades da Argentina, em que os manifestantes pediam a renúncia da ministra de Segurança, Patricia Bullrich, e gritavam: “Onde está Santiago Maldonado?”.

Fonte: http://www.santiagomaldonado.com/comunicado-la-familia-1810/

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de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

[Argentina] “O anarquismo promovia o amor livre mas condenava a homossexualidade”

Em seu ensaio “Amor y anarquismo”, a socióloga Laura Fernández Cordero revisa as experiências anarquistas que faz mais de um século enfrentaram os protocolos de intimidade e família fixados pelo Estado e a Igreja para contrapô-los com as atuais discussões em torno ao matrimônio, a identidade sexual e a violência de gênero.

A efervescência anarquista que acompanhou o surgimento do movimento obreiro na Argentina durante 1890 e 1930 não se limitou a discutir os métodos da greve e a iniquidade de classes: também houve margem para propor debates sobre a crise do matrimônio burguês – sob a convicção de que era uma instituição que implicava graus de submissão e prostituição – e a conveniência de promover uma sexualidade sem restrições.

Na realidade, o ideário de amor livre e mulheres emancipadas – outro dos bastiões do discurso anarquista – manteve um núcleo subversivo mas não conseguiu escapar do sinal dos tempos e terminou preso no paradoxo da liberdade sexual ao mesmo tempo que rechaçava a homossexualidade e não reconhecia para o gênero feminino um modelo alternativo à maternidade.

Em “Amor y anarquismo” (Siglo XXI Editores), Laura Fernández Cordero explora estas contradições e traça um percurso por algumas experiências que, submersas na promessa de uma revolução social em marcha, buscaram reformular a noção de amor e erotismo – como o evidenciam as situações de sexo múltiplo que aconteceram em uma colônia anarquista no Brasil – ao mesmo tempo que denunciavam a sequência de violência nas fábricas e no âmbito doméstico. Eram os anos de “a Patagônia trágica”.

Socióloga e pesquisadora do CONICET, Fernández Cordero coordena atualmente o programa de Memórias políticas feministas e sexo genéricas que leva adiante o Centro de Documentação e Pesquisa da Cultura de Esquerdas (CeDin) da Universidade de San Martín.

Télam: Como se explicam os lemas de amor livre levantados por agrupações anarquistas que ao mesmo tempo combatiam a homossexualidade?

Laura Fernández Cordero: O livro se aprofunda no anarquismo mas seus temas, como a preocupação pela sexualidade ou o lugar da mulher não são exclusivos deste movimento, mas são compartilhados por muitas expressões libertárias utopistas e emancipatórias. É certo: o anarquismo promovia o amor livre mas ao mesmo tempo condenava a homossexualidade. Igualmente o anarquismo dialoga e discute com um contexto. E é assim como compartilha essa marca de época que se visibiliza no acento heterossexual e o combate da homossexualidade como uma aberração. O século XX é o momento no qual se constrói a noção de que o homossexual é uma pessoa e está orgulhoso desta identidade, enquanto que entre o XIX e as primeiras décadas do XX a homossexualidade estava atravessada pela ideia de enfermidade. Isso se evidencia também na utilização do vocabulário para referir-se aos homossexuais: sodomitas, pederastas, uranistas…

T: Que outras marcas de época registra o pensamento anarquista?

L.F.C.: Gostaria de ter detectado que o anarquismo fosse libertário em todos os temas. No entanto, não foi isso o que encontrei ao longo da pesquisa, na qual além da condenação à homossexualidade, aparecem também viés moralistas no discurso de algumas mulheres. Um dos paradoxos do anarquismo destes anos é que se dá um discurso de liberdade sexual em um contexto onde há pouco desenvolvimento dos métodos anticonceptivos e onde o aborto está criminalizado. Por outro lado há uma preocupação pela saúde antes da questão da liberdade sexual, que leva a um processo de forte medicalização. Tanto é assim que a Argentina tem até 1936 uma lei de psicoprofilaxia. Estas coisas marcam todo o tempo a tensão entre o ideário da liberdade sexual e as condições de possibilidade para exercê-la.

T: Nessa época era mais difícil agitar bandeiras sobre a emancipação da mulher, diferentemente das épocas atuais nas quais recrudesceu a violência de gênero?

L.F.C.: Não posso deixar de interpor meu olhar de socióloga para perguntar-me onde estão as cifras que permitam falar de um crescimento da violência de gênero através do tempo, antes que de uma visibilidade de uma problemática que já estava presente. Creio que há um componente de recrudescimento, mas também é a visibilidade do tema a que parece gerar uma leitura distinta, como de fenômeno novo. Isto tem o agravante de certas hipóteses que sustentam que a violência cresce porque nós mulheres nos empoderamos, quer dizer, parece que a culpa sempre é nossa.

T: Os lemas de liberação sexual defendidas pelo anarquismo conservam algo de seu substrato subversivo?

L.F.C.: O que não envelheceu esse slogan que tem as anarquistas de “anarquia, liberdade e as mulheres a esfregar”. Creio que o trabalho doméstico reverbera como uma assinatura pendente. E também sobrevive essa tensão entre a teoria do amor livre e o fato de encontrarem-se os varões com mulheres desejantes. Quanto se bancam hoje os homens a uma mulher desejante, que é parte do discurso que eles mesmos propagam? E isso leva a outra questão: quanto se banca hoje o varão reconhecer-se no lugar do opressor? Toda essa questão da politização do lar foi em seu momento muito instalada pelo anarquismo e outros movimentos. Os anarquistas manifestam muito cedo isto de que não haverá uma sociedade nova se não podemos pensar as formas do amor e a família, claro que com os limites que marcavam a época. Outro aspecto que hoje se mantêm tem que ver com a maneira de posicionar as mulheres: antes de tudo são mães. O anarquismo, nesse sentido, é fortemente maternalista.

T: Em que medida a discussão sobre o matrimônio burguês e a monogamia pode dissociar-se da matriz capitalista?

L.F.C.: O ideário básico propõe que o matrimônio é uma instituição capitalista, burguesa, que organiza os afetos, a sexualidade, a paternidade, a maternidade e a herança. Há no entanto outras vozes dentro do anarquismo que propõem a possibilidade de construir famílias libertárias dentro dos limites do capitalismo. O mesmo no amor livre, onde se propõem modelos alternativos que hoje se poderiam equiparar com o que se chama poli amor. Todos os experimentos desenvolvidos pelos anarquistas demonstram que não resulta tão simples tomar distância do capitalismo. Nossa sociedade está muito baseada em sistemas de parentesco e em alianças matrimoniais, incentivadas inclusive pelo Código Civil que se aprovou recentemente.

Fonte: https://www.elpatagonico.com/o-anarquismo-promovia-o-amor-livre-mas-condenaba-a-homossexualidade-n1568616

Tradução > Sol de Abril

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Arco-íris no céu
Está sorrindo o menino
Que há pouco chora

Priscila Zentil

[Grécia] Onda de julgamentos de processados pela luta antimineração em Calcídica

Nos próximos dois meses se realizarão ao menos sete julgamentos de dezenas de lutadores contra as minas de ouro em Calcídica. A seguir, uma breve informação sobre estes julgamentos, pedindo a difusão da notícia.

Em 12 de outubro de 2017 na cidade de Políguiros (Calcídica) se realizou o julgamento dos 23 detidos pelas forças repressivas durante a invasão das denominadas forças antidistúrbios dos povoados de Calcídica, em 7 de março de 2013. Aquele dia no povoado de Ierissós três mil pessoas estiveram lutando com grande valor e insistência contra as forças pretorianas do Regime. A fumaça dos muitíssimos gases lacrimogêneos disparados por elas cobriu durante várias horas o céu por cima dos povoados. Os policiais não duvidaram em disparar gases lacrimogêneos nos pátios das casas do povoado, até no interior do edifício da escola primária local.

Em 16 de outubro de 2017 na mesma cidade se realiza o julgamento de alguns dos mineiros valentões da empresa mineradora Elinikós Jrisós (Ouro Grego), marionete na Grécia da multinacional Eldorado Gold. Em 15 de março de 2013 uns trinta títeres da empresa irromperam no povoado Megali Panaguiá e se puseram a insultar e agredir os habitantes do povoado que se opõe à destruição do meio ambiente de sua província. Alguns deles não duvidaram em entrar em casas, pegar e maltratar as pessoas, e destruir seus pertences. Entre as pessoas agredidas estava um obreiro florestal. Notamos que os meios de desinformação burgueses que elogiam a propriedade privada, silenciaram totalmente estas agressões.

Em 27 de outubro de 2017 se realizará na mesma cidade o julgamento dos nove detidos durante um evento celebrado em 15 de janeiro de 2015, durante uma concentração de protesto fora do recinto das minas. Os manifestantes haviam construído simbolicamente um pequeno muro de ladrilhos fora da entrada do recinto. Uns dias antes o diretor geral da empresa mineradora havia pedido “construir a unidade”.

Em 9 de novembro de 2017, nos tribunais de Tessalônica se realizará o julgamento dos acusados de haver participado no ataque incendiário à zona mineira de Calcídica, realizado em 17 de fevereiro de 2013. Umas cinquenta pessoas haviam entrado na zona de obras cercada, e puseram fogo nos depósitos e nos veículos da empresa mineradora. Em nossa postagem intitulada “O papel sujo dos meios desinformativos no caso do ataque incendiário à zona mineira de Calcídica”, podes ler detalhes interessantes sobre a manipulação e tergiversação da notícia pelos meios de desinformação.

Em 10 de novembro de 2017 se realizará na cidade de Políguiros (Calcídica) o julgamento dos acusados de haver reagido ao ataque que receberam por parte dos valentões da Eldorado Gold em 15 de julho de 2013, regressando com seus carros de uma concentração de protesto fora dos tribunais de Políguiros. A Polícia não só fez vista grossa, mas deteve alguns dos agredidos…

Em 27 de novembro de 2017 se realizará na mesma cidade o julgamento das catorze pessoas detidas em 21 de outubro de 2013 em uma manifestação contra as minas de ouro, e de outra pessoa, acusada de haver carregado em sua caminhonete lutadores perseguidos pelos policiais. A Polícia confiscou a caminhonete e uns meses mais tarde o Estado a colocou em leilão ilegalmente e a vendeu…

Em 13 de dezembro de 2017 se realizará em Tessalônica o julgamento de cinco pessoas, detidas durante a manifestação antimineração de 9 de setembro de 2012, na qual a Polícia atirou selvagemente contra os manifestantes.

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/oleada-de-juicios-de-encausados-por-la-lucha-antiminera-en-calcidica/

Tradução > Sol de Abril

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O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

[França] Assim é a justiça francesa…

Desde 2007, na França, a polícia mutilou com suas armas aproximadamente 50 pessoas no rosto: olhos vazados, narizes explodidos, sequelas cerebrais… Estas mutilações causadas pelo novo arsenal de manutenção da ordem, balas de borracha e granadas de desaceleramento e ensurdecedoras, são irreversíveis. Cada ferido guardará sequelas para a vida toda. Na totalidade desses casos, é a impunidade que predomina. Sequer um dia de prisão foi dado a algum policial atirador. Dezenas de pessoas marcadas na carne esperam justiça.

Quarta-feira 11 de outubro, o tribunal da Paris deu sua deliberação no caso do carro de polícia incendiado na rua Valmy, em maio de 2016. As imagens impressionantes mostradas pelas mídias, mas de simples danos materiais. O fogo sobre a carroceria. Como previsto, os juízes condenaram 7 processados ao final de um processo político delirante, sem sequer uma sombra de prova. Somadas todas as penas, 30 anos foram distribuídos. 30 anos. Dos quais 18 em regime fechado.

A medida que a impunidade do aparelho policial se reforça e que as violências do Estado se generalizam, aqueles e aquelas que resistem são submetidos ao endurecimento da repressão judicial. A polícia bate nos corpos, a justiça bate nos espíritos punindo culpados para dar exemplo. A cada vez, trata-se de aterrorizar.

Solidariedade com os inculpados! Sem justiça, sem paz!

Nantes Révoltée

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Cresci com gorjeios
sobre a jabuticabeira
entre os sabiás.

Urhacy Faustino

Sobre a recente polêmica em torno do caso da exposição de arte queer no Museu Santander Cultural de Porto Alegre (RS)

A tal exposição polêmica foi patrocinada pelo grande Capital (Banco Santander) e o Estado (Lei Rouanet) e suspensa devido a uma invasão agressiva ao museu em protesto contra a mostra, perpetrada por um grupo de conservadora/es da direita.

O que está para além da questão superficial – sobre a qual a ‘esquerda’ se limita – da defesa das ‘bandeiras das diversidades’ neste caso, é a associação dos interesses do grande Capital & Estado com as tais bandeiras, para desse modo perpetuarem o sistema pela abertura de novos nichos de mercado de consum(ism)o e pela legitimação da falaciosa ‘democracia’ através da ilusória ‘inclusão’ de ‘minorias’: a quimera da ‘ampliação das liberdades’ neste sistema onde as tais ‘liberdades’ estão umbilicalmente vinculadas e condicionadas à posse de ‘meio circulante’ – moeda.

Em nossos dias, a/os anarquistas coerentes precisam ser mais esperta/os, para não se deixarem levar pelas superficialidades das disputas entre direita e ‘esquerda’, que apesar de toda a ‘dramaticidade’, não extrapolam – e são até mesmo ‘solidárias’ com – as grandes linhas de estratégias do sistema.

Ou será que devemos pensar que a transformação de ‘excluída/os’ em mera/os ‘cidadã(o)s’-serva/os do Estado, produtivistas/consumistas do mercado, representa de fato uma verdadeira ‘revolução’ emancipadora da humanidade?

Que o digam as populações negras dos países colonizados pela Europa central (fornecedoras da maior ‘massa’ de força de trabalho produtora das riquezas historicamente acumuladas pelos colonizadores), ‘emancipadas’ da escravidão de ontem, e hoje ‘incluídas’ no regime da verdadeira servidão do trabalho assalariado e das dominações burocráticas governamentais.

Nosso projeto de ‘revolução’ (anarquista) sempre foi para muito além da mera ‘liberdade’ de escolher o patrão, o governante, o banco e/ou o shopping: nossa revolução é pela abolição de tudo isto!

Nosso projeto de revolução é pela liberação da nossa humanidade em sua inteireza, e não apenas ‘em partes’.

Vantiê Clínio Carvalho de Oliveira

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chuva e sol,
olhos fitando os céus –
arco-íris ausente.

Rosa Clement

[Espanha] Lançamento: “A bala e a palavra. Francisco Ascaso (1901-1936). Vida acidental de um anarquista”, de Luís Antonio Palacio Pilacés e Kike García Francés

Francisco Ascaso, sem nenhum gênero de dúvidas, uma das mais renomadas e, quiçá, menos conhecidas figuras do universo libertário ibérico.

A informação sobre sua apaixonante e desconhecida vida sempre esteve reduzida aos escassos e contraditórios dados que se podem retirar das autobiografias raramente objetivas de seus companheiros de militância.

Ele entrou em contato com o poderoso ideal ácrata na cidade de Zaragoza, onde foi preso injustamente durante dois anos pelo assassinato de um jornalista no qual não teve nenhuma participação.

Uma vez em liberdade revidou quando, já estando nas fileiras do grupo ‘Los Solidarios’, acabou com a vida do cardeal Juan Soldevilla, bastião das posturas ultraconservadoras no seio da Igreja espanhola.

Preso depois de poucos dias, fugiu da cadeia e buscou refúgio na França, país no qual, junto com Durruti e outros companheiros, atravessou o Atlântico para realizar uma incrível peripécia que através de meia América o levaria desde Cuba até a Argentina, atuando igualmente como agitador das massas e expropriador de bancos.

Regressando à França, um intento fracassado para acabar com a vida de Afonso XIII os levou até Bruxelas, onde foram deportados pelas autoridades locais depois de um tortuoso processo judicial contra o qual se deu uma impressionante campanha internacional de apoio. Francisco então volta para a nova Espanha republicana convertido em uma figura política de primeira ordem, e durante esses anos voltou seus trabalhos ao grupo Nosotros com seu cargo de secretário geral no Comitê Regional da Catalunha da CNT.

Sua faceta pública nunca o impulsionou a renunciar seu papel como homem de ação e não duvidou em se implicar profundamente na insurreição de janeiro e dezembro de 1933. As autoridades não perdoaram seu presente e nem esqueceram o seu passado, razão pela qual foi vítima de torturas, prisões e até deportações para as colônias africanas.

Morreu em 20 de julho de 1936 quando lutava à frente do povo em armas diante do quartel de Atarazanas, o último obstáculo que o separava da vitória e do início da Revolução que tanto havia entregado desde sua primeira juventude. Esse trabalho, primeira monografia extensa sobre a formidável aventura de sua vida, trás à luz novos detalhes em torno de sua figura, resolve algumas contradições historiográficas e lança luz sobre uma personalidade digna do melhor roteiro de cinema.

La bala y la palabra. Francisco Ascaso (1901-1936). Vida accidental de un anarquista

Luís Antonio Palacio Pilacés y Kike García Francés

La Malatesta Editorial, Madrid 10/2017.

454 págs. Rústica, 21×15 cm.

ISBN: 9788494171291

15.00€

lamalatesta.net

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Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti

Artista russo Piotr Pavlenski é preso em Paris após atear fogo na fachada do Banco da França

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Este artista e ativista anti-Putin, simpático às ideias anarquistas, é conhecido por seus protestos radicais e auto-mutilação.

O artista russo Piotr Pavlenski foi detido na madrugada desta segunda-feira (16/10) depois de incendiar a fachada de uma filial do Banco da França em Paris.

Os bombeiros chegaram por volta das 4h00 para “apagar o fogo de origem criminosa ao lado da fachada do Banco da França”, disse um porta-voz do banco.

De acordo com imagens postadas nas redes sociais, Pavlenski, vestido de preto e com cabeça raspada, ateou fogo às paredes do prédio e parou de frente para a porta.

O artista, acostumado a realizar grandes atos de protesto, foi preso juntamente com sua parceira, Oksana Chaliguina.

“O banco não abrirá até novo aviso. O Banco da França não poderá realizar seus serviços”, afirmou um porta-voz da instituição financeira à imprensa local, acrescentando que apresentará uma denúncia formal.

Piotr Pavlenski e sua parceira obtiveram asilo político na França em maio passado. O artista, que desafiou o Kremlin em várias ocasiões, afirmou que corria o risco de ser preso por dez anos em seu país.

Pavlenski, de 33 anos, é conhecido por suas “performances” políticas. Em 2013, cravou seus testículos no pavimento da Praça Vermelha e, em 2012, cortou a boca para protestar contra a prisão da banda Pussy Riot.

Fonte: agências de notícias

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Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

Teruko Oda

Piotr Riabov é deportado pelas autoridades da Bielorrússia e proibido de entrar no país por 10 anos

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Nesta segunda-feira (16/10), por volta das 21 horas (horário local), Piotr Riabov foi liberado da prisão de Baranovichi e colocado sob escolta em um trem para Smolensk (cidade russa, próxima da fronteira com a Bielorrússia). O Departamento de Cidadania e Migração da polícia local decidiu deportar Riabov e proibi-lo de entrar na Bielorrússia por 10 anos.

Também foi relatado que na estação de Baranovichi foi detido o ativista local de direitos humanos Alexander Voyteshika, que acompanhava Riabov. Ele foi detido provavelmente por ter filmado os policiais que escoltavam Riabov.

Recordando

O filósofo russo, historiador e anarquista Piotr Riabov viajou à Bielorrússia para palestrar, mas sua palestra em Gródno foi invadida pela polícia no dia 09 de outubro. Ele e o público presente no evento foram detidos e na sequência liberados. Mas, quando ele se preparava para retornar à Moscou no dia 10 de outubro, foi preso. Posteriormente, no dia 11 de outubro, foi condenado a 6 dias de prisão por “difusão de materiais extremistas”. Em protesto entrou em greve de fome.

Fonte: https://pramen.io/ru/2017/10/ petr-rabau-departavany-z- belarusi-na-10-god/

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pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra