Apps de Encontros: Vazando nossos dados íntimos e mediando nossas interações mais pessoais

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Aplicativos de encontros vem crescendo de forma rápida e transformando como muitas pessoas se relacionam afetivamente. O Tinder, aplicativo lançado em 2012, é líder mundial e já em 2015 tinha 24 milhões de usuários cadastrados. Em número de usuários, o Brasil está na terceira colocação no ranking mundial. Concorrendo com o Tinder, existem muitos outros apps desenvolvidos para demografias específicas: Grindr com foco na comunidade gay masculina, Her e Wapa para a comunidade lésbica e Casualx, para quem busca sexo casual.

Alguns problemas são visíveis em cada um desses aplicativos. Como se tratam de softwares com fins lucrativos e de código fechado, não temos acesso ou controle sobre como seus algorítimos funcionam, nos classificam e o que fazem com nossos dados íntimos. Acabamos nos submetendo a divisões arbitrárias – como quem possui uma conta grátis e quem é usuário premium – e ampliamos a superficialidade de nossas relações, pondo uma tecnologia privada sob a qual não temos qualquer controle para mediar ainda mais uma de nossas interações com outros seres humanos.

Um novo artigo da Coding Rights, aponta que a forma como essas empresas manejam nossos dados não têm sido a mais ética, e viola até mesmo seus próprios termos de privacidade. Denúncias de vulnerabilidades, repasse de dados privados para outras empresas e vazamento de informações têm deixado usuárixs com ainda menos controle de sua privacidade e quais dados desejam compartilhar.

Leia o artigo completo aqui: https://chupadados.codingrights.org/suruba-de-dados/

Fonte: https://www.mariscotron.libertar.org/2017/06/16/apps-de-encontros-vazando-nossos-dados-intimos-e-mediando-nossas-interacoes-mais-pessoais/

agência de notícias anarquistas-ana

chuva e sol,
olhos fitando os céus –
arco-íris ausente.

Rosa Clement

Professora da USP lança biografia alentada do escritor Lima Barreto

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65 anos depois da publicação da obra de Francisco de Assis Barbosa, sai um estudo atualizado da vida do autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”

Lima Barreto, mais conhecido pelo romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma” — cujo protagonista é um simulacro de Dom Quixote —, é um escritor cada vez menos subestimado, graças aos leitores, que nunca deixaram de recorrer aos seus livros em busca de boa literatura, e dos professores universitários. Pode-se dizer que o livro “A Vida de Lima Barreto” (José Olympio, 462 páginas), de Francisco de Assis Barbosa, reinventou-o e reposicionou sua obra — tal a qualidade da biografia.

Mas triste do país que, tendo um escritor tão importante, não tem biografias atualizadas para reinterpretá-lo. Felizmente, um pouco do apagão desaparece com a publicação de “Lima Barreto — Triste Visionário” (Companhia das Letras, 704 páginas), de Lilia Moritz Schwarcz. A obra da professora da Universidade de São Paulo é publicada 65 anos depois da obra pioneira de Francisco de Assis Barbosa. Mas só temos a comemorar: antes tarde do que nunca.

Fonte: http://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/professora-da-usp-lanca-biografia-alentada-do-escritor-lima-barreto-96974/

agência de notícias anarquistas-ana

as nuvens vermelhas,
o sol sumindo no rio
– silêncio noturno

Zemaria Pinto

Como 7 ditadores usaram a arquitetura para influenciar e intimidar

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A arquitetura é política. Enquanto isso irrita alguns, energiza outros. E, mesmo conscientemente escolhendo não pensar nos edifícios politicamente, assume-se uma posição política. Desta forma, não há escapatória e muitos governos e figuras poderosas ao longo da história abraçaram sua natureza política e a utilizaram para promover suas ideias. A construção de edifícios está entre os indicadores visuais mais claros e óbvios de poder e posição econô ;mica de uma sociedade. Para um novo governo tentando projetar poder e prosperidade, por exemplo, a arquitetura pode ser a maneira mais rápida e incontestável para mostrar seu sucesso. Embora muitas ditaduras dependam também de estratégias mais intangíveis, como a propaganda e a cri ação de um culto à personalidade, examinar a abordagem de um regime em relação à arquitetura pode dizer muito sobre seus valores.

O relacionamento e a abordagem de um ditador com a arquitetura como um movimento estratégico (ou falta dele) é a primeira indicação das crenças e objetivos da liderança para um país. Esse governo quer desenvolver e construir o país ou destruir suas raízes? O estilo da arquitetura criada sob uma ditadura também é importante, pois é frequentemente usado para transmitir uma mensagem alinhada com a política do governo ou para implicar um senso de poder e grandeza. Por fim, os tipos de edifícios p riorizados por um regime ilustram claramente seus principais interesses e objetivos – um governo que se concentra na construção de escolas e hospitais envia uma mensagem diferente de um que constrói principalmente prisões e fortalezas. Abaixo está uma lista de ditaduras históricas e suas abordagens arquitetônicas enquanto estiveram no poder, a partir do qual podemos traçar conexões e conclusões sobre os próprios governos e ver como a arquitetura é alimentada em suas ideologias mais amplas.

A arquitetura da Alemanha de Adolf Hitler (1933-1945)

Talvez o exemplo mais estudado e bem conhecido de arquitetura ditatorial seja a de Adolf Hitler e seu arquiteto de confiança, Albert Speer. Speer tornou-se o arquiteto chefe de Hitler e o responsável por trazer à vida os sonhos arquitetônicos de Hitler para uma “nova Alemanha”. O regime de Hitler teve um forte interesse em mostrar poder e prosperidade ao público e ao resto do mundo.

Os objetivos para refazer a Alemanha em sua imagem ideal, portanto, envolveram muitos edifícios novos e um estilo distinto de arquitetura que emanava poder. Espaços enormes, super dimensionados, enfatizavam o indivíduo em favor do Partido e as formas rígidas e dramáticas eram imponentes e intimidantes. Speer citava o estádio Zeppelinfeld como seu trabalho mais bonito e o único que resistiu à prova do tempo. Com capacidade para 340 mil pessoas e equipado com 130 holofotes antiaéreos para dramaticida máxima durante a noite, o edifício gigantesco simboliza o estilo arquitetônico nazista (e fa scista): enorme, repetitivo e desumanizante.

A arquitetura da Itália de Benito Mussolini (1922-1943)

A arquitetura fascista geralmente emprega simetria e simplicidade e tornou-se popular com a ascensão de Benito Mussolini. Para levar a Itália de uma democracia a uma ditadura, ele utilizou propaganda na mídia e arquitetura para criar uma identidade. Mussolini usou esse novo estilo de arquitetura para unificar a nação e tentar marcar uma nova era cultural. Com algumas semelhanças à arquitetura romana antiga, os edifícios criados sob Mussolini foram concebidos para transmitir uma sensação de temor e intimidação através da sua escala e massa, muitas vezes construídas de pedra p ara implicarem um regime duradouro.

Mussolini queria que seus edifícios proporcionassem uma sensação de orgulho histórico e nacionalismo ao povo da Itália. Um dos projetos mais notáveis de Mussolini é o distrito de EUR (Esposizione Universale Roma) em Roma, onde ele esperava realizar a feira mundial de 1942. Embora a exposição nunca tenha ocorrido devido à Segunda Guerra Mundial, muitos edifícios foram construídos, incluindo o Palazzo della Civiltà Italiana, símbolo da arquitetura fascista italiana.

A arquitetura da Espanha de Francisco Franco (1936-1975)

Francisco Franco pode ter visado um Estado totalitário fascista, inspirado na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler, mas, enquanto a Espanha ficou um pouco abaixo dos seus objetivos, Franco incorporou as práticas de propaganda e simbolismo utilizadas pelos outros dois ditadores, incluindo o uso da arquitetura como ferramenta . Uma grande diferença entre Franco e os outros foi o uso que o regime faz do catolicismo para aumentar sua popularidade no mundo católico. Franco instituiu o catolicismo como a religião do da Espanha, favorecendo o catolicismo romano conservador acima de tudo, e muitos dos edifícios e monumentos que seu governo erigiu eram de natureza religiosa.

Os monumentos religiosos em larga escala deveriam mostrar tanto a força como a benevolência da igreja católica para atrair o público, mas também comandar a obediência. A grande escala e austeridade dos monumentos controlam o respeito solene não só à religião, mas também ao regime de Franco. O estilo da grandeza monumental conscientemente criada de edifícios como o Valle de los Caídos foi modelado no classicismo internacional ao longo das linhas dos edifícios de Albert Speer e do EUR de Mussolini.

A arquitetura da União Soviética de Joseph Stalin (1924-1953)

A arquitetura estalinista foi muito além da Rússia para influenciar vários outros países que estiveram sob o domínio da União Soviética ou se beneficiaram de seu apoio ao longo da história. Mas foi na Rússia onde tudo começou. Sob Joseph Stalin, todas as cidades foram construídas de acordo com um plano de desenvolvimento e os projetos seriam desenhados para um distrito inteiro de cada vez, mudando rapidamente e definitivamente a aparência de uma cidade. Enquanto o estilo soviético que se espalhava era principalmente uma versão rígida e brutalista do neo-classicismo, ha via mais variedade na Rússia. Stalin usou edifícios como uma representação direta da classe, com os oficiais de Stalin no topo e um tipo de edifício para cada classificação em sua hiera rquia, diferenciados por características como penthouses, bay windows ou ornamentos no exterior.

“Arranha-céus de Stalin” ou as “Sete Irmãs” são sete prédios em Moscou, projetados em uma mistura de estilo barroco e gótico russo. Mais importante do que o estilo arquitetônico específico, no entanto, era a escala e a massa total dos edifícios. Os arranha-céus são grandes, monolíticos e intencionalmente impressionantes para mostrar a força do regime comunista e a modernidade da cidade de Moscou.

A arquitetura da Coreia do Norte (1948-presente)

Quando Kim Il-sung foi deixado com um país em grande parte desanimado para liderar após a Guerra da Coréia, ele viu isso como uma lousa em branco ideal para construir física e ideologicamente uma nova utopia com a ajuda dos soviéticos. A arquitetura norte-coreana é dirigida inteiramente pela propaganda; os edifícios, à distância, criam uma imagem de prosperidade, modernidade e poder. De perto, no entanto, ou sob os olhos de um estranho, pode-se ver que os edifícios são construídos de forma tão barata e rápida quanto possível. O objetivo não é a qualidade, mas a imagem do progresso. E, para os povos isolados da Coreia do Norte, apenas uma imagem é suficiente para convencer.

A arquitetura norte-coreana hoje é principalmente uma mistura de edifícios brutalistas de estilo soviético, um tipo derivado do estilo “futurista” e alguns edifícios exclusivamente norte-coreanos com grandes telhados de concreto de estilo Giwa cobertos de azulejos verdes pastel. Todos devem impressionar o povo da Coreia do Norte pela força e poder de sua liderança e para incutir um senso de orgulho nacional.

A arquitetura da China de Mao Zedong (1949-1976)

Outro regime com forte influência soviética foi a China de Mao após a revolução. O novo governo do presidente Mao baseou-se no conselho dos soviéticos e a forma das cidades chinesas foi dirigida principalmente pelo urbanismo estalinista. Os soviéticos poderiam alcançar na China o que não conseguiram na Rússia: a vontade de Mao de derrubar edifícios e começar de novo significava que sua visão era muito mais fácil de realizar do que em cidades russas mais historicamente complexas. Mao deu aos soviéticos o poder de refazer a sociedade urbana e os soviéticos deram a o governo de Mao suas ideologias e estilos de construção.

Um dos empreendimentos arquitetônicos mais notáveis da época de Mao foi o “Dez Grandes Construções” construído para comemorar o décimo aniversário da fundação da República Popular da China. Este empreendimento é o que fez surgir edifícios como o Grande Salão do Povo e o Museu Nacional da China, em ambos os lados da Praça da Tiananmen. O estilo arquitetônico desses dois edifícios, em particular, é obviamente de natureza soviética. Ambos possuem formas geométricas fortes e são imponentes e grandes em escala, anulando o s er humano individual e mostrando o poder do regime e do país como um todo.

A arquitetura da Cuba de Fidel Castro (1959-2006)

Em outro país isolado como a Coreia do Norte, mas sem o apoio de um poderoso aliado como os soviéticos, a Cuba de Fidel Castro parece ter parado no tempo. Cuba tem uma rica história da arquitetura de seu passado colonial, bem como um período neoclássico e influências art nouveau, mas o desenvolvimento da arquitetura cubana parece ter parado em grande parte quando Castro chegou ao poder em 1959. Ao contrário dos ditadores anteriores nesta lista, que priorizaram a arquitetura como uma ferramenta e utilizaram edifícios para alcançar suas ideologias, Castro, em vez disso, não incentivou o desenvolvimento de um novo estilo e permitiu que os edifícios do país entrassem em decadência.

Isso mostra uma abordagem diferente da ditadura. Em vez de impressionar o mundo e o público pela grandeza e poder do país, Castro atraiu para dentro e isolou o país empobrecido, concentrando-se, em vez disso, no nacionalismo extremo e em direção ao comunismo. No entanto, a forma de comunismo de Castro não teve como objetivo impressionar o resto do mundo por sua grandeza e sucesso; A prioridade de Castro era, verdadeiramente, Cuba.

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/873734/como-7-ditadores-usaram-a-arquitetura-para-influenciar-e-intimidar

agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

Por Que O Século XXI Precisa De Tolstói?

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A editora Via Leitura lança o clássico De Quanta Terra Precisa um Homem, de Liev Tolstói, no qual fala sobre o destino de um pobre camponês ganancioso

Ambição e riqueza: Até onde um homem pode ir?

Pra começar a inserir em seu catálogo a literatura russa, a Via Leitura lança a clássica obra De Quanta Terra Precisa um Homem, do renomado mestre literário russo Liev Tolstói. Considerado um dos maiores nomes da literatura mundial, o escritor é reconhecido por defender o pacifismo e uma vida mais modesta.

A obra lançada neste mês pela Via Leitura alude exatamente aos questionamentos de vida de Tolstói, pois neste título ele discorre sobre as ambições humanas e o orgulho das pessoas, que tornam os objetos mais importantes que os próprios princípios. Trata-se de uma tradução distinta, de um conteúdo de grande valor literário, além de se mostrar atemporal considerando que cada vez mais o homem se torna ganancioso.

O livro trata-se de um conto sobre Pahóm, um camponês simples, que acaba por escutar uma conversa entre sua mulher e a cunhada sobre as vantagens e desvantagens de viver no campo versus cidade, e chega à conclusão que a solução para se viver bem é possuir terras.

Tentado pela ambição, Pahóm desafia o Diabo: “Tivéssemos o suficiente (terra), nem mesmo o Diabo eu temeria!”. A partir disso, o próprio Diabo lança o desafio e permite que o pobre camponês obtenha muitas terras. O desfecho, surpreendente leva o leitor a repensar quais são os verdadeiros valores na vida. Esta história mostra o quanto a vaidade e cobiça podem levar o homem ao fundo do poço. Enfim, De Quanta Terra Precisa um Homem?

Tolstói, que foi um especialista em criar enredos sóbrios e cheios de observações do comportamento humano, teceu este conto com um desfecho imperdível!

Sobre o autor: Liev Tolstói (1828- 1910) destacou-se no panteão dos grandes mestres russos da literatura do século XIX, ao lado de nomes como Dostoiévski, Turgueniev e Tchecov. Não bastasse a honra de ser um dos proeminentes de um círculo tão grandioso de escritores, Tolstói foi um ativista ferrenho do pacifismo, propagandeando durante toda a sua velhice os benefícios de uma vida simples e próxima da natureza. Atormentado por questões familiares, fugiu de casa aos 82 anos, falecendo de pneumonia, sozinho, em uma estação de trem. Suas obras de maior destaque são Guerra e Paz e Anna Karenina.

De Quanta Terra Precisa Um Homem

Editora: Via Leitura (Edipro)

Preço: R$ 25

ISBN: 9788567097411

Edição: 1ª edição, 2017

Tamanho: 13,5×17

Número de páginas: 80

Fonte: https://cultura.vistolivre.com/noticias/livros/89/por-que-o-seculo-xxi-precisa-de-tolstoi.html

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agência de notícias anarquistas-ana

Árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito