Esse é Marius Mason, momentos após ser libertado da prisão e a caminho de uma casa de reintegração social! A sentença de Marius termina em maio de 2027 e ele ficará na casa de reintegração social até lá. Agora é um ótimo momento para doar para o fundo de boas-vindas dele. Veja as informações abaixo.
Quem é Marius Mason?
Marius Mason é anarquista, ambientalista, ativista dos direitos dos animais, além de pai amoroso, artista, poeta e músico, que atualmente cumpre pena de quase 22 anos em uma prisão federal por atos de vandalismo cometidos em defesa do planeta.
Durante seu encarceramento, ele lutou incansavelmente pelos direitos de pessoas trans presas. A prisão de Marius em 2008 fez parte do que ficou conhecido como o “Medo Verde”, uma série de prisões de ativistas ambientais baseadas em denúncias e assédio do FBI, que criou um precedente para acusar ativistas não violentos de “terrorismo”.
A notícia animadora é que, após mais de 17 anos encarcerado, Marius Mason será libertado de uma prisão federal em maio de 2026. Esse momento coloca em primeiro plano as questões de apoio no período pós-prisão.
À medida que Marius retorna à vida fora do cárcere, estamos organizando apoio e arrecadando fundos para que essa transição ocorra com dignidade, cuidado e uma base sólida. Marius foi arrancado de sua comunidade há quase 20 anos. Foram duas décadas em que o mundo mudou politicamente, tecnologicamente e de outras formas. Vamos tornar esse retorno mais fácil para ele. Por isso, estamos solicitando doações de cartões-presente, em qualquer valor. Todos os cartões serão entregues diretamente a Marius após sua libertação, para uso próprio.
Foi criado um sistema para a compra de cartões-presente, como “Vanilla Gift”, que podem ser adquiridos utilizando as seguintes informações de contato: Moira Meltzer-Cohen, advogada, 277 Broadway, Suite 1501, Nova York, NY 10007. Para o número de telefone exigido com o endereço, use (212) 219-1919. Além disso, haverá uma conta fiduciária para receber doações diretas por meio da página de doações em supportmariusmason.org. Toda contribuição ajuda.
Ativista ambiental e pelos direitos dos animais, anarquista, escritor, artista e defensor trans, Marius foi condenado a quase 22 anos por danos materiais realizados em defesa do planeta em 2009, ações nas quais ninguém ficou ferido. Ainda assim, sua sentença foi agravada com um enquadramento por terrorismo, tornando-se a mais longa pena aplicada por um ato de sabotagem ambiental. Nós, que o amamos e apoiamos, estamos trabalhando para oferecer apoio mútuo consistente, ao mesmo tempo garantindo espaço para suas escolhas e ajudando com necessidades básicas.
Marius realizou muitas coisas durante o período na prisão, produzindo arte, poesia, resenhas de livros e outros textos para publicação. Ele fez cursos universitários por meio de várias instituições, obteve certificação como assistente jurídico, estudou para ser tutor de escrita e também direito migratório. Envolveu-se em atividades de mentoria dentro da prisão e aconselhou outras pessoas encarceradas. Agora é nossa vez de oferecer apoio enquanto ele retorna para casa e estabelece sua base com trabalho, moradia e comunidade.
Neste momento, ainda não sabemos quais restrições pós-libertação estarão em vigor, nem por quanto tempo. Reconhecemos as muitas pessoas que defenderam, apoiaram e trabalharam por esse resultado, e esperamos que você se junte a nós no apoio a Marius.
Desde quarta-feira (13/05/2026), a polícia, por meio da mídia local, alega ter prendido 13 indivíduos acusados de envolvimento em atos de vandalismo durante as manifestações do Primeiro de Maio de 2026 em Bandung. Um dos suspeitos, RR, conhecido como “Mpe”, foi apresentado como o “líder dos anarquistas do sul de Bandung” e acusado de coordenar atos de incêndio criminoso, destruição de propriedade e financiamento dos distúrbios.
As autoridades acusaram os supostos anarquistas com base em disposições relacionadas à segurança pública, incluindo o Artigo 308 sobre colocar em risco a segurança pública e o Artigo 309 sobre conspiração criminosa e preparação de crimes que ameaçam pessoas, propriedade ou o meio ambiente, nos termos da Lei nº 1 de 2023 sobre o Código Penal (KUHP), com pena máxima de até nove anos de prisão.
Além disso, a polícia alegou que os anarquistas estavam sob o efeito de drogas durante as manifestações, apresentando essa alegação como uma das justificativas morais para sua detenção. O anúncio foi interpretado como um sinal de pânico dentro do aparato de segurança, dado que os distúrbios durante o Primeiro de Maio teriam excedido as expectativas oficiais e não foram previstos pelas autoridades.
PS: Mais uma vez, a polícia está construindo uma narrativa falsa retratando RR, também conhecido como “Mpe”, como o mentor ou líder por trás da ação. Desde as prisões de anarquistas no ano passado, a Polícia Nacional da Indonésia (Polri) tem usado repetidamente a mesma estratégia. Há também relatos de que RR, também conhecido como “Mpe”, está sendo culpado pelas famílias de outros participantes detidos simplesmente porque os outros são mais jovens. Não deixem que RR fique sozinho nessa situação.
• Itaú deve R$ 19 bilhões a Prefeitura de São Paulo
26 de mar. de 2026
A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou em plenário uma ordem, de número 150700235, que obriga a Prefeitura de São Paulo a informar os nomes dos 50 maiores devedores inscritos na dívida ativa do Município, atualizada e listada no site dividaativa.prefeitura.sp.gov.br.
A lista foi publicada pela primeira vez nesta terça-feira e mostra um calote gigantesco, com oito devedores passando de R$ 1 bilhão em impostos não pagos. O Itaú lidera com nada menos que R$ 19,9 bilhões, divididos entre o banco, a administradora de cartões, o leasing e o consórcio.
O segundo maior devedor é o Facebook, com calote de R$ 3,9 bilhões, seguido de Unimed Paulistana com R$ 3,6 bilhões, Banco do Brasil com R$ 2,8 bilhões, Notre Dame Intermédica com R$ 2,4 bilhões, Tim Celular com R$ 1,4 bilhão, Omint Serviços de Saúde com R$ 1,2 bilhão e Sabesp com R$ 1,1 bilhão.
Nokia, Caixa Econômica, Jockey Club, Tejofran Saneamento, Enel (responsável por apagões enormes), Ingram, Unimed Nacional, Uol, SAP Brasil, Banco Volkswagen, Unimed do Estado de São Paulo, Peeqflex, Bradesco, Sulamericana Saúde, Qualicorp e Ânima Educação devem mais de R$ 500 milhões cada.
A lista dos maiores caloteiros de impostos devidos ao município de São Paulo inclui ainda nomes como o Corinthians, que não pagou R$ 450 milhões, a Bolsa de Valores B3 (R$ 414 milhões), o Santander (R$ 386 milhões) e as operadoras Oi (R$ 380 milhões) e Claro, que não pagou R$ 372 milhões.
A soma do calote desses 50 devedores chega a mais de R$ 56 bilhões. Para ter uma ideia do que esse montante significa, o pacote de 55 obras desenvolvido no momento pela Prefeitura tem custo de R$ 19,9 bilhões. A obra mais cara do país, a Usina de Belo Monte, custará R$ 40 bilhões. Sobra troco.
A rodovia Transnordestina, de 1.200 km, sairá por R$ 15 bilhões. A Linha-6 Laranja do metrô paulista, inteira, custará R$ 17 bilhões. O trem expresso entre a capital e Campinas tem orçamento de R$ 13,5 bilhões. Os R$ 56 bilhões dariam para construir 700 hospitais de grande porte, 100% equipados.
Em 1920, dois operários anarquistas foram escolhidos para representar os trabalhadores do Pará no Terceiro Congresso Operário Brasileiro, organizado pela C.O.B no Rio de Janeiro: José da Silva Gama e João Plácido de Albuquerque. José da Silva Gama nasceu em Maceió, mas cedo mudou-se para Belém. Se tornou um anarquista a partir das leituras de Kropotkin, Gorki e Tolstoi. Já era bem conhecido por participar de grupos de propaganda libertária em Belém.
Já João Plácido de Albuquerque nasceu em 1885, em Minas Gerais, se mudou para Belém do Pará ainda jovem. Começou a militância anarquista em 1913. Entre 1913 e 1920 foi um incansável militante anarquista da cidade. Plácido foi perseguido e demitido de inúmeras vezes. Com outros libertários, fundou grupos de propaganda anarquista na capital paraense. Enquanto não tinha emprego, Plácido fabricava e vendia cigarros para poder sobreviver. Em 1917, em artigo publicado A Plebe, João Plácido informava, bastante animada, o surgimento de diversas associações de classes em Belém. Por causa destes históricos favoráveis, Silva Gama e Plácido Albuquerque embarcaram no navio Campos para o Rio de Janeiro representando o proletariado paraense.
Ao chegarem na capital, os dois libertários foram abordados e presos acusados de serem ladrões e anarquistas perigosos. Telegramas enviados pela polícia do Pará para a polícia do Rio de Janeiro informavam a ida de dois militantes anarquistas. Os dois foram levados para a Delegacia Central. Silva Gama se mostrou mais reservado do que seu companheiro. Por sua vez, Plácido Albuquerque não negou o motivo de estar naquela cidade. Disse que representava o operariado de Belém. Relatou aos policiais a dificuldade de trabalhar mais de 8 horas por dia numa cidade como Belém. Ao final das explicações ironizou: “Não era melhor que me prendessem lá, poupando-me da viagem?”
Da Central de Polícia, Plácido foi levado ao Hospital onde morreria dias depois. José da Silva Gama denunciou que os dois sofreram maus tratos e Plácido falecera por conta das torturas sofridas. O corpo do operário foi velado na sede da União da Construção Civil. O enterro de Plácido, no Cemitério do Caju, capital federal, foi acompanhado por mais de mil operários que entoavam hinos libertários como Filhos do Povo. O caixão foi baixado ao canto da Internacional.
REFERÊNCIAS
KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente; Ed. Monstro dos Mares. 2025
RODRIGUES, Edgar. Companheiros.
PERIÓDICOS
GAZETA DE NOTÍCIAS. Data: 25/04/1920. N.114
A PLEBE.18/08/1917.N.10.P.2.
GAZETA DO RIO. 25/04/1920. N. 114
A RUA. 24/04/1920.N.103.
A VOZ DO POVO.26/04/1920.N.79.
____________.01/05/1920.N.84.
____________. N. 84. 01/05/1920.
____________.03/05/1920.N.85.
BIOGRAFIA AUTOR
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
>> Foto em destaque: Dois representantes do Pará: Silva Gama, anarquista negro, e Plácido Albuquerque, anarquista morto no Rio de Janeiro (RJ).
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no calor da sesta imóvel, o gato vigia o vôo da vespa
DECLARAÇÃO URGENTE! NÃO À EXTRADIÇÃO PARA A ITÁLIA DO NOSSO COMPANHEIRO ANARQUISTA GABRIEL POMBO!
Gabriel Pombo da Silva foi condenado na Itália, em um julgamento ao qual não esteve presente, a dois anos de prisão por “apologia ao terrorismo”.
Nesse processo judicial delirante, o Estado italiano o acusa e condena por atos (escrever e/ou debater e/ou divulgar) cometidos de dentro de sua cela em uma prisão de alta segurança na Alemanha, onde cumpria pena (na Alemanha, expressar uma opinião não é crime).
Os textos foram publicados em três blogs entre 2009 e 2012.
A Itália emitiu um Mandado de Detenção Europeu (MDE) contra Gabriel, que foi preso em Vigo em 7 de dezembro de 2025 e apresentado à Seção de Investigação do Tribunal Central de Primeira Instância, sob a presidência do Juiz Santiago J. Pedraz Gómez. Ele foi libertado sob fiança no mesmo dia.
Este juiz concordou com a prisão e extradição de Gabriel para a Itália, mas condicionou esta última à garantia, por parte da Itália, do seu direito a um novo julgamento ou a recurso, o que é simplesmente impossível na Itália.
A Itália é um Estado obcecado em liquidar anarquistas revolucionários, que persegue implacavelmente, pune cruelmente e prende arbitrariamente.
Entregar um anarquista como Gabriel, a quem a imprensa mercenária italiana, a mando da polícia, apelidou de “rei dos anarquistas”, nas garras da inquisição antianarquista italiana é o mesmo que entregar um militante palestino a Israel ou um ativista gay à Arábia Saudita; ninguém duvida do tratamento requintado que receberá.
Por exemplo, Alfredo Cospito, um anarquista preso na Itália desde 2012 e mantido em confinamento solitário (Artigo 41 bis) desde maio de 2022, que se defende com greves de fome exaustivas, teve essa infame medida prorrogada em 30 de abril passado por mais quatro intermináveis anos.
O confinamento solitário é uma tortura extrema.
Se Gabriel for entregue às garras do sistema judicial italiano, ninguém pode garantir que ele retornará, ou em que condições o fará.
Nosso companheiro pagou com mais de trinta anos de prisão por sua entrega altruísta, seu compromisso com a luta por justiça, igualdade e plena liberdade, e agora querem arrancá-lo de seus entes queridos, de sua companheira, de sua filha, para entregá-lo, amarrado e amordaçado, ao Estado italiano sádico e anarcofóbico.
Não podemos permitir isso! Não permitiremos!
Solicitamos a mais ampla divulgação possível desta declaração e de quaisquer novas informações sobre este assunto grave.
No domingo, 10 de maio, realizou-se na Torre Branca uma manifestação de solidariedade à Comunidade Ocupada de Prosfygika e à greve de fome de Aristóteles Hantzis (desde 5 de fevereiro) e Suzon Doppagne (desde 1º de maio). A manifestação contou com a participação de 60 companheiros e companheiras e, durante o evento, foram lidos e distribuídos textos, além de panfletos terem sido espalhados.
COMUNIDADES DE LUTA EM CADA BAIRRO, SOLIDARIEDADE COM OS REFUGIADOS ATENDIMENTO IMEDIATO AOS PEDIDOS DOS GREVISTAS DE FOME ARISTÓTELES HANTZIS E SUZON DOPPAGNE VENCEREMOS OU VENCEREMOS
O Museu Nacional d’Art de Catalunya resgata a obra de José Luis Rey Vila, “Sim”, testemunha direta dos primeiros combates
Por Rodrigo Romaneli | 05/05/2026
Durante décadas, o relato visual da Guerra Civil Espanhola foi dominado por nomes universais como Pablo Picasso. No entanto, muito antes de o horror cubista de Guernica se tornar o símbolo global do conflito, houve aqueles que desenharam a guerra a pé de rua, com o cheiro da pólvora ainda fresco no papel. Um deles foi José Luis Rey Vila, conhecido como “Sim”, um ilustrador anarquista cuja obra capturou a imediatez e o pulsar dos primeiros dias da contenda.
Agora, coincidindo com o 90º aniversário do início da guerra, o Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC) resgata seu legado com uma exposição que reúne 40 de seus desenhos. As peças, adquiridas recentemente, reconstroem o olhar urgente de um artista que, embora não fosse um combatente, ideologicamente foi um soldado.
Nascido em Cádis e forjado nos horrores da guerra do Rif — experiência que o empurrou para o pacifismo radical —, Rey Vila estava em Barcelona quando o golpe de Franco abalou a cidade em 19 de julho de 1936. Enquanto o estrondo dos disparos despertava a capital catalã, Sim não procurou abrigo. Pegou seu caderno e lançou-se à rua.
Seus traços, de linhas grossas e cores intensas, retratam milicianos com lenços ensanguentados, barricadas improvisadas com rolos de papel de jornal e os caminhões blindados da CNT-FAI avançando pelas ruas. Seu estilo, que combinava carvão com aquarela, não só capturou a violência, mas também a atmosfera trágica do momento, desde as enfermeiras que atendiam os feridos até as milicianas erguendo o punho em plena marcha.
Apesar de seu talento, Sim foi um artista marcado pela fratura política. Rejeitado pelo Sindicato de Desenhistas Profissionais devido às suas simpatias libertárias, encontrou seu lugar no escritório de propaganda da CNT-FAI. Foi lá que publicou “Estampas da Revolução Espanhola”, uma obra que conseguiu burlar o pacto de não intervenção europeu para circular pelos Estados Unidos, Canadá e até mesmo pela China, onde foi reproduzida pelo célebre anarquista Ba Jin.
Aquelas imagens foram, para muitos, o primeiro contato visual com a resistência republicana, muito antes de a maquinaria de propaganda internacional e as icônicas fotografias de Robert Capa estarem em pleno funcionamento.
Em 1937, Sim mudou-se para Paris para colaborar no pavilhão espanhol da Exposição Internacional. Lá, seus desenhos dividiram espaço com o Guernica de Picasso e as obras de Miró e Alexander Calder, numa última tentativa de mobilizar a opinião pública mundial. Após a vitória franquista em 1939, Rey Vila nunca mais voltou.
Seu exílio na França se estendeu até sua morte em 1983, em relativo anonimato. Embora continuasse desenhando — desde cenas taurinas até os protestos de maio de 68, onde foi ferido por uma bomba enquanto desenhava —, sua obra sobre a guerra ficou eclipsada por uma memória histórica que, durante décadas, priorizou a estética comunista e das Brigadas Internacionais em detrimento do olhar libertário.
Hoje, a exposição no MNAC (aberta até 31 de dezembro) devolve o protagonismo àquele desenhista que, desde as barricadas, entendeu que a história não apenas se escreve, mas se desenha enquanto acontece.
Editorial Marea Negra y Libres – Literatura, Crítica y Anarquismo e individualidades afins convidam a estas bonitas e substanciosas jornadas cheias de muitos livros, comida vegana, música, oficinas e gráfica de companheiros ácratas que nos visitam desde diversos lugares do território ocupado pelo Estado Mexicano.
Assim, dá uma olhada no programa, que certamente encontrará coisas que serão de seu agrado.
Então já sabem, nos vemos em 16 e 17 de maio em Callejón del Capulín #101 Colonia Centro, Zacatecas.
Recordem que tratamos de fazer um espaço seguro para todas, todos e todes, é por isso que todos são bem vindos, mas não se tolerarão pessoas com atitudes sexistas, homofóbicas, transfóbicas, racistas e demais comportamentos deste tipo.
Se vens de fora, talvez possamos brindar-te um lugar para dormir, só te sugerimos chegar desde a sexta-feira para que tenhas maior possibilidade de encontrar um lugar em algum dos espaços que temos disponíveis.
Morte ao Estado e Viva a Anarquia
Nos vemos logo!
FB: facebook.com/bcsmariatalavera
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passeio de madrugada os meus sapatos empapados de orvalho
O Pinksterlanddagen é um festival anarquista que acontece anualmente no acampamento Vrijheidsbezinning em Appelscha durante o fim de semana de Pinksterweekend (Pentecostes). É um encontro para anarquistas e todos que se inspiram no anarquismo. O fim de semana inteiro é repleto de oficinas, palestras e discussões sobre anarquismo e luta social. Há também uma programação especial para crianças e uma programação cultural à noite. O Pinksterlanddagen é organizado há mais de 90 anos e se tornou um local de encontro para muitos anarquistas.
A maneira como o PL funciona na prática se encaixa em sua ideologia; todos compartilham da responsabilidade de realizar o festival. Alguns organizam o planejamento geral, outros dão um curso, algumas pessoas cozinham, constroem tudo ou mantêm o local limpo. O PL é organizado em um acampamento anarquista sem álcool e drogas. Respeitamos seus métodos e nos beneficiamos deles, pois achamos que isso melhora a atmosfera geral.
Estamos trabalhando para criar um tipo diferente de mundo, uma sociedade sem autoridade na qual todos têm voz. Estamos procurando pessoas que compartilhem essa visão e que queiram participar desse mundo. Venha para o PL e converse com os 500 visitantes do festival. Você pode ir ao camping durante o festival. Você pode acampar lá ou reservar a casa de hóspedes através deste site.
>> Mais infos: pinksterlanddagen.org
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Muitos ventos sopram. Dentro e fora de mim uivam lobos que não sou.
João Valentim Argolo foi operário cozinheiro e destacado militante no estado do Rio de Janeiro. Iniciou como anarquista. Na década de 1920 se converteu ao comunismo. Foi delegado da União Culinária e Panificação Marítima no Terceiro Congresso Operário Brasileiro em abril de 1920, no Rio de Janeiro. Argolo esteve por um tempo à frente do Centro Cosmopolita no Rio de Janeiro. Em novembro de 1921, foi um dos fundadores do Grupo Comunista do Rio de Janeiro. Ele também fez parte do Comitê Pró-Libertação de José Leandroda Silva, como tesoureiro. José Leandro foi um operário cozinheiro e colega de Valentim Argolo.
João Argolo ficou conhecido entre anarquistas e comunistas por sua lealdade e solidariedade para com os companheiros, especialmente, nas horas mais difíceis. Argolo escondeu por muito tempo em sua casa, o ex-anarquista Octávio Brandão, perseguido pelas autoridades. Pressionado a revelar o paradeiro do comunista, Argolo foi levado a um navio prisão onde foi brutalmente torturado. Nada revelou. Por conta disso, Octávio Brandão o descreveu como um homem enorme, gordo, caráter de ferro, mas o coração de ouro. José Valentim Argolo faleceu em maio de 1947.
BATALHA, Cláudio H.M. Dicionário do Movimento Operário.
BRANDÃO, Octávio. Combates e Batalhas. P.283.
DULLES, John W. Foster. Anarquistas e Comunistas do Brasil.
KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: anarquistas e socialistas negros
RODRIGUES, Edgar. Companheiros.vol.03
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
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Os trigais maduros marcaram de cor dourada minha pobre infância.
O centro social Emma está DE MUDANÇA e precisamos da SUA ajuda! Por favor, considere fazer uma doação!
Emma é o único espaço comunitário desse tipo em Kaunas e um dos únicos dois no país, estabelecido em uma casa azul de madeira no outono de 2016. Até hoje, Emma tem sido um lugar onde não apenas pessoas se encontram para jantares comunitários regulares, mas onde iniciativas, movimentos culturais e eventos únicos nascem. Foi aqui que o sindicato de 1º de Maio (G1PS) e o site de esquerda GPB.lt começaram. Foi aqui que a Kaunas Pride de base se organizou e continua se organizando. É aqui que SaphoFest, We Are Propaganda e, em breve, Dragana realizam suas atividades. Foi aqui que o Rainbow Musical nasceu. E aniversários inesquecíveis também. Emma é continuamente criado e utilizado por diferentes coletivos e iniciativas que precisam de uma infraestrutura acessível, segura e flexível.
Por que estamos nos mudando?
À medida que a comunidade cresceu e nossas necessidades mudaram, ficou claro que o espaço atual está se tornando cada vez mais difícil de usar da forma como queremos e poderíamos utilizá-lo. Após nove anos de Emma no espaço atual, as limitações técnicas, o estado da infraestrutura e o planejamento espacial já não correspondem à escala ou às necessidades das nossas atividades. Então surgiu a oportunidade de nos mudarmos para um local mais adequado. Debatemos, discutimos e, após longa consideração, decidimos seguir adiante e fechar o antigo Emma para criar um novo espaço na outra extremidade da Laisvės alėja, na rua Imanuelio Kanto, que se adequará melhor à comunidade e às nossas atividades.
Por que o SEU apoio é importante
Emma existe por causa da comunidade, e só graças a ela pode crescer. Estamos pedindo apoio não apenas para reformar e mudar o espaço, mas para garantir a continuidade de um espaço independente, aberto e baseado na solidariedade em Kaunas. Cada doação, grande ou pequena, contribui para sustentar o local e o espaço físico que permite que as pessoas se encontrem, se organizem e criem juntas.
Estas são as memórias de John Zerzan, um pensador radical que vem refletindo, escrevendo e construindo um importante conjunto de ensaios há várias décadas, cujo foco central é uma crítica da civilização. Desde seus primeiros ensaios, escritos nos anos 1970, ele questiona incessantemente a tecnologia e a domesticação. Sua influência sobre a filosofia da anarquia verde e do anarco-primitivismo foi fundamental para orientar o debate anarquista em direção a uma crítica do industrialismo e da sociedade tecnológica. Isso fez dele uma figura proeminente no debate anticivilização. De fato, ler Zerzan nos permite compreender por que o projeto civilizatório é autodestrutivo e inviável mesmo a médio prazo. É precisamente a partir de suas leituras antropológicas que ele conclui que o ponto de ruptura que encerrou o mundo em que os seres humanos viviam uma vida plena em comunhão com a natureza foi o surgimento da domesticação. Seu pensamento, contudo, não é pessimista. Diante do projeto civilizatório de aniquilação da vida, Zerzan propõe um futuro primitivo. A obra de Zerzan se desenvolveu nessas linhas ao longo das últimas décadas, mas seus ensaios também refletem sobre as muitas fontes de alienação que causam o atual isolamento da humanidade e sua profunda crise existencial.
John Zerzan pode ser mais famoso por seus amigos e inimigos do que por suas ideias radicalmente inovadoras sobre a condição humana. Ainda assim, foram justamente suas ideias revolucionárias que chamaram a atenção de pessoas como o infame Merry Prankster e beat Neal Cassady, o escritor Fredy Perlman, Slavoj Zizek, que Zerzan descreve como um “comunista detestável”, e até mesmo Theodore Kaczynski, cuja abordagem de bombas enviadas pelo correio Zerzan denunciou.
Em The Education of an Anarchist, Zerzan relata os acontecimentos, mestres e experiências que moldaram sua filosofia. Ele volta sua análise afiada para dentro de si mesmo a fim de explicar as origens e a evolução de suas crenças anarco-primitivistas, que inspiraram ativistas ao redor do mundo. De escolas católicas, incluindo um colégio monástico beneditino, aos Acid Tests, passando pela Universidade Stanford, o Anti-Authoritarian Anonymous e diversos cantos do planeta, os leitores encontrarão as pessoas que moldaram e influenciaram a vida singular de Zerzan.
Neste livro, o argumento de Zerzan em favor do uso razoável da destruição direcionada de propriedade contra aquilo que nos oprime ganha um novo significado à medida que ele mistura ideologias políticas e pessoais que convergem e se tornam ainda mais precisas e renovadamente convincentes. Inclui fotografias pessoais e cartazes raros de eventos documentando a vida e a obra de Zerzan.
Alguns dos livros anteriores de Zerzan incluem Future Primitive and Other Essays (Feral House, 1994), Running on Emptiness (Feral House, 2002), Against Civilization: Readings and Reflections (Feral House, 2005), Twilight of the Machines (Feral House, 2008), Why Hope (Feral House, 2015), When We Are Human (Feral House, 2021) e A People’s History of Civilization (Feral House, 2018).
Editora: El Sur es América, 2026
Tradução > Contrafatual
agência de notícias anarquistas-ana
Alegres grilos Gritam na grama gris: Música noturna.
A reintrodução e/ou extensão do serviço militar obrigatório está caracterizando o atual cenário europeu, em evidente conexão com a poderosa escalada bélica que estamos testemunhando. O mundo está cada vez mais incendiado pelas guerras e, além dos armamentos, são necessários corpos. Corpos jovens, eficientes e sacrificáveis: em suma, é preciso carne de canhão. E uma vez descartada a hipótese de um exército europeu, cada Estado está se equipando por conta própria, embora existam elementos que apontem para uma clara estratégia de rearmamento comum.
Em cerca de dez países europeus já existe uma obrigação militar efetiva que foi mantida ao longo do tempo, como no caso de Chipre, Grécia e Áustria, ou que foi reintroduzida ou reforçada após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, como na Lituânia, Letônia, Estônia, Finlândia, Suécia e Dinamarca. Recentemente, Alemanha e França também estão procedendo à reintrodução do serviço militar obrigatório.
Exceto em poucos casos de obrigação explícita e generalizada, predomina principalmente uma fórmula de recrutamento híbrido baseado na “voluntariedade obrigatória”, um ambíguo e miserável artifício para conter o dissenso em relação a uma medida altamente impopular. A realidade das normativas, no entanto, é claríssima: voluntários sim, mas se os números forem insuficientes em relação aos objetivos, então se procede com um sorteio generalizado. Algo muito parecido com a Draft Lottery com a qual, há quase sessenta anos, nos Estados Unidos, foi feito o sorteio para o serviço obrigatório que enviou ao Vietnã muitos jovens que não tinham a menor vontade de ir.
Na Alemanha, a partir de 1º de janeiro de 2026, foi iniciada a aplicação de um questionário de resposta obrigatória para identificar a disponibilidade para cumprir o serviço militar. A partir de julho de 2027, entrará em vigor a obrigação generalizada de se submeter a exame médico para verificar a aptidão psicofísica. Trata-se de testes obrigatórios para todos os homens entre 18 e 19 anos, facultativos para as mulheres; às pessoas em transição é concedido um prazo definido para assumir um posicionamento binário inequívoco, masculino ou feminino, a fim de serem classificadas entre aqueles que são obrigados a responder ao questionário ou não. Se o número de disponíveis e aptos não for suficiente, proceder-se-á ao sorteio também entre os não disponíveis.
Os países escandinavos, que também endureceram bastante o serviço obrigatório, aumentando o período e estendendo a obrigação às mulheres, adotaram um critério seletivo: todos são obrigados ao questionário e ao exame médico, mas apenas uma porcentagem mínima é recrutada, considerada numericamente suficiente para as necessidades e qualitativamente mais significativa, mas sobretudo considerada base fundamental para constituir posteriormente um núcleo estável e eficiente de reservistas. A reserva, que todos os países europeus tendem a constituir ou reforçar, elemento comum dessa onda de crescente militarização, tem como base o serviço obrigatório, pois se trata de pessoal que cumpriu o serviço militar, portanto com formação militar básica, periodicamente submetido a treinamento e convocável em caso de necessidade.
Nos países bálticos e na Polônia, o recrutamento é quantitativamente maciço, visto o objetivo numérico de 500.000 soldados conscritos, homens e mulheres, a serem alcançados até 2035. Para aumentar a motivação, alguns desses países introduziram a educação militar entre as disciplinas curriculares do ensino médio e até mesmo algumas classes militares específicas nas escolas públicas.
Nesse panorama, a Itália constitui um caso à parte. Apesar dos anúncios estrondosos de Crosetto, a questão do serviço militar obrigatório ainda não está bem definida, algo aparentemente um pouco estranho para um país governado pela direita fascista. Na Itália, o serviço militar obrigatório, nunca abolido, está suspenso desde 2005. Recentemente, foi implementada a reforma do Ferma Volontaria Iniziale (serviço voluntário inicial) e, nos últimos anos, cresceu desmedidamente a intervenção de militares nas escolas com evidente propósito de recrutamento e divulgação da carreira militar: grandes campanhas de alistamento voluntário, mas o serviço obrigatório não foi reintroduzido. Uma reintrodução obrigatória generalizada, por outro lado, não seria economicamente sustentável: significaria reabrir quartéis desativados, equipar-se para fornecimento de uniformes, troca de roupas de cama, cantinas, serviços diversos, bem como pagar um salário a toda a população jovem obrigada ao serviço militar, porque ao soldado se deve dar, justamente, o soldo.
No entanto, apesar do aparente impasse do governo, já há algum tempo também na Itália fervem os trabalhos para caminhar em direção à reintrodução de uma forma de serviço obrigatório e se alinhar ao contexto europeu.
Em agosto de 2022, o governo Draghi, poucos meses após o início da guerra russo-ucraniana, aprovou a lei 119, adiando em dez anos a redução programada dos efetivos militares (ativos, de reserva e paramilitares), que deveria cair progressivamente a partir de 2023; simultaneamente, a mesma lei atribuía ao governo as delegações para instituir, por decreto-lei, uma reserva militar de 10.000 unidades para ser utilizada em caso de guerra ou grave crise internacional. Em novembro de 2023, a delegação foi adiada por dois anos, mas no vencimento, em novembro de 2025, o governo não emitiu nenhum decreto sobre o assunto. Estamos na sequência das imponentes manifestações do outono, que, na onda da solidariedade ao povo palestino e à Flotilha, percorreram o país com uma forte contestação das políticas de guerra e rearmamento. Nesse contexto, o governo evidentemente considera mais prudente evitar uma decretação de autoridade sobre uma questão tão impopular e prefere avançar segundo os trâmites institucionais. Foram apresentados, ao longo dos últimos anos, vários projetos de lei para a reintrodução do serviço militar obrigatório, por parte de Zoffili (Liga), Cirielli (FdI), Minardo (Força Itália). Este último, apresentado em fevereiro de 2024, visa à instituição de 10.000 unidades de pessoal militar para serem destinadas à reserva auxiliar do Estado, a serem recrutadas entre os licenciados que cumpriram o serviço voluntário ou trienal, portanto militares já formados com idade máxima de 40 anos. E no final de 2025, Crosetto, ao anunciar a vontade de reintroduzir o serviço obrigatório, sublinha, no entanto, a centralidade do objetivo dos 10.000 reservistas, piscando o olho para a proposta Mainardo, mas declarando também que olha com interesse para o modelo alemão de reintrodução do serviço obrigatório.
Enquanto isso, chega o final de março, prazo fixado por Crosetto para apresentar uma proposta de síntese que leve em conta os objetivos estabelecidos pela lei 119 de 2022, os projetos de lei em tramitação e as indicações provenientes dos setores das Forças Armadas – não menos importante o SAM, sindicato autônomo dos militares – mas nada acontece. A atitude “prudente” desta vez talvez se deva à derrota no referendo e à necessidade, por parte do governo, de evitar uma perda adicional de consenso? Quem sabe, mas o certo é que a hesitação do governo exigiria uma oposição decidida e marcada a qualquer tentativa, ainda que não explicitada, de reintrodução do serviço obrigatório. Sobre a questão, movimenta-se o antimilitarismo mais radical, movimenta-se o observatório contra a militarização das escolas, movimentam-se alguns setores e coletivos estudantis, que não perdem oportunidade de denunciar o perigo da reintrodução do sistema de serviço militar obrigatório. Algumas pesquisas institucionais realizadas entre os jovens para fins meramente exploratórios, como a realizada pelo Garante para a Infância e Adolescência, registram uma solene rejeição da disponibilidade para cumprir o serviço militar. As enormes greves de estudantes alemães contra a reintrodução do serviço obrigatório começam a influenciar o contexto italiano.
Pena que, nessa situação relativamente favorável, que vê o governo em dificuldade e a protesto em crescimento, vá se situar a intervenção decididamente discutível de algumas associações pacifistas.
Em 16 de março passado, três redes promotoras da campanha “Outra defesa é possível” (CNESC – Conferência Nacional de Entidades de Serviço Civil, Rede Italiana pela Paz e Desarmamento e Sbilanciamoci!) depositaram no Tribunal de Cassação o texto de uma proposta de lei de iniciativa popular denominada “Instituição e modalidades de financiamento do Departamento de defesa civil, não armada e não violenta”. A intenção é se equipar com um restabelecimento da objeção de consciência ao serviço militar justamente em vista da possível reintrodução do serviço obrigatório. Em um momento em que os máximos esforços deveriam ser destinados a se opor o máximo possível à reintrodução do serviço obrigatório pelo governo, tomar iniciativas formais para contrabalançar os efeitos daquilo que ainda não existe significa dar como certa a sua aprovação e raciocinar de forma subalterna e complementar a um processo que é, ao contrário, totalmente a ser combatido.
A objeção de consciência ao serviço militar foi instituída em 1972 e, de fato, caiu em desuso em 2005 com a suspensão da obrigação do serviço militar. O atual serviço civil universal é algo completamente diferente, tanto que é administrado pelo Departamento de Políticas Juvenis. A lei de iniciativa popular apresentada pelas redes visa a colocar a objeção de consciência ao serviço obrigatório no contexto atual. Há uma referência ao art. 52 da Constituição – “a defesa da Pátria é dever sagrado do cidadão” – e à jurisprudência, que reconhece que tal “dever sagrado” pode ser cumprido também por meio de instrumentos que não prevejam o uso de armas, mas que são, ainda assim, complementares à defesa armada propriamente dita. Esse serviço não armado seria enquadrado dentro de um departamento específico de Defesa Civil, cuja instituição se pede, seu financiamento, etc.
O momento atual, a fortíssima militarização da sociedade e o contexto mundial de crescente rearmamento e proliferação de cenários de guerra exigem algo bem diferente. O impulso generalizado para a reintrodução do serviço militar obrigatório exige algo muito diverso: uma leitura lúcida dos processos em curso e uma intervenção no contexto social que seja clara e inequivocamente antimilitarista.
Os diferentes modelos de serviço obrigatório adotados pelos vários países europeus têm traços comuns, que devem ser identificados e combatidos, porque sublinham a centralidade da questão do serviço obrigatório e a maneira compacta, ainda que nas diversidades, com que os governos europeus estão procedendo segundo linhas precisas.
Por exemplo, o questionário com o qual vários governos europeus verificam a disponibilidade dos jovens para o serviço militar obrigatório é, em toda parte, um instrumento obrigatório. O não preenchimento é equiparado à insubmissão. Análoga obrigatoriedade tem o exame médico para verificação da aptidão psicofísica. Além de toda a mentira sobre o suposto caráter voluntário de um serviço obrigatório que, se não receber adesões suficientes, procede com sorteios em massa, o instrumento do questionário e do exame médico representa uma triagem de massa formidável sobre toda a população jovem alistável.
A reintrodução do serviço militar obrigatório procede em toda parte em conjunto com a militarização da escola e com a difusão da propaganda militar nos contextos educativos.
Mas há também outros elementos comuns às políticas militaristas dos vários países europeus. O ano de 2035 foi assumido como primeiro prazo para verificar o reforço dos recursos humanos militares alcançado pelos Estados individualmente, funcional para a definição de um padrão europeu. Os objetivos numéricos que os vários governos europeus estabelecem com o novo serviço obrigatório incluem não apenas o número de recrutas militares, mas também o de reservistas e de objetores. O modelo alemão, que tanto agrada a Crosetto, prevê, por exemplo, que até 2035 haja um efetivo de 260.000 soldados conscritos (voluntários e não voluntários), 200.000 reservistas (voluntários e não voluntários) entre aqueles que cumpriram o serviço obrigatório, e 100.000 objetores de consciência. Um exemplo claro do que é chamado de modelo de defesa total permanente. Algo que conhecemos como triste realidade operante em vários países do mundo. Toda a população deve ser condicionada pela cultura da guerra. Em particular, os jovens que são submetidos ao serviço obrigatório, os reservistas, os objetores de consciência estão todos a serviço da pátria e da nação, com envolvimento em vários níveis na defesa militar, armada ou não. A defesa civil deve integrar-se com o aparato militar, segundo a conhecida lógica do dual use.
Por outro lado, os modernos sistemas de guerra permitem realizar atividades ofensivas impactantes mesmo sem necessariamente empunhar um fuzil, talvez digitando no teclado de um computador, ocupando-se de logística ou outra coisa. Porque, como dizia o Decálogo do balilla: “A Pátria se serve também fazendo a guarda de um barril de gasolina.”
Diante de uma militarização cada vez mais pesada e pervasiva, a resposta deve ser mais uma vez caracterizada pela firme oposição ao militarismo, ao nacionalismo, à retórica da pátria e da defesa. Por uma sociedade sem militares, mas também sem militarismos disfarçados de várias formas. Construamos uma campanha contra o serviço militar obrigatório. Cruzemos nossas lutas com as das jovens gerações que não querem ser carne de canhão.
Frase pronunciada por Louise Michel, personagem central nos acontecimentos da Comuna de Paris, no século XIX. Para ela, a sedução e a embriaguez que o poder produz sobre as pessoas, e os perigos que decorrem dessa concentração nas relações humanas, deve ser algo combatido e não almejado.
Entre Reich e a Soma:
O psicanalista Wilhelm Reich deu um passo fundamental ao retirar o conflito psíquico apenas do campo das ideias e localizá-lo na couraça muscular.
Para ele, a submissão a uma autoridade externa (seja o pai, o chefe ou o ditador) exige que o indivíduo reprima suas pulsões vitais. Quando uma relação se baseia na hierarquia e no medo, há contração do corpo, tornando a energia vital bloqueada para obedecer ou para dominar.
Na Somaterapia, entendemos que essa rigidez é a base da neurose. O corpo de uma pessoa assujeitada é um corpo que não se expressa, que não sente prazer pleno e que, eventualmente, adoece por conta da estase energética.
Numa perspectiva semelhante, Foucault no alerta: “Não se apaixone pelo poder” como um dos pilares do que ele chamou de Introdução à Vida Não Fascista.
Para ele, fascismo está em todos nós, em nossas cabeças e em nossos comportamentos cotidianos, o fascismo que nos faz amar o poder, desejar a própria coisa que nos domina.
Afirmar que poder é maldito não é trazer um julgamento moral, mas trata-se se um grito de revolta diante dos processos de dominação. Estabelecer relações horizontais como produtoras de saúde permitem a autorregulação individual e a autogestão coletiva.
Há dois anos, a feira do livro quase foi cancelada porque simplesmente não tínhamos pessoas suficientes no grupo organizador. No entanto, muitas pessoas responderam ao nosso chamado e estão ajudando a organizar a feira, para que ela possa continuar. Isso levou a algumas mudanças nos preparativos, mas não tanto na realização da feira em si.
O evento começa na quinta-feira à noite com uma cerimônia de abertura, seguida por três dias de atividades de feira comercial e uma extensa programação paralela de sexta a domingo. Temos o prazer de anunciar que diversas editoras e distribuidoras libertárias estarão novamente expondo conosco em 2026, apresentando a diversidade de publicações anarquistas. Além disso, 26 palestras e workshops oferecerão oportunidades para conversas e debates.
Com a feira do livro, queremos mostrar a diversidade do anarquismo, oferecer um fórum de troca de ideias dentro do movimento libertário e, ao mesmo tempo, dar a um público amplo a oportunidade de aprender sobre as posições anarquistas. Mais uma vez, procuramos elaborar uma programação diversificada que aborde questões atuais, reconte o passado a partir de uma perspectiva anarquista e apresente alternativas ao sistema vigente.
Como sempre, a feira é amplamente acessível a pessoas com deficiência. Café de comércio justo e deliciosos pratos veganos também estarão disponíveis. Desta vez, o Maulwürfe (Moles) de Freiburg estará cozinhando junto com o BlackWok de Dresden. Opções de hospedagem estão disponíveis, como de costume, através do sistema de troca de camas. A entrada para a feira do livro é, obviamente, gratuita.
Como a feira é financiada principalmente por doações, passaremos uma caixa de doações em cada evento – mas isso não significa que uma doação seja esperada em todos os eventos que você participar. O coletivo de cozinha também depende de doações para se manter. Além disso, o Maulwürfe (Moles), o BlackWok e nós mesmos agradeceríamos não apenas apoio financeiro, mas também ajuda prática. Se você quiser ajudar cortando legumes, vendendo bebidas ou algo semelhante, entre em contato.
Esperamos vê-lo(a) na feira do livro!
Liberdade e felicidade!
Grupo Anarquista Mannheim + Amigos
De 14 a 17 de maio de 2026,
no Fórum do Centro de Cultura Juvenil,
Neckarpromenade 46,
Mannheim.
buchmesse.anarchie-mannheim.de
agência de notícias anarquistas-ana
Angelus. Dedos da brisa nas teclas das folhas adormecem os pássaros.
Na manhã de 11 de maio de 2026, nossos companheiros anarquistas realizaram uma expropriação de um banco em Kato Tithorea. Poucas horas depois, a polícia perseguiu os companheiros por alguns quilômetros e, em seguida, os cercou. Seguiram-se invasões de casas, onde os demais companheiros foram presos. As acusações incluem tanto porte de arma quanto participação em assaltos.
Consideramos que é responsabilidade de todos aqueles que compõem o espaço anarquista defender política e moralmente as escolhas dos companheiros que optaram por esses meios de luta, sem nos importarmos com a crítica hipotética que receberemos da “boa” sociedade. Desde os anarquistas ilegalistas do início do século XX até a guerrilha metropolitana do aqui e agora, a expropriação de recursos do capital foi, é e será uma prática escolhida pelos movimentos revolucionários. É nosso dever construir uma verdadeira muralha de solidariedade em torno de nossos companheiros presos o mais rápido possível. Até a destruição total do capital. Até a Anarquia!
A n a r q u i s t a s
agência de notícias anarquistas-ana
A velha mão segue traçando versos para o esquecimento.
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
Enquanto isso no Brasil...
Espaços como esse são fundamentais! Força compas. Vou contribuir!
A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…