[Chile] “Nossa revolta não cabe em suas urnas de voto”

Como Coordenadora 18 de Outubro, tomamos uma posição crítica sobre o processo constituinte e o plebiscito de 25 de outubro com base nos seguintes argumentos:

– Consideramos que é inaceitável e imoral realizar um plebiscito e um processo constituinte que emerge como uma saída institucional da revolta social de 18 de outubro, quando ainda hoje existem dezenas de camaradas presxs da revolta. São elxs, como tantos outrxs, que colocaram seus corpos nas ruas opondo-se a um modelo abusivo de dominação e exploração, exigindo uma sociedade mais justa.

– O acordo de paz de 15 de novembro é assinado sobre o sangue, os assassinatos, as mutilações, as violações e a prisão de inúmerxs camaradas, o que torna ainda mais repugnante um pacto feito e acordado pela mesma elite partidária responsável pela perpetuação da miséria, dos abusos e das injustiças das últimas décadas.

– Não esquecemos que aqueles que assinaram este acordo dentro de quatro paredes foram os mesmos que nos meses seguintes assinaram um pacote de leis repressivas (lei anti-saques, anti-capuz e anti-barricada), portanto, o processo não nos dá garantias de libertação de nossxs camaradas, ao contrário, prevê mais repressão e prisão.

– Uma nova constituição, nos termos em que o processo constituinte está vinculado, não procura demolir o germe de sofrimento do povo, o neoliberalismo. Qualquer sistema de opressão e exploração requer constante adaptação e reinvenção. Sob este olhar e certeza é previsível que sob este processo constituinte se conseguirá a passagem de um modelo neoliberal severo para um modelo mais moderado, um reajuste necessário de poder que em sua essência continuará a reproduzir as injustiças sociais.

– Finalmente, declaramos que como Coordenadora 18 de Outubro nossa luta pela liberdade dxs presxs políticxs da revolta é parte da luta da própria revolta, que não pode terminar com um plebiscito e um processo constituinte adaptado às classes dirigentes deste país. Um objetivo evidente destes pactos é acalmar a luta e desmobilizar as ruas, mas nosso horizonte continua sendo a liberdade de todxs xs presos políticxs e a transformação profunda e real da sociedade. Nossa revolta não cabe em suas urnas de voto.

Coordenadora para a liberdade dxs presxs políticxs 18 de outubro

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

todos aos abrigos:
a avó de novo
com o mata-moscas

Elizabeth St. Jacques

[EUA] Vídeo | Performance anarquista no coração de Nova York contra o assassinato da Floresta Amazônica

RADAR QUEIMADAS | ANARKOARTLAB | Das Ruas de NYC. O coletivo caminhou do Brooklyn até a Times Square e parou no Central Park, Columbus Circle, East Village para se apresentar.

Esta performance de arte pública é uma resposta direta ao atual crime contra a humanidade que está acontecendo na Floresta Amazônica cometido por empresas e pelo governo brasileiro. A performance apresentada pelo AnarkoArtLab envolve duas artistas, Adriana Varella e Amy Gillian Wilson, arrastando ritualisticamente uma árvore queimada e incandescente por toda a cidade de Nova York. Somos todos responsáveis por isso? Estamos buscando um mundo paralelo? Podemos ao menos imaginar que solução se poderia achar? Como podemos todos resolver isso juntos será sugerido no final da performance.

Produção do vídeo

Câmeras: Sirius Toro e Joe Fionda

Drone: Sirius Toro

Edição: Camila Marchon

Produção: Ana Luisa Anjos

Fotos: Tais Aquino

>> Veja o vídeo (06:51) aqui:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=411&v=8GWMkg2U9XY&feature=emb_title

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Venha colibri:
dentro do meu coração
já é primavera.

Urhacy Faustino

[Alemanha] Tübingen: Manifestação espontânea de solidariedade para com a okupa Liebig34 em Berlim

Na sexta-feira à noite, por volta das 19h, aproximadamente 60 pessoas se reuniram no centro de Tübingen para uma manifestação espontânea. O objetivo era levar para as ruas a raiva que sentiam pelo despejo da Liebig34 e enviar um forte sinal de solidariedade a Berlim.

A manifestação movia-se forte e ruidosamente com slogans como: “Se tirar Liebig de nós, tomaremos a cidade inteira” e “Mulheres que lutam são mulheres que vivem, vamos desmontar o sistema” sobre a ponte Neckar, a Mühlstraße e através da velha parte da cidade. Chegando no mercado, a manifestação se dissolveu e as pessoas se dispersaram pela cidade.

O motivo da manifestação foi o ataque do Estado ao projeto de moradias queer feministas Liebig34 em Berlim. O projeto foi despejado esta manhã (09/10) após uma batalha legal de dois anos. O veredicto e a assistência administrativa prestada por milhares de policiais mostram que os interesses da altamente polêmica corretora de imóveis Gijora Padovicz são mais importantes para o Estado e Berlim do que a preservação de um espaço de vidas alternativas sociais.

A Liebig34 foi ocupada em 1990 e se tornou um projeto de moradia autogerido e importante abrigo para pessoas queer depois de 1999. Em 2008, os residentes tentaram comprar a casa dos antigos proprietários. Mas eles preferiram vender para Padovicz, que inicialmente alugou a casa para os moradores. De acordo com um comunicado da Liebig34, ao longo dos dez anos foram pagos ao proprietário rendas de aproximadamente 570.000 euros (R$ 3.744.900) e a casa foi renovada de forma independente. Isso quase corresponde ao valor de compra da casa naquela época, então Padovicz estava “com a casa em 0”. Liebig34 exige que espaço de moradia seja considerado um direito humano e não uma comodidade.

Um participante da manifestação disse: “Vagas, falta de moradia e aluguéis horríveis também são um grande problema por aqui. A criação de espaços livres autogeridos é absolutamente necessária para um público cultura e politicamente variado, especialmente em Tübingen”.

Fonte: https://enoughisenough14.org/2020/10/10/tubingen-germany-spontaneous-expression-of-solidarity-with-liebig34-in-berlin/

Tradução > A. Padalecki

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A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua. 

Matsuo Bashô

[Espanha] Bicel 28: disponível o novo número de nossa publicação

O arranque do curso esteve marcado pela crise sanitária do Covid-19. Uma situação que nos obrigou a adaptar-nos a esta mal chamada ‘nova normalidade’, mas que não deteve nosso ritmo de trabalho.

Neste contexto, e de maneira excepcional, lançamos nosso último número em formato digital. Nele repassamos o trabalho realizado pela Fundação ao longo de 2019; um ano em que a FAL aumentou seu trabalho em tarefas tão importantes como o fundo de cartazes, os fundos pessoais do arquivo ou as consultas do mesmo.

Além das colaborações e textos sobre Memória Histórica, obtivemos o êxito da exposição e edição do livro “Gráfica Anarquista. Fotografía y Revolución Social. 1936-1939”, junto com diferentes resenhas de nossos últimos lançamentos, entre eles, “Haciendo Historia”, de Aleix Romero Peña.

Os animamos, pois, a baixar e desfrutar deste número 28; uma edição especial, lançada em meio de uma crise que não paralisará nosso trabalho de difusão da cultura libertária.

Receba um caloroso abraço da equipe da FAL.

fal.cnt.es

>> Baixe a revista aqui:

https://fal.cnt.es/wp-content/uploads/2020/10/bicel-28-digital.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Grande sol poente
chupa no horizonte
estrada serpenteante

Winston

Postos da polícia incendiados na Revolta contra a Lei Omnibus na Indonésia

Militantes incendiaram postos da polícia, estações de metrô e barricadas na noite de quinta-feira(08/10) em Jacarta, numa revolta contra a lei neoliberal Omnibus, que criaria ainda maior desigualdade e destruição do meio ambiente.

Dezenas de milhares de pessoas têm participado na revolta em cidades por toda a Indonésia desde a aprovação da lei neoliberal Omnibus, que serve os interesses dos capitalistas ricos à custa dos e das trabalhadoras e do meio ambiente.

Alguns militantes queimaram pneus, vandalizaram pontos de ônibus e derrubaram divisórias de um canteiro de obras, enquanto outros quebraram tijolos e cimentos em pedaços menores para atirar contra a polícia. As e os revolucionários também atacaram a polícia com molotovs.

Fumaça negra ergueu-se pela capital no final da tarde de quinta-feira e durante a noite, com combatentes queimando instalações de transporte público, destruindo edifícios governamentais e incendiando postos da polícia.

Militantes também entraram em confronto com a polícia em Makassar, Medan, Malang e Yogyakarta.

A lei Omnibus descarta os regulamentos do salário mínimo, permitindo que as empresas determinem arbitrariamente os salários.

Os e as anarquistas têm sido participantes ativos na revolta, com símbolos do a na bola pichados em postos da polícia incendiados e segurados em faixas e bandeiras por combatentes nas ruas.

Hackers bloquearam o acesso ao site do Parlamento e mudaram o seu nome para “Conselho de Traidores”.

Também criaram uma conta na plataforma de comércio eletrônico da Indonésia Tokopedia e colocaram o Parlamento “à venda” por uma ninharia.

Fonte: https://www.amwenglish.com/articles/police-posts-torched-in-uprising-against-omnibus-law-in-indonesia/

Tradução > Ananás

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agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[Espanha] A polícia detém por delito de ódio “contra nazis” três antifascistas enquanto ignora a lei contra símbolos franquistas

Uma manifestação ultradireitista em Benimaclet, um bairro obreiro e integrador de Valência, acabou com a detenção de três antifascistas, enquanto a polícia ignora a aplicação da Lei valenciana de Memória Democrática vigente desde 2017, que os obriga a identificar para sancionar a quem faça apologia do fascismo, como faziam os manifestantes ultras que escoltavam.

Três jovens antifascistas, procedentes de cidades vizinhas de Valência, foram detidos na tarde de segunda-feira (12/10) quando fugiam de um grupo de ultradireita que os perseguia, nas proximidades do bairro de Benimaclet, segundo informou à imprensa local seu advogado.

Tudo aponta, segundo testemunhas, que os jovens tiveram um confronto em uma das ruas com um grupo muito numeroso de ultras que iam à manifestação prevista para as sete da tarde, optando por sair correndo e fugir, até que foram detidos.

Os jovens iam ao bairro para apoiar as atividades de “Benimaclet Lliure d’Odi”, uma jornada de protesto pacífica contra a manifestação convocada pela ultradireita, por causa do “Dia da Hispanidade”. Espanha 2000 escolheu para sua celebração este bairro tranquilo, conhecido pela convivência inter-racial e solidária há décadas que, também, é residência de milhares de estudantes universitários.

Durante a detenção, os três jovens sofreram feridas de vários tipos na cabeça e extremidades, provocadas pelos golpes e os chutes dos agentes, segundo seu advogado.

Os três jovens antifascistas permanecem desde a tarde de segunda-feira nos calabouços do antigo quartel de Zapadores de Valência, até que possivelmente na quinta-feira passem a disposição judicial. Uma situação que a organização contra a repressão Alerta Solidária não entende.

As tochas e a formação paramilitar da manifestação não puderam dissimular sua debilidade política, que apenas conseguiu reunir a uma centena de fanáticos que, em todo momento, foram escoltados pela polícia, enquanto o bairro inteiro fazia soar caçarolas manifestando seu rechaço.

Fazia tempo que não se viam em uma manifestação tantas bandeiras franquistas, nazis, falangistas, runas célticas e demais símbolos fascistas. E isto precisamente provocou a reação de Rosa Pérez Garijo, a conselheira de Participação, Transparência, Cooperação e Qualidade Democrática, que teve que recordar que os valencianos tem desde dezembro de 2017 uma lei que impede e sanciona estes atos de exaltação fascista.

Fonte: agências de notícias

Tradução > Sol de Abril

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o fogo partiu saciado
a floresta de luto
soluça

Eugénia Tabosa

[Chile] Chega de ciclistas mortxs

Em uma nova jornada de mobilização (11/10), milhares de ciclistas de diversas áreas de Santiago chegaram ao Parque Almagro para empreender uma bicicletada de mais de 25 km em protesto ante o grande número de mortxs e acidentadxs durante o mês de setembro após o desconfinamento da quarentena e, com isso, elevando-se o tráfego de carros e ônibus. A manifestação percorreu vários pontos da capital e terminou na Praça Dignidade, onde Forças Especiais lançaram bombas de gás de pimenta depois de serem ultrapassados pelo número de ciclistas.

Frente Fotográfico

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no sonho
da velha cerejeira em flor
passa um gato branco

Philippe Caquant

[Itália] Inauguração do novo espaço anarquista e conferência sobre “Sangue e guerras do colonialismo do petróleo”

Petróleo, colonialismo, sangue e guerras

Mesmo em um período de crise social, a Itália gasta bilhões de euros em missões militares e armamentos. Do sul do Mediterrâneo ao Níger e ao Golfo da Guiné, a Itália intervém para satisfazer o apetite da indústria energética e militar, devastando países e forçando milhões de pessoas a passar fome. No Mediterrâneo, está sendo criado um novo mapa militar e geopolítico baseado em campos de gás. No centro destas manobras está a ENI [multinacional petrolífera], que financia seus lucros com acampamentos para migrantes e manobras de gás e petróleo.

Falaremos sobre isso na sexta-feira 16 de outubro a partir das 19h00 no novo Spazio Anarchico (Espaço Anarquista) no Garbatella, na Via Vettor Fausto 3 (Metro B Garbatella) com Daniele Ratti do Ateneu Libertário de Milão.

Será a ocasião para inaugurar o novo Spazio Anarchico, que flanqueia e expande a histórica (desde 1946) sede anarquista no distrito de Garbatella e em livros sobre a história do distrito.

Para celebrar a inauguração do espaço, Gianluca Wood tocará algumas canções com seu violão.

Convidamos todos e todas a participar da iniciativa, lembrando que o novo espaço está aberto a colaborações e propostas de indivíduos e realidades anarquistas e libertárias que queiram operar numa perspectiva autogerida.

Até sexta-feira, 16 de outubro a partir das 19:00 na Via Vettor Fausto 3 (entre na porta principal e desça as escadas).

Para o necessário respeito para com aqueles com problemas de saúde, convidamos você a participar usando a máscara. Forneceremos água, cerveja e vinho: todos trazem algo para comer por si mesmos.

Grupo Anarquista “M. Bakunin” – FAI Roma e Lazio

gruppobakunin@federazioneanarchica.org

FB: https://www.facebook.com/events/1272109076476323

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Um pombo no mar
traz ao bico verde ramo:
terra à vista?

Anibal Beça

Vídeo | Anarquismo no Chile / parte I (1890-1940)

O Chile tem um governo que se fez famoso por uma repressão sem dissimulo, assassinatos sistemáticos por parte de seus agentes repressivos para salvaguardar seu modelo político e econômico, de modo que o país estava no caminho da revolução, apaziguado por seus executores através da institucionalização da rebelião.

Isso não é algo novo, no Chile no final do século XIX as ideias anarquistas chegaram à classe oprimida, foram instaladas em indivíduos e sindicatos que detonaram suas ideias revolucionárias em diferentes aspectos, porém, a dispersão de seus militantes, o autoritarismo dos governos, a institucionalização da rebelião sindicalista transformada em reformismo e a atividade dentro dos partidos políticos marcou um antes e um depois na história do anarquismo chileno.

Não perca o primeiro vídeo sobre o anarquismo no Chile, de 1890 a 1940.

>> Assista o vídeo (23:19) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=puZOvbI3kDo&feature=youtu.be&fbclid=IwAR0rUeM32rwp9oncXDeeRj5jh7ej8pwB6-8wjQqQMj_U0Slxr1tQqukhTb8

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a luz do poente
escala a alta montanha;
no cume será a noite.

Alaor Chaves

[Chile] Comunicado: as ruas são nossas, as urnas do poder

Entendemos que o capitalismo nos mantém em um estado de crise permanente, ameaçando nossas vidas e as dos ecossistemas com um colapso generalizado. É desta aberração que surge a revolta no território dominado pelo Estado do Chile e em tantos outros lugares do mundo que foram confrontados com o sistema vigente. A raiva, após vários terremotos de descontentamento explodiram em 18 de outubro como uma erupção vulcânica em sua vida monótona na cidade, deste caótico e belo devir é que a classe política que dirige este país tinha medo de ser confrontada com este mar de pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para mudar as coisas, Eles tinham medo de “compartilhar seus privilégios” e decidiram que a melhor maneira de acalmar as águas dessa onda desenfreada de autodefesa e autonomia era através de um “acordo de paz” que é o que qualquer Estado faz para se vitimizar e se legitimar, colocando esse “poderoso inimigo” como a causa da violência. Mas sabemos que enquanto todo esse mecanismo eleitoral de acordos e pactos entre eles está sendo construído como de costume, eles continuam a reforçar suas armas de repressão para defender seu sistema quebrado à frente das milícias e do toque de recolher com sua desculpa pandêmica.

Não somos a causa de nossa própria miséria, são os ricos, os poderosos, aqueles que investem em armas, ao invés de investir na saúde, aqueles que nos falam de frente sobre paz e democracia como conceitos a serem reivindicados, enquanto nos assassinam por trás. Diante disso, não podemos fazer-lhes o favor de cumprir suas normas cívicas de bom comportamento, devemos afiar nossas garras para atacar e contra-atacar, é hora de defender o que conseguimos com a revolta, esse entrelaçamento de apoio mútuo e solidariedade que estava sendo bordado. Continuaremos lutando por nossa autonomia, porque nunca dependemos de um Estado ou de uma Constituição para orientar nossas vidas, e é por isso que, antes da iminente comemoração da revolta popular que começou em outubro de 2019 e do abrandamento do processo constitucional, a partir do território Lafkenche (Valdivia) fazemos um claro apelo ao protesto e à propaganda, para não desistir das ruas que tanto nos esforçamos para vencer.

Kiñe: A busca de consenso através do plebiscito foi promovida pelas classes políticas dominantes, como uma linha de vida para re-alfabetizar este regime democrático e sua tão danificada representatividade, mas evitando uma verdadeira ruptura com o capital. Desta forma, o poder cria o imaginário de que os caminhos democráticos e institucionais são a panaceia para uma vida digna. Entretanto, esta estratégia desmobilizadora esconde seu senso político de administração e negociação para manter a ordem estatal. O que eles estão fazendo é sequestrar a revolta e colocá-la em seu próprio território; relegando o conteúdo da luta e apropriando-se dela. Ficou claro que a adesão a um ou outro slogan, neste caso “eu aprovo” ou “eu rejeito”, é vendida como a única maneira de continuar nos colocando em um lugar submisso e derrotista, onde, se escolhe uma opção ou outra, e a manutenção do capital é perpetuada. O problema está em nos deixarmos conduzir pelos líderes, ou em defender as reformas levantadas pela elite governante, em vez de lutar por nossas próprias exigências. Isto expressa uma fraqueza que nos precede, típica de anos de acumulação de repressão que o Estado e os que estão no poder chamam de ordem. Diante de tudo isso, temos nossas perguntas: Como podemos confiar neste estado abusivo que perpetua o patriarcado e o capitalismo? O mesmo que é cúmplice e executor da subjugação em nossos corpos, que nega a existência de prisioneiros políticos, as violações aos direitos humanos, que endossa e apoia a ação repressiva da juta e das milícias, que promove leis terroristas e aumenta demais sua infraestrutura repressiva, mesmo durante a pandemia. Como podemos abandonar a raiva que gera este sistema hostil da vida? Como podemos esquecer os camaradas? Que suas mortes não tenham sido em vão, todos os Estados são terroristas, não vamos nos comprometer com aqueles que administram nossa miséria, pela destruição da ordem capitalista: vamos recuperar nossas vidas!

Epu: Nós convidamos as pessoas a lembrar, não esquecer nossos mortos, nossas vítimas, nossos estupradores e nossos torturadores. Sabemos que a alegria nunca veio e que votando ela nunca chegará; ainda há prisioneiros da ditadura, da transição e da revolta. Aqueles que não acreditaram no plebiscito do sim e não do 88, que mantiveram suas convicções rebeldes e viram o engano democrático que estava por vir, foram assassinados, criminalizados como terroristas e até criaram uma prisão de alta segurança para eles. As práticas explícitas de terrorismo de Estado iniciadas sob a ditadura nunca desapareceram: sequestro, tortura, assassinato, desaparecimento forçado, prisão política, repressão de protestos e manipulação da mídia continuam a existir na democracia sem o menor remorso. Os dias de protesto da população abalaram o sistema como um todo: o tecido social e rebelde estava sendo reconstruído, a capacidade de autodefesa territorial e de ataque ao sistema e a nossos opressores estava aumentando. Entretanto, a classe política que ascendia ao poder exigia a desmobilização e ficar em casa, resolvendo o conflito com um papel e um lápis, como fazem hoje, usando novamente um plebiscito como estratégia contrarrevolucionária de desmobilização. Desta forma, durante a transição para esta democracia, as organizações populares foram institucionalizadas, aliviadas e controladas com a incorporação aos partidos políticos, que levaram a cabo o projeto neoliberal. O descontentamento social acumulado até um ponto insuportável, que detonou e explodiu a revolta de outubro de 2019, que hoje tenta pacificar e legalizar com sua institucionalidade, mas aqueles de nós que sofreram a repressão em nossa própria carne não o fizeram lutando por uma solução acordada com aqueles que nos oprimem. Não vamos cair no jogo deles, não vamos nos tornar parte desta tentativa de extinguir nossa rebelião histórica: NÃO DEIXAREMOS AS RUAS.

Küla: Durante a revolta que reencontramos, lutamos juntos nas ruas pela destruição da ordem existente, queríamos tudo porque tudo nos foi negado, “eles tiraram tanto de nós que tiraram nosso medo”. Enchemos as ruas com nossa vitalidade rebelde, sonhamos novamente que um novo horizonte fora desta ordem é possível, a radicalidade de nossos atos era mais exemplar do que qualquer discurso, era uma potência ingovernável. O fogo que acendeu o rastilho rebelde da insurreição ainda está vivo, o anonimato do capuz nos fez olhar nos olhos um do outro novamente, com nossos rostos cobertos confiamos e cuidamos de nós mesmos, reconhecemos nossos inimigos, os enfrentamos. Gritamos, choramos, rimos, dançamos. As ruas eram realmente nossas, nunca nos havíamos sentido tão vivos no cemitério da cidade, a esperança não apenas reanimou, mas transbordou nossos corações, arriscamos nossas vidas e nossa liberdade como gestos de amor altruísta. Este momento indigente foi criado com afeto entre nós e ódio à institucionalidade, apostando em nossa autonomia: nos curamos uns aos outros através dos pontos de saúde, nos alimentamos mutuamente nas panelas comuns, nos organizamos entre nós em assembleias territoriais, nos apoiamos uns aos outros com solidariedade anti-prisão, nos informamos mutuamente preenchendo os muros de contrainformação que moldaram nossa raiva e descontentamento. Estávamos juntos nas ruas, sem bandeiras, sem líderes ou oficiais, nos chamávamos juntos, sem que ninguém nos desse ordens. Nunca precisamos das instituições do Estado, POR QUE AGORA PRECISARÍAMOS? Estamos conscientes de que a dignidade pela qual lutamos não se encontra na democracia ou em seu processo constituinte, porque nossos sonhos não cabem em suas urnas e o potencial revolucionário da revolta não terminará, Deixe-nos CONTINUAR A LUTA PARA LEVANTAR A AUTONOMIA TERRITORIAL.

Después…
Van a venir a contarnos a la cárcel sobre lo bonito que salió el plebiscito.
Que con papel y lápiz ahora existen derechos para ti y para mí.
Nos van a pedir en esta fiesta cívica que nos portemos bien (…)
Nos van a decir que el pasado debe quedar atrás. Que ojos menos, que ojos más.
Que veintidós, que veintitrés, que les habilitarán el cuarto piso del museo de la memoria. Que ahí podrán ir a llorarlos sus madres. (…)
Que se iniciará una nueva transición.
Y que habrá que vivir con la alegría sana de la limpia victoria alcanzada.
(…)
Una amiga me dice que la historia le suena conocida.
Que no se traga el cuento, que tenemos que hacer algo.
Y yo ardo en ganas de devenir
(….)

Cristóbal Palma, preso da revolta.

Fonte: https://lapeste.org/2020/10/comunicado-las-calles-son-nuestras-las-urnas-del-poder/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

curta noite
perto de mim, junto ao travesseiro
um biombo de prata

Buson

[Reino Unido] Bem-vindos à Feira do Livro Anarquista de 2020 em Londres

Gostaríamos de poder estar juntos novamente este ano para encontrar velhos camaradas e inimigos, conspirar, educar, organizar e tramar pessoalmente, mas devido ao Covid-19, este evento será realizado online no sábado, dia 17 de outubro, e domingo, 18 de outubro de 2020.

Fizemos nosso melhor esforço para facilitar a primeira feira do livro anarquista de nosso coletivo, e tentar torná-la acessível e inclusiva online.

Se cometemos algum erro, pedimos desculpas antecipadamente. Esperamos que você goste da edição online deste ano e, se tiver algum problema, entre em contato através do e-mail abaixo.

A composição dos coletivos organizadores por trás das várias feiras de livros Anarquistas em Londres mudou muitas vezes ao longo dos anos e estamos orgulhosos de assumir a tarefa de trazer um bastião proeminente do pensamento anarquista e radical de volta a Londres. A Feira do Livro Anarquista de Londres tem sido um componente vital da comunidade Anarquista desde seu início em 1981 e pretendemos continuar com essa tradição.

A Feira do Livro 2020 será um evento diversificado com foco organizacional tanto no internacionalismo quanto em nossa herança anarquista aqui no Reino Unido. Esperamos que nossos camaradas internacionais se juntem a nós no dia, como muitos fizeram nos anos anteriores e pretendemos hospedar workshops e exibições que ilustram nossa tradição anarquista compartilhada.

Mais do que um simples mercado, as feiras de livros são os pilares do Anarquismo, pontos-chave de um movimento revolucionário diversificado e extenso. É onde nos reunimos para compartilhar nossas ideias, debater nossas posições e desenvolver nossa teoria e práxis. Elas nos ajudam a acreditar em mundos melhores e a começar a lançar as bases de um mundo livre de opressão, corporativismo e da autoridade brutal do Estado.

Em relação aos eventos em 2017 onde o material transfóbico foi compartilhado nos banheiros femininos e no salão principal, gostaríamos de afirmar que a Feira do Livro 2020 seguirá o exemplo de nossos camaradas de Bristol, Manchester, Liverpool, Edimburgo e outros lugares no fornecimento de um espaço de caráter diverso e protegido contra xenofobia e intolerância em qualquer veia.

Nossa solidariedade é aberta e completa. Qualquer política que busque oprimir, minar ou remover os direitos e liberdades de outros é anatemática para o Anarquismo e não encontrará boas-vindas nem tolerância na feira do livro em si ou em qualquer evento ou espaço associado.

Fazemos isso para deixar claro que nenhum aspecto da opressão será permitido em nossos espaços revolucionários.

Solidariedade e unidade sendo princípios fundamentais para o anarquismo, gostaríamos que a Feira do Livro de 2020 atuasse como um ponto focal para reconstruir a coesão em nossa comunidade, fomentando novas redes e desenvolvendo laços e compreensão mais fortes entre nós, tanto no Reino Unido como internacionalmente. Compartilhar conhecimento e apoiar o desenvolvimento pessoal e político de cada um de boa fé é a chamada do dia. Asseguraremos uma série de workshops para atender a isso e receberemos palestrantes sobre uma variedade de tópicos.

Se alguém deseja se envolver, recebemos voluntários de todas as origens e habilidades: tanto para a versão online deste ano quanto para as que virão. Se você tem capacidade / disposição para planejar a logística, ajudar na arrecadação de fundos, promover o evento ou nos ajudar a administrar tudo no dia, entre em contato. Se você tem ideias para palestras, workshops, debates ou barracas ou simplesmente deseja reservar um espaço, não hesite em entrar em contato.

Esperamos que você se junte a nós e juntos possamos construir uma comunidade mais forte e resiliente e forjar um futuro melhor, livre das algemas do capitalismo e da tirania do Estado e fortalecer nossos laços de solidariedade internacional e interseccional, ajuda mútua e unidade.

A arte deste site foi criada por Never Come Down Comix

Twitter: https://twitter.com/BookfairLDN

Facebook: https://www.facebook.com/AnarchistBookfairLondon

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E-mail: – anarchistbookfairlondon (at) riseup.net

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

manhã
me ilumino
de imensidão

Giuseppe Ungaretti

[Chile] Comunicado do Grupo Antirracista Santiago: O encontro de dois mundos? Ou a invasão de um mundo sobre outro?

O 12 de outubro de 1492, é para a história ocidental um dos marcos que dá início à modernidade com as viagens de expansão em busca de novas terras para a riqueza europeia. A chegada dos colonos a este continente o qual chamaram “América” não só foi o começo da morte e a exploração de cada um dos rincões da ampla natureza que compõe Abya Yala (América), mas também a destruição dos povos que a habitavam. Este fato para nós não é um encontro de dois mundos, é uma invasão, um etnocídio, é a mostra da prepotência histórica do ocidente.

Em busca de recuperar nossa memória histórica e ancestral nos propomos repensar, ressignificar e indagar as formas de vida que existiam (e que ainda existem em alguns territórios) antes da irrupção colonial, é assim como nossos primeiros habitantes buscavam seu destino sob uma dinâmica própria, com seus códigos, suas linguagens, seus modos individuais e coletivos. Definitivamente desde sua própria percepção e desejo. Sob um imaginário coletivo que era o suficientemente diferente como para entendê-lo desde uma visão ocidental, europeia, de ocupação avassaladora.

Foi assim que através de diversos mecanismos de apropriação cultural, política e social tomaram esta região, estas terras, e não só para dominar aqueles habitantes que aqui viviam, mas para dominar tudo, desde sua maneira de comunicar, de aprender, de saber, de pensar e de fazer, quer dizer, uma destruição que pretendeu o  desaparecimento de tudo o que não fosse branco, europeu, católico, heterossexual e patriarcal. Ditos mecanismos de apropriação e destruição cultural tão próprios do ocidente, se impuseram a sangue e fogo tão profundamente que hoje, depois de mais de 500 anos, persistem em nossa geografia, nas formas de fazer e entender o que é cultura e em uma psiquê que segue sustentando a colonização, uma colonização de tudo, do corpo, do território, do político, do social, da economia e inclusive do mais pessoal ou íntimo, do subjetivo, do particular e inclusive da imaginação. A história, os relatos e conversações cotidianas revelam o racismo e a não identificação de nossas origens indígenas. Desenvolvemos um colonialismo interno que, longe de querer eliminar e combater, muitos abraçam como baluarte de vida.

A dominação colonial se vê refletida, respaldada e institucionalizada de maneira tácita em todos os Estados Nação que se levantaram no Abya Yala, desde suas origens racistas até nossos dias, é um modelo que nos têm sujeitados a sua jurisdição e a seus requerimentos que não concebem, nem muito menos respeitam a existência autônoma dos povos indígenas que conseguiram sobreviver ao massacre. Agora, como no princípio, assim como nossos irmãos indígenas devemos recordar esta data, não como o mal chamado “encontro de dois mundos” mas para recordar que outro mundo sim foi possível, e que devemos recuperar, recuperar a comunidade com a terra, a água, o ar, o alimento, uma forma de compreender, sentir e pensar o entorno que habitamos desde o respeito e o amor. Por tudo, insistimos, em que não foi um encontro de dois mundos, foi um massacre capitalista-racista-patriarcal que nos impôs tudo o que somos hoje, pelo qual entendemos a emancipação com a destruição de toda institucionalidade que sustenta esta engrenagem colonial. Outro mundo é possível, sim. Mas feito desde nós, desde nossa própria concepção do mundo, resgatando o que há séculos já nos vem ensinando os povos originários de Abya Yala e que a colonização interrompeu.

Recuperar, viver, fazer e construir.

Grupo Antirracista Santiago

12 de outubro de 2020

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Triste despedida
Que fazer com esta carta?
Outro origami?

Chico Pascoal

[Alemanha] Liebig34 foi despejada

É incrível digitar estas palavras nas teclas: A Liebig34 foi esvaziada.

Às 7 horas, os Robocops começaram a serrar e desmantelar cercas, portas, janelas e barricadas, e às 11 horas os últimos habitantes da Liebig34 foram arrastados para fora dos quartos.

Estamos tristes. Estamos chorando. Estamos exaustos. NÓS ESTAMOS COM RAIVA.

Eles não podem imaginar a determinação que despertaram em nós. Este ato de violência explodirá em um ato de contra-violência e autodefesa. Tanta solidariedade já aconteceu nas últimas noites, meses, anos e mostrou o que somos capazes de fazer. Este despejo é um momento de radicalização. Podemos usá-lo e juntos podemos expressar nosso ódio por toda essa merda.

Mesmo que a imprensa, políticos, policiais e nazistas estejam agora tendo prazer em nossa perda, estamos transformando a impotência em raiva. Muitas fronteiras foram cruzadas. Gritamos NÃO em suas feições rancorosas. Vocês podem ter nossa casa, vocês nunca terão nossa paixão. Somos muito mais do que esta casa – somos anarquistas, feministas, queers e antifascistas que agora canalizarão sua raiva e atacarão o patriarcado capitalista até o fim.

Chamamos todos para a demonstração a partir das 21h00 em Monbijoupark. Chamamos para ações descentralizadas. Vamos experienciar juntos um outubro selvagem e caótico!

34 milhões de danos materiais – já estamos no bom caminho.

Liebig34 vive. Liebig34 luta.

Sexta-feira, 9 de outubro de 2020

liebig34.blogsport.de

Tradução > A. Padalecki

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/10/01/alemanha-todos-para-a-manifestacao-contra-o-despejo-da-liebig34-caos-em-vez-de-despejo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/22/alemanha-berlim-nao-toque-no-liebig-34/

agência de notícias anarquistas-ana

Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[Alemanha] As crianças esquecidas vítimas do nazismo em Hamburgo

Centenas de mulheres foram obrigadas a trabalhar para o regime nazista. Muitas deram à luz em campos de concentração e tiveram os bebês mortos. Psicóloga se dedicou a resgatar essa história e homenagear essas vítimas.

Na cidade de Hamburgo, numa calçada no bairro de Langenhorn, 49 Stolpersteine (“pedras de tropeço”), paralelepípedos que lembram vítimas do regime nazista, trazem os nomes de 49 crianças que morreram na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Em sua maioria, são crianças de origem eslava cujas mães foram obrigadas a trabalhar para o regime nazista.

Foi somente há cerca de dez anos que, por acaso, a psicóloga Margot Löhr descobriu a história desses menores. Ao conferir o registro de óbitos de Hamburgo, ela encontrou vários arquivos de crianças e bebês que tinham como local de residência um antigo campo de trabalhos forçados na cidade. Löhr decidiu então investigar a fundo esse tema.

No final, ela contou 418 crianças – incluindo muitos bebês – vítimas do regime nazista. Muitas mulheres e seus filhos, a maioria deles com idades entre 10 e 14 anos, foram forçados pelos nazistas a trabalhar em diferentes fábricas.

Havia, por exemplo, a jovem Nadeshda, que foi para o campo Hohenzollernring quando tinha 4 anos. Em suas memórias, ela lembra que seus pais e seu irmão de 14 anos tiveram que trabalhar duro na fábrica e que o irmão foi espancado pelos vigias. Aparentemente, ele havia deixado um barril muito pesado cair sem querer.

Assassinato de bebês

Mas o que mais emocionou Löhr foi o destino das jovens Rozena e Alice, que estavam num campo satélite de Eidelstedt. Eram duas judias tchecas que vieram do campo de concentração de Auschwitz e que tiveram que esconder a gravidez por temerem por suas vidas. “Gravidez não era permitido por lá”, conta Löhr.

Após entrar em trabalho de parto em dezembro de 1944, Rozena deu à luz um menino saudável. Pouco depois, uma mulher, que era uma das guardas, mostrou a ela seu filho morto. A vigia então colocou o bebê numa caixa de papelão. O comandante do campo de Eidelstedt, Walter Kümmel, havia afogado a criança.

Somente no início da década de 1970, foi realizada uma investigação sobre o caso no Tribunal Regional de Hamburgo, na qual ambas as mães testemunharam. O envolvimento do então comandante no assassinato dos recém-nascidos, porém, foi classificado pela corte apenas como “cumplicidade em homicídio”. Não teria sido possível atribuir a ele nenhuma motivação para o crime.   

Além disso, muitas mulheres também foram forçadas a abortar. O capítulo sombrio sobre as crianças esquecidas de Hamburgo era um assunto tabu não apenas na Alemanha do pós-guerra. De volta aos seus países de origem, a maioria dessas mães quase não falava sobre esse período, pois os bebês que tiveram nos campos de concentração na Alemanha eram considerados “filhos de traidores” em suas terras de origem.

Até agora, Löhr já escreveu sobre os destinos de mais de 400 crianças deste período, os quais foram publicados em livro. A história das trabalhadoras forçadas de Hamburgo está bem documentada. Só no cemitério de Ohlsdorf, foram enterrados 246 desses bebês. Em 1959, porém, a maioria dessas sepulturas foi removida.

Por isso hoje é tão importante resgatar essa história há tanto tempo silenciada. Em 2020, serão colocadas mais “pedras de tropeço” em memória destas crianças esquecidas de Hamburgo. O projeto, contudo, ainda busca patrocinadores. 

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/as-crian%C3%A7as-esquecidas-v%C3%ADtimas-do-nazismo-em-hamburgo/a-55096078

agência de notícias anarquistas-ana

se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

Chamado Internacional por uma Primavera Libertária

Companheirxs:

No hemisfério sul, a primavera já está mostrando seu poder e sentimos as forças ásperas da natureza chocando em todo o seu esplendor, superando todos os obstáculos. Nossas vidas fazem parte deste ressurgimento energético cíclico e sentimos o impulso de unir-nos a este chamado que nos convida a unir nossas expressões, nossas ações, para que esta seja uma Primavera Libertária.

É por isso que convidamos vocês a escrever, agir, fazer atividades, etc., no âmbito do chamado para uma Primavera Libertária.

Cada camarada, cada coletivo, cada organização, cada grupo de afinidade, cada configuração, tem suas próprias inclinações em termos de estratégia, métodos, táticas, objetivos específicos e particularidades, mas quando levamos em conta o espectro libertário em sua totalidade, evidenciamos a crítica unitária do sistema de opressão que nos aprisiona com suas correntes, aquela crítica libertária que apela ativamente para a destruição de toda dominação, criando caminhos para a emancipação.

Este é um dos principais objetivos do Chamado Internacional por uma Primavera Libertária; aumentar nosso poder, conectar as pequenas e isoladas expressões com as grandes e complexas, coordenar nossa existência, nossas ações, atacar com mais força e melhor.

Que nesta primavera brotem mundos em liberdade e solidariedade!

Coluna Stuart Christie

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

o céu e o mar
no horizonte nenhuma fresta,
para te espiar.

Núbia Parente

[França] Histórias de crimes stalinistas

Em 1944, nos municípios dos Pirineus Orientais, Hérault, Ariège, Corrèze, Aveyron e de Aude, militantes libertários espanhóis exilados, após participar da Resistência, bem como alguns membros de suas famílias, foram assassinados por militantes stalinistas do Partido Comunista espanhol, apoiados pelo PC francês. Em 1984, um livro, “Os dossiês negros de uma certa resistência. Trajetórias do fascismo vermelho”, publicado em Perpignan pelo grupo Puig-Antich da Federação Anarquista, foi dedicado a um certo número desses assassinatos. Este livro não teve repercussão fora dos círculos militantes, ficando restrito, insuficiente para quebrar o silêncio em torno destes crimes stalinistas, um silêncio religiosamente observado por décadas por historiadores e falsários dos partidos comunistas francês e espanhol. Mas aqui está um novo livro (Guerilleros, france 1944 – une contre-enquete, de Christophe Castellano e Henri Melich) sobre o assunto, aparentemente dedicado apenas aos eventos do município de Aude. Esperamos que seja amplamente divulgado, lido e comentado, para que finalmente se faça justiça à memória das vítimas dos algozes stalinistas.

Fonte: https://florealanar.wordpress.com/2020/10/02/histoires-de-crimes-staliniens/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/07/espanha-assim-os-comunistas-assassinaram-12-anarquistas-em-barcelona/

agência de notícias anarquistas-ana

Voa bem-te-vi,
enquanto o sol é promessa
e eu tenho as janelas.

Yberê Líbera