[Itália] Orso vive, com quem luta contra o ISIS e ao lado de Rojava

Florença, 31 de março de 2019

Milhares de pessoas participaram da manifestação para celebrar o Orso Tekoser e, ao lado de quem lutou pela liberdade, uma marcha que percorreu o bairro de Rifredi, onde viveu Orso, terminando nos jardins de Fortezza.

Durante a manifestação ocorreram muitas intervenções a favor da luta pelo confederalismo no norte da Síria, pelos milhares de combatentes caídos na guerra contra o ISIS, e contra o exército turco; bem como outras intervenções deram apoio à greve de fome dos prisioneiros curdos na Turquia, que se prolonga há quase 150 dias, a solidariedade com os companheiros e companheiras colocadas em julgamento em Turim como “sujeitos perigosos” por sere ex-voluntários das fileiras das YPG e YPJ.

Toda a marcha teve muitas referências, com faixas e slogans, a Lorenzo Orsetti, Orso Tekoser, acompanhando todo o evento desde o local de encontro de Praça Leopoldo até as intervenções finais.

A presença anarquista se fez importante ao longo da manifestação, com companheiros e companheiras de Livorno, Turim, Trieste, Pordenone, Emilia Romagna e outras cidades e regiões.

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

[Espanha] 1° de Maio: No trabalho e na luta, conta com a CNT

O primeiro de maio é um dia reivindicativo da classe obreira. E este ano, as ruas têm que voltar a se encher. Porque seguimos sofrendo uma perpétua crise que afeta a multidão de famílias enquanto o número de pessoas milionárias aumentou o dobro nos últimos anos. A patronal e os governos potencializam de maneira pública ou subterrânea uma economia neoliberal que supõe ficar com todos os benefícios, pagar nada ou o mínimo de impostos e ir privatizando progressivamente todos os nossos serviços sociais. Mas quando chegam as crises, então querem socializar suas perdas, para que paguemos entre todas e todos seus excessos. E enquanto isso, pretendem culpar pela crise os trabalhadores e trabalhadoras “por viver acima de nossas possibilidades”. Em troca, não se culpa os bancos por enganar e roubar, ou ao governo por deixar que o fizessem.

E este ano seguimos padecendo a última reforma laboral. A de 2012 somada às doze anteriores que se sucederam desde 1977 e que supostamente nasceram para melhorar a situação sócio-laboral de trabalhadores e trabalhadoras, mas que serviram justamente para todo o contrário. Ainda não nos esquecemos da última, ainda que a classe política está há anos tratando de enganar-nos prometendo que a revogariam quando chegassem ao poder. A CNT está há anos exigindo sua revogação, mas não só desta reforma, nem da anterior, mas de todas elas, já que o que necessitamos é uma regulação laboral justa, que equilibre a balança, que reconheça os direitos da classe trabalhadora, regulando e controlando de forma honesta os abusos dos empresários.

Contudo, trabalhadoras e trabalhadores vão pouco a pouco tomando consciência de sua situação. Por necessidade vamos nos organizando e unindo com as pessoas que sofrem as mesmas privações que nós. E aqui é onde entra a CNT com exemplos claros e tangíveis, conseguindo convênios e acordos baseados em nossa tabela reivindicativa que tratam de reverter parte dos efeitos das reformas laborais das quais antes falamos. Exemplo disso são as vitórias em Hermanos Ruiz Morantes, Urbaser, Extracciones Levante, Alumalsa, nos Serviços Informáticos ou nos Serviços de Emergências da Xunta de Galícia, Eurest ou os Amarradores do porto de Barcelona. A estas se somam outras frentes abertas nos dia de hoje, como foi a greve de três dias em produtos Florida com 80% de participação, a greve na Comercializadora de Etisur, demissões revogadas em Capgemini, as constantes vitórias dos Figurantes da CNT com múltiplas produtoras, Clece, Exeo, Wesser ou Uber. Exemplos aos quais se unem a luta e as melhoras que vão conseguindo o conjunto de nossas seções sindicais.

Com nosso modelo sindical aprendemos e nos fortalecemos como classe trabalhadora.

Nosso modelo sindical faz com que a patronal nos respeite.

Com nosso modelo sindical se cria consciência.

Com nosso modelo sindical não delegamos as decisões de nossa vida para terceiras pessoas.

Nosso modelo sindical não confia na classe política para conseguir seus objetivos.

Esta é nossa estratégia: Luta por nossos direitos no trabalho, avançando na organização como trabalhadoras e luta por nossos direitos na rua, junto a todas aquelas pessoas e coletivos que se mobilizam contra o capitalismo, o fascismo e a exploração. E este é nosso objetivo: Uma só classe obreira.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/1-de-mayo-en-el-trabajo-y-en-la-lucha-cuenta-con-cnt/

Tradução > Sol de Abril

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Simples
Lua das folhas caídas
Sol de ressaca

Alves Sevla

[Portugal] Está chegando o II Encontro Anarquista do Livro | Porto

O II Encontro Anarquista do Livro decorrerá entre os dias 25 e 28 de Abril de 2019, no CSA A Gralha, no Porto.

Num contexto marcado pela crescente capitalização da cidade, de manutenção de oligarquias econômicas, intelectuais e artísticas, de desigualdades estruturais e de institucionalização das lutas sociais, o EAL 2019 será um espaço para o pensamento crítico e a (auto-)reflexão, a difusão de ideias e práticas anti-autoritárias, o intercâmbio auto-gestionado de saberes e fazeres, a visibilização de projetos colaborativos e autônomos que se recusam a fazer parte do circuito capitalista da produção livreira e editorial, assim como para a preservação da memória histórica e o reforço de redes de afinidade.

Nesta segunda edição, abordaremos as diferentes modalidades das estruturas de aprisionamento do Estado e do capital que continuam a apropriar-se, excluir e matar (simbólica e/ou materialmente) determinados corpos: os das mulheres encarceradas pelo complexo industrial prisional, os das pessoas refugiadas encurraladas às portas da Europa Fortaleza, os dos animais não-humanos explorados nas indústrias agro-pecuárias. Procuraremos conhecer melhor o movimento dos Coletes Amarelos, que surgiu no final de 2018, através das lentes dxs companheirxs da Federação Anarquista francófona. Falaremos também das fragilidades das “soberanias democráticas” e da voracidade imperialista/neo-extrativista das chamadas potências econômicas no sul global, focando especificamente no impacto das fake news no aprofundamento da crise na Venezuela. Teremos um momento de encontro e de escuta ativa sobre cuidados de saúde para companheirxs em lutas anti-autoritárias, no sentido de estimular o auto-conhecimento, a autonomia dos corpos, o respeito e a solidariedade. As nossas propostas para o EAL 2019 incluem ainda a apresentação de livros que nos fazem revisitar a memória histórica, uma oficina de encadernação DYI/FTM e concertos. Contará com a participação de mais de vinte bancas de livrarias, editoras e distribuidoras.

Mais uma vez, esperamos reunir, partilhar e fomentar processos de resistência e combatividade social, comunitária, política e econômica. E razões não nos faltam: o capitalismo neoliberal que continua a minar-nos as possibilidades de auto-determinação, a extensão dos projetos neocoloniais, a branquitude inquestionada que se materializa em diferentes formas de opressão (racismo, islamofobia, ciganofobia e xenofobia), a renovação do fascismo e a extensão da extrema direita, a manutenção das estruturas cisheteropatriarcais, a repressão policial, a supressão/precarização/mercantilização das vidas humanas e animais, entre outras.

Não nos faltam razões, nem a nossa necessidade e vontade de resistir se esgotam. Continuamos a resistir aqui e a solidarizar-nos com os movimentos urbanos contra a gentrificação e pelo direito à habitação e à cidade; as lutas contra a exploração de gás, o fracking e a poluição do Tejo; os projetos de anti-consumo e de soberania alimentar; o repovoamento de zonas rurais; a criação de eco-aldeias e as lutas populares contra o eucalipto; a produção de mídias alternativas; a multiplicação de Zonas A Defender (ZAD) e de espaços autônomos e auto-geridos. Não esquecemos também os movimentos indígenas; a experiência de Rojava; a resistência palestina contra a ocupação israelita; as lutas contra Bolsonaro; as lutas anti-racistas; a resistência camponesa contra o agro-negócio; o movimento anti-fascista; as resistências queer e transfeministas; o crescente movimento anti-especista; o combate ao primado da tecnologia e da ideia de progresso, entre muitas outras.

Não há transformação social sem auto-gestão, apoio mútuo, autonomia e radicalidade. Ousemos refletir, ousemos lutar!

>> Programa completo aqui:

https://encontroanarquistadolivro.noblogs.org/post/2019/03/25/223/

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tarde cinza
borboleta amarela
toda luz do dia

Alexandre Brito

[Espanha] Lançamento: “Ecofascismo | Lecciones sobre la experiencia alemana”

Janet Biehl – Peter Staudenmaier

 Para muitas pessoas pode resultar uma surpresa saber que a história das políticas ecologistas não foi sempre inerente e necessariamente progressista. Seu papel no seio das ideologias de tipo fascista, e mais concretamente no nacional socialismo, é uma incômoda verdade para a esquerda e o ecologismo político.

 Através de um exaustivo trabalho documental, Peter Staudenmaier mostra as raízes ambientalistas e antroposóficas em que se sustentava boa parte do movimento nazi. Converteram inclusive a agricultura orgânica, o vegetarianismo e o culto à natureza em elementos chave, não só de sua ideologia, mas também de suas políticas governamentais. Também, a tarefa propagandística de relevantes hierarcas nazis ou o vínculo com a natureza do movimento juvenil alemão — modelo para a organização militarista e disciplinar hitleriana — evidenciam que “o eco” formava um de seus eixos político-ideológicos mais importantes.

 Como avisa Janet Biehl, esta associação entre ecologia e fins racistas, nacionalistas e fascistas, não pode se delimitar a uma época obscura anterior a Segunda Guerra Mundial. No ecologismo contemporâneo existem correntes de ultradireita, que inclusive chegaram a ocupar lugares de influência em Os Verdes alemães. Posições como a de Rudolf Bahro, defensor de um “Adolf verde” ou de “um pouco de eco ditadura” como saída à crise ecológica, evidenciam que, longe de ser um resíduo histórico, a irrupção política do ecofascismo é um risco evidente.

 A cisão entre a questão social e a questão ecológica — ou as teorias em que a análise anticapitalista está ausente da crítica a degradação ambiental — brinda um espaço político e intelectual para o ecologismo autoritário. Esse risco é ainda maior na atualidade, quando o autoritarismo está se naturalizando como solução política a todas as crises de um mundo estruturalmente catastrófico. Temos a esperança de que os temas examinados neste livro contribuam para reforçar um modelo de política ecológica crítica e de confronto.

 Janet Biehl (Cincinnati, 1953) É uma pensadora e ensaista estadunidense centrada no municipalismo libertário e na ecologia social. Foi estreita colaboradora de Murray Bookchin, com cujas teses antiestatais rompeu em 2011. Editora entre 1987 e 2003 de Left Green Perspectives, publicou Rethinking Ecofeminist Politics (1991), Las políticas da ecología social(Virus, 1998, reeditado pela quarta ocasião em 2018), Revolution in Rojava: Democratic Autonomy and Women’s Liberation in Northern Syria(2016), Ecología o catástrofe. La vida de Murray Bookchin (Virus, 2017), e coordenou The Murray Bookchin Reader (1997).

 Peter Staudenmaier (1965) Professor de história alemã moderna na Universidade de Milwaukee. Foi ativista anarquista, participou do movimento verde e também do cooperativismo nos Estados Unidos e Alemanha. Como acadêmico, se centrou na história do nazismo e do fascismo, do pensamento racial e do ecologismo. Na atualidade, está imerso no projeto de pesquisa “La política da sangre e el suelo: ideales ambientales na Alemania nazi“, sobre os movimentos agrícolas alternativos no Terceiro Reich, os “defensores del paisaje” nacional-socialistas e os componentes ecológicos da política nazi nos territórios conquistados da Europa do Leste.

 Ecofascismo | Lecciones sobre la experiencia alemana

Janet Biehl – Peter Staudenmaier.

Virus Editorial, Colección Ensayo. Barcelona 2019

206 págs. Rústica 21×14 cm

ISBN 9788492559916

17.00€

viruseditorial.net

Tradução > Sol de Abril

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No pé ao lado
Jabuticabeira
Jaca namora

Alves Sevla

[Espanha] CGT de Zamora denuncia um ataque fascista em sua sede

Os vidros amanheceram com adesivos xenófobos do grupo “Patriotas Zamora”

O sindicato CGT de Zamora denuncia ataques fascistas em sua sede da capital que atribui ao grupo antissistema autodenominado Patriotas Zamora, que mancharam a fachada de nossa sede com adesivos.

O vazio das mentes destes sujeitos, que anseiam o regime fascista de outrora, os leva a atuar traiçoeiramente e à noite para transmitir suas mensagens xenófobas, que pregam ajudas sociais para os nacionais.

A organização assegura que não vai cair nas provocações destes degenerados, que por outro lado, não é a primeira vez que atuam contra nosso sindicato, o que não deve entender-se que vamos permanecer impassíveis a estas ou outro tipo de provocações. A CGT responderá com raciocínio, o que falta a estes depravados para conviver em um sistema democrática que eles renegam.

cgt.es

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A rã de Bashô
sai num pulo do haicai
dele para o meu.

Otoniel

[Galícia] III Jornadas Anarquistas Coruña Libertária

De 22 de Abril a 9 de Maio de 2019 

 

>> Segunda-feira, 22, às 20h00 

Apresentação das jornadas

Exposição: Guerra Civil. Revolução social, objetos recuperados, fotos, jornais, painéis informativos…

Permanecerá aberta todas as tardes de segunda, 22, ao domingo, 28

Ateneo Libertario Xosé Tarrío. Rúa Gil Vicente n°17

>> Quarta-feira, 24, às 20h00

“Germinal. Centro de Estudos Sociais. Cultura obreira na Coruña 1902\1936”. Palestra a cargo do autor do livro: Carlos Pereira

Ateneo Libertario Xosé Tarrío. Rúa Gil Vicente n°17

>> Sábado, 27, às 20h00

“Caso Scala: terrorismo de Estado”, palestra por: José Cuevas.

Unión Anarcosindicalista. Rúa Washington n°36

>> Quarta-feira, 1, a partir das 11h00

Distribuidora de livros anarquistas

Xardins de Méndez Nuñez, fronte ao Obelisco.

>> Sexta-feira, 3, às 20h00

“Retrospectiva sobre a família Grossi. Anarquistas italianos durante a Revolução Social”. A cargo de: Silvia Guzmán Grossi.

Unión Anarcosindicalista. Rúa Washington n°36

>> Quarta-feira, 8, às 20h00

Projeção e colóquio sobre o documentário: “Melchor Rodriguez, el Ángel Rojo”. A cargo do seu diretor: Alfonso Domingo.

Unión Anarcosindicalista. Rúa Washington n°36 

>> Quinta-feira, 9, às 19h00

Recital de poesia: “A boca da terra. (Haikais de ecologia insurgente)”. A cargo de Manuel Rivas.

“Cancioneiro Libertário”

Picoteo vegano.

Ateneo Libertario Xosé Tarrío. Rúa Gil Vicente n°17

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caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

Zemaria Pinto

Conheça a relação das grandes fortunas europeias com o nazismo

Empresas alemãs ou simpatizantes do nazismo tiveram íntima relação de fornecimento com o regime, e o dinheiro acumulado na época está até hoje em grandes fortunas da Europa

A ligação do nazismo com grandes empresas é notória, com diversas marcas que existem até os dias atuais tendo em seu passado ligação íntima com o regime de Adolf Hitler. A Mercedes-Benz era a marca oficial dos carros do III Reich, enquanto Hugo F. Boss, fundador da marca que leva seu nome, era o designer dos uniformes da Alemanha nazista. Já as químicas Bayer e BASF (na época sob o nome de I.G. Farben) tem em seu currículo a terrível mancha de terem fabricado e fornecido o gás usado nos campos de concentração.

No entanto, as relações do nazismo com grandes indústrias se estende para outras marcas, com o dinheiro acumulado naquela época passado para as novas gerações, sendo parte de algumas das maiores fortunas da Europa nos dias de hoje. Caso da família Reimann, dona da holding JAB que detém as redes de restaurantes Krispy Kreme, Panera Bread e Pret a Manger. Albert Reimann e Albert Reimann Jr., eram dois alemães entusiastas do nazismo, que utilizaram mão de obra escrava em troca de ajuda ao regime. Hoje a fortuna da família está estimada em US$3,7 bilhões.

Outra empresa cuja fortuna remonta ao nazismo é a francesa L’oréal, cujo fundador Eugène Schueller era um notório anti-semita e que durante o reich era codiretor da empresa de tinta e vernizes Valentine, que em parceria com a alemã Druckfarben fechou contrato para fornecimento de material para a marinha alemã. Entre 1940 e 1943, seus registros de impostos mostraram que sua fortuna aumentou quase dez vezes. Hoje sua neta, Françoise Bettencourt Meyers é uma das mulheres mais ricas do mundo ao ter herdado participação de quase US$ 50 bilhões da gigante de cosméticos.

Uma das principais moedas de troca dos nazistas para as empresas era a mão de obra escrava, oriunda de prisioneiros de guerra, políticas anti-semitas e anexação de territórios estrangeiros. Ela foi usada pela BMW, que em contratos com o governo de Hitler, estabelecia a troca de escravos por armas que a empresa fabricava na época. Maior acionista da montadora atualmente, a família Quandt também possuía na época a Accumulatoren Fabrik AG, que realizava a troca dos prisioneiros por baterias, armas e munição para o exército alemão. Os Quandt se tornaram acionistas majoritários da BMW após a guerra, e atualmente Stefan Quandt, tem uma fortuna estimada em US$ 17,3 bilhões.

Hoje um dos maiores grupos de mídia alemão, a Bertelsmann teve sua grande ascensão durante o final da década de 1920, quando começou a publicar textos de conteúdos anti-semita e nazista aproveitando a onda que iria varrer a Alemanha e culminar com o governo de Hitler. Ela se tornou a principal fornecedora de material escrito para o exército alemão com versões de bolso para soldados, e segundo um relatório encomendado pela própria empresa em 1998, utilizou mão de obra escrava de judeus para aumentar sua margem de lucro. Hoje a vice-presidente do grupo é Elisabeth Moon, filantropa e nora de Heinrich Moon, que começou a relação com o nazismo apesar de não ter sido membro do partido. Hoje ele trabalha para reparar erros do passado e em 2000 juntou-se a mais de 6 mil empresas alemãs para realizar um pagamento coletivo de US$ 4,5 bilhões a pessoas que foram vítimas de trabalhos escravos durante o III Reich.

Fonte: https://www.istoedinheiro.com.br/conheca-a-relacao-das-grandes-fortunas-europeias-com-o-nazismo/

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Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

H. Masuda Goga

[Itália] Convocação para o XXX Congresso da Federação Anarquista Italiana

Convocação para o  XXX Congresso da Federação Anarquista Italiana (FAI) – 19 a 22 de abril em Massenzatico (RE)

A Convenção Nacional da FAI, reunida em Nápoles em 26 e 27 de janeiro de 2019, convoca o XXX Congresso Ordinário da Federação Anarquista Italiana para os dias 19, 20, 21 e 22 de abril de 2019 com a seguinte agenda:

1. Adesão e renúncia
2. Relatórios de comissões de saída e balanço político das atividades da Federação
3. Análise da situação política, econômica e social, e estratégias para a transformação do existente
4. Campanhas de lutas da Federação (o Congresso avaliará se deve abordar o ponto em plenário ou através de grupos de trabalho)
5. Discussão e verificação das ferramentas e estruturas organizacionais da Federação
6. Ferramentas de comunicação da Federação
7. Congresso da IFA (Internacional de Federações Anarquistas) e situação internacional
8. Nomear comissões e possíveis grupos de trabalho
9. Assuntos eventuais

Os trabalhos serão realizados em Massenzatico, Reggio Emilia no Circolo Cucine del Popolo, na via Beethoven 78 /d. Começam no dia 19 às 15h e terminam no dia 22 às 17h, e as sessões plenárias serão acompanhadas pelas companheiras e companheiros conhecidos, bem como por observadores.

Agradecemos à Federação Anarquista Reggiana pela hospitalidade.

Para informações logísticas contate a Federação Anarquista Reggiana (3290660868)
Para informações, contate o C.d.C. da F.A.I. (Cdc@federazioneanarchica.org)

federazioneanarchica.org

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Quietude –
O barulho do pássaro
Pisando as folhas secas

Ryúshi

[Grécia] Contra a prisão do co-fundador do grupo anarquista Rouvikonas

Giorgos Kalaitzidis, um dos membros mais expostos do grupo anarquista grego Rouvikonas, foi recentemente condenado a pagar 3.000 euros, o que corresponde a 1 ano e 4 meses de prisão. Esta punição, que ele não pode pagar, vem em adição à sua condenação atual a 56 meses de prisão. Uma solidariedade financeira tão forte quanto seu compromisso pode deter a estratégia de repressão do Estado através do dinheiro. O grupo está realmente ameaçado por 200.000 euros, 25.000 euros de taxas legais e 528 meses de prisão.

Um apoio financeiro tão forte quanto seu compromisso pode impedir a repressão do Estado. Sua solidariedade ofensiva existe graças à reciprocidade através de nossa rede de assistência mútua, capaz de eliminar parte de sua punição. Nosso objetivo é chegar a 10.000 euros adicionais¹. Esse apoio é econômico e político: mesmo que você não possa participar do “dinheiro compartilhado”, compartilhar essas informações em sua rede é essencial para o sucesso da campanha.

Para quem não conhece, o Rouvikonas foi formado em 2013 durante a crise financeira grega. Se eles trabalhavam, no início, como um grupo de apoio a presos políticos em manifestação, eles abriram rapidamente sua luta para a maior escala de opressão do Estado. Composto por enfermeiros, professores, estudantes, vendedores de lojas, livrarias, soldadores, ataca a política corrupta do Estado e do Lobby. Através da propaganda pelo fato, eles acumulam hoje centenas de ações como sabotagem, invasão, ocupação… Entre eles: a destruição do registro do super-endividamento na Grécia, a destruição do escritório de privatização do bem comum, o bloqueio das negociações com a Troika, várias intrusões no Parlamento e noutros locais de poder. Por exemplo, eles destruíram registros financeiros de pessoas endividadas, jogaram tinta vermelha na frente da embaixada francesa em 22 de abril para protestar contra a repressão de grevistas, estudantes, refugiados, pobres e contra bombardeios na Síria. Seguindo essa lógica de luta no local e no global, no último dezembro eles convocaram um dia internacional simultâneo de protestos anticapitalistas e antifascistas por mês, contra a política de austeridade e a destruição ambiental.

Nosso apoio deve ser tão radical e internacional quanto a resposta do Rouvikonas à emergência social e climática.

“Se você não encontrar solução, significa que você não a criou”, Giorgos

[1] No final de fevereiro, um comboio de apoio da França, Bélgica e Suíça trouxe um importante apoio financeiro. Mas esse montante foi usado para pagar parte da dívida do Rouvikonas.

>> Para mais informações sobre o Rouvikonas:

https://www.youtube.com/watch?v=342ZzVVCm70

https://www.facebook.com/rouvikonas/ – Γιωργος Καλαϊτζίδης.

>> Para colaborar financeiramente com a campanha:

https://www.lepotcommun.fr/pot/mjj83sy2

Tradução > Abobrinha

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/18/grecia-franca-solidariedade-com-giorgios-e-andreas-do-grupo-anarquista-rouvikonas/

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Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

[Itália] Em Florença, escritos e adesivos por Lorenzo Orsetti

As frases, que remetem aos pensamentos e lemas do anarquista de 33 anos morto pelas milícias do Estado Islâmico, apareceram no bairro onde ele morava e por toda a cidade.

Lorenzo Orsetti, de 33 anos, morto por milícias do Estado Islâmico em meados de março, foi recordado há uma semana com uma manifestação em Florença, da qual participaram duas mil pessoas.

E a longa onda de memória e o valor de Orsetti se manifestam em sua vizinhança, Rifredi, mas também em outras partes da cidade. De fato, frases e adesivos apareceram (o que você vê na foto é na Via Cavour) que contêm frases e lemas que o lutador da causa curda costumava dizer, pensar e colocar em prática.

“Um Urso, um menino de Rifredi que caiu na Síria pela revolução do povo. Uma promessa: seremos Tempestade!”. Frases como esta, mas também outras que lembram seu lema de que “toda tempestade começa com uma única gota”. Um testemunho tangível de quão curta foi a vida deste homem e que é uma fonte de inspiração e reflexão para muitas pessoas.

Tradução > Liberto

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brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Chile] Jornadas de discussão: Anarquismo/s

A p r e s e n t a ç ã o

Ante a destruição global impulsionada pelo capitalismo e ante as opressões que nos impõe, junto com o patriarcado, é necessário gerar e redescobrir saberes que permitam uma alternativa para nossas comunidades. Convidamos, portanto, a repensar nossas sociedades em busca de uma vida sem hierarquias, autônoma, ecológica e feminista. Chamamos as seguintes jornadas para discutir, pensar e buscar trazer nossos desejos de liberdade para a prática diária, para transformar e destruir o velho mundo. Pensamos nelas como um espaço para promover novas formas de autoeducação em espaços de encontro e reconhecimento entre aqueles que querem um novo mundo. O objetivo é disseminar a anarquia, discutir e consensuar nossas propostas e construir comunidades livres.

C r o n o g r a m a

13 de abril, sábado

15:00 – Apresentação das Jornadas

15:00 – Oficina | Serigrafia (todas as idades)

15:30 – Oficina | Teoria do Valor

17:00 – Apresentação | Projeto editorial “Mar y Tierra Ediciones”

17:40 – Lançamento | Livro “Arandano” de Henry D. Thoreau (Mar y Tierra Ediciones)

18:00 – Oficina | A questão do poder no ideário ácrata: leituras contemporâneas

20:00 – Monólogo teatral | “Contos para iluminar a escuridão”: contos de Ricardo Flores Magón (Cuentos Libertarios)

14 de abril, domingo

15:00 – Apresentação

15:30 – Oficina | Anarcofeminismo. Uma revisão histórico-social

16:30 – Oficia | Propaganda Anarquista Impressa

17:00 – Lançamento | Periódico Anarquista El Sol Ácrata, Nº4

18:00 – Oficina | Geopolítica latino-americana: Colômbia

20:00 – Monólogo teatral | “Contos para iluminar a escuridão”: contos de Ricardo Flores Magón (Cuentos Libertarios)

27 de abril, sábado

15:00 – Apresentação

15:30 – Oficina | Geografia e espaço-tempo social

17:00 – Conversatório | O pensamento libertário de Silvia Federici (Antarquia)

18:30 – Oficina | Organização Libertária: Proposta socioeconômica do anarquismo

20:00 – Monólogo teatral | “Contos para iluminar a escuridão”: contos de Ricardo Flores Magón (Cuentos Libertarios)

Feira de editoras e exposição fotográfica feminista os 3 dias

– Antarquia

– Revista Arpillera

– Mar y Tierra Ediciones

– Ediciones La Peste

– Quimera Ediciones

– Pukayana Ediciones

FB: https://www.facebook.com/events/257463638526493/?event_time_id=257463641859826

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nos fios
os pássaros
escrevem música

Eugénia Tabosa

[Espanha] Lançamento: “Anarquistas… ¡Y orgullosos de serlo!”, de Amedeo Bertolo

Sempre esteve apaixonadamente comprometido com o pensamento, o ethos e a ação anarquista. Começou sua caminhada militante protagonizando o primeiro sequestro político do pós-guerra na Itália para salvar a vida de um jovem libertário condenado a morte pelo regime franquista. Desde então não deixou de ser parte ativa em diversos grupos anarquistas e desempenhou um papel importante no prolongado protesto pelo assassinato de seu companheiro Giuseppe Pinelli nas mãos da polícia milanesa.

 Não só contribuiu para difundir internacionalmente o símbolo do A circulado, mas que criou diversas revistas anarquistas nas quais colaborou com seus escritos. Também, ao longo de toda sua vida, participou em numerosos seminários de reflexão sobre anarquia e anarquismos em diferentes países e criou a influente editorial Elèuthera.

Este livro apresenta suas principais colaborações ao pensamento e pretende ser, com essa recopilação, uma homenagem a quem sempre acreditou na riqueza, profundidade, diversidade e vida do pensamento anarquista cuja natureza é “ficar inconcluso, quer dizer aberto, como está naturalmente aberto o mosaico da liberdade”.

Anarquistas… ¡Y orgullosos de serlo!

Amedeo Bertolo

Fundación Salvador Seguí, Barcelona 2019

340 págs. Rústica 21×14 cm

ISBN 9788417190583

15.00€

fundacionssegui.org

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agência de notícias anarquistas-ana

No orvalho da manhã,
Sujo e fresco,
O melão enlameado

Bashô

[China] “Por favor, continuem trabalhando”: braceletes GPS para controlar trabalhadores e evitar descansos

O objetivo do governo chinês é o de verificar se os trabalhadores estão cumprindo o trabalho para o qual foram designados e se eles estão deixando de trabalhar por muito tempo

A China tem uma reputação (verdadeira) de constantemente monitorar seus cidadãos. E o governo de lá também é famoso por sempre procurar novos métodos para fazer isso. Agora, os profissionais de saneamento do país passaram a ser obrigados a andar com uma espécie de relógio com um GPS integrado.

No dia 3 de abril, surgiram notícias de que os trabalhadores de Nanjing, distrito da China, seriam obrigados a usar um relógio que não só monitora sua localização o tempo todo, como também chama a sua atenção por meio de uma mensagem de áudio, caso eles parem de se mover por mais de 20 minutos.

Um dia depois dessas notícia, foi relatado que, devido à pressão pública, a empresa de saneamento local decidiu recuar. Mas só um pouco. Agora, os braceletes não vão mais dizer “por favor, continuem trabalhando” se um operário decidir parar um pouco, mas ele ainda vai continuar a rastrear todos os passos do funcionário da mesma forma.

Esses relógios podem rastrear e armazenar informações como a que horas o trabalhador chega, se deixam o local de trabalho designado e se deixam de produzir. Se os funcionários não se mexerem após o alarme disparar, os líderes de equipe podem procurar sua localização via GPS e sair ao seu encontro para ver o que está acontecendo.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

A noite flutua
e as rosas dormem mimosas
aos beijos da lua.

Humberto del Maestro

Quatro bons filmes sobre anarquismo

por Leticia Fuentes

A filosofia política anarquista é bem mais complexa do que parece e propõe um mundo muito diferente do que conhecemos atualmente. Talvez por isso ela esteja, até hoje, tão rodeada de pré-conceitos e mal entendidos, como a frequente associação entre a anarquia e a desordem, que não necessariamente andam acompanhadas. Pensando nisso, o Cinéfilos preparou esta pequena lista com 4 filmes imperdíveis que abordam direta ou indiretamente o tema do anarquismo e apresentam diferentes visões sobre ele.

A quebra do sistema

O Sistema (The East, 2013), apesar de parecer apenas um filme hollywoodiano qualquer, é um suspense de tirar o fôlego. O longa conta a história de Jane (Brit Marling), uma funcionária de uma empresa de inteligência norte-americana que recebe a tarefa de se infiltrar em um grupo de anarquistas chamado “The East”. O grupo ficou conhecido após uma série de ataques terroristas a grandes empresas que obtinham lucro prejudicando as pessoas, os animais e o meio ambiente.

No princípio, Jane realmente enxergava os integrantes da organização secreta como terroristas que feriam indivíduos aparentemente sem motivo. Mas, com o tempo, ela começa a desenvolver sentimentos pelos membros do grupo, principalmente pelo líder, Benji (Alexander Skarsgard), por quem se apaixona. Sua lealdade é testada quando começa a compreender os motivos por trás dos ataques e a realidade cruel que os jovens tentam combater.

Dentre todos os aspectos interessantes do longa, com certeza o que ganha maior destaque é a oposição entre forma com a qual o grupo é retratado e a expectativa de quem assiste. Apesar da violência que praticam, os membros da organização são acolhedores e respeitosos entre si, mostrando que não é necessário nada além do companheirismo para construir uma sociedade organizada – que, aliás, opõe-se fortemente ao caos representado por tudo que é externo a ela.

A vingança de V

Quando o assunto é anarquismo no mundo do cinema, V de Vingança (V for Vendetta, 2005) é um dos filmes mais famosos e aclamados. Não é à toa que a máscara usada por V, o justiceiro que já fazia sucesso nos quadrinhos, ficou consagrada como um símbolo da liberdade, sendo adotada, inclusive, por grupos anarquistas e outros contrários ao sistema de governo atual.

Situado em Londres, em uma sociedade distópica de um futuro não muito distante, o longa conta a história de Evey (Natalie Portman), uma jovem comum que tem sua vida salva pelo herói mascarado, V (Hugo Weaving). Depois do encontro, durante um ataque à emissora em que trabalhava, Evey ajuda o justiceiro a escapar e é obrigada a viver com ele durante algum tempo, fugindo das autoridades.

A Inglaterra da época vivia sob uma ditadura, comandada pelo alto chanceler Adam Sutler. Nessas circunstâncias, V encontra a oportunidade perfeita de materializar sua vingança contra o sistema que lhe fez mal no passado, um governo mentiroso e corrupto. Ele pretende, precisamente no dia 5 de novembro, concretizar a ideia cujos criadores não conseguiram realizar: explodir o Parlamento inglês. A data foi escolhida por coincidir com a “Conspiração da Pólvora”, uma revolta de católicos ocorrida na Inglaterra em 1605, em que Guy Fawkes – o homem cujo rosto deu origem à máscara usada por V – foi descoberto com 36 barris de pólvora e condenado à forca. Os rebeldes pretendiam assassinar o rei Jaime VI da Escócia e I da Inglaterra, explodindo a Câmara dos Lordes no dia da cerimônia de abertura do Parlamento.

V é um revolucionário carismático, embora use a violência para pregar suas ideais de liberdade. Apesar de nunca mostrar suas feições, deixa claro que possui um lado sensível em seu modo de agir com Evey.

O longa recebeu duras críticas por parte de alguns grupos, já que o diretor retirou da adaptação cinematográfica discursos declaradamente anarquistas que V fazia nos quadrinhos dos anos 80, os quais levavam o mesmo título do filme. Apesar disso, a essência da história é preservada, e o longa traz uma emocionante aventura de jutiça, liberdade e revolução.

Ataque um e eduque cem

Os Edukadores (Die Fetten Jahre sind vorbei, 2004) é um filme teuto-austríaco que conta a história de três jovens ativistas anticapitalistas que vivem em Berlim. Jan e Peter são amigos de infância e vivem juntos; demonstram sua indignação frente ao sistema de forma pacífica, invadindo mansões de grandes magnatas e mudando os móveis de lugar, sem roubar nada. Jule, namorada de Peter, trabalha como garçonete em um restaurante chique e vive uma situação financeira preocupante, depois de ter contraído uma enorme dívida ao bater no carro de um milionário.

Quando é despejada de sua casa por não conseguir pagar o aluguel, Jule é obrigada a se mudar e passa a viver com uma amiga. Como Peter viaja a Barcelona, Jan se encarrega de ajudar a namorada do amigo com a mudança, e os dois acabam se envolvendo emocionalmente. Um dia, Jan resolve contar a verdade a Jule sobre as atividades que ele e Peter realizavam durante a noite e sobre o grupo que fundaram, Os Edukadores.

Empolgada com a ideia, Jule convence Jan a invadir a casa do magnata a quem deve, mas ela acaba deixando o celular no local ao fugir da polícia. Na noite seguinte, quando os dois tentam voltar para buscar o aparelho, são surpreendidos pelo dono da casa, que reconhece Jule. A dupla não vê outra saída se não contar a verdade a Peter e sequestrar o magnata, que fica confinado sob a vigia do trio numa casa escondida no meio da floresta.

Apesar de o filme assumir diversas interpretações e nunca deixar explícito se os jovens são verdadeiramente anarquistas, a ideia de liberdade, igualdade e cooperativismo, além das críticas ao sistema atual, estão sempre presentes nas falas dos três companheiros. É realmente uma aventura emocionante.

Fora de controle

Provavelmente um dos filmes mais excêntrico desta lista, Febre do Rato (2012) é, ao mesmo tempo, belo e chocante. As imagens, em preto e branco, ora mostram cenas encantadoras de Recife, a capital pernambucana, ora conduzem o espectador através do mundo de Zizo (Irandhir Santos), um poeta anarquista inconformado com as injustiças ao seu redor. O protagonista mantém sozinho um pequeno jornal, chamado Febre do Rato, que distribui para a comunidade local. O próprio título do periódico remete a uma expressão típica do Nordeste, usada para indicar que algo está fora de controle – uma metáfora aparente para Zizo, mas que, no contexto do filme, significa exatamente o contrário.

Em um mundo onde fumar maconha e fazer sexo se tornam coisas tão banais, o poeta conhece Eneida (Nanda Costa), uma jovem estudante, por quem logo sente uma forte atração. Ela, apesar de estar também interessada, se recusa a manter relações sexuais com ele por provocação, brincando com seus sentimentos, fazendo de seu desespero sua maior fonte de prazer; enquanto ele fica completamente obcecado pelo desprezo afetivo da jovem.

O filme apresenta inúmeras referências ao anarquismo, seja nos próprios discursos do poeta, seja na liberdade em que vivem as pessoas da comunidade. Alguns espectadores, mais atentos, percebem também que o próprio cenário traz elementos relacionados ao tema, como, por exemplo, um cartaz do teórico Mikhail Bakunin, o pai da filosofia anarquista, que aparece em algumas cenas na oficina de Zizo.

Apesar de interessante, o longa traz várias cenas de nudez e de sexo explícito, o que pode não agradar a espectadores que ficam desconfortáveis frente a tais imagens. A intenção do diretor é justamente retratar o ser humano como um animal, e retirar do sexo qualquer tipo de nobreza ou idealização. Tanto a questão política descrita quanto a questão humana estão muito bem retratadas no filme, e, por isso, vale muito a pena conferir.

Fonte: http://jornalismojunior.com.br/quatro-bons-filmes-sobre-anarquismo/

agência de notícias anarquistas-ana

Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.

Sandra Maria de Sousa Pereira

[Itália] Placa em memória de Lorenzo Orsetti

A presença maciça da força policial foi completamente inútil para desencorajar a colocação da placa construída pelos companheiras e companheiros em memória de Lorenzo Orsetti, um lutador anarquista e internacionalista na revolução do Curdistão, sob o nome de Tekoşer Piling, que caiu em 18 de março pelas mãos dos fascistas do Estado Islâmico.

A partir do final da tarde de hoje (07/04), os jardins de Corso Allamano 40/45, em Turim, levarão seu nome, despertando em todos aqueles que passarão por ele os nobres ideais em que Orso se reconheceu: os ideais de liberdade, igualdade e justiça social. E verão a esperança de ser capaz de ver a luz de um mundo livre e igual, de construí-lo juntos, sem explorados ou exploradores, sem oprimidos ou opressores, um mundo sem estados e fronteiras feitas de muros e arame farpado, um mundo para que sempre valerá a pena lutar.

Ao Orso guerrilheiro e para todas as gotas prontas para se tornarem tempestades, viva a resistência, viva a anarquia!

Senza Frontiere

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

Emiliano Zapata: cem anos do homem que foi um mito em solo mexicano

Em 10 de abril se cumpre o centenário do assassinato de Emiliano Zapata, um dos mais destacados camponeses e guerrilheiros da Revolução Mexicana (1910-1917), símbolo da resistência rural e indígena neste país. Integrado ao movimento revolucionário, ele liderou o Exército de Libertação do Sul e foi a força motriz das lutas sociais e demandas agrárias. Este grupo revolucionário de Emiliano Zapata, junto ao Partido Liberal Mexicano, fundado pelos irmãos Flores Magón, com influências anarquistas claras, eram as duas entidades sociais durante o período revolucionário no México e defenderam a propriedade comunal da terra e respeito às comunidades indígenas, camponeses e trabalhadores do México, contra a oligarquia e o latifúndio dos proprietários do Porfiriato, regime político ditatorial mexicano em torno da figura de Porfirio Diaz.

Emiliano Zapata, juntamente com Pancho Villa, comandante da Divisão do Norte na Revolução Mexicana, foram excluídas do Congresso Constituinte de 1917, e mesmo que vencedores táticos da contenda, seriam os líderes políticos das facções conservadoras ou reacionárias que impuseram o triunfo político no processo revolucionário, ou seja, podemos dizer que quem venceu foi a contrarrevolução, germe ideológico do futuro PRI que permaneceu por mais de sete décadas no poder no México.

Zapata nasceu em uma família de camponeses em Anenecuilco, uma aldeia pequena no estado de Morelos, no centro-sul, vivendo desde sua infância as injustiças que promoviam os proprietários de terra contra as famílias camponesas humildes a quem roubavam impunemente as terras. Ele ficou órfão com a idade de quinze anos, trabalhando de tropeiro e lavrador desde adolescente, tendo que fugir de sua cidade natal em 1897 depois de ser reprimido, preso e libertado com uma arma por um de seus irmãos, Eufeminio Zapata.

Em 1906 ele participou de uma reunião de camponeses em Cuautla para discutir como defender suas terras contra os grandes proprietários de terra vizinhos. Sua rebeldia o condenou ao recrutamento forçado no Exército Federal durante 1908, e em setembro de 1909, Emiliano Zapata foi eleito líder da Junta de Defensa das terras de Anenecuilco, onde iria começar a analisar os documentos que se originaram no Vice-Reino e acreditavam direitos de propriedade dos povos sobre suas terras, que haviam sido negados pelas Leis de Reforma de meados do século XIX, quando se tratava de constituir um campesinato de classe média e afinado com a nova economia liberal.

Por causa de uma disputa em seu povoado com a fazenda do Hospital, os agricultores não podiam semear esta terra até que o tribunal decidisse. No entanto, em 1910 Emiliano Zapata e outros homens de confiança ocuparam as terras comunais para serem trabalhadas pelos camponeses. Depois de ser declarado bandoleiro e devendo fugir repetidamente do governo, a situação mexicana estava se aproximando de uma luta armada contra o ditador Porfirio Diaz. O seu adversário político, Francisco Madero, tinham sido perseguido e forçado ao exílio antes de se candidatar às eleições, tratando de perpetuar no poder novamente Diaz, o que motivou o levante armado. No início da Revolução Mexicana em 1910, Emiliano Zapata lidera a apreensão de terra e a libertação de muitos povoados, como o de Cuautla em maio 1911 e se converte no líder do Exército de Libertação do Sul.

Enquanto isso, se verifica que os políticos burgueses como Francisco Madero unicamente aspiram a uma mudança de poder, sem qualquer pretensão de transformação social, de modo que o Pacto de Ayala é assinado com um forte conteúdo revolucionário. Durante o governo maderista a tomada de terra pelos camponeses e as ações de Zapata foram rapidamente reprimidas, e o governo controlava as cidades enquanto os guerrilheiros se fortaleciam em áreas rurais. Mas nem a brutalidade repressiva e gestos reformistas destinados a diminuir o apoio conseguiram enfraquecer o movimento zapatista, que permaneceu em guerra contra a ditadura militar de Victoriano Huerta (1914) e contra o constitucionalista Venustiano Carranza (1916) nos anos posteriores, em uma guerra de guerrilhas.

É bem conhecida a fotografia de Pancho Villa e Zapata no Palácio Presidencial na Cidade do México, símbolo de sua entrada no coração político do país, mas a meta de Zapata não foi ocupar uma cadeira presidencial, apenas a revolução social e agrária. Dada a impossibilidade de acabar com o movimento de Zapata, urdiram uma armadilha: fazendo-o  acreditar que Pablo Gonzalez, carrancista fiel, iria passar para o seu lado e lhes daria munição e suprimentos, o coronel Jesus Guajardo, que dirigia as operações do governo contra ele, conseguiu atrair Zapata para um encontro secreto na fazenda de Chinameca, em Morelos. Quando Zapata, acompanhado por dez homens, entrou na fazenda, soldados que fingiam apresentar-lhe armas lhe atiraram à queima-roupa. Morria o homem, mas continuava o mito.

Fonte: https://www.todoporhacer.org/emiliano-zapata/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

somos iguais
menos normais
a cada manhã

Goulart Gomes