[Espanha] CNT com Rojava ante as ameaças de invasão por parte do Estado turco

De novo soam os alarmes em Rojava e no Norte da Síria, mas esta vez o fazem com mais força do que o habitual. Em janeiro de 2018 se iniciou a Operação Ramo de Oliveira por parte do exército turco, invadindo assim o cantão curdo de Afrin no norte da Síria e mergulhando a província em um estado de guerra com constantes violações de direitos humanos que duram até hoje. Desde esse momento muitos foram os alarmes que alertavam de que essa invasão poderia replicar-se em grande escala em todo o norte da Síria. Em várias ocasiões vimos como o déspota neo-otomanista Erdogan fazia exibições de força nas fronteiras com a Síria utilizando todo seu potencial bélico e tentando submeter a população de Rojava a uma permanente guerra psicológica. Graças à grande diplomacia da Federação Democrática do Norte da Síria e a presença de tropas da coalizão internacional e concretamente dos EUA, estas atitudes ameaçadoras do Estado turco não passaram disso mais além de alguma ação anedótica, mas desde hoje a situação sobre o terreno deu uma reviravolta pondo sob uma grande ameaça Rojava e a Federação Democrática do Norte da Síria.

Na noite de ontem, domingo 6 de outubro, a Casa Branca anunciava mediante um comunicado que suas tropas já não estariam presentes na área, autorizando assim a invasão “longamente planejada” do exército turco sobre Rojava e a Administração Autônoma do Norte da Síria, ainda que tenha ponderado que não participará nela. Desta maneira se dá por eliminado o principal obstáculo para os planos expansionistas e exterminadores de Erdogan, que esta mesma manhã começou a mover tropas e blocos de concreto para construir bases militares na fronteira com a Síria. Esta ação dos Estados Unidos e os vergonhosos tweets do presidente Donald Trump a respeito, poderiam ser considerados como a enésima traição ao povo curdo, mas realmente em Rojava sempre se soube que este momento chegaria – houve várias tentativas previamente -, já que o projeto político da Administração Autônoma do Norte da Síria é totalmente incompatível com os interesses imperialistas e capitalistas dos EUA no oriente médio.

Desde a administração autônoma já deixaram claro que se pensa em resistir ante as ameaças de guerra e que pensam defender o projeto revolucionário em Rojava até o final, primeiro o tentarão pela via diplomática, mas se não restar outro remédio o farão pela via da autodefesa. Parece ser que para o Estado turco só há uma possível solução ao conflito e vai ser pela via armada, com toda a miséria e destruição que isso implica. Pelo momento em Rojava já deixaram clara sua intenção de defender-se, mas alertam, o ataque turco sobre o norte da Síria dará oxigênio às células dormentes do ISIS que seguem atuando nos Escudo do Eufrates, que como bem sabemos guardam uma estreita relação com a Turquia.

Mais além da aliança conjuntural firmada em 2014 para recuperar Kobane e o resto do território, os curdos de Rojava nunca terminaram de confiar nos EUA e que é difícil confiar em um Estado que é o máximo expoente de todos os valores da modernidade capitalista – contra os quais o movimento curdo luta constantemente – e que se fosse pouco põe preço às cabeças dos membros do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). No Curdistão há uma famosa frase que diz “Nossas únicas amigas são as montanhas”. O certo é que como anarcossindicalistas nos custou um pouco chegar a conhecer e solidarizar-nos com o processo revolucionário que desde anos se está levando a cabo ali, mas agora estamos aqui para dizer-lhes que nunca vamos deixá-las sós frente aos Estados, o fascismo e o capitalismo, que sua luta é nossa luta e que a solidariedade internacionalista é nossa melhor arma como já ficou claro nos 36.

Desde a CNT pedimos a máxima difusão a tudo o que suceda nos próximos dias, que todo o mundo se inteire que o Estado turco, em conivência com a OTAN e os EUA, está disposto a arrasar um dos projetos transformadores mais importantes das últimas décadas, que conseguiu pôr nos centro a democracia radical, o feminismo, a ecologia e a vida.

Pedimos também que difundas e participes em todas as convocatórias que aconteçam no dia que a ofensiva turca comece, também chamado “o dia X”.

Se elas estão preparadas para resistir, nós também.

O dia X, todas à rua!

Secretaria de Exteriores

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-con-rojava-ante-las-amenazas-de-invasion-por-parte-del-estado-turco/

Tradução > Sol de Abril

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Canta o sabiá —
No rosto do velho mestre
Um sorriso doce.

José Tucán

No início do século 20, a esquerda brasileira era majoritariamente anarquista, não comunista

Antes do PCB e da Revolução Russa, as greves e manifestações no Brasil eram articuladas pelos anarquistas libertários, que discordavam dos comunistas

por André Nogueira | 08/10/2019

O anarquismo é uma doutrina política libertária do início do século 19, que teve seus anos de ouro entre essa época e os anos 20, inclusive no Brasil. O país já teve um forte movimento anarquista, fixado bem antes dos comunistas, que teve papel essencial em nossa história.

Apesar de, normalmente, o anarquismo ser associado à imigração europeia, isso é parcialmente verdadeiro. Os ideais libertários e insurreicionistas que definem o anarquismo brasileiro tem bases nos movimentos negros antiescravidão, que ocupavam fazendas e atacavam ricos. Com a chegada dos espanhóis e italianos, se deu corpo e nome às práticas anarquistas brasileiras.

O florescer do anarquismo, portanto, se dá na República Velha, nos princípios da industrialização. Essa ideologia teve lugar em centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, se concentrando em locais de exploração rígida do trabalho, como fábricas e portos, e sofrendo desde cedo grande repressão política e policial.

“No Rio de Janeiro, o primeiro registro de atividades anarquistas é de 1892, quando a polícia relatou reuniões de estrangeiros que procuravam difundir ideias libertárias entre os trabalhadores”, relata a historiadora Edilene Toledo, da UNIFESP.

“Um exemplo de militante importante desse período em São Paulo foi o brasileiro Benjamim Mota, jovem advogado republicano que, de volta de uma viagem a Paris, fundou um grupo revolucionário e em 1897 aderiu ao anarquismo. No ano seguinte, escreveu um dos primeiros livros de autor brasileiro sobre as ideias anarquistas, Rebeldias”.

Antes do final dos anos 1920, o anarquismo era quase hegemônico na esquerda antissistêmica brasileira. Foi só a partir do nascimento do PCB que a esquerda se moldou em volta dos ideais comunistas-marxistas, com um programa político e de campanha audacioso por parte dos simpatizantes bolchevistas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/no-inicio-do-seculo-20-esquerda-brasileira-era-majoritariamente-anarquista-nao-comunista.phtml?fbclid=IwAR1e71eDNZIPmJIhxvKrGsftunkJ5QTKXftlJaLVdh2SwBJnHUK9vJVqzlE

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Lua de primavera —
O tempo em que me fazias
pular o muro e fugir.

Guin Ga Eden

[Espanha] A guerrilheira que pariu no cárcere

A ‘Libertaria de Valderas’ apelidavam a Gregoria López Robles, uma das mulheres que sofreu a prisão no velho cárcere provincial. A acusaram de organizar as mulheres de seu povoado e de andar armada e lançar ameaças. Foi presa em agosto de 36 e condenada a pena de morte. Tinha 23 anos e estava grávida, circunstância que ao que parece a livrou do fuzilamento e que lhe comutassem a pena para 20 anos de prisão.

A Gregoria e a outras mulheres se renderá homenagem na parada da rota libertária em Puerta Castillo no próximo sábado. Luzdivina Bayón Gutiérrez tinha 24 anos quando foi detida acusada de insultos à força armada em 18 de julho de 1937. A condenaram a um ano e seis meses de prisão e uma multa de 500 pesetas por colocar uma coroa de flores com as cores da bandeira republicana na tumba do cenetista Lorenzo Martínez Vaca, fuzilado após um conselho de guerra. A Luzdivina acusaram também de ser de extrema esquerda e militar na CNT cujos atos apoiava, segundo a investigadora Beatriz García Prieto.

Ainda que esteve na prisão de Astorga, também se renderá homenagem nesta parada a Amalia da Fuente Peral, de Magaz de Arriba, detida por ser afiliada à CNT e ajudar aos do monte quando estava grávida de oito meses e que deu à luz no cárcere de joelhos. O menino morreu aos dois meses. “Estava em Fabero na mina e como tinha que estar afiliada, entrei nas juventudes da CNT porque ‘falava’ com o rapaz mais destacado”, confessou ao Diário de León em 2012. Lhe comutaram a pena de morte por 20 anos de reclusão que cumpriu no cárcere de Amorebieta.

 O cárcere era “um antro de desolação”. Assim o define em suas memórias Consuelo Gonzalo Demaría que também será homenageada em Puerta Castillo.

 A rota terá seus últimos passos na rua Santa Marina para recordar os tempos da Transição, pois ali teve a sede a CNT até princípios do século XXI, e finaliza na rua Santa Catalina para render homenagem a Aida da Fuente, como representante da revolução como miliciana em outubro de 34.

 Fonte: https://www.diariodeleon.es/articulo/sociedad/guerrillera-pario-carcel/201909110202441937697.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Como se neste mundo
Não tivesse mais esperanças,
Vai-se a borboleta!

 Issa

[Chile] “Morte acidental de um anarquista”, de Dario Fo, é apresentada no Teatro UC

O escritor e dramaturgo italiano Dario Fo (1926-2016), Prêmio Nobel de Literatura 1997, era um crítico à prova de fogo, atacando os poderes, a máfia, o Vaticano… até questionando seu próprio trabalho quando obteve êxito e foi elogiado pela burguesia. Então buscou fazer um teatro verdadeiramente popular.

Dario Fo sofreu a censura da televisão italiana e até um ataque de um grupo fascista em 1978, em um período marcado por ataques da extrema direita e esquerda, muitos deles operados pelos Estados Unidos.

“Morte acidental de um anarquista” (1970), uma de suas obras mais conhecidas, traduzidas e interpretadas, é uma resposta de Dario Fo àquele período de violência política.

“Morte acidental de um anarquista” é baseada no caso real de um ferroviário anarquista acusado de realizar um ataque à Piazza Fontana, em Milão, sendo preso pela polícia e levado à delegacia. Este trabalhador morre quando “cai” através de uma janela da delegacia onde estava detido…

 Dario Fo muda os fatos para uma Nova York dos anos 20 – para evitar queixas e julgamentos -, onde esse crime se transforma em uma peça cheia de drama, ironia e farsa, denunciando a corrupção da política, da justiça e da polícia.

“Morte acidental de um anarquista”

Dario Fo

Dirigido por Francisco Krebs

Elenco: Héctor Morales, Willy Semler, Jaime McManus, Karim Lela, Alejandra Oviedo e Felipe Arce.

Cenografia e iluminação: Pablo de la Fuente

Figurino: Daniela Vargas

Música: Alejandro Miranda

Audiovisual: Pablo Mois

Duração: 80 minutos

Idade recomendada: + 14 anos

Até 23 de novembro, quarta a sábado, 20 horas

Teatro UC

Jorge Washington 26, Plaza Ñuñoa, Santiago

Fonte: https://www.biobiochile.cl/noticias/artes-y-cultura/actualidad-cultural/2019/10/03/muerte-accidental-de-un-anarquista-de-dario-fo-se-presenta- in-theatre-uc.shtml

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O velho lago…
O ruído do salto
Da rã na água.

Bashô

Simpósio Anarcofeminista no Seminário Internacional Fazendo Gênero

Até 29 de outubro, você pode se inscrever no nosso Simpósio Temático Anarcofeminismo que acontecerá em julho de 2020 no Seminário Internacional Fazendo Gênero na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

As inscrições são aqui: https://www.fg2020.eventos.dype.com.br/site/capa

O nosso simpósio é de número 11. Para a inscrição deve-se submeter um resumo em 1.500 caracteres. As inscrições variam de acordo com a categoria que escolher: artista, ativista, pesquisadora.

Valores das inscrições aqui: https://www.fg2020.eventos.dype.com.br/inscricoes?impressao

Detalhes

Este Simpósio Temático (ST) pretende reunir estudiosas, pesquisadoras, ativistas e artistas de diferentes áreas, níveis e perspectivas, cujas pesquisas, trabalhos e demais formas de produção estejam concentradas nas discussões de ordem teórico-conceitual, metodológica e política do que se denomina na contemporaneidade como anarcofeminismo ou feminismo libertário. A ideia é pensar gênero e temas relacionados – direitos reprodutivos, trabalho, sexualidade, corpos dissidentes, relações étnico-raciais, entre outros – sob uma perspectiva anarcofeminista.

Em nossa compreensão, referendada por extensa bibliografia, o anarcofeminismo é uma perspectiva teórica e prática que busca o fim de todas as formas de opressão e não reconhece o Estado, o capital e suas instituições como instâncias mediadoras ou de resolução de conflito – que para nós são formas de manutenção da exploração de uma classe sobre as demais, de manutenção do patriarcado branco e da heterocisnormatividade.

Reconhecendo a importância da interseccionalidade para o anarquismo e para o feminismo, essa perspectiva busca ser inclusiva e se posiciona contra todas as formas de autoritarismo, negando a hierarquização entre as diferentes formas de opressão e valorizando as diferenças para a construção de uma vida baseada na autonomia e no apoio mútuo, dois importantes pilares do pensamento anarquista.

Por meio da valorização e mapeamento de práticas e saberes de grupos assujeitados, buscamos na coletividade a construção de modos de ação e resistência, desde o surgimento do pensamento e militância anarquista, em meados do século 19, até os dias de hoje. Nessa perspectiva, o ST é uma oportunidade acadêmica para a socialização e interação de projetos individuais e/ou coletivos que se desenvolvam em torno do tema em suas mais variadas dimensões, compreensões e recortes espaço-temporais.

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã gelada —
Duas borboletas azuis
voam pelo jardim.

Guin Ga Eden

[Chile] Santiago: Chamado para uma semana de sabotagem e evasão do transporte público

Hoje, 06 de outubro de 2019, fazemos um chamado ao território de Santiago-Chile para a sabotagem e evasão massiva dos sistemas de transporte público.

Não podemos ficar de braços cruzados com os ataques dos governos atuais, os aumentos nas passagens não são pouca coisa, por isso fazemos o chamado para que nos levantemos contra a oligarquia, contra o sistema e o capital.

O chamado é que, desde segunda-feira, 07 de outubro desse ano, sabotemos e evadamos.

Um ônibus queimado não nos devolverá nada, um gambé também não. Mas é a forma que tivemos que tomar contra o poder e seus subordinadxs.

Um caloroso abraço axs presxs políticxs, axs subversivxs da guerra social.

Um tiro para xs lacaixs e ricxs do país.

Anonimato Subversivo.

Tradução > keka

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge —
Caminho da montanha!

Bashô

[América Latina] Solidariedade ao povo equatoriano em resistência ao pacote de medidas e à repressão de Lenín Moreno

Manifestamos nossa mais profunda solidariedade com o povo equatoriano, nesse momento mobilizado contra o pacote de medidas do presidente Lenín Moreno e suas políticas de ajustes e fome. Pudemos observar nos últimos meses como o regime de Moreno tem avançado sobre os setores populares, tentando atacar suas principais conquistas. Exemplo disso são as tentativas de aumento dos combustíveis (o que provocará aumento imediato dos produtos da cesta básica, o transporte e o custo de vida), e a proposta de uma Reforma Trabalhista antipopular, que expressa o aprofundamento de políticas de corte neoliberal.

A isso, devemos somar uma retomada de relações carnais com o imperialismo norte-americano e o reestabelecimento de apoio à organismos credores como o FMI, em uma economia já dolarizada há muitas décadas.

Mas os setores populares, sindicatos e organizações sociais e os povos originários de Equador, longe de ser espectadores do processo de desmantelamento, vem oferecendo resistência com atos e manifestações. Nos últimos dias, o descontentamento popular transbordou-se pelas ruas em manifestações com milhares de pessoas nas principais cidades, o que fez o Estado responder com a maior brutalidade, deixando cerca de 300 feridos, e colocando o país em Estado de sítio.

Se a situação é bastante crítica, e se vivem horas decisivas para o povo equatoriano, as organizações populares decidiram seguir nas ruas para resistir ao avanço da repressão – de tons ditatoriais – e rechaçar de maneira contundente o avanço neoliberal, fazendo frente ao avanço imperialista na região. A consigna que se repete nas ruas de Quito, Guayaquil ou Cuenca chama a se aprofundar a luta e a resistência contra as forças repressivas e o Estado equatoriano.

Desde nossas regiões, não podemos fazer outra coisa que somarmos a fazer resistência e pressão nesse sentido, indo inclusive nas embaixadas e consulados do Equador.

Viva a resistência do povo equatoriano!

Abaixo o pacote de Moreno!

Arriba los que luchan!!

Assinam:

Federación Anarquista Uruguaya – FAU (Uruguai)

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB (Brasil)

Federacíon Anarquista de Rosario (Argentina)

Federación Anarquista Santiago (Chile)

Roja y Negra (Argentina)

anarquismo.noblogs.org

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o sino,
Pousada dormita
A borboleta.

Buson

Equador cancela aulas, produção de petróleo e muda sede do governo

Os protestos populares contra o pacote econômico implementado pelo presidente do Equador, Lenín Moreno, forçaram a suspensão das aulas nas escolas do país, a paralisação da produção de petróleo em três campos e ainda a mudança da sede do governo de Quito para Guayaquil. 

O quinto dia de manifestações nas ruas da capital do país registrou um saldo de quase 500 pessoas presas e rodovias fechadas. As imagens do centro histórico de Quito mostram edifícios incendiados, vidros quebrados e um cenário de guerra, com tanques blindados e reforço da segurança.

O aumento da intensidade dos protestos se deve em parte à chegada de manifestantes do interior do país, como camponeses e indígenas. Segundo o Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), as manifestações continuarão até a revogação da medida que eliminou os subsídios dos combustíveis, dobrando os preços.

Os manifestante ingressaram também a alguns campos de produção de petróleo chamados Sacha, Alca e Libertados, situados na provincia de Sucumbios e Orelliana. Juntos, eles produzem 65 mil barris do petróleo por dia. O governo solicitou reforço das Forças Armadas.

Fonte: agências de notícias

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O sol da manhã
e o canto do sabiá
entram pela casa.

Benedita Azevedo

Milhares de indígenas marcham para capital do Equador em protesto por alta de combustível

Milhares de camponeses e indígenas marcham nesta segunda-feira (07/10) para a capital do Equador, Quito, desafiando o governo de Lenín Moreno, que decretou o estado de emergência diante dos protestos que ocorrem há seis dias devido ao aumento nos preços dos combustíveis.

Manifestantes das províncias do sul dos Andes partiram na noite de domingo a pé e em vans para protestar na capital pela eliminação de subsídios e a consequente alta.

Outros grupos de indígenas também se deslocam do norte do Equador para protagonizar uma grande mobilização na quarta-feira (09/10) junto a sindicatos na capital, onde, nesta segunda-feira à tarde foram retomados confrontos violentos entre manifestantes e policiais, que se aproximavam da casa do governo, que permanece isolada por agentes, no centro colonial.

Na cidade de Machachi, a 35 km de Quito, militares e policiais tentaram dispersar a marcha com bombas de gás lacrimogêneo. Barricadas e pneus também podem ser vistos na estrada, segundo jornalistas da AFP. A enorme caravana chegou à tarde até Cutuglagua, perto da cidade.

“Vamos ultrapassar a marca de 20 mil indígenas”, disse em Quito nesta segunda-feira (07/10) Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que em 2000 protagonizou o movimento pela queda do então presidente Jamil Mahuad, questionado por sua política econômica.

No domingo, a organização também declarou um “estado de exceção em todos os territórios indígenas”.

“Militares e policiais que se aproximarem de territórios indígenas serão retidos e submetidos à justiça indígena (reconhecida pela Constituição)”, destacou.

Várias dezenas de militares, que desde a quinta-feira foram mobilizados para “restaurar a ordem”, estão sendo mantidos em comunidades do interior, segundo líderes indígenas.

Outros grupos de povos indígenas também se deslocam do norte do país para participar da grande mobilização prevista para a quarta-feira ao lado dos sindicatos em Quito.

Em 16 das 24 províncias equatorianas foram registrados bloqueios nas estradas nesta segunda, de acordo com um relatório do Serviço de Segurança Integrado ECU 911.

Os protestos deixaram até o momento um civil morto, 73 feridos (incluindo 59 agentes de segurança) e 477 detidos, de acordo com as autoridades.

Vários setores sociais rejeitam a decisão do governo em eliminar os subsídios, anunciada na última quinta-feira, que atende a um acordo assinado com o FMI para a concessão de um empréstimo de 4,2 bilhões.

A medida gerou aumentos de até 123% nos preços dos combustíveis. O galão de 3,79 litros de diesel passou de 1,03 para 2,30 dólares e o da gasolina comum de 1,85 para 2,40 dólares.

Por conta dos protestos, Moreno decretou o estado de exceção, que além de mobilizar as Forças Armadas, lhe confere poderes para restringir direitos como o da livre mobilidade e impor censura prévia à imprensa.

Fonte: agências de notícias

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Na pálida luz
da lua de primavera
um pássaro grita.

Tânia D’Orfani

Manifestantes atacam antenas de TV durante protestos no Equador

Dezenas de manifestantes indígenas e ativistas atacaram centrais de transmissão de sinal de meios de comunicação durante a sexta-feira (04/10) em meio aos protestos contra o pacote econômico do presidente, Lenín Moreno.

Pelo Twitter, um grupo chamado Coletes Amarelos, em menção ao grupo francês, postou um vídeo do ataque.

A emissora equatoriana Ecuavisa postou que estava sem sinal em Ambato, uma cidade a cerca de 250 quilômetros de Quito, depois do ataque de grupos indígenas as torres. Outros meios de comunicação e rádio precisaram suspender as transmissões nas cidades vizinhas.

No sábado (05/10), o movimento indígena continuou com as manifestações e já fecharam diversas estradas pelo país.

A Conaie, maior organização indígena do país, emitiu comunicado no qual declara seu próprio estado de exceção nos territórios indígenas e ameaça capturar militares que se aproximem. Em anúncio no Twitter, defendeu a medida diante da “brutalidade e falta de consciência da força pública” e “exercitando seu direito à autodeterminação”.

Indígenas e camponeses continuaram bloqueando estradas neste domingo (06/10). Os protestos ocorreram em uma dúzia de províncias no Norte e no Sul  do país e nas fronteiras com a Colômbia e o Peru. O Coletivo Unitário Nacional de Trabalhadores, Organizações Indígenas, Sociais e Populares garantiu que continuará com os protestos e manteve a convocação para uma greve geral para o próximo dia 9 de outubro até que o presidente Lenín Moreno restabeleça o subsídio aos combustíveis.

Os protestos

As manifestações começaram na noite de quarta-feira (02/10) contra o aumento no preço dos combustíveis, após acordo feito do Governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O presidente Lenín Moreno declarou estado de exceção no país, mas ainda assim os protestos continuaram. Na sexta-feira (04/10), a polícia e os manifestantes acabaram se confrontado nas ruas de Quito e outras cidades e cerca de 500 pessoas já foram presas.

Fonte: agências de notícias

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A lua fria —
Sobre o templo sem portão,
O céu tão alto.

Buson

Apelo dos/das anarquistas italianos/italianas em solidariedade à resistência popular contra a ditadura de Ortega-Murillo na Nicarágua

Com este documento, como anarquistas e libertários, queremos expressar nossa firme condenação à violência política exercida pelo Estado e à contínua violação dos direitos humanos na Nicarágua. O atual regime Ortega-Murillo [presidente e vice-presidente] é responsável por essas violações que causaram aproximadamente 350 mortes nos últimos meses.

Após a repressão de abril de 2018, cerca de 130 presos políticos permanecem detidos e cerca de 80.000 nicaraguenses optaram pelo exílio. Nos últimos meses, as tropas paramilitares do governo atacam as casas de opositores políticos, incluindo muitos ex-prisioneiros e prisioneiras políticos. Os órgãos de imprensa não alinhados com o governo são impedidos de trabalhar e publicar.

A indignação, a dor, o sentimento de frustração histórica são ainda mais fortes porque essa aberração política é o resultado da ação de líderes e governos que afirmam ser esquerdistas. Na realidade, estamos testemunhando o enriquecimento de uma oligarquia ligada a interesses econômicos transnacionais que é enriquecida por trás dos deserdados, agitando a bandeira “anti-imperialista”. Não há pior imperialismo do que o colonialismo interno, que se transforma em violenta opressão disfarçada de uma retórica anti-imperial.

Essa indignação é ainda mais forte ante o silêncio cúmplice das organizações e partidos da esquerda italiana que, em parte, optaram por se alinhar à antiga linha stalinista e ainda apoiar ditadores como Ortega, que realizam massacres contra seu próprio povo.

Denunciar esta situação tão dolorosa e inaceitável, levantando a voz contra a violação das liberdades e dos direitos mais básicos do atual governo nicaraguense, não é apenas um dever de solidariedade humana. É também um ato e um apelo coletivo em defesa da memória revolucionária; uma tentativa de evitar o resultado trágico da degeneração em curso.

E tudo isso acontece na Nicarágua. A terra que era o símbolo fértil da esperança emancipatória no final da década de 1970 e se transformou em um novo campo de autoritarismo.

A memória de uma das revoluções mais nobres e esperançosas de Nuestra América [alusão ao famoso texto de José Marti], como foi – e é – a memória de Sandino [1895-1934]; a memória das lutas anticapitalistas de um povo violentado, mas corajoso, hoje é pisoteada por (tentarem) esconder a violência comum característica de mais um regime ditatorial.

Levantamos nossa voz para condenar publicamente a ditadura do governo Ortega-Murillo. Expressamos nossa solidariedade com o povo e os jovens que, hoje, mais uma vez, se levantam e resistem.

As subscrições devem ser enviadas para o seguinte endereço:

sovversivivaldinoto@libero.it ou através da página do FB.

facebook.com/situazionisovversivevaldinoto/

Primeiros signatários

Situações subversivas de Val di Noto (Sicília)

Federação Anarquista da Sicília

Fonte: https://umanitanova.org/?p=10691

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ao brilho suave
da lua de primavera
um vulto se aproxima.

Benedita Azevedo

[Uruguai] Programação da 8ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu

>> Sábado 12 de outubro

19:00

• Abertura da 8ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu

• Apresentação do livro “Existen”, por Shanz Persetska.

• Apresentação do livro “Pasión de Justicia”, de Iris Pavón, por La Negrita.

>> Sábado 19 de outubro

19:00

• Conversa: História de um dia de luta. XM24, o que aconteceu e o que pode acontecer, resistência e autogestão na Bolonha, por Jessica Mazzotti e Lorenzo Carlo Tore (região italiana).

>> Sábado 26 de outubro

18:00

Jornada anti-eleitoral:

• Apresentação do livro “Vagabundos Malhechores y Canallas, comienzos del anarquismo individualista en Buenos Aires, 1890-1897”, pelo editorial “Expandiendo la Revuelta” (região argentina).

• Conversa: Agitação, conflito e território em Montevidéu, 1918-1920, sobre a publicação do livro “Espionaje y revolución en el Rio de la Plata” e da greve geral anti-eleitoral de 1920, por Pascual Muñoz.

• Conversa: Teatro resistência: as botas, as graças, e hoje? O teatro de bairro e popular 1980-1990, por Manuel Santos.

>> Quinta-feira 31 de outubro

19:00

• Conversa: Reflexões anárquicas sobre o narcotráfico, território e domínio, pela revista Kalinov Most (região chilena).

>> Sexta-feira 01 de novembro

20:00

Jantar solidário com a 8ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu:

• Performance: “Vitalina y otras yerbas”, por Ovarmonias.

• Música ao vivo: Pablo Fagúndez e El Penado.

>> Sábado 2 de novembro

15:00

• Início com estandes de livros e outros materiais de difusão.

16:00

• Conversa: Feminismo autônomo: “Feminismo, el abismo hacia la libertad”, por Decidoras.

16:00

• Atividade para crianças e não (tão) crianças, identificação de aves nativas. Apresentação do livro “Pajaritos de Uruguay”, por Augusto Giussi (autor) e “Equipo Devenir Herlúdica”.

18:00

• Palestra: Movimiento Anárquico en 1990-2000, a cargo de Unxs de la Vuelta.

20:00

• Onde estamos? Para onde vamos? Movimento libertário hoje, por “Eureka”.

>> Domingo 3 de novembro

16:00

• Início com estandes de livros e outros materiais de difusão.

17:00

• Conversa: O inimigo-amigo, como a suposta esquerda impediu a resistência antiautoritária sob a presidência de Trump. Pelo Coletivo CrimethInc (região estadunidense).

19:00

• Conversa: Anarquia e território. Proposta de auto-organização no bairro Cordón, por companheirxs do projeto.

feriaanarquistamvd.wordpress.com

Tradução > keka

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agência de notícias anarquistas-ana

Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

[França] Desastre ecológico e sanitário

Em 26 de Setembro, um grande desastre ocorreu na cidade de Rouen, na Normandia. Um incêndio de grandes proporções destruiu a fábrica Lubrizol, uma instalação classificada do tipo Seveso, situada na periferia imediata da cidade, e lançou 5000 toneladas de resíduos altamente tóxicos na cidade e na região, incluindo o amianto. As consequências para a saúde da população são incalculáveis a longo prazo.

A fábrica da Lubrizol [que fabrica aditivos para enriquecer óleos, combustíveis ou tintas industriais] pertence ao grupo do bilionário americano Warren Buffett.

Warren Buffet é o homem que disse: “Há a guerra de classes, sim, mas é a minha classe, a classe rica, que está fazendo a guerra, e nós estamos ganhando”.

Círculo de Estudos Libertários – Gaston Leval

federation-anarchiste.org

agência de notícias anarquistas-ana

Passando devagar
sob o ipê florido —
Uma flor no cabelo.

Teruko Oda

[São Paulo-SP] TRF-3 dá bronca em anarquista pacifista e o manda cumprir serviço militar

por Thiago Crepaldi | 24/09/2019

Um médico tentou se safar do serviço militar obrigatório alegando ideais anarquistas “calcados no pacifismo e antimilitarismo”, mas não contava com a simpatia de um desembargador federal pelo assunto, que evidenciou o absurdo da alegação.

Contra ato do comandante da 2ª Região Sudeste, o recruta impetrou Mandado de Segurança na Justiça Federal para suspender a sua convocação para prestar serviço militar como profissional da área de saúde já que sua “liberdade de consciência” não o permitia.

O juízo da 14ª Vara Federal em São Paulo deferiu o pedido do médico, entendendo que “o imperativo de consciência é um direito fundamental, e a inexistência de serviço alternativo ofertado pela Administração Pública militar importa na impossibilidade da incorporação”.

A União recorreu. Alegou que “mesmo se dizendo anarquista, o impetrante estudou em instituição de ensino pertencente ao Estado, o que é contrário a essa corrente filosófico-política; que, segundo manifestação do Ministério Público Federal, na página pessoal do impetrante no Facebook, há manifestações políticas que em nada se relacionam com o anarquismo; que atividade para a qual ele foi convocado é de natureza preponderantemente médica”.

Subiram os autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS), à mesa do desembargador federal Otávio Peixoto Júnior, que desmascarou o pseudo-anarquista. Sobram motivos para negar credibilidade ao impetrante, disse o desembargador.

“[O impetrante alega que] filia-se à corrente filosófica do Anarquismo, cuja origem remonta aos antigos gregos (estoicos), tendo sido determinante para o seu surgimento como doutrina moderna, o pensamento secular iluminista, particularmente a elevação da liberdade proposta por Jean Jacques Rousseau. Considera-se William Godwin o preceptor do pensamento anarquista, embora não tenha sido ele a introduzir essa denominação. Godwin formulou as concepções políticas e econômicas que viriam posteriormente inspirar o filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), considerado o fundador da teoria anarquista moderna”, e segue falando que “As bases da filosofia anarquista são a paz e o amor”, em “antimilitarismo” e “não-belicismo”, em “Anarquismo filosófico” e pretendendo que a Constituição lhe confira a alternativa de não querer “se submeter à vivência militar.”

“Talvez pudesse considerar a mim como anarquista, porque muito aprecio um escrito de Bakunin, tanto que, impresso na contracapa, deixo o livro na estante com a capa virada para a parede para mais fácil e pronta visualização do texto que não raro prazerosamente releio: ‘Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (…) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna deste nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (…).’, escreveu aquele sim verdadeiro anarquista”, disse Peixoto Júnior.

Continua: “Não vou discutir filosofia, política e história com o impetrante, não devo debater sobre cidadãos gregos liderados por Zenão que se reuniam num pórtico de Atenas, onde o fundador da escola lecionava sobre a ataraxia. Rousseau não era anarquista, William Godwin não conheço (e procurar agora no Google pra mim não vale) mas Proudhon não poderia ignorar, autor da célebre frase afirmando que ‘A propriedade é um roubo’, que também bradou esta, que fui buscar no meu dicionário filosófico: ‘A igualdade ou a morte’. Quem falava assim não pregava ‘paz e amor’ e se divergências haviam sobre meios revolucionários ou não, não se tratava de pacifismo. Estranha filiação essa a um ‘anarquismo pacifista’, ressalvado o uso da palavra ao que é estilo de vida, talvez presente em Woodstok, mas era o movimento hippie, e o impetrante não vende peças de artesanato na praça.”

“(…) admitir que qualquer ‘vassalo’, na linguagem de Rousseau em seu Do Contrato Social possa desses se livrar com meras e ainda incongruentes e inverossímeis alegações de filiação a exótica corrente de ‘anarquismo paz e amor’ passa dos limites”, continua o desembargador. “Como brotou e quanto tempo foi necessário para forjar-se da miscelânea de doutrinas indo dos estóicos ao socialismo de Proudhon uma consciência tão fortemente blindada?”

A procuradora regional da República Rosane Cima Campiotto também apresentou argumentos contra a liberação do médico. “A objeção de consciência é oposta em face da sociedade, podendo ser caracterizada como uma regra de exceção, capaz de afastar o princípio da igualdade. Destarte, a objeção de consciência não se constitui em algo íntimo, privado, que só diga respeito ao invocante e que esteja fora do alcance de qualquer juízo de avaliação. Ao contrário, a objeção de consciência deve ser relevante e objetivamente mensurável. Não basta, portanto, a mera invocação ou, mais ainda, qualquer invocação.”

“Não poderia eu me posicionar de outro modo senão pela denegação da ordem”, foi o voto declarado e divergente do desembargador da 2ª Turma.

“Entender que a mera ‘alegação’ constante do tipo legal não suscita confrontação ou averiguação é simplificar o processo interpretativo em curso, já que o fim social daquela norma é estabelecer a isonomia de tratamento, onde os desiguais devem ser desigualmente albergados pelo direito, mas, para tanto, é necessário que se demonstre sua situação de desigualdade”, acompanhou em voto retificador o relator, desembargador Cotrim Guimarães, endossado também por Souza Ribeiro, por outros fundamentos.

Previsão constitucional

O direito fundamental posto em discussão está estabelecido no artigo 145, parágrafo 1º, da Constituição Federal, relativo à possibilidade dos cidadãos deixarem de prestar serviço militar obrigatório por “imperativo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política”, para o fim de “se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar”. A dispensa é direcionada para as atividades militares, propriamente ditas, vale dizer, aquelas que digam respeito, essencialmente, com o treinamento e prática de guerra.

Esse direito fundamental foi regulamentado pela Lei 8.239/91, que no artigo 3º estabelece as condições para seu exercício pelos cidadãos e também define o serviço alternativo àqueles que invocarem o imperativo de consciência para se eximirem das atividades essencialmente militares.

Fonte: https://www.conjur.com.br/2019-set-24/trf-manda-anarquista-pacifista-cumprir-servico-militar

agência de notícias anarquistas-ana

Bem-te-vi canta
pousado na cabeça
da estátua em silêncio.

Teruo Hamada

[México] Anarquistas participam de protesto para lembrar 51 anos do Massacre de Tlatelolco

Anarquistas marcharam na Cidade do México na quarta-feira (02/10) para celebrar o 51º aniversário do Massacre em Tlatelolco em 1968, no qual centenas de estudantes foram mortos por militares e policiais na Praça das Três Culturas.

Depois que os anarquistas atacaram o palácio do AMLO [Andrés Manuel López Obrador, presidente do México] durante um protesto recente pelos 43 estudantes desaparecidos de Ayoutzinapa, o Estado instituiu uma barreira humana com 12 mil pessoas com camisas brancas para proteger alvos capitalistas e estatais dos anarquistas e revolucionários durante a comemoração de 2 de outubro.

“Eles estão com tanto medo de nós que nos bloqueiam”, lê-se em um grafite em tinta vermelha em uma das barreiras de metal montadas para proteger as paredes da sede do Banco do México.

O maior incidente ocorreu durante a marcha que começou na Praça das Três Culturas, na rua 5 de Maio, onde os grandes grupos chegaram em Zócalo. Naquele momento, não havia mais um “Cinturão da Paz”, mas somente estruturas de metal para proteger os muros e janelas.

Bem na esquina da 5 de Maio com a Eixo Central Lazaro Cardenas, policiais toparam com um grupo anarquista perto do final da marcha.

Foi então que o bloco, com roupas pretas e rostos cobertos, atiraram pedras na polícia e depois fogos de artifício, uma ação que se repetiu em cada esquina da rua 5 de Maio.

Os anarquistas gritaram “Morte ao  Estado, vida longa a anarquia!” e “Cães de guarda da ordem e da lei, assassinos contratados, abuso de poder!”

Entre as pixações feitas pelos anarquistas durante a marcha, havia uma mensagem em apoio ao prisioneiro político anarquista Miguel Peralta, que atualmente está em greve de fome.

Milhares de estudantes de Oaxaca, Coahuila, Zacatecas, Chiapas, Tabasco, Michoacán,

Sinaloa, Baja California Sur e Yucatán também participaram de manifestações semelhantes para exigir justiça às vítimas do dia 2 de outubro.

Tradução > Brulego

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/10/03/mexico-reivindicacao-por-disturbios-em-manifestacao-em-26-de-setembro/

agência de notícias anarquistas-ana

Tranqüilidade —
O monge da montanha
Espia através da cerca.

Issa

“Por favor, ajude-nos a que o mundo saiba o que acontece no Equador”

Estimados amigos e amigas de outros países que andam por aqui. Por favor, ajude-nos a que o mundo saiba o que acontece no Equador, necessitamos com muita urgência romper o cerco midiático.

Em meio de um Estado de Exceção, declarado no primeiro dia de greve, nos encontramos mobilizados a nível nacional ante as medidas econômicas apresentadas por Lenín Moreno [presidente do Equador], que em pacto com a ultradireita do país, decidiu realizar um empréstimo com o FMI. O empréstimo foi feito por 4600 milhões de dólares, apesar de que meses atrás o governo decidiu perdoar corporações e empresas no montante de 4000 milhões de dólares em impostos. O endividamento poderia ser evitado, mas preferiram submeter-nos às regras sinistras do FMI.

Como povos latino-americanos, compreendemos o que significa pactuar com aquele organismo, essa história de miséria se conta só agora na Argentina, México e Colômbia.

O governo quis vender como positiva e valente a decisão de retirar o subsídio dos combustíveis. O mais utilizado, diesel, aumentou seu preço em mais de 120%, e como em uma cascata se viu chegar à subida das passagens e com isso o encarecimento do custo de vida.

Apesar de que a cesta básica alcança um custo de $700, ainda que o salário básico seja de $394 e que em Quito a maioria das pessoas deve tomar no mínimo dois ônibus para chegar a seu trabalho, a proposta das empresas de transportes é subir a passagem a $0.60. Por favor, façam as contas… e imaginem estas pessoas com seus filhos, os quais devem enviar à escola.

Sem uma razão abertamente divulgada, mas que resulta óbvia, os trabalhadores do setor de transporte que haviam aderido à greve no primeiro dia, decidem no dia seguinte abandonar a greve nacional, deixando para trás estudantes secundaristas e universitários, professores, sindicatos, mulheres, povos e nacionalidades indígenas, entre outros setores.

A ministra do interior María Paula Romo, que condenava a criminalização do protesto social exercida pelo governo de Correa, declara que os estudantes da universidade pública são “toscos violentos”, o presidente acusa os manifestantes de “vagabundos, vândalos e delinquentes” e a isto se une a imprensa mais medíocre da América, que desde o início insistiu em chamar “greve de transportistas” à GREVE NACIONAL, e agora mobilizam a ideia de que sem os trabalhadores do setor de transporte, a greve terminou e isso é absolutamente falso.

A imprensa equatoriana, completamente vendida aos interesses da direita, busca mostrar um país que retorna à calma e não que os empresários perdem cada vez mais, por cada dia de greve, segundo eles, isto afeta à massa laboral e ao país em geral.

O certo é que homens e mulheres de povos e nacionalidades indígenas de todas as partes do país estão marchando até a capital para DERRUBAR O GOVERNO E TODO SEU GABINETE. Esta ação, em rechaço a retirada de subsídios, ao encarecimento da vida e a forma na qual nos querem inserir em um modelo econômico abertamente neoliberal, que vulnera nossos direitos laborais ao flexibilizar e precarizar as condições de trabalho.

Aos trabalhadores do setor público, lhes anunciou que os contratos ocasionais seriam renovados com 20% a menos de salário. Ao resto lhes tirariam 15 dias de férias e deviam “doar” um dia de salário mensal ao Estado. Esta última medida vai contra o Art. 328 da Constituição, no qual se assinala que o salário não pode ser diminuído nem descontado salvo prévia autorização do trabalhador.

À luta se somam novas bandeiras como o livre ingresso na universidade, já que milhares de estudantes não podem continuar estudando, ao não contar com meios econômicos para ir a universidades privadas, enquanto o Estado os rechaça através de um exame de admissão.

Nos aproximamos de um momento complexo, a repressão policial foi terrível, em dois dias de greve há 350 detidos e um estudante que perdeu seu olho pelo impacto de uma bomba. A CIDH fez declarações sobre o uso excessivo da força no Equador, nos disparam bombas, balas e munições, há blindados com alto-falantes que atemorizam a todo o mundo, mas também há gente farta que não está disposta a retroceder. Os direitos foram conquistados com sangue e assim nos obrigam a defendê-los. Na praça onde está localizado o palácio presidencial há centenas de militares armados até os dentes, sabemos que dentro do palácio de governo há boinas vermelhas, e (especializados em combate terrestre) isso é o que o governo preparou para o povo equatoriano.

Responsabilizamos María Paula Romo, Lenin Moreno e todo seu gabinete, a assembleia e os altos mandos do exército por todos e cada um de nossos feridos e todas as consequências nefastas que traga esta situação que se pode evitar. Mas Moreno declarou que não dará o braço a torcer.

A IMPRENSA DE NOSSO PAÍS: TELEAMAZONAS, ECUAVISA, TVC, RTS, CANAL UNO, OROMAR, EL COMERCIO, EL UNIVERSO e todos os meios MENTEM DESCARADAMENTE SOBRE A SITUAÇÃO E NÃO PODEM SER CONSIDERADOS REFERÊNCIAS INFORMATIVAS PARA NENHUM CASO.

Afortunadamente sim, há canais de informação confiáveis: Voces, Revista Crisis, Desborde Ecuador, Nuestroamericano, Política com manzanas, Indymedia Ecuador, Inredh Derechos Humanos, Wasi Media, Wambra Radio.

V.C.

Fonte: https://www.facebook.com/vale.cordova.1426/posts/1439760609511421

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Venerável
É quem não se ilumina
Ao ver o relâmpago!

Bashô