Estado não protege, oprime – abaixo o monopólio da violência

O Estado nasce da mesma lama que o Capital: da expropriação, da espada, da submissão. Antes de qualquer “contrato social”, houve a conquista. Alguém disse “aqui mando eu”, armou seus capangas e impôs regras. O monopólio da violência não é uma conquista civilizatória — é a garantia de que ninguém mais pode usar força a não ser o rei, o parlamento, a polícia. E quem controla essa força? Quem tem a propriedade. O Estado não protege o fraco; protege o lucro. Sua função histórica é blindar a desigualdade com cassetetes, juízes e grades.

Quando um despejo acontece, o Estado está lá — não para mediar, mas para expulsar o morador em nome do proprietário. Quando um grevista é preso, o Estado está lá — não para ouvir a pauta, mas para defender o patrão. Quando um ativista desaparece, o Estado está lá — não para investigar, mas para produzir terror. Proteção? O Estado protege o banqueiro do controle social, o latifundiário do sem-terra, o explorador do explorado. A única “segurança” que ele oferece ao trabalhador é a do cárcere, da fome regulada, da morte lenta nas periferias.

O monopólio da violência significa que a própria ferramenta de defesa popular — a autodefesa, a organização armada da base, a recusa coletiva à opressão — é criminalizada. Enquanto o policial pode matar e sair em liberdade, o jovem negro que reage é linchado pela mídia e pelo tribunal. Essa assimetria não é acidente; é um projeto pensado e calculado. O Estado quer corpos dóceis, não cidadãos conscientes. Quer contribuintes, não revoltosos. Por isso a violência estatal nunca é contra o rico: é sempre contra quem questiona a ordem da propriedade e da hierarquia.

Não adianta “reformar a polícia”, “humanizar as prisões”, “votar em outro governante”. Essas são maquiagens na face do monstro. A polícia continuará sendo o braço armado do capital; as prisões, fábricas de mão de obra escrava; os governantes, gerentes do sistema. A única resposta à opressão estatal é a desobediência massiva, a organização horizontal para a autodefesa, a construção de redes de apoio que prescindam da violência institucional.

Portanto, abaixo o monopólio da violência, sempre! Não para instalar outro monopólio, mas para dissolver a própria ideia de que alguém tem o direito de decidir sobre a vida alheia com armas e leis. Autogestão da segurança, autogestão da justiça, autogestão de tudo. Sem Estado, sem polícia, sem fronteiras, sem celas. E que cada um e cada uma se lembre: a única violência legítima é a que se opõe à violência estrutural. O Estado não protege, oprime. Desmontemos essa máquina, tijolo por tijolo, com as mãos livres e a coragem em pé.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/08/04/estado-nao-protege-oprime-abaixo-o-monopolio-da-violencia/

agência de notícias anarquistas-ana

O velho salgueiro
Inclinado sobre o lago
Resmunga baixinho.

Mary Leiko Fukai Terada

[Grécia] Tessalônica: Gatos na Cidade Alta

Recentemente, vimos cartazes nas ruas ao redor da Praça de Kallithea que faziam referência a assassinatos de gatos. Há pouco tempo, nós mesmas fomos testemunhas oculares de atos de maus-tratos contra gatos e reagimos imediatamente. Desta vez, não sabemos quem é o agressor, mas, após o cartaz, como uma primeira reação instintiva, escrevemos frases na praça para que tanto a vizinhança quanto o assassino saibam que estamos de olhos e ouvidos abertos para localizá-lo. Assim, na Cidade Alta, além da polícia que acampa dia após dia nas praças e da gentrificação promovida pelo prefeito e pelas empresas, também temos que enfrentar também os torturadores de animais. Em uma região onde há muitos gatinhos, que são amigáveis com os demais moradores, mas expostos a diversos perigos, temos o dever de cuidar deles e conviver com eles, em um bairro que ainda resiste para manter suas características próprias.

CONTRA A IDEOLOGIA DOMINANTE DO ESPECISMO

ALF – Núcleo Anarquista Antiespecista de Ação Direta

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1642210/

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

[Chamada para (in)submissões] Dossiê nº 14 – Lutar sem arkhè (1º semestre de 2027) | Dossiê organizado por Fransuelen Silva e Erwan Sommerer

Como pensar, mobilizar-se e lutar quando se está suspenso no vazio?

Reiner Schürmann, em Le Principe d’anarchie, nos convoca a romper com a tradição metafísica ocidental da arkhè, isto é, com a estrutura que articula origem e comando. Em cada época, essa estrutura organizou o pensamento e a ação a partir de diferentes formas de fundamentação, baseando-os em princípios primeiros, com o objetivo de afastá-los da mudança e da dúvida. Nesse contexto, o trabalho de desconstrução da metafísica busca liberar a ação de qualquer fundamento, deixando-a como que “suspensa no vazio”. O “princípio de anarquia” designa, então, o momento em que se deixa de procurar uma nova arkhè que substitua a anterior e se assume o paradoxo de que o único princípio que sustenta a teoria e a prática é, justamente, a ausência de princípio.

Mas é preciso então colocar a questão, à qual o próprio Schürmann se dedicou sem, contudo, encontrar uma resposta propriamente dita, da possibilidade de apreender a ação política a partir do prisma dessa suspensão no vazio. Em referência a Arendt, ele evoca as sociedades populares da Revolução Francesa, a Comuna, os Sovietes, o conselhismo… Em outras palavras, os entremeios revolucionários, quando a continuidade histórica é rompida, quando a ação já não se apoia em uma tradição ou em determinismos, e quando o campo das possibilidades políticas, institucionais e existenciais se abre plenamente. Nesses momentos de “corte”, o agir e o fazer deixam de ser comandados por um fundamento primeiro e tornam-se uma presença pura, sendo o princípio de anarquia e o vazio aquilo que irrompe no mundo.

Leitor atento de Schürmann, Miguel Abensour viu aí o momento específico da “democracia insurgente”: ela se instala no intervalo próprio das revoluções, entre as formas anteriores, quando a antiga ordem foi abolida, e as formas por vir, antes que o Estado e as instituições, a ordem e a disciplina, sejam restabelecidos. Em referência ao anarquista Gustav Landauer, ele identifica nesses momentos uma aspiração e uma ação democráticas hostis a toda institucionalização e que, por “uma prática sistemática, obstinada do conflito”, pode “abrir ao agir do povo o mais vasto horizonte de possibilidades”.

Aqui, como em outros teóricos, a liberdade passa por um anarquismo pós-fundacional (Hakim Bey, Saul Newman, Tomás Ibáñez, Andityas Matos etc.), por uma potência destituinte, evitando a realização e a recondução do poder (Giorgio Agamben), em que o povo aparece como o nome de um antagonismo inconciliável contra a forma-Estado. E pode-se também compreender a ausência de princípio como desidentificação, quando as identidades impostas e hierarquizadas pelo Estado, sejam socioeconômicas, raciais ou de gênero, são subvertidas ou anuladas, subtraídas aos procedimentos que normalmente fixam as normas de comportamento e classificam os sujeitos.

Mas uma questão se coloca: como ocupar e sustentar hoje essa posição? É realmente possível mobilizar-se e lutar sem recorrer a princípios, sem afirmar valores ou identidades? Pode-se, assim, dar razão a Schürmann e a Abensour ao mesmo tempo em que nos questionamos o que é realmente uma luta sem arkhè, que se recusa a cair na armadilha da certeza e da construção de novas normas morais ou identitárias. Uma tal luta tem existência concreta ou não passa de um conceito abstrato? Torna-se evidente, assim, que um “pós-fundacionalismo da resistência” (para parafrasear bell hooks), sobretudo no contexto de mobilizações feministas, decoloniais ou antirracistas, não pode prescindir de uma reflexão sobre o uso paradoxal, ao mesmo tempo alienante e emancipador, da identidade.

Diversas vias podem ser abertas nesse sentido. Pode-se considerar necessário pensar em termos de essencialismo estratégico e admitir que a luta pode apoiar-se em princípios ou mobilizar identidades sem cair na armadilha da arkhè. Pode-se também buscar preservar a fluidez e a desidentificação no próprio interior do combate contra a exploração e a opressão, como ocorre em certas mobilizações queer, entendendo que apenas a subversão contínua das fronteiras identitárias permite enfrentar a dominação. Pode-se, ainda, situar o agir livre apenas nas sequências de ruptura radical, insurrecionais ou insurgentes, que seriam as únicas constitutivas da comuna como relação social e como puro acontecimento (Joshua Clover). De modo mais amplo, é preciso interrogar a tensão que surge da necessidade, por vezes, de recorrer a métodos, isto é, a modos de pensar, procedimentos, tipos de relações, ou mesmo a instituições sociais ou jurídicas, vinculadas às estruturas que se contesta ou que se deseja abolir.

Convidamos, assim, à submissão de trabalhos que explorem, ao mesmo tempo, os métodos teóricos de luta contra os fundamentos que comandam o pensamento e o agir, e os métodos práticos pelos quais é possível buscar libertar-se desses fundamentos no contexto de mobilizações concretas. Desejamos acolher contribuições que, em suas diversas expressões, experimentem modos de agir sem arkhè, abrindo espaço para outras formas de existência, de criação e de vida em comum.

Ressaltamos também que, além deste dossiê temático, a revista (Des)troços recebe, em fluxo contínuo, propostas de caráter geral relacionadas ao pensamento radical e à linha editorial do periódico, conforme descritas aqui: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/about. As contribuições devem ser submetidas por meio do sistema OJS, respeitando as normas de submissão (https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/about/submissions), até 30 de novembro de 2026. As exigências de titulação não se aplicam às autoras de imagens, cujas contribuições serão avaliadas exclusivamente pelo comitê editorial. As contribuições textuais serão avaliadas pelo comitê editorial e por meio de sistema de dupla avaliação cega por pares. Uma vez aprovados, textos e imagens serão publicados no décimo quarto número da revista, com publicação prevista para o primeiro semestre de 2027.

Fonte: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/announcement/view/748

agência de notícias anarquistas-ana

Acordo feliz
Uma, duas folhas caindo
Quero ver de novo.

Douglas Eduardo Rothemann – 8 anos

[França] Apresentamos L’Allumette — um centro sociocultural autogerido

7 rue de La Marne, Le Mans – França

O projeto libertário de criar um espaço autogerido para atividades de ajuda mútua e solidariedade em Le Mans concretizou-se há quase quatro anos.

A associação que administra o local, L’Allumette, conseguiu uma casa de dois andares com sótão adaptado em um bairro operário.

Todo o edifício foi renovado e equipado num projeto inteiramente autogerido por membros e apoiantes.

O piso térreo é composto por uma sala de recepção, com uma grande mesa e biblioteca, além de uma cozinha.

O porão abriga uma lavanderia e também é usado para armazenar diversos suprimentos.

Uma ampla sala de reuniões está localizada no primeiro andar, com estantes adicionais para a biblioteca.

No segundo andar, uma sala menor pode ser usada como escritório, outra como sala de informática. O sótão foi transformado em academia e inclui um espaço que abriga equipamentos pertencentes às associações que iniciaram o projeto.

Este lugar é, antes de tudo, um espaço de ajuda mútua e solidariedade, inspirado por princípios libertários e definido por uma carta constitutiva que todos os novos membros leram e aceitaram. Além da carta constitutiva, a associação adotou estatutos e regulamentos internos, todos desenvolvidos coletivamente. (Veja os anexos no final do artigo).

Os artigos 2 e 3 dos estatutos descrevem as intenções que dão substância a esta orientação de autogestão;

Artigo 2: OBJETIVO

O objetivo da associação é:

• Promover a autogestão

• Promover uma alternativa à economia do lucro.

• Promover a emancipação dos indivíduos

• Desmistificando e compartilhando conhecimento e saberes.

• Praticar a solidariedade e a abertura a todos, sem discriminação.

• Envolver-se em qualquer iniciativa social e cultural que esteja alinhada com os princípios acima mencionados.

• Criar um espaço acolhedor onde a troca e o confronto de ideias possam ocorrer, livre de qualquer bairrismo, mentalidade estreita ou preconceitos.

No âmbito deste objetivo, a associação poderá trabalhar com todas as estruturas existentes ou recém-criadas.

Artigo 3: MEIOS DE AÇÃO

Para atingir seu objetivo, a associação utiliza todos os meios disponíveis que possam contribuir para a sua concretização, incluindo:

• Disponibilização de salas de reunião

• Fornecimento de equipamentos

• Disponibilização de uma biblioteca

• Organização de exibições, conferências e debates.

• Organização de diversos workshops (esportes, bricolagem, informática, etc.)

• Criação de sites

• Cozinha comunitária

• Realização de trabalhos experimentais

• Partilha de ferramentas

A implementação dos princípios e objetivos da associação, particularmente conforme delineado nos artigos 2 e 3 dos estatutos, assume as seguintes formas:

A adesão é livre, com contribuição voluntária a partir de €1; as atividades são gratuitas ou com contribuição voluntária, de €1 a €5: estas incluem a cozinha comunitária às quartas-feiras à hora do almoço (alimentos recolhidos no mercado próximo aos domingos, preparados por membros registrados a partir das 10h de quarta-feira) e a lavandaria comunitária. O princípio de “cada um segundo as suas possibilidades” aplica-se a cada pessoa de acordo com as suas necessidades.

Pessoas interessadas são bem-vindas nas tardes de quarta-feira e sábado; é o “café comunitário”.

Elas podem lavar suas roupas, preparar uma refeição quente, ler um livro, familiarizar-se com computadores, receber acompanhamento em seus procedimentos administrativos, jogar jogos de tabuleiro ou simplesmente conversar enquanto tomam uma bebida quente.

Foram criados grupos de trabalho para iniciar atividades sujeitas à aprovação da assembleia geral mensal de membros.

O calendário mensal oferece uma visão geral dessas atividades (veja também a programação do mês de… no documento anexo).

Mas não é preciso ser membro ativo de uma organização anarquista ou anarcossindicalista: é um lugar onde a prática concreta de ajuda mútua, solidariedade e autogestão visa fazer com que todas as pessoas que o frequentam e o animam se sintam iguais.

A este respeito, cabe destacar que, desde o início, ficou estipulado que os membros mais envolvidos na vida da associação (aqueles que prestam serviços de recepção, organizam atividades e participam regularmente das Assembleias Gerais) são considerados membros ativos, a seu pedido. Seu voto na Assembleia Geral é igual ao de qualquer membro contribuinte presente, mesmo que sejam menos envolvidos nas atividades. Contudo, para garantir a continuidade do projeto, é necessária a presença de pelo menos 50% desses membros ativos nas votações sobre alterações nos estatutos, cartas constitutivas ou regulamentos internos.

Merece destaque também a implementação de um procedimento para a resolução de conflitos e agressões: duas pessoas de confiança, cujos nomes e informações de contato estão afixados nas instalações, são designadas para atuarem como intermediárias. As vítimas podem contatar essas pessoas, que elaborarão um relatório a ser submetido à Assembleia Geral, a qual decidirá se acatará ou não as sanções propostas. Esse procedimento foi aplicado em apenas três casos.

Por outro lado, diversas associações de solidariedade, grupos antidiscriminação e sindicatos de várias confederações aderem à L’Allumette por solidariedade e/ou para garantir suas sedes ou simplesmente salas de reunião. A anuidade é de € 60. A filiação de pelo menos um dos membros é obrigatória.

As dificuldades que enfrentamos:

A dificuldade reside em fazer com que alguns usuários se tornem membros, participem das atividades e, assim, compartilhem do espírito do local, concretizando os objetivos da associação.

Casos mais comuns (violência verbal, furto de equipamentos, etc.) nos fazem refletir sobre os métodos “educacionais” mais adequados a serem implementados.

Em suma, é um lugar que está vivo e bem, e que vem sendo mantido há quase quatro anos, tornando-se cada vez mais conhecido e apreciado em Le Mans, apesar do fluxo de caixa apertado, o que lhe permite continuar com segurança.

Encontre aqui:

Fonte: https://ecologiesocialeetcommunalisme.org/2026/06/08/une-presentation-de-lallumette-centre-socio-culturel-autogere/

agência de notícias anarquitas-ana

Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

[Suíça] Convite para a Feira do Livro Anarquista de 7 a 9 de agosto em Bremgarten, no cantão de Argóvia (AG)

Pela primeira vez, o KuZeB — o centro cultural de Bremgarten AG, na Suíça — sediará a feira do livro anarquista de 7 a 9 de agosto. Numa época em que o autoritarismo, as guerras e um totalitarismo tecnológico sem precedentes se intensificam, queremos criar um espaço auto-organizado para lutar contra essas tendências, ao mesmo tempo em que desenvolvemos nossas ideias anarquistas e as colocamos em prática aqui e agora. Vamos aproveitar bem o tempo que passaremos juntos para refinar nossa análise das circunstâncias atuais, aprofundar nossa compreensão da crítica antiautoritária e nos conectar para construir novos laços, levando a novas ideias sobre como combater a autoridade.

Os eventos, debates e mesas de livros em andamento na feira serão divulgados continuamente em www.buechermesse.ch. No chamado “Fabrikkaffi” (café da fábrica) no KuZeB haverá espaço para discussões informais e, nas noites de sexta-feira e sábado, haverá música.

Por ser uma feira de livros auto-organizada, o resultado dependerá do que todos nós fizermos desses dias juntos. Nossos ideais, como a ajuda mútua, devem ser vividos na prática. Queremos cuidar uns dos outros sem a interferência de mediações externas. Lutamos ativamente contra todas as formas de discriminação. E é nossa responsabilidade compartilhada impedir que os inimigos de um mundo livre de dominação — como policiais, nacionalistas e jornalistas (burgueses) — tenham acesso à feira do livro.

Infelizmente, a KuZeB não é um espaço sem barreiras. Mas vamos tentar encontrar uma maneira de que todos possam participar da feira do livro. Se necessário, entre em contato conosco o mais rápido possível pelo e-mail info@buechermesse.ch. A maioria dos eventos será em alemão, alguns em inglês e alguns poucos em francês. Ainda estamos procurando pessoas que possam ajudar com a tradução. Só podemos oferecer acomodações para quem tiver uma mesa de livros ou estiver organizando um evento; por isso, pedimos que procurem acomodações por conta própria.

Estamos ansiosos para conhecê-los e curtir dias emocionantes em agosto.

Pela revolta antiautoritária! Viva a anarquia!

buechermesse.ch

kuzeb.ch

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Juncos secos –
Dia após dia se quebram
E vão rio abaixo.

Rankō

[França] Metz | 1936 – 2026: No Pasarán!

A programação inclui um coquetel festivo, inauguração de uma vitrine especial com o tema, novos livros e um momento de convívio

Em 18 de julho de 1936, as forças reacionárias e fascistas do general Franco tentaram um golpe de Estado que fracassou em grande parte do país e se transformou em guerra civil. A classe trabalhadora, preparada e determinada, opôs-se, com as armas nas mãos, aos regimentos fascistas.

Segue-se então uma verdadeira revolução social em todos os planos da sociedade: coletivização, autogestão, às vezes até a abolição do dinheiro…

Mas, diante de um exército profissional apoiado pela Alemanha nazista e pela Itália fascista, e diante da traição dos stalinistas, os avanços da autogestão acabam cedendo e os últimos focos de resistência caem em 1939.

Um slogan se destaca desse período: No pasarán! Um slogan mais do que atual neste momento. Então venha descobrir, redescobrir e discutir conosco esse exemplo revolucionário pouco conhecido, bem como seu legado nos dias de hoje.

1936-2026: No Pasarán!

Viva a anarquia!

8 de agosto

17h – 20h

No Le Sabot, 21 rue des allemands em Metz

agência de notícias anarquistas-ana

pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

Carlos Seabra

[Chile] 12ª Jornadas Libertárias em Concepción

Em julho, realizaram-se as 12ª Jornadas Libertárias, uma iniciativa que se desenvolve desde o ano de 2002. Em suas primeiras versões, foram organizadas pela Coordenadora Regional Anarquista, dando continuidade a essa experiência, posteriormente, o Grupo Anarquistas Germinal. Nesta oportunidade, o eixo temático foi “Identidade, Território e Cultura Anarquista”.

O objetivo dessas jornadas foi gerar um espaço de encontro, reflexão e construção coletiva em torno das identidades libertárias, das experiências territoriais de organização e das expressões culturais do anarquismo no Chile e na América Latina. Para isso, contamos com o espaço social Eskombr@, um lugar que há 19 anos desenvolve um importante trabalho territorial e libertário no setor de Lorenzo Arenas.

As jornadas realizaram-se nos dias 8, 15 e 22 de julho. Previamente, elaborou-se a propaganda e prepararam-se os materiais e insumos necessários para cada encontro. A metodologia consistiu em uma exposição inicial de aproximadamente vinte minutos, seguida de um espaço de conversação aberto a todes os presentes, promovendo a troca de experiências e a reflexão coletiva.

A primeira jornada abordou o tema “Como habitamos nossos territórios?”, iniciado por Tadeo, integrante do grupo Mawizako e membro do SOV Fronteira do Biobío. Sua exposição realizou um percurso histórico sobre como o capital tem transformado os territórios, usando a utilização dos mapeamentos coletivos como forma de recuperar o controle dos mesmos, incorporando também a ideia dos corpos como territórios em disputa. Posteriormente, Fito, do Grupo Germinal, facilitou uma conversa guiada por perguntas sobre os distintos conflitos ambientais presentes na região.

A segunda jornada coincidiu com um intenso temporal de chuva. Apesar de muitas pessoas terem perguntado se a atividade seria suspensa, ela foi realizada igualmente e, de maneira inesperada, a assistência aumentou. A conversa foi guiada por Carlos, que apresentou o tema “Psicanálise e psicologia: seu papel na sociedade de controle”. Tratou-se de uma exposição que, desde uma perspectiva crítica, abriu um interessante debate sobre saúde mental, subjetividade e esquizoanálise, gerando uma reflexão ampla e participativa.

A terceira e última jornada centrou-se na pergunta “O que é ser anarquista hoje?”. A conversa transitou por diversos temas, entre eles o estallido social (a explosão social), as contribuições de David Graeber e a proposta de uma antropologia anarquista, bem como as relações entre liberdade e poder. O diálogo estendeu-se por um longo tempo, demonstrando o interesse de todes os participantes em aprofundar esses debates.

Durante a jornada, também foi feita uma pausa musical a cargo de Desorden Habitacional, companheiro do SOV Fronteira do Biobío, que interpretou canções muito alinhadas com o espírito das jornadas. Esse momento foi acompanhado por sopaipillas (bolinhos de abóbora fritos) recém-fritos, preparados pelos companheirxs do Eskombr@, além de alguns biscoitos que uma companheira levou para compartilhar, fortalecendo o ambiente fraterno e comunitário do encontro.

Após a pausa musical, retomou-se a conversa, voltando à pergunta “Como estamos habitando nossos territórios?”, permitindo que os assistentes relacionassem as discussões dos três encontros com suas próprias experiências organizativas, comunitárias e cotidianas.

Em termos gerais, as jornadas foram avaliadas de forma muito positiva. Apesar das condições climáticas adversas, a participação foi crescendo em cada sessão: começou-se com cerca de 18 pessoas no primeiro encontro e finalizou-se com 25 participantes na última jornada, que demonstraram grande interesse em dialogar, compartilhar experiências e construir reflexão coletiva. Embora as atividades estivessem programadas entre as 19h e as 21h, as conversas geralmente se prolongavam até perto das 22h, refletindo o entusiasmo e o compromisso de quem compareceu.

Estas 12ª Jornadas Libertárias reafirmaram a importância de manter espaços autônomos de formação política, diálogo e construção comunitária. Da mesma forma, abrem a possibilidade de continuar ampliando as atividades de reflexão, debate e difusão das ideias anarquistas, fortalecendo o trabalho territorial e os vínculos entre aqueles que buscam construir alternativas antiautoritárias a partir da prática cotidiana.

solidaridadobrera.ch

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

[Espanha] Ceuta, Marrocos e a utilização da classe trabalhadora como arma política

Da CNT, exigimos:
 
• O esclarecimento das cerca de cem mortes ocorridas na fronteira.
• A libertação dos detidos.
• Transparência informativa total.
• A libertação de todos os presos políticos das cadeias de Marrocos.
• O fim da ditadura de Maomé VI.
• O fim do apoio do governo espanhol a essa ditadura.
• A proibição dos grupos parafascistas que parasitam cada crise política.
• A reabertura dos passos fronteiriços de Ceuta e Melilha que estavam abertos antes da COVID.
• A revogação da Lei de Estrangeiros.
 
Queremos começar solidarizando-nos com os familiares e amigos de todas as pessoas falecidas e das famílias com pessoas presas.
 
As recentes tensões entre os Estados espanhol e marroquino voltam a colocar Ceuta no centro de um conflito que, mais uma vez, se apresenta como uma simples questão de soberania nacional e de controle fronteiriço. No entanto, desde a CNT entendemos que essa abordagem oculta o verdadeiro problema e desvia a atenção de quem sofre as consequências: a classe trabalhadora. Tanto a de um lado quanto a do outro lado da fronteira.
 
Os governos da Espanha e de Marrocos utilizam a fronteira como um instrumento de negociação política. O Estado marroquino emprega o controle dos fluxos migratórios como elemento de pressão diplomática, enquanto o Estado espanhol responde reforçando a militarização das fronteiras e endurecendo as políticas migratórias, “terceirizando” dessa forma essa política fronteiriça de mortes, fazendo concessões à ditadura de Maomé VI.
 
Concessões como a legitimação de seu regime ditatorial, que conta com centenas de presos políticos, que pisoteia a legalidade internacional, como a validação da ocupação militar do Saara Ocidental, com seu rastro de violações dos Direitos Humanos. No meio dessa disputa entre Estados ficam milhares de pessoas trabalhadoras obrigadas a migrar pela repressão política, pela pobreza, pela precariedade, pela falta de oportunidades ou pelas consequências de um modelo econômico profundamente desigual. É essa desigualdade que, de fato, cria as fronteiras. Sem essa desigualdade, não há “fronteira”.
 
Essa situação é aproveitada pela extrema direita que aponta as pessoas migrantes como causa dos problemas sociais. O fato de a chegada de pessoas migrantes se tornar um conflito internacional é uma decisão política do capital e dos governos que o administram.
 
Nesse sentido, existe uma clara aliança de fato entre a extrema direita xenófoba, que defende os capitalistas e aponta os migrantes, e a ditadura do rei de Marrocos, ao qual, como está visto, pouco importa o seu próprio povo. Não é coincidência que há apenas alguns dias o ditador tenha batizado com o nome de “Donald Trump” uma autoestrada que pretende construir no Saara Ocupado. Saara ocupado, lembremos, com a ajuda militar que o Estado de Israel presta ao Estado marroquino.
 
A classe dominante utiliza deliberadamente a escassez planejada de recursos públicos para confrontar uns trabalhadores com os outros. Enquanto se privatizam os serviços públicos, se limita o investimento social, empregando esse dinheiro em gasto militar, e se favorece a acumulação de lucros privados, alimenta-se o discurso de que o problema são aqueles que chegam em busca de uma vida melhor. Assim, desvia-se a responsabilidade de quem realmente concentra a riqueza e toma as decisões econômicas.
 
As pessoas migrantes não são nossas inimigas. Também não o são os trabalhadores e trabalhadoras marroquinos, cuja exploração responde à mesma lógica que sofrem aqueles que trabalhamos no Estado espanhol. A competição entre trabalhadores não surge da migração, mas de um sistema econômico que precisa de mão de obra precarizada, sem direitos e facilmente explorável para pressionar para baixo as condições laborais do conjunto da classe trabalhadora. Nesse sentido, apoiamos as regularizações em massa que melhoram as condições de vida, que concedem direitos e que evitam essa mesma competição entre trabalhadores que tanto deseja a extrema direita.
 
Como organização anarcossindicalista, rejeitamos tanto o nacionalismo espanhol quanto o marroquino. Nenhum Estado representa os interesses da classe trabalhadora. Frente àqueles que utilizam as fronteiras para defender interesses geopolíticos ou econômicos, reivindicamos a solidariedade internacional entre aqueles que vivem do nosso trabalho.
 
A resposta não pode ser o fechamento de fronteiras, a militarização, nem o confronto entre povos. Também não pode consistir em aceitar que os serviços públicos permaneçam deliberadamente subfinanciados enquanto se aumenta o gasto militar pela submissão às políticas de Trump e se aumenta a riqueza de uma minoria. A única saída favorável para a maioria social passa por socializar a riqueza, garantir serviços públicos suficientes para todas as pessoas e fortalecer a organização da classe trabalhadora, independentemente de sua origem ou nacionalidade.
 
Desde a CNT consideramos irrenunciável o direito de migrar: a ONU reconhece o direito de buscar asilo político diante da perseguição. Nós consideramos irrenunciável, além disso, o direito de migrar para fugir de uma situação de miséria, também para melhorar as condições de vida ou simplesmente pelo mero prazer de conhecer novos lugares e culturas. Nesse sentido, não deve ter mais direito de se mover pelo mundo uma pessoa da Finlândia do que outra do Senegal, Colômbia, Espanha ou Marrocos.
 
Defendemos a abolição das fronteiras, como de fato ocorre a nível mundial com os cidadãos europeus que podem se mover pelo mundo livremente. Como de fato ocorre entre os países que não têm grande desigualdade entre eles, como Espanha e Portugal.
 
Nesse sentido, o ocorrido em Ceuta é uma fuga em massa da ditadura de Maomé VI, comparável ao êxodo que provocou a queda do Muro de Berlim. Assim como as pessoas da Ucrânia, as de Marrocos devem ter o direito de poder fugir de uma ditadura apoiada pelos EUA, Israel e, como não para de repetir Pedro Sánchez, pelo governo espanhol.
 
Mas também defendemos o direito de não migrar: ninguém deveria ser obrigado a abandonar seu país pela repressão política e pela miséria. Nesse sentido, é significativo que a fuga de milhares de pessoas tenha ocorrido enquanto o rei exaltava sua monarquia absoluta em seu palácio em Tetuão, na “festa do trono”, a poucos quilômetros de onde morriam afogadas dezenas de pessoas.
 
Nas cadeias de Marrocos há centenas de presos políticos, como os companheiros do Hirak, como Nasser Zefzafi, condenado a vinte anos por pedir hospitais públicos e Direitos Humanos. Essa fuga em massa não teria ocorrido se Maomé VI – apoiado por Pedro Sánchez – não encarcerasse centenas de pessoas por pedir coisas tão fundamentais como saúde pública. Ainda se desconhece o paradeiro das centenas de detidos dos protestos pela saúde pública que ocorreram em Marrocos no outono passado.
 
Por isso, frente à estratégia dos Estados e do capital de nos dividir segundo nossa nacionalidade, origem ou situação administrativa, a tarefa do sindicalismo de classe é organizar-se onde existe a exploração: nos centros de trabalho, nos bairros e em todos os espaços onde a classe trabalhadora vive e luta. A CNT reafirma seu compromisso com a organização de todas as pessoas trabalhadoras, nascidas aqui ou chegadas de qualquer lugar do mundo, impulsionando a solidariedade entre sindicatos e organizações operárias de ambos os lados do Estreito.
 
Nesse sentido, dirigindo-nos concretamente às pessoas do norte da África, em ambos os lados da fronteira, para que façam parte da CNT ou formem seções da CIT.
 
Fazemos um chamamento a todos e a todas que sejam contra a política criminosa de fronteiras da Europa e contra a ditadura do Makhzen. A praça da entrada da medina de Tetuão deve voltar a ser do povo, e este palácio, junto ao que o ditador tem em Nador e ao de Al Hoceima, devem ser expropriados para o povo, para que assim as crianças que estão na rua tenham comida e teto.
 
Convocamos a unir-se ao povo de Guelaya, seja de “El Pueblo” ou de Beni Ensar. Ao povo do Garb, sejam de Ceuta, Tânger, El Haus, Tetuão ou Anyera, contra o rei aliado de Israel, contra as fronteiras, contra os fascistas.
 
Convocamos à união dos trabalhadores de todo o Magrebe com os trabalhadores da Península Ibérica.
 
Frente àqueles que levantam fronteiras para proteger privilégios e semear o confronto entre povos, respondemos com internacionalismo, apoio mútuo e ação direta. Porque nossa bandeira não é a de nenhum Estado: é a da emancipação da classe trabalhadora.
 
cnt.es
 
Tradução > Liberto
 
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os teus cabelos
por travesseiro
como dormirei?
 
Rogério Martins
 

[Espanha] Ame Cádiz. Odeie o fascismo.


O fascismo não se discute, ele se destrói” – Buenaventura Durruti

Não permitamos que os discursos de ódio envenenem nossas cidades, nossos bairros, nossas salas de aula ou nossos locais de trabalho.

É hora de enfrentar todos os movimentos patriarcais, xenófobos e fascistas. É hora de expulsar de nossas vidas todos esses defensores da burguesia e do Estado que lançam seu veneno racista contra a classe trabalhadora, tentando dividi-la e direcionando seu ódio aos migrantes.

É hora de nos auto-organizarmos, de não deixar nenhuma agressão sem resposta. Contra o fascismo, contra toda exploração, contra toda autoridade.

Pelo Comunismo Libertário. Pela Anarquia

União Anarcossindicalista UAS AIT

Confederação Anarcossindicalista – AIT IWA

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Noite de garoa —
Sobrepõe-se ao céu fechado
o clarão da Lua

Sérgio Bernardo

Lançamento – ERROZINE 04

Do protesto urbano ao território: Centro de Cultura Social, anarcopunk e Semente Negra + Entrevista com Josimas Ramos (ex-Execradores/Água/No Gods No Masters) + Festival Cultive Resistência 2026

Por Raphael Sanz

Superamos a maldição dos fanzines, segundo a qual as publicações não ultrapassam a terceira edição – e está oficialmente lançada a quarta edição do ERROZINE!

Nesta nova edição – a primeira de 2026 – trazemos na pauta a importância de cultivarmos espaços livres e territórios autônomos para criarmos, por nós mesmos e com as nossas comunidades, horizontes de vida e luta mais interessantes num mundo cada vez mais opressor.

A edição é dividida em quatro partes.

  • Na primeira parte, “Do protesto urbano ao território: Centro de Cultura Social, anarcopunk e Semente Negra”, recontamos a história do Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS), grupo de difusão de saberes anarquistas fundado em 1933 e ainda em atividade (com sede no centro de SP). Além de ter sido um importante ator, historicamente falando, na sobrevivência das ideias (e pessoas) anarquistas a duas ditaduras, também ficou marcado pela sua relação com a cultura punk e a formação do que ficou conhecido como “anarcopunk”. Falamos sobre a importância de figuras como Jaime Cubero e contamos como os anarquistas usaram um pequeno sítio para driblar as repressões de duas ditaduras.
  • A edição também traz uma entrevista com Josimas Ramos (ex-Execradores/Água/Semente Negra/No Gods No Masters), que viveu esse encontro entre punks jovens e vovôs anarquistas na virada dos 80 para os 90, e que hoje está à frente do Espaço Cultural Semente Negra, um espaço anarquista e punk em Peruíbe (SP) onde realiza uma série de atividades em parceria com as comunidades vizinhas, incluindo a Terra Indígena Piaçaguera.
  • A última parte do fanzine faz um apanhado da cobertura que fizemos do Festival Cultive Resistência 2026, realizado dentro do Semente Negra.
  • E como não podia faltar, um pouco de arte também é sempre bom. Nas páginas 10 e 11, centrais, você encontra um baita pôster do LAIDEA – artista gráfico de BH ligado à Kasa Invisível – sobre o tema da edição: Ocupe o mundo!

 

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Frete para todo o Brasil

Versão digital (PDF)

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Flauta,
cascata de pássaros
entornando cantos úmidos.

Yeda Prates Bernis

[Belém-PA] 2ª Plenária de Construção da Campanha NÃO VOTE, LUTE!

O SIGA-PA convida seus filiadxs, simpatizantes e aliadxs para participarem da construção desta campanha, que terá o objetivo de fortalecer o povo para ser o principal agente de mudanças, promovendo autonomia e ação direta como reais alternativas para melhoria da sociedade. Através do uso constante e massificado destas táticas, a política eleitoral burguesa revelará sua inutilidade para a classe trabalhadora, podendo ser substituída por uma democracia direta e federalista de trabalhadores.

Aqui não estamos falando sobre votar nulo ou problematizar suas decisões eleitorais, pois estes fatores apenas manterão o status quo e a ordem opressora com poder centralizado pelos interesses da elite. Aqui estamos falando sobre como a organização da base e ação autônoma é muito mais importante e eficaz do que votar. A questão central é: quando estiver preocupadx e gastando sua energia em promover políticos que possivelmente esquecerão das comunidades e das suas promessas, tome um banho de água fria e se preocupe em ousar, lutar e vencer! Não vote, lute!

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dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente

Rogério Martins

Anarquismo eurocêntrico e anarquismo antirracista.

Por Carlos Ferreira de Araujo Junior [1]

O antirracismo é um dos fundamentos do anarquismo contemporâneo. É impossível falar da luta anarquista sem falar da luta contra o racismo. Mas nem sempre foi assim. Entre o fim do século 19 e o início do século 20, o anarquismo era bastante influenciado por discursos racialistas, eugenistas e pelo darwinismo social de autores como Lombroso, Spencer e Le Bon.

O criminalista Cesare Lombroso (1835-1909) defendia que criminosos nasciam predestinados aos delitos e que suas características biológicas, hereditárias e determinantes, como traços faciais e anatomia craniana, evidenciavam inclinações a condutas criminosas. Já Herbert Spencer (1820-1903) aplicava a teoria da seleção natural, da sobrevivência do mais apto, às sociedades humanas. Esta teoria legitimava a “superioridade” do continente e da “raça” europeia sobre os demais povos. Por último, Gustave Le Bom (1841-1931) defendia a hierarquia de raças e a aversão a mestiçagem. Todos estes “cientistas” moldaram o pensamento racialista e o eurocentrismo. O anarquismo do período também sofreu influências destas ideias.

Num artigo escrito sobre o Treze de Maio, João Crispim, um dos pseudônimos do anarquista espanhol Primitivo Soares (1883-1947), mais conhecido como Florentino de Carvalho, afirmou que os negros não eram tão evoluídos/civilizados quanto os brancos, devido às suas anatomias cranianas, similares às dos símios, determinando, assim, a existência de uma vida vegetativa [2] nestes indivíduos.

No livro, Sicários do Jornalismo (1923), o anarquista português Joaquim Mota Assumpção (1879-193?) afirmou que à medida que o Brasil se afasta do tipo europeu, representando na sua base étnica pelos portugueses, cai na incurável barbárie do negro e do índio. [3]

Os anarquistas brasileiros também foram influenciados pelas ideias racialistas europeias. Orlando Correia Lopes (1872-1927), anarquista gaúcho, lamentava que o carnaval tivesse perdido a estética europeia cheia do “luxo exibicionista de algumas cidades da Itália” e ter dado lugar ao “misto de festas mundiais, adaptação de cultos ruidosos e africanismos de danças comiciais e sensuais, de nenhum valor estético para mim”. [4] As danças de origem africanas “sem valor estético” para o anarquista eram: o lundu, o cateretê, o batuque e o maxixe, de origens afro e indígenas.

Maria Lacerda de Moura (1887-1945) foi uma das mais influentes anarquistas brasileiras e do mundo. Publicou obras fundamentais como A Mulher é uma Degenerada (1924), onde criticou a “misoginia científica”, e Civilização: Tronco de Escravos (1931), onde fez um panorama pessimista dos “progressos” da humanidade. Moura teceu acertadas críticas antifascistas, anticlericais e anticapitalistas, porém, a autora conseguiu se livrar das influências higienistas e eugenistas. Para a libertária, o carnaval popular carioca, não o carnaval “limpinho” dos clubes sociais frequentado pelas altas elites, era uma festa imunda, geradora de tragédias, prostituições, degenerações do corpo, lascívia, DST’s etc. [5] Além disso, Maria Lacerda de Moura criticou a dançarina negra Josephine Baker (1906-1975), como exemplo de decadência cultural. A artista franco-americana foi uma das maiores antirracistas e antinazistas que o mundo conheceu, atuando e recolhendo informações que levaram à prisão e morte de diversos fascistas e nazistas.

Os comentários dos libertários e libertárias acima refletem o pensamento eurocêntrico e cientificista do início do século 20. O negro, o indígena e o oriental eram vistos como corpos desprovidos de intelectualidade, de racionalidade e de dignidade. Eram corpos passivos, permissivos, emotivos, mas nunca conduzidos de forma autônoma por eles mesmos.

Além da cultura, as experiências libertárias, horizontais, voluntárias, autônomas não-europeias, como os quilombos e as alianças entre povos originários foram desconsideradas como efetivos exemplos de experiências libertárias. Para muitos imigrantes anarquistas e libertários brancos brasileiros, o proletariado brasileiro, majoritariamente negro, era visto como desprovido de “razão”. As irmandades negras, terreiros, sambas, batuques, blocos carnavalescos, sociedades dançantes, maracatus e tantos outros espaços de sociabilidades eram considerados espaços inferiores quando comparados ao verdadeiro santuário da superioridade e racionalidade operária: o sindicato.

Negros e negras anarquistas começaram a perceber e apontar preconceitos cotidianos dentro do movimento anarquista. Somente na década de 1970, o anarquismo começou a adotar as práticas antirracista como bandeira de luta. Periódicos como Inimigo do Rei e Barbárie, por exemplo, foram pioneiros na renovação do anarquismo. As críticas pós-estruturalistas, os movimentos negros e as lutas anticoloniais fizeram com que os libertários refletissem até que ponto a liberdade que tanto defendiam não seria uma “versão leve” do discurso iluminista eurocêntrico. 

Por muito tempo, e ainda há quem teime, os anarquistas desconsideraram a questão racial.  Sem os questionamentos e as críticas contra colonialistas, o anarquismo permanecerá uma narrativa inofensiva ao liberalismo, ao racismo e as inúmeras formas de fascismos atuais.

[1] Historiador. Bibliografia: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), libertários e socialistas negros no Brasil

[2] A REBELIÃO. N.2.09/05/1914.

[3] ASSUMPÇÃO, Motta. Os Sicários do Jornalismo. P.134-135. Ano: 1923.

[4] NA BARRICADA. Data: 23/09/1915. N.16

[5] MOURA, Maria Lacerda. Civilização: Tronco de Escravos. 1931. P.109. UFCG.

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meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

Pré-venda. Revolta e antipolítica: anarquia! Acácio Augusto.

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R$51,92 – R$84,90

Título: Revolta e antipolítica: anarquia!

Autoria: Acácio Augusto

Prefácio: Camila Jourdan

Posfácio: Facção Fictícia

Orelha: Nilson Oliveira

Página: 200

Formato: 13 x 21 cm

Imagens: 9

Lançamento: 25.09.26

D e s c r i ç ã o

Revolta e antipolítica: anarquia!

Revolta e antipolítica reúne textos escritos ao longo de diferentes anos (entre 2013 e 2023), compondo um panorama crítico das formas contemporâneas de repressão, segurança e resistência política no Brasil e no mundo. A partir de episódios concretos — como a repressão aos aprendizes da Fábrica de Cultura da Brasilândia, a violência policial em manifestações e os desdobramentos de junho de 2013 — o livro analisa como a segurança se tornou a lógica dominante das democracias atuais.

Os ensaios dialogam com autores como Foucault, Proudhon, Bakunin, Camus e Passetti para examinar a centralidade da polícia como tecnologia de governo, os limites da representação política e a transformação da crise em forma de gestão. O livro também discute a emergência de práticas anarquistas hoje: dos black blocs às associações de afinidade, das heterotopias às experiências de autodefesa e autogestão, compreendendo a revolta não como etapa de uma revolução futura, mas como prática cotidiana que recusa as tecnologias contemporâneas de governo.

A obra é particularmente relevante para o debate público de 2026 por tratar de temas que permanecem urgentes: a expansão dos regimes securitários, a naturalização da vigilância, o uso cotidiano da força policial e o esvaziamento das promessas democráticas. Ao mesmo tempo, oferece uma leitura das formas libertárias de vida, destacando como certos gestos — de recusa, de confronto, de invenção —continuam a produzir brechas de liberdade mesmo em contextos marcados pelo controle.

S u m á r i o

prefácio: formas de vida anárquicas (Camila Jourdan)
qual democracia? – sobre como a busca por segurança está solapando a liberdade
lutas anarquistas hoje: entre a utopia e as heterotopias
anarquia contemporânea e cultura libertária: a antipolítica dos anarquistas
a antipolítica em junho de 2013: uma pequena minoria de vândalos
revolta e antipolítica em Bakunin
revoltas: greve geral de 1917 e jornadas de junho de 2013
não temer a ruína: a atualidade da revolução espanhola como prática libertária
cem anos depois: um novo fascismo?
abolir a polícia, uma antipolítica
posfácio: 
contra a polis, contra a política e seus falsos críticos (Facção Fictícia)

Contatooi@crocodilo.press | crocodilo.press

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Morcego em surdina
morde e sopra o velho gato.
Não contava o pulo…

Anibal Beça

[Itália] Reverter a historiografia eurocêntrica. As “mulheres-sombra” etíopes e a luta antifascista na África

Nos jornais burgueses geralmente se lê sobre antifascismo apenas no aniversário de 25 de Abril, data que para nós, almas anárquicas, marca apenas uma vitória parcial na conquista da liberdade. A resistência anarquista fez do antifascismo internacional a sua própria moral. Quando se fala em antifascismo, a memória pública europeia continua a contar uma história incompleta e cômoda demais para as consciências ocidentais. O imaginário dominante situa a luta contra o fascismo quase que exclusivamente entre as montanhas italianas, nas cidades ocupadas da Europa Ocidental ou nas frentes da Segunda Guerra Mundial. Até mesmo as experiências de antimilitarismo popular nascidas no nosso Sul, como as revoltas do movimento “Non si parte” [Não se parte] contra o alistamento forçado, lideradas por Maria Occhipinti em Ragusa em janeiro de 1945 (quando, mesmo grávida, deitou-se diante das rodas de um caminhão militar que estava recrutando jovens à força), acabam relegadas a notas marginais de uma história escrita pelos Estados e pelos exércitos brancos. É uma narrativa parcial, que tende a começar em 1939 e a se concluir com a derrota militar das potências do Eixo em 1945. No entanto, a guerra global contra o fascismo começou bem antes, e um dos seus primeiros, mais importantes e trágicos campos de batalha foi o continente africano.

Em 1935, a invasão italiana da Etiópia representou um divisor de águas histórico. O regime fascista buscava o seu próprio império (assim como as outras potências europeias) através de uma guerra de conquista brutal, fundada no racismo biológico, no expansionismo militar e na pretensa superioridade civilizatória europeia. Aquela agressão não foi uma guerra colonial comum como as do século anterior. Foi a manifestação concreta e moderna do projeto fascista: domínio total, hierarquização racial e militarização da sociedade.

A Etiópia ocupava uma posição simbólica enorme. Junto com a Libéria, era um dos pouquíssimos Estados africanos que haviam preservado a sua independência durante a violenta partilha colonial do continente. Para milhões de africanos e para as populações negras da diáspora, a Etiópia era a prova viva de que a dominação branca não era inevitável. A resistência etíope, frequentemente suprimida pela historiografia europeia, constituiu uma das primeiras grandes experiências de luta armada contra o fascismo. Justamente por isso, o ataque de Mussolini teve uma ressonância dolorosa e enorme para além das fronteiras do Corno de África, mobilizando corações e consciências em todo o mundo.

A guerra de invasão foi caracterizada por uma violência impiedosa. O exército italiano recorreu sistematicamente a bombardeios contra civis e ao uso de armas químicas proibidas pelas convenções internacionais. Gás mostarda e gases tóxicos foram despejados deliberadamente sobre aldeias, cursos d’água, áreas agrícolas e formações da resistência, com efeitos devastadores. As estimativas mais credíveis falam de centenas de milhares de vítimas etíopes durante os anos de ocupação; uma tragédia imensa que ainda hoje ocupa um espaço marginal nos nossos livros de história.

Entre os episódios mais sombrios esteve o massacre de Yekatit 12, em fevereiro de 1937, em Adis Abeba. Após um atentado fracassado contra o vice-rei Rodolfo Graziani, as autoridades coloniais desencadearam uma vingança cega: por três dias, a população civil foi trucidada, bairros inteiros foram devastados e milhares de pessoas foram mortas simplesmente por serem etíopes. A isso se somaram outras chacinas horríveis, como a da gruta de Zeret, onde centenas de resistentes e civis que ali haviam buscado refúgio foram gaseados e massacrados pelas tropas italianas. Esses eventos demonstram que o colonialismo fascista não foi uma administração autoritária paternalista, mas um sistema fundado no terror. O mito consolador dos “italianos boa gente”, enfim, pertence a mentiras nacionalistas, não à realidade da história.

Diante dessa máquina de guerra, a resistência etíope, frequentemente suprimida pela historiografia europeia, constituiu uma das primeiras grandes experiências de luta armada contra o fascismo. Camponeses, comunidades locais, combatentes irregulares e líderes religiosos opuseram uma resistência tenaz. Apesar da disparidade esmagadora de meios, a guerrilha nunca parou, impedindo o regime de consolidar o controle sobre o território.

Enquanto as democracias europeias escolhiam o caminho do apaziguamento e a Sociedade das Nações demonstrava toda a sua impotência diante da agressão — uma impotência que lembra, de forma especular, aquela demonstrada hoje pelas instituições internacionais diante dos massacres contemporâneos em Gaza, no Sudão, em Mianmar —, milhares de africanos já morriam combatendo o fascismo. A guerra da Etiópia foi, em todos os sentidos, o primeiro capítulo da resistência global antifascista.

Nessa luta, um papel fundamental e profundamente humano foi desempenhado pelas mulheres etíopes, demasiadas vezes apagadas. Não foram espectadoras nem figuras de retaguarda. Foram protagonistas ativas: empunharam armas, organizaram redes de apoio logístico, transportaram munições, cuidaram dos feridos, garantiram as ligações clandestinas entre as aldeias e os partisans, escreveram poemas que incentivavam à resistência. Segundo as pesquisas históricas, cerca de um terço dos/das partisans oficialmente reconhecidos/as após a libertação eram mulheres. Algumas assumiram papéis de comando militar, desmontando a ideia de uma guerra totalmente masculina.

Essa memória foi resgatada com força pela literatura contemporânea. No romance O Rei Sombra, de Maaza Mengiste, as “mulheres-sombra” representam justamente aquelas que a história oficial quis empurrar para as margens. Muitas protagonistas da luta antifascista africana foram esquecidas não porque estavam ausentes, mas porque uma historiografia colonial, patriarcal e branca escolheu não contá-las. Para elas, resistir assumia um significado duplo: era luta contra o invasor e contra um sistema que queria impor simultaneamente o domínio colonial e a submissão de gênero. A sua experiência continua sendo uma das primeiras manifestações de um antifascismo capaz de entrelaçar oposição ao racismo, emancipação social e autodeterminação.

Essa diferença de perspectiva é fundamental. Os Estados ocidentais, que mais tarde se apresentariam como os libertadores do mundo do fascismo, continuavam a governar impérios coloniais fundados na exploração e na segregação. Mas para grande parte do mundo colonizado, a luta contra o fascismo e a luta contra o colonialismo eram exatamente a mesma coisa.

Essa contradição explodiu dramaticamente no momento da vitória aliada. Enquanto na Europa se celebrava 1945 como o triunfo da “liberdade”, milhões de pessoas nos territórios coloniais continuavam a sofrer violências, trabalho forçado e negação de direitos civis. A vitória sobre o nazifascismo conferiu às potências europeias uma autoridade moral renovada, permitindo que França, Grã-Bretanha, Bélgica e outras potências vencedoras (ex. EUA) se apresentassem como os “bonzinhos”, defensores da liberdade e da civilização, enquanto continuavam a governar vastos impérios construídos sobre uma violentíssima dominação colonial.

Um caso emblemático ocorreu em 1º de dezembro de 1944 no campo militar de Thiaroye, no Senegal. Os tirailleurs sénégalais (atiradores senegaleses), soldados africanos que haviam combatido na Europa para libertar a França do nazismo, reivindicavam o pagamento das indenizações prometidas. A resposta do exército francês foi a violência militar: os veteranos foram fuzilados a sangue frio, deixando no terreno centenas de mortos (talvez 400). Homens que haviam derrotado o fascismo eram tratados como súditos no momento em que pediam dignidade, simplesmente o seu pagamento, não medalhas coloridas, nem reconhecimentos institucionais.

Poucos meses depois, em 8 de maio de 1945, enquanto as cidades europeias dançavam pelo fim da guerra, nas cidades argelinas de Sétif, Guelma e Kherrata, as manifestações pacíficas que pediam autonomia (movidas também pelo sentimento de “libertação” na Europa) foram reprimidas com sangue pelas autoridades francesas com uma brutalidade inaudita, provocando milhares de mortos. O dia da libertação europeia coincidiu com um dos mais sanguinários massacres coloniais da história na África. Isso deveria nos fazer refletir, não?

O fim da guerra na Europa não marcou, portanto, o fim das estruturas de domínio. As subsequentes guerras de libertação nacional, da Argélia ao Quênia, de Moçambique a Angola, foram a continuação dessa mesma luta contra sistemas que compartilhavam com o fascismo o racismo institucional, a violência militar e o culto à autoridade. O ponto interessante é que não se tratava simplesmente de reivindicar a independência estatal; em muitos casos, emergiam também aspirações sociais radicais, formas de autorganização comunitária e práticas coletivas que colocavam em questão não apenas o colonialismo, mas toda forma de poder autoritário.

De uma perspectiva libertária, essa história evidencia que o antifascismo não pode ser reduzido à defesa de um Estado contra outro. Se o fascismo é a expressão extrema da hierarquia, do nacionalismo e da militarização, então o antifascismo deve necessariamente rejeitar o colonialismo e o racismo em nível global.

Hoje, enquanto nas nossas sociedades reemergem soldados saudosistas de Vannacci e retóricas autoritárias reafloram ciclicamente dos esgotos da história, também o continente africano se vê confrontado com novas formas de autoritarismo, extrativismo e fronteiras militarizadas que separam o Norte e o Sul do mundo. Mas as mobilizações populares, os movimentos juvenis por justiça social e as lutas feministas na África demonstram que essa tradição de resistência não desapareceu. Onde está a nossa solidariedade internacional com eles? Será mesmo possível que tenha sido toda embarcada nas Flotilhas e não reste mais nada?

Lembrar o antifascismo africano significa romper uma narrativa eurocêntrica e falar de uma luta antifascista global que nunca terminou. A liberdade não se comemora em rituais de Estado, é uma prática cotidiana de oposição a toda forma de domínio. Das montanhas etíopes de 1935 às ruas do mundo contemporâneo, a guerra global antifascista e a resistência contra o militarismo, o colonialismo e a exploração devem continuar sob o signo da solidariedade internacional.

Gabriele Cammarata

Fonte: https://umanitanova.org/ribaltare-la-storiografia-eurocentrica-le-donne-ombra-etiopi-e-la-lotta-antifascista-in-africa/

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No ninho do sabiá
há quatro bocas
que não param de piar

Eugénia Tabosa

[Espanha] XVIII Encontro do Livro Anarquista de Salamanca

Nos dias 14 e 15 de agosto de 2026 será realizada uma nova edição do XVIII Encontro do Livro Anarquista de Salamanca. Uma iniciativa que atinge a maioridade, consolidando-se com força como referência para a difusão do pensamento libertário em nosso território.

Mais um ano em que haverá espaço para debates, mesas com editoras e distribuidoras oferecendo textos críticos, livros, folhetos, fanzines, panfletos e revistas. É a vocês que dirigimos este primeiro anúncio: para que possam confirmar sua presença e para que possamos esclarecer quaisquer dúvidas, escrevam para nosso e-mail: encuentrosalamanca@gmail.com

Montar um estande no Encontro do Livro Anarquista de Salamanca não acarreta custos; além disso, disponibilizamos mesas e cadeiras (na medida do possível), que montamos e desmontamos em conjunto com vocês: os participantes e solidários. Como já é habitual, o evento acontece na rua, com sombra, uma fonte e um parque para a diversão dos mais jovens.

Nós os incentivamos a participar desse encontro de companheirismo, confraternização e tanta humildade que, ao longo de todas essas edições, procuramos que ninguém fique indiferente e que vocês tenham a acolhida que merecem.

Publicamos a seguir a programação de atividades do XVIII Encontro do Livro Anarquista de Salamanca, que também pode ser consultada no site oficial do evento.

encuentrosalamanca.blogspot.com

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despedida no parque —
o menino acena
com o chocolate

Odair de Morais

[Portugal] Chamada para a Feira Anarquista do Livro de Lisboa 2026

A Feira Anarquista do Livro de Lisboa volta a 19 e 20 de Setembro na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, na Mouraria, onde reunimos várias pessoas, coletivos, editoras e distribuidoras num espaço de encontro, luta, criação e reflexão coletiva sobre as diferentes formas de expressão do anarquismo.

Aqui, acolhemos todos os mundos e criamos laços e afinidades. Queremos que este seja um espaço que anseia pela libertação social e contra toda e qualquer dominação.

Este ano gostaríamos de dar uma atenção especial ao 90º aniversário da revolução social no território dominado pelo estado espanhol, e fazemos um apelo a conteúdos e iniciativas neste âmbito.

Se gostavas de promover conversas, lançamentos de livros, intervenções artísticas ou ter uma bancas de livros e materiais subversivos, preenche o formulário aqui https://framaforms.org/inscricao-para-feira-anarquista-do-livro-de-lisboa-2026-1783363070

As propostas, sejam de banca ou de actividade, deverão de algum modo estar ligadas aos anarquismos e o prazo de inscrições termina a 15 de agosto.

Se quiseres falar conosco, usa o nosso e-mail (feiranarquistadolivro@riseup.net) ou as nossas redes sociais.

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sombra da luz
na lua e na rua
alvo do lago

Alice Ruiz