[EUA] Trump: “Violência e vandalismo são o trabalho de anarquistas, antifascistas e outros grupos de extrema esquerda”

Ontem (30/05), o presidente americano, Donald Trump, reagiu mais uma vez aos protestos “violentos” nas ruas do país. Segundo o republicano, ele acabará com os atos realizados por “um pequeno grupo de criminosos, vândalos e anarquistas” que “desonram a memória” de George Floyd.

Para Trump, a “violência e vandalismo são o trabalho de anarquistas, antifascistas e outros grupos de extrema esquerda que aterrorizam inocentes, destroem empregos e empresas e queimam prédios e carros da polícia”.

O candidato democrata na corrida à Casa Branca, Joe Biden, também condenou a “violência” no país, em um comunicado, mas enfatizou que “os atos são um direito da população”.

“Protestar contra essa brutalidade é correto e necessário. É uma resposta absolutamente americana, mas inflamar comunidades e destruir desnecessariamente não é”, finalizou.

Fonte: agências de notícias

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/31/procurador-dos-estados-unidos-culpa-anarquistas-por-violencia-em-protestos/

agência de notícias anarquistas-ana

cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede

Procurador dos Estados Unidos culpa anarquistas por violência em protestos

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, afirmou hoje (30/05) que os protestos que se espalham pelo país por causa do assassinato do afro-americano George Floyd durante uma covarde ação policial estão sendo infiltrados por grupos anarquistas e de extrema-esquerda.

Barr declarou ainda que os integrantes desses grupos estariam cometendo “crime federal” por cruzar as divisas dos estados americanos para promover “protestos violentos”.

“Infelizmente, com os tumultos que estão ocorrendo em muitas de nossas cidades em todo o país, as vozes de protestos pacíficos estão sendo sequestradas por violentos elementos radicais”, disse.

“Em muitos lugares, parece que a violência é planejada, organizada e dirigida por grupos anarquistas e de extrema-esquerda, usando táticas da Antifa para promover violência.”

Fonte: agências de notícias

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/30/apos-assassinato-policial-covarde-protestos-se-espalham-pelos-eua/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/29/eua-entre-targets-saqueados-e-trilionarios-solidariedade-com-as-e-os-rebeldes-em-minneapolis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/29/eua-protestos-por-assassinato-de-george-floyd-terminam-em-confrontos/

agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem pára-quedas

João Acuio

 

Após assassinato policial covarde, protestos se espalham pelos EUA

Os protestos contra a violência policial, que vêm transformando Minneapolis em palco de confrontos, se espalharam nesta sexta-feira (29) por dezenas de cidades americanas. A revolta social começou na segunda-feira (25), após a divulgação de um vídeo que mostra o policial Derek Chauvin, que é branco, com o joelho no pescoço de George Floyd, negro – que morreu em seguida, após dar entrada no hospital.

Ontem, Chauvin foi preso e acusado de homicídio culposo, que pode levar a uma pena de até 25 anos de prisão. No vídeo de 10 minutos, gravado por uma testemunha, ele passa pelo menos sete com o joelho no pescoço de Floyd, mesmo após ele dizer que não conseguia respirar. O policial, de 44 anos, foi demitido no dia seguinte – juntamente como outros três colegas que participaram da ação criminosa.

De acordo com a polícia, os quatro foram designados para atender a um chamado em uma loja de conveniência às 20 horas (horário local) de segunda-feira. Floyd teria tentado usar um nota de US$ 20 falsa e resistido à prisão – todas as imagens divulgadas até agora, porém, desmentem a versão dos policiais.

Os protestos começaram quase imediatamente – a testemunha que gravou a abordagem transmitiu a ação ao vivo pelo Facebook. Nas três primeiras noites, os manifestantes incendiaram prédios públicos, queimaram carros da polícia e saquearam lojas. Na madrugada de ontem, colocaram fogo em uma delegacia de Minneapolis.

Manifestações contra a violência policial foram registradas também em outras cidades americanas. Em Nova Iorque, a polícia prendeu 70 pessoas na Union Square. Em Louisville, cidade mais populosa de Kentucky, sete pessoas foram baleadas em um protesto que incluía a morte de Breonna Taylor, uma negra assassinada pela polícia em março.

Em Columbus, a multidão invadiu e depredou o Congresso do Estado de Ohio. Manifestações também foram registradas em Denver, Memphis, Los Angeles, Albuquerque, Portland, Saint Paul – vizinha a Minneapolis, entre outras.

Em meio ao clima de revolta social, o presidente dos EUA, Donald Trump, insultou os manifestantes, chamando-os de “bandidos”, e incentivou o uso da força para conter os protestos. No Twitter, ele postou uma frase usada nos anos 60 por Walter Headley, chefe de polícia de Miami. “Quando saques começarem, os tiros começam”, escreveu o presidente.

Fonte: agências de notícias

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/29/eua-entre-targets-saqueados-e-trilionarios-solidariedade-com-as-e-os-rebeldes-em-minneapolis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/29/eua-protestos-por-assassinato-de-george-floyd-terminam-em-confrontos/

agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.

Alaor Chaves

[Chile] Vingança por George Floyd

O racismo é inerente à polícia e continua ultrapassando fronteiras. Em Minneapolis (EUA) com George Floyd, aqui no $hile com a repressão brutal ao povo Mapuche, com o crime covarde de Joanne Florvill, com o maltrato e discriminação contra a juventude da periferia, com os desaparecimentos de jovens como Jose Huenante, com os “suicídios” nas delegacias. É simples, se você é escurinho e pobre é um alvo para a polícia. E isso muitos de nós vivemos desde criança.

O racismo e a polícia são uma pandemia que segue mais viva do que nunca, combatê-la até extirpá-la é nosso dever.

NENHUMA AGRESSÃO SEM RESPOSTA.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura

agência de notícias anarquistas-ana

Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana

Vídeo | O Que é Propriedade?

Todas estruturas de poder estão fundamentadas em ideologias. Uma crença compartilhada nessa ideologia é o que mantém essas estruturas em pé. Sob o capitalismo, as estruturas de controle social são construídas sobre a ilusão coletiva da propriedade privada e a santidade do chamado “mercado livre”. Qualquer ação exercida para desafiar essa lógica irá portanto provocar a retaliação das apoiadoras doutrinadas do sistema e certamente chamará a atenção dos aparatos repressivos e regenerativos do Estado. Mas como diz o ditado… não dá pra fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos. E certamente não dá pra destruir o capitalismo sem mexer com a propriedade das pessoas.

Então… o que é propriedade mesmo? E o que anarquistas tem contra ela?

>> Veja o vídeo (08:36) aqui:

https://antimidia.noblogs.org/o-que-e-propriedade/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/22/video-o-que-e-autonomia/

agência de notícias anarquistas-ana

Balde d’água
subindo pelo poço.
Dentro uma perereca!

Sonia Mori

[EUA] Entre Targets saqueados e trilionários: solidariedade com as e os rebeldes em Minneapolis

O editorial a seguir analisa a recente Revolta em Minneapolis no contexto tanto da pandemia do COVID-19 como da guerra social geral nos chamados EUA.

Interminavelmente, ouvimos “por que estão eles saqueando e queimando a sua própria comunidade?” Como se por proximidade geográfica, as Targets, Autozones e McDonalds e até mesmo as sagradas pequenas empresas tivessem alguma vez pertencido às e aos trabalhadores e pobres que agora os acendem em chamas. Numa época em que números históricos de desemprego e de disparidade satisfazem os lucros em ascensão das empresas e o advento do primeiro “trilionário”, ouvimos as repreensões e os defensores da ordem presente mobilizando-se para envergonhar aqueles e aquelas que estão reivindicando o seu tempo, o seu trabalho e as suas vidas. Estes recordam-nos que existe uma forma “correta” de fazer as coisas, que há canais e representantes pelos quais temos de passar para procurar justiça. Enquanto isso, as lojas estão ardendo, as pessoas estão fazendo a polícia recuar e estão dançando nas ruas.

A vida de George Floyd foi roubada pela Polícia de Minneapolis. Outro nome numa longa lista de vidas negras que foram interrompidas pela violência policial. Oscar Grant, Mike Brown, Tamir Rice, Eric Garner, Freddie Gray, Sandra Bland, Philando Castela, Marcus David Peters, Breonna Taylor… todas as cidades têm a sua lista. No entanto, continua a acontecer. O script é sempre repetido, desgastando as pessoas, re-traumatizando famílias e comunidades e, no final de contas, deixando as instituições e forças policiais que o perpetuam no mesmo lugar onde estão — com pequenas reformas, na melhor das hipóteses. Como aconteceu em Ferguson, Baltimore, Charlotte e em outros lugares, desta vez as pessoas decidiram inverter o script.

Vemos imagens de carros da polícia queimados e esmagados, linhas de polícias de choque, gás lacrimogêneo, transmissões ao vivo instáveis e pessoas sangrando de ferimentos por munições policiais, um espetáculo que é ao mesmo tempo horrível e aterrorizante, de partir o coração, ultrajante, mas também há um vislumbre de outra coisa. Apesar da tristeza de grande parte disto, vemos enormes sorrisos no rosto das pessoas à medida que elas se observam fazendo coisas que nunca pensaram que poderiam fazer. O caminho a que as suas vidas estão amarradas todos os dias é interrompido e surgem espaços a partir dos quais podem realmente fazer qualquer coisa.

Os escâneres da polícia gritam “precisamos de reforços”, “estamos ficando sem gás lacrimogêneo”, “estamos recuando”, “perdemos o controle”. Os agentes da ordem, que assumimos serem invencíveis e onipotentes, estão em retirada. Conscientemente ou não, as linhas imaginárias das leis e do Estado são apagadas e as relações de propriedade quebram-se. Tudo para todos. A realidade é despojada à sua forma mais simples e a linha é clara: é toda a gente contra os policiais, os proprietários, os diretores e os líderes. O saque torna-se a recuperação das nossas vidas e do nosso tempo e um edifício em chamas torna-se uma fogueira.

Num momento em que o desemprego pode muito bem subir até 25%, muitos dos e das nossas amigas estão agora com receio em relação de como vão pagar o aluguel, comprar alimentos ou manter as luzes acesas. As leis e os pacotes econômicos passados pelos partidos do governo são falados como se fossem um bote salva-vidas, quando a realidade é que eles não passam de um incentivo para a classe proprietária e para os senhorios. Agora estão nos chamando para voltar ao trabalho, para sermos pagos 10$/h para jogar roleta russa com uma pandemia que só neste país já reclamou 100 mil almas. Dizem-nos que devemos estar gratos pelos restos que nos lançaram, jogando com a generosidade de cheques de $1.200 e pagamentos de seguro de desemprego irregular. Mas basta olhar para as letras pequenas para ver que o que foi dado aos pobres e trabalhadores deste país é uma fração dos resgates e pagamentos feitos para manter os níveis da bolsa de valores subindo e as corporações que confortavelmente dominam as nossas vidas. Mal podemos dormir estando preocupados e preocupadas em sermos despejadas, enquanto o Jeff Bezos [presidente da Amazon] está se tornando o primeiro “trilionário” do mundo.

E esperam que nos sintamos indignados com uma loja Target [rede varejista] saqueada.      

Para todos e todas que percebem a sua demanda histórica seja através de uma pedra atirada à cabeça de um policial, uma TV retirada pela porta da frente, ou de grafites espalhados, vocês nos dão esperança de que as coisas não precisam de ser assim. Mesmo quando eles telefonam freneticamente para a Guarda Nacional, o que vocês fizeram foi iluminar um caminho em frente. A ordem das coisas está nos esmagando. Os nossos empregos estão desaparecendo, estão nos pagando uma ninharia para jogar nossas vidas para um ossário, estão matando os indisciplinados nas ruas e roubando a vida de pessoas negras em vídeo para todo o mundo ver. Este é um mundo que temos de recusar porque nunca deu nada para nós. Este é um mundo que devemos destruir.

O novo mundo luta para nascer, tentando abrir o seu caminho através do tempo e espaço para o nosso momento presente.

Lembramo-nos de Marcus David Peters.

E lembramo-nos do George Floyd.

De Richmond a Minneapolis, foda-se a polícia!

Fonte: https://itsgoingdown.org/between-looted-targets-trillionaires/

Tradução > Ananás

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/29/eua-protestos-por-assassinato-de-george-floyd-terminam-em-confrontos/

agência de notícias anarquistas-ana

Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

[Equador] Contra o novo “pacote” deste governo explorador e assassino, façamos uma nova revolta proletária!

O novo “pacote” do governo já é um fato neste país: redução dos salários e da jornada de trabalho, demissões massivas, corte das verbas para a educação e a saúde, privatizações, e aumento do preço da gasolina, e consequentemente, de todos os produtos da cesta básica. Tudo isto, em meio da atual crise sanitária e econômica. Portanto, as pessoas à pé que se não trabalham não comem (a maioria da população) deveriam levantar-se contra estas medidas tal como o fez em outubro. Sim: deveríamos fazer uma nova revolta, gente, porque estas medidas são piores que as de outubro: nos precarizam e empobrecem ainda mais do que já estamos, enquanto os empresários e seus políticos seguem acumulando mais riqueza e poder as custas de nossa exploração e dominação, quer dizer, as custas de nos roubar, nos enganar e nos reprimir.

É mais, tudo o que fez este governo empresarial, mafioso e assassino de Moreno-Sonnenholzner-Martínez-Roldán-Romo-Jarrín durante os últimos meses, aproveitando-se da pandemia e da quarentena obrigatória, é muito pior e condenável do que o que fez em outubro (milhares de contagiados, mortos, presos e despedidos). Por isso mesmo, nas últimas semanas e dias, nossa classe trabalhadora (que inclui os informais e os desempregados) já reagiu protestando nas ruas, apesar do coronavírus e da ditadura sanitária imposta pelo Estado. E o mais provável é que continue protestando nos próximos dias e semanas, como deve ser. Mas não se sabe até quando nem até onde.

No caso de acontecer uma nova revolta neste país, é possível que, assim como na Revolta de Outubro do ano passado se lutou pela revogação do Decreto Executivo 883, desta vez se lute pela revogação dos Decretos Executivos 1053 e 1054. Todas as esquerdas daqui, ou a maioria delas, estarão de acordo com isso. No entanto, desta vez não nos conformaremos com migalhas legais e institucionais, gente. Isso foi e já seria uma derrota, ainda que pareça o contrário. Quer dizer, não há como nos conformarmos em lutar pela “inconstitucionalidade” de tais leis nem fantasiar com eleições presidenciais e um “governo obreiro, camponês, indígena e popular”, como o fazem as organizações da esquerda do Capital. Porque as leis, as eleições e as instituições são armas do Estado dos ricos e poderosos contra nós os explorados e oprimidos. Não se pode combater e destruir este sistema em seu terreno e com suas próprias armas. Isso é “dar mais poder ao Poder”. Pelo contrário, há que tornar real aquele lema que se escutou nos últimos protestos: “com a força dos trabalhadores, romper as leis dos exploradores”, e romper todo seu poder econômico, político, militar, midiático e ideológico.

As revoltas proletárias devem criticar-se a si mesmas, aprender com seus próprios erros, tensionar e superar suas próprias contradições, para não ficarem presas no terreno da classe exploradora e dominante, mas para romper com a ordem estabelecida e transformar-se na revolução social que hoje em dia é mais necessária e urgente do que nunca, dada a atual crise total do sistema capitalista que está destruindo a humanidade e a natureza. A revolução social, não para pôr no poder nenhum partido político de esquerda, mas para defender e regenerar a Vida mesma que hoje está em risco.

Claro que para conquistar algo assim há que começar lutando por umas demandas mínimas (de trabalho, saúde, moradia, educação, tempo livre) e com um mínimo de auto-organização coletiva (da biossegurança, da alimentação, do transporte, da comunicação e da autodefesa). Mas também há que ir mais além disto: há que superar os próprios limites da revolta. Ao fim e ao cabo, a revolução é a generalização e radicalização de todas as reivindicações ou necessidades dos explorados e oprimidos para deixar de sê-lo. E a organização é a organização das tarefas que esta luta de classes para abolir a sociedade de classes exige. Na qual, o apoio mútuo e a solidariedade foram, são e serão nossas melhores armas.

Então, se saímos para protestar nas ruas apesar do risco de contágio, o toque de recolher e a ameaça de repressão legal por parte do governo, que não só seja por raiva, fome, desespero e com a Revolta de Outubro na memória (o qual é totalmente legítimo e valioso). Saiamos para protestar nas ruas com algumas ideias claras e autocríticas, gente: não lutemos por essas migalhas democráticas do Estado dos ricos e poderosos chamadas “direitos”, nem tampouco como rebanhos de nenhum partido nem sindicato de esquerda que diga ser nosso “líder e salvador”. Lutemos com cabeça e mãos próprias como os ninguém que queremos tudo. Porque os ninguém, quer dizer, os proletários e as proletárias, produzimos tudo o que existe e, portanto, podemos destruir tudo (as ruínas não nos dão medo) e podemos criar algo totalmente novo e melhor que o destruído, por e para nós mesmos, sem necessidade de chefes, representantes nem intermediários.

Tudo isto, não é uma questão de ideologia política, é uma questão de vida ou morte nestes tempos de crise econômica, sanitária, ecológica e civilizatória. Cedo ou tarde, até os “apolíticos” e “neutros” que se creem “classe média” sairão para protestar nas ruas por esta razão. Tudo o dito aqui, ademais, se aplica não só para o Equador e para a conjuntura local que está se abrindo, mas para todo o mundo (desde o Chile até a China) e para toda esta época. Pelo qual, fazemos um chamado a desatar a revolta proletária sem volta atrás aqui e em todas as partes.

ABAIXO O PACOTE, O GOVERNO, O CAPITAL E O ESTADO!

NÃO LUTEMOS POR MIGALHAS NEM PACTOS!

LUTEMOS SEM CHEFES, REPRESENTANTES NEM INTERMEDIÁRIOS!

CONTRA A EXPLORAÇÃO E A MORTE, VAMOS PELA VIDA!

A REVOLUÇÃO É A VIDA!

Uns proletários irritados da região equatoriana

Pela revolução comunista e anárquica mundial

Quito, 25 de maio de 2020

Fonte: https://proletariosrevolucionarios.blogspot.com/2020/05/contra-el-nuevo-paquetazo-de-este.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

casca oca
a cigarra
cantou-se toda

Matsuo Bashô

[França] A soma da nossa fúria. Construir nossa força, derrubar o capitalismo.

Nossa fúria não está fadada a morrer em buscas vãs, mesmo que façam tudo para que isso aconteça. Vamos cultivar a nossa fúria, adicionar sua força e atacar.

Nos vinte anos anteriores à pandemia de coronavírus, os ultra-liberais da direita e da esquerda que subiram ao poder destruíram sistematicamente o hospital público, fechando dezenas de milhares de leitos, serviços de reanimação e de UTI, mesmo que todos os relatórios sobre risco pandêmico recomendassem o contrário [1]: leitos, respiradores, máscaras, profissionais qualificados e formados… Os ultra-liberais agiram com pleno conhecimento das consequências de suas decisões: milhares de mortes que seriam facilmente evitáveis… Em Grand Est, uma das regiões mais afetadas pela Covid-19, foi onde houve o maior número de fechamento de leitos e serviços de reanimação durante esses anos [2]. Na França, foram 100.000 leitos fechados em 20 anos…

Nesses anos, a pesquisa e a universidade foram atacadas por reformas neoliberais que tiveram um sério impacto nos estudos sobre os coronavírus, fazendo atrasar anos de pesquisa dessa família de vírus… [3]. Mais uma vez, mais mortes…

Esses criminosos liberais da direita e da esquerda também não consideraram útil renovar o estoque necessário de máscaras FFP2, ao mesmo tempo em que aumentavam o orçamento do exército e da defesa… Nós sabemos qual foi a consequência: milhares de contaminações que poderiam ter sido facilmente evitadas, e, como também dezenas de mortes…

Mesmo entre dezembro de 2019 e março de 2020, quando a ameaça da pandemia se tornou mais clara e eles foram informados [4], o governo Macron não fez nada para adquirir máscaras, respiradores e leitos, nem o recrutamento de profissionais de saúde para evitar a triagem de pacientes em reanimação, o que ainda poderia ter evitado muitas mortes…

Quando a pandemia começou a se espalhar, o governo, muito ocupado destruindo a [reforma] da aposentadoria dos trabalhadores, não achou oportuno tomar ações rápidas, manteve eleições e reuniões perigosas, até pedindo para que as pessoas se reunissem em pleno crescimento da epidemia [5]…

Quando a pandemia começou a se espalhar, o governo e seu “conselho científico” de fantoches e servos argumentaram que as máscaras eram inúteis ou até perigosas e desaconselhavam o uso delas pela população, contra a recomendação da esmagadora maioria de organismos científicos internacionais… isso porque eles ainda não tinham feito um estoque, mentindo deliberadamente, preferindo pôr em perigo a população do que admitir sua total ineficiência na aquisição preventiva de máscaras…

O governo não fez nada para multiplicar o rastreamento e acompanhamento dos casos da Covid-19 e de seus contatos no início da epidemia, em um momento em que seria necessário poucas ações para prevenir ou retardar significativamente a disseminação, apesar de todas as recomendações urgentes da OMS… Até o momento, em pleno “desconfinamento” autoritário, ainda não existe uma política sistemática de acompanhamento, que permitiu a muitos países reduzir drasticamente a contaminação… Novamente muitas outras mortes evitáveis…

Quando o governo finalmente decidiu agir, foi instituído um confinamento autoritário, confinando os doentes com suas famílias, o que favoreceu a continuação do contágio, em vez de colocar em quarentena com base em testes para rastrear os infectados e seus contatos. O governo mandou a polícia para as ruas, distribuindo as multas sobretudo na periferia de Paris, no 93, policiais que fiscalizavam sem máscara milhares de pessoas cujas vidas estavam em perigo. Com a duração do confinamento, 10 pessoas morreram como resultado de ações policiais [6], perpetuando a eliminação social republicana de pessoas negras: todas as vítimas vieram de bairros da classe trabalhadora e de populações sistematicamente discriminadas; sem contar os vários feridos graves pela polícia, violência gratuita e insultos racistas…

Quando o pico da epidemia se aproximou, diante da saturação dos serviços de reanimação, o governo divulgou guias através dos ARS, de “sociedades instruídas” e “recomendações éticas” para classificar aqueles que iriam viver e aqueles que iriam morrer, com bases eugenistas, interesses específicos e discriminatórios em relação a idosos e deficientes, sistematicamente privados do direito à reanimação. O governo incentivou a prestação de cuidados paliativos sem hospitalização em casa ou em lares de idosos para milhares de pessoas resgatadas, enquanto recusava testes post-morte que poderiam ter permitido aos familiares das vítimas processar e obter indenização…

As empresas privadas de Ehpad que obtêm lucros milagrosos nas costas dos idosos não têm nada para lidar com a pandemia, deixando a equipe e os moradores sem proteção, sem fazer testes com os residentes e cuidadores, administrando o crescimento das mortes com muita falta de transparência…

Os membros do governo e parte do “conselho científico” sempre acreditaram que a “solução” da crise viria da crença criminal de imunidade coletiva, mesmo sabendo que era loucura, supostamente esperando centenas de milhares de mortes, por um resultado puramente hipotético [7]. Nesta perspectiva, não era realmente necessário lutar contra a propagação da epidemia, mas, pelo contrário, favorecê-la… dezenas de mortes por causa dessa crença em uma teoria abertamente eugenista por meio de escolhas políticas…

O governo se recusou, assim, a suspender todas as atividades não essenciais, favorecendo a continuação de contaminações facilmente evitáveis, novamente com uma escolha puramente capitalista. Não fechou o transporte público nem tornou obrigatório o uso de máscara, causando novas contaminações e, novamente, muitas mortes… Por outro lado, em seu comando autoritário, proibiu caminhadas nas florestas, montanha ou beira-mar, conforme autorizado por vários países que não confinaram toda a população e reduziram drasticamente as contaminações com sucesso.

O confinamento autoritário atingiu com força total as populações mais precárias: não há medidas para abrigar os sem-teto, confinados nas ruas; uma obstinação em prender migrantes sem documentos em centros de detenção administrativa, superlotação das prisões, fechamento do acesso público à água e aos banheiros para as pessoas deixadas nas ruas, estigmatização dos bairros da classe trabalhadora.

Além disso, todas as medidas destrutivas dos direitos trabalhistas, prolongamento do horário de trabalho, violação de feriados remunerados, propostas ofensivas de pedir aos trabalhadores que cedam seus direitos de férias aos profissionais de saúde, primeiros anúncios de demissões, manutenção do pagamento de dividendos aos acionistas, “presentes” aos empregadores aumentando o déficit da previdência social, todas as medidas tirando proveito de uma pandemia para atacar os trabalhadores…

Contra a recomendação do seu próprio conselho científico, e com o único objetivo de liberar os pais de suas obrigações familiares para enviá-los de volta ao trabalho para a recuperação dos lucros do capital, o governo ordenou a reabertura de escolas, enquanto todos os países que foram severamente afetados pela pandemia adiaram qualquer retorno até setembro. Mais uma vez, as contaminações levarão a mortes evitáveis, para grande satisfação do ministro da Educação social-darwinista, Blanquer, que apoia a “imunidade da maioria”…

Por outro lado, a pandemia foi a ocasião de uma aceleração da ordem totalitária em direção a um Estado policial completo: implantação de drones policiais, projeto de rastreamento de populações, controle policial da expressão pública e lei de censura policial “Avia”, aumento mortal da população negra, distribuição de multas nas periferias por meio do sistema de vídeo-vigilância, poderes policiais concedidos a guardas e milícias privadas, extensão de detenção preventiva, detecção automática do uso de máscaras no metrô via câmeras “inteligentes”, aceleração do estabelecimento do “Health Data Hub” e divulgação de nossos dados de saúde [8], proibição de manifestações ao ar livre mesmo durante o “desconfinamento”, enquanto permite aglomeração viral de trabalhadores no metrô…

Desconfinamento somente para as “necessidades” do capital, proibindo testagem nas empresas, sem máscaras de FFP2 para toda a população, reabrindo atividades não essenciais, reabrindo escolas e transportes públicos, mesmo que o número diário de mortes permanecendo alto, o governo criou todas as condições favoráveis a uma segunda onda epidêmica, a uma nova saturação dos serviços de reanimação e a uma nova triagem dos pacientes, e a novas mortes em massa…

Não apenas devemos nos livrar desse governo criminoso e fascista o mais rápido possível, mas, ao mesmo tempo, destruir permanentemente o capitalismo que destrói nossas vidas e cria as condições para a reprodução de epidemias, destruindo o planeta e a biodiversidade. E reconstruir toda a sociedade com base na autodeterminação total, na solidariedade e na emancipação geral.

Leia o manifesto: https://paris-luttes.info/covid-19-non-au-darwinisme-social-13890

Assine a petição: https://www.change.org/p/non-au-darwinisme-social-et-au-tri-eug%C3%A9nique-par-manque-de-lits-et-de-respirateurs

Notas

[1] https://www.facebook.com/groups/591274398144542/permalink/602371263701522/ et https://www.facebook.com/groups/591274398144542/permalink/598003234138325/

[2] https://mobile.francetvinfo.fr/replay-jt/france-2/20-heures/video-la-region-grand-est-la-plus-touchee-par-la-fermeture-des-services-de-reanimation_3959743.html

[3] https://basse-chaine.info/?Le-Coronavirus-expose-au-grand-jour-le-scandale-du-financement-bureaucratique-303&fbclid=IwAR3w2m_U0OfXeWpFCr6WeMGsAy-jyiVVD_t2lcQS0VC9Yxnn2kP-Mw5j0e8

[4] https://www.midilibre.fr/2020/05/06/coronavirus-macron-savait-des-decembre-affirme-le-canard-enchaine,8875948.php

[5] https://www.youtube.com/watch?v=9fB35Do68eM... Cette lenteur insupportable a tué, par dizaines

[6] https://came2016.wordpress.com/2020/05/07/neufs-personnes-mortes-suite-a-lintervention-de-la-police-pendant-le-confinement-en-france/

[7] https://www.monde-diplomatique.fr/2020/04/BOURGERON/61622

[8] https://www.mediapart.fr/journal/france/080520/la-cnil-s-inquiete-d-un-possible-transfert-de-nos-donnees-de-sante-aux-etats-unis

Fonte: https://paris-luttes.info/la-somme-de-nos-coleres-construire-14027?lang=fr

Tradução > Estrela

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

[Itália] Pandemia rima com polícia

A pequena experiência repressiva vivida em Trieste por cinco camaradas do Grupo Germinal confirma as avaliações históricas e as intuições políticas do anarquismo: o Estado é o problema e não a solução.

O fato é muito simples. No dia 1º de Maio eles queriam lembrar com uma flor e um sinal os catorze trabalhadores mortos na cidade em 1902, durante a primeira greve geral. O Estado, então austríaco, respondeu com terror à luta de um proletariado multi-étnico rebelde.

Respeitando o cuidado com a saúde e não subestimando os riscos do vírus, os camaradas desafiaram o toque de recolher do 1º de Maio imposto às iniciativas públicas e a amordaçada da liberdade de comunicação. Em Trieste e arredores, o 1º de Maio ainda é muito sentido e a cada ano milhares de trabalhadores e cidadãos são envolvidos nos grandes desfiles e encontros de socialização. O desaparecimento do PCI [partido comunista italiano], que antes controlava a situação, também permitiu que os libertários estivessem presentes de forma evidente e estabelecessem contatos lucrativos com muitos camaradas potenciais, além de espalhar centenas de exemplares do jornal Germinal.

Desta vez foi medido com uma lógica autoritária sem precedentes em seu tamanho e dureza. A “guerra ao vírus”, imposta em toda a Itália, tem justificado o ataque direto contra todas as formas de protesto social e a afirmação do direito natural à livre expressão. A prisão nos lares, imposta com propaganda inédita, tem levado à exclusão do contato com outras pessoas apresentadas como perigosas e causas prováveis de doenças graves e morte.

O sistema dominante tem mostrado que a busca institucional para remediar as desastrosas condições de saúde (como vítimas conhecidas de décadas de cortes e privatizações) deu lugar ao esforço obsessivo de intensificar as práticas e estruturas repressivas. O Estado mobilizou todas as forças armadas e testou novos métodos tecnológicos: desde helicópteros de última geração até drones ainda pouco conhecidos do público em geral. As imagens dos postos de controle com soldados em trajes camuflados equipados com metralhadoras, a estreita cooperação da polícia, ou melhor, da polícia, com os soldados de cada arma, a obstinação em deter qualquer suspeita de desobediência às disposições draconianas, conseguiram comunicar à população um sentimento de medo extremo e de verdadeira angústia generalizada.

Neste contexto, a discrição do policial individual que poderia parar e multar fortemente ou deixar passar o indivíduo que considerava suspeito de “astúcia” (uma categoria tão hipócrita como sempre) constituiu mais um elemento de inferioridade. Aqueles que decidiram deixar você passar ou não exerceram um poder obviamente arbitrário, interpretando e aplicando uma série de regras que na maioria das vezes eram confusas e contraditórias. Em suma, no microcosmo de uma rua, pode-se apreciar um fenômeno constitucionalmente extraordinário: a fusão do poder legislativo, administrativo e quase judicial.

Em termos de propaganda, apoio fundamental da força bruta, o Estado e seus aliados quiseram imitar o próprio estado de guerra, difundindo a visão do vírus como um “inimigo” a ser destruído por todos os meios para a “salvação da pátria”. Esta manobra de desvio serviu sobretudo para nos fazer esquecer que as consequências desastrosas da pandemia derivam diretamente da insuficiência, em vários casos até mesmo da inexistência, de um sistema de saúde até as necessidades evidentes.

O modelo institucional da emergência, já lançado não há muito tempo sob o pretexto do terrorismo nacional ou internacional, passou por dados estatísticos sobre as vítimas oferecidos como autênticos boletins de guerra. Como “o inimigo está às portas” foi necessário evitar qualquer controvérsia e colaborar com o estado militarizado. Os tricolores úteis e o horrível hino nacional reforçaram um espírito de quartel sitiado e causaram consequências devastadoras para a coesão social: o bom cidadão teve que se tornar um denunciante obsessivo e, infelizmente, houve muitos casos de pessoas frustradas e subordinadas que assumiram esse papel às vezes com satisfação perversa.

Nestes tempos difíceis, o princípio de referência institucional, tanto teórico quanto prático, era o típico de todo exército: “As ordens não são debatidas, elas são executadas!” As sanções que naturalmente acompanharam essas escolhas autoritárias foram, sobretudo no início, realmente pesadas: a prisão estava prevista, no início, para sujeitos “antissociais”. Paradoxalmente, o Estado adotou um slogan típico dos grupos armados dos anos setenta: “Acerte um para educar cem”.

Apenas a impossibilidade prática de as instituições, em especial o Judiciário, arcarem com o ônus das possíveis consequências de tais medidas inflexíveis aconselhadas a desviar a repressão para sanções administrativas. Isso tem enganado as instituições governamentais em termos de arrecadação de receitas financeiras substanciais, recuperando os subsídios, muitas vezes incertos e atrasados, dado para evitar a explosão de revoltas generalizadas de grupos sociais reduzidos à fome pela perda de trabalho.

Como os cidadãos eram considerados incapazes de compreender a seriedade do estado de saúde, o caminho escolhido pelo poder foi o de impor obediência cega e resignação a ser conduzido como um rebanho. Deixar-se manejar pelo topo deve ter sido o comportamento mais “responsável” para quem está na base da pirâmide social e política. Aqueles que conseguiram manter uma capacidade mínima de análise puderam ver como foi aplicado um emaranhado de violência legalizada e engano comunicativo. Assim, os profissionais de saúde, muitas vezes deixados sem a menor proteção à mercê do contágio, foram rotulados como “heróis” para ocultar as gravíssimas ineficiências dos serviços de saúde.

Nestes últimos dias, as promessas de incríveis somas de bilhões que, segundo o governo, estão prontas para serem doadas e investidas devem demonstrar os esforços dos responsáveis para resolver os problemas mais urgentes. A questão de como o Estado e as regiões serão capazes de recuperar essas enormes quantias de recursos para fazer face às despesas continua sem solução. Pode-se esperar logicamente novos impostos sobre funcionários e pensionistas, categorias que sempre, e inevitavelmente, suportaram a carga tributária, enquanto as classes privilegiadas serão favorecidas ainda mais de acordo com as exigências dos patrões e dos altos burocratas.

Certamente não haverá redução nos gastos militares, que é um terreno precioso para a especulação econômica e a militarização. Também em vista de possíveis protestos em massa de classes sociais ainda mais debilitadas após essas semanas de substancial passividade. Eventos recentes de prisões e acusações, mais uma vez por “terrorismo”, indicam um método dirigido à prevenção da insubordinação ligada aos próximos conflitos, que colocaria em risco o controle institucional. Não é coincidência que pandemia e polícia sejam palavras que andem lado a lado.

Claudio Venza

Fonte: https://www.umanitanova.org/?p=12198

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

passeio de madrugada
os meus sapatos
empapados de orvalho

Rogério Martins

[Austrália] Agora não é o momento para concessões, é o momento do pensamento utópico

Por Collective Action| 11/05/2020

Com os dois principais partidos lutando para se posicionarem como os mais responsáveis tributariamente, devemos rejeitar incondicionalmente a premissa de austeridade neoliberal e sonhar com um mundo novo.

Como explicou o sempre inspirador Arundhati Roy, a pandemia do Coronavírus é um portal onde do outro lado nos espera um novo mundo, que é limitado apenas pela nossa imaginação. À medida que aumentam os apelos para “retornar à normalidade”, devemos questionar o que era normal e rejeitar o desejo de simplesmente voltar às condições anteriores.

A normalidade era a colonização em curso das terras das Primeiras Nações (povos indígenas da América do Norte). Eram as mortes dos aborígenes e populações das ilhas do estreito de Torres detidas. Eram as prisões crescentes, com mais pessoas trancadas em jaulas. Eram os centros de detenção improvisados em hotéis suburbanos, porque os outros centros de detenção modelados nas prisões estão transbordando. A normalidade era, e ainda é, políticos dos dois principais partidos fazendo de bodes expiatórios pessoas racializadas e trabalhadores migrantes para obter capital político, ignorando as consequências. A normalidade foi o ressurgimento da ideologia supremacista branca no mainstream.

A normalidade era o aumento da desigualdade, impulsionada por um mercado imobiliário financeirizado. Era haver mais casas vazias do que pessoas sem casa. Era uma precariedade sistemática para os e as trabalhadoras por meio do aumento da precarização e da dependência absoluta de alguns trabalhadores na chamada gig economy (trabalhos temporários e flexíveis). O normal eram centenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores desempregados vivendo abaixo do limiar da pobreza. Eram milhões de idosos australianos, pessoas com deficiência e os seus e suas prestadoras de cuidados receberem pagamentos abaixo do limite da pobreza, muitas vezes forçando-as a escolher entre comida, aluguel ou medicação.

A normalidade era a ocorrência generalizada de violência familiar, em grande parte perpetrada por homens, o que só cresce nas circunstâncias atuais. Era a ocorrência semanal de uma mulher ser assassinada pelo seu atual ou ex-parceiro. Eram os ataques contínuos contra pessoas LGBTQ que enfrentam assédio regular nas ruas e pela polícia. A normalidade era a dizimação acelerada do nosso planeta e ambiente. A estação mais quente, mais seca e mais perigosa que experienciamos.

Para evitar o retorno ao normal, precisamos rejeitar inequivocamente propostas de partidos políticos que se concentram na austeridade e em soluções neoliberais. Devemos imaginar um mundo construído sobre a crença fundamental do apoio mútuo e da solidariedade. Neste continente, deve começar com um profundo entendimento e um firme compromisso com a descolonização. Exemplos recentes da importância dos serviços de saúde controlados pela comunidade aborígene e de soluções anticarcerárias autônomas descrevem a importância das iniciativas lideradas pelos aborígenes e pelas pessoas das ilhas do estreito de Torres. Através do processo de descolonização, devemos desmantelar as estruturas de supremacia branca que mantêm a atual sociedade de colonos para criar um mundo sem racismo e estruturas de poder opressivas. 

Devemos imaginar um mundo sem prisões, centros de detenção ou gaiolas de qualquer tipo. Um mundo que abole o cis hétero patriarcado que continua a oprimir e assassinar mulheres, pessoas não binárias e trans. Devemos imaginar um mundo em que a habitação não seja controlada pelo capricho dos especuladores financeiros, mas seja fornecida a todas e todos. Um mundo em que todos e todas as que desejam trabalhar podem trabalhar de forma protegida e segura em direção a um futuro ecologicamente sustentável. Um mundo que tenha as suas bases enraizadas na justiça climática, fornecendo soluções sustentáveis para o atual desastre ecológico e que centre o papel dos grupos climáticos liderados por indígenas. Um mundo que remove hierarquias e assimetrias de poder estabelecidas para um mundo organizado horizontalmente com base no apoio mútuo e na solidariedade.

O nosso futuro não é pré-determinado, não estamos presos à política convencional de austeridade e empresarialização. No entanto, não podemos simplesmente sonhar com o nosso futuro utópico, temos de agir. Devemos organizar-nos com as nossas comunidades locais, sejam elas redes de apoio mútuo recém-estabelecidas, grupos comunitários existentes, organizações religiosas, grupos ativistas ou simplesmente nossos e nossas amigas, familiares, vizinhas e colegas de trabalho. A organização é essencial para alcançar os objetivos que queremos, mas não devemos limitar a nossa imaginação do que é possível.

Agora é a hora de ser utópico, discutir com aqueles e aquelas na tua vida como pode ser um mundo que verdadeiramente inspira a lutar. Embora não seja seguro organizar pessoalmente no momento, é uma oportunidade de estabelecer conexões com os grupos e organizações locais. Uma lista de redes de apoio mútuo pode ser encontrada aqui¹, junta-te ao teu grupo local e inicia uma conversa. Se houver outros grupos ou organizações comunitárias na tua área que já estejam envolvidos na organização comunitária, entra em contato com elas e expressa o teu interesse. Se não encontrares um grupo na tua área, considera juntar-te à filial local do Sindicato dos Trabalhadores Desempregados da Austrália, à filial local da IWW, a grupos de discussão públicos ou entra em contato conosco para saber se conhecemos grupos na tua área. Estarmos conectados e conectadas permite-nos sonhar coletivamente com o mundo que merecemos, o mundo que devemos criar antes de nos organizarmos e lutarmos por ele.

O Collective Action é um grupo anarquista sediado em Melbourne, na Austrália.

[1] https://docs.google.com/spreadsheets/d/1J7bjI-2bD4zpvpQM3v1QB9dlbbUgPErnn-JjBq4NrNs/edit?usp=sharing

Fonte: http://www.collectiveaction.org.au/2020/05/11/now-is-not-the-time-for-concessions-its-the-time-for-utopian-thinking/

Tradução > Ananás

agência de notícias anarquistas-ana

pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

[Mianmar] Isso não é por caridade ou para levar bom karma para a próxima vida

Nosso objetivo do Food Not Bombs (Comida Sim Bombas Não) é espalhar a paz através do reconhecimento da comida como um direito humano e em ações não violentas contra todas as guerras. Nosso slogan indica a sinceridade e a natureza simples de nossa luta: “Queremos apenas comida, não bombas”.

Protestamos toda a guerra contra a humanidade. Reconhecemos que nós todos estamos encontrando soluções para alimentos e abrigo todos os dias, à nossa maneira. A comida é inegavelmente a coisa mais importante de todas. É nosso direito ter comida suficiente e a fome é desnecessária. Alguns estão vivendo a vida luxuosamente, enquanto outros estão em constante luta por comida. Mais dificuldades surgirão durante esta pandemia do Covid-19. É uma vergonha ver metralhadoras privando a humanidade nestes tempos difíceis.

A responsabilidade de compartilhar alimentos não deve recair sobre os ombros das pessoas comuns. O governo deve mudar seu foco para a comida e o sustento da vida, em vez de armas e munições que fazem o oposto. Não haveria necessidade de estarmos nas ruas compartilhando comida se pessoas responsáveis assumissem a responsabilidade.

Enquanto estivermos presos em um ciclo de governança ignorante, os punks ainda estarão nas ruas compartilhando comida, conhecimento e uma compartilhada crença na paz. Que sempre continue a existir humanidade contra a guerra.

Food Not Bombs no distrito de Dala.

Food Not Bombs Mianmar

Tradução > A. Padalecki

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/22/mianmar-visitamos-a-casa-da-avo-san-yee/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/mianmar-movimento-food-not-bombs-para-pessoas-necessitadas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/15/mianmar-movimento-food-not-bombs-distribui-alimentos-e-outros-itens-no-distrito-de-dagon-seikkan/

agência de notícias anarquistas-ana

Bolhas de sabão
sopradas no ar da manhã
exalam arco-íris.

Ronaldo Bomfim

O Conselho Federal da Federação Obreira Regional Argentina em um novo Aniversário da F.O.R.A

O 25 de maio é a data na qual se festeja um novo aniversário, um ano mais de luta da Federação Obreira Regional Argentina.

Um feriado onde os trabalhadores, faz 119 anos, aproveitaram para fundar a primeira organização obreira da região argentina. Desde um primeiro momento a F.O.R.A. soube organizar o movimento obreiro da região Argentina, e lutar pelas melhoras laborais, como pela construção ideológica daqueles que se filiavam.

A perseguição à federação se fez ver em todas as suas formas, repressão, deportação, encarceramento, tortura, assassinatos, e inclusive um golpe militar que entre todas as suas intenções se encontrava a de desarmar o movimento obreiro organizado com uma finalidade ideológica. Nada mais perigoso que um movimento consciente e decidido a não retroceder.

Hoje, por esta situação pela qual está passando nosso país e o mundo, da pandemia do COVID-19, nos vemos impossibilitados de realizar os festejos desta data com normalidade. Mas cremos que este dia comemorativo fica pequeno frente ao contexto que estamos sofrendo como classe, em uma situação de claro retrocesso em nossos direitos e uma crise que cada dia vai se tornando mais visível.

Frente a esta realidade que parece incontrolável, as patronais, tanto do setor público como do privado, tentam novamente depositar todas as perdas em nossos ombros. O corte dos salários, as demissões e suspensões (ainda para as indústrias consideradas “essenciais”), a flexibilização dos contratos de trabalho, como a eliminação dos prêmios e bônus. Desta forma se assegura que seus lucros não sejam afetados, sem ter nenhum cuidado pelos que trabalham, já que o capital, o lucro, é mais importante que a vida dos trabalhadores.

Agora, o que acontece com aqueles que se supõe que deveriam nos defender? Aqueles que se proclamam como os líderes dos trabalhadores? Deram as costas novamente.

Negociaram a forma pela qual os grandes setores empresariais sejam afetados o mínimo, sendo cúmplices diretos, do avanço sobre nós. Negociaram o retrocesso antes mencionado, e nem se preocuparam por gerar nem um mínimo de resistência, mostrando novamente a quem respondem na verdade, e claro está, não a seus filiados.

As cúpulas dos sindicatos burocratas, com ares mais de empresários que de proletários, se dedicaram a negociar com olhos nos bolsos dos patrões mais do que no de quem, se supõe, tem que defender. Deixando os trabalhadores sem nada frente a esta crise que nos golpeia.

O Conselho Federal, se vê na necessidade de denunciar estes ataques sobre nossa classe. Denunciar a grande burocracia sindical, que tanto nos traiu e segue nos traindo, e acima de tudo, fazer um chamado aos trabalhadores, a levantarem-se contra este ato tão sinistro, organizarem-se com os companheiros de trabalho para não deixar que avancem mais sobre nossos direitos e nossa vida. Pôr um fim desde a ação, às migalhas que pretendem nos dar os traidores burocratas, no total matrimônio com as patronais. Já que, se algo nos deixou claro esta pandemia, é que sem nós o mundo não gira, então, por que temos que ser nós os que mais sofremos com a crise?

Buenos Aires, 25 de maio de 2020

http://capital.fora.com.ar

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

a folha tomba
no meu ombro
outono

Alexandre Brito

[França] Lançamento: “La Gryffe. A longa história de uma livraria libertária”, de Daniel Colson

Nascida no início de 1978, a livraria La Gryffe é fruto do movimento libertário de Lyon. Distribui produções (livros, brochuras, revistas, jornais, DVDs, etc.) que oferecem uma crítica anticapitalista e antiautoritária à sociedade, enquanto informa sobre lutas sociais. Por meio de seus objetivos e compromissos de seus membros, a livraria pretende ser um dos componentes do movimento libertário e autogestionado.

La Gryffe é gerenciada coletivamente por uma equipe composta exclusivamente por ativistas que, há mais de quarenta anos, escrevem sobre as experiências passadas e presentes de movimentos que contribuem para o surgimento de lutas anticapitalistas, mas também as antifascistas, antirracistas, antimilitaristas, anticlericais, feminista, ambientalista, etc.

A livraria também possui uma sala de reuniões onde são organizados regularmente encontros, debates, exposições, seções de vídeo, etc., contribuindo para a reflexão e promovendo discussão.

É, de certa forma, uma ferramenta para o desenvolvimento, em Lyon e em outros lugares, de um grande movimento libertário.

>> Daniel Colson, sociólogo e membro do coletivo de livrarias desde o início, escolheu mostrar através deste trabalho que a longa história de La Gryffe também se baseava em conflitos e disputas. Às vezes conflitos duros e difíceis, mas que no final sempre são superados por seu coletivo, essa associação de anarquistas.

La Gryffe. La longue histoire d’une librairie libertaire

Daniel Colson

276 páginas + livro fotográfico colorido de 16 páginas

Formato 14,5 por 21

Preço: 16,00 EUR

ISBN : 978-2-35104-137-6

atelierdecreationlibertaire.com

Tradução > Estrela

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/10/20/franca-livraria-libertaria-la-gryffe-fara-40-anos-em-2018/

agência de notícias anarquistas-ana

já águas passadas
a gotejar das marquises —
ecos estivais

Alexander Pasqual

[Chile] Da explosão à insurreição popular

Em meio à crise da saúde, a população continua a tomar às ruas e esquinas porque a vida está impossível e a situação é insustentável. As contradições já são visíveis e inegáveis: a fome, o medo, a repressão, a desigualdade não mostram mais uma máscara e foram reveladas. Ao fim, como no dia a dia que historicamente o capitalismo nos oferece, não deixando mais destino para os pobres que a vida ou a morte. Resumidamente, continuaremos impávidos vendo como eles nos matam de fome ou de doença?

Que o medo não nos paralise e que o lamento não nos infecte. São tempos de luta e solidariedade. Devemos continuar levantando panelas comuns [cozinhas sociais] e pontos de encontro, mas devemos politizar essas instâncias com propaganda para que elas não caiam na mera “caridade popular”, devemos agitar, trabalhar e traçar os caminhos e as propostas para construir organização e preparação para deixar o terreno das explosões e passar de uma vez por todas ao da insurreição popular, a única solução para conquistar a dignidade desejada que ansiamos e merecemos.

Que as ruas continuem pipocando até que tudo exploda e vamos de uma vez por todas em busca não de migalhas, mas em busca de tudo para todos e todas, mas sem nossos carrascos, pois não há vida enquanto existirem.

MORRER LUTANDO, DE FOME NEM CAGANDO!

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura

agência de notícias anarquistas-ana

no mesmo banco
dois velhos silenciam
no parque deserto

Carol Lebel

[Argentina] Companheira Nadia, seguindo sua luta te recordaremos

Ontem (17/05) nos foi a compa Nadia, trabalhadora da educação, lutadora incansável contra o capitalismo e o patriarcado, grande oradora e organizadora, militante comprometida com o mundo novo que vamos construindo.

Enviamos nossas profundas condolências à família, amigos e amigas e companheiros e companheiras neste momento e nos colocamos à disposição de vocês.

Saúde e força!

Sociedade de Resistência Ofícios Vários Lomas de Zamora / FORA-CIT

agência de notícias anarquistas-ana

Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

[Indaiatuba-SP] Pastor diz que máscara é ‘frescurite’; fiel idosa e marido morrem de Covid-19

Vice-presidente da Assembleia de Deus, ministério de Belém, em Indaiatuba (SP), o pastor Neuton Lima, 55, disse em um culto que a máscara contra o coronavírus é ‘frescurite’ e que ali, na sua igreja, ninguém estava obrigado a usá-la [vídeos abaixo].

A pregação do pastor contraria frontalmente as orientações das autoridades sanitárias, não se sabendo qual seriam as consequências de tal irresponsabilidade, mas pelo menos uma fiel e o seu marido morreram de Covid-19.

Jadilce Batista, 77, frequentava um templo da igreja havia 33 anos, três vezes por semana. Era casada com Manoel Rosa da Silva, 74. Ela morreu primeiro e o marido, cinco dias depois, neste mês.

Cibele Batista da Silva dos Santos, 39, filha do casal, disse que não há como provar que a mãe pegou o coronavírus na igreja, contagiando depois o seu pai.

“Mas irmãs da igreja de minha mãe falaram da aglomeração, que ia muita gente e que a maioria não usava máscara de proteção e nem ofereciam álcool gel.”

Cibele acrescentou que seus pais tinham boa saúde, faziam caminhadas e compras no supermercado e que sua mãe começou a se sentir mal no dia 26 de abril, após retornar da igreja.

Contou que ela soube por intermédio do filho do pastor de sua mãe que ele está com Covid-19, recuperando-se em casa. Lima teria negado essa informação, dizendo que o referido pastor está com dengue.

No sermão em que minimizou a importância do uso da máscara e criticou autoridades por defenderem o fechamento de templos, Lima admitiu que foi advertido pela Promotoria Pública da cidade de que os responsáveis pela igreja poderiam ser responsabilizados criminal e civilmente por contágio do vírus.

Ele disse que ninguém poderia determinar o uso de máscara dentro de sua igreja, que é uma entidade privada e segue apenas o seu estatuto e a Bíblia.

Lima fez uma referência ao presidente Bolsonaro, dizendo que antes [no governo federal] havia “autoridades insanas”, “dominadas por Satanás” e que agora “graças a Deus há um homem que dobra os joelhos diante do altar”, que coloca “Deus acima de tudo e de todos”.

>> Vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=VPKqeDSsxZc&feature=emb_title

https://www.youtube.com/watch?v=ob7cQt01v0g&feature=emb_title

Fonte: https://www.paulopes.com.br/2020/05/coronavirus-pastor-neuton-lima.html#.XtA8iVVKi1t

agência de notícias anarquistas-ana

panela velha
no avarandado novo
vaso de avencas

Alexandre Brito