[Canadá] Messe des Morts: neonazi, Pascal Giroux, levou uma surra

Na sexta-feira, 28 de novembro, o festival de black metal La Messe des Morts aconteceu no Théâtre Paradoxe. Três neonazis foram vistos no local ou anunciaram a intenção de estar lá nas redes sociais. Um deles, Pascal Giroux, levou uma bela surra depois de sair do teatro.

Pascal Giroux é abertamente um militante neonazi. Na era dourada dos imbecis, ele era membro do bando Section Saint-Laurent, que foi responsável por várias agressões físicas. Recentemente ele se juntou ao grupo islamofóbico Soldados de Odin, e ele participou de todas as ações do grupo até a sua dissolução em 2018. Em fotos, ele pode ser visto usando uma camisa da Section Saint-Laurent e um gorro dos Soldados de Odin, pousando em frente a uma bandeira do Sol Negro e protegendo a casa do neonazi Phillipe Gendron em 2018, durante uma manifestação antirracista.

As comunidades antifascistas e do black metal estão em alerta e não haverá mais nenhum lugar seguro para nazis. Fred, Maxime, William, Joey, vocês estão avisados.

Montreal é antifascista.

Fonte: https://mtlcounterinfo.org/messe-des-morts-neo-nazi-pascal-giroux-gets-a-beating/

Tradução > A Alquimista

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/04/04/canada-fodam-se-os-fascistas-em-todos-os-lugares/

agência de notícias anarquistas-ana

Azáleas do monte,
Desafiando o oceano
Ao sol poente.

Kawai Chigetzu

A expansão do neonazismo no Brasil e como ele afeta as minorias

por Yuri Ferreira

A internet é um lugar estranho. Você pode passar um dia inteiro vendo vídeos de gatinhos fofos e lendo fanfics do Faustão com a Selena Gomez… mas também pode encontrar conteúdo profundamente extremista que defende a exterminação de negros e judeus e a volta do mais sanguinário regime da história, o nazismo.

A reportagem do Hypeness começa com base em um estudo da antropóloga Adriana Lima, da Universidade Estadual e Campinas (UNICAMP). Segundo a pesquisadora, 334 células nazistas estão operando no Brasil. Nas cinco regiões do país, pequenos grupos de pessoas aglutinadas por endereços digitais se juntam para discutir temas como supremacia branca, implementação de um regime nazifascista no país, antissemitismo e negação do Holocausto.

A pesquisa contínua da professora, que já existe há cerca de 10 anos, evidencia que, no período, a extrema-direita brasileira foi flertando cada vez mais com grupos de cunho nazifascista, se apropriando de sua literatura, simbologia e ideário.

A sociedade brasileira está nazificando-se. As pessoas que tinham a ideia de supremacia guardada em si viram o recrudescimento da direita e agora estão podendo falar do assunto com certa tranquilidade. Precisamos abordar o tema para ativar o sinal de alerta. Justamente para não dar palanque a essas ideias, precisamos falar sobre criminalização de movimentos de ódio e resgatar a questão crucial: compartilhar humanidades“, afirmou a pesquisadora em uma entrevista à Deustche Welle Brasil.

>> Para ler a matéria na íntegra, clique aqui:

https://www.hypeness.com.br/2019/11/a-expansao-do-neonazismo-no-brasil-e-como-ele-afeta-as-minorias/

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Insetos que cantam
parecem adivinhar
minha solidão…

Teruko Oda

[Chile] Vídeo | Santiago: Dançando com os anarquistas nas barricadas…

“Se eu não puder dançar, não é a minha revolução” – Emma Goldman

Se realmente almejamos dignidade, vamos falar de um mundo em que não exista a humilhação e degradação, não só por gentileza dos ricos, mas sim pela erradicação da exploração e da opressão.

Contra o Estado e o Capital!

A organizar o protesto!

A articular a organização!

Autogestão!

Projeto Educativo Libertário – PEL

> Canção: “El Vals del Obrero!”, do Ska-P

>> Veja o vídeo (03:00) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=ls7MkcRgepY&fbclid=IwAR1MF6ZT6zn6KH3y5dlWFzjjaRmm2iEe1CCRKG1riz6l5zNQS8UnMXXPIsg

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/14/chile-projeto-educativo-libertario-desde-hoje-com-o-triplo-de-vigor/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/02/chile-projeto-educativo-libertario/

agência de notícias anarquistas-ana

A goiaba madura
E os bichinhos se mexem
Não sei o que fazer.

Bruna Quirino da Silva – 11 anos

[Espanha] Araceli Pulpillo: “Elaborar um fanzine é um ato contracorrente”

Araceli Pulpillo encontrou no femzine Labio Asesino e na editora Piedra Papel Libros outras formas de fazer militância.

Por Rocío Santos Gil | 17/12/2019

Andaluza de Rus, Jaén. Anarcossindicalista, militante da CNT e colaboradora da Fundação Anselmo Lorenzo, Araceli Pulpillo encontrou no femzine Labio Asesino e na editora Piedra Papel Libros outras formas de fazer militância. Acaba de publicar também o monográfico Feminismo Andaluz.

Agora que tudo parece estar atravessado pela tecnologia, reivindicas o fanzine em formato papel.

Nesta era da virtualidade é mais necessário que nunca reivindicar formas de criação fora desse espaço que nos mantêm coladas nas telas. Sem negar que as tecnologias têm vantagens das quais podemos nos aproveitar muitíssimo, creio que há um uso excessivo que acaba se convertendo em algo mais negativo que positivo. Não há mais que aproximar-se dos linchamentos no Twitter ou Instagram ante determinados “debates” ou os muitos likes ante reivindicações que logo em manifestações de rua não encontram o mesmo respaldo. O fato de ter um objeto que possa ser tocado, destacado, modificado de forma manual, ou que te chegue na caixa postal, é algo que tem um valor muito mais potente, porque nos aproxima de uma forma material às outras.

Como surge a ideia de criar Labio Asesino?

Em 2016 tive que migrar de Jaén, uma cidade na qual tinha uma atividade intensa a nível militante: Comando Sororidad, CSA Jaén en Pie, Asamblea Antirrepresiva ou a Asociación Estudiantil NEOS. Por motivo de trabalho me mudo a um pequeno povoado de Toledo no qual a possibilidade de militância me limita por completo. Tento militar em coletivos feministas de Madrid, mas a distância me impede levar o mesmo ritmo que em Jaén.

Em 2017 me proponho começar um projeto desde outras formas de habitar a militância e acabo entendendo que existem “outras possibilidades de”. Já havia feito fanzines em organizações nas quais estive, assim que pensei: E por que não fazer um fem-zine? Assim nasce Labio Asesino. O primeiro passo foi entrar em contato com amigas e companheiras de lutas diversas. Aqui Virginia Piña e Beatriz Pérez tiveram uma grande importância, já que lhes lancei a ideia e, após meditar o projeto, acabei assumindo a coordenação e elas me apoiaram como colaboradoras.

Que objetivos tens em cada número do femzine?

Criar debates a propósito dos textos publicados, assim como indagar em nossa própria memória. Labio Asesino é um femzine que tem um índice que se replica em todos os números — atualmente três —, assim que as seções são sempre as mesmas. O mais interessante é que cada número leva consigo um debate posterior no qual se abordam os temas dos quais se fala no femzine. Daí aprendi bastante e foram abertas reflexões muito potentes de participantes. Por exemplo, o texto “Desafío a la ley e a la Virgen María” assinado por U-Shina, e que aparece no número dois, trata sobre inseminação caseira; este tema propõe muitas questões que, as vezes, abalam nossos próprios pilares: sobre a família nuclear, sobre as leis vigentes, sobre a propriedade… e debater em conjunto sobre assuntos que nunca havíamos pensado, é importantíssimo.

A elaboração de um femzine pode ser um ato de resistência?

É um ato político de resistência. Há um fanzine de Bombas para Desayunar, de Andrea Galaxina, que se intitula: “Haz un fanzine, empieza una Revolución”, e não posso estar mais de acordo. Elaborar um femzine é um ato contracorrente e não só te permite publicar sem filtros sobre o que queiras, no formato que queiras e com a tirada que estimes, mas que, além disso, te possibilita aprender em todo o processo e, de certa forma, te empoderar, te dar conta de que não há limites. Leva implícita a filosofia do DIY (Do It Yourself ou “faça você mesma”). Penso nas primeiras mulheres que começaram a fazer fanzines em um campo ocupado por homens cis heteronormativos e que puderam criar redes de apoio com outras mulheres na outra ponta do estado ou inclusive a nível internacional.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/pista-de-aterrizaje/araceli-pulpillo-elaborar-un-fanzine-es-un-ato-a-contracorriente

Tradução > Sol de Abril

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Como se a felicidade
esperasse o novo ano
pelo calendário!

Inahata Teiko

[Grécia] Anarquistas assumem a responsabilidade de queimar a árvore de Natal na praça Exarchia

Na quarta-feira 18/12/19, por volta das 23h45, nós, como um grupo de anarquistas, queimamos a árvore de Natal na praça Exarchia, que o Regime colocou na praça na mesma manhã.

Nossa resposta ao Regime é muito clara:

1- A resistência em Exarchia (e em outras áreas) nunca acabará.

2- Nós, como proletariados e oprimidos, não celebraremos esses festivais porque não fazem parte da nossa cultura, nossa cultura é resistência e luta pela revolução social e nossa celebração é a revolução social que criará liberdade e igualdade em nossas vidas.

3- O Regime está tentando mudar o perfil histórico da Exarchia revolucionária, mas o Regime deve saber que mesmo massacrando todos nós não poderão mudar um bairro que está lutando em defesa de sua cultura.

ESTAMOS AQUI, NÃO VAMOS SAIR, PORQUE AQUI ESTÁ NOSSO BAIRRO. POLICIAIS E RICOS QUE DEVEM SAIR.

Solidariedade ao companheiro Dimitris Chatzivasileiadis.

Força ao grevista de fome Kostas Sakkas.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1602133/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/23/grecia-video-exarchia-populacao-queima-a-arvore-de-natal/?fbclid=IwAR2dXkGkrvJNn4oCkEn6V8sC06NZxQcGdiQl_zoVVPv5oet0HDaLpYOqAtA

agência de notícias anarquistas-ana

Ela já desponta
mesmo antes da floração –
violeta brava.

Shiba Sonome

[EUA] Possibilidades do anarquismo

por Kim Stanley Robinson

O coletivo Perspectives está comprometido em fazer das ideias anarquistas acessíveis e amplamente conhecidas. Como parte disto, desejamos fazer um tipo de dissertação breve sobre “O que é Anarquismo?” para futuras impressões. Entramos em contato com Kim Stanley Robinson para que escrevesse para a gente, e ele nos indicou um texto que ele escreveu para o livro chamado Myths and Lawbreakers: Anarchist Writers on Fiction (Mitos e Foras da Lei: Escritoras/es Anarquistas na Ficção), para a AK Press. Ele nos disse que se “fosse escrever algo mais sobre anarquismo (discutível), seria apenas para reiterar os pontos nesta introdução”. Ele nos deu permissão para compartilhá-la com vocês e achamos que ilustra lindamente, não só os termos do anarquismo, mas também os desafios atuais e possibilidades. Também encaixa bem como nosso tema atual de “Imaginações”, sobre a qual é a próxima impressão da revista Perspectives. Divirta-se.

Este livro reúne quinze entrevistas com escritoras/es que se descreveram enquanto anarquistas, ou escreveram sobre anarquistas em cenários históricos ou contemporâneos, ou inventaram culturas fictícias que elus ou outres chamaram de anarquista. A história de cada pessoa é diferente, naturalmente, e as definições que elas deram para anarquismo não são as mesmas também. An-arquia: ausência de regras ou ausência de leis? O grego original sugere o primeiro, o uso comum inglês desde o século 17, o último; e faz bastante diferença qual definição você usa. Então, vimos estus entrevistades aqui, repetidamente, dando voltas em torno de questões de definição, tanto no que o conceito significa, quanto como ele pode ser aplicado na escrita e na vida, não apenas nas vidas incluídas aqui, mas nas vidas de todes. Estes problemas são complicados, e não é surpresa que as questões e respostas aqui continuem aparecendo e nos cutucando, esperando algum esclarecimento.

Um outro problema no qual as entrevistas retornam de novo e de novo, é em como conciliar as crenças anarquistas com a vida real no sistema capitalista globalizado. Algumes des escritoras/es aqui vivem sob crenças anarquistas até um certo ponto, publicando ou distribuindo seus escritos fora do mundo editorial comum, ou vivendo em condições alternativas, de um modo ou de outro. Outres vivem aparentemente vidas mais convencionais, enquanto escrevem sobre anarquismo e o apoiam em sua ação política, na qual escrever é uma parte disso. Ninguém pode escapar de uma certa quantidade de contradição aqui; a economia mundial é quase inteiramente capitalista na sua estrutura, e a lei estatal é uma realidade abrangente nas questões humanas.

Então, o interesse em anarquismo expressado por estus escritoras/es e a consequência que estas ideias complexas têm em suas vidas, tem que envolver, necessariamente, vários acordos e pode ser chamada de ações simbólicas – contanto que lembremos que ações simbólicas são ações reais, de forma alguma a serem menosprezadas. Votar é uma ação simbólica, ir a igreja é uma ação simbólica, falar, escrever e conversar são ações simbólicas; todas são também ações reais e possuem efeito real no mundo real – em parte, para si mesmes e, em parte, pelo que, simbolicamente, sugerem que devíamos fazer em todas as nossas outras ações.

Daqui em diante, estamos falando sobre ideologia. Digo isto da forma definida por Louis Althusser, que diz, resumidamente, que uma ideologia é uma relação imaginária com uma situação real. Ambas partes da definição existem: há uma situação real e, por necessidade, nossa relação com ela é, parcialmente, imaginária. Então, todes nós temos uma ideologia e, de fato, seria paralisante ou esmagador não ter uma. Então, vem a pergunta, podemos melhorar nossa ideologia, em termos da funcionalidade tanto individual quanto coletiva e, se sim, como?

Aqui é onde as ideias anarquistas atuam fortemente. Vivemos em um sistema destrutivo e injusto, o qual, apesar disto, está profundamente enraizado, tão protegido pelo dinheiro, pelas leis e pelas forças armadas, que parece imutável e até mesmo natural; ele se esforça para parecer natural, tanto que seria muito difícil imaginar uma saída ou um caminho à frente do estado atual. Dado este momento da nossa história, o que deveríamos fazer? O que podemos fazer, neste momento, o que mudaria a situação?

Uma das primeiras e mais óbvia respostas é: resista ao sistema atual em todas as formas em que é provável que tenha um efeito bom. Essa resposta pode desconsiderar certas resoluções: o povo tem resistido ao capitalismo por bem mais que um século até agora, e muitos dos métodos pensados pelas pessoas foram tentados e falharam. Revolta espontânea em massa foi tentada e, geralmente, falhou. Insurreição organizada às vezes se saiu melhor, mas, a longo prazo, retornou de forma a piorar a situação. Ação trabalhista e reforma legal, frequentemente, parece possível e à vezes conquistaram um êxito tangível, mas, novamente, por fim, apesar do que conquistaram, nos encontramos na situação que estamos agora, então, obviamente, ação trabalhista e reforma legal não são tão efetivas quanto alguém poderia esperar. Educação política em massa foi, por muito tempo, um objetivo daquelus interessades em promover mudança e, novamente, pode ser apontado algum êxito, mas o impacto geral ainda não foi efetivo o suficiente para evitar o perigo em que nos encontramos. O que, então, deveríamos fazer?

Uma coisa que ajudaria é ter alguma ideia de para o que podemos tentar mudar; e aqui é onde o anarquismo faz sua parte. Como ele é uma visão política utópica, e este é o porquê que muitos dessas/es escritoras/es entrevistades neste livro, são escritoras/es de ficção científica que escreveram histórias descrevendo situações anarquistas enquanto espaços utópicos, enquanto sistemas melhores que deveríamos lutar para alcançar. Esta é a minha própria situação; enquanto de esquerda, interessado em me opor ao capitalismo e trocá-lo por algo mais justo e sustentável, tentei uma ou duas vezes retratar sociedades com aspectos e raízes anarquistas. Estas, como o trabalho de outres escritoras/es de ficção científica, são experiências do pensamento, desenhadas para explorar ideias pelo formato dos cenários fictícios. Problemas podem ser discutidos pelo formato das dramatizações, e o apelo da sociedade alternativa alcançada pode ser evocado para que as pessoas o contemplem, o desejem e trabalharem para isso. Até termos uma visão de para o que estamos trabalhando, é muito difícil escolher o que fazer no presente para que cheguemos lá.

Aqui é onde o anarquismo tem o maior apelo, como também o maior perigo. É um sistema político bastante puro e simples. Ele diz que, deixado a nós mesmes (ou educades adequadamente), podemos confiar nas pessoas para serem boas; que se não fôssemos corrompides pela demanda do dinheiro e do Estado, cuidaríamos melhor umes des outres do que cuidamos agora. De certa forma, esta é uma visão que simplesmente estende o pensamento democrático ao seu ponto final: se todes fôssemos iguais, se todes juntes governássemos igualmente, então ninguém governaria; e, portanto, você expande a democracia até que ela acabe na anarquia. É uma visão profundamente esperançosa, e a esperança por um estado diferente é um componente crucial da ação. Aqui, em particular, a ação simbólica também é, ao mesmo tempo, ação real.

Uma forma de explicar isto, usada mais de uma vez peles escritoras/es neste livro, é que a sociedade é agora organizada verticalmente, em uma hierarquia de poder, privilégio, prosperidade e saúde, que está estruturada quase na mesma pirâmide demográfica do feudalismo, ou até mesmo nos antigos estados de comando clérigo-militar. O anarquismo sugere que a grande maioria de nós estaria melhor em uma organização horizontal, uma associação de iguais. Tal horizontalidade no domínio do poder, costumava ser ridicularizada como irremediavelmente ingênua e irrealista, mas quanto mais aprendemos sobre nosso passado humano e nossos ancestrais primitivos, mais se torna claro que esta era a norma durante a totalidade da nossa evolução; apenas desde a criação da agricultura, do patriarcado, e da estrutura de poder clérigo-militar, a verticalidade têm comandado a nossa vida. Voltando a uma estrutura horizontal seria retornar à norma da espécie e à sanidade coletiva, e a um senso de justiça que antecede a própria humanidade, como pode ser vista claramente nas ações de nossos primos primatas.

Do vertical para o horizontal, então; mais este é o trabalho da democracia também, e até o trabalho da própria história, se o progresso no bem-estar humano é o que julgamos por história. Então, quanto mais êxito tivermos neste trabalho, mais perto estaremos dos objetivos do anarquismo, e os objetivos de outros esforços utópicos: democracia, ciência, justiça.

Enquanto isso, temos que trabalhar constantemente; resistir ao capitalismo; questionar nossas próprias ações; e falar contra a ordem atual, por algo melhor. É o que estus escritoras/es fizeram durantes suas vidas e seus trabalhos e, então, este livro também se torna parte deste projeto. Isso já existe há muito tempo e, presumivelmente, continuará além do nosso momento; mas nossa destruição da biosfera levou todo o processo para o modo crítico, e não sairemos desse modo até que a crise seja resolvida. Portanto, até certo ponto, não podemos mais ter uma visão de longo prazo. Temos que evitar uma catástrofe biofísica se queremos dar às nossas crianças um planeta e uma civilização saudável. Neste momento de tempestade, todas as nossas ideias políticas precisam ser reconsideradas, mesmo as mais radicais ou, especialmente, as mais radicais. E todas aquelas baseadas em visões esperançosas da sociedade, e ajudando a construir um projeto utópico para nós, para ser executado o mais cedo possível, merecem ser trazidas à discussão. Então: continue a ler e imagine um mundo horizontal, uma livre associação de 6 bilhões de iguais. E como Brecht disse: Se você acha que isto é uma utopia, por favor, também considere o motivo.

Kim Stanley Robinson é um escritor de ficção científica. Ele publicou dezenove romances, muitas histórias curtas e é melhor conhecido pela sua trilogia Mars. Robinson ganhou muitos prêmios, incluindo o Prêmio Hugo por Melhor Romance.

Fonte: https://anarchiststudies.org/10685-2/

Tradução > A Alquimista

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/12/22/eua-uma-breve-historia-de-ficcao-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Pássaros correndo
Atrás de sementes

Rodrigo de Almeida Siqueira

Vídeo | Extremismo na Bielorrússia

Nos últimos anos, o aparato repressivo de Lukashenko [presidente da Bielorrússia] desenvolveu uma legislação sofisticada e um discurso midiático com o objetivo de provar que todos os críticos do Estado de forma radical são “extremistas” e quase terroristas. Esforços especificamente são colocados na criminalização dos anarquistas. Nosso companheiro fez um vídeo analisando como o Estado define “extremistas”, como ele manipula o termo para fazer uma lavagem cerebral nas pessoas e o que devemos fazer em relação a isso.

>> Veja o vídeo (13:14) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=QDB-o6_I0Mo&feature=emb_title

pramen.io

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Limpo e lavo o túmulo,
mas no fundo de minha alma,
meus íntimos vivem…

H. Masuda Goga

[Espanha] Néstor Makhno, o homem e o mito

por Jesus Aller

No âmbito hispânico, não é necessário que alguém nos explique o que é uma guerra civil, mas deve-se reconhecer que a que se desenvolveu na Rússia entre 1917 e 1922 foi um cataclismo de proporções difíceis de se imaginar. Estamos falando de um conflito em que a execução de prisioneiros era quase a norma e em que aos milhões de pessoas mortas em campanhas militares precisa-se somar muitos milhões a mais em uma sequência apocalíptica de repressões, fomes e epidemias. Bertrand Russell, que esteve lá algumas semanas na primavera de 1920 e tentou entender o que estava acontecendo, deixou-nos algumas das reflexões mais lúcidas sobre o assunto. Segundo ele, a dinâmica da luta de classes permitiu prever claramente o desastre, e o grande erro dos bolcheviques foi insistir, apesar disso, em sua deriva autoritária, prisioneiros da convicção de para além de todas as calamidades que poderiam acontecer, o problema se reduzia a manter em suas mãos as rédeas do poder.

Foi assim que os quatro cavaleiros cavalgaram. Entre os seres presos naquele tempo de infortúnio, mas também de oportunidades, Néstor Makhno ocupa um papel muito especial, pois incorpora melhor do que ninguém uma tentativa desesperada de redirecionar o processo revolucionário de tal maneira que as massas não perderam sua proeminência. A história da Revolução Makhnovista da Ucrânia mostra que essa alternativa democrática e autogerida era possível, e certamente abre um vislumbre de esperança na ânsia de vencer o capitalismo. Destacando isso, é inevitável que todos os demônios da propaganda se acumulem para perverter sua imagem em alguém que assumiu um papel histórico tão transcendente. Trata-se então de nos perguntar o que Néstor Ivanovich Makhno realmente era além das lendas tecidas em torno dele.

Esboçando o retrato

Em seu livro sobre a Revolução Makhnovista, Alexander Skirda reúne cuidadosamente todos os testemunhos sobre nosso protagonista. Fisicamente, estamos diante de um homem escuro de 1,65 m de altura e olhos azul-acinzentados, que nos anos de luta costumavam usar uma cabeleira ondulada. Em relação a suas qualidades intelectuais, sua decisão, coragem e talento militar são admitidos por todos os historiadores, mas a partir daí é onde são construídas visões opostas. Alguns estudiosos soviéticos acusam os insurgentes de antissemitismo e saques generalizados que denunciam a depravação de seus líderes. No entanto, é preciso dizer que os documentos disponíveis indicam que eles sempre mantiveram uma política resoluta de evitar esses excessos. Por outra parte, existem inúmeras evidências de que o tratamento dado aos prisioneiros, mesmo envolvendo execuções na marcha dos oficiais e dos elementos mais comprometidos, foi menos cruel do que o dos outros lados.

Volin em A revolução desconhecida se refere às orgias de alguns líderes makhnovista nas quais as mulheres foram forçadas a participar. Seus argumentos, no entanto, são fracos e colidem com outros testemunhos. O alcoolismo de Néstor Makhno pode ser considerado um lugar comum e é admitido até por Paul Avrich. Nesse sentido, a coleção de evidências de Skirda é lida com enorme interesse, o que lhe permite concluir até que ponto essa acusação está longe da realidade. O trabalho dos historiadores mais objetivos é, portanto, mais do que tudo, desmantelar a calúnia, uma a uma. O retrato que permanece no final é o de um homem sem estridência, destacado apenas por sua clara visão do processo em andamento e sua vontade de ferro de caminhar com as massas e, se necessário, diante delas. Inteligência e coragem acabaram sendo os elementos essenciais para avançar.

As grandes decisões sempre foram discutidas pelos insurgentes e, portanto, a responsabilidade pessoal de Néstor Makhno em relação a elas é diluída. Sabemos, por exemplo, que quando da segunda aliança com os bolcheviques, no outono de 1920, ele estava entre os que tinham muita certeza de que com ela entraram na boca do lobo. No final, podemos especular com alguns historiadores recentes se naquela época a busca de um modus vivendi com os nacionalistas ucranianos ou mesmo com os autonomistas cossacos do Don e do Kuban não teria sido uma política mais inteligente e prudente do que cortejar sem expectativas de Ditadores do Kremlin que causaram o desastre.

Néstor Makhno e sua lenda

Se os historiadores inventam, é fácil imaginar o que os literatos podem fazer. As páginas sobre as mais brilhantes penas soviéticas (Mayakovski, Pilniak, Bedni, Alekséi Tolstoy ou Paustovski, para citar uns poucos) poderiam servir como um estudo revelador sobre como a literatura se degenera em propaganda. Deve-se dizer, no entanto, que a coleção de despropósitos que encontramos paralelamente no Ocidente não desmerece nada a da Rússia. Felizmente, um grande poeta esteve lá também e salvará a face de uma arte tão abusada.

Em 1924, um ano antes de seu suposto suicídio no Angleter Hotel em Leningrado, Sergey Yesenin, 29 anos na época, publica uma pequena peça intitulada O país dos canalhas, cujo com o protagonista, o bandido Nomaj, ninguém vai duvidar de quem ele está se referindo. Este é um homem generoso que rejeita a violência desnecessária e rouba ouro de um trem para distribuí-lo, porque, ele diz: “me resulta agradável sob o céu azul / confortar os pobres e miseráveis“. Ele também tem planos de obter armas para usar contra aqueles que “engordam com Marx“. Então ele é perseguido por agentes de segurança e um detetive chinês, mas ele consegue enganar todos eles. A certa altura, ele confessa as esperanças que depositou na revolução e sua decepção quando, depois de dar tudo por ela, viu apenas o retorno dos “mesmos delinquentes, os mesmos ladrões“. Resulta transparente a identificação do que foi definido como “último poeta do campo” com os ideais do bandido, e bastante surpreendente a força das críticas que ele sabia que não podiam deixar as autoridades indiferentes.

Após a implosão da URSS, na Rússia e na Ucrânia, ansiosa por seu próprio passado, a revolução liderada por Néstor Makhno reviveu como o principal assunto dos estudos historiográficos, sendo lembrada em todas as expressões da arte. Um século depois, esses materiais circulam por uma rede que dá acesso a páginas da web, livros, documentários, longas-metragens e séries de televisão. Permanece para nós a difícil tarefa de separar o joio do trigo e reconstruir a partir de uma infinidade de informações, muitas vezes falaciosas, um retrato o mais firme possível do que aconteceu na margem esquerda do rio Dnieper entre 1917 e 1921.

A história nos surpreende com seu movimento, as perspectivas e as distâncias que cria, mas no final acaba sendo apenas uma roda que gira e gira. No século 21, as mesmas lutas de cem anos atrás ainda estão pendentes em todos os lugares, e olhando para trás, ficamos surpresos ao ver os mesmos cuidados que estão nos pressionando hoje. Lembrar o que aconteceu e tentar entendê-lo é um dever gratificante e honroso, mas também deve nos fornecer as ferramentas de que tanto precisamos.

Leituras recomendadas:

Anarquismo e revolução na Rússia (1917-1921) por Carlos Taibo (2017).

Nestor Makhno- O Anarquismo cossaco. A luta pelos sovietes livres na Ucrânia (1917-1921) por Alexander Skirda (2004).

Retratos anarquistas de Paul Avrich (1988).

Lembranças de Nestor Makhno, de Ida Mett (1984).

A teoria e prática do bolchevismo de Bertrand Russell (2ª edição de 1949).

A revolução desconhecida de Volin (1947).

História do movimento Makhnovista de Piotr A. Arshínov (1924).

Blog do autor: http://www.jesusaller.com/

Fonte: https://www.rebelion.org/noticia.php?id=260278

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/12/13/espanha-celebramos-os-cem-anos-do-inicio-da-makhnovschina/

agência de notícias anarquistas-ana

Chapéu
divide a cabeça
do céu

Cláudio Fontalan

[Índia] Um renascimento global da anarquia pode superar os anos 1960

por Pankaj Mishra | 18/12/2019

A Índia explodiu em protestos contra uma lei de cidadania que discrimina explicitamente sua população muçulmana de 200 milhões de habitantes. O governo nacionalista hindu de Narendra Modi respondeu com disparos policiais contra manifestantes e ataques a campi universitários.

A deflagração global de protestos de rua, do Sudão ao Chile, do Líbano a Hong Kong, finalmente chegou ao país cuja população de 1,3 bilhão de habitantes está abaixo dos 25 anos. As implicações sociais, políticas e econômicas não poderiam ser mais sérias.

Foi no mês passado que estudantes do campus da Universidade Politécnica de Hong Kong jogaram bombas de gasolina na polícia e jogaram de volta bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água direcionados a eles.

Essa violenta resistência a um estado autoritário é novidade para Hong Kong. O Movimento Umbrella, que em 2014 expressou pela primeira vez um sentimento de massa por maior autonomia de Pequim, foi surpreendentemente pacífico. Os ativistas pela democracia em Hong Kong hoje também foram para muito longe dos estudantes chineses que ocuparam a Praça da Paz Celestial em 1989, e com quem foram comparados incorretamente.

Os estudantes de 1989 respeitavam profundamente seu estado: as fotografias de peticionários de estudantes ajoelhados nos degraus do Grande Salão do Povo não são menos eloquentes do que a imagem icônica de um manifestante diante de um tanque.

Esse reconhecimento da autoridade do Estado como árbitro supremo agora está desaparecendo rapidamente, não apenas em Hong Kong, mas também na Índia e em muitos outros países. Está sendo substituído pela convicção de que o Estado perdeu sua legitimidade por meio de ações cruéis e malignas.

Os manifestantes de hoje, que são esmagadoramente jovens, são úteis em comparação com os manifestantes estudantis franceses em Paris em 1968. Estes ocupavam locais de trabalho e estudo, ruas e praças. Eles também responderam à repressão policial com barricadas improvisadas e coquetéis molotov.

Como os manifestantes de hoje, os estudantes franceses explodiram em violência em meio a uma escalada global de brigas de rua; eles alegaram rejeitar os valores e as perspectivas de uma geração mais velha. E eles também não podiam ser simplesmente classificados como de esquerda, direita ou centristas.

De fato, os radicais franceses confundiram muitas pessoas na época porque detestavam o partido comunista francês quase tanto quanto os partidos da direita. Os comunistas franceses, por sua vez, repeliram os estudantes que protestavam como sendo “anarquistas”.

Esse tom pejorativo comum confunde anarquismo com desorganização. Deve-se lembrar que a política anarquista é uma das tradições políticas e intelectuais mais antigas do mundo moderno, embora pouco lembradas. Hoje, descreve melhor a nova virada radical dos protestos em todo o mundo.

A política anarquista começou a emergir a partir de meados do século XIX, originalmente em sociedades onde os autocratas cruéis estavam no poder – França, Rússia, Itália, Espanha e até China – e onde as esperanças de mudança nas urnas pareciam totalmente irreais.

Os anarquistas – um dos quais assassinou o presidente dos EUA, McKinley, em 1901 – buscaram liberdade em relação àquilo que viam como modos cada vez mais exploradores da produção econômica. Mas, diferentemente dos críticos socialistas do capitalismo industrial, eles direcionavam a maior parte de suas energias para a libertação daquilo que viam como formas tirânicas de organização coletiva – a saber, o Estado e sua burocracia, que na sua opinião poderiam ser tanto comunistas quanto capitalistas.

Como Pierre-Joseph Proudhon, o pensador pioneiro do anarquismo (e crítico robusto de Marx), declarou: “Ser GOVERNADO é ser mantido à vista, inspecionado, espionado, dirigido, orientado pela lei, numerado, matriculado, doutrinado, pregado, controlado, calculado, valorado, censurado, comandado por criaturas que não têm o direito, nem a sabedoria, nem a virtude de fazê-lo.”

Para muitos anarquistas, o Estado, a burocracia e as forças de segurança foram a afronta mais profunda à dignidade e à liberdade humanas. Eles procuraram alcançar as liberdades democráticas através de uma redução drástica no poder do estado da cabeça da hidra e uma intensificação simultânea do poder dos indivíduos de baixo através de ações coordenadas.

A democracia para os anarquistas não era uma meta distante, a ser alcançada por meio de partidos políticos verticalmente integrados, instituições impessoais e longos processos eleitorais. Era uma experiência existencial, instantaneamente disponível para os indivíduos, desafiando conjuntamente a autoridade e a hierarquia opressivas.

Eles viam a democracia como um estado permanente de revolta contra o Estado super-centralizado e seus representantes e executores, incluindo burocratas e polícia. O sucesso nesse empreendimento foi medido pela escala e intensidade da revolta e pela força da solidariedade alcançada, e não por qualquer concessão (sempre improvável) das autoridades desprezadas.

É também assim que os manifestantes hoje parecem perceber a democracia enquanto lutam, sem muita esperança de uma vitória convencional, contra governos que são tão ideologicamente dirigidos quanto cruéis.

Que não haja dúvida: é provável que conflitos mais abertos e insolúveis entre cidadãos e autoridades comuns se tornem a norma global e não a exceção. Certamente, hoje o descontentamento militante não é apenas maior do que era no final dos anos 1960. Também denota um colapso político mais profundo.

Negociações e compromissos entre diferentes grupos de pressão e interesses que definem a sociedade política há muito tempo parecem subitamente suspeitos. Os partidos e movimentos políticos à moda antiga estão em desordem; sociedades, mais polarizadas do que nunca; e os jovens nunca enfrentaram um futuro mais incerto. Enquanto indivíduos revoltados e sem líderes se revoltam contra estados e burocracias cada vez mais autoritários, de Santiago a Nova Délhi, a política anarquista parece uma ideia cuja hora chegou.

Para entrar em contato com o autor desta história:

Pankaj Mishra em pmishra24@bloomberg.net

Para entrar em contato com o editor responsável por esta história:

James Gibney em jgibney5@bloomberg.net

Pankaj Mishra é colunista da Bloomberg Opinion. Seus livros incluem “Age of Anger: A History of the Present” (em tradução livre, “Era da Raiva: Uma História do Presente”), “From the Ruins of Empire: The Intellectuals Who Remade Asia” (em traduçao livre, “Das Ruínas do Império: Os Intelectuais que Reformaram a Ásia”) e “Temptations of the West: How to Be Modern in India, Pakistan, Tibet and Beyond” (em tradução livre, “Tentações do Ocidente: Como Ser Moderno na Índia, Paquistão, Tibete e Além”).

Fonte: https://www.bloomberg.com/amp/opinion/articles/2019-12-18/a-global-anarchy-revival-could-outdo-the-1960-s

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

[Espanha] Gastronomia anarquista e de guerra

CNT e FAI publicaram em 1937 uma “revista gráfica da indústria gastronómica” com receitas culinárias para tempos bélicos

por Ana Vega Pérez de Arlucea | 31/08/2019

Tenho dito a você que onde menos se espera, salta a lebre gastro-histórica. Por exemplo, no “Centro Documental de la Memoria Histórica de España”. Entre a documentação guardada neste arquivo se encontram diversos materiais relacionados com a alimentação espanhola entre 1936 e 1978, como folhetos de massas para sopas, menus, manuais de cozinha das JONS, uma receita ou outra e também várias revistas anarquistas sobre o tema. Uma é Fraternidad, publicação de 1937 da Federação Regional da Indústria da Alimentação e Gastronomia (CNT) e a outra Gastronomía a secas, “revista gráfica da indústria gastronômica” editada pela CNT e FAI. Desta última só se conhecem quatro números que apareceram entre setembro e novembro de 1937 em Barcelona, mas temos a sorte de poder ver seu conteúdo graças à web “Gràfica obrera i anarquista“, dedicada a documentar antigas publicações de tipo anarquista como “Tierra y libertad“, “Solidaridad obrera“, “Mujeres libres” e esta tão curiosa que nos ocupa hoje.

Gastronomía foi dirigida por Carlos Manini, membro do Sindicato Gastronômico catalão e presidente do comitê de abastecimento montado pelos anarquistas para dar serviço aos refugiados que chegavam a Barcelona. A ideia era seguir o caminho de revistas dirigidas aos profissionais da cozinha ou hotelaria como haviam sido “Unión del arte culinario” ou “Asociación” (boletim oficial dos garçons de Barcelona), mas em princípios anarcossindicalista e adaptada às circunstâncias bélicas. “O Comitê Regional da Gastronômica Confederal, que como organismo adepto às normas democráticas da CNT conhece as ânsias de superação de seus filiados, se pôs de acordo com os representantes das zonas confederadas da região acordando-se a publicação quinzenal da revista Gastronomía“.

Não era o melhor momento para fazer uma revista culinária, desde logo, mas tal e como proclamava em sua saudação aos leitores, Gastronomía estava mais voltada a orientar seu público “por caminhos relacionados às exigências da guerra e ao triunfo da revolução” que a discussão de pratos saborosos. Não estava o forno para bolos delicatessen e o importante era então enfatizar a importância que para os hoteleiros associados ao sindicato deviam supostamente ter a solidariedade e a economia. No número 1 da revista se falou detalhadamente, por exemplo, dos hotéis e restaurantes socializados, aqueles que haviam sido confiscados pela FAI ou cujas rendas haviam sido tomadas diretamente por seus trabalhadores. Na página 2 apareceu uma reportagem sobre o Hotel Victoria (Plaza Cataluña) que descrevia as novas condições de trabalho no estabelecimento e incluía numerosas fotos de suas instalações, comedor ou pessoal de cozinha.

Como aqui o que nos interessa é a comida, vamos ao conteúdo da revista: sua seção de receitas intitulada “Menús de guerra”. Pensando na escassez que imperava nas lojas e na economia de recursos básicos, os pratos apresentados por Gastronomía estavam especialmente pensados para tirar o máximo proveito da despensa e poder apresentar uma comida mais ou menos lúcida apesar da guerra. A carne brilhava por sua ausência de modo que era preciso aceitar as batatas à francesa (batatas salteadas com cebola frita na gordura de porco e ervas), enguia com tomate ou berinjelas recheadas com sua carne, alho e salsa. “Em tempos de guerra nossa posição de cozinheiros nos obriga, mais que nunca, a suprir a falta de alimentos com habilidade e bom gosto, devendo nos esforçar para que a comida fique boa ao paladar e à vista […] as matérias primas que escasseiam serão substituídas por outras afins, também nutritivas e agradáveis”. Também era necessário dar de comer, com pouco, a muitas pessoas. Assim é lógico que em Gastronomía nos encontremos com receitas para um regimento como a “cozido camponês para 300 pessoas”, o arroz com bacalhau para 500 ou a sopa vegetariana para 100.

Deixo-lhes a última fórmula, para que se vocês se vejam alguma vez na necessidade de alimentar a uma centena de famintos à base de verduras. Nunca se sabe.

SOPA VEGETARIANA PARA 100 PESSOAS

Gastronomía, 3 de setembro de 1937. Barcelona.

1 kilo de nabos, 1 kilo de cenouras, 2 kilos de cebolas, 6 kilos de favas ou feijões-verdes, 8 kilos de batatas, 5 kilos de tomates, 1,5 kilos de macarrão, várias couves verdes, 1 litro de azeite. Com o azeite se refoga a cebola, picada bem fina, e quando estiver dourada acrescente o tomate, os feijões ou favas tenras, as cenouras, os nabos e as batatas (tudo cortado em pequenos pedaços). Depois se põe a água, uns 35 ou 40 litros, e a couve refogada junto com o restante, deixando ferver tudo durante umas duas horas e quando estiver cozido se coloca o macarrão e se serve.

Fonte: https://www.laverdad.es/culturas/gastrohistorias-gastronomia-anarquista-guerra-20190831185719-ntrc.html?fbclid=IwAR08gTRYqeL5AmWkwySvR0GUc5OWe6jWaqJxLOXZebZW65O0gz2Qo6nH7gE

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/10/24/espanha-livro-la-cocinera-de-buenaventura-durruti/

agência de notícias anarquistas-ana

Pelas rugas
da minha mão,
tropeça o vagalume.

Issa

[Grécia] Vídeo | Exarchia: População queima a árvore de Natal

É irônico. Enquanto o governo grego tem aterrorizado as redondezas de Exarchia desde o verão com o despejo das ocupações, ataques sob pessoas em cafeterias e bares, espancamentos brutais e prisões sem nenhum motivo, – especialmente depois dos protestos de 17 de novembro e 6 de dezembro, onde foi imposta uma medida atípica na área – alguns dias atrás tentaram encobrir os crimes da polícia de choque contra a população na região, decorando a praça de Exarchia com luzes e uma árvore de Natal (Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Pzrw6MzNVms).

[Vocês acham os links dos vídeos documentando alguns dos crimes da polícia na região durante os últimos meses no final desse texto]

Para ter uma ideia do que está acontecendo em Atenas neste momento, algumas coisas devem ser levadas em conta: O governo grego entrou em guerra contra anarquistas e antiautoritáries, seguido do fim do ultimato de 15 dias, emitido pelo Ministério da “Ordem Pública”, direcionado às dezenas de ocupações políticas e de refugiades por toda a Grécia (algumas delas com mais de 30 anos de existência), ameaçando-as com despejos violentos pela polícia de choque e a polícia de forças especiais, se não evacuassem dentro do prazo. O prazo acabou na noite de quinta-feira, no dia 05 de dezembro de 2019, uma decisão política do Estado grego visando provocar e criar uma “atmosfera explosiva”.

Depois da primeira onda de ataques e despejos, principalmente contra alojamentos de refugiades durante o outono, a segunda onda de ataques acaba de começar, desta vez contra ocupações políticas e centros sociais. Coincidindo com a prisão de antifascistas e a proposta de absolvição judicial de líderes neonazis no julgamento do Aurora Dourada, o governo grego de direita e seu Ministro da “Ordem Pública” autoproclamado socialista prosseguiram com o despejo da okupa “Mansão Kouvelou” em Marousi, Atenas, na terça-feira, 17 de dezembro, enquanto três okupas foram despejadas hoje, 18 de dezembro, em Koukaki, Atenas, seguido de uma operação policial massiva que aterrorizou o bairro inteiro com a brutalidade policial, atacando pessoas em casas adjacentes que não eram ocupações. Imagens brutais de policiais gregos da SWAT colocando suas botas na cabeça das pessoas no chão e uma mãe amarrada no chão do seu terraço com um capuz na cabeça, lembrando imagens de tortura de Abu Ghraib, têm circulado na mídia.

Como um resultado óbvio, por volta das 22h00 de 18 de dezembro, aproximadamente 200 anarquistas fizeram uma inesperada demonstração ao redor da Rua Ermou, a rua mais comercial de Atenas, e prosseguiram atacando várias lojas e bancos próximos à praça principal de Atenas na Syntagma. Por volta da mesma hora, a vários quilômetros de distância, a árvore de Natal na praça de Exarchia foi incendiada. Enquanto o governo grego proclamou que mais de 20 ocupações, apenas em Atenas, serão despejadas violentamente até o final de 2019, os ataques da polícia parecem ser o fósforo que colocará fogo em uma situação já explosiva durante as festividades do Natal e do Ano Novo.

Tem que ser lembrado que alguns dias atrás, na terça-feira, 10 de dezembro de 2019, durante o começo das festividades de Natal em Atenas com a cerimônia de iluminação da árvore na praça Syntagma, em frente ao parlamento grego, mais de 70 anarquistas conseguiram interromper o discurso do prefeito gritando palavras de ordem em solidariedade às okupas e sabotando as fontes laterais da praça Syntagma com sabão em pó (Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=BmUtiKV174c).

[O vídeo foi enviado por um fotojornalista que estava no local]

Links de Exarchia sob cerco policial nos últimos meses:

6 de dezembro de 2019

https://www.youtube.com/watch?v=qNYU_NBgsVs

https://www.youtube.com/watch?v=fEfEjJ_63X4

https://www.youtube.com/watch?v=xgz6Qb7b0nk

17 de novembro  de 2019

https://www.youtube.com/watch?v=eELKbWnPz8c

7 de novembro de 2019

https://www.youtube.com/watch?v=Tz_vsjSN3tU

1° de setembro de 2019

https://www.youtube.com/watch?v=KS4oh28OK9o

Tradução > A Alquimista

agência de notícias anarquistas-ana

Besouro a voar –
velocidade visível
de asas invisíveis.

Tsuda Kiyoko

[Porto Alegre-RS] Crônica Subversiva n° 5. Primavera Verão 2019

A vida e morrer dignamente. Troco 364 dias de submissão por um dia de revolta, pago a diferença – (Pixação nas ruas de Montevidéu)

Meses conturbados os que precedem a escrita destas primeiras palavras. A terra queimada! O incêndio de milhões de hectares de mata na Bolívia e no Brasil foram abusivos ataques contra a terra, e certamente não existem acidentes nessas histórias.  O infinito da vida freada à fogo na Amazônia e na Chiquitania nos grita vingança! O fogo da liberdade contra o fogo da devastação da vida.

Revoltas, protestos, sangue, feridos, olhos extirpados, e mortos, muitos mortos. Porém como bem dizem os cartazes nas ruas, nem os mortos nem os olhos perdidos serão à toa.

Se por um lado queimam a terra, pelo outro lado os que governam não dormem tranquilos em pelo menos seis países, e isso nos faz sorrir. Haití, Equador, Chile, Bolívia, Colômbia, Hong Kong, bramam que as pessoas ainda podem tirar do eixo a máquina dos que dominam, e desde a potência da ação caótica das ruas. Olhamos esse cenário como a nítida amostra de que o protesto pacifico é inútil, é complacente, portanto não quebrar nada não quebra nem o descontentamento, porque não tem incidência… O protesto ou é violento ou não é.

As mortes de Paulino Guajajara, Emyra Wajãpi, Guilherme Irish, Sebastian Oversluij, dos anarquistas expropriadores da Rua da Praia, nos gritam que é melhor morrer com dignidade do que viver na submissão. O novembro negro do Zumbi dos Palmares nos lembra não negociar nunca, não se conformar com ser adotado por um “salvador”, e sim fugir da vida serviçal e garantida, no rumo da liberdade, dura, combatida, mortal, porém digna liberdade. Trocar os lugares seguros, esses refúgios disfarçados de luta, pela confrontação permanente e radical contra tudo que tenta dominar. Trocar a comodidade da crítica pela ação. Trocar uma vida de frustrações por uma noite de confrontação. Trocar a insatisfação pelo vandalismo, uma saída anárquica que quebrando a lei quebre um pouquinho toda a dominação que tentam impor. Trocar os cansativos protestos cidadãos pela infinita expansão dos encapuzados quebrando tudo, ao final eles nos quebram a vida, porque respeitar suas vidraças?

Porém essa troca é uma construção, cotidiana, permanente, individual e coletiva, que parece não dar em nada, mas dá sim.

Não existem receitas, a possibilidade anárquica somada ao descrédito no sistema, são caminho aberto para o fogo da revolta, as pedras, os panfletos, para a convicta aposta pela anarquia. Não podemos postergar mais a destruição séria da dominação. Trocar assim a vida da crítica perpétua, por uma saída na rua que pode terminar com a morte parece de loucos… Porém… Pagamos a diferença!!!

Conteúdo:

• Na Guerra Social a Revolta é Contagiosa!

• As Possibilidades do Caos. Sobre o assassinato de Guilherme Irish

• Pela Terra Contra o Capital: Terras Retomadas entre ataques e expansões

• Emyra Wajãpi Paulo Paulino Guajajara / Carvão em Porto Alegre a fumaça do Progresso / Esse Fogo.

• Memória Combativa: Uma Expropriação Anarquista na Rua da Praia. Porto Alegre 1911

• Das Ruas de Porto Alegre e…

• Kataklisma: Degenerações. Entre o Vitimismo e orgulho de gênero

• Rodrigo Lanza. Que os Fascistas não se sentam seguros

• Claudio Lavazza Anarquista, Ladrão de bancos… Um irredutível.

>> Link para baixar:

https://mega.nz/#F!F3YShSZK!PWFXeQnLtCcAMql06xvzbA

agência de notícias anarquistas-ana

soprando esse bambu
só tiro
o que lhe deu o vento

Paulo Leminski

[Grécia] Ataques coordenados contra 30 alvos estatais e capitalistas em Atenas no aniversário da insurreição grega

“Quando somos capazes de atacar, temos que parecer incapazes, e quando as tropas se movem, parecer inativos; quando estamos perto, fazê-los acreditar que estamos longe; quando longe, devemos fazê-lo acreditar que estamos perto. Coloque iscas para atrair o inimigo. Quando este aparentar desordem, golpei-o. Se ele é seguro em todos os pontos, esteja preparado para ele. Evite-o por um tempo se ele está em força superior. Se o seu adversário é de temperamento colérico, irrite-o. Fomente seu egoísmo se ele for arrogante. Ataque-o quando ele estiver despreparado e apareça quando ele não te espera.” – Sun Tzu

11 anos de uma noite que definiu uma geração inteira, onde todos tinham que se posicionar em uma cidade sonolenta, 11 anos desde que acreditávamos que tudo era possível quando a RAIVA chegava junto com a CONSCIÊNCIA.

11 anos depois, seguimos segurando firme o fio vermelho da revolta, sua chama não se apagou, apesar do peso das políticas anti-Insurgência que foram impostas à força nos primeiros 5 anos após a revolta de dezembro. Não desapareceu na miséria e na corrupção social dos anos de “crise”. Nem tampouco se apagou nos anos em que nos colocaram a “cenoura” (sic) diante dos olhos tentando assim integrar e subjugar o movimento de forma mais eficaz que o chicote repressivo.

A chama da insurreição segue acesa nas novas condições de batalha que estão diante de nós. Condições que defendem estruturas em perigo. Condições de contra-ataque ao assalto do regime à nossa classe. Um contra-ataque que deve ser estrutura em todos os locais de trabalho, em todos os bairros.

A “Batalha dos Exarchianos” [moradores do bairro de Exarchia em Atenas, um bairro com grande concentração de anarquistas e palco de diversas revoltas) nãé nada mais que um símbolo, tanto para o poder como para todos que estão nas lutas sociais. Em outros lugares, as Think-tanks estão apontando sua retórica “anti-Ilegalidade”: quebrar a resistência social, espalhar o medo e a repressão. Por outro lado, nossa “Exarchia” é um foco da resistência no campo social.

Isto é o que dezembro nos ensinou. A insurreição traz oxigênio na sua passagem. E nós sabemos que ela será julgada pelas batalhas atuais e pelas batalhas que vêm.

A “bola” será posta novamente em jogo, levando “Exarchia” à cidade inteira, espalhando a resistência. Batendo na “onipotência” do poder quando menos se espera. Devolveremos o medo!

Ainda não dissemos a última palavra e esta noite é de Alexis!

Na noite de 6 de dezembro de 2019, atacamos 30 alvos capitalistas e estatais em 13 diferentes bairros de nossa cidade:

• Eurobank e Sklavenitis Bank, Rua Panormou, Ampelokipoi
• Banco do Pireo, Rua Corfu, Kypseli
• Eurobank, Rua e Durres, Sepolia
• Caixas automáticos do Banco Nacional e My Market, Rua G. Papandreou, Zografou
• Banco Nacional e AB Vassilopoulos, Avenida da Paz, Pefki
• 2 caixas automáticos do Banco de Pireo, Avenida Pentelis, Vrilissia
• Banco do Pireo, Hondos Center, Bershka, Man/Maneti and Boss, Rua Agios Ioannis, Agia Paraskevi
• Clube dos policiais aposentados, Cholargos EYDAP, AB Vassilopoulos, Sklavenitis, OPAP e Goodys, Avenida Tebas, Ilion, Kotsovolos, Avenida Vouliagmenis, Ilioupoli
• Banco Nacional, Rua Agios Dimitrios, Brahami
• LIDL e JYSK, RuaIasonidou, Elliniko
• Banco do Pireo, Marks n ‘Spencer, Sklavenitis, 2 companhias privadas de seguros e uma agência de segurança privada, Avenida Vouliagmeni, Glyfada.

Companheiros e Companheiras

Tradução > Mauricio Knup

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Noite de luar –
lá fora, sobre a pedra,
um grilo que canta.

Chiyojo

[Porto Alegre-RS] Fagulha nº6 chegou!

Fagulha nº6 está pronta e estamos começando o processo de distribuição. 2019 foi um ano com muitas turbulências e desafios para todas as pessoas que lutam pela liberdade, portanto ficamos muito felizes com mais uma vitória que é ter outra edição de Fagulha circulando pelas ruas.

Nesta edição temos a colaboração da Facção Fictícia, falando sobre a devastação da Amazônia e policiais antifascistas(?!), de Gota d’Água sobre saúde e militância, de Peter Gelderloos, nos dando um vislumbre como seria uma solução anarquista para o aquecimento global, de M.D. que narra um pouco das descobertas e questionamentos sobre sua própria identidade sexual/de gênero, e muito mais!

Na página central, novamente uma dobradinha de pôsters em tamanho A3. Neste número temos uma homenagem a Maria Nikiforova, revolucionária anarquista russa que lutou contra o Exército Branco na revolução russa de 1917 para mais tarde ser fuzilada pelo Exército Vermelho bolchevique, quando estes passaram a criminalizar e perseguir anarquistas. No outro lado do pôster temos uma arte incrível sobre a luta anticolonial e antifascista, realizada pelo pessoal do Just Seeds.

Estamos começando a distribuição física. Então aguarde que nas próximas semanas Fagulha deve estar aparecendo por aí, nos locais de resistência da cidade.

Quer ajudar a distribuir Fagulha?

Mande seu endereço para nós através do nosso formulário criptografado que enviaremos umas cópias para você ajudar a distribuir Fagulha na sua cidade.

Para baixar a versão digital de Fagulha, clique aqui:

https://we.riseup.net/assets/605619/fagulha-6-web.cleaned.pdf

fagulha.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/03/08/porto-alegre-rs-fagulha-no5-esta-ai/

agência de notícias anarquistas-ana

Asas coloridas
Que enfeitam o céu
A arara vermelha.

Mariana Portela de Lima – 10 anos

[Grécia] Vídeo | Atenas: anarquistas reagem ao despejo da okupa Kouvelou

O governo grego entrou em guerra com anarquistas e antiautoritários, após o fim de um ultimato de 15 dias emitido pelo Ministro da “Ordem Pública”, direcionado às dezenas de okupações políticas e de refugiados por toda a Grécia (algumas delas com mais de 10 anos), ameaçando-as com despejos violentos pela tropa de choque e forças especiais da polícia, se eles não abandonassem os locais dentro do prazo. O prazo acabou na noite de quinta-feira, 5 de dezembro de 2019, uma decisão política pelo Estado grego com o objetivo de agitar e criar uma “atmosfera explosiva”.

Após a primeira onda de ataques e despejos, principalmente contra okupas de refugiados durante o outono, a segunda onda de ataques começou, desta vez contra okupas políticos e centros sociais. Coincidindo com a prisão de antifascistas e a proposta judicial de absolvição de líderes neonazis no julgamento do partido fascista Aurora Dourada, o governo grego de direita e o seu autoproclamado socialista Ministro da “Ordem Pública” prosseguiram com o despejo da okupa “Kouvelou Mansion” em Marousi, Atenas, na terça-feira, 17 de dezembro, enquanto outras três okupas foram despejadas hoje, 18 de dezembro, em Koukaki, Atenas, após uma operação policial enorme, que aterrorizou todo o bairro com a brutalidade policial, atacando pessoas que vivem em casas adjacentes que não eram okupas. Imagens brutais de policiais da SWAT grega pisando com as botas na cabeça das pessoas no chão e uma mãe amarrada no chão do terraço com um capuz na cabeça, lembrando imagens da tortura de Abu Ghraib, foram divulgadas na mídia.

Enquanto o texto dessa info está sendo escrito, tornou-se conhecido que por volta das 22h00 do dia de hoje, 18 de dezembro, pessoas atacaram lojas e bancos próximos a praça principal de Atenas em Syntagma, enquanto a árvore de Natal da Praça de Exarchia em Atenas foi incendiada. Enquanto isso o governo grego proclamou que mais de 20 okupas, apenas em Atenas, serão violentamente despejados até o final de 2019. Os ataques policiais parecem ser o fósforo que colocará fogo em uma situação já explosiva durante as festividades de Natal e Ano Novo.

>> Veja o vídeo (01:05) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=2VTmGKrJpdk&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2m7ygRz9VHsQP0Uw0yMUSp3HeOANI8rj5DYRZLPjUmAJMCxkD1IeZYPWo

Tradução > Brulego

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/18/grecia-atenas-da-teoria-a-pratica-uma-resposta-inicial-15-predios-liberados/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/05/grecia-video-no-pasaran-anarquistas-transformam-noite-em-dia-em-solidariedade-com-as-okupas-sob-ataque-do-estado-grego/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/22/grecia-governo-grego-da-ultimato-de-15-dias-as-ocupacoes/

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Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh’alma.

 Teruko Oda

[Chile] “Não deixaremos de lutar porque não tememos o inimigo”

Continuaremos resistindo na rua contra qualquer estado, como Sindicato de Ofícios Vários (SOV) participamos de diversas manifestações, tanto no Centro nervoso quanto na Praça da Dignidade (recuperando o principal ponto de encontro dos protestos sociais) e em diferentes pontos da Região Metropolitana, por que acreditamos na ação direta como método de luta, e não deixaremos de lutar porque não tememos o inimigo que nos escraviza e condena a uma vida de submissão.

Hoje (20/12), se viveu uma verdadeira batalha tentando recuperar a Praça da Dignidade, triunfando nela. Embora tenha sido uma alegria coletiva, não há nada para comemorar, pois ainda temos milhares de companheiros e companheiras na prisão e milhares de outros feridos e violados.

Por esse motivo, pedimos que não desistam e não deixem que toda essa luta seja em vão. Somos muitos e esta batalha está apenas começando, pois ainda não conseguimos nenhuma mudança real em nossos pedidos, pelo contrário, eles continuam aprovando leis mais repressivas e tentando confundir a população.

Viva a luta!

Viva a liberdade!

Viva o povo consciente!

Viva a anarquia!

Sindicato de Ofícios Vários Santiago

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/03/chile-comunicado-do-sindicato-de-oficios-varios-santiago-a-mais-de-um-mes-de-protestos-na-regiao-chilena/

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Uma borboleta
Beija uma flor murcha
Sobre a lousa fria

Edson Kenji Iura