[Suíça] “O Parlamento vai voar pelos ares este mês. Estremeçam!

Por Regula Bochsler | 28/01/2019

No dia 26 de janeiro de 1885, o então presidente suíço Karl Schenk ficou aterrorizado ao ler em sua correspondência uma carta avisando que anarquistas planejavam “explodir o Parlamento durante uma sessão plenária do Conselho Federal”.

Segundo a nota, dezessete homens teriam se prontificado para “realizar o serviço sujo”, dinamite e detonador de tempo já estariam na cidade e os explosivos seriam suficientes para “aniquilar completamente Berna”.

O autor, que assinou a nota como “Número 5”, parecia aflito com dor na consciência. Ele reiterou: “eu estremeço com a ideia de que sou confidente e colaborador neste crime terrível, e por pressão de minha amada esposa, faço esta confissão”. Ele encerrou com o conselho: “Vigiem o prédio do Parlamento dia e noite. Proíbam a entrada de estranhos; mas tenham cuidado pois todos os camaradas receberam armas e ácido sulfúrico”.

Mudar a sociedade à força

O presidente Schenk levou a carta a sério. Nos últimos anos haviam acontecido vários atentados contra potentados e monarcas na Europa. Os perpetradores eram principalmente partidários da chamada Propaganda pela Ação, uma corrente ideológica dentro do anarquismo que defende o uso da força para mudar a sociedade. Se no início os assassinos recorriam a facas e pistolas, eles passaram a utilizar cada vez mais bombas com dinamite, que fora patenteada por Alfred Nobel em 1867.

Em outubro de 1878, o rei espanhol Alfonso XII sofreu um atentado com arma de fogo. Um mês depois, o rei Umberto I da Itália sofreu ferimentos leves durante um ataque com faca, mas o czar Alexandre II sucumbiu em um ataque à bomba em 1881. O recordista era o Kaiser Wilhelm I, que foi vítima de três tentativas de assassinatos desde 1878. Ele sobreviveu ao último ataque apenas porque provavelmente um detonador úmido fez com que a bomba não explodisse. Nesse contexto, o presidente Schenk não poderia descartar que os anarquistas realmente planejavam um ataque contra o governo federal.

Refúgio para anarquistas estrangeiros

Embora a Suíça tivesse sido poupada de ataques até aquele momento, ela desempenhara um papel importante no terror anarquista. Graças à sua política liberal de asilo, a Suíça era um refúgio importante para perseguidos políticos vindos principalmente da Alemanha, França, Itália e Rússia. Estes exilados continuavam então sua luta política a partir do solo neutro da Suíça.

Organizados em pequenas células conspiratórias, os ativistas se valiam da liberdade de imprensa consagrada na constituição Suíça desde 1848 para imprimir panfletos e jornais que eram subsequentemente contrabandeados para seus países de origem.

Não é coincidência, portanto que os mais importantes porta-vozes do anarquismo militante, os jornais Freiheit e L’Avant-Garde, tenham sido fundados na Suíça. Ambos proclamavam a “necessidade da revolução” e divulgavam a violência como um meio legítimo contra a exploração, a opressão e a hipocrisia. “Enquanto tivermos uma casta de ociosos sustentados por nosso trabalho sob o pretexto de que são necessários para nos governar, esses ociosos continuarão sendo um antro empesteado na moral pública”, dizia L’Avant-Garde. “Temos uma praga na casa e temos que destruir sua causa. Mesmo que tenha que ser a ferro e fogo, não podemos vacilar.”

Devido à sua atitude liberal, a Suíça enfrentou dificuldades repetidamente. Quando L’Avant-Garde publicou um hino de louvor ao regicídio em 1878, Itália, Alemanha, Rússia e Espanha reagiram com pressão diplomática e exigiram a proibição do jornal. O governo suíço cedeu para não pôr em risco as relações com seus vizinhos europeus, e um tribunal sentenciou o autor do artigo a dois meses de prisão e expulsão do país por dez anos por incitação à violência contra chefes de estado estrangeiros.

“Os trabalhadores constroem os palácios e vivem em casebres miseráveis”

O momento em que o aviso anônimo chegou foi particularmente perturbador para o presidente Schenk. Há apenas um mês, o anarquista alemão Friedrich August Reinsdorf, mentor de uma tentativa de assassinato contra Wilhelm I, fora condenado à morte. Como defesa, ele argumentou perante o tribunal: “Os trabalhadores constroem palácios e vivem em casebres miseráveis; são eles quem produz tudo e mantém toda a máquina do estado. E ainda assim nada se faz por eles. Eles manufaturam todos os produtos industriais, e mesmo assim têm comida ruim e escassa. […] Isso vai realmente durar para sempre, não seria nosso dever realizar uma mudança?”.

Reinsdorf viveu por muitos anos na Suíça e era muito bem conectado na cena anarquista local. Consequentemente, a possibilidade de que seus camaradas vingassem a sentença de morte com a destruição do parlamento não poderia ser descartada.

O plano diabólico também poderia estar relacionado ao destino do alemão Hermann Stellmacher e do austríaco Anton Kammerer. Eles também viviam na Suíça antes de cometerem vários assassinatos políticos no exterior. Ambos foram sentenciados à morte em setembro de 1884 por um tribunal vienense e eram, desde então, glorificados por seus companheiros como “mártires da revolução social”.

O jornal Freiheit chegou a conclamar seus leitores explicitamente à vingança: “Muitos vilões ainda vão ter que ser abatidos com os punhais ou revólveres dos anarquistas. Aqueles que levaram Stellmacher ao cadafalso também não serão poupados”. Como Stellmacher abandonou sua residência no cantão de St. Gallen às pressas ao ser informado de que sua casa seria revistada, era também provável que seus companheiros quisessem se vingar da polícia suíça.

“A Suíça não vai poder nos escapar”

Seis dias mais tarde, o presidente recebeu uma segunda carta anônima. A primeira carta veio da cidade de St. Gallen, onde Stellmacher viveu. A segunda foi encontrada em Frauenfeld, tinha inconfundivelmente a mesma caligrafia e repetia o mesmo aviso da primeira.

Em 4 de fevereiro, uma carta de Winterthur chegou com a ameaça de que a “o Parlamento Federal será dinamitado sem falta neste mês”. Uma quarta nota foi então recebida com um aviso sobre a existência de outra carta dos conspiradores perto em uma agência de correios em Berna. A polícia encontrou no local indicado um mapa e instruções detalhadas sobre como a dinamite deveria ser contrabandeada para dentro do Parlamento.

Finalmente em 21 de fevereiro, a revista Freiheit, que era então impressa em Londres, publicou um aviso a todos “bandidos-mor do establishment dos vários países europeus”. Nele lia-se: “Na Inglaterra já estamos dinamitando para valer; a Suíça não vai poder nos escapar… Um por todos e todos por um! Nossa pátria é o mundo”. Onde ainda se encontra o Parlamento, os anarquistas disseram que logo iriam “salgar a e arar a terra”.

Onda de prisões

O governo federal decidiu em seguida abrir uma investigação criminal “sobre indivíduos que têm conclamado, a partir de solo suíço, pela execução de crimes comuns na Suíça ou no estrangeiro, ou que de alguma outra maneira tenham perturbado a ordem constitucional e a segurança interna do país”.

Ao raiar do sol no dia seguinte, sete anarquistas estrangeiros foram presos e tiveram suas casas revistadas em Berna e em St. Gallen. Mais prisões em outras cidades se seguiram e grandes quantidades de jornais, panfletos e correspondência privada foram confiscados.

Dica de Nova York

A série de cartas anônima não parou por aí. Primeiro veio uma carta com ameaças de Winterthur, pouco depois uma de Paris. “Podem cercar seu presidente com muitos guardas durante o tempo que quiserem. Ele vai morrer como um cão quando dinamitarmos seu palácio!”, lê-se na nota. Em uma carta anônima de Nova York recebida no dia 12 de março, o autor afirmou ter conhecimento de que um “alemão vestido como um cavalheiro, com barba e bigodes loiros, bastante corpulento e forte” estaria encarregado do atentado contra o parlamento. O terrorista traria o detonador em uma pequena bolsa “ou até debaixo de seu chapéu”. Dias depois, um autor anônimo afirmou que a Federação de Anarquistas da Suíça teria decidido “dinamitar para o inferno” todos os deputados, chefes do governo federal e senadores.

O responsável vai ser pego ou não?

A pista decisiva para a elucidação do caso veio de um caçador da área de St. Gallen. Ele pôde atribuir o texto de certas cartas ao cabeleireiro alemão Wilhelm Huft, que escrevia irregularmente para a imprensa anarquista.

Em 31 de março de 1885, Huft foi preso e interrogado. Ele afirmou sua inocência, mesmo depois do segundo e do terceiro interrogatórios. Depois de 44 dias sob custódia, ele se enforcou na cela com um lenço de seda.

O relatório final do juiz que instruiu o processo é devastador e sem atenuantes quanto à personalidade de Huft: “Vaidade, perfídia e baixeza, vaidade ilimitada e sede insaciável de escândalo, um mulherengo e um utopista com prazer em inventar coisas”.

Quanto à questão de como Huft organizou o envio de cartas anônimas de várias cidades suíças, bem como de Paris e Nova York, o relatório não soube dar uma resposta. O governo federal encerrou o caso com a expulsão de 21 anarquistas do país, embora nenhum ato criminoso pudesse ter sido comprovado.

Até hoje, não está claro se os anarquistas planejaram seriamente explodir o parlamento federal, ou se tudo foi produto da imaginação de um cabeleireiro anarquista. Seja como for, esta história bizarra acabou inspirando o compositor Mani Matter a fazer uma reflexão musical muito popular sobre a democracia suíça.

Confira aqui a música em uma versão do ano de 1992 com a banda “Züri West”, que canta em dialeto suíço:

https://www.youtube.com/watch?v=laWR4JKRSRM

Fonte: https://www.swissinfo.ch/por/politica/s%C3%A9rie–anarquistas-na-su%C3%AD%C3%A7a-_-o-parlamento-vai-voar-pelos-ares-este-m%C3%AAs–estreme%C3%A7am-/44705780

agência de notícias anarquistas-ana

Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

Masuda Goga

[Portugal] Feira Anarquista do Livro | Lisboa – 25 e 26 de Setembro de 2021

A p r e s e n t a ç ã o

Viva!

Desde este ponto geográfico cada vez mais perto da catástrofe total, fruto do terremoto turístico, do aparato fármaco-securitário e da normalização de tudo, voltamos a convidar-vos a todas e todos para um fim-de-semana de encontro entre resistentes, insubmissos e iconoclastas. Nos dias 25 e 26 de Setembro de 2021, a Feira Anarquista do Livro regressa a Lisboa, na Quinta do Ferro, uma “ilha” na cidade gentrificada. À violência continuada do processo pandêmico, que dissolveu laços sociais e hábitos de comunhão, respondemos com uma possibilidade de encontro.

Hoje como ontem, resistimos ao cerco do capital, da autoridade e do conformismo. A maioria resigna-se, nós não!

Saúde e Anarquia!

> Programação sábado (25):

https://feiranarquistadolivro.noblogs.org/programa/

> Programação domingo (26):

https://feiranarquistadolivro.noblogs.org/domingo/

Onde:

Na Quinta do Ferro, rua C, nº70 (paralela à rua Leite Vasconcelos), Lisboa

feiranarquistadolivro.noblogs.org

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greta no muro –
dois olhos ao fundo,
lá no escuro

Carlos Seabra

[EUA] Anarquismo Verde

Por Cindy Milstein | 10/08/2021

Meu caro amigo e mensch #MurrayBookchin se reviraria em seu túmulo se me ouvisse dizer isso, mas entre os incêndios capitalistas desse Verão, inundações, secas, ondas de calor, tornados e outras extremas e mortíferas catástrofes climáticas do “novo normal”, e o relatório de hoje do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU “atrasado para o fim do mundo”, precisamos de um novo #GreenAnarchism (#AnarquismoVerde).

Ou como um jovem e inteligente amigo anarquista colocou recentemente quando estávamos caminhando e falando de políticas radicais (incluindo o maquinário pesado arrancando árvores por um projeto de gentrificação “verde” em um local onde pessoas sem teto haviam sido despejadas há apenas um mês), nós precisamos reunir o melhor do anarcoprimitivismo (anti-civ) ou anarquia verde com o melhor da ecologia social, sem o azedume e caricaturas polêmicas entre as áreas.

Cada perspectiva, cada uma com sua própria multiplicidade de tendências, estratégias e práticas, está, essencialmente, preocupada com o quanto nós humanos fomos afastados do ecossistema do qual somos somente uma humilde parte. Isso, em retorno, tem nos afastado de nós mesmos e uns dos outros. E essa profunda alienação abriu as comportas, por assim dizer, para que os humanos no seu todo pensem que não só são superiores e/ou separados do mundo não humano (e agora do espaço), como também podem dominá-lo – ao ponto de “nós” humanos destruirmos a própria base da nossa vida como espécie: nosso lar, este planeta.

Talvez já estejamos vendo essa mistura generalizada nas numerosas ocupações contra diversas coisas, de oleodutos, fraturamento hidráulico (fracking), à extração de madeira antiga para a expansão de aeroportos e muito mais. Eles são capazes, por exemplo, de criticar formas pelas quais a “civilização”, tal como um disfarce do colonialismo, não é ecológica, além de oferecer visões de como os seres humanos poderiam viver em relativa harmonia ecológica e social dentro das comunidades autônomas que evoluem das primeiras ocupações em muitos casos.

Eu não estou sozinha na desesperança. Nenhum New Deal Verde ou plano da ONU vai nos salvar. Somente um anarquismo ecológico e social, verde e de cuidado e atenção coletiva, poderá, ao menos, oferecer vidas que valham a pena ser vividas no tempo que ainda nos resta.

#WeAreAllWeHave #GoogleMurrayBookchin #TryEcologicalAnarchismForLife

Fonte: https://cbmilstein.wordpress.com/2021/08/10/greening-anarchism/

Tradução > Mari

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

[Chile] Fora fascismo das salas de aula e sua manipulação.

É durante esses dias que às crianças nas escolas são mostradas as “glórias” de uma pátria manchada com sangue mapuche e a admirar falsos heróis que nada mais são do que assassinos e corruptos.

As crianças não têm que seguir o exemplo de um exército, marinha e polícia que existem para defender os ricos e seus interesses de classe.

O patriotismo e a “liberdade” que o fascismo promove nada mais é do que manipulação e oportunismo para defender um sistema capitalista e um liberalismo econômico que nada tem a ver com a libertação dos explorados e uma vida digna.

FORA FASCISMO DAS SALAS DE AULA E SUA MANIPULAÇÃO.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

agência de notícias anarquistas-ana

no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –

Krzysztof Karwowski

[Filipinas] Projeto de Terra e Vida Comunal

Feral Crust é um coletivo eco-anarquista sediado em Davao. Que está trabalhando para estabelecer uma zona autônoma de subsistência e experiência de vida baseada em princípios de ajuda mútua, cooperação e ecologia. Eles estão pedindo por doações solidárias para ajudar com itens necessários, tais como madeira e bambu para construção, mais mudas, ferramentas e barris adicionais, redes de jardim, chapas galvanizadas, compensados e blocos ocos, areia e mistura de cascalho para estruturas de concreto. Aqui está o pedido direto deles.

I. UM POUCO SOBRE NÓS / IDEAIS

FERAL CRUST

Somos um coletivo eco-anarquista sediado em Davao, Filipinas. O nosso objetivo é criar um pequeno projeto de terra comunitária autônoma. Ele está situado em um terreno montanhoso dentro das florestas remanescentes que é o lar da vida selvagem nativa e de povos tanto indígenas como não indígenas.

PROJETO DE TERRA E VIDA COMUNITÁRIA

Estamos trabalhando para estabelecer uma zona autônoma de subsistência e experiência de vida baseada em princípios de ajuda mútua, cooperação e ecologia. Esperamos que ela se torne um lugar de comunicação direta, nutrindo relacionamentos, estabelecendo afinidade e solidariedade, trabalhando ao lado de pessoas baseadas na terra (vizinhos/comunidade) e promovendo a conexão mútua com todas as formas de vida.

SUBSISTÊNCIA

Buscamos a subsistência; portanto, a liberdade e a autonomia. Estamos encontrando maneiras de reaprender e implementar as habilidades e conhecimentos que foram essenciais para a auto-suficiência (por exemplo, habilidades tradicionais/ancestrais que sustentaram as pessoas por muitas gerações em uma relação recíproca com a terra em que viveram), porém também incluiremos usos práticos de qualquer método moderno, materiais e aplicação que seja acessível no contexto atual (por exemplo, reciclagem e reutilização). Além disso, somos também inspirados por povos indígenas e horticultores que dependem da terra, podendo, assim, continuar sua integridade ecológica e abordagens e usos holísticos e espirituais totalmente integrados aos recursos naturais disponíveis em seu local. Tais conhecimentos e sabedoria são dignos de consideração no que diz respeito ao aumento da independência e autodeterminação de uma forma mais natural e ética.

ECOLOGIA

Acreditamos que é importante restabelecer uma relação saudável com nosso ambiente/biorregião local – descobrir a conexão entre nós e a terra. Tudo no ecossistema é interdependente e nós somos parte dele. Levamos plenamente em conta esta interconexão, participando e cooperando com a natureza. Da mesma forma, reconhecemos altamente a importância de defender a terra, tomando uma posição na proteção do bem-estar de toda a vida que vive sobre ela (ou seja, restaurando as terras que estão sendo destruídas ou conservando/preservando áreas selvagens remanescentes por todos os meios possíveis).

COMUNIDADE DIRETA

Incentivamos relações igualitárias e equitativas considerando a importância da aplicação pessoal e coletiva de valores culturais como a ajuda mútua, o respeito e a solidariedade. Isso inclui a construção de confiança e o estabelecimento de fortes laços entre os membros da comunidade, os habitantes imediatos do lugar, tais como vizinhos, amigos ou aliados, independentemente de raça, nação, sexo, idade e capacidade física/mental.

Desejamos alcançar as pessoas de forma pessoal e encontrar afinidade dessa forma – enriquecendo as relações práticas do dia-a-dia e não a partir de qualquer ideologia. Além disso, acreditamos que o ambiente natural ajuda a moldar nossa experiência, influenciando nossas interações e relacionamentos pessoais. Da mesma forma, uma orientação ética para a terra é essencial para o bem-estar da comunidade.

II. METAS E OBJETIVOS

Criar um ecossistema estável através da permacultura e da regeneração da vida selvagem/natureza.

Aprender e praticar habilidades relacionadas à natureza e à vida de subsistência.

Proporcionar ensino aberto, compartilhamento de habilidades e espaço para eventos para a comunidade.

Envolver-se em trabalho cooperativo com pessoas locais e não-locais melhorando o intercâmbio cultural e a solidariedade.

Estamos precisando demais de doações solidárias para que possamos adquirir itens necessários como madeira e bambu para construção, mais mudas, ferramentas e barris adicionais, redes de jardim, chapa galvanizada para telhado, compensados e blocos ocos, areia e mistura de brita para estruturas de concreto.

Para enviar uma doação para nosso projeto de terra, aqui está o link para nossa conta Paypal: sanchezmonicajoy[AT]gmail.com

Muito obrigado por sua consideração gentil.

Muito amor e solidariedade,

Mhel e Nika do Feral Crust

Site: feralcrustproject.wordpress.com

FB: feralcrustinfoshop

Tradução > solan4s

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A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

[Espanha] Cádiz: Concentração em homenagem às vítimas do fascismo em Puerto Real

Em uma manhã quente, e após um ano em suspensão devido à pandemia, a Associação pela Recuperação da Memória Histórica Social e Política de Puerto Real, organizamos no último domingo 12/09, às 11h00, a XV Concentração-Homenagem aos assassinados da Guerra Civil em Puerto Real. Este evento foi iniciado pelo companheiro Paco Aragón, como porta-voz da Associação. Depois de recordar as inumações das duas pessoas que deram positivo na análise do DNA, e da situação atual das negociações para a construção dos columbários (onde serão colocados os restos – não positivos – dos corpos exumados da fossa), ele continuou explicando as atrocidades cometidas pela ditadura franquista.

Deixando claro que em Puerto Real, como em muitas outras cidades e vilas, não houve guerra, mas repressão, ele passou a dar um relato detalhado dos procedimentos repressivos exercidos pela ditadura: genocídio, fuzilamentos em massa, desaparecimentos sistemáticos, prisões igualmente em massa, campos de internação e trabalhos forçados, institucionalização da tortura, exílio interno e externo, decapitação das liberdades, etc. Em seguida, Pepe Gómez, após uma breve introdução dedicada à importância de dar voz aos assassinados, recitou um poema dedicado aos que ainda estão desaparecidos. O evento, que contou com uma nutrida assistência, culminou com a canção “Desaparecidos”, de Mario Benedetti e Daniel Viglietti, que tanto nos comove, e depois a oferenda de buquês de flores por parte dos familiares.

Puerto Real. Setembro 2021.

Fonte: https://www.cnt-ait.org/cadiz-concentracion-en-homenaje-a-las-victimas-del-fascismo-en-puerto-real/

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prosa de chuva
deságua em trova
trêmulo trovão

Luciana Bortoletto

Pré-venda: Apoio Mútuo, de Piotr Kropotkin

O livro Apoio Mútuo: um fator de evolução foi publicado originalmente em 1902, na Inglaterra, durante o exílio de Kropotkin. Apesar de ter sido traduzido e publicado nos quatro cantos do mundo, não contou, até pouco tempo atrás, com uma edição em português. Tal feito só ocorreu em 2009 quando A Senhora Editora publicou a primeira edição digital. Foi em 2012, nos 110 anos da primeira edição, que A Senhora Editora somou esforços com a Editora Deriva para a primeira edição impressa do livro.

Esta nova edição publicada pela Biblioteca Terra Livre foi revisada e a ela acrescentamos o texto Apoio Mútuo: Um fator iluminado de evolução, de Andrej Grubacic & David Graeber que compõe a edição da PM Press, além do obituário de Darwin escrito por Kropotkin e publicado na edição da Pepitas de Calabaza.

Com este livro damos continuidade ao esforço global de difusão das produções teóricas deste que foi um dos mais destacados anarquistas da história.

Para auxiliar nos custos de gráfica, a pré-venda do livro com 20% DE DESCONTO (de R$45 por R$36) até o dia 2 de outubro de 2021 e a previsão é que o envio se inicie a partir de 4 de outubro.

O livro pode ser adquirido das seguintes formas:

1) Através do PagSeguro: https://pag.ae/7XwPCzHG3

2) Na loja da Livraria Terra Livre com o uso do cupom KROPOTKIN, onde temos nosso catálogo completo: https://livrariaterralivre.minhalojanouol.com.br/produto/224333/pre-venda-apoio-mutuo

3) Via PIX:

Chave: bibliotecaterralivre@gmail.com

Não esqueça de acrescentar o valor do frete (R$8 – oito reais) na compra. O total fica do livro na pré-venda mais o frete fica R$44 (quarenta e quatro reais).

IMPORTANTE! Não esqueça de enviar por email o comprovante e o endereço para envio!

Ficha técnica:

Título: APOIO MÚTUO: UM FATOR DE EVOLUÇÃO

Autor: PIOTR KROPOTKIN

Editora: BIBLIOTECA TERRA LIVRE

Idioma: português

Encadernação: Brochura

Dimensão: 21 x 14 cm

Edição: 1ª

Ano de Lançamento: Outubro de 2021

Número de páginas: 376

Preço: R$ 45,00

Mais informações sobre o livro em: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/pre-venda-apoio-mutuo-um-fator-de-evolucao/

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a borboleta
pousa sobre o sino do templo
adormecido

Buson

[Espanha] Acampamento Libertário para a Ocupação de Espaços Autogeridos

CAMPO DE CONVIVÊNCIA LIBERTÁRIA, 17 A 26 DE SETEMBRO

Porque juntos nos sentimos fortes, grandes e queremos ser livres e rebeldes.

Acreditamos que podemos fazer uma realidade diferente onde todos vivem à vontade e não temos medo de ser o mínimo, aqueles que não cumprem as regras, porque sentimos que somos mais e que a união nos fortalece, desde o C.S.O.A. La Algarroba Negra, em Badajoz, o convidamos a compartilhar uma convivência livre e autogerida no CAMPO DE CONVIVÊNCIA LIBERTÁRIA, de 17 a 26 de setembro.

Convidamos todos aqueles que sentem que juntos podemos fortalecer as ideias de vida livre, a reivindicação da okupação não apenas como moradia, mas como centro social, espaços onde podemos praticar a criação de outro mundo, um mundo onde tudo é para todos, espaços para encontrar, compartilhar, debater, sonhar e, sobretudo, viver, para criar esse espaço onde podemos desenvolver estratégias em grupos e lutar pela igualdade.

Você já se perguntou sobre a “violência passiva” à qual nos submetemos de forma autônoma quando deixamos de experimentar recursos para a criação do mundo onde gostaríamos de estar?

Estamos no presente e esperamos que esta convivência em La Algarroba Negra seja um impulso para todos nós no sentido da transformação para um mundo melhor, mais justo e equitativo, onde os valores da justiça social venham antes do individualismo da propriedade privada.

A okupação de espaços abandonados para dar origem a espaços sociais coletivos ou para dar abrigo a indivíduos é um ato legítimo diante da necessidade de espaços e recursos para que possamos viver e nos desenvolver e diante da infinidade de espaços, materiais e recursos desperdiçados pelo sistema capitalista que gera desigualdade e desperdício para onde quer que vá.

Não faz sentido criminalizar e deixar sem esses espaços pessoas que têm necessidades e dar preferência a entidades privadas, neste caso a Sareb com a intenção de especular, murar e deixar abandonados, espaços que poderiam ter um uso social.

Do centro social okupado e autogerido onde estamos, acreditamos que não há razões legítimas para obedecer a um governo e suas leis injustas, nossa consciência nos ordena primeiro a sermos livres e responsáveis, não sujeitos.

Uma propriedade ocupada, propriedade da Sareb (Sociedade de ativos da reestruturação bancária, fundos de ativos tóxicos financiados pelo Estado que detém 45,9% e por bancos privados, companhias de seguros, imóveis e eletricidade, têm mais de 50.000 propriedades com as quais obtêm grandes benefícios econômicos e são amplamente responsáveis pela situação econômico-político-social atual e futura, e, me diga você, como acha que será?).

Em Badajoz no C.S.O.A. La Algarroba Negra decidimos acompanhar os camaradas que usam o espaço aleatoriamente acusados de usurpação, okupamos o nosso tempo, okupamos o C.S.O.A. para realizar algo em que acreditamos, uma coexistência libertária, autogerida e solidária.

O objetivo do acampamento é recuperar o uso de espaços autônomos e autogeridos, promover relações intergeracionais e igualitárias e gerar interações sociais a nível local e peninsular.

>> Mais informações: https://www.algranoextremadura.org/csoa-la-algarroba-negra/acampada-libertaria

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/17/espanha-perigo-iminente-de-despejo-do-csoa-la-algarroba-negra-em-badajoz/

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o rio ondulando
a figueira frondosa
no espelho da água.

Alaor Chaves

Colóquio Internacional: 120 Anos da Escola Moderna de Barcelona

26 a 29 de Outubro de 2021 | Universidade Estadual do Paraná (Unespar) – Campus Apucarana-PR, Brasil

Evento Gratuito e Online com transmissão ao vivo por canal no Youtube e Facebook.

Sobre o Colóquio

O presente Colóquio é uma continuidade dos trabalhos da Biblioteca Terra Livre em parceria com Universidades Públicas para difundir a história da educação libertária e do pensamento anarquista. Em 2012, foi organizado o Colóquio Internacional “Educação Libertária: 100 anos da Escola Moderna de São Paulo” (coloquioeducacaolibertaria.wordpress.com), realizado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
No ano em que rememoramos os 120 anos da fundação da Escola Moderna de Barcelona, pretendemos com a organização de um Colóquio Internacional reunir pesquisadores e interessados no tema da história da Escola Moderna e da difusão do racionalismo pedagógico ao redor do mundo. Um dos objetivos centrais é criar um espaço de construção coletiva de conhecimento e divulgação científica, além de proporcionar a reflexão sobre as inovações pedagógicas propostas por Francisco Ferrer y Guardia e a rede de educadoras/es, cientistas e militantes envolvidas/os diretamente no projeto da Escola Moderna. Por fim, será a oportunidade de socialização dos resultados do Projeto de Pesquisa e do Grupo de Estudos sobre a Escola Moderna no Brasil (1890-1930) coordenado pelo Prof. Dr. Rodrigo Rosa da Silva (Unespar-Apucarana).

>> Mais infos: coloquioescolamoderna2021.wordpress.com

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/30/espanha-i-simposio-internacional-ferrer-guardia/

agência de notícias anarquistas-ana

este papel de parede
ou ele se vai
ou eu me vou

Oscar Wilde

[França] A Livraria Libertária La Niche

A p r e s e n t a ç ã o

La Niche é uma livraria associativa itinerante fundada em 2005 por um grupo de amigos e amigas motivados pela disseminação do pensamento libertário. Opera em um modelo de autogestão e antiautoritário. A associação é autogestionária, ou seja, os membros que participam concretamente no seu funcionamento estarão todos em pé de igualdade, assim como qualquer tomada de decisão será feita em igualdade de condições entre esses membros.

Preocupada com a nossa independência política e com a autonomia dos movimentos, La Niche se pretende um lugar de convergência apoiando vários coletivos em luta, acolhendo e divulgando as suas várias reivindicações. Recusando-se a ser um “santuário” dedicado aos livros, espera assim conjugar reflexões e práticas. Queremos divulgar as ideias dos vários movimentos anarquistas em torno de um lugar fixo, mas também de forma itinerante. Queremos divulgar a história e as notícias dos movimentos críticos que lutam contra o sistema capitalista, para além dos aparatos políticos e de qualquer outro tipo de organização institucionalizada. Trata-se sobretudo de se opor a todas as formas de dominação e de lutar contra tudo o que a justifica e legitima.

librairielaniche.wordpress.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/03/franca-a-livraria-do-lirio-do-vale/

agência de notícias anarquistas-ana

No jardim da vida,
imagino o paraíso
de cores e flores.

Sandra Hiraga

Repressão na Bielorrússia em agosto de 2021

 Já se passou mais de um ano desde o início dos protestos na Bielorrússia, causados por eleições falsas. Muitos de nossos camaradas foram colocados atrás das grades, muitos tiveram que fugir do país, a atividade pública é prejudicada não apenas para os anarquistas, mas para todas as associações e grupos dissidentes. Abaixo você verá uma breve atualização sobre a situação com as repressões na Bielorrússia, com foco nos anarquistas e antifascistas. Tentaremos lançar essas atualizações no final de cada mês.

 Repressão contra anarquistas e antifascistas

Mais quatro anarquistas foram presos por acusações criminais de participação nos protestos de agosto-setembro do ano passado. Aleksandr Belov e Evgeny Rubashko foram detidos em 29 de julho e colocados sob custódia nos 10 dias seguintes. Eles foram espancados para extorquir confissões e senhas para seus dispositivos. O colega de apartamento de Evgeny foi preso por 14 dias por obstrução e mais tarde deportado da Bielorrússia com uma proibição de entrada de 7 anos.

Dois anarquistas com o mesmo nome – Artiom Solovey – foram detidos em 4 de agosto. Ambos foram posteriormente acusados de violação grosseira da ordem pública durante protestos.

Nos dias 4 e 11 de agosto, a polícia revistou mais de 10 apartamentos e deteve 9 ativistas que foram presos por obstrução e passaram por uma detenção de 10 a 15 dias. Um deles, Ilya Senko, foi preso novamente por mais 15 dias por se recusar a testemunhar contra si mesmo. Sua casa foi revistada duas vezes este mês. Em 3 de setembro ele foi solto.

O antifascista de Brest Denis Zhuk foi condenado a quatro anos de prisão por participação em motins em massa.

Os anarquistas também são pressionados na prisão. Mikita Yemelyanau e Artiom Solovey foram colocados em uma cela de punição por 7 dias. O antifascista Igor Bancer  já passou 30 dias na segregação administrativa. Todos eles têm um distintivo especial dizendo que são propensos ao extremismo, portanto, mais atenção dos guardas. Os antifascistas Timur e Tamaz Pipiyas  relataram ausência total de cartas após o veredicto.

Os partidários anarquistas Ihar Alinevich, Dzmitry Dubouski, Dzmitry Rezanovich, Sergey Romanov foram apresentados às acusações finais e começaram a examinar os arquivos do caso. As acusações são desconhecidas devido à declaração de sigilo dos advogados. O julgamento é esperado em alguns meses.

ABC-Bielorrússia apoia anarquistas e antifascistas que sofrem com a perseguição. Você pode doar usando os detalhes de transferência nesta página https://abc-belarus.org/?page_id=8661&lang=en

Repressão em geral

Em agosto, o Estado finalizou a repressão contra a mídia independente, defensores dos direitos humanos e ONGs. Agora todas as ONGs foram fechadas ou estão em processo de fechamento.

Nossa lista de manifestantes presos e perseguidos chega a mais de 1000 pessoas. O maior escândalo agora são as autoridades bielorrussas trazendo iraquianos e outros imigrantes para o país e apoiando-os na travessia das fronteiras europeias. É por isso que a Lituânia, a Letônia e a Polônia começaram a construir uma cerca de arame ao longo da fronteira. Alguns migrantes estão presos na zona neutra, com guardas de fronteira europeus e bielorrussos não permitindo que eles entrem em nenhum dos lados.

Há relatos de que a tortura é usada em centros de detenção temporária onde são detidos administrativamente – as pessoas não recebem lençóis ou colchões, são privadas de sono e envenenadas com cloro que é colocado no chão. Eles não recebem nenhuma cota de comida de fora.

Pessoas que são enviadas para cumprir suas penas denunciam maus tratos e punições. Os advogados não podem ver seus clientes por semanas, parentes estão preocupados. Quando os condenados tentam apelar, suas sentenças às vezes se tornam mais severas.

Os julgamentos de políticos importantes e “perigosos para o regime” são fechados ao público. Vários presos políticos foram libertados este mês após assinarem a petição de perdão.

Pessoas que trabalham para empresas estatais relatam demissões em massa daqueles que participaram dos protestos de qualquer forma. Famílias com histórico de protestos estão sujeitas a inspeções de controle infantil.

136 pessoas foram condenadas por acusações políticas somente em agosto.

O que acontece com o protesto?

Em geral, a maioria das pessoas agora tem medo de fazer protestos de rua, então, principalmente, a atividade se limita a ações simbólicas menores nos bairros. Ao mesmo tempo, muito trabalho é dedicado à pressão internacional sobre o regime, como cancelamento de eventos esportivos, banimento da Bielorrússia da Eurovision, pressão sobre as empresas para que não cooperem com o regime. Equipes especiais estão trabalhando em colaboração com funcionários públicos de diferentes instituições que desejam mudanças, ou tentando unir todos os trabalhadores e prepará-los para uma greve nacional.

A oposição anunciou um Plano de Vitória que envolve pessoas que não apoiam o regime se registrem como manifestantes prontos para agir e fornecer detalhes sobre sua ocupação, etc. Os iniciadores esperam obter um grupo de pessoas de todas as esferas da vida para, mais tarde, formar grupos de afinidade com base em locais de trabalho ou habilidades comuns.

Um grupo chamado CyberPartisans reivindicou alguns ataques de hackers a e-mails oficiais, sites e servidores de agências governamentais. Eles vazaram informações pessoais de policiais e agentes da KGB, gravações de vídeo de centros de detenção, etc.

ABC-Bielorrússia apoia anarquistas e antifascistas que sofrem com a perseguição. Você pode doar usando os detalhes de transferência nesta página https://abc-belarus.org/?page_id=8661&lang=en

Fonte: https://abc-belarus.org/?p=14318&lang=en

Tradução > Da Vinci

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agência de notícias anarquistas-ana

As cebolinhas
Lavadas e tão brancas —
Que frio!

Bashô

[Chile] Mini-documentário: “Las voces del trueno”

Documentário 100% gravado em Talcahuano, representa a invasão da indústria metalúrgica e pesqueira frente à resignificação dos símbolos territoriais e geográficos. Está narrada em imagens que constatam o grave crime que se cometeu contra a natureza, produzido pela super exploração dos ecossistemas rurais e urbanos, onde a terra está manifestando-se lentamente a passagem do fluxo, que fará desaparecermos logo da superfície. Cabe assinalar que o nome “Las voces del trueno” é pelo nome em mapudungun da comuna Tralkawenu, cujo significado é “cielo tronador”, ou “cielo de truenos”, onde se gera o eletrochoque de reinício à nova consciência e paradigma, à qual abrimos passagem inevitavelmente.

É um projeto experimental, de caráter político e etnográfico. Foi estreado em setembro, antes da revolta de outubro do ano 2019 no $hile, país envolto no crime ambiental, em suas 16 regiões.

>> Veja o mini-documentário (09:00) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=RJXI2ui1uRw

agência de notícias anarquistas-ana

o futuro do presente
repousa em movimento
no teu ventre

Eliakin Rufino

David Graeber: Por que há tão poucos anarquistas na academia?

Esta é uma questão pertinente, uma vez que hoje o anarquismo como filosofia política está em seu apogeu. Os movimentos anarquistas ou de inspiração anarquista estão crescendo em toda parte; os princípios anarquistas tradicionais – autonomia, associação voluntária, auto-organização, ajuda mútua, democracia direta – podem ser encontrados tanto nos fundamentos organizacionais do movimento de globalização quanto em uma grande variedade de movimentos radicais em qualquer parte do mundo. Revolucionários no México, Argentina, Índia e em outros lugares têm abandonado cada vez mais os discursos que defendem a tomada do poder e começaram a formular ideias diferentes sobre o que a revolução poderia significar. É verdade, a maioria ainda usa timidamente a palavra “anarquista”, mas como Bárbara Epstein recentemente assinalou, o anarquismo já ocupou mais do que o lugar que o marxismo ocupava nos movimentos sociais dos anos 60. Mesmo aqueles que não se consideram anarquistas são forçados a se definir em relação a ela e se inspirar em suas ideias.

Entretanto, isto dificilmente se reflete nas universidades. A maioria dos acadêmicos muitas vezes tem uma ideia muito vaga do que é o anarquismo, ou o rejeitam com os estereótipos mais grosseiros. (“Organização anarquista! Isso não é um contrassenso?”) Nos EUA há milhares de acadêmicos marxistas de uma ou outra escola, mas apenas uma dúzia de professores dispostos a se chamarem anarquistas.

É uma questão de tempo? Isso é possível. Talvez dentro de alguns anos as universidades estejam transbordando de anarquistas, mas eu não tenho grandes esperanças. O marxismo parece ter uma afinidade com a universidade que o anarquismo nunca terá. Afinal, é o único grande movimento social inventado por um acadêmico, mesmo que mais tarde tenha se tornado um movimento pela união da classe trabalhadora. A maioria dos ensaios sobre a história do anarquismo afirma que suas origens foram semelhantes às do marxismo: o anarquismo é apresentado como uma criação de certos pensadores do século XIX – Proudhon, Bakunin, Kropotkin, etc. – O anarquismo, nos relatos mais comuns, é frequentemente apresentado como o parente pobre do marxismo, teoricamente um pouco coxo, que é compensado, no entanto, no plano ideológico, por sua paixão e sinceridade. Mas na verdade, a analogia é, na melhor das hipóteses, forçada. Os “pais fundadores” do século XIX nunca pensaram que tivessem inventado algo particularmente novo. Os princípios básicos do anarquismo – auto-organização, associação voluntária, ajuda mútua – referem-se a formas de comportamento humano que foram consideradas como parte da humanidade desde o seu início. O mesmo pode ser dito de sua rejeição do Estado e de todas as formas de violência estrutural, desigualdade ou dominação (anarquismo significa, literalmente, “sem governantes”), e também do reconhecimento de que todas essas formas estão, até certo ponto, relacionadas e se reforçam umas às outras. Estas ideias nunca foram apresentadas como o germe de uma nova doutrina. E na verdade, não foram: pode-se encontrar registros de pessoas fazendo tais argumentos ao longo da história, embora todas as evidências sugiram que, em quase todos os momentos e em quase todos os lugares, estes pontos de vista raramente foram expressos por escrito. Referimo-nos, portanto, menos a um corpo de teoria do que a uma atitude ou até mesmo a uma fé: a rejeição de certos tipos de relações sociais, a confiança de que outros serão muito melhores na construção de uma sociedade habitável, a crença de que tal sociedade poderia realmente existir.

Se compararmos também as escolas históricas do marxismo e do anarquismo, vemos que são projetos fundamentalmente diferentes. As escolas marxistas têm autores. Assim como o marxismo surgiu da mente de Marx, também temos leninistas, maoístas, trotskistas, gramscianos, althusserianos… (Note que a lista é encabeçada por chefes de estado e gradualmente desce até os professores franceses). Pierre Bourdieu observou uma vez que se o mundo acadêmico fosse como um jogo em que os especialistas lutam pelo poder, saber-se-ia que se ganhou quando esses mesmos especialistas começaram a como criar um adjetivo a partir de seu nome. É precisamente para preservar a possibilidade de vencer este jogo que os intelectuais insistem em continuar usando em suas discussões teorias de história do tipo “Grande Homem”, que sem dúvida escarneceriam em qualquer outro contexto. As ideias de Foucault, como as de Trotsky, nunca são tratadas como um produto direto de um determinado meio intelectual, resultado de conversas e discussões intermináveis envolvendo centenas de pessoas, mas como o produto do gênio de um único indivíduo ou, muito ocasionalmente, de uma mulher. Também não é o caso que a política marxista tenha sido organizada como uma disciplina acadêmica ou que ela se tenha tornado um modelo para medir, cada vez mais, o grau de radicalismo dos intelectuais.

Na realidade, ambos os processos se desenvolveram em paralelo. Da perspectiva da academia, isto produziu resultados satisfatórios – o sentimento de que deve haver algum princípio moral, que as preocupações acadêmicas devem ser relevantes para a vida das pessoas – mas também desastrosos: transformou muito debate intelectual em uma paródia de política sectária, na qual todos se esforçam para caricaturar os argumentos uns dos outros não apenas para mostrar o quanto estão errados, mas sobretudo o quanto malévolos e perigosos eles podem ser. E tudo isso quando as discussões que são levantadas usam uma linguagem tão hermética que somente aqueles que foram capazes de pagar sete anos de educação superior poderão ter acesso a elas.

Consideremos agora as diferentes escolas do anarquismo. Há anarco-sindicalistas, anarco-comunistas, insurrecionais, cooperativistas, individualistas, plataformistas… Nenhum deles deve seu nome a um Grande Pensador; pelo contrário, todos eles recebem o nome de algum tipo de prática ou, mais frequentemente, de princípio organizacional. (Significativamente, as correntes marxistas que não recebem o nome de pensadores, tais como a autonomia ou o comunismo conselhista, são as mais próximas do anarquismo). Os anarquistas gostam de se destacar por sua prática e como eles se organizam para realizá-la e, de fato, têm dedicado a maior parte de seu tempo a pensar e discutir exatamente isso. Os anarquistas nunca estiveram muito interessados nas questões estratégicas e filosóficas que historicamente têm preocupado os marxistas. Assim, os anarquistas consideram questões como “Os camponeses são uma classe potencialmente revolucionária?” para que sejam os próprios camponeses a decidir. Qual é a natureza da forma da mercadoria? Em vez disso, eles discutem sobre qual é a forma verdadeiramente democrática de organizar uma assembleia e em que ponto a organização deixa de ser enriquecedora e restringe a liberdade individual. Ou sobre qual ética deve prevalecer em oposição ao poder: o que é ação direta, é necessário (ou certo) condenar publicamente alguém que assassina um chefe de Estado, ou pode o assassinato ser considerado um ato moral, especialmente quando impede algo terrível, como uma guerra? Ou quando é certo apedrejar uma janela?

Em resumo:

  1. O marxismo tende a ser um discurso teórico ou analítico sobre estratégia revolucionária.
  2. O anarquismo tende a ser um discurso ético sobre a prática revolucionária.

Obviamente, tudo o que eu disse até agora é um pouco caricatural (tem havido grupos anarquistas muito sectários e muitos marxistas libertários, incluindo possivelmente eu mesmo, que têm sido a favor da prática). De qualquer forma, como já assinalei, isto implica uma grande complementaridade potencial entre os dois. E, de fato, houve: Mikhail Bakunin, além de discutir com Marx sobre questões práticas em inúmeras ocasiões, também traduziu pessoalmente o capital para o russo. Mas também torna mais fácil entender por que há tão poucos anarquistas na academia. Não é simplesmente que o anarquismo não emprega uma teoria sublime, mas que suas preocupações se limitam acima de tudo às formas de prática; ele insiste, antes de tudo, que os meios devem estar de acordo com os fins; a liberdade não pode ser gerada por meios autoritários. Na verdade, na medida do possível, deve-se antecipar a sociedade que se deseja criar nas relações com amigos e companheiros. Isto não se encaixa muito bem com o trabalho na universidade, talvez a única outra instituição ocidental além da Igreja Católica e da monarquia britânica que permaneceu inalterada desde a Idade Média, promovendo debates intelectuais em hotéis de luxo e até mesmo fingindo que tudo isso encoraja a revolução. No mínimo, um professor abertamente anarquista poderia questionar como funcionam as universidades – não pretendo aqui solicitar um departamento de estudos anarquistas – e isso, é claro, lhe traria muito mais complicações do que qualquer coisa que pudesse escrever.

David Graeber

Fonte: https://lapeste.org/2019/06/david-graeber-por-que-hay-tan-pocos-anarquistas-en-la-academia/

Tradução > Liberto

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a estrela d’alva se tirou
jamais clareava
negras árvores nos azulados

Guimarães Rosa

100 anos da lei de repressão ao anarquismo (1921-2021)

Por Bruno Corrêa de Sá e Benevides

No dia 17 de janeiro de 1921, entrava em vigor o decreto n.º 4.269 criminalizando a prática do anarquismo. A norma em questão foi o resultado direto de uma longa discussão travada no Congresso Nacional brasileiro, cujo propósito foi atender a uma demanda considerada urgente pelas elites políticas republicanas, no início dos anos 1920.

A medida parlamentar, como dito, buscou reprimir a prática do anarquismo, tipificando (ou classificando) como crime alguns atos de militâncias, pondo fim ao impasse jurídico que se arrastava nos Tribunais Superiores desde o início do período republicano. Daquele momento em diante, vinha à tona um dispositivo legal especifico, no qual poderiam ser enquadrados todos aqueles que se envolvessem em ações de propaganda com o propósito de divulgar ideias anárquicas e, por meio delas, organizar sindicatos, jornais, promover greves, entre outras atividades.

Apesar da criação do decreto, cabe lembrar que os anarquistas, no Brasil, já vinham sendo constantemente reprimidos com base no próprio Código Penal de 1890 nas famigeradas contravenções, que penalizavam o ócio, a formação de sociedades consideradas secretas, o uso ilegal da tipografia e o dano à coisa pública. Além disso, sendo o militante de origem estrangeira, desde 1907, havia também a possibilidade legal¹ de decretar a sua expulsão do território nacional. Portanto, com ou sem uma lei especial, o fato é que a criminalização do anarquismo tornou-se prática comum desde a proclamação da República, em novembro de 1889. Mas com a edição de um novo dispositivo normativo, além do aumento da pena, buscava-se evitar a inconstitucionalidade e a ilegalidade de uma eventual condenação criminal sem o devido fundamento jurídico.

Com isso, os magistrados, os promotores e as autoridades policiais passavam a possuir “carta branca” para agir coercitivamente do ponto de vista legal no trato com o anarquista. Essa talvez seja a maior ironia existente no decreto 4.269 de 1921: a criminalização infundada e autoritária do movimento operário organizado sob inspiração do anarquismo é até tolerável, não é o pior dos males; mas a repressão sem a existência de uma lei prévia, dentro de um Estado de direito, é uma heresia jurídica de deixar qualquer jurista de “queixo caído”, afinal nenhum aplicador do direito ou parlamentar desejaria pesar na consciência a maldição de uma inconstitucionalidade ao ferir a garantia liberal do princípio da legalidade². Em outras palavras, a penalização em si pode até ser amoral e desumana, como a de tornar delinquentes trabalhadores que buscavam melhorias de suas condições de existência, mas inconstitucional, jamais!

Uma lei específica contra o anarquismo não foi uma “jabuticaba nacional”. Seus idealizadores, na verdade, seguiram a tendência internacional da qual participaram inúmeros países, chegando inclusive a realizarem uma Conferência, sediada em Roma, no ano de 1898, com o propósito de confeccionar um tratado cujo objetivo seria combater o movimento libertário³. Essa iniciativa de enfrentamento ao anarquismo no plano global, portanto, passou a ter grande adesão das principais nações europeias e dos Estados Unidos, ao longo das décadas de 1880 e 1890, sobretudo em razão da radicalidade protagonizada por anarquistas (ou por indivíduos que assim se intitulavam) adeptos à tática da “propaganda pelo fato”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2021/09/13/100-anos-da-lei-de-repressao-ao-anarquismo-1921-2021/?fbclid=IwAR0Xsjw4-Oc01ro15oVM7sh0Ae1rxr4PSRFY7ySKvykMuClA3OvhNVEmUSs

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sementes de algodão
agora são de vento
as minhas mãos

Nenpuku Sato

Vídeo | Milhares se manifestam em Tessalônica contra a maior feira anual da Grécia

Cerca de 5 mil pessoas – a maioria anarquistas – protestaram neste sábado (11/09) em Tessalônica, a segunda maior cidade da Grécia, contra a 85ª Feira Internacional de Tessalônica (TIF), a maior feira comercial anual do país, com pavilhões-monumentos de consumismo, concertos com cantores endinheirados, supostamente populares, e, claro, com o primeiro ministro do país, Kyriakos Mitsotakis, inaugurando a feira com declarações sobre “o futuro da economia”.

Marchas separadas

Outras forças de esquerda, como o Partido Comunista da Grécia (KKE), frente sindical PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), ADEDY (central sindical do setor público), realizaram marchas separadas.

Policiamento ostensivo

O centro da cidade foi todo fechado ao trânsito e ocupado por cerca de 4.500 policiais para isolar a sede do evento internacional das manifestações. Não houve registros de incidentes graves.

“Curiosidade”

Aproximadamente 5 mil pessoas participaram da marcha independente, marcadamente anarquista. Tessalônica tem cerca de 300 mil habitantes. São Paulo, capital, tem cerca de 12 milhões de habitantes. Ou seja, se fossemos trazer esses números para cá, proporcionalmente teríamos uma marcha independente, fora das estruturas esquerdistas tradicionais-institucionais, com aproximadamente 200 mil pessoas. Alguém consegue imaginar em um futuro não tão distante um protesto de rua no Brasil efetivamente independente, libertário, com tais números?

O totalitarismo moderno morrerá atravessado pelas lanças dos escravos…”

>> Veja o vídeo (04:31) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=8Lw1_chOcnw&feature=emb_title

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Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[Espanha] Diante do aumento da conta de luz e de outros bens básicos: greve geral

Durante este ano de 2021, as tarifas de eletricidade subiram a níveis históricos. Já em janeiro deste ano, o oligopólio de eletricidade começou a subir diante da passagem da tempestade Filomena, e a luz só continuou a se tornar mais cara.

Desta vez Teresa Rivera, terceira vice-presidente do governo, anunciou um aumento de 25% na tarifa de eletricidade. O oligopólio de eletricidade na Espanha continua buscando maximizar os lucros através do aumento das tarifas e do cometimento de fraudes.

O governo não se recusa a enfrentar este oligopólio, mas é parte dele e legisla a seu favor. Muitos membros atuais das diretorias das empresas de eletricidade têm feito parte de governos sucessivos e são membros dos principais partidos políticos. Eles acabaram fazendo parte desses oligopólios graças às famosas “portas giratórias”.

Todos estes aumentos terão repercussões para aqueles que sustentam o sistema econômico capitalista: os trabalhadores. Não só as tarifas em nossas casas vão aumentar, mas o aumento do preço da eletricidade vai encarecer as necessidades básicas, como a alimentação e, portanto, o custo de vida em geral.

Em uma sociedade de classes, a empatia social não existe. A única solução viável para que nós trabalhadores não paguemos por este roubo é a organização e a greve geral, a única ferramenta para a defesa e promoção de nossos interesses de classe.

Federação Anarquista Ibérica – FAI

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

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Sob o ipê florido
embelezam de amarelo
as flores que caem.

Sandra Hiraga