[Prisões italianas] Carta do companheiro Juan Sorroche para Marcelo Villarroel

Para Marcelo, com toda a cumplicidade da luta!

Me chegaram tuas palavras de coragem e solidariedade que me encheram de emoção e simpatia!

Hoje respondo (antes tinha a censura nas cartas) a tuas palavras porque creio que é importante estabelecer laços de cumplicidades entre nós os anarquistas de todo o mundo.

Como creio que é essencial ter uma visão de companheirismo internacionalista e de digna resistência tanto com as palavras como com as ações.

Querido companheiro, hoje minhas palavras e meu coração palpitam juntos com o teu, com as lutas que se levantaram com coragem e dignidade contra o governo do Chile e que se transformaram desde a simplicidade de uma luta pela passagem do metrô, até o incendiar e atacar tudo aquilo que oprime ao longo do Chile. Mas não posso negar que minha estima e minha simpatia vai para xs companheirxs anarquistas que sempre estiveram aí na luta de rua tanto de dia como de noite, no passado e no presente.

Apesar de que nos encontramos prisioneiros em diferentes latitudes do planeta, sei que nossa luta continua com a frente em alto e com dignidade! Por isto envio estas simples palavras de solidariedade e de coragem aos revoltosos golpeados pela repressão do estado chileno, a brutalidade das torturas, as violações sexuais, os assassinatos, não serão esquecidos! E o mais importante é que não detiveram a luta! Isto demonstra a coragem de mulheres e homens que continuam lutando com dignidade.

Há que revindicar a liberdade dos 1700 presos da revolta chilena, sem esquecer nenhum prisioneiro nos cárceres, que como tu companheiro Marcelo, sempre lutaram! Não tenho nenhuma dúvida de que tua luta, vossa luta, é minha luta! Isto me dá coragem e me sinto orgulhoso de fazer parte desta galáxia anarquista, para assim continuar adiante com a luta até que o estado e seus cárceres sejam demolidos do universo.

Creio também fundamental recordar os companheiros revolucionários e rebeldes conhecidos ou desconhecidos que sempre lutaram no passado, para assim continuar seu caminho hoje. Recordar sobretudo aqueles que não se deixam vencer de tempos porque não são maduros e continuam a luta permanente com paixão e contra a corrente. A todos aqueles que não se resignam apesar de que todas as previsões são adversas.

Recordar os companheiros revolucionários do passado não como ícones, mas como exemplos na prática, porque são nossas raízes e nossa alma! Alma que não é abstrata nem religiosa mas uma alma que é pragmática, é luta universal! É alma que tende para a revolta aqui e agora!

Por isto mesmo gostaria de recordar um companheiro chileno que morreu aqui na Itália com dignidade ao lado de outro companheiro na explosão da bomba que estavam preparando em Torino em 4 de agosto de 1977. Trata-se de Aldo Marín Piñones e Attilio di Napoli, morreram com a idade de 24 anos, militantes do grupo armado Azione Rivoluzionaria (grupo Anárquico/comunista). Um companheiro que lutou contra o regime de Pinochet e foi encerrado nos cárceres da ditadura chilena e morreu lutando contra a democracia ocidental totalitária. A nós cabe lutar e lutar…

Juan Sorroche – Cárcere de Terni – AS2 – 01/01/2020

Um abraço companheiro Marcelo, contra ventos e marés

“Irredutíveis sempre, esquecer jamais!” – Marcelo Villarroel

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2020/01/22/prisiones-italianas-carta-de-companero-juan-sorroche-para-marcelo-villarroel/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/10/25/prisoes-chilenas-comunicado-do-companheiro-marcelo-villarroel-sepulveda/

agência de notícias anarquistas-ana

Passo a passo
sobre a montanha no verão –
de repente o mar.

Issa

[Espanha] “Fuenlabrada Libertaria” nº 3

Já está aqui o terceiro número de “Fuenlabrada Libertaria”.

Para este número e a partir de agora contaremos com a HQ de Alberto Quintana, militante da CNT Fuenlabrada,”Casas Viejas”, uma obra auto-editada de forma autogestionada. Faremos 4 vinhetas em cada fanzine até completar a HQ inteira, por isso o grande interesse de ter o fanzine em formato papel.

Também começamos com uma nova seção de poesia, com uma pequena homenagem ao poeta anarquista Jesús Lizano e sua “conquista de la inocência”.

Mantivemos correspondência postal com Leonard Peltier, a quem mostramos nossa solidariedade, preocupação e apoio. Leonard nos respondeu e baseados nisso, organizamos uma projeção sobre seu caso e Isabel, companheira da CNT Fuenlabrada, escreveu um magnífico artigo sobre sua vida e caso repressivo.

Culminamos esta entrega com uma investigação em forma de homenagem biográfica a Juan Gayoso Pazos; familiares do miliciano desaparecido se puseram em contato com o sindicato, e após semanas de contatos com historiadores, associações de memória histórica, escritores e arquivos históricos e a informação proporcionada pela família, pudemos coletar informação suficiente para render homenagem aos que deram sua vida por um mundo novo como foi o caso de Juan. Foi um trabalho difícil mas muito gratificante.

A parte, mantemos seções como artigos de opinião, o dicionário anarcossindical…

>> Baixe a publicação aqui:

https://www.cnt.es/wp-content/uploads/2020/01/FuenlaLibertaria3.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Vi de uma lagarta:
faço um casulo de lã
na noite gelada.

Anibal Beça

[EUA] Lançamento: A Publicidade Caga na Tua Cabeça: Estratégias de resistência

Vyvian Raoul, Matt Bonner e Josh MacPhee

 A Publicidade Caga na Tua Cabeça (Advertising Shits in Your Head) chama os anúncios pelo o que eles são – um poderoso meio de controlo através da manipulação – e destaca como as pessoas em todo o mundo estão a ripostar. O livro diagnostica o problema e oferece dicas práticas para uma resolução DIY (“do it yourself”, faça voçê mesmx). Face a um mundo saturado de anúncios, xs ativistas estão a reagir, equipadxs com stencils, impressoras, coletes de alta visibilidade e ferramentas. O seu objetivo é subverter as publicidades que nos controlam.

 Com estudos de casos de ambos os lados do Atlântico, este livro mostra as maneiras pelas quais pequenos grupos de ativistas estão a enfrentar corporações e estados no seu próprio jogo: a propaganda. Esta edição internacional inclui uma introdução ilustrada de Josh MacPhee, estudos de casos e entrevistas com a Art in Ad Places (Arte em Locais de Anúncio), a Public Ad Campaign (Campanha do Anúncio Público), a Resistance Is Female (A Resistência é Feminina), Brandalism (“Marca-ísmo”) e a Special Patrol Group (Grupo da Patrulha Especial), além de fotografias de Luna Park e Jordan Seiler.

 Este é um apelo às artes para uma geração criada em anúncios. Começando com uma análise rica e detalhada da retenção prejudicial que a publicidade tem nas nossas vidas, o livro passa a oferecer soluções práticas e orientações sobre como subverter os anúncios. Usando uma combinação de pesquisa etnográfica e análise teórica, o Advertising Shits in Your Head investiga as alegações feitas por praticantes da subversão de publicidades e mostra como estas afetam sua prática.

 Advertising Shits in Your Head: Strategies for Resistance

Autor: Vyvian Raoul e Matt Bonner • Introdução de Josh MacPhee

Editora: PM Press

ISBN: 9781629635743

Páginas: 208

$15.95

pmpress.org

Tradução > Ananás

agência de notícias anarquistas-ana

A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

[Grécia] Duplo ataque incendiário em Tessalônica

Não importa as ações das autoridades, sempre teremos nossos motivos para atacar. No que reconhecemos como autoridade, sejam governos tentando silenciar todes que resistem, exercendo a violencia policial sob nossos corpos, ou mandachuvas locais que têm ânsia por vigilância e controle dentro da cidade ou qualquer aspecto de nós mesmes dentro dessa sociedade podre, em relacionamentos, em autodisciplina e, por fim, no compromisso.

Contra todas as tentativas de se conformar e obedecer à normatividade, apesar dos perigos dos atos de agressão, – à luz da estratégia de intensificação que os detentores do poder têm tentado ultimamente – achamos rachaduras para espalhar a destruição.

Escolhemos os tempos, os lugares e os indivíduos, para que através da multiplicação e comunicação de nossos pensamentos e ações, tornem-se cada vez mais efetivos e mais perigosos.

Não estamos interessades em remodelar a sociedade existente, mas em demolir as fundações desta sociedade quebrada. O que importa é atacar até a destruição do que existe…

Ao amanhecer da quarta-feira, 08 de janeiro, na região do Eptapirgio, colocamos três dispositivos incendiários no mesmo número de caminhões usados pelas agências municipais para reconstruir a área.

Na noite de quinta-feira, 09 de janeiro, colocamos fogo em um veículo da empresa de segurança na região de Sykes.

A guerra continua…

Solidariedade às rebeldes do Chile

Solidariedade às okupas

Solidariedade ao compa Irdi K. e à todes rebeldes submetides à repressão dentro e fora da prisão

Gritos Antes do Amanhecer

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1602490/

Tradução > A Alquimista

agência de notícias anarquistas-ana

Breve serei pó
e, então, quando me pisares,
cobrirei teus pés.

Evandro Moreira

[Chile] Santiago: 112º Dia de Revolta Social

Sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

A FESTA DE SEXTA-FEIRA!

Surpresa gerou entre os participantes o fechamento completo do perímetro do “muro” que protege a igreja e o monumento policial na Praça da Dignidade. Na quinta-feira à noite, um caminhão e um guindaste chegaram para completar o cerco de três metros de altura de bloco de concreto. A nova parte imaculada da “parede” foi rapidamente pintada com slogans rebeldes. Encapuzadxs encaravam os lacaios jogando pedras e bombas incendiárias por cima do muro, ante a escassa visibilidade do inimigo xs manifestantes tentavam deslocar os blocos pesados.

A tarefa parecia impossível, no entanto, a decisão e engenhosidade das “cabeças de camiseta” puderam fazer mais. Fazendo alavancas com ferros e cordas alcançaram a meta, e dezenas puxaram as cordas em uníssono para derrubar a muralha. Aplausos e gritos de excitação podiam ser ouvidos quando o obstáculo estabelecido pelos lacaios desabou.

No dia com mais concorrência e confrontos da semana, xs anarquistas não falharam. Grupos de afinidade anarquista penduram grandes lenços no GAM, distribuem dezenas de folhetos insurrecionais como “Ai ferri corti”, “A brigada da cólera” e “O prazer armado”. Enquanto milhares de panfletos que chamam para se organizar horizontalmente sem chefes ou partidos são lançados ao ar, nas muralhas se veem centenas de pôsteres de tendências libertárias.

Na reunião de solidariedade organizada pelo coletivo antifascista Antonio Ramón Ramón, vários sacos de comida, suprimentos médicos e livros são coletados para a biblioteca Canera do Módulo 14.

Anônimos, colam um belo mosaico do negro matapacos em um pilar do GAM. Um incêndio destrói o Museu Violeta Parra e numerosos caminhões de bombeiros vêm para sufoca-lo. Manifestantes acusam a polícia de lançar várias bombas de gás lacrimogêneo dentro do local, iniciando o incêndio. Na rua onde o museu está localizado, houve confrontos por mais de cem dias sem que o local fosse atacado.

No parque e bairro San Borja, encapuzadxs erguem barricadas incendiárias e jogam bombas molotov nos veículos blindados da polícia. Eles denunciam que os lacaios atiram balas do tamanho de uma bola de golfe, e um manifestante estava com sua máscara de gás destruída ao receber um impacto direto no rosto.

A música se apoderou por instantes da zona zero, da janela da “Radio Dignity” Evelyn Cornejo cantou para um público que apreciava sua voz. A alguns metros de distância, no monumento a Manuel Rodriguez, um grupo de rock tocava com uma energia transbordante, o local já estava transformado em um palco clássico.

Nas ruas, as pessoas começam a se agitar pela manifestação e greve feminista do 8M.

Uma ex-funcionária do município de Providencia denuncia que foi forçada a espionar as manifestações da Praça da Dignidade. A função que lhe foi confiada, juntamente com outros dois funcionários, era reunir informações e fotografar “A Primeira Linha” e vendedorxs e vizinhxs que ajudaram xs encapuzadxs.

Imagens chocantes de corpos são viralizadas nas instalações “Kayser”; as fotografias mostram os corpos empilhados em carrinhos de supermercado. Outra prova de que eles foram mortos antes e colocados no lugar para apagar as evidências.

Em Concepción, uma intervenção no “Parque Jurássico” provoca risos e aprovação. Entre as mandíbulas do tiranossauro rex, eles colocam uma boneca de Piñera e faixas. No pterodáctilo, dizia-se: “Fomos extintos por causas naturais e vocês pelo seu sistema corrupto”, em outro dinossauro “não ganhamos nada” e outro dinossauro foi encapuzado.

Em Petorca, o “movimento de defesa da água e do meio ambiente” destrói um grande cano subterrâneo que rouba água do rio, restaurando seu curso natural. No setor, milhares de pessoas sobrevivem apenas graças à distribuição de água em caminhões, enquanto o líquido vital é desviado para as plantações de abacate.

O prefeito comunista de Recoleta Daniel Jadue é apontado em Pichilemu por negócios obscuros com o prefeito do balneário.

Em Quilicura, onde costumava haver um banco, hoje se levanta um centros social, onde ocorrem várias atividades culturais.

Em relação aos presos da Revolta Social, os menores Kevin e Mauricio são libertados após 71 dias de prisão no SENAME.

SEJAMOS O FOGO DA REVOLTA! SEJAMOS IRMÃOS NA GUERRA!

Sabotador pela libertação animal Mike Hill… essa também vai para você.

Natalia Tapia

Tradução > Liberto

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no mesmo banco
dois velhos silenciam
no parque deserto

Carol Lebel

[EUA] Mensagem do preso político de Ferguson Josh Williams

Uma nova mensagem do preso político por rebelião em Ferguson Josh Williams abaixo:

Este é o meu discurso para todo o meu povo na luta, então sente-se e ouça: eu falo ao povo em luta no mundo todo, lutando contra a escravidão, lutando contra o racismo, lutando contra o sistema. Eu digo a você, não se canse, continue lutando, porque uma coisa sobre nós é: somos mais fortes que o racismo. Somos mais fortes do que a polícia que está tentando nos matar, mas tem uma coisa: quando a polícia mata um homem ou mulher negra ou um homem ou mulher branca, nasce outro, mais forte que o último. Pessoas da nação, eu falo a vocês em paz, falo a vocês com amor. Pessoas do mundo, me dirijo a vocês e digo: estou aqui com você, lutando ao seu lado, porque há muitas lutas pelas quais você pode estar lutando. Câncer, prevenção de suicídio, bullying, opressão dos eleitores, seja o que for, eu lhes digo: fique forte, não desista, eu sei que você está cansado, eu também estou. Mas o momento em que desistimos da América é o momento em que desistimos de nossas vidas porque desistimos da luta. Mas me dirijo à polícia de todos os departamentos que existem e digo que há uma tempestade se formando. Quanto mais vocês matarem as pessoas e se safarem, mais quente ficará o caldeirão.

Agora, polícia, se vocês estão tentando falar sobre paz, é tarde demais. Falo pelas famílias que não podem mais ver seus filhos porque seu dedo feliz no gatilho os tirou da Terra. Falo pela mãe de Michael Brown quando ela chorava sua alma ao meu lado no Canfield Apartment, enquanto era forçada a ver o filho morto naquele local, não por um minuto ou dez minutos, mas por quatro horas. Este é o tipo de merda que estou falando, pessoas do mundo, é a merda pela qual estou lutando: Trayvon Martin, Eric Garner, Michael Brown, Danye Jones, Darren Seal e muitos mais. E para todos vocês que lutam comigo, eu digo: vamos até o fim, vamos derrubar esse sistema corrupto e policiar a nós mesmos.

Agora, se você está lendo isso neste momento, não importa onde você esteja, esta é nossa crença, diga em voz alta e declare-se comigo, está pronto? Aqui vamos nós: É NOSSO DEVER LUTAR POR NOSSA LIBERDADE É NOSSO DEVER GANHAR DEVEMOS AMAR E APOIAR UNS AOS OUTROS NÃO TEMOS NADA A PERDER A NÃO SER NOSSAS AMARRAS.

Se você leu e acredita nisso, quer dizer que está pronto. Vou dizer a vocês que não há linha de chegada para mim, lutarei por todos até que não haja mais sangue no meu corpo e até que eu dê meu último suspiro, estarei na linha de frente lutando contra a polícia. Quem está comigo?

Amo vocês.

Joshua Williams # 1292002, Missouri Eastern Correctional Center, 18701 Old Highway 66, Pacific, MO 63069, EUA

Tradução > abobrinha

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a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa

Documentário em castelhano: “XXI – Errico Malatesta verso un’Umanità Nova”

Documentário em castelhano: “XXI – Errico Malatesta verso un’Umanità Nova”

XXI – Errico Malatesta verso un’Umanità Nova” é o título de um longa-metragem italiano concebido e produzido por Niccolò Andenna que acaba de ser traduzido para o castelhano. O documentário conta a história de uma jovem em busca da tumba de Errico Malatesta (1853-1932), uma das figuras mais relevantes do anarquismo mundial. Errico Malatesta está enterrado no imenso cemitério de Verano, em Roma. A tarefa é mais difícil do que o esperado, mas essa longa busca se torna uma jornada pela anarquia, que começa no nascimento do inesquecível revolucionário e passa um século e meio da história do anarquismo. É uma abordagem para quem quer saber algo sobre as ideias anarquistas, mas também é um ponto de reflexão interessante sobre hoje.

>> Para ver o documentário (1 hora 26 minutos), clique aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=d_9LvX41L0A&feature=emb_title

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/21/italia-obras-completas-de-errico-malatesta-serao-lancadas/

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criança traquina
saltita atrás dos pássaros
natureza em flor.

Helena Monteiro

[Canadá] 24º Dia Internacional Contra a Brutalidade Policial: Chamada para envios de textos

Chamada para envios de textos e atividades

O tema deste ano para o 24º Dia Internacional Contra a Brutalidade Policial é “Polícia em Todos os Lugares, Justiça em Lugar Nenhum: Solidariedade Internacional!”

O capitalismo está entrando em colapso. O neoliberalismo está morrendo. Aqueles no poder agarram-se à sua autoridade enquanto sua ganância nos empurra para uma catástrofe ambiental, ordenam guerra à solidariedade e tornam-se mais e mais monstruosos a cada dia.

Como fizeram durante o nascimento colonial sangrento deste Estado e de toda a sua corja, os detentores do poder voltam-se para a polícia, os armados, os cães de guarda do capital, para assegurar seus lucros malfadados.

Nossos continentes tornam-se fortalezas, aquelus que buscam refúgios são aprisionades, pobres trabalham duro e morrem, ricos ficam mais ricos, os porcos conseguem seus salários esmagando as nossas cabeças.

O que eles não sabem, no entanto, é que venceremos.

A luta contra a brutalidade policial é sobre tirar as presas de uma besta raivosa, a qual anda em nossas comunidades como os espantalhos que são. Aqui para nos assustar, para impedir que fiquemos indignades, para nos manter pequenes. De Ferguson à Palestina, de Montreal ao Rio de Janeiro. De Winnipeg à La Paz, de Port-au-Prince à Santiago.

Enquanto lutamos para construir um mundo melhor, a polícia, em todas as suas formas nojentas, está bloqueando o nosso caminho.

Para podermos avançar, precisamos nos livrar dela.

Como tem sido o caso há mais de 20 anos, o Collective Opposed to Police Brutality (C.O.B.P.) – Coletivo Contrário à Brutalidade Policial – iniciou seu trabalho de conscientização organizando o Dia Internacional Contra a Brutalidade Policial em 15 de março.

Como fizemos desde o nosso início, iremos imprimir e distribuir o nosso jornal anual “L’État Policier“.

Este ano estamos nos voltando a nossos camarades, aliades e colegas que são ativistas contra a polícia estatal, por artigos, quadrinhos, desenhos, poemas, artigos de opinião ou qualquer outra contribuição para ser adicionada a nosso jornal anual.

Se você gostaria de adicionar um artigo a nosso jornal, por favor, envie-o para o seguinte e-mail: cobp@riseup.net.

Os textos precisam ter no máximo duas páginas e podem ser escritos em francês, inglês ou espanhol. Quem quiser que seu texto seja traduzido, deve nos avisar dentro de um tempo razoável, para que possamos encontrar alguém para traduzi-lo, e solicitamos que mandem imagens que combinem com o seu texto, se desejar. Contudo, as imagens farão parte das duas páginas.

O prazo final do conteúdo para o jornal é 15 de fevereiro de 2020.

Solidariedade internacional para quem luta, luta contra o Estado e sua ala armada, a polícia, e fogem da ação policial.

COBP (Collective Opposed to Police Brutality)

cobp.resist.ca

Tradução > A Alquimista

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escreve
a tinta se esvai
o mar se expande

Seferis

[Grécia] Moria é um inferno

Resistência ao fascismo e ao racismo institucional Solidariedade aos nossos irmãos e irmãs, refugiades e imigrantes lutando pela vida e liberdade
 
20 mil pessoas estão presas no campo de concentração de Moria. Ficamos furioses juntes. Nos dias anteriores, assistimos os protestos de refugiades sobre as péssimas condições de vida e a repressão cruel que o Estado escolheu, enfrentando populações de múltiplas vulnerabilidades, perseguides pela violência, perseguides pela guerra e regimes
autoritários com gás químico/tóxico.

Vemos essas fotos da violência policial como vemos a violência policial todos os dias, na frente da nossa porta e em nosso bairro. Vemos fotos de pessoas vivendo em barracas lamacentas em Lesbos ou Samos, como vemos pessoas em situação de rua em nossa porta, em nosso bairro. Vemos fotos de outro naufrágio no Mediterrâneo e o aumento de assassinatos com um selo nacional e europeu.
 
Vemos a escuridão que se espalha ao nosso redor, a familiaridade com o horror, o choque que não cresce, mas suaviza, o esquecimento que branqueia o derramamento de sangue, a passividade social e o canibalismo. O plano da exclusão social está avançando, mas sempre seremos o coletivo que faz a barricada. Não passará sobre nós. Não os
deixaremos vencer.

Em Notara construimos todos os dias uma comunidade além das nações, fronteiras e religiões. Plantamos raízes. Pessoas que vivem em nossa okupa têm nome, não são números. Os rostos de refugiades que são espancades pela polícia, ameaçades por fascistas, depreciades pelo Estado, são também refletidos em nossas próprias experiências. Através da nossa experiência coletiva, chamamos a resistência, a solidariedade e a autogestão.

A assembléia da “Notara 26”

Terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Tradução > A Alquimista

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agência de notícias anarquistas-ana

seus olhos felinos
horizontais oblíquos
olham parados

Eugénia Tabosa

[Grécia] Os ocupantes da Gare dizem “Os melhores dias ainda estão por vir”

Em 2 de fevereiro, tomamos a iniciativa de assaltar nossa própria casa. A Gare em Atenas não é apenas para seus próprios membros, pertence a todo o movimento. Penduramos uma faixa em solidariedade aos espaços livres e em solidariedade à faixa D. de Gare, dizendo “Poder ao camarada procurado D. Chatsivachiliadi, Solidariedade às Ocupas, o Estado é o único Terrorista”. Realizamos essa ação em solidariedade e também como um ato de resistência: nossa maneira de proteger ferozmente nossas ideias, nossas vidas, nossos espaços, nossas casas e nossos futuros.

Em 26 de agosto, a Gare foi despejada pela segunda vez em dois anos e destruída. Foi um dos primeiros ataques de uma nova onda de repressão contra os espaços livres. A Gare foi um dos primeiros alvos porque o trabalho do Estado é esmagar as partes mais radicais do movimento, a fim de abrir caminho para mais repressão e pacificação. O Estado está tentando, através da lei e da opressão policial, colocar uma camisa de força sobre o corpo furioso dos povos oprimidos. Em outubro, após uma ação de assalto que levou à descoberta de um esconderijo de armas, incluindo as armas de autodefesa revolucionária. D. foi forçado a fugir e se tornou um fugitivo do estado.

Fui exclusivamente eu que tomei a decisão e a responsabilidade prática de manter esses objetos, sabendo o que tinha em minha posse. Foi uma decisão política pessoal para guardar a história da resistência social e a contribuição para as necessidades de defesa das lutas sociais sempre que isso se tornasse necessário e viável, em meio ao ataque assassino cru que é infindável aos explorados, aos excluídos e aos movimentos.”

Ele está nessa situação porque o Estado está criminalizando o movimento anarquista. Eles trataram seu posicionamento como terrorista, porque esta é a única maneira de reconhecer publicamente a luta política combativa e, assim, despolitizá-la. Eles então usaram essa designação para atingir qualquer pessoa no movimento que pudesse ter laços com ele, espalhando ainda mais medo da associação. Isso faz parte da maneira deles de separar forçosamente as partes militantes e combativas do movimento anarquista da luta mais ampla.

Essa criminalização não se aplica apenas a este caso, mas também a todos os espaços livres. Dessa maneira, o Estado revela sua face real como o verdadeiro terrorista. Ele traz terror a todos os que lutam pela liberdade e a todos os que resistem à sua tirania. Dessa maneira, constrói um clima social de medo e silêncio. O Estado também está mirando as ocupas porque elas colocam em questão a autoridade da propriedade privada, que é a base do capitalismo. Esse clima de medo que o Estado está impondo também é uma tentativa de isolar as pessoas inassimiláveis e resistentes da sociedade em geral: colocá-las em quarentena nos guetos da criminalidade e preparar-se para sua a prisão.

A mídia estatal também está tentando retratar D. como um líder do movimento anarquista. Isso faz parte da tentativa do Estado de incorporar e tornar compreensível o movimento anarquista na própria linguagem do Estado: através da privatização e individualização. A civilização, o capitalismo e o patriarcado fingem que a história é feita por “grandes homens.” Sabemos que a história é feita por pessoas que trabalham juntas em conjunto, pessoas cujos nomes provavelmente nunca aparecerão nas linhas de um livro de história. Utilizamos estruturas horizontais porque entendemos esse fato, e nos organizamos de acordo. Ao colocar as pessoas na posição de fugitivos, na tentativa de impor isolamento, o Estado segue seu plano de separar aqueles que lutam combativamente do resto do movimento assim, trabalhando juntos na luta contra o sistema. Essa é a maneira deles de prejudicar nossa luta.

Como movimento, devemos atacar com força total essa tentativa de isolamento. Nossas armas mais fortes são a solidariedade. Não podemos sucumbir ao medo de associação que faz parte dos Estados que tentam separar o movimento anarquista de sua ala radical. Em nossa ação, estamos quebrando esse isolamento e silêncio. Estamos declarando nossa solidariedade e apoio público ao camarada procurado. Lutaremos e resistiremos ao terrorismo e à repressão estatal. Não permitiremos que o Estado nos marginalize e finja que estamos separados do corpo social. Nós não iremos para o escuro silenciosamente. Recusamos a vitimização e propomos um ataque.

Nós somos os espinhos na rosa da liberdade! Faremos você sangrar toda vez que tentar matar a vida com suas gaiolas e mercenários.

NADA ESTÁ TERMINADO, TUDO ESTÁ COMEÇANDO.

Solidaristas anarquistas

Tradução > abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

Em toda a longa viagem,
Só agora encontrei
Um cafezal!

Paulo Franchetti

[Peru] Lançamento: Documentário “100 anos com Leoncio Bueno”

O curta-metragem “100 anos com Leoncio Bueno”, dirigido por Javier Corcuera, foi lançado recentemente no Peru.

O documentário investiga a vida de Leoncio Bueno e seu papel em diferentes eventos históricos do país, como sua participação em revoltas populares ou sua militância anarquista. A partir disso, Bueno também relata como essas situações aumentaram sua vocação poética.

>> Assista o curta-metragem aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=jrK5P1iHT3s

agência de notícias anarquistas-ana

O frêmito cessou.
A árvore abre-se
para conter a lua.

Eugenia Faraon

[EUA] Mumia Abu-Jamal

Por Bec Young (texto e arte)

Mumia é um prisioneiro político que está encarcerado desde 1982. A sua prisão e encarceramento foram amplamente vistos como atos políticos, porque Abu-Jamal é um jornalista sério que escreveu sobre as injustiças que viu. O júri e o juiz foram vistos como tendenciosos e as evidências não eram suficientes para refutar a sua inocência. Agora existem novos procedimentos legais que podem possibilitar a sua libertação.

O primeiro grande protesto que eu participei na adolescência foi em apoio a Mumia. Nos anos desde seu encarceramento, a internet surgiu. E também celulares. Com essas tecnologias, cresceu a conscientização sobre políticas sistematicamente racistas no sistema judicial. Embora pareça um fracasso da minha geração ativista que Mumia ainda esteja na prisão, é claro que agora temos mais ferramentas para expor a supremacia branca que marcou as ações do departamento de justiça do último século. Mumia ainda está preso, mas ele ainda está vivo, então nós podemos usar nossa palavra de poder, “ainda”. Mumia não foi libertado – ainda.

Tradução > Brulego

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo

Buson

[Espanha] O maior arquivo anarquista fica em um povoado de Toledo

No centro documental da Fundação Anselmo Lorenzo, que busca reunir, preservar e espalhar a história do movimento libertário, você pode ler Durruti em japonês, ver pôsteres originais de dias anti-Franco no exílio ou o que aconteceu com seu avô desaparecido em 1937.


Por Jose Durán Rodríguez | 29/12/2019

Localizada a pouco mais de 50 quilômetros de Madrid, a cidade de Yuncler de la Sagra, em Toledo, aparentemente não oferece nada em sua vitrine que evita a passagem de visitantes ocasionais que viajam pela região. Mas as aparências enganam, é sabido. O território foi abalado pelo boom imobiliário de tijolos que varreu a região no início do século 21 – quando  se vendiam os 40 minutos de carro até Madrid como outro incentivo para comprar um apartamento ali, o ‘novo’ PAU da capital – o nome Yuncler é lembrado entre os que frequentaram o que hoje são as ruínas – outra operação imobiliária incerta – de Vicente Calderón: o clube Super López, fundado lá, pendurou sua bandeira fielmente nas arquibancadas na parte norte do estádio do Atlético de Madrid.

Vamos adicionar algumas informações mais importantes sobre o município: com um censo de 3.759 habitantes em 2018, nas eleições gerais de 10 de novembro o PSOE foi o partido vencedor em Yuncler com 627 votos, seguido pelo Vox com 615. Unidas Podemos 188, o Pacma 25 e só recebeu um voto o Partido Comunista dos Trabalhadores da Espanha.

No site do Conselho da Cidade, você pode ler um texto sobre a história da cidade, que fala de Yuncler como “um exemplo constante de rebeldia entre seu povo”, “daqueles que partem porque não querem pagar os impostos no século XV, passando pelos contínuos processos judiciais com a igreja, até a compra da cidade pelos vizinhos a D. Francisco Melchor de Luzón e Guzmán – antes este cavaleiro o tivesse comprado do rei Felipe IV – que com sua tirania obriga seus habitantes a ir deixando o local, fato que exorta seus vizinhos a comprar o povoado do fidalgo”. Nesta cidade “rebelde” está o maior arquivo documental da Espanha sobre o movimento libertário.

“Estou movendo 1.250 quilos com três dedos”, diz  ao Salto Sonia Lojo, arquivista de bibliotecas da Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo (FAL) por dez anos. O faz de fato, e abre um móvel compacto que permite ver vários corredores cheios de prateleiras nas quais se distinguem numerosas caixas, pastas e vários materiais organizados e classificados. Como em Yuncler, a sala esconde coisas que não podem ser vistas à primeira vista. Estamos no “arquivo histórico da CNT, que se dedica a reunir, preservar e disseminar a história do movimento libertário e do movimento operário, em geral”, explica as portas de um edifício industrial que nos convida a entrar.

No interior, na sala com móveis compactos, existe “a documentação gerada pela CNT desde o início do século XX – de fato, a origem da fundação, criada em 1987, é preservar a documentação da própria instituição, que possui mais 100 anos de história – e o que mais temos é do período da Guerra Civil, também do exílio, da clandestinidade e da Transição até o presente”.

Atualmente, o trabalho de Lojo está focado no inventário geral da documentação gerada pela central anarcossindicalista, com cerca de 3.000 caixas. “Existe uma parte inventariada e em processo de catalogação”, detalha. É documentação interna: sessões plenárias, assembleias, congressos, como é que a organização funciona, seus acordos, formas de ação…”. Os últimos materiais que chegaram são transferências de Barcelona e Valência. Quando eles não usam mais a documentação com frequência, ela é encaminhada para o arquivo da CNT. “Aqui é organizado e disponibilizado para consulta”, explica Lojo.

A FAL recebe cerca de 400 consultas anuais realizadas por pesquisadores. Em Yuncler está o depósito, onde a documentação é mantida e o trabalho técnico é feito. Na sede de Madrid, os pesquisadores podem fazer uma consulta digital após uma reunião prévia. “30% são pessoas que procuram seus parentes ou estão investigando histórias locais, o que estava acontecendo em suas aldeias. A maioria é do período da Guerra Civil, mas é verdade que começa a haver mais interesse na Transição e na democracia”, explica a arquivista, que também acrescenta que há um interesse crescente no conhecimento da história das mulheres. “Isso foi notado nos últimos anos, claramente por causa da ascensão dos feminismos em que vivemos”.

O registro das consultas permite que Lojo priorize o enorme trabalho que está por vir – “se houver agora 30% de consultas sobre nomes e sobrenomes, temos que trabalhar com a onomástica, extrair os nomes dos documentos” -, embora o princípio é sempre catalogar o material mais antigo, pois é o mais delicado.

CONTAR SEM FALAR

Um arquivo não catalogado é um arquivo que não existe, pois não permite que as informações sejam ordenadas, acessíveis e possam ser recuperadas e consultadas, o que é o fim da tarefa documental. Como exemplo, Lojo ressalta que no depósito da FAL existem “livros não catalogados que são colocados em caixas e estão aqui há 30 anos” sem nenhuma evidência deles. A primeira coisa, explica, é estudar o tipo e o conteúdo dos documentos. Em seguida, passa para a fase de classificação, que informa a origem da instituição geradora do documento. E, finalmente, surgem os instrumentos de descrição, como inventários, guias, catálogos”, que é o que é oferecido ao público para poder localizar a documentação que está buscando”.

Juntamente com a documentação da CNT, o depósito da FAL tem outros arquivos: o da Associação Internacional dos Trabalhadores e do Fundo de Mulheres Livres, outras organizações relacionadas e fundos pessoais (Felix Álvarez Ferreras, Cayetano Zaplana, Abraham Guillén) doado para custódia. “Os materiais chegam por meio de doações, legadas pelos próprios militantes da CNT, por organizações de exilados ou por compras, que geralmente são as menores por falta de recursos financeiros”, lamenta a bibliotecária. Na sua opinião, a joia da coroa é o arquivo fotográfico. “É o mais maravilhoso. Sem falar que ele conta tudo: modos de vida, psicologia”. A FAL tem um fundo fotográfico da Guerra Civil com 1.735 positivos originais, preservados e digitalizados. Lojo também destaca um fundo de fotografias pessoais de Buenaventura Durruti e outro de Mauro Bajatierra com imagens dos iniciadores da CNT, com cerca de 130 fotografias do início do século XX.

A hemeroteca é uma terceira parte do fundo global. “Sempre se disse que quando dois anarquistas se reúnem a primeira coisa que fazem é um jornal, então imagine”, diz Lojo, rindo. “Temos 2.500 cabeçalhos controlados, mas ainda há muito por catalogar”. Entre as publicações mais marcantes preservadas pela FAL, desde o século XIX até o presente e em todo o mundo, está o Campo Libre (Campo Livre), um semanário que destinava uma página dupla às coletividades agrárias de Castela, contando como se organizavam e trabalhavam. Na edição de 28 de agosto de 1937, eles dedicaram esse espaço à comunidade de Coslada, uma cidade de Madrid onde cresceu quem assina esse texto.

Outra área da FAL é a biblioteca, onde estão localizadas cerca de 40.000 exemplares, embora apenas 6.000 sejam catalogados, incluindo curiosidades como poder ler Durruti em japonês. “O livro mais antigo que temos é de 1848, um texto de Étienne Cabet sobre o socialismo utópico, que é um pouco a origem das ideologias do movimento operário: anarquismo, socialismo, comunismo. Do El hombre y la tierra (O Homem e a Terra), de Eliseo Reclús, temos todas as edições que estiveram na história desta publicação”, diz Lojo, que enfatiza que estamos diante de uma biblioteca especializada, “que não é a mesma coisa que uma biblioteca pública. Nós nos concentramos em documentação muito específica, portanto, o objetivo é a conservação, porque temos documentação que nem a Biblioteca Nacional possui e a perda de um documento pode ser irreversível”.

Diferentes materiais guardados pela FAL são milhares de pôsteres originais do exílio, documentos da luta antifranquista fora da Espanha e outros que difundiam as idéias libertárias onde os militantes tiveram que se instalar. E também um arquivo audiovisual com diversos meios de comunicação: latas de 35 mm com filmes históricos do Sindicato da Indústria e Espetáculos, microfilmados com documentação digitalizada de guerra ou gravações completas de plenos do sindicato.

Após a Guerra Civil, a ditadura ilegalizou todos os sindicatos, inclusive a CNT, e se apropriou dos recursos que o sindicato servia coletivamente: bens móveis (veículos, impressoras, máquinas) e imóveis (prédios, terrenos, minas), contas bancárias, empresas coletivizadas, filmes, fotografias e documentação. Em 1936, a CNT alcançou cerca de um milhão de membros e seu peso político foi muito importante nos primeiros meses da guerra, especialmente na Catalunha e Aragão. Mas essa história foi apagada pela repressão e pelo exílio. “É difícil reconstruir toda a história da CNT devido à falta de documentação. Na guerra, muita coisa foi perdida, outra foi salva, o que os pesquisadores consultam atualmente. As coisas da clandestinidade vêm das pessoas do exílio, que mantiveram essa documentação e depois se transferiram para cá graças aos companheiros que jogaram suas vidas para mantê-la e que ela serve para a memória”, lembra Lojo.

Uma vez legalizada no final dos anos 70, a CNT iniciou uma campanha para reivindicar o retorno de seu patrimônio histórico, ainda hoje nas mãos da Administração, depositária da documentação que comprova a propriedade desses bens. “É um relacionamento hostil”, avalia a arquivista, “principalmente por causa da questão dos direitos. Agora o Ministério da Cultura tem o Centro de Documentação da Memória Histórica, eles chamam assim, mas na verdade foi um arquivo policial que nos tirou a documentação. Estamos em litígios para a devolução ou, pelo menos, para que a propriedade seja reconhecida e poder haver uso e divulgação de nossa própria história. Se a tivéssemos aqui, a atividade de divulgação seria muito maior”.

A FAL mantém um relacionamento mais frutífero e próximo com o Instituto de História Social de Amsterdã, onde grande parte da documentação salva pela CNT acabou: “Temos um contrato com eles, pelo qual eles mantêm a documentação, mas a propriedade é nossa. Nós os visitamos uma vez por ano. No futuro, a ideia é que essa documentação volte”.

O espaço em si – adquirido pela FAL – exige o cumprimento de uma série de requisitos para a conservação do material, incluindo uma certa altura e um perímetro de segurança ao redor do edifício, que economizarão dois dos riscos que ameaçam um centro documental: o fogo ou inundação. Também deve ser um espaço em que a temperatura e a umidade possam ser controladas 365 dias por ano, que devem ser constantes em torno de 21 graus. Outro perigo é o aparecimento de bibliófagos, insetos que atacam o papel.

Mas a principal dificuldade enfrentada por essa Fundação para a memória libertária é a falta de recursos humanos e econômicos. Lojo lista uma lista de emergências: “Precisamos de mais pessoas especializadas trabalhando no arquivo para avançar mais rápido. E também precisamos de dinheiro para poder conservar. Nós precisamos de móveis planejados. Temos mais de 200 pôsteres em cada gaveta, o que impossibilita o manuseio. Mas cada móvel planejado custa 3.000 euros. A imprensa é muito delicada e temos jornais do século XIX. Precisamos de móveis específicos que são muito caros”.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/memoria-historica/fal-fundacion-anselmo-lorenzo-mayor-archivo-anarquista-yuncler-pueblo-toledo?fbclid=IwAR30KOu5HGpL9YpLb9JYf6ba43XkPn9NVW8NVNN

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

A União Sindical Italiana, a USI

Por Massimiliano Illari

 A União Sindical Italiana (USI) é um sindicato revolucionário e libertário fundado em 1912, depois de uma cisão da CGdL (posteriormente CGIL, Confederação Geral do Trabalho), sindicato reformista ligado ao Partido Socialista. Vários sindicatos da CGdL rechaçavam as eleições e seu modelo sindical centralizado, experimentando outras formas organizativas que confluíram no primeiro Congresso da USI, em Modena.

 Desde sua fundação em 1912 até a consolidação do fascismo, a USI chegou a contar com quase 500.000 filiados, caracterizando-se por uma ação de base combativa em todas as frentes onde tinha presença. Desde o ponto de vista ideológico é partidária da neutralidade ao estalar a Primeira Guerra Mundial, libertária e antifascista, que pagou com a ilegalidade decretada pelos fascistas, a destruição de suas sedes, periódicos e a prisão ou o exílio de muitos de seus militantes. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial se tentou levar a cabo sua reconstrução, mas a cena política e sindical, assim como a incompreensão de uma parte do movimento anarquista não o tornaram possível. Sim foi possível no final dos anos 70, quando uma nova geração de militantes reativou a USI.

Na atualidade a maioria da filiação (entre 800 e 1000 pessoas) provêem da Saúde Pública, particularmente em Milão — com cerca de 500 —, uma cidade na qual a presença da USI em diversos hospitais é histórica. Saúde USI está presente em Florença, Parma, Trieste e companheiros dispersos por toda Itália. O sindicato de Saúde celebrará seu Congresso Nacional este mês de outubro em Parma.

Outras seções relativamente numerosas estão em Parma (70-80 filiados), Trieste (50), Modena (40), Ancona, Reggio Emilia, Bolonha, Florença e Veneza.

A USI funciona internamente de forma assembleária e federal: as seções devem respeitar os estatutos e nossos princípios, podendo auto-organizar-se como achem conveniente, seja como seções territoriais ou em torno ao local de trabalho. As decisões são tomadas exclusivamente pelos implicados. As instâncias de tomada de decisões de âmbito nacional são três: as reuniões da Comissão Executiva, nas quais participam os/as companheiros/as eleitos/as em Congresso, abertas à filiação; os Comitês Nacionais de Delegados, que acontecem a cada três ou quatro meses; e, o Congresso, que se celebra a cada três anos e no qual se participa segundo regulamento específico.

Nas empresas, os trabalhadores decidem autonomamente como organizar-se. Há lugares nos quais se opera individualmente; em outros, ali onde ainda é possível (as últimas reformas laborais limitam as capacidades desta forma organizativa) mediante a Representação Sindical de Empresa: organismo coletivo representativo de grupos de trabalhadores filiados a um sindicato reconhecido que opera em um mesmo contexto laboral. Em outras empresas, como parte da Representação Sindical Unitária (RSU), organismo coletivo representativo de todos os trabalhadores de um mesmo contexto laboral, que se elege através de eleições entre a equipe. Esta forma de representação foi objeto contínuo de debate. A postura atual da USI segue sendo crítica com a RSU, acordando que a decisão de participar ou não é dos trabalhadores.

Os direitos da classe trabalhadora sofreram uma deterioração notável nos últimos trinta anos, e, em paralelo, a consciência de classe e a combatividade laboral se reduziram notavelmente, até o ponto de que a passividade, a delegação de responsabilidades ou o servilismo é a característica principal no âmbito laboral. Também é certo que periodicamente não faltam generosas tentativas de luta. A USI procura incentivar estes últimos e se são realizados por outros sindicatos “de base” tentamos solidarizar-nos com os mesmos.

A legislação atual dificulta ao sindicato a negociação com as empresas, sofrendo repressão sindical, em particular durante as greves, atualmente com mais limitações legais. Em 2014 Confindustria, a CEOE italiana, e os sindicatos majoritários, CGIL, CISL e UIL, assinaram uma lei sobre a representação laboral que lhes beneficia em troca de limitar mais o direito de greve. Este acordo foi assinado pela USB, o sindicato de base mais numeroso. A USI convoca as greves com os sindicatos que não assinaram este acordo.

As lutas laborais que a USI leva a cabo são múltiplas, ainda que grande parte são casos individuais. Temos em funcionamento Guichês Sindicais Autogestionados, estruturados de diversas formas, em diversas seções; em Parma, por exemplo, em 2018 levaram uma centena de casos, resolvidos de maneira positiva em 95% das ocasiões.

Em todos os lugares nos quais a anarcossindical está presente, a luta, seja de pequeno ou grande calado, é uma constante. É o caso do Hospital San Rafael de Milão, onde em abril se convocou uma greve com uma manifestação em que participaram mais de 700 pessoas, conseguindo a contratação fixa dos trabalhadores precários, vários incentivos econômicos assim como complementos.

Em Trieste, a USI se mobilizou contra o desmantelamento dos serviços de acolhida para imigrantes; em Parma, contra o novo contrato das Cooperativas Sociais. Na Região Marche está sendo organizada a constituição de um sindicato agrário vinculado ao sindicato, que não só tem como fim a defesa dos trabalhadores do setor, mas que ademais, se ocupa de desenvolver produções alternativas.

Por último, cabe destacar a experiência de Solidariedade Autogestionada, um organismo que, desde uma perspectiva libertária, procura dar ajuda concreta frente a desastres naturais. A experiência surgiu com o terremoto de Modena de 2012, quando a seção local proporcionou ajuda à população duramente afetada, e continuou durante o terremoto de Le Marche. Entre outras iniciativas, a USI apoiou a greve geral de 8 de Março; e como organização historicamente antimilitarista que somos, realizamos periodicamente estudos, debates e jornadas de mobilização pacifistas.

Um dos objetivos da USI é melhorar a organização interna e, sobretudo, a ação sindical concreta. Necessitamos seções ativas, presentes com um Guichê Sindical operativo, com advogados de referência e com a possibilidade de acesso a serviços como a solicitação de desempregado, a assistência fiscal, etc.

A CIT (Confederação Internacional do Trabalho), fundada em 2018, em Parma, é importante para a USI por vários motivos: pela diversidade das lutas, para manter contatos internacionais, trocar experiências, para a solidariedade, para ter a capacidade de intervir em uma escala maior em conflitos com multinacionais; por outro lado, em uma época caracterizada pelo retorno agressivo do nacionalismo excludente, nós propomos o internacionalismo. O anarcossindicalismo tem características concretas que devem permanecer: a total independência de qualquer partido e do estado; o assemblearismo nos processos de tomada de decisões; a determinação de lutar contra o patrão e o governo. Mas o anarcossindicalismo não se impõe! Buscamos, em troca, estender o consenso em coerência contínua com as ideias que professamos, com todos os limites que temos, seguros de que só o exemplo e a ação são a melhor propaganda daquilo que pensamos e dizemos. Cremos tanto no anarcossindicalismo que não devemos ter medo de levá-lo para as pessoas, de maneira crível e sem dar nunca um passo atrás em nossos princípios.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/la-union-sindical-italiana-la-usi/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

[EUA] Lançamento: “Death Blossoms: Reflections from a Prisoner of Conscience”, Edição Expandida

Mumia Abu-Jamal (Autor); Cornel West (Prefácio)

O jornalista e ativista Mumia Abu-Jamal está preso desde 1982 pelo assassinato de um policial, um crime que ele continua firmemente afirmando que não cometeu. Em 1996, após cumprir mais de uma década no corredor da morte, e com a probabilidade de execução iminente, ele começou a receber visitas regulares de membros da comunidade espiritual Bruderhof, um grupo de refugiados da Alemanha de Hitler. Inspirado por estes encontros, Mumia começou a escrever uma série de ensaios pessoais, refletindo sobre a sua busca por significado espiritual em uma sociedade atormentada por materialismo, hipocrisia e violência.  “Muitas pessoas dizem que é insano resistir ao sistema”, escreve Mumia, “mas na verdade é insano não resistir.”

Esta edição expandida de Death Blossoms (Flores Mortas) traz um trabalho clássico e influente de volta à impressão com uma nova introdução de Mumia, e inclui um texto inteiro de um relatório inovador da Anistia Internacional detalhando incoerências legais e injustiças crônicas que estragaram seu julgamento.

“Intransigente, perturbador… A voz de Abu-Jamal tem a clareza e a sinceridade de um homem, cuja morte iminente o encoraja a dizer o que está em sua mente sem medo da consequência.” – The Boston Globe

“Uma meditação brilhante e lúcida sobre o dever moral do compromisso político de um ser humano profundamente ético – e profundamente prejudicado. Mumia deveria ser libertado agora.” – Henry Louis Gates, Jr.

Death Blossoms: Reflections from a Prisoner of Conscience (Flores Mortas: Reflexões de um Prisioneiro da Consciência), Edição Expandida

Mumia Abu-Jamal (Autor); Cornel West (Prefácio)

Editora: City Lights

Páginas: 248

ISBN-13: 9780872867970

$11.87

citylights.com

Tradução > Brulego

agência de notícias anarquistas-ana

Porque não sabemos o nome
Tenho de exclamar apenas:
“Quantas flores amarelas!”

Paulo Franchetti

[Itália] Incêndio Criminoso na Escola da Polícia Local

Está na hora de deixar a imagem romântica do “ghisa” dirigindo o trafico. Há anos, os “localini” têm quase os mesmos poderes que as outras forças repressivas, patrulhando o território e fazendo investigações e prisões.

Por esse motivo, na noite entre os dias 22 e 23 de janeiro, incendiamos as viaturas da polícia municipal dentro de sua escola em Milão, localizada na rua Boeri, danificando parcialmente algumas estruturas internas.  Ações como esta mostram como ainda é possível atacar o poder, apesar dos meios de controle tecnológicos cada vez mais e mais avançados e numerosos e uma patrulha asfixiante das cidades. As forças armadas e os guardiões da ordem não são objetivos simbólicos, mas construtores concretos e diários de um sistema mortal baseado na exploração e no extermínio sistemático daqueles que ficaram por último.

Seu exercício zeloso de autoridade consiste em impor aos indivíduos o respeito pelas leis desejadas pelos poderosos.  Essa escolha desprezível não pode permanecer sem consequências, e perturbar a sua tranquilidade é o que deve ser feito.

Ao atuar hoje, nossos pensamentos vão para todos os camaradas anarquistas e antiautoritários presos em prisões em todo o mundo e para aqueles que, perseguidos pela força pública, escolheram e tem escolhido se esconder. Para eles vão nossa solidariedade, mas mais do que isso, nosso apoio ativo.

Suas lutas são nossas lutas, suas ações são nossas ações.

Pela revolta e anarquia.

[Nota: A polícia local é basicamente a polícia municipal, presente em quase todas as cidades e municípios italianos. “Ghisa” (“ferro fundido”) e “localini” são dois apelidos para policiais locais em Milão. A força policial local (ou municipal) não deve ser confundida com a polícia estadual (subordinada ao departamento de segurança pública do Ministério do Interior) e os Carabinieri (subordinado ao Ministério da Defesa)]

Fonte: https://insuscettibilediravvedimento.noblogs.org/post/2020/01/30/it-en-milano-italia-attacco-incendiario-contro-la-scuola-della-polizia-locale-23-01-2020/

Tradução > Brulego

agência de notícias anarquistas-ana

Esta é a mão
que às vezes tocava
tua cabeleira.

Jorge Luis Borges