Carta | Comunidade Autônoma Temucuicui ante à mega-operação da Polícia de Investigações do Chile

Nossa comunidade mapuche, através da presente, e ante à gigantesca agressão por parte do Estado do Chile assinalamos o seguinte:

Na manhã da quarta-feira [07/01/2021], uma força de 800 agentes da Polícia de Investigações arrombou e quebrou a tranquilidade da comunidade Temucuicui, justamente no momento em que na cidade de Angol, uma força composta por carabineros (polícia) e membros do exército impediu à família do weichafe [guerreiro mapuche] Camilo Catrillanca entrar na cidade para conhecer o veredicto contra os carabineros assassinos.

Esta força da PDI, numa enorme caravana, entrou a vários Lof [organização social do povo mapuche] do território, comunidade Huañaco Millao Chacaico, Pancho Curamil, butaco e o setor de Pidima, além de diferentes moradias na cidade de Ercilla, fortemente armados, com equipes militares e apoiados por dois helicópteros. Não se tinha conhecimento sobre qual era o motivo de tão frenética agressão do Estado contra as comunidades. Durante o desenvolvimento das agressões e a violência exercida pelos funcionários da PDI, resultaram mortos vários animais que são parte do gado da comunidade, destruição de cercas e de casas, mulheres e crianças feridas, incluindo a detenção da mãe, da companheira e da filha de Camilo Catrillanca ao tentar voltar para a comunidade.

No desenvolvimento da violência perpetrada pelo Estado resultou morto um agente da PDI, sem que se saibam maiores detalhes. Foi informado para o jornal que a razão dessa violência e terrorismo era para cumprir com uma ordem da Promotoria de Alta Complexidade que pesquisa sobre tráfico e plantação de marijuana, tráfico de armas e munições, homicídios, e, segundo eles, essa ação de violência foi planejada há 8 meses. A questão desse fato é: qual foi o resultado? Na tarde, o rufião que oficia como chefe da PDI, assinalou o sucesso ao apreender umas mudas de marijuana e uma submetralhadora UZI, sem que se tenham mais antecedentes nem certeza que isso ocorreu como foi dito.

O Estado, que está ao serviço do modelo neoliberal, vem desenvolvendo teorias de conspiração desde o ano 2002 quando foi afirmado que as organizações mapuche eram financiadas pelo dono de um molinho na cidade de Collipulli, logo disseram que um número de mapuche recebeu instrução das FARC, na Colômbia, depois vem a operação Huracán onde hoje tem no alvo a vários carabineros por mentir e implantar supostas provas, e o assassinato de Camilo Catrillanca pelo qual declarou-se culpado ao funcionário policial que tirou sua vida. É uma soma de fatos onde se confabulam as mentiras, o racismo e o abuso policial. Nessa violência, mesmo na Operação Huracán, estão organizados e atuando em coordenação com a promotoria de alta complexidade, o tribunal de garantia de Collipulli, e o governo, especialmente o parasita burocrata Cristian Barra, que foi designado como coordenador da macro-zona do sul, pelo ministério do interior. Todos eles atuam sob as ordens das empresas florestais e da oligarquia latifundiária, que vê com espanto como o território de Temucuicui tem conseguido controlar um grande espaço do território, tem conseguido dar bem viver às famílias, reconstruir o mapuche mogen [vida mapuche] fora de todo domínio e tentáculo do Estado e dos partidos neoliberais.

Essas ações de terrorismo de Estado continuarão devido a que as comunidades continuarão com mais força e convicção a recuperação e o controle territorial para que nossas futuras gerações vivam em liberdade e dignidade.

Todos os que estão na cabeça dessa gigantesca operação, estão assinalando que existiu um arrombamento só em Temucuicui, porém, essa operação foi realizada em diferentes comunidades já citadas. É de notar, contudo, que não existe nenhum detido em Temucuicui por essa operação policial, mas foram 9 casas arrombadas e destruídas em Temucuicui, e outras 10 nas outras comunidades. Em grande parte delas não acharam nada. Duas mulheres detidas da comunidade Huañaco Millao Chacaico anunciaram que hoje passaram a controle e formalizações por acusações, ficando ambas em prisão preventiva.

Rejeitamos energicamente as ameaças do Diretor da Polícia de Investigações de continuar entrando e agredindo a comunidade com mais força; nós temos sido vítimas históricas de múltiplas violações e assassinatos, e eles isso sabem muito bem, por quanto nossa gente ficará a defender de qualquer agressão a todos os membros da nossa comunidade. As declarações desse nefasto e racista burocrata só vêm para fomentar a estigmatização das práticas coloniais contra Temucuicui, que o Estado abertamente tem declarado guerra.

Finalmente assinalar que Temucuicui vai se manter alerta e não permitirá a entrada a nenhum meio de comunicação.

Justiça para Camilo Catrillanca

Liberdade aos presxs políticxs mapuche

Não mais arrombamentos e agressões a nossa gente. 

COMUNIDAD AUTÓNOMA DE TEMUCUICUI

agência de notícias anarquistas-ana   

a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

[Venezuela] Indígena Pemón, preso pela ditadura chavomadurista, morre por falta de cuidados médicos

Por Olhos Ilegais

O indígena Pemón, Salvador Franco (44 anos) morreu nas horas da manhã de hoje, 3 de janeiro de 2021, na prisão Rodeo II, localizada em Guatire, Estado de Miranda. Venezuela. Ele foi detido junto com outros 13 índios Pemón por razões políticas, e sua situação de saúde era muito grave, desde quatro meses atrás. Diferentes organizações e indivíduos que trabalham com direitos humanos em nível nacional e internacional exigiram publicamente atenção médica urgente das autoridades responsáveis devido a sua condição crítica, mas este pedido nunca foi atendido pelas autoridades criminais.

A própria irmã de Salvador Franco, Liseth Franco, fez um vídeo de Kumaracapay na Gran Sabana, onde exigiu cuidados médicos e avisou que seu irmão estava tossindo sangue e que sua família, sua comunidade e o povo Pemón em geral estavam muito preocupados com sua vida. O Tribunal havia emitido uma ordem ao centro de detenção para que ele fosse avaliado por um médico especialista. Mas até o momento de sua morte, esta ordem nunca foi executada.

O Estado e as autoridades responsáveis são responsabilizados por esta morte infeliz, que poderia ter sido evitada se lhe tivesse sido dada a atenção necessária.

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com/2021/01/por-negarsele-atencion-medica-muere.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Tempo destinado
a esfregar e descorar
nódoas do passado.

Flora Figueiredo

[Cuba] Comunicado da Oficina Libertária Alfredo López de Havana

Não aceitamos senhores sobre nós nem servos sob nossas ordens. Trabalhamos para uma sociedade onde todas as questões públicas são resolvidas através da auto-organização daqueles que vivem, trabalham, criam e amam, em Cuba e no planeta. Testemunhamos, no entanto, que a mudança para tal forma de administrar nossas vidas comuns só pode ser o produto da mais profunda revolução social. Mas ser radical em nossa concepção do socialismo e da libertação humana não nos torna pessoas rígidas ou extremistas, nem nos opõe àqueles que sinceramente buscam caminhos de dignidade. A luta por garantias sociais é legítima, mesmo quando sua raiz germinativa não atinge imediatamente o ideal – desde que tal raiz exista – muitas das quais contêm germes vivos e em crescimento da sociedade comum com os quais, por enquanto, apenas ousamos sonhar. Defender tais germes e semear as sementes da liberdade, mesmo sabendo que podem levar milênios para se tornarem árvores tão robustas quanto as mais robustas em nossos campos, é nosso dever e escolha de vida.

E por tudo isso:

1. Repudiamos qualquer bloqueio contra o povo cubano, imposto de fora ou de dentro pelos Estados, Unidos ou não. Apoiamos radicalmente a plena utilização das capacidades criativas de nosso pessoal, sua auto-organização, auto-sustentação e auto-liberação, em um mundo que deve ser mais solidário e cooperativo.

2. Não apoiamos provocações que visem a explosão social. Isto seria trágico nas atuais circunstâncias de deterioração organizacional das classes trabalhadoras e dos segmentos mais precários da sociedade.

3. Apoiamos todas as formas de auto-organização daqueles que trabalham, vivem e criam em Cuba. Por auto-organização social entendemos os empreendimentos, projetos, redes, coletivos e outros esforços onde não há trabalho remunerado, imposição de autoridade, culto à personalidade, diversas violências diretas, estruturais ou simbólicas, hipercompetitividade, burocratismo, decisões nas mãos de uma elite, concentração da riqueza e apropriação desigual do conhecimento. Exigimos que a estrutura institucional do país dê prioridade às entidades auto-organizadas, como a promoção da criação de cooperativas e outros projetos coletivos de produção e serviços de natureza autogestionária, sobre as microempresas capitalistas e outras empresas baseadas em assimetrias sociais, especialmente o autoritarismo, a burocracia e a desigualdade econômica.

4. Neste sentido, as organizações que distribuem produtos à população devem ser reorganizadas como cooperativas de consumo, integrando a maioria delas de forma auto-organizada, a fim de cumprir as funções de venda em armazéns e outros varejistas, transporte, estocagem, sem implicar em roubo ou corrupção.

5. Somos contra o sistema salarial, mas enquanto ele existir, deve haver também o reconhecimento de um salário mínimo real, visivelmente acima da cesta básica como a renda mínima para uma vida digna, que deve ser pública em sua composição e sujeita a debate e aprovação geral; a remuneração devida deve ser feita de acordo com o horário de trabalho e horas extras; o acordo coletivo, o direito à sindicalização, o pleno acesso à resolução de conflitos trabalhistas por parte daqueles que trabalham, e o direito à greve deve ser imposto aos empregadores em todos os locais de trabalho.

6. Se foi possível reconhecer a legitimidade dos representantes das tendências liberais dentro da oposição política estatal cubana, nós nos consideramos portadores de plena legitimidade como socialistas libertários e parte da organização das classes trabalhadoras em Cuba; se tal reconhecimento não foi possível, nós o exigiremos para todas as opiniões políticas.

7. O crime de desprezo pela autoridade, como herança da ordem monárquica, deve ser abolido e todas as pessoas presas por tais atos devem ser libertadas.

8. A prisão ou qualquer outra sanção por “periculosidade pré-criminal” deve ser imediatamente abolida como uma instituição de origem fascista (Código Rocco).

9. Trabalhamos pela libertação de todo o espectro de todas as dominações e opressões, especialmente as do capital, da burocracia, do patriarcado, da hipercompetição, da epistemocracia, da colonialidade, do racismo, do etnocentrismo, da intrusão de poderosas estruturas estrangeiras, do consumo desenfreado e da predação ecológica.

10. O espectro completo significa que ninguém – pessoa ou grupo sob opressão – se liberta a si mesmo, não incluindo outros, ao ponto de alcançar toda a sociedade. A liberação não admite exclusões.

11. Não reconhecemos a falsa e autodestrutiva “normalidade” deste mundo como um ideal de que uma Cuba deva tender a ser “um país normal”.

12. Estamos em alerta contra qualquer movimento que, de coletivos, processos ou esforços que aspiram à libertação, possa propiciar o surgimento de novas e perigosas dominações.

A Oficina Libertária Alfredo López é um coletivo anarquista que durante anos apoiou e promoveu experiências alinhadas com seus princípios antiautoritários e anticapitalistas, e procura ser uma voz libertária oportuna neste arquipélago que chamamos Cuba. Organizou quatro Jornadas Libertárias em Havana, e é atualmente o principal gestor do Centro Social ABRA.

Fonte: https://centrosocialabra.wordpress.com/2021/01/03/comunicado-del-taller-libertario-alfredo-lopez-de-la-habana/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarqauistas-ana

Caramujo,
Suba sem pressa
O Monte Fuji!

Issa

[Chile] Vídeo | Sebastián Oversluij Presente!

Documentário sobre a vida do companheiro Sebastián “Angry” Oversluij, que foi morto enquanto tentava expropriar um banco em 11 de dezembro de 2013 em Santiago, Chile.

O material foi elaborado com informações de livros, propaganda, conversas e fragmentos de vídeos públicos e inéditos. Os desenhos que acompanham a história foram feitos pelo companheiro.

Com Sebastián Oversluij e Alexandros Grigoropoulos em cada Dezembro Negro.

Memória e ação!

>> Link para ver o vídeo:

https://gorf.tube/videos/watch/af37b9d5-561c-428d-bdb5-aae1ca7d2a27

Notas:

1. Aqueles que desejarem contribuir para a divulgação traduzindo o texto para outros idiomas podem escrever para memoriayaccion@riseup.net.

2. No minuto 17:32, onde “os anos 2016-2010” é mencionado, refere-se aos “anos 2006-2010”.

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inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

[Espanha] Eduardo Vivancos nos deixou

Eduardo Vivancos (Barcelona, 19 de setembro de 1920) morreu em seu centésimo aniversário em Toronto, Canadá, em 30 de dezembro de 2020, após uma longa e ativa vida como anarquista, cenetista e libertário.

Vindo de uma família de classe trabalhadora, aos 14 anos começou a trabalhar e estudar à noite na Escuela del Trabajo de Barcelona, onde ingressou na Federação Ibérica da Juventude Libertária (FIJL) e na FECL (Federación Estudiantil de Conciencias Libres). Em 1935, ele se tornou membro da Confederação Nacional do Trabalho.

Em setembro de 1936, em meio à atmosfera revolucionária durante a Guerra Civil, ele aprendeu esperanto em um curso organizado no Ateneo Enciclopédico Popular, que seria um incentivo e uma ferramenta muito útil em seu trabalho como libertário e internacionalista.

Em 1937 ele começou a estudar no Instituto Obrero de Barcelona, mas mentiu sobre sua idade para entrar na 26ª Divisão, antiga Columna Durruti, sem o conhecimento de sua família. Em fevereiro de 1939, ele teve que se exilar. Ele passou pelos campos de refugiados de Vernet d’Ariège, Argelès, Bram, Agda e outros, onde intensificou seus contatos com refugiados quenianos e seu trabalho para o Esperanto. Lá ele conheceu, por exemplo, Jaume Grau Casas, membro da Academia de Esperanto e editor principal do “Kataluna Antologio” (uma antologia da literatura catalã traduzida para o esperanto).

Entretanto, seu trabalho principal mais conhecido ocorreu após o fim da Segunda Guerra Mundial, já em Paris, onde fez parte do comitê de criação de uma Juventude Anarquista Internacional, a pedido da FIJL. Foi decidido criar um boletim, que, devido ao seu caráter internacional, seria escrito em esperanto, e que se chamava “Senŝtatano” (aquele sem Estado). Vivancos foi um de seus editores, juntamente com Germinal Gracia. Dessa plataforma ele entrou em contato com os libertários esperantistas de muitos países, entre eles Eugenio Lanti, líder da Sennacieca Asocio Tutmonda, a associação dos trabalhadores esperantistas.

Em 1954 Vivancos emigrou para o Canadá com sua família. Em Toronto, ele aderiu à ADEC (Asociación Democrática Española Canadiense), que durante muitos anos realizou ações contra o regime franquista. Assim, foram organizadas conferências com a participação de Federica Montseny e Enrique Tierno Galván, entre outros. Em 1968, como parte da campanha internacional para boicotar o regime de Franco, ele se opôs veementemente à celebração em Madrid do Congresso Universal do Esperanto, que até mesmo nomeou Franco como seu protetor honorário.

Vivancos voltou à Espanha pela primeira vez sozinho em 1976, mas continuou a viver no Canadá, mantendo contatos com ex-cenetistas e libertários em geral da Espanha, América do Norte e outros países. Já cego, ele passou seus últimos anos em uma residência em Toronto, de onde permaneceu ativo com muitos desses contatos, e com sua irmã Juliette e sobrinha Sylvie, também ativa no movimento libertário e esperantista em Paris.

Que a terra lhe seja. Aqueles de nós que o conheceram nunca o esquecerão.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/nos-dejo-eduardo-vivancos/

Tradução > Liberto

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O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Lançamento: “El curandero”, de Jorge Enkis

A natureza nos deu tudo o que precisávamos para cuidar de nós mesmos, mas foi a sociedade mercantilista que enterrou estes conhecimentos ancestrais. Após a unificação farmacológica mundial, a UFM, muitos curandeiros ou sábios foram perseguidos e encarcerados.

Um curandeiro compartilhará seu conhecimento com seu jovem filho, depois que ele morrer nas mãos de uma doença de transmissão patogênica climática conhecida como TPC. Ele terá a missão de manter esse conhecimento para o cuidado de sua comunidade. 

Título: El curandero

Autor: Jorge Enkis

Editorial: Autodidacta

Número de páginas: 24

Idioma: Español

Dimensões: 14 x 17

Ano de Publicação: 2021

Preço: $2.000

>> Baixe, imprima e divulgue:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2021/01/El-curandero-Jorge-Enkis.pdf

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/02/chile-lancamento-el-arte-de-proyectar-la-anarquia-de-jorge-enkis/

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copo de vinho,
um olhar e um toque:
te adivinho…

Carlos Seabra

[Chile] Nos abraçaremos novamente: Comunicado de parentes e amigos de presxs subversivxs e anarquistas

Estas duas últimas semanas, todos xs nossxs prisioneirxs subversivxs nas diferentes unidades em que estão confinadxs (Prisão de Alta Segurança, Seção de Segurança Máxima e o Módulo de Anotação Pública na Prisão de San Miguel), receberam a visita de alguém próximo. Entramos em seus protocolos e nos abraçamos com uma intensidade que só um genuíno afeto e um espírito libertário podem permitir. As certezas do combate permanecem inabaláveis dentro e fora da prisão, apesar deste longo período sem poder nos ver.

Graças à luta dada nas ruas por meio de comícios, propaganda, agitação, construção de redes, etc.; e na prisão por meio de greves de fome, comunicados, protestos e participação ativa em greves alimentares (recusa de comida na prisão), foi obtida uma visita por mês durante duas horas, mas sabemos que o isolamento não cessou e por isso continuamos esperando o desenvolvimento de condições futuras.

Vimos nossxs camaradas fortes e com a disposição de luta que lhes é própria, sem se deixarem dominar pelas condições impostas, nem as longas sentenças ou vingança grosseira dos poderosos serão suficientes para desqualificá-los como combatentes, mesmo dentro dos muros não há derrota neles.

Esta batalha imediata para nos vermos novamente é apenas parte da continuidade que temos dado durante décadas nas lutas milimétricas que convivem com a prisão, sempre com a bússola do confronto permanente com o poder. É por isso que também reconhecemos que, com o retorno das visitas, absolutamente nada termina.

Apesar das condições sanitárias/repressivas das novas quarentenas ou mudanças de fases, a realidade da luta dxs prisioneirxs subversivxs e anarquistas torna-se urgente com novos julgamentos, condições de extremo isolamento e a situação insustentável dxs camaradas condenados a longas penas de prisão por ações nos anos 90, bem como a necessidade de derrubar a modificação nefasta do decreto 321, o que torna ainda mais difícil o acesso a qualquer regime de “liberdade condicional”.

Como familiares, amigxs e camaradas, temos a firme convicção de agir de forma crescente e coordenada com todas as pessoas que buscam, por todos os meios dignos e possíveis, uma saída às ruas para nossxs camaradas que estão atualmente presxs sob vários truques judiciais em uma situação que foi declarada como sequestro pelo Estado.

É urgente e necessário unir forças para dar certos passos nesta justa luta de que não desistiremos.

Contra a modificação do decreto-lei retroativo 321.

Pela anulação das sentenças proferidas pelos promotores militares nos anos 90 que ainda são usadas para manter aos nossos como sequestrados.

Até vermos todxs xs nossxs nas ruas!

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Morte ao Estado e longa vida à Anarquia!

Familiares e amigxs de Presxs Subversivxs e Anarquistas; CAS, Máxima e Prisão de San Miguel.

Últimos dias de dezembro de 2020.

Santiago do Chile.

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/30/chile-liberdade-para-os-prisioneiros-chilenos/

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um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

Curso | Estratégia e Uso da Imagem na Militância

Olá,

Quero te convidar para o primeiro curso do ano: Estratégia e Uso da Imagem na Militância

Ainda há pouca discussão entre a relação da militância com a cultura visual e para incidir na discussão a Tenda vai realizar o curso Estratégia e Uso da Imagem na Militância no dia 23 de janeiro. Textos teóricos de Ariella Azoulay, Walter Benjamin, Flusser e Ana Maria Maud são a base do curso.

O curso de 4 horas e será ministrado por Aline Ludmila e Fernanda Grigolin, ambas possuem pesquisa sobre cultura visual e anarquismo, além de realizarem o #charlasyluchas

Valor: 90 reais

Até 20 participantes

Os participantes receberão um e-book

O valor será revertido para cobrir os custos do Jornal de Borda 10: Arte e Anarquismo.

Tenda de Livros: contato@tendadelivros.org

tendadelivros.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/15/pre-venda-do-jornal-de-borda-10/

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no poço da quinta
o balde traz-me
estilhaços da lua

Rogério Martins

[EUA] Documentário: “Nós, você e tantos outros”

Anunciando um novo documentário sobre a organização de apoio mútuo na chamada Richmond, Virginia.

Confira este novo documentário fantástico (54:20 minutos) que acompanha o crescimento do trabalho de apoio mútuo em Richmond, VA, logo após a pandemia do COVID-19 atingir a área. Além de conhecer as pessoas por trás do projeto e aprender todas as diferentes maneiras pelas quais as pessoas têm contribuído com suas habilidades, vemos o projeto expandindo a distribuição de alimentos e suprimentos para incorporar uma linha direta, programa de mini-subsídios e muito mais. Prático, inspirador e informativo, e uma excelente cartilha para pessoas interessadas em se envolver em apoio mútuo em suas comunidades.

Obrigado ao grupo de apoio mútuo de Richmond!

> Veja o documentário aqui:

https://vimeo.com/492942917

Fonte: https://itsgoingdown.org/richmond-mutual-aid-disaster-relief-documentary-we-and-you-and-so-many-others/

Tradução > A. Padalecki

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Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

Agenda Anarquista 2021

Um ano chega ao final e começa outro na contagem imposta pela igreja cristã romana, a mesma que corrigiu uma defasagem, fato consumado pelo gregório, papa faz menos de 500 anos atrás.
 
É por esta razão que contamos o tempo no qual vivemos pelo que chamamos calendário gregoriano.

Para marcar esta data a Editora Independente PrintLeaks costuma distribuir agendas temáticas anarquista, feminista e de cultura negra, mais outra de interesse regional.

A primeira a ficar ponta é a Agenda Anarquista.

Tem 160 páginas impressas em papel reciclado, em preto e branco [ou escala de cinza].

É vincada, costurada e colada a mão, usando uma técnica artesanal que garante qualidade e durabilidade.

Depois de três anos de segurar um valor de R$ 25,00 este ano é de R$ 30,00, mas inclui o valor do envio por correio impresso normal.

Pode pedir a sua por inbox ou pelo e-mail publicarlit@gmail.com que envio o link para pagamento pelo pagseguro.

Me avisa se tiver interesse em Agenda Feminista ou de Cultura Negra. Vão ficar prontas neste fim de semana.

agência de notícias anarquistas-ana

a lagarta
olha no espelho
a mariposa

Claudio Daniel

Construção do sindicalismo revolucionário no Rio Grande do Norte

O atual problema político do Brasil e do mundo reside na colonização do imaginário organizativo. Este estando dominado pelos limites da Social Democracia, ou linhas conservadoras como “alternativa” e vícios inerentes destas, a saber: economicismo (no campo SD), apoliticismo (no campo conservador), programas imediatistas e finalistas, “pragmatismo” e idealismo. O economicismo executa uma separação simplista entre economia e política, como se meras reformas de pessoas na administração da última solucionassem as questões de desigualdade de classes da primeira. O apoliticismo conservador tenta organizar a classe trabalhadora por categoria para negociações diretas com o patronato, afirmando não caber à classe envolvimento político. Os programas imediatistas apregoam vitórias em conquistas de categorias específicas de ramos trabalhistas, gerando uma alienação do problema de classe como um todo. Os programas finalistas advogam que as mudanças, na realidade social, só são executáveis por um partido ou governo por via eleitoral, mantendo a “luta” no campo do jogo burguês. O “pragmatismo” defende uma pseudo-objetividade via disputas de ganhos salariais em negociações de gabinetes, relegando a segundo plano ações diretas de organizações de classe (ou ignorando-as completamente). O idealismo nega a luta econômica em detrimento a um programa partidário, a relação com as classes fica alienada e as organizações passam a ser meros palanques de disputas pelas direções burocratizadas. É imperativo a identificação com a causa de classe ampliada, seja esta econômica (explorados), étnica, de gênero ou orientação sexual, de modo a criar laços de solidariedade e apoio mútuo, via uma organização que identifique sem mediações a fonte das opressões de todas essas categorias, numa proposta de eliminá-las pela força de revoluções de seus paradigmas associativos. Na mudança das formas de nos associarmos e nos organizarmos, podemos revolucionar nossas condições de vida.

Para tanto, acreditamos que os métodos do Sindicalismo Revolucionário, trabalhados e aperfeiçoados pela Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), são as ferramentas necessárias para dar coesão, objetividade, força e combatividade a uma luta de classes cada vez mais pautada e focada na ação direta pelas bases, segundo princípios de solidariedade de classes e apoio mútuo que podem trazer ganhos efetivos às populações mais vulneráveis, a saber, as pessoas pretas de periferias, os povos indígenas e quilombolas, os ribeirinhos das praias, dos rios e dos lagos, à comunidade LGBTQIA+, aos subempregados, à população em condições de habitação de ruas e das populações carcerárias vitimadas nos calabouços do Estado, assim como acreditamos que essas metodologias combativas de ações diretas são, em si mesmas, pedagógicas e trazem à consciência o gosto pela emancipação via a experimentação de processos de luta organizados autonomamente.

Também cremos que os métodos de Democracia Direta pelas bases associativas, de ação direta (como a greve geral), devolve às bases o protagonismo da organização e das lutas, constituindo um importante empecilho e impedimento das práticas autopromocionais de pseudo lideranças que queiram nos guiar via algum vanguardismo que saberia melhor do que o povo o que seria melhor para este povo, sendo um contraponto orgânico ao parlamentarismo eleitoral da esquerda institucional. Sendo uma eficaz metodologia ao combate contra o Capitalismo local e internacional tanto quanto ao Estado e suas instituições alienantes das potências populares.

Avaliamos que o atual contexto mundial de pandemia agrava ainda mais as desigualdades sociais e aprofundam os efeitos negativos aos mais vulneráveis em favor do enriquecimento e aumento de poder das elites minoritárias. Fato este que fica evidenciado pelo aumento e escalada de violências domésticas contra as mulheres e do número de feminicídios, o racismo estrutural e institucional contra as pessoas pretas de periferias e a escalada do fascismo nacional e internacionalmente. Entendemos também que a pandemia escancarou as injustiças do sistema totalitário da mercadoria que impera no mundo. As classes privilegiadas, na ânsia de se manterem em tal posição, conseguem pressionar os Governos (que no mundo todo existem para salvaguardar seus privilégios) para salvar a economia às custas das vidas dos que geram sua riqueza, o trabalhador que têm seu tempo de existência roubado para produzir a desigualdade que o oprime, em troca de salários insuficientes a uma vida digna. O oprimido fica preso nessa condição pelo triplo roubo que sofre, a saber, do excedente que produz (pela mais valia), do seu tempo de vida (gasto na produção) e pelo consumo (ideologicamente induzido). No Brasil as táticas aplicadas para alcançar esse objetivo agem em várias frentes: o atraso no pagamento dos auxílios emergenciais (por parte do governo), a campanha “Solidariedade/ SA” (dando uma falsa impressão de humanidade ao sistema), que cega o oprimido em relação ao quanto o mesmo alcança quando se auto-organiza (prática que têm sido a verdadeira salvação do povo, mas que é, a cada dia, mais silenciada pelos canais de mídia hegemônicos) e a privatização de recursos essenciais à vida (como a recente privatização da água). Tudo isso contribui para um totalitarismo das formas de organização social, sustentado com a vida dos explorados. Entendemos que o trabalho de base, proposto e apontado, pelo Sindicalismo Revolucionário são métodos mais pertinentes ao bem viver dos seres humanos e não humanos do campo e da cidade, principalmente quando comparados às medidas administrativas adotadas por gestores dos mais variados níveis, municipais, estaduais ou Federal, que usaram de tal contexto para passar suas “boiadas” e projetos de destruição da economia, meio ambiente, seguridade social, educação pública e aposentadoria (previdência).

O núcleo que dá início às atividades da FOB no RN, tem uma experiência em organizações libertárias, autônomas, independentes e horizontalizadas que remonta ao surgimento do Movimento Passe Livre (MPL) na cidade de Natal (em 2005), e vêm adquirindo uma larga experiência na luta pelo direito à cidade, na luta contra as tarifas que executam a exclusão classista do povo à cultura, lazer e educação, o grupo esteve também diretamente envolvido nas lutas radicalizadas que impediram o aumento de tarifa dos ônibus urbanos por três anos consecutivos, 2011; 2012 e 2013, revolta popular que se inicia na luta contra a gestão corrupta e degradante da ex prefeita Micarla de Souza (PV) e evolui para a luta tarifária. Bem como esteve na luta contra a “PEC do Fim do Mundo”, em ocupações de ambientes escolares em 2016, e foi para a caravana em Brasília em Novembro daquele mesmo ano, para lutar contra o teto dos gastos, e também vêm lutando contra o governo Bolsonaro/Mourão e sua política de desmonte da educação pública de qualidade, regularmente organizados desde o ano passado. Dada essa longa trajetória percebemos que o eventualismo, depender do aprofundamento de condições de vida degradantes para se radicalizar as lutas, não é benéfico para a construção da luta prolongada e efetiva, tanto quanto o ativismo, que é intermitente e incipiente, também se mostra um problema para o avanço das lutas e emancipação política dos mais vulneráveis, portanto defendemos a organização pelos métodos do Sindicalismo Revolucionário.

Faz-se necessário a ampliação da prática de apoio mútuo dos que vivem essa condição de explorados, através da articulação efetiva de redes de comunicação e trocas (materiais e técnicas) que envolvam as mais variadas iniciativas de solidariedade entre, por e para os de baixo. A troca e popularização de saberes fundamentais à vida, como a produção de alimentos, moradia, manutenção da saúde (física e mental), de geração de energia limpa, por exemplo, quando somadas a estas redes de solidariedade e apoio mútuo, são gestos emancipadores e que ampliam a liberdade social e a organização popular. Para que não dependamos de gestores profissionais que apenas aliviam as pressões do (e no) sistema? Greve selvagem e autogestão generalizada.

Só o povo salva o povo!

agência de notícias anarquistas-ana

Entre a roça e a montanha,
A chuvinha vai parando…
A folhagem nova!

Buson

[Espanha] Ante o ataque às nossas instalações anarcossindical

SEUS INSULTOS E ATAQUES NOS TORNAM MAIS FORTES!

Palencia, 24 de dezembro de 2020

Da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) de Palencia queremos tornar público o ataque que nosso espaço anarcossindical sofreu durante esta noite, já que “algum indivíduo ignorante” ousou fazer um grafite que não tem sentido em nossa janela, com sua mensagem cheia de erros ortográficos e inconsistências, já que cuja mensagem questionável não temos medo de publicar e colocar literalmente “retratores, fascistas, casposos”.

Desde nossa anarcossindical ficamos especialmente impressionados com o fato de sermos chamados de “fascistas” quando a CNT é por excelência uma das organizações antifascistas de referência, onde nossa gente lutou, luta e lutará contra tudo que cheira a autoritarismo e fascismo, Acreditamos que não é necessário lembrar que a classe trabalhadora, organizada sobretudo de forma anarcossindicalista, parou em alguns lugares, especialmente na Catalunha, o golpe fascista de Estado de Franco de 18 de julho de 1936, assim como hoje continuamos sendo ORGULHOSAMENTE ANTI-FASCISTAS.

No que diz respeito ao “retrgrados”, que entendemos como “retrógrados”, basta dizer que nosso Sindicato de Classe busca e pratica em nosso dia-a-dia a sociedade que consideramos melhor, na qual cada pessoa é igual e não há hierarquias, por isso praticamos o associativismo e não dependemos de fatores externos, praticamos a Autogestão e o Apoio Mútuo, devido à outra vertente fundamental de nosso sindicato, que é o Anarquismo, que é considerada uma das ideias socialistas mais avançadas e ainda mais se nos basearmos em exemplos de pedagogia que eram muito revolucionários na época, como a Escola Moderna de Ferrer i Guàrdia ou os Ateneus Libertários que estavam e ainda estão em nossos espaços autogeridos, então somos ORGULHOSAMENTE ANARQUISTAS.

Quanto aos “casposos”, não sabemos como este indivíduo descobriu, mas sim, há militantes que têm caspa, mas como a maioria da classe trabalhadora e para isso há produtos que a tiram, especialmente de uma marca que não vamos anunciar.

Além das risadas, que realmente passamos o dia todo com tudo isso, já que a limpeza foi feita em poucos minutos, parabenizamos nossa militância por isso, devemos dizer que tanto hoje, que tivemos duas assessorias trabalhistas gratuitas para fazer à nossa gente da classe trabalhadora e mais o que faremos (contato através de redes sociais ou palencia@cnt.es), e a todo momento sabemos que todo o bairro Ave Maria, onde o local está, nos apoia, por isso nosso trabalho e militância não se intimidam por um ignorante, é por isso que SEUS INSULTOS E ATAQUES NOS FAZEM MAIS FORTES, dadas as manifestações de apoio do bairro e dos trabalhadores que aconteceram desde a abertura do local esta manhã.

AGORA MAIS DO QUE NUNCA, O ANARCOSSINDICALISMO!

NENHUMA AÇÃO SEM RESPOSTA!!

NOS VEMOS NAS RUAS!

Fonte: http://palencia.cnt.es/2020/12/24/ante-el-ataque-a-nuestro-local-anarcosindical/

Tradução > Liberto

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areia quente
pés descalços
corrida para o mar

Carlos Seabra

[Espanha] Lançamento: “Josep Lluís Facerías y sus grupos de acción”

Obra coletiva coordenada por: Ricard de Vargas e Roger Costa

Agora que se passaram 100 anos desde o nascimento do guerrilheiro urbano Josep Lluís Facerías, foi considerado necessário publicar este livro para recuperar sua luta, silenciada e desprezada como conseqüência dos Pactos da Transição. Tentamos restabelecer seu compromisso libertário que o levou a lutar contra a ditadura franquista durante as décadas de 1940 e 1950.

Agora, mais do que nunca, devemos recuperar a história resistente para servir de estímulo para continuar a luta nos momentos atuais tão difíceis. A vida de Facerías foi dada a conhecer a seu amigo, o historiador Antonio Téllez. Este livro que você tem em suas mãos, resultado de um trabalho e de um esforço coletivo, é um complemento a sua obra, com novas contribuições interessantes: textos escritos pelo próprio Facerías, testemunhos da época, documentação inédita, 54 biografias de membros de seus grupos de ação e muito mais.

Josep Lluís Facerías y sus grupos de acción

Obra colectiva coordinada por: Ricard de Vargas y Roger Costa

Editorial Descontrol, Colección ReMemorant. Barcelona 2020

433 págs. Rústica 21×14,5 cm

ISBN 9788418283130

18,00 €

descontrol.cat

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o céu resfria
a lua vestiu
uma charpa de bruma

Rogério Martins

Entrevista realizada pelo Le Monde Libertaire (FA) à redação de Tierra y Libertad

Saúde, pessoal, e obrigado por esta entrevista à distância em tempos de Covid, que nos permite manter contato. Que tal começar com uma breve apresentação de você e de seu grupo Albatros, de Madrid (FAI) e com a memória daquelas bebidas que tomamos em 12 de julho do ano passado?

Ótimo! Começaremos dizendo que nosso grupo – Albatros – foi formado em meados dos anos noventa com pessoas vindas de outros grupos da FAI, Juventudes Libertarias e outros que participavam de um grupo anarquista pela primeira vez. Desde o primeiro momento fomos um grupo de síntese, já que desenvolvíamos (e desenvolvemos) tarefas em diferentes áreas. Talvez o principal seja a difusão de ideias, para a qual utilizamos todos os meios à nossa disposição: conferências, artigos de imprensa, panfletos e até fizemos um pequeno filme sobre Bakunin, que está na rede, e um documentário contra a falsa caridade da Igreja (Ouróboros). A luta antirreligiosa é uma de nossas constantes, mas não a única. Não somos um grupo muito grande, o que às vezes nos limita um pouco, mas temos um círculo de amigos militantes que, embora não estejam no grupo, geralmente ajudam nas tarefas.

Hoje nos toca apresentar Tierra y Libertad (Terra e Liberdade), o órgão de imprensa da Federação Anarquista Ibérica, aos leitores do Le Monde Libertaire. Um jornal anarquista tão famoso que inspirou Ken Loach para seu filme. Ele remonta a que data?

Vamos começar dizendo que Tierra y Libertad não é um órgão de imprensa da FAI, mas uma publicação anarquista editada pela FAI. Isso significa que a Federação nomeia o Comitê Editorial e tem a última palavra sobre tudo que diz respeito ao jornal, mas não é um órgão ou um porta-voz porque a Federação não tem uma “única” voz. Por esse motivo, o jornal não tem um artigo editorial e todas as contribuições devem ser assinadas. A Redação tem o poder de rejeitar aqueles artigos que não parecem apropriados; somente se eles vierem de um grupo federado são as razões dadas ao grupo que os enviou, e se eles não concordarem com as razões dadas, eles são enviados a todos os grupos federados para que uma decisão federal possa ser tomada. É verdade que isto nunca aconteceu no momento e que em alguns casos em que os artigos foram enviados de volta aos redatores não federados, tudo se desenvolveu na maior camaradagem e ninguém se sentiu ofendido.

De tempos em tempos, a Federação muda o Comitê Editorial, uma posição que nenhum grupo quer manter porque limita tanto sua atividade ao ter que publicar o jornal todo mês. Anos atrás (talvez muitos) na Federação decidimos que o Comitê Editorial seria passado para o grupo Albatros, que por sua vez delegou a nós, Hector e Alfredo, para realizá-lo. Pertencemos a duas gerações diferentes (temos 11 anos de diferença de idade) com diferentes experiências militantes e também diferentes profissões (estivador e impressor).

O jornal nasceu em 1888 não menos como um semanário, foi um diário por um curto período de tempo no início do século XX e depois voltou a ser um semanário, com aparência irregular e clandestina durante a ditadura franquista e reapareceu como um semanário em 1976.

O que você coloca de Ken Loach, infelizmente, não é certo. Ele tirou o nome de seu filme do anseio e não do jornal. Alguns companheiros, incluindo aqueles que estavam no conselho editorial na época, participaram das filmagens. Nem Loach nem sua produtora sabiam da existência do jornal. Em qualquer caso, Loach é um trotskista e em seu filme enfatiza mais o papel do POUM (partido marxista) do que o dos anarquistas.

Que papel o jornal desempenhou na história e nas diferentes etapas históricas: guerra civil e revolução social, ditadura, pós-Franquismo?

Desde sua fundação, um dos objetivos do jornal era fornecer informações sobre o movimento anarquista e também servir como referência organizacional para o próprio movimento, ao mesmo tempo em que exibia sua faceta educacional, tudo isso em um país com um percentual muito alto de analfabetismo. Tierra y Libertad, como outros órgãos de imprensa e textos libertários, foi lido em voz alta nas reuniões de trabalhadores para dar uma oportunidade àqueles que ainda eram analfabetos. Como o movimento libertário estende sua tarefa de cultura entre a classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, muitos outros jornais libertários são criados, Tierra y Libertad vai se tornando um órgão de difusão e debate em vez de um órgão de informação, comentando as notícias do movimento. Feito por grupos anarquistas federados, nunca foi um órgão de nenhuma federação, que foi chamado de formas diferentes até 1927, quando os grupos espanhóis se juntaram aos portugueses, dando origem à Federação Anarquista Ibérica, o nome da organização que perdura até hoje.

Com o golpe de Estado de 1936, o processo revolucionário da classe trabalhadora foi acelerado, e nosso jornal está nas ruas semanalmente comentando os eventos e oferecendo uma orientação anarquista. Por razões do momento, está começando a ser editado pela FAI como um todo (uma situação que não mudou até agora). Com a vitória fascista, o jornal passa à clandestinidade de forma irregular, publicando também manifestos, folhetos e cartazes sob a forma de monografias. No México, os camaradas no exílio publicam um jornal com o mesmo cabeçalho, mas que não tem nenhum vínculo orgânico com o feito no interior da Espanha ou com a FAI.

Com a morte do ditador, chegamos à transição política para a democracia e Tierra y Libertad começa a ser publicado (a princípio clandestinamente) com uma periodicidade fixa – mensal – e com uma rotação do Comitê Editorial entre os grupos federados. O jornal serve como um elemento unificador da Federação e também de outros grupos não federados.

Quem publicou e publica o jornal? Quem escreve em TyL hoje? E quais são seus vários temas?

Historicamente, muitas pessoas escreveram para o jornal, incluindo escritores famosos, como Azorín. Naturalmente, também os anarquistas mais conhecidos, tais como Malatesta e Kropotkin. Hoje, militantes e teóricos de dentro e fora da Espanha, de dentro e de fora da FAI, escrevem no jornal. Tentamos publicar artigos de análise cobrindo todos os campos da luta social (sindicalismo, feminismo, anti-militarismo…), dando-lhes um viés libertário.

Hoje, como está organizado, financiado, qual o impacto e qual a difusão do TyL?

A organização do jornal é simples: recebemos os artigos ou pedimos para as pessoas certas, assim como revisamos a imprensa libertária em outros idiomas e traduzimos o que achamos apropriado. O jornal é financiado através de sua venda, assinaturas e contribuições extraordinárias de leitores e grupos. No que diz respeito à circulação, imprimimos apenas 1.000 cópias, além da versão web, que recentemente estamos tentando melhorar. Muitas assinaturas em papel saem da versão web.

Quem são seus leitores, há algum ponto de leitura ou de venda para o jornal ou ele opera por assinatura? É possível assinar a partir da França?

O jornal é destinado ao público em geral. Além da assinatura, ele pode ser obtido nas instalações do movimento libertário, incluindo a sede do sindicato. Temos assinantes de todo o mundo, especialmente da América Latina.

Mensalmente, semanalmente… ou em outras modalidades, incluindo um website, vocês consideram melhorar a fórmula atual?

Em princípio, não consideramos mudar a periodicidade. Gostaríamos que houvesse outras publicações específicas, além de boletins de grupos e zonas geográficas que já existem. Pensamos que o movimento anarquista na Espanha precisa de uma revista semanal (como tem na Itália com Umanità Nova) que faça propaganda comentando as notícias, uma revista teórica (como o seu Réfractions), uma revista científica (temos a Germinal. Revista de Estudios Libertarios), deixando a propaganda pela análise para o Tierra y Libertad (mensal, como seu Le Monde Libertaire).

A pandemia tem influenciado o TyL, seu funcionamento e até mesmo suas publicações?

Na verdade, sim. Houve vários meses em que não conseguimos publicá-lo. No início do confinamento, a gráfica onde a imprimimos fechou e depois, quando voltou a funcionar, não pudemos usar as instalações onde a embalamos e a preparamos para o correio; é preciso dizer que as instalações não são nossas, mas de outra organização libertária que nos deixa um espaço em troca de uma contribuição financeira mensal.

Vamos continuar a comemorar juntos no próximo 19 de julho, já que neste verão não foi possível?

É claro que sim! Estamos esperando por vocês…

Monica Jornet

Groupe Gaston Couté FA

Dezembro de 2020

Fonte: https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2020/12/21/entrevista-realizada-por-le-monde-libertaire-fa-a-la-redaccion-del-tierra-y-libertad/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pinga torneira
tic tac do relógio
luz com poeira

Carlos Seabra

[Espanha] CNT denuncia 20 demissões, ansiedade e precariedade em La Rueca

La Rueca demitiu 20 trabalhadores nos últimos meses. Da seção sindical da CNT, denunciam casos de insegurança sistemática no trabalho, danos à saúde dos trabalhadores e numerosas violações dos direitos trabalhistas pela entidade

Na quarta-feira, 16 de dezembro, a seção sindical da CNT em La Rueca publicou uma declaração denunciando o despedimento de 20 trabalhadoras sem solução de continuidade. O delegado da seção sindical da empresa disse ao El Salto que neste momento existem 8 reclamações contra a entidade por categorias de emprego e 3 para reconhecimento de antiguidade, que se somam às que serão colocadas para os últimos despedimentos em dezembro. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, 5 reclamações foram resolvidas por demissões injustas. “As denúncias nunca chegam a um julgamento, são sempre negociadas, porque no caso de chegar a um julgamento, a entidade não poderia cumprir com os requisitos para entrar em licitações e subsídios”, disse o sindicato.

La Rueca é uma associação sem fins lucrativos que tem como objetivo trabalhar e defender a mudança social nos bairros mais desfavorecidos da capital. Entretanto, para outro dos trabalhadores consultados por este meio, que prefere não dar seu nome por recomendação dos advogados e está com a entidade há mais de 4 anos, há uma contradição óbvia entre a estrutura da associação e seus objetivos: “a entidade, apesar de ter 30 anos de idade, não tem base social, há dois anos só tinha três ou quatro pessoas associadas. Eles usam os trabalhadores como uma base social fictícia. Quando eles têm que elaborar planos estratégicos, o fazem através de jornadas de trabalho”.

A entidade foi fundada em 1990 por Javier Pomar, Antonio Llorente (atual presidente) e Ángel Serrano em Ciudad Lineal. Javier Pomar foi Chefe de Serviços Sociais na Ciudad Lineal e ocupou cargos no distrito até que a equipe de Manuela Carmena o levou e o designou para a Área de Serviços Sociais, que então foi separada do distrito. Ele tem atualmente cerca de 100 trabalhadores. A seção sindical da CNT foi constituída em 2018. Até então, os conflitos trabalhistas eram tratados através de um sistema concebido pela entidade que sistematicamente não cumpria os acordos com os trabalhadores.

Uma das primeiras ações do sindicato foi organizar uma demanda coletiva para derrubar em 2019 o sistema de avaliação de mão-de-obra que permitisse à empresa justificar demissões justificadas. Outro dos trabalhadores filiados assinala que desde o aparecimento da seção sindical “o conflito aumentou e toda vez que há demissões, como neste caso, aqueles de nós que foram identificados como sindicalistas somos os primeiros, embora mais tarde nunca se possa provar, sabe-se que esta é uma prática comum no setor”.

As 20 demissões começaram em janeiro, com a metade da equipe designada para projetos de coexistência. “Eles nos negam a possibilidade de sub-rogação, eles vão contra nossa estabilidade no trabalho”. Eles poderiam ter aplicado um ERTE como foi feito na FRAVM e em seu projeto de revitalização da vizinhança para que pudéssemos continuar a receber nosso salário enquanto esperávamos pelo que ocorrerá na licitação”.

Elas continuaram em agosto, quando demitiram os técnicos do projeto TecnoLab. De acordo com sua antiguidade nos contratos, a entidade deveria tê-los tornado indefinidos. Eles denunciaram e ganharam no julgamento. Para cobrir estas perdas e não perder o projeto, La Rueca abriu uma área para energizar os jovens, através da qual os usuários mais veteranos do projeto de intervenção juvenil agora realizam o trabalho dos trabalhadores contratados em uma categoria inferior e por hora. O secretário da seção sindical também informa que “estas demissões ocorrem ao mesmo tempo que a compra de um caminhão chamado “TecnoTruck” por entre 20.000 e 30.000 euros para apoiar projetos de levar tecnologia a bairros desfavorecidos, mas o caminhão não se moveu e não tem nenhum projeto atribuído a ele”.

Entretanto, todos os trabalhadores consultados concordam que isto é um reflexo do setor e está enraizado no fato de que o trabalho comunitário está passando de ser gerenciado por convênios para licitações da administração pública. Ao entrar na competição de licitações, as entidades procuram oferecer projetos menos caros a fim de ganhar pontos e ganhar os projetos.

Stress e ansiedade

“Se você tem férias, não podemos conseguir o concurso público e não conseguimos o projeto”, com esta frase eles estavam pressionando da empresa Merino e Merino para que um trabalhador não pedisse férias. A CNT se refere a outros conflitos no setor para ressaltar que esta é uma realidade que se repete de forma estrutural e sistemática, não apenas em La Rueca. O sindicato assinala que “nunca há qualquer acompanhamento sobre o não cumprimento dos direitos trabalhistas na aplicação destes documentos de licitação pública”. Como no caso da empresa que recebeu o contrato, Servicios Profesionales Sociales, que denunciamos por não cumprimento das especificações sem receber uma resposta da Administração”.

Isto tem consequências para a saúde dos que trabalham no setor. El Salto falou com Ana Lucy, uma faxineira da associação por 12 anos que teve várias doenças associadas às suas condições de trabalho, incluindo uma embolia pulmonar em 2015.

“Foi-me dito que este não era um trabalho para ter filhos”. Um dos trabalhadores da empresa, consultado por esta mídia, que não quer revelar seu nome por medo de represálias, nos diz que vem trabalhando com a organização em diferentes projetos em San Blas desde 2016. Após o período de confinamento mais duro em abril, a empresa instou os trabalhadores a retornar aos seus empregos de teletrabalho em junho. “Pedi para continuar trabalhando à distância para que eu pudesse me reconciliar, pois minha filhinha estava em casa, sem escola e minha esposa estava trabalhando 8 horas. Eles não me deixavam e eu tinha que denunciar a empresa”, diz ele.

“Praticamente todas as licenças por doença que recebemos são devido ao estresse e à ansiedade”, diz o secretário da seção sindical. “Outra trabalhadora que não chegou a formalizar uma denúncia o incidente nos disse que estava ameaçada de demissão se ela mesma não fizesse o trabalho, o que, segundo a proposta, deveria ter sido feito por três técnicas. A diretoria se reuniu com ela para coagi-la”, acrescenta outro colega, que reconhece que “há muitas pessoas sob medicação e sob estresse que continuam a trabalhar, muitos de nós estamos tomando ansiolíticos”.

Segundo relatórios do Mutua de Fremap apresentados pelo sindicato, o absenteísmo no trabalho dobrou desde 2017 e apontam que isto se deve a um aumento significativo da pressão de trabalho. A taxa de absenteísmo do setor para 2019 é de 2,29% e em La Rueca chega a 4,25%, quase dobrando a média. Isto é confirmado pelo número de acidentes relacionados ao trabalho. Em 2018, houve apenas um caso de acidente de trabalho. Em 2019 houve 5 casos de acidentes com afastamento por doença.

Os trabalhadores consultados por esta mídia concordam que há chantagem em vários níveis por parte da empresa. Chantagem emocional ligada à sua conexão com o projeto e os usuários para que você aceite ser pago menos e fazer horas extras. Mas também uma chantagem de trabalho, educando que se você não ceder, por exemplo para baixar sua categoria e ganhar dinheiro, a entidade não ganhará o concurso e você perderá seu emprego.

Ataques ao sindicalismo

A seção sindical da CNT é a única em La Rueca e teve representação variando de 25 a 30 por cento da força de trabalho. A partir daí, o delegado e o secretário denunciam várias medidas ilegais que a empresa aplica para minar o sindicato.

“São-nos sistematicamente negados todos os direitos à informação de duas maneiras. Por um lado, não conhecemos as contas reais da empresa, não sabemos quanto os gerentes ganham, não sabemos nem mesmo quantos trabalhadores há no total. E, por outro lado, temos o direito de informar aqueles que trabalham aqui. La Rueca tem a obrigação de nos fornecer todo o correio nominal dos trabalhadores para informá-los e não o faz. Além disso, eles tentam constantemente intervir nas comunicações sindicais que fazemos”, explicam.

Acrescentam que as atas nunca são extraídas de reuniões de diretoria onde são tomadas decisões estratégicas ou de reuniões com os próprios sindicatos. Também não estão incluídos em planos de prevenção de riscos ocupacionais, ou em medidas de prevenção durante a pandemia. Eles também relatam casos em que foi negada aos delegados sindicais a possibilidade de estarem presentes durante a comunicação de demissão e rescisão.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/laboral/cnt-denuncia-20-despidos-ansiedad-y-precariedad-en-la-rueca

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Liberdade para os prisioneiros chilenos

Caros camaradas,

Desde a revolta do povo chileno contra o aumento dos preços das passagens de metrô, serviços de transporte e políticas neoliberais do governo chileno, em que mais de 11.300 pessoas foram detidas, e 2.500 delas estão na prisão, muitas delas com investigações ocorrendo, mas ainda nenhuma sentença, o que significa que estão em prisão preventiva. Assumimos que as prisões tenham sido feitas com o objetivo de reprimir e tornar ilegais esses protestos.

Presos que se encontram nas prisões chilenas desde 18 de outubro de 2019, estão privados de liberdade por terem sido acusados de quebrar uma barreira do metrô (que fica na entrada do metrô), também por causa de acusações dos Carabineros (polícia chilena), como incêndios, agressões a policiais, saques, barricadas, incêndios de igrejas e agências bancárias, etc.

Muitas dessas denúncias foram desmoronando por falta de provas ou porque puderam provar que eram falsas. Portanto, a sociedade em geral vê esses processos como uma vingança do Estado contra o levante das pessoas em retaliação à elite dominante.

Desde os primeiros dias de dezembro, houve a criação de uma campanha, um chamado pela liberdade dos presos, daqueles que foram detidos nos motins. Tem-se pressionado parlamentares, ministros e o próprio governo para acabar com a detenção antes da condenação, para que essas pessoas possam cumprir prisão domiciliar durante o período de investigação, já que é isso que o fizeram com os Carabineros acusados de violações de direitos humanos, incluindo ferimentos graves contra manifestantes, tortura e/ou homicídios, e apenas um pequeno número deles permanece em prisão preventiva na sede da polícia.

Fazemos um apelo a todos os anarquistas do planeta para que se juntem a esta campanha, enviando cartas ao governo chileno por meio de suas embaixadas e consulados, exigindo a libertação imediata dos manifestantes do levante chileno. Gostaríamos também de perguntar a quem tem a possibilidade de fazer demonstrações, para fazê-las diante de embaixadas, consulados e empresas chilenas.

A SOLIDARIEDADE É A ÚNICA ARMA DOS TRABALHADORES E DAS PESSOAS OPRIMIDAS CONTRA O ESTADO E O CAPITAL.

Grupo Anarquista Germinal (Amigos da AIT)
Assembleia Anarquista de Bio Bio

Fonte: https://iwa-ait.org/content/freedom-chilean-prisoners

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

Cai a pedra n’água
partindo o espelho do rio:
as nuvens se esvaem.

Ronaldo Bomfim