Semana Internacional de Agitação e Memória Ativa | A um ano da desaparição e assassinato de Santiago Maldonado

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25 de Julho à 1º de Agosto

Semana Internacional de Agitação e Memória Ativa.

A um ano da desaparição e assassinato de Santiago Maldonado.

Com a certeza de que foi o Estado.

Todos os Estados são terroristas!

Santiago, ou Lechuga para alguns, e o Brujo para outros… Foi nômade e anarquista. Sim, anarquista. Lutou contra os partidos políticos, o Estado, contra o trabalho assalariado, entre outras coisas. Sempre esteve em solidariedade com as causas mais genuínas: as que defendem a terra, sempre esteve contra as causas mais nefastas: as que tentam destruí-las, sempre esteve contra os que atentam contra a vida. Foi uma pessoa que escolheu outra forma de viver, que não tolerava o imposto a fogo pela sociedade, alguém que rompeu com as estruturas, porque não havia estrutura que conseguisse encaixá-lo.

Não esquecemos, nem perdoamos!

Santiago presente, agora e sempre!!!

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Voando no ar
se misturam com pássaros
pipas coloridas.

Cecy Tupinambá Ulhôa

O voto? Nem secreto, nem masculino, nem feminino!

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#Eleições2018Nãovote!

O voto secreto? – A confissão pública da covardia, a confissão pública da incapacidade de ostentar a espinha dorsal em linha reta, a confissão pública do servilismo e da fidelidade aviltante de uns, do dominismo das mediocracias legalmente organizados.

Democracia? – Ferrero a definiu: “este animal cujo ventre é imenso e a cabeça insignificante”…

O voto não é a necessidade natural da espécie humana: é uma das armas do vampirismo social. Se tivéssemos os olhos abertos, chegaríamos a compreender que o rebanho humano vive a balar a sua inconsciência, aplaudindo à minoria parasitaria que inventou a e representa a “tournée” da teatralidade dos governos, da política, das forças armadas, da burocracia de afiliados – para complicar a vida cegando aos incautos, afim de explorar a todo o gênero humano em proveito de interesses mascarados nos ídolos do patriotismo, das bandeiras, da defesa sagrada dos nacionalismo e das fronteiras, da honra e da dignidade dos povos…

Depois, a rotina, a tradição, a escola, o patriotismo cultivado, carinhosamente, para que a carneirada louve, em uníssono, o cutelo bem afiado dos senhores. A religião, a família se encarrega do que falta para desfibrar o indivíduo.

O voto, a legislação interesseira e mesquinha dos pais da Pátria, Parlamentos, Senados, Consulados, Ditaduras, Impérios, Reinos, Repúblicas, Exércitos, Embaixadores, Mussolini – “escultores de montanhas”, símbolos da cegueira do rebanho humano, ídolos que substituem e se equivalem, brinquedos perversos de crianças grandes, sonhos transformados em “verdades mortas”, infância, atavismo de paranoicos…

A política é um trapézio.

Direito do povo, sufrágio universal… Palavras. Dentro do demagogo há uma alma de tirano. Caída a máscara que atraiu o rebanho humano, o ditador salta no picadeiro da política, as duas mãos ocupadas: em uma, o “manganelo”; na outra, o óleo de rícino…

Tem razão Aristóteles: “O meio de chegar à tirania é ganhar confiança da multidão: o tirano começa sempre por ser demagogo. Assim fizeram Pisistrate em Athenas, Téagéne em Mégara, Denys em Syracusa.”

Assim fez Mussolini.

Maria Lacerda de Moura (16/05/1887 — 20/03/1945)

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Frondosa mangueira
Sua florada antecipa
Sabor da manga.

Mary

Quino, criador da Mafalda, veta uso da personagem na campanha anti-Lei do Aborto na Argentina

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Quino, criador da Mafalda, veta uso da personagem na campanha anti-Lei do Aborto na Argentina

O cartunista argentino Quino, criador da personagem Mafalda, lançou um comunicado nas redes sociais pedindo que não se use a personagem na campanha anti-Lei do Aborto.

O senado argentino votará no próximo dia 8 se aprova ou não a interrupção da gravidez até a 14ª semana, e há dois grupos de ativistas em campanha.

Os que estão a favor da aprovação usam lenços verdes, os que estão contra, um lenço azul celeste, cor da bandeira argentina. Recentemente, o segundo grupo divulgou imagens de Mafalda usando o segundo.

Quino, que acaba de completar 86 anos, difundiu então um comunicado, que diz: “foram difundidas imagens da Mafalda com o pano azul celeste que simboliza a oposição à lei de interrupção voluntária da gravidez. Eu não autorizei e isso não reflete minha posição, portanto peço que seja removida. Sempre acompanhei as causas de direitos humanos em geral, e a dos direitos da mulher em particular, a quem desejo sorte em suas reivindicações.

Fonte: agências de notícias

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manhã de laranjeiras
canta na sombra o sabiá
que calor

Rita Schultz

Uma história oral do anarcopunk em São Paulo – parte 2

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por Eduardo Ribeiro | 20/07/2018

Cansados do ganguismo e da estagnação que dominavam o cenário no final dos anos 80, os anarcos se autodenominam, rompem com o modelo punk caverna e surgem as primeiras bandas e militâncias.

Movimento Anarco-Punk no Brasil tomou forma a partir de iniciativas que começaram em São Paulo. No começo dos anos 90 era comum encontrar os anarcopunks agrupados na Praça Ramos, entre a Galeria do Rock e a Woodstock Discos, e nas escadarias do Teatro Municipal. Em abril de 91, por exemplo, rolou na Praça Ramos um protesto contra a Guerra do Golfo Pérsico (!). Também era possível encontrá-los aos sábados à noite na Estação da Luz. O MAP surgiu espontaneamente entre punks da periferia. É simples de entender: eles sentiam na pele a desigualdade, o tédio e a opressão, atraíam-se pela crueza do punk, mas achavam que era chegada a hora de transpor a música e agir para tentar mudar alguma coisa. Era necessário pular fora da viciosa cultura das gangues, que estava consumindo muita energia produtiva.

Já esmiuçamos o contexto do punk no final dos anos 80 que propiciaria a busca dos jovens anarquistas, deslocados nas reuniões do Centro de Cultura Social e da Confederação Operária Brasileira, por uma representatividade legítima. Na segunda parte desta história oral, os entrevistados compartilham relatos do descontentamento que alimentou a vontade de criar um movimento mais ativista. E do rompimento, parte geracional parte ideológico, dos anarcos dos anos 90 com as demais bancas punks. As primeiras bandas anarco que se tornariam clássicas, como Execradores e Metropolixo, surgem no âmbito das iniciativas do Coletivo Altruísta, e descobrimos a razão do fim da Amor, Protesto y Ódio, entre outras fitas.

Encantamento e desilusão

Silvio Shina: Um dia, em meados dos anos 90, meu irmão chega em casa com um zine chamado Atitude Pessoal, do Nenê Altro. O No Violence, na figura do Ruy Fernando, juntamente com este zine, os shows do Execradores que eu tinha visto e os zines anarcopunks, me viraram do avesso. Comecei a ouvir cada vez mais som punk, anarco e hardcore. E comecei acompanhar essa movimentação. Só sei que, algum tempo depois, eu estava participando de um grupo libertário chamado Coletivo Altruísta, que se reuniu inicialmente ao redor das bandas Execradores, Metropolixo, Desertor e Atitude Consciente (da qual eu era vocalista). Isso se deu também pelo fato das bandas não possuírem todo o material necessário para ensaiarem. Então, dividíamos guitarras, baixo, bateria e equipamento de som. E o que não tínhamos, comprávamos coletivamente, quando podíamos. O que era de vez em nunca.

Começamos organizando shows na região do Grajaú e em outros lugares. Depois, passamos a também editar um boletim, O Altruísta, por meio do qual divulgávamos as atividades do coletivo e de outros grupos anarquistas, além de textos e charges feitas pelo grande Sérgio Valdez, vulgo Loquinho. Ele fazia manualmente toda a arte do coletivo. Desde cartazes até capas das split tapes que lançávamos e a arte do boletim. As duas split tapes que lançamos foram a Muito Além do Barulho (que vinha acompanhada de um livreto em papel sulfite rosa como uma forma simbólica de protestar contra a homofobia e o machismo dentro do punk), com as bandas Desertor, Atitude Consciente, Metropolixo e Execradores; e a Ideologicamente Perigosos (1994), com Metropolixo e Execradores, pois a essa altura a Desertor tinha saído do coletivo, e, a Atitude Consciente, acabado.

E a gente divulgava tudo isso nos shows, nas manifestações, nas atividades e afins. Mas o principal meio por onde escoávamos essa produção para além do Centro de São Paulo eram os correios. Haja cola no selo para tanta carta! Eu mandava muitas cartas toda semana pelo correio. Mais de 50. Era muito foda. A atitude punk dos anos 80 estava muito atrelada às gangues, à violência cega, à despolitização e a um certo niilismo. Tanto os anarcopunks como eu, morador de uma periferia violentada pelo Estado, estávamos à procura de outra coisa. Mesmo não sabendo direito o que era essa outra coisa.

>> Para ler a reportagem na íntegra, clique aqui:

https://www.vice.com/pt_br/article/kz7wba/uma-historia-oral-do-anarcopunk-em-sao-paulo-parte-2

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/07/15/uma-historia-oral-do-anarcopunk-em-sao-paulo-parte-1/

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Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.

Urhacy Faustino