[Alemanha] Berlim: A luta pelo Liebig34 vai mais longe

A decisão dos tribunais pelo despejo do nosso projeto de convivência anarco-queer-feminista terá lugar em 20 de Setembro de 2019. Padovicz [o proprietário] quer-nos fora da casa, enquanto os políticos tentam manter nossas bocas fechadas. Ambas as partes esperam uma decisão final na justiça. Não deixaremos que nenhum homem decida sobre o futuro de nosso projeto anarco-queer-feminista, porque simplesmente ninguém deve decidir sobre nós, somente nós mesmas.

As últimas semanas em Nordkiez

Ultimamente a presença dos policiais em nossa vizinhança aumentou maciçamente. Helicópteros sobrevoam nossos telhados diariamente e todas as noites. Múltiplas vans policiais atravessam nossas ruas e identificações estão se tornando parte de nossa normalidade diária.

Além disso, recentemente, durante uma de nossas festas autogestionadas na vizinhança, nas quais as crianças participaram, os policiais reagiram de forma agressiva, tentando arruinar nosso dia. Várias pessoas simpáticas ao nosso projeto foram presas e colocadas sob custódia. As prisões dessas amigas foram muito violentas e sexistas. Seja tomando café da manhã do outro lado da rua ou jantando em frente de nossa casa, os policiais sempre encontram maneiras de nos intimidar. O sistema estatal tenta nos silenciar de todas as formas possíveis. Consequentemente, enfrentamos um confronto diário com a polícia. De qualquer forma, nós não deixamos que sua provocação nos faça retroceder ou reduzir. Nos encoraja a resistir.

Estamos cientes de que seu comportamento violento é uma reação pura à nossa mobilização e união na luta contra a gentrificação, o patriarcado e o capital. Tudo isso nos mostra que nossa luta contra “a cidade dos ricos e poderosos” está efetivamente começando a preocupar o sistema.

Uma olhar para o nosso futuro

É importante não permitir que nos retirem para Dorfplatz e do bairro, mas mostrar uma presença efetiva, agitada, mudando a vida e o verão nas ruas de Berlim. Fiquemos juntas. Vamos mostrar a Padovicz e a todos o que pensamos de sua data para o julgamento agendado. Seja criativo e nos apoie com ações solidárias. Além disso, é essencial se concentrar não apenas no dia do despejo do Liebig34, mas também ações descentralizadas podem acontecer em qualquer lugar e hora. Nós não seremos expropriados de nossos desejos e convicções quando nossa casa estiver desocupada. A luta contra o capitalismo e o patriarcado não está apenas ligada a um dia ou a um projeto. Vamos criar grupos de feministas rebeldes!

Continuaremos a batalha por uma vida livre de hierarquias, longe do patriarcado e do capitalismo. Para uma sociedade liberada em que os espaços para viver não são mercadorias num mundo de consumo.

Liebig34

>> Junte-se a nós no dia X: https://vimeo.com/325552190

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Tradução > Liberto

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na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves

[França] Na extrema-esquerda, os libertários apostam na união

A Alternative Libertaire (Alternativa Libertária) e a Coordination des Groupes Anarchistes (Coordenação de Grupos Anarquistas) se juntaram para formarem a Union Communiste Libertaire (União Comunista Libertária).

por Abel Mestre | 16/07/2019

O fato é raro o suficiente para ser assinalado. Em um ambiente político como o da extrema-esquerda, mais habituado a cisões do que a fusões, duas organizações decidiram se casar sob os auspícios do comunismo libertário: A Alternative Libertaire (AL) e a Coordination des Groupes Anarchistes (CGA) contraem matrimônio desde o início do verão. Um congresso realizado em 11 de junho deu origem à nova Union Communiste Libertaire (UCL).

“No momento em que a crise do capitalismo se intensifica, querem nos impor uma escolha entre a burguesia liberal no poder e a extrema-direita na emboscada. Pelo contrário, recusamos e afirmamos que hoje é necessário promover um outro projeto de sociedade baseado na democracia direta, na autogestão e no federalismo”, pode se ler na declaração final.

Para a UCL não há “frentes secundárias”. Reivindicando-se revolucionária com uma “grade de leitura da luta de classes”, a UCL, que defende a auto-organização das lutas, diz que está “aberta a todos aqueles que querem construir uma outra sociedade” e que pretende também participar na luta contra o “patriarcado”, a “LGBTIfobias”, o “racismo”, e também contra as mudanças climáticas. Ela também apoia o movimento dos “Coletes Amarelos”, no qual seus militantes “estão participando”.

“Um contra-poder popular”

“O populismo com um povo que negligencia tudo não é a nossa praia. Queremos construir, a partir das lutas, um contra-poder popular. Não nos colocamos nem no campo eleitoral nem no plano das instituições. Sempre procuramos construir uma organização ao mesmo tempo que estamos nas lutas”, explica Théo Roumier, 40 anos, sindicalista libertário e membro da UCL.

É verdade que podemos encontrar muitos militantes da UCL nas fileiras da união sindical Solidaires: alguns dos seus membros históricos estiveram na origem da criação de alguns sindicatos SUD, como o SUD-PTT ou o SUD-Rail. Eles também se encontram em associações como a Droit au Logement (Direito à Habitação). “Também temos militantes na CGT”, diz M. Roumier, que faz parte da SUD-Education.

A UCL permanecerá fiel às tradicionais cores vermelha e preta e manterá a publicação mensal Altertative Libertaire (AL), vendida nas bancas. A AL tem uma longa história, que remonta a 1968 e à Organização Revolucionária Anarquista (ORA). Em meados da década de 1970, uma divisão desta última deu origem à União dos Trabalhadores Comunistas Libertários (UTCL), que se tornou a AL em 1991. O outro ramo da ORA se tornou a Organização Comunista Libertária (OCL), mais próxima dos autonomistas. Uma história contada em detalhes por Théo Rival em Sydicalistes et libertaires, une histoire de l’UTCL(Editions d’Alternative Libertaire, 2013).

“Coerência nas práticas”

A CGA, por sua vez, resulta de uma divisão da Federação Anarquista em 2002. Como a AL, reivindicava o sindicalismo de ação direta e o comunismo libertário. Portanto, era lógico que a união fosse feita. “As aproximações existiam”, observa M. Roumier. “Há uma convergência de perspetivas sobre vários pontos e uma coerência nas práticas. Como nós, a CGA está envolvida nos movimentos sociais.”

Por enquanto, a jovem organização conta com aproximadamente 500 militantes estruturados em 40 grupos espalhados em todo o território. A UCL quer a todo custo evitar o confinamento e a acomodação militante. Também são previstas reuniões com outras estruturas políticas. Revolucionárias, naturalmente.

Abel Mestre

Fonte: https://www.lemonde.fr/politique/article/2019/07/16/a-l-extreme-gauche-les-libertaires-jouent-l-union_5489868_823448.html

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o sapo, num salto,
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã

Zemaria Pinto

[Grécia] 93% de abstenção em Exarchia

Após o incêndio de uma urna eleitoral em 7 de julho em Exarchia, muitos de vocês me perguntaram o que aconteceu em seguida.

Uma nova votação foi realizada numa seção eleitoral localizada ao sul do bairro, na rua Kolletis (em uma escola). Desta vez, a urna foi protegida por dezenas de policiais das unidades MAT (forças antidistúrbios gregas) e até mesmo por serviços especiais para evitar o ridículo da semana anterior.

O resultado da votação? 39 eleitores compareceram dos 545 registrados. Balanço: 1 cédula anulada e 38 votos, dos quais uma pequena maioria votou para a direita (15 votos), que, a priori, corresponde aos votos da maior parte das pessoas que não vivem mais no bairro (uma das peculiaridades do sistema eleitoral na Grécia, onde o eleitor vota em sua seção de origem).

Isto dá uma taxa de abstenção de 93% para esta seção de votos, a 33ª em Atenas, localizada ao sul de Exarchia.

Lembre-se que o voto ainda é obrigatório na Grécia (com penas de prisão para quem não votar, mas as punições nunca são aplicadas).

Yannis Youlountas

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no inverno, o vento
dança com as folhas
a seu contento

Eugénia Tabosa

[México] Luis Fernando Sotelo Livre!

Na sexta-feira passada, 12 de julho, nosso companheiro Luis Fernando Sotelo, preso político do governo de Mancera, obteve sua liberdade.

Foram mais de 4 anos 8 meses e 7 dias que esteve injustamente preso por apoiar a demanda da aparição com vida dos 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa.

Sua detenção foi irregular, o processo judicial nunca conseguiu comprovar sua participação na ação que sofreu processo judicial. E apesar disso, a procuradoria de injustiça capitalina o manteve recluso. Com uma sentença inicial de 33 anos de prisão e apesar de todas as inconsistências do processo, foram se desmontando as mentiras do governo e com isso ir baixando a condenação.

Foi graças a sua resistência, coragem e sabedor de sua inocência que se manteve firme em sua luta, muitas companheiras e companheiros se somaram a sua luta pela liberdade, entre elas as companheiras que formaram o Comitê Luis Fernando Livre! Que foram todas as semanas visitá-lo no Presídio Sul da Cidade Monstro [Cidade do México].

Organizações como a “Organización Popular Francisco Villa de Izquierda Independiente”, “Tejiendo Organización Revolucionaria”, as companheiras da cooperativa “Vendaval”, “Brigada Callejera”, organizações e coletivos que lutam junto com o “Consejo Indígena de Gobierno” e apoia o EZLN, companheiras e companheiros que lutam no movimento anticarcerário, a CGT do Estado Espanhol, o café Zapata Vive, entre muitas outras, participaram nos comícios realizados nos tribunais, na SCJN e nas marchas convocadas para exigir sua liberação.

Finalmente este 12 de julho, o companheiro Luis Fernando abandonou o Presídio Sul em companhia de sua família, companheiras e companheiros que cantaram, gritaram motes e o abraçaram para dar-lhe as boas-vindas.

Após abraçar sua família, o companheiro queimou o uniforme que teve que usar nestes anos e fez uma mensagem de agradecimento às organizações e companheiros presentes e recordou que ainda estão entre as grades muitos presos políticos no país, convidando a manter a luta por sua liberação.

Abaixo os muros das prisões!

Presos políticos LIBERDADE!

 Fonte: https://kehuelga.net/spip.php?article6387

Tradução > Sol de Abril

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Recolhida em si mesma
a alma do figo
é flor em za-zen.~

Yeda Prates Bernis

[Rússia] Prorrogada a detenção de Kirill Kuzminkin até 03 de outubro

Dia 1° de julho, o Tribunal de Presnensky de Moscou prorrogou o período de detenção para 14 meses ao anarquista de 14 anos Kirill Kuzminkin, suspeito de fabricar um artefato explosivo. Permanecerá no SIZO (centro para prisões preventivas) até 03 de outubro de 2019. Antes disso, passou um mês no Instituto Sérvio para exames psiquiátricos. Os resultados ainda não são conhecidos.

Lembremos que Kirill Kuzminkin foi detido em 02 de novembro de 2018 sob suspeita de fabricar um artefato explosivo; em 06 de novembro, o tribunal o prendeu, foi acusado nos termos da Parte 3 do art. 222.1 (“Aquisição, transferência, venda, armazenamento, transporte ou transporte ilegal de explosivos ou artefatos explosivos, cometidos por um grupo organizado”) e a Parte 3 do art. 223.1 (“Fabricação ilegal de explosivos, fabricação ilegal, alteração ou reparo de artefatos explosivos cometidos por um grupo organizado”) do Código Penal da Federação Russa. Um adolescente de Moscou foi liberado durante a investigação de um caso criminal sobre uma explosão no prédio da FSB (agência russa de serviços de informação que sucedeu a KGB) na região de Arkhangelsk, que ocorreu em 31 de outubro e três oficiais do departamento ficaram feridos. O ataque matou Mikhail Zhlobitsky, de 17 anos, que levou um artefato explosivo improvisado para o prédio. Segundo a investigação, Kuzminkin e Zhlobitsky mantiveram correspondência pouco antes da morte de Mikhail, no que diz respeito a fabricação de artefatos explosivos. Segundo os familiares, não há provas de que a investigação esteja correta: Kuzminkin é interessado em química, durante a busca apreenderam substâncias como salitre, açúcar, removedor de esmalte, etc. No caso penal, o acusado é Kirill, mas também aparecem algumas pessoas não identificadas.

Kirill não reconhece a culpa, apesar da pressão persistente (segundo familiares) dxs investigadorxs, que também estão insatisfeitxs com o fato de que um advogado o defende por acordo e não por nomeação.

Sua família está passando por momentos difíceis, não apenas moralmente, mas também financeiramente. Kirill precisa de dinheiro para pagar um advogado. Cartão da mãe no Alfa-Bank Kirill: 5559 4936 9993 0823 (Kuz’minkina Nadezhda Vladimirovna)

Endereço para correspondências: 125130, Moscou, Vyborg ul., 20, PKU prisão 5, Kirill Kuzminkin Igorevich. Ou escrever utilizando o projeto Rosusnik: http://rosuznik.org/.

Fonte: https://avtonom.org/news/obzhalovanie-aresta-kirilla-kuzminkina-v-mosgorsude-sostoitsya-16-iyulya

Tradução > keka

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agência de notícias anarquistas-ana

Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

[Grécia] Exarchia passa por uma verdadeira guerra psicológica entre o Estado e os anarquistas.

Quinta-feira, 18 de julho. A tensão continua subindo na Grécia, antes do ataque iminente do Estado contra o bairro rebelde e solidário de Atenas.

Exarchia passa por uma verdadeira guerra psicológica entre o Estado e os anarquistas.

Primeiro, medo do poder e dos seus meios de comunicação: Rouvikonas acaba de anunciar represálias imediatas em caso de ataque ao bairro pelo Estado.

Segundo temor: companheiros e camaradas de toda a Europa, não apenas anarquistas, continuam a chegar e participam atualmente na formação de patrulhas de proteção das ocupações de Exarchia.

Aqui estão algumas manchetes estampadas pela mídia grega:

“Ameaças do Rouvikonas! Os anarquistas avisam o ministro do Interior que haverá represálias se decidir destruir a fortaleza Exarchia!” (Expresso)

“Rouvikonas anuncia represálias em caso de ataque à Exacheia” (Ta Nea)

“Rouvikonas ao ministro do Interior: não se atreva a tocar em Exarchia!” (Ant1 News)

“Patrulhas protegem as ocupações em Exarchia” (CNN Greece)

“As patrulhas de proteção das ocupações em Exarchia: Vamos lutar!” (Ethnos)

Na verdade, a resistência que se organiza no bairro não é tão visível como anuncia a mídia do poder, mas muitas coisas estão sendo preparadas, algumas das quais longe dos olhares dos curiosos. Se o novo governo seguir até o fim com o seu projeto repressivo contra Exarchia, as reações serão imprevisíveis e vão, provavelmente, se espalhar um pouco por toda a capital e outras regiões… e não só da parte do Rouvikonas.

O poder deve considerar vários fatos, em vez de atiçar a fogueira como a mídia anda fazendo.

Yannis Youlountas

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mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Grécia] Comotini: Anarquistas estendem faixa de solidariedade com a okupação Brooklyn

A primeira operação repressiva anti-okupação levada a cabo pelo novo governo grego ocorreu em Ioannina com a evacuação da okupação Brooklyn. O partido Nova Democracia (ND) continua o trabalho do Syriza, nos solidarizamos com os companheiros e companheiras da Brooklyn e continuamos alertas.

Coletivo Anarquista Utopia AD

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1599158/

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flor na lapela
noite de serenata
à janela

Carlos Seabra

[Internacional] Agosto: Mês de agitação em memória de Santiago Maldonado

Convidamos que no mês de agosto todas as individualidades e coletivos que se sintam próximos do destino que nosso companheiro Santiago Maldonado teve, desaparecido e assassinado pelo Estado argentino.

A partir de 1° de agosto deixemos ver nossa raiva, nossas propostas para o conflito, nossa inquebrantável vontade. Nada terminou conosco, somos faíscas que podem se acender e se apagar, mas sempre estaremos lá.

Desbordemos nossas formosas criatividades, atividades, reuniões, cortes de ruas e estradas, marchas, façamos o que quisermos. Disso se trata nossa liberdade, disso se trata lembrar nossxs irmãxs caídxs. Que a anarquia desborde os confins e margens desta asquerosa sociedade.

Nem mártires nem heróis!

Memória ativa com xs nossxs!

Que viva a anarquia!

Tradução > keka

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Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

[Reino Unido] Pioneiros do anarquismo britânico: Edward Carpenter

28 de junho de 2019

O dia do Orgulho LGBT de Dublin é amanhã, e para esta temporada de Orgulho LGBT nós notamos o 90º aniversário da morte de Edward Carpenter (1844-1929), um homem que na época mais repressiva contra a homossexualidade na Inglaterra era assumido e orgulhoso. Como uma pequena homenagem a um dos grandes boêmios socialistas de Sheffield, abaixo está um rápido resumo de sua vida, seguido por um belo obituário produzido para o jornal Freedom.

Um poeta e filósofo, Carpenter nasceu em uma casa rica em Hove, Sussex, filho de um governador escolar que tinha feito um dinheiro no mercado de ações. Educado na escola de seu pai, o Independent Brighton College, ele foi para a universidade no Trinity College, em Cambridge, onde percebeu que era gay e que a riqueza de sua família era construída sobre a miseração do povo trabalhador.

Inicialmente, ele começou uma carreira na Igreja da Inglaterra como curador, antes de se voltar contra ela e, em vez disso, mudar-se para Leeds e depois para Sheffield para trabalhar como palestrante. Lá, ele estava fortemente envolvido em promover o socialismo na cidade, representando a Federação Social-Democrata em 1833 e depois se juntando à Liga Socialista ao lado de William Morris.

Em Sheffield, ele encontrou conexões com as pessoas da classe trabalhadora e explorou sua sexualidade através de encontros com “ferroviários, porteiros, balconistas, sinaleiros, ferreiros”. Com o tempo, ele remendou uma filosofia política que mistura espiritualismo e socialismo de uma maneira tolstoiana, o que enfureceu muitos, especialmente quando ele abriu as portas de sua fazenda cooperativa Millthorpe para um grupo de homens sexualmente liberados.

A abertura de Carpenter com sua homossexualidade, inclinações espirituais, estilo de vida proto-beatnik e anti-imperialismo estridente levou a repetida censura de outras partes do movimento, com George Orwell o escoriando memoravelmente como “o tipo de eunuco com um cheiro vegetariano, quem vai espalhando doçura e luz”. Seus escritos filosóficos e políticos estiveram, mesmo assim, entre alguns dos mais influentes de sua época, e Carpenter passou a se tornar uma das figuras fundadoras do Partido Trabalhista Independente em 1893.

Ele era, no entanto, um grande aliado dos anarquistas e bastante claro sobre suas inclinações para o comunismo anarquista. Ele trabalhou com Piotr Kropotkin em sua pesquisa sobre a pequena indústria e defendeu o anarquismo nos tribunais. Carpenter recebeu o obituário mais caloroso de sua amiga, Bessie Ward, no Freedom Bulletin daquele ano, reproduzido abaixo:

“Com a morte de Edward Carpenter lá se vai um dos melhores espíritos dos primeiros dias do movimento socialista. Seu trabalho foi, e, para aqueles que gostam de lê-lo, ainda é, uma força e uma inspiração. Nós, que em nossa juventude fomos influenciados por sua mensagem, devemos sentir-nos gratos por ele nunca ter se desviado do objetivo de alcançar uma alta realização. Uma vez tendo visto a verdade, tendo percebido os erros e brutalidades implacáveis do terrível sistema de lucro, Edward Carpenter dedicou o resto de sua vida à destruição do Moloch chamado Capitalismo.

Seu primeiro passo, depois de dar as costas à sua vida de professor universitário, foi nos aproximar da natureza tanto quanto possível. Eventualmente, ele construiu sua própria casa de campo em um jardim com um riacho correndo no pé. Aqui em sua pequena casa de pedra, usando seus tweeds macios, ele parecia uma joia em seu ambiente apropriado. Para esta pequena casa do poeta veio uma procissão constante de admiradores, como peregrinos a um santuário, eles vieram de todas as partes do mundo. Aqueles que tiveram a sorte de serem visitantes frequentes conheciam viajantes dos cantos mais remotos e menos esperados do globo, homens e mulheres que tinham ouvido a ‘voz cantando o hino de libertação’ e eram impelidos a viajar para longe para pegá-lo pela mão.

Embora cada uma das obras de Carpenter seja escrita com um objeto, a maior compreensão e emancipação da humanidade, o todo abrange um vasto campo, Civilisation! Its Cause and Cure influenciou em grande parte o pensamento da década de 1890, enquanto o Ideal da Inglaterra era uma força intelectual quase tão grande, Love’s Coming of Age, aquele livro lindo e delicadamente escrito sobre a relação dos sexos, e The Intermediate Sex são dois aspectos de um assunto que levou alguma coragem considerável para admitir que existiam naqueles últimos dias vitorianos. OAngel’s Wing, com sua aceitação franca de uma mudança nos padrões de arte e a crença de que a arte mais uma vez se tornaria parte da própria vida, deixou sua marca no amante da beleza buscando uma base para seus próprios padrões.

Mas, de todas as obras de Carpenter, Towards Democracy é a mais completamente satisfatória. Neste, o poeta e profeta, o grande amante da humanidade, se derramou. Contém tudo o que Edward Carpenter já foi. Nas suas páginas ‘este homem se eleva do seu molde de poeira, vive e contempla o Sol’. Há momentos de êxtase puro, imagens proféticas da maior liberdade que vem para a humanidade e uma piedade ansiosa por sua dor e repressão presentes.

Em seus ensinamentos e em sua vida, Carpenter sempre foi o inimigo da autoridade e do funcionalismo. Sempre. Na verdade, mais anarquista do que socialista, embora nunca se importasse em se rotular. Sentindo, como muitos de nós o faz, que rótulos restringem, ele preferiu se manter livre para ajudar todos os movimentos que criaram aquela verdadeira liberdade para a qual, nas suas próprias palavras, ‘os heróis e amantes de todas as idades deram suas vidas; e nações como tigres lutaram, sabendo bem que a vida era uma mera bolha vazia sem liberdade’.

Foi um grande privilégio conhecê-lo. Uma das minhas lembranças mais queridas é dos finais de semana, depois de períodos de mudanças sórdidas de dinheiro, passadas na casinha removida logo além da fumaça e da sujeira de Sheffield, com o homem que ainda continua sendo uma fonte de inspiração para pensar. Eu conheci muitos espíritos escolhidos lá, mas nenhum tão gracioso, tão terno, tão verdadeiramente belo como nosso professor-anfitrião.

‘Não se apresse; tenha fé’ é uma de suas melhores mensagens. Essa atitude em relação à vida deu-lhe uma dignidade tranquila que criou um sentimento de descanso para todos os que estavam sob seu feitiço.

Ele não comeu comida de animais nem feriu nenhuma das criaturas da Terra para suas roupas. Ele viveu simples e maravilhosamente, escrevendo seus livros, dando palestras nas raras ocasiões em que se permitia um período nas cidades e no final, preparando-se para desmaiar em transe calmo e feliz ‘naquela outra terra onde as grandes vozes soam e visões habitam'”.

>> Foto: Carpenter (esquerda) com seu companheiro George Merrill em 1900

Fonte: https://freedomnews.org.uk/edward-carpenter-pioneer-of-libertarian-socialism/

Tradução > sapat@

agência de notícias anarquistas-ana

Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[Chile] Cartaz solidário | ‘Inimigos do Estado’

COM MEMÓRIA E SUBVERSIVO PRESENTE EM UM CONTÍNUO DE

LUTAS REVOLUCIONÁRIAS ANTICAPITALISTA E LIBERTÁRIA

JUAN ALISTE VEGA

PRISIONEIRO SUBVERSIVO

Acusado de participar de uma expropriação bancária que levou a um enfrentamento armado com as forças que acabou com um policial morto e outro ferido.

Em 2014 foi condenado a 42 anos de prisão.

MARCELO VILLARROEL

PRISIONEIRO LIBERTÁRIO

Acusado de participar de uma expropriação bancária, além de ter uma condenação anterior por ações armadas de resistência durante os anos 90.

Em 2014 foi condenado a 13 anos de prisão.

ALEJANDRO ASTORGA

PRISIONEIRO INTERNACIONALISTA

Depois de uma trajetória internacionalista revolucionária e permanecer preso por 12 anos no Peru, é preso e acusado no Chile de participar de uma expropriação bancária.

Em 2013 foi condenado a 13 anos de prisão.

JOAQUIN GARCIA

PRISIONEIRO ANARQUISTA

Acusado de colocação de um artefato explosivo a uma delegacia e por porte de uma arma.

Em 2018 foi condenado a 13 anos de prisão.

JUAN FLORES

PRISIONEIRO DA GUERRA SOCIAL

Acusado de colocação de um artefato explosivo no shopping Subcentro e no metrô Los Dominicos.

Em 2018 foi condenado a 23 anos de prisão sob a lei antiterrorista.

CAMINHANDO COM DIGNIDADE REBELDE E OLHAR SUBVERSIVO

DENTRO E FORA DA PRISÃO ATÉ A LIBERTAÇÃO TOTAL

PRESOS DA GUERRA SOCIAL NAS RUAS

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO

Tradução > keka

agência de notícias anarquistas-ana

lua na neve
aqui a vida vai ser jogada
em breve

Kikaku

[Venezuela] Edo. Lara: Pedido de apoio solidário à Biblioteca Popular Libertária “Mauro Mejiaz”

por Ateneu La Libertaria

Em Hato Arriba, setor camponês situado à ocidente de Edo. Lara, justamente onde chega a seu fim o ramal venezuelano da cordilheira andina, está funcionando nosso Ateneu e sua Biblioteca Popular Libertária “Mauro Mejiaz”.

O Ateneu La Libertaria é uma organização independente sem vinculo partidário nem fins lucrativos, cujos objetivos primordiais são o estudo e a difusão de valores como a autogestão, a autonomia, o apoio mútuo, a solidariedade, a justiça, a equidade social, a consciência ambiental e o livre-pensamento.

Atuando para favorecer a prática e o conhecimento das culturas alternativas chamadas “Contraculturas” entendendo o termo como expressões e ações estimulantes e liberadoras para nosso espírito, como a música, a fotografia, a pintura, o teatro, a performance, o grafismo, a reciclagem, a poesia, o debate, as videoconferências, entre outras, com as quais tentamos reconsiderar a cultura como uma verdadeira ferramenta de comunicação que seja acessível a todos e todas, e não como um produto de luxo reservado para uma elite, porque nunca esquecemos que “O dinheiro é um meio, não uma meta!”.

Na conquista desses objetivos, a Biblioteca Popular Libertária “Mauro Mejiaz” tem um papel fundamental. É por isso que estamos fazendo um chamado urgente de solicitação de doações, pois necessitamos estantes, mesas, cadeiras, livros, e materiais escolares que possamos receber gratuitamente ou a preços muito baratos. Inclusive podemos receber equipamento para restaurar.

Temos um veículo para ir buscar o que nos seja doado, claro que sempre que o lugar aonde ir buscar seja em Lara ou em local muito próximo, então pedimos a quem deseje apoiar-nos desde outros lugares da Venezuela que veja o modo de fazê-lo chegar ao menos até Barquisimeto.

Para mais informação sobre o Ateneu e a Biblioteca ver lalibertaria.contrapoder.org/es

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com/2019/07/edo-lara-pedido-de-apoyo-solidario-la.html

Tradução > Sol de Abril

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Até os pernilongos
Vão ficando silenciosos –
Como os anos passam…

Paulo Franchetti

Lançamento: “Antifa – O Manual Antifascista”, de Mark Bray

Lutamos contra eles escrevendo cartas para que não tenhamos que enfrentá-los com os punhos. Lutamos com os punhos para que não tenhamos que enfrentá-los com facas. Lutamos com facas para que não precisemos enfrentá-los com armas. Lutamos com armas para que não tenhamos que enfrentá-los com tanques.

— “Murray” de Baltimore

Desde que existe o fascismo, existe o antifascismo – também conhecido como “antifa”. Nascido da resistência a Mussolini e Hitler na Europa durante os anos 20 e 30, o movimento antifa chegou subitamente às manchetes em meio à oposição ao governo Trump, a ascensão da alt-right e o ressurgimento de grupos de supremacistas como o Klu Klux Klan.

Em uma inteligente e emocionante investigação, Mark Bray, historiador e um dos organizadores do Occupy Wall Street, nos oferece um olhar único de dentro do movimento, incluindo uma pesquisa detalhada da história da antifa desde suas origens até os dias de hoje – a primeira história mundial do antifascismo no pós-guerra

Baseado em entrevistas com antifascistas de todo o mundo, o livro detalha as táticas do movimento antifa e a filosofia por trás dele, oferecendo insights sobre a crescente, mas ainda pouco compreendida, resistência contra à extrema-direita.

“Focado e persuasivo… O livro de Bray é muitas coisas: a primeira história mundial do movimento antifa, um guia para novos ativistas e um registro dos conselhos dos militantes antifascistas do passado e do presente.”

 — Daniel Penny, THE NEW YORKER

“Movimentos ativistas insurgentes precisam de porta-vozes, intelectuais e apologistas, e para o momento, Mark Bray parece preencher os três requisitos… A contribuição mais esclarecedora do livro é sobre a história das lutas antifascistas no século passado, mas a mais relevante para agora é a justificativa para impedir discursos de ódio e derrotar os racistas.”

— Carlos Lozada, THE WASHINGTON POST

“Rapidamente publicado logo após o presidente dos EUA dizer que havia ‘pessoas boas em ambos os lados’ nos confrontos em Charlottesville, o guia de Mark Bray fornece táticas para aqueles que desejam ‘derrotar o ressurgimento da nova direita’.”

— Alison Flood, THE GUARDIAN

Sobre o autor

Mark Bray Historiador especialista em direitos humanos, terrorismo e radicalismo político na Europa Moderna. Foi um dos organizadores do movimento Occupy Wall Street em 2011 e seu trabalho é referência mundial no debate antifascista. Bray contribui com frequência para meios como o Foreign Policy, Critical Quarterly, Revista ROAR. Atualmente é professor do Dartmouth College.

Antifa – O Manual Antifascista

Tradução: Guilherme Ziggy

Prefácio: Acácio Augusto e Matheus Marestoni

Revisão: A. Tajra

Páginas: 270

ISBN: 978-85-69536-50-5

R$50.00

autonomialiteraria.com.br

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agência de notícias anarquistas-ana

Virada do morro:
Ipê e seu grito amarelo
perpendicular.

Eolo Yberê Libera

[Grécia] Notara 26: Convidamos todos para a criação de uma assembléia comum conjunta contra a repressão do Estado

A Ocupação de Habitação para Refugiados e Imigrantes Notara 26 abriu suas portas pela primeira vez em 26 de setembro de 2015.

Num período onde o fluxo de refugiados atingiu o seu maior nível, numa época que será lembrada na memoria coletiva como um período de dor e angústia.

Durante esse período, nós presenciamos naufrágios que resultaram em números sem precedentes de mortes por afogamentos, reassentamentos, tanto como ataques fascistas contra refugiados e imigrantes.

Nós vimos pessoas tendo a sorte de ter escapado da guerra, de conflitos e naufrágios, mas que mesmo assim foram levadas a um aprisionamento. Pessoas que mesmo escapando de mortes certas no Mar Mediterrâneo ou em Evros, acabaram sendo presas em campos de concentração como o de Moria, ou virando sem-teto.

As ocupações de habitação foram criadas visando oferecer a essas pessoas, e a todos que precisam, um lugar seguro e decente para viver a vida.

As ocupações foram criadas para ser um lugar onde as pessoas possam viver e, de fato, serem seres humanos, e não apenas números em alguma estatística.

Em nossa visão de valores, é mais do que evidente que propriedades degradadas e blocos vazios de apartamentos devem ser ocupados por pessoas necessitadas. A ocupação Notara 26 operou e ainda opera sem qualquer colaboração com ONGs, sem qualquer financiamento, sem qualquer apoio institucional.

A ocupação hospedou até hoje mais de 9.000 pessoas, sendo de curtos ou longos períodos, pelo tempo que elas precisassem, e continuaremos fazendo isso pelo tempo que for necessário. Neste lugar, refugiados, comunidade LGBTQI +, crianças, pessoas com deficiência, pessoas de todas as idades tentaram, e poucas delas conseguiram superar um passado traumático e encontrar uma perspectiva futura melhor.

Auto-organização, solidariedade, processos horizontais e os cuidados criaram um ponto no mapa, mais um pequeno lugar de liberdade, que muitas pessoas chamam e ainda consideram como “lar”. Foi principalmente isso: um lar. Um lugar de luta diária, antifascista, de resistência e emancipação, longe de cercas, “guardas humanos”, torturadores, cassetetes, comida mofada e desespero. Um lugar onde as pessoas eram e ainda são capazes de manter sua essência humana e dignidade.

Na manhã do dia 12 de julho, a primeira ação de opressão indireta ocorreu quando funcionários da Companhia Pública Energética cortaram a eletricidade no prédio da Ocupação de Habitação. Segundo os funcionários, eles estavam agindo sob ordens policiais. A mesma ação foi tentada no Hotel “Oneiro”, mas sem sucesso, dada a intervenção dos camaradas.

Sabemos muito bem que os despejos das ocupações estão na agenda do novo ministro da Proteção dos Cidadãos Michalis Chrysochoidis, seguindo a mesma agenda política do Syriza.

Além disso, a doutrina da “Lei e Ordem” que eles já estão tentando impor requer ações simbólicas, que praticamente destroem vidas humanas como as dos refugiados e outros grupos vulneráveis. A fim de cumprir sua micropolítica, é mais do que certo que eles tentarão privar as pessoas de um lugar justo em suas vidas. Todos nós sabemos que a criminalização da solidariedade sempre foi presente em sua agenda. Nós também sabemos muito bem, sem entrar em pânico ou operando com pensamentos ou movimentações descontroladas, que haverá uma ação repressiva multi-facetada, opressão maciça e desumana como os que apenas Michalis Chrysochoidis e a polícia grega sabem como orquestrar. Não será a primeira vez e nesta batalha nunca houve a “última vez”.

A única resposta e única solução para qualquer tipo de opressão, direta ou indireta, é novamente a luta. Contra a intimidação, os misantropos e o canibalismo empregado pelo Estado para “limpar Exarchia”, nosso dever é proteger esses pequenos pontos de liberdade que desenvolvemos e criar muito mais. Acreditamos que esta batalha deve ser dada pela formação de uma frente comum, que foi, ainda é e sempre será imperativo porque tudo o que ganhamos até agora foi ganho quando nos encontrávamos lado a lado. Sem medo, com excesso de esperança e realismo, nós nunca deixaremos ninguém nos privar dos lugares onde os seres humanos possam permanecer seres humanos.

Convidamos todos para a criação de uma assembléia comum conjunta contra a repressão do Estado.

Quinta-feira, 18 de julho, às 19h00, no Gkini, Escola Politécnica de Atenas

Tradução > Ludolf L.

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agência de notícias anarquistas-ana

Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Sílvia Rocha

[Grécia] Exarchia: Nós defenderemos nossas okupações, nossos bairros, a memória das nossas lutas

Eles nos fazem viver como escravos. Eles esperam que deixemos de existir, que morramos em silêncio para perpetuarem o mundo do poder.

Em tempos obscuros, sim, persistimos.

Não, não fomos destruídos, mas nos fortalecemos, nos espalhamos por todas as partes, nos tornamos a esperança da Terra.

Eles continuam a torturar, a preparar campos de concentração e nossas prisões. Eles borrifam nossas ruas e nossos corpos com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Eles nos matam.

Eles mais uma vez anunciam que vão invadir nossas casas, okupações, praças… Tudo.

Estamos determinados a defender nossas okupações, nossos bairros, a memória das nossas lutas.

Nós vamos lutar.

O mundo da liberdade, da comunidade, da solidariedade vencerá.

Anarquistas

>> Foto: Há poucas horas, de 16 a 17 de julho, a patrulha da noite das okupações, no bairro de Exarchia, em frente aos monumentos de Alexis Grigoropoulos (jovem de 15 anos morto pela polícia em Exarchia em 2008) e Michael Kaltezas (jovem de 15 anos morto pela polícia em Exarchia em 1985).

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agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

[EUA] Declaração final de Willem Van Spronsen

|| A seguir, declaração final que o lutador anarquista Will Van Spronsen deixou para seus companheiros e companheiras antes de realizar um ataque armado contra o Centro de Detenção do Noroeste em Tacoma, Washington, em 13 de julho de 2019. ||

Existe o certo e existe o errado.

É hora de agir contra as forças do mal.

O mal diz que uma vida vale menos que outra.

O mal diz que o fluxo do comércio é o nosso objetivo aqui.

O mal diz que os campos de concentração para pessoas consideradas menores são necessários.

O servo do mal diz que os campos de concentração deveriam ser mais humanos.

Cuidado com o centrista.

Tenho o coração partido de um pai.

Tenho um corpo quebrado.

E tenho uma aversão inabalável pela injustiça.

Isso é o que me traz aqui.

Esta é minha oportunidade de tentar fazer a diferença; seria um ingrato esperar por um convite mais óbvio.

Sigo três professores:

Don Pritts, meu guia espiritual. “Amor sem ação é apenas uma palavra”.

John Brown, meu guia moral. “O que é necessário é ação!”.

Emma Goldman, minha guia política. “Se eu não puder dançar, não é a minha revolução”.

Sou uma cabeça sonhadora nas nuvens, acredito em amor e redenção.

Acredito que vamos ganhar.

Sou alegremente revolucionário. (Todos deveríamos ter lido Emma Goldman na escola, em vez das bobagens em que fomos alimentados, mas estou divagando). (Todos deveríamos estar olhando as fotos dos heróis das YPG, se vacilássemos e pensássemos que nossos sonhos são impossíveis, mas discordo duplamente. Lute comigo).

Nestes dias de fanáticos fascistas que se aproveitam de pessoas vulneráveis em nossas ruas, em nome do Estado ou apoiadas e defendidas pelo Estado,

Nestes dias de campos de detenção/concentração altamente rentáveis e uma batalha pela semântica,

Nestes dias de desesperança, busca vazia e anseio vazio,

Vivemos em uma ascensão visível do fascismo. (Digo visível, porque aqueles que prestam atenção viram-na sobreviver e prosperar sob a proteção do Estado durante décadas. [Veja “A história do povo dos Estados Unidos“, de Howard Zinn]. Agora segue descaradamente sua agenda com a cooperação aberta e plena dos governos de todo o mundo.

O fascismo atende às necessidades do Estado e atende às necessidades dos negócios, e tudo às suas custas. Quem se beneficia? Jeff Bezos, Warren Buffet, Elon Musk, Tim Cook, Bill Gates, Betsy de Vos, George Soros, Donald Trump, preciso continuar? Deixe-me dizer de novo: pessoas ricas (que acham que você não é tão bom assim), realmente gostam do governo (todos os governos, incluindo governos “comunistas”), porque eles fazem as regras que deixam os ricos mais ricos.

Simples.

Não pense demais nisso.

(Você aí patriota tá prestando atenção?)

Quando era criança, na Holanda do pós-guerra, depois na França, minha cabeça estava cheia de histórias sobre a ascensão do fascismo nos anos 30. Prometi a mim mesmo que não seria uma das pessoas que ficariam paradas enquanto os vizinhos são arrancados de suas casas e presos por serem percebidos como de menor importância.

Você não precisa queimar o desgraçado, mas vai ficar aí parado?

Este é o teste da nossa crença fundamental na liberdade real e nossa responsabilidade com o outro.

Este é um chamado aos patriotas, também, para ficarem contra esta farsa, contra tudo o que vocês consideram sagrado. Conheço vocês. Sei que em seus corações, vê a desonra nestes campos. Também é a hora de você enfrentar o dinheiro puxando as cordas de cada maldita marionete fingindo nos representar.

Sou um homem que ama tanto todos vocês e esta bola giratória que vou cumprir minha promessa de infância de ser nobre.

Aqui, nestes campos corporativos de concentração com fins de lucro.

Aqui, em Brown e com pessoas que não se conformam, com medo de mostrar seus rostos por medo da polícia/migra/Proud Boys/os chefes/beckies…

Aqui, um planeta quase esgotado pela ganância do mercado.

Sou um pensador de ideias concretas.

Campos de detenção são uma abominação.

Não vou ficar parado.

Realmente não deveria ter que dizer mais do que isso.

Deixo de lado meu coração partido e me curo da única maneira que sei – sendo útil.

Divido eficientemente minha dor…

E continuo alegremente nesse trabalho.

(Para aqueles sobrecarregados com os destroços de minhas ações, espero que façam melhor uso desse fardo).

Para meus companheiros:

Lamento que vou sentir falta do resto da revolução.

Obrigado pela honra de me ter ao lado de vocês.

Dando espaço para ser útil, sentir que estava cumprindo meus ideais, tem sido o pináculo espiritual da minha vida.

Fazer o que posso para ajudar a defender minha gente preciosa e maravilhosa é uma experiência muito rica para descrever.

Meus companheiros trans me transformaram, solidificando minha convicção de que seremos guiados para um futuro sonhado pelos mais marginalizados entre nós hoje. Sonhei com tanta clareza que não me arrependo por não ver como isso acontece. Obrigado por me levar tão longe.

Sou antifascista. Permaneço com os companheiros de todo o mundo que agem do amor da vida em toda ação. Companheiros que entendem que liberdade significa liberdade real para todos e uma vida digna de ser vivida.

Tenham fé!

Todo o poder ao povo!

Bella ciao.

Não deixe que as suas agências governamentais gastem dinheiro “investigando” esse caso. Fui radicalizado na aula de educação cívica aos 13 anos, quando nos ensinaram sobre o colégio eleitoral. Foi nesse momento que decidi que o status quo poderia ser um castelo de cartas. A leitura adicional confirmou minhas reflexões. Recomendo altamente a leitura!

Não sou filiado a nenhuma organização, me desfiliei de qualquer organização que não estivesse de acordo com minhas táticas.

A arma semi-automática que usei foi barata, um fúsil AR-15 não registrado e de fabricação caseira, com seis cartuchos. Encorajo os companheiros e novos companheiros que se armem. Agora somos responsáveis por defender as pessoas do Estado predatório. Ignore a lei armando-se se você tiver o luxo, eu fiz.

Tradução > keka

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Na teia de aranha
nada fica preso à noite –
brilha a lua cheia.

Katayama Yumiko

[São Paulo-SP] Debate | “Resistência antifascista: legado histórico e as práticas atuais”

>> Quarta-feira, 17 de julho de 2019, a partir das 19h00

>> Tapera Taperá – Av. São Luis, 187, 2º andar, loja 29 – Galeria Metropole, São Paulo-SP

No dia 17 de julho a Tapera Taperá e a Autonomia Literária realizam o debate “Resistência Antifascista: O Legado Histórico e As Práticas Atuais”, com a presença do autor de “Antifa – O Manual Antifascista” Mark Bray, Vanessa Zettler e Acácio Augusto. O evento tem apoio da Friedrich Ebert Stiftung Brasil

Lutamos contra eles escrevendo cartas para que não tenhamos que enfrentá-los com os punhos. Lutamos com os punhos para que não tenhamos que enfrentá-los com facas. Lutamos com facas para que não precisemos enfrentá-los com armas. Lutamos com armas para que não tenhamos que enfrentá-los com tanques.

— “Murray” de Baltimore

Desde que existe o fascismo, existe o antifascismo – também conhecido como “antifa”. Nascido da resistência a Mussolini e Hitler na Europa durante os anos 20 e 30, o movimento antifa chegou subitamente às manchetes em meio à oposição ao governo Trump, a ascensão da alt-right e o ressurgimento de grupos de supremacistas como o Klu Klux Klan.

Em uma inteligente e emocionante investigação, Mark Bray, historiador e um dos organizadores do Occupy Wall Street, nos oferece um olhar único de dentro do movimento, incluindo uma pesquisa detalhada da história da antifa desde suas origens até os dias de hoje – a primeira história mundial do antifascismo no pós-guerra

Baseado em entrevistas com antifascistas de todo o mundo, o livro detalha as táticas do movimento antifa e a filosofia por trás dele, oferecendo insights sobre a crescente, mas ainda pouco compreendida, resistência contra à extrema-direita.

Mark Bray é historiador especialista em direitos humanos, terrorismo e radicalismo político na Europa Moderna. Foi um dos organizadores do movimento Occupy Wall Street em 2011 e seu trabalho é referência mundial no debate antifascista. Bray é também o autor de “Translating Anarchy: The Anarchism of Occupy Wall Street” e co-editor de “Anarchist Education and the Modern School: A Francisco Ferrer Reader“. Bray contribui com frequência para meios como o Foreign Policy, Critical Quarterly, Revista ROAR. Atualmente é professor do Dartmouth College.

FB: https://www.facebook.com/events/325789341638783/

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agência de notícias anarquistas-ana

escreve
a tinta se esvai
o mar se expande

Seferis