Confiscado navio de extrema-direita que queria bloquear embarcações no Mediterrâneo

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As autoridades de segurança egípcias confiscaram junto ao Canal do Suez um navio de 40 metros, fretado pelo grupo europeu de extrema-direita “Defend Europe” (Defendendo a Europa), cujo objetivo era “controlar” as atividades – que definem como “ilícitas” – de organizações não-governamentais (ONG), como a “Save the Children”, que se dedicam ao resgate de migrantes no Mediterrâneo.

A embarcação teria sido obrigada a interromper o trajeto e a ancorar devido a questões de segurança e falta de documentação. De acordo com o “The Independent” o comandante do navio também não teria entregue uma lista completa dos tripulantes. O navio C-Star tinha iniciado a viagem em Djibouti – pequena república africana que faz fronteira com a Eritreia, a Etiópia e a Somália – e encaminhava-se para Catânia, na Sicília. Nesse porto italiano juntar-se-iam mais ativistas à tripulação e o grupo “Defend Europe” daria início à sua missão que estava previsto durar entre uma e duas semanas.

O “Defend Europe” é uma organização de extrema-direita que reúne membros do Movimento Identitário, uma plataforma pan-europeia caracterizada pelo discurso anti-imigração e anti-Islã.

O movimento – que através de “crowdfunding” (financiamento coletivo) teria conseguido juntar mais de 160 mil euros para fretar o navio – acusa as organizações não-governamentais que resgatam migrantes no Mediterrâneo de tráfico humano. “Neste preciso momento ONG alegadamente humanitárias estão a traficar para a Europa centenas de milhares de imigrantes ilegais para a Europa e assim pôr em causa a segurança e o futuro do continente. São eles os responsáveis pelos afogamentos em massa de milhares de africanos nas águas do Mediterrâneo. Vamos fazer algo contra isto”, pode ler-se no seu site na internet.

O objetivo dos ativistas da “Defend Europe” era interceptar as embarcações com migrantes antes que as ONG o fizessem e devolvê-los à Líbia.

Fonte: agências de notícias

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Um rastro de lua
Na rua de rastros
depois que a chuva parou.

Luiz Carlos

Documentário quer mapear o punk feminista no Brasil dos anos 1990

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‘Faça você mesma’ está reunindo verbas através de financiamento coletivo

Por Milena Coppi

A diretora Leticia Marques e a produtora Patricia Saltara, responsáveis pelo documentário “Faça você mesma”, fazem parte de uma geração pioneira de meninas a pegar em guitarras, plugar amplificadores e gritar alto pelo movimento Riot grrrl. Quase 30 anos após seguirem as bandas de mulheres mais rebeldes dos anos 1990, as duas se juntaram a um time de garotas para registrar, pela primeira vez no cinema, a história da cena punk feminista no Brasil.

Boa parte do filme foi feito com recursos próprios, mas faltava verba para que o projeto pudesse ser finalizado. Assim, como era feito entre os grupos punk feministas, que se mantinham de forma independente e colaborativa, Leticia e Patricia estão reunindo verbas desde o começo de junho através de financiamento coletivo no Catarse (catarse.me/faca_voce_mesma_filme_9b8b) para viabilizar o documentário.

— Senti necessidade de contar essas histórias. Afinal, se gente não for fazer esse filme, quem vai? — diz a diretora, que foi convidada no ano passado para tocar o projeto junto a Patrícia, com quem mantém amizade desde a adolescência. — Lembro que, em 2013, li o livro “Riot grrrl: revolution girl style now!”, da Nadine Monem, e fiquei com um sentimento de nostalgia. A partir daí, comecei a escrever um esboço, que acabou ficando de lado, até que veio o convite. Não ter me afastado desse grupo de meninas também ajudou. Acho que estamos fazendo isso na hora certa.

Até agora, o projeto tem 95 colaboradores e conseguiu arrecadar R$ 6.795. Mas ainda é pouco. O objetivo é chegar a R$ 30 mil e, para isso, o filme conta com a ajuda de doações que variam entre R$ 20 e R$ 5 mil. Em troca, os “padrinhos” e “madrinhas” receberão uma série de recompensas, que variam de acordo com o valor investido no projeto, com estreia prevista em dezembro de 2018.

— Assim que finalizarmos o filme, a ideia é inscrevê-lo no circuito de festivais internacionais para, depois, partir para o circuito nacional. Mas ainda não há nada concreto — disse a diretora, apontando para a possibilidade de disponibilizar o documentário na internet. — Pensamos sim em explorar outras janelas e plataformas, como o Vimeo e o iTunes. Mas isso fica para o futuro — acrescentou.

Meninas rebeldes

Houve um tempo em que mulheres eram subestimadas quando o assunto era rock, gênero dominado por homens até os dias atuais. Se por um lado acreditava-se que garotas eram incapazes de tocar guitarra tão bem quanto os garotos, do outro, nascia um movimento que provaria para o mundo que lugar de mulher também é na bateria, no baixo e onde mais ela quiser.

Assim surgiu o Riot grrrl, movimento criado nos Estados Unidos nos anos 1990 e popularizado por bandas como Bikini Kill e Tribe 8, que defendiam a expressão radical do feminismo através da música e da arte. Na mesma década, jovens brasileiras foram influenciadas pela atitude rebelde e empoderadora do punk, como conta Marina Pontieri, integrante do grupo TPM (sigla de trabalhar para morrer) e entrevistada no “Faça você mesma”.

— Nasci e cresci numa família bastante intelectual, meus pais eram feministas, e hoje vejo que fui privilegiada. Mas, claro, fora desse espaço, enfrentamos um cenário de pouquíssima representatividade. Éramos poucas bandas de mulheres versus centenas de bandas masculinas, ou com uma vocalista — explicou Marina.

Além da maioria masculina, a artista também revelou que “muitos machinhos do hardcore” torciam o nariz quando as garotas subiam ao palco. Mesmo assim, elas continuaram.

— Agora vejo que a união de garotas era muito mais empoderadora do que eu enxergava na época. É muito bacana ver que as jovens estão tendo ideias que não passavam pela minha cabeça aos 16 anos. E, nesse sentido, acho importante que essas meninas saibam de onde veio tudo isso. Por isso o documentário é tão importante — completou.

Teaser promocional: https://vimeo.com/221422853

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/musica/documentario-quer-mapear-punk-feminista-no-brasil-dos-anos-1990-21586973

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/10/24/franca-lancamento-riot-grrrls-cronica-de-uma-revolucao-punk-feminista-de-manon-labry/

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o azul mais azul
além do cetim da safira
e do lápis-lazúli

Cláudio Daniel

Ateísmo crescente preocupa países do Oriente Médio

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Ao longo do rio Nilo, vivem exatos 866 ateus, ao menos segundo a Dar al-IFTA, instituição estatal egípcia que difunde explicações sobre assuntos relacionados ao islã. De acordo com a entidade, a proporção de 0,001% da população do Egito não é, de forma alguma, insignificante, mas sim um motivo de alerta. Afinal, não há nenhum outro país no mundo árabe com mais ateus. O Marrocos viria em segundo lugar, com 325 indivíduos sem religião.

Os dados da Dar al-IFTA contrastam com os de uma pesquisa realizada pela Universidade Al-Azhar, do Cairo, em 2014. A universidade, que ostenta muito prestígio no islamismo sunita, entrevistou 6 mil jovens e, a partir dos resultados, estimou que 12,3% da população egípcia não siga uma religião. Com uma população de aproximadamente 87 milhões, o Egito teria, portanto, 10,7 milhões de ateus.

Em outubro de 2014, num programa da televisão estatal egípcia, o sheik de Al-Azhar, Ahmad al-Tayyib, já chamara atenção para o fato de que o ateísmo não seria mais um fenômeno marginal no país. O afastamento consciente das religiões seria um desafio social, disse.

Segundo o jornal Gulf News, os ministérios para Juventude e Fundações Religiosas já anunciaram campanhas contra tal atitude. Religiosos moderados, psicólogos, cientistas sociais e outros foram convocados para combater a perda da fé entre os jovens.

“Os jovens são alienados por pregadores militantes, que lhes dizem, dia e noite, que eles irão para o inferno”, descreveu o professor da Universidade Al-Azhar, Amnah Nusayr.

Muçulmano ou cristão, quase ninguém no Oriente Médio se distancia publicamente de qualquer forma de religião. No entanto, depois dos tumultos da Primavera Árabe, em 2011, o número daqueles que o fazem parecer estar crescendo. Na maioria dos países árabes, surgiram grupos ateístas com páginas próprias no Facebook.

No grupo “Ateus tunisianos”, cerca de 6.900 internautas clicaram o botão de “curtir”. Já no “Ateus sudaneses” foram aproximadamente 3 mil. O grupo “Sociedade Ateísta do Egito” contabiliza 585 “curtidas”, e o “Feministas ateias na Arábia Saudita”, 61.

Especialmente a Arábia Saudita, onde prevalece uma interpretação particularmente rigorosa do islã, se sente ameaçada pelo ateísmo. O governo local declarou que, da perspectiva da aplicação da lei, tal postura é tão ruim quanto o terrorismo com motivação religiosa.

O instituto de pesquisa de mercado Win/Gallup International verificou num panorama mundial para a Arábia Saudita, em 2012, que 19% da população se enquadram como não religiosos. Outros 5% se descrevem como ateístas. Para efeito de comparação: a mesma pesquisa não registrou nenhuma pessoa ateia no Iraque, onde apenas 9% se declararam “não religiosos”.

A dura reação contra pessoas que silenciosamente estão dando as costas à religião surpreende, dado o perigo real representado por islamistas radicalizados. Por um lado, os motivos são religiosos: no islã, a semeadura da discórdia é considerada um pecado grave. Aquele que nega a Deus é facilmente visto como alguém que poder espalhar a discórdia entre os fiéis.

Na maioria dos países árabes, não é expressamente proibido ser ateu. Mas as leis contra a difamação religiosa deixam margem de manobra para tomar medidas contra a prática. Casos do tipo são constantemente documentados por movimentos civis e de direitos humanos.

Fonte: http://www.paulopes.com.br/2017/07/ateismo-crescente-preocupa-paises-do-oriente-medio.html#.WW-gsITyu1t

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Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

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