[Chile] A Resistência Mapuche Lafkenche reivindica responsabilidade por ações no Quidico

Como RML, justificamos o ataque armado ao posto de controle da polícia em Quidico e a queima do hotel Curef localizado a 20 metros deste ponto policial, uma ação realizada simultaneamente por uma coluna de 40 weichave na madrugada de sexta-feira, 13 de maio.

Esta ação é uma resposta à militarização encoberta que o governo de Boric aumentou em Wallmapu após o fim do estado de emergência. Com isso também deixamos claro ao governo que não haverá agressão sem uma resposta, ainda mais quando ele se recusa sistematicamente a responder às exigências dos presos políticos mapuches e suas famílias, endossando a nova política de punição do judiciário, como o envio de nossos presos para prisões mais distantes de seus territórios. Como dissemos em declarações anteriores, o governo deve dar sinais claros se deseja tanto a paz e isso visa resolver as exigências dos PPMs atualmente mantidos em várias prisões em Wallmapu.

Sabemos que Boric deixou nas mãos do Partido Socialista a implementação das novas políticas repressivas sob o slogan do crime organizado, dirigido pelo subsecretário do Interior, Manuel Monsalve e em Arauco pelo novo delegado presidencial, Humberto Toro, o mesmo que foi responsável pela repressão no segundo governo Bachelet. Não esquecemos Toro, o mesmo que apoiou o ataque armado dos carabineros em 2014 em Huentelolen que deixou 11 membros da comunidade Mapuche feridos por balas na fazenda Rihue Alto, hoje recuperada e controlada pelos Lov Mapuche deste território.

Atacar o Hotel Curef também significou a expulsão definitiva de Fernando Fuentealba de nosso território. Este personagem anti-Mapuche tem se dedicado durante anos a denegrir a Resistência Mapuche e hoje tem uma carreira política como presidente da “Agrupación de Víctimas del Terrorismo” (Associação de Vítimas do Terrorismo). Lembramos que Quidico é terra mapuche, que houve aqui um forte militar durante a invasão chilena no século XIX, onde até antigos kiuvikecheyem foram sequestrados e desfilaram pela Europa como troféus de guerra, algemados e humilhados.

É por isso que nossas tralkas e kütral hoje fazem justiça mapuche com nossos ancestrais, avançando passo a passo na expulsão dos winkas racistas e usurpadores. Aos pobres e humildes habitantes de Quidico dizemos que nossa luta não é contra eles, mas contra aqueles que durante anos lucraram com nosso território.

Sabemos que a chegada dos militares é uma questão de dias. Seja através de um “estado intermediário” ou de um novo estado de emergência, pois os proprietários de terras, caminhoneiros e empresas florestais estão clamando por isso. É por isso que devemos continuar avançando em unidade, com uma linha clara e firme baseada em nosso kimun, rakiduam e feyentun e com weichan e controle territorial como método para consolidar a resistência e autonomia mapuche.

• Transferência imediata para a prisão de Lebu para Alex Manríquez Maril, Robinson Parra, Esteban Carrera e Yerko Maril.

• Nulidade, julgamento justo e liberdade para os PPMs da Elikura.

• Liberdade para todos os PPMs.

• Fora com as empresas florestais, Fuentealba e toda expressão capitalista em Wallmapu.

• Em memória de Lemuel Fernandez, Samy Llebul e todos os que caíram na weichan.

• Território e autonomia.

WALLMAPU AVANÇA EM DIREÇÃO À LIBERTAÇÃO

Resistência Mapuche Lavkenche (RML)

Lavkenmapu-Nahuelbuta

Franja Lavkenche

Segunda-feira, 16 de maio de 2022.

Fonte: https://radiokurruf.org/2022/05/17/comunicado-resistencia-mapuche-lafkenche-se-adjudica-acciones-en-quidico/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/16/chile-nacao-mapuche-nao-ha-outra-maneira-senao-weychan-resistencia/

agência de notícias anarquistas-ana

Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.

Matsuo Bashô

[Grécia] Atenas: 4-11 de junho, semana de reconstrução do monumento Alexandros Grigoropoulos

A memória revolucionária não é uma carta em branco. Não se trata de um assunto de museu. Não é um ritual seco que se esgota nas recidivas dos aniversários. A memória revolucionária é o fio que liga o passado ao presente e lança as bases para um futuro que fará justiça àqueles que se sacrificaram por um mundo diferente. Um mundo onde ninguém vê o céu através do arame farpado, onde o corpo de ninguém é esmagado nas oficinas de exploração de classe, onde ninguém é assassinado nas fronteiras terrestres e marítimas, nas delegacias de polícia, nos guetos urbanos da metrópole. A memória revolucionária reúne aqueles que estão desaparecidos do nosso lado, tornando-os cúmplices dos nossos projetos e sonhos subversivos. A memória revolucionária, se lhe dermos o valor que merece, torna-se um projeto subversivo, um trampolim para a luta, uma fonte de inspiração e de prontidão na bela causa da liberdade. Porque serão palavras que formarão um quadro conceitual diferente do que é hoje pronunciado por políticos, economistas, analistas militares, industriais, os golden boys da bolsa de valores, jornalistas. Ou serão palavras armadas prontas para se tornarem uma energia impulsiva. Ou não serão nada.

As metrópoles são as modernas máquinas a vapor, as fábricas universais do capitalismo. As oficinas transparentes onde o domínio, controle e repressão do capital sobre as contradições explosivas que este produz são absolutamente institucionalizadas.

Os crimes do Estado e do capitalismo dentro das metrópoles tornam-se incidentes isolados. São registrados em narrativas fragmentárias pela ideologia burguesa que impõe a sua hegemonia. A nossa própria memória, que deveria realçá-los e transformá-los em consciência social, em percepção do nosso papel e posição, está constantemente ausente. Quando não está, está desfocada, incolor, inexistente, vazia de conteúdo. A censura fascista foi aqui substituída, por enquanto, por uma nova forma de censura ativa. A produção de um conhecimento incessantemente distorcido, a inversão metódica dos fatos, a sua substituição insidiosa. É o revisionismo que ataca as consciências, as memórias, a própria história das lutas.

A memória do poder ergue-se imponente à nossa volta para nos lembrar quem são os nossos “benfeitores” e “salvadores”. Estátuas, nomes de ruas, inscrições, monumentos, os responsáveis por todo o sangue derramado pelo povo nos séculos passados dominam todas as partes da metrópole. As coisas são simples: o controle da memória é a produção de uma guerra de sinais ideológicos, é uma guerra de classes, é o assassinato da nossa própria memória. Memória da subversão, memória da classe, memória da revolução.

A memória criada pela burguesia é uma memória aprisionada nas repetições do presente, é uma memória que é deliberadamente apresentada como coletiva mas determinada pela classe. É uma memória que codifica todos os comportamentos impostos e depois os impõe através da guerra de informação dos agentes de propaganda dominantes. É a memória que usa outra corrente, desta vez semiótica-ideológica, nos seus pés. É a memória do seu mundo feio e triste.

Os monumentos dos nossos próprios mortos são os nossos próprios símbolos que codificam períodos históricos de luta não arrependida, sacrifícios revolucionários, esperanças, desilusões e visões humanas. Vitórias e derrotas de um mundo que se apresenta sob a bandeira da luta para recuperar a sua vida. O seu cuidado, a sua proteção, a sua promoção é o dever político de guardar a nossa história. Mas é também muito mais do que isso, recuperar a sua existência territorial-material é uma guerra pela nossa memória e identidade. Uma guerra contra a alienação, degeneração, resignação, todas as características da memória criada pelo poder.

A decisão de restaurar o monumento ao estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos é um passo decisivo nesta direção. Numa altura em que a rua pedestre de Messolonghi está a ser alvo de construção e capital turística, com a construção de apartamentos de luxo que ameaçam tanto o caráter militante da zona como a própria existência do monumento. O lugar que condensou espacialmente o ponto de partida da insurreição de Dezembro, a primeira insurreição que coincidiu com o início da crise capitalista em solo europeu, está abertamente ameaçado pelos apetites vorazes do capital.

Em um momento em que o governo da Nea Dimokratia (Nova Democracia) está tentando transformar Exarchia em uma área turística alternativa de entretenimento-consumidor, arrancando tudo que seja radical.

Numa época em que Exarchia é um campo de concentração para projetos de investimento mais amplos (metrô na praça Exarchia, reordenamento da colina Strefi, etc.) que, além de todos os fatores econômicos, é o último ataque frontal à história militante desta vizinhança.

Em um período desconhecido para os movimentos, é imperativo que lutemos com todas as nossas forças contra o esquecimento. O monumento do estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos é um marco da luta contra os assassinatos do Estado e temos a responsabilidade de restaurá-lo contra o esforço sistemático de gentrificação da área que o ameaça. Assumimos a responsabilidade pela reconstrução do monumento e convocamos o povo da luta a apoiar os eventos comemorativos de 4 a 11 de junho na rua para pedestres de Mesolonghi. Esta é uma medida que está totalmente de acordo com os objetivos do movimento e a defesa de nossa memória e identidade.

P.S.: O programa detalhado dos eventos político-culturais será anunciado no próximo período de tempo.

A LUTA PELA REAPROPRIAÇÃO DA MEMÓRIA É AO MESMO TEMPO UMA LUTA PARA CRIAR NOVOS PONTOS DE ENCONTRO E PERSPECTIVA.

Iniciativa anarquista contra os assassinatos do Estado

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1618290/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O silêncio é um campo
plantado de verdades
que aos poucos se fazem palavras.

Thiago de Mello

[Alemanha] Junto no amor e na fúria – Congresso para a revolta anarca-queerfeminista!

Carxs cúmplices

Após a tentativa de organizar o congresso “Feminismo Militante” há 2 anos e após meses de pandemia, queremos nos reunir novamente e elaborar perspectivas militantes. Para isso, convidamos você a ir a Berlim de 26.05.22 a 29.05.22.

A auto-organização de queers e FLINTAs tem potencial para autocapacitação e perspectivas revolucionárias. Grupos militantes antipatriarcais estão se tornando mais visíveis e reagem com contra-violência à opressão do patriarcado capitalista e à exploração colonial. Ao mesmo tempo, forças anti-feministas e autoritárias estão se formando para acabar com as paixões por uma sociedade libertada, por exemplo, através de reações conservadoras, o endurecimento das leis abortivas na Polônia – entre outros lugares, o número crescente de violência doméstica e sexual durante a pandemia, feminicídios em todo o mundo e perpetradores dentro de estruturas “emancipatórias”…

Mas as lutas e movimentos feministas estão resistindo: Mulheres curdas estão lutando em Rojava, grupos autônomos da FLINTA estão atacando, na Cidade do México, feministas estão atacando delegacias de polícia, em movimentos mundiais vozes queer e trans estão se tornando barulhentas e visíveis – para citar apenas alguns exemplos. Estes movimentos oferecem oportunidades para imaginar as sociedades de maneira diferente! Não queremos esconder as diferenças entre nós, mas, ao invés disso, construir pontes e desenhar potenciais a partir de diferentes perspectivas e experiências. Atacar o inimigo externo também significa atacar estruturas dentro de nós. Seja o domínio branco, estruturas capacitistas, sexistas ou classistas… Na consciência histórica das lutas revolucionárias queremos aprender com os movimentos de emancipação, com suas forças e seus conflitos. Para sermos melhores cúmplices, para superar mecanismos de opressão e para trabalhar a longo prazo em uma personalidade militante na qual rompemos repetidamente com o patriarcado capitalista e colonial que está embutido dentro de nós. Vamos construir perspectivas e redes internacionalistas e solidárias. Vamos nos tornar perigosxs juntxs.

O Congresso deve ser um espaço aberto para experimentar e discutir. Queremos trabalhar juntxs de forma prática e substantiva para desenvolver nossas posições. Questões que queremos trabalhar em conjunto: Como fortalecer as relações uns com os outros? Como pode ser a contra-violência feminista? Como encontramos um impulso? Haverá oficinas, painéis de discussão, debates, filmes, etc… Não queremos entrar nos dias com uma atitude consumista, mas participar nós mesmas, trabalhar o conteúdo de forma solidária e trocar ideias. O Congresso será aberto a todos os gêneros. Palestras/workshops serão realizados somente pela FLINTA (mulheres, lésbicas, inter, não-binárias, trans, A-gênero).

Para mais informações e atualizações, assim que estiverem disponíveis: militanztweiter.noblogs.org

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

Num banco de praça
a sombra de um velho assombra
o vento que passa.

Luciano Maia

 

[Chile] Lançamento: “El tratado del Bosque”, de Jorge Enkis

Uma comunidade de animais da floresta se reúne para fazer um tratado para compartilhar os recursos da terra com os humanos. O tratado inesperadamente se encontra em perigo, pois a chegada da monarquia ameaça a liberdade de toda a comunidade da floresta, homens e animais livres devem unir forças para lutar contra o rei e todos os seus lacaios.

Uma floresta sem animais, é uma floresta

sem vida, um homem sem a floresta,

é um ser sem liberdade

Jorge Enkis

>> Download, Impressão e Divulgação:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2022/05/El-tratado-del-bosque-Jorge-Enkis.pdf

editorialautodidacta.org

agência de notícias anarquistas-ana

A cada minuto
o mundo muda de cor
— é fim de tarde

Marba Furtado

[Espanha] Chris Ealham, historiador: “Na Guerra Civil houveram anarquistas radicais que protegeram padres”

Nesta quinta-feira (05/05), juntamente com a historiadora Dolors Marín, o historiador apresentou na livraria Ramon Llull de Palma a reedição do livro “El eco de los pasos“.

Por Kike Oñate | 06/05/2022

Chris Ealham (Kent, 1965) é um hispanista especializado na história do anarquismo na Espanha. Discípulo de Paul Preston, assina o prólogo da reedição de O eco dos passos (Editorial Virus), livro de memórias com quase mil páginas do anarco-sindicalista e Ministro da Justiça durante a Guerra Civil, Joan García Oliver. Relatos de experiências que retratam um passado enterrado pelo exílio e escondido tanto pela direita quanto pela esquerda.

Por que as memórias são um “mal necessário”?

— É um livro essencial, de primeira linha e muito citado nos estudos sobre a Segunda República e os anos vinte. Recebi críticas pelo prólogo, mas é preciso questionar tudo. É muito ingênuo pensar que o que o livro conta é uma representação fiel da realidade que ele viveu.

Mesmo assim, você é atraído por este personagem.

Trabalhadores autodidatas me fascinam. García Oliver deixou a escola aos doze anos e tornou-se alguém com uma cultura enorme. No livro ele é mostrado como um grande escritor; existem pessoas que ainda hoje não atingem o seu nível. Defendia a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) inclusive com um revólver, arriscando tudo. Ele foi corajoso. Foi garçom de profissão e sempre trabalhou em restaurantes e hotéis de luxo, se relacionou com pessoas da classe alta e ouvindo certas conversas, fortaleceu ao mesmo tempo seu nível cultural e seu ódio de classe.

Qual foi a maior contribuição dele como Ministro da Justiça?

— A criação de um novo sistema judiciário para tentar acabar com as demissões e com a repressão excessiva, esse é um legado importante. Havia anarquistas radicais que protegiam religiosos, incluindo padres e também pessoas de direita. Joan Peiró fazia parte de uma rede de fuga que se estendia ao longo da costa catalã até a França e em 1940, quando o regime de Franco o executou, muitos falangistas e religiosos o defenderam sem sucesso. A maior parte da repressão aos religiosos e pessoas de direita acontecia na rua e não há evidências de que o Comitê de Milícias Antifascistas ou o Ministério da Justiça estivessem envolvidos. Se ele poderia ter feito mais, eu não sei. Mas o anticlericalismo é muito anterior a García Oliver e o fato de a Igreja apoiar Franco não ajudou.

Que papel ele desempenhou na guerra?

Na defesa de Barcelona lutou nas barricadas de rua e mostrou sangue frio. Ele não se importou com sua segurança, mesmo quando seu amigo Francisco Ascaso morreu ao seu lado com um tiro na cabeça. Os anarquistas tinham seu projeto político, contra os patrões e o Estado, mas não visavam destruir a República. Eles se mobilizaram contra o golpe de Sanjurjo, em 1932, e depois em 1936. A CNT entendeu a necessidade do antifascismo ao ver como o nazismo avançava.

Por que a direita e a esquerda escondem o passado anarquista?

— A CNT foi o movimento anarco-sindicalista mais poderoso do mundo, mas sua história foi marginalizada. Com os Pactos de Moncloa houve uma confluência interessada em silenciá-la. Depois veio o caso Scala, que identificou a CNT com o terrorismo.

O que este livro nos traz hoje?

— Mostra que aqueles que lutaram por um mundo melhor eram pessoas comuns, com famílias. Contrasta com a lenda obscura do anarquismo. A fundação FAES patrocina historiadores midiáticos que continuam a desenvolver o conceito do anarquismo criminoso, ilegal, mas o livro mostra que não era assim, que o anarquismo era algo muito básico na vida de milhares de pessoas.

Fonte: https://www.ultimahora.es/noticias/local/2022/05/06/1730179/chris-ealham-historiador-guerra-civil-hubo-anarquistas-radicales-protegieron-curas

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

[Chile] Contra as sentenças proferidas pelo sistema de justiça militar e pela libertação imediata de Marcelo Villarroel

Por trás da quimera das mudanças sócio-políticas tocadas pelo atual governo, uma série de fatos já estão revelando que essas mudanças visam apenas garantir que tudo permaneça igual, que a continuidade do modelo persista, mesmo em suas formas repressivas e punitivas. Eles afirmam representar o marco histórico que fecharia a “transição política” deste país, mas escandalosamente escondem atrás dos muros o fato de que ainda há prisioneiros políticos cumprindo sentenças proferidas nos anos 90 pelo nefasto sistema de justiça militar, um claro herdeiro da ditadura de Pinochet e de sua ordem repressiva. Este é o caso de Marcelo Villarroel que, através desta aberração legal política, está sendo condenado a prisão perpétua em segredo.

Marcelo tem sido sem dúvida uma parte fundamental da história de subversão e resistência neste território. Ele foi preso e encarcerado pela primeira vez em 1987, aos 14 anos, após realizar uma ação de propaganda em uma escola secundária de Santiago em meio à ditadura, sendo classificado por organizações internacionais da época como o prisioneiro político mais jovem do Chile e da América Latina.

Em outubro de 1992, após dois anos de busca e captura porque foi acusado pelos agentes repressivos da Concertação como membro ativo do Mapu-Lautaro, ele foi preso, iniciando assim um longo período de prisão que continuaria ininterruptamente por 13 anos até dezembro de 2005, quando obteve o benefício da liberdade condicional, que é outra forma de cumprir sua pena.

Acusado de fazer parte do roubo do Banco de Segurança em outubro de 2007, e após uma investigação e julgamento que duraria mais de 4 anos, foi condenado em julho de 2014 a 14 anos de prisão por este ato, mas também para agravar sua punição, os tribunais e a gendarmeria apontaram que, tendo quebrado o benefício da liberdade condicional em meados de 2007, ele deveria cumprir toda a pena restante imposta pela Justiça Militar, acrescentando assim à sua pena mais de 40 anos de prisão, ou seja, com esta medida é aplicada a ele uma pena perpétua disfarçada.

Hoje, como ele está prestes a cumprir sua sentença por roubo, são as sentenças do sistema de justiça militar que projetam a perpetuidade da prisão de Marcelo Villarroel. Em si mesma, esta verdade é intolerável: atualmente, há camaradas que ainda cumprem sentenças proferidas por tribunais militares nos anos 90, ainda mais quando é do conhecimento público as injustiças, abusos e arbitrariedades que foram aplicadas àqueles que estavam sujeitos à sua jurisdição, especialmente quando eram civis.

Naqueles anos, o recentemente “ex-ditador” Pinochet foi comandante-chefe do exército chileno e a partir dessa posição de poder ele decidiu mudar as funções do então chefe da Diretoria Nacional de Inteligência do Exército (DINE) Hernán Ramírez Rurange para assumir o cargo de Juiz Militar de Santiago e a partir daí implementar todo o aberrante processo militar-legal que levou a sentenças irracionais e fora de linha com qualquer lógica processual legal-legislativa e criminal normal, em termos de padrões de imparcialidade e igualdade perante a lei. Ele terminou seus dias em 2015 cometendo suicídio antes de entrar na prisão de Punta Peuco para cumprir sua sentença por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar.

Neste contexto, não é surpreendente que inúmeros testemunhos e relatórios mostrem que todas as “confissões” obtidas no início dos anos 90, e em consequência das quais grandes sentenças foram proferidas contra presos políticos, foram obtidas sob tortura.

Este é o cenário punitivo no qual Marcelo foi condenado por aqueles anos; é esta sentença que procura manter nosso camarada preso por toda a vida; é claro então a vingança política e institucional contra ele. É por isso que é imperativo se mobilizar com força para romper com as penas perpétuas e exigir a libertação imediata de nosso camarada Marcelo Villarroel.

Solidariedade ativa e combativa com prisioneiros anarquistas e subversivos!!!

Marcelo Villarroel às ruas!!!!

Até sua libertação total!

Coordinadora 18 de octubre.

Ciclo de Cine Anticarcelario Libertario.

Radio 31 de Enero.

Maio de 2022.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao deixar o portão
Do templo zen,
Uma noite estrelada!

Shiki

A-ryhmä se opõe à adesão da Finlândia à OTAN

A maioria da elite finlandesa já apoia há muito tempo a ideia de a Finlândia aderir à OTAN. Após o ataque da Rússia à Ucrânia, o apoio à perspectiva aumentou em toda a população devido ao medo da guerra. A elite quer usar esta situação como uma oportunidade para apresentar um pedido de adesão à OTAN.

É compreensível que as políticas hostis de Putin causem medo e uma reação contrária, mas Putin não vai atacar a Finlândia. Putin já se imagina cercado de inimigos. Portanto, uma aliança militar que se oponha a ele se expandindo para a fronteira russa não é necessariamente uma punição, mas sim uma validação de sua visão de mundo iludida. Candidatar-se à adesão à OTAN envolve ameaças de longo prazo altamente teóricas, mas em um longo período de tempo, tudo pode acontecer. Por exemplo, os EUA podem se transformar em uma ditadura.

Como membro da UE, a Finlândia já faz parte de uma aliança militar. Se a Finlândia fosse atacada, todos os condados da UE estariam rapidamente em guerra e, através deles, também os países da OTAN. Assim, uma adesão à OTAN é principalmente sobre identidade. Justifica-se por “pertencer a uma esfera de valores ocidentais”, mas o turco Erdogan, por exemplo, não tem nada a ver com democracia ou direitos humanos. Erdogan ocupou militarmente o norte da Síria, destruindo a sociedade curda, bem como atacando continuamente o norte do Iraque em uma tentativa de esmagar as tentativas curdas de democracia. Esse comportamento não difere significativamente da Rússia de Putin.

Escolher entre dois males pode ser apropriado quando não há mais nada a ser feito, mas a Finlândia não enfrenta uma ameaça que torne essa escolha inevitável. A OTAN-Finlândia seria apenas um capitalista como a Finlândia sem a OTAN, mas a primeira seria mais favorável ao imperialismo. A adesão à OTAN seria uma escolha para apoiar a perseguição do povo curdo.

Não queremos um mundo onde todas as áreas devam fazer parte da esfera de influência de uma superpotência global, e não aceitamos tentativas de estabelecer uma posição na referida esfera de influência, exceto em caso de extrema emergência. A Finlândia já desistiu principalmente da imparcialidade ao aderir à UE, e jogar seus restos no lixo seria apenas uma aceitação de que qualquer imparcialidade é impossível, e o papel dos países menores é apenas escolher o mestre menos repulsivo.

Atacar e ocupar outros países têm sido uma parte inerente da política externa dos EUA nas últimas décadas. A adesão à OTAN não exige a adesão a esses ataques, mas um ataque não é defesa apenas enquanto a vítima do ataque não for capaz de atingir o atacante pelas costas. Não devemos presumir que nenhum dos alvos dos ataques dos EUA ou da Turquia jamais será capaz de revidar. Em teoria, a Finlândia pode se recusar a defender outros países membros da OTAN quando eles mesmos causaram seus problemas, mas na prática, no final, ninguém quer ajudar o cara que nunca oferece ajuda em troca. Se a Finlândia sempre anular a implantação do artigo 5, é improvável que a Finlândia receba qualquer ajuda enquanto estiver sob ataque.

De acordo com aqueles que apoiam a adesão à OTAN, é puramente uma aliança de defesa. Mas muitas vezes é impossível descobrir quem atirou primeiro. Os EUA e a Grã-Bretanha mentem sobre as armas de destruição em massa do Iraque e podem mentir novamente no futuro. Quando um aliado entra em uma guerra, é improvável que você comece a pedir provas e justificativas, mesmo que as razões para a guerra sejam questionáveis. Caso contrário, um aliado logo será um ex-aliado.

A OTAN é baseada em armas nucleares. Opomo-nos às armas nucleares e apoiamos o desarmamento nuclear multilateral.

Há situações em que a defesa não-violenta pode funcionar, mas não acreditamos que possa sempre substituir a autodefesa violenta. A-ryhmä apoia todas as formas de resistência ao imperialismo. Quando as comunidades devem se defender de atores autoritários, sugerimos organizações de defesa voluntárias em vez de um exército. Atualmente na Ucrânia, essa voluntariedade teve sucesso pelo menos em parte e em alguns lugares, porque houve mais defensores dispostos do que equipamentos.

Apoiamos especialmente os anarquistas ucranianos que se organizaram no Comitê de Resistência, e lutam ao lado das forças de defesa regionais da Ucrânia e outras unidades do exército. Além disso, apoiamos as ações não violentas e violentas dos anarquistas russos contra a guerra.

A-ryhmä

Você pode ler mais a fundo sobre a posição de A-ryhmä sobre o poder militarizado e armado no programa de princípios da Alusta, que A-ryhmä assina: http://alustaaloite.blogspot.com/2015/03/alustan-periaateohjelmaehdotus….

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Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

chuva constante
o guarda-roupa mudou
agora é varal

Eder Fogaça

[EUA] Grupo Antiaborto no Wisconsin é Atacado por Incendiários, Dizem as Autoridades

Por Luke Vander Ploeg e Addison Lathers

A sede de um grupo antiaborto de Madison, no Wisconsin, foi incendiado no domingo de manhã, em um ato de vandalismo que incluiu a tentativa de uso de coquetéis molotov e grafitagem que lia “If abortions aren’t safe, then you aren’t either” [Se abortos não estão seguros, vocês também não estão], de acordo com a polícia.

Ninguém do grupo Wisconsin Family Action estava no local na hora e não houve ferimentos reportados. Embora o coquetel molotov jogado por uma janela tenha falhado, o vândalo ou os vândalos iniciaram outro incêndio nas redondezas, afirmaram as autoridades. O incêndio queimou parte da parede.

O Departamento de Polícia de Madison não disse se efetuou alguma prisão ou se mais de uma pessoa estava envolvida.

“Nós informamos nossos parceiros federais deste incidente e estamos trabalhando com eles e com os Bombeiros de Madison na investigação deste incêndio criminoso,” afirma a declaração do departamento.

O ataque ocorreu quase uma semana após o vazamento de uma proposição da Suprema Corte que revogaria Roe v. Wade, a decisão histórica que estabeleceu o direito constitucional ao aborto. Wisconsin tem uma lei banindo abortos que precede a Roe por mais de um século, mas o Gov. Tony Evers, democrata, afirmou que bloquearia sua implementação. A Wisconsin Family Action é uma grupo político sem fins lucrativos que promove políticas conservadoras em muitas questões, incluindo aborto, dentro do governo do estado de Wisconsin.

“Fizemos nada que justificasse isso. Devemos ser capazes de discordar em questões sem temer por nossas vidas,” declarou Julaine Appling, a presidente da Wisconsin Family Action. “Se alguém estivesse no local, teria sido, no mínimo, ferido.”

Os Bombeiros de Madison receberam uma ligação sobre o incêndio por volta das 6 das horas da manhã no domingo. Bombeiros e policiais chegaram logo após no local e rapidamente controlaram o fogo. Appling declarou que ouviu sobre o ataque mais tarde naquela manhã, enquanto se preparava para um brunch do dia das mães da igreja em Watertown, no Wisconsin.

“Recebi uma ligação da administração do prédio dizendo que houve uma invasão e um incêndio,” afirmou Appling. Ela então se dirigiu ao local com um outro membro, onde encontraram “o caos e os danos à propriedade.”

Appling disse que seu escritório fora o alvo principal do ataque. Duas janelas foram quebradas e a água utilizada para apagar o fogo causou ainda mais danos. Appling afirmou que a grafitagem é particularmente perturbadora. “Enquanto dirigia para o escritório e a vi, minha reação imediata foi surpresa por quão ostensiva era a ameaça,” declarou. A grafitagem incluía um símbolo anarquista e os números 1312, uma abreviação de uma ofensa à polícia.

O Planned Parenthood de Wisconsin também condenou a violência em uma declaração. “Nosso trabalho para proteger o acesso contínuo ao cuidado reprodutivo é baseado no amor,” declarou a presidente do grupo, Tanya Atkinson. “Condenamos todas as formas de violência e ódio em nossas comunidades.”

Em uma declaração ao The New York Times, Tony Perkins, presidente do Family Research Council, que trabalha com a Wisconsin Family Action, atribuiu o ataque a extremistas esquerdistas que almejavam intimidar oponentes na questão do aborto e prometeu que não teriam sucesso. “Somos gratos pela liderança inabalável do Wisconsin Family Action e das dezenas de conselhos de política familiar pelo país que são comprometidos com a santidade de toda vida humana,” acrescentou.

Appling declarou que ela e outros na organização já receberam ameaças no passado e que ela sabia que algumas pessoas estariam com raiva após o vazamento da Suprema Corte.

“Sabia automaticamente que qualquer um que tomasse partido a favor de como a proposição foi escrita provavelmente deveria prestar mais atenção em sua segurança,” afirmou. Ainda, esse tipo de ataque direto foi chocante, e ela afirmou ter abalado sua sensação de segurança.

Disse também que trabalharia na implementação de novas medidas de segurança na sede.

Em uma declaração nesse domingo, o chefe da polícia de Madison Shon Barnes reconheceu as tensões acentuadas na comunidade após o vazamento e condenou o ataque.

“Nosso departamento continua a apoiar pessoas a serem capazes de falar livre e abertamente sobre o que acreditam,” diz a declaração, “mas sentimos que quaisquer atos de violência, incluindo a destruição de propriedade, não ajuda nenhum lado.”

Fonte: https://www.nytimes.com/2022/05/08/us/madison-anti-abortion-center-vandalized.html

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Canta alegre o sabiá
faz folia o bem-te-vi
— natureza assovia

Rogério Viana

[Chile] 22 de Maio – Dia do Caos

Na manhã de 22 de maio de 2009 nos levantamos com uma ferida incurável, nos golpeou gravemente a notícia da morte em ação de um rebelde. O coração Anárquico de Mauricio Morales havia deixado de bater, seu corpo sem vida jazia no meio da rua Ventura Lavalle em Santiago centro, só a poucos metros da escola de Gendarmeria [polícia] do Chile. O artefato explosivo com o qual pretendia atentar contra esse símbolo da sociedade carcerária detonou inesperadamente, causando sua morte e desatando uma tragédia. Uma bicicleta, um punhal e um revólver o acompanharam em seus últimos suspiros… nossas lágrimas o acompanharam quando seu corpo voltou à terra.

Este mês recordemos o “Punky Mauri”, com suas ideias/ações e também com todas as suas contradições, com sua vida inquieta e sua burlesca alegria. Hoje a 13 anos deste acontecimento levantemo-nos com um irredutível sorriso cúmplice, irmanando-nos com a urgente necessidade de ataque, intensificando nosso latente impulso de destruir esta sociedade, incendiando nossos apaixonados desejos de liberdade. Este maio de 2022 procuremos que viva a Anarquia…

22 de Maio – Dia do Caos!

NOSSA MEMÓRIA É NEGRA, NOSSO CORAÇÃO TAMBÉM!

agência de notícias anarquistas-ana

Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

[Itália] O Germinal comemora… dez anos na Via del Bosco!

A última sexta (13/05) e sábado (14/05) foram dois dias inesquecíveis para nós. Centenas de pessoas participaram dos vários momentos de celebração, convívio e mobilização com que quisemos celebrar os primeiros dez anos da nossa sede na Via del Bosco 52@.

Da inauguração da exposição de cartazes históricos à apresentação da biblioteca, da procissão no bairro de San Giacomo às festas com DJ sets, todos os momentos tiveram uma grande e calorosa participação e tudo correu bem.

Aqui queremos agradecer a todos aqueles (e foram muitos) que contribuíram: dos que cozinharam aos que prepararam a exposição, dos que trabalharam na biblioteca aos que puseram a música para dançar, dos que fizeram os gráficos a quem fornecia as bebidas para quem ajudava a limpar e obviamente também aos companheiros e camaradas que vinham de outras cidades e também da Eslovênia.

Muito obrigado a todos! Nos vemos na Via del Bosco 52@ e nas praças. Sempre à frente!

Grupo Anarquista Germinal

Tradução   GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Rua amarelada —
A lua passa em silêncio
prata no céu.

Carlos Bueno

[Espanha] “Emma Goldman” estreia em Astúrias pelas mãos da Escola de Arte Dramática

A peça de Zinn sobre a anarquista americana, que foi apresentada no sábado no La Laboral, voltará gratuitamente no domingo, dia 22, em La Felguera.

 Por David Sánchez Piñeiro | 15/05/2022

É incomum, pelo menos nas Astúrias, poder assistir gratuitamente a uma peça de teatro e encontrar, em uma noite de sábado, um grande auditório repleto de um público formado principalmente por adolescentes. A ocasião foi proporcionada pela apresentação da peça “Emma Goldman. A mulher mais perigosa da América”, criada pelo historiador americano Howard Zinn, pela turma de saída (2018-2022) dos alunos da Escola de Arte Dramática do Principado das Astúrias. Foi a segunda vez que a peça foi apresentada na Espanha e a primeira nas Astúrias.

Começando com o cartaz anunciando a apresentação – uma ilustração da anarquista americana nascido na Lituânia, ladeado pelos principais arranha-céus da grande cidade de Nova Iorque – e continuando com a encenação – equilibrada, precisa e muitas vezes cativante – o espetáculo parecia mais uma peça estabelecida, estrelada por atores profissionais e apresentada em um teatro de prestígio do que uma oficina de teatro por um grupo de estudantes recém-formados em uma escola formativa.

Com uma inusitada demonstração de talento artístico, as jovens atrizes e atores recriaram alguns dos episódios mais significativos da vida de Emma Goldman, uma verdadeira referência na luta pelos direitos trabalhistas e pela igualdade de gênero nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. Durante as mais de duas horas da peça, a plateia testemunhou jovens anarquistas discutindo Marx, Bakunin e Kropotkin em tabernas; participou de comícios políticos de massa com Goldman e seu grande carisma oratório; viu que o espírito vanguardista da “a mulher mais perigosa da América” não estava apenas confinado à sua atividade política, mas já estava presente em suas relações pessoais e em sua forma libertária de entender e viver o amor; ela testemunhou as complicadas contradições pessoais das mulheres anarquistas em uma época em que sua maneira de se relacionar com os homens não parecia ser inteiramente coerente com seus ideais igualitários; e ela foi capaz de perceber todos os dilemas morais e políticos decorrentes do uso da violência contra os opressores de classe que o movimento anarquista tinha que enfrentar.

Deliberadamente rompendo com a estrita separação entre um palco onde a ação acontece e um público que assiste silenciosa e passivamente das poltronas, os jovens protagonistas de “Emma Goldman” transformaram o auditório em uma extensão dinâmica do próprio palco e envolveram ativamente o público, que, através de aplausos e aclamações, entrou plenamente no intenso desenvolvimento da trama.

A peça será apresentada novamente no próximo domingo 22 de maio às 19h00 no Nuevo Teatro de La Felguera, que será uma nova oportunidade para testemunhar ao vivo e gratuitamente o grande talento presente e, sobretudo, o enorme potencial futuro que, com gerações de jovens como esta, as artes cênicas têm nas Astúrias.

Fonte: https://www.nortes.me/2022/05/15/emma-goldman-se-estrena-en-asturies-de-la-mano-de-la-escuela-de-arte-dramatico/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Bom é ser gato
Não precisa apagar a luz
Nem amarrar o sapato

Alvaro Posselt

[Itália] Matteo Guarnaccia nos deixou

Perdemos um amigo próximo que sempre trabalhou generosamente com as realidades contraculturais do movimento.

Perdemos um companheiro libertário disposto a colaborar em vários níveis com a F.A.I. Reggiana e com a Cucine del Popolo criando alguns cartazes extraordinários.

Participou com paixão em muitas das nossas iniciativas apresentando os seus livros dedicados à contracultura. Foram inúmeros os compromissos que construímos juntos a começar pelo festival dedicado ao “Verão da Contracultura” organizado em 2007.

Nossos encontros variavam de acontecimentos e xamãs, provos e gnomos, bicicletas brancas e sonhos molhados, ervas exóticas e carícias psicodélicas… e muito mais.

Matteo foi uma figura de referência fundamental da arte visionária contemporânea, um dos representantes mais significativos do movimento underground dos anos 70, um dos poucos artistas que demonstrou uma capacidade indiscutível de saber atualizar o imaginário psicodélico, criando ícones que sintetizam os aspectos mais essenciais de uma mitologia visionária.

Sua jornada humana e artística investigou três décadas de explorações no campo da poesia, liberdade e amor.

Ativo no mundo do design, música e moda. Foi escritor, pintor, historiador, performer, uma verdadeira autoridade criativa e libertária, autor de vários livros fundamentais sobre história da arte, figurino e contracultura.

Queremos lembrá-lo com seu esplêndido cartaz criado para o XXVI Congresso da Federação Anarquista Italiana realizado em Reggio Emilia em 2008.

Olá Matteo! Sempre levaremos vocês em nossos corações.

CUCINE DEL POPOLO – F.A.I. REGGIANA

Reggio Emilia, 15/05/2022

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves

 

[Reino Unido] O SCPO do camarada anarquista Toby Shone foi rejeitado pelo tribunal!

Para as celebrações selvagens na galeria pública, o juiz presidente rejeitou o pedido de Ordem de Prevenção de Crimes Graves (SCPO) do camarada anarquista Toby Shone, declarando que não havia fundamento para que fosse aplicado nas circunstâncias. Gritos de “Nem um passo atrás!” foram respondidos com Toby gritando “A Revolução é inevitável!”

O resultado do tribunal significa que o camarada Toby agora será libertado o mais tardar em agosto deste ano, sem as condições extremas de vigilância e controle que o teriam levado a ser afastado não apenas de seus companheiros; mas de sua família, amigos e parceiros. Teria restringido seu modo de vida, sua capacidade de funcionar como anarquista, com muitas condições que já foram elencadas anteriormente, como o uso de aparelhos eletrônicos para ele ter que declarar quem visita sua residência. Teria durado 5 anos e poderia ter sido renovado. Se tivesse sido quebrado por Toby, isso o levaria a cumprir 10 anos nos buracos do sistema prisional do Reino Unido.

O SCPO foi um ataque direto a Toby como um anarquista, seu modo alternativo de viver e suas conexões com aqueles de quem ele é próximo. Estava claramente ligado aos policiais antiterroristas que tentavam aplicar medidas repressivas nele depois que as acusações de terrorismo em seu julgamento original anterior foram retiradas.

A ação dos policiais antiterroristas cria um novo ambiente repressivo nesta ilha-prisão, que agora, assim como em outros países europeus, como vimos com as muitas operações repressivas contra camaradas na Itália e na Grécia, que anarquistas são considerados terroristas pelo Estado, que qualquer um que ousar lutar contra a autoridade estará sujeito a tal repressão. Também está claro que o estado britânico quer atacar as conexões; as afinidades, as amizades, até o amor, daqueles que querem punir. Esta é uma tática vingativa semelhante que vimos ser usada em outros países também, como o direcionamento de parceiros e familiares da organização revolucionária Conspiração das Células de Fogo dos membros na Grécia.

A ‘Operação Sonho’, o ataque repressivo a Toby, em 325 [blog], é também um ataque aos círculos anarquistas e aos estilos de vida alternativos como um todo. Os anos de prisão estão se acumulando para aqueles que ousaram se rebelar durante o protesto Kill The Bill no ano passado, que foi atacado por policiais e levou a um motim. Aqueles que vivem “fora da rede”; de ciganos e viajantes irlandeses a moradores de vans, caravanas ou barcos, juntamente com os ocupantes sem teto, também estão sentindo toda a força do estado britânico, os conservadores Boris Johnson e Priti Patel da formação repressiva da direita racista “Build Back Better” GB.

Há de fato uma “tempestade chegando no horizonte” como o camarada Toby mencionou, é hora de todos nós que a sentimos avançarmos em direção a ela, nos revoltarmos contra a destruição de nossas vidas, nossa própria existência.

Este é apenas o começo, “Nada acabou, o conflito continua!”

Alguns anarquistas em solidariedade com o camarada anarquista Toby Shone

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2022/05/06/bristol-uk-anarchist-comrade-toby-shones-scpo-was-rejected-by-the-court/

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/02/reino-unido-justica-para-o-preso-anarquista-toby-shone/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/02/reino-unido-sentenca-de-primeiro-grau-para-o-companheiro-anarquista-toby-shone/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/29/reino-unido-atualizacao-sobre-a-situacao-do-companheiro-anarquista-toby-shone/

agência de notícias anarquistas-ana

abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra

[Alemanha] Leipzig: Antena de retransmissão da Deutsche Bahn queimada – Atacar o militarismo!

Atacamos a Deutsche Bahn (DB) como parte da logística da guerra na Europa. Não esquecemos que esta empresa está envolvida em entregas de armas há anos (mesmo que no momento esteja tentando limpar sua imagem com entregas “humanitárias” à Ucrânia). Em particular, todos os dias nossos amigos de Rojava são mortos com armas entregues pela DB. Há uma estreita cooperação entre a DB e o regime fascista de Erdogan.

Assim, na noite de 28-29 de abril, incendiamos uma antena da DB em Markkleeberg [cidade nos subúrbios do sul de Leipzig]. A linha onde a antena está localizada era e ainda é usada para entrega de armas. Estamos tentando nos opor à lógica de guerra atual com nossos meios e queremos que os danos materiais sejam os maiores possíveis. Quando esta linha não é usada para transportar veículos militares, ela é usada para enviar carros, carvão e outras matérias primas devastadoras para todo o mundo.

O que também nos motiva é a tentativa de finalmente sair do desamparo que existe pelo menos desde a epidemia de Covid-19. A sabotagem de materiais de guerra não parece ser uma prática comum e, além disso, é desacreditada pelo discurso habitual da esquerda burguesa (a la “Claro que a Ucrânia deve receber armas – o mundo livre é defendido lá!”).

Não acreditamos na “vanguarda”, mas se pudéssemos motivar outras pessoas a realizar a sabotagem, isso obviamente nos daria alegria.

Que a fumaça de nosso incêndio se projete para Munique, onde uma investigação por conspiração criminal [contra anarquistas] foi lançada [Artigo §129 do Código Penal Alemão], incluindo um mandado de busca.

Vamos atacar o militarismo!

Pela anarquia!

[Ingredientes e instruções: Garrafa de um litro, com 2/3 de óleo de motor e 1/3 de gasolina. Uma garrafa de um litro de gasolina. Acendemos tudo isso com uma garrafa de meio litro de gasolina, à qual foram fixados arrancadores de fogo, com abraçadeiras plásticas para cabos. Colocamos tudo isso nos feixes de cabos que vão do gabinete de controle até a torre. Dito isto: se você estiver em uma área ocupada, use motores de partida com retardo].

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2022/05/09/leipzig-germany-db-relay-antenna-burned-down-attack-militarism/

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

Num galho seco,
Um corvo pousado.
Tarde de outono.

Bashô

 

 

[Espanha] ‘La maleta’, um livro para recuperar a memória do anarco-sindicalismo e das lutas dos trabalhadores

Josep Pimentel mistura realidade e ficção em ‘La maleta’, através da qual percorre a revolucionária Barcelona de 1936, a Frente Aragão e as coletivizações.

Por Candela Canales | 16/04/2022

Eliseo é um trabalhador, filho de migrantes do sul da Espanha, que se mudou com sua família para Barcelona no primeiro terço do século XX, primeiro no bairro chinês e depois no bairro da classe trabalhadora de Poblenou. Ele é “um exemplo de um anarco-sindicalista que se tornou um anarco-sindicalista através das lutas dos trabalhadores na fábrica”.

Sua história não é uma história verdadeira como tal, é um compêndio de histórias de diferentes pessoas que Josep Pimentel fundiu para falar sobre o anarco-sindicalismo e as lutas dos trabalhadores.

A viagem de Eliseo vai da fábrica de Barcelona, onde ele começou a luta obreira, até a frente de Aragão, onde chegou como parte da Coluna Ortiz. “Eu não queria fazer guerra, eu queria participar da construção da revolução. Eu sabia que para fazer isso era necessário esmagar o fascismo e é por isso que decidi juntar-me à Coluna Ortiz com a intenção de participar dos coletivos agrários”, relata Pimentel no livro.

Ele também destaca a coletivização, que foi “muito importante” em Aragão, “especialmente nas áreas que aparecem no livro”. Eu me concentrei em Oliete, Hijar, Alacón e Albalate porque eles têm sido áreas um tanto esquecidas e eu queria dar-lhes a importância que merecem”.

“Sua história, seu nascimento e sua história familiar é inspirada por Pedro García Martínez, que é uma pessoa que viveu eventos similares aos vividos por Eliseo. Sua personalidade e parte da história que ele explica é inspirada por outras pessoas ou situações nas quais Pedro não participou, e também por documentos de arquivo. Ela tem algo de minha mãe, que morreu de câncer pancreático, uma doença de que Eliseo sofre. E também tem um pouco de muitas das histórias pessoais que conheci e li ao longo de minha vida, daqueles trabalhadores que lutaram por um mundo melhor e o conseguiram, mesmo que tenha sido por um pequeno período de suas vidas”, explica Pimentel.

“O objetivo do livro era reconstruir a história do anarco-sindicalismo e das lutas dos trabalhadores, tudo através de vários personagens que caracterizam algumas das figuras ou correntes que compõem o movimento operário e mostrar a versão dos “esquecidos pela história, para dar voz àqueles que não a tiveram”.

Pimentel enfatiza o quanto a recuperação da memória histórica está se mostrando cara no campo do anarco-sindicalismo. “A parte republicana ligada aos partidos políticos havia sido recuperada, mas a parte ligada ao anarco-sindicalismo havia sido muito menos tocada, tendo em mente que o movimento da CNT havia sido o movimento de trabalhadores mais poderoso da Europa”.

“Todos temos histórias e muitas delas foram armazenadas em malas velhas, que se perderam no decorrer da história. Chamar o livro ‘A Mala’ é uma forma de falar do esquecimento, do silêncio, do fato de muitas pessoas terem sido silenciadas por causa da repressão e do silêncio”, explica o autor.

Pessoas comuns

Para isso, Pimentel concentra seus estudos nas pessoas de base, “que não tiveram a oportunidade de compartilhar sua voz, que é outro dos objetivos, de fazer das pessoas comuns os protagonistas da história”.

Não apenas a história de Eliseo, Pimentel cria três personagens que encarnam os principais perfis dos trabalhadores combatentes da época. Flora é de origem aragonesa, ela é de uma família de campo que se estabelece em outro bairro de Barcelona e seus pais e família estão ideologicamente envolvidos através dos grupos excursionistas ou das escolas.

Também faz parte da história Sebastián, uma pessoa de classe média alta originária do interior de Tarragona que, em nome dos ideais, decide renunciar aos privilégios de sua família.

Aparece outra figura, Karl, um brigadista internacional que vem à Espanha para lutar contra o fascismo, encarna muitos dos lutadores pela liberdade e contra o fascismo, o idealista romântico que vem pelas ideias e que quer participar da revolução para deter o fascismo. “Foi uma geração única e irrepetível de homens e mulheres. Eles eram nossos irmãos. Eles entenderam que uma batalha crucial estava sendo travada contra o fascismo no anel peninsular e que tinha que ser travada”, diz Pimentel.

Fonte: https://www.eldiario.es/aragon/cultura/maleta-libro-recuperar-memoria-anarcosindicalismo-luchas-obreras_1_8917693.html

Tradução > Liberto

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Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[São Paulo-SP] Relato da manifestação em solidariedade aos yanomami

PEQUENO REGISTRO DA MANIFESTAÇÃO EM SOLIDARIEDADE AO POVO YANOMAMI E CONTRA O GARIMPO

Na última segunda-feira, dia 9 de maio de 2022, ocorreu em São Paulo (SP), junto com Porto Alegre (RS), manifestação em solidariedade ao povo yanomami, que vem sendo mais uma vez alvo de ataques de garimpeiros. Santos (SP) e Brasília (DF) haviam realizado manifestações dias antes. Em um momento no qual a discussão sobre eleições que se aproximam impregna de maneira rançosa o ar – monopolizando as discussões, produzindo um falatório sem fim em defesa deste ou daquele candidato como salvação para os problemas – os povos indígenas seguem sangrando.

Neste contexto, a manifestação em São Paulo reuniu centenas de pessoas atrás de uma faixa que dizia “Bra$il é terra indígena! – FORA GARIMPO!”, sem carro de som ou aparelhamento partidário, interrompendo o fluxo da maior avenida da cidade de São Paulo, símbolo do capitalismo e do domínio urbano sobre a terra. Se para muitxs pode parecer sem sentido a realização de uma manifestação dessa em meio à uma glamourosa avenida de uma grande cidade, sinal do progresso econômico e civilizatório, para nós não haveria lugar mais simbólico: esta e todas as cidades são um imenso símbolo de destruição, de violência CONTRA esta terra e aos povos que a habitavam e a habitam, violência colonial, e, portanto, nada mais preciso do que lembrar que tudo aqui é terra indígena.

A manifestação reuniu pessoas de diferentes povos e apoiadorxs solidárixs que saíram às ruas frente ao intolerável da situação em que vivemos. Como nós anarquistas reafirmamos há mais de um século, solidariedade é mais do que palavra escrita; não começa e nem morre nas telas de um computador ou celular. Diversas falas reiteraram que a violência aos yanomami ou aos demais povos originários não é algo novo: é parte de um processo colonial em curso desde 1500, quando esta terra foi invadida pelas caravelas européias.

Varias falas durante o ato reafirmaram que enquanto a maioria espera uma suposta salvação que ocorreria em outubro nas urnas, o duplo capitalismo-estado, indissociável um do outro, segue expandido seu projeto de devastação e extermínio. Na terra, monocultivo e latifúndio; no modo de vida, dominação e uniformização, padronização com base no modelo de cidadão democrático, à espera de um líder que nos salvará. E pra quem escapa desse modelo ou é um obstáculo à sua expansão, sobra a violência, o ataque, a denúncia, a agressão, o silenciamento, a morte.

Ao caminharmos, foi impossível não lembrar que no entorno de todos aqueles gigantes de pedra e aço correm rios; embaixo dos prédios e das calçadas brotam plantas que, com suas raízes, seguem criando rachaduras permanentes no cimento. E aqui não há metáfora, idealização ou romantização. Basta ver. Não há nada mais concreto. Apesar de uma aparente estabilidade, este sistema, esta cidade, esta forma de vida chamada de civilizada, não são eternos e vão ruir.

Tudo aqui é terra indígena!

NÃO AO GARIMPO!

Solidariedade aos povos em luta!

furiosxs em algum canto da cidade,

12 de maio de 2022.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2022/05/12/video-e-relato-de-ato-em-solidariedade-ao-povo-yanomami-e-contra-o-garimpo/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/06/sao-paulo-sp-ato-em-solidariedade-aos-yanomani-09-de-maio/

agência de notícias anarquistas-ana

A libélula,
Sem conseguir se agarrar
A uma folha de capim.

Bashô