[EUA] Lançamento: “There Is Nothing So Whole as a Broken Heart Mending the World as Jewish Anarchists”, de Cindy Milstein

“Não há nada tão completo quanto um coração partido remendando o mundo como judeus/judias anarquistas”

“Um poema e uma nota de amor, uma canção de oração e um protesto, uma tentativa de consertar um mundo em chamas com o melhor das tradições judaicas, anarquistas e anarquistas judaicas.” – Dan Berger, autor de Captive Nation: Black Prison Organizing in the Civil Rights Era

Por meio de histórias ao mesmo tempo poéticas e comoventes, Não há nada tão completo quanto um coração partido oferece um elixir poderoso para todes que se rebelam contra a violência sistêmica e a injustiça. A renovação contemporânea do anarquismo judaico baseia-se em uma história de sofrimento, que vai desde a escravidão e o deslocamento até o nacionalismo branco e o genocídio. No entanto, também extrai da resistência, força, imaginação e humor ancestrais – todas as qualidades e sabedoria, extremamente necessárias hoje. Esses ensaios, muitos escritos a partir de perspectivas feministas e queer, viajam em traumas passados ​​e contemporâneos de maneiras que são humanizantes e curativas. Eles constroem pontes do luto agridoce para a rebelião e a alegria. E por meio de ilustrações concretas de como anarquistas judeus e judias amorosamente transformam seus próprios rituais, práticas culturais e políticas, que iluminam claramente o caminho para consertar a nós mesmos e ao mundo.

Cindy Milstein é autora de Anarchism and Its Aspirations; e editora das antologias Taking Sides: Revolutionary Solidarity and the Poverty of LiberalismRebellious Mourning: The Collective Work of GriefDeciding for Ourselves: The Promise of Direct Democracy.

Mais louvor para There Is Nothing So Whole as a Broken Heart:

Não há nada tão completo quanto um coração partido é um kadish de tirar o fôlego para todes que vivem a visão revolucionária que radicais judias e judeus sonharam ser possível. Isso leva ao cerne de uma tradição que devemos redescobrir, uma história que é simultaneamente particular e universal: nós podemos sobreviver se fizermos isso juntes.” – Shane Burley, autora de Why We Fight: Essays on Fascism, Resistance, and Surviving the Apocalypse

“Neste momento de ressurgimento do fascismo e do autoritarismo, a relação fundamental entre o anti-semitismo e a anti-negritude é mais nítida e aparente do que nunca. A vibração desta coleção articula não apenas uma base para a solidariedade em lutas compartilhadas contra a supremacia branca, mas também os vastos imaginários e potencial de fazer mundo na diversidade da expressão cultural judaica e pensamento radical – especificamente anarquista. Como uma anarquista negra, eu não poderia estar mais grata pela generosidade, vulnerabilidades e amor feroz e inabalável pela humanidade compartilhados nestas páginas.” – Zoé Samudzi, co-autora de As Black as Resistance: Finding the Conditions for Liberation

“Os textos aqui reunidos são marcantes por sua riqueza literária e abertura emocional, despertando dor e consolo, percepções e outras questões… Uma experiência de leitura altamente gratificante que irá agradar muito além da interseção judeu-arquista.” – Uri Gordon, co-editor do The Routledge Handbook of Radical Politics

Não há nada tão completo quanto um coração partido oferece um novo arquivo ardente do anarquismo judaico. Essas vozes expandem uma tradição desafiadora: falam da perturbação do cuidado, do trabalho de luto e dos prazeres da sobrevivência. Conforme o fascismo e o anti-semitismo aumentam, esses poetas, rabinos e organizadores buscam urgentemente outro mundo através deste.” – AE Torres, autor de Horizons Blossom, Borders Vanish: Anarchism and Yiddish Literature

“Este livro pergunta como as gerações modernas de anarquistas judeus e judias estão lutando contra o fascismo crescente, a supremacia branca e o anti-semitismo, e levanta as ferramentas culturais específicas que trazemos para o trabalho de reparar (ou talvez reimaginar) o mundo em constante mudança. Hoje o livro é um espelho; amanhã, uma nova janela para o arquivo dos anarquistas judeus ao longo da história.” – Ezra Berkley Nepon, autora de Justice, Justice Shall You Pursue: A History of New Jewish Agenda

“Como o pensamento e a organização judaica esquerdista hoje testemunham um ressurgimento, esta coleção fornece um importante documento de sua corrente anarquista.” – Treyf Podcast

There Is Nothing So Whole as a Broken Heart Mending the World as Jewish Anarchists

Cindy Milstein

Editora: AK Press

ISBN-13: 9781849353991

$14.25

akpress.org

Tradução > Bakira

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agência de notícias anarquistas-ana

Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Pela legítima libertação de nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva

Desde a Confederação Nacional do Trabalho, aderida à Associação Internacional dos Trabalhadores, CNT/AIT, iniciamos uma campanha no Estado espanhol pela legítima libertação de nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva, uma campanha que manteremos até sua libertação por meio de todas as ações de difusão e luta que sejam necessárias.

Gabriel está injustamente preso há mais de 30 anos. Ele é um dos prisioneiros mais antigos da Europa, cumprindo uma sentença que se tornou uma condenação de prisão perpétua disfarçada. Exigimos ao Estado espanhol a aplicação de suas próprias leis, assim como a cessação desta vingança política e institucional que revela a arbitrariedade de seu autodenominado “Estado de direito”.

Pedimos aos indivíduos e organizações solidárias que apoiem a campanha e se mobilizem para alcançar o objetivo de ver Gabriel nas ruas. Em pé de luta, desde este caso concreto, a todo o sistema punitivo institucional, sem esquecer todas as pessoas que hoje sofrem as conseqüências deste sistema.

O novo mundo nasce da solidariedade e depende de nossa capacidade para defendê-lo unidos.

Viva a anarquia!

CNT/AIT

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Onde começa, onde acaba
a cabeça, a cauda
da serpente do mar?

Kyorai

 

[Chile] Nossa resistência será contra toda forma de poder

Nós, os proletários (a classe que só possui sua força de trabalho para sobreviver e que mais sente a exploração capitalista), na luta por nossa emancipação e abolição das relações sociais capitalistas, devemos avançar na construção – de maneira autônoma dos partidários da ordem atual – de nossos próprios órgãos de classe que nos permitam superar as estruturas que nos oprimem e assim obter o controle de nossas vidas.

Cremos que a representatividade nas instituições do Estado e a obtenção de reformas, não significam nenhum avanço real no caminho de nossa emancipação. O Estado e seus poderes não são ferramentas neutras que possam ser utilizadas à vontade por quem esteja nos cargos. Este tem a função de assegurar a manutenção e perpetuidade do domínio do Capital. Reprimir e disciplinar são atributos inerentes do capitalismo, independentemente dos governantes de turno.

O 18 de outubro nos demonstrou que na ação organizada de maneira autônoma é possível transformarmos nossas vidas e velar pelas necessidades de nossa classe, o que o caminho institucional jamais se aproximou. Por isso, é importante continuar com a construção e fortalecimento de órgãos autônomos e entender que não haverá saída para a nossa miséria se confiarmos nas estruturas que propiciam o capitalismo para sua sobrevivência, mas sim em nossa própria capacidade de superar a dominação capitalista. Assim como também projetarmos e elaborarmos nosso próprio programa emancipatório.

Só com autonomia de classe avançaremos na construção de uma autêntica força capaz de acabar com a miséria imposta em nossas vidas.

A dominação não chegará ao fim de seus dias ampliando-a constitucionalmente.

Assembleia Libertária Santiago

Tradução > Sol de Abril

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Partitura alegre:
cai a chuva sobre o charco
no ritmo dos sapos.

Anibal Beça

Tigre Libertário elabora arquivos sobre pederastia na Igreja Católica Espanhola

Pederastia na Igreja Católica Espanhola (Arquivos)

Propusemos a elaboração de uma série de arquivos com algumas das principais pederastias da Igreja Católica Espanhola. O trabalho tem sido uma compilação e síntese de toda a documentação à qual tivemos acesso, principalmente em bibliotecas de jornais online de diferentes mídias. É um trabalho em andamento, lento, onde os arquivos serão atualizados à medida que novos dados dos casos conhecidos forem surgindo, ou outros desconhecidos até o momento.

A razão de ser destes arquivos é garantir que eventos de tal gravidade não caiam no esquecimento e, ao mesmo tempo, dar-lhes a mais ampla divulgação possível. Por outro lado, esperamos que este trabalho nos ajude a entender como estes predadores sexuais operam. Em nossa memória, todas as vítimas que sofreram tais abusos. Com nosso respeito, afeto e admiração pela bravura e coragem de todos aqueles que um dia decidiram denunciar.

Para acessar os arquivos, vá para o menu suspenso na página inicial do blog e clique em “Pederastia na Igreja Católica”.

Saúde.

tigrelibertario.home.blog

Tradução > Liberto

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chuva na rua
lágrimas nos olhos
orvalho da dor…

Carlos Seabra

[Suécia] Muito além da foto: Danuta Danielsson, a mulher que deu bolsada em um neonazista

Em 1985, Danielsson golpeou um skinhead durante protesto de Membros do Partido do Reich Nórdico nas ruas de Växjö, na Suécia

Por Fabio Previdelli

Em 13 de abril de 1985, Membros do Partido do Reich Nórdico (NRP) tomaram as ruas de Växjö, no sul da Suécia. Com cartazes nas mãos, os neonazistas aterrorizavam os habitantes locais.

No entanto, uma mulher não tinha medo, muito pelo contrário, foi fonte de resistência e, ao invés de ficar parada assistindo o ato, correu em direção a um skinhead e lhe atingiu com a bolsa na parte de trás da cabeça. Nesse instante, Hans Runesson apertou o botão de sua máquina fotográfica e registrou um dos momentos mais simbólicos de luta contra a extrema-direita.

Contexto

A responsável pelo golpe só fora conhecida mais tarde: era Danuta Danielsson, de 38 anos. A ação não foi algo irracional ou coisa de momento, muito pelo contrário: era um grito que já estava engasgado há anos e que veio em forma de revolta e vingança. Afinal, sua própria mãe havia sido vítima de atrocidades em um campo de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial.

A foto em preto e branco foi estampada no dia seguinte na capa do diário sueco Dagens Nyheter. Mais tarde, a imagem ganhou notoriedade na imprensa britânica e, mesmo sem o recurso das mídias sociais, Runesson ficou cada vez mais popular.

A “Mulher dando bolsada em neonazista”, como ficou conhecida, foi eleita a “foto sueca do ano” em 1985 e, posteriormente, acabou premiada como “foto do século” pela revista Vi e pela Sociedade de Fotografia Histórica da Suécia.

O que aconteceu com os personagens?

Apesar do protagonismo positivo em relação a foto, Danuta jamais pensou em se tornar famosa como a mulher que deu uma bolsada em um neonazista e sempre evitou contatos com a imprensa.

Ela jamais conseguiu lidar com toda a publicidade que o registro causou em sua vida. Deprimida e isolada em casa, se suicidou dois anos depois da fotografia ser tirada, quando tinha 41 anos.

Já o skinhead que foi atingido, conhecido como Seppo Seluska, foi condenado meses depois por homicídio e por torturar um judeu homossexual. O Partido do Reich Nórdico chegou a concorrer as eleições legislativas do país, mas teve poucos votos — ficando de fora do órgão sueco. Em 2009, o NSP foi dissolvido, 30 anos após o evento em Växjö.

Homenagem a Danuta Danielsson

Em 2014, a escultora sueca Susanna Arwin fez uma pequena estátua de Danielsson enfrentando o neonazista, e tinha a intenção de reproduzir uma em tamanho real para fixá-la na praça onde tudo aconteceu. Mas as autoridades locais entendiam que ela representaria uma glorificação da violência. “Não podemos aceitar que uma pessoa bata noutra por não gostar dela”, disse a vereadora Eva Johansson ao Washington Post.

Apesar da polêmica, a estátua foi colocada na cidade sueca de Gotemburgo e a imagem de Danuta ficou eternizada em diversos grafites pela cidade — e também na história da região.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/muito-alem-da-foto-danuta-danielsson-a-mulher-que-deu-bolsada-em-um-neonazista.phtml

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/13/danuta-danielsson-a-sueca-que-deu-uma-bolsada-na-careca-de-um-neonazista/

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Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.

Guilherme de Almeida

[Espanha] Esporte, sociedade e homofobia

Hoje li uma notícia sobre um jogador profissional de polo aquático, que aparentemente disse há algum tempo que gosta de caras e que se dane qualquer um que não o aprove. Em certo momento da partida, houve um certo argumento, e um rival cretino gritou com ele: “Cala a boca, seu marica!”. Isto, que já é irritante o suficiente se tivesse permanecido em um momento de calor no meio de uma disputa esportiva, não terminou aí e o idiota homofóbico, longe de pedir desculpas no final da partida, reiterou o insulto. Como se supõe que a sociedade avançou muito, em matéria de respeito aos gostos sexuais de cada um, a notícia é bastante surpreendente e muitos são rápidos a pedir alguma medida disciplinar sobre o estúpido insulto macho. Para aqueles que seguem este blog, vocês saberão que não sou nada amigo de medidas repressivas, embora existam muitas maneiras de punir comportamentos que afetam outros, e não passam necessariamente pela intervenção de uma autoridade coercitiva superior. Infelizmente, este homem que “saiu do armário” (e isso não deveria mais ser necessário, temos simplesmente que normalizar e que se dane quem não gosta!), me dá a impressão de que ele é uma exceção no mundo competitivo profissional, tão cheio de “virilidade”, por isso o assunto convida à reflexão.

Particularmente, desde muito jovem, acredito que sem ser ensinada de nenhuma forma, sou uma pessoa muito sensível à questão do estado sexual ou dos gostos, bem como à questão da identidade pessoal em geral. Posteriormente, descobri a teoria queer, sobre como, como tantos outros aspectos da identidade, a identidade sexual é, em grande parte, um produto da sociedade e do ambiente em que nos desenvolvemos. Muito interessante e, embora tenha havido críticas, e é claro que o debate está sempre aberto sem imposições categóricas, acho que é algo a ser levado em conta na construção de uma sociedade libertária. O fato é que em minha já longa vida vivi situações muito semelhantes àquela que narrei em que a palavra “bicha” é usada como arma, talvez, para estabelecer a suposta masculinidade da pessoa que a usa em sua muito pobre visão de vida. Lembremos que, oficialmente, a homossexualidade era considerada uma doença até pouco mais de 30 anos atrás; sim, na Espanha viemos de um regime repulsivo e abertamente discriminatório, do qual este atual se endividou até certo ponto, mas foi o conjunto das sociedades humanas, mesmo as mais “democráticas”, que considerou o diferente como uma anomalia. Nem sempre foi assim, nem tem que ser, e estou falando de muitos aspectos da sociedade que gostaríamos.

Anedotas como a que narrei no início deste texto, temos vivido todas as nossas vidas através de imbecis (e não apenas reacionários, o que é sempre surpreendente). Por quaisquer razões, muitas pessoas ainda se surpreendem que duas pessoas do mesmo sexo se beijem, são condescendentemente surpreendidas que há tantas pessoas que saíram do armário nos últimos tempos ou, na pior das hipóteses, são rápidas a recorrer ao insulto habitual, o que torna seu conceito de “normalidade” muito claro para elas. Ainda ontem, em um café, ouvi um cara dizer a outro cara: “Quando você se tornou um marica? Ele não estava se dirigindo a alguém gay, mas era obviamente um comentário jocoso (e um pouco antiquado), típico de outros tempos, que ainda estão no ar; desta vez eu decidi fazer com que ele visse, e asseguro que não sou amigo do “politicamente correto” (espero que você entenda que este não é o ponto), mas o homem, de uma certa idade, não entendeu nada e me disse que estava se dirigindo a um amigo em tom de brincadeira. A questão é que, voltando ao mundo do esporte, a exceção ainda é alguém que normaliza seu gosto sexual; em uma competição de massas, como é o maldito futebol, nem uma única pessoa saiu do armário. E não é surpreendente, já que os estádios, quando se encherem novamente, se tornarão novamente pontos focais alienantes onde as massas aliviam suas pobres cargas existenciais, insultando em todos os lugares. Um produto de uma sociedade que temos, que talvez não tenha avançado tanto.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/deporte-sociedad-y-homofobia/

Tradução > Liberto

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o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

Live | Maria Firmina dos Reis: primeira romancista do Brasil

Domingo agora, dia 16 de maio, às 16 horas a Tenda de Livros recebe no nosso canal do Youtube Juliane Sousa e Luciana Diogo para uma conversa com Daniella Origuela sobre Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista do Brasil.

A Live é o último episódio de “Já existiam publicações antes do mercado”.  O primeiro episódio discutiu a origem dos impressos no Brasil, sua circulação e a relação com os livros, e nos conduziu a pensar, inclusive, sobre as relações entre o anarquismo e a tipografia no que diz respeito à produção e circulação. O segundo episódio foi sobre Edgard Leuenroth, anarquista e publicador. E domingo é sobre Maria Firmina dos Reis: ela nasceu em São Luís, no Maranhão no século XIX.

Considerada a primeira romancista brasileira, Maria Firmina em 1847, aos 22 anos,  foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária, sendo assim também a primeira professora concursada de seu Estado. O romance “Úrsula”, impresso na Typographia do Progresso, consagrou Maria Firmina como escritora e também foi o primeiro romance da literatura afro-brasileira. Úrsula teve quinze edições: a primeira em 1859, a 2ª edição é datada de 1975, edição fac-similar pela Gráfica Olímpia – RJ. Também foi lançada pela Editora Presença/INL-Brasília),  pela Editora Mulheres – SC), Companhia das letras e Figura de Linguagem, entre outras.

Maria Firmina colaborou com o jornal A Imprensa, jornal Jardim das Maranhenses, Revista Maranhense, Pacotilha e Diário do Maranhão. A tipografia no Maranhão foi instalada no Império e sua atividade cultural de produção de livros e jornais era vasta no séc. XIX.

>> Já se inscreva no nosso canal, ative o sininho por lá:

https://www.youtube.com/channel/UCKr5pDFJvFgIYfBrf46nAbQ

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/29/live-edgard-leuenroth-um-anarquista-da-publicacao-e-da-memoria/

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vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

13 de Maio: a resposta ao Estado racista e seu genocídio é organizar a rebelião negra e popular

“Quanto a aqueles massacres locais, periódicos, malditos a qual todos vocês estão sempre vulneráveis, vocês precisam se vingar deles do seu próprio jeito. […] Esse é o começo do respeito! Vocês não são, de forma alguma, indefesos. Pois a tocha do incendiário, que se sabe ser capaz de mostrar a assassinos e tiranos a linha do perigo, a qual eles não podem atravessar com impunidade, não pode ser tirada de vocês.” – Lucy Parsons, histórica dirigente operária e revolucionária afro-indígena dos EUA.

Vivemos uma situação de massacre permanente contra o povo. Por um lado as milhares de mortes diárias por Covid-19, com a intenção deliberada dos governos e dos capitalistas, especialmente do governo fascista e genocida Bolsonaro/Mourão. Por outro, prosseguem as matanças e chacinas contra o povo negro e pobre nas favelas e periferias do país, que se somam ao avanço da situação de miséria e fome, ao maior nível de desemprego da história, aos despejos desumanos e a violência contra camponeses pobres e os povos indígenas, em uma guerra aberta e permanente do Estado brasileiro a serviço dos ricos contra o povo pobre e a classe trabalhadora no país.

A Chacina do Jacerezinho é um episódio brutal dessa guerra contra o povo pobre e do genocídio negro no Brasil. Uma operação ilegal, a serviço das milícias e dos corruptos e fascistas que estão no poder. O terrorismo de Estado que deixou 29 mortos no Jacerezinho é extermínio programado, os governos de Bolsonaro e Cláudio Castro dão seguimento as políticas genocidas dos governos do PT/PMDB, com o encerramento em massa e as UPPs, que transformaram o Rio de Janeiro em um laboratório da guerra racial e neoliberal contra negros e pobres, com uma política inédita de ocupação militar de territórios racializados que nem mesmo a ditadura militar-empresarial fez.

O massacre no Jacarezinho não pode ser visto de forma isolada, pois faz parte da dinâmica da dominação capitalista e racista no Brasil, onde a brutalidade policial, o extermínio, os massacres e o genocídio negro são políticas de Estado e não apenas decisões de governos, variando sua intensidade de acordo com as gestões de turno, mas que permanecem inalteradas em sua essência.

Os massacres nas favelas brasileiras são também parte do genocídio transnacional contra os povos. Com tropas treinadas nos massacres da famigerada Minustah no Haiti, utilizando a tecnologia sionista-israelense do apartheid palestino e as táticas de guerra suja do Estado militarizado da Colômbia, tudo obviamente sob coordenação do principal inimigo da humanidade, o imperialismo estadunidense.

Bolsonaro e Cláudio Castro, são dois facínoras, que tem obviamente interesses diretos na Chacina do Jacerezinho, para fortalecer as milícias e rivalizar com a decisão do STF que regulamenta as operações em favelas, mas os massacres têm uma lógica mais profunda que unifica toda a cadeia de dominação burguesa. As polícias matam, a grande mídia justifica, o poder executivo legitima e o judiciário é cúmplice.

Racismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda, como nos avisou Steve Biko, por isso o capitalismo brasileiro, estruturado pela escravidão e pelo ódio antinegro se entrelaça com a lógica do programa neoliberal e a necessidade em queimar capital variável e aumentar os níveis de exploração, reduzir o exército de reserva de desempregados, ao mesmo tempo em que controla através da brutalidade policial e do terror institucional o proletariado marginal e a revolta contra a situação de miséria, fome e desemprego que o governo fascista Bolsonaro/Mourão vem aprofundando.

Construir a Greve Geral e organizar a rebelião negra e popular precisa ser a nossa resposta ao Estado brasileiro e aos governos genocidas. Nesse 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo reafirmamos a necessidade da construção da autodefesa comunitária como nosso caminho para enfrentar a brutalidade policial e pôr fim aos massacres de nosso povo. Exigimos o fim da polícia assassina e das operações e massacres nas favelas, da violência no campo e dos despejos, nos solidarizamos com os povos em luta contra o genocídio transnacional também na Colômbia, no Haiti e na Palestina.

Campanha Nacional pela Greve Geral

Brasil, 13 de maio de 2021.

lutafob.org

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vento de outono
a silenciosa colina
muda me responde

Matsuo Bashô

[Espanha] “Anarquismo: la utopía vive, la lucha sigue”

Novo documentário pelas mãos de Manu Tomillo sobre o movimento ácrata

Alguns dias após o 1º de maio e em plena jornada de reflexão em Madrid, “Carne Cruda” submerge na utopia possível: anarquismo, passado, presente e futuro.

Um novo documentário sonoro dirigido por Manu Tomillo no qual visitamos a Fundação Anselmo Lorenzo (FAL, o maior arquivo dedicado ao anarquismo e ao pensamento libertário na Espanha). Falamos com Antonina Rodrigo, historiadora anarquista de 86 anos, e com Layla Martínez, escritora do ensaio “Utopía no es una isla”, um texto fundamental sobre a necessidade de pensar novas utopias para construir aquele “mundo novo” de Durruti.

Também falamos com Cuellilargo, youtuber libertário valenciano, sobre como novas linguagens podem aproximar um pensamento tão antigo às novas gerações. E fomos à Federação Anarquista de Gran Canaria para conhecer a experiência de “La Esperanza”, uma coletividade de moradias nas quais vivem aproximadamente 1000 pessoas em Gran Canaria de maneira horizontal e assembleária.

E se há uma editora anarquista por excelência é “La Felguera”, então para a sobremesa, seu fundador Servando Rocha vem nos contar segredos anarquistas do subsolo.

>> Para ouvir o documentário sonoro, clique aqui:

Fonte: https://www.eldiario.es/carnecruda/programas/anarquismo-utopia-vive-lucha-sigue_132_7886537.htm

Tradução > Sol de Abril

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Chuva no lago
cada gota
um lago novo

Alice Ruiz

[Itália] Verdade e justiça para Fares! Você não pode morrer de um controle policial!

A Federação Anarquista de Livorno e o Coletivo Anarquista Libertário expressam sua simpatia à família e amigos de Fares S’Ghayer, um jovem tunisiano de 25 anos que morreu durante um controle policial na noite entre 24 e 25 de abril. Parece incrível que perto das praças mais vigiadas e patrulhadas de Livorno, um jovem se afogou sem que ninguém mergulhasse para ajudá-lo.

Apoiamos o pedido de verdade e justiça para Fares, trazidas para as ruas pela manifestação que ontem, 26 de abril, da Piazza della Repubblica chegou à Piazza del Municipio. A manifestação denunciou a frequência das ameaças e da violência durante os controles policiais contra jovens de origem estrangeira. Apelamos para apoiar estes protestos porque é inaceitável que você possa morrer durante uma verificação policial, porque a história de Fares não termina em silêncio.

Todo ato de solidariedade é importante porque para muitos, especialmente nas instituições, algumas vidas contam menos do que outras.

Alguns jornais locais chamaram a manifestação de 26 de abril de “assalto”, “cerco” e “tumultos”, criminalizando-a. A procissão, apesar de várias tentativas de bloqueio pela polícia, presente com caminhões, chegou sem muita tensão na Piazza del Municipio e até mesmo enviou uma delegação à sede da polícia. Por outro lado, alguns meios de comunicação deram espaço e legitimidade às vergonhosas palavras dos poucos expoentes da direita da cidade que se reuniram provocadoramente na Piazza della Repubblica ao mesmo tempo em que os amigos de Fares se manifestavam. Entre os fascistas havia também o conhecido Paolo Pecoriello.

Políticos de vários partidos expressaram solidariedade com a polícia e há até mesmo aqueles que definem como “delirantes” as manifestações e “vandalismo” os escritos de lembrança que chamam à justiça, contra o racismo e a violência policial, que apareceram, juntamente com velas, fotos, mensagens, onde o corpo do jovem foi encontrado.

Para aqueles que nos governam, algumas vidas contam para menos de zero, são o risco calculado. Há aqueles que morrem no trabalho, agora também pela Covid-19, apenas para fazer a economia funcionar e garantir lucros. Há aqueles que morrem no mar, deixados para se afogar, a fim de garantir posições de poder nas relações de força entre os estados. Há aqueles que morrem porque é possível ter algumas mortes nos controles policiais para ter uma força policial pronta para defender os interesses do governo e dos chefes, para garantir o controle militar do território, a fim de alimentar a propaganda securitária.

Sabemos muito bem que aqueles que não têm cidadania italiana arriscam muito em cada verificação policial. Arriscam-se a ameaças e violência, arriscam-se a perder sua permissão de residência, arriscam-se a ser trancados em uma RCP ou a ser repatriados. Não é surpreendente, portanto, se por estas e outras razões alguém quiser fugir de um controle policial. Há situações perigosas que os nascidos na Itália não podem imaginar, mas que a Fares e seus amigos conhecem bem.

Algumas coisas devem mudar nesta cidade. A gestão cada vez mais perseguitiva, agressiva e autoritária da política de “segurança e ordem pública” é inaceitável. Durante algum tempo em Livorno, os soldados do Folgore também são utilizados para operações policiais. Uma medida já em si a ser rejeitada como toda a operação “Strade Sicure”, mas ainda mais no contexto da Piazza Garibaldi exasperou a situação. O que quer que tenha acontecido naquela noite, algumas coisas são certas. A repressão geral na cidade, o medo gerado pelo racismo estatal nos jovens estrangeiros, combinado com um toque de recolher nacional que nada tem a ver com a proteção da saúde, estão na origem da morte de Fares.

Diante dos fatos dos últimos dias, lembramos o que aconteceu em março de 2019, quando o jovem Livornese Michael del Vivo, de 29 anos, dirigindo um ciclomotor, morreu batendo em um carro estacionado durante uma perseguição. Um cruzador da polícia o havia flanqueado pouco antes de perder o controle do ciclomotor, e a dinâmica do acidente nunca foi esclarecida. Nessa noite, três carros entre a polícia e os carabinieri foram lançados em perseguição após cerca de 100 euros terem sido roubados da caixa registradora de uma orla marítima local.

Uma história que é bom ter em mente para entender que não estamos diante de um episódio isolado, pois estas mortes são apenas os casos mais trágicos de uma vida cotidiana muitas vezes feita de abuso, ameaças e violência. Os jovens desta cidade não podem morrer nos controles policiais ou em perseguições. Chega de violência policial. Chega de racismo. Verdade e justiça para Fares!

Federação Anarquista de Livorno

cdcfedanarchicalivornese@virgilio.it

federazioneanarchica.org

Coletivo Anarquista Libertário

collettivoanarchico@hotmail.it

collectivoanarchico.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A tarde é bem quente.
Cansada, boneca ao lado,
menina dormindo.

Humberto del Maestro

[Chile] Novo número de “Confrontación”

Aqui estamos uma vez mais, chegando até lugares impensados em CONFRONTAÇÃO contra toda forma de poder e autoridade. Sim, toda forma de autoridade, incluindo aquela que se disfarça de revolta e “revolução” tentando levar as lutas para novas e velhas formas de tomar, controlar ou construir o poder. Com clara convicção antiautoritária gritamos sem cansaço: Nem mandar nem obedecer, atacar e destruir toda forma de poder!

Desde a anarquia seguimos agitando e refletindo, neste número, sobre a extensão do controle e as respostas ante a repressão, sobre o 29 de Março, sobre a farsa constituinte e as ativações anárquicas.

Pela destruição do existente ou nada!

Jornal Confrontación.

Para contato e/ou apoio em distribuição, escrever para confrontacion@riseup.net

>> Para ler e baixar:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2021/05/confrontacion_7.pdf

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no ar circunvoando
vivo-escarlatas
indolentemente

Sousândrade

Projeto segue a fita. Volume 1 | Edgard Leuenroth e o movimento operário

Estreia 15 de maio de 2021 às 19h00

Ao longo de seus 88 anos de história muitas pessoas passaram pela tribuna do CCS, além das notícias que saiam na imprensa operária e anarquista poucos foram os registros que sobraram sobre essas atividades.

A partir da reabertura do CCS em 1985 xs companheirxs passaram a gravar muitas das atividades em fitas K7 que ficaram guardadas por décadas com os companheiros do Círculo Alfa de Estudos Históricos. Estamos resgatando e digitalizando essas fitas para disponibilizá-las ao público.

Assim, homenageamos companheirxs do passado e damos a oportunidade dxs novxs companheiros conhecerem um pouco de como nossos “velhinhos” pensavam.

Começaremos com o único registro em áudio da segunda fase do CCS, uma maravilhosa palestra de Edgard Leuenroth que, em 1965, com 84 anos de idade veio até o CCS falar sobre a “História do Movimento Operário”.

Em 2016 o CCS lançou a transcrição dessa palestra juntamente com outros textos.

Neste livro trazemos a palestra tratando da história do movimento operário e a análise por ele feita dos desdobramentos das ações anarquistas, dos trabalhadores, do empresariado e do governo. Descreve ainda algumas das lutas, como a pela jornada de 8 horas do 1º de maio, bem como as aterradoras condições laborais, a exploração do trabalho infantil e da mulher, as formas de violência física praticadas dentro do próprio local de trabalho que resultaram nas famosas greves de 1917, antecessoras de uma das maiores “Greves Gerais” da nossa história. Considerando a importância da Greve Geral de 1917 na história do movimento operário e tendo sido o companheiro Edgard Leuenroth preso, acusado e inocentado em decorrência dela, trazemos também outro importante documento: a transcrição da palestra “A Greve Geral de 1917: História e Cotidiano” realizada no CCS em 1992 por Jaime Cubero, Maria Auxiliadora Guzzo Decca e Margareth Rago.

>> Para adquirir o livro:

http://ccssp.com.br/livrariaccs/anarquismo/78-o-movimento-operario-a-greve-de-1917.html

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial

FB: https://www.facebook.com/events/232842268610131/?ref=newsfeed

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acende chama
sorriso no escuro
sol de quem ama

Carlos Seabra

Documentário | Urutau – Resistência Maraka’nã

Em dezembro de 2013, a empresa Odebrecht inicia obras em um dos anexos pertencentes à Aldeia Maracanã, desrespeitando o processo judicial em andamento.

Para evitar a derrubada do prédio, a resistência indígena decide ocupá-lo…

Em 2014, o prédio anexado à Aldeia Maracanã, defendido pelos indígenas e documentado neste filme, foi demolido e transformado em estacionamento durante a Copa do Mundo.

Já fora de exercício, o ex-governador Sérgio Cabral foi preso em novembro de 2016, acusado de receber propina de empresas, entre elas a Odebrecht, em troca da concessão de obras estaduais. A reforma do estádio Maracanã para a Copa de 2014 é uma delas.

Os indígenas continuam lutando pelo manejo da Aldeia Maracanã.

FICHA TÉCNICA

direção, fotografia & som direto

ANDRÉ MIGUÉIS / DINHO MOREIRA / GUILHERME FERNÁNDEZ / TAMUR AIMARA / THIAGO DEZAN / YUSSEF KALUME

som direto adicional

LEO NABUCO

edição & roteiro de montagem

PEDRO PRADO / YUSSEF KALUME

País: BRASIL / Duração: 86′ / Ano: 2017

músicas

SEVERAL SPECIES OF SMALL / FURRY ANIMALS GATHERED / TOGETHER IN A CAVE AND GROOVING WITH A PICT / (Pink Floyd) / TRANSAMAZÔNICA _ sample / (Antonio Adolfo e a Brazuca) / MAYNUMI UIRA / (José Guajajara Urutau) / captação de som: Vitor Ribeiro / CANTO GUARANI-KAIOWA / (Reserva de Dourados) / TXÕDARO DJEROKY / (Coral Guarani das Aldeia Três Palmeiras, Piraque-Açu & Boa Esperança) / MARAKÁ / (Yussef Kalume)

agradecimentos

ANDRÉ LEMOS / ARÃO ARAÚJO / ASH ASHANINKA / ELISA QUADROS / FERNANDO TUPINAMBÁ / FRANCISCO MACHADO / JOSÉ GUAJAJARA URUTAU / JULINA PROVIDENCIA / KAMILO MAURI / (que recuperou o projeto no HD queimado) / KATJA SCHILIRÓ / LUNA DESCAVES / MONICA LIMA / PAULO APURINÃ / POTYRA KRIKATI / RICARDO PITTA / THAIANY GUAJAJARA / UIRA / CARLOS AUGUSTO LIMA FRANÇA

>> Para ver o documentário, clique aqui:

https://m.youtube.com/watch?v=QGU2qA3pjz4

agência de notícias anarquistas-ana

casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta

Carlos Seabra

Sophie Scholl: a corajosa estudante alemã que resistiu a Hitler e foi condenada à morte]

Alemanha celebra centenário de Sophie Scholl que, junto com seu irmão, Hans, e outros membros do grupo Rosa Branca, desafiaram líder nazista.

Seu nome não é muito conhecido fora da Alemanha, mas Sophie Scholl é uma figura icônica em seu país natal e sua história, extraordinária.

Neste fim de semana, muitos vão comemorar o 100º aniversário do nascimento de uma jovem que enfrentou Adolf Hitler e pagou por isso com a vida.

Sua resistência é recontada inúmeras vezes em livros, filmes e peças de teatro. E continua a inspirar as pessoas hoje.

Sophie Scholl nasceu em 1921 em um país turbulento. Mas sua infância foi segura e confortável.

Seu pai era prefeito da cidade de Forchtenburg, no sudoeste (embora a família mais tarde se mudasse para Ulm) e Sophie, junto com seus cinco irmãos e irmãs, foi criada em uma família luterana na qual os valores cristãos eram importantes.

Mas quando ela chegou à adolescência, Adolf Hitler estava governando o país.

‘Não me diga que é para a pátria’

No início, Sophie e seu irmão mais velho Hans apoiaram o Partido Nacional Socialista. Como muitos outros jovens, ele se juntou ao movimento da Juventude Hitlerista do partido e ela à sua organização irmã, a Liga das Meninas Alemãs.

Seu pai, um crítico fervoroso de Hitler, ficou horrorizado com o entusiasmo inicial deles. E a influência da família e dos amigos gradualmente começou a fazer efeito.

Os irmãos, finalmente incapazes de reconciliar suas próprias inclinações liberais com a política do Terceiro Reich, e percebendo a forma como os conhecidos e artistas judeus eram tratados, começaram a ver o regime com olhos cada vez mais críticos.

E na época em que Hitler invadiu a Polônia, Sophie já fazia oposição ao führer.

Enquanto jovens alemães eram enviados para lutar, ela escreveu, com amargura, a seu namorado Fritz Hartnagel, que também era soldado: “Não consigo entender como algumas pessoas continuamente arriscam a vida de outras. Nunca vou entender e acho que é terrível. Não me diga que é para a pátria.”

Sophie seguiu os passos de seu irmão Hans e ingressou na universidade de Munique, onde ele estudava medicina.

Os irmãos tinham o mesmo grupo de amigos, que diziam ter se unido pelo apreço mútuo pela arte, cultura e filosofia. Sophie, que estudou medicina e biologia, gostava de dançar e tocar piano, e era uma pintora talentosa.

Mas aqueles eram tempos violentos. Eles viviam em uma ditadura e estavam determinados a resistir.

‘Não seremos silenciados’

Havia apenas seis membros do grupo Weiße Rose (Rosa Branca, em português), originalmente fundado pelo irmão de Sophie, Hans Scholl, e seu amigo Alexander Schmorell. A eles, se juntaram Sophie, Christoph Probst e Willi Graf, e um de seus professores, Kurt Huber.

Apoiados por uma rede de amigos e simpatizantes, o grupo imprimia e distribuía folhetos, incentivando os cidadãos a resistir ao regime nazista, denunciando o assassinato de judeus e exigindo o fim da guerra.

“Não seremos silenciados”, diz um planfleto, “nós somos sua consciência pesada, a Rosa Branca não o deixará em paz.”

O grupo produziu seu sexto panfleto no início de 1943.

“O nome alemão ficará para sempre danificado se a juventude alemã não se sublevar, vingar e pedir perdão ao mesmo tempo, esmagar seus algozes e encontrar uma nova Europa espiritual.”

Seria o último.

Em 18 de fevereiro de 1943, Hans e Sophie distribuíam os panfletos na universidade.

Não está claro por que Sophie subiu até o último andar que dava para o átrio arejado do prédio principal da universidade e jogou uma pilha de panfletos sobre a balaustrada. A maioria presume que ela queria que o maior número possível de alunos os visse.

Mas, enquanto os papéis caíam no chão, ela foi observada por um zelador que a entregou à Gestapo – a polícia secreta nazista.

Ela e o irmão foram interrogados e, após um julgamento-espetáculo, condenados à morte. Eles se recusaram a trair o restante do grupo, mas as autoridades os rastrearam de qualquer maneira. Em poucos meses, todos os membros foram executados.

Na manhã em que foi para a guilhotina, Sophie, de 21 anos, disse:

“Um dia tão lindo e ensolarado, e eu tenho que ir… O que importa a minha morte, se através de nós, milhares de pessoas são despertadas e movidas para a ação?”

Essas palavras, sua bravura, ainda hoje são honradas na Alemanha, onde escolas e estradas levam seu nome e o de seu irmão. É motivo de pesar para alguns que os outros membros do grupo Rosa Branca sejam homenageados de forma menos proeminente.

E seu nome é facilmente explorado.

Houve indignação quando, há alguns anos, o partido de extrema direita AfD publicou o slogan “Sophie Scholl teria votado no AfD”. Em um comício contra as medidas da covid em Hanover em novembro passado, uma jovem pulou no palco e se comparou a Sophie Scholl.

Mas, no que seria seu 100º aniversário, a casa da moeda alemã está emitindo uma moeda comemorativa, haverá serviços religiosos dedicados e há um novo canal no Instagram dedicado à vida dela.

Muitos alemães refletirão serenamente sobre a vida de uma jovem cuja coragem e convicção ainda movem corações e mentes hoje.

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/sophie-scholl-a-corajosa-estudante-alema-que-resistiu-a-hitler-e-foi-condenada-a-morte,ba85d2a67e26ce6dff7d1ba9a3621dfc8tpt261t.html

agência de notícias anarquistas-ana

Lanternas quebradas
pirilampos precavidos
não vagam na noite.

Urhacy Faustino

 

 

[Chile] O Movimento Solidário Vida Digna relata sua experiência de organização e luta

Somos uma organização territorial de caráter libertário que há mais ou menos 10 anos se desdobra nas comunidades La Bandera, no bairro de San Ramón, José María Caro em Lo Espejo e La Pincoya-El Barrero em Huechuraba, na capital do Chile, Santiago. Atualmente, se federaram iniciativas sociais que agrupam vizinhos através de Escolas Comunitárias, Redes de Abastecimento, Comitês de Afinidades e Assembleia de Mulheres e Homens, onde se pretende trabalhar de maneira integral em nossos bairros populares a construção de comunidades organizadas em resistência. A revolta popular iniciada em 18 de outubro, nitidamente modificou o cenário político no qual nos desenvolvemos como organização.

Isto gerou oportunidades para nos enraizar no território, o que exigiu uma readequação do repertório organizativo que estávamos desdobrando antes de outubro. Assim, nos vemos na necessidade de atualizar a organização do Movimento Solidário Vida Digna, já que tudo está diferente. Nesse sentido, diante das áreas que já vínhamos desenvolvendo no território, como moradia (comitês de afinidades Amo Minha Casa e Angelica Huly em La Bandera, comitê de luta pela vida digna na comunidade José Maria Caro e grupo de afinidades de La Pincoya-El Barrero) e feminismo (Assembleia de Mulheres de La Bandera e Círculo de Mulheres de La Pincoya-El Barrero), se somaram outras inéditas para nossa organização, como abastecimento (Rede de Abastecimento de La Bandera e Rede de La Pincoya) e comunicação (Agitação e Propaganda La Bandera).

Este crescimento e adequação de nossa organização permitiu que nossa estratégia de mobilização e de construção libertária a nível territorial, se projete na criação, fortalecimento e multiplicação de comunidades organizadas em resistência sob a capacidade de autogestionar seus territórios de maneira integral. Esta estratégia é dual, no sentido de prefigurar processos de autoconstrução que alimentem os territórios de autonomia, e gerem projetos alternativos de organização, a par de experiências de lutas e conflitos reivindicativos, associados a problemas e necessidades concretas e pontuais que permitam garantir direitos sociais.

Nesse marco, para conseguir a consolidação das organizações a partir do desenvolvimento de capacidades próprias em nível de autoconstrução, fortalecendo, por sua vez, a luta reivindicativa por direitos sociais, devemos desenvolver diferentes dimensões de luta:

(a) Protagonismo Popular: Esse protagonismo deve ser construído não apenas nas lutas, mas também na vida cotidiana dos comitês de afinidades e toda organização que se considera de base. Esse protagonismo deve ir acompanhado da geração de uma confiança nas próprias forças. As famílias dos Comitês, pessoas sócias da Rede de Abastecimento, mulheres na Assembleia de Mulheres, devem poder olhar para si mesmas e para sua organização com fé em suas possibilidades, saber do que são capazes como grupo organizado, e o que se pode obter com a força da união. A confiança nas próprias forças se gera lutando, obtendo vitórias e lições úteis para continuar a marcha.

Por sua vez, as organizações devem:

(a.1) Se adequar segundo as necessidades e capacidades do território, em virtude de sua própria força e suas capacidades organizativas.

(a.2) Promover a participação na planificação e decisão da comunidade, tornando vizinhos participantes nos afazeres da organização.

(b) Territorialidade e enraizamento: Uma territorialização efetiva da organização deve permitir interagir, incluir e organizar(nos) com as diferentes pessoas atuantes que existam, porque os territórios são a nossa trincheira de luta, onde podemos tecer vínculos de autonomia. Assim, uma perspectiva territorial de trabalho deve estar orientada ao assentamento de movimentos de base com enraizamento comunitário e uma perspectiva de inserção a nível local, que supere formas obsoletas de organização no trabalho e na casa.

Nesse sentido, como as famílias de nossos Comitês de Afinidades em sua maioria pertencem aos territórios onde trabalhamos, devemos apontar ao envolvimento nessas ações de resistências. Pois bem, devemos somar mais pessoas e famílias de nossas comunidades que se bem não pertencem a nossos comitês, estão interessadas em se organizar. Para resistir nesse contexto, devemos gerar outras iniciativas de organização de base para resolver problemas, como as redes de abastecimento, brigadas de agitação e propaganda, o que nos permitirá criar, fortalecer e multiplicar nosso desdobramento e capacidade de luta a nível territorial.

(c) Integralidade: Tanto na convulsão social [estallido] como na atual pandemia, nos damos conta que o desenvolvimento da luta reivindicativa por direitos sociais, como a moradia, se gera protagonismo popular, sozinha não é capaz de fortalecer a autogestão dos territórios e o desenvolvimento e construção de comunidades organizadas em resistência. Insistimos: este cenário de aumento da precarização é uma oportunidade para diversificar as áreas de autoconstrução e ajustá-las às necessidades e ritmos das famílias e territórios, incorporando e convidando mais pessoas para se organizar. Com isso, podemos ter uma perspectiva direta das comunidades no território, e conectando a autoconstrução e a luta reivindicativa com um horizonte político definido.

Considerando tudo isto, acreditamos que é necessário mencionar nossa proposta frente a atual conjuntura, que ainda está se construindo em nossos espaços de base e, portanto, não é definitiva. Distantes do eleitoralismo que muitas organizações sociais e políticas estão calculando a propósito do processo constituinte, como Movimento Solidário Vida Digna, queríamos enfrentar esta conjuntura de outra maneira. Em vez de levar candidatos ao circo eleitoral, nós preferimos iniciar um processo de Campanha de Luta pela Vida Digna, que aproveite o ânimo de politização inaugurado em 18 de Outubro, para fazermos o mais social possível, convocando as organizações sociais a desenhar uma campanha que tenha como norte a construção programática, por um lado, e a coordenação e unidade na luta e ação por outro.

Para finalizar, acreditamos que nos encontramos em um momento onde a audácia, astúcia, agilidade e vivacidade das organizações, dado este contexto de pós convulsão social [estallido] e pandêmico, deve desembocar na criação, fortalecimento e multiplicação de organizações de base de diferentes tipos. Estas organizações devem resolver de forma autogestionária as múltiplas e complexas necessidades que vão surgindo nos territórios, para potencializar a capacidade da comunidade organizada de resistir à atual crise civilizatória, lutando em defesa da vida. Se conseguimos coordenar essa trama social organizada em um Programa de luta e coordenação de ações em um só guarda-chuva, como a Campanha de Luta pela Vida Digna, poderemos enfrentar de melhor maneira a atual conjuntura que se aproxima.

Fonte: Boletim Intermitente Sedición # 8, Santiago de Chile, março 2021. Número completo acessível em https://lapeste.org/wp-content/uploads/2021/03/SEDICION8.pdf

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

no arco-íris
os sonhos coloridos
a chuva leva

Núbia Parente

[Porto Alegre-RS] Toda Policia é Assassina

Duas faixas, cada uma em uma área metropolitana de Porto Alegre (RS), hoje falaram: Toda Policia é Assassina.

Ainda que seja óbvio, lembrar de que Toda Policia é Assassina, diante da chacina que cometeram na Favela do Jacarezinho no Rio de Janeiro (RJ), e da chacina na Colômbia, se faz urgente para lembrar que estamos em guerra.

O armamento pesado, de uso restrito, a preparação profissional em armas, tiro e conflitos, assim como a proteção do Estado, com as quais se beneficiam os policiais, os situa no patamar da covardia quando usam isso tudo atirando para matar contra pessoas feridas, encurraladas e, muitas das vezes, desarmadas.

Todos que defendem a polícia são cúmplices de todas as mortes em mãos do Estado, esses que se apresentam como os bons cidadãos se orgulham do bom comportamento de seus cães de guarda. A maior parte das pessoas somos nada para qualquer bom cidadão.

Mas quem apanha nunca esquece. O Estado e a cumplicidade cidadã alimentam, com motivos que sobram, a vontade de revidar contra eles. 

Nenhuma polícia está isenta de ter sangue em suas mãos, para isso é que são treinadas. E qualquer partido que pretenda o controle do Estado pretende o controle da polícia. Não tem opção, para terminar com os assassinatos policiais precisamos terminar com o Estado. Eis a urgência de entender a guerra social e tomar outra atitude nela, não apenas as de vítimas.

Alguns anarquistas.

agência de notícias anarquistas-ana

minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime