10 veganos queer contemporâneos que você precisa conhecer

Em destaque, os pioneiros éticos que defendem direitos iguais para todxs

Por Z. Zane Mcneill

Veganos são um grupo diversificado. Entre elxs, pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais e assexuais/arromânticos (LGBTQIA) têm se engajado em movimentos de libertação animal. Além de lutar pelos direitos animais, estes incríveis veganos têm uma história de trabalho em favor de uma consistente antiopressão e de luta contra todas as formas de injustiça social, incluindo aquelas em relação a comunidades específicas como queer, trans, negros e indígenas. Em homenagem ao Mês do Orgulho, celebrado em junho, destacamos apenas alguns dos muitos ativistas, artistas e estudiosos que estão fazendo a diferença pelos animais e pelos outros. Se você não está seguindo esses trabalhos inspiradores, vai querer fazer isso agora.

1. LoriKim Alexander

Esta vegana e lésbica assumida de 25 anos é uma antropóloga e experiente bióloga que luta contra o racismo ambiental e pela libertação negra e indígena. Até recentemente, ela era codiretora da ‘BlackCuse Pride’, uma organização de e para pessoas negras trans e queer. Entre outros festivais veganos, Alexander tem compartilhado sua sabedoria como oradora na conferência mundial ‘Veganism of Color’ e na ‘Black Vegfest’ de Nova Iorque.

2. Suzy Gonzalez

Uma artista queer pansexual de origem mexicana, editora de zine e curadora, Gonzalez tem sua arte exposta em galerias dos EUA, incluindo Presa House Gallery, R Gallery e Lady Base Gallery, em San Antonio, Texas; MACLA, em San Jose, Califórnia; e RedLine Contemporary, em Denver, Colorado. Ela é uma das editoras do zine feminista interseccional ‘Yes, Ma’am’; é uma das organizadoras da ‘San Anto Zine Fest’, que congrega a mídia independente; e é uma das metades do coletivo de artistas ‘Dos Mestizx’. Suas obras ‘Tasty Chick’ (2013) e ‘Miss Drumstick’ (2013) foram influenciadas pela estudiosa de ecofeminismo e ativista de direitos animais Carol Adams.

3. Pattrice Jones

Jones é cofundadora do santuário animal administrado por LGBTQIA ‘Vine Sanctuary’, em  Springfield, Vermont (EUA), que cuida de 700 animais e defende a libertação de todos os seres. Ela escreve e faz palestras sobre especismo e suas interconexões com racismo, homofobia e transfobia, incluindo contribuições em capítulos de mais de sete livros sobre libertação animal, ecofeminismo e estudos anarquistas, além de ser autora dos livros ‘Aftershock: Confronting Trauma in a Violent World: A Guide for Activists and Their Allies’ e ‘The Oxen at the Intersection: A Collision’.

4. Julia Feliz

Feliz é uma autora negra indígena não-binária, ilustradora, cientista e “faz-tudo”. É fundadora do ‘Sanctuary Publishers’, uma editora vegana de livros que busca inspirar a transformação para a melhoria do mundo, o que inclui doar uma parte de suas vendas a comunidades marginalizadas. Feliz também administra uma série de sites de justiça social, tais como o NewPrideFlag.comVeganismOfColor.com e NeuroAbleism.com. Como integrante da ‘Sanctuary’, Feliz escreveu e ilustrou os livros ‘Baby and Toddler Vegan Feeding Guide’ e ‘Wild and Free’, além de ter editado as obras ‘Veganism in an Oppressive World’, ‘Veganism of Color’ e ‘Trans and Queer Voices’.

5. Frankie Mouche

Uma vegana autista e não-binária, Mouche administra o blog e as mídias sociais do ‘Queer Vegan’, que cobre tópicos como direito animal, comida vegana, libertação queerfitness e heavy metal. Frankie e seus parceiros de negócios também abriram o café vegano Aubergine, em Cardiff, País de Gales, para criar oportunidades de trabalho a pessoas que vivem com autismo.

6. Margaret Robinson

Robinson é uma bissexual indígena “two-spirit” [1] e pesquisadora que escreve sobre mulheres bissexuais, humanidades mi’kmaw [2], veganismo crítico e estudos críticos de saúde. Como professora assistente de Sociologia e Antropologia Social na Universidade de Dalhousie, em Halifax, Nova Escócia  (Canadá), ela aborda questões como veganismo indígeno e trabalha com organizações de apoio, entre as quais a ‘Toronto Bisexual Network’, ‘Rainbow Health Ontario’ e projeto ‘Risk and Resilience’.

7. Shiri Eisner

Uma bissexual  mizrahi [3], genderqueer e pesquisadora-ativista que mora em Tel Aviv (Israel),  Eisner é autora de ‘Bi: Notes for a Bisexual Revolution’, além de ser uma voz feminista, anarquista e antissionista. Ela está envolvida com os movimentos Palestina Livre, de direitos animais, de libertação queer e de justiça para pessoas com deficiência.

8. Michelle Carrera

Carrera é uma ativista queer porto-riquenha que fundou as organizações sem fins lucrativos ‘Chilis on Wheels’, ‘Vegana de la Comunidad’ e ‘Microsanctuary Resource Project’. Ela acredita no poder da ajuda mútua e do trabalho solidário como chaves para a libertação coletiva. Seu trabalho de justiça alimentar e outros no campo do ativismo de justiça social têm foco no veganismo e em comunidades marginalizadas.

9. Kamekə Brown

Brown é uma womxn [4] queer negra que trabalha no ‘Farm Sanctuary’ de Nova Iorque como gerente de Programas de Justiça Social, os quais envolvem projetos que enfatizam consistente antiopressão em torno de questões de nosso sistema de alimentação. Ela tem mestrado em Mudança Social e participou das obras ‘Veganism of Color’ e ‘A Better World Starts Here: Activists and Their Work’.

10. Jasmin Singer

Esta lista não estaria completa sem a lésbica e defensora da libertação queer Jasmin Singer. Informação completa: Singer é uma editora de longa data do ‘VegNews’. Ela também é cocriadora do podcast de direito animal ‘Our Hen House’, autora do livro de memórias ‘Always Too Much and Never Enough’ e atualmente está trabalhando no próximo ‘VegNews Guide to Being a Fabulous Vegan’. Singer foi incluída numa lista de notáveis ativistas da publicação ‘The Advocate’, é diretora de conteúdo da companhia de beleza Kinder Beauty e participou do Dr. Oz Show e nos documentários sobre veganismo e direitos animais ‘Vegucated’ e ‘The Ghosts in Our Machine’.

>> Zane McNeill é uma  pesquisadora-ativista não-binária, vegana há dez anos e coeditorx de ‘Queer and Trans Voices: Achieving Liberation Through Consistent Anti-Oppression’.

Notas do tradutor:

[1] Two-spirit (“dois espíritos”) é uma identidade de gênero. Indica que o corpo de uma pessoa “two-spirit” abriga, simultaneamente, os espíritos masculino e feminino. A ideia tem origem entre os nativos norte-americanos.

[2] Mi’kmaw é um dos povos indígenas originais do Canadá.

[3] Os judeus mizrahi, também chamados de judeus orientais, são os originários da diáspora que migraram para o norte da África e Oriente Médio.

[4] No inglês, “womxn” é uma grafia alternativa que confronta criticamente a presença dos termos “man/men” (homem/homens) como partes das palavras “woman”/”women” (mulher/mulheres). “Womxn” também pretende incluir em seu significado as mulheres trans e as mulheres não-brancas.

Fonte: https://vegnews.com/2020/6/10-contemporary-queer-vegans-you-need-to-know-about

Tradução > Erico Liberatti

agência de notícias anarquistas-ana

Aqui e ali,
Sobre os campos florescem
As quaresmeiras.

Paulo Franchetti

[Espanha] A representação anarquista no cinema

Por Capi Vidal | 20/06/2020

Não nos cansamos de repetir, com pertinaz e legítima insistência, que o desprestígio das ideias anarquistas é interminável. Assim, é necessário indagar no que o meio de comunicação de massas por excelência, o cinema, representou sobre o anarquismo.

Precisamente, neste longo século que tivemos de representações cinematográficas o mundo “civilizado” se viu tão condicionado pela tecnologia audiovisual, que parecerá mentira para muitos que, não faz tanto tempo, uma corrente socialista com uma visão ampla da liberdade considerava factível a emancipação da classe trabalhadora. Hoje, que as ideias anarquistas devem ser continuamente revisadas para atuar eficientemente sobre as novas sociedades, ainda que nunca rompendo radicalmente com um passado do qual se pode aprender, é preciso esclarecer o que retêm o imaginário coletivo sobre umas ideias que são eminentemente emancipadoras a nível individual e, especialmente não o esqueçamos, coletivo. A menos que nos desviemos, o delírio pós-moderno nos conduz a recuarmos dogmaticamente para a interpretação dos pais fundadores das ideias ou a buscar refúgio em peculiares correntes supostamente anarquistas (ou pós-anarquistas) igualmente desapegadas da realidade. Tudo isso tem um reflexo na representação audiovisual, com mais profundidade que a literária, em uma sociedade pós-moderna que busca fundamentalmente a rápida digestão (e, desgraçadamente, o não menos rápido esquecimento). Para o bem e para o mal, é necessário assumir a situação em que nos encontramos, bem avançados no século XXI. Se de verdade queremos criar uma visão complexa sobre a história, há que indagar no passado e fazer-lhes as perguntas pertinentes para enriquecer o presente.

Assim como em outros academicismos, liberais, conservadores ou marxistas, os historiadores cinematográficos oficiais tenderam a marginalizar o anarquismo e a reduzir sua história a estúpidos lugares comuns. A representação cinematográfica dos anarquistas (Cine e anarquismo, Richard Porton, Gedisa 2001; um livro que teve uma recente revisão) esteve repleta desde o princípio desses mesmos estereótipos, no melhor dos casos, ou de uma aberta demonização em muitos outros. Assim, a grande maioria dos anarquistas é vista no cinema comercial de maneira irracional e violenta. Indivíduos grosseiros, vestidos de negro, com uma bomba na mão, são vistos habitualmente na tela como representação habitual do anarquista. Embora é certo que, em alguns casos de evidente qualidade cinematográfica dito estereotipo é utilizado para perturbar na ocasião uma paz burguesa e uma ordem estatal muito questionável (é o caso do cinema de Buster Keaton ou de Chaplin), se alimentou inevitavelmente do preconceito no imaginário popular. Exceções, agradavelmente surpreendentes, claro, existem e em um discreto filme argentino, “Caballos salvajes” (Marcelo Pyñeiro, 1995), o emotivo ancião ladrão de bancos interpretado por Héctor Alterio se confessa orgulhosamente anarquista (com mais valor, quando o faz ante a acusação de “marxista” por parte de um jovem bem mais reacionário). Como dissemos, são exceções louváveis e é digna de estudo a persistente visão do anarquista como um louco ou selvagem assassino sem escrúpulos. Talvez, a néscia visão criminalista, que contempla o anarquista como um indivíduo com algum tipo de dano cerebral, teve eco nos diretores cinematográficos desde começos do século XX.

Um precedente na literatura, quase contemporâneo a esses inícios do cinematógrafo, é a novela “El agente secreto”, de Joseph Conrad, que reúne todos os preconceitos e estereótipos possíveis sobre os anarquistas, vistos de forma grotesca no universo de dita obra. Parece curiosa a adaptação cinematográfica mais famosa, “La mujer solitaria” (Sabotage, Alfred Hitchcock, 1931), onde se prescinde da ideologia anarquista dos terroristas para potencializar algo que, apesar de certamente antianarquista, se quis ver na novela original: a equiparação entre policiais e criminosos (algo muito ao gosto da obra de Hitchcock). Uma adaptação mais recente, “The Secret Agent”  (Christopher Hampton, 1997), pretendia recriar o ambiente londrino do século XIX, com o mesmo ambiente anarquista presente na novela, ainda que sem muita determinação. Todos esses clichês sobre o anarquismo presentes durante décadas no mundo cinematográfico teve seu lamentável  reflexo pós-moderno, não sabemos se irônico, devido à ambiguidade presente na trama, no filme estadunidense independente “Simple Men” (Halt Hartley, 1992). Trata-se de um road movie no qual dois irmãos buscam seu pai, um espécie de radical dos anos 60, ou melhor um perturbado, que lê passagens de Malatesta como se fossem a verdade revelada.

Com o triunfo da Revolução russa, o anarquismo foi duplamente marginalizado, por parte dos estatistas em sua totalidade e unívoca construção do socialismo e pelo bloco liberal capitalista, onde o ‘demônio vermelho’ ficava exclusivamente representado pelos bolcheviques. O estimável “¡Viva Zapata!” (Elia Kazan, 1952) foi um dos filmes mais curiosos da época, insultado pela parte marxista e enaltecido por alguns como crítica à burocracia estatista e partidária do anarquismo romântico do revolucionário mexicano. Algumas grandes produções comerciais sobre a  revolução bolchevique, como “Doctor Zhivago” (David Lean, 1965) ou “Rojos” (Warren Beatty, 1981), onde se dá voz a Emma Goldman, embora de forma algo ambígua, ainda que mostram o anarquismo de forma minoritária são exemplos na tela de como o socialismo marxista-leninista esmagou as ideias libertárias e estabeleceu as diferenças abismais entre a sociedade civil e o estado. No filme de Lean, uma emotiva cena em um trem reproduz o diálogo entre um bolchevique e um velho libertário: se o  primeiro declara “não quero anarquia”, o segundo faz uma afirmação desafiante: “Viva a anarquia! Sou o único homem livre neste trem, todos vocês são gado”.

No terreno mais estritamente anarcossindicalista, cabe destacar a sinceridade de um filme como “La Patagonia Rebelde” (Hector Olivera, 1974), que conta em forma de thriller político um dos fatos mais trágicos da história sindical argentina: o assassinato de 1.500 grevistas e militantes  anarcossindicalistas em 1921 durante a greve na região. O filme reconhece o que deve o movimento obreiro argentino ao sindicalismo de influência anarquista e estabelece certa reflexão sobre a evolução domesticada da classe trabalhadora no país (e, desgraçadamente, por extensão em qualquer outro). Curiosamente, a narração se inicia com o conhecido atentado anarquista, contra um militar de alta patente, cujos atos conheceremos posteriormente, ainda que desta vez se compreende o contexto no qual a terrível repressão leva a atos desesperados. A  revolução libertária espanhola, paradoxalmente, segue esperando uma grande obra cinematográfica. Apesar de seu valor, “Tierra y libertad” (Ken Loach, 1995), e com o mérito de estar muito inspirada na emotiva e sincera obra literária de Orwell, “Homenaje a Cataluña”, acaba tendo seu peso no excessivo romanticismo, uma dose de maniqueísmo, e por sua tentativa de idealização do Partido Obrero de Unificación Marxista, vítima da repressão estalinista; o espírito do filme deveria ter sido abertamente libertário. Não obstante, o filme de Loach ganha integridade ao compará-lo com Libertarias (Vicente Aranda, 1996), suposta homenagem ao grupo anarquista Mujeres Libres, que se converte em um irrisório e insultante pastiche, de tom confuso e repleto de personagens esquemáticos.

Para não deixar um mal sabor na boca, neste breve artigo sobre um tema demasiado amplo, mencionaremos intenções cinematográficas abertamente ácratas. Assim, um cinema que podemos considerar claramente anarquista, e de indubitável qualidade, é o de Jean Vigo, desaparecido prematuramente. Este diretor é recordado sobretudo por duas grandes obras: “Zéro de conduite” (1933), exemplo de pedagogia libertária, que conta a insurreição de um grupo de estudantes contra seus severos professores, e “L’Atalante” (1934), história de amor entre um jovem marinheiro sem objetivos e sua esposa, com um personagem anarquista de uma grande força vital, o tio Jules, esforçado em transgredir as convenções sociais. O caráter anarquista, iconoclasta e transgressor de outro grande diretor de cinema, Luis Buñuel, autor de mais de 30 filmes, daria para um extenso tratado. Frente ao empobrecimento cultural generalizado, e a banalidade cada vez mais generalizada da arte cinematográfica, urge recuperar as obras e o exemplo destes grandes cineastas.

Fonte: http://reflexionesdesdeanarres.blogspot.com/2016/09/la-representacion-anarquista-en-el-cine.html#more

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/03/argentina-nem-deus-nem-amo-nem-bilheteria-anarquismo-no-cinema-argentino/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/09/01/espanha-lancamento-o-cinema-e-a-imaginacao-anarquista-de-richard-porton/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/10/16/franca-lancamento-cinemas-libertarios-a-servico-das-forcas-de-transgressao-e-da-revolta/

agência de notícias anarquistas-ana

vento seco
entre os bambus
barulho d’água

Alice Ruiz

[EUA] Todas as queixas devem ser retiradas das pessoas presas durante a revolta por George Floyd!

Por Movimento Abolicionista Revolucionário (RAM)

Nas últimas semanas, foram negadas para as pessoas sob custódia telefonemas, água e comida. Jamel Floyd morreu como resultado de ser atacado por agentes penitenciários. Pessoas foram brutalizadas nas ruas e sob custódia. O Estado busca sentenças para nossos camaradas, a fim de distrair as pessoas de sua própria culpa pela violência de suas prisões e pelas condições sistêmicas violentas que levaram a essa rebelião. Todos mantidos em custódia sem fiança desde o início da revolta devem ser libertados imediatamente.

Independentemente das acusações, todas as alegadas ações tomadas por nossos camaradas são uma resposta direta à violência supremacista branca que a aplicação da lei e o governo em geral são responsáveis por perpetuar e permitir que isso aconteça com total impunidade. Culpado ou inocente, todos têm nossa solidariedade incondicional.

Enquanto os políticos, tanto em nível local quanto nacional, lutam para “acertar as coisas” através do corte de uma fração do financiamento dos orçamentos policiais, ou através de investigações promissoras, nós devemos garantir mudanças materiais que façam a diferença para o futuro das comunidades negras e pardas nos EUA. Como tal, somos solidários com os apelos para abolir a polícia, abolir as prisões e derrubar monumentos que celebram a colonização, a xenofobia e a anti-negritude.

Pedimos às organizações, indivíduos e grupos que investiram no desmantelamento da supremacia branca nos Estados Unidos a incluir a retirada das queixas em suas demandas. Pedimos que vocês considerem as conseqüências dos pedidos de protesto “pacíficos”. Como Fanon afirmou em Wretched of the Earth, a relação entre o colonizador e o oprimido é violenta desde o início. Não existe protesto pacífico quando um grupo é capaz de matar e prender o outro com impunidade. Os pedidos de ‘protesto pacífico’ contribuem para criminalizar os protestos, estabelecendo uma dicotomia de bom / mau manifestante que convida à presença da polícia, repressão e conseqüências carcerárias para os envolvidos. Isso pode ser visto pelos numerosos ataques da polícia e do toque de recolher durante as revoltas. Independentemente da tática, as pessoas não devem ser agredidas nas ruas e, apesar dos altos motivos morais, chegamos a esse ponto – onde o Estado está lutando por concessões para se preservar – queimando a 3ª delegacia completamente.

Um novo começo não é possível sem a libertação das pessoas que nos levaram a esse ponto – ações realizadas por pessoas neste levante e as tomadas por antigos presos políticos nos EUA. Não pode haver uma sociedade livre de racismo sem liberdade para aqueles que estão enjaulados por lutar contra ele. Seguir em frente significa reconhecer que os Estados Unidos se baseiam na violência e devem ser tratado como tal. Livrar-se da violência opressiva do Estado significa anistia para todos os envolvidos nessa luta coletiva.

Por fim, as rebeliões continuarão até que todos estejam livres.

“Convidamos você a assinar esta convocação para a libertação de todos os presos durante as revoltas de George Floyd. Por favor, assine com o nome do seu grupo, nome do grupo de afinidade ou pseudônimo!”

>> Assine aqui:

https://www.revolutionaryabolition.org/news/free-them-all/

Tradução > A. Padalecki

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/19/eua-a-policia-e-a-contra-insurgencia-liberal/

agência de notícias anarquistas-ana

sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

[Espanha] CNT rejeita o novo acordo de empresa na INNOVIA COPTALIA – Servei Català de Trànsit

Recentemente, a direção da empresa INNOVIA COPTALIA, SAU assinou um acordo de empresa para o contrato de manutenção e segurança rodoviária do Serviço Catalão de Trânsito, com dois dos três delegados de pessoal que estavam no contrato anterior, antes da sub-rogação.

A seção sindical da CNT, em uma declaração aos trabalhadores, denunciou que o acordo visa regular para baixo várias condições de trabalho que não estavam em conformidade com o acordo de construção até o momento.

Algumas das questões mais relevantes que, na opinião da CNT, representam uma perda das condições de trabalho são: concordar com a distribuição irregular da jornada de trabalho de segunda a domingo, fato que vem acontecendo desde o início, prejudicando seriamente o direito à conciliação trabalho-família; criar um bônus que evite ter que pagar horas extras (usual na distribuição irregular da jornada de trabalho), perdendo contribuições à previdência social.

Por outro lado, está sendo feita uma tentativa de converter contratos temporários de trabalho e serviço em contratos permanentes. Entretanto, isto foi possível graças à ação da Inspetoria do Trabalho e da Previdência Social na sequência das queixas apresentadas pela seção sindical da CNT. Na verdade, já existe um trabalhador cujo contrato de trabalho e serviço em tempo parcial foi convertido em um contrato de tempo integral por tempo indeterminado.

A representação sindical da CNT acredita que a empresa está muito confortável em negociações coletivas com representação unitária, como foi demonstrado por este último “pacto empresarial” que beneficia a empresa mais do que a força de trabalho. É por isso que os serviços jurídicos do sindicato estão estudando o novo acordo em detalhes para garantir que nenhum outro direito trabalhista seja perdido.

Finalmente, nossa seção sindical anunciou que continuará a trabalhar para garantir que todos os trabalhos necessários para cumprir com o serviço de segurança rodoviária do C-17 sejam respeitados, bem como a discriminação atual nas categorias profissionais da força de trabalho.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-rechaza-el-nuevo-pacto-de-empresa-en-innovia-coptalia-servei-catala-de-transit/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

[Espanha] Game Over. A CNT contra a precariedade no setor de videogame

O setor de mídia de videogame tem uma audiência crescente diante do aumento do consumo de notícias relacionadas a videogames. Mas o aumento exponencial no fornecimento de informações não se traduziu em melhores condições para os profissionais, que não só não têm mais contratos na grande maioria, mas muitos trabalham em troca de remuneração futura.

Estamos falando de uma indústria que, apenas em 2018, teve um faturamento de 813 milhões de euros somente na Espanha.

Esta renda não se traduz em melhores condições de trabalho: falsos autônomos e trabalhadores sem contrato, o que afeta as dezenas de colaboradores que alguns meios de comunicação do setor têm, muitas vezes afirmando que poder jogar o videogame já é motivo para se sentir pago.

Um setor cujos trabalhadores, especialmente mulheres e pessoas LGBT+, também estão expostos ao assédio e agressão nas redes sociais nas mãos de uma ala ultradireitista que encontrou em certos segmentos do mundo dos jogadores uma câmara de eco para suas ideias.

Após o sucesso da hashtag #GamePressPaidMe, onde profissionais do setor se lançaram para publicar os baixos valores que recebem, as seções de Imprensa e Mídia da CNT Madrid e CNT Barcelona estão se organizando para agrupar o número máximo de profissionais e realizar uma estratégia conjunta para lutar contra a precariedade de um setor onde um funcionário é quase um privilegiado.

Se você for um desses trabalhadores que foram afetados pela publicação de informações sobre sua situação contratual ou suas tarifas, contate o sindicato e denuncie sua situação.

prensa_medios@madrid.cnt.es

sindical@barcelona.cnt.es

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/game-over-cnt-contra-la-precariedad-en-el-sector-del-videojuego/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

flores na mão
saudam uma desconhecida
no cemitério

Carol Lebel

[Grécia] Koukaki: Ação de solidariedade pela okupação Dervenion 56 e um apelo internacional à solidariedade

Na sexta-feira 26 de junho, em Exarchia, o Estado grego evacuou e fechou com blocos de concreto a okupação Dervenion 56 e o prédio na rua Dervenion 52. Imediatamente, um encontro solidário foi realizado na Praça Exarchia por várias horas. Na noite do mesmo dia, foi realizada uma marcha solidária com a participação de aproximadamente 300 pessoas. A marcha terminou na okupa Dervenion 56, barricadas foram erguidas ao redor do perímetro e, em seguida, camaradas quebraram a marretadas os blocos de concreto da vergonha. A polícia nunca chegou e depois de algumas horas os manifestantes foram embora. Policiais da tropa de choque fizeram novamente uma operação na manhã seguinte, construindo novamente um muro de concreto em frente à porta da okupação. Segundo relatos, nos dias seguintes, várias ações de solidariedade aconteceram e uma manifestação ocorreu na principal rua comercial de Atenas, Ermou, onde slogans foram gritados, e aparentemente algumas pessoas atacaram lojas de grife multinacionais em Ermou no ocupado – pela polícia – centro de Atenas. Mesmo o rico yuppie sobrinho do primeiro-ministro, o prefeito de Atenas, Costas Bakogiannis, não conseguiu escapar da raiva causada pelas evacuações. O pioneiro da gentrificação violenta e seus guarda-costas foram atacados com cafés e outros itens por dezenas de pessoas em um festival local religioso. Nos dias seguintes, realizou-se novamente uma marcha em Exarchia, onde os camaradas demoliram as paredes das okupações de imigrantes seladas em Themistocleous 58 e Spyrou Trikoupi 15. Todos esses dias, textos de solidariedade foram escritos e faixas foram colocadas em vários locais na Grécia.

Do nosso lado, como um gesto de solidariedade a Dervenion 56 e como um lembrete para as pessoas no poder, derrubamos os blocos de concreto que seguravam a porta do prédio Matrozou 45 em Koukaki (bairro no sudeste de Atenas). Nossa mensagem é que “nada é esquecido”. Ficamos sentados o tempo que precisávamos e saímos cumprimentando nossos vizinhos e entregando folhetos para as pessoas. No mesmo dia, um concerto de rap solidário com a Dervenion 56 foi realizado na Praça Exarchia. No final do concerto, os organizadores chamaram as pessoas a marcharem juntas em direção a okupação e abri-la. As pessoas se dirigiam para o prédio, barricadas foram instaladas em todos os lugares e a demolição dos blocos de concreto se tornou uma prática comum com a participação de quem quisesse. Depois de um tempo, os policiais escolheram atacar, mas desta vez pessoas responderam com coquetéis molotov e pedras. Confrontos se espalharam pelo bairro e, em retaliação, os policiais espancaram, torturaram, prenderam e invadiram lojas. A raiva cresce.

A okupação Dervenion 56, em Exarchia, foi inaugurada em setembro de 2015, abrigando estruturas de solidariedade para imigrantes e refugiados, com assistência médica, comida, roupas, aulas, etc. Ao mesmo tempo, muitos grupos anarquistas e antiautoritários encontraram abrigo lá para organizar suas lutas e realizar eventos de conteúdo antifascista, feminista, ecológico e, é claro, anarquista. Eventos que não se enquadram nos festivais de autoridade, eventos sem exclusão financeira ou institucional. Nos tempos da imposição da lei fascista da quarentena, a Dervenion 56 continuou a operar, quebrando a miséria depressiva do isolamento e da “responsabilidade individual”. Uma grande parte da cena ainda estava ativa em seu terreno okupado e continuou a se organizar e intervir contra as leis fascistas, formando estruturas de ajuda mútua que apoiavam centenas de habitantes locais e imigrantes, desempregados, e todas as pessoas da base social. Foi esse espaço onde processos coletivos, terreno comum e tempo sobreviveram contra a situação que o Estado tentou impor.

Sem dúvida, os motivos do Estado para evacuar a Dervenion 56 podem ser encontrados no conteúdo da okupação, nas ações de solidariedade e de ajuda mútua. Onde os militantes se reúnem, onde a autoridade não é bem-vinda, há um inimigo do Estado. Tudo mais sobre violência, propriedade, contas a pagar, legalidade, tráfico de drogas, são apenas falsas desculpas do Estado, dos banqueiros e de seus parceiros de negócios. De qualquer forma, eles mesmos são os principais expoentes da opressão, arbitrariedade e destruição, ações que chamam de “desenvolvimento”. Os okupantes, juntamente com o restante das pessoas resistentes da sociedade, são considerados inimigos internos porque não concordam em seguir o fluxo, porque eles não se submetem aos ditames dos que estão no poder, porque não vêem salvação no desenvolvimento capitalista, mas apenas outro truque para obter lucros através de nossa própria exploração. Um exemplo mais recente é a “grande caminhada de Atenas”, um projeto feito com o dinheiro dos trabalhadores de Atenas, os mesmos trabalhadores que não podem permanecer no centro devido à gentrificação que eles mesmos são chamados a pagar.

As partes da sociedade consideradas inimigas internas do Estado, são aquelas que se revoltam e se chocam com as unidades de repressão quando o Estado, à esquerda ou à direita, matam, quando nos levam à miséria econômica, quando destroem o meio ambiente, afogam a vida livre em águas conservadoras ainda mais profundas. O “inimigo interno do Estado” parece recuar e encolher de tempos em tempos, mas, na realidade, sempre preparamos as condições para avançar novamente, defender bairros, florestas, rios e montanhas, para transformar escolas, universidades e espaços de trabalho em campos de batalha.

Uma batalha entre aqueles poucos que querem tudo para si mesmos contra uma multidão incontável que quer TUDO PARA TODOS.

Dervenion ainda é uma casa do movimento e, como tal, vamos defendê-la.

Estamos pedindo ações internacionais em solidariedade com as okupações. Faça com que o Estado grego, a capital grega e seus parceiros lamentem a escolha que fizeram ao atacar o movimento e seus espaços na Grécia.

Defender Dervenion 56 e todas as okupações, preparar o terreno para a revolta social que se aproxima.

Comunidade Koukaki Squats

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1606123/

Tradução > A. Padalecki

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/07/04/grecia-video-exarchia-ativistas-pegam-a-policia-de-choque-de-surpresa-e-reocupam-a-okupacao-dervenion-56-no-mesmo-dia-em-que-foi-despejada/

agência de notícias anarquistas-ana

Mais fria que a neve,
Sobre os meus cabelos brancos,
A lua de inverno.

Jôsô

[Grécia] Vídeo | Exarchia: Ativistas pegam a polícia de choque de surpresa e reocupam a Okupação “Dervenion 56” no mesmo dia em que foi despejada

Na madrugada da sexta-feira, 26 de junho de 2020, vários policiais despejaram a Okupação “Dervenion 56”, que costumava abrigar refugiados na área de Exarchia, em Atenas. Na noite do mesmo dia, aproximadamente 250 pessoas se reuniram em solidariedade e marcharam em protesto pelo bairro de Exarchia, um protesto que rolou até a okupação despejada na rua Dervenion, onde fileiras de manifestantes de cada lado da rua criavam barricadas humanas, protegendo a reocupação do imóvel. Poucos minutos depois, dezenas de policiais e a polícia motorizada inundaram a área, mas já era tarde demais. A okupação havia sido retomada.

>> Assista o vídeo (02:25) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=s59EYrkyFBE&fbclid=IwAR3rf1pUCiDbqjFaFIq08byMTcnsQvn6OPxEkSqV1ofkdNga6SFIJrjoDyA

agência de notícias anarquistas-ana

no despenhadeiro
a sombra da pedra
cai primeiro

Carlos Seabra

[Alemanha] Ataque a um bar nazista em Colônia

Na manhã de 3 de julho, antifascistas atacaram e decoraram a fachada do bar “De Fressbud” (Eigelstein 78) com a palavra “nazista”.

Sabe-se que este bar serve como um ponto de encontro para o “Cologne Escort Service”, um grupo de propaganda de extrema-direita.

Na quarta-feira (01/07) à tarde, um vídeo foi postado na Internet, mostrando o dono do estabelecimento cantarolando a música “Ddeutchlandlied” (Canção da Alemanha). E na seguência realizando a saudação nazista e gritando slogans de extrema-direita, como “Heil Hitler”.

Eigelstein é uma área em que pessoas de diferentes culturas vivem e trabalham. Não há espaço para vozes racistas e de extrema-direita de qualquer tipo!

Fechar todas as lojas nazistas – criar estruturas de autodefesa antifascistas!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/93265

agência de notícias anarquistas-ana

dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[Espanha] Women Defend Rojava Madrid condena o brutal ataque da Turquia contra Helîncê

As ativistas do Women Defend Rojava em Madrid emitiram uma Declaração condenando a brutal agressão do Estado turco contra a população de Helîncê (Helence), na qual três mulheres perderam a vida.

O texto completo da declaração é o seguinte:

Na noite de 23 de junho, na aldeia de Helence, nos arredores de Kobane (Curdistão Ocidental, Síria), drones do exército turco lançaram mísseis em uma casa civil onde várias mulheres haviam se reunido. Este ataque matou Zehra Berkel, membro da Coordenação Kongra Star da Região do Eufrates, Madre Emîna Weys e nossa camarada Bedîea Mele Xelîl.

Estas três mulheres lutavam lado a lado com milhares de outras companheiras curdas, árabes, assírias, circassianas, yazidi do nordeste da Síria, para viver em uma sociedade democrática, livre, igualitária e não patriarcal.

Ao mesmo tempo, em Besre, na região de Deir-ez-zor, no leste da Síria, foi realizado um ataque brutal à Casa da Mulher (Mala Jin), onde as mulheres intermediam conflitos familiares, violência baseada no gênero e dão apoio a camaradas em situações vulneráveis.

Os crimes de guerra do Estado turco fascista contra o avanço da liberdade da mulher se intensificaram.

A revolução iniciada em 2012, baseada na democracia radical, na ecologia social e na libertação das mulheres, continuou a avançar apesar das pressões e ataques das diversas forças hegemônicas que intervêm na região e da imensa dor de ver mais de 12.000 de seus companheiros e companheiras morrerem na luta contra o estado islâmico ao longo de 5 anos. As mulheres do nordeste da Síria estão realizando uma resistência inigualável contra as forças de ocupação do Estado turco e seus aliados jihadistas.

Todos os aliados do Estado turco também são responsáveis por estes ataques. A Coalizão Internacional e o Estado russo são responsáveis pelo massacre de nossos camaradas. Nós os consideramos responsáveis e dizemos claramente que estes ataques selvagens do Estado turco devem parar e que os Estados e as instituições internacionais não devem ser cúmplices do feminicídio e do genocídio do povo curdo.

Os ataques militares contra a sociedade civil são crimes de guerra. Visar as mulheres que organizam sua sociedade e que têm um papel na política é um crime contra o futuro da mulher.

Portanto, apelamos às mulheres e organizações de mulheres em todo o mundo para que tomem uma posição clara contra estes ataques e se solidarizem com a resistência das mulheres de Rojava. Além disso, convidamos o povo curdo e todos os seus aliados a intensificarem incessantemente a resistência e a agirem contra o fascismo e a traição.

O Estado fascista turco é um assassino de mulheres. O objetivo do fascismo turco e do açougueiro Erdogan é o massacre de mulheres que estão se organizando para criar uma sociedade igualitária.

Mais uma vez condenamos estes ataques bárbaros. Prometemos a nossos camaradas Zehra, Bedîea e Madre Emîne que vamos resistir onde quer que a mentalidade fascista e misógina se manifeste. Este ataque reforça nosso compromisso de buscar a liberdade, e cada queda na luta ilumina nosso caminho e nossa organização. Garantiremos a liberdade das mulheres e de todos os povos tendo Zehra, Bedîea e Madre Emîne como nossa vanguarda.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/women-defend-rojava-madrid-condena-el-brutal-ataque-de-turquia-contra-helince/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/22/alem-do-curdistao-iraquiano-turquia-tambem-ordena-bombardeios-em-rojava-curdistao-sirio/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/22/forcas-de-defesa-popular-do-curdistao-respondemos-efetivamente-aos-ataques-turcos/

agência de notícias anarquistas-ana

Eu e meu aquecedor —
Lá fora o Senhor do Feudo
Passando ensopado.

Issa

Apresentando Kolektiva, nova plataforma para compartilhar vídeos

A partir de hoje indivíduos e grupos anarquistas e anticoloniais têm uma nova plataforma para compartilhar vídeos e cooperar para disponibilizar conteúdo do mundo todo no maior número de idiomas possível. É a Kolektiva. Assista o vídeo abaixo para mais informações.

https://kolektiva.media/videos/watch/050c32d2-2d2e-4885-86c3-b7045c82a8aa

Este vídeo também está disponível em outros idiomas em

http://kolektiva.media

agência de notícias anarquistas-ana

Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

[São Paulo-SP] Campanha virtual para (re)construir o Centro de Cultura Social da Favela da Vila Dalva

Salve povo!

O Coletivo Aurora Negra (SP) está no processo de (re)construir o Centro de Cultura Social da Favela da Vila Dalva (CSS Vila Dalva). A casa que hoje abriga o CCS da Vila Dalva tem história de luta, educação e resistência, e desde a sua construção e ao longo dos anos vem sofrendo os efeitos do tempo. Por sempre ser gerida de forma autônoma, com poucos recursos, a reforma estrutural nunca foi possível e agora queremos construir o nosso lugar. Com sua ajuda será possível!

Doe quanto puder e ajude a divulgar esta campanha. Xs interessadxs em colaborar com a ação podem acessar o link:

https://benfeitoria.com/ccsviladalva

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o varal
A cerejeira prepara
O amanhecer

Eugénia Tabosa

[EUA] O Food Not Bombs faz 40 anos, uma conversa com um cofundador local

Por Erika Mahoney | 07/06/2020

A organização de voluntários e voluntárias Food Not Bombs completou o seu 40º aniversário. O grupo recolhe alimentos veganos e vegetarianos de supermercados que de outra forma seriam desperdiçados e compartilha-os com quem necessita.

Keith McHenry fazia parte de um grupo de ativistas que moravam em Massachusetts quando cofundou o grupo. Agora, mora em Santa Cruz.

No momento em que o Food Not Bombs celebra este marco de 40 anos, atua agora em mais de 65 países. Erika Mahoney, da KAZU, falou com McHenry sobre a celebração virtual que reuniu pessoas de todo o mundo.

Erika Mahoney (EM): Voltemos a 1980. Guie-me pelo início da organização e explique o significado do nome.

Keith McHenry (KM): Eu tinha 20 anos e os meus amigos estavam fazendo muitos protestos contra a energia nuclear e contra as armas nucleares. Eu era estudante de artes e trabalhava numa mercearia e estava chocado com a quantidade de produtos que eram jogados fora. Então eu comecei a levá-los para os projetos habitacionais para dá-los às pessoas de lá. E um dia eu estava falando com os moradores e moradoras, estamos discutindo um novo prédio do outro lado da rua, e elas dizem que é lá que são desenvolvidas armas nucleares. E eu pensei, oh, isso é uma loucura… vocês aqui precisam de comida, mas eles têm todo este dinheiro para armas nucleares ali. E foi daí que veio o nome “Food Not Bombs”. Então, começamos a fazer teatro de rua com a comida. E vimos que realmente chamou a atenção das pessoas. E então decidimos fazer um teatro no exterior de uma reunião de acionistas no Banco de Boston e nos vestirmos como vagabundos. Foi um dia tão inspirador que mudou a minha vida. E os indivíduos que estavam lá disseram, vocês deveriam fazer isto todos os dias porque não há comida para os e as sem-teto em Boston. Decidimos que, naquela noite, deixaríamos os nossos empregos e não faríamos nada além de recolher comida, levá-la para projetos habitacionais e fazer refeições que dividiríamos nas ruas. E foi isso que fizemos.

EM: Por que é que vocês se concentram em alimentos vegetarianos e veganos para a distribuição?

KM: Eu era vegan quando começamos o Food Not Bombs, assim como todas e todos os oito de nós. Pensamos, bem, se vamos ser Food Not Bombs e vamos ser contra a violência, também devemos ser contra a violência contra os animais, o meio ambiente e a terra. A outra coisa é que éramos muito pobres. Não tínhamos dinheiro e queríamos fazer isto com segurança. A única maneira de realmente fazê-lo era ter a dieta vegana e assim não teríamos de obter unidades especiais de refrigeração e mesas de aquecimento e tudo mais para alimentar com segurança muita gente.

EM: Então o Food Not Bombs meteu-se em apuros por distribuir comida para os e as sem-teto. Conte-me mais sobre isso.

KM: A primeira vez em que efetivamente fomos presos, e eu fui o primeiro a ser preso, foi no Golden Gate Park, em 15 de agosto de 1988. E nove de nós fomos presos e presas naquele dia. Havia uma foto que apareceu na manhã seguinte no San Francisco Chronicle. E isso realmente encorajou as pessoas a juntarem-se a nós na segunda-feira seguinte. Então, pessoas começaram a nos escrever e a deixar mensagens no serviço de atendimento que tínhamos, dizendo que os deslumbrávamos, perguntando como poderiam começar uma seção do Food Not Bombs na sua comunidade. E então eu tinha tomado notas sobre como eu comecei o segundo grupo em São Francisco e fiz um panfleto chamado Sete Passos para começar um Food Not Bombs. E enviava isso às pessoas. No verão seguinte, havia grupos em Praga, na Checoslováquia; em Brixton, em Londres; em Melbourne, na Austrália; em Victoria, na Colúmbia Britânica; e também no Tompkins Square Park, em Nova Iorque.

EM: Qual era a objeção a alimentar as pessoas?

KM: A objeção é, e ainda é até hoje, um grande problema, é que se vê um grande número de sem-teto à espera na fila para obter comida. E isso destaca o fracasso do governo local em lidar com uma crise que está em questão.

EM: Em Santa Cruz, você trabalha em estreita colaboração com os e as sem-teto. A falta de habitação está afetando todas as comunidades da Califórnia, da nação e do mundo. O que é que você gostaria de compartilhar sobre indivíduos não alojados que talvez as pessoas não vejam?

KM: Em vez de simplesmente ignorar as pessoas que vivem na rua, as pessoas devem realmente perceber que estas são nossas vizinhas, nossos familiares, nossas amigas. E são realmente uma vítima de um sistema econômico e político que forçou as pessoas a viverem nas ruas.

EM: Qual a forma que acredita ser a melhor de o nosso país lidar com a fome?

KM: Penso que temos que chegar a um ponto em que nos apercebamos de que a alimentação, um teto, a educação e os cuidados de saúde são direitos, direitos humanos básicos. Essas coisas estão sendo retidas para fins lucrativos e precisamos dar a volta à situação. E eu acho que é nesse aspecto que o Food Not Bombs tem sido mais eficaz, em desenvolver esta ideia, um dos nossos slogans, que é “comida é um direito, não um privilégio”.

EM: Você tem uma memória favorita ao longo do seu tempo no Food Not Bombs?

KM: Esta é interessante. Era um dia de neve em Boston e eu estava tentando entregar a comida a um dos sem-teto e eles não tinham voltado. Eu estava lá sentado com o nosso carro aberto e tinha baldes de tofu que estavam em gelo que faziam parte do que eu ia doar. E uma mulher, afro-americana, caminha silenciosamente até o carro e aponta para o balde de tofu e eu digo, bem, não está cozido. Sabe, está congelado. Ela não disse uma só palavra, mas insistiu que eu lhe entregasse as 8 onças de tofu, sabe, um pequeno bloco de tofu. Então eu entrego-lhe e em pouco tempo, o meu carro está cercado por pessoas comendo tofu congelado. Estavam com tanta fome. Acho que foi uma das coisas mais chocantes que já vi. Mas eu poderia contar muitas, muitas histórias incríveis sobre o Food Not Bombs. E, sabe, em 40 anos, é mágico, a quantidade de coisas que aconteceram.

>> Keith McHenry cofundou o Food Not Bombs, que acabou de completar o seu 40º aniversário. As distribuições semanais de alimentos em Santa Cruz recentemente tornaram-se diárias devido à pandemia do coronavírus.

Fonte: https://www.kazu.org/post/food-not-bombs-marks-40th-anniversary-conversation-local-co-founder#stream/0

Tradução > Ananás

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/12/eua-food-not-bombs-o-que-saber-sobre-o-coletivo-de-refeicoes-gratuitas/

agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

[Alemanha] Berlim: 30 anos da Liebig34 – Nós nunca paramos!

A okupa Liebig34 irá celebrar seu aniversário de 30 anos no início de julho. Títulos de despejo, hype da mídia e policiais irritantes não irão estragar esses dias. Viva la Liebig!

Trinta anos atrás, após a queda do Muro, pessoas de uma ampla variedade de origens se reuniram em Berlim Oriental para aproveitar a chance oferecida pelas redes de comando não resolvidas e um vazio indescritível. Ruas e blocos de casas inteiros foram ocupados, redesenhados e enchidos de ideias e criatividade. As ruas de Friedrichshain estavam cheias de vida e muita solidariedade prática. Em uma esquina, havia uma reunião de discussão, na próxima um cinema ao ar livre, e comida foi preparada para a rua toda.

Nestas horas também reside a origem do nosso coletivo, que entrando nos aposentos da Liebigstraße 34 em julho de 1990, assim, deu início ao projeto. Nos anos seguintes, muita coisa mudou: a ocupação tornou-se um projeto feminista de casas sem homens cis. Através de muito trabalho e anos de luta, tentou-se criar um abrigo e oferecer uma alternativa à vida cotidiana cis-sexista.

Agora, 30 anos depois, o projeto irá terminar?

Mesmo naquela época, o verão da anarquia foi encerrado por despejos brutais por policiais a pedido dos principais investidores, como o dia das batalhas de defesa pela rua em Mainzer Strasse em novembro de 1990.

Tivemos que observar como nosso projeto irmão Liebig14 foi levado de nós em 2011. Apenas alguns de nós foram capazes de se salvar, de qualquer maneira. Muitos projetos que moldaram o bairro ao longo de décadas e o tornou o que era foram (brutalmente) eliminados ao longo dos anos. Neste verão, muitas das casas comemorariam seus aniversários. 30 anos de auto-organização, não conformidade e rebelião. Ficaríamos felizes em celebrar este grande dia junto com nossos companheiros. Mas muitos foram removidos da paisagem urbana e transformados em belos paraísos para yuppies.

Isso não deve e não irá acontecer conosco desse jeito!

Continuaremos a resistir e celebraremos esses 30 anos da Liebig 34. Nenhum despejo e nenhum machão-idiota podem nos parar.

Venha 04.07. e 05.07. à Dorfplatz e à Liebig34 para um programa muito interessante.

A Liebig34 vive e comemora!

Liebig34, 28 de junho de 2020

Fonte: https://de.indymedia.org/node/92033

Tradução > A. Padalecki

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/11/alemanha-beijos-e-abracos-para-o-liebig34/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/25/alemanha-liebig34-declaracao-da-sentenca-dia-30-de-abril-facamos-um-desastre/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/19/alemanha-berlim-a-luta-pelo-liebig34-vai-mais-longe/

agência de notícias anarquistas-ana

jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga

Paulo Leminski

[Canadá] Refeições coletivas: A solidariedade nunca será confinada

Com a pandemia de Covid-19, ainda são as pessoas mais desfavorecidas e vulneráveis que sofrem. Como em qualquer crise, essas pessoas estão suportando o peso do impacto social e econômico destes “momentos especiais”. Muitos estão invisíveis no sistema e não são elegíveis para o Benefício de Emergência do Canadá ou para o Benefício de Emergência para Estudantes do Canadá. Estes incluem pessoas que recebem assistência social e têm de sobreviver com menos de 700 dólares por mês, além de ter acesso a menos serviços devido à pandemia (redução das horas de funcionamento de alguns grupos comunitários, redução da frota de ônibus, ajuda alimentar “de emergência” apenas, etc.). Para o governo, essas pessoas são corpos não produtivos que não merecem assistência. Temos de trabalhar para existir.

Naturalmente, não são apenas aqueles que estão na assistência social que foram afetados pelos impactos da pandemia. Estudantes, trabalhadores com salários baixos que muitas vezes não têm uma reserva financeira, e todos aqueles que já tinham empregos precários e os perderam, etc., também são afetados. Além disso, a economia informal também é afetada, reduzindo a pequena renda de algumas pessoas, como aqueles que coletam centenas de dólares de garrafas vazias para pagar as contas ou outros que mendigam nas ruas para poder pagar o mínimo necessário para comer. Com o medo de contaminação e o quase desaparecimento do uso de dinheiro durante a pandemia, essas pessoas estão com dificuldades para sobreviver.

Há vários anos temos organizado ações que visam fortalecer a rede de solidariedade no centro de Chicoutimi, compartilhar nossas realidades e tentar atender nossas necessidades ajudando-nos uns aos outros. Apesar da pandemia, nunca deixamos de ser solidários. Nossa rede sempre continuou “trabalhando”, embora houvesse muitos medos e a pobreza nos atingisse ainda mais. Continuamos desta mesma forma organizando refeições coletivas com o evento A Solidariedade nunca será confinada no domingo, 5 de julho, a partir das 11h30 no Parque Christ-Roi (ao lado do antigo 21 Price) no centro de Chicoutimi. Este é um evento aberto a todos e os convidamos a respeitar as precauções de distanciamento físico. Uma refeição (para pegar e levar) será distribuída gratuitamente no local e haverá um mercado livre para que você possa pegar e doar roupas e produtos essenciais.

Fonte: https://ucl-saguenay.blogspot.com/2020/06/marmite-autogeree-la-solidarite-ne-sera.html

Tradução > Estrela

agência de notícias anarquistas-ana

Sombra no mato
passarinho assovia —
avencas ao vento.

Mô Schnepfleitner

[Chile] Alerta antirracista!

O Estado chileno pretende decidir o destino da comunidade imigrante enquanto a mantém sufocada em luta diária pela sua sobrevivência no contexto de pandemia.

Herdeira das lógicas repressoras do pinochetismo, a classe política no seu conjunto evoca ′′organizar a casa′′ fechando a porta na cara dos povos de Abya Yala. Desse modo, o projeto de lei de estrangeiros apresentado com celeridade perante o Senado só promete aguçar a criminalização que pesa sobre a migração e os e as migrantes, bem como a mais moribunda violação dos seus direitos elementares.

Ante o avanço autoritário do Estado, organização antirracista!

Solidariedade com os e as migrantes!

Papéis para todes!

NÃO às leis racistas!

Anarquistas Contra el Racismo

agência de notícias anarquistas-ana

Cúmulos-nimbos
Atravessando os céus
Sobre o rio sem água.

Shiki

Panfleto que voou nas ruas de Porto Alegre (RS): “Isso aqui é uma guerra”

Porque não somos indiferentes, porque não ficamos imóveis, mas também e, sobretudo, porque temos muito para fazer, nas ruas, no combate à dominação e seus falsos críticos, reproduzimos um panfleto que apareceu nas ruas de Porto Alegre, num dos Atos Antifascistas Pacificados.

Isso aqui é uma guerra

O pacifismo não logra vitórias, diante de quem sofre a violência diária das forças do Estado e do capital. Uma escolha de “não sujar as mãos e não se arriscar”.

A polícia mata diariamente, em qualquer governo, e seus maiores alvos são xs pretxs e pobres, faveladxs e inconformadxs. O governo é responsável pelo etnocídio indígena e as empresas por propagar uma cultura misógina e violenta.

O discurso pacifista reforça a autoridade do Estado e das instituições capitalistas como sendo os únicos que podem praticar a violência. O Estado e os grupos fascistas não têm pudor em usar a violência e apenas se beneficiam do conformismo e inação de seus opositores. O pacifismo perpetua a bota dos fascistas esmagando nossas cabeças, suas armas fuzilando nossos corpos, suas máquinas devastando nossa terra.

Que a ação direta, sem líderes, sem partidos, contra toda autoridade, seja a resposta nas ruas diante desta guerra!

Em todo o mundo o fogo da insurreição mostra sua força transformadora iluminando o caminho pra liberdade!

Pacifismo: arma dos acomodadxs e derrotadxs.

Aprenda a se defender!

A melhor defesa é o ataque!

Alguns Anárquicxs.

agência de notícias anarquistas-ana

O canto do rouxinol
E seu biquinho —
Aberto.

Buson