[Chile] Dia de agitação e propaganda com xs presxs anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar

A 10 ANOS DO CASO BOMBAS / 14 DE AGOSTO DE 2010 – 14 DE AGOSTO DE 2020.

Em 14 de agosto de 2010, o Ministério Público lançou uma operação repressiva contra diferentes ambientes ácratas procurando dar respostas às dezenas de ataques explosivos / incendiários contra símbolos e instituições do estado-capital. 10 camaradas permaneceram na prisão por meses, acusadxs de fazer parte de uma associação terrorista ilegal.

Finalmente 5 camaradas enfrentaram um julgamento extenso que foi intitulado pela imprensa da época como “a maior derrota da acusação na história da reforma processual penal”. Isto aconteceu porque todxs xs camaradas que enfrentaram este processo foram absolvidxs de todas as acusações que procuravam lhes imputar.

Hoje, 10 anos depois, a realidade se depara mais uma vez com um cenário como o de 2010. Mónica e Francisco estão novamente atrás das grades, quando foram presos na madrugada de 24 de julho de 2020, em uma operação que incluiu várias batidas na região metropolitana e além. São acusados de enviar pacotes explosivos contra a 54º delegacia e contra o ex-ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter, bem como do duplo ataque explosivo que ocorreu em tempos de revolta contra a construção do edifício Tanica transoceânico, localizado no bairro exclusivo e rico de Vitacura.

Hoje, 10 anos após o caso bombas, nossxs camaradas estão na cadeia, a vingança judicial do Estado e seus apoiadores não vai parar, tentando acertar todas as contas pendentes e reparar o orgulho ferido dos perseguidores de sempre.

Longe de qualquer sensação de derrota e imobilidade, nos recusamos a ficar indiferentes à festa da mídia e as penas que tentam impor a nossxs camaradas. É urgente para nós estender laços de solidariedade real, é urgente para nós gerar tensões diante deste sistema de controle e paranoia excessiva.

Nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2020, 10 anos após a primeira detenção de nossxs camaradas, apelamos para uma nova e irrestrita solidariedade. Todos como puderem, onde quiserem e como acharem conveniente.

Todas as formas são válidas e necessárias para defender nossxs camaradas.

Todas as formas são viáveis na agitação e na propaganda para exigir sua liberdade.

SOLIDARIEDADE ATIVA E REVOLUCIONÁRIA COM XS PRESXS ANARQUISTAS MÓNICA E FRANCISCO.

PRESXS DA REVOLTA E DA GUERRA SOCIAL PARA A RUA.

QUE A SOLIDARIEDADE MULTIFORME SE EXPANDA POR TODO O TERRITÓRIO.

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/06/chile-comunicado-frente-as-detencoes-de-monica-e-francisco/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/04/chile-sobre-a-detencao-dos-companheires-monica-e-francisco/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/03/chile-palavras-de-monica-caballero-presa-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Espanha] Lançamento: “Mariano Rodríguez Vázquez, Marianet. Rentabilidad: Documentación selecta de su actividad como Secretario Regional y General de la CNT, (1935-1939)”

Um livro de Manuel Martínez Martínez

A figura de Marianet, esquecida e até vilipendiada, constitui um exemplo de superação: primeiro, por conseguir superar um passado traumático, em segundo lugar, por crescer culturalmente e autoformar-se na ideologia anarquista. Por último, por saber aproveitar as oportunidades que lhe foram apresentando até alcançar a Secretaria-Geral do Comitê Nacional da CNT em plena Guerra Civil Espanhola.

Seu empenho por antepor a vitória sobre o fascismo através da “unidade de ação” de sindicatos e partidos lhe fez renunciar a parte de seus ideais libertários e o induziu a cometer frequentes controvérsias, causadas pelas diversas concessões que teve de realizar para alcançar dita unidade, motivo pelo qual muitos de seus camaradas o acusaram de traidor.

Mariano Rodríguez Vázquez, Marianet.Rentabilidad: Documentación selecta de su actividad como Secretario Regional y General de la CNT, (1935-1939)

Manuel Martínez Martínez

Colección: Biografía

ISBN: 9788413635460

Formatos: Tapa blanda

Tamaños: 15×21

Páginas: 330

Precio: 15€

editorialcirculorojo.com

agência de notícias anarquistas-ana

vento muda
ares de chuva
tua chegada

Camila Jabur

[Chile] As mulheres que lutam no Wallmapu não se “suicidam”: As matam

A militarização do Wallmapu [território] vai em linha contrária a qualquer sinal de acordo, dignidade e a paz que legitimamente merece o povo mapuche. A classe empresarial e proprietária de terra, fazendo uso das faculdades e forças coercitivas que lhes dá o Estado, iniciaram uma verdadeira cruzada extrativista. A lógica da conquista parece não ter fim. Não só morre a terra, a flora e sua fauna, levam anos matando lamgnienes, enforcando ambientalistas, e esforçando-se por apagar a vida dos que lutam contra uma forma de opressão que nos quer deixar sem terra, sem água e sem dignidade.

A lei protege a mão do assassino, da impunidade racista, xenófoba e patriarcal para com nossas mulheres em luta deve cessar já, nossas ânsias por ver aos poderosos, colonos e suas forças armadas retroceder, estão mais vivas que nunca.

A memória de Iris Rosales, Rosa Quintana, Macarena Valdés e Nicolasa Quintremán, ambientalistas e lamgnienes mortas em parecidas circunstâncias, cujo fator comum era serem dirigentes, e protetoras do meio ambiente.

Órgão Anarco Feminista Santiago

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/07/chile-contra-a-repressao-estatal-e-parapolicial-em-wallmapu/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-povo-mapuche-resiste/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-liberdade-aos-presos-politicos-mapuche/

agência de notícias anarquistas-ana

Com dignidade
nas minhas velhas roupas –
o espantalho

Stefan Theodoru

[Itália] Memória | Enrico Zambonini. Anarquista, fuzilado por causa de sua luta enérgica contra todas as formas de poder e exploração

Ele emigrou para Gênova e fez contato com os anarquistas e sindicalistas da USI, tornando-se um agitador sindical. Ele freqüentemente voltava a Villa Minozzo fazendo propaganda libertária, mas em 1922 ele foi atacado pelos fascistas. Ele fugiu para a França continuando sua militância política e freqüentemente se mudou para a Bélgica, onde o antifascismo libertário tinha uma boa presença. Em 1936 chegou à Espanha e esteve entre os primeiros aderentes da coluna italiana “Ascaso” CNT-FAI, participando das lutas de Huesca e Almudevar. Em 1937 ele esteve presente em Barcelona, onde houve confrontos entre comunistas e anarquistas para o controle da central telefônica, sendo gravemente ferido no rosto.

Então volta à França, mas foi entregue à polícia italiana que o enviou à Ventotene. Como todos os anarquistas, ao contrário dos antifascistas, ele não é libertado, mas enviado ao campo de concentração de Renicci d’Anghiari em Arezzo. Ele escapa do acampamento e depois de uma longa viagem retorna às montanhas de Reggio Emilia entrando na Resistência com um papel de liderança. Após um confronto entre guerrilheiros e fascistas, ele foi preso e, com um julgamento sumário, foi condenado à morte por fuzilamento juntamente com Don Pasquino Borghi e 7 outros guerrilheiros.

Ele recusa o conforto religioso e morre ao grito de “Viva a Anarquia!”. Ele nasceu em Secchio di Villa Minozzo (Re) em 1893, morreu em Reggio Emilia em 1944.

>> Foto em destaque:

“Enrico Zambonini. Anarquista, fuzilado por causa de sua luta enérgica contra todas as formas de poder e exploração”. Os Anarquistas

Placa colocada pela FAI Reggiana na prefeitura de Villa Minozzo (RE) em 30 de janeiro de 1984.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo

Buson

[França] Ajuda financeira para o filme Amphi Z – Vivemos aqui, ficamos aqui!

Nós precisamos de você para terminar nosso filme sobre a Amphi Z

Sinopse

Em novembro de 2017, cerca de cinquenta exilados foram expulsos de um campo improvisado em frente a um hotel em La Part-Dieu. Junto com alguns estudantes, eles decidiram ocupar um anfiteatro na Universidade Lyon 2. Após várias semanas de ocupação e diante de novas ameaças de expulsão, eles pediram um prédio em Villeurbanne com a ajuda de trabalhadores solidários. Através do percurso de seus protagonistas, este filme conta uma história de mais de dois anos, entre a luta pela regularização e a moradia, a organização da vida cotidiana e as dificuldades enfrentadas.

O dinheiro coletado servirá para o quê?

O filme foi filmado por membros voluntários da associação Tillandsia por dois anos e meio. O dinheiro coletado será usado para pagar a equipe de pós-produção (edição, cores, mixagem de som).

Nossa equipe

Este filme é dirigido pelo documentarista Jordane Burnot. Foi filmado por membros da associação Tillandsia. Será editado por Aurélie Noury, editora e fotógrafa.

Tillandsia é uma associação com sede em Lyon que reúne profissionais e amadores do cinema documental, audiovisual e antropologia. Através de suas atividades de criação, distribuição e oficinas, utiliza a imagem filmada a fim de participar de um melhor conhecimento do mundo e dos desafios das sociedades, mas também como ferramenta de compartilhamento, treinamento e transformação.

Você também pode ajudar os exilados diretamente por meio dessa vaquinha solidária:

https://www.helloasso.com/associations/la%20komune/collectes/urgence-sanitaire-et-alimentaire-squats

>> Para ajudar a financiar o filme, clique aqui:

https://www.helloasso.com/associations/tillandsia/collectes/participation-financiere-pour-le-film-l-amphi-z

Tradução > Estrela

agência de notícias anarquistas-ana

saúda o dia
no horizonte a chuva
bons ventos em flor

Rita Schultz

[França] Macron no Líbano

Atitude neocolonial. Há alguns meses, a polícia libanesa lançou granadas francesas contra a população

Emmanuel Macron participou de um desfile no Líbano após a dramática explosão que matou centenas de pessoas em Beirute. Ele tomou a liberdade de dar lições como: “Se estas reformas não forem feitas, o Líbano continuará afundando” ou “Eu vou propor um novo pacto às forças políticas”. No entanto:

1 – O Líbano não é uma colônia francesa. E propor reformas para outro país apenas algumas horas após um desastre parece bastante indecente.

2 – Dar aulas no exterior quando você pôs seu próprio país de joelhos e seu povo nas ruas é incomum.

3 – A última “cooperação francesa” com o Líbano foi a venda de granadas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para a polícia do país. Há apenas alguns meses, um enorme movimento social estava ocorrendo no Líbano, e foi reprimido pelas munições de gás lacrimogêneo fabricadas na França. Vindo promover “reformas” depois de ter dado a logística para reprimir a população… Essa deve ser a essência de “simultaneidade”.

Nantes Révoltée

Tradução > Estrela

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/07/grecia-de-exarchia-para-beirute/

agência de notícias anarquistas-ana

florescente espinheiro
tão parecido aos caminhos
onde eu nasci!

Buson

[Chile] Santiago: Contra o fascismo e o racismo em todas as suas formas

Chile é racista, este território desde sua fundação como Estado-nação chilena é racista e não só o Estado e suas instituições repressivas estão permeadas deste racismo histórico e cultural, mas também as pessoas que o habitam que, exerce práticas xenófobas, discriminatórias para com os povos nativos, promove os estereótipos de beleza brancos, a aceitação do ocidental europeu e norte-americano como baluartes de verdade, são demonstrações desta hierarquia colonial que simbólica e materialmente vivemos dia a dia em nossa região.

O Estado chileno e seus diversos regimes, não só persiste no branqueamento social e cultural que implantaram os colonos, mas que o realiza até o dia de hoje com a incessante militarização do WallMapu e a sinalização do povo mapuche como os terroristas por definição. Sua linguagem maniqueísta é tão avassaladora como suas políticas de segurança ao interior do Estado, tanto assim que os oficiais que estão dentro da pasta do interior, são os jovens de chacarillas (ritual pinochetista), os UDI pinochetistas. Os verdadeiros violentos que ocuparam a força, a disciplina e a ordem para perpetuar-se no poder. Assim, e sob esta supremacia alimentaram um discurso de ódio, de racismo, de rechaço e de indignação para os que não são iguais a eles. Historicamente ante isso, semearam todo um caminho desde os meios de comunicação e educação. Desde as Maldonado, os Allamand, a Cubillos, os Kast, todo um regimento reacionário que olha com desprezo aos mapuche, aos homossexuais, às dissidências, as feministas, os anarquistas e a todo aquele que resistiu a seu autoritarismo beligerante.

Sob sua supremacia medíocre e fascista, seguem potencializando sua raiva, e ante isso, a legítima defesa é válida.

Solidariedade com o povo Mapuche!

Grupo Antirracista

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/07/chile-contra-a-repressao-estatal-e-parapolicial-em-wallmapu/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-povo-mapuche-resiste/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-liberdade-aos-presos-politicos-mapuche/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

[Chile] Liberdade ao mapuche por lutar!

Ante a emergência mundial da pandemia, o Estado se concentrou em militarizar ainda mais todo o território empobrecido e politizado que seja ameaçador por seu possível levante popular ante as injustiças e violências vividas, com a desculpa de estar resguardando a “cidadania”, quando os milicos e os pacos são a verdadeira ameaça para todos nós. Sobretudo para as comunidades indígenas autônomas como o povo mapuche, que já viviam perseguidos constantemente pela polícia e agora também pelos militares armados, vivendo dia a dia o aumento da violência e da repressão em seu território com os desalojos dos lof, as perseguições políticas, os encarceramentos e os assassinatos de comuneiros mapuche como o do werken Alejandro Treuquil faz algumas semanas, somando a ação covarde de ontem (01/08) à noite realizada por grupos racistas nos diversos desalojos que se deram tanto em Curacautín, Traiguén e Victoria, ações orquestradas desde atrás por organizações de tipo fascista, junto a autoridades respaldadas pelo governo e com a observação passiva da polícia. Como tampouco nos parece casualidade que justo depois da visita do novo ministro do interior de uma reconhecida trajetória vinculada à ditadura e a casos de pedofilia, tenham se realizado estes ataques quando precisamente era ele que falava sobre uma possível agudização da violência na Araucania.

“Querem tirar-lhes suas terras, eles tem que defendê-las”, mas não só quiseram tirar suas terras, mas também querem tirar suas vidas há mais de quinhentos anos. É por isto que o povo mapuche teve que se defender para sobreviver e seguir resistindo. Diversas comunidades mapuche realizaram ações diretas nos últimos meses, como concentrações fora do cárcere de Angol, a sabotagem às empresas florestais, tomadas de prefeituras e fortaleceram suas comunidades organizadas para se protegerem e dar resposta à violência, criminalização e morte com que o Estado chileno lhes ameaça cada vez com mais força. Temos que nos solidarizar com sua luta e visibilizá-la porque estamos convencidos que sua luta pelos territórios transcende mais além de uma questão de propriedade da terra. Cremos que é fundamental pelo fato de que cada terra mapuche recuperada é uma terra tirada das mãos do extrativismo empresarial disfarçado de trabalho como o são as florestais que criaram uma devastação da terra insustentável, como também um empobrecimento que vai de geração em geração com trabalhos precarizados. É por isso que devemos nos irmanar com a causa justa que é, impedindo que o Estado armado com a justiça institucional e os meios de comunicação siga criminalizando e encarcerando a mais pessoas. Se o racismo decide se organizar, nossa tarefa fundamental será destruí-lo e propagar ainda mais o antirracismo por uma vida em harmonia e comunidade. Liberdade e autonomia para o Wallmapu, basta de perseguição às comunidades indígenas que habitam o longo território dominado pelo Estado chileno. Nos irmanamos a cada povo originário oprimido no mundo, porque cada território recuperado pelos povos é um território a menos para a devastação do meio ambiente, com os povos oprimidos a construir:

AUTONOMIA, TERRA E LIBERDADE!
LIBERDADE AOS PRESOS POLÍTICOS EM GREVE DE FOME, LIBERDADE AO MAPUCHE POR LUTAR!

Assembleia Libertária Santiago

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/04/chile-solidariedade-internacional-com-o-povo-mapuche/

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

Vídeo | Falha de Sistema #2: Um Vírus Transmissível Chamado Liberdade

Saiu o segundo episódio de Falha de Sistema, programa de notícias e atualidades do coletivo de mídia anarquista subMedia (sub.media), completamente traduzido para o português pela Antimídia (antimidia.noblogs.org).

Neste episódio, um olhar sobre a devastação social e econômica causada pela pandemia de COVID-19, com um foco específico nas respostas estatais incompetentes do Reino Unido, Brasil e Estados Unidos.

Com uma entrevista com o escritor anarquista Peter Gelderloos, autor de Diagnóstico do Futuro: Entra a Crise do Capitalismo e a Crise da Democracia.

>> Veja o vídeo (27:04) aqui:

https://kolektiva.media/videos/watch/c59e5c81-a4fe-4331-95f1-986693ec3752

agência de notícias anarquistas-ana

No primeiro frio,
sopro de longe que vem
embaçar o rio.

Alckmar Luiz dos Santos

[México] Pandemia: capitalismo e crise ecossocial

Entendemos a emergência ecossanitária por Covid-19 como uma expressão da derrocada da civilização moderna. Dito colapso não é necessariamente um momento preciso no correr do tempo, mas um acúmulo de acontecimentos que indicam uma transformação substancial da vida. Pensamos que esse desastre não chegou de forma definitiva e que a contingência sanitária global é acaso uma erupção de uma patologia maior.

Este livro reúne textos que, desde numerosas disciplinas das ciências sociais e naturais, mas sempre desde um posicionamento crítico, fornecem chaves para uma interpretação profunda e de longo alcance, assinalando tendências e cenários possíveis, com a intenção de pôr em debate um olhar sobre o colapso que enfrentamos a partir dos sinais que esta pandemia nos joga.

>> Baixe o livro aqui:

https://tsunun.files.wordpress.com/2020/06/pandemia.-capitalismo-y-crisis-ecosocial-4.pdf?fbclid=IwAR3b6cYD4MAef_LLnaZ2td9E1af5Wqdf0Ol5k94iSeHcGw7wGpJAkPiV3lc

agência de notícias anarquistas-ana

tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada

Helena Kolody

 

[EUA] Lançamento: Off with Their Heads: Um Livro Antifascista de Colorir para Adultos de Todas as Idades

Um livro para colorir que traz de volta a fantasia e alegria dos velhos tempos, quando a maioria das vezes era a donzela que matava o dragão e as cabeças dos tiranos eram carregadas na ponta de uma estaca.

Sobre a ilustradora:

N.O. Bonzo é uma ilustradora, desenhista e muralista anarquista de Portland, OR. É a ilustradora de Apoio Mútuo: Um Fator Iluminado de Evolução (Pm Press, Primavera 2021). Mais do seu trabalho pode ser encontrado no seu site em www.nobonzo.com

Off with Their Heads: Um Livro Antifascista de Colorir para Adultos de Todas as Idades. 

Ilustradora: N.O. Bonzo

Série: PM Press

ISBN: 9781629638591

Publicado: 06/2020

Formato: Brochura

Tamanho: 21,59 x 27,94cm

Preço: 10$

pmpress.org

Tradução > Ananás

agência de notícias anarquistas-ana

Azul e verde e cinza –
Olhando bem, o céu
É de todas as cores!

Paulo Franchetti

[Itália] O capitalismo é mais perigoso do que o coronavírus

Texto de um panfleto que estamos distribuindo na cidade sobre o tema da saúde.

Sob o pretexto da luta contra o desperdício, todos os governos destruíram, em 30 anos, os cuidados de saúde conquistados pelas lutas sociais dos últimos anos, reduzindo hospitais, instalações de cuidados de saúde, cuidados intensivos e pessoal de saúde. A chuva de bilhões de euros propagada pelo governo e pelas regiões só servirá para inflar os bolsos já cheios das grandes empresas: como resultado, qualquer vírus ou patologia pode ser fatal para milhares de pessoas, afetando claramente os mais fracos, os idosos, os desempregados e os migrantes.

A política governamental trabalha apenas para o lucro de poucos e se envolve em guerras com outros grupos de poder ao redor do mundo, com conseqüências desastrosas para o homem e a natureza. A lógica do poder e da dominação é a verdadeira causa dos milhares de mortos nos últimos meses e do empobrecimento de milhões de trabalhadores, desempregados italianos e migrantes, pensionistas.

Devemos relançar nossas lutas, que não devem estar ligadas à lógica eleitoral, mirando o município, as regiões ou no governo: essas práticas mortificam nossas aspirações, já que os nossos interesses são a satisfação das necessidades em uma sociedade de igual para igual. Construamos, ao invés disso, a unidade das lutas de todos os trabalhadores e de todos os setores sociais. No que diz respeito ao cuidado com a saúde, devemos exigi-lo no futuro imediato:

• a reabertura de hospitais fechados e um aumento dos serviços territoriais.

• contratação imediata de pessoal de saúde, com uma redução drástica do horário de trabalho e um aumento dos salários

• abolição do número restrito para as faculdades de medicina e enfermagem

• abolição de todas as formas de tíquete sanitário.

• pesquisa médico-científica desconectada do lucro.

PELA SAÚDE GRATUITA PARA TODOS

LIVRE DA LÓGICA DO LUCRO E DO PODER

POR UMA VIDA QUE VALE A PENA VIVER

Grupo Anárquico “Francesco Mastrogiovanni” – FAI

Fonte: https://www.umanitanova.org/?p=12617

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

Música nova do Ktarse: “Antifascistas”

A luta contra o fascismo é a luta pela liberdade, destruamos o racismo, sexismo, o capital e toda autoridade” Alerta Antifascista

L e t r a

Ação antifascista o pesadelo da burguesia

Declarando morte aos nazifascista

Sociopatas, seguidores de Bolsonaro

Defende pena de morte pra favelado

.

Defende a ditadura militar na América latina

Defende o extermínio dos quilombolas, indígenas

Bolsonaro  subserviente do imperialismo

Verme do caralho capacho dos Estados Unidos

.

Com cinismo, aliado a mídia liberal

Escondem a real, fazem a lavagem cerebral

Para que o povo não perceba os mecanismos

Os interesses de rapinagem do capitalismo

.

Do agronegócio, industria bélica e farmacêutica

Que lucram com as guerras, mortes e doenças

Contra os Sociopatas genocidas Nazifascistas

Somos a insurgência antifa da periferia

.

REFRÃO

.

Nas barricas somos frente única

Frente de combate, resistência e luta

Periferia antifascista é nós por nós

O fascismo não se discuti, se destrói

.

Nossa ação insurgente que inflama a periferia

É pra injetar fúria no gueto contra os fascistas

Contra o Autoritarismo, contra a direita

Contra o Totalitarismo e sua eloquência

.

De apologia ao Militarismo ao estado de guerra

Do Belicismo, a mentalidade pérfida

Do Xenofobismo, da exploração explícita

Do Corporativismo, da ganância capitalista

.

Vocês vão pagar por tanto sangue derramado

Pela carnificina feita pelo seu Estado

Raça do caralho, autoritários insanos

Colonizadores, supremacistas brancos

.

Pra mim não é crime matar um fascista

Nazistas, adeptos da eugenia

Com Racistas otários não há diálogo moró

Somos a reação do oprimido contra opressor

.

REFRÃO

.

Nas barricas somos frente única

Frente de combate, resistência e luta

Periferia antifascista nos por nos

O fascismo não se discute, se destrói

.

Cada periférico já traz na sua essência

Revolta, fúria, desobediência

A reação do oprimido é inevitável

Contra o capitalismo, contra o Estado

.

Temos que nos unir, acorda periferia

Temos que fortalecer as trincheiras antifas

Na ação direta com horizontalidade

Radicalizar a luta na combatividade

.

A mudança virá de baixo pra cima

De quebra em quebrada, do gueto, periferia.

Inflamando a insurgência, as chamas subversivas

Esmagar a branquitude dos vermes fascistas

.

Cada opressor tombado uma emancipação

Temos que nos munir de senso crítico, informação

.

Destruir os fascistas e toda forma de opressão

Violência revolucionária é libertação

.

REFRÃO

.

Nas barricas somos frente única

Frente de combate, resistência e luta

Periferia antifascista nos por nos

O fascismo não se discute, se destrói

.

Nenhum governo combate o fascismo até destruí-lo. Quando a burguesia se sente ameaçada, o evoca, para manter seu poder e seus privilégios!

.

Alerta Antifascista!

.

>> Escute a música aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=gZx_gtk6Fys&feature=youtu.be

agência de notícias anarquistas-ana

A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia

Alice Ruiz

[EUA] Como os anarquistas negros estão mantendo vivo o movimento de protesto

Por Vanessa Taylor | 29/07/2020

Com uma série de revoltas agitando os Estados Unidos, o presidente Trump não esconde seu desprezo pelos manifestantes. Além de suas ameaças aos militantes de Minneapolis e questionáveis ordens executivas, Trump tem repetidamente direcionado sua ira a um grupo particular: “anarquistas”. A constante referência de Trump a anarquistas para descrever os manifestantes de modo geral é uma tentativa calculada de deslegitimar as lutas atuais – o que pode ser claramente percebido num dos tweets de Trump no início desta semana, no qual ele escreveu que as pessoas que protestavam em Portland e Seattle eram “realmente… doentes e insanos anarquistas e agitadores.”

A imediata e impensada reação à isca lançada por Trump é argumentar que as pessoas que saem às ruas de Portland – uma cidade que está sob cerco de misteriosos agentes federais – e de Seattle são apenas “manifestantes” e não “anarquistas”. Mas se lembre de um velho ditado: um relógio quebrado está certo duas vezes por dia[1]. Trump pode não ser honesto em sua descrição dos anarquistas, e ele certamente não tem uma visão clara sobre os protestos em desenvolvimento, mas negar completamente a presença dos anarquistas pode ser uma mentira tão descarada como aquelas contadas pelo presidente.

Anarquistas têm se envolvido nos protestos pelo país desde que o atual movimento social por justiça começou em maio. Em vez de negar a existência dos anarquistas, é mais útil reconhecer que – no meio de uma insurreição de verão melhor definida como a busca por libertação negra – os anarquistas negros são peças-chave no apoio a muitas das revoltas em curso. E ainda que Trump possa estar por fora ao tratar a anarquia como bode expiatório, os anarquistas negros não estão permitindo que o presidente os afaste do trabalho que tem de ser feito.

A mídia ‘fake news’ está tentando descrever os “manifestantes” de Portland e Seattle como pessoas maravilhosas, doces e inocentes, apenas saindo para um pequeno passeio. Realmente, eles são doentes e insanos Anarquistas & Agitadores, os quais nossos grandes homens & mulheres das forças da lei controlaram facilmente, mas quem… – Donald J. Trump (@realDonaldTrump), 28 de julho de 2020

Parte da referência de Trump ao anarquismo depende da ampla ignorância do público norte-americano em relação ao termo. No geral, as pessoas estão familiarizadas com o anarquismo apenas em formas de entretenimento como ‘V de Vingança’, ou imaginam a “anarquia” como alguma coisa que apenas pessoas brancas insatisfeitas fazem. Na imaginação do americano, anarquia não é mais do que caos pelo caos, desconectado de qualquer análise política ou de uma luta significativa por libertação.

Entretanto, na Teen Vogue a jornalista Kim Kelly definiu anarquismo como “uma filosofia política de esquerda, radical e revolucionária, que defende a abolição do governo, da hierarquia e de todos os sistemas de poder desiguais.” O que significa ser um anarquista negro pode parecer diferente de pessoa para pessoa. Mas Riley, que é parte do Salishi Sea Black Autonomists e se organiza entre Seattle e Olympia, Washington, disse que isso os ajudou a articular o que está acontecendo no mundo para melhor enfrentá-lo.  

“A crítica anarquista me deu as ferramentas e a linguagem para melhor ver e entender meu inimigo, e compreender por que e como o mundo está estruturado contra mim e meu povo”, diz Riley ao Mic. “O mais importante, todavia, é que a anarquia me fornece armas e diz: ‘Não espere por uma utopia futura, mas viva e lute aqui e agora mesmo.’ Me diz para não ser o capital ou o soldado raso para o projeto de outro.”

Riley continuou: “Para mim, ser um anarquista negro é abraçar completamente a vida que nos é negada e vivê-la em total conflito com as forças e estruturas que nos subjugam, exploram e matam – o estado, a polícia, as fronteiras, o capitalismo e a economia, o trabalho, etc.” (Riley se recusou a fornecer seu sobrenome).

Para muitos anarquistas negros, um envolvimento com a política radical também significa pôr a comunidade e o cuidado no centro de suas próprias definições pessoais. Makayla, uma organizadora da Philadelphia, disse ao Mic: “[Ser uma anarquista negra] é trabalhar para desenvolver comunidades não-hierárquicas e construir a ajuda mútua por fora das estruturas coloniais brancas e supremacistas. É encontrar formas de curar as pessoas da violência estatal e aprender maneiras de nos sustentar como povo.”

De modo semelhante, Tina, que mora em Dallas, Texas, diz: “Acho que ser uma anarquista negra pode ter muitos sentidos. Mas para mim significa ter meu bolo e poder comê-lo também[2]. Isto é: como uma mulher negra queer, minha libertação é tudo e estou disposta a morrer por isso, custe o que custar. Pois eu amo a libertação mais do que minha própria vida.” Ambas as mulheres se recusaram a fornecer seus sobrenomes.

Os anarquistas negros não se surpreendem com a persistente isca de Trump. Para Tina, isso remete ao Medo Vermelho, que cresceu intensamente nos anos 1940 e começo dos 1950. Durante esse período, o selo “comunista” foi espalhado arbitrariamente (assim como Trump usa “anarquistas”), com o ex-senador Joseph McCarthy também criando o Comitê de Atividades Antiamericanas para investigar o comunismo no interior dos EUA. A campanha de McCarthy deu golpes devastadores na luta dos negros por liberdade.

“Negritude já é anarquia na cabeça das pessoas brancas.”

“Trump rotulando os manifestantes como anarquistas é outra forma de a supremacia branca atuar”, disse Tina. “Negritude já é anarquia na cabeça das pessoas brancas. Não acho que uma pessoa negra tenha de necessariamente se chamar de anarquista para ser um; porque, na terra onde a branquitude é a lei e a ordem, você já é um anarquista.”

Riley diz que é cedo demais para saber o efeito completo do ataque de Trump, mas “Eu sei, claro, que haverá uma intensa repressão sobre os anarquistas, provavelmente em um nível que não vimos desde que [a Frente de Libertação da Terra] estava ativa no início dos anos 90 e 2000. Grandes júris, acusações federais, invasões de casas, informantes, trabalhos.” No entanto, Riley salienta que nas ruas o comentário de Trump pode, na verdade, inspirar um efeito colateral pró-anarquista, semelhante àquele ocorrido na Espanha em 2015: depois que uma operação antiterrorismo contra anarquistas motivou uma reação pública, pessoas usaram a hashtag viral #ITooAmAnAnarchist (“Eu também sou um anarquista”) para expressar solidariedade.

A lógica de Trump sobre os anarquistas serem encrenqueiros depende da narrativa popular do “agitador externo”. A frase veio à tona no início do verão, com as autoridades do condado de Hennepin, em Minnesota, culpando pessoas de fora do estado pela rebelião. Depois, uma investigação da afiliada local da rede NBC descobriu que a grande maioria dos que foram presos era, na verdade, formada por moradores de Minnesota.

A narrativa do “agitador externo” não é problemática apenas por conta de alguns exemplos em que as autoridades estão obviamente erradas em sua utilização, mas é também porque tem raízes no silenciamento de dissidências ao longo da história, dos latifundiários do sul até as grandes corporações, e daí por diante. A conta no Twitter do Midwest People’s History – uma “contínua crônica dos momentos em que pessoas comuns se organizam e fazem história” – escreveu: “Embora o termo específico ‘agitador externo’ não tenha se tornado popular até a eclosão do movimento pelos direitos civis, seu sentimento foi experimentado no Sul Antebellum[3]. No despontar das revoltas de escravos, acusações de ‘agitadores externos’ foram frequentemente usadas por brancos escravagistas paranoicos, a fim de acalmar seus nervos trêmulos.”

Embora o termo específico “agitador externo” não tenha se tornado popular até a eclosão do movimento pelos direitos civis, seu sentimento foi experimentado no Sul Antebellum. No despontar das revoltas de escravos, acusações de “agitadores externos'” foram frequentemente usadas por brancos escravagistas paranoicos, a fim de acalmar seus nervos trêmulos. pic.twitter.com/4aI7SxPDMH — Midwest People’s History (@MPHProject) 2 de junho de 2020

A presença de anarquistas negros complica a noção de um “agitador externo” – descrever anarquistas como pessoas brancas aleatórias, fora das comunidades negras oprimidas, é apagar os anarquistas negros – bem como a narrativa do manifestante “pacífico” que outros tentam invocar para se opor a Trump. Mas por que haveria obrigação de ser pacífico se você está morrendo? A verdade é que há anarquistas negros que queimam e saqueiam, e isso não é o pecado extremo que alguns tentaram fazer parecer. Seguindo os protestos em Ferguson, Missouri, em 2014, Vicky Osterweil escreveu “que, na maior parte da história norte-americana, o saque era uma das táticas mais justas contra os supremacistas brancos. O espectro dos escravos se libertando pode ser visto na história dos EUA como a primeira imagem dos negros saqueadores.”

Além disso, Osterweil percebeu o problema com a priorização e defesa da “propriedade” nos Estados Unidos. Especificamente, como Raven Rakia disse, o termo é racializado. “Quando a propriedade é destruída por manifestantes negros, isso deve ser sempre entendido no contexto da histórica racialização da propriedade. Quando o mesmo sistema que se recusa a proteger crianças negras entra em cena para preservar janelas, fica muito evidente o que é levado em conta na relação com os negros na América.”

É com essa pungente lembrança em mente que se deveria ler uma declaração do secretário interino de Segurança Interna, Chad Wolf, no início de julho, na qual ele disse que “a cidade de Portland está sob o cerco de uma multidão violenta por 47 dias seguidos… Toda noite, anarquistas fora da lei destroem e profanam a propriedade, incluindo a corte federal, e atacam os bravos oficiais da lei que a protegem.”

Embora Wolf dê fortes declarações, elas não capturam a imagem completa. Makayla identifica os anarquistas negros como “[estando] na linha de frente desde o primeiro dia”, ajudando outros manifestantes ao ensinar táticas organizativas úteis. Por exemplo, uma comum – e vital – ferramenta de protesto associada aos anarquistas é a medicina de rua. Essas habilidades são vitais durante os protestos, quando o estado é frequentemente aquele que fere as pessoas, e que ligar para o 911 para assistência médica já não é uma opção. Makayla acrescenta: “Mesmo antes da revolta, os anarquistas negros têm se certificado de que as necessidades da comunidade sejam atendidas, enquanto essas necessidades foram ignoradas em outros locais.”

“É sobre construir modelos de comunidade e justiça transformadora, de modo que as pessoas realmente se curem e se tornem melhores.”

Riley compartilha um sentimento similar, creditando a anarquistas trans mais velhos o fornecimento de moradia quando estavam desabrigados depois de deixar uma situação abusiva na adolescência. A ampla comunidade anarquista também ofereceu-lhes alimentos e roupas, e os ajudou a encontrar um emprego. “Eu tento retribuir o favor quando eu posso, mas, se não fosse pelos anarquistas, eu certamente estaria morto agora”, diz Riley.

Depois que a pandemia de coronavírus começou, muitos anarquistas forneceram o auxílio necessário a seus vizinhos para ajudá-los a aguentar. Riley diz que a comunidade “aumentou a distribuição de comida, máscaras e sanitizadores de mão, bem como continuaram a fazer troca de seringas”. Eles também contaram ao Mic que os anarquistas estão “continuamente… apoiando e escrevendo para os prisioneiros, pagando fianças quando podem e, claro, radicalizando os protestos.”

O verão está longe de acabar e parece que o mesmo pode ser dito das revoltas. O trabalho pode ser diferente, dependendo da cidade, mas ao final do dia anarquistas negros estão batalhando por uma libertação que requer a total reversão da ordem social como ela existe agora. E embora Trump provavelmente instigue mais ataques contra anarquistas nas redes sociais, Makayla espera que as pessoas venham a entender que as táticas anarquistas “necessitam de comunicação, confiança e compromisso.”

“É sobre construir modelos de comunidade e justiça transformadora, de modo que as pessoas realmente se curem e se tornem melhores”, disse Makayla. “Estamos mais a fim de assar biscoitos do que tocar fogo nas coisas, mas abrir a guarda para o fascismo e o racismo é cumplicidade.”

Fonte: https://www.mic.com/p/how-black-anarchists-are-keeping-the-protest-movement-alive-30140067

Notas do tradutor:

[1] A expressão “a broken clock is right twice a day” pode ser aplicada a uma pessoa ou coisa que, mesmo não sendo confiáveis, podem estar certas de vez em quando.

[2] Em inglês, a expressão “You can’t have your cake and eat it too” (literalmente: “Você não pode ter seu bolo e comê-lo também”) significa que há duas opções que uma pessoa deseja, mas ela não pode ter as duas ao mesmo tempo porque são conflitantes. Assim, ela tem de escolher uma. No caso de Tina, ela subverte essa lógica, dizendo que sim, ela pode ter as duas coisas.

[3] O Sul Antebellum (The Antebellum South) é um termo usado para fazer referência à história do sul dos Estados Unidos entre o final do século XVIII e o início da Guerra Civil, em 1861.

Tradução > Erico Liberatti

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/30/eua-negro-antifa-pra-cacete-os-legados-duradouros-do-antifascismo-negro/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/26/eua-trump-isto-nao-e-uma-brincadeira-estes-anarquistas-devem-ser-detidos-de-imediato-movam-se-rapido/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/24/eua-contra-a-colaboracao-uma-declaracao-aos-judeus-radicais-e-outros-cumplices-nas-ruas-durante-a-rebeliao-por-conta-de-george-floyd/

agência de notícias anarquistas-ana

madrugada fria
lua alta brilha
iluminando o jardim

Betty Mangucci

[Chile] Contra a repressão estatal e parapolicial em Wallmapu

Durante a noite de sábado (01/08) e no início da manhã de domingo (02/08), episódios dolorosos de servilismo nauseante e racismo desprezível aconteceram em três comunas da Araucania. Os municípios de Curacautín, Victoria e Traiguén se encontravam ocupados por comuneirxs Mapuches como forma de pressão, em solidariedade com os presos políticos que estão em greve de fome há mais de 90 dias. Estas formas de luta se somam a uma série de outras ações de solidariedade e sabotagem, que desencadearam a mais dura repressão do Estado chileno, amparando grupos paramilitares e ultradireitistas ligados aos interesses do latifúndio e de diversas indústrias e associações de empregadores (silvicultura, agricultores, transportadores). Foram esses grupos, em evidente cumplicidade com o aparato tradicional de repressão estatal (polícia e militares), que organizaram desalojamentos violentos dos edifícios ocupados, chamando multidões servilistas que se agruparam cantando vários cantos racistas. Mulheres e crianças foram insultadas e espancadas, quase linchadas, e depois presas pela polícia. Alguns veículos da comunidade mobilizada também foram queimados, bem como uma rewe – um importante símbolo espiritual Mapuche – em Victoria. Imagens que inundaram de raiva e tristeza os corações daqueles que empatizam com todas as manifestações de luta contra a miséria do mundo capitalista.

Em 31 de julho, o recentemente nomeado Ministro do Interior Víctor Pérez, personagem sinistro da ala direita, um fervoroso pinochetista com laços estreitos com Paul Schäfer e a Colonia Dignidad (que, além de ser uma seita inspirada em ideias fascistas, funcionou como um centro de detenção e tortura durante a Ditadura), visitou precisamente a cidade de Temuco para dar um sinal de apoio a todos os grupos reacionários e anti-Mapuche que operam nos territórios em conflito e, como parece no último dia, para coordenar os horríveis ataques racistas que testemunhamos.

O governo liderado por Piñera, que vem passando por crises internas, vem optando há algum tempo por reforçar sua base de apoio mais conservadora e fascista, incapaz de recuperar qualquer sinal de apoio popular que o afastasse dos números históricos e sem precedentes de rejeição que ganhou por suas ações criminosas desde a revolta de 18 de outubro, incluindo o papel assassino que desempenharam no tratamento da pandemia de coronavírus. A nomeação de um extremista de direita como Víctor Pérez é um sinal claro desta deriva rumo a uma repressão totalmente desenfreada, que recorre à promoção de quadrilhas nacionalistas, que naturalmente incluirá entre suas fileiras os sempre desprezíveis pobres com vocação para vassalos, como vimos neste fim de semana.

Por outro lado, a esquerda em seu espectro mais amplo, que não conseguiu alcançar nenhuma liderança mínima da revolta proletária, uma revolta que transbordou os meios e fins de todo o aparato político, incluindo os supostos “críticos”, e que com muito esforço introduziu o slogan de uma “nova constituição”, plebiscito pactuado com sangue por não pode lidar com as exigências mapuches de território e autonomia (e, portanto, expulsão das indústrias capitalistas, florestais e agrícolas principalmente das zonas de conflito) sem trair sua existência ancorada na sociedade burguesa: política como uma esfera separada da sociedade, como a gestão do Estado sempre capitalista. Tenta simpatizar com sua luta, com suas exigências e se levanta como uma bandeira, querendo imitar a constituição do governo – obviamente – capitalista de Evo Morales e do MAS boliviano, e assim criar a figura de um estado plurinacional que finalmente integraria o povo mapuche. É claro que isto é um disparate. As comunidades Mapuche não são chilenas, e suas demandas visam deixar isso claro. Não é a participação em um Estado nacional que lhes é ainda mais estranha do que a todos nós que poderia de alguma forma resolver o conflito. Nem, obviamente, a constituição plurinacional boliviana: assim que os interesses dos capitalistas nacionais e internacionais entraram em conflito com os das diversas comunidades nativas daquele país, o Estado se apressou a tomar partido pela primeira; não podia ser de outra forma, o Estado É SEMPRE o instrumento da classe capitalista.

A luta do povo mapuche faz parte de uma história secular de resistência à imposição das relações capitalistas, que desde a época da conquista do continente americano pela coroa espanhola vêm se expandindo e criando raízes, massacrando as culturas originais, em um processo de despossessão e proletarização forçada, como aconteceu em todo o planeta. Os modos de vida desses povos, muitos deles sem hierarquias políticas definidas dentro deles, entraram em aberta contradição com o progresso da civilização do Capital, tendo que pagar por ele com sangue. E muito sangue tem sido derramado. Mas esta tarefa genocida foi aprofundada e levada a um paroxismo pelos estados independentes e republicanos. É o Estado chileno, e não a coroa espanhola, que através de seu exército realiza a “Pacificação da Araucania”, massacrando o povo mapuche e integrando-o em seu território, ao custo, é claro, de roubar suas terras e condená-lo à miséria.

É contra este Estado que as lutas das comunidades são dirigidas. O mesmo Estado contra o qual sempre nos erguemos, e neste século, com maior força desde 18 de outubro passado, em todo o território conhecido pelas castas dominantes como Chile. A expulsão dos interesses capitalistas do território mapuche ancestral não será alcançada através das rotas institucionais propostas pelo reformismo progressista. A percepção do isolamento desta luta das outras expressões do movimento proletário “chileno” deve ser dissolvida precisamente pelo reconhecimento como uma e a mesma luta, com todas as suas diferenças e contradições, que realizamos hoje, que devemos alimentar a acumulação de capital com nossas vidas.

Nas multitudinárias manifestações que aconteciam diariamente durante os dias de revolta, havia milhares de “bandeiras Mapuche” (uma bandeira que, aliás, só foi criada nos anos 90 por um grupo particularmente propenso à política institucional). As comunidades Mapuches não tinham uma bandeira nacional como tal, já que o próprio conceito de nação e seu fetichismo simbolizado por uma bandeira são típicos da burguesia moderna, reutilizando o simbolismo das sociedades de classe predecessoras.  É agora que esta afirmação de solidariedade deve ser feita carne. Mas não apenas na participação necessária de atividades especificamente solidárias com esta luta, mas fundamentalmente na compreensão e na assunção de um antagonismo aberto e radical com a sociedade capitalista e todas as suas instituições, a fim de colocar de uma vez por todas a própria vida, o respeito por nossa história e nossa diversidade, no centro de nossas prioridades. Para criar uma verdadeira comunidade humana, rica, heterogênea e solidária.

Fonte: https://hacialavida.noblogs.org/contra-la-represion-estatal-y-parapolicial-en-el-wallmapu/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-povo-mapuche-resiste/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-liberdade-aos-presos-politicos-mapuche/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/04/chile-solidariedade-internacional-com-o-povo-mapuche/

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de silêncio
Uma moça na janela
Contempla a neblina

Tânia Souza

Manifestações pela liberdade dos presos mapuche em greve de fome se multiplicam em diferentes lugares do Chile

Mais de 90 dias após as greves de fome iniciadas pelo machi Celestino Córdova na prisão de Temuco e 8 presos na prisão de Angol, 30 dias depois de outros 11 presos mapuche da prisão de Lebu e cerca de 20 dias de greve na prisão de Temuco, onde se juntaram outros 7 líderes e membros ativos da causa mapuche, se multiplicaram em diferentes cidades do Chile e nos territórios do Wallmapu manifestações e ações em apoio às demandas que exigem esse grande número de presos, entre os quais se encontram autoridades ancestrais do povo mapuche, como um lonko e um machi.

Desde as diferentes prisões, a principal demanda é exigir a aplicação da Convenção 169 da OIT, assinada e ratificada pelo Chile, que em seus artigos assinala direitos básicos que devem ter em um contexto como este presos pertencentes a um povo originário, neste caso o mapuche, onde a concepção e a cosmovisão da vida são radicalmente diferentes da institucionalidade ocidental imposta.

Uma das coisas que a aplicação deste acordo poderia permitir é poder mudar o local onde os presos são mantidos, mudando sua medida de precaução para a prisão domiciliar em suas comunidades, ademais de permitir o desenvolvimento de sua vida espiritual dentro das instalações penitenciárias. Questões primordiais para aqueles que defendem a água e a terra e que foram acusados ou condenados em casos amplamente questionados do ponto de vista jurídico e legal.

A seguir, compartilhamos registros das últimas jornadas de agitação e protesto pela liberdade dos presos em greve de fome nas prisões de Lebu Angol e Temuco.

Marcha na cidade de Puerto Saavedra, Txaitxaiko Lewfu, território mapuche lafkenche.

Tomada da Prefeitura de Tirua.

Bloqueio de estrada em Curarrehue.

Valdivia: Comunidades mapuche tomam a sede da Corporação Nacional Indígena do Governo do Chile em apoio aos presos em greve de fome.

Na comuna de Teodoro Schmidth, as comunidades mapuche se manifestam na Ponte Pewlo, no rio Tolten, um local simbólico para as comunidades do território.

Bloqueio da estrada 5 sul, setor Metrenco.

Barricada no setor Ufro Temuco.

Em Traiguén, território Nagche, as comunidades mapuche bloquearam uma estrada em apoio ao machi Celestino Córdova e os Presos Políticos Mapuche.

Ayekan do lado de fora da segunda delegacia de Temuco, em apoio aos detidos na marcha frustrada por carabineiros quando se dirigia a prisão de Temuco.

Fonte: https://radiokurruf.org/2020/08/06/manifestaciones-por-la-libertad-de-los-presos-mapuche-en-huelga-de-hmbre-se-multiplican-en-distintos-lugares-de-chile

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-povo-mapuche-resiste/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/05/chile-liberdade-aos-presos-politicos-mapuche/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/04/chile-solidariedade-internacional-com-o-povo-mapuche/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô