[Grécia] Manifestantes cancelam leilão de áreas florestais em Karditsa: “Montanhas livres sem turbinas eólicas!”

Ao meio dia de quinta-feira, 22 de agosto, uma reunião do Comitê de Finanças Municipais foi marcada na Prefeitura de Karditsa para ratificar o leilão de áreas florestais para a construção de uma linha de alta voltagem para turbinas eólicas. O leilão em questão havia sido realizado pelo prefeito Alexakos em 5 de agosto e cuja a única empresa candidata, a Punentis SA, saiu vencedora.

Ao mesmo tempo, uma multidão de pessoas, organizações e associações da cidade e o Acampamento Autogerido “Montanhas Livres Sem Turbinas Eólicas” convocaram uma concentração do lado de fora da Prefeitura. Os manifestantes tentaram participar do processo público aberto no terceiro andar do prédio da Prefeitura, mas foram repelidos por produtos químicos das forças de segurança do Estado.

No entanto, os manifestantes permaneceram no lugar, bloqueando a entrada da Prefeitura. Alguns burocratas, engravatados e membros do Comitê de Finanças não puderam entrar no prédio, resultando em nenhum quórum, assim a reunião foi cancelada. Depois de serem informados da notícia do cancelamento do leilão, os manifestantes com um sorriso nos lábios saíram em passeata pelo centro de Karditsa, terminando ato no Parque Pausilipou.

Continuaremos a luta pela defesa das últimas áreas virgens do país. Para salvar a vida selvagem. Contra a privatização das montanhas, dos rios e das florestas. Montanhas livres sem turbinas eólicas!

Acampamento Autogerido “Montanhas Livres Sem Turbinas Eólicas”

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/28/grecia-berea-chamado-anarquista-contra-a-investida-do-capitalismo-verde/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/26/grecia-luta-contra-a-destruicao-ecologica-de-samotracia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/06/16/grecia-berea-concerto-contra-a-instalacao-de-sete-parques-eolicos-no-monte-vermio/

agência de notícias anarquistas-ana

Partitura alegre:
cai a chuva sobre o charco
no ritmo dos sapos.

Anibal Beça

“Neste Congresso em Montevideo estiveram juntos militantes e acadêmicos”

Centenas de pessoas, vindas de diversos países, participaram do “2° Congresso Internacional de Investigadorxs sobre Anarquismo(s)”, que aconteceu em Montevideo, na Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación de la Republica Uruguay, no período de 11 a 13 julho de 2019. A ANA realizou uma micro-entrevista com um dos participantes, o anarquista Taiguara Lima. Confira a seguir.

Agência de Notícias Anarquistas > E aí, no geral, valeu participar do “2° Congresso Internacional de Investigadorxs sobre Anarquismo(s)”?

Taiguara Lima < Não estive no 1° Congresso Internacional de Investigadorxs sobre Anarquismo(s) então não estabeleço comparações e considero apenas o 2º Congresso.

A organização do evento foi excelente. A recepção profissional dos anfitriões nada deixou a desejar. A Facultad de Humanidades e Ciencias de la Educación da Universidade de la Republica Uruguay, onde ocorreu o evento, acolheu este grande evento com charme e disposição contando com uma equipe determinada e disponível para realização e bom andamento de todo o evento. Pessoalmente recebi um tratamento gentil, seja para questões técnicas ou pessoais.

Destaco: acolhimento dos trabalhos teatral, cinematográficos e musical na sua programação com o valor que estes merecem. Tão importante e necessário destacar é igualmente a decisão de recepção das investigações acadêmicas e autodidatas (não acadêmicas), que estiveram lado a lado reafirmando a anarquia, a educação anarquista e a pedagogia libertária no que tem de melhor: a livre produção e expressão do conhecimento nas suas diversas formas. Aspecto extra Congresso foi a boa recepção do povo uruguayo a nós brasileiros.

ANA > A participação do público foi grande?

Taiguara < O Congresso contou com 28 mesas, 16 apresentações/lançamentos de livros, 2 cursos, teatro, exibição de filmes, roda de debates… Imagino que estiveram inscritos e participando diretamente, com algum tipo de trabalho nas linhas citadas acima, algo mais que 100 pessoas. As ausências foram irrisórias e pouco sentidas.

Penso que o encontro deve ter contado com pelo menos 500 pessoas entre apresentadores e participantes como ouvintes/espectadores ao longo dos 3 dias do evento.

O público foi bastante variado, jovens e adultos na sua maioria. Entretanto, referências mais antigas do movimento anarquista e acadêmicos do anarquismo foram sentidas. Não tenho como precisar a composição do público.

ANA > Muitos brasileiros e brasileiras estiveram presentes no Congresso?

Taiguara < Sim, haviam muitos. Esta “delegação”, depois do próprio Uruguay, era a mais numerosa. Ao que parece todos estiveram com apresentações, cursos, lançamentos de livros.

Neste caso brasileiro, todos eram estudantes ou trabalhadores na educação. Contudo, vários investigadores autodidatas e acadêmicos da América Latina e Europa participaram: México, Chile, Argentina, Itália, França, Espanha.

ANA > E a sua participação, como foi?

Taiguara < Apresentei resultados preliminares de uma investigação sobre o papel dos anarquistas no período de fim da ditadura, transição e concretização da redemocratização no Brasil relacionado-o com o mesmo processo na Península Ibérica. Também me inscrevi como ouvinte e acompanhei muitas das apresentações, exibição de filme, e ainda teatro e música dentro do evento.

ANA > Em suas andanças, percebe um interesse crescente pelas ideias e práticas anarquistas?

Taiguara < Na universidade ou fora dela existe tanto interesse (minoritário) quanto repulsa (expressivo e originado sobretudo dos agrupamentos de esquerda, direita e extrema direita) e ainda desconhecimento (maioria) pelas ideias, pela cultura, pela prática anarquistas. Contudo, não creio que seja crescente nenhuma destas. Ocorre, talvez, que no momento em que alguns anarquistas estão em universidades, então conseguimos com nosso trabalho realizar eventos como este e outros como ocorridos no Brasil anualmente. Assim, se consegue alguma visibilidade. Outros momentos ocorreram com características semelhantes nos anos 80 e 90. Sempre realizados de forma individual e desarticulada. Como segue sendo.

Então agora existe novamente um momento positivo academicamente. Entretanto, há um distância entre a teoria e a prática, universidades e organizações anarquistas, que alimenta uma falsa dicotomia entre ambas. Estes dois ao meu ver são elementos distintos e potentes individualmente, mas carecem um do outro, ao mesmo tempo que se amplificam quando se somam com suas experiências, práticas e renovam seus planos. Não se trata de unificar e sim de dialogar e realizar projetos em comum quando possível. Muitas vezes inviabilizado pela intransigência em acolher ou pela sobreposição do interesse individual ao social…

ANA > Algum toque final? Valeu!

Taiguara < Neste Congresso em Montevideo estiveram juntos militantes e acadêmicos, as artes foram acolhidas com a dignidade da estatura de sua importância e contribuição para o anarquismo. Neste caso o 3º Congresso necessita apenas ampliar e diversificar esta participação artística.

Experiências, práticas, resultados preliminares de investigadores, anunciação de projetos em curso, publicação de livros por universitários e/ou coletivos, apresentação de revistas acadêmicas e de coletivos, de periódicos que oxigenam a vida e a cultura anarquista trazendo contrainformação contundente e libertária.

Ao meu ver, no próximo Congresso se deve manter aberta a participação de militantes e autodidatas que tenham algo a contribuir, seja pela experiência ou prática. Também penso ser necessário uma ou duas mesas, ou rodas de conversas sobre questões macro, ou gerais que proporcionem abordar assuntos urgentes do cotidiano.

Deixo felicitações e agradecimento aos organizadores do Congresso Internacional de Investigadorxs sobre Anarquismo(s).

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/06/uruguai-saiu-a-programacao-do-2-congresso-internacional-de-investigadorxs-sobre-anarquismos/

agência de notícias anarquistas-ana

No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno

[País Basco] Comunicado de AnarkHerria: “Condenamos o G7”

A cúpula do G7 em Biarritz cria de fato um estado de exceção em uma parte de Euskal Herria [País Basco]. Esta ocupação policial e militar está fazendo com que a população local veja limitada tanto sua liberdade de movimento como de expressão.

13.200 policiais franceses, 2.800 espanhóis e 4.000 bascos colaboram para restringir os direitos civis da população basca e de qualquer pessoa que passe por esta parte do território basco. O aeroporto de Biarritz está fechado para a sociedade e ocupado militarmente, a maior parte das estações de trem de Lapurdi fechadas, Biarritz e arredores está tomada policialmente e seu acesso controlado através de passagens limitadas, os campos desportivos e as escolas foram militarizados, as comunicações estão estritamente controladas, o centro de detenção para migrantes de Hendaya serve como lugar de custódia e a prisão de Bayona foi esvaziada para futuros detidos. Estes são só alguns exemplos do que supõe este estado de exceção. Já houve cinco detenções e se expulsaram do território francês “preventivamente” um jornalista.

Este aumento do autoritarismo por parte dos estados não é uma exceção, é a tendência do atual capitalismo global que considera obsoletas as liberdades da democracia formal burguesa que o antigo capitalismo estabelece nos territórios onde lhe parecem úteis e necessárias para seu desenvolvimento. Anarkherria é consciente do perigo deste aumento do autoritarismo nos estados europeus. Condenamos o G7, não só pelo que supõe como estado de exceção, mas como mostra desta tendência totalitária que impregna as democracias formais burguesas.

Frente a isso, Anarkherria defende a democracia real baseada no bairro e o encontro em um País Basco livre e igualitário.

Anarkherria, 22 de agosto de 2019.

Fonte: http://sareantifaxista.blogspot.com/2019/08/g7-biarritz-comunicado-de-anarkherria.html

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/21/pais-basco-franca-comunicado-revolucionario-unitario-privilegia-a-acao-direta/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/26/franca-bloqueemos-o-g7-e-seu-mundo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/08/franca-nem-em-biarritz-nem-em-nenhum-lugar/

agência de notícias anarquistas-ana

folha seca
sobre o travesseiro
acorda borboleta

 Alice Ruiz

[Chile] Santiago | A bicicleta como ferramenta de luta política: traçando rotas contra o expansionismo automotivo

Deixamos todxs convidadxs, a partir das 15 horas, para a Jornada de discussão e reflexão “La bicicleta como herramienta de lucha política: trazando recorridos contra el expansionismo automotriz“, neste domingo, 25 de agosto, na Kasa de Lxs Gatxs, a poucos metros do metrô Rondizzoni.

Como anarquistas e antiautoritárixs, visualizamos a existência do Parque Automotriz como uma das principais problemáticas socioambientais que atualmente está moldando e configurando a construção espaço-temporal do território na cidade de Santiago, a qual se vê materializada na privatização de espaços comuns, hiper-aceleração do tempo no fluxo da mobilidade espacial, individualismo e enfraquecimento do respeito mútuo no uso dos espaços viários, redução e destruição de áreas naturais e saturação da má qualidade do ar na bacia de $antiago.

E desse pequeno exemplo que queremos levantar um debate, ainda incipiente. Nos interessa esboçar e posicionar uma perspectiva antiautoritária do uso da bicicleta como ferramenta de resistência e sabotagem: como podemos converter a bicicleta em nossa ferramenta de resistência frente à violência da Cidade Neoliberal e seu parque automotivo? Que tipo de ações e práticas poderiam materializar tal resistência, de um uso político e crítico da bicicleta?

Nos interessa poder nos aproximar destas perguntas através de nossas experiências, problemáticas e perspectivas, de onde habitamos, percorremos e resistimos à cidade na bicicleta…

Após a conversa haverá uma oficina de mecânica básica, com contribuição voluntária!

Tradução > keka

agência de notícias anarquistas-ana

caem as mangas
no pátio do sonho
talvez em outros

Jorge B. Rodríguez

[Espanha] Luisa Rodríguez: “Trabalhar na revista ‘El Víbora’ foi um presente na minha vida”

A secretária da mítica revista contracultural reivindica o “espírito do bairro chinês” e revela sua participação no histórico comício da CNT de 1977 junto a Federica Montseny.

Soa até mesmo irônico que uma revista antiautoritária e sexualmente explícita como El Víbora¹ tivesse como sua sede uma pracinha de Barcelona que levava o nome de “as Beatas”. Coincidindo com a exposição que o MNAC² lhe dedica sobre a mítica publicação contracultural, da qual foi secretária durante a década de 80, Luisa se anima a voltar ao lugar dos acontecimentos e, da sacada do Centre Artístic Sant Lluc com vista para a antiga redação, revive o impacto emocional e o potencial humanista daqueles anos de criatividade sem limites.

Em qual bairro nasceu?

Eu sou do bairro chinês (sim, chinês, isso de “Raval” nos parece um pouco soberba) e ser do bairro chinês naquela época foi algo que nos marcou. A vida estava na rua e havia um espírito de companheirismo e afeição entre as pessoas, talvez porque fosse um momento muito difícil.

E muito turbulento a nível político e social a partir dos anos finais da década de 60.

Eu era uma adolescente de ir à missa diariamente. Estudei para ser secretária, e meu plano era ter uma vida normal, me casar e ter filhos, mas grávida de oito meses sofremos um acidente de carro e meu marido morreu.

Adeus à vida normal.

Comecei a ver o mundo de outra perspectiva. Quando voltei ao trabalho, entrei em uma célula comunista. Fui responsável pela organização do PSUC (Partido Socialista Unificado da Catalunha) em Barceloneta, mas não me sentia à vontade em uma organização tão hierárquica, onde nós, mulheres, não eramos tratadas como iguais, e entrei no coletivo Mujeres Libres (Mulheres Livres).

O que era o Mulheres Livres?

Uma associação de mulheres libertárias. Em 1975, nosso objetivo era nos conhecermos como mulheres. Nós fazíamos estudos sobre a vagina e tínhamos uma rede de contatos fora da Espanha para podermos fazer abortos. Lá voltei a encontrar o espírito humanista do bairro Chinês, embora mais tarde as estudantes universitárias tenham entrado e já não fosse mais a mesma coisa.

Pouca gente sabe que foi uma das oradoras do comício popular da CNT em Montjuic de 1977 junto com Federica Montseny.

Eu li um manifesto do Mulheres Livres. Tinha pavor de palco, meus joelhos e minha voz tremiam. Havia um milhão de pessoas lá!

O vídeo do comício está no YouTube e entre outras coisas você disse: “Nossa luta não é só reivindicativa, não se trata tão somente de conseguir o divórcio e o aborto, nossa luta é revolucionária porque vamos romper com todo autoritarismo”.

Naquela época vivia com meu primeiro filho em comunas bastantes anárquicas. Um povo de uma comuna fez uma revista chamada El Globo, a primeira publicação foi sobre drogas na Espanha, e eu fui a secretária. Lá conheci Onliyú [José Miguel González Marcén], que me disse que sentia falta de uma secretária na El Víbora. Entrei na revista em janeiro de 1981.

Como era o ambiente?

Trabalhar na El Víbora e conhecer Nazario, Mariscal, Farriol… foi um presente da vida. Me chamavam de Luisa Talões, porque era eu quem fazia os talões para cobranças, mas era mais uma da equipe e nunca me senti menosprezada por ser uma mulher. Eu os admirava como artistas e como pessoas. Tínhamos uma relação maravilhosa, contávamos e compartilhávamos absolutamente tudo. Foi algo que foi além da cumplicidade.

Mais uma vez, o espírito do bairro Chinês.

Sim, é algo que esteve presente em toda a minha vida, mesmo agora que estou nos Yayoflautas³. Para mim, essa relação tão bonita que tínhamos na El Víbora foi o motor que nos dava a ilusão para entregar as páginas cada mês e atirar as revista na rua.

Fonte: https://www.elperiodico.com/es/entre-todos/20190730/luisa-rodriguez-trabajar-en-el-vibora-fue-un-regalo-de-la-vida-7574924

>> Notas:

[1] El Víbora foi uma revista mensal de revistas em quadrinhos publicada em Barcelona, Espanha, entre 1979 e 2005.

[2] MNAC: Museu Nacional de Arte da Catalunha, mais sobre a exposição, disponível em:
https://www.lavanguardia.com/cultura/20190619/462997945321/el-vibora-mnac-underground-contracultura.html

[3] Coletivo espanhol que inclui manifestantes aposentados em defesa de pensões públicas e do estado de bem-estar social.

Tradução > Daitoshi

agência de notícias anarquistas-ana

No final da tarde
todos estão apressados —
Chuva se anuncia…

Fagner Roberto Sitta da Silva

[País Basco] Comunicado da Red Aman Komunak: “Quebremos o G7. Terra e liberdade!”

Olá, sou Maiti, a neta das bruxas que não puderam queimar.

O Conselho da Inquisição suprema do G7 chega a nossa casa para impor seu credo com prepotência. Como na Idade Média, se reunirá em palácios fortalecidos, controlando a plebe e ameaçando os ímpios com suas armas.

Estes assassinos falam constantemente da violência dos opositores. Enquanto isso, seguem queimando os mares, as terras, os bosques e assam as pessoas e as cidades. E nos repetem que vão melhorar o encanto do planeta. Nos cospem na cara. Acenderam um fogo enorme e enquanto lhes demos legitimidade, não apagarão nada.

Afortunadamente, as bruxas começaram a esquentar os caldeirões para envenenar o banquete. As ruas se encheram de mensagens e de ações diversas para denunciar esta pantomima.

Que as dinâmicas contra esta cúpula sejam o começo das resistências, alianças e esperanças de amanhã. Que a solidariedade e a convergência sejam a chave de tudo.

Convido-os a participar em todas as mobilizações que acontecerão contra o G7 e no dia seguinte, sigamos semeando lutas e construções, em alegria e diversidade.

Quebremos o G7. Terra e liberdade! ¡Lurra eta Askatasuna! Maiti.

Fonte: http://sareantifaxista.blogspot.com/2019/08/comunicado-de-red-aman-komunak.html

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/21/pais-basco-franca-comunicado-revolucionario-unitario-privilegia-a-acao-direta/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/26/franca-bloqueemos-o-g7-e-seu-mundo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/08/franca-nem-em-biarritz-nem-em-nenhum-lugar/

agência de notícias anarquistas-ana

Janela fechada:
borboleta na vidraça
dá cor ao meu dia.

Anibal Beça

[Chile] A luta pela liberdade, um chamado solidário as/aos ilustradorxs

Este chamado surge no contexto da recente mobilização dxs presxs de norte a sul do território dominado pelo estado chileno, pela modificação do decreto de lei 321, com o impulso e a vontade de informar, refletir e solidarizar-se, agitando e somando-se a este esforço coletivo, que sempre vai olhar para além dos muros. Até a liberdade absoluta!

Um pouco de história das mobilizações dxs presxs…

Xs que perambulamos pelo mundo carcerário sabemos que as condições nas cadeias são inumanas, sendo a superlotação o principal problema que geram estas condições, provocando mais violência, longos tempos de ócio, depressão e vícios. Como se o objetivo real fosse conseguir a reinserção social da população penal, quando estas condições estão longe de permitir reincorporá-los à sociedade. Sabemos que o cárcere cumpre com outros objetivos, entretanto, o governo de turno diante os meios de comunicação massivos insistem na reinserção, apresentando em março projetos como +R em Colina 1 (prisão de conduta), uma aliança público-privada que supostamente daria capacitação e trabalho a presxs, dentro e fora da prisão, uma vez concluída a pena, enquanto que por baixo e paralelamente lhes é negado o direito a liberdade condicional.

No dia 6 de maio, xs mesmxs presxs de Colina 1 começaram a se mobilizar em greve de atividades, devido ao discurso dúbio do Estado e governo de turno, assim foram somando-se xs presxs  de todas as cadeias da região chilena: Arica, Antofagasta, La Serena, Concepción, Valparaíso, Valdivia, Angol, Puerto Montt, a penitenciária, cárcere de mulheres de San Joaquin, Colina 2 e outras. A greve de atividades implica não receber comida do estado, não receber visitas, nem encomendas, ou no caso do CAS (Carcel de Alta Seguridad), estiveram quase duas semanas em greve de fome. Hoje as cadeias baixaram suas mobilizações, mas só para retomar forças para seguir lutando, pois se entende que isso é uma luta de longo fôlego. É importante dizer que durante as mobilizações não houve nenhum mortx, nem brigas entre elxs, xs presxs se mantiveram unidxs, pois se tratava do destino de suas vidas, esta luta é transversal, pois a modificação da lei 321 afeta todo o universo carcerário.

Que é a lei 321 e que pedem xs presxs

Em termos gerais a lei 321 é uma lei promulgada em 1925 que estabelece o direito à liberdade condicional. Em janeiro de 2019 o congresso modificou os requisitos de postulação, estabelecendo que quem se postule deve ter uma conduta impecável, um informe psicossocial favorável da área técnica da gendarmeria(carcereiros)  e ter cumprido a metade da pena, mas para delitos como o roubo devem cumprir dois terços da pena, para poder se postular. Outra lei que afetou é de 2016, a lei anti-delinquência que  aumentou as penas dos delitos, como por exemplo o controle de armas.

O problema dxs presxs é a retroatividade da lei, pois afetam as solicitações de liberdade condicional a presxs que foram condenadxs a muito tempo (antes da promulgação da lei em janeiro de 2019), portanto se opõem a que os novos requisitos sejam aplicados a quem ingressou na prisão antes da modificação do decreto, pois são presxs que levam anos “fazendo conduta”, como se conhece no mundo cadeiero, e hoje mudam as regras do jogo, negando lhes a possibilidade de acessar a cumprir suas penas fora das grades mesmo tendo informes positivos. No caso de ser aplicada essas modificações do decreto de lei, deveriam correr para quem foi preso depois que se promulgou o decreto.

Para além das leis

As leis são um invento dos poderosos, para nos impor sua forma de vida, nos manter controladxs a sua maquinaria de desigualdade, devemos assumir as leis que nos impõem e se nos rebelamos aí estão as forças repressivas do estado (gambés, carcereiros, promotores, sistema judiciário) para nos submeter.

O cárcere é um negócio mais para elxs, a real intenção da existência dos muros e grades é aniquilar física, mental, moral e espiritualmente, qualquer pessoa que tenha tido contato direto ou indireto com estes recintos sabem que a suposta reinserção não existe nem durante, nem depois, só dor, sofrimento, superlotação e violência são o que gera a instituição carcerária e seus carrascos. A cadeia foi, é e será uma máquina de tortura e extermínio.

Lutar contra a modificação da lei 321 para nós implica também lutar contra a existência em si das prisões, contra o sistema carcerário que rege nossas vidas de ambos lados dos muros, contra o maldito discurso de que estas masmorras, estes centros de tortura estão feitos para ressocializar. Lutar contra as prisões. É lutar contra o mundo que a necessita, um mundo sedimentado no poder, no domínio de tudo o que é realmente vivo e que encontra nas prisões uma forma de conter qualquer impulso que burle a dominação.

Valorizamos a iniciativa dxs presxs, que dignamente se levantam contra o monstro de cimento, exigindo com luta o pouco que querem tirá-los. É por isso que como feira anti-carcerária fazemos um chamado e convite as/aos desenhistas, ilustradorxs, artistas afins a pensar o sistema carcerário desde uma perspectiva crítica, anti-carcerária, desde uma das ferramentas mais belas, a criatividade à disposição da luta por um mundo sem opressão, nem submissão… Xs presxs levantam sua voz, escutemos um grito desde este lado do muro.

Se estende o convite a realizar seu desenho para logo convertê-lo em propaganda, em cartaz, adesivo, etc. Serão materiais para difusão solidária.

Como, onde e quando

Formato: O desenho deve ser escaneado em resolução alta, ao redor de 1000 pixels aproximadamente, é muito importante que seja escaneado e não uma foto já que sera usado para distintos formatos

Desde 19 de agosto até 15 de setembro.

Enviar a: feria_anticarcelaria@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

Masuda Goga

Anarquismo ultraliberal é só uma moda, dizem pesquisadores

Segundo autores, movimento dos anarquistas é historicamente contra o capitalismo

por Camila Jourdan e Acácio Augusto | 17/08/2019

Autores rebatem ideias associadas ao libertarismo e ao anarcocapitalismo, considerando que o movimento dos anarquistas é historicamente anticapitalista e antiestatal.

Enquanto libertários, vemos esta linha de pensamento como situada nas antípodas dos anarquismos. Isso poderia ser argumentado pela própria história do movimento, que rechaça o uso de seus termos por liberais, ultraliberais, libertarianos e oportunistas aninhados na burocracia do atual governo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/08/anarquismo-ultraliberal-e-so-uma-moda-dizem-pesquisadores.shtml

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/10/24/eua-por-que-uma-editora-fascista-esta-lancando-livros-de-goldman-berkman-e-kropotkin/

agência de notícias anarquistas-ana

Caneta gira
ao reflexo do sol
gira gira girassol

Lucas Eduardo

[Chile] Valparaíso: Jornada Anarquista – 24 agosto

A quinta região foi atacada particularmente pela devastação neoliberal, tanto os megaprojetos multinacionais como as políticas repressivas do estado policial desarticularam o tecido social que historicamente impregnou a região. Em um desejo de reativar espaços de encontro e debate necessários para gerar e redescobrir saberes que permitam uma alternativa para nossas comunidades é que convidamos a repensar nossas sociedades em prol de uma vida sem hierarquias, autônomas, ecológicas e feministas. Convocamos em conjunto a Espaço Fábrica e Jornadas Anárquicas à seguinte jornada a discutir, pensar e buscar levar nossos desejos de liberdade à prática cotidiana, para transformar e destruir o velho mundo. Pensamos a jornada como um espaço para promover novas formas de auto-educação em espaços de encontro e reconhecimento entre os que queremos um mundo novo. O objetivo é difundir a anarquia, discutir nossas propostas e construir comunidades livres.

Cronograma

10:30 | Oficina de defesa pessoal (Kempo)

13:30 |  Oficina  intensiva de encadernação (Cooperativa de Encadernação Ateneu Santiago)

14:30 | Anarcofeminismo: uma revisão histórica

15:30 | Oficina de Teoria do Valor

16:30 | Geografia e espaço-tempo social

18:30 | Conversatório Anarquismo e meios de comunicação na era digital (La Peste.org)

• Almoço vegano desde as 13h30.

• Espaço livre de condutas machistas e autoritárias

Espaço Fábrica, Recreo #48 Cerro Polanco (à esquerda da entrada do elevador) Valparaíso.

FB: https://www.facebook.com/events/407739976503280/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite em silêncio
o relógio presente
marca o passado

Eugénia Tabosa

[Chile] Santiago: Adjudicação de atentado incendiário contra ônibus da transantiago e atentado armado contra carabineros

I. Luta das ruas em confluência com a nova guerrilha urbana

Como grupos fazemos uso da violência revolucionária para tornar visíveis as evidentes contradições que o funcionamento sistêmico e cambiante do capital implica, dependente do Estado que o legitima como a ordem social da vez.

Cada engrenagem justifica a seguinte e se consolida como uma estrutura sob a proteção de um aparato judicial que condena a miséria, suaviza abusos e violações de sacerdotes condenados a uma vida de reclusão em palácios, e perdoa crimes fiscais ao alcance de 1% dxs chilenxs que conservam 26,5% da riqueza; um poder executivo encarregado de justificar e acelerar as medidas que favorecem o grupo rico e sedento de tirania que está no poder; um poder legislativo encarregado de debater entre sua casta o cotidiano de milhões de pessoas, em prol do bem-estar empresarial, e sempre resguardando sua privilegiada condição no poder.

Nesse cenário, decidimos romper com a passividade tomando o controle em determinadas e circunstâncias específicas, atacando distintas estruturas do poder político e empresarial, com a claridade de que golpes fugazes e pequenos não destroem, mas mancham a encenação da ordem e seus fanáticos, assim como também nos enche de energia rebelde fervorosa com sintomas de liberdade nas pequenas fraturas daquilo que às vezes parecia ser inquebrável.

É quando decidimos o objetivo que será atacado na íntima conspiração, também sendo parte do cenário de combates nas ruas na urbe, e em ocasiões aprimorando-os com táticas da nova guerrilha urbana.

A violenta ação clandestina do ataque ao poder político e econômico em suas múltiplas manifestações, mostra a existência daquilo que se esforçam por ocultar e proteger, sua vulnerabilidade.

Artefatos simulados e incendiários têm sido ferramentas usadas ao organizar ações controlando todos os fatores possíveis, falhando ocasionalmente, e acertando em outras onde a criatividade superou a potência do ataque, gerando grandes e escandalosas operações. O planejamento e definição cautelosa de objetivos permitiram boas execuções e a tensão esperada por parte dxs perseguidorxs.

Artefatos explosivos de fabricação caseira e poder de fogo artesanal acompanharam o enfrentamento direto possibilitado pela violência nas ruas. Distintos lugares com um denominador comum, policiais que vigiam a propriedade privada de grandes empresas que ousam invadir quebradas são atacadxs, a indumentária de transporte tem sido incendiada, por mão própria e mão amiga, assim permite a confluência de vontades na materialidade do ataque, que é parte vital desses cenários mutáveis e constantes.

A diferença de um ato organizado puramente por nossos grupos, as ações amplas e a debandada proporcionada nessas condições nos permitiu expandir os efeitos, bem como atingir os objetivos independente do número de envolvidos; la desbandada luta nas ruas abre portas para a criatividade e certeza do ataque ao estabelecido, sendo tão meritório quanto a ação clandestina que irrompe sem expectativas prévias.

Tentamos não perder de vista qualquer oportunidade para levar à prática aquelas ideias que nos uniram em afinidade autônoma, aproveitamos toda experiência, toda oportunidade que é apresentada para devolver um pouco da violência que algumxs poucxs exercem através do poder. Legitimamos a vingança, a rebeldia no livre desenvolvimento de nossas consciências revolucionárias.

II. Sistema de transporte um alvo legítimo

Retomando a ideia final do nosso comunicado anterior, explicaremos de forma sintética algumas ideias que nos consideramos importantes em torno da estrutura de transporte de Santiago, tomando os elementos que acreditamos serem explicativos de um tema que poderia ser muito amplo.

Parece longe de associar a entrada do Chile na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com uma realidade cotidiana como é o deslocamento no sistema de transporte metropolitano, no entanto o desenvolvimento de múltiplas políticas públicas têm a ver com a perseguição da vontade política daquelxs poderosxs que dirigem e decidem o desenvolvimento social em torno do benefício próprio e o desejo de aumentar seu capital pessoal através da inserção do território chileno no mercado internacional.

Para conseguir isso, a casta política chilena definiu uma série de medidas que pouco e nada têm a ver com o benefício e bem-estar de seus habitantes, mas ocorrem apesar das consequências que isso pode trazer.

A decisão do curso que será tomado para alcançar esse objetivo está claramente distante da tribuna democrática e das discussões de governança que a cidadania comum persegue com anseio. O debate dos custos, benefícios e projetos a seguir ocorre entre os 1% que conservam os 26,5% da riqueza capitalista abrigada no Chile.

Isso se refletiu quando a vontade do Estado chileno buscou uma série de ajustes políticos que lhe permitiram construir um caminho de entrada para a OCDE, fato que começou a se materializar em 2007, quando esta organização internacional entregou um roteiro com uma série de ajustes que ainda precisavam ser realizados para concretizar sua adesão como membro oficial.

Antes disso, o Estado do Chile havia começado a consolidar esse processo, inclusive entre os ajustes na “modernização” do transporte na capital para que cumprir os padrões internacionais. A Transantiago começou a ver a luz, deixando claro que seu desenho não foi feito para o benefício e melhor qualidade de vida das pessoas que o utilizam, mas que era um meio para conseguir os requisitos mínimos de transporte em uma economia que pretendia ser de nível mundial.

Apesar de ser repetitivo, é necessário considerar que o bom desenvolvimento econômico anda de mãos dadas com um bom fluxo comercial e uma boa circulação de seus produtores, de modo que o transporte tem sido objeto de análise e intervenção por parte dos “especialistas” no assunto, bem como uma vantagem a ser coberta por aqueles que projetam a propriedade nacional.

Quando esta política pública é implementada, com claras consequências materiais, fica evidente que o cumprimento dessas normas não é um complemento ou ajuste à realidade circunstancial de um território, provocando uma série de fracassos e um mal-estar sucessivo naqueles que lidam com esse meio.

Visto de outro lado, é claro que as boas intenções não fazem parte daqueles que decidem realizar um projeto como este, justificando a necessidade de “melhorar” o transporte na Região Metropolitana e fazendo com que os óbvios problemas de conectividade que existem outras grandes cidades e territórios isolados passem despercebidos. No entanto, isso não é devido à falta de informação, mas um investimento tão grande só se justifica em lucros iguais, e para alcançar padrões internacionais, a modernização do transporte em Santiago é proporcional ao aumento da produtividade esperada pelos 1% mais ricos, um benefício que não seria entregue por outra cidade, então esse investimento seria injustificado.

Esta e outras mudanças implementadas resultaram na consideração do Chile pela OCDE em 2007, e sua materialização em 2009 quando se tornou oficial, com outras modificações em troca.

A importância da entrada do Chile neste fórum internacional está na declaração explícita de colaboração política e econômica entre os países que o compõem, o que seus membros chamam de “compartilhar experiências”, implementando projeções econômicas no tom de “sugestão” para seus membros. Na prática, constitui um nicho de negócio para a casta dirigente de cada país integrante, e nele, como em várias outras organizações internacionais, é decidido o futuro de cada território, visando o fortalecimento conjunto da economia de mercado que o beneficia.

Por mais inofensivas que essas definições de funções pareçam ser para cada membro, estas têm claras consequências materiais e cotidianas na vida de cada pessoa, assim como mudanças irreversíveis na configuração de cada lugar, que, por progressivas e pequenas, fortalecem a ordem, a desigualdade e a agressão existente.

Quanto ao sistema de transporte santiaguino, esse passaria a ser uma pequena engrenagem do amplo universo de decisões tomadas no contexto da política internacional. O ataque a esse meio pode parecer pequeno, mas está claro que, nessa escala, decisões que podem parecer altas e inalcançáveis são materializadas. É no desenvolvimento cotidiano onde o poder e o capital realizam as ações que o perpetuam, e é necessário entender que não alvos inalcançáveis, as ações violentas de baixa escala não deslocarão uma decisão de tal magnitude, mas pero la entorpecerá e evidenciará a contradição, é uma lembrança de que nem tudo os pertence.

Diante de um ataque à Transantiago ou atual Red, há aqueles que se incomodam pela afetação cotidiana que isso pode significar para eles, o maquinário cuida para que a rotina dx cidadãx justifique o controle e a ordem sem alterações, ignorando que é no terreno material onde a dominação social é construída e consolidada. Por isso seguimos reivindicando ações contra o sistema de transporte, nos últimos anos, através da nossa imersão nas ações nas ruas, pudemos estar presentes na queima de oito ônibus, ações totalmente legítimas.

III. Agimos de acordo

Em 22 de março, a presença de Bolsonaro e outros fantoches mandatários na cúpula da PROSUR, realizada na Região Metropolitana, resultou em uma chamada para manifestação de rejeição no Paseo Bulnes, perto do Palácio do Governo. Nos juntamos a ela e aos múltiplos destroços, vandalismo, saques, barricadas e sabotagens que trouxe consigo.

No dia 29 de março, fizemos parte de uma nova data de combate em algum lugar de Santiago, participando da luta nas ruas e barricadas.

No mês de abril atuamos junto à afins em uma emboscada a Carabineros de Chile, perpetrada com tiros e artefatos incendiários. Uma barricada foi usada como chamariz para provocar a aproximação da polícia ao local, enquanto xs esperávamos escondidxs em outro lugar, fator de sucesso no ataque armado, pois o primeiro disparo de espingarda a apenas 5 metros de distância atingiu um policial que caiu no chão e foi auxiliado por seus miseráveis companheiros que recebiam uma chuva de artefatos incendiários, enquanto improvisavam a fuga. Esta ação realizada em coordenação com combatentes urbanos não teve repercussão midiática “oficial”, mas ocorreu nas redes sociais.

No dia 20 de abril formamos parte de uma nova data de combate, em uma ação conjunta com mais combatentes urbanos, participando da comemoração dos guerrilheiros Erick e Iván na comuna de Quinta Normal, onde barricadas foram erguidas, um novo ataque armado foi perpetrado contra Carabineros de Chile, e em questão de segundos um ônibus da Transantiago foi tomado de assalto e foi completamente incendiado¹.

No dia 01 de maio formamos parte de uma nova data de combate em pleno centro da capital, participando da convocatória radical que avançou pela Alameda. Contribuímos para isso através da luta nas ruas que deixou inúmeros destroços, vandalismos, barricadas e sabotagens.

No mês de maio, voltamos a expropriar munições para fortalecer nosso humilde arsenal. O material adquirido em algum lugar foi transferido por Santiago ao mesmo tempo que carabineros montavam uma grande operação na cidade, multiplicando os controles de identidade e veículos, bem como as rondas por viagens aéreas e terrestres, fatos que se repetem há algum tempo, resultando em um grande saldo de detidxs por posse ilegal de armas e drogas, uma questão a ser levada em conta.

No dia 03 de agosto formamos parte de uma comemoração ao companheiro Kevin Garrido na comuna de Pedro Aguirre Cerda, e em uma operação articulada e coordenada com mais combatentes urbanos, vários ataques armados contra Carabineros de Chile foram realizados e novamente um ônibus de transporte da capital foi tomado de assalto que foi completamente incendiado².

Para complementar essa seção composta pela exposição de nossas ações como grupos, reforçamos a ideia desenvolvida mo primeiro ponto deste texto, deixando claro que os ataques realizados têm sido possíveis devido à cooperação e participação de mais cúmplices em guerra, entre estxs estão algumx irmãxs que estão presentes desde que este projeto começou a tomar forma em 2015. Naquela época, xs companheirxs realizaram um atentado explosivo contra uma empresa Chilectra em outubro de 2015, um atentado incendiário contra um ônibus da Transantiago em novembro de 2015, finalmente emitiram um comunicado exibindo onde expressaram ameaças e fizeram um chamado para o ataque em janeiro de 2016. Essa ação fez parte de nossa perspectiva anti-civilização que continuou a ser ativamente moldada através das Forças pelo Desborde da Civilização.

Antes de finalizar, enviamos uma saudação cheia de força e vitalidade para o companheiro Juan Aliste, que resiste com dignidade e constante atividade política ao confinamento carcerário, assim como o companheiro Marcelo Villarroel, que atualmente enfrenta a aberrante irregularidade que o sistema judicial exerce contra a sedição, que revive e aplica uma condenação perpetrada pela justiça militar, cuja única manobra em tempos de democracia é diminuir a subversão autônoma que não foram capazes de silenciar.

Finalmente recordamos aquelxs que com suas ações deram vida às ideias de rebeldia e liberdade, dando o salto da feroz crítica à ordem que tenta nos esmagar, ao ataque à materialidade que a fortalece em diferentes tempos e territórios: Michele Angiolillo, Herminia Concha, Sebastián Oversluij, Javier Recabarren, Santiago Maldonado, Heather Heyer, Mikhail Zhlobitsky e Kevin Garrido. Na memória.

Agucemos a luta nas ruas e a nova guerrilha urbana!

Fogo, tiros e estrondos contra o poder, suas estruturas e lacaios!

Tudo continua… Voltaremos!

Núcleos Antagônicos da Nova Guerrilha Urbana

– Célula Karr-kai

– Forças pelo Desborde da Civilização

– Coluna Insurrecional “Ira y Complot” – FAI/FRI

[1] https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-metropolitana/2019/04/20/desconocidos-incendian-bus-del-transantiago-tras-amenazar-con-armas-de-fuego-a-conductor.shtml

[2] https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-metropolitana/2019/08/04/bus-de-transantiago-queda-destruido-tras-ser-incendiado-por-desconocidos-en-pedro-aguirre-cerda.shtml

Tradução > keka

agência de notícias anarquistas-ana

probleminhas terrenos:
quem vive mais
morre menos?

Millôr Fernandes

Traduções!

[Ceilândia-DF] Mistura de rap e punk marca trabalho de Jhamau

Punk rapper da Ceilândia lança single-manifesto ‘Crossover hardcore hip-hop’

por Devana Babu | 05/06/2019

Jhamau Sant’anna, vulgo Kaninez, é um punk rapper da Ceilândia que lançou recentemente uma pedra fundamental na música brasileira. O single-manifesto Crossover hardcore hip-hop já diz no título a que veio. Não é a primeira vez na história da música brasileira que se mistura rap e punk rock, e a própria letra da música reverencia o pioneirismo de grupos como Pavilhão 9 e, principalmente, os conterrâneos do Câmbio Negro.

Entretanto, o autor acredita ter chegado a uma síntese mais pura, uma simbiose perfeita entre o boom-bap e o “tum-pá”, ou seja, entre o beat do subgênero mais contestador do rap e a batida do punk rock. “Se tirar o vocal de uma música do Faces do subúrbio, por exemplo, poderia se dizer que é um rock. No caso da minha música, a mistura está no próprio som, 50/50″, explica o compositor, que não encontrou nada parecido em suas pesquisas.

Sua inserção no hip-hop se deu aos 12 anos, quando começou a dançar krump, um estilo de dança de rua. Aos 15, se encontrou também no punk rock. “Não migrei de um movimento pra outro”, conta. “Me descobri punk, mas continuei no rap”. Chegou a lançar alguns sons com samplers achados na internet, gravando a voz no estúdio formigueiro.

Desde então, passou a cultivar o sonho de unir os dois estilos como unha e carne. “Muita gente do punk tem banda, mas eu sempre quis fazer essa mistura, porque eu sou essa mistura. Desde essa época eu era um crossover ambulante”.

Em fevereiro, surgiu a oportunidade. Se inscreveu em uma oficina de produção musical do projeto Jovem de Expressão e foi tomar lições com o rapper AfroRagga, do Movni, que, ao saber das ambições do aluno, lhe disse: “Você vai aprender na prática fazendo esse som aí”. Trabalharam juntos nos rudimentos, samplearam a introdução de California Übber Alles — hino básico do punk rock de autoria dos Dead Kennedys — e mixaram com uma base de boom-bap.

Em casa, o aprendiz acelerou o andamento e encontrou o ponto exato da mistura. “Entre 100 e 110 bpm foi o ideal. Dá para os punks poderem pogar e os b-boys poderem dançar”. O resultado foi tão marcante que a letra surgiu de uma só canetada, rimando ícones do punk rock e do hip-hop e celebrando a herança genética da música. Obteve autorização para usar uma ilustração do grafiteiro Magri, importou o nome Kaninez, com que assina os próprios grafites, e lançou o single.

Poeta e slammer desde os primórdios, aos 22 anos a poesia é sua única fonte de renda. Todos os dias, ele percorre três vagões, 10 vezes por dia, recita cerca de 10 poemas do seu repertório para quase mil pessoas e passa o chapéu, criticando a violência contra a mulher, a alienação tecnológica e a escravidão causada pelas drogas. “Não é um discurso moralista, é uma questão política”, explica o adepto do movimento streight edge e vegano por questões éticas, políticas e ambientais.

Antes, ele vendia jujubas, mas levava prejuízo por causa da fiscalização e do preconceito por ser modificado, uma pessoa que fez alterações drásticas no corpo como usar grandes alargadores e ter a língua bifurcada. Ele conta que, depois que passou a recitar poesia, a visão dos passageiros mudou. “Com peita de rap e colete de rebite, moicano pra cima e apavorando nos grafite”, Jhamau, vulgo Kaninez, segue levando sua mensagem e quebrando paradigmas.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/06/05/interna_diversao_arte,760332/mistura-de-rap-e-punk-marca-trabalho-de-jhamau.shtml

agência de notícias anarquistas-ana

no parque vazio
duas árvores abraçam-se
em prantos de chuva

Eugénia Tabosa

[Ceilândia-DF] Solidariedade | Vaquinha arrecada dinheiro para ajudar antifascista atacado por bando de neonazistas

Como muitos estão sabendo, nosso colega Jhamau foi agredido covardemente nas ruas de Ceilândia. E agora, internado no hospital e sem poder trabalhar, está precisando de dinheiro para arcar com o prejuizo dos dias sem poder trabalhar, os cuidados médicos, etc…

Ele está precisando muito, porque ele é um vendedor ambulante, ele não tá podendo trabalhar enquanto tá internado, e agora ele precisa pagar os cuidados médicos e ainda vai ter que mudar para não levar a pior depois…

Quem puder contribuir com qualquer quantia, a conta pessoal dele é:

Agência: 0113

Conta Poupança: 113006169-5

JHAMAU S A FARINAZZO

BRB

CPF: 055.084.141-50

Ou, então, clique aqui:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/jovem-grafiteiro-e-espancado-em-ceilandia?fbclid=IwAR2lp2kFhZj2WwvEUdANB8vfoHfXFJRvJtvpFJtSbAumQs8Txwj_SekMe2A

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/21/ataque-neonazista-contra-jovem-antifascista-na-ceilandia-df/

agência de notícias anarquistas-ana

entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

[Grécia] Atenas: Declaração da Okupação Spirou Trikoupi 17: “Resistiremos juntos, vivos e livres”

Nas últimas semanas, após as eleições, estamos testemunhando o desenvolvimento de um Estado mais totalitário e de extrema direita, que ameaça a existência de nossas estruturas autogestionárias e livres, como também a vida das partes mais pobres e oprimidas desta sociedade. O novo governo começou desde o primeiro dia mostrando sua real face tomando controle das mídias, extinguindo o Ministério da Migração e transferindo esta jurisdição para o Ministério da Ordem Pública, sob a autoridade da polícia. Eles continuaram com prisões massivas de pessoas sem documentos “legais”, reforçaram o controle nas fronteiras, afastando turqueses “ilegais” e baniram o acesso de refugiados e migrantes ao sistema nacional de saúde, por não os fornecerem o número de seguro social, que é necessário. Isto também tem consequências imediatas ao acesso de crianças ao sistema educacional, por que sem a vacinação não são permitidas a frequentar a escola. Uma outra extensão da mesma política afeta Exarchia e todas as estruturas deste bairro, os quais são contra este sistema podre, hierarquizado e corrupto. O plano deles é gentrificar e tomar o controle do único lugar em Atenas que ainda resiste. Imediatamente eles atacaram duas okupas de refugiados, Notara 26 e Hotel Oneiro, tentando cortar a água e a eletricidade, forçando centenas de pessoas a temerem por suas vidas e sua liberdade.

Na Spirou Trikoupi 17 trouxemos vida de volta a um prédio totalmente abandonado, vazio por 15 anos. Começamos construindo banheiros e separando quartos, conseguimos criar uma sala de aula e um parque para as crianças, educando e fazendo suas vidas mais colorida. Criamos um espaço autogestionado com assembleias semanais e grupos de trabalho, no qual todos nós estamos tomando decisões sobre nossa vida em comum e nossas lutas, com valores e princípios antiautoritários, antirracistas e feministas.

Do nosso lado, nos solidarizamos com todas as estruturas, okupas e espaços sociais autogestionados que se mantêm lutando por uma sociedade diferente e melhor. Uma sociedade onde a solidariedade, a equidade e a autogestão serão seus princípios e grande ideais. Não iremos nos render, resistiremos contra a fome do Estado em nos exterminar e extinguir.

Pedimos pela sua solidariedade real e ativa, como estão nos demonstrando todos esses anos. Nesta batalha devemos nos manter todos juntos, unidos por nossas ideias e contra todo mecanismo de repressão desumana que tenta nos combater. Pedimos pelo suporte da sociedade, da vizinhança e dos coletivos políticos que estão de pé junto conosco.

Sua repressão não passará

Você não pode desalojar um movimento

Resistiremos juntos, vivos e livres

A solidariedade ganhará

Spirou Trikoupi 17

FB: spiroutrikoupi17

Tradução > A Alquimista

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/16/grecia-nao-passarao-se-converte-no-lema-de-exarchia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/01/alemanha-novos-e-velhos-senhores-na-grecia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/18/grecia-exarchia-passa-por-uma-verdadeira-guerra-psicologica-entre-o-estado-e-os-anarquistas/

agência de notícias anarquistas-ana

Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente …

Miranda

[Espanha] O pensamento anarcofeminista de Emma Goldman

Nas últimas décadas inúmeros escritos foram dedicados à Emma Goldman; se tratam principalmente de estudos de caráter biográfico, cheios de uma profunda admiração por seu ativismo apaixonado, seu temperamento indomável, a audácia de suas empresas sobre o controle de natalidade, o amor livre, o rigor de sua luta contra o recrutamento militar e a guerra e o enorme preço pago por suas ideias. A partir desse enfoque a maior parte dos autores seguiu o caminho traçado pela própria Emma Goldman em sua autobiografia Vivendo minha vida (Living My Life), a heroica aventura de uma mulher judia, imigrante e anarquista que soube aderir em sua vida seus próprios ideais.

“O braço da autoridade sempre interferiu na minha vida. Se continuei me expressando livremente, foi porque superei todas as limitações e dificuldades que cruzaram meu caminho.  […]. Nisto eu não estou sozinha. O mundo deu à humanidade figuras heroicas que frente a perseguição e a injúria viveram e lutaram por seus direitos e pelos direitos da espécie humana a uma livre e ilimitada expressão.” – disse Emma.

Já nos anos trinta Emma Goldman havia se convertido em uma figura mítica, um ícone, o símbolo da força anarquista.

Em raras ocasiões os estudos colocaram em discussão um mito que, no entanto, obscureceu durante muito tempo a complexidade e a radicalidade do pensamento de Emma Goldman. A ativista apaixonada e a rebelde deixaram a pensadora em segundo plano. Carente de uma verdadeira criatividade intelectual, frequentemente excluída tanto dos estudos gerais sobre o anarquismo como os do feminismo, Emma foi descrita como uma divulgadora de teorias dos demais expoentes do anarquismo, em particular Bakunin e Kropotkin. “Ela não era de forma alguma uma pensadora política e social relevante”. Este julgamento, expresso em 1961 por Richard Drinnon em Rebel in Paradise (Rebelde no Paraíso), foi expresso constantemente com o passar dos anos. Ao perpetuar uma concepção consolidada na história do pensamento político que contrapõe a vida emocional e o pensamento, a maior parte dos estudiosos subestimou a contribuição da anarquista russa no plano teórico. Portanto não surpreende que tenham sido as estudiosas feministas, com a convicção de que a experiência existencial enriquece e ilumina o pensamento, as primeiras a considerar a filosofia política e social de Emma digna de atenção. O renovado interesse por seus escritos se manifestou a partir dos anos 70 impulsionado pelo movimento feminista, pelo levantamento estudantil e pelo movimento contra a guerra. “Na era do ‘faça amor, não faça guerra’ – relembra Candance Falk – eu e minhas contemporâneas devorávamos Vivendo minha vida, como se fosse escrito para nós”.

Bruna Bianchi

>> Para baixar o livreto, clique aqui:

https://drive.google.com/file/d/14yaX8o267igXfy91Kiw5HSKrrf34Xw-S/view

Fonte: https://grupopensamientocritico2014.blogspot.com/2019/07/el-pensamiento-anarcofeminista-de-emma.html

Tradução > Daitoshi

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/04/24/espanha-lancamento-viviendo-mi-vida-volume-2-emma-goldman/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/09/29/eua-a-sorveteria-de-emma-goldman/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/09/07/canada-esta-sendo-preparada-graphic-novel-sobre-emma-goldman/

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

[Chile] Valparaiso: Lançamento do livro “Perspectivas Anarquicas Contra La IIRSA”

Lançamento do livro “Perspectivas Anarquicas Contra La IIRSA – Compilación de textos, conversas y practicas contra el extractivismo y la devastación”.

Domingo, 25 de agosto, a partir das 17 horas.

• Lançamento do Livro

• Exposição de problemáticas relacionadas ao extrativismo

• Palestra

• Comida Vegana

Evento livre de atitudes autoritárias

Espaço Fabrica – Recreo #48 C° Polanco – Valparaiso

>> Sobre o livro:

“Perspectivas Anarquicas Contra La IIRSA. Compilación de textos, conversas y prácticas, Contra la devastación”

Este livro nasce da necessidade urgente de nos informarmos sobre as práticas ecocidas do capitalismo devastador (neste caso da IIRSA – Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul) desde uma perspectiva anárquica, contextualizando as práticas, os textos emanados, a propaganda, ações, perseguições, repressão, condenações, entre outros.

FB: https://www.facebook.com/events/356690548362767/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/02/02/chile-semana-de-agitacao-e-propaganda-anarquica-contra-a-iirsa-12-a-19-de-fevereiro/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/11/10/chile-resenha-e-audio-da-jornada-pela-terra-e-contra-a-iirsa/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/10/21/chile-hoje-tem-estreia-mundial-via-internet-do-documentario-iirsa-la-infraestructura-de-la-devastacion/

agência de notícias anarquistas-ana

o rio ondulando
a figueira frondosa
no espelho da água.

Alaor Chaves