[Espanha] Roc Blackblock restaura mural para celebrar o 90º aniversário da Revolução Social de 1936

Por ocasião do 90º aniversário da Revolução Social, quis refazer o mural da miliciana da Kasa de la Muntanya. Pintei este mural há 5 anos e as cores estavam bastante deterioradas. Achei justo torná-lo elegante para celebrar o 90º aniversário e ser mais uma das atividades realizadas para relembrar os dias em que o sonho igualitário era vivido. A escolha da nova paleta de cores baseou-se na esperança de que fosse mais resistente ao sol. As condições de trabalho (ou melhor, a minha condição física) tornam estes trabalhos em altura muito árduos, mas como se tratava de uma restauração, foi possível fazê-la rapidamente e em dois dias estava concluída.
 
Um pouco de contexto
 
Em 1936, o “Escritório de Informação e Propaganda da CNT FAI” encomendou a vários fotógrafos o registro dos acontecimentos nas ruas. Este mural foi inspirado em uma dessas fotografias. O original, de Antoni Campanyà, data de 28 de agosto de 1936, um mês após o golpe. Pertence a uma série de retratos dos milicianos durante a tomada do “Caserna del Bruc” (que foi renomeado “Caserna Bakunin”). A importância desta série reside no fato de as fotografias terem se tornado a certificação da vitória da Revolução Social, uma vez que retratam a conquista e a tomada de um símbolo como o quartel, a última defesa nacional da região. Presume-se que os milicianos que tomaram o quartel pertenciam a uma coluna de Hospitalet e Baix Llobregat.
 
Não só o golpe de Estado foi detido nesta parte do país, como a Revolução Social teve início. Fábricas e terras foram coletivizadas, riquezas e recursos foram redistribuídos, espaços e símbolos de poder e opressão foram tomados e incendiados, instituições, quartéis, igrejas…
 
Mais uma vez, agradeço a @kasadelamuntanya pelas instalações e pela acolhida, a @feralcala pelas fotografias e pela companhia, sempre bem-vinda, e a Max pelo seu conhecimento e por estar sempre pronto para se sacrificar.
 
Roc Blackblock
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/07/espanha-palavras-de-roc-blackblock-na-inauguracao-do-mural-em-homenagem-a-salvador-puig-antich/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/24/espanha-um-mural-na-kasa-de-la-muntanya-presta-homenagem-aos-milicianos/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
piscina de areia
pardalzinho brinca e canta
acha que é sereia
 
Diana Pilatti

E a bandeira anarquista tremulou neste no 1º de Maio de 2026!

Enquanto outros se perguntavam o que fazer no 1º de Maio de 2026, a Federação Anarquista Capixaba (FACA), em conjunto com a União Anarquista Federalista (UAF) propôs, e a luta aconteceu. Do sul ao norte do Estado, a bandeira preta e vermelha voltou a se erguer onde o sistema gosta de pisar: nos bairros operários, nas fábricas silenciadas pelo medo, nos muros cinzentos da exploração. Mas foi em Cachoeiro de Itapemirim que o chão tremeu de novo. Ali, na terra onde a história não morreu, o anarquismo mostrou que ainda respira fundo – com colagens, panfletos e rodas de conversa que despertaram a classe trabalhadora do torpor eletrônico.
 
Em Cachoeiro, a bandeira preta e vermelha tremulou novamente. Não como peça de museu, mas como fogo vivo. A FACA esteve lá para lembrar que o fascismo avança, que o Congresso cospe ódio, que as milícias urbanas e os pastores armados querem nos dobrar. Mas a resposta foi a mesma de sempre: organização de baixo para cima, autonomia, rebeldia. Homens e mulheres trabalhadores de Cachoeiro pararam, leram, discutiram. A escala 6×1 foi denunciada. O assédio moral, a inteligência artificial que descarta gente como peça defeituosa, os robôs que roubam o suor – tudo isso foi nomeado, escrachado, enfrentado. A FACA não fala sozinha: ela costura a voz de quem vive do braço.
 
E enquanto a cidade de Cachoeiro de Itapemirim via a bandeira dupla – preta como a fome que o capital espalha, vermelha como o sangue derramado em pelos Mártires de Chicago – a FACA espalhou sementes também em Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim. Mas é no sul capixaba que a chama pegou com mais força, porque lá o povo sabe que a guerra de classes não acabou. Não acabou em 1936, não acabou na ditadura, não acabou agora. A bandeira que tremulou em Cachoeiro é a mesma que tremulará nas próximas batalhas. A FACA não pede licença: ela entra pela porta da fábrica, pelo portão da escola, pelo beco da periferia.
 
E o 1º de Maio de 2026 foi só o aquecimento. A Federação Anarquista Capixaba está nas ruas, mas precisa de mais braços, mais mentes, mais fúria organizada. Se você quer ver a bandeira preta e vermelha tremulando em cada esquina, se está cansado de patrão, pastor, juiz e robô decidindo sua vida, chega junto.
 
Filie-se à FACA. Venha construir conosco a única força que pode parar o capital: a classe trabalhadora em pé, armada da sua própria consciência e organização.
 
Procure a Federação Anarquista Capixaba.
 
A luta te espera!
 
Federação Anarquista Capixaba – FACA
Filiada à União Anarquista Federalista – UAF
 
>> Mais fotoshttps://federacaocapixaba.noblogs.org/post/2026/05/06/e-a-bandeira-anarquista-tremulou-neste-no-1o-de-maio-de-2026/
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
caminho mundo…
a treva negra
envolve tudo…
 
Luís Aranha

[País Basco] Protesto, rebeldia e ruptura: assim foi o Primeiro de Maio da CNT

 
Os convocantes rechaçaram explicitamente as reformas laborais, considerando-as insuficientes para melhorar as condições da classe trabalhadora.
 
Por DavidBM
 
Bilbao, 1º de maio 2026 – As quatro capitais de Hego Euskal Herria foram cenário este Primeiro de Maio de mobilizações convocadas pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT), em uma jornada marcada por um discurso combativo contra a precariedade laboral, o militarismo e o atual modelo econômico. Milhares de pessoas foram às ruas sob o lema “Corre, companheira! O velho mundo fica atrás de nós”, em uma reivindicação que situou a desobediência e a organização coletiva como eixos centrais.
 
Em Bilbao, a manifestação iniciou às 11h30 desde Gran Vía 54-56 e percorreu o centro da cidade até concluir na Plaza Arriaga, onde se celebraram vários comícios. Convocatórias similares se desenvolveram de forma simultânea em Donostia-San Sebastián, Vitoria-Gasteiz e Iruña-Pamplona, em uma jornada que buscou reforçar a presença do anarcossindicalismo no mapa das lutas laborais.
 
O manifesto difundido pela organização insiste em que “hoje não marchamos por nostalgia nem por ritual”, mas como resposta a um contexto no qual, segundo denunciam, “o trabalho segue sendo exploração” e a vida cotidiana está marcada pela precariedade. “Não há reforma suficiente dentro deste sistema”, sustentam, em uma crítica direta ao modelo socioeconômico atual.
 
Um dos eixos do discurso foi a reivindicação da desobediência como ferramenta política. “Não há futuro sem desobediência”, proclamaram, defendendo a ação direta, a auto-organização e a construção de alternativas “sem amos e sem permissões”. Frente ao que consideram uma tentativa de “impor a obediência como virtude”, a CNT apelou à comunidade, à solidariedade e à luta compartilhada.
 
A convocatória também incorporou uma crítica explícita ao contexto internacional. Em um momento marcado por conflitos armados e tensões geopolíticas, o sindicato denunciou que “a guerra é uma indústria” e que as decisões que a alimentam se tomam “longe dos que a sofrem”. Neste sentido, defenderam uma paz baseada na justiça social e o fim da exploração: “não pode haver paz enquanto a riqueza de uns dependa da miséria de outros”.
 
As mobilizações do Primeiro de Maio em Euskal Herria foram protagonizadas majoritariamente por sindicatos como ELA, LAB ou CCOO, que centraram suas reivindicações na melhora de salários e condições laborais. Em contraste, a CNT apostou por um discurso mais rupturista, centrado no questionamento do sistema em seu conjunto e na reivindicação do anarcossindicalismo como alternativa.
 
Durante os atos finais, as intervenções insistiram em que “o velho mundo – o da hierarquia, da submissão e do medo – se rachava sob nossos passos”, apelando a intensificar a organização desde baixo através de greves, redes de apoio mútuo, cooperativas e ocupações. “Ali onde haja exploração, haverá resistência”, reiteraram.
 
A jornada concluiu com um chamado a estender a luta mais além do Primeiro de Maio: “Não esperamos o futuro: o estamos criando”, proclamaram, fechando uma mobilização que combinou crítica social, discurso político e reivindicação histórica do movimento obreiro libertário.
 
Fonte: https://www.ecuadoretxea.org/protesta-rebeldia-y-ruptura-asi-ha-sido-el-primero-de-mayo-de-la-cnt/
 
Tradução > Sol de Abril
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
passeio campestre —
no vestido e nas sandálias
o aroma do mato
 
Leonilda Alfarrobinha

[Austrália] O capitalismo precisa das prisões, mas nós não

Você pode ouvir a expressão “abolição das prisões” e pensar numa grande bola de demolição, destruindo as paredes de um bloco de celas e libertando as pessoas lá dentro. Hoje, essa ideia soa completamente absurda para a maioria das pessoas.

Como assim? Soltar todos os prisioneiros? Os estupradores? Os assassinos? Simplesmente deixá-los soltos nas ruas?

A verdade é que, por mais ingênuos que alguns ativistas possam ser sobre o assunto, a abolição das prisões é possível. Mas isso não será um acontecimento único e definitivo.

Em vez disso, pense na abolição das prisões como um processo. Ela começa com a compreensão das raízes daquilo que chamamos de “crime” e com o apoio a companheiros trabalhadores em situação de necessidade. Mas esse processo não pode se completar sob o capitalismo.

O Estado precisa das prisões para manter o capitalismo de pé. Portanto, para abolir as prisões, temos de abolir o capitalismo.

“Crime” e punição sob o capital

Então, e todos aqueles assassinos e estupradores?

Pela forma como a mídia noticia, parecem ser as únicas pessoas presas. Os governos nos vendem a imagem de prisões abarrotadas com a escória mais vil e mais violenta da Terra. Essas pessoas não seriam nada parecidas com você. Estariam praticamente destinadas à cadeia.

Mas os criminosos violentos compõem apenas uma pequena parcela da população carcerária.

Raramente alguém entra no sistema prisional por causa de um único ato dramático. A maior parte do contato com a polícia começa com a instabilidade. Você deixa de pagar uma multa porque não pode bancá-la. Viola a liberdade sob fiança porque não tem endereço fixo. Dorme num parque. Dirige sem licenciamento. Furta em loja. É acusado de embriaguez em via pública porque não tem outro lugar para beber. Ou, enfim, talvez você e seus amigos só tenham fumado um baseado.

Audiências são perdidas. Mandados são expedidos. As condições da fiança ficam mais rígidas. Mais tribunal. Mais multas. E é um ciclo que não recai de forma igual sobre todos. O encarceramento segue as linhas traçadas pela colonização. Os povos originários representam menos de cinco por cento da população da Austrália, mas quase quarenta por cento de sua população carcerária. Isso não ocorre porque exista alguma realidade em que pessoas indígenas sejam, por força de identidade, mais propensas a cometer crimes.

Em vez de dar recursos aos trabalhadores pobres, o sistema os prende por roubo. Em vez de tratar com humanidade as pessoas com dependência química, o sistema as prende por uso de drogas. E, em vez de enfrentar a epidemia de sofrimento psíquico neste país, o sistema permite que a polícia brutalize os doentes e que os tribunais os joguem em jaulas.

Enquanto isso, quem pode desfrutar da própria liberdade? Os defensores da guerra e os cúmplices do genocídio dos palestinos. Os criminosos financeiros. Os sujeitos repugnantes citados nos arquivos de Epstein. Sob o capitalismo, a classe dominante decide o que conta como “legal” e “ilegal”. E, quando ela mesma viola suas próprias leis, sai impune.

A fantasia do abolicionismo liberal

Algumas visões de abolição das prisões são bem-intencionadas, mas completamente irreais.

Muito daquilo que é chamado de “crime” na verdade não é danoso. Parte disso é danosa, mas deveria receber uma resposta baseada em cuidado, solidariedade ou atendimento médico. Mas a ideia de que podemos eliminar totalmente as prisões apenas criando “alternativas” está errada.

O capitalismo precisa das prisões porque o sistema não funciona a menos que o Estado tenha o poder de criar e impor leis. As corporações precisam garantir que não obtenhamos nada de graça. Os proprietários precisam extrair aluguel e despejar inquilinos. E os patrões precisam nos impedir de usar nossa maior arma: entrar em greve.

Portanto, a abolição das prisões tem de ser revolucionária. E, como revolucionários, também não podemos agir como se jamais houvesse necessidade de confinar temporariamente um indivíduo ativamente perigoso. O que mais faríamos com fascistas tentando esmagar uma revolução?

A abolição das prisões não significa ignorar o fato de que as pessoas causam danos. Ela rejeita a ideia de que um sistema construído sobre escravidão, racismo e exploração de uma fonte barata de trabalho possa algum dia servir à verdadeira justiça. Sobretudo quando está assentado sobre montanhas de casos não resolvidos e é imposto por abusadores incompetentes.

Em vez disso, a abolição das prisões deve fazer parte de um processo revolucionário de longo prazo.

O caminho para a liberdade

Quando o Estado manda pessoas para a cadeia, não é para manter todo o resto em segurança. É para proteger interesses capitalistas, fomentar divisões e gerar lucro. Em vez de proteger a sociedade, ele prende as pessoas em ciclos de violência, com pouca evidência de reabilitação.

A prisão isola as pessoas de suas comunidades, alimenta a desconfiança baseada em identidades e estimula o perfilamento. Ela mantém as causas profundas do chamado crime antissocial e impede que a classe trabalhadora se una para exigir condições melhores.

No curto prazo, é essencial combater o policiamento racista, a criminalização da pobreza e as leis anti-greve que nos privam de poder. Mas, se nosso objetivo é um mundo que não empurre centenas de milhares de pessoas pobres, desesperadas e doentes para jaulas, precisamos de uma revolução dos trabalhadores. Só então poderemos pôr fim ao sistema capitalista e à violência que ele gera.

ancomfed.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Pardal orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan

[Espanha] 9 de maio. X Jornadas de Pedagogia Libertária – Confederação Nacional do Trabalho

Os sindicatos CNT, CGT e Solidaridad Obrera organizam a X Jornadas de Pedagogia Libertária na sede da FAL em Madrid. O evento acontecerá no dia 9 de maio e contará com diversas apresentações e atividades ao longo do dia, com foco no tema Memória Histórica e Educação.

Teremos a oportunidade de conhecer os diferentes projetos de Memória Histórica implementados nas escolas, as ferramentas pedagógicas do projeto de arqueologia territorial na região de Guarguera (Huesca) e as lutas no âmbito da Formação Profissional. Além disso, haverá um painel de discussão sobre a ascensão da extrema-direita nas salas de aula.

Em anexo, você encontrará a programação do evento, que culminará em um recital de poesia acompanhado por violão. Lembre-se de que é necessário se inscrever para participar:  jplibertaria25@proton.me

Quando? Sábado, 9 de maio.
Horário?  A partir das 9h30

Onde?  Sede da FAL em Madrid.

fal.cnt.es


agência de notícias anarquistas-ana

pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

Carlos Seabra

[Espanha] Um 1º de maio sem concessões: a rua frente à precariedade e a extrema direita

A CNT voltou a tomar as ruas de Badajoz no passado 1º de maio junto ao sindicato regional 25M em uma jornada que recuperou o pulso reivindicativo que alguns se empenham em domesticar. A manifestação partiu da Plaza de Santiago, no bairro de San Roque, e avançou até a Plaza de España, onde concluiu com um ato político. Ao redor de 200 pessoas participaram em uma mobilização que não se limitou à rotina, mas assinalou com clareza os responsáveis pela precariedade que atravessa a classe trabalhadora.

O percurso seguiu pelas ruas Toledo, Ricardo Carapeto Zambrano, Ronda del Pilar, Pedro Valdivia e Obispo San Juan. Ao longo do trajeto, os lemas foram diretos: contra o sistema capitalista, contra a perda de direitos e contra as políticas que, desde as instituições, continuam beneficiando a uma minoria enquanto se deterioram as condições de vida da maioria. A presença da plataforma de pensionistas reforçou essa mensagem de continuidade na luta, evidenciando que os cortes e o abandono afetam a diversas gerações de forma acumulativa.

Não faltaram tampouco as mensagens contra a guerra e o militarismo. Várias bandeiras palestinas percorreram toda a manifestação, acompanhadas de lemas em solidariedade com o povo palestino. Não como um gesto simbólico isolado, mas como parte de uma crítica mais ampla a uma ordem internacional que normaliza a violência quando serve a interesses econômicos e geopolíticos. O que ocorre fora não é alheio ao que se sofre dentro.

Durante a marcha, o tom foi firme frente ao avanço da extrema direita em Extremadura e no conjunto do Estado. Denunciou-se seu papel como garantia das mesmas políticas que castigam a classe trabalhadora, apesar de envolver-se em discursos de confrontos vazios. Sob uma retórica agressiva, o que sustentam é mais do mesmo: cortes, privatização e disciplina social.

A mobilização concluiu na Plaza de España com a leitura de um manifesto no qual se insistiu na necessidade de organização desde baixo, sem intermediários nem estruturas que diluam a capacidade de decisão dos que sustentam o trabalho diário. Frente à precariedade, mais organização; frente ao medo, mais solidariedade; frente aos que governam para uns poucos, resposta coletiva.

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva no lago
cada gota
um lago novo

Alice Ruiz

[Espanha] Áudio | Barrio Canino vol.326 – III Bienal Anarquista de Madrid, BAM 2026

Esta semana trazemos o programa que fizemos ao vivo durante a cobertura radiofônica da III Bienal Anarquista de MadridBAM 2026, em 25 de abril de 2026 desde o CSO La Enredadera no bairro madrilenho de Tetuán. Esta edição da BAM esteve especialmente relacionada com a temática laboral, sob o lema “Recuperar nosso tempo. Abaixo o trabalho”.
 
A Bienal Anarquista de Madrid é um ciclo de palestras, oficinas, mesas redondas. Acompanhando o evento encontramos também os postos de editoras, livrarias e coletivos amigos. A ideia de organizar uma Bienal Anarquista em Madrid nasce em 2022 com o objetivo de conectar teorias e práticas libertárias, sair de nossos espaços confinados e construir alternativas reais com as quais poder enriquecer-nos em nossa busca de uma radical transformação social. Esta cobertura que trazemos aqui se soma às que já fizemos durante a primeira Bienal Anarquista em 2022 compartilhando espaço entre o Ateneu La Maliciosa e a Fundação Anselmo Lorenzo (FAL) e em 2024 durante a segunda Bienal Anarquista de Madrid no CSO La Animosa em Hortaleza. 
 
Esta retransmissão contém as seguintes entrevistas:
 
– Teresa, da organização da BAM2026
– Myrtille Gonzalbo, com a ajuda de Lily para a tradução, falando sobre a história do comunismo libertário espanhol: “150 anos construindo comunismo libertário. Teorias e práticas anticapitalistas no final do s.XIX e princípios do s.XX.” 
– Carmen, da Liza. Plataforma revolucionária socialista anarquista. Espaço de difusão e debate desde o anarquismo especifista.
– Deyanira Schurjin, apresentando o tomo II de seu projeto Sombras com sua publicação “Que trabajen las ricas”.
– Carlos da Fundación Salvador Seguí, falando da exposição fotográfica do Tetuán libertário e o passeio histórico pelo Tetuán obreiro dos anos 20 e 30.
– Alfredo Apilánez, falando de sua palestra “Contra el culto al trabajo. Clase, reproducción social y subversión de la vida cotidiana”.
 
E por que o trabalho?
 
As lutas contra o trabalho emergiram com força em diversos momentos históricos, desafiando a naturalização do trabalho como princípio ordenador do mundo. Desde insurreições obreiras até correntes teóricas e práticas que imaginaram outras formas de existência, a crítica ao trabalho foi e segue sendo uma crítica ao coração do capitalismo.
 
Nesta terceira edição da Bienal se retomam estas tradições de pensamento e ação, abrindo um espaço para explorar as teorias e práticas que apontam para a abolição do trabalho, interrogando suas possibilidades no presente e os horizontes que podem abrir para imaginar outras formas de viver.
 
Temos claro: não desfrutamos na paralisação, nem desfrutamos trabalhando. Não.
 
Programa completo para escuta on-line e para baixar:
 
agorasolradio.org
 
Link do programa: 
 
agorasolradio.org
 
Tradução > Sol de Abril
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/06/espanha-terceira-bienal-anarquista-de-madrid/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Cheio de sonhos
Atiro na lixeira
Folhinha velha
 
Calberto

Arquivo Digital Danças das Idéias

Reuniremos em forma de arquivos digitais, materiais reunidos em algumas décadas de participação nas ações em que estivemos envolvidas e os disponibilizaremos de forma aberta e de forma direta, dentro do possível.

Convidamos a todas as pessoas interessadas em contribuir que o façam através de nosso email: lobo@riseup.net ou fenikso@riseup.net .

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Sesta no jardim:
a borboleta me acorda.
Coça o meu nariz.

Anibal Beça

[Chile] Santiago: Nossa linguagem comum é a resistência

Participe de uma exibição e debate com a Comunidade Prosfygika (Atenas).
 
Exibições:

A Comunidade Ocupada de Prosfygika” (14 min)
Prosfygika: uma criação comunitária” (sobre a greve de fome) (15 min)
 
Em seguida:

Bate-papo por videochamada com compas da Prosfygika.
 
Prosfygika é um bairro okupado com 8 blocos de edifícios em estilo Bauhaus que abrigam 228 apartamentos e atualmente fornecem abrigo a cerca de 400 pessoas no centro de Atenas.
 
Os edifícios foram construídos na década de 1930 para abrigar refugiados. Em 1944, desempenharam um papel significativo na resistência contra a burguesia grega, apoiada pelo imperialismo britânico. Marcas de balas e projéteis ainda são visíveis nos edifícios. No final da década de 1990, cogitou-se demoli-los para a construção de um shopping center. Os moradores ficaram aterrorizados com a ameaça de expropriação forçada e a grande maioria vendeu suas propriedades a uma entidade pública por um terço do seu valor real. Após o abandono desse plano e a ocupação parcial dos edifícios no início dos anos 2000, a área sofreu períodos de violência relacionada ao narcotráfico e à máfia até que, após os levantes de 2008, tornou-se a Comunidade Ocupada de Prosfygika em 2010.
 
Desde 2010, a Comunidade tem sido uma luta social e política de base, horizontal e auto-organizada. Ela se fundamenta nos princípios da democracia, igualdade, autonomia e solidariedade, por meio da auto-organização, horizontalidade, tomada de decisões coletivas, circularidade, compromisso e participação. Adota as ferramentas do movimento revolucionário em geral. Entre suas principais características estão a propriedade comunitária de recursos, estruturas e infraestrutura.
 
Prosfygika é uma comunidade com mais de 400 pessoas — gregos, refugiados e migrantes — incluindo 50 crianças e pessoas de grupos sociais vulneráveis. Atualmente, a comunidade representa uma contraproposta para a organização social, com 22 estruturas auto-organizadas para educação, saúde, auto-organização feminina, alimentação, autodefesa, trabalho técnico, moradia para pessoas em tratamento no hospital oncológico próximo e seus acompanhantes, programas para jovens e muitas outras necessidades, todas abordadas a partir de uma perspectiva revolucionária.
 
Em junho de 2025, a Região da Ática, juntamente com o Ministério da Cultura e o Serviço Público de Emprego (DYPA), assinou um acordo programático para a requalificação de Prosfygika, na Avenida Alexandras. Este acordo prevê o despejo de uma comunidade de mais de 400 pessoas e a demolição de 22 estruturas autogeridas.
 
Desde então, a comunidade Prosfygika lançou uma grande campanha, incluindo a greve de fome de Aristóteles Chantzis em defesa da comunidade e em apoio às suas reivindicações coletivas. Agora é o momento de intensificar a luta, e o dia 15 de maio marca os 100 dias de greve de fome de Aristóteles, que ele continuará até sua morte em defesa da vida.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Entre pernas guardas:
casa de água
e uma rajada de pássaros.
 
Olga Savary

[Espanha] “A verdade é que foi um dia magnífico”

Desde o sindicato da CNT de Pedrera-Campillos, decidimos participar da manifestação em Sevilha e nos juntar ao bloco ao lado dos companheiros e companheiras do nosso sindicato. Como sabem, todos os anos tentamos acompanhar essa jornada em algum dos municípios andaluzes onde a CNT está presente, compartilhando a luta com pessoas como vocês.

Queremos expressar publicamente nossa enorme gratidão pela recepção que nos foi oferecida pelo SOV da CNT de Sevilha. Também queremos destacar o protagonismo que nos foi dado como sindicato de Pedrera dentro do bloco e na faixa, um gesto que valorizamos profundamente.

Da mesma forma, foi emocionante a cordialidade com que fomos recebidos na sede após a manifestação, onde pudemos compartilhar um momento de convívio com uma refeição excelente. Percebeu-se o carinho e o esforço em cada detalhe, desde a organização até a comida, que estava deliciosa.

A verdade é que foi um dia magnífico. Compartilhar a rua, a luta e, depois, esse momento de encontro nos emocionou sinceramente.

Em nome de todas as e os militantes de Pedrera-Campillos que estivemos lá, gostaríamos de manifestar, como já disse, nosso agradecimento público no seio do Comitê Regional e que o transmitam aos militantes de Sevilha.

Saúde!

CNT de Pedrera-Campillos

agência de notícias anarquistas-ana

Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio

Alphonse Piché

[Itália] Isto é a lepra que chamais de civilização

 
Texto do panfleto distribuído em 30 de abril em Cagliari
 
ISTO É A LEPRA QUE CHAMAIS DE CIVILIZAÇÃO
CONTRA O 41 BIS E AS PRISÕES, ALFREDO LIVRE
 
Após um ano de silêncio, graças ao vosso constrangedor e anacrónico processo penal, é-me permitido expressar publicamente o meu pensamento. Mesmo que à distância, mesmo que pelo breve tempo de um bater de asas, hoje posso arrancar a mordaça, a mordaça medieval de um 41 bis que um governo de centro-esquerda há anos me aplicou para calar uma voz incómoda, por mais minoritária e irrelevante, mas certamente inimiga desta vossa democracia. Estes dois anos de regime especial abriram-me definitivamente os olhos para a verdadeira face do vosso direito, das vossas garantias constitucionais, revelando-me um sistema criminógeno feito de totalitarismo obsceno, tão cru quanto assassino.”
 
Estas palavras foram proferidas durante a audiência de 15 de janeiro de 2025 por Alfredo Cospito, companheiro anarquista encarcerado há quatro anos na Prisão de Bancali, em Sassari, em regime de 41 bis, onde, para protestar contra este regime, empreendeu uma greve de fome por 180 dias.
 
Nos mesmos dias, em toda a Itália, realizaram-se grandes manifestações em sua solidariedade.
 
As prisões são um instrumento de tortura para te dobrar definitivamente quando cais nas mãos do Estado, e o 41 bis, com a possível adição da obstatividade dos crimes, é a sua evolução “democrática”, porque não deixa marcas visíveis da tortura imperialista.
 
O mesmo Estado que há anos tortura Alfredo decidiu renovar o 41 bis, tentando mais uma vez calar e aniquilar o nosso companheiro.
 
O 41 bis é o modelo que o Estado propõe para as prisões do futuro, inserido sob o pretexto da luta contra a máfia.
 
O 41 bis é um aviso para quem não aceita o Estado e a sua violência.
 
O 41 bis tem o objetivo, como vangloriado pelos seus criadores, de extorquir informações ao inimigo, aniquilando-o com as técnicas já usadas pela CIA em Abu Ghraib e Guantánamo.
 
O 41 bis é um regime de isolamento extremo graças à redução das relações com qualquer outro ser humano.
 
O 41 bis é a forma de tortura que levou à morte de Diana Blefari Melazzi.
 
O Estado aprisiona e tenta aniquilar quem é improdutivo e inútil, ou seja, inadequado à ideia de normalidade.
 
O Estado é responsável pela eliminação de quem não se alinha, de quem se rebela e tenta levantar a cabeça contra exploradores, servos fardados e os tribunais que os protegem.
 
O Estado é o responsável pelo extermínio daqueles que tentam cruzar as fronteiras, ao custo da própria vida, fronteiras criadas para que poucos possam enriquecer com a exploração até a morte de muitos.
 
O Estado é o responsável pela chacina daqueles que tentam fugir das guerras, do envenenamento dos territórios e da fome que o próprio Estado criou.
 
Quanto a nós, sabemos de que lado da barricada estamos. Ao lado de Alfredo e de todos aqueles que lutam contra o Estado por um mundo sem prisões e sem explorados.
 
“Desde que estou no 41 bis, não toco num fio de erva, numa árvore, numa flor – só cimento, grades e TV. Nos últimos meses, com muito esforço, consegui comprar um único livro, e só porque os falavam de mim na mídia. As visitas, uma vez por mês, com vidro e com a voz metálica dos interfones. Minhas irmãs e meu irmão, que são os únicos que podem vir me visitar, chegam com fitas adesivas sobre as tatuagens e os brincos, porque poderiam comunicar mensagens crípticas através dos desenhos tatuados.” ALFREDO COSPITO
 
FOGO NAS PRISÕES
COM SARA E SANDRO NO CORAÇÃO
ALFREDO LIVRE
TODES LIVRES
 
Anarquistas contra cadeia e repressão
 
Fonte: https://rifiuti.noblogs.org/post/2026/05/01/questa-e-la-lebbra-che-chiamate-civilta/
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/01/italia-caso-cospito-artigo-41bis-renovado/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
No final da tarde
todos estão apressados —
Chuva se anuncia…
 
Fagner Roberto Sitta da Silva

1M-2026: A gente ainda nem começou.

Por consenso, toda a UAF se articulou em torno da iniciativa proposta pela Federação Anarquista Capixaba (FACA) de realizar uma semana de propaganda e luta com a classe trabalhadora no nosso imenso território brasileiro neste primeiro de maio de 2026.

Procedemos a colagens, panfletagem, rodas de conversa. Relembramos a história do primeiro de maio, destacamos a atual destruição de postos de trabalho, a hiperexploração, o aniquilamento de parte da mão de obra por máquinas, robôs e inteligência artificial. Denunciamos firmemente a continuidade e avanço do fascismo no Brasil. Conversamos sobre a situação sindical e a necessidade de termos associações de trabalhadores que atendam aos interesses dos trabalhadores e não de elites sindicais ou partidos políticos.

Fruto da luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras, destacamos a necessidade da redução da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho, conquista de melhores salários e combate contra o assédio moral – hoje uma das ferramentas mais utilizadas para explorar e controlar a classe trabalhadora – seja no setor privado, seja no setor público.

Denunciamos o ódio difuso no Congresso Nacional, no Executivo e Judiciário brasileiros, nas escolas, nas redes sociais, associado ao legado autoritário e à tortura da Ditadura Militar no Brasil, que se soma à crescente militarização da sociedade. Notável na multiplicação de milícias paramilitares urbanas, do agronegócio, de evangélicas, neonazistas e narcotráfico. Tudo isso divulgado impunemente e massivamente pelas empresas de tecnologia. Apoiadoras do culto ao ódio, seja este transmitindo a tortura de animais ou a agressão a moradores de rua.

Nossa ginástica neste 1M-2026, realizada por mulheres e homens trabalhadores, levou esta mensagem de reflexão e ação ao Espírito Santo nas cidades de Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim, Cachoeiro de Itapemirim; em Minas Gerais nas cidades de Contagem e Lajinha; no Rio de Janeiro nas cidades de Bom Jesus do Itabapoana e Campos dos Goytacazes; e na Bahia para Mata de São João e Salvador.

A gente ainda nem começou. Pois não teve início em 01 de maio de 2026 e não terminou em 19 de julho de 1936. Continuaremos trabalhando para criar ferramentas que fortaleçam a classe trabalhadora para construir a libertação da superexploração capitalista, para que a educação promova a fraternidade e que a sociedade conquiste a igualdade.

Sem as pessoas trabalhadoras, sem a classe trabalhadora, a vida no planeta seguirá ameaçada em benefício das elites capitalistas.

União Anarquista Federalista
02 de maio de 2026.

>> Mais fotoshttps://uafbr.noblogs.org/post/2026/05/05/1m-2026-a-gente-ainda-nem-comecou/

agência de notícias anarquistas-ana

ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

[País Basco] A Feira do Livro Anarquista volta ao Arenal bilbaíno

Um ano mais, a CNT organiza a Feira do Livro Anarquista de Bilbao, e este ano o fazemos celebrando uma data especial: a vigésima edição. Os dias 9 e 10 de maio, a Plaza del Arenal se converterá no ponto de encontro do pensamento libertário em Bizkaia, com onze postos onde editoras, coletivos e distribuidoras trarão livros, fanzines, camisetas e materiais de todo tipo vinculados ao anarquismo. Como sempre, a entrada é livre e gratuita.

Uma programação para o debate e a reflexão

Além dos postos, a feira contará com uma agenda carregada de conteúdo.

No sábado 9, às 12 horas, iniciamos com a apresentação do novo número da revista Estudios, que nesta ocasião aborda uma temática de plena atualidade: sindicalismo revolucionário, ecologia e planificação econômica. A apresentação correrá a cargo de Endika Alabort, membro do ICEA e militante da CNT.

Pela tarde, às 18 horas, o jornalista Danilo Albín, colaborador de Público e especialista na ascensão da ultra direita, conduzirá a palestra-debate “Normalização e justificativa do discurso ultra direitista”, uma conversação necessária no momento político que atravessamos. Para fechar a jornada do sábado, a banda de folk/punk Mozkor Alaiak colocará a música e o ambiente festivo que toda feira merece, a partir das 20 horas.

No domingo 10, às 12 horas, a investigadora Anna Pastor Roldán apresentará seu livro Solidaridad Internacional Antifascista, SIA, um trabalho que reconstrói, a partir de fontes de arquivo e evidências arqueológicas, a história da rede solidária SIA durante a Guerra Civil espanhola. Um exercício de memória histórica imprescindível para entender nossas raízes como movimento. A feira seguirá aberta até às 14 horas, momento no qual fechamos esta vigésima edição.

Quem estará nos postos

Este ano contamos com a participação das editoras Irrecuperables, Oveja Roja, Descontrol, Piedra Papel Libros, Volapük, Teresa Claramunt e Ekintza Zuzena, a distribuidora DDT Banaketak, o grupo anarco-feminista Mujeres Libres – Emakume Askeak e a seção cultural do Gaztetze Txarraska de Basauri. Onze espaços para descobrir, folhear e levar para casa tudo aquilo que o pensamento libertário tem que dizer.

Vinte edições são vinte razões para vir

A Feira do Livro Anarquista é, sem dúvida, o evento cultural de caráter libertário mais importante que a nossa cidade acolhe a cada ano. Duas décadas organizando este encontro são prova da vitalidade de nosso movimento e da capacidade de nossas organizações para gerar cultura, debate e comunidade. Os convidamos a se aproximarem do Arenal não só para comprar um livro, mas para conhecer de primeira mão o que somos e o que pensamos, longe dos preconceitos e estereótipos com os quais demasiadas vezes nos apresentam.

Animatu eta etorri / Anime-se a vir

cnt.es

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barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez

[País Basco] No dia seguinte

No Primeiro de Maio passado, a CNT Iruñea voltou às ruas junto com outros sindicatos e organizações. Dentro de um contexto de crise capitalista que se materializa na crescente dificuldade da classe trabalhadora para fechar as contas no fim do mês, na precarização do trabalho, fechamento de empresas e aumento dos assassinatos laborais, quisemos destacar a necessidade de superar o modelo sindical hegemônico e, assim, fortalecer a organização nos locais de trabalho.

Para isso, apostamos em aprofundar a alternativa anarcossindicalista: um modelo sindical participativo baseado no apoio mútuo, na autogestão e na ação direta, e que não abandona seu horizonte revolucionário, onde a defesa dos nossos direitos é a escola para uma sociedade mais livre e justa.

Por sua vez, essa sociedade se constrói dia após dia, fazendo valer nossa posição frente às práticas de ódio que, nos últimos tempos, nos chegam dos setores mais conservadores e reacionários. Racismo, machismo e antifeminismo, fascismo e as violências despejadas sobre as comunidades transmaricabibollo* são exemplos dos discursos que atacam as partes mais vulneráveis da nossa classe.

Em nível mais global, devemos assinalar que assistimos a uma escalada bélica também ligada à crise capitalista e à superexploração dos bens naturais, e que o internacionalismo proletário é a única resposta possível para as organizações que querem defender os interesses da classe trabalhadora.

Com relação à coordenação com outros sindicatos e coletivos para esta mobilização, a avaliação é positiva. Consideramos necessário continuar trabalhando nessa confluência para que as diferentes lutas empreendidas pelas diferentes organizações tendam a romper o isolamento e a fragmentação. Para essa confluência, defendemos uma premissa simples: independência e autonomia frente ao Estado, às instituições e aos partidos políticos.

Para a CNT, o Primeiro de Maio é uma data importante, mas o trabalho realmente necessário se desenvolve dia a dia. Por isso, fazemos um chamado à militância, a nos organizarmos nos locais de trabalho, nos bairros, nos sindicatos e nas lutas cotidianas. É aí que você sempre poderá nos encontrar.

Corre, companheira! O velho mundo fica para trás de nós.

Fonte: https://irunea.cnt.es/sindical/en-el-dia-despues/

*Nota da tradução: “transmaricabibollo” é um termo político e identitário usado em espaços ativistas na Espanha e América Latina, que reúne pessoas trans, maricas, bichas, bolleras (lésbicas) e não-binárias, muitas vezes como forma de resistência ao cisheteropatriarcado. Optou-se por manter o termo original por sua especificidade política e cultural, acrescentando esta nota explicativa.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A frágil libélula
repousando no capim —
Bailado do vento.

Fagner Roberto Sitta da Silva

Editora Ácrata, um projeto editorial independente

Origem e propósito
 
A Editora Ácrata é um projeto editorial independente dedicado à publicação de obras voltadas ao pensamento libertário e às tradições críticas que orbitam o anarquismo. Surgida em 2025 como iniciativa do Instituto de Estudos Libertários (IEL), a editora marca o seu início com a proposta de consolidar um espaço de publicação e circulação de ideias libertárias, articulando pesquisa, militância e produção intelectual que ofereça subsídios para o anarquismo e para a sua divulgação.
 
O Livro como Instrumento
 
Mais do que uma editora no sentido comercial estrito, a Ácrata se insere em uma tradição ampla de iniciativas editoriais libertárias, na qual o livro é entendido como instrumento de intervenção crítica sobre a história, a ideologia e a teoria. Nesse horizonte, a publicação não é apenas difusão de conhecimento, mas parte de um esforço de disputa intelectual e política, voltado à problematização das narrativas dominantes e à valorização de experiências históricas frequentemente marginalizadas, onde o pensamento e a história do anarquismo têm lugar privilegiado.
 
Conhecimento e Compromisso
 
Seus fundamentos dialogam com uma perspectiva que busca socializar o conhecimento histórico e tensionar os limites da produção acadêmica convencional — frequentemente marcada por hierarquias institucionais, barreiras de acesso e circuitos restritos de circulação. Essa orientação aproxima a editora de uma longa linhagem de produção libertária que procura articular produção qualitativa de conhecimento e compromisso político, sem subordinar a pesquisa às exigências do mercado mainstream.
 
>> Para acessar a Editora Ácrata, clique no link abaixo:
 
editoraacrata.base44.app
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/04/novidade-editorial-revolucao-crime-politico-e-loucuras-os-discursos-criminologicos-e-o-anarquismo-no-brasil-1890-1930/
 
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Pássaro ligeiro
Come o pêssego maduro
Antes de mim.
 
Roseli Inez Jagiello

[Alemanha] A FGWM Myanmar solicita adesão à CIT.

Há vários anos, nós da FAU, ou melhor, do Grupo de Trabalho Asiático da CIT (Confederação Internacional do Trabalho), temos colaborado repetidamente com a FGWM em campanhas.
 
Entre outras coisas, apoiamos com sucesso diversas lutas trabalhistas em fábricas onde marcas como H&M, Hunkemöller e Zara produzem seus produtos, por exemplo, no Dia do Trabalho ou no Dia Internacional da Mulher. Nossos camaradas em Mianmar enfrentam muitos desafios diferentes: não só a ditadura militar ameaça suas vidas diariamente, como também as consequências a longo prazo de desastres naturais e até mesmo da pandemia de COVID-19 dificultam seu cotidiano. A guerra em curso no Oriente Médio também está elevando os preços.
 
É com grande satisfação que anunciamos que, após os inúmeros projetos que concluímos com sucesso em conjunto nos últimos anos, a FGWM se tornará agora membro em igualdade de condições da nossa confederação internacional. No entanto, a votação correspondente das outras seções da CIT ainda está pendente.
 
Para apoiar a adesão da FGWM, viajamos à Tailândia como uma delegação da CIT no final de março. Lá, pudemos encontrar alguns camaradas pessoalmente, preparar sua adesão em diversas sessões plenárias e discutir possíveis ações conjuntas futuras.
 
Seis de nós passamos duas semanas, principalmente em Mae Sot e Chiang Mai, onde muitos ativistas de Myanmar vivem atualmente exilados. Durante nossa viagem, não apenas conversamos com membros do FGWM (Movimento pela Liberdade de Myanmar), mas também tentamos nos encontrar com o máximo de outros grupos possível para expandir nossa rede. No total, a delegação da CIT conseguiu trocar ideias com 17 iniciativas e organizações. Embora os rebeldes não tenham nada – munição, armas, comida e até água potável – eles não desistem e continuam recebendo apoio inabalável da população civil. Enquanto a junta militar recebe armas e dinheiro da Rússia, China e Irã, os grupos rebeldes são praticamente abandonados à própria sorte. Não há apoio internacional, sistemas de defesa e nem mesmo um sistema de alarme. Uma estação de rádio (Federal FM) cumpre parcialmente essa função: transmitindo da selva, ela veicula, entre outras coisas, alertas de ataques aéreos. A Federal FM é apenas um exemplo da criatividade e da cultura do “faça você mesmo” da resistência contra o regime em Myanmar. Tanto em Mae Sot quanto em Chiang Mai, existem muitas iniciativas que apoiam não apenas o movimento de resistência, mas também os refugiados.
 
Devido a inúmeros outros conflitos e crises internacionais, a guerra civil em Myanmar recebe pouca atenção em outros países. O fato de estarmos interessados ​​em suas histórias e em sua luta foi muito bem recebido. Os encontros foram especiais para ambos os lados: as pessoas que conhecemos estão ativamente envolvidas em uma revolução. Elas não apenas apoiam a luta contra uma ditadura militar e, portanto, contra o fascismo, mas também trabalham para construir uma nova sociedade. Para nós, os encontros e as histórias de nossos camaradas foram muito motivadores para continuar e intensificar nossa rede internacional: desde nossa última campanha conjunta, em 8 de março de 2025, por produtos menstruais e melhores condições sanitárias nas fábricas, mudanças duradouras de fato ocorreram. Na fábrica têxtil Hang Kei, na área industrial de Yangon, que emprega mais de 1.000 pessoas, a administração permanece comprometida em fornecer absorventes higiênicos para as trabalhadoras, manter os banheiros limpos regularmente e também disponibilizar áreas de descanso para gestantes e lactantes. Como nós, na Europa e nos EUA, nos beneficiamos de preços baixos de roupas, estamos todos interligados pela cadeia de produção global. A cooperação internacional nos permite assumir a responsabilidade e pressionar as marcas que terceirizam a produção para fábricas em Myanmar (e outros países do Sul e Sudeste Asiático) e lucram com a exploração. Juntos, podemos fazer a diferença; já provamos isso. Vale a pena! A solidariedade é a nossa arma!
 
asia@icl-cit.org | icl-cit.org
 
direktaktion.org
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado
 
Edson Kenji Iura