[Grécia] Em meio a temores sobre estado de saúde do preso político e grevista de fome Dimitris Koufodinas, anarquistas intensificam suas ações solidárias

Grupos e individualidades anarquistas intensificaram suas ações nos últimos dias em solidariedade ao preso político Dimitris Koufodinas, que está em greve de fome desde o dia 02 de maio, protestando contra a negação de seu mais recente pedido de livramento prisional, benefício que ele tem direito.

Desde o último fim de semana, fortes protestos tomaram as ruas de Atenas, Tessalônica, Patras e outras cidades gregas. Manifestantes também ocuparam prefeituras e faculdades. Também houve registros de depredações à lojas de luxo.

Na madrugada desta terça-feira (21/05), mascarados lançaram coquetéis molotov em uma delegacia de polícia no subúrbio de Kaisariani, no leste de Atenas. Um policial sofreu pequenos ferimentos na cabeça.

Houve ainda registros de pelo menos 11 ataques incendiários: Na sede do Partido Nova Democracia em Nea Ionia; No Colégio de Nova Yorque (empresa de interesse americano) em Kalithea; Em 2 caixas eletrônicos do Banco Nacional e 1 caixa eletrônico do Eurobank em Gounari; Em 1 caixa eletrônico Bitcoin em Agia Paraskevi; Em 1 caixa eletrônico do Banco Nacional em Kypseli; Em 2 caixas eletrônicos (Pireus e Ethniki) em Kato Petralona; Em 1 caixa eletrônico do Eurobank em Ilisia; Na sede do Partido Nova Democracia em Alimos.

Dimitris Koufodinas pertenceu ao extinto grupo guerrilheiro urbano 17 de Novembro. Ele foi acusado de participar da morte de 23 pessoas, incluindo diplomatas britânicos, americanos e turcos, desde 1975. A maioria das mortes ocorreu em ataques à bomba.

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Borboletas e
aves agitam voo:
nuvem de flores.

Bashô

 

[Japão] Criado o “Food Not Bombs Tokyo”

Em Yokosuka, e agora em Tóquio, nos juntamos a uma rebelião global contra a guerra, a pobreza, a injustiça e a opressão.

A p r e s e n t a ç ã o

Food Not Bombs (Comida, Bombas Não) é um coletivo não hierárquico, internacional, interseccional, inclusivo e não-violento. Estamos dedicados a direcionar a ação para criar um mundo livre de dominação e coerção. Nosso objetivo é atender às necessidades de nossa comunidade e construir poderosas redes de solidariedade e ajuda mútua.

Organizamos eventos criativos, compartilhamos refeições vegan gratuitas com qualquer pessoa, oferecemos refeições quentes em manifestações, organizamos tabelas de literatura para fornecer informações sobre alimentação, paz e justiça, entre outras.

Tomamos decisões por consenso coletivo, sem líderes formais ou sedes. Somos inclusivos com indivíduos e grupos marginalizados. Partilhamos comida que é sempre vegana e gratuita, sem restrição, com ricos ou pobres, drogaditos ou sóbrios. Respeitamos uma diversidade de táticas no ativismo e procuramos fazer tudo o que pudermos para fortalecer nossa comunidade.

Junte-se a nós

Porque… COMIDA é um DIREITO, não um privilégio! Porque há comida suficiente para todos comerem! Porque a ESCASSEZ é uma mentira patriarcal! Porque uma mulher não deveria ter que usar seu corpo para conseguir uma refeição ou ter um lugar para dormir! Porque quando estamos com fome ou sem teto, temos o DIREITO de conseguir o que precisamos, fuçando, performando na rua, catando! Porque a POBREZAé uma forma de VIOLÊNCIA não necessária ou não natural! Porque o capitalismo faz da comida uma fonte de lucro, não uma fonte de nutrição! PORQUE O ALIMENTO CRESCE NAS ÁRVORES. Porque precisamos de CONTROLE PELA COMUNIDADE. Porque nós precisamos de CASAS E NÃO DE PRISÕES! Porque nós precisamos de… ALIMENTOS, NÃO BOMBAS.

Se você deseja se juntar a nós, você deve participar de nossas reuniões pessoalmente! Se você deseja ser um voluntário, não se esqueça de chegar na hora. Você também pode receber atualizações de nossos eventos via RSS, Twitter ou Mastodon. Finalmente, se você deseja receber atualizações por e-mail ocasionais sobre os próximos eventos, envie um e-mail para hello@fnb-japan.info indicando seu desejo de receber atualizações!

Você também pode nos ajudar, completando nossas tarefas listadas aqui! Se você deseja doar materiais, sempre podemos usar ingredientes alimentares (veganos), literatura anarquista e roupas em bom estado! Finalmente, por favor, espalhe a notícia e compartilhe nossos eventos com seus amigos!

fnb-japan.info

Tradução > Revanche dos Oprimidos!

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Anoitece
Atrás da colina
O sol adormece

RôBrusch

[Indonésia] Declaração da Frente Anti Fascista de Bandung

Declaração política da Frente Anti Fascista de Bandung sobre a Brutalidade do Estado durante o Primeiro de Maio de 2019 em Bandung

Nós, Frente Anti Fasis Bandung (Bandung Frente Anti Fascista), condenamos e amaldiçoamos todos os atos brutais que o Estado realizou através de seu aparato estatal repressivo contra as massas na manifestação do Primeiro de Maio de 2019 em Bandung. Condenamos também toda forma de violação aos direitos humanos que o Estado realizou contra os camaradas presos na Delegacia de Polícia de Bandung e na base da Brigada Móvel em Jatinangor. Além disso, também condenamos esses infelizes por suas ações selvagens contra manifestações do Primeiro de Maio em muitas outras áreas. Quanto a outras condenações, dizemos a cada elemento do Estado que participou na repressão do Primeiro de Maio de 2019 em Bandung, o seguinte:

1. Desafiamos a ideia de que a destruição custou à nação e que devemos pagar. Para que serve o Estado e quão grande é o custo quando eles ganham dinheiro com impostos que entram em seus bolsos? Vemos isso a partir de um contexto de liberdade de democracia que oprimiu desde o início, o vandalismo e o bombardeio de lambes [cartazes] são uma forma de resistência contra o que o Estado roubou do povo.

2. Somos contra a presunção de que o vandalismo é um ato amoral realizado pelos ignorantes e depravados! Quem é mais depravado? Nós apenas pintamos as muralhas da cidade, em comparação com aqueles que destroem nossos espaços de vida todos os dias. Despejos, exploração ambiental, pagamento insuficiente de trabalhadores, pobreza estruturada, etc.

3. Condenamos a brutalidade policial (e militar) durante a manifestação. Mesmo antes de chegarem ao principal ponto de encontro para a comemoração do Primeiro de Maio (Estado de Gedung), as massas foram forçadas a recuar e foram impedidas de expressar suas ideias políticas ao lado dos outros trabalhadores.

4. Os ataques aleatórios e prisões foram extrajudiciais e não seguiram o procedimento padrão. Houve violações de privacidade contra aqueles que foram acusados de destruição de propriedade sem qualquer evidência. Os interrogatórios da polícia de Bandung e da Brigada Móvel de Jatinangor eram atos abusivos que violavam a humanidade e a racionalidade.

5. Declaramos claramente uma guerra aberta contra os sindicatos filiados ao governo (e à elite). Especialmente contra aqueles que arrogantemente apertam a mão do presidente e claramente nunca estão do lado dos trabalhadores.

Portanto, depois de quase 700 detenções durante o Primeiro de Maio pelo aparato do Estado, asseguraremos que nossa raiva continuará se cristalizando e crescendo, até que um dia nos tornemos uma enorme força de ira. Pedimos a todos os companheiros (onde quer que você esteja) que continuem mantendo o fogo da resistência. O futuro não será o mesmo. O aparato do Estado e outros elementos autoritários continuarão a reunir seu poder e se tornarão mais repressivos. Continue organizando e espalhando o espírito de solidariedade. Junte-se à longa história de resistência!

>> Vídeo (06:26) da declaração:

https://www.youtube.com/watch?v=vOwtQhb6q98

Tradução > abobrinha

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caligrama do mar
no papel de arroz
da areia

Alberto Marsicano

Em São Paulo (SP), dia 06/06: Aula Pública e Ato em Defesa da Educação

A nossa intenção é continuar a luta contra os ataques às Universidades Públicas e ao ensino público em geral nas ruas e a partir de propagandas capazes de produzir um contra-discurso do que está sendo dito sobre as Universidades e a Educação. No nosso entender, só ações dessa natureza – ou seja, que consigam pressionar o poder econômico/político de maneira mais direta -serão capazes de barrar os ataques.

A ideia do ato é se concentrar as 16 horas para que tenhamos falas de alguns professores e professoras convidadas. Após as falas, sairemos em ato. O trajeto ainda será definido.

Estamos abertos a sugestões de nomes. Pedimos, aliás, que nos ajudem a divulgar e construir esse ato autônomo com a gente.

>> Presenças confirmadas:

Paulo Arantes (Filosofia -FFLCH)
Vladimir Safatle (Filosofia – FFLCH)

>> Contato, mais infos: uspcaf@gmail.com

>> Organização: Grupo Autônomo de Introdução ao Anarquismo (GAIA) e Comando de Greve da Filosofia

FB: https://www.facebook.com/events/426684541445373/?active_tab=about

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os aloendros
em fila
nos separavam do mundo

Guimarães Rosa

[Espanha] Lançamento: “Rumo a Zaragoza. Crônica da Coluna Durruti”, de Roberto Martínez Catalán

Em 24 de julho de 1936 partia desde Barcelona uma coluna armada composta majoritariamente por milicianos da CNT, da confederação sindical anarquista. Na frente marchava um bem conhecido “homem de ação”: José Buenaventura Durruti. Fazia poucos dias, ele e muitos dos que o acompanhavam haviam participado nos combates de rua que derrotaram a sublevação militar na capital catalã. Agora se dirigiam a Zaragoza, importante baluarte cenetista em mãos sublevadas cuja próxima liberação consideravam iria supor um avanço decisivo para a guerra e a revolução em curso.

Rumo a Zaragoza é a crônica desta unidade. A história de suas ações bélicas, mas também de sua organização e funcionamento desde sua criação até sua integração no Exército Popular da República. Tudo isso contextualizado no desenvolvimento político, militar, econômico e social da retaguarda republicana; na evolução até sua completa derrota do processo revolucionário iniciado como consequência do levante militar. Porque suas experiências, longe de serem caducas, ainda são uma valiosa fonte de lições para futuras revoluções.

Rumbo a Zaragoza. Crónica de la Columna Durruti

Roberto Martínez Catalán

Rasmia Ediciones, Colección Exergo, 2

246 págs. Rústica 20×13 cm

ISBN 9788494906411

14.00€

rasmiaediciones.com

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são areias brancas
o terreiro de iemanjá
saias rendadas brancas

Pedro Xisto

[Grécia] Carro da repórter grega da CNN Mina Karamitrou é destruído por bomba

Um dispositivo explosivo colocado debaixo do carro da repórter Mina Karamitrou explodiu por volta das 2h30 da manhã da terça-feira passada (14/05), enquanto o carro estava estacionado do lado de fora da casa da jornalista no subúrbio de Papagou, ao norte de Atenas. O carro foi destruído, mas ninguém ficou ferido.

O grupo “Repórteres Incendiários Anti-Policiais” assumiu a autoria da ação hoje (21/05), em um extenso comunicado postado no portal antiautoritário “Athens Indymedia”. “Dimitris Koufontina faz parte do nosso mundo. E nós temos mil razões para estar ao seu lado. Força e solidariedade com Dimitris!”, diz trecho final do comunicado.

Karamitrou é repórter policial para a edição grega da CNN. Em uma entrevista no programa de TV “Good Morning Greece” no dia da ofensiva, ela disse acreditar que o ataque esteja relacionado à sua cobertura do caso do preso Dimitris Koufodinas, que está em greve de fome e protestando contra a negação de seu mais recente pedido de licença prisional.

>> O comunicado em grego pode ser lido aqui:

https://athens.indymedia.org/post/1598084/

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A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.

Jorge Luis Borges

[Grécia] Vídeo: Anarquistas atacam Parlamento Grego com bombas de tinta

Anarquistas do grupo Rouvikonas atacaram esta terça-feira (21/05) o Parlamento Grego, em Atenas. Apesar de ser um dos edifícios mais vigiados da Grécia, foi atirada tinta vermelha contra a entrada, muros e algumas colunas do Parlamento.

O ataque é mais um protesto contra as medidas judiciais aplicadas (negação de livramento prisional) ao prisioneiro Dimitris Koufodinas, que está em greve de fome desde o dia 02 de maio, e entrou em “estado crítico” de saúde.

Koufodinas fez parte da dissolvida Organização Revolucionária 17 de Novembro, um grupo de militantes de extrema-esquerda que foi considerado terrorista na Grécia, Reino Unido, Turquia e EUA.

>> Assista o vídeo (02:46) aqui:

https://athens.indymedia.org/media/upload/2019/05/21/vouliS.mp4

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minhas mãos te olham
estranha fotografia
onde meus olhos te tocam

Lisa Carducci

[Ponta Grossa-PR] Seja solidário, ajude o Compa Baderna: óculos, glaucoma e catarata

Sou editor de livros e faz algum tempo tenho sentido fortes dores nos olhos e manchas na visão, tenho dificuldade para ler impressos e usar o computador. Descobri que estou com Glaucoma e Catarata, terei de fazer vários exames e óculos. Preciso da ajuda de compas, camaradas e companheirxs. Obrigado!

Olá amizades!

Não me sinto muito confortável em ter que passar o chapéu para realizar um tratamento de saúde, mas infelizmente a questão é meio urgente e não consigo pensar outra forma. Como muitos de vocês sabem eu faço livros, passo parte do dia na frente do computador, outra parte lendo materiais e gostaria de continuar realizando esta tarefa por muitos anos. Mesmo vendendo os livros, os recursos são destinados para fazer mais livros, comprar papel, enviar livros e zines grátis para pessoas, coletivos e bibliotecas comunitárias e realizar a manutenção do espaço e equipamentos da editora. Então é impossível contar com esses recursos para realizar um tratamento de saúde e penso que não seria honesto com a ideia do projeto da editora. Prefiro não misturar as coisas.

Faz algum tempo tenho sentido dores nos olhos e algumas manchas na visão.

Acordo pela manhã com fortes dores nos olhos, tenho dificuldade para ler impressos e depois de pouco tempo no computador sinto mais dores, cansaço na visão. Há grande incidência de “moscas volantes” e uma mancha clara na visão que vai e vem, que por vezes me atrapalha muito para ler. Eu havia realizado o encaminhamento no SUS em União da Vitória (PR), porém, depois de meses aguardando ainda não obtive retorno. A situação foi se agravando. Para piorar, em Novembro de 2018 eu perdi meus óculos durante uma viagem para vender livros e hoje na consulta com o oftalmologista tive um diagnóstico surpreendente: Glaucoma e Catarata.

Além de ter que fazer óculos novo (já que perdi o anterior que fiz em 2013), terei que realizar uma série de exames para investigar a gravidade do problema e verificar quais serão os encaminhamentos do tratamento. Porém, todas essas questões custam muito mais do que eu imaginava, não possuo nenhum tipo de convênio ou plano de saúde. E, inclusive não tenho capacidade de arcar com todos esses custos. Por isso peço gentilmente o apoio de compas, camaradas e companheirxs que possam contribuir ou divulgar essa vaquinha.

Seguem os valores para sua informação:

Consulta: R$250

Exames: Perimetria Computadorizada: R$270 Estereofoto de Papila: R$300 Paquimetria: R$250 OCT – Tomografia de Coerência Óptica: R$430 Teste de sobrecarga hídrica AO: R$100 Gonioscopia AO: R$100 Óculos lente multifocais: R$1.300

Na medida do possível, vou retribuir todas as colaborações com uma lembrança pelos correios e um pão caseiro com café para quem vier visitar.

Saúde e Revolução Social!

Tiago Jaime Machado Editor e Impressor Editora Monstro dos Mares www.monstrodosmares.com.br

>> Contribua aqui:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-o-compa-baderna-oculos-glaucoma-e-catarata

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sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida

Roséli

[Grécia] Intervenção antifascista em Hagia Sophia, Pireu. Destruição do posto eleitoral do Aurora Dourada

Ao meio-dia de sábado, 18 de maio, dezenas de anarquistas interferiram na área de Hagia Sophia, Pireu, na chamada “Maniatica”. Na rua de pedestres de Palamidi, no cruzamento com a rua Aitolikou, um bando de neonazistas do partido Aurora Dourada montou um posto eleitoral, para promover seus candidatos.

Contudo, nos manifestamos no local e nos arredores, com slogans e folhetos antifascistas e anti-eleitorais; e ainda arruinamos o posto eleitoral dos fascistas. Nenhum centímetro para os fascistas. Nem em Hagia Sophia ou em qualquer outro lugar. Combater os fascistas em todos os bairros.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1598002/

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todos aos abrigos:
a avó de novo
com o mata-moscas

Elizabeth St. Jacques

[Argentina] Transformemos a paralisação domingueira em uma verdadeira jornada de luta de classes

A cúpula da CGT decretou uma paralisação geral para o próximo 29 de maio. Esta greve foi anunciada em 14 de maio, quer dizer, apenas um dia depois de que a central se reuniu com o Fundo Monetário Internacional (FMI), organismo que impulsiona junto ao Estado argentino, um ajuste brutal contra a classe trabalhadora.

Paradoxalmente a data coincide com o 50º aniversario do “Cordobazo” de 1969, data em que uma insurreição obreira/estudantil rompeu com a típica paralisação domingueira burguesa e saiu às ruas enfurecida por suas condições, utilizando os métodos de ação direta. A classe obreira exerceu a autodefesa gerando uma insurreição e revolta popular que deixou abalada a ditadura autodenominada “Revolução Argentina” de Onganía.

Estamos longe de deixar à CGT o cuidado dos direitos conquistados da classe trabalhadora. Ao contrário, sabemos que esta paralisação, a sexta decretada na gestão do macrismo [do presidente da Argentina, Mauricio Macri], não é mais que uma válvula que se abre com agilidade para descomprimir o descontentamento obreiro/popular que aumenta após as milhares de demissões e a inflação cada vez mais alta que absorve os bolsos dos obreiros, jogando-os na miséria a cada hora, cada dia mais e mais. Este método de descompressão de ataque social fica demonstrado nas medidas de força isoladas que garantem o saque da classe trabalhadora mediante as paralisações domingueiras ou dóceis, onde nos dizem aos trabalhadores que fiquemos em nossas casas, em vez de sair às ruas que é nosso verdadeiro campo de luta. Na rua é onde, com gestos heroicos, conseguimos as melhores conquistas do povo e não nas urnas, onde os obreiros nos transformamos em ovelhas e que só vamos a cada quatro anos para mudar de pastor.

Trabalhador, trabalhadora: somos conscientes de que as riquezas que o povo produz  são produtos da atividade dos trabalhadores mesmos, portanto, é nossa a força para parar a produção ante o ajuste de fome e de miséria a que nos submergem. Não é nossa a responsabilidade por estarmos nesta situação econômica, já que bem sabemos que o ajuste atroz que estamos enfrentando é para espremer-nos o mais possível, a custa de nossa saúde e de nossas vidas.

Obreiro, obreira: transformemos as paralisações dóceis em verdadeiras jornadas de luta da classe trabalhadora, incentivemos os debates em nossos postos de trabalho e em nossos bairros. Geremos assembleias, que é onde os trabalhadores podemos decidir em conjunto e em democracia direta as medidas de luta. Não permitamos que as mãos dos sindicalistas burocratas, a disposição do sistema eleitoral, operem nosso sofrimento.

TRANSFORMEMOS A PARALISAÇÃO DOMINGUEIRA EM UMA VERDADEIRA JORNADA DE LUTA DE CLASSES

ASSEMBLEIA PARA DECIDIR , PARALISAÇÃO GERAL PARA GANHAR

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Tradução > Sol de Abril

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Noite fria, escura,
no asfalto negro da rua
late o cão vadio.

Fanny Dupré

[Espanha] Obrigado, Compas! Em relação às detenções de 13 de maio em Madrid

por Detidas de 13 de maio | 16/05/2019

Na madrugada de 13 de maio invadiram nossas casas e no espaço anarquista La Emboscada – três semanas depois de sua inauguração – uma unidade antidistúrbios juntamente com o grupo 21 da Brigada Provincial de Informação de Madrid, dedicada à espionagem e caça de anarquistas.

Eles nos informaram que estavam trazendo um mandado de prisão e detenção de duas de nós sob a acusação de terrorismo.

Durante o registro, que durou aproximadamente 6 horas, companheiros e companheiras de toda a Madrid vieram para mostrar seu apoio.

Enquanto isso, a polícia parecia especialmente interessada em levar roupas: casacos coloridos e pretos, lenços de cores concretas, lenços de flores, calçados específicos; eles também estavam interessados em agendas, calendários, alguns notebooks, algumas notas, notas entre as páginas de livros, computadores, discos rígidos, cartões de memória, USB, celulares, câmeras e vídeo, CDs e DVDs, ferramentas de construção e em particular, martelos; bem como adesivos, patches e camisetas com a marca M.A.L.P.; cartazes e propaganda em relação à anti-cúpula do G20 de 2017.

Durante a investigação, que está em andamento desde março de 2017, foram interpelados e-mails, correio comum, celulares, tablets, whatsapp, icloud, dropbox e comunicações em geral. Por enquanto, não temos mais informações, pois a investigação continua sob sigilo sumário.

Fomos detidas 32 horas e, embora houvesse momentos em que a situação era confusa e não parecia favorável, qualquer tristeza ou medo tornou-se insignificante quando saímos e vimos o apoio e a solidariedade que recebemos de nossos companheiros e amigos.

Porque, mesmo que o Estado venha contra nós, as ideias e práticas que eles perseguem são irreprimíveis e se multiplicam em todos os gestos de solidariedade. E embora não saibamos do que somos acusadas, temos muito claro sobre o que somos e por que estamos sendo perseguidas: e não nos arrependemos ou jamais nos arrependeremos de sermos anarquistas.

A repressão sempre esteve à procura daquelas que lutam, mas ao longo de nossas vidas nos deu força e encorajamento para saber que havia anarquistas em todo o mundo e pessoas que compartilhavam nossa afinidade e, vivendo isso em primeira pessoa e encontrar tanta gente, foi muito bonito e significativo para nós.

Nenhuma anarquista ficará sozinha enquanto houver compas que continuem lutando.

Um abraço a Embers, preso em 1° de maio em Paris e ainda na prisão junto com muitos outros. E para todos os outros anarquistas e presas em luta, que não esquecemos.

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

Anibal Beça

[Espanha] III Encontro Anarquista Contra o Sistema Tecno Industrial e Seu Mundo

Pelo terceiro ano consecutivo acontecerá no CSOA La Gatonera (C/ Valentín Llaguno, 32) o Encontro Anarquista Contra o Sistema Tecno Industrial e Seu Mundo. Este encontro surge devido à necessidade de gerar um discurso contra o sistema de dominação no qual nos achamos, dito sistema impregna o mundo que nos rodeia sob uma lógica tecnocientífica onde tudo é mensurável, quantificável e, portanto, está sujeito a um controle. Dito desenvolvimento se baseia na substituição dos processos naturais por processos técnicos submetendo assim os indivíduos, animais e o ecossistema à mega máquina. Como anarquistas consideramos que a luta deve integrar a necessidade de proteger nosso meio ambiente e recuperar a autonomia que este sistema nos arrebatou.

 

O encontro acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de maio. Ao longo do fim de semana haverá palestras e debates, passeios, exposições de diversos temas e distribuidoras com material diverso. Depois de cada palestra, haverá refeições veganas. Para qualquer dúvida, escreva-nos a contratodanocividad@riseup.net.

P r o g r a m a:

• Sexta-feira 24 às 19h00 | Palestra: “Tecnología, técnica, transhumanismo: Las aventuras del poder.” A cargo de PMO, Pièces et Main d’Ouvre

 • Sábado 25 às 12h00 | Palestra: “Una crítica a la inteligencia artificial desde una perspectiva anarquista.” A cargo de MOAI.

 • Sábado 25 às 17h00 | Palestra-passeio: “La nocividad y la Smart City en Carabanchel.”A cargo de Negre i Verd.

 • Sábado 25 às 19h00 | Palestra: “La influencia de las tecnociencias en la vida cotidiana”. A cargo do Collettivo Resistenze al Nanomondo.

 • Domingo 26 às 17h30 | Palestra: “Tiene política la tecnología?” A cargo de Cul de Sac

 • Domingo 26 às 19h30 ! Palestra: “El Green New Deal y el ecologismo de estado: la sumisión sostenible.” A cargo do Collettivo Resistenze al Nanomondo.

 Venha e divulgue!

 Pela liberação total!

 contratodanocividad.espivblogs.net

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raio em baixo
lua em cima
o sol foi pra China

Estrela Ruiz Leminski

Federação Operária Regional Argentina, 118º aniversário

Em 25 de maio de 1901, assumindo o princípio internacionalista de que a emancipação dos trabalhadores só será possível através da luta dos próprios trabalhadores, a F.O.R.A (Federação Operária Regional Argentina) começou sua longa jornada e protagonizou algumas das páginas mais relevantes da história argentina. Ao longo destes 118 anos, tem sido uma referência no desenvolvimento do movimento operário, mantendo sempre sua independência dos interesses políticos, econômicos e sindicais que tentaram enfraquecê-la.

Como parte do nosso Mês de Aniversário, contaremos com a visita de Carlos Taibo, para apresentar “Ante o colapso: pela autogestão e o apoio mútuo“.

Taibo é professor de Ciências Políticas na Universidade Autônoma de Madrid (Espanha). Autor de numerosas publicações, em 26 de maio apresentará na Sociedade de Resistência de Ofícios Vários Capital (Coronel Salvadores 1200, Buenos Aires) um de seus últimos livros: “Colapso: capitalismo terminal, transição ecossocial, ecofascismo”, que aborda de forma pedagógica as possíveis causas e consequências, bem como os possíveis cenários futuros, de um provável colapso do sistema.

O evento terá entrada livre e gratuita até completar a capacidade da sala.

fora.home.blog

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Um verde cobertor
todo trançado de relva
aquece a terra.

Delza Faldini

[Argentina] Nem água nem liberdade

O capitalismo impõe sua ditadura diariamente de diversas maneiras, e sempre de forma brutal.

Com efeito, as formas de organização do trabalho, sua imposição, os dispositivos dissuasivos e coercitivos, fazem parte do mecanismo de destruição de vidas.

O império da mercadoria e do consumo compulsivo desempenham um papel central em tudo isso. E a repressão é contínua.

Vejamos, atualmente, além das medidas anti-imigração, o Estado norte-americano pretende julgar um professor solidário que forneceu água para as pessoas que cruzam o deserto do Arizona.

Para a sociedade do egoísmo entronizado, a solidariedade é um crime. Exemplos são abundantes: as e os agitadores anarquistas de Chicago em 1886, protagonistas das jornadas do primeiro de maio. Sacco e Vanzetti. Leonard Peltier, ativista libertário e índio da tribo Sioux que está preso há quase meio século. Mumia Abu-Jamal, que ainda está preso por sua luta.

Há muitas mulheres e homens que resistem em diferentes latitudes e não se resignam ao escárnio. Na região da Argentina, no Nordeste Qom e Wichis, na Patagônia Mapuches e Tehuelches, que enfrentam as empresas de mineração e os agrotóxicos do “deserto verde”.

Homens como Facundo Jones Huala, Santiago Maldonado e Rafael Nahuel, mulheres como Moira Millán e muitos milhares mais, em áreas urbanas ou rurais.

A única liberdade vigente é a estátua erguida em frente a Nova York ou alguma rua que leva esse nome. Sinistro paradoxo.

Resistência, Organização e Luta contra o Estado e o capital.

Carlos A. Solero

Sexta-feira, 17 de maio de 2019

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Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[França] Carta de Thomas P., Colete Amarelo encarcerado desde 12 de fevereiro

Depois do ato XIII, no dia 10 de fevereiro apareceu estampado nos jornais o nome de Thomas P., figura do “super vândalo”. Mas, depois, só o silêncio. Faz 3 meses que está encerrado na prisão de Fleury-Mérogis em preventiva, sob instrução criminal. Para que seu isolamento pare, Thomas nos enviou uma carta escrita na cela e que aborda os motivos que o motivaram a combater ao lado dos Coletes Amarelos.

Carta de um Colete Amarelo na prisão

 29/04/2019.

Olá,

Meu nome é Thomas. Sou parte dos numerosos Coletes Amarelos que dormem nesse momento na prisão. Faz mais de 3 meses que estou encarcerado em Fleury-Mérogis sob mandato criminal.

Sou acusado de várias coisas após minha participação no Ato XIII (9 de fevereiro) em Paris:

• “Degradação ou deterioração de um bem pertencendo a outrem”.

• “Degradação ou deterioração de um bem pertencendo a outrem por meios perigosos para as pessoas” (incêndio de uma Porsche).

• “Degradação ou deterioração de bem por meios perigosos para as pessoas depositárias de autoridade pública” (Ministério das Forças Armadas).

• “Degradação ou deterioração de um bem destinado à utilidade ou a decoração pública” (ataque a uma viatura de polícia e uma viatura da administração penitenciária).

• “Violência agravante por duas circunstâncias (com arma e em depositário da autoridade pública) seguida de incapacidade não excedendo 8 dias” (a arma seria uma grade, na mesma viatura de polícia, 2 dias de internação para o trauma).

• “Violência sobre uma pessoa depositária da autoridade pública sem incapacidade”.

• “Participação a um grupo formado com o objetivo de preparação de violências contra as pessoas ou de degradação ou destruição de bens”.

Efetivamente, cometi uma parte desses atos disfarçados de formulações pesadas… e os assumo. Tenho plena consciência que ao escrever isso me arrisco em ficar um pouco mais de tempo atrás das grades, e entendo muito bem a todos os que preferem não reivindicar seus atos diante da justiça e apostam a uma eventual clemência.

Quando lemos essa longa lista de delitos e seus títulos, temos de pensar que sou um louco furioso, não é? Aliás, é assim que me descreveram na imprensa. Ou seja, me reduziram a uma palavra bem prática: “vândalo”. Simplesmente. “Porque esse moleque quebrou? – porque é um vândalo, é evidente”. Tudo é dito, circulem não há nada que ver e, sobretudo, nada para entender. É de acreditar que alguns nascem “vândalos”. Isso evita ter que se perguntar porque tal loja foi alvo de violência mais do que tal outra e se, por acaso, esses atos não teriam algum sentido, ao menos pelos que tomam o risco de realizá-los.

É bastante irônico, aliás, que seja colocado no estigma do “vândalo”, notadamente porque a coisa que mais apreço na vida é a construção. Carpintaria, alvenaria, encanamentos, eletricidade, soldagem… arrumar as coisas, construir uma casa, isso é o que gosto. Claro, nada do que eu construí ou arrumei se parece a um banco ou a uma viatura de polícia.

Em alguns meios de comunicação fui tratado também de “bruto”, porém, nunca fui alguém violento. Poderíamos dizer que sou um doce, até que isso me tornou a vida bastante complicada durante minha adolescência. Obviamente, na vida, passamos todos os dias por situações complicadas e nos endurecemos. Mas, não busco dizer que sou um cordeiro ou uma vítima.

Não somos mais inocentes quando vemos a violência “legítima”, a violência legal: a da polícia. Vi o ódio ou o vazio nos seus olhos e escutei suas palavras de gelo: “dispersem, voltem para suas casas”. Vi as cargas, as granadas e os espancamentos em regra. Vi os controles, as revistas corporais, as detenções e a prisão. Vi as pessoas caindo, ensanguentadas, as vi mutiladas. Como todos os que manifestavam esse 9 de fevereiro, aprendi que mais uma vez, um homem acabava de ter a mão arrancada por uma granada. E logo, não vi mais nada por causa do gás. Todos sufocávamos. É nesse momento que decidi de não ser mais uma vítima e de combater. E estou orgulhoso disso. Orgulhoso de ter levantado a cabeça, orgulhoso de não ter cedido ao medo.

Obviamente, como todos os que são alvos da repressão do movimento dos Coletes Amarelos, comecei manifestando pacificamente e cotidianamente, arrumo sempre meus problemas com a palavra antes que pelos punhos. Mas estou convencido que em certas situações, o conflito é necessário. Porque o debate por tão “grande” que ele seja, pode as vezes ser falsificado ou distorcido. Só basta para isso que quem o organize faça as perguntas nos termos que lhe interesse. Nos dizem por um lado que as caixas do Estado estão vazias, mas, são concedidos bilhões aos bancos cada vez que estão em dificuldade, nos falam de “transição ecológica” sem jamais questionar o sistema de produção e consumo na origem de todos as interrupções climáticas. Somos milhões gritando que seu sistema é podre e nos explicam como pretendem salvá-lo.

No fim, tudo é uma questão de equilíbrio. Existe um uso justo da loucura, um uso justo da palavra e um uso justo da violência.

Temos que tomar as coisas em nossas mãos e parar de implorar os poderes tão determinados a nos enviar para o muro. Precisamos um pouco de seriedade, um pouco de honra e reconhecer que certo número de sistemas, de organizações e empresas destroem nossas vidas tanto quanto o meio-ambiente e que teremos algum dia que impedir que sigam sendo nocivos. Isso implica atuar, implica gestos, implica escolhas: manifestações selvagens ou mantimento da ordem?

Em relação a isso, escuto muita bobagem na televisão. Mas tem uma que me parece muito grosseira. Não, nenhum manifestante busca “matar policiais”. O que está em jogo nos enfrentamentos nas ruas, é conseguir fazer recuar a polícia, tê-la à distância, para sair de um cerco, chegar a um lugar de poder ou simplesmente retomar a rua. Desde o 17 de novembro, os que ameaçaram de sacar suas armas, os que brutalizam, mutilam, asfixiam manifestantes desarmados e sem defesa, não são os “vândalos”, são as forças da ordem. Se os meios de comunicação falam muito pouco disso, as centenas de milhares de pessoas que foram nas rotatórias e nas ruas o sabem. Atrás da sua brutalidade e das suas ameaças, é o medo que se esconde. E quando, isso aparece, em geral é que a revolução não está longe.

Se nunca tive vontade de ver meu nome aparecendo na imprensa, agora é o caso, e como espero que os jornalistas e magistrados descascam e exponham minha vida pessoal, prefiro tomar eu mesmo a palavra. Aqui vem então, minha pequena história. Após uma infância bastante banal em uma pequena cidade do Poitou, fui para a “grande cidade” ao lado para começar a estudar, sair da família (mesmo que ame muito minha família), começar a vida ativa. Não com o objetivo de encontrar trabalho e contratar credito, não, mais para viajar, fazer novas experiências, encontrar o amor, viver coisas loucas, a aventura… Os que não sonham com isso aos 17 anos devem ser seriamente perturbados.

Essa possibilidade, para mim, foi a universidade, mas rapidamente me desiludi diante do aborrecimento e da apatia reinante. E, sorte, encontrei uma assembleia geral no início do movimento da aposentadoria. Tinha gente que queria bloquear a universidade e que me chamaram a atenção. Encontrei alguns que queriam ocupar um edifício e se juntar aos trabalhadores portuários. No dia seguinte, os acompanhei para fechar o local do Medef (sindicato de patrão) e pixar “poder ao povo” nas paredes frescas. Esse dia foi o dia quando o homem que sou hoje nasceu.

Estudei história porque se falava muito em revoluções e não queria falar desde uma posição de ignorante. Mas rapidamente, decidi sair da universidade. Aprendia-se muito mais nos livros que nas aulas, mas, não tinha vontade de me “levantar” socialmente para me tornar um pequeno quadro acomodado do sistema que queria combater. Aí foi o verdadeiro começo da aventura.

Depois, vivi com muitos amigos na cidade ou no campo, foi aí que aprendi a arrumar tudo, a construir tudo. Tentávamos fazer tudo nós mesmos mais do que trabalhar para comprar. Um pouco a vida de hippie… só que sabíamos que não íamos mudar o mundo nos enterrando no nosso pequeno casulo autossuficiente. Então, mantive contato com a atualidade política, fui ao encontro dos que, como eu no passado, viviam seu primeiro movimento. É assim como me juntei aos Coletes Amarelos há quatro meses. É o movimento mais bonito e o mais forte que já vi. Me lancei de corpo e alma, sem duvidar. A tarde da minha detenção, muitas vezes algumas pessoas vieram me ver para me cumprimentar, me agradecer ou me dizer de me cuidar. Os atos que me reprovam, os que cometi e os outros são em realidade coletivos. E é precisamente isso que o poder teme, e é por isso que nos reprimem e nos encarceram individualmente e tentam nos colocar uns contra os outros. O cidadão simpático contra o “vândalo” mau. Mas, obviamente, nem o cassetete nem a prisão parecem acabar com esse movimento. Estou com todo meu coração com as e os que seguem.

Desde os muros de Fleury-Merogis, Thomas, Coletes Amarelos

Fonte: comitedesoutienathomasp.home.blog

>> Notas:

[1] Isso significa para muitos ecologistas oficiais que desejam que esse maldito contaminador de pobre não possa mais dirigir com sua camioneta dos anos 1990 que ele mesmo arruma e mantém. Não, ele vai ter que comprar a cada 4 anos o último carro que cada vez contamina menos.

[2] De fato, os jornais falam dos meus antecedentes judiciários por “degradação”. Tive que bater minha cabeça para lembra. Trata-se mais precisamente de um “roubo com degradação em banda organizada”. Ou seja, que depois de passar repetidamente por cima da grade para reciclar comida nos lixos do Carrefour Market no campo, tinha-se afundado um pouco. Não, não é uma brincadeira, é a magia das qualificações penais.

Tradução > Enkapuzado Edições

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uma lua
e um lago gelado
refletem-se um ao outro

Hashimoto Takako

[Chile] “Liberdade condicional” negada para Tamara Sol

A companheira anarquista Tamara Sol já cumpriu cerca de 5 anos e meio de prisão desde que foi detida em 21 de janeiro de 2014, depois de atirar contra um guarda de segurança. Sol foi condenado a 7 anos + 61 dias de prisão.

Depois de ser mantida em diferentes prisões do país, atualmente a companheira está na prisão de Valdivia, de onde tem buscado o acesso à “liberdade condicional”, medida que tem sido sistematicamente negada no mês passado, apesar de cumprir mais da metade da sentença.

A companheira é uma das afetadas pelo Decreto-Lei 321, que vem sendo implementado no Chile, criando mais empecilhos aos prisioneiros, bem como aplicando retroativamente àqueles que já estavam prestes para solicitar liberdade condicional, conforme o caso de Tamara Sol.

Pela completa abolição do Decreto-Lei 321!

Pela saída à rua dos nossos compas!

Fonte: https://publicacionrefractario.wordpress.com/2019/05/14/negada-libertad-condicional-de-companera-tamara-sol/

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No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Bashô