[Grécia] Vitória momentânea do movimento estudantil de ação direta

A recém-aprovada “lei anti-educação” do governo grego que impõe a polícia nas universidades foi adiada em face da resistência e ação direta do movimento estudantil, marcando um recuo temporário das autoridades.

O Estado sofreu uma derrota simbólica devido às massivas, dinâmicas e contínuas mobilizações militantes da comunidade estudantil, com forte presença anarquista, por isso foi temporariamente parado.

Ontem, 14/04, o Vice-Ministro da Educação, Angelos Syrigos, afirmou num programa de televisão que a “lei anti-educação” foi adiada até setembro.

“O governo se engana se pensa que a luta dos estudantes vai parar. Pois, nossa força está na realização de nossos interesses de classe e nossas necessidades sociais, na auto-organização, resistência e afirmação coletiva. É por isso que não vamos dar um passo atrás. O Estado continuará a enfrentar o movimento estudantil e a base social, porque a luta social e de classe não está suspensa”, diz trecho de um comunicado divulgado na internet.

Hoje, 15/04, se realizaram manifestações massivas em Tessalônica (foto), Atenas e noutras cidades contra o projeto de lei que cria um corpo especial de polícia para patrulhar as universidades.

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Noite de outono –
Sonhos, roncos,
E grilos.

Suiô

[EUA] Ajuda mútua: três trabalhos clássicos anarquistas visionários

Ajude a PM Press a dar vida às novas edições dos livros de Peter Kropotkin, com belas ilustrações de N. O. Bonzo.

Peter Kropotkin foi o principal teórico do movimento anarquista. Seus livros continuam a influenciar aqueles que buscam uma sociedade baseada na liberdade, igualdade e ajuda mútua. Essas ideias são necessárias agora mais do que nunca.

Este ano, para comemorar o aniversário de 100 anos de sua morte, e apresentar suas ideias a um público mais amplo, estamos publicando três novas edições de seus clássicos. Esses incluem Palavras de um Rebelde, A Grande Revolução Francesa, 1789-1793 e Ajuda Mútua: Um Fator Iluminado de Evolução.

Cada página do livro Ajuda Mútua é lindamente ilustrada pelo artista N. O. Bonzo, e o trabalho desfruta de comentários perspicazes de um elenco de estrelas de pensadores anarquistas, incluindo o último escrito de David Graeber, que deixou este mundo cedo demais, em 2020.

Saiba mais sobre as três edições atualizadas e os seus colaboradores, encomende os livros individualmente, como um conjunto, ou com trabalhos relacionados e escolha pôsteres, tapeçarias, camisetas e bolsas criadas especialmente por N. O. Bonzo. Ajude a trazer esses livros importantes de volta à vida e a garantir que as teorias visionárias de Kropotkin continuem vivas e sejam colocadas em práticas por mais cem anos ou mais.

Mesmo que tenhamos alcançado a meta, mais patrocinadores e suporte colocarão essas obras importantes em mais mãos.

Obrigado por seu apoio!

>> Para colaborar, mais infos, clique aqui:

https://www.kickstarter.com/projects/ww3/mutual-aid-an-illuminated-factor-of-evolution

Tradução > Bellatrix Anarchy

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Madrugada fria.
A lua no fim da rua
vê nascer o dia.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] “De Mississipi a Madri”: os brigadistas negros que lutaram contra Franco

Nutriram as filas do chamado Batalhão Lincoln, integrado por 2.800 estadunidenses. Apenas superavam a centena e lutavam na Espanha por alguns direitos civis e uma justiça social que lhes recusavam em seu próprio país.

Por Juan Losa | 30/03/2021

Apenas alcançavam a centena. Sua presença naquela Espanha que, agora, boceja e bate, como disse o poeta, resultava um pouco menos que exótica. Abasteciam as fileiras do chamado Batalhão Lincoln, integrado por 2.800 estadunidenses. Um viveiro de antifascistas vindos de uma jovem nação que contava entre suas fileiras com ao menos uma centena de afroamericanos. O triste paradoxo é que lutavam na Espanha por alguns direitos civis e uma justiça social que lhes recusavam em seu próprio país.

A história destes milicianos negros [e da única mulher negra no Batalhão Lincoln, Salaria Kea¹] é a história de um esquecimento. Também de um compromisso inquebrável com a liberdade, conscientes de que derrotar o fascismo seria a primeira de muitas outras batalhas pendentes. A disputa espanhola foi, nesse sentido, a primeira parte de uma mesma revolução que décadas mais tarde, nos anos de 1960, alcançaria seus momentos culminantes nos EUA com o movimento pelos direitos civis.

A literatura, os quadrinhos e os documentários revisitam a jornada destes brigadistas negros que uniram suas forças junto a outros 50.000 voluntários chegados de 54 países. Um desembarque vindo de terras remotas com o objetivo de frear o avanço fascista encarnado pelos golpistas de Franco e seus aliados; a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler. Não cabia meio termo, as frentes estavam nítidas e era necessário tomar partido.

“Para eles, é uma única luta que vem da escravidão e que segue até nossos dias, como bem sabemos e vemos nas notícias. Naquele momento, quando estoura a Guerra Civil, os afroamericanos, em especial de Chicago e Nova York, entenderam que lutar na Espanha era um modo de combater o racismo que havia em seu próprio país”, explica Alfonso Domingo, responsável junto a Jordi Torrent pelo documentário Heróis Invisíveis, filme que contribui a recompor um relato esquecido.

Heróis Invisíveis nos fala daqueles voluntários vindos de muito longe para lutar pela liberdade e escrever a história de uma aliança legendária, que uniu às pessoas excluídas de um mundo ainda não globalizado, mas que já gerava injustiças e servidões. O documentário conta com um protagonista de exceção, James Yates, quem ao final de sua vida escreveu um livro, De Mississipi a Madri (La Oficina e BAAM), no qual relata as peripécias de um afroamericano nascido no sul dos Estados Unidos que emigra para o norte de seu país, e que mais tarde recairá como voluntário na Espanha.

Aquele livro, que encontrou em Nova York a fotógrafa e escritora Mireia Sentís, fundadora da Biblioteca Afro Americana Madri (BAAM), foi a origem e a inspiração de Heróis Invisíveis. Sentís, Domingo e Torrent se encontraram com frases como esta: “Pela primeira vez na Espanha, como homem negro me senti livre”. Uma confissão, a cargo do próprio Yates, que diz muito da importância que teve a disputa espanhola em sua vida.

“Ele estava lutando por que queria – Aponta Domingo – e o fazia junto à pessoas a quem chamava camarada e junto a um povo irmão, podia comer em qualquer lugar, entrar onde queria, tinha um tratamento de igualdade, algo que ele não tinha vivido nos Estados Unidos e que conseguiu viver na Espanha pela primeira vez durante a Guerra. Mas quando regressou a seu país, o inferno continuava ali…”. Não foi em vão, e assim como lembrou Domingo, Yates sofreu em primeira mão o racismo nos EUA assim que voltou.

“Rir para não chorar”

Outra figura chave junto a Yates é a do poeta, narrador, dramaturgo e correspondente de guerra estadunidense Langston Hughes (1902-1967), cujas crônicas e impressões de sua passagem pela Espanha permitem conhecer em primeira mão a vida daquelas pessoas nas frentes republicanas. Escritos que se demarcam na capacidade da comunidade afroamericana de sublimar sua dor através da música.

“Os horrores das trincheiras, a miséria e a dor de uma sociedade esfarrapada, ao mesmo tempo e que cenas da vida cotidiana, não isentas de humor, em que suas personagens eram capazes de ouvir música e rir, com esse mesmo riso que sempre acompanhava Hughes, inclusive em seus piores momentos, seguindo o tema largamente adotado pela população negra de rir para não chorar”, escreveu a tradutora Maribel Cruzado no prólogo de Escritos sobre Espanha, que recompila pela primeira vez a obra periodística e poética de Langston Hughes inspirada na Guerra Civil.

Junto a Yates e Hughes, emergem outros nomes como o da enfermeira Salarea Kea, nascida no Harlem, que encontrou o amor de sua vida – um soldado irlandês – durante seu desempenho no campo de batalha, ou de Oliver Law, que se converteria no primeiro comandante negro de um batalhão formado em sua maioria por brancos. Também o nome do cantor e ator Paul Robeson, militante do Partido Comunista, que presenteou com sua voz aos soldados no front.

A História em Quadrinhos A Brigada Lincoln (Evolution, Panini Comics) recuperou precisamente a façanha de Oliver Law, um dos primeiros voluntários dos Estados Unidos a se alistar como combatente em defesa da República espanhola, que terminou por se converter, graças à sua experiência militar e suas qualidades de liderança, em capitão de uma companhia de metralhadoras.

A jornada de Law foi registrada com a maestria da mão de Pablo Durá, Carles Esquembre e Ester Salguero, responsáveis por um projeto que recupera e homenageia a figura deste homem e de tantos outros que deram a sua vida pela democracia em um país de que pouco ou nada sabia. Law morreu em 10 de julho de 1937 durante o ataque ao chamado Morro do Mosquito, Villaviciosa de Odón. Sua vida, como a dos demais afroamericanos que jogaram a vida na Espanha, merece ser relembrada.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/misisipi-madrid-brigadistas-negros-lucharon-franco.html

Tradução > Caninana

[1] Nota da Tradutora: Referências sobre a participação de Salaria Kea na Revolução Espanhola: https://en.wikipedia.org/wiki/Salaria_Keahttps://www.blackpast.org/african-american-history/african-american-anti-fascists-in-the-spanish-civil-war/

agência de notícias anarquistas-ana

flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela

Carlos Seabra

[Reino Unido] Crítica: “Emma Goldman, ‘Mother Earth’ and the Anarchist Awakening”

“Este volume importante e essencial de Rachel Hsu volta às fontes primárias em uma tentativa de permitir que as ideias e ações de Goldman falem por si mesmas.”

by Rachel Hui-Chi Hsu

Notre Dame: University of Notre Dame Press

2021

ISBN 9780268200299

$45.

Crítica por Barry Pateman | Apareceu pela primeira vez na Biblioteca Kate Sharpley através do KSL Spring Bulletin.

É difícil não sentir alguma simpatia por Emma Goldman depois de seu tratamento nas mãos de alguns historiadores e escritores. Com muita frequência, eles recortam as ideias dela para “provar” suas teses preconcebidas ou simplesmente falham em reconhecer a complexidade de “Luz e Sombra” na vida dela, sobre a qual Candace Falk escreve no volume três do Emma Goldman Papers (“Documentos de Emma Goldman”). (“Light and Shadows [‘Luz e Sombra’], 1910-1916”. Stanford: Stanford University Press, 2012). Há, no entanto, algumas evidências de que essa situação está sendo gradualmente remediada além do trabalho “The Emma Goldman Papers”. O “Emma Goldman: Political Thinking In The Streets” (“Emma Goldman: Pensamento Político Nas Ruas”) de Kathy Ferguson (Londres: Rowan e Littlefield, 2011) aceita os princípios subjacentes do anarquismo que conduzia Goldman e seus camaradas e discute como Goldman tentou tornar essas ideias e princípios uma realidade. Agora, este volume importante e essencial de Rachel Hsu volta às fontes primárias em uma tentativa de permitir que as ideias e ações de Goldman falem por si mesmas. É um lembrete oportuno de que Goldman é ela mesma com tudo o que isso significa e não apenas uma frase de inspiração do Facebook, normalmente tirada de contexto.

Como o título sugere, Hsu se concentra nos anos 1906-1917, nos anos da revista “Mother Earth” e nos eventos e iniciativas que foram uma parte fundamental de sua vida. Não pode haver dúvida de que esta revista desempenhou um papel de liderança no mundo do anarquismo de língua inglesa por introduzir e desenvolver ideias anarquistas em partes antes inalcançadas da América e, na verdade, por meio dos correios e pela tradução, em muitas partes do mundo. Hsu é perspicaz ao discutir muitos dos tópicos que preenchem suas páginas: anarquismo, antimilitarismo, feminismo, a luta pela contracepção, lutas trabalhistas, liberdade de pensamento, liberdade de expressão, socialismo, sindicalismo, raça, a natureza do estado americano e um transnacionalismo pragmático, mas inspirador. É realmente uma lista de tirar o fôlego, mas Hsu é rápida em notar que todos esses tópicos provenientes de Goldman e do grupo “Mother Earth” eram sustentados por seu compromisso inabalável como ao anarco-comunismo. Goldman era feminista, por exemplo, porque ela era anarco-comunista e todas essas áreas que eu mencionei se tornaram, ou já eram, uma parte integrante do seu anarquismo. Algumas eram mais importantes do que outras de acordo com as circunstâncias, mas para ela nunca foram separadas ou contraditórias.

Durante esse período, Goldman ganhava a vida com discursos públicos, mas precisamos lembrar que foi durante a linha do tempo deste volume que ela se descobriu como escritora, percebendo que ela tinha a capacidade de expressar ideias complexas de forma forte e direta e foram esses escritos que aumentaram sua reputação imensuravelmente. Dito isso, foi através de seus discursos que a reputação dela também cresceu. Ela embarcou em viagens enormes e exaustivas que cruzaram a América, às vezes falando para um punhado de pessoas, às vezes para grandes e animadas multidões. Ela era uma propagandista em tempo integral e falava sobre qualquer assunto que pudesse atrair uma multidão e de formas indiretas apresentá-los às ideias anarquistas. Ela era deliberadamente provocativa e desafiadora e, na pior das hipóteses ao menos, encorajava as pessoas a pensarem sobre o papel desempenhado pela autoridade em suas vidas.

Devemos também deixar claro, como faz Hsu, que tudo isso não era apenas Goldman. O meio anarquista incluía aqueles que colocaram as cadeiras para a reunião e enfrentaram os efeitos posteriores de sua visita em uma pequena cidade americana, assim como os correspondentes assíduos e a equipe editorial em torno da “Mother Earth”. Ela era frequentemente editada por outros – Alexander Berkman por exemplo – quando ela realizava suas viagens, que lhe exigiam muito, e precisamos estar cientes da dinâmica política entre aqueles próximos à “Mother Earth” para ver como suas ideias se desenvolveram e sua influência em Goldman.

Você vai encontrar tudo isso e mais em “Emma Goldman, ‘Mother Earth’ and the Anarchist Awakening”. Hsu vasculha a “Mother Earth” por informação e não se esquiva das contradições ou complexidades que podemos encontrar lá. Ela está igualmente ciente da importância da cultura impressa para o anarquismo, assim como das animadas e às vezes desafiadoras reuniões públicas que são mencionadas. Ela vê Goldman como uma pioneira cujo anarquismo consiste em uma riqueza que, talvez, só agora esteja sendo totalmente compreendida. O trabalho de Hsu significa que, depois da leitura deste livro, ganhamos um senso real de todos os eventos e ideias que estavam borbulhando e se fundindo durante esses anos críticos.

Há algo mais que Hsu sugere e espera-se que ela decida levar isso adiante em seu trabalho futuro. A saber, que efeito as ideias anarquistas tiveram sobre aqueles que entraram em contato com elas durante esse tempo? Como o grupo de estudos literários, os defensores da liberdade de expressão, aqueles que lutam pela contracepção ou aqueles engajados nas lutas trabalhistas, por exemplo, se viam em relação aos anarquistas que frequentemente trabalhavam com eles? E qual efeito as ideias de Goldman e de outros anarquistas tiveram sobre a sociedade em geral? Como Hsu sugere, o anarquismo de língua inglesa durante esse período – principalmente graças a Goldman e todos aqueles em torno da “Mother Earth” – atraía um público mais amplo do que jamais foi capaz de atrair na América antes e traçar seus efeitos em pensamentos e ações mais amplos seria um projeto emocionante.

Além de compreender e apreciar a mulher difícil, decidida e corajosa que foi Emma Goldman, o trabalho de Hsu analisa o desenvolvimento da complexidade do pensamento anarquista de Goldman (e de outros) revelado por todos aqueles anos de desafios à autoridade em tantas arenas diferentes. Às vezes eles tomavam a ofensiva, mas muitas vezes eram forçados a ficar na defensiva. “Emma Goldman, ‘Mother Earth’ and the Anarchist Awakening” nos permite ver Goldman como ela mesma e não como quem gostaríamos que ela fosse durante, talvez, os anos mais importantes de sua vida. Através do trabalho de Hsu, nós apreciamos Goldman como uma anarquista e pensadora consciente que é parte de um movimento anarquista mais amplo que está em constante reação ao mundo ao seu redor.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/book-review-emma-goldman-mother-earth-and-the-anarchist-awakening/

Tradução > Brulego

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Leve esvoaçar
do cabelo da menina.
Aragem do mar.

Benedita Azevedo

[Grécia] Pôster | Manifestação anarquista em Atenas, sábado (17/04)

Contra a pandemia, o terrorismo de Estado e a barbárie capitalista

Contra a crescente exclusão social, pobreza e exploração

Solidariedade com a luta dos e das trabalhadoras da saúde para fortalecer a saúde pública – Requisição direta de unidades privadas de saúde

Solidariedade com os alunos que lutam contra a reestruturação educacional, a repressão e a submissão

Solidariedade com os presos / detidos durante a manifestação em Nea Smyrni que foram torturados e ameaçados de estupro na GADA [principal delegacia policial de Atenas], e liberação imediata dos presos, cuja perseguição é vingativa e visa aterrorizar aqueles que se manifestam e lutam.

Tudo para todos!

Alimentação, saúde, educação, habitação

Auto-Organização Social, Solidariedade de Classe, Combate e Resistência em todos os bairros

Concentração e passeata, sábado 17/04, 17h, no parque de Chipre e Patission

Okupação Lelas Karagianni 37

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Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

[EUA] Saiamos à rua por Mumia Abu-Jamal!

Saiamos à rua por Mumia! O Liberamos ou ele Morre. Mobilização para paralisar a cidade da Filadélfia! 23-25 Abril!

O Estado está lentamente assassinando Mumia Abu-Jamal (injustamente condenado e encarcerado desde 1981) através da negligência médica. Mumia está se recuperando de COVID. Tem insuficiência cardíaca congestiva. Tem cirrose do fígado. Tem uma grave condição de pele.

Seus inimigos querem que ele morra na prisão. NÓS DIZEMOS NÃO!!! Os convidamos a encher as ruas da Filadélfia quando Mumia completa 67 anos no sábado 24 de abril. Que Mumia saiba que lutamos contra o esforço do Estado para assassiná-lo. Apesar da pandemia, éramos milhares que saíram às ruas depois dos assassinatos de George Floyd, Breonna Taylor e Walter Wallace. Agora saiamos para parar o assassinato de Mumia antes de que seja demasiado tarde. No fim de semana também vamos honrar a outros lutadores sociais e recordar a Walter Wallace, assassinado faz seis meses.

Que o Estado saiba: QUEREMOS MUMIA EM CASA!

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Sobre o curso d’água,
Perseguindo sua sombra,
Desliza a libélula.

Chiyo-jo

[Itália] Há um século atrás: Errico Malatesta, a greve de fome e a revolução que não aconteceu

Por Susanna Schimperna | 19/03/2021

Exatamente cem anos atrás, em 20 de março de 1921, a sede da polícia, a prefeitura, o governo e o parlamento se encontraram unidos no medo, nunca maior do que então, da eclosão de tumultos intermináveis e simultâneos por toda a península, tumultos orquestrados por anarquistas e parte de um plano que levaria à revolução.

Durante algum tempo o descontentamento popular, causado principalmente pela crise econômica, tinha crescido e tinha feito como porta-voz o Partido Socialista, o Partido Republicano, os sindicatos. E é verdade, as asas extremas dos partidos (além, obviamente, dos anarquistas) tinham como objetivo declarado a revolução. Além disso, havia suspeita – mas não havia provas neste sentido – de ligações entre anarquistas italianos e residentes em Nova York (onde, naquele período, os ataques e manifestações eram diários, especialmente após a prisão, considerada injusta, de Sacco e Vanzetti), bem como subsídios em ouro que, segundo a hipótese da Sede da Polícia, o jornal anárquico Umanità Nuova, teria recebido da Rússia.

Para agitar particularmente as almas, a greve de fome começou por Errico Malatesta, Armando Borghi e Corrado Quaglino, uma greve à qual se juntaram imediatamente muitos outros prisioneiros. Os três estavam na prisão desde 17 de outubro, o primeiro como diretor do Umanità Nuova e os outros como editores. Eles tinham praticamente reunido toda a equipe editorial naquele 17 de outubro, mas então, sob pressão da imprensa e dos deputados socialistas, e na total ausência de provas, pelo menos os homens implicados foram libertados. Os três que permaneceram na cela pressionados para finalmente terem um julgamento, este era o objetivo da greve, e a condição de Malatesta, já avançada em idade e doente, era tão preocupante que se temia que durante a greve de fome não sobrevivesse.

Os anarquistas pediram um protesto em massa, o que não aconteceu porque sindicatos e partidos de esquerda recuaram, mas a indignação havia se tornado geral. Umanità Nuova publicou um relato detalhado de uma tentativa fracassada da Questura de incriminar o acusado com provas falsas, enquanto na Câmara dos Deputados os socialistas perguntaram insistentemente a um Giolitti envergonhado porque Malatesta estava preso.

Todas as informações apontavam para o dia 20 de março como o dia crucial. A inauguração da placa em memória de Luigi Molinari (um advogado anarquista que morreu em 1918) deveria ter sido a ocasião para desencadear a primeira centelha, que seria seguida por todas as outras. Para isso, naquele dia, carabinieri e guardas reais se reuniram em números impressionantes no Cemitério Monumental de Milão, onde prenderam – medida preventiva – quarenta anarquistas.

Não havia um plano para uma insurreição geral. Porém, nas mesmas horas, muitos fascistas que desfilaram pelas ruas de Milão para celebrar os Cinco Dias, e depois de dispersos quando começaram a marchar para o Palazzo Marino, decidiram ir provocar os “vermelhos” em Greco, o bairro tradicionalmente operário, anarquista, comunista.

Para chegar ao bairro Greco, a coluna que cantou e zombou dos Vermelhos foi a Viale Monza na Piazzale Loreto. Aqui uma mulher, Giovanna Maestri, evidentemente de uma opinião diferente, reagiu acenando um pano vermelho de sua janela. Foi o pretexto para iniciar os confrontos violentos. Alguns deles deixaram a rua para ir arrombar a porta de Giovanna, arrombaram a casa, tiraram o pano e o substituíram pela bandeira tricolor. Os outros ficaram para trás para lutar, e o saldo final (de acordo com o relatório da Prefeitura) foi de trinta feridos e dois mortos: Aldo Setti, um fascista, e Margherita Lazzarini, uma socialista.

Não haveria nenhuma revolução e nenhuma decisão em relação ao julgamento. Malatesta e seus companheiros, no entanto, suspenderam sua greve de fome três dias depois, após o ataque ao teatro Diana que deveria ter atingido o promotor Giovanni Guasti e Benito Mussolini, mas em vez disso deixou vinte e um mortos. Um ataque que Malatesta condenou e que mais tarde inspirará um longo artigo no qual ele dirá que a propaganda pelo fato não deve ser confundida com o massacre, e seja qual for a barbaridade que eles tenham feito aos outros, cabe aos anarquistas e homens de progresso manter o confronto dentro dos limites da civilização.

Fonte: https://www.huffingtonpost.it/entry/un-secolo-fa-errico-malatesta-lo-sciopero-della-fame-e-la-rivoluzione-che-non-arrivo_it_60547786c5b6cebf58cde9f0

Tradução > Liberto

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peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

[Espanha] O que é o anarco-sindicalismo? Como usar a tática da Ação Direta?

CNT – Sevilha   

O anarco-sindicalismo é uma corrente de pensamento que surgiu no final do século XIX e no início do século XX. Suas características fundamentais são:

– A intenção de agrupar o mundo do trabalho para a defesa de seus interesses imediatos, e para obter melhorias em sua qualidade de vida. Para este fim, formou sindicatos.

– A criação de uma estrutura na qual não haja líderes ou poder executivo.

– O desejo de uma transformação radical da sociedade, uma transformação que é alcançada por meio da Revolução Social. Sem um propósito transformador não há anarco-sindicalismo.  Outro nome para o anarco-sindicalismo é sindicalismo revolucionário.

Como se diferencia de outros sindicatos e movimentos sociais?

O anarco-sindicalismo está convencido de que as causas da desigualdade social e da injustiça se baseiam no poder, no princípio da autoridade, que faz com que uma minoria mande, disponham da riqueza gerada pela sociedade e mantém seus privilégios através da violência, e a maioria obedece, não tenha nada mais do que o que precisa para sobreviver e sofrer a violência deste grupo minoritário.

Consequentemente, o anarco-sindicalismo, a fim de eliminar a injustiça, opõe-se ao princípio da autoridade, à decisão das elites e à representação máxima do poder: o Estado.

Contra a organização hierárquica e autoritária do Estado – Capital e seu aparelho repressivo, o anarco-sindicalismo se opõe a sua Não-Organização. Isto supõe um processo, no qual as decisões são tomadas a partir da base, no qual as pessoas participam, no qual não há liderança (ou é muito limitada), não há repressão e há plena liberdade e igualdade no intercâmbio de ideias, opiniões e iniciativas.

O anarco-sindicalismo tenta ser o menos parecido possível com o capital-estado.  É, portanto, a mais “anti-organização” do modelo organizacional existente em nossos dias: o modelo autoritário.

A tática da ação direta no anarco-sindicalismo

A palavra tática significa agir no terreno de casos concretos.  Ação direta significa ação sem intermediários.  Solução direta dos problemas pelas partes envolvidas.  A Ação Direta, portanto, rejeita a atividade dos parlamentos, magistrados, comitês, governos, etc., nos assuntos do povo.

O único tipo de ação aprovada no anarco-sindicalismo, é a Tática de Ação Direta, em todos os seus congressos desde 1910. Entretanto, e para ser franco, é preciso admitir que, como os tempos e nossas forças são, às vezes recorremos a um tipo de ação mediada através de nossos escritórios jurídicos e das magistraturas trabalhistas.  Sempre tentamos resolver problemas sem recorrer a tímidos, o que significa deixar nossa soberania nas mãos do sistema judicial, alongando processos que seriam mais rápidos se houvesse uma resposta enérgica e gastando muito dinheiro para manter um sistema legal caro, parasitário, pernicioso e inútil. Mas há momentos em que, por falta de decisão, falta de apoio, falta de pessoas… não há outra escolha senão recorrer a profissionais do direito, ou não fazer absolutamente nada. Por esta razão, algumas vezes foi proposto admitir nos acordos de congressos a utilização, além da ação direta de preferência, de ação mediada quando não há outra escolha.

Este não foi o caso, porque enquanto a Ação Direta for mantida como a única tática que pode ser assumida pela militância anarco-sindicalista, manteremos nosso compromisso com ela, e toda vez que agirmos contra a Ação Direta, saberemos que estamos quebrando um acordo. Se admitirmos uma espécie de tática contra nossa estrutura e digerirmos o indigestível, é possível que quando tivermos força suficiente e pessoas para levar nossas opiniões adiante sem a necessidade de suportar regras legais, deixaremos de vê-la e recorreremos rotineiramente aos tribunais. A ação direta é sempre mais rápida, mais barata e mais eficaz do que o recurso à mediação. Ela tem a desvantagem de exigir mais energia e coragem para realizá-la.

> Trechos extraídos do texto Anarco-Sindicalismo Básico, que está disponível na versão completa em https://libcom.org/files/anarcosindicalismo_b%C3%A1sico.pdf

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com/2021/03/que-es-el-anarcosindicalismo-como-usa.html

Tradução > Liberto

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sob a árvore imóvel,
silêncio de pássaros dormindo;
paz na noite.

Alaor Chaves

[Espanha] Lançamento: “História da FAI. O anarquismo organizado”, de Julián Vadillo Muñoz

Um exaustivo percurso pela história da FAI, desde seus antecedentes e suas origens até a época da Segunda República e a Guerra Civil.

A Federação Anarquista Ibérica foi fundada em 1927 como uma confluência de grupos anarquistas portugueses e espanhóis (alguns deles no exílio), constituindo a principal organização específica do anarquismo na península ibérica. Desde seu início esteve ligada à CNT e aos movimentos obreiros e sindicais, nos quais desempenhou um papel fundamental. Neste livro Julián Vadillo realiza um exaustivo percurso pela história da FAI, desde seus antecedentes e suas origens durante a ditadura de Primo de Rivera até a época da Segunda República e a Guerra Civil, destacando a influência que tiveram em sua fundação, acontecimentos como a Primeira Guerra Mundial ou a Revolução russa, assim como a importância dos numerosos debates ideológicos e congressos organizados por grupos anarquistas desde princípios do século. Se analisam também em detalhe a repercussão que tiveram publicações como Tierra y Libertad ou Solidaridad Obrera, destinadas a promulgar o pensamento anarquista.

Historia de la FAI

Julián Vadillo Muñoz

Prólogo de Juan Pablo Calero

Los Libros de la Catarata, Colección Mayor, 825. Madrid 2021

256 págs. Rústica 22×14 cm

ISBN 9788413520049

18,00 €

catarata.org

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agência de notícias anarquistas-ana

meus dedos-olhos
desvendam sem pressa
doces mistérios

Eugénia Tabosa

[França] Chamado à solidariedade internacional contra a destruição dos Jardins Operários

Os anos que antecederam os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram cercados de muitas expectativas. Por um lado haviam aqueles que sonhavam com a projeção do Brasil como uma nova potência, capaz de grandes feitos, como a realização do inédito evento no Brasil, por outro, uma parcela da sociedade sabia que os custos sociais, políticos, ambientais e econômicos de tal evento cairiam sobre a sociedade, em especial sobre os mais explorados: pobres, imigrantes, mulheres.

Como uma cartilha macabra – aplicada incessantemente a favor das grandes construtoras, governos e bancos investidores – os Jogos Olímpicos seguem deixando seu rastro de sangue e destruição por todos os territórios que passam. E a realidade para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 não é diferente.

Como relatado na série de reportagens sonoras, intitulada Jardins da Comuna¹, o município de Aubervilliers, o segundo mais pobre da França que conta com uma enorme população de imigrantes, está enfrentando um intenso processo de especulação imobiliária e destruição das áreas comuns, em especial dos Jardins Operários, território fundamental para a garantia da soberania alimentar desta população em condição de vulnerabilidade extrema.

Para tentar conter a destruição deste território, no próximo sábado, dia 17 de abril, haverá uma série de manifestações em defesa dos Jardins.

Como toda luta social, quanto mais pressão e quanto maior a solidariedade internacional, maior a chance de vitória.

Neste sentido, convidamos todas as pessoas solidárias à luta a produzir uma imagem (foto | desenho) com mensagens em apoio as jardineiras e jardineiros de Aubervilliers e as árvores que já estão sendo arrancadas dos jardins (ex. msg.: Ipê amarelo (árvore da sua região) em solidariedade as cerejeiras /  alperces dos Jardins de Aubervielliers), para que estas mensagens possam ser impressas e levadas para as ruas de Paris no sábado (17) para integrar a manifestação.

As imagens podem ser enviadas por email (bibliotecaterralivre@gmail.com) ou postadas no Instagram marcando a @bibliotecaterralivre e @papacapim_sandra e utilizando a hashtag #JO2024

Outra forma de apoiar é assinando a petição: https://www.change.org/p/mairie-d-aubervilliers-jo2024-sauvons-les-jardins-des-vertus

Para escutar os episódios do Jardins da Comuna acesse: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/jardins-da-comuna/

Solidariedade é mais do que uma palavra!

Biblioteca Terra Livre
bibliotecaterralivre.noblogs.org

[1] https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/jardins-da-comuna/

agência de notícias anarquistas-ana

Saltando da mesa
a tulipa
foi passear

Eugénia Tabosa

[França] Antifascistas realizam protesto em Paris

Antifascistas tomaram as ruas de Paris neste sábado (10/04) para protestar contra os movimentos de extrema-direita no país, após a recente decisão das autoridades francesas de dissolver o grupo ultranacionalista Génération Identitaire (Geração Identitária).

A marcha unitária começou no início da tarde perto do centro da capital francesa, com gritos de ordem contra o extremismo e forte presença de jovens.

De acordo com a imprensa local, mais de 1.000 pessoas participaram do ato, acompanhadas de perto por um grande número de membros das forças de segurança parisienses.

Organizadores do evento afirmam que, apesar da dissolução da Geração Identitária, sua luta ainda não acabou, já que outros grupos racistas e de extrema-direita continuam atuando no país.

#RiposteAntifasciste #DéfendsTaClasse #ParisAntifasciste #StopExtremeDroite #Antiracisme #Solidarité #Feminisme

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/23/franca-o-estado-dissolve-a-generation-identitaire-propagando-suas-ideias/

agência de notícias anarquistas-ana

Lua de outono –
Passei a noite toda
Andando ao redor do lago.

Bashô

[Chile] Lançamento do livro solidário “1312 palabras por lxs presxs”

Gostaríamos de cumprimentá-los e convidá-los para o lançamento virtual desta compilação de solidariedades escritas e visuais, fruto de uma chamada aberta que foi desenvolvida no ano passado.

Este livro irá beneficiar diretamente xs presxs políticxs da revolta!

Desde já solicitamos a difusão da atividade que será transmitida em todas as nossas redes sociais (facebook, instagram e youtube).

Liberdade já!

Cooperativa La Mocha

cooperativalamocha.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

O lago escurece –
Os gritos dos patos
Levemente brancos.

Bashô

[Chile] Convocatória | Primeiro Congresso Internacional de Docências Anarquistas

Serão recebidas apresentações, oficinas ou propostas sobre os seguintes eixos:

 – A prática docente desde a perspectiva anarquista;

– Teoria e prática desde os contextos locais;

– Projetos libertários atuais e seu impacto na educação;

– Didática e lúdica ácrata, dúvidas, propostas e experiências atuais;

– Referenciais teóricos-práticos de didática pedagógica universal;

– A assembleia como discussão e criação nos diferentes níveis, grupos e idades de aprendizagem;

– Apropriação dos elementos escolares à escolaridade ácrata;

– Crítica às estruturas escolares tradicionais;

– Ética libertária e pedagogia;

– Docência e pandemia.

Contato (mais infos): daniibenv@gmail.com

Data limite para receber propostas: 1º de maio.

Data do Congresso: 14 e 15 de maio.

Coletivo Esporádico de Docentes Dissidentes

agência de notícias anarquistas-ana

raios!
alguém rasgou
o terno azul da tarde

Alonso Alvarez

“Ajuda mútua Não caridade nas Filipinas, março de 2021” | Apoiando motociclistas de triciclo e operadores

Já se passou um ano; o povo ainda está com dificuldades econômicas, especialmente a comunidade marginalizada. O governo não tem um plano claro nem apoio para aqueles que estão passando necessidades.

Estamos vivendo novamente lockdown nas áreas de Metrô Manila, Bulacan, Rizal, Laguna e Cavite. Todas as municipalidades implementaram toque de recolher das 18 horas até 5 da manhã, pontos de blitz da polícia uniformizada estão por toda parte e todos que violem determinados protocolos e regulamentações serão penalizados. É a mesma resposta que deram ano passado, para reforçar a segurança e para controlar o movimento das pessoas, sem preparação para lidar com uma crise de saúde e para ajudar as massas de desempregados.

Novamente, igual ao ano passado, muitas pessoas perderam seus empregos, com dificuldades para levar comida às suas mesas e financeiramente falidos. De acordo com a Autoridade de Estatísticas das Filipinas (PSA) há 4 milhões de desempregados e o número aumenta por causa do lockdown rigoroso. A população geral está com dificuldades desde ano passado e um dos setores fortemente atingidos pela crise é o transporte. A maioria dos Jeepney de utilidade pública não estão operacionais, o governo pressiona por modernização e força-os a converter para jeep elétrico (E-jeep). Motoristas e operadores de Jeepney não estão preparados para converter as unidades pois não tem poupanças nem dinheiro suficiente.O governo pressiona por este programa de modernização mas não apoia os motoristas e operadores. A maioria deles acabam mendigando até hoje.

Motociclistas de triciclos também são afetados pela pandemia. Embora alguns deles ainda tenham emprego, o problema é que ainda tem poucos passageiros, e a renda não é suficiente. Outras municipalidades decidiram implementar um regime em que cada unidade de triciclo operasse só três vezes por semana e não todo dia.

Nesse ano todo de desespero, todos deveríamos cuidar um do outro. Ajuda mútua e solidariedade social deveria ser promovida. Apoiar uns aos outros é a forma de sobreviver a esta pandemia.

Nós já sabemos que em tempos de crise o governo é incompetente, corrupto e eles verdadeiramente não se importam. Ainda bem que tem pessoas por aí nos ajudando de alguma forma, 2 quilos de arroz já é bom por dois dias. Então, nós os distribuímos a Buting-Sto. Rosario Pateros Tricycle Operator and Drivers Association, cerca de 30 motoristas se beneficiaram com isto.

Fonte: https://etnikobandidoinfoshop.wordpress.com/2021/04/06/mutual-aid-in-the-philippines-march-2021-supporting-tricycle-drivers-and-operators/

Tradução > Diego Severo

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/filipinas-acao-de-apoio-mutuo-para-combater-a-pandemia-do-covid-19/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/04/presidente-das-filipinas-manda-matar-quem-descumprir-regras-de-confinamento-por-coronavirus/

agência de notícias anarquistas-ana

lâmpada queimada
onde está a luz
que ali brilhava

Alexandre Brito

[Chile] Memória Negra – 16 de Abril de 2015

16 de abril de 2015, 5 jovens foram assassinados em Santiago de Chile pelos defensores do capital, do negócio, da propriedade privada, para, posteriormente, serem destruídos pela imprensa.

Por que não estão conosco?

Pois bem, porque: “gerou-se uma avalanche”, entraram em massa em um som em uma propriedade privada, onde o produtor que fazia a guarda, mandou atacar a multidão com bastões, água e armas elétricas.

MAIS DE 6 ANOS APÓS ESSE MASSACRE, OS RESPONSÁVEIS CONTINUAM SE VITIMIZANDO E DESMENTINDO A VIOLÊNCIA BRUTAL E PREMEDITADA COM A QUAL ATUARAM.

NOS LEVANTAMOS COM A FERIDA AINDA ABERTA E NOS POSICIONAMOS CONTRA A BESTIALIDADE DESSES ASSASSINATOS CAUSADOS PELA COMERCIALIZAÇÃO DA MÚSICA PUNK QUE ESSA NOITE ESCURA RELEVOU O MALDITO DINHEIRO SOBRE A VIDA DE NOSSOS FILHOS.

Ninguém esperava que uma arremetida como as de costume na porta terminaria com 5 mortos e mais de uma dúzia de feridxs.

Em memória de Ignacio, Daniel, Gastón, Fabián y Robert…

A banda Doom se apresentava no Chile em um som realizado por um conhecido personagem do mundo skinhead, na época sócio e empresário de uma famosa banda punk rock local (Fiskales AdHok).

Este empresário da música, ligado à barras de futebol, realizou seu espetáculo comercial com sua equipe de guardas permanentes de brutamontes ávidos por usar práticas policiais.

Quando se desatou uma avalanche, ávida por não passar pelos guardas, a sede de ser autoridade foi revelando o pior das pessoas que estavam na organização do som. Com bastões e cassetetes, aquelxs que corriam escada abaixo para alcançar às portas de acesso foram espancadxs através de uma grade, depois foram molhados e eletrocutadxs com eletrochoque, produzindo desmaios e paralisia quase como uma reação em cadeia.

Umx a umx foram caindo, esmagando-se enquanto recebiam golpes de corrente conduzidos pela água. Umx a umx foram desmaiando, todos devorados na maré humana presxs numa escada eletrificada.

No final do dia, quatro garotos morreram essa noite e mais um com o passar dos dias. Cinco vidas que poderiam ser de qualquer pessoa próxima, porque a morte era uma chance nas mãos dos mafiosos da organização de um som punk.

Escrevemos estas palavras pensando nos garotos que encontraram a morte em um incidente que evidencia o cidadão-policial, ávido por usar a violência para defender e perpetuar tanto seu papel de autoridade como seus interesses econômicos.

Também estamos indignados com a reação da banda, que em diferentes declarações mostrou seu apoio ao empresário chileno como se fosse um caído em desgraça. Entre empresários, as costas e os bolsos estão sempre cuidados. Num ato irônico, a banda comprometeu recursos para as famílias dos falecidos, fundos que em primeira instância chegariam às mãos do mesmo sujeito que organizou o som, mas depois por meio de uma representante ofereceram uma contribuição monetária com a condição de não apresentar acusações judiciais contra o produtor do evento.

Não pretendemos difamar ou criar conflitos, apenas queremos que se saiba a verdade sobre esta terrível tragédia que ceifou 5 vidas e destroçou os corações de 5 famílias. Ficamos com as lembranças, o abraço de pele viva e o carinho imenso que eles nos deixaram, há nossos esforços para não calar, para não ceder, para não esquecer, em cada dia, em cada liturgia com velas, em cada sonho de liberdade estão as 5 vítimas do “16A”.

Não esqueceremos os mortos no som do Doom, nossa única justiça será a Memória Viva, Memória Ativa, Memória Negra.

NEM ESQUECIMENTO,

NEM SILÊNCIO,

NEM IMPUNIDADE

PELOS MORTOS NO SOM DO DOOM.

agência de notícias anarquistas-ana

gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

Live | Já existiam publicações antes do mercado

EPISÓDIO 01: CULTURA VISUAL E PUBLICAÇÕES NA PRIMEIRA REPÚBLICA

Domingo, dia 18 de abril, às 16h, é a primeira de uma série de três Lives do projeto Já existiam publicações antes do Mercado.  Vamos conversar sobre Cultura visual e publicações na Primeira República.  Fernanda Grigolin, Joaquim Marçal de Andrade e José Muniz Jr. conversam com Daniella Origuela.

Já existiam Publicações antes do mercado

Será que realmente apenas nos anos 1920, o Brasil passa a ter produção e distribuição de livros e publicações?  Contar a história do livro a partir de uma data não seria uma vontade institucional de criar um marco para o mercado cujo vínculo é estabelecido junto a um único grupo social?  O projeto Já existiam publicações antes do mercado é uma série de 3 lives que tem como objetivo olhar coletivamente para  os processos de produção, edição e circulação de livros e publicações.

Há algumas décadas pesquisas têm sido feitas sobre mulheres publicadoras, como Maria Firmina dos Reis e Maria Lacerda de Moura, por exemplo. Mulheres que publicaram antes de existirem no mercado e no caso de Maria Firmina antes de existir República.

Na Primeira República, as pessoas anarquistas também tinham atividades essenciais para a cultura visual, para a circulação de opúsculos e jornais, eram publicadores que pensavam seu tempo e praticavam a escrita, como Edgard Leuenroth e Maria A.Soares. Promoviam ações nas quais o livro era um intermediador de processos educativos, culturais e arquivísticos.

Pequenas e médias tipografias eram os lugares gráficos na Primeira República. De lá saíram jornais, opúsculos e livros que eram produzidos por ações coletivas. Esses publicadores artesãos não seriam pessoas que deveríamos retomar para entender o que é fazer um impresso?

Episódio 1: Cultura visual e publicações na Primeira República

Dia 18.04, às 16h

Apresentação: Daniella Origuela

Debatedores: Fernanda Grigolin, Joaquim Marçal de Andrade e José Muniz Jr.

Arte e streaming: Caio César Paraguassu

Chat ao vivo: Aline Ludmila

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agência de notícias anarquistas-ana

outono
outrora
era outro

Alonso Alvarez