[Espanha] Futebol. Mundial do Catar 2022. Desliga o rádio ou a televisão.

É somente Futebol? Não, é lixo comercial que, por desgraça, atrai milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, seja de suas casas ou em um bar tomando cervejas dessas que são restringidas aos turistas durante a competição. Em um Estado totalitário conduzido sob a sharia, um Catar hiper vigiado, com um nível de desperdício sem precedentes, que deixou uma cifra de 10.000 mortos (6.000 segundo fontes oficiais) trabalhadores migrantes da construção espremidos até a exaustão para que o povo “normal” desfrute vendo jogar – salvo algumas exceções de jogadores de seleções modestas – uma quadrilha de pirralhos vendidos ao melhor comprador, que vivem de fábulas e nadam na abundância. Sim! Porque quando a bola está no gramado, o entusiasmo popular perdoa tudo: o número de cadáveres, os salários de merda dos trabalhadores frente aos salários milionários dos jogadores, diretores ou organizadores, até o monólogo de anteontem do presidente da Fifa sobre violação de direitos. Que desgraça! Assim compram o tempo e gestionam o ócio. Apesar de tudo, bom para as pessoas que chamam ao boicote.

Sem entrar muito em profundidade, citar o tema dos patrocínios e corrupções, a fortuna que custou (talvez 220 milhões de euros?), o consentimento para alterar o calendário do campeonato ou o preço das entradas a 1.000 euros faz com que esta Copa do Mundo seja a mais exclusiva.

É indiscutível que o mundo do Futebol e o esporte de elite está podre faz tempo, portanto, e como há décadas, não penso dedicar-lhes um só minuto do meu tempo nem acompanhar a Copa. Entre outras coisas, porque quem ganhe ou perca, me importa uma merda.

(EX)PRESIÓN

Fonte: https://drive.google.com/file/d/1zvux8I8gD-g6L1DbrvCKYwKnAgSOsdOD/view

Tradução > Sol de Abril

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Dias que se alongam —
Cada vez mais distantes
Os tempos de outrora!

Buson

[Itália] Contra o 41 bis | Contra a repressão anti-anarquista | Por uma sociedade sem prisões

A prisão é uma instituição que é totalmente um produto de uma sociedade baseada na dominação e exploração. Longe de ser uma solução para problemas sociais, ela representa uma das muitas faces da violência estatal.

Na Itália, as condições prisionais têm piorado constantemente durante anos: a superlotação e o abuso físico e psicológico são a “normalidade” de uma situação cada vez mais intolerável, e o número crescente de suicídios atesta isso.

As condições de existência daqueles que se encontra no regime do 41 bis ou alta vigilância são ainda mais inaceitáveis. Nesses casos, pode-se falar de verdadeira tortura psicofísica devido às condições extremamente duras de isolamento e privação.

A prisão perpétua, assim como o artigo 41 bis, são horrores institucionalizados, indignos de qualquer sociedade. Além das proclamações pomposas sobre a necessidade de “recuperar” o prisioneiro e o detido para a vida social normal, estas punições infligidas revelam em que consideração as classes dirigentes mantêm aqueles que tropeçam nas redes de sua “justiça”: lixo para serem isolados na lixeira social que são as prisões.

Até a Corte Constitucional se deu conta disso, declarando estas medidas inconstitucionais já em 2021. O novo governo, continuando a prática dos anteriores, reafirmou, ao invés disso, sua aplicação ostensiva.

Durante anos, temos testemunhado a particular obstinação das instituições repressivas contra o movimento anarquista com teorias judiciais cada vez mais fantasiosas e sentenças cada vez mais pesadas até mesmo por episódios de conflito social normal. De fato, o “direito penal do inimigo” é aplicado contra o movimento anarquista, com base no qual se julga não tanto pelas ações cometidas, mas pelas próprias ideias.

Esta obstinação também reverbera contra os detentos que reivindicam seu ideal anarquista e que, cada vez mais, estão sujeitos aos regimes carcerários mais severos, mais recentemente os 41bis.

Há semanas, Alfredo Cospito está em greve de fome até o fim para ser retirado do regime 41bis, enquanto outros detentos também entraram em greve de fome em solidariedade.

Apoiamos sua luta, assim como todas as lutas realizadas pelos detentos em todas as prisões para exigir condições de existência menos opressivas, para o fechamento definitivo dos 41bis e outros regimes especiais de detenção.

Em nossa história conhecemos a barbárie das leis perversas, do confinamento, do exílio, da eliminação física; elas nunca tiveram êxito: a fome de liberdade e de justiça social é mais forte do que qualquer outra coisa.

20 de novembro de 2022

Federação Anarquista Italiana – FAI

(Comissão de Correspondência)

Fonte: https://umanitanova.org/contro-il-41bis-contro-la-repressione-antianarchica-per-una-societa-senza-galere/?

Tradução > Liberto

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Chuva de primavera —
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

[Espanha] Reforma do Código Penal: mais amordaçamento contra qualquer movimento social

A reforma do Código Penal anunciada pelos partidos do governo PSOE e Unidas Podemos, que visa eliminar o crime de sedição (crime contra a ordem pública estabelecido no artigo 544 do CP, que pune aqueles que se levantam publicamente e tumultuosamente para impedir, pela força ou fora dos canais legais, a aplicação das leis), contém uma série de modificações adicionais.

Uma delas em particular nos parece muito séria, pois já entendemos que estende a repressão contra os métodos de protesto e manifestação. A reforma das infrações à ordem pública, contida nos artigos 557, 557 bis e 557 ter (com a reforma proposta este artigo desapareceria) do Código Penal, parece ter sido criada com o propósito de impor infrações penais às formas de protesto de numerosos grupos, inclusive organizações sindicais.

Esta repressão está basicamente contida na extensão de 557.1: “Aqueles que, agindo em grupo e com o objetivo de perturbar a paz pública, praticam atos de violência ou intimidação: a) contra pessoas ou coisas, ou b) obstruindo estradas públicas causando perigo à vida ou à saúde de pessoas, ou c) invadindo instalações ou edifícios, serão punidos com uma pena de prisão de seis meses a três anos”.

A interpretação deste texto pode permitir que sanções penais de seis meses a três anos de prisão sejam impostas a indivíduos e grupos que ocupam uma via pública, como pode acontecer em uma rota alternativa em uma manifestação, na paralisação de um despejo ou naquelas outras situações que envolvem a ocupação (ainda que temporária) de um banco, um reitorado ou uma empresa com a qual existe um conflito sindical (isto na verdade agora é punível sob o crime de usurpação no artigo 245.2 do Código Penal). Porque não escapa a ninguém que piquetes, paradas de despejo, protestos sindicais em frente à sede de uma empresa ou fábrica, etc. estão ameaçados de morte com um texto com estas características. Além disso, se a manifestação for de massa, estão previstas sanções ainda maiores, como uma pena de prisão de três a cinco anos quando cometida por uma multidão cujo número, organização e objetivo são de tal ordem pública que afetam seriamente a ordem pública.

Se formos ainda mais longe, na suposição do 557 ter anterior em um novo 557 bis, e como aparece na redação do rascunho da reforma atual, não seria necessário fornecer provas de violência ou intimidação. Esta prova, como já sabemos, está sujeita primeiro à interpretação da polícia e depois do juiz correspondente.

Este artigo, que acreditamos ser um ataque direto ao direito de protesto e manifestação, afirma que “aqueles que, sem usar violência ou intimidação e sem serem incluídos no artigo anterior, agindo em grupo, invadem ou ocupam contra a vontade de seu proprietário, o domicílio de uma pessoa jurídica pública ou privada, um escritório, um estabelecimento ou instalações, mesmo que aberto ao público”, também estabelece sanções abusivas de prisão de três a seis meses ou uma multa de seis a doze meses.

Na Confederação Geral do Trabalho (CGT) sabemos por experiência que os delitos de desordem pública têm sido a ameaça do regime contra todas as formas de protesto, especialmente as lutas sindicais, como greves e conflitos coletivos. Diferentes formas de protestos pacíficos realizados por movimentos sociais como o PAH, na paralisia de despejos, por exemplo, ou negociações para impedir despejos na sede do banco, estão sendo diretamente atacadas. Também procura criminalizar e punir os protestos estudantis que ocupam uma faculdade ou um reitorado. Qualquer manifestação que ocorra fora do horário ou rota estabelecidos pela Delegação do Governo em serviço enfrenta não apenas sanções administrativas, mas também processos por um crime contra a ordem pública.

Esta barbaridade é promovida por um governo “progressista” – que se diz o mais progressista da história democrática do Estado espanhol – num contexto de crescente agitação social causada pelo empobrecimento da classe trabalhadora, que vê seus salários perderem poder de compra enquanto as grandes empresas aumentam grotescamente seus lucros, aproveitando-se de uma crise global pela qual nós, o povo de sempre, vamos pagar. PSOE e Unidas Podemos, longe de revogar as leis repressivas existentes – como a Lei da Mordaça – como prometeram na campanha eleitoral, instalaram-se e acomodaram-se no poder burguês e estão mais uma vez traindo o povo que afirmam representar, impondo mais repressão e ameaçando nossos direitos e liberdades fundamentais.

Da CGT acreditamos que estamos em um momento crítico no qual estamos arriscando direitos que outros antes de nós até custaram suas vidas, e achamos implausível que precisamente esta involução esteja ocorrendo com uma coalizão de formações políticas de “esquerda”. A classe trabalhadora está vendo seu direito de protestar e se organizar contra tudo que ameace ou ponha em perigo sua sobrevivência. E diante deste lamentável panorama, na CGT temos uma visão muito clara e assumida do que teremos que enfrentar mais cedo ou mais tarde se esta reforma for adiante e as classes ricas conseguam o que querem (mais uma vez).

Por todas estas razões, na CGT reafirmamos nossa ideia de nos organizarmos fora dos partidos políticos, governos e empresas em defesa de tudo o que conseguimos ao longo das décadas através da luta sindical e social. As liberdades e direitos fundamentais serão defendidos a qualquer custo, e a CGT estará presente, juntamente com outras organizações sociais e sindicais e coletivos, garantindo resistência e resposta direta a qualquer medida do Executivo espanhol que nos obrigue a recuar ou renunciar a nossas conquistas como Classe Trabalhadora.

Secretaria Permanente do Comitê Confederal da CGT.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/reforma-del-codigo-penal-mas-mordaza-contra-cualquier-movimiento-social/

Tradução > Liberto

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Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

[México] Ricardo Flores Magón (1922-2022)

Levamos em nossa história um passado digno de ser aclamado como a maior façanha do povo e do anarquismo no México. Durante o período da oficialmente chamada “Revolução Mexicana”, as intenções democráticas burguesas enfrentaram uma ditadura que estabeleceu um progresso macroeconômico sobre a exploração e a miséria de milhões de pessoas, apenas para adaptar o governo a seus interesses. Entre todas as figuras destacadas pela história convencional deste período, um nome se levantaria, talvez o maior em nossa memória: Ricardo Flores Magón, e junto com ele seu irmão Enrique Flores Magón, Práxedis Gilberto Guerrero, Anselmo Figueroa, Librado Rivera, entre outros lutadores em ideias ou empunhando uma carabina. Da mesma forma, eles formaram o agrupamento que representava o espírito autêntico daquilo que em todas as suas letras pode ser chamado de revolução: o Partido Liberal Mexicano.

Desde sua primeira aparição como manifestantes em 1982, a criação do jornal Regeneración em 1900 e a fundação do Partido Liberal Mexicano em 1906, suas ideias, à frente do contexto nacional, foram um elemento que contrastava com o simples fato do “Sufrágio Efetivo, Sem Reeleição” de Francisco I. Madero. O que hoje conhecemos como “Magonismo” quebrou com todos os esquemas estabelecidos na política mexicana, logo se consolidará como uma força desligada dos interesses burgueses e destinada à emancipação do povo através da abolição do Estado e do capital. Essa razão fez com que se concentrasse em um movimento armado abrangente, que rejeitou meias-medidas, traições e causas incompletas.

As insurreições magonistas no norte e nordeste do país foram as primeiras do mundo cujas fundações anarquistas estavam postas sem dúvida, sempre se opondo, desde o início das atividades de Flores Magón, o Porfiriato, Maderismo, o regime Huerta e Carranza e, consequentemente, todas as formas de governo. Por esta razão, e com todo o acúmulo de ideias libertárias, ele recebeu apoio e reconhecimento de anarquistas americanos e catalães e mais tarde de muitos outros no mundo, observando nele o fato irrefutável de que Ricardo Flores Magón, seus companheiros, milicianos e simpatizantes foram a autêntica revolução, aquela que os livros de história reservam para uma pequena caixa com algumas breves linhas.

As ofertas de Madero para se juntar a suas fileiras e lhe dar um posto de vice-presidência não conseguiram apaziguar Ricardo e o PLM. Nem as prisões nos Estados Unidos o impediram. Enquanto isso, a luta pelo poder, mesmo após a queda de Díaz, sublinhou o aspecto anti-revolucionário de um movimento que não concedia liberdade ao povo e só mudava a carruagem sem mudar o motorista, ou seja, o capitalismo se moldando às suas necessidades. Dentro desta “Revolução Mexicana”, não há outro movimento autenticamente revolucionário com a ideia de destruir o poder e dar igualdade e dignidade a homens e mulheres como era o Magonismo. O fato de que todas as forças hostis à emancipação e ao estabelecimento de um regime favorável aos interesses americanos e capitalistas, como o de Carranza, sublinham uma revolução que, por ser estritamente um movimento de liberdade, foi perseguida e dizimada; é, naturalmente, uma verdadeira revolução. E hoje a passagem do tempo não tirou as ideias de Ricardo Flores Magón, de seus companheiros Pelemistas e de todo combatente que, na linha de frente da luta, nunca hesitou em sacrificar suas vidas pela causa da liberdade para o povo mexicano.

Bloque Negro México

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera —
Todas as coisas
Parecem mais bonitas.

Chiyo-jo

[Espanha] XX Encontro do Livro Anarquista de Madrid

2, 3 e 4 de dezembro de 2022.

Contra um mundo que propõe apenas o consumo rápido e contínuo de coisas e pessoas e nos transforma a todos em objetos descartáveis, o 20º aniversário do Encontro do Livro Anarquista de Madrid é um compromisso de manter projetos fortes que avançam em direção à transformação social.

Com a mesma intenção que nasceu há duas décadas, a de construir relações e ser um ponto de referência para o pensamento revolucionário, voltamos. E convidamos você a propor, debater, participar e, é claro, assistir.

Nós o encorajamos a fomentar coletivamente uma cultura que descubra cada canto do poder e todas as formas de acabar com ele.

Nos vemos entre os livros.

encuentrodellibroanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

A ponte é um pássaro
de certeiro vôo: sua sombra
perdura na lembrança.

Thiago de Mello

 

[Grécia] Vídeo | Rouvikonas: Intervenção na Loja Public do Metro Mall

Por mais um ano, os grandes tubarões do varejo organizam a tal Black Friday. A celebração do canibalismo do consumidor e da hipocrisia do empregador, com os trabalhadores mais uma vez pagando o pato.

Em uma indústria onde os salários já são bastante baixos e os trabalhadores são obrigados a cumprir o turno inteiro. As condições de trabalho durante a Black Friday tornam-se ainda mais exaustivas.

Os direitos trabalhistas estão em declínio e os trabalhadores lojistas estão sendo demitidos, enquanto empresas como o grupo Public desfrutam de lucros gigantescos.

A loja desta rede no Metro Mall de Agios Dimitrios é um bom exemplo, indicativo das condições vividas pelos trabalhadores durante este período particular, onde trabalham pelo menos 10 a 12 horas por dia a termos torturantes. Por isso decidimos fazer uma visita a essa loja, para lembrar aos patrões que trabalhadores não são máquinas de lucro e direitos trabalhistas não são latas de lixo.

BLACK FRIDAY NÃO É FERIADO – É UM NEGÓCIO MARAVILHOSO

PENSE COMO UM TRABALHADOR E NÃO COMO UM PATRÃO

Rouvikonas

>> Veja o vídeo (01:51) aqui:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=5&v=5bNP1Mvn3R8&feature=emb_title

agência de notícias anarquistas-ana

Céu de primavera.
Nas açucenas floridas
dura mais o orvalho.

Anibal Beça

[Espanha] Gol no campo, Paz na Terra

Em 25 de janeiro de 1995, o futebol inglês viveu um dos eventos mais memoráveis das últimas décadas, um incidente que ficou marcado na história da Premier League. No terceiro minuto do segundo tempo da partida entre Crystal Palace e Manchester United no estádio Selhurst Park de Londres, o atacante francês Eric Cantona, do Manchester United, foi expulso por uma agressão ao zagueiro da equipe londrinense Richard Shaw.

Por Miguel Fadrique Sanz, Secretário Geral da CGT | 19/11/2022

Enquanto Cantona se dirigia ao túnel dos vestiários, o torcedor de extrema-direita Matthew Simmons, membro do grupo fascista “National Front”, lançou vários insultos racistas das arquibancadas, dirigidos a Eric. Todos sabemos como o atacante francês reagiu: ele deu um “chute voador” no “torcedor”, seguido de vários socos, até que vários jogadores e membros da segurança do estádio conseguiram controlar a raiva de Cantona e levá-lo ao vestiário do estádio.

Essa ação marcou um antes e um depois na vida esportiva e pessoal de Cantona, pois grande parte do mundo do futebol começou a vê-lo como uma pessoa violenta e agressiva, que para eles não justificavam de forma alguma essa ação. Essa “agressão” levou a uma proibição esportiva de nove meses que o impediu de jogar futebol por dezenas de partidas e uma sentença de 120 horas de serviço comunitário, bem como o pagamento de uma multa de 30.000 dólares.

Eric não ficou chateado nem entristecido para cumprir a sanção ou pagar a multa. De fato, anos mais tarde, no programa de TV Football Focus, o próprio Eric tinha isto a dizer quando perguntado qual tinha sido o melhor momento de sua carreira esportiva: “Foi quando eu dei um chute de kung fu a um hooligan, porque esse tipo de gente não tem nada a ver com um jogo. Acho que é um sonho para algumas pessoas chutar esse tipo de gente. Então eu fiz isso por eles, para fazê-los felizes… e eles seguem falando sobre isso. Já vi muitos jogadores marcando gols e todos eles sabem a sensação, mas este, pular e chutar um fascista, não é algo que se saboreia todos os dias”.

Eric foi uma das primeiras figuras públicas a afirmar claramente sua oposição à realização de um dos maiores eventos esportivos do mundo em um país onde os direitos humanos brilham por sua ausência, e onde a construção dos campos de futebol onde a Copa do Mundo será disputada esconde milhares de vítimas devido às deploráveis condições de trabalho da classe trabalhadora. Nos últimos dias, quando parece que parte da sociedade percebeu de repente o que está acontecendo no Catar, vieram à mente as palavras de Cantona de janeiro deste ano: “Não vou assistir à Copa do Mundo no Catar. Morreram pessoas construindo os estádios. Não é um país de futebol“.

Quando Eric disse isso, houve silêncio na mídia durante meses, e assim tem sido até algumas semanas atrás, com a aproximação da Copa do Mundo, numerosos meios de comunicação, figuras públicas, times de futebol, torcidas e até mesmo alguns políticos começaram a denunciar publicamente as deficiências do regime do Catar em matéria de direitos humanos e a violação sistemática e contínua dos direitos das mulheres, que são tratadas como se fossem pouco mais do que um móvel.

Diante desta situação, aqueles de nós que há décadas vêm denunciando o que está acontecendo no Catar e em outros países do mundo têm duas opções. Podemos ficar indignados com aqueles que durante anos se mantiveram calados e agora de repente são os campeões da defesa dos direitos humanos em geral e dos direitos das mulheres em particular, permitindo assim que a Copa do Mundo passe sem glória ou vergonha, boicotando-a e não assistindo a uma única partida. Mas também podemos aproveitar a ocasião e deixar que este enorme alto-falante midiático que este evento esportivo mundial representa sirva para garantir que estas denúncias vão além e não terminem em 18 de dezembro.

Se escolhermos a primeira opção, que por um lado é mais do que compreensível devido à repugnância de saber em que tipo de país tal evento está sendo disputado e tudo o que a concessão desta Copa do Mundo ao Catar certamente esconde; no dia 19 de dezembro, um dia após o término da Copa do Mundo, os holofotes da mídia se apagarão e com ela desaparecerão as denúncias públicas de violações dos direitos humanos, a exigência de igualdade de direitos entre homens e mulheres e qualquer tipo de exigência para o cumprimento dos direitos democráticos neste país.

Se optarmos pela segunda opção, aproveitaremos a vergonha de tal evento ser realizado neste país para denunciar publicamente tanto o regime do Catar quanto cada um dos países que sistematicamente violam os direitos humanos em cada momento, em cada partida, em cada resumo e em cada momento em que a Copa do Mundo dure. A Copa do Mundo de 1978 na Argentina aconteceu enquanto a poucas centenas de metros do estádio Monumental de Buenos Aires, na Escuela de Mecánica de la Armada, o regime de Videla torturava centenas de mulheres grávidas. Nada mudou, exceto a boa imagem dada ao mundo da ditadura militar argentina.

Sejamos honestos, os direitos das mulheres do Catar e os direitos humanos naquele país não vão melhorar porque “quatro pessoas irritadas” boicotam a Copa do Mundo e não assistem aos jogos. Primeiro, porque sabemos que isso não nos levará a lugar algum e, segundo, porque também sabemos muito bem que a maioria das pessoas que dizem não assistir a uma única partida acabará fazendo isso.

Se estamos procurando um grande triunfo nesta Copa do Mundo, não deve ser que uma ou outra seleção levante a Copa do Mundo no dia 18 de dezembro, o verdadeiro triunfo será que no dia seguinte à vitória de uma seleção nacional na Copa do Mundo, todas aquelas pessoas que ficaram coladas à TV durante cinco semanas continuem denunciando e exigindo que a comunidade internacional intervenha tanto no Catar quanto em todos os países do mundo onde os direitos humanos são violados, a começar pelo Estado espanhol.

O verdadeiro boicote ao Catar 2022 não tem que ser feito apenas em 2022, nem tem que ser limitado a não assistir a uma partida de futebol. O verdadeiro boicote da Copa do Mundo do Catar deveria ter começado em 2010, quando foi escolhido como o país anfitrião. Mas, como não o fizemos, vamos ser inteligentes e não deixar que esse boicote termine em 18 de dezembro.

E voltando ao início deste artigo, se um dia me perguntassem qual foi o melhor momento de minha “carreira”, minha resposta será quase certamente semelhante à de Cantona: “o momento em que chutei um fascista”, porque é disso que se trata nossa luta, não de discutir o fascismo, mas de combatê-lo.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/gol-en-el-campo-paz-en-la-tierra

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Chuva de primavera —
Todas as coisas
Parecem mais bonitas.

Chiyo-jo

[Chile] Palavras de Mónica Caballero em solidariedade com Alfredo Cospito

Solidariedade ativa com Alfredo Cospito

Há alguns dias, recebi a notícia de que o indócil Alfredo Cospito iniciou uma greve de fome, a fim de impedir a aplicação do regime de tortura legal 41 bis.

Para aqueles que não conhecem Alfredo Cospito, ele é um companheiro anarquista sequestrado pelo estado italiano, desde 2012, pelo atentado contra um dos responsáveis pelo desastre nuclear em Fukushima. Esta ação foi reivindicada pela facção Olga FAI-FRI e assumida por Alfredo.

Após desta condenação, o companheiro foi processado por várias operações repressivas, tais como Scripta Manet, Sybilla, que conseguiram obter condenações e acrescentaram mais anos à já longa sentença do companheiro.

O 41 bis é basicamente um regime de isolamento total, no qual o prisioneiro é restrito, limitado e censurado em todas as suas comunicações. A censura é uma das principais motivações que o Estado italiano teve para aplicar o 41 bis a Alfredo, o companheiro sempre que teve a oportunidade, difundiu ideias anarquistas informais que exortam à ação, e da mesma forma, ele também teve a preocupação de fazer parte dos debates que vários grupos e indivíduos promovem em diferentes territórios.

Desta forma, Alfredo, apesar de todas as dificuldades, continua sendo um companheiro ativo e muito valioso na construção de ideários destrutivos. Os poderosos sabem que a caneta de Alfredo é perigosa, por isso é melhor deixá-lo na jaula, a menor possível e com o maior número possível de olhos que possam controlar cada movimento dele.

O 41 bis, nasceu para desmantelar quadrilhas criminosas, máfias, subjugando seus líderes, aceitando o arrependimento e deixando sua organização, em troca da saída do regime. É necessário e urgente denunciar que um prisioneiro pode morrer, como já aconteceu por causa do 41 bis, isolado em regime penitenciário especial que, entre outras restrições, consiste no isolamento de 22 horas por dia, com apenas uma possibilidade de visitar um membro de sua família uma vez por mês, com duração máxima de uma hora de visita através de uma divisória de vidro, sem contato físico. É proibido receber livros e qualquer outro tipo de documento de fora.

De acordo com as últimas emendas de 2009, o Ministro da Justiça pode impor esta pena de prisão para qualquer detento acusado de crimes relacionados ao crime organizado, por meio de um primeiro decreto por um período de quatro anos, renovável indefinidamente a cada dois anos.

No caso de Alfredo, deixar o regime é um pouco mais complexo, pois ele não pertence a nenhuma organização e, em caso de arrependimento, ele teria que deixar a Anarquia.

Alfredo tem sido muito claro em sua posição contra o regime prisional, sua resposta inabalável de não se submeter ou se arrepender, mantendo a vontade de lutar, usando seu corpo como ferramenta, é outro exemplo das fortes convicções sediciosas que ele possui.

Com estas palavras, gostaria de apelar a todos aqueles que compartilham a irmandade de Alfredo para que espalhem a palavra sobre sua situação, para que mostrem solidariedade e, acima de tudo, para que ajam contra aqueles que acrescentam mais elos à cadeia do Cospito.

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para enviar um grande abraço ao meu companheiro Juan Sorroche, que se uniu à mobilização de Alfredo. Alfredo e Juan, suas ações e coerência enchem de orgulho os corações antiautoritários!

Pela destruição de todas as formas de dominação,

Fogo as prisões,

Fim ao 41 bis.

Viva a Anarquia!

Mónica Caballero Sepúlveda

Prisioneira anarquista

Novembro 2022

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agência de notícias anarquistas-ana

Pelo zumbir dos mosquitos
deve ser alta madrugada.
Ó esta lua demorada!

Etsujin

[Espanha] Falece Pepe Cuevas, histórico membro da CNT que foi encarcerado pelo ‘Caso Scala’

Natural de Sanlúcar de Barrameda, seus restos mortais foram incinerados em Arcos de la Frontera

Por R.G. | 21/11/2022

Pepe Casado, membro histórico da CNT que foi encarcerado no processo do Caso Scala, faleceu aos 71 anos de idade.

Filho de outro destacado militante libertário, Pepe nasceu em Sanlúcar em 20 de janeiro de 1951. Em 1970, residindo em Barcelona, se filiou ao Sindicato do Metal da Cidade Condal e à FAI.

Em 15 de janeiro de 1978, em uma grande manifestação contra os “Pactos de la Moncloa”, se viu envolvido junto a outros companheiros em uma operação policial onde culparam jovens filiados à CNT de cometer um ato terrorista contra o salão de festas Scala, onde se originou um incêndio que acabou com a morte de quatro pessoas e o desmoronamento do edifício.

A CNT considera que a acusação a seus filiados foi “uma montagem organizada desde o poder para criminalizar o movimento ácrata quando estava se recuperando e tomando protagonismo após o franquismo”.

Pepe foi acusado junto a outros companheiros como culpados do incêndio. Anos mais tarde, um dos agentes reconheceu que “tudo foi planejado e ordenado desde cima”. Apesar disto, Cuevas teve que passar vários anos no cárcere.

Após sair da prisão foi ao campo e se tornou pastor. Anos mais tarde trabalharia no setor da construção na Catalunha. Em 2005 se translada a Granada, participando nas mobilizações sociais da cidade andaluza. Em 2011 se reincorpora à CNT-AIT de Granada e uns anos depois participa também na Biblioteca Social Libre Albedrío.

Um acidente sofrido em Sacromonte o levou a ingressar em uma residência. Esta segunda-feira (21/11), seus restos mortais foram incinerados em Arcos de la Frontera.

Fonte: https://www.lavozdelsur.es/actualidad/sociedad/fallece-pepe-cuevas-historico-miembro-cnt-fue-encarcerado-por-caso-scala_286315_102.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Espanha] Homenagem a Ferrer, Ascaso e Durruti

É já tradicional que no domingo mais próximo de 20 de novembro se celebre no Cemitério de Montjuïc, em Barcelona, uma singela homenagem a Buenaventura Durruti (e com ele a Francisco Ascaso e Francisco Ferrer y Guardia). Após esta homenagem anual que é celebrada a mais de vinte anos houve um trio de mulheres: Concha Pérez, Joaquina Dorado e Antonina Rodrigo. A iniciativa surgiu quando Concha e Antonina estavam se despedindo de Joaquina, que ainda vivia em Paris, em um restaurante da Vía Layetana de Barcelona. Enquanto falavam de suas coisas as três mulheres viram passar um grupo de falangistas com sua parafernália de uniformes, boinas e cintos, preparando a comemoração de 20 de novembro para recordar Franco. Antonina disse a suas companheiras: “Veja, estão preparando já o aniversário do ditador e de José A. Primo de Rivera e nós o que fazemos por Durruti, que morreu nesse mesmo dia?”. E daí saiu a proposta de celebrá-lo como “Mujeres Libres”. Após as mortes de Concha e Joaquina, Antonina Rodrigo continua mantendo esta homenagem.

Trata-se sempre de um ato singelo e breve no qual tomam a palavra os convidados/as que Antonina reúne a seu redor para que ano após ano se mantenha esta homenagem. Não há microfones, nem propaganda, este ano, como costuma ser habitual, um cartaz com uma fotografia de Durruti e outros companheiros da Frente de Aragão (quase certo em Bujaraloz) e o poema “Eterna sombra” de Miguel Hernández sobre um fundo vermelho e negro. Não costuma haver grandes multidões, no entanto é um ato sempre emotivo e, por isso, belo.

Este ano o ato pode realizar-se no mesmo dia 20 em que se celebrava o 86º aniversário da morte de Durruti em Madrid. Interviram no ato: Laura Vicente, Manel Aisa, Sonya Torres e Sonia Turón, apresentou e introduziu o ato: Antonina Rodrigo.

Participaram também no ato uma companheira e um companheiro da SAC da Suécia que nos falaram da investigação realizada sobre anarquistas suecos que vieram a Espanha em 1936, assim como outros companheiros que interviram contribuindo com suas impressões sobre a situação atual ou lendo poesias.

As pessoas que interviram mostraram a diversidade e o caráter poliédrico dos anarquismos misturando passado e presente, lendo poemas e, sempre, recordando os três homens ante cujas tumbas se celebra o ato. O dia acompanhou pois fazia um sol esplêndido. Após o ato algumas das pessoas que participaram no ato compartilharam comida, risos e conversa sobre os temas mais diversos.

Laura Vicente

Fonte: http://acracia.org/homenagem-a-ferrer-ascaso-y-durruti-Cemitério-de-montjuic-barcelona-20-Novembro-2022/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A tranqüilidade
De andar sozinho,
Divertir-se sozinho.

Shiki

[Porto Alegre-RS] Além da Polícia – Grupo de estudos de práticas para um mundo sem polícia e sem prisões

Uma pergunta que todo mundo que defende a abolição das polícias e das prisões já ouviu é: “Mas se não tivermos polícias e prisões, como vamos fazer para conter atos de violência?”

Pensando nisso o Espaço propõe um grupo de estudos sobre práticas para um mundo sem polícias e sem prisões. Para juntys descobrirmos o que já é feito por coletivos ou comunidades, experiências que deram certo ou não, o que podemos aprender com elas para termos alternativas concretas à polícia e ao punitivismo.

Nosso primeiro encontro será dia 30 de novembro, às 19h.

No Espaço, Rua Castro Alves, 101. Porto Alegre.

agência de notícias anarquistas-ana

livro aberto gelado
o norte geme no vento

sobre a página branca

Lisa Carducci

[São Paulo-SP] Lançamento: “Todos”, de Danilo Heitor + debate sobre o Carandiru

Novidade: “Todos” vai ter uma edição física, e o lançamento acontece na quinta que vem, 01/12, no Espaço Memória Carandiru, em um debate sobre os 30 anos do massacre do Carandiru.

Estarão comigo nesse bate-papo Maurício Monteiro, curador do espaço e sobrevivente do massacre, André “Godinho”, autor do posfácio do livro e historiador do Coletivo História da Disputa: Disputa da História, e Gil Luiz Mendes, jornalista da Ponte e diretor do documentário “Massacre do Carandiru: 30 anos de impunidade”.

Todo o dinheiro arrecadado com a venda do livro será revertida para o próprio Espaço Memória Carandiru. Saiba mais sobre o espaço aqui: http://www.etecpj.com.br/memoria/

E se você prefere a versão digital, pode comprar com desconto no site da Escambau Editora (https://escambau.org/produto/todos/) ou na Amazon (https://www.amazon.com.br/dp/B0BLGPJRLB/). A arrecadação também vai pro Espaço.

Não sabe do que eu tô falando? “Todos” é meu terceiro livro e é uma noveleta de ficção em que um detento do Carandiru escapa da morte na hora do massacre e vai parar 40 anos no futuro. Em uma São Paulo distópica e militarizada, ele descobre coisas sobre o passado que não viveu e parte em busca de vingança.

Aqui uma resenha do livro escrita pela jornalista e também escritora Raquel Setz: https://twitter.com/RaquelSetz/status/1592222143462666240

Se você não se dá bem com sites e não vai poder aparecer no lançamento, me manda uma mensagem privada que eu estou organizando uma lista de pré-venda (posso te vender a versão digital diretamente também) =)

O livro físico custará R$ 20,00. O digital está por R$ 5,90 na Escambau e R$ 9,90 na Amazon (de graça se você tiver o Kindle Unlimited).

Resumindo:

01/12, quinta-feira, 19h
Lançamento de “Todos”, de Danilo Heitor
– bate-papo “Carandiru: 30 anos depois”, com Gil Luiz Mendes (jornalista), André Godinho (historiador), Maurício Monteiro (sobrevivente do massacre), e o autor
– no Espaço Memória Carandiru – Avenida Cruzeiro do Sul, 2630 Prédio I – dentro da ETEC Parque da Juventude (entrada pelo estacionamento)

agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[São Bernardo-SP] Exibição do documentário “Viver Para Lutar – Ep. 1: Punk, Anarquismo e Feminismo – As minas dos anos 90”

O Centro de Cultura Social e o Projeto Meninos e Meninas de Rua convidam para exibição do documentário: “Viver Para Lutar – Ep. 1: Punk, Anarquismo e Feminismo – As minas dos anos 90”. Logo após teremos um debate com as minas da cena da época. Dia 26 de novembro de 2022, as 15hs. Na sede do PMMR. Rua Jurubatuba, 1610, centro, São Bernardo do Campo (SP)

Punk, Anarquismo e Feminismo: As garotas dos anos 90. (dir. Marina Knup / Anarcofilmes Produções | 2019 | 85min)

Parte de uma série de documentários sobre a cena anarc@punk no Brasil nos anos 90, o primeiro episódio retoma a importante conexão entre punk, anarquismo e feminismo que surgiu naquele tempo. No caso das mulheres punks criaram coletivos, zines, bandas, redes, encontros anarcofeministas e projetos que abalaram as necessidades do feminismo não só dentro dos movimentos punk e anarquistas, mas para suas próprias vidas. Através dos relatos de mulheres que viveram essa história, tanto no movimento anarc@punk como em outros contextos punks da época, reúne algumas dessas inúmeras experiências de luta.

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Tonalidade
Palidamente verde
em rosa fogo

Helena Monteiro

[Grécia] Vídeo | Rouvikonas: Intervenção no escritório do oficial de justiça Pavlos Kalkitanidis

O oficial de justiça, Pavlos Kalkitanidis, é responsável, como órgão executivo, pelo despejo de Ioanna Kolovos de sua casa. A máfia bancária dá a ordem e a máfia estatal executa.

Ao frágil argumento de que alguém está simplesmente fazendo o trabalho pelo qual é pago, respondemos que vergonha não é este trabalho. Não é trabalho participar de despejos. Ao argumento de que estava a cumprir os seus deveres, respondemos que os seus “deveres” não incluem arrombar a porta de casa e humilhar I. Kolovos, não a deixando levar as suas coisas ou mesmo ir ao banheiro.

E para que não sejam esquecidos, que [os partidos esquerdistas] SYRIZA e PASOK parem de politizar com suas sensibilidades sociais, porque não perdemos de repente a memória. Estes dois partidos, juntamente com o ND [partido governante de direita], que aparentemente destrói tudo hoje, são os responsáveis diretos pelo ataque à base social, pelo ataque ao bem da habitação e pelos despejos, como dignos servidores dos memorandos, como soldados de infantaria da UE e dos banqueiros.

Dentro de nossas tarefas, porém, é retribuir, mesmo que simbolicamente, a violência que as pessoas de nossa classe recebem.

A HABITAÇÃO É UM BEM DE TODOS

ELIMINAÇÃO DE BANCOS E TRIBUNAIS

Rouvikonas

>> Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ywjH4B_L3hY

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galho partido
depois da tempestade
caminho de formigas

Alexandre Brito

[Espanha] Solidariedade interterritorial com “as seis de La Suiza”

Uma vintena de localidades se concentram hoje dia 19 de novembro em apoio às “seis de La Suiza”

De Norte a Sul, de Leste a Oeste foram se sucedendo mobilizações ao longo da jornada de hoje.

A Solidariedade com as companheiras injustamente condenadas por exercer sindicalismo na Confeitaria “La Suiza” da Província de Gijón.

Esta condenação é um ataque frontal à liberdade de expressão e aos direitos sindicais.

O tecido social em geral e o sindicalismo especialmente, tem que frear este absurdo e evitar que se crie jurisprudência que suponha que as mobilizações solidárias possam ser criminalizadas com anos de cárcere.

Por tudo isto desde a CNT se faz um chamado à defesa a qualquer custo de todas as organizações sociais e sindicais para que se somem a defender as companheiras de Gijón, que hoje significa defender os direitos de todas as trabalhadoras.

Desde grandes cidades ao mundo rural, diversos sindicatos da CNT se mobilizaram em apoio das companheiras. A CNT tem claro que não pode permitir que por exercer a Solidariedade com uma trabalhadora o judiciário possa condenar a classe trabalhadora organizada.

Fazer sindicalismo não é nenhum delito, é um direito fundamental e tanto nas seções sindicais nas empresas como na rua a CNT vai seguir defendendo-os.

Pela liberdade sindical, CNT em luta

>> Mais fotoshttps://www.cnt.es/noticias/Solidariedade-interterritorial-con-las-seis-de-la-suiza/?

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/29/espanha-milhares-de-pessoas-se-reunem-em-madri-em-apoio-as-sindicalistas-da-confeitaria-suiza-condenadas-a-prisao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/21/espanha-falemos-de-coercao-e-liberdade-sindical/

agência de notícias anarquistas-ana

Em toda a longa viagem,
Só agora encontrei
Um cafezal!

Paulo Franchetti

[Rússia] Solidariedade com Alfredo Cospito dos anarquistas de Irkutsk

Alfredo Cospito é um prisioneiro político anarquista italiano, membro da “Federação Anarquista Informal” (IFA).

Cospito foi condenado pelo ataque a Roberto Adinolfi, diretor geral da Ansaldo Nucleare, e posteriormente foi condenado a prisão perpétua pelos eventos da noite de 2 a 3 de junho de 2006 na Escola de Cadetes Carabinieri em Fossano (Cuneo), onde duas pequenas bombas explodiram, não causando nenhuma morte ou ferimentos e nenhum dano grave.

Entretanto, em um julgamento de terceiro grau, o crime foi qualificado como tentativa de assassinato em massa com o objetivo de prejudicar a segurança e a proteção do Estado. Na Itália é possível receber uma sentença por tais crimes, mesmo que não houvesse vítimas.

Em 20 de outubro de 2022, Cospito entrou em greve de fome no Tribunal de Apelação contra sua transferência para o regime 41 bis.

O 41 bis é um regime particularmente rigoroso, que impõe o isolamento total, a proibição de qualquer atividade dentro da cela ou prisão, a proibição de ler livros e jornais, assim como a restrição da comunicação com terceiros e de receber visitas de parentes.

O movimento dos anarquistas de Irkutsk (DIAna) expressa solidariedade com o companheiro encarcerado!

Né galere, né repressione!

Solidarieta con Alfredo Cospito dai campagni da DIAna.

Burn the prisons! Resist against repression! Solidarity with Alfredo Cospito from DIAna.

Свободу политическим заключённым! Движение Иркутских Анархисто_к

DIAna collective: irkdiana@riseup.net

Fonte: https://avtonom.org/en/freenews/solidarity-alfredo-cospito-irkutsk-anarchists

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/02/alemanha-liberdade-para-alfredo-cospito-intervencao-na-universitat-berlin/

agência de notícias anarquistas-ana

um gatinho
um pulo
a borboleta!

Rogério Martins