Indonésia: anarquismo, luta, repressão e reorganização

Por Gabriel Fonten – Freedom

Em agosto do ano passado, uma revolta na Indonésia resultou em confrontos generalizados com a polícia e uma forte repressão, seguida por uma onda de prisões. Esses acontecimentos fizeram parte de uma série de protestos, frequentemente chamados de protestos da Geração Z, que começaram em Bangladesh e se espalharam para Nepal, Madagascar e Quênia. Para entender a situação atual, enviamos algumas perguntas a um integrante do Dago Melawan.

Como os protestos foram organizados na Indonésia e como se intensificaram tão rapidamente? Você considera que os protestos foram uma vitória?

Observo um padrão organizado; isso difere de 2020, quando os protestos em massa contra a Lei Omnibus foram impulsionados por movimentos trabalhistas e ONGs. Os protestos de agosto surgiram a partir de transmissões ao vivo no TikTok, organizadas e disseminadas para diversos locais. O tráfego dessas transmissões aumentou rapidamente, possivelmente devido ao uso de bots para ampliar a audiência. De fato, muitas iniciativas foram espontâneas, às quais se somaram ações promovidas por organizações estruturadas. Por outro lado, a grande adesão ocorreu depois que o slogan/campanha “Dark Indonesia” foi amplificado pela enorme base de usuários da plataforma X.

Mas, nas ruas, quando os distúrbios explodiram em várias localidades e começaram as mobilizações em larga escala, duas facções da elite política passaram a disputar entre si, especialmente dentro da polícia e do Exército, tentando tirar proveito da mobilização popular. Por quê? Porque as medidas de segurança para as manifestações foram menos rigorosas do que o habitual; polícia e Exército adotaram uma postura defensiva. Isso acabou se tornando uma forma de aumentar seu poder de barganha diante do novo presidente da Indonésia, mais próximo dos militares.

Essa situação, porém, durou pouco: as elites chegaram a um acordo e se reunificaram. A brutalidade voltou a se manifestar, especialmente quando um mototaxista (o falecido Affan) foi atropelado por um veículo blindado e morreu. A indignação explodiu: houve protestos, incêndios provocados e tumultos em toda parte. Infelizmente, devido à falta de uma rede de coordenação eficiente para compartilhar rapidamente informações sobre a situação nas ruas, os riscos não foram devidamente avaliados.

No fim, aconteceu o que temíamos: começaram as prisões. Primeiro atingiram a ala anarquista, depois a rede de esquerda, e muitos cidadãos comuns foram usados como uma espécie de “terapia de choque” para intimidar o restante da população.

Hoje, o movimento na Indonésia voltou a atuar de forma clandestina e, até agora, nossos companheiros continuam concentrados em apoiar os presos políticos que ainda não foram libertados.

Por outro lado, temos consciência de que é necessária uma estrutura de coordenação mais eficaz, independentemente das diferenças ideológicas, estratégicas e táticas. Mas esse passo precisa ser dado com rigor; todos devem concordar com a necessidade de reforçar a segurança física e digital. Muitos ainda agem de forma negligente nesse aspecto.

Falamos de vitória? Para mim, sim. A vitória inspirou e preparou a Geração Z para compreender como funciona a democracia liberal e perceber que o sistema eleitoral não faz sentido. Acredito que, em uma ou duas décadas, surgirá uma geração revolucionária mais bem organizada que a nossa; os sinais disso já são visíveis.

Em 2019 ocorreram grandes protestos do Bloco Negro na Indonésia, que provavelmente representaram o primeiro contato de muitas pessoas no Ocidente com o anarquismo do país. Você poderia descrever aquele momento e a evolução do anarquismo na Indonésia desde então?

Em Jacarta, desde a perseguição aos anarquistas em 2019, os ocidentais começaram a reconhecer a tradição do Bloco Negro. Mas uma coisa é certa: o anarquismo está crescendo aqui, impulsionado pela incapacidade dos sindicatos de atualizar suas bases teóricas. Presos à lógica estatista das lutas salariais, eles não conseguiram se renovar nem mesmo em termos de linguagem visual, já que a maioria ainda atua no setor industrial, e não no setor criativo. Além disso, a literatura anarquista é mais fácil de encontrar e mais acessível para os jovens, especialmente por meio das cenas anarco-punk e hip-hop.

O aspecto singular do Bloco Negro é que ele não é composto apenas por anarquistas ou antiautoritários no sentido estrito. Algumas pessoas simplesmente odeiam o regime, o Exército e a polícia, mas não são antiestatistas; participam porque desejam canalizar seu desejo de se reunir livremente — algo difícil dentro dos grupos de esquerda — e lutar juntos nas ruas. Isso é o que nos torna únicos, já que nossa base está em organizações estudantis, vendedores de café, serigrafistas, desempregados, artistas e outros setores. Em 2019, o número de participantes em Jacarta dobrou ou triplicou; em Bandung, pode ter triplicado ou até quintuplicado. Crescimentos semelhantes foram observados em cidades como Malang, Yogyakarta e Surabaya, um aumento significativo em comparação com 2017 e 2018.

Mas 2019 também marcou o fim do auge do movimento anarquista, ou mais precisamente dos anarquistas como grupo que adotava táticas anarquistas de forma relativamente organizada por meio de redes informais ou associações livres. No entanto, o fim desses laços organizativos não ocorreu por causa da repressão estatal, mas porque percebemos que nossas batalhas políticas cotidianas estavam longe de ser suficientes. A pandemia de COVID-19 aprofundou essa reflexão.

Antes da pandemia, houve confrontos de rua contra a Lei Omnibus, que ameaçava as condições de trabalho dos trabalhadores. Alguns tomaram a iniciativa de criar equipes de paramédicos de rua e unidades de autodefesa contra gás lacrimogêneo, que se espalharam por quase todos os focos de protesto. Mas, novamente, eram iniciativas pouco organizadas e fragmentadas, atuando apenas como grupos táticos que respondiam quando a indignação aumentava.

Em 2021, decidimos aprofundar o debate e começar a construir uma estrutura organizativa mais específica por meio da adoção do municipalismo e da organização dual. Como mencionei antes, o estancamento teórico começou a ser sintetizado e recontextualizado para nossa realidade. Outros preferiram entrar no mercado de trabalho e desaparecer. Antes de lutar contra o sistema, descobrimos que lutar contra a modernidade capitalista era ainda mais difícil. Essa foi uma das principais lições que aprendi: por que estamos sempre começando do zero?

De onde surgiu o seu grupo? Qual é o seu objetivo e como vocês estão organizados?

Historicamente, nossas raízes estão em grupos juvenis de diferentes origens, conectados em várias cidades por meio de movimentos de alfabetização e bibliotecas de rua. Porém, no final de 2015 (embora o processo tenha começado muito antes, por volta de 2010), nos aproximamos devido ao fechamento de uma de nossas bibliotecas pelas autoridades estatais e ao aumento da censura a livros de esquerda.

Durante nossos encontros, começamos a compartilhar histórias sobre o lema “os trabalhadores são um só”, mas percebemos que as diferenças entre as facções nunca haviam sido realmente resolvidas. A partir daí, passamos a construir uma estrutura flexível de coordenação interurbana e um espaço de aprendizagem para reunir conhecimentos compartilhados por pessoas comprometidas com valores antifascistas e antiautoritários. Essa foi uma espécie de nova onda, surgida de uma pequena geração millennial reflexiva e autocrítica.

No meu contexto, em Jacarta, desde 2018 começamos a enfrentar debates históricos que nunca vivemos diretamente: a ruptura entre Bakunin e Marx e a traição da União Soviética. Em vez de permanecer em debates teóricos intermináveis, passamos a estudar coletivamente as críticas organizacionais à tomada de decisões, as críticas aos partidos de vanguarda, ao vanguardismo cego, às disputas de poder e às formas de compreender o Estado quando a infraestrutura social ainda não está construída. Também discutimos o estilo de vida anarquista, frequentemente marcado pela indisciplina e pela transformação da política em mera identidade cultural, algo semelhante às críticas feitas por Bookchin.

Hoje estamos inseridos em contextos organizativos formais e vinculados a sindicatos, buscando atualizar constantemente teoria e prática. No entanto, nossas identidades costumam ser duplas. Dedico mais tempo à organização da Paguyuban Lintas Kampung (Comunidade Interurbana), composta por células municipais de comunidades urbanas diversas: grupos de Vespas, gangues de bairro, ciclistas, torcidas, grupos de estudos islâmicos e outros. Trata-se de uma federação de associações juvenis, ainda pequena (entre 100 e 200 pessoas quando reunidas), focada na reconstrução das relações sociais degradadas pela modernidade capitalista.

Essa federação foi fundada em 2021 e este ano completará cinco anos de existência.

Nosso objetivo coletivo se baseia em três pilares principais:

  1. Reabilitação sociocultural — democratizar a reprodução social cotidiana e redescobrir a identidade local e cultural.
  2. Economia — estimular o senso de comunidade dentro das famílias, incentivar o apoio mútuo e promover iniciativas econômicas autônomas.
  3. Política — construir organizações que funcionem como ferramentas de educação popular emancipadora e de luta permanente.

Nos últimos anos, também temos construído outra assembleia popular formada por diversas comunidades urbanas pobres e um movimento contra a gentrificação no norte de Jacarta. Assumimos principalmente um papel de educação popular e trabalhamos na construção de cooperativas populares sob controle dos trabalhadores. Enquanto isso, nossos companheiros da organização vermelha (FPPI — Frente de Luta da Juventude Indonésia) atuam na esfera jurídica, defendendo direitos e apoiando disputas legais.

Em relação à repressão, como vocês se organizaram diante da vigilância e do encarceramento de anarquistas pelo Estado? Como isso afetou o movimento?

Após as ondas de prisões de 2019 (Primeiro de Maio) e 2020 (Lei de Criação de Empregos), nós, especialmente em Jacarta, começamos uma profunda reflexão crítica e autocrítica sobre nossos métodos de mobilização e sobre o uso de rótulos e táticas — como o Bloco Negro e a ação direta — como fins em si mesmos.

Passamos gradualmente a abandonar a identidade simbólica do “A circulado” e do sindicalismo, sobretudo ao trabalhar com pessoas fora dos ambientes estudantis. Também deixamos de focar exclusivamente em intelectuais e estudantes, direcionando nossos esforços para a juventude, os pobres urbanos, os movimentos ecológicos e os sindicatos.

Fizemos isso para reduzir o uso indiscriminado do rótulo “anarquista” pelas autoridades como forma de reprimir movimentos populares. Essa estratégia acabou sendo mais eficaz e nos permitiu atuar com mais liberdade. No entanto, ela também gerou debates internos: será que isso despolitiza as pessoas em relação aos símbolos revolucionários?

Entre nós existe uma espécie de lema: devemos usar símbolos e encurtar nossa existência política? Ou priorizar valores e práticas em vez da validação simbólica?

Desde 2021, as organizações populares que se aproximaram de nós passaram a criar seus próprios símbolos, relacionados às suas origens e experiências. Ninguém é obrigado a portar bandeiras negras ou vermelho-negras para afirmar uma identidade ideológica. Sua identidade é a da organização popular; seu paradigma é aquele que elas próprias desenvolveram como instrumento de análise e resistência.

Não devemos combater apenas a alienação no trabalho, mas também na sociedade capitalista como um todo. Por que fomos identificados tão facilmente? Porque não conseguimos nos identificar com o povo. Acabamos nos tornando uma classe à parte.

O anarquismo está presente em toda a Indonésia ou concentrado em determinadas regiões? Em quais áreas de luta ele tem maior presença?

Os anarquistas estão espalhados praticamente por toda a Indonésia, tanto em pequenas quanto em grandes cidades. No entanto, os movimentos mais influentes e inovadores ainda estão concentrados na ilha de Java. Bandung, por exemplo, tornou-se um dos principais centros da repressão e do encarceramento de presos políticos acusados de anarquismo após os protestos de agosto.

Atualmente, o movimento anarquista concentra-se mais nos pobres urbanos. Isso ocorre porque se trata de uma luta de longo prazo; as associações comunitárias tendem a durar mais e, quando o planejamento territorial é bem-sucedido, podem se transformar em zonas autônomas, capazes de proteger os moradores contra o deslocamento causado pela gentrificação e servir como espaços seguros para organizações anarquistas e outras.

A ideologia anarquista continua sendo muito popular entre a juventude da Indonésia. No entanto, poucas organizações se definem explicitamente como anarquistas, já que os valores anarquistas não constituem a única base de suas lutas.

No passado, concentrávamos nossos esforços nos movimentos estudantis e criávamos muitos espaços de encontro e formação. Hoje, porém, é difícil esperar uma revitalização desses movimentos. Tornou-se cada vez mais complicado encontrar ativistas nas universidades, uma realidade muito diferente daquela de dez anos atrás.

Isso acontece porque os estudantes atuais enfrentam mensalidades cada vez mais altas, o agravamento das condições econômicas familiares e uma carga de tarefas acadêmicas que se assemelha cada vez mais ao trabalho em fábricas ou escritórios. Em algumas cidades, também se tornou mais difícil organizar debates sobre movimentos sociais com a mesma vitalidade de antes. Suspeito que isso esteja relacionado à aceleração tecnológica ocorrida durante a pandemia de COVID-19.

Fonte:  https://redeslibertarias.com/2026/06/05/indonesia-anarquismo-lucha-represion-y-reorganizacion/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A goiaba madura
E os bichinhos se mexem
Não sei o que fazer.

Bruna Quirino da Silva – 11 anos

Proteste!

Proteste contra o capitalismo,

contra Deus, contra o Estado,

contra a desigualdade, contra o racismo,

contra a perversidade dos ricos,

contra a miséria dos pobres

e as arbitrariedades do poder.

Proteste contra todos os limites

da sua realidade.

Proteste pela vida, por sua cidade,

pelo futuro dos seus filhos,

contra os políticos, a polícia

e por um novo tipo de sociedade.

Proteste!

Nunca se cale, nem se conforme.

Proteste!

Questione a razão dos fatos,

as tábuas da lei,

o antropoceno e a própria humanidade.

O protesto e a revolta ensinam sempre

o caminho da liberdade.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

Vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

[EUA] ARB #11 | Inverno/Primavera 2026

Bem-vindos à 11ª edição da Anarchist Review of Books, produzida por um coletivo sediado em Atlanta, Baltimore, Belfast, Bruxelas, Chicago, Detroit, Dublin, Exarchia, Londres, Nova Iorque, Oakland e Richmond. Trazemos esta edição em meio a um inverno rigoroso, enquanto tropas federais dos EUA caçam, detêm, deportam e assassinam seres humanos em nome da lei.

A palavra fascismo está por toda parte agora, mas o que está surgindo ao redor do mundo hoje não deve ser confundido com a mobilização estatal impulsionada pela indústria que caracterizou os movimentos fascistas do século XX. O que enfrentamos hoje é mais escorregadio, move-se mais rapidamente e é inseparável da tecnologia digital. Repetidamente, isto destrói os laços entre os humanos e o mundo ao seu redor, e aniquila qualquer sensação de realidade consensual usando um dispositivo extremamente brilhante que já está no seu bolso. É o rizoma em sua manifestação destrutiva e devoradora do mundo, uma força capaz de criar uma utopia para um pequeno grupo de pessoas.

Essa nova onda tecno-autoritária (que não vê ironia em descrever a ANTIFA como uma organização que tem “raízes perigosas” na luta contra o fascismo na Alemanha da década de 1930) é um movimento multiclassista, multiétnico e multigeracional que, como Joe Schmidbauer descreve nesta edição, surgiu a partir de ideias utópicas liberais.

Na obra final de Klee Benally, No Spiritual Surrender (Sem Rendição Espiritual), ele criticou o apelo anarquista para construir “um novo mundo a partir da casca do velho”. “O anseio deles é utópico”, disse ele, “(e a utopia é uma lógica colonial)”. Benally sabia o que Platão sugeriu há quase 2500 anos: a utopia de uma pessoa é sempre o inferno de outra.

O espectro dessa utopia tecno-autoritária impulsionou ações coletivas nos EUA, motivadas pela autopreservação. Minnesota deu origem espontaneamente à maior rede de ação descentralizada em mais de meio século, uma que jornalistas independentes descreveram como leaderless (sem nenhum líder) e leaderful (com todos sendo lideres) ao mesmo tempo, povoada por indivíduos que agem com base em suas próprias convicções. As fantasias de uma vanguarda revolucionária emergente permanecem apenas isso, fantasias. O que estamos vendo, em vez disso, é uma organização logística sendo realizada bairro por bairro, às vezes bloco por bloco.

É assim que se enfrenta uma crise. Os momentos mais importantes de risco coletivo são aqueles em que vemos como a subjetividade, a identidade e a sensação de um eu separado são claramente usadas como táticas de dividir para conquistar. O risco coletivo espontâneo e emergente precede a política, que, como nos diria Hannah Arendt, é sempre o território do compromisso. O que se seguirá a esses momentos revolucionários é impossível de prever.

Se quisermos alcançar algo além de uma campanha de sobrevivência, precisamos imaginar um futuro que ultrapasse o uso limitado da imaginação, que acaba em um beco sem saída de um tipo ou outro de utopia. A libertação começa no reino dos sonhos e da fantasia, e só é alcançada através da proficiência tática e da compreensão da realidade material.

Um exemplo disso vem dos zapatistas, que coletivizam com sucesso o risco, construindo laços comunitários sólidos por meio da autogestão baseada na solidariedade local e internacional. Do ponto de vista logístico, eles organizam conselhos autônomos em nível local, com rodízio de responsabilidades. Quando paramilitares atacam uma comunidade, a rede já está estabelecida, permitindo que todas as comunidades vizinhas respondam imediata e coletivamente ao risco. É assim também que o Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York se organiza. Cada quartel de bombeiros do FDNY (Fire Department of the City of New York), como um conselho zapatista individual, cada bombeiro, como um militante. Essas são estruturas que não apenas podem ser sustentadas, como já formam os alicerces da vida coletiva.

Mas, seja combatendo incêndios ou o ICE (Immigration and Customs Enforcement), a realidade concreta é esta: não é mais seguro estar na linha de frente, independentemente do que digam os memes. Aqueles que estão na linha de frente de qualquer conflito entendem que o risco de danos, prisão e morte é maior. É mais seguro quando o risco é coletivizado, quando existem múltiplos pontos de contato e proteção, quando a comunicação é clara e a base é sólida. Quem está na linha de frente sabe que assumir essa posição é viver à beira de uma grande onda. Para vivenciá-la, devemos permanecer absolutamente presentes, como se estivéssemos à beira do próprio tempo, sem saber o que virá a seguir. O vento em nossos rostos é assustador, e é fresco, e nele, juntos, estamos vivos e fortes.

Em cada edição, declaramos o poder da imaginação. Nesta edição, trazemos entrevistas e perfis de pessoas que colocaram essa declaração em prática. Contemplamos utopias passadas e presentes; céus e infernos, movimentos artísticos, ilusões compartilhadas e lutas por libertação. T. Fleischmann destaca a coragem de Claude Cahun; Lorenzo Kom’boa Ervin e Joe Schmidbauer refletem sobre o fogo, as falhas e o futuro da contracultura; Shellyne Rodriguez presta homenagem a Assata Shakur; Ella Ray testemunha a ressurreição com Bread and Puppet; Jules Bentley despeja seu humor ácido contra um fornecedor de moda anarquista chique; e a ficção de Carrie-Edmund Laben incute em todos nós o medo de Pan. Além de resenhas e ilustrações de Narsiso Martinez, Élan Cadiz, Ben Durham, Molly Crabapple, N. Masani Landfair e Elektra KB; e remessas da Cisjordânia, Minnesota, Rojava e da Fronteira entre a Ordem e o Caos.

Todo o poder à imaginação

Todo o poder ao povo

Coletivo Editorial

Fevereiro de 2026

Fonte: https://anarchistreviewofbooks.org/about-this-magazine-arb-11-winter-spring-2026/ 

Tradução > NTLFG (Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia)

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Margeando riacho
Tenras folhinhas brotam
No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

[Belo Horizonte-MG] Grafic punk na Kasa Invisível

Domingo (dia 7 de junho) ocorreu o lançamento do livro Grafic Punk na Kasa Invisível, coletânea dos zines produzidos por Rômulo dos Santos Paulino, com desenhos, colagens e ilustrações de diversos artistas do movimento punk do Brasil.
 
A apresentação foi seguida de debate com Coletivo Simbionte, Noia Summer, Maria Caram, Desali e João Perdigão, e uma roda de conversa aberta sobre zines, faça-você-mesmo e a relação do punk com anarquismo, movimentos sociais, sindicatos, zapatismo e diversas lutas contra opressão.
 
No mesmo dia em que a maior Parada do Orgulho LGBTQIA+ acontecia em SP, Rômulo lembrou que anarcopunks ajudaram a a organizar o primeiro evento, então conhecido apenas como Parada Gay. Os punks compuseram comissões de segurança contra ataques racistas e homofóbicos de skinheads e outros grupos. Mostrando que o movimento sempre esteve presente em diversas lutas transversais.
 
O lançamento foi um ótimo encontro de gerações, debate e troca de experiências para as futuras mobilizações.
 
O livro Grafic Punk estará disponível em breve também em nossas banquinhas e na loja online da 1000contra.
 
kasainvisivel.org
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/28/lancamento-grafic-punk-de-romulo-dos-santos-paulino/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Num dia de outono
Leio um haicai e penso
Uau, demais!
 
Geraldo Manoel Domingues Jr. – 9 anos

Transformações profundas nascem da organização coletiva e da luta popular

A história nos ensina que não podemos depositar nosso futuro e nossa capacidade de organização nas instituições.

Direitos conquistados podem ser retirados, territórios homologados podem ser ameaçados e garantias legais podem desaparecer. Por isso, fortalecer a autonomia, o apoio mútuo e a organização de base é uma necessidade permanente e primordial.

Quanto mais energia dedicamos a implorar proteção às instituições, menos investimos na construção da força capaz de nos proteger por nós mesmos.

Nada nos impede de lutar por nossos direitos. Mas, ao mesmo tempo, é fundamental dedicar à construção autônoma a mesma energia que dedicamos ao desgaste de pedir respostas àqueles que, repetidas vezes, demonstram não cumprir o que prometem.

A transformação social não nasce da espera. Ela nasce da organização, da solidariedade e da capacidade de construir coletivamente aquilo que desejamos defender.

Autonomia Indígena Libertária – AIL

@autonomiaindigenalibertaria

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Acordo feliz
Uma, duas folhas caindo
Quero ver de novo.

Douglas Eduardo Rothemann – 8 anos

[Itália] Reimpressão: “Pequena história do anarquismo”, de Marianne Enckell

A história do anarquismo é frequentemente contada por meio de seus personagens mais famosos, mas isso é, na verdade, uma simplificação que obscurece uma história menos conhecida, porém igualmente importante: aquela construída coletivamente pelas fileiras de homens e mulheres que escolheram se rebelar contra o domínio. A qualquer custo. E é justamente essa cavalgada anônima no tempo e no espaço que Enckell nos narra: desde as primeiras organizações operárias de meados do século XIX até os black blocks do início do século XXI, passando pelo nascimento da Internacional Antiautoritária, a ascensão do sindicalismo de ação direta, as revoluções do século XX e a catástrofe dos totalitarismos. Uma história de derrotas, sim, mas também de contínuos renascimentos: depois de 1945, com a ascensão dos movimentos antimilitaristas e as batalhas pela descolonização; depois de 1968, com a explosão da contracultura libertária; depois de 1999, com as lutas antiglobalização e o surgimento de novas práticas radicais. Uma pequena história de homens e mulheres comuns obstinadamente decididos a mudar o mundo.

Piccola storia dell’anarchismo

Marianne Enckell

Tradução: Vincenzo Papa

136 pp.

13,30 €

www.eleuthera.it

Tradução > Liberto

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Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina

[Indonésia] Atualização sobre o Prisioneiro Anarquista do 1º de Maio de 2026

Um dos detidos presos durante os protestos de 1º de Maio de 2026 em Bandung, RR, também conhecido como Mpe, que anteriormente havia sido acusado de ser o “líder de um grupo anarquista”, agora foi denunciado pela polícia com base na legislação antiterrorismo. Também foi relatado que ele foi colocado em isolamento e impedido de ter acesso a assistência jurídica de sua própria escolha, levantando sérias preocupações quanto à violação do direito de um suspeito de prestar depoimento livremente e sem coerção, intimidação ou pressão.
 
Neste caso, a polícia parece estar empregando o mesmo padrão narrativo utilizado durante os distúrbios de agosto passado: identificar um suposto “mentor”, “líder” ou indivíduo considerado responsável por planejar e organizar os tumultos. As autoridades de segurança sustentam que processar aqueles considerados a força motriz por trás dos distúrbios pode impedir que incidentes semelhantes ocorram novamente no futuro. Na prática, porém, essa abordagem frequentemente funciona como um mecanismo autoritário para criminalizar grupos considerados perturbadores da estabilidade política, ao mesmo tempo em que desvia a atenção pública das causas estruturais do descontentamento e a redireciona para indivíduos específicos.
 
Por meio desse método, a indignação social é apresentada não como uma resposta ao sofrimento social real, mas como produto da manipulação de alguns poucos atores supostamente “enganadores”. Essa narrativa também serve para justificar a repressão estatal sem a necessidade de provar materialmente a prática de crimes; uma vez identificado um “líder”, todo um movimento pode ser descartado como ilegítimo ou “inautêntico”. Tais padrões guardam forte semelhança com práticas políticas autoritárias.
 
Os acontecimentos recentes ilustram ainda mais essa tendência. A Polícia Metropolitana de Jacarta criou recentemente uma força-tarefa contra assaltos para enfrentar o aumento da criminalidade nas ruas, acompanhada por apelos públicos em várias regiões para que assaltantes fossem mortos a tiros no local. Pouco depois, as Forças Armadas da Indonésia (TNI) anunciaram planos para mobilizar efetivos a fim de auxiliar no combate ao crime urbano, medida amplamente interpretada como uma tentativa de legitimar a expansão do papel militar na aplicação da lei em âmbito civil.
 
Essas duas narrativas vêm sendo amplificadas nas redes sociais tanto pela polícia quanto pelos militares, cada qual aparentemente aproveitando o momento para reafirmar seu papel como ator central da segurança nacional por meio de demonstrações de prontidão e força. A situação também proporcionou uma oportunidade para que ambas as instituições recuperassem legitimidade pública em meio às críticas contínuas relacionadas ao seu envolvimento em projetos de plantações de milho, no programa de Refeições Nutritivas Gratuitas (MBG) e na gestão da segurança dos Projetos Estratégicos Nacionais.
 
A conexão entre esses dois fenômenos revela como o Estado constrói e administra narrativas de “ameaças à segurança”. No caso de RR, conhecido como Mpe, a ameaça é personificada na figura do “mentor”, “líder” ou “terrorista” acusado de mobilizar a agitação política. No caso da criminalidade urbana, a ameaça é produzida por meio de discursos sobre uma suposta “emergência do crime” que exigiria medidas rápidas e severas. Embora os objetos sejam diferentes, ambos operam segundo a mesma lógica: fabricar medo no espaço público para que a expansão da autoridade estatal pareça natural e necessária.
 
Em outras palavras, as figuras do “mentor dos tumultos” e do “criminoso de rua” funcionam politicamente como instrumentos para reconstruir a imagem das instituições de segurança, legitimar medidas repressivas e ampliar seu papel na vida civil em nome da segurança pública.
 
Num momento em que esses padrões continuam a se repetir e contribuem diretamente para a criminalização e para a erosão das liberdades civis, a posição política que não pode ser evitada é a de apoiar aqueles que se tornam vítimas dessas práticas.
 
Solidariedade e apoio incondicional a todos os detidos anarquistas.
 
PALANG HITAM INTERNATIONAL
 
palanghitam@riseup.net
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/18/indonesia-atualizacao-sobre-os-presos-anarquistas-do-primeiro-de-maio-de-2026/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
espuma do mar
adensa o voo das
gaivotas no ar
 
Carlos Seabra

Irã, campeão mundial em execuções de mulheres

De acordo com a ativista iraniana pelos direitos das mulheres, Nasim Mogharab, o Irã executou pelo menos 61 mulheres no ano passado, o maior número do mundo.
 
Em entrevista à Rádio Zamaneh, Nasim Mogharab denunciou a crescente repressão contra as mulheres, particularmente no Curdistão Oriental (Rojhelat). Ela revelou que menos de 10% dessas execuções são tornadas públicas; a grande maioria é realizada em segredo.
 
Segundo o relatório anual de 2025 da Anistia Internacional, o Irã realizou quase 80% de todas as execuções registradas em todo o mundo, o nível mais elevado desde 1981.
 
Prisioneiras políticas correm risco de vida
 
Essa violência sistemática afeta particularmente ativistas, intelectuais e manifestantes mulheres. Diversas mulheres estão atualmente sob ameaça de execução, incluindo Sharifa Mohammadi e as ativistas curdas Pakhshan Aziz e Warishe Muradi.
 
Bita Himati e Maryam Hudvand, presas durante protestos recentes, foram condenadas à morte. Mehbuba Shabani e Hadisa Mirwari também estão sob séria ameaça por “muhareb” (travar guerra contra Deus).
 
A ativista denuncia a negação sistemática do acesso a advogados independentes, a tortura (incluindo tortura sexual) durante interrogatórios e graves violações da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
 
Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/06/05/liran-champion-du-monde-des-executions-de-femmes/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/13/o-massacre-de-mulheres-no-ira-em-numeros/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento
 
Alexandre Brito

[Suíça] Protesto antifascista reúne aproximadamente mil pessoas no centro da cidade de Berna

Hoje (30/06), cerca de mil de nós fomos às ruas [do centro de Berna]. Apesar da presença policial excessiva, nos reunimos com firmeza na praça da estação. Faixas foram penduradas na marquise de um prédio, pedindo ações contra a cúpula do G7 e em memória do 25º aniversário da morte de Carlo Giuliani. Carlo foi morto a tiros pela polícia durante os protestos contra a cúpula do G8 em Gênova.


O clima hoje era militante e marcado por diversas ações, como o bloqueio da delegacia de imigração com tijolos. Em tempos de ascensão do fascismo, continua sendo crucial organizar e construir redes.

Nos vemos nas ruas!

Grupo Anarquista de Berna

anarchistisch.ch

agência de notícias anarquistas-ana

dou de comer ao gato:
o ronrom
estridula sem cessar

Ross Clark

[México] Ódio eterno pelo futebol moderno

Copa do Mundo de 2026: Futebol, Espetáculo e a Realidade que o México Não Consegue Esconder
 
Por AZKO
 
Enquanto governos e grandes corporações celebram a chegada da Copa do Mundo da FIFA de 2026, milhões de mexicanos continuam a viver uma realidade marcada pela violência, desaparecimentos, corrupção e impunidade. A Copa do Mundo é apresentada como uma celebração internacional capaz de atrair investimentos, turismo e reconhecimento global, mas por trás dos estádios iluminados e das campanhas publicitárias, esconde-se um país ferido por uma crise social que nenhum espetáculo esportivo consegue ocultar.
 
A organização deste evento ocorre em um momento em que o México enfrenta níveis alarmantes de violência. Milhares de pessoas desapareceram nos últimos anos, deixando famílias inteiras em busca constante da verdade e da justiça. Diante da indiferença de muitas instituições, foram as mães que buscavam seus entes queridos desaparecidos que assumiram a responsabilidade de vasculhar campos, rodovias e valas clandestinas para encontrá-los. Enquanto o mundo se prepara para celebrar gols e cerimônias de abertura, essas famílias continuam a enfrentar dor e abandono.
 
Os protestos anunciados por grupos de direitos humanos durante a Copa do Mundo não visam arruinar um evento esportivo; buscam nos lembrar que existem problemas muito mais urgentes que permanecem sem solução. A atenção internacional gerada pelo torneio representa uma oportunidade para denunciar uma crise humanitária que tem sido ignorada ou minimizada pelas autoridades há anos.
 
Ao mesmo tempo, a Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantém mobilizações e greves nacionais exigindo direitos trabalhistas e condições de trabalho dignas para milhares de trabalhadores da educação. Seus protestos refletem um descontentamento social acumulado ao longo de décadas de políticas que enfraqueceram os direitos dos trabalhadores, favorecendo interesses políticos e econômicos. O lema “se não há solução, a bola não rola” expressa o sentimento daqueles que acreditam que os problemas reais do país não podem ser suspensos em nome de um torneio internacional.
 
A situação torna-se ainda mais preocupante quando grandes segmentos da população percebem que o crime organizado conseguiu influenciar espaços que deveriam estar ao serviço do público. A presença de grupos criminosos em várias regiões, a corrupção institucional e a impunidade geraram a sensação de que o poder político e econômico coexiste com estruturas que permitem a continuidade da violência. Embora as responsabilidades e o alcance dessas relações sejam passíveis de debate, a percepção social de um Estado incapaz ou relutante em enfrentar esses problemas alimenta o descontentamento de milhares de pessoas.
 
Diante desse panorama, surge uma questão inevitável: o que significa organizar uma celebração global quando grande parte da população vive com medo, incerteza e injustiça? O problema não é o futebol em si. O esporte tem a capacidade de unir comunidades, gerar identidade e criar momentos de alegria coletiva. O que é questionável é o uso desses grandes eventos para projetar uma imagem de normalidade e progresso enquanto graves violações dos direitos humanos persistem.
 
A verdadeira grandeza de um país não deve ser medida por sua capacidade de construir estádios ou receber turistas, mas por seu compromisso com a verdade, a justiça e a dignidade de seu povo. Nenhuma cerimônia de abertura pode substituir a ausência daqueles que continuam desaparecidos. Nenhum espetáculo pode mascarar a dor das vítimas ou a indignação daqueles que exigem mudanças profundas.
 
A Copa do Mundo terminará em algumas semanas. As luzes se apagarão, os estádios se esvaziarão e a mídia internacional voltará sua atenção para outros assuntos. No entanto, os problemas que milhões de mexicanos enfrentam hoje permanecerão. Portanto, mais do que celebrar um evento esportivo, este momento deve servir como uma oportunidade para refletir sobre a comunidade que somos e a comunidade que queremos construir: uma onde a justiça seja mais importante do que a imagem pública e onde a vida humana valha mais do que qualquer espetáculo.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Riacho de pedras
rua dos peixes
rastros de platina.
 
Yeda Prates Bernis

[Espanha] Guia Didática do 90º Aniversário da Revolução Libertária (1936-2026)

APRESENTAÇÃO
 
Companheiras, companheiros, este guia da exposição comemorativa da Revolução Libertária desenvolvida pelo povo espanhol, por seus trabalhadores e trabalhadoras a partir de 19 de julho de 1936, foi publicado no ano de 2008. Agora o reeditaram em 2026, celebrando 90 anos dos acontecimentos, diante de um povo em armas contra o golpe militar fascista e o início dos projetos transformadores da Revolução Social de 1936.
 
Dentro da pluralidade do Movimento Libertário, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), organização sindical libertária herdeira do Ideário Ácrata, continua trabalhando pela recuperação da memória histórica e uma amostra disso é a exposição da Revolução Libertária, 90º aniversário.
 
O Guia pretende ajudar a ampliar conhecimentos históricos do passado, e sua aplicação ao presente, para construir um futuro de Liberdade e foi pensado como ferramenta de trabalho para explicar conceitos e iniciar investigações, para facilitar o trabalho educativo tanto do professorado como dos formadores e formadoras. É um recurso que oferece ideias, sugestões, atividades e propostas metodológicas que permitem compreender e adentrar a transcendência, complexidade e grandeza que significou para a humanidade o trabalho, criativo e construtivo, da Revolução Social Libertária levada a cabo por mulheres e homens honestos e livres durante os anos de 1936 a 1939.
 
Nessa época se tornaram realidade alguns dos sonhos e ilusões que a classe trabalhadora vinha preparando há mais de um século. Foram muitas as experiências prévias, muita a formação que os homens e mulheres operárias, camponesas e jornaleiras foram adquirindo nos ateneus, nos sindicatos, nas escolas. A posterior ditadura e a passagem do tempo apagaram parte dessas tarefas coletivas, anônimas; por isso, as trazemos à luz clara do século XXI.
 
Para a CGT-ML, é importante que a nossa juventude conheça a realidade do que significou e representou esse trabalho coletivo que se desdobrou durante a Revolução Libertária. Em 2008, o SG da CGT foi Jacinto Ceacero Cubillo; hoje é Miguel Fadrique Sanz. Com esta edição, incentivamos a sociedade e a juventude a adquirir e desenvolver seu próprio pensamento crítico.
 
A Liberdade, individual e coletiva, e a Justiça Social são possíveis e alcançáveis; já conheceis o lema: O bem mais precioso é a liberdade, é preciso defendê-la com fé e valor.
 
COMISSÃO MEMÓRIA LIBERTÁRIA CGT
 
1936: DIANTE DO GOLPE MILITAR FRANQUISTA, UM POVO EM ARMAS.
2026: 90 ANOS DA REVOLUÇÃO SOCIAL
 
Companheiras e companheiros
 
No próximo mês de julho de 2026 completam-se 90 anos do golpe militar do fascismo franquista contra as liberdades, coletivas e individuais, que o povo operário do nosso país ansiava há séculos, juntamente com a transformação social que, timidamente, se iniciava com a Segunda República a partir de 1931. Pequenos avanços e reformas sociais haviam começado. O Movimento Libertário, através da CNT e da FAI, majoritariamente aglutinava a classe operária, junto com a UGT, sem esquecer o papel relevante das Mulheres Livres.
 
Havia tanto a mudar, na cultura popular, na saúde pública, nos direitos trabalhistas, na reforma agrária, na igualdade social. Havia tanta necessidade na maioria proletária que se fundiram, em certos territórios, dois conceitos semelhantes e complementares: ganhar a guerra contra o golpismo fascista e realizar a Revolução Social. Ideia e lema coletivo do Movimento Libertário: Guerra e Revolução de mãos dadas. Povo a povo, comarca a comarca, suas gentes passaram de espectadores a atores diretos. E geraram-se projetos e ideários que surgiam desde a base, sem necessidade de líderes governantes. A chama igualitária foi se estendendo, até surgir um experimento social único e inovador: chegava a posta em prática de teorias de anos atrás, do Ideário ácrata de um tempo presente e real.
 
Coletividades no âmbito econômico e coletivizações do setor produtivo tornaram-se realidade. Criar uma Nova Sociedade, lutar por uma Nova Humanidade, era possível. Nem exploradores nem explorados. Nenhum governo nem autoridade a que acatar, foi um fato. Nenhuma religião imposta, repressora, tinha sentido algum e a igualdade de gênero foi consequentemente aplicada. Também o partidarismo político deveria desaparecer, para evitar os choques e favorecimentos. Havia tanto a mudar, e tantas resistências à mudança, e tantos inimigos da mudança, que a luta era múltipla e em muitas frentes, era 1936.
 
Não houve tempo de aprender com os erros; já não era só o conflito na Espanha, era a Europa ameaçada pelo fascismo, eram umas democracias que temiam mais a nossa Revolução do que aos golpistas, era uma luta de poder interna, entre o antifascismo, que acabou com aquele sonho do curto verão da Anarquia. Não houve mais tempo de experimentar. Talvez, algum dia, uma nova geração realize aqueles grandes princípios igualitários, num mundo em que o sol e a chuva sejam iguais para todos. Saúde.
 
Joan Pinyana Mormeneo
Coordenador de Memória Libertária CGT
 
>> Para baixar o PDF do Guia, clique aqui:
 
https://memorialibertaria.org/wp-content/uploads/2026/05/Guia-revolucion-libertaria_2026.pdf   
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/14/espanha-90-anos-da-revolucao-social/  
 
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Um dia de outono –
Caminhando entre as lembranças
Do outono passado.
 
Edson Kenji Iura

[Grécia] Vídeo | Primeiro de Maio de 2026 em Atenas: Da linha de frente das lutas populares à greve de fome pela Comunidade Ocupada de Prosfygika

Em Primeiro de Maio, ao lado dos blocos radicais de sindicatos de base e organizações anarquistas/comunistas, Suzon Doppagne anunciou o início de sua greve de fome.
 
Ela se solidariza totalmente com Aristotelis Chantzis e a Comunidade Ocupada de Prosfygika. Por 16 anos, a Prosfygika se manteve como um bairro auto-organizado — agora, a comunidade luta contra os interesses corporativos e a gentrificação estatal para defender sua existência.
 
A solidariedade é a nossa arma.
 
>> Veja o vídeo aqui:
 
https://www.youtube.com/watch?v=CRaVlJENrNk
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/02/grecia-faixa-de-solidariedade-a-comunidade-ocupada-de-prosfygika-e-aos-grevistas-de-fome/
 
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Orquídea em flor no
Muro velho e descascado.
Passagem do tempo…
 
J.F.Teixeira Filho

“É transição ou regressão energética, Lula?”

15 de maio 2026
 
“Logo, logo, se prepare para a Margem Equatorial”, afirmou o presidente, durante o anúncio de investimentos da Petrobras na Bahia.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse, que conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre oportunidades de parceria da companhia brasileira com a Pemex para explorar a porção mexicana do Golfo do México.

Desde o ano passado, Lula tem intensificado o discurso em defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. Em outra ocasião, ele disse que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estava de “lenga-lenga” e parecia atuar “contra o governo”.

É transição ou regressão energética, Lula?
 
Fonte: ClimaInfo 
 
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dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro
 
Ricardo Portugal

[Grécia] Evento político para a inauguração de um novo espaço de mobilização | Coletividade Anarquista F. Ascaso

Convocamos todo o movimento de luta, as companheiras e os companheiros, os amigos e as amigas, para o evento político de inauguração do novo espaço de mobilização da Coletividade Anarquista Francisco Ascaso, na rua Asimaki Fotila, 26, em Exarchia.

Os eixos do evento:

• Por que um espaço político-social em Exarchia?

• Apresentação da Coletividade e debate aberto

Na sequência haverá um bar para arrecadação de fundos para o espaço.

SÁBADO, 13 DE JUNHO, 19h, ASIMAKI FOTILA 26 (EXARCHIA)

RESISTÊNCIA-AUTOGESTÃO-AÇÃO-SOLIDARIEDADE

Coletividade Anarquista Francisco Ascaso

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Borboleta grande
Balançando comigo
Na rede do quintal.

Letícia Carlim de Oliveira – 9 anos

[Itália] A escola em guerra. Carrara, 13 de junho de 2026

A escola em guerra

Sábado, 13 de junho de 2026

Neste momento histórico, em que a guerra marca todos os acontecimentos sociais e políticos, os Estados se organizam para domesticar setores cada vez mais amplos da sociedade e torná-los participantes das injustiças e devastações em curso. O Estado italiano não é exceção nessa prática manipuladora, tendo como principal alvo as escolas de todos os níveis de ensino, verdadeiro campo de recrutamento para as novas formas de serviço militar que estão sendo preparadas também em nosso país. Conversaremos sobre esse tema com alguns companheiros do Observatório contra a militarização das escolas e das universidades.

18h00: debate.

Em seguida, confraternização com aperitivo.

Circolo Culturale Anarchico G. Fiaschi Via Ulivi 8/B, Carrara

Site: https://circoloculturaleanarchicofiaschi.noblogs.org/

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Canto e contracanto:
o pica-pau reclamando
do som do machado.

Anibal Beça

[México] A grande festa do futebol na terra dos feminicídios, da violência e da dor

A poucas horas do início da Copa do Mundo, um dos negócios mais lucrativos do planeta, o clima está marcado por protestos e descontentamento social. E como não estaria? Enquanto o país está tomado pela violência, pela miséria e pela desigualdade, dá-se mais atenção à Copa do Mundo; um evento do qual se beneficiam sempre os mesmos e no qual apenas alguns poucos participam.
 
Em meio a esse panorama, e como já é costume, a polícia de merda sai para cumprir seu papel: proteger os interesses de seus senhores e reprimir aqueles que saem às ruas para manifestar seu descontentamento.
 
Este é um exemplo claro de um sistema decadente e podre: a ironia do poder. Por um lado, um espetáculo para as massas; por outro, um país afundado na violência, na miséria e nas consequências de décadas de governos medíocres. Chama-se MORENA, PRI, PAN, PRD ou qualquer outra merda partidária, todos contribuíram para a realidade que se vive hoje.
 
E é por isso que Desprezo o futebol transformado em negócio pelas grandes emissoras de TV e empresários. Odeio os políticos de qualquer partido e repudio a polícia. Também desprezo todo o circo que existe por trás desta patética Copa do Mundo, construída sobre a indiferença em relação aos problemas reais.
 
Flores de Goldman.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Poça de água
Banho do canarinho
Perto da janela.
 
Tamyris Lorrana Afonso – 8 anos