[Espanha] Rafa, a vontade de fazer deste mundo um lugar melhor

Por Fernández

Por volta das 15h do domingo passado, 22 de março, Rafael Estévez Guerrero, natural de La Rinconada, em Sevilha, morreu aos 37 anos de idade. Rafa, como todos o conheciam, era um cara peculiar, se por peculiar queremos dizer o que está fora da norma habitual.

Auxiliar de enfermagem por profissão, ele relacionou períodos de desemprego com empregos precários e temporários ao longo de sua vida, seja na sua especialidade ou no que quer que tenha encontrado, desde a colheita de laranjas nos campos até o comércio hoteleiro ou uma fábrica de frangos. Um tipo trabalhador, com qualidades, forte, desperto e aberto com as pessoas, todas qualidades muito apreciadas por qualquer empregador.

Não tão apreciada é geralmente a rejeição da domesticação e da obediência submissa, qualidades que também o adornavam e que, não em vão, lhe custaram a permanência em mais de um emprego. Daí também a sua militância no sindicato anarquista CNT, primeiro em Chiclana e depois em Sevilha e Camas, sindicato à qual sempre se sentiu ideologicamente unido e onde foi um membro particularmente ativo no tempo em que militou.

E assim nos ligamos ao grande leitmotiv de sua vida, o anarquismo, porque se há algo pelo qual Rafa gostaria de ser lembrado, é ser um embaixador fiel das ideias que marcaram sua vida. Grande leitor dos clássicos teóricos anarquistas (Proudhon, Bakunin, Malatesta, Kropotkin…), as teses libertárias lhe proporcionaram um corpus de valores, princípios e fundamentos morais e sociais que, desde muito jovem, dariam sentido à sua existência. Toda a sua vida já se tornou uma tentativa de difundir e realizar as ideias em que tanto acreditava, baseadas na solidariedade, na igualdade e no apoio mútuo.

Com essa determinação, ele começou a aprender a encadernação de livros de forma autodidata com a ideia de construir seus próprios livros. Assim nasceu sua pequena distribuidora de livros, com exemplares todos encadernados e vendidos ao preço de custo, sem receber qualquer benefício, apenas a satisfação de estar contribuindo para a divulgação da Ideia. Primeiro na Praça do Pumarejo em Sevilha e depois junto ao Parlamento Andaluz, era uma visão familiar vê-lo todos os sábados de manhã com a sua mesa cheia de livros enquanto alguns transeuntes paravam e olhavam em volta curiosamente. Sempre o achava alegre e disposto a conversar com qualquer um que mostrasse interesse.

Sua alegria, energia e vitalidade eram bem conhecidas no mundo do ativismo Sevilhano, onde Rafa era um personagem difícil de não notar. Raro era o ateneu libertário no qual ele não era encontrado, raro era a assembleia de caráter revolucionário ou rebelde na qual ele não participava, raro era a concentração ou manifestação antifascista, anticapitalista ou em defesa dos camaradas reprimidos em que não víamos Rafa na linha de frente. Porque ninguém poderia vencê-lo por mais nada, a não ser coragem, ímpeto e ousadia. Desde o 15M, onde foi um dos ativistas mais lembrados, até dias de greves ou manifestações contra a monarquia ou o fascismo, Rafa sempre se levantou e assumiu riscos. Tanto que isso lhe custou alguns procedimentos legais e mais de uma ameaça de grupos neonazistas em Sevilha.

Mas nem a habitual repressão estatal contra vozes dissidentes, nem o terror fascista poderiam jamais vencê-lo. A sua dignidade e consciência firme estavam muito acima de tudo isso. É por isso que ainda temos dificuldade em acreditar como este maldito vírus o derrotou em poucos dias. Um golpe ainda mais duro quando veio logo após a publicação do livro que viu a luz no último 2 de março em sua cidade: O comunismo libertário em La Rinconada, de Rafael Estévez Guerrero. O trabalho que lhe levou 10 anos de intensa pesquisa, investigação de arquivo por toda a Espanha e entrevistas com muitas pessoas locais. Uma obra que deu à luz como se fosse um nascimento e que significou para ele, possivelmente, o momento mais especial de sua vida. Algo material, empírico, que significou uma contribuição verificável e duradoura dele para a memória do seu povo e do anarquismo.

Parece uma piada macabra que praticamente horas depois daquele momento chegaram os primeiros sintomas da doença que o levariam para sempre. Pelo menos ele nos deixa aquele trabalho como um legado e uma memória que ressoará eternamente em todos que o conheceram, assim como os grandes homens e mulheres que deram sentido à sua vida com a vontade de tornar este mundo um pouco mais justo. No seu caso, com a utopia ácrata como horizonte.

Fonte: https://www.lavozdelsur.es/rafa-la-voluntad-de-hacer-de-este-mundo-un-sitio-mejor/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

Contra a guerra, o fascismo, o nacionalismo e o racismo

SOLIDARIEDADE COM OS REFUGIADOS E OS IMIGRANTES

Estamos no meio de uma enorme crise humanitária e social que não tem precedentes, pois a propagação da pandemia global está revelando da maneira mais enfática a natureza criminosa do Estado e do capitalismo. Por um lado, a maioria social está enfrentando novas formas de exploração e repressão ainda mais duras. Por outro, o Estado está defendendo seu poder e a acumulação de riqueza nas mãos dos patrões, expandindo o estado de emergência e privando a sociedade dos recursos necessários para lidar com este desastre. Nesse contexto, milhares de imigrantes e refugiados são empilhados em campos de concentração sob horríveis condições de vida, sem dispor de meios para se proteger da pandemia. O estado de exceção imposto a eles leva a seu extermínio e consiste em um crime do Estado e do capitalismo.

Guerra e fascismo são a única “resposta” que o sistema pode dar à sua própria, total e profunda crise, e às suas próprias contradições que resultam do seu princípio básico – opressão e exploração de um ser humano por outro.

No nível global, os chefes políticos e econômicos estão tentando um ataque incondicional contra o povo da periferia capitalista através de guerra, operações militares, subversão de alguns regimes e aplicação de outros, visando o controle de áreas inteiras, fontes de riqueza, e até de populações. É uma situação na qual milhões de pessoas são condenadas a pobreza, doenças e imigração forçada como pré-requisito para garantir a superacumulação de riqueza nas mãos das elites financeiras globais, e para o rearranjo do equilíbrio geopolítico de poder na conjuntura internacional de competições entre potências globais, regionais e locais.

Os milhares de refugiados e imigrantes mortos nas fronteiras terrestres e marítimas, todos aqueles trancados em campos de concentração modernos sob condições abjetas, aqueles aprisionados em um estado de exceção racista, são o efeito das políticas “de dissuasão” anti-imigração assassinas e da construção da Europa-Fortaleza.

Os “muros” erguidos não são úteis apenas para deter os excluídos, as “populações excedentes”, fora da Europa, mas também para promover a fascistização das sociedades ocidentais, para estabelecer uma condição de medo, controle e ódio, visando a aceitação da exploração dos patrões.

Contra o mundo falido do Estado e do capital, contra a guerra declarada pelos dominantes aos reprimidos deste mundo, como anarquistas, lutamos com a solidariedade de classe e internacionalista como nossa arma, promovendo a organização do contra-ataque dos explorados pela destruição deste mundo decadente. Locais, imigrantes e refugiados, todos juntos, vamos lutar de baixo contra a pobreza, o empobrecimento, a repressão, a subjugação. Vamos fortalecer e defender todos os campos de resistência social e de classe visados pela repressão e organizar novos deles. Contra o fascismo, a intolerância, a guerra, a repressão e a exploração, a causa da Revolução Social global, a construção de uma nova sociedade de solidariedade, igualdade e liberdade nas ruínas do mundo de autoridade… está sempre viva!

SEM CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO

CONDIÇÕES DE VIDA DECENTE E LIBERDADE DE MOVIMENTO PARA OS REFUGIADOS E OS IMIGRANTES

VAMOS DESTRUIR O APARTHEID MODERNO DA EUROPA-FORTALEZA

SOLIDARIEDADE É A ARMA DO POVO

Federação pela Organização Anarquista, Eslovênia e Croácia

Federação Anarquista Italiana, Itália

Organização Anarquista Política – Federação de Coletivos, Grécia

Federação Anarquista, França e Bélgica

Federação Anarquista, Grã-Bretanha

apo.squathost.com

Tradução > Sid Sobral

agência de notícias anarquistas-ana

amanhece
sol atrás do prédio
vestindo-se de luz

Alonso Alvarez

[Grécia] 10-100-1000 Ações Diretas

CONTRA O MEDO E A SURPRESA.

Na madrugada de terça-feira, 3 de março de 2020, realizamos um ataque incendiário a uma filial do Eurobank na 62 Rua Witness com o desejo de entregá-lo às chamas.

O mandamento era claro: “Ajoelhem-se em escravidão à Terra Santa – democratas declarando arrependimento“.

Os componentes do aparato estatal estão unidos como pavões toda vez que anunciam esmagadoramente que tudo acabará em breve. A regularidade diz que prevalecerá e que o desenvolvimento finalmente chegará. Ao mesmo tempo, afirmarão que não há barreiras.

A dominação ideológica do imaginário sobre a onipotência do Estado exige obediência e paz social. Portanto, aqueles que continuam negando a barbárie existente, a camarilha do poder tentará esmagá-los, enquanto os improdutivos serão marginalizados e exterminados. O mesmo destino será tido pelos sempre presentes refugiados e imigrantes deste mundo, a quem a civilização moderna está sempre ansiosa para acomodar, organizando-os em campos de concentração (abertos ou fechados) ou em locais de trabalho para depois os “invadir”…

Pode ser verdade que dentro da sociedade do espetáculo a única coisa que parece mais viável é manter a miséria existente em perpetuidade. No entanto, diante das garantias de poder, mantemos a modéstia e paixão por parte daqueles que ousaram desafiar o existente. Livres de obsessões e fetichismo, percebemos todos os meios como parte de uma ação multifacetada anarquista: de assembleias, eventos e publicações, a luta sofrida dos trabalhadores, marchas de conflito e ataques invasivos explosivos, cuja paz social será quebrada e a centelha da guerra social estará em ascensão.

Enviamos nossa ação solidária aos camaradas e combatentes cativos, perseguidos e procurados.

Força aos imigrantes e esmaguemos a retórica patriótica que tem sede de sangue.

Memória e ação para o companheiro Lambros Foundas.

Somos todos “companheiros”.

Viva a Anarquia!

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1604004/

Tradução > Liberto

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Árvore sem folha
em invernos rigorosos
parece que hiberna.

Leila Míccolis

[Chile] Ações para evitar o contágio no seu bairro

Isto é um chamado internacional à luta contra o vírus e seus governos, desde os bairros e populações marginalizadas pelo sistema de saúde, as ações diretas com as quais podemos fazer frente às emergências e pandemias de forma autônoma e autogestionada. Pois nossa solidariedade e apoio mútuo devem ser nossa principal ferramenta para nossa autopreservação.

>> Você pode fazer o download do livreto e compartilhá-lo no seguinte link:

https://drive.google.com/file/d/1Dpp_A9Ovn27XxjDzKewcLHxABZT0LH53/view?usp=sharing

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/24/chile-a-rebeliao-em-quarentena-um-guia-anarquista-de-acao-em-tempos-de-pandemia/

agência de notícias anarquistas-ana

Da minha janela
Vejo o beija-flor conversando
Com flores vermelhas.

 Luiz Guilherme Carvalho Nunes – 8 anos

[Espanha] CNT exige que o Governo tome medidas de proteção e de suporte para os trabalhadores e trabalhadoras

O sindicato pede em 15 pontos em todas as atividades produtivas não essenciais onde o teletrabalho não é possível, para o reforço dos setores essenciais e para medidas sociais de assistência.

Da CNT vemos como todas as medidas que foram tomadas pelo Governo foram insuficientes para a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, deixando aos empregadores a responsabilidade de implementar medidas como o teletrabalho, expondo o pessoal a situações de risco no transporte ou realizando o seu trabalho não essencial. Mostramos também uma preocupação com o enfraquecimento e o desamparo em que deixa os setores que mais enfrentam a situação de crise sanitária pelo Covid-19.

Milhares de trabalhadores já foram vítimas de ERTEs, demissões produtivas e rescisão de contratos, assim como falsos autônomos e freelancers viram seus empregos desaparecer de um dia para o outro, ante a incerteza, a situação de risco e desamparo de outros tantos milhões de pessoas no estado espanhol. As medidas previstas no Real Decreto 8/2020, de 17 de março, parecem muito boas no papel, mas colidem frontalmente com a mentalidade primitiva da classe empresarial espanhola.

Por esta razão, a CNT exige medidas imediatas do governo para garantir que a classe trabalhadora não seja a mais prejudicada nesta situação. Começando pela segurança, forçando o teletrabalho quando possível e quando não, sendo uma atividade não essencial, com a suspensão da atividade; cancelando demissões, contratando diretamente os empregados necessários para superar a crise e colocando medidas especiais em setores como o dos trabalhadores domésticos. Além disso, a CNT está olhando para o futuro ao exigir que a formação esteja entre as ações imediatas a serem tomadas.

Da mesma maneira, a capacidade de cuidar das pessoas deve ser garantida. Agora é o momento de implantar corajosa e decisivamente os direitos de conciliação da vida profissional e familiar. Também exigimos a proteção de pessoas com a extensão da Incapacidade Temporária àqueles que fazem parte de um grupo de risco, a libertação de prisioneiros com mais de 65 anos ou com doenças crônicas e o fechamento dos CIEs (Centro de Internamento de Estrangeiros). Estas medidas terão de ser reforçadas através da obtenção de fundos daqueles que têm mais com um imposto especial sobre grandes fortunas.

Os 15 pontos que a CNT exige:

1- Implementação imediata do teletrabalho em todas aquelas empresas em que seja tecnicamente possível

O teletrabalho deve ser alargado não só onde já era uma prática ou onde foi implementado em menor escala, mas as empresas devem ser obrigadas a adaptar-se imediatamente a esta forma de organização. O real decreto do governo abre as portas às empresas mais preguiçosas para não se adaptarem ao teletrabalho e continuarem a arriscar a saúde da sua força de trabalho e do resto da sociedade. E, de fato, é isto que está a acontecer.

É por isso que todas as empresas devem adaptar o máximo possível de estrutura ao teletrabalho e para isso estudarão e se dotarão de todos os meios técnicos necessários para o trabalho colaborativo à distância.

2. Interrupção imediata e automática de toda a atividade produtiva não essencial nos casos em que não seja possível implementar o teletrabalho

Transferência automática durante 30 dias de todo o pessoal para pagamento de férias com remuneração em todas as empresas que tenham registrado ganhos mínimos de 3000 euros por trabalhador contratado durante o último exercício financeiro. Aplicação de ERTEs devido a força maior nas empresas que não atingiram essas margens de lucro e após 30 dias de licença nas que o fizeram.

Para estes efeitos, os serviços da Inspeção do Trabalho e da Segurança Social devem ser expressamente declarados um serviço essencial.

3. Medidas extraordinárias de formação

Para todos aqueles trabalhadores cujo trabalho não pode ser feito remotamente, precisamos tomar medidas imaginativas e inovadoras. Porque em outros contextos, os trabalhadores são culpados pela sua falta de empregabilidade devido à falta de formação; porque somos constantemente encorajados a preparar-nos para mudar as relações de trabalho e para isso devemos entender a formação como um processo contínuo. É tempo de as empresas conceberem e implementarem programas massivos de atualização e formação à distância para a parte do pessoal que não pode realizar o seu trabalho à distância.

Consequentemente, todas as empresas devem dar um desenvolvimento efetivo e imediato ao Artigo 23 do Estatuto dos Trabalhadores, de modo a cobrir o tempo de inatividade com manutenção do salário através do desenvolvimento de programas de formação à distância para o seu pessoal.

4. Medidas extraordinárias de organização do trabalho

Chegou a hora de implantar com ousadia e determinação os direitos de conciliação da vida profissional e familiar. As medidas a este respeito previstas no RD 8/2020 de 17 de março parecem muito boas no papel, mas colidem frontalmente com a mentalidade primitiva da classe empresarial espanhola. Hoje em dia é vital cuidar da distribuição do emprego, reduzindo-o, para facilitar as tarefas de cuidar das pessoas mais vulneráveis, facilitar o trabalho dos serviços de saúde e a distribuição de produtos e serviços básicos e essenciais, e poder retomar a atividade após o confinamento.

Portanto, deve-se considerar em todas as empresas a reorganização do horário quando necessário e a elaboração urgente de novos horários, turnos (acrescentando-os quando necessário), banco de horas, etc.; parando quando as medidas de contenção puderem ser interrompidas.

5. Colocação à disposição do sistema produtivo privado, conforme necessário

Há uma necessidade urgente de abordar o fato de ser possível e essencial adaptar o trabalho em determinadas empresas e setores para ajudar a lidar com esta emergência sanitária. É necessário dar um apoio maciço a todas aquelas iniciativas populares que estão projetando e fabricando equipamentos médicos básicos com impressoras 3D, que fabricam máscaras básicas em oficinas de costura, que criam redes de ajuda comunitária para as pessoas mais vulneráveis, etc.

Sendo esta uma situação sem precedentes, são necessárias medidas ambiciosas. Devemos ter em mente que alguns ERTE’s vão desperdiçar recursos que em tempo de colapso sanitário devem ser reutilizados. Da mesma forma que os hotéis são criados para receber os pacientes e o seu pessoal é treinado para continuar com o seu trabalho, pois isso é essencial, acreditamos que outras indústrias devem adaptar-se para produzir e prestar serviços para atender às circunstâncias: equipamentos e instalações devem ser limpos; máscaras de uso único, luvas, vestidos, respiradores devem ser fabricados; desinfetantes devem ser fabricados; alimentos devem ser levados para aqueles que não podem se mover ou se deslocar…

Assim, a nível local, a capacidade de adaptação das empresas, qualquer que seja o setor, será inventariada e implementada de forma a colocar os seus recursos ao serviço do setor da saúde pública, serviços sociais e qualquer outra atividade de organização, planejamento e gestão no contexto deste alarme sanitário, tendo sempre em conta a redução de pessoas afetadas pelas ERTEs.

6. Reforço dos serviços essenciais através do recrutamento direto e imediato de todo o pessoal necessário

A fim de garantir o pleno funcionamento destes serviços essenciais e das empresas disponibilizadas, garantindo o respeito pelos direitos laborais de todos os trabalhadores, o pessoal destas empresas será aumentado através de contratos temporários entre o pessoal desempregado selecionado pelos serviços de emprego.

7. Reforço das medidas de proteção dos trabalhadores em serviços essenciais

Implementação de novos protocolos de trabalho e medidas preventivas adicionais. Tendo em conta o completo fracasso dos serviços de prevenção de terceiros, todos os serviços de prevenção de terceiros atualmente em funcionamento serão colocados à disposição do público. Estes serviços funcionarão sob a direção do Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho e dos institutos autônomos de saúde e segurança no trabalho.

8. Desenvolvimento imediato de novas permissões de conciliação

De acordo com o artigo 39.3 CE, que estabelece que “Os pais devem prestar todas as formas de assistência aos filhos nascidos dentro ou fora do casamento, durante a sua menor idade e em outros casos em que seja legalmente apropriado”, a licença remunerada prevista no artigo 37.3 ET deve ser alargada a todas as pessoas que necessitem de cuidar dos seus filhos e dependentes.

9. Invalidação radical de todos os despedimentos durante o estado de alerta

A fim de proteger os direitos dos trabalhadores e evitar práticas abusivas por parte das empresas, todos os despedimentos em qualquer empresa devem ser declarados nulos e sem efeito, exceto os que expressamente façam uso de medidas de força maior e tenham a correspondente autorização da autoridade laboral. Esta medida deve estar ativa durante toda a duração do estado de alerta e de qualquer declaração subsequente de emergência ou sítio, e durante os 180 dias seguintes ao fim da validade de tais estados.

10. Extensão da Incapacidade Temporária a todos os grupos de risco

Em todos os setores de natureza essencial, os trabalhadores pertencentes ou dentro de um grupo de risco (pessoas com mais de 60 anos de idade, com doenças cardiovasculares e pressão arterial elevada, com diabetes, com doenças pulmonares crônicas, com cancro, imuno-deprimidas, mulheres grávidas), a fim de proteger a sua saúde e as suas vidas, serão imediatamente colocados numa situação de incapacidade temporária devido a contingência profissional. Todas as pessoas que são colocadas nesta situação continuarão a receber 100% do seu salário e não serão obrigadas a completar um período de carência.

11. Medidas específicas para trabalhadoras domésticas

As mesmas medidas de proteção serão aplicadas aos trabalhadores domésticos assalariados e independentes e a todos os outros trabalhadores assalariados e independentes, incluindo o subsídio de desemprego.

12. Tributação de grandes fortunas

Será criado um imposto excepcional sobre as grandes fortunas para que sejam elas a assumir as despesas sociais que resultarão da situação excepcional de que a classe trabalhadora sofre essencialmente.

13. Suspensão do pagamento de aluguéis, hipotecas e suprimentos básicos

Será estabelecida uma moratória, pelo menos durante toda a duração dos estados de alarme ou aqueles que possam estar em vigor na altura, para o pagamento de alugueis e hipotecas para as primeiras casas. Da mesma forma, o pagamento dos abastecimentos básicos (água, eletricidade, gás e telecomunicações) será suspenso durante o mesmo período já mencionado para os imóveis em questão.

14. Reforço da saúde pública e dos serviços sociais

Intervenção privada na área da saúde sem compensação financeira. Transferência da gestão dos lares de idosos para mãos públicas de modo a garantir a dignidade e o direito à vida e à saúde de toda a população.

15. Medidas sociais e de direitos humanos

Os prisioneiros com mais de 65 anos e aqueles que sofrem de doenças crônicas graves que não têm crimes graves, como estupro ou assassinatos machistas, serão libertados imediatamente. Todos os CIEs serão encerrados, as deportações serão interrompidas e a revogação da Lei de Estrangeiros será levada a cabo.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-exige-al-gobierno-que-tome-medidas-de-proteccion-y-soporte-para-las-trabajadoras-y-los-trabajadores/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

urubus desenham
no teto cinza da tarde
lentas espirais

Zemaria Pinto

[Grécia] Em Patras, anarquistas distribuem alimentos e itens básicos para imigrantes e refugiados

Na manhã desta terça-feira (24/03), companheiras e companheiros distribuíram alimentos e kits de produtos de necessidades básicas para cerca de 150 imigrantes e refugiados que vivem em uma fábrica abandonada de Ladopoulos, na zona costeira de Patras, em frente ao novo porto.

Vivemos no meio de uma catástrofe humanitária terrível e de uma crise social sem precedentes, onde as gigantescas contradições da organização política e econômica da sociedade são tragicamente reveladas e, finalmente, a natureza criminosa e assassina do sistema capitalista de estado alveja a maioria da sociedade, especialmente os pobres.

Nessa condição, migrantes e refugiados estão passando por um regime de exclusão impensável, milhares deles vivendo em condições desumanas em campos de concentração ou em locais improvisados, sem possibilidade de autoproteção contra a disseminação da pandemia de Covid-19.

PARA CONTER TODOS OS DISPOSITIVOS CRIMINOSOS ESTATAIS NA VIDA E NA DIGNIDADE

SOLIDARIEDADE PARA IMIGRANTES E REFUGIADOS

CONDIÇÕES DE MORADIAS DIGNAS E CUIDADOS MÉDICOS PARA TODOS e TODAS

Centro Social Autogestionado “Epi ta Proso” | Rua Patreo, 87 – Patras.

epitaprosw.espivblogs.net

agência de notícias anarquistas-ana

canta bem-te-vi
sol por todo o lado
natureza sorri

Carlos Seabra

[Chile] O pior vírus é a catástrofe capitalista

Difundimos panfleto distribuído na zona oeste de Santiago hoje (25/03):

Ante a crise sanitária atual, produto da propagação massiva do Covid-19 entre a população mundial, se disse que o Estado é “ineficiente” e “inoperante” quanto às medidas que tomou para proteger a população. A realidade, a verdade, é que o Estado é altamente eficiente em seu verdadeiro propósito: manter funcionando a máquina da exploração capitalista que se alimenta do trabalho assalariado. De fato, o Estado demonstrou até tal ponto sua eficiência para tal fim, que durante semanas expôs a grande maioria da população trabalhadora ao contágio somente para evitar perdas econômicas ao empresariado. E seguirá fazendo-o.

Nossas necessidades, as necessidades humanas, são completamente opostas e inimigas das necessidades da classe capitalista: eles querem acumular riqueza a todo custo, quer dizer, nos querem trabalhando para enriquecê-los; enquanto que nós queremos viver e nos mantermos saudáveis, portanto, devemos deixar de trabalhar para evitar o risco de contágio.

Não existe nenhuma razão racional nem humana para não cessar o trabalho e o transporte público, a única razão pela qual não se aplica a quarentena total é porque necessitam nosso trabalho para criar riqueza. Consequentemente, a solução a esta crise somente virá de nós, quer dizer, de uma greve geral de toda a classe trabalhadora. A desumanidade e cobiça da classe capitalista na região chilena chega até o ponto de que declaram explicitamente esta crise sanitária como uma oportunidade excelente para fazer negócios. A prova disso é que cobram somas altíssimas para fazermos o exame que detecta o vírus, sobem o preço das mascaras e outros elementos protetores, enquanto que os hospitais públicos apenas têm instrumentos para atender aos afetados, as clínicas privadas se enriquecem curando os ricos. Por outro lado, os diretores executivos das AFPs [Administradoras de Fundos de Pensão] já salivam pensando nos futuros lucros que lhes trarão milhares de pensões não pagas pelo falecimento dos idosos mais vulneráveis.

Para nossos exploradores o coronavírus não é uma desgraça, é um negócio! Não querem evitar a propagação do vírus, querem evitar que afete seus negócios!

O Estado já fez sua escolha – como se os mortos e torturados durante a revolta não bastassem para demonstrar a verdadeira função repressiva do Estado – e escolheu o lucro econômico do capital antes das nossas vidas. Para os que nos governam, nossas vidas são números em um gráfico. E mais, pela televisão difundem abertamente suas expectativas sobre o número de contágios que esperam para os próximos meses. Não buscam salvar vidas, somente calculam quantos de nós podem morrer sem que se detenha a máquina da exploração. Então, nós devemos, nós NECESSITAMOS, escolher nossas vidas antes de seus lucros.

SOLIDARIEDADE DE CLASSE PARA CUIDAR-NOS!

GREVE GERAL PELA VIDA E CONTRA O CAPITAL!

Omnia Sunt Communia

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Libélulas!
Dá saudades da terra natal
A cor deste muro.

Buson

[Espanha] A saúde das pessoas é o primeiro

Comunicado do Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CGT

Enquanto o governo segue sem paralisar aqueles serviços e atividades não essenciais, enquanto a cifra de falecimentos segue crescendo, alcançando a cifra recorde de 738 mortes na quarta-feira passada, enquanto o pessoal que trabalha nos hospitais segue enfrentando este vírus terrível sem as medidas de proteção adequadas, desde a CGT queremos mandar uma mensagem clara:

O primeiro é a saúde. Aqueles que devam ir trabalhar, por força maior, devem ter garantidos os meios adequados de proteção contra o Covid-19. Porque algo é de senso comum: a luta contra a transmissão é uma questão prioritária para sair desta crise, muito mais prioritária que defender os interesses das empresas. Por isso devem se tomar as medidas necessárias para que a transmissão do vírus não siga se incrementando. Cada vez que uma pessoa tem que assumir o risco de sair à rua, de pegar um transporte público, ou cada vez que se entra em um centro de trabalho que não cumpre com as medidas de proteção e segurança adequadas, o que está se promovendo é incrementar ainda mais a carga de trabalho, já por si incompreensível, do pessoal que trabalha nos hospitais.

Por isso, é uma questão de extrema urgência paralisar a atividade em todas as empresas e serviços não essenciais para a vida das pessoas ou, quando menos, que se fechem com caráter imediato todos os centros de trabalho que não contem com as medidas de segurança emitidas pelo Ministério da Saúde.

Por outra parte, e para sair em ajuda do pessoal que trabalha nos hospitais primordialmente, assim como às pessoas mais necessitadas, teria que reconverter a produção em todas as empresas onde seja tecnicamente possível, para que fabriquem os materiais necessários para lutar contra o coronavírus. Não basta bater palmas nos balcões às oito da noite: é preciso dar a devida proteção a quem a necessita e reclama há dias. O próprio coletivo sanitário está alertando de que os médicos e enfermeiros podem converter-se em uma fonte importante de contágio se não se tomam medidas urgentes para garantir sua segurança já.

É o momento de implementar uma Renda Básica da classe (REBis). Não podemos deixar os que não têm recursos na miséria, nem é permissível que a fatura de tudo o que está ocorrendo voltem a pagá-la os de sempre: a classe trabalhadora. As pessoas devem ter garantido um teto e uma renda mínima que lhes permita alimentar-se ou comprar medicamentos tanto a elas mesmas como as suas famílias.

Por último, esta crise sanitária confirma tragicamente que os Serviços Públicos básicos para a vida não deveriam nunca ser privatizados (saúde, ensino, dependência e cuidados, etc.), nem tampouco cortar as verbas econômicas que os sustentam, pelo que exigimos o retorno imediato de ditos serviços privatizados ao âmbito do público, ao que é de todos e todas, ademais de dotá-los economicamente de forma adequada e suficiente.

Porque é Justo, Urgente e de Senso Comum.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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galho partido
depois da tempestade
caminho de formigas

Alexandre Brito

[Chile] Vídeo | A solidariedade é o vírus que o capitalismo teme

Jornada de roubos-expropriações em grandes redes de supermercados para distribuir para sem-tetos.

Material audiovisual gravado nas ruas de Santiago, $hile. Em tempos de quarentena e toque de recolher militarizado sob o pretexto do coronavírus (Covid-19). Música de fundo: GolpeBalaBeso/Niña Debacle/Paniko. Gravado no estúdio Chauri Chaura.

 >> Veja o vídeo (05:30) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=OrvPTPmHT0c

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Margeando riacho
Tenras folhinhas brotam
No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

[França] Uma crise de proporções internacionais: o responsável é o capitalismo!

Em três meses, o novo coronavírus estendeu-se por cerca de 170 países. No total, mais de 200.000 casos de COVID-19 foram confirmados, bem como 9.000 óbitos, segundo a OMS. Na origem desta crise sanitária é o capitalismo que está envolvido e, especialmente, a indústria da carne, que, além das condições sanitárias degradadas, induz desmatamentos. Esses últimos acabam por destruir o habitat de animais vetores de doenças. Todos esses fatores favorecem assim o contato de vírus diversos com as populações humanas. A organização atual da economia e do comércio acelerou a propagação do coronavírus em uma escala mundial. A concorrência e a corrida pelo lucro entre capitalistas retardam e limitam as medidas sanitárias em inúmeros países. E as consequências desta pandemia serão ainda mais dramáticas nas regiões dominadas economicamente.

Uma crise sanitária e econômica internacional

Na América Latina, o Uruguai tomou as primeiras medidas perante o vírus, desde 13 de março, decretando o fechamento de todas as suas fronteiras. 80 casos foram recenseados entre os 3,4 milhões de habitantes, uma quarentena foi estabelecida, controle policial foi anunciado. As escolas foram fechadas e as empresas têm, pouco a pouco, implementado as recomendações de segurança…

Na Argentina, desde o primeiro caso confirmado há menos de duas semanas, a pandemia estendeu-se a pouco menos de 100 casos recenseados. As escolas foram fechadas desde 16 de março e uma quarentena obrigatória acabou de ser decretada, de 20 de março até 1º de abril. Anunciada na noite do dia 19 de março e com efeito imediato a partir da meia-noite, a população teve muito pouco tempo para preparar-se. Uma implementação massiva das forças policiais do país incita o temor por uma explosão de violência policial nos bairros populares, sobretudo nas villas (favelas). As saídas estão autorizadas para se comprar o que comer nos supermercados, que continuam a funcionar, para ir à farmácia e para ajudar pessoas vulneráveis.

A questão que se levanta sobre a proteção de trabalhadoras e trabalhadores, o pagamento de seus salários, bem como o fechamento das empresas, é a seguinte: os empregados serão coagidos a trabalhar tendo suas vidas desprezadas assim como na Europa? Milhões de trabalhadores da economia popular estão fora da classe trabalhadora formal e não serão protegidos. Que será então dessas milhões de pessoas que não poderão sobreviver sem poder sair para trabalhar? Por causa de um acesso muito restrito à água, é temida uma crise de grandes proporções. Enquanto isso, a Argentina já vive também uma epidemia de dengue, concentrada principalmente nas favelas, onde se desenvolvem os mosquitos em razão das condições de insalubridade elevada. Tal epidemia inquieta menos o governo, atingindo de fato apenas os mais pobres.

O Brasil também sofre as consequências da irresponsabilidade de seu presidente de extrema-direita, dificultando todas as medidas sob o pretexto de que a pandemia seria mais devido a uma “histeria coletiva”. Apesar de tudo, o país começou tardiamente a seguir seus homólogos latino-americanos e decretou no dia 22 de março o fechamento de todas as suas fronteiras terrestres e a interdição da entrada de pessoas vindo de alguns países europeus e asiáticos. No Chile também, as medidas da classe política visam, antes de tudo, proteger mais os lucros que a população.

Na África, onde o primeiro caso de COVID-19 apareceu no Egito em fevereiro, preparam-se para o pior. Até o momento, fala-se em cerca de 640 casos distribuídos em 33 países, mas cuidadoras e cuidadores advertem que pouquíssimos testes foram feitos e que os números oficiais estão certamente abaixo da realidade. O continente africano sofreu ainda mais com a crise por causa da atitude e das políticas coloniais que visam tornar e manter dependente toda uma parcela de sua economia. As medidas tomadas pelos países europeus e os Estados Unidos em termos, por exemplo, de trocas comerciais têm, portanto, ainda mais impacto. No nível sanitário, a constatação é igualmente alarmante, com muitas zonas nas quais será muito difícil, até mesmo impossível, implementar ao menos as medidas básicas a fim de atenuar a propagação.

Resistência e organização entre aquelas e aqueles de baixo

No México, até o momento, o governo tenta impedir uma implementação rápida das medidas necessárias. As comunidades zapatistas decidiram por medidas de urgência “considerando a irresponsabilidade frívola e a falta de seriedade dos infames governos e da classe política em sua totalidade, que utilizam um problema humanitário para atacarem-se mutuamente, em vez de tomar as medidas necessárias para afrontar esse perigo que ameaça a vida sem distinção […] assim como a ausência de um legítimo plano para afrontar a ameaça”. O alerta vermelho foi, portanto, declarado nos “caracoles“, que serão fechados até nova ordem.

Os EUA, sofrendo os suplícios de Donald Trump, não escaparam de uma tentativa de minimizar a magnitude dos riscos. Medidas de quarentena lá também tiveram início e a solidariedade e a resistência se organizam, especialmente com um apelo a uma greve dos locatários que começa a tomar alguma amplitude. Lá também depararam-se com a lentidão na resposta à crise, que ameaça causar grandes estragos, ainda mais porque o sistema de saúde ultraliberal não autorizará as classes populares a serem tratadas corretamente e a receberem os cuidados necessários.

Embora agora o isolamento seja total na Itália, país que conta o maior número de mortes, as empresas que não eram absolutamente necessárias para impedir a epidemia continuaram produzindo até o dia 22 de março. No entanto, como as greves multiplicaram-se, o governo foi compelido a suspender (até 3 de abril, por enquanto) todas as atividades não-essenciais. Foram as trabalhadoras e os trabalhadores que impuseram as medidas necessárias aos capitalistas e ao Estado. Em Portugal, o governo de esquerda tomou a dianteira suspendendo totalmente o direito de greve.

Em todo lugar, a crise sanitária está extremamente preocupante para as pessoas abaixo na pirâmide social. Os capitalistas e seus serviçais políticos colocam-nos em perigo em benefício dos lucros (enquanto eles estão abrigados), não tomam medidas sociais e até mesmo questionam os direitos sociais para tentar, custe o que custar, reencaminhar-nos ao trabalho, ou impedir-nos pura e simplesmente de abandoná-lo. A solução virá apenas de nossa solidariedade e de nossa auto-organização para resistir. É necessário manter-se em contato, trocar nossas experiências e nossas resistências para manter vivo nosso internacionalismo.

Union Communiste Libertaire

Domingo, 22 de março de 2020

unioncommunistelibertaire.org

Tradução > Dienah Gurhühor

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agência de notícias anarquistas-ana

À noite na janela
Olho o jardim da mamãe
Dormem as flores.

Alisson de Matos – 06 anos

Isolamento, parte II

Isolamento, 26 de março de 2020.

Mãe,

Eu pretendia escrever antes, mas não tive cabeça. Não dá pra dizer que não tive tempo, né, o dia todo em casa. Inclusive, ficar em casa sem motivos pra sair muda um pouco a cabeça da gente. Li algumas pessoas na internet falando em ansiedade. Eu sinto calma. Um oceano de calma. Parece que estou fazendo tudo mais devagar. Cozinho mais devagar, limpo o quintal minuciosamente, demoro pra levantar, esfrego partes que nunca tinha notado antes durante o banho. De certa forma, talvez eu esteja me conhecendo melhor. Me disseram que isso é comum em Isolamento.

Observo bastante as bichanas. A Preta fica deitada por muito tempo, sempre perto da gente, sempre no mesmo cômodo. Tenho notado que ela às vezes sai do conforto pra se estatelar no chão. Claro que ela não tem noção de nada disso, conforto, estatelar ou chão. Mas eu tenho, e talvez por passar tanto tempo com ela, mais do que nunca antes, isso me faça criar preocupação. Não está calor pra ela preferir o chão frio. Será que ela está com dores? Quente? Com febre? Será que tem alguma doença pouco sintomática? Ou é a calmaria melancólica em Isolamento que deixa ela assim?

A Branca, por outro lado, parece mais feliz. Desde a morte da Zica, ano passado, acho que ela parece mais feliz. Não pela morte em si, que elas viviam grudadas, mas porque desde então ela ganhou autorização pra dormir conosco. Agora ela criou uma rotina: acordamos, ela mia e nos mostra o caminho até o pote de comida. Que nunca está vazio, mas ela quer a comida do sachê, aquela mais saborosa e mole pra mastigar. Fica tão alucinada com isso que chamamos de “drogas”. A Branca adora as drogas dela – mas nunca come tudo, como uma boa gata. Acaba que a Preta ganha os grãozinhos que sobram. Depois disso, ela toma sol no quintal – a Branca. E passa quase todo o dia dormindo, cada hora em um canto, até que chega o fim da tarde e ela pede as drogas dela de novo. Quando vamos pra cama, ela vem ronronando e se acomoda entre as pernas e braços, cada vez de um, fazendo ser muito difícil se mexer durante o sono. E assim no outro dia. E no outro.

Como será que elas vão reagir quando a gente não estiver mais em Isolamento?

Falando nisso, mãe, parece que as regras endureceram nas ruas. Olho da janela e vejo muito menos gente. Quase tudo fechado. Baixaram um decreto muito parecido com o de Quarentena, ainda que lá você esteja proibido de sair e possa tomar multa ou mesmo ir preso. Aqui em Isolamento ainda não é assim, só para os comércios “não essenciais”. As pessoas podem sair, mas não saem, porque ninguém quer ir pra Quarentena, ou pior, ser levado pra Morte. Pelo menos aqui no centro. Dizem que na periferia ainda há mais gente na rua, e até o tráfico de drogas tá fazendo toque de recolher. Em um bairro mais pro sul, os moradores se organizaram e criaram uma brigada voluntária, que aconselha rua por rua as pessoas, principalmente os mais velhos, a ficarem em casa e respeitar os “procedimentos”. Cada rua tem inclusive um “presidente”. Fizeram isso porque sabem que não dá pra esperar nada do governo, que por ali sempre apareceu na forma da polícia, pra matar e prender. E muito menos do presidente – o da república, não o de cada rua.

Mãe, o presidente aqui é algo indescritível. A face de um projeto de poder dos mais cruéis que já vi, ou pelo menos vivi. Outro dia ele veio à público em cadeia nacional falar contra a ausência de circulação de pessoas nas ruas, mesmo sabendo que se as pessoas saírem podem acabar em Quarentena ou Morte. Enquanto isso, ele nem sequer está em Isolamento. É uma tática de manipulação realmente impressionante, uma forma de genocídio sofisticada. O lado bom é que parece que cada vez menos gente acredita nele, embora muitos continuem seguindo suas bravatas e, sem saber, caminhando para o abate. Tem muitas famílias rompidas com isso. E também muita confusão nos discursos e nas ações.

Esses dias um amigo me perguntou se eu acho que poder ficar em casa é um privilégio, que muitos não têm. É uma discussão difícil essa. Costumo pensar em privilégio quando ele está sustentado por uma estrutura, muitas vezes anterior mesmo ao nascimento de uma pessoa ou do grupo ao qual ela pertence. Me parece que se sair às ruas oferece risco, negar a uma parte das pessoas o direito de ficar em casa para se proteger não significa exatamente privilegiar o restante. Mas essa discussão entre privilégio e direito é bem complicada, porque de várias maneiras o meu direito de ficar em casa está relacionado aos privilégios que eu tenho por ser homem e ter crescido na classe média, alcançado uma profissão pública – embora exatamente por ser pública ela me sujeite às regras governamentais, e se me mandarem voltar pro trabalho eu tenho que ir. De toda forma, eu disse pra ele, acho que falar em direito negado é mais fortalecedor em termos de classe do que falar em privilégio, uma perspectiva que nos divide, ainda que sejamos todos trabalhadores. Privilégio, penso eu, tem esse monte de rico e de celebridade que fica postando vídeo agradecendo Isolamento por ter tornado “todos iguais”, cantando música bonitinha, fazendo selfie na banheira cercado de rosas. Pior, mãe, é que esse discurso acaba contaminando inclusive parte das pessoas mais afetadas, que estão criando expectativas de, quando o risco de sair às ruas passar, outro mundo ser gestado. Como se Isolamento e suas regras, por si só, fossem capazes de derrubar séculos de patriarcado, classismo, racismo, genocídio, propriedade privada, culto ao mercado e egoísmo. Quem dera.

Bom, talvez esse sentimento todo gere alguma ação. Quer dizer, já está gerando, né. As brigadas que eu citei são um exemplo. Tem outros. Vou tentar ser mais otimista, prometo. E fazer alguma coisa nesse sentido. É o mínimo pra quem cresceu cercado por pessoas que passaram por um inferno bem pior que esse e foram pra briga.

Vocês são foda.

Estou com saudades, mãe. Já disse isso no primeiro email, né? Mas é que elas estão sempre aqui, comigo, e eu acabo passando parte dos dias pensando na nossa casa, quando estávamos todos juntos sempre. Lembra quando a Lu e eu íamos com o pai fazer compras no mercado, e ele dividia a lista pra ir mais rápido? Acho que ele odiava ir ao mercado, mas a gente que era criança adorava. E a locadora aí em frente, onde a gente alugava os filmes na promoção, ficava com eles uma semana e só lembrava de ver no último dia? São muitas memórias felizes, mãe, mas ficar pensando nelas muitas vezes me deixa mais triste de estar em Isolamento. Pra evitar a tristeza, tenho lido bastante. Criei uma pasta aqui no computador chamada “Isolamento”, só pra salvar coisas que quero ler enquanto estou por aqui. Faz tempo que não leio tanto. E, como deu pra perceber, escrevo também.

Como estão as coisas por aí? Espero que esteja se cuidando. Você sempre foi teimosa, né, na mesma medida em que é responsável. Fico feliz de perceber que aprendi muito disso contigo, o suficiente pra saber que, por mais duro que seja, melhor “aquietar o facho” aqui em Isolamento do que acabar em Quarentena, Colapso ou Morte.

Vai passar, mãe. E sairemos disso bem mais fortes.

Até o próximo abraço – vai ser o maior de todos.

Te amo,

D.

sempredesobedecer.wordpress.com

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Acordo feliz
Uma, duas folhas caindo
Quero ver de novo.

Douglas Eduardo Rothemann – 8 anos

[Espanha] Pandemia viral, medo e poder

Ver o que se tem pela frente exige uma luta constante” – George Orwell

Em REDES nos confabulamos para não deixar de ver o que temos pela frente. Apesar do imediatismo da pandemia que sofremos, apesar do medo que esmaga, oprime e paralisa, queremos falar e refletir. Tempo haverá para análises mais profundas.

E é que há coisas que nos preocupam e muito.

Desde o ponto de vista moral estamos de acordo em que todos e todas temos direito à saúde e que desde o ponto de vista ético esse direito deve ser universal. Dito isto, foi violada essa universalidade com as pessoas idosas e enfermas porque os e as governantes não fizeram caso das advertências de que uma pandemia deste tipo era possível e cortaram os investimentos em saúde desde 2011 sem revertê-los.

Agora vamos pagar, todas e todos, especialmente os mais frágeis, além de que a linha de frente na luta contra a pandemia é ocupada pelas vítimas dos cortes: o pessoal da saúde.

Nos preocupa e nos assusta a retórica bélica que se escuta por parte das autoridades, com afirmações como que estamos “em tempos de guerra”. O exército está nas ruas e seus representantes participam nas rodas de imprensa vendendo-nos seus valores militares que rechaçamos.

Muitas famílias ficaram sem recursos para enfrentar o mais básico: alimentação, pagamento de aluguel da moradia, luz, água, etc. As medidas para atenuar o mais urgente devem ser rápidas. Ademais, devem prever as consequências econômicas e o que vai significar para nossas vidas quando nos deixem retomá-las.

Nos preocupou que continuaram os voos de deportação até que o fechamento de fronteiras o impediu, e nos preocupa o que ocorrerá com quem saiu dos CIES (Centro de Internação de Estrangeiros) sem que lhes tenham dado nenhum recurso, e que as pessoas migradas e sem teto sejam o último elo desta crise sanitária com graves efeitos econômicos e sociais.

O patriarcado não se debilita com a pandemia e alguns homens seguem agredindo e assassinando mulheres.

O medo da enfermidade nos levou a ficarmos reclusos, aceitando sem protestar todas as condições impostas, convertendo-nos em ocasiões nos policiais da nossa vizinhança, tachando qualquer tentativa de propor a possibilidade de fazer as coisas de outra forma de irresponsável. Permitindo que o governo esteja se estabelecendo como algo imprescindível e necessário na hora de gestionar a crise e a consecutiva hipervigilância e controle da população.

Nos preocupa muito os efeitos laborais desta crise sanitária na qual se incrementa a pressão, as exigências, as ameaças e irregularidades que muitas pessoas estamos vivendo em nossos postos de trabalho, para depois ter que escutar barbaridades como que o vírus não entende de classe ou de posição econômica.

Somos conscientes de que há muito tempo que nos incutiram um individualismo feroz, não é surpreendente, portanto, que as pessoas atuem sem solidariedade ou sem consciência das dimensões do problema. Inclusive existe o problema de que para muitos a solução está em um aumento das forças de segurança do Estado, multas…

Somos um grupo jovem, não temos a fórmula para fazer frente a uma crise destas dimensões, mas somos firmes partidárias do apoio mútuo, da autonomia e independência com relação aos poderes do Estado que não souberam prever que isto poderia ocorrer, e do antimilitarismo, do exército que absorve recursos para armamento que de nada nos serve hoje. As pessoas mais vulneráveis não podem pagar os pratos quebrados de uma globalização suicida que põe em primeiro plano as condições de trabalho, a mudança climática, o patriarcado e qualquer outra forma de dominação.

REDES – Redes de Cordialidade – Espaço de reflexão anarcofeminista

Quarta-feira, 25 de março de 2020

Fonte: http://redescordialidad08.blogspot.com/2020/03/pandemia-viral-miedo-y-poder.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Esse pé de caqui
Cresceu comigo –
Agora me dá frutos!

Kailane Souza Ferreira – 13 anos

[Chile] Ante a crise sanitária, paralisar a produção! Quarentena total e greve geral!

Se agudiza cada vez mais a crise sanitária no país, a pandemia estende-se, e já começaram a aparecer os mortos, o governo comprou 10 mil sacos mortuários, e começamos a aproximar-nos perigosamente da cifra de 1000 contagiados, enquanto os burgueses que nos trouxeram a pandemia estão de férias e passeiam livremente. Nós, os trabalhadores, somos obrigados a assistir suicidamente aos nossos postos de trabalho. É evidente o desastroso genocídio que se aproxima e as autoridades continuam com as suas mornas e nefastas medidas como, por exemplo, a do toque de recolher noturno e a progressiva quarentena.

No dia de ontem (23/03) as aglomerações provocada pelo atraso na abertura do metrô e sem mencionar a silenciosa alta da passagem foram a nota do dia. A situação já é insuportável, deve-se decretar de uma vez por todas a quarentena total para salvar nossas vidas caso contrário o povo deve ser visto na obrigação de levantar a greve geral.

Não podemos continuar esperando as soluções dos que nada resolvem, eles só estão cuidando dos interesses empresariais, devemos paralisar a produção agora, já, conscientes das consequências que isso nos traria, mas que mais dá.

Ou nos mantemos nas casas ou saímos para nos contagiar e colocar em risco as vidas das nossas famílias e vizinhos.

Organizemos o autocuidado entre população em luta, seriedade e solidariedade, abaixo o governo e suas tropas assassinas.

Grupo Revolucionário de Propaganda-GRP

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agência de notícias anarquistas-ana

Bem que me agasalho.
Galhos sem folhas lá fora
parecem ter frio. 

Anibal Beça

 

[Espanha] Ajuda mútua: ética anarquista em tempos de coronavírus

Por Enrique Javier Díez Gutiérrez | 24/03/2020

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de León. Membro do Grupo de Pensamento Laico, composto por Nazanín Armanian, Maria José Fariñas Dulce, Pedro López López, Rosa Regás Pagés, Javier Sádaba Garay, Waleed Saleh Alkhalifa e o próprio autor

“Somente juntos conseguiremos”. “Pararemos esse vírus juntos”. “Este é o momento de ajudar um ao outro”… Todos nós ouvimos esse tipo de mensagem, repetida desde o início da crise do coronavírus.

Aprenderemos a lição quando a crise terminar?

Na escola, “educar para cooperar” é um princípio básico, planteado e proposto desde a infância até a universidade (até a chegada da LOMCE, com sua “competição estelar” de empreendedorismo neoliberal).

Mas e o resto da sociedade? Educar para cooperar? Pois “para educar você precisa de toda a tribo”, como todos se lembram agora.

A verdade é que a mensagem que nossas crianças e jovens têm recebido constantemente tem sido, até agora, da concorrência individualista do modelo neoliberal. Um mantra ideológico, o eixo essencial do capitalismo. Um mantra constante e persistente que se repete na mídia, se exalta no esporte, é induzido no trabalho, insiste na economia…

Esse dogma tão difundido e estendido pela mídia, a agenda política e econômica é surpreendente quando os seres humanos preferem cooperar a competir em nossas vidas diárias, especialmente quando buscamos o bem comum. Isto é o que foi demonstrado pelo estudo antropológico da Universidade de Oxford, que foi manchete em todo o mundo pela universalidade de suas descobertas [1].

É surpreendente quando, mesmo na biologia, a prestigiada acadêmica Lynn Margullis, uma das principais figuras no campo da evolução biológica, mostra que todos os organismos maiores que as bactérias são, intrinsecamente, comunidades. Como é a tendência para o mutualismo e como “a vida não conquistou o planeta através do combate, mas graças à cooperação” [2]. Como nossa evolução não tem sido uma competição contínua e sangrenta entre indivíduos e espécies. Pelo contrário, a vida conquistou o planeta não através do combate, mas através da cooperação. De fato, os novos dados estão descobrindo uma natureza que questiona radicalmente a velha biologia: “de cooperação versus competição, de comunidades versus indivíduos”, como conclui Sandin [3]. A tendência fundamental na dinâmica da vida, de todos os tipos de vida, portanto, é a simbiose mutualística, a cooperação universal [4].

Essas investigações confirmam o que um dos grandes pensadores da economia colaborativa propôs: Kropotkin. Diante do darwinismo social, o anarquista russo Kropotkin demonstrou que o apoio mútuo, a cooperação, os mecanismos de solidariedade, o cuidado com o outro e o compartilhamento de recursos são a base da evolução como espécie do ser humano.

Essa realidade, que se torna óbvia para nós em tempos de crise como esse, contrasta com os princípios e propostas que governam o objetivo básico e essencial do capitalismo neoliberal: o individualismo competitivo.

Apoiar o grupo, apoiar-nos na comunidade, contrasta com esse dogma de “liberdade individual” fora do bem comum. A solidariedade, sem deixar ninguém para trás, colide com a competitividade que o neoliberalismo econômico prega. A história do “homem” autossuficiente, competitivo e individualista, que não deve nada a ninguém e procura alcançar sua “ideia de sucesso” para enriquecer a si mesmo e esquecer as dificuldades, dele e dos outros. Mito espalhado pelo populismo empresarial americano e que a ideologia neoliberal e neoconservadora se traduziu na escola através do mantra do empreendedor. Ideologia que sustenta como dogma essencial da fé que a competição por riqueza e poder é o único mecanismo que move o ser humano.

Estamos entendendo, porque estamos verificando e comprovando com esta crise, que essa ideologia neoliberal, que pretende nos regular através da “mão invisível do mercado” é uma pós-verdade [5], uma fábula, uma invenção que não tem fundamento real. Que quando chegam momentos difíceis, quando jogamos o vital e o essencial das sociedades, precisamos da proteção do grupo, da comunidade, da solidariedade coletiva para superar as crises.

É então que lamentamos tardiamente os cortes nos bilhões que foram feitos na saúde pública ou na educação pública. Lamentamos não ter investido em lares públicos suficientes (os privados têm fins lucrativos). Percebemos o erro de que não é ter um banco público que apoie a economia e o investimento público para gerar novos empregos que substituam aqueles que os “temerosos mercados” vão destruir.

A ideologia neoliberal sempre foi muito clara: aplique o capitalismo de “livre mercado” a si próprio (sempre subsidiado) quando obtiverem lucros, para distribuí-los entre os acionistas. Mas exigir o socialismo e a intervenção do Estado para que possam ser resgatados quando tiverem perdas (resgatamos a banca com mais de 60.000 milhões de euros, Florentino Pérez com o Castor, as rodovias…). É isso que eles estão fazendo agora, com esta crise. Embora alguns ainda estejam surpresos que esses “crentes” exijam mais medidas de resgate e intervenção estatal, negando seu credo fanático de “livre mercado” e sua “mão invisível”.

Vamos ver se finalmente aprendemos. E superamos o dogma neoliberal e o sistema econômico capitalista e avançamos em direção a um sistema econômico e ideológico baseado no bem comum, cooperação, justiça social, equidade e solidariedade.

Espero que a saída desta crise seja “uma oportunidade” para ela. Que o “somente juntos conseguiremos” não seja esquecido depois dela. E que, depois do coronavírus, exista um pacto de Estado autêntico, acordado por todos, que protege e aloque quantias escandalosas de nossos orçamentos para Saúde Pública, Educação Pública, Serviços Sociais Públicos, Pensões Públicas… Que possamos aprender de uma vez por todas que o capitalismo e a ideologia neoliberal que a sustenta são tóxicos para as espécies e para o planeta. E que, sem ajuda mútua, sem cooperação, sem solidariedade e justiça social, estamos fadados à extinção como espécie e como planeta.

Notas:

[1] Scott Curry, O., Mullins, D. A., & Whitehouse, H. (2019). Is it good to cooperate? Current Anthropology60(1), 47-69.
[2] Margulis, L. et al. (2002). Una revolución en la evolución. Valencia: Universitat de Valéncia.
[3] Sandin, M. (2010). Pensando la evolución, pensando la vida. La biología más allá del darwinismo. Cauac: Nativa.
[4] Puche, P. (2019). Hacia una nueva antropología, en un contexto de simbiosis generalizado en el mundo de la vida. Papeles de relaciones ecosociales y cambio global, 147, 15-34.
[5] Vivero Pol, J.L. (2019). La España vacía está llena de bienes comunes. Papeles de relaciones ecosociales y cambio global, 147, 85-97.

Fonte: https://blogs.publico.es/dominiopublico/31359/ayuda-mutua-etica-anarquista-en-tiempos-de-coronavirus/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Menina na janela
Observa a lua gigante
Muitos sonhos

Larissa Cavalcante Rodrigues

[Argentina] Militantes anarquistas recordaram os desaparecidos

Quarta-feira, 25 de março de 2020

No marco do aniversário do golpe militar de 24 de março de 1976, militantes anarquistas destacaram a atividade dos companheiros desaparecidos.

No marco do aniversário do golpe militar de 24 de março de 1976, militantes anarquistas destacaram a atividade dos companheiros desaparecidos em mãos da ditadura cívico, militar e eclesiástica.

Na listagem destacam os militantes da Resistência Libertária: Rita Artabe (trabalhadora docente), Fernando “Pata” Díaz (trabalhador gráfico), Elsa Martinez (docente e jornalista), Hernan “Pelado” Ramirez Achinelli (engenheiro mecânico), Elvio “Yogur” Mellino (gráfico e recrutado na Base Naval Puerto Belgrano de Punta Alta), Edison “Melena” Cantero (empregado do comércio), Raúl “Flaco” Olivera (gráfico), Luis “Chino” Matsuyama (trabalhador da Techint), Patricia Olivier (da Techint), Marcelo Tello (trabalhador da indústria madeireira), Rafael Tello e Pablo Tello (trabalhadores do Estaleiro Quarton).

Militantes da Federação Anarquista Uruguaia: Washington Cram (mecânico, trabalhador da construção, encanador e padeiro), Eduardo Chizzola (trabalhador da educação), Graciela da Silveira (estudante), “El loco” León Duarte (trabalhador do pneumático), Juan Pablo Errandonea (estudante), Gerardo Gatti (gráfico), Victoria “Gringa” Grisonas (estudante), Gustavo Inzaurralde (docente), María Emilia Islas (estudante), Telba Juárez (docente), Mario Roger Julién (estudante), Alberto Mechoso (trabalhador da carne), Miguel Ángel Moreno (trabalhador da Bull), Washington Queiro (taxista, gráfico e empregado do comércio), Carlos Rodríguez (docente), Nelson Santana (trabalhador da construção, têxtil e trabalhador do pneumático), Adalberto Soba (trabalhador da carne e têxtil), Raúl Tejera (gráfico e trabalhador do pneumático), Cecilia Trías (estudante), Jorge Zaffaroni (estudante).

“A 44 anos do golpe genocida, 30.000 companheiras/os, Presentes!! Não esquecemos, não perdoamos, não nos reconciliamos! Companheiras/os anarquistas detidos-desaparecidos presentes!! Continuamos sua luta pelo socialismo e a liberdade”. Concluem em seu comunicado.

Fonte: https://www.lacapital.com.ar/la-ciudad/militantes-anarquistas-recordaron-los-desaparecidos-n2573175.html?fbclid=IwAR1w27lHC2fblT5IXzXHuilb0Y1d9poTltj0eEvyEEJQspEMIsK8FFyJo5o

agência de notícias anarquistas-ana

Nos dias de outono
As folhas largam no ar
Um cheiro de sono.

Gabriele de Lima Nardes – 14 anos

[EUA] “O Capitalismo é o Vírus”: Think-Tanks da Direita Pró “Livre-Mercado” são Vandalizados em Washington-DC

Na segunda-feira, 16 de março, uma conta no twitter publicou um comunicado com fotos de pichações e slogans anarquistas sobre a crise provocada pelo coronavírus nas paredes e janelas de dois think-tanks de direita em Washington-DC, o Instituto Cato e o Instituto American Enterprise.

O Instituto Cato foi fundado por Ed Cane, Murray RothBard, que é um “anarco”-capitalista e revisionista histórico, e Charles Koch, da infame, rica e influente família Koch, que ao longo das décadas ajudou a financiar uma variedade de causas e organizações de extrema-direita, republicanas e “libertárias”. De acordo com o The Nation, “o Instituto Cato é um dos líderes da máquina de propaganda do Partido Republicano desde pelo menos meados dos anos 1990”. Segundo o SourceWatch, o Instituto Cato promoveu a privatização de serviços do governo, lutou contra tentativas de regular Wall Street, promoveu o negacionismo climático, apoiou a indústria do tabaco, e se opôs à reforma do financiamento de campanhas políticas.

O Instituto American Enterprise cresceu e se tornou um dos maiores e mais influentes think-tanks da direita. Como a Vanity Fair escreveu: durante os anos Bush II, o Instituto American Enterprise se tornou um “posto de comando intelectual da campanha neoconservadora pela mudança do regime no Iraque”. Além disso, o SourceWatch documentou que este mesmo instituto apoiou o negacionismo climático, se opôs à iniciativa Neutralidade da Rede, e foi contra o aumento do salário mínimo.

Ambos os think-tanks foram fundamentais nos ataques a redes de seguridade e a programas de assistência social para a classe trabalhadora e para os pobres.

De acordo com o comunicado publicado no twitter:

“Nós tomamos essas ações contra os think-tanks dos ricos porque suas políticas nos colocaram neste cenário infernal. O Instituto Cato e o Instituto American Enterprise lutaram com unhas e dentes contra a licença médica remunerada, contra a assistência médica universal, e contra proteções para o trabalhador.

Os ricos vão à jato para seus bunkers de proteção contra desastres e deixam o mundo em confinamento, sem uma rede de seguridade, e endividado com eles. O establishment político gostaria que você acreditasse que esta é uma crise pontual – mas isto é o capitalismo.

Se formos abordar a COVID-19, precisamos abordar as condições que colocam os americanos mais vulneráveis em ainda mais risco.

O encarceramento em massa colocou a vida das pessoas da classe trabalhadora em perigo. O governo federal tem a capacidade de deter pessoas que eles simplesmente acham que portam essa doença durante uma pandemia e colocá-las em segregação médica.

Resumindo, a solução deles é prisões a céu aberto. A nossa solução é apoio mútuo, solidariedade, e um ambiente em que cada ser humano tenha os recursos necessários para sobreviver”.

O comunicado terminou endossando as “5 Demandas” que ganharam popularidade desde o início da crise econômica causada pela pandemia de coronavírus. As demandas são assistência médica gratuita, suspensão do trabalho, suspensão do pagamento de dívidas, liberdade para os presos e para os detidos pela Agência de Imigração, e moradia gratuita para todos.

Fonte: https://itsgoingdown.org/capitalism-is-the-virus-right-wing-free-market-think-tanks-vandalized-in-dc/

Tradução > Sid Sobral

agência de notícias anarquistas-ana

Por este caminho,
Ninguém mais passa —
Tarde de outono.

Bashô