[Espanha] Os ricos pedem austeridade para os pobres

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que diz tão pouco (ou nada) sobre corrupção, exploração infantil ou insegurança no emprego, tem uma estranha fixação nas pensões e nos modestos salários dos trabalhadores. Apesar de o montante desses pagamentos ter sido congelado e cortado durante anos, os principais líderes do FMI aproveitam quaisquer aparições públicas para culpar as pensões e recomendam o abandono do sistema público como uma exigência, quase que exclusivamente, para superar as crises cíclicas do modelo econômico atual.

A alarmante perda de independência e espírito crítico pela maioria da profissão jornalística não é uma tendência exclusiva da mídia privada e pública espanhola, mas nos coloca muito à frente do resto dos países ao nosso redor. Se este não fosse o caso, não se entenderia que estas rotinas dos porta-vozes do capitalismo internacional recebem destaque e credibilidade; supostos especialistas cujos salários são pelo menos doze vezes mais altos do que o salário médio ou pensão na Espanha. A mesma unanimidade é produzida quando a ordem é para silenciar vozes dissidentes ou ignorar as lutas de organizações e grupos que estão descontentes com o regime.

O mais recente desses sermões neoliberais foi entregue pelo chefe da missão do FMI na Espanha, Andrea Schaechter, que alertou o quanto perigoso poderia ser o acordo para aumentar em 0,9% as pensões e salários dos funcionários públicos em nosso país. Ao mesmo tempo, ela aproveitou a receptividade das autoridades e da mídia para salientar a necessidade de apoio público às empresas privadas e para reiterar a conveniência de liberalizar o sistema de aposentadoria.

Com exceção dos trabalhadores autônomos e das PMEs, não parece que a situação dos empregadores seja tão delicada quanto a de um terço das famílias espanholas que já estão imersas ou seriamente ameaçadas pela pobreza, pois ao mesmo tempo em que a Sra. Schaechter nos alertou sobre o risco de aumentar a renda dos trabalhadores, ativos ou aposentados, o mercado acionário espanhol estava passando por um aumento semanal de 13,52%, o maior aumento nos últimos 22 anos.

Este movimento ascendente no pregão é devido, de acordo com as opiniões expressas nos suplementos de cor sépia, ao anúncio de uma próxima vacina contra a Covid-19 pela empresa farmacêutica Pfizer.

Não seria justo dar aos líderes internacionais todo o crédito pelas campanhas em favor da moderação nos gastos sociais, pois na casta governante nacional também temos figuras importantes que não se esquivam de falar o que pensam. Antonio Garamendi, o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), cujo salário é superior a 300.000 euros por ano, criticou o aumento de 0,9% nos funcionários públicos e aposentados. O governador do Banco da Espanha, Pablo Hernández de Cos, também se pronunciou contra este aumento salarial para funcionários públicos, alegando que o IPC anual é inferior a esta porcentagem. Além de não ir ao mercado e ver os preços subirem, Hernández de Cos parece esquecer que os funcionários públicos – como muitos outros trabalhadores – sofreram anos de congelamento e cortes. Neste caso, o insulto é muito maior porque o salário concedido a esse cargo (186.000 euros em 2017) provém dos cofres públicos.

E para terminar, nada melhor do que lembrar algumas das declarações dos empresários modelos deste país: Juan Roig (dono de Mercadona) não corta um centavo e nos pede para pensar mais em termos de “picareta e pá” e menos sobre a vacina; Ignacio Goirigolzarri (presidente da Bankia) também não esconde e diz que temos que nos preocupar tanto com a economia quanto com a saúde. Quanto a Amancio Ortega (nº 1 dos mais ricos da Espanha), ele não hesitou, apesar de sua crescente riqueza, em aproveitar o ERTE e a redução de pessoal para “modernizar” os negócios da Inditex. Por sua vez, Ana Botín, presidente do Banco Santander, que agora se orgulha de ser uma feminista, anunciou que está assumindo outros 4.000 empregos e está aplicando 1.000 transferências a fim de fechar um terço de suas agências bancárias.

Apesar das evidências de que o dinheiro não está nos livros dos aposentados, os responsáveis ainda estão tentando tornar os já pobres mais precários e empobrecidos.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/los-ricos-piden-austeridad-a-los-pobres

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa

A cada 33 horas uma mulher é assassinada na Venezuela

Por Hector Pereira | 25/11/2020

Os feminicídios aumentaram em 120% em 2020, devido à pandemia e à falta de ação de um governo que, contraditoriamente, se descreve como “feminista”. Nem mesmo executou a sentença internacional no caso de Linda Loaiza, torturada em 2001 com a aquiescência do Estado.

A cada 33 horas morre uma mulher na Venezuela, vítima de um homicídio. Mais de 200 mulheres foram assassinadas este ano na Venezuela, em meio a uma onda feminicida que não foi detida e que é a expressão máxima, mas não a única, dentro das mil formas de violência de gênero que estão presentes no país.

Outrora conhecido como “o país das mulheres”, a Venezuela hoje vitimiza, e em muitos casos revitimiza, milhares de seus cidadãos sob um sistema que, paradoxalmente, contém legislação avançada para protegê-los, mas carece de vontade política e está repleto de impunidade.

Uma a menos a cada 33 horas

Durante 2020, o feminicídio disparou na Venezuela. Isto aumentou com o confinamento de suas quase 15 milhões de mulheres. Nos primeiros 10 meses do ano, enquanto o mundo contava com mortes por causa da pandemia, o país produtor de petróleo perdeu 217 mulheres devido à violência de gênero. Isto foi registrado pela Utopix, uma organização que disparou os alarmes em 2019, quando começou a medir estes casos em vista do silêncio oficial. Durante anos, o governo venezuelano não publicou estes indicadores ou quase nenhum outro indicador relacionado ao crime.

Assim, com o país em quarentena parcial, o feminicídio aumentou em 120% em comparação com o mesmo período do ano passado. Isto significa que uma mulher é assassinada a cada 33 horas. Este é um aumento tão dramático que foi reconhecido pelo sistema de justiça venezuelano, embora com menos pessoas sendo processadas e condenadas.

“Neste contexto de crise geral, a população feminina está ficando cada vez mais vulnerável por causa da própria crise”, disse a psicóloga Magdymar León, coordenadora da Avesa, uma organização que defende os direitos da mulher no país há 37 anos, à Efe. Neste ponto, ela adverte que há uma necessidade urgente de rever as políticas públicas para incluir uma perspectiva de gênero. E da sociedade em geral, para determinar “por que os homens estão matando suas companheiras” ou o que os faz pensar que eles têm o “direito” de fazê-lo

Estado sancionado

As respostas a estas perguntas podem ser encontradas tanto na cultura machista, que está enraizada até mesmo entre as mulheres do país, como na impunidade que abunda nestes casos e pela qual a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sancionou o Estado venezuelano em 2018. A condenação histórica, a primeira contra um Estado por violência de gênero cometida por um particular, foi obtida por Linda Loaiza, uma advogada de 39 anos de idade que processou seu país por negar um oportuno acesso à justiça depois que ela foi sequestrada, estuprada, mutilada e torturada em 2001.

“O Estado permitiu a tortura e a escravidão sexual… Houve aquiescência do Estado. Isto é, permitiu, facilitou”, explica Loaiza, lembrando o tratamento discriminatório que recebeu naqueles anos quando entrou em greve de fome para protestar contra a absolvição do acusado. Apoiada por uma sentença internacional que não foi cumprida em seu país, a mulher ainda tem sede de justiça, depois de ter “tirado o véu das instituições” da Venezuela, como ela descreve ter enfrentado todo um sistema que a menosprezou e revitimizou. “Se alguém quiser saber como tem sido o progresso dos direitos das mulheres em todos os níveis (…), pode ver isso refletido especificamente no meu caso”. Acho que todos os lados da moeda estão lá”, diz ela.

Que feminismo?

Tudo isso aconteceu sob um governo que se define incessantemente como feminista e aplaude as mulheres por sua contribuição para a chamada “revolução” bolivariana.

“Dê-me mais barrigas (grávidas)”, disse Nicolás Maduro em várias ocasiões. Com 96% de pobreza e a maior taxa de gravidez adolescente da América do Sul, o presidente, que se autodenomina feminista, ordena cada vez mais gravidezes.

Diante disso, a Avesa denunciou que a política pública venezuelana não está voltada para as mulheres, mas para as mães. Isto envia uma mensagem aos cidadãos de que eles estarão “protegidos” se se reproduzirem. Assim, a liberdade de decisão não é promovida em um país que tem uma lei que protege a mulher desde 2007. Mesmo que a lei exista, no entanto, o Executivo ainda não aprova os regulamentos para aplicá-la. Além disso, todos os abortos foram criminalizados, mesmo em casos de estupro ou incesto.

Enquanto isso, Maduro continua proclamando seu amor pelas mulheres, especialmente sua esposa, Cilia Flores, que ele descreveu recentemente como sua “única propriedade”. É “a única coisa que possuo”, disse ele, rindo. Ele disse isso em um discurso transmitido na televisão estatal, duramente criticado por apoiadores e oponentes.

A dívida

Neste 25 de novembro, o Dia da Erradicação da Violência contra a Mulher, a Venezuela chega “em estado crítico”. É assim que León vê isto, destacando que as brechas de gênero se intensificaram em meio à crise econômica e à pandemia da Covid-19.

“Há uma diferença maior entre homens e mulheres em termos de acesso aos recursos (…), à alimentação”, adverte o psicólogo. Ela acrescenta que as mulheres estão sendo deixadas para trás. Isto é evidenciado pelo fato de que “há cada vez menos mulheres nas universidades”.

Loaiza, por sua vez, lamenta que a misoginia continue prevalecendo no mais alto nível de governo. Ela também lamenta que o Estado não cumpra com as exigências da CIDH. Entre outras medidas, ela solicitou que a perspectiva de gênero fosse institucionalizada nos sistemas de justiça e saúde, bem como dentro das forças policiais. A sentença responsabiliza o Estado venezuelano pela violação de direitos como integridade pessoal e liberdade ou igualdade perante a lei, bem como por ter permitido a tortura, o tratamento cruel e degradante de uma mulher a quem continua sendo negada justiça e cujo caso retrata o estado atual das mulheres no país.

A Venezuela tem uma vice-presidente, várias ministras, mulheres chefes de instituições públicas, governadoras, prefeitas, deputadas e um presidente que se autodenomina feminista. Ainda assim, a realidade é o que é: a cada 33 horas uma mulher é assassinada na Venezuela.

Fonte: https://periodicoellibertario.blogspot.com/2020/11/cada-33-horas-asesinan-una-mujer-en.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

longe noite escura
uma viola
amor murmura

Eugénia Tabosa

[Suíça] Pully: Despejo iminente do Spyre

Destruindo a vida para criar o vazio: despejo iminente do Spyre, uma ocupação ecológica e comprometida em Pully. Aqui está um comunicado de imprensa do Coletivo Bambou, que vive na ocupação ecológica. Gostaríamos de destacar as questões sociais e ecológicas levantadas por esta situação.

 Você já ouviu falar do Spyre? Em um imenso campo verde em Pully, uma grande vila e seu anexo abrigam um mundo inteiro: colorido, animado, comunitário. Há quase três meses, o Coletivo Bamboo vive e dá vida a esses lugares com formas de vida ecológicas e solidárias. Os edifícios ocupados estavam vazios, abandonados desde que o terreno foi comprado pela Dune Capital SA, especuladores imobiliários desejavam demoli-los para construir doze novos edifícios de luxo. Este enorme projeto despertou grande oposição da vizinhança, e a licença de construção ainda não foi emitida. “Bem-vindo ao nosso mundo, aquele que construímos nas latas de lixo deles. Antes vivíamos um pouco escondidos, ocupados, vivendo, criando e lutando, mas hoje estamos aqui, compartilhando com vocês o que eles estão para demolir: nossos desejos, nossas criações, nossas casas, nossa esperança viva de outro mundo”, expressa um morador .

 No contexto contemporâneo de emergência climática em um cenário de crise social e, hoje, também de saúde, o coletivo acredita que lugares de militância como o Spyre são mais necessários e legítimos do que nunca. “Ocupar estes lugares é um duplo gesto: por um lado, denunciar a lógica de sempre se almejar a demolir para reconstruir de forma poluidora e individualista edifícios destinados a uma minoria privilegiada enquanto as pessoas não têm teto, e desta forma concretar a terra cada vez mais… Por outro lado, é também uma ação onde construímos uma alternativa verdadeiramente social e ecológica ao modelo de sociedade que está na base deste tipo de projeto”. O coletivo diz “A necessidade de moradia é real, mas diante da emergência climática que vivemos, a moradia deve ser pensada de forma diferente: reaproveitar o que existe, criar mais espaços compartilhados e comuns, valorizar os espaços verdes – como a floresta e o grande jardim do Spyre – ainda não concretados, que podem ser utilizados como parques, habitats de acomodação leve ou ainda servir como espaços para agricultura local e compartilhada”.

 Até agora, o Spyre já acolheu cerca de vinte pessoas e organizou inúmeros eventos, como jornadas de workshops para partilhar conhecimentos, campos de trabalho participativos para aprender sobre as alegrias da construção mútua, noites de intercâmbio em torno de várias leituras, jantares coletivos… O Spyre sempre manteve um relacionamento muito bom com a vizinhança. Pretendia dar vida a este local e permitir a um grande número de pessoas usufruir da floresta que abriga, bem como utilizar o grande jardim para obter autonomia na horticultura comercial. No entanto, os proprietários pretendem acabar com este projeto comunitário e ecológico e esvaziar as instalações o mais rapidamente possível… embora a licença de construção ainda não tenha sido emitida. O Tribunal Distrital decidiu a favor deles na quinta-feira, ignorando os argumentos de defesa do Coletivo e pedindo-lhes que deixassem as instalações em 48 horas.

 Biodiversidade a ser protegida

 Além dos aspectos sociais e culturais que este local tem experienciado nos últimos tempos, a sua biodiversidade também é notável. “O jardim oferece um conjunto de árvores de grande porte que é excepcional no bairro e é um habitat importante, principalmente para insetos, pássaros e morcegos. Por outro lado, o cordão arborizado na extremidade do terreno representa uma zona de revezamento para as muitas das espécies que se deslocam dentro das áreas das vilas, ou em direção ao bosque do Chenaula”, diz um biólogo que apóia o local. É importante lembrar que a diminuição da conectividade ecológica e o isolamento de habitats naturais são considerados “uma das principais causas da perda de biodiversidade” pela Secretaria Federal de Meio Ambiente. “No contexto atual de erosão da biodiversidade generalizada na Suíça, consideramos importante e de interesse público que este conjunto de árvores, que também contribui para a qualidade de vida no distrito, seja levado em consideração e preservado no futuro”.

Uma decisão brutal

Este despejo iminente mostra mais uma vez que o sistema jurídico suíço não está pronto para ouvir a voz daqueles que defendem um futuro mais justo e ecológico. Para o Coletivo Bamboo, essa situação não é apenas um fenômeno isolado, mas ilustra problemas e dinâmicas muito mais amplas. “O despejo do lugar onde o Spyre morava e onde pessoas se conheciam pode parecer uma pequena onda diante do desastre global que está ocorrendo, mas é um sintoma muito explícito de um sistema que está à beira do colapso”. O setor de construção é responsável por 36% das emissões totais de CO2.

Mesmo que não se surpreendam, os moradores ficam revoltados com a resposta do sistema de justiça: “É difícil ver o algo de correto no fato de que algumas pessoas podem ter várias casas, algumas das quais nunca mais usaram desde o dia em que as compraram, enquanto outros estão na rua. Quanto ao limite de tempo imposto, é considerado muito curto. “Éramos mais de vinte pessoas morando aqui e muitos de nós não têm outro lugar para ir. Além disso, despejar pessoas que ficarão sem moradia durante o período do Covid-19 e durante o inverno é uma escolha completamente desumana”. Esta decisão mostra que a propriedade privada pesa mais do que o direito à moradia digna.

Visões conflitantes de mundo

O Coletivo Bamboo começou a esvaziar as instalações e, portanto, está se preparando para a possibilidade de um despejo forçado nos próximos dias, mas espera que a decisão não seja executada imediatamente. O coletivo continua incentivando os proprietários a virem discutir a possibilidade de combinar um contrato para uso mútuo das instalações até o início das obras planejadas. Na verdade, os proprietários ainda têm uma escolha, ainda tem influência sobre o que acontece a seguir. Eles ainda não possuem a licença de construção para o que virá depois. Aqui estão alguns trechos da carta que o Coletivo Bamboo lhes enviou:

Não sabemos se vocês nos ouvem, se nos entendem – aqui falamos a linguagem da partilha e das possibilidades; vocês, vocês nos respondem com leis absurdas, multas, custos e recusa de confiança. Venham se tiverem coragem de sair dos caminhos confortáveis e da alta posição social que seu poder financeiro lhes proporciona. Venham e veja o que fazemos aqui, como vivemos com quartos cheios de camas, cabeças cheias de sonhos e corações cheios de vida. Venham provar o xarope de alecrim caseiro feito com as plantas cultivadas no jardim. Vocês acham que somos utópicos? Faz muito tempo que não o somos. Nossas ações são a realização de alternativas realistas para o que está acontecendo neste mundo. Portanto, continuaremos tentando, continuaremos a criar estilos de vida mais comunitários e resilientes. Continuaremos a desafiar a lógica de que é normal que a maior parte do nosso tempo seja vendido para trabalhos que apenas enriquecem os ricos, destroem os vivos e empobrecem nossas vidas. Ocupamos a terra por vários motivos: por necessidade, convicção, inveja; ocupamos para liberar tempo e devotamo-lo a ações que movem, pelo menos um pouco, o mundo mortal que defendem com tanto ardor.

O Spyre não é apenas um projeto de habitação pessoal, é um projeto político que estabelece e defende estilos de vida mais comunitários, solidários e ecológicos. Trabalho, reflexão, logística, construção, decisões coletivas, assunção de riscos. Cada vez que uma ocupação é despejada, é um mundo que desmorona, uma possibilidade que desaparece, uma brecha que morre e pessoas então se encontram sem um teto sobre suas cabeças. Centenas, milhares de horas de trabalho desaparecem repentinamente. Vocês não entendem isso, vocês que trabalham para produção, para crescer, para explorar. Vá em frente, expulsem pessoas que nunca serão capazes de igualar seus privilégios, sua riqueza e sua proteção social. Vocês destroem um habitat repleto de vida na crença de que estão construindo outro. Mas na vizinhança, os apartamentos do mesmo tipo que os que vocês estão planejando estão quase todos vazios porque, infelizmente, muitas das carteiras almejadas pelo seu projeto não tem intenção de morar nesses lugares. Vocês não pensam nestes espaços a fim de os fazer habitar, mas sim para os fazer dar frutos, em detrimento das pessoas que simplesmente precisam de espaços ainda poupados pela inércia doentia do setor imobiliário. Vocês estão destruindo a vida para criar o vazio, seja ele físico, social ou moral, enquanto continuam a alimentar os mecanismos que saqueiam os recursos da terra e levam nossa sociedade aos seus limites.

Que aberração é saber que as casas em que vivemos serão despejadas à força para permanecerem vazias por muito tempo. Para concluir, citaremos apenas uma frase do tribunal, que é emblemática do absurdo da situação: “…o argumento de que os edifícios ficariam vazios por vários anos antes de serem demolidos de forma alguma legitima os membros do Coletivo Bambu a usurpar as instalações, sendo cada proprietário livre para exercer sua posse como desejar.”

The Spyre

Chemin de Rennier 53 55, 1009 Pully, Suíça

collectif-bambou [at] riseup [dot] net

https://squ.at/r/840s

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

Correndo risco
a linha do corpo
ganha seu rosto

Alice Ruiz

[México] Mulheres encapuzadas realizam distúrbios durante a mega-marcha de 25N

No marco do Dia Internacional de Combate à violência contra a mulher, grupos feministas realizaram uma mega-marcha pelas ruas do Centro Histórico, com o objetivo de alcançar o Zócalo da capital.

Por volta das 12h00 do dia 25 de novembro, centenas de mulheres chegaram ao Monumento à Revolução carregando bandeiras, cartolinas e faixas contra o machismo, a repressão do governo, a violência contra as mulheres no local de trabalho e a impunidade para o feminicídio no país.

Antes da mobilização das mulheres, as autoridades da capital colocaram cercas em torno do perímetro dos principais locais históricos e culturais do Centro Histórico, tais como Bellas Artes, para evitar pichações e vandalismo dos edifícios.

Entretanto, por volta das 15h, grupos de anarquistas realizaram pichações, quebraram janelas e tentaram derrubar cercas em algumas propriedades governamentais e privadas.

Eles também atiraram fogos de artifício contra elementos da Secretaria de Segurança Cidadã (SSC) que estavam tentando evitar os tumultos.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

Zemaria Pinto

[Grécia] Delegacia de polícia em Tessalônica é atacada com coquetéis molotov

Nenhuma gota foi em vão

A flor de nossa juventude foi regada

Nossa respiração pesada transformou silêncio em grito

E agora que o terrorismo da mídia e do Estado diminuiu, é hora de falarmos. Falemos abertamente, sobre como esse dia de 17 de novembro deve ser guardado na memória coletiva de nossa luta e resistência. Com sinceridade e humildade perante nossa história, com respeito por todos aqueles que, 47 anos atrás, foram os responsáveis pelo Levante do Politécnico. E que sua memória viva em todos nós, pois não deixaremos que morra na boca dos poderosos. Não se trata apenas de uma memória, nem de narrativas do passado. É a chama viva que queima na resistência de hoje em dia. É a faísca que afia a necessidade de revolta social. É a luz que guiará o levante do amanhã. É um tributo revolucionário que, durante anos, honra guerreiros como Kaltezas, Koumis, Kanellopoulos, e cada indivíduo que regou com seu sangue as flores da resistência.

No curso da guerra antiautoritária, a História é a única narradora que precisa de vencedores e perdedores. A História julga aqueles que, consistente e diligentemente, defendem a libertação coletiva até o fim, desafiando todos aqueles que fugiram desordenados.

Este ano, os dias de memória e luta pelo Levante do Politécnico concentraram a polarização de dois mundos. Munidos de metodologia e estratégia, os braços do Estado semearam um clima de medo, pânico e terrorismo generalizados, contra a crescente insurgência social. Através de medidas reminiscentes de um passado sombrio, a guarda uniformizada da República saiu às ruas, levando consigo imposições como toque de recolher, acusações por incitação à desobediência e proibição de agrupamentos de mais de quatro pessoas. Este 17 de novembro não foi sobre banir protestos, mas sobre impor o silêncio da resistência militante. Esse silêncio, no entanto, foi quebrado pelos gritos de milhares de guerreiros, que desafiaram, na prática, a monarquia do Totalitarismo de Estado e o barbarismo da repressão.

No amanhecer do dia, centenas de policiais haviam inundado as ruas da cidade. Mas nada é impossível quando se tem determinação, e as forças da desobediência social quebraram a barreira das proibições, com protestos nas ocupações de residências estudantis e no consulado americano. Os protestos foram recebidos por forças repressivas e, no centro da cidade, por um ataque violento resultando em 6 guerreiros presos. E esse foi nosso momento de pegar o bastão da resistência. Na tarde de terça-feira, 17 de novembro, realizamos um ataque de coquetéis molotov à delegacia de polícia de Sykeon, em Tessalônica. Atacar as forças de segurança não é apenas uma escolha revolucionária, mas uma obrigação social, historicamente justificada, contra os autores da violência estatal. Com toda nossa força, enviamos nossa solidariedade ardente a cada guerreiro que foi visado, acusado, preso ou torturado durante os eventos dos últimos dias até o 17 de novembro.

O ataque aos torturadores que estão no poder é uma resposta mínima, face à violência que acompanha o Estado e o Capital. Porque, quando nossos guerreiros dizem que nada ficará sem resposta, eles falam sério. Nosso fogo é uma resposta mínima à humilhação diária, à tortura, a violações machistas, prisões e encarceramento, perpetrados pela escória uniformizada, que tendem a ser mais e mais comuns. É uma resposta aos ataques e terrorismo que as comunidades resistentes recebem (evacuação de ocupações, táticas policiais, encarceramento e perseguição de militantes etc.). É uma resposta às mortes cotidianas de mulheres imigrantes, nas celas, fronteiras, mares e metrópoles. E finalmente, é a prova prática de que desafiamos toda e qualquer medida repressiva que contribua com a intensificação do controle social. O que fizemos foi atingir um dos templos do Panóptico moderno.

Nós temos a responsabilidade de manter vivos os levantes do passado, para iluminar nossas próprias lutas com sua chama. Mas também levamos nas costas a responsabilidade de destruir aqueles que matam a insurgência todos os dias com suas ações. Os estatistas, que profanam o nome dos mortos do Levante do Politécnico com sua hipocrisia e politicagem, ao mesmo tempo em que invalidam e reprimem quem defenda um novo levante. Os idiotas da esquerda traiçoeira, que violaram a revolta e insultaram os militantes com seu provocadorismo, e que, agora, correm para capitalizar sobre o Levante do Politécnico como símbolo partidário. E todos aqueles que, independente de sua identidade política e respectivas práticas, querem o Levante do Politécnico apenas como uma jóia barata na vitrine do passado. Para todos eles, o Levante do Politécnico e todas as outras revoltas são ameaças vivas, por sua consistência, fé e comprometimento, junto à desobediência social, com um mesmo projeto de derrubada total. O Levante do Politécnico pertence a cada guerreiro altruísta, que o honra com um pensamento, uma flor, um slogan, um coquetel molotov, uma bala.

O Levante do Politécnico vive na teimosia de todos vocês

Pela queda do poder, a luta continua…

Gotas de Novembro

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1608717/

Tradução > kai

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agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

Confira a programação completa do 9° Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo

O festival do filme anarquista e punk de sp começa em 2012, com a proposta de divulgar a produção audiovisual libertária pelo mundo, apoiar a criação de redes e contatos entre projetos de realização e exibição, compartilhar conhecimentos e reflexões práticas sobre o uso da câmera como ferramenta em nossas lutas e suas possibilidades e problemáticas, e incentivar novas produções.

Acreditamos que, assim como outros meios de expressão, contra-informação e difusão de nossas ideias, a câmera e o audiovisual podem ser uma importante ferramenta dentro das muitas trincheiras em que atuamos enquanto anarquistas, e por isso seguimos criando mostras, cineclubes, documentários e experimentos audiovisuais.  

Pensamos no audiovisual para além dos ambientes virtuais, redes sociais e mero espetáculo do entretenimento. Defendemos a importância do encontro, dos momentos de reflexão coletiva, do diálogo e do olho no olho. O audiovisual anarquista como a possibilidade de romper a narrativa oficial colonizadora e manipuladora, a história dos “vencedores”, e contarmos nossas próprias histórias com nossas vozes. Criar nossos meios de expressão e comunicação com autonomia e fazer voar para longe nossas ideias, sentimentos, expressões, imaginários, experiências e realidades. Pensamos o audiovisual anarquista como algo diretamente conectado com as lutas, as ruas, as experiências libertárias, as barricadas e as práticas de ruptura com o estabelecido. Uma ferramenta que nos permite não apenas falar e transmitir ideias, mas gerar questionamentos, reflexões, incentivar a ação, proporcionar o encontro e a troca. Nosso modo de fazer e pensar o audiovisual nada tem a ver com a indústria do cinema: temos outros porquês, outras propostas, outros olhares e outros modos de nos organizar.

Esta nona edição será online para que seja possível que aconteça. Mas buscando romper com um pouco dessa frieza virtual, para este ano pensamos em não somente apresentar filmes, mas aproveitar para realizar o encontro de experiências, projetos e olhares sobre o audiovisual anarquista, reunindo companheirxs de diversas partes para promover essa troca. Os diálogos coletivos e reflexões são muito importantes para nós, e, se este ano não poderemos nos olhar olhos nos olhos, que a virtualidade permita um encontro de realidades que também nos possa gerar discussões! Contribuíram com a realização deste Festival companheirxs de muitas latitudes: Brasil, Argentina, Peru, Ecuador, Colombia, México, Alemanha e Chile – com entrevistas, depoimentos, conversas ao vivo, música, apresentações e, como não poderia deixar se ser, os filmes.

Deixando as redes sociais corporativas e sua lógica de manipulação, censura e lucro, nos esforçamos em realizar esta mostra com plataformas e ferramentas livres, com todas as dificuldades que possa haver, transmitindo diretamente de nossa casa virtual: o site anarcopunk.org/festival. De 1 a 6 de dezembro, nos vemos na 9ª edição do Festival.

>> Veja a programação completa da 9ª edição do Festival aqui:

https://anarcopunk.org/festival/programacao-2020/

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agência de notícias anarquistas-ana

bem-te-vi
o que ele viu
que eu não vi

Ricardo Silvestrin

Vídeo | FNB relata sobre a guerra civil em Mianmar

Por Paradijsvogels In Opstand

Graças aos nossos doadores, pudemos ajudar muitas pessoas que realmente precisam. Obrigado! Parte do dinheiro da arrecadação de fundos foi usada para levar alimentos e suprimentos para campos de refugiados remotos no estado de Shan, no norte de Mianmar.

Desde o início de outubro de 2020, uma guerra civil de décadas ressurgiu na região entre o exército Shan (lutando pela independência) e os militares de Mianmar. Milhares de refugiados fugiram de suas casas para escapar da violência.

A equipe visita os campos de refugiados, traz suprimentos e relatos do que está acontecendo.

Muito obrigado por se interessar por nosso projeto. Todos os materiais do vídeo foram comprados com a ajuda de apenas 25 doadores. Pedimos que compartilhe nossa história, para que muitas pessoas possam vê-la. Isso vai nos ajudar muito.

Paz e amor,

A equipe do Food Not Bombs – FNB

>> Veja o vídeo (22:22) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=FgR-Kr-JHLs&feature=share&fbclid=IwAR3BDdRyhrzN4JJk_hFOPUwOO0VAnIQ7FqrlpWGBBnYG6KXQEsLq_qme4us

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

gente sem terra,
corrupção, desemprego:
mundo em guerra

Carlos Seabra

Distribuição de itens essenciais junto as pessoas em situação de rua. Compartilhando em apoio mútuo à todas em situação de extrema pobreza em São Carlos (SP)

25/10/2020

O primeiro anúncio de nossa coletividade foi concluído com sucesso. Queremos agradecer a todas as companheiras que integraram ao nosso convite, trazendo itens essenciais para as pessoas que estão em situação de rua em São Carlos. Expressamos aqui nossa gratidão.

Neste período de crise sanitária profunda o estado usando o Covid-19 como justificativa teve o cuidado de intensificar suas políticas de gentrificação e “apagamento social” isolando as pessoas em situação de rua através de políticas de caridade, recolhimento e incluindo aqui a seletividade assistencial pautada pela falácia estatal do combate as drogas.

As coletas foram distribuídas para nossas companheiras espalhadas pela cidade. Os kits continham comida, roupas, cobertores, lençóis, livros e zines.

Não só os “pobres-não produtivos” deste mundo estão presos pelas ruas das cidades, como também, de acordo com as relações hegemônicas, devem ser isolados de qualquer comunicação com o mundo exterior, sendo tratados com ações de caridade que visam apenas: ou sua retirada forçada das ruas para que não sejam problemas para os olhos sujos da burguesia ou para que se mantenha onde estão para que caridades possam continuar sendo feitas eternamente ou para que se “transformem em cidadãos íntegros, responsáveis e produtivos” e integrem a máquina de moer carne que chamam Trabalho. Em qualquer um destes casos o que interessa e mantê-las sem saber que além delas existem muitas outras que lutam pelos seus direitos e que não estão recebendo “favor” nenhum. Aparentemente, exceto as religiões e algum departamento de estado acessam estas pessoas e estamos dispostos a não os usar, pois acreditados em uma ética mínima de que os meios são determinantes dos fins e de que é possível construir, através do apoio mútuo, autonomia com todas estas pessoas.

Embora as necessidades destas pessoas permaneçam as mesmas (principalmente dos que “não aceitam as caridades do estado de religiões”) seguiremos realizando as distribuições tentando atender algumas necessidades temporárias de cerca de 300 pessoas que vivem em tal situação no território ocupado militarmente pelo estado denominado São Carlos.

Mantemos em mente os olhares das pessoas abandonadas em meio à crise sanitária do Covid-19 nesta “cidade” e estendemos nossa solidariedade a todas as demais pessoas abandonados pelo resto do território ocupado militarmente pelo estado brasileiro que insiste em selecionar quem pode e quem não pode morrer sabendo que as preferências da devastadora necropolítica tem suas materializações em corpos pretos, entorpecidos, sem emprego, etc. Isto se evidencia de muitas formas, por exemplo, na não existência de estatísticas que mostrem claramente o que está se passando com estas pessoas frente ao COVID-19 ou nas assustadoras campanhas pedindo para que a população não ajude estas pessoas.

Por isto devemos seguir em frente.

Ninguém sozinho contra o Estado e o Capital!

Grupo de Afinidades Lesmas Negras

agência de notícias anarquistas-ana

lua mínima
a tarde minguante
abre um sorriso

Alonso Alvarez

Quando falam que anarquismo é uma ideologia BRANCA e EUROPEIA

Por Rodrigo Santos Andreoti | 26/11/2020

Segue o fio:

Na ordem da esquerda para direita: Ricardo Flores Magon – Importante Anarquista e revolucionário Indígena Mexicano, desenvolveu considerações fundamentais sobre a luta revolucionária e a questão Indígena e teve participação fundamental na Revolução Mexicana (influenciou Zapata).

Shūsui Kōtoku – Anarquista Japonês, mártir e teórico anarquista, desenvolveu uma análise sobre o imperialismo e expansionismo Japonês, foi uma das primeiras críticas sistemáticas ao imperialismo publicado em todo o mundo, condenado à morte pelo Império Japonês.

Kim Jwa-jin – Conhecido como o Makhno Coreano, lutou contra o imperialismo Japonês na região da Manchúria, ajudou a fundar a Comuna de Shinmin e foi escolhido para liderar e organizar ataques às forças Japonesas, responsável pela primeira libertação de escravos na Coreia, foi morto enquanto fazia reparos num moinho de arroz que a federação anarquista Coreana havia construído em Shinmin.

Sam Mbah – Autor e militante anarquista, atuante no movimento Anarquista Nigeriano principalmente durante o período da ditadura, ofereceu excelentes contribuições para a historiografia anarquista no continente Africano.

J.A. Andrews – Poeta e militante, ativo nas disputas do movimento sindical e importantíssimo na construção do Anarquismo na Austrália.

Liu Shifu – Anarquista Chinês, liderou o grupo anarquista Guangzhou durante o período colonial Chinês, lutando pela conquista de direitos de camponeses, operários e mulheres e a liberdade do colonialismo Japonês.

Bhagat Singh – Ativo durante a guerra anti-colonial na Índia, organizou e liderou milícias populares contra as forças inglesas, importante também notar a influência que o Anarquismo teve sobre a Índia no geral.

Domingo Passos – Anarquista, Operário e Carpinteiro Brasileiro, chegou a ser conhecido como o Bakunin Brasileiro pela forma como enfrentava o patronato, foi um dos principais fundadores da Federação Operária do Rio de Janeiro e teve muita influência nas massas operárias.

O Anarquismo, em seus 150 anos de história, não se limitou à Europa ou ao Ocidente, a história de luta do anarquismo se espalha por todos os cinco continentes do mundo.

agência de notícias anarquistas-ana

Eu limpo meus óculos
mas vejo que me enganei.
É lua nublada.

Neide Rocha Portugal

[Reino Unido] Anarquismo e Movimento Punk – Chamada de contribuições

Convidamos você a apresentar contribuições para um volume editado sobre as inter-relações entre o anarquismo e o movimento punk.

Enviar resumos de 250-300 palavras para

Will Boisseau (will.boisseau@hotmail.com),

Caroline Kaltefleiter (Caroline.Kaltefleiter@cortland.edu), e

Jim Donaghey (j.donaghey@qub.ac.uk)

Antes de 20 de janeiro de 2021.

Para obter mais detalhes, veja o link abaixo.

https://jimdonaghey.noblogs.org/anarchism-and-punk-call…/

Nos últimos anos, o movimento punk tem sido objeto de uma multidão de excelentes escritos.

Os melhores deles estão em reflexões críticas que emergem do pântano da nostalgia dos anos 70, e engajamentos críticos que enxergam além do âmbito restrito dos locais de nascimento anglo-americanos do punk.

Esta chamada de trabalhos se propõe a continuar e expandir este emocionante trabalho, examinando em maior detalhe a relação entre o anarquismo e o movimento punk, enfatizando seu caráter contemporâneo e sua difusão mundial.

Embora o anarquismo tenha sido reconhecido como o principal companheiro político do movimento punk, é óbvio que nem todos os punks são anarquistas, e nem todos os anarquistas são punks. Mesmo depois de mais de 40 anos de associação entre o movimento punk e o anarquismo, a relação está longe de ser simples. Ao reunir duas entidades multifacetadas, uma certa divisão tem que ser considerada e até mesmo desejada.

As opiniões sobre a relação entre o anarquismo e o movimento punk são muito variadas. Tem sido categoricamente rejeitada por anarquistas “materialistas” que se preocupam com sua aparente falta de consciência histórica ou com suas tendências de “estilo de vida”. Da mesma forma, houve uma rejeição do anarquismo punk pela “velha guarda” do movimento anarquista, que se concentra em memórias desbotadas de revoluções fracassadas.

Em um sentido menos contraditório, outras análises mostraram que o movimento punk era uma força revigorante para os movimentos moribundos ou anarquistas reprimidos em todo o mundo. Foi reconhecido o valor do exemplo prático de “anarquia em ação” fornecido pela produção cultural do punk DIY [“Do It Yourself”: faça você mesmo], e a importância dos “espaços punk”, como okupações e centros sociais no apoio aos movimentos anarquistas militantes. Em todo o mundo, o movimento punk continua a desempenhar um papel na politização de novas gerações de anarquistas, quase sempre sob o radar da mídia tradicional, e muitas vezes sem o conhecimento dos pesquisadores acadêmicos.

Mas nenhum destes pontos de vista ficará sem resposta, e é sobre este animado debate que este projeto pretende construir. Convidamos as contribuições a refletir sobre a relação entre o anarquismo e o movimento punk em determinados momentos ou lugares, ou que examinem como o movimento punk expressa (ou não expressa) aspectos específicos da filosofia política anarquista, ou que estabeleçam comparações entre o movimento punk e outras culturas musicais e movimentos artísticos influenciados pelo anarquismo.

Algumas perguntas provocadoras de pensamento que você pode responder ou tomar como ponto de partida:

• Que lições podem as outras correntes do movimento anarquista aprender com a longevidade do movimento punk e sua impressionante difusão mundial?

• A relação entre o movimento punk e o anarquismo é visivelmente distinta em “outros” contextos globais (especialmente no “Sul Global”)?

• O sucesso do movimento punk na “recuperação dos meios de produção cultural” pode ser replicado em outras áreas de produção (seja social ou material)?

• O movimento punk está bem posicionado para responder, resistir ou escapar do mundo capitalista neoliberal? Ou é apenas mais um prenúncio do avanço aparentemente irresistível do neoliberalismo?

• Como o movimento punk enfrenta a vida sob os estados e governos socialistas/comunistas? Ou a vida sob estados e governos fascistas/autoritários/totalitários?

• Como a cultura punk (ou contra-cultura) pode intervir nas “guerras de cultura”?

• Em nossa época de crise perpétua, que papel pode desempenhar o movimento punk como ponto focal de resistência e ajuda mútua?

• Como o movimento punk respondeu a outras ideologias radicais além do anarquismo (marxismo, autonomismo, socialismo, feminismo, ambientalismo)?

• Como o movimento punk tem interagido com movimentos sociais específicos (Black Lives Matter, antifa, Extinction Rebellion, trans, anti-globalização, Occupy, Disabled, Food Not Bombs, LGBT, squatting)?

• Como o movimento punk desafia ou falha em desafiar o patriarcado? O queer punk é diferente em diferentes contextos globais?

• O que a preponderância do veganismo na cultura punk nos ensina sobre as tensões entre a escolha individual do consumidor e o ativismo? Como são outros comportamentos e práticas de consumo punk relacionados ao anarquismo?

• Como a preponderância do antiteísmo na cultura punk reflete o antiteísmo anarquista e o anticlericalismo?

• Como a relação entre o movimento punk e o anarquismo se compara com a de outras culturas musicais ou movimentos artísticos associados ao anarquismo? (Hip-hop, rap, dança, rave, folk, anti-folk, metal, jazz, kraut rock, ska, avant-garde, rebetiko, corridos, no wave, música rebelde irlandesa, ad nauseam).

Sinta-se à vontade para ir além destas questões em suas contribuições.

Editores:

Will Boisseau: will.boisseau@hotmail.c

Caroline Kaltefleiter: Caroline.Kaltefleiter@cortland.edu

Jim Donaghey: j.donaghey@qub.ac.uk

Linha do tempo:

23 de novembro de 2020 – Difusão da Chamada de Trabalhos.

20 de janeiro de 2021 – Favor enviar resumos de 250-300 palavras aos editores até 20 de janeiro de 2021 (nos endereços de e-mail listados acima).

21 de junho de 2021 – As contribuições entre 5.000 e 8.000 palavras devem ser apresentadas até 21 de junho de 2021. Elas devem ser escritas tendo em mente o público leitor em geral.

Inverno 2021/22 – Após revisão e edição, o livro será publicado sob contrato com uma respeitada (e amiga do punk) editora radical. Os detalhes serão anunciados em data posterior.

Aguardamos ansiosamente a leitura de suas idéias para contribuições!

Em solidariedade

Will, Caroline & Jim

agência de notícias anarquistas-ana

Em câmera lenta
preguiça na imbaubeira
passa a outro galho.

Anibal Beça

[Espanha] Amadeu Casellas começa um crowdfunding para custear os gastos de sua defesa jurídica

Por Amadeu Casellas

Arrecadação anticarcerária | Objetivo de 12.000 €

Saudações companheiros!

Muitos de vocês já me conhecem, meu nome é Amadeu Casellas, ativista anarquista há mais de 40 anos.

Depois de passar 24 anos na prisão, faz dois anos fui vítima de uma montagem com uma falsa acusação policial pela qual passei 2 anos em prisão preventiva, faz uns meses se realizou o julgamento e ainda que não houvesse nenhuma prova que me incriminasse com o suposto roubo e ademais houve ocultação de provas à defesa, fui declarado culpado.

Quero recorrer da sentença até chegar a Direitos Humanos de Estrasburgo. E é um processo lento e caro. Por que a justiça não é feita para pessoas pobres, para o trabalhador. É feita para quem possa pagar.

Os custos aproximados são:

1800€: Recurso ao Tribunal Superior da Catalunha (1500€ pelo recurso do advogado + 300€ procurador)

2300€: Recurso ao Tribunal Supremo da Espanha (2000€ recurso por parte do advogado + 300 procurador)

2300€: Recurso ao Tribunal Constitucional (2000 por parte do recurso do advogado + 300 procurador)

3000€: Recurso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos de Estrasburgo (2500 recurso por parte do advogado + 500 procurador)

Não só isso, mas no registro que fizeram em minha casa no momento da detenção encontraram uma inofensiva pistola de fogo. Aproveitaram isto para abrir outro processo, no qual me pedem desta vez 2 anos e 9 meses de cárcere.

Esta arrecadação também servirá para poder pagar os gastos judiciais desta nova causa.

Pedimos qualquer tipo de colaboração, desde a difusão, a colaboração no crowdfunding ou se o preferes desde a web de Grillo Libertario (distribuidora) podes adquirir uma camiseta solidária ou meu livro (os benefícios destas vendas irão para esta causa).

Compra de camiseta:

https://www.elgrillolibertario.org/botiga/?tpv-pcl=product&product=1390

Compra do livro “Un reflejo da sociedad”:

https://www.elgrillolibertario.org/botiga/?tpv-pcl=product&product=354&sid=AN2MzN0YDMxITM

Página do crowdfunding:

https://www.gofundme.com/f/recaudacion-anticarcelaria?utm_source=whatsapp&utm_medium=chat&utm_campaign=p_cf+share-flow-1

Fonte: https://www.asociaciongerminal.org/?p=5534

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/19/espanha-declaracao-de-amadeu-casellas-apos-sua-libertacao/

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Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho.

Matsuo Bashô

75 anos dos julgamentos de Nuremberg: o que exames psicológicos revelaram sobre nazistas?

Após o fim da 2ª Guerra Mundial, a devastação foi tão grande e os crimes de guerra tão extensos que as forças aliadas vitoriosas determinaram que era necessário impor alguma forma de punição aos responsáveis pela geração dessa máquina de destruição e extermínio contra a humanidade.

Houve um cabo de guerra político entre os Aliados sobre o que fazer com os líderes nazistas capturados.

A certa altura, havia aqueles que defendiam as execuções sumárias, mas no final um julgamento por um Tribunal Militar Internacional foi considerado importante para educar o mundo sobre o que havia acontecido.

Esses foram os julgamentos de Nuremberg, que começaram em 20 de novembro, 75 anos atrás.

Pouco se sabe, no entanto, de um extraordinário processo de análise psiquiátrica e psicológica dos prisioneiros que foi realizado em paralelo para tentar encontrar as origens de seu mal.

Horas e horas de entrevistas, exames e observações geraram inúmeros documentos que foram esquecidos e, em 2016, foram resgatados no livro Anatomia do mal: O Enigma dos Criminosos de Guerra Nazistas.

Seu autor, Joel Dimsdale, professor emérito de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em San Diego, conversou com a BBC.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-55035660

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engano amigo
tenho a impressão
que a lua vem comigo

Estrela Ruiz Leminski

[Espanha] Expropriadores anarquistas: “Los Solidarios” da Transição

No 84º aniversário da morte de Buenaventura Durruti repassamos a trajetória dos libertários que se dedicaram nos anos 70 e 80 ao assalto de bancos para financiar o movimento.

Por Héctor González | 20/11/2020

Não foram muitos mas se fizeram sentir. Durante a Transição diversos grupos de militantes da esquerda radical recorreram à expropriação (assaltos) para financiar organizações e lutas obreiras. Dentre todos eles seriam os anarquistas que jogariam um papel mais destacado. E é que este tipo de ações se inseriam dentro de uma tradição ilegalista que durante este período se reivindicava como continuadora da onda de grupos como Los Solidarios e de militantes como García Oliver ou os malogrados Ascaso, Escartín ou Durruti.

A situação sociopolítica o requeria e quase o justificava: com a morte de Franco se abria um período incerto que ia desembocar na democracia, devia fazê-lo mediante a ruptura e podia concluir com uma revolução. As greves, não poucas delas selvagens, se estendiam por todo o país e o anarquismo, que ressurgia qual Ave Fênix em fábricas e bairros, necessitava uns fundos dos quais carecia para animar greves, editar propaganda e financiar suas iniciativas.

Enquanto a maioria se ocupava de estruturar suas organizações para dotá-las de rendas regulares e legais, uma pequena parte punha seus olhos nos bancos. Se dispunha de armas e carros com certa facilidade, as medidas de segurança das sucursais bancárias brilhavam por sua ausência, em clara contradição com a quantidade de dinheiro que albergavam; e as necessidades econômicas da luta pela emancipação eram elevadas. Os bancos representavam ademais a maior perversão do sistema capitalista, a usura, pelo que a expropriação, um ato recorrente dentro do mundo libertário (e não só dele), era um ato de justiça que punha à disposição da classe trabalhadora e da revolução os recursos do inimigo.

De maneira informal foram se formando desde princípios dos anos 70, diferentes grupos de ação (em um número variável mas nunca superior às poucas dezenas) que com pequenas redes de apoio, realizaram centenas de expropriações por todo o país, sobretudo no triênio 1977-1979. Mas, mais além dos assaltos existia também outra gama de ações que também cultivaram estes e outros grupos (mais centrados na confrontação direta com a patronal): pressões a empresários, sabotagens, piquetes em conflitos laborais, pequenos atentados contra materiais e, no caso do País Basco (onde a situação sociopolítica conduzia com maior facilidade à violência), inclusive contra pessoas.

A Federação Ibérica de Grupos Anarquistas (FIGA)

Frente a uma FAI rodeada de mística mas resultante de grupos pouco operativos, surgiu em Madrid uma nova específica (de ação) que supunha a exceção à norma da informalidade. Muito influenciada pela marca pessoal de seus principais impulsionadores, Alejandro Mata e Agustín Valiente, a FIGA projetava linhas que enlaçavam com os do anarquismo de ação do primeiro terço do Século XX.

Mata e Valiente foram os principais expoentes do protótipo de homem de ação durante a Transição, dada a notoriedade que adquiriram tanto seus nomes como suas ações. Várias dezenas de assaltos (a polícia chegou a imputar-lhes 21), nos quais conseguiram um grande botim (mais de 52 milhões de pesetas) dedicado integralmente a sustentar greves, sindicatos e, sim se faz caso de certas afirmações, a financiar o CNT (jornal da Confederação); levam sua assinatura. Ademais, ambos militantes tiveram significado em várias greves e haviam organizado sindicatos e trabalhadores em diferentes pontos do país.

Sua queda também foi espetacular como suas ações. Em 18 de junho de 1979, após a realização de dois assaltos de cara descoberta, Mata e Valiente eram rodeados em sua casa segura, o que deu lugar a um tiroteio no qual resultaram feridos dois policiais e no qual Valiente perdeu a vida. Mata foi detido e enviado à prisão. Dois anos depois de sua libertação, em 1985, voltaria ao cárcere após uma nova campanha de assaltos e ações, até que na primavera de 1989, graças à mediação da CGT, recuperava definitivamente a liberdade através de um indulto.

Outros grupos de ação intervieram diretamente em conflitos laborais tratando de amedrontar a patronal. Tal foi o caso (sobretudo) basco, onde os Comandos Autônomos Anticapitalistas, além de realizar dezenas de ações para manter os diferentes focos de autonomia obreira, trataram de assassinar, em 1980, o diretor da fábrica de Michelín em Vitoria. Por sua parte, nos ambientes mais sociais, grupos como o de Manuel Martínez se dedicaram aos assaltos para apoiar os presos comuns. Martínez, preso desde a adolescência, faria parte da Coordenadora de Presos em Luta da Transição. Após sua libertação participaria em vários assaltos na Espanha e Portugal para “apoiar economicamente os companheiros que haviam ficado dentro”. Sua vida está contada no livro de Eduardo Romero “Autobiografia de Manuel Martínez”.

Assim como seus predecessores, os expropriadores não gozaram de muito boa impressão no seio da CNT. A maioria de sua militância desaprovava suas ações ao entender que fora da conflitividade laboral, era muito complicado assumir atos violentos. Ademais, os assaltos, o uso de armas e o critério das ações destes grupos, supunham um sério prejuízo para a organização, que se via envolvida em assuntos que não emanavam de seu seio, de muito difícil justificação e que lhe traziam grandes dores de cabeça, tanto internos como frente à polícia e a imprensa. A atitude distante, e inclusive beligerante, da Confederação para com este tipo de ações, deu lugar à recriminação de organizações como a FIGA, que denunciavam que enquanto a CNT santificava figuras como a de Durruti, abandonava a sua sorte aqueles militantes que continuavam sua senda.

Haveriam de chegar os anos 80 para que da mão do que hoje é a CGT, os militantes de ação e os expropriadores tivessem um abrigo sob o qual apegar-se com o aumento da repressão. Foi nesta década ademais quando, paulatinamente, estes grupos começaram a entrar em declive, ainda que seus ecos se fizeram sentir até bem entrados os anos 90. O aumento da segurança nos bancos, o incremento dos meios policiais e a definitiva desaparição das perspectivas revolucionárias, se conjugaram para cercear a capacidade operativa, as perspectivas de êxito e o relevo geracional dos Durrutis da Transição.

Fonte: https://www.nortes.me/2020/11/20/expropiadores-anarquistas-los-solidarios-de-la-transicion/?fbclid=IwAR1WTxV-FO1MfLNEBFl63g3aVsTe4OA01mOG7AEXUwryud83vZCahkEaglg

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Possuí
tomei posse –
poções mágicas.

Jandira Mingarelli

“Eleitor, escuta!”, experimento cênico online

Olá, aqui é o João Raphael Alves.

Hoje, 26/11, estreio o experimento cênico online ELEITOR, ESCUTA! e estou passando para te convidar a participar. Um convite gratuito.

ELEITOR, ESCUTA! parte do texto original do anarquista Sébastien Faure mas não pára por aí. Propõe uma reflexão sobre a alternativa da democracia representativa e sobre o papel do Estado na sociedade contemporânea.

“O diálogo, a cooperação, a paz são demasiado preciosos para continuarem entregues, quase exclusivamente, ao exercício político.”  – José Saramago

ELEITOR, ESCUTA!

Com João Raphael Alves | Texto Sébastien Faure

Quintas-feiras, 20h | Estreia 26/11

Mais infos: 21-98714-7040

4º CRIADOR – Espetáculos e Espectadores Engajados

Idealizado por João Raphael Alves, o espaço digital 4º CRIADOR se propõe a ser um local que reúna experiências de teatro online com conteúdo engajado. Espetáculos e Espectadores sejam todos bem vindos!

Clique aqui para reservar seu ingresso gratuito para a estreia:

https://www.sympla.com.br/eleitor-escuta-2611__1039523

(ingressos limitados)

agência de notícias anarquistas-ana

vento nenhum
parou para ouvir
o silêncio da noite

Alexandre Brito

Vídeo | Ato Antirracista em Porto Alegre (RS)

Na segunda-feira, 23 de novembro de 2020, em Porto Alegre, um novo ato antirracista em revolta contra a morte de João Alberto Freitas foi duramente reprimido pela polícia, que emboscou manifestantes no Morro da Cruz. A polícia então rendeu manifestantes, invadiu casas e espalhou o terror.

Pelo fim do Estado policial e racista!

#VidasNegrasImportam #ACAB #FimDaPolícia

>> Veja o vídeo aqui:

https://kolektiva.media/download/videos/9d5397bd-22d6-4f2f-aaa6-08a5c1ae81d0-1080.mp4

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/23/porto-alegre-rs-nao-foi-um-ato-foi-uma-acao-de-hostilidade-contra-o-racismo/

agência de notícias anarquistas-ana

depois de horas
nenhum instante
como agora

Alexandre Brito

[Grécia] Estrutura de solidariedade na okupação LK37

Nas ruas desertas de Kypseli… distribuição de alimentos e outros itens para pessoas necessitadas. Apoiar as estruturas auto-organizadas de solidariedade ativa e de apoio mútuo. Tudo o que temos é um ao outro. Só o povo salva o povo. Diante da doença, da fome e da repressão, a sociedade vencerá! Tudo para todos!

SOLIDARIEDADE É NOSSA ARMA!

Okupa Lelas Karagianni 37

agência de notícias anarquistas-ana

Gripe forte? Não!
Apenas adormeci
entre espirradeiras.

Leila Míccolis