[Espanha] CSO Kike Mur em luta

Durante os próximos 4 anos, uma coalizão de franquistas, reacionários e neoliberais vai governar em Zaragoza. Um dos objetivos principais desta coalizão é destruir todo o tecido social e associativo, os espaços autogestionados e qualquer sinal de luta e liberdade em nossa cidade. Devemos ser conscientes da difícil situação que viveremos e defender-nos, apoiar-nos e cuidar-nos entre todas para sermos capazes de enfrentá-los.

O Centro Social Okupado Kike Mur está há 9 anos dando vida a um espaço tão lúgubre como é o cárcere no qual foram torturadas e assassinadas nossas avós e avôs. Cremos que a mínima homenagem que podemos brindar à memória de tantos lutadores e lutadoras é continuar na luta, seguir seu exemplo e enfrentar os herdeiros do fascismo que os assassinaram e que desde 1939 nunca abandonaram o poder mas que hoje em dia regressam com sua cara mais explícita.

Durante os 9 anos de vida do CSO Kike Mur se realizaram inúmeras atividades solidárias para apoiar a companheiras represaliadas tanto no Estado como em outras partes do mundo, se deu espaço a cooperativas de agricultura ecológica, assembleias de trabalhadores, mercados de troca, intercâmbio de brinquedos, cooperativas de consumo, assessoramento para a moradia, mercado social e coleta de roupa para pessoas refugiadas. Também foram dadas aulas de violão, baixo, inglês, costura e de reforço escolar, todas elas gratuitas. Da mesma forma dispomos de uma loja grátis na qual qualquer pessoa pode vir e pegar livremente o que necessite, uma horta comunitária e uma biblioteca anarquista. Queremos ser um amplificador e um lugar de apoio para as lutas em curso e gerar novas lutas e espaços de confronto e conflito contra o Estado e o capitalismo, por isso o CSO Kike Mur sempre esteve e estará aberto aos coletivos que necessitem de um espaço físico ou apoio logístico para levar a cabo suas lutas.

O CSO Kike Mur está no ponto de mira do poder desde que abriu suas portas; seus constantes ataques políticos, jurídicos, policiais e midiáticos nos reafirmam em nossos princípios e nos proporcionam a garantia de que estamos no caminho correto. Somos conscientes de que uma das medidas prioritárias que o novo governo municipal vai adotar (assim como o explicitaram em seus programas eleitorais) vai  ser o desalojo do CSO Kike Mur, não podem permitir que o cárcere que Primo de Rivera inaugurou e que serviu durante mais de 80 anos para reprimir as liberdades e as vidas de nossos avôs e avós hoje em dia tenha se convertido em um espaço liberado.

Desde hoje o CSO Kike Mur se encontra em perigo de desalojo, e isso pode ocorrer a qualquer momento. Os animamos a estar alerta e a participar massivamente nas convocatórias de resposta que se realizarão se acontecer dito desalojo. Estamos decididas a defender nossos espaços com unhas e dentes, devem saber que desalojar nossos sonhos não sai grátis e que se querem nos declarar a guerra nos encontrarão nas ruas mais fortes e determinadas que nunca.

Por último, queremos expressar nosso máximo apoio e solidariedade com as companheiras e companheiros do CSC Luis Buñuel e com os múltiplos espaços autogestionados ameaçados tanto em Zaragoza como no resto do Estado. Estamos na mesma luta e se nos tocam a uma nos tocam a todas.

okupa.noblezabaturra.org

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Manhã gelada —
Duas borboletas azuis
voam pelo jardim.

Guin Ga Eden

[EUA] Atuemos por Mumia agora mesmo!

ATUEMOS AGORA MESMO PARA SALVAR A VISTA DE MUMIA ABU-JAMAL E EXIGIR SUA SAÍDA DA PRISÃO!

A vista de Mumia se deteriorou rapidamente. Se confirmou que atualmente sofre condições que a ameaçam gravemente. Isto inclui glaucoma, um desprendimento vítreo e cataratas em ambos olhos. Esta ameaça põe em grave perigo sua vida e seu bem-estar, assim como sua profissão jornalística.

Um oculista externo recomenda procedimentos cirúrgicos para extirpar as cataratas em ambos os olhos, mas o médico da prisão SCI-Mahanoy, Courtney Rodgers, está atrasando a programação dos exames necessários e as cirurgias com seu oftalmologista externo. Rodgers trabalha para “Correct Care Solutions”, uma notória empresa médica envolvida em prisões com fins de lucro e centros de detenção de imigrantes. Segundo o Projeto de Supervisão do Governo, a empresa foi demandada ao menos 1.395 vezes com queixas sobre uma variedade de acusações, que incluem homicídio culposo, negligência e atenção médica inadequada.

Enquanto isso, Mumia enfrenta uma lesão nervosa crescente em seus olhos. Não pode ler nem fazer outras coisas que requeiram uma visão normal. Esta demora lembra dos anos de demora que viveu em espera para receber tratamento para a hepatite C. No momento em que um tribunal federal finalmente obrigou o Departamento de Correções (DOC) a que o tratasse com a cura da hepatite C, já era demasiado tarde para prevenir a cirrose hepática.

Os africanos americanos têm 1.5 vezes mais probabilidades de desenvolver cataratas que a população em geral e cinco vezes mais probabilidades de desenvolver cegueira relacionada com elas.

Não só é questão de que sua saúde geral está se deteriorando já que Mumia está ameaçado pela cegueira permanente, mas que a negação do DOC de oferecer a atenção imediata que requer é um castigo cruel e inusual, especialmente por que Mumia é um homem inocente que está injustamente encarcerado há quase quatro décadas.

Tendo em conta suas múltiplas enfermidades e a ameaça de cegueira, exigimos que os funcionários da Pensilvânia permitam agora uma “liberação compassiva” real e humana, não a “liberação compassiva falsa” das transferências da prisão às instalações de cuidado que a Pensilvânia só outorgará quando um prisioneiro está a um ano de morrer. A família, amigos e simpatizantes de Mumia estão prontos agora para brindar-lhe a atenção médica que necessita quando chegue em casa.

Mumia não está só suportando estes ataques cruéis e incomuns contra a saúde das pessoas idosas e enfermas detrás dos muros da prisão. Segundo as estatísticas do Escritório de Justiça, mais de 130,000 dos prisioneiros estadunidenses são pessoas idosas, um aumento de 400% entre 1993 e 2013. Mumia mesmo notou o número significativo de pessoas reclusas em sua própria prisão que sofrem enfermidades similares que ameaçam a vida e que requerem atenção imediata. Em todo o país, os presos velhos vivem uma viagem tortuosa até o final de suas vidas sem nenhuma “liberação compassiva”. Uma vez mais, enquanto lutamos pelo direito de Mumia ao tratamento e por sua liberação, lutamos pela liberação de todos os presos e presas das condições cruéis e incomuns do encarceramento massivo.

Mumia Abu-Jamal deve receber uma cirurgia de cataratas de imediato!

Mumia deve ser posto em liberdade agora mesmo, não só porque pode receber uma melhor atenção médica fora da prisão, mas porque é um homem inocente!

ATUEM

1. Assinem a petição –https://bringmumiahome.us3.list-manage.com/track/click?u=41813959c5e8470c91faf3ab3&id=e2e75f7534&e=6ab55cfe8b

2. Telefonem a: Dr Courtney P. Rodgers – 001-570-773-2150 e a Superindentente na prisão SCI Mahanoy, Theresa A. Delbalso – 001-570 – 773-2158

Digam-lhes que aprovem a cirurgia de cataratas para Mumia Abu-Jamal de imediato. [Em inglês: Approve cataract surgery for Mumia Abu-Jamal immediately.]

3. Telefonem a: Governador da Pensilvânia Tom Wolf – 001-717-787-2500; Secretário do DOC da Pensilvânia, John Letzte – 001 -717 – 728 -2573; Promotor da Filadélfia Larry Krasner – 001- 215-686-8000

Digam-lhes que liberem Mumia Abu-Jamal AGORA porque pode receber uma melhor atenção médica fora da prisão e porque é um homem inocente. [Em inglês: Free Mumia Abu-Jamal NOW because he can receive better medical care outside the prison and because he is an innocent man.]

Fonte: https://amigosdemumiamx.blog/2019/06/19/actuemos-ahora-mismo/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

outro assobio
escuto os passarinhos
sem dar um pio

Ricardo Silvestrin

[Espanha] Chamado à resistência em Fraguas

Fraguas Resiste

Perigo iminente de despejo, demolição e prisão de 6 pessoas do povoado de Fraguas. Não podemos permitir isso. Fazemos um chamado às jornadas de resistência indefinidas com o fim de parar essas coisas. Isso só pode ser interrompido se houver uma afluência maciça de pessoas dispostas a defender o projeto.

Não há uma data concreta para a demolição, mas há muitos preparativos a serem feitos e precisamos de ajuda. Pretendemos utilizar técnicas de resistência pacifica e desobediência. Eles querem destruir a autonomia, a vida comunitária, a auto-suficiência, a autogestão, o mundo rural, seus habitantes e a cultura tradicional.

Eles querem manipular com tudo à vontade, a sociedade civil tem que dizer basta. Com toda a humildade, queremos invocar o espírito de outras lutas como as de Sasé, as Zad, Hambach e muitas outras histórias de resistência que, embora nem sempre mantiveram o espaço, servem como sementes ou inspiração para todos e todas.

Eles querem prender 6 pessoas por crimes que foram cometidos pelo governo franquista, usurpando as casas e terras de seus legítimos donos e mudando o arranjo territorial que teve por mais de 5 séculos. Aprisioná-los como especuladores imobiliários é uma piada de mau gosto, quando corruptos e especuladores estão nos tribunais.

Para todas as pessoas que já vieram alguma vez à Fraguas, ou se nunca vieram e querem vê-la viva, essa é hora de vir e defendê-la, se você esperar, pode ser tarde demais. Agora ou nunca. Um abraço a toda a galera e viva a autogestão.

Traduza e divulgue este texto, e vá para Fraguas.

fraguasrevive.blogspot.com

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agência de notícias anarquistas-ana

A vó encolhida
perto das brasas acesas…
Espanta seu frio.

Iraí Verdan

[Espanha] “Meu nome é Albert Einstein e eu também sou revolucionário, um antiautoritário”

Albert Einstein visitou Barcelona

Em fevereiro de 1923, Albert Einstein visitou Barcelona a convite do Mancomunitat (o precursor da Generalitat, o governo catalão, que foi restabelecido em 1932) para dar uma série de palestras patrocinadas explicando sua teoria da relatividade. Na chegada, ele insistiu em encontrar – e dar palestras para – membros da CNT, o sindicato anarco-sindicalista. O seguinte relato da visita de Einstein a Barcelona foi extraído de “¡Pistoleros! 3: 1920-24. The Chronicles of Farquhar McHarg”.

Eu dividia um quarto alugado em cima de um bar na Carrer Cadena com dois editores do jornal Soli, Liberto Callejas e Irenofilo Diaro. O bar foi alugado a um chef chamado Narciso, um companheiro que o assumiu após o colapso da grande greve dos garçons em 1919. Nós comíamos lá também – três vezes por dia, as refeições sendo incluídas no aluguel – e dormíamos em camas de acampamento dobráveis durante o dia.

Eu estava trabalhando para uma empresa de engenharia em Barceloneta como fabricante de ferramentas, mas eu passava a maioria das noites traduzindo e escrevendo para a seção de notícias internacionais do Solidaridad Obrera. Os escritórios editoriais do Soli mudaram para o número 58 da Conde del Asalto (agora o Nou de la Rambla), no coração do Quinto Distrito, ao qual agora se refere na imprensa como China Town,o barri Xino. Eu também estava ajudando na Crisol! mas esse era um trabalho muito menos exigente.

Foi no escritório do Soli em Asalto que conheci Albert Einstein, o grande físico teórico que visitava Barcelona em uma excursão de palestras patrocinada por Esteve Terradas, engenheiro, simpatizante da CNT e proeminente maçom Gran Oriente. Terradas, um entusiasmado defensor das escolas racionalistas, trouxe Einstein de Berlim para dar uma série de palestras sobre sua recém-publicada e muito falada teoria da relatividade.

Einstein chegou com sua esposa, Elsa, no final de fevereiro, e como ele não era uma celebridade naqueles dias, poucas pessoas sabiam que ele estava na cidade até os cartazes aparecerem anunciando suas palestras no Ateneu Sindicalista na Carrer Mercader e no Ateneu Racionalista Sants na Carrer Vallespir.

“Os pais da cidade e homens da ordem” ficaram chocados quando souberam que o grande físico estava esbarrando com anarquistas e cenetistas. Mas isso não era tudo… Ele havia se hospedado em uma antiga pensão em ruínas, o Grande Hotel das Quatro Nações – o Quatro Nações – no número 35 de Las Ramblas, na esquina da Escudellers com a Plaça del Teatro. Os pais da cidade tentaram movê-lo para o Ritz, mas Einstein não aceitou, insistindo que preferia permanecer onde estava. Quando lhe perguntei o que havia de tão especial naquele hotel em particular, ele disse que queria ficar ali, porque era onde Michael Bakunin havia se alojado em 1869, pouco antes da revolta de Lyon e da Comuna de Paris. Einstein era um admirador de Bakunin e pedira especificamente o antigo quarto do anarquista russo. Fico imaginando o que a esposa dele achou do hotel ou do quarto; não havia mudado muito nos cinquenta anos que se seguiram – não que as opiniões de sua esposa parecessem importar muito para ele.

O primeiro ponto da escala de Einstein após o check-in na Quatre Nations foi o escritório do Soli, onde ele me encontrou escrevendo minha coluna. Ele entrou, inesperadamente e sem avisar, pedindo para falar com Ángel Pestaña. No começo eu não sabia quem ele era e supus, por causa de seu case de violino e aparência desgrenhada, que ele era um músico de rua ou de café. Ele estava com quarenta e poucos anos na época, mas mesmo assim ele tinha um ar de distração permanente – de outro mundo – sobre ele. Ele usava um terno de lã marrom surrado com um cardigã, uma camisa branca com gola alta de plástico e uma gravata vermelha encimada por um cabelo castanho desgrenhado e despenteado que crescia em todas as direções, dando a impressão de que alguém tinha enfiado um eletrodo de 2.000 volts em sua bunda. Seu cabelo já estava grisalho nas têmporas e nas raízes – assim como o bigode caído, e seu rosto redondo e alegre exibia uma expressão de permanente e agradável surpresa; e seus olhos brilhavam com malícia e humor.

Um brinde! ele disse, segurando minha mão calorosamente com as duas mãos. “Por favor permita-me apresentar-me. Meu nome é Albert Einstein e eu também sou revolucionário, um antiautoritário: sou o valente e destemido suábio original. Vocês, anarquistas e anarco-sindicalistas, da CNT, também são valentes suábios, revolucionários das ruas; eu, no entanto, sou um revolucionário da nova geração operando no campo da física quântica e vou desaprovar os teóricos quânticos reacionários e levar a bandeira da revolução quântica para um território cada vez mais estranho e fornecer a síntese triunfante final da teoria do campo unificado”.

Eu olhei para ele sem expressão, estupefato, e – estou com vergonha de admitir – tudo em que eu conseguia pensar para dizer ao grande homem era: “Sério?” Fascinante! Deseja um café?

Pestaña não estava, então expliquei brevemente quem eu era e o que estava fazendo em Barcelona, e me ofereci para levá-lo aos escritórios do sindicato na vizinha Carrer Nou, onde provavelmente o encontraríamos. Nós nos demos muito bem e conversamos como velhos amigos enquanto caminhávamos. A razão pela qual ele queria se encontrar com Pestaña era porque seus amigos anarquistas em Berlim – Rudolf Rocker, Fritz Kater e Augustin Souchy – disseram que ele era a melhor pessoa para explicar o que estava acontecendo na Espanha.

Foi um prazer estar com Einstein – simpático e solidário com tudo o que estávamos fazendo. Conversamos durante horas no escritório de Pestaña antes de sair para jantar. Foi uma noite memorável, cheia de pequenos insights sobre o universo físico e metafísico – e o próprio homem.

“É bom estar em algum lugar onde ninguém se incomoda com a física quântica” foi um de seus comentários mais memoráveis de que me lembro. Ele amava suas salsichas e música, sem nenhuma ordem particular de preferência, então escolhemos o restaurante para o qual o levamos para o seu chouriço e quarteto de cordas residente, que agradava enormemente o “destemido suábio”. Como ele disse, “salsichas finas nutrem o corpo e boa música alimenta a imaginação”. Na verdade, ele ficou tão empolgado quando viu que o restaurante tinha uma orquestra que pulou no palco com seu violino e implorou aos músicos que o deixassem participar. O que eles poderiam dizer? Não demorou muito para que percebessem o erro, mas todos – plateia e músicos – levaram sua contribuição ao entretenimento noturno sem críticas e com bom humor, e aplaudiram de pé no final, provavelmente para tirá-lo do palco. Sua atuação era apavorante e ele parecia totalmente inconsciente de sua falta de talento musical. Einstein pode ter sido capaz de prever a curvatura da luz das estrelas pela distorção do espaço ao redor do sol, mas ele era uma merda no violino.

Einstein era uma dessas pessoas com uma teoria e opinião sobre tudo, não apenas sobre a relatividade, mas nunca era chato ou pedante – mesmo sobre seu pacifismo. Sua conversa foi fascinante, e ele falou entusiasmado sobre sua aversão ao poder do Estado e todas as formas de arregimentação. “A política”, disse ele, “é para o presente, mas nossas equações são para a eternidade”. A única coisa sobre a qual ele não tinha uma teoria, até então, era o que ele chamava de einheitliche Fieldtheorie, uma teoria unificada sobre tudo – mas ele estava trabalhando nisso.

Durante o jantar, ele explicou como a ideia da relatividade havia chegado até ele. Aconteceu enquanto sonhava em viajar em um raio de luz. Ele descreveu como um dos seus momentos ‘Aha!’, quando as “pequenas células cinzentas do cérebro” de repente têm um grande avanço. “Insights explodem em você quando você menos espera”, ele observou, “quando você pensa que o cérebro desistiu do grande problema com o qual você está lutando e você se vê distraído e pensando em algo completamente desvinculado”.

Outro daqueles momentos ‘Aha!’ o levaram a aplicar sua teoria da relatividade à gravidade. Essa epifania em particular ocorreu um dia depois do almoço, enquanto ele olhava distraidamente pela janela do escritório de patentes onde trabalhava. Do outro lado da rua, viu um telheiro empoleirado precariamente no telhado de um edifício alto. De repente, ele teve um flashforward de um homem caindo – e embora mesmo que fosse um pensamento doentio causou pânico, ao mesmo tempo, ele encontrou-se calculando, incongruentemente, que até que o momento em que o homem batesse no chão ele não saberia de seu próprio peso. Ele descreveu aquele momento como uma “perfeita certeza”; um pensamento inspirado que ele considerava o mais feliz de sua vida até agora. Tudo é relativo, suponho.

“O ponto mais amplo da história”, disse ele, “é que, se você acha que chegou ao impasse, a melhor maneira de pensar em todos os problemas – sejam eles matemáticos, científicos, políticos, éticos, morais ou domésticos – é caminhar longe deles. Quando parece que você não pode conseguir mais nada, você deve encontrar uma maneira de se distrair, talvez passeando com o cachorro se tiver um. A resposta, meus amigos” – concluiu ele triunfante – “chegará quando você menos espera e verá a mesma coisa de uma maneira completamente nova. Quando isso acontecer, você nunca mais voltará!”

Tradução > Abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

planando no azul,
acima de tudo, calmas,
nuvens de outono…

Yá-Yá

[Espanha] Lucio Urtubia: “Era uma honra e um prazer roubar bancos”

Diz Albert Boadella que “Lucio é um Quixote que não lutou contra moinhos de vento, mas contra gigantes de verdade”. Pedreiro de profissão, o hoje ancião Urtubia foi definido por amigos e inimigos como um moderno Robin Hood que roubava os ricos para dar aos pobres: durante os anos 60 se dedicou a esvaziar bancos mas jamais derramou uma gota de sangue. Finalmente, deixou o “ofício” porque queria evitar que algum empregado saísse ferido.

Como passou ao outro lado da lei?

Nasci pobre na Espanha dos anos 30. Nos matavam de fome! Nem alpargatas tínhamos. Com 12 ou 13 anos já me levavam ao cárcere por fazer simples travessuras.

E decidiu colocar-se fora da lei.

Minha mãe não podia pagar a multa de cinco pesetas, e ali ficava. Mas não guardo rancor de ninguém. Não sei odiar.

Fez a guerra à sociedade.

Não, na verdade me empurraram para defender-me. Desde menino, cruzava a fronteira hispano francesa com meus irmãos para fazer contrabando por sobrevivência. Depois, na mili, esvaziei um armazém da companhia e tive que fugir à França.

Em Paris conhece Breton, Camus…

Mas nunca esqueci minhas origens: comecei a trabalhar como pedreiro, que foi a profissão de minha vida. Me aposentei no canteiro de obra.

Não a deixou nem depois de roubar seu primeiro banco?

Esse dinheiro era para causas justas, jamais para mim. Era uma honra e um prazer esvaziar o caixa! Isso sim, sem fazer mal a ninguém, nisso fui inflexível.

Quem lhe ensinou o ofício?

Durante algum tempo, tive ao maquis Quico Sabaté alojado em minha casa. Eu era uma esponja escutando-o. Foi um maestro para mim.

Também herdou sua metralhadora Thompson.

Sim, a usava em meus assaltos. Às três era um pobre obreiro com as mãos sujas e às cinco era milionário. Fazia essas coisas por pura ignorância: era um inocentão. Uma criança como eu, tão idealista, ia cagado e mijado assaltar.

Que fazia com o dinheiro?

Financiava as pessoas sem recursos, organizações de luta política, ações sociais, sindicatos, manifestações… Jamais me sobrou nem um duro.

Nunca feriu ninguém?

Por sorte, jamais derramei uma gota de sangue. Quando conheci outra forma de recuperar meios ao capitalismo, deixei os bancos.

Se refere a falsificar dinheiro?

Me refiro a falsificar o que fizesse falta. Por meio da embaixadora de Cuba, conheci o Chê Guevara em 1962 e lhe propus um plano de falsificação de dólares em grande escala.

Caramba! Que disse o Che [Guevara]?

Me desiludiu. Não acreditou em minha ideia. Mas se veria depois: ao final, o Che foi um pobre-diabo: um coroinha a serviço de Fidel Castro, que era um homem perverso. Todos os governos do mundo são criminosos!

Se o senhor diz…

Não digo eu, mas Maquiavel: não há governo sem crime. E esses senhores se tornaram os donos de Cuba. Para quê? Para ter sua fazenda particular. Isso é a revolução? Claro que não!

Ainda se sente libertário?

Jamais dei um passo atrás em minhas ideias. Creio na possibilidade real de acabar com as injustiças sociais. E digo aos jovens que se atrevam a mudar o mundo.

Pobres! Bastante tem com sobreviver.

Muita história é o que há! Menos choramingos! Faz duas semanas, esteve em minha casa Enric Durán, o Robin dos Bancos que levou quase meio milhão de euros. Admiro esse moço.

A polícia o elogiou quando o deteve.

A mim acontecia o mesmo: os agentes me transmitiam sua admiração por meu idealismo e por respeitar a vida das pessoas. A isso o chamo fazer as coisas bem!

>> Esta entrevista de David Barba deveria aparecer contra de La Razón mas foi censurada por Frank Marhuender por… bom, por motivos evidentes. Barba foi despedido, ou melhor, esquecido pelo jornal depois deste episódio, em 2010, assim que lhe pedi a entrevista para que apareça em Strambotic, onde os anarquistas que roubam bancos para distribuir o botim sempre tem lugar.

Mais informação sobre Lucio em Wikipedia: es.wikipedia.org/wiki/Lucio_Urtubia

Fonte: https://blogs.publico.es/strambotic/2019/06/entrevista-lucio-urtubia/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques

Chamado para uso e participação: Biblioteca Anarquista Lusófona

A Biblioteca Anarquista Lusófona é um local de armazenamento de textos anarquistas e textos de interesse para anarquistas. Baseia-se no projeto The Anarchist Library (theanarchistlibrary.org), tendo a mesma estrutura do site em inglês.

No âmbito do nosso uso do termo “anarquismo”, temos sido bastante amplos, mas amplo não significa infinito, e basicamente se reduz a um conjunto de ideias contra o Estado e o Capital. Isso exclui imediatamente o chamado “anarco-capitalismo”, o “anarco-nacionalismo” e porcarias similares.

O que há de tão especial neste site?

Muitas vezes, você pode encontrar os textos hospedados aqui em outros sites que também pretendem ser bibliotecas digitais, e muitas vezes os textos são retirados deles (a fonte é sempre listada). Mas essa biblioteca fornece (juntamente com a versão on-line de cada texto) um ou mais PDFs de alta qualidade em vários tamanhos e formatos, bem como suas fontes de texto simples e uma versão EPUB para plataformas móveis. Encorajamos ativamente a impressão por conta própria e a distribuição dos textos, então você tem a versão “para impressão” para A4: apenas imprima frente e verso, dobre e prenda, e o livreto está pronto.

O site fornece uma maneira para distribuidores e amizades alterarem o layout dos PDFs e criarem coleções com qualquer número de textos. Veja mais na página do construtor de livros.

O site também fornece um mecanismo de pesquisa avançada.

Todos esses recursos vêm com alguma responsabilidade para as pessoas que querem contribuir para a biblioteca. O site fornece algumas ferramentas (dentro da interface da web) para facilitar esse processo, mas ainda é necessária alguma atenção e alguns cuidados. Por favor, certifique-se de ler o manual se você pretende se juntar ao projeto.

Entre em contato pelo email: analusoteca@riseup.net

Biblioteca Anarquista Lusófona

https://pt.anarchistlibraries.net/special/index

agência de notícias anarquistas-ana

As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Itália] Anarquistas interrompem a missa do arcebispo na Catedral de Turim em solidariedade com as prisioneiras grevistas de fome Silvia e Anna

Dezenas de anarquistas invadiram a Catedral de Turim durante a celebração da missa de Corpus Christi na noite de quinta-feira, 6 de junho. Os ativistas entraram na igreja um de cada vez e depois interromperam a homilia do arcebispo Cesare Nosiglia gritando palavras de ordem e distribuindo panfletos em solidariedade a duas prisioneiras anarquista da prisão de L’Aquila em greve de fome, Silvia Ruggeri e Anna Beniamino. Agentes da Digos (Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais) e uma patrulha da polícia intervieram para expulsar os manifestantes da catedral. O grupo então seguiu para Porta Palazzo e tentou entrar no Mercado Central, mas foi bloqueado. Uma equipe do departamento móvel da polícia e uma patrulha da Digos chegaram ao local e identificaram 30 anarquistas, em sua maioria ligados à espaços ocupados da cidade.

O protesto

Nos panfletos distribuídos na igreja, poderia se ler: “Feche imediatamente a seção das mulheres de alta segurança da prisão de L’Aquila. Nem Silvia nem Anna nem nenhuma outra prisioneira naquela tumba!”. O protesto se refere às condições de Silvia e Anna, detidas na prisão de L’Aquila e que já estão há vários dias em greve de fome para solicitar a transferência e o fechamento da asquerosa seção AS2 das mulheres. Silvia foi presa em 7 de fevereiro durante o despejo do antigo Asilo Occupato na Via Alessandria, em Turim. Anna foi presa em 6 de setembro de 2016 como parte da operação Scripta Manent.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/20/italia-declaracao-de-silvia-e-anna-sobre-o-inicio-de-greve-de-fome-na-prisao-de-laquila/

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Ela já desponta
mesmo antes da floração –
violeta brava.

Shiba Sonome

 

[Espanha] Mais de 20 anos de prisão por lutar contra a exploração laboral

8 integrantes da CNT Xixón e simpatizantes enfrentam a mais de 20 anos de prisão e 60.000 euros de multa acusados de um delito contra a Administração de Justiça e outro de coações.

Os fatos remontam a 2017, quando fizeram a um conhecido empresário explorador da cidade múltiplos piquetes em seu negócio, além de campanhas de agitação denunciando a situação na qual tinham trabalhando uma empregada.

Por estas ações, por demonstrar que um sindicalismo combativo é possível, se iniciou contra dita organização uma campanha de perseguição e destruição na qual ainda está imersa.

Desde o Comitê queremos mostrar todo nosso apoio e solidariedade com os processados; logo começaremos com as ações por sua absolvição, porque se nos tocam a um, nos tocam a todos!

A arma da obreira, a solidariedade!

CNT Xixón, absolvição!

Fonte: https://comiteasturiespolaamnistia.wordpress.com/2019/06/15/mas-de-20-anos-de-prision-por-lluchar-escontra-la-esplotacion-llaboral/?fbclid=IwAR3j8ZKVmCChCRyyKouFdsnKKcYiLddp5FLtjVpNMIg2ZwcEz7lM-55cs34

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agência de notícias anarquistas-ana

Hermética música
há no silêncio da lágrima
que salga o mar.

Fred Matos

[França] Agressão fascista contra Yannis Youlountas

Militante libertário, cineasta e debatedor reconhecido, nosso camarada Yannis foi hospitalizado após ter sido atacado por três neonazis em Pireu.

A União Comunista Libertária soube nesta sexta 14 de junho da agressão contra nosso camarada Yannis Youlountas por neonazis quando ele saía do Centro Social Autogerido “Favela”, em Pireu (Grécia). Nossos pensamentos de apoio são diretamente endereçados a ele, tanto quanto à Maud, sua companheira e a todos os seus amigos, sobretudo seus camaradas de luta no bairro de Exarchia, em Atenas, bairro popular e lugar de lutas sociais onde Yannis repousa em segurança e onde ele se recupera dos ferimentos, felizmente, leves.

Nós sempre cruzamos o percurso de Yannis nas lutas em que travamos. Ele propaga incansavelmente através de suas intervenções as ideias libertárias, anticapitalistas e autogestionárias informando e popularizando as lutas autônomas praticadas pelos camaradas anarquistas na Grécia.

Seu trabalho de caráter antifascista nos levava regularmente a reencontrá-lo e a debater nos diferentes quadros como lutar conjuntamente, como nas campanhas identitárias no Mediterrâneo e nos Alpes, ou mais recentemente em apoio aos camaradas do grupo Rouvikonas.

Após a morte de Clément Méric há seis anos, as agressões fascistas contra imigrantes ou contra os militantes antifascistas são cada vez mais presentes. Elas se multiplicaram nesses últimos tempos com ataques contra passeatas revolucionárias no meio dos Coletes Amarelos (entre outras em Paris, Lyon, Bordeaux e Toulouse). Mais recentemente, foi um camarada da livraria Publico da Federação Anarquista que foi agredido à faca.

Esta sucessão de ataques é mais que inquietante no momento que a extrema direita chega ao poder em numerosos países. Mas elas não devem frear o reforço da luta antifascista e contra o capitalismo, como por exemplo a mobilização contra as reformas previdenciárias ordenadas pelo governo de Bolsonaro no Brasil.

Na Grécia, na França, no Brasil, como em todos os lugares, a luta antifascista é internacional!

União Comunista Libertária (UCL), 15 de junho de 2019

Fonte: http://www.alternativelibertaire.org/?Grece-Agression-fasciste-contre-Yannis-Youlountas

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Tarde fria de junho —
Vejo, pela primeira vez
flores de cerejeira.

Tania Alves

[Espanha] Campanha de Crowdfunding para editar o livro “Os emissários do nada. Uma história do niilismo russo”

Novidade editorial da La Rosa Negra “Os emissários do nada”. Trata da aparição e o desenvolvimento do niilismo do século XIX na Rússia.

Quem eram os niilistas russos?

Que papel desempenharam na Rússia czarista no século XIX?

Que influência eles tiveram sobre o anarquismo?

Os emissários do nada. A história do niilismo russo limpa estas questões e mostra as diferentes formas que o niilismo tomou em sua breve e intensa existência, num primeiro momento a corrente intelectual e mais tarde um movimento político armado.

O anarquismo sempre teve relações com o niilismo, como é o caso da influência de Proudhon sobre Nowo Sokolov, um dos primeiros teóricos que transpuseram as ideias anarquistas niilistas ao conceito do niilismo russo, rejeitando o Estado e toda a autoridade.

Bakunin estava em contato permanente com os niilistas russos exilados, formando grupos na Suíça, onde participava Sergey Nechayev, coautor junto de Bakunin, do Catecismo Revolucionário.

Além disso, não faltaram niilistas que assimilaram as ideias de Kropotkin, incorporando o comunismo anárquico ao niilismo.

Para essas saudáveis influências teóricas, teríamos que acrescentar uma obsessão niilista em crescer ao longo do século XIX pela violência, o punhal e a bomba. Os ataques contra a polícia, apunhalados até a morte em plena rua, faziam parte de uma cultura de sangue e violência que culminou, após várias tentativas e esforços organizacionais pelo grupo Narodnaya Volya, com o assassinato em 1881 do czar Alexandre II .

No entanto, seria injusto acreditar que o niilismo não era nada mais que terrorismo. Enquanto os niilistas estavam convencidos de que, eliminando o czar, eles seriam capazes de desencadear a instabilidade e o colapso do Estado, eles eram muito mais do que meros terroristas. Eles formaram um pensamento de caráter emancipador que submetia toda suposta certeza à crítica mais severa para ver se poderia resistir a ela, rejeitando, assim, todo a crença infundada, qualquer prejuízo ofuscante, toda a metafísica nebulosa e toda autoridade, procedesse de onde quer que fosse, que tratasse de suprimir o exercício da razão humana.

>> Mais infos da campanha, clique aqui:

https://www.goteo.org/project/los-emisarios-de-la-nada

Tradução > Liberto

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Seca de inverno
O olho d’água adormece
No ventre da terra

Neide Portugal

[Alemanha] Berlim: Com nossos corpos | Declaração em solidariedade com Anna e Silvia

Com nossos corpos

A história de Anna e Silvia é similar à de muitos outros prisioneiros que vivem em condições de extrema privação de sua liberdade, tanto física como mental: durante mais de dois meses estiveram presas na seção de alta segurança (AS2) da prisão de Águila, de um Estado que em sua pele se vinga de todos os atos e todas as palavras de rebeldia de milhares de companheiros e companheiras.

Mas sua história agora se converte em algo diferente.

Desde 29 de maio, Anna e Silvia decidiram iniciar uma greve de fome, um ato extremo de revolta em um regime carcerário que não permite nenhuma outra voz possível.

Anna e Silvia decidiram usar seus corpos para denunciar uma vez mais os atos de extrema tortura que se levam a cabo nos cárceres italianos.

Porque se a prisão é um sistema estruturalmente repressivo e alienante, o AS2 e o 41bis são a expressão mais vulgar e desumana, com privações extremas no tempo e no espaço, nas quais com muita facilidade se pode esquecer que ainda estão vivos.

Portanto, as companheiras decidiram gritar em voz alta que estão ali, que existem e resistem, apesar de que o Estado está buscando milhares de formas a cada dia de como matá-las.

E suas vozes ressoam mais além dos muros dessa prisão até o ponto de superar todas as fronteiras, para recordar-nos que a privação de sua liberdade nos concerne a todos e todas e depende de nós dar mais ressonância à suas vozes.

Nós, com elas, queremos gritar fortemente que nessa cela, sem comida nem dignidade, todos e todas estamos ali.

A solidariedade não conhece fronteiras, a solidariedade não se detêm.

Com Anna e Silvia no coração, e com os companheiros Stecco, Alfredo, Marco, Giovanni, Ghespe e Leo, em greve de fome para apoiá-las.

ENFRENTANDO A SOCIEDADE, PARA VIVER O SONHO DA LIBERDADE

Companheiros e companheiras anárquicos de Berlim

Fonte: https://roundrobin.info/2019/06/berlino-con-i-nostri-corpi-comunicato-di-solidarieta-per-anna-e-silvia/

Tradução > Sol de Abril

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Na erma pastagem
por onde as sombras avançam
flores de ipê roxo.

Teruko Oda

[Argentina-Espanha] Com espírito libertário

Texto e fotografia Franco Giorda | 26/05/2019

Carlos Taibo é autor de uma vintena de livros e professor de Ciências Políticas e de Administração na Universidade Autônoma de Madrid (Espanha). A partir de uma perspectiva libertária se dedicou ao desenvolvimento das ideias de “colapso” e “Decrescimento”, com as quais traz um diagnóstico e uma saída ao atual estado do sistema econômico. Por sua vez estudou a história da União Soviética e a Rússia atual, os movimentos sociais, o fenômeno do 15-M, os problemas ambientais e outras questões.

Esteve no Paraná e em Santa Fé entre terça e sexta-feira da semana passada para  apresentar seu livro Anarquistas de ultramar. Anarquismo, indigenismo e descolonização e participar do III Encontro Latino-americano e Europeu sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis (Euro Elecs). A primeira atividade foi organizada pelo Espaço Libertário Paraná e o segundo pela Universidade Tecnológica Nacional, a Fundação Eco Urbano e a organização brasileira Antac.

Entra as várias atividades realizadas,Taibo manteve um diálogo com 170 Escalones sobre sua mais recente publicação, a conjuntura internacional e o estado atual do anarquismo.

Em relação ao seu último livro, qual é a razão de conectar o anarquismo, o indigenismo e a descolonização, movimentos e problemas que, a primeira vista, parecem como contextos diferentes?

O ponto principal é uma carência do pensamento anarquista clássico. Do meu ponto de vista, o anarquismo do século XIX dedica muito tempo refletindo sobre a questão nacional e pouco faz sobre a questão colonial e creio que, por trás disso, o que existe é uma ideia de que a civilização ocidental é superior, e isso justifica sua expansão por todo o planeta. Uma ideia que nasce, e é importante destacar, da fantasia que no anarquismo do século XIX eles produzem a ciência, a tecnologia, o trabalho e a ideia de progresso.  A consequência é que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia foi produzido, antes de tudo, no mundo ocidental, o qual traz consigo a ideia de que a civilização correspondente é superior. Isso se traduz, por fim, em uma certa distância com relação aos povos indígenas que, em muitos casos, implantaram historicamente práticas de caráter libertário. Essa carência do mundo anarquista, com o passar do tempo, foi sendo suplantada, mas ainda assim creio que é preciso fazer uma descolonização definitiva no pensamento anarquista com a intenção de que, provavelmente, este último seja, entre os numerosos filhos da ilustração, o melhor preparado para assumir essa descolonização que creio que não tenha sido feita de maneira plena.

O que encontrou na sua indagação dos povo originários dos diferentes continentes que coincida com os princípios do anarquismo?

Em muitos casos, digo “muitos casos” pois existem realidades muito distintas, há sociedades com vocação francamente igualitária, que se organizam em assembleias às margens das estruturas tradicionais de poder, com uma repulsa expressa, orgulhosa e premeditada à instituição do Estado e com uma atitude extremamente respeitosa no que diz respeito ao meio ambiente, que desenha um horizonte muito diferente do nosso. Eu digo que as realidades são muito discrepantes. Antes que me pergunte, direi que essas sociedades também apresentavam problemas. Por exemplo, em muitos casos, identificavam de maneira muito rápida algo estrangeiro ao que é “nosso” que existia ao redor e com isso se assumia, com frequência, uma postura mais combativa. A condição das mulheres, muitas vezes, era de descriminação. Rita Segato afirma que na América pré-colombiana havia um patriarcado de baixa intensidade. O patriarcado não foi trazido pelos conquistadores europeus, já existia, mas não apresentava o perfil duro e contundente. Acrescento mais uma observação, porque eu mesmo estou cometendo um erro quando falo do passado. Muitas dessas comunidades sobrevivem. São realidades contemporâneas e isso é importante frisar.

Você mencionou o patriarcado e a postura mais combativa nos povos originários, e o que tem a dizer sobre a religião?

Em muitos casos estava ali presente, mas não sei se o termo “religião” em si nos guia ou nos confunde. Digamos que havia práticas ancestrais de cunho espiritual e eu não sou a melhor pessoa para qualificá-las. Em alguns casos, provavelmente, contribuíam poderosamente para esse cenário de sociedade igualitária e em outros não. Mas, certamente, estavam e estão presentes.

Relaciono o Encontro sobre Edificações e Sociedades Sustentáveis, o qual chegou a participar, à ideia de “decrescimento” que vem trabalhando bastante, o que você pode me dizer a respeito disso?

Sobre o decrescimento, é uma perspectiva que surgiu há algumas décadas de maneira simultânea na França e na Itália e que, em suma, diz que buscando riquezas para o hemisfério norte deixamos para trás o meio ambiente e os recursos do planeta, de tal modo que não há mais nenhuma alternativa, a não ser assumir o decrescimento no campo da produção e do consumo. É uma perspectiva que nos diz muitas coisas: por exemplo, que temos que recuperar a vida social que temos desperdiçado, obcecados como estamos pela lógica de produção e de consumo; que temos que repartir o trabalho; que temos que apostar em fórmulas de ócio criativo não mercantilizadas; que temos que reduzir as dimensões de muitas das infraestruturas que empregamos; que temos que defender a reconstrução da vida local em um cenário em que apareçam formas de democracia direta ou autogestão; ou, por fim, no campo individual, que temos que postular a sobriedade e a simplicidade voluntárias. Destaco que esta é uma perspectiva que surge nos países ricos para sua aplicação em países ricos, mas que tem muita relação, por exemplo, com a filosofia do “bem viver” de muitas comunidades indígenas na América Latina.

Você escreveu muito sobre a União Soviética e a Rússia…

Meu trabalho na universidade sempre foi esse.

Como você vê a era Putin?

Putin é um fenômeno muito singular que conseguiu unir as vontades de pessoas situadas no que, convencionalmente, chamamos de extrema direita e extrema esquerda. Penso que não contribui em nada genuinamente novo no campo político, econômico e social. É um conservador que dirige um país com uma veia autoritária muito poderosa, governado de fato pelas oligarquias que operam nas sombras e que conseguiu impulsionar a lógica imperial e o orgulho nacional que, creio eu, é muito falsa e equivocada, mas que explica porque produz certa fascinação, por exemplo, nos setores de esquerda que estão legitimamente obcecados com a hegemonia norte-americana e que anseiam que apareçam opositores. De tal maneira que preferem suplantar todas as demais questões em prol dessa contestação. Nesse sentido, admito que é um fenômeno interessante.

Como você qualifica o atual panorama da União Europeia?

O primeiro que se deveria fazer é se perguntar se este auge dos partidos de extrema direita, que é o código com o qual se descreve, realmente é o que é ou se estava ali presentes dentro dos partidos de direita tradicionais. Temo que isso foi o que ocorreu na Espanha. A União Europeia está em crise, isso é muito evidente, e não vislumbro nenhum mecanismo sério de resolução dessa crise em termos da lógica da UE; já não falo de minhas ideias, mais ou menos, radicais. Há tempestades por todos os lados. Há divergências muito agudas em termos de desenvolvimento entre a Europa mediterrânea e a mais setentrional. Há tempestades porque o desligamento do Reino Unido gera intermináveis polêmicas e não há o que fazer. Há tempestades porque há muito tempo existem governos de cunho nacionalista ultramontano como o húngaro que está em uma relação muito conflituosa com o resto. Há tempestades porque as políticas neoliberais difundidas por todos os governos vão gerando problemas sociais cada vez mais agudos, que tem hoje maior manifestação no movimento, muito interessante, dos Coletes Amarelos na França. Eu não percebo nenhum elemento de solução de todos esses problemas. De tal maneira que entendo que o futuro da União Europeia é muito obscuro. Acredito que não possa dizer outra coisa.

Como está o seu ponto de vista sobre a América Latina?

Minha tendência consiste, de novo, – em sintonia com o que disse antes a respeito dos partidos de extrema direita na Europa – em não me deixar levar em excesso por essa análise tão convencional da esquerda que diz que a América Latina vai mal porque as opções da direita tradicional obtiveram êxito na Argentina, no Chile e no Brasil. Essa postura supõe não levantar em consideração quais foram os erros dos governos de esquerda tradicionais. Eu acredito que para explicar o fenômeno (Jair) Bolsonaro no Brasil é absolutamente inevitável colocar o dedo na ferida de muitos dos elementos obscuros da política aplicada pelo partido do Lula, o PT.  Soa como se o Bolsonaro surgisse do nada e não tivesse relação nenhuma com um modelo extrativista e hiper desenvolvimentista, nem com a corrupção estendida. Então, por um lado, sou pessimista, porque não me deixo levar por esses vai-e-vens. Apesar disso, creio que os movimentos sociais latino-americanos são muito mais interessantes do que os que acontecem na Europa, uma sociedade castigada pela lógica mercantil do capitalismo. Ao mesmo tempo, penso que muitas vezes são movimentos muito incertos, visto que a esquerda tradicional é muito pouca criativa, por exemplo, em matéria de contestação ao produtivismo e ao desenvolvimentismo. Nesse sentido, me parece que a visão dos governos da esquerda latino-americana não é nada saudável. É mais do mesmo. Creio que seja isso o que tem que ser dito se partirmos do pressuposto de que o kirchnerismo tenha sido um movimento de esquerda. Isso mereceria alguma discussão. Acredito que os elementos fundamentais da trama que rodeia a ideia de um colapso geral do sistema não foram encarados pela esquerda latino-americana como se deve, visto que produziu políticas e atitudes muito similares às da direita.

Em que situação se encontra o projeto anarquista?

Por um lado, me causa fascinação saber que na América Latina possa existir 500 ou 600 cidades com grupos anarquistas. Um raro movimento internacional que só poderia ser comparado com algumas estruturas do poder estabelecido, partidos liberais, partidos conservadores ou partidos sociais democratas. No entanto, esse movimento está muito fragmentado e com raros momentos de relação entre suas diferentes partes. Devo confessar que deposito mais esperança em iniciativas de cunho libertário, em virtude das quais, gente comum – não necessariamente anarquista – realiza práticas de autogestão e de apoio mútuo, e que fazem o que podem fazer os grupos ideológica e identitariamente anarquistas. Isso vale tanto para a América Latina quanto para a Europa. Na Espanha o movimento anarquista segue sendo forte em termos teóricos. Eu, muitas vezes, tenho acompanhado companheiros italianos, alemães ou portugueses que em uma cidade tão pouco afortunada nessa questão como é Madrid me dizem: ‘vocês têm sorte, os sindicatos têm suas sedes, os centros sociais estão ocupados, as assembleias do 15M”. Nós que estamos dentro da coisa não vemos tanta riqueza nesse fenômeno. No entanto, nos últimos anos há na Espanha um auge de iniciativas libertárias, de grupos de consumo, de cooperativas integrais que me parecem interessantes, entre tantas razões, por uma especificamente profunda: tenho que acreditar nas pessoas comuns, porque se não creio nas pessoas comuns tudo que digo perde o sentido. Estaria inclinado para um cenário de iniciados que seguem lendo e discutindo Kropotkin e isso é muito respeitável mas tem um alcance muito limitado. Sigo pensando que as pessoas comuns, muitas vezes, protagonizam iniciativas solidárias que são extremamente estimulantes e que querem dizer que, apesar de tudo, a lógica mercantil do capitalismo não penetrou totalmente suas mentes. É como se desenhassem diante do cenário de colapso, um cenário muito estimulante. Acredito fielmente que muitas das respostas aos problemas que não conseguimos obter no mundo ocidental do norte, chegarão dos países do sul. A respeito disso, o que propõe o zapatismo em Chiapas ou o Confederalismo Democrático em Rojava, na zona norte da Síria, me parece muito instigante, entre outras coisas, porque nasce de pessoas menos corroídas que nós pela lógica mercantil do capitalismo. De tal maneira que, ainda que o cenário seja sombrio, há alguns ventos de esperança nas mãos de pessoas comuns no norte e de determinados movimentos no sul. Dei esses exemplos, mas existem muitos outros.

Fonte: https://www.170escalones.com/con-animo-libertario/

Tradução > Daitoshi

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selva de pedra
condor solitário
vôo triste

Manu Hawk

[Espanha] O Supremo Tribunal condena a Servicarne a indenizar a CNT por violar seu direito à liberdade de associação sindical

O Supremo Tribunal reconhece que a cooperativa Servicarne violou o direito da CNT à liberdade de associação sindical e a sentenciou a pagar 30.000€  em indenização por danos e prejuízos.

A luta da CNT remonta a 2014, sendo o primeiro sindicato que planteou as demandas trabalhistas dos sócios-trabalhadores da Servicarne. Uma importante luta sindical que culminou com a declaração de falsa cooperativa pela Inspeção do Trabalho em todo o Estado, conseguindo a regularização de milhares de falsos autônomos na indústria da carne.

A CNT celebra a decisão judicial do Supremo derrubando o julgamento da Câmara Social da Audiência Nacional que não reconheceu o direito de sindicalização dos sócios/as-trabalhadore/as e, portanto, a atividade sindical. Este julgamento é um marco obtido pelo Gabinete Jurídico Confederal da CNT que reconhece a liberdade de associação e o exercício deste direito fundamental em cooperativas de trabalhadores, em conformidade com as recomendações da OIT e outras convenções internacionais.

“É uma sentença histórica que reconhece a liberdade de associação nas cooperativas de trabalho associado”

Fica estabelecido que ante o crescimento exponencial e as vitórias obtidas pela CNT, a Servicarne tentou todos os meios disponíveis desacreditar publicamente a imagem do Sindicato, aterrorizar sócios/as-trabalhadores/as e publicando declarações difamatórias em seu site. O Supremo Tribunal agora ordena que a Servicarne pague à CNT uma compensação de 30.000€ para indenizar todos os danos causados e ainda a publicar o conteúdo da sentença em seu próprio site.

O impacto e a importância desta decisão deve ser analisada no contexto da proliferação de empresas que utilizam falsos autônomos/as – também chamadas erroneamente de economia colaborativa – que poderiam estender alguns dos seus efeitos.

“A CNT conseguiu abrir a porta legal à liberdade de associação sindical nos setores mais precários”

A CNT conseguiu abrir a porta legal à liberdade de associação sindical nos setores mais precários e vulneráveis do mercado de trabalho e incentiva os trabalhadores/as de cooperativas em regime autônomo ou de falsos autônomos/as de outras empresas que deem o passo para se organizar e reivindicar seus direitos mais básicos.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal

cnt.es

Tradução > Liberto

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cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

[Espanha] Lançamento: “Igreja S.A. | Dinheiro e poder da multinacional vaticana na Espanha”, de Ángel Munárriz

A Igreja católica espanhola, delegação local de um Estado teocrático estrangeiro, o Vaticano, sobrevive graças a que o erário público dedica uma grande quantidade de recursos ao pagamento de sua estrutura, sua folha de pagamento, sua rede educacional e a manutenção de seus templos. Em sua dimensão política, a Igreja espanhola se dedica a frear qualquer empenho social ou moralmente emancipador. Em sua dimensão econômica é ao mesmo tempo uma empresa em resgate público permanente e uma potente sociedade que opera ao resguardo do radar do fisco seguindo o manual do neoliberalismo. O impacto social de sua atividade econômica, sobretudo no ensino e na assistência social, é gigantesco, já que se assenta sobre a anulação dos princípios de universalidade, solidariedade, equidade e redistribuição, substituídos por uma miscelânea de liberalismo educativo de fachada meritocrática e caridade imobilista.

A Igreja, aferrada a uns privilégios entregues pelo franquismo como botim de guerra, se beneficia do regime fiscal de uma ONG para desenvolver uma atividade mercantil tão discreta como profissionalizada em campos que acreditaríamos reservados a empresas consagradas ao benefício puro e duro. Assessorada por grandes bancos, incrustada na elite econômica, a instituição católica não desprezou nem a especulação nem as técnicas de evasão fiscal a seu alcance. Mais parecida ao Opus que a Caritas, mais aos kikos que aos franciscanos, mais a Wojtila que a Bergoglio, mais ao banco vaticano que ao monte de piedade, a Igreja espanhola é hoje uma instituição separada de seus fins vocacionais.

Do nítido retrato que Igreja SA oferece da organização que exerceu como histórica norteadora da moral espanhola se deriva uma pergunta que reclama resposta urgente: Quantos princípios e valores podem se sacrificar antes que uma instituição perca sua razão de ser?

Iglesia S.A. | Dinero y poder de la multinacional vaticana en España

Ángel Munárriz (Escritor)

Ediciones Akal, Colección A fondo, 23. Madrid 2019

360 págs. Rústica 22×14 cm

ISBN 9788446028086

19,00 Euros

akal.com

Tradução > Sol de Abril

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Bolha de sabão.
Uma explosão colorida
sem nenhum estrondo.

Maria Reginato Labruciano

[Grécia] Atenas: imigrantes contra o Syriza

Imigrantes anarquistas atacaram o escritório do partido esquerdista governante Syriza na praça Victoria, em Atenas. O objetivo do ataque foi responder às evacuações das okupações em Exarchia.

Há algumas semanas, o Syriza criou um escritório de propaganda para a eleição, na praça de Victoria, que é um bairro de imigrantes.

Durante a atividade deste escritório, o Syriza tentou mostrar que sua existência na praça de Victoria prova seu apoio aos imigrantes! Mas a verdade da história é: a existência do Syriza no bairro dos imigrantes era apenas um jogo político sujo para abusar dos imigrantes com propaganda.

O que precisamos como imigrantes não é um partido de esquerda no poder, CHEFES SÃO CHEFES, NÃO IMPORTA SE DE ESQUERDA OU DE DIREITA.

O que precisamos como imigrantes é uma comunidade livre e igualitária que só ocorrerá através da auto-organização na forma de um coletivo; uma comunidade onde não há autoridade e hierarquia; uma comunidade onde os membros são capazes de tomar decisões em uma situação livre e igualitária.

NÃO PARA O ESTADO, NÃO PARA AS ONGs

SIM À ORGANIZAÇÃO

SIM A UMA IGUALMENTE E LIVRE COMUNIDADE DE LUTA

(A foto acima: o escritório do Syriza na praça Victoria, que é um bairro de imigrantes)

É escrito na língua dos imigrantes: solidariedade com os imigrantes | Morte ao Syriza

Imigrantes contra o Syriza, 8 de junho de 2019.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1598423/

Tradução > Revanche dos Oprimidos!

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A vó encolhida
perto das brasas acesas…
Espanta seu frio.

Iraí Verdan

[Itália] Declaração de Silvia e Anna sobre o início de greve de fome na prisão de L’Aquila

Na manhã de 29 de maio de 2019, na corte de Turim, aconteceu a primeira audiência no julgamento contra alguns anarquistas pela ocupação de Corso Giulio 45 (Turim). Uma das acusadas é Silvia Ruggeri, presa em 7 de fevereiro no contexto da operação repressiva “Scintilla” e o desalojo do Asilo Occupato em Turim. A companheira, através de vídeo conferência (que lhe impede estar presente nas audiências), leu um texto escrito por ela e Anna anunciando o início de uma greve de fome contra as condições e restrições impostas na seção AS2 da prisão de L’Aquila (condições da prisão comparáveis às de detenção sob o regime de 41bis, atualmente na prisão onde estão presas). Recordamos que a companheira anarquista Anna Beniamino está encarcerada desde 6 de setembro de 2016 pela operação “Scripta Manent”, para a qual em 24 de abril se emitiu a sentença no julgamento de primeira instância. Foi sentenciada a 17 anos e outros quatro companheiros sentenciados entre 5 e 20 anos de prisão.

Solidariedade revolucionária com as companheiras em greve de fome e com todxs xs anarquistas encarceradxs!

>> Aqui está o texto de Silvia e Anna:

“Estivemos detidas durante quase dois meses na seção de mulheres AS2 de L’Aquila, agora se conhecem, aqui e fora, as condições de detenção resultantes de uma regulação no 41bis abrandadas.

Estamos convencidas de que não se pode e se requererá nenhuma melhora, não só para os problemas objetivos e estruturais da seção amarela (ex-41bis): toda a prisão está destinada quase exclusivamente ao regime de 41bis, pelo qual ampliar um pouco as redes das regulações da seção parece ser de mal gosto e pouco prático, dado que as condições ainda mais pesadas se sofrem a uns poucos passos daqui, não podemos deixar de pensar quantos e quantas lutaram durante anos acumulando informes e julgamentos penais. A isto se agrega a torpe tentativa do DAP de chegar ao fim do mês mediante a criação de uma seção mista para anarquistas e islamistas, que resultou em uma proibição adicional de reunir-se na seção em si, com um isolamento que continua.

Há condições de prisão, comuns ou especiais, inclusive piores que as de L’Aquila. Esta não é uma boa razão para não opor-se ao que impõem aqui. Nós deste pão não comeremos mais: em 29 de maio começaremos uma greve de fome pedindo o translado desta prisão e o fechamento desta seção infame”.

Silvia e Anna

Tradução > Sol de Abril

Fonte: https://contramadriz.espivblogs.net/2019/06/06/italia-declaracion-de-silvia-y-anna-sobre-el-inicio-de-huelga-de-hambre-en-laprision-de-l-aquila/

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No botão da flor,
mesmo a começar a abrir,
já rugas profundas.

Sujita Hisajo