[Grécia] “Pavlos vive”: marcha antifascista em Atenas reúne milhares de pessoas

Uma grande marcha antifascista ocorreu ontem (18/09) em Atenas, de Keratsini à Pireu, pelos seis anos do assassinato do rapper e antifascista Pavlos Fyssas por um bando de neonazistas do Aurora Dourada. Mais de cinco mil pessoas participaram do protesto.

Sob o mote central “Pavlos vive, esmagar os nazistas”, coletividades antifascistas, organizações de esquerda e grupos anarquistas concentraram-se inicialmente na Avenida Pavlos Fyssas (anteriormente Panagis Tsaldaris), em frente ao memorial de Pavlos em Keratsini. No início da marcha estavam os pais, a família e os amigos de Pavlos.

A mobilização terminou no Teatro Municipal de Pireu, nas proximidades dos escritórios do Aurora Dourada, onde as ruas foram bloqueada por caixotes com forte presença da MAT (tropa de choque).

No final da marcha, houve alguma tensão entre manifestantes e forças repressivas, em frente ao Teatro Municipal de Pireu, quando grupos de encapuzados atiraram pedras e coquetéis molotov nas forças policiais que responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Ao mesmo tempo, bancos e lojas de luxo foram atacados com martelos e pedras.

Slogans antifascistas como “Pavlos vive, esmagar os nazistas”, “Feche já todas as sedes do Aurora Dourada, em cada cidade”, “Esmagar os fascistas em todo o mundo”, “Fora nazistas” e “Não passarão” ecoaram durante a mobilização.

Antes da marcha, flores foram colocadas no monumento de Pavlos Fyssas pela mãe e pelo pai de Pavlos, Magda e Sahzat Fyssas, respectivamente.

Além de Atenas, manifestações antifascistas foram realizadas em dezenas de cidades, como em Tessalônica, a segunda maior cidade da Grécia.

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Manhã de inverno,
ouço calado
o vento gelado.

Fabiano Vidal

O que houve com o sonho de Christiania de se tornar o paraíso hippie da Dinamarca?

por Justin Calderon | 10/08/2019

Vista de um barco flutuando ao longo dos largos canais de Copenhagen, os arredores de Christiania são uma enclave verdejante escondida sob a espessa copa das árvores. Meio século após ter sido fundada como uma divergente comuna anarquista, parece ter se tornado um paraíso.

Mas nem tudo está bem em Christiania. Embora a comunidade hippie ainda cresça atualmente, está cercada por problemas que ameaçam sua identidade e futuro – uma crise existencial variadamente causada por autoridades locais intolerantes, polícia, gentrificação e, inevitavelmente, turistas.

A Dinamarca é frequentemente listada como um dos países mais felizes do mundo, mas em 1971 havia descontentamento o suficiente para inspirar um grupo de hippies, viciados, excêntricos e párias a estabelecer uma ocupação permanente em um antigo complexo militar na capital do país.

Com o passar dos anos, o experimento social progrediu para uma sociedade autônoma que, embora rejeitasse o controle do Estado, vivia em razoável harmonia com o restante da cidade. Ainda no cerne uma comunidade anarquista, Christiania permanece como um lugar onde drogas são livremente vendidas e consumidas sem interferência notória da polícia – uma Disneylândia pra fumar maconha.

Os “cristianitas”, como os habitantes são chamados, toleram o tráfico de drogas, mas não lucram com ele. Toda a venda de cannabis é limitada à comunidade da infame Pusher Stret, uma área generosamente decorada com o vermelho e o amarelo da bandeira de Christiania, onde até uma dúzia de traficantes normalmente trabalham em tendas, vendendo drogas rotuladas com nomes como Aurora Boreal, Abacaxi Express ou AK-47.

Aumento dos preços

Em um dia de verão escandinavo em julho, as pessoas estão fumando baseados em cima de velhas muralhas militares, ignorando a vizinhança de Nemoland Café, ou fazendo nada no Woodstock Bar. Enquanto isso, famílias com crianças estão curtindo o horário de almoço no Grøntsagen (Mercearia Verde), um icônico restaurante vegano/vegetariano.

Descendo a rua, uma sessão de improvisação está em andamento. Pessoas sentadas em círculo, algumas empoleiradas em toras de madeira, cantam The Doors juntas em frente ao armazém “old school” da comuna, Indkøbscentralen.

Seria fácil afirmar que o espírito livre aqui e em Christiania Cidade Livre – como  o movimento por trás disso é conhecido –  teve sucesso em seus esforços de criar uma “utopia” hippie.

Mas Christiania se tornou uma vítima de seu próprio sucesso. O turismo em massa chegou simultaneamente à gentrificação, e alguns moradores escolheram abandonar a comuna depois de quatro décadas de residência para escapar do aumento de preços. É simplesmente caro demais ser um hippie christianita hoje em dia.

Jorgen Jensen viveu em Christiania desde o começo, quando a comuna era uma vila invasora e remendada de hippies borbulhando do festival Thylejren no verão de 1970 – Woodstock da Dinamarca – e ele tinha apenas 17 anos.

“Eu era um sonhador e um ativista em defesa do meio ambiente”, recorda Jensen, que hoje é aposentado e tem 65 anos. “Eu me manifestei contra a Guerra do Vietnam e o encontro de negócios do Banco Mundial”.

Mas depois de viver em Christiania por 48 anos, Jensen se mudou no último mês de junho, alegando problemas econômicos. O dramático aumento de seu aluguel precipitou esse movimento.

Negociações amargas

A casa de Jensen por décadas foi de 300 dólares para cerca de 1300 dólares por mês, assim que Christiania foi “normalizada” sob a lei dinamarquesa.

Antes desse período de normalização, christianitas pagaram um “aluguel” num tesouro comunitário. Sua economia era auto-suficiente e apoiada pelas atividades econômicas não relacionadas às drogas da Cidade Livre – como bares, restaurantes, atividades culturais (como teatro e grupos de yoga) e manufatura, o que inclui a produção da bicicleta de Chistiania, conhecida mundialmente, e outras invenções inspiradas na Cidade Livre.

Em junho de 2011, depois de vários anos de negociações amargas com o governo, o advogado de Chistiania, Knud Foldschack, decidiu tomar uma decisão para estabelecer a Fundação de Chistiania, um instrumento que compraria coletivamente terras do Estado a preços abaixo do mercado, efetivamente tornando christianitas de invasores para proprietários de terra – 40 anos depois do estabelecimento da comuna.

O tesouro de Chistiania agora é responsável pela Fundação, que é administrado por um conselho de diretores ao invés de reuniões comunitárias e aumentou os aluguéis de Christiania para cobrir reparos e reconstruções de infraestrutura da era militar e construções históricas, como quartéis e depósitos de armazenamento de energia para armas, para abrir espaço para novos negócios.

Atualmente, Christiania é o lar de alguns restaurantes sofisticados e uma parada popular no trajeto turístico de Copenhagen, anunciada aos visitantes através de propagandas em ônibus como uma atração imperdível, assim como a estátua da Pequena Sereia. A gentrificação aumentou ainda mais o preço do aluguel.

Alguns dos 900 moradores de Christiania são identificados como classe média. Uma espiada em suas casas revela caravanas em madeira com extensões, mobiliadas com bom gosto. A propriedade é bem cuidada. A área que eles cobrem é tão luxuosa e tranquila que caminhar entre eles pode às vezes despertar devaneios mais bucólicos que boêmios.

‘Guerra contra os hippies’

Esta é a situação com o caminho que leva à caravana caiada, lar de Ole Lykke, morador de Christiania, historiador e autoproclamado “hippie” e “anarquista”, que se abre para um gramado verde coberto de brinquedos de crianças e uma rede amarrada na árvore. Pássaros cantam acima de uma árvore, enquanto tocadores de bongo tocam músicas pulsantes nas proximidades.

Parado aqui, é fácil esquecer que isso existe dentro de uma capital. A coleção improvável de vagões e casas de madeira onde Lykke e seus vizinhos vivem são, de fato, urbanas e rurais ao mesmo tempo.

“Christiania começou como uma ocupação”, recorda Lykke, sentado sobre um cobertor de pele de carneiro em sua casa. “Nós originalmente construímos tudo aqui por nossa conta, inclusive esta casa; nós não pedimos a ninguém [por ajuda].”

Essa atitude do “faça você mesmo” está no coração do caráter de Christiania. Durante as primeiras décadas, decisões importantes foram feitas durante reuniões comunais, que eram – todas as partes agora ironicamente concordam – jogos de gritos gratuitos para todos.

Muito à ira dos moradores inerentemente anarquistas, essas reuniões desde então abriram caminho para a Fundação sancionada pelo Estado e, desde 2004, a comunidade tem sido submetida à regulamentação dinamarquesa da qual tentou escapar por tanto tempo.

“Eu precisei pedir por uma autorização simplesmente para parar uma bicicleta em frente à minha casa”, diz Jensen. Além disso, todas as atividades de construção agora requerem autorização.

Jensen chama essa mudança de “guerra contra a geração hippie”, desenvolvida para colocar christianitas uns contra os outros. No entanto, “isso não funcionou”, ele afirma.

“Socialmente e culturalmente nós não somos muito afetados”, Lykke atesta. “Politicamente e economicamente, é uma situação completamente diferente”.

Hulder Mader, a secretária da Fundação, diz que o órgão não está envolvido em controlar o que as pessoas podem fazer com suas casas – o que fica sob as normas do Estado – embora a Fundação defina, sim, aluguéis baseados no tamanho da propriedade.

“O preço para se viver aqui é definitivamente um dos mais baixos no país, mas é claro que você precisa pagar se escolher renovar sua casa ou apartamento”, ela diz.

“Autorizações de estacionamento para bicicletas também não são um problema”, Mader acrescenta. “Eu não sei de nenhum indivíduo que não é autorizado a colocar sua bicicleta no exterior de sua casa, mas eu sei de vários que colocaram um bom número de bicicletas não no exterior de casa, mas no aterro histórico. Eles foram solicitados a tirar.”

Uma constante em Christiania tem sido o apreensivo cabo-de-guerra que é o relacionamento entre a polícia, traficantes e christianitas, o qual Lykke diz ter se intensificado ao longo do ano passado com os aplicadores da lei fazendo visitas diárias regulares.

“A polícia está aqui três vezes por dia. Eles aparecem entre 9h e 11h da manhã e têm feito isso por um ano”, confirma Lykke.

Ataques da polícia

Aparentemente, os traficantes têm estabelecido um sistema de vigilância sofisticada para evitar detenções. Quando dispositivos posicionados fazem uma chamada de aviso, as tendas de maconha e haxixe sucumbem e desaparecem antes que a bota de um único policial pise na Pusher Street.

“Policiais, na superfície, sempre odiaram Christiania, mas alguns dos policiais amam Christiania porque eles têm uma área de treinamento que é tão única”, diz Lykke com um sorriso. “Eles precisam experimentar todas as suas novas estratégias, como por exemplo, com os drones, que agora é uma coisa e tanto.”

Lykke, que diz que só foi preso pela polícia uma vez por tráfico, recorda uma ocasião na qual a polícia jogou fora a cerveja dos bares locais, resultando em confronto com os christianitas donos de negócios e uma grande instalação posterior de policiais.

“Eles enviaram a p**** da polícia toda aqui com esses escudos enormes de plástico”, ele diz. “Eles ficaram lutando na rua por 5, 6 horas. A polícia teria, então, aprendido a fazer como os romanos para proteger a si mesmos [usando seus novos escudos].

O delegado chefe superintendente da polícia de Copenhagen, Lars-Ole Karlsen conta que mantém a presença em Christiania para “assegurar a contínua segurança dos moradores e visitantes da área, que são muitos”. Ele diz que “a polícia conduz uma ação contínua e focada” contra o crime organizado do tráfico com muitas batidas por semana, atingindo usuários de drogas, compradores e estoques.

“Isso, às vezes, é respondido com atos de violência atingindo os policiais”, ele acrescenta.

Mesmo com as batidas e prisões, Christiania poderia ser vista como um estudo de caso em tolerância escandinava e o estilo de vida dinamarquês idealizado por muitos por suas atitudes libertárias e características como “hygge” [do dinamarquês], o prazer do aconchego e de coisas simples.

O simples fato de Christiania existir reflete que nem todos estão felizes com o Estado nórdico.

Christiania foi criada como o resultado da “liberação de energia criativa que aconteceu quando pessoas que foram tratadas com indulgência e submetidas a rígidas normas foram libertadas”, diz Per Smidl, que se mudou para a comuna em 1978, aos 25 anos, depois de comprar um vagão de madeira de um traficante.

Smidl é autor do romance “Vagão 537 Christiania”, uma crônica de ficção sobre sua vida e a comunidade hippie.

“Ao contrário do que muitos podem pensar, a Cidade Livre de Chistiania não veio a existir como uma expressão de uma sociedade livre, mas, ao invés disso, foi uma  rebelião contra uma burocracia autoritária”, Smidl observa. “Quando políticos democráticos progressistas dos EUA referem-se aos Estados escandinavos como uma fonte de inspiração, eles não vêem seu lado negativo: a castração e o controle total de cada alma viva”.

Apesar de o espírito de rebelião viver aqui, está claro que as coisas não são mais o que costumavam ser. Muitos christianitas – antigos ou atuais – agora são aposentados e os dias de se juntar a cabeludos rebeldes em protestos e dançar pelados sob o sol são memórias que vão se desvanecendo.

Lykke recentemente teve sua joelheira substituída, e muitos christianitas tem filhos em crescimento para cuidar.

Os christianitas que restaram podem ter sobrevivido ao aumento de preços apenas para pagar até a última consequência de tentar construir uma utopia.

Pessoas demais querendo visitar

“O turismo está matando Christiania”, diz Emmerik Warburg, um morador de 44 anos, que dirige a pesquisa em projeto residencial. “O mero turismo e não querer aprender, mas, ao invés disso, apenas precisar ter um plano de fundo diferente para suas selfies mata o ambiente.”

Ninguém gosta de se sentir como um espetáculo de 5 centavos no zoológico, mesmo hippies idosos.

Fonte: https://justincalderon.com/2019/08/10/what-happened-to-christianias-dream-of-becoming-denmarks-hippie-paradise-cnn-travel/

Tradução > Beatriz Helena

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agência de notícias anarquistas-ana

sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda

Carlos Seabra

[Chile] Difusão e agitação pelo companheiro Joaquín García

ALGUMAS PALAVRAS PRÉVIAS

O companheiro Joaquín García permanece na prisão desde novembro de 2015, acusado de um atentado contra a polícia. Neste breve díptico, procuramos não apenas informar sobre sua situação, mas também agitar e contribuir para fortalecer uma solidariedade de combate.

Observar e refletir sobre as mudanças no mecanismo repressivo nos permite ver como a aplicação da nefasta lei de controle de armas pode ser mais proveitosa na imposição de castigos do que a Lei Antiterrorista, quando se trata de desarticular as práticas ofensivas antiautoritárias.

De dentro dos muros da prisão, o companheiro transitou e caminhou com dignidade revolucionária, procurando contribuir para debates “fora” sem abrir mãos de posições anárquicas e antiautoritárias.

O chamado segue sendo a não ser um espectador da situação dxs companheirxs na prisão, mas a tomar em nossas mãos as possibilidades de agitar e moldar uma solidariedade de ataque, ofensiva e insurrecta.

É essa solidariedade que mostra nosso potencial entre companheirxs conhecidxs ou não, que se entrelaça com a perspectiva anticarcerária e eleva as possibilidades de crítica, compreensão e arremetida contra o domínio. Porque tão urgente como destruir os muros carcerários, é desmantelar completamente as dinâmicas que os rodeiam.

Forjando cumplicidades e fortalecendo uma práxis ofensiva multiforme, nossa solidariedade será inabalável.

Porque esquecer xs prisioneirxs da guerra, é esquecer a guerra em si…

JOAQUÍN GARCÍA: NA RUA!

Nada acabou

Tudo continua…

>> Baixar PDF traduzido ao português:

https://www.mediafire.com/file/ap8fjjzcxleapm1

>> Baixar PDF:

https://ia601505.us.archive.org/33/items/joaquingarcia/Jokaindiptico.pdf

>> Baixar EPUB:

https://archive.org/download/joaquingarcia/Jokaindiptico.epub

Tradução > keka

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agência de notícias anarquistas-ana

A lua passa pelos pinheiros
e o olhar de súbito detêm
uma outra imóvel lua.

Hokushi

[Chile] Santiago: Anarquismo no Parque Almagro | 22 de setembro

Chega o bom clima e com ele a possibilidade de ocupar as praças e parques. Durante a atividade se apresentará a palestra “Anarquismo 2020”. Onde se abrirá a discussão sobre os desafios e perspectivas para a década seguinte no movimento libertário. Quais foram os ensinamentos dos últimos 20 anos de ressurgimento do anarquismo no Chile? Que fatores são importantes retomar e quais foram mais um impedimento para o fortalecimento do anarquismo social? Qual deveria ser o papel do anarquismo frente à mudança climática? Esta e outras questões serão abordadas em um diálogo aberto onde todos e todas poderão intervir.

Contaremos com comida vegana e feira de publicações anarquistas. Traga a tua!

Atividade livre de drogas e álcool.

FB: https://www.facebook.com/events/493621754795547/

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Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] CNT exige todos os meios para o salvamento marítimo

Exigimos todos os meios disponíveis para o salvamento, sem importar as condições administrativas e políticas. Cremos que urge generalizar a cultura de acolhida. Há que estender a empatia de classe, no bairro, no trabalho, fazer do sindicato uma casa comum para as pessoas que chegam.

O caso recente vivido por conta do barco de resgate Open Arms e Ocean Viking, trazia de volta à mídia a emergência humanitária que acontece no mapa mediterrâneo. O exemplo serve como nova chamada de atenção, um novo SOS direto, de algo que já não ocorre só preferencialmente em época estival, e que a maioria das vezes deixou de ser um assunto de primeira importância.

Simultaneamente, uma embarcação com 63 pessoas se encontrava à deriva na zona de Alborán, outras onze, sete mulheres e duas crianças entre elas, abandonavam uma embarcação e pediam auxílio próximo de uma ilhota frente ao Marrocos. Inclusive na mesma costa de Lampedusa, dias antes do barco atracar ali dois/as voluntários/as, perto do mesmo número de pessoas conseguiam ser evacuadas após outro naufrágio.

Esta tragédia diária se traduz já de forma oficial em mais de 30.000 mortes, sem poder determinar a verdadeira quantidade de pessoas afogadas nas diversas rotas para a Europa. Nenhum estado nem instituição política nunca assumiu uma posição honesta e com a mínima qualidade humana a respeito. Pudemos comprová-lo estes últimos dias. A atitude esquiva e mesquinha do governo do PSOE [partido socialista espanhol], que joga com os tempos e mensagens pensando exclusivamente no benefício próprio, as negativas de Malta, ou o racismo institucionalizado de Salvini que se sente o suficientemente respaldado por outros estados da UE para ignorar a justiça de seu próprio país.

Umas medidas judiciais muito limitadas e parciais, que, sobretudo, questionam o papel das pessoas solidárias. A acusação sobre as organizações sociais é uma grosseira manipulação, a única conivência com o tráfico de seres humanos se dá por parte dos que fecham as fronteiras e necessitam que a viagem continue sendo ilegal e perigosa.

Resgate e acolhida, conte com o sindicato

Exigimos todos os meios disponíveis para o salvamento, sem importar as condições administrativas e políticas. Reforçar os processos de asilo por qualquer condição e avançar no objetivo que garanta uma passagem segura para as pessoas migrantes.

Porque nos sentimos comprometidas/os com os que fogem da violência, e também responsáveis da divisão desigual de riqueza que provocamos neste lado do mundo. Cremos que urge generalizar quanto antes uma cultura de acolhida. Nossos povoados e cidades desde onde o vivemos tão próximo, tem a capacidade de poder fazê-lo, e de ser exemplo de solidariedade por cima de leis injustas.

Há que estender a empatia de classe, não deixar que nos desumanizem, que não nos enfrentem com os ambulantes nem os temporários. No bairro, no trabalho, no sindicato, são os lugares onde queremos encontrar-nos, e lutar juntos/as por tudo o que temos em comum mais além da nacionalidade.

CNT Comarcal Sur – Madrid

Fonte: http://fcs-villaverde.cnt.es/cnt-exige-todos-los-medios-para-el-salvamento-maritimo/

Tradução > Sol de Abril

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Fiapos nos dentes
o rosto todo amarelo
É tempo de manga

Eunice Arruda

[Grécia] Dia de memória e luta, seis anos depois do assassinato de Pavlos Fyssas. Viva a vida. Morte ao fascismo!

Hoje, 18 de setembro de 2019, marca o sexto aniversário do assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssas, conhecido por Killah P nos meios do hip-hop grego, esfaqueado por um grupo de neonazistas do partido Aurora Dourada em Atenas.

Nos últimos dias, diversos eventos aconteceram e estão acontecendo na Grécia dedicados à memória de Pavlos: discussões, exposições de desenhos e fotografias antifascistas, lançamento de livros, arte de rua e exibições de filmes antifascistas e antirracistas, além de shows e manifestações de rua.

Contra o Estado, o capital e o fascismo

Hoje, no final da tarde, uma grande manifestação de rua acontecerá em Atenas, começando no local onde Pavlos foi assassinado em Keratsini e terminando em um ponto “surpresa”, de acordo com as necessidades e alvos do movimento antifascista local.

Fascistas-assassinos, não esquecemos, não perdoamos. Pavlos Vive!

>> Foto em destaque: grande mural criado recentemente em Keratsini em memória de Pavlos Fyssas.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/09/26/grecia-recorda-o-antifascista-pavlos-fyssas-cinco-anos-depois-do-seu-assassinato/

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Nos bancos da praça
Muito ouro aos aposentados —
Árvores de Ipê.

Neide Rocha Portugal

[Alemanha] “Amor, força e fogo de Berlim para nossos camaradas em Exarchia”

Estamos mandando amor, força e fogo de Berlim para nossos camaradas em Exarchia, Atenas!

A luta de vocês é a nossa luta – contra Kyriakos Mitsotakis e seu pelotão assassino, contra o capitalismo que ameaça vidas todos os dias e em todos os lugares!  Por liberdade, amor e anarquia!

Vamos todos continuar!

Anarquistas

agência de notícias anarquistas-ana

Abelhas procuram
— na florada escassa —
prolongar a lida.

Maria Helena Sato

[Alemanha] Protesto em frente à Embaixada dos EUA em Berlim pela liberdade de Leonard Peltier, Jalil Muntaqim e Mumia Abu-Jamal

No sábado, dia 14 de setembro, cerca de 100 pessoas se manifestaram em frente à Embaixada dos EUA em Berlim pela liberdade de Leonard Peltier, Jalil Muntaqim, Mumia Abu-Jamal e todos os presos políticos!

O protesto foi chamado pelo grupo “Free Mumia Berlim”. Além da música ao vivo, houve inúmeros discursos e distribuição de folhetos. Não houve registros de incidentes.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/03/alemanha-manifestacao-pela-liberdade-de-mumia-abu-jamal-reune-dezenas-de-pessoas-em-berlim/

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã gelada —
Duas borboletas azuis
voam pelo jardim.

Guin Ga Eden

[França] Feira do Livro Anarquista de Marselha | 21 e 22 de setembro de 2019

Sempre lá!

Sempre lá. Embarcar na aventura desenfreada da prática anarquista, neste furacão de idéias livres que tende à tempestade de ação não regulamentada, do jogo sem premiação, da vida sem mediação.

Sempre lá. À margem e contra as ideologias promovidas por sujeitos políticos, contra os óculos enevoados da cidadania, contra a imposição de uma vida segura transformada em hábito e obediência.

Sempre lá. Apesar das tentativas de recuperação e aniquilação da ideia de liberdade. Apesar do realismo, dos moralismos e da integração da lógica do poder por seus falsos críticos, que visam mais a reforma do domínio do que sua destruição.

Sempre lá. Persistir na pesquisa de sentidos para tecer cumplicidades para combater a ofensiva tecnológica no processo de renovação e aprofundamento do domínio, engajar-se apaixonadamente na destruição da opressão e da exploração, para olhar além dos horizontes desse presente insípido.

Sempre lá. Mesmo que os vícios destas próteses tecnológicas procurem nos distrair da aniquilação contínua de nossa sensibilidade e imaginação. Mesmo que os relacionamentos virtuais procurem nos tirar a cumplicidade e a humanidade.

Sempre lá. Reivindicar com amor e orgulho as idéias anarquistas, numa época em que integração e repressão andam de mãos dadas, obscurecendo sempre mais os horizontes da revolta.

Dois dias para se reunir em prol do anarquismo e suas propostas, para discuti-las e aprofundá-las; ao redor dos livros e da nossa imprensa, testemunhas de nosso patrimônio revolucionário e ao redor das novas faíscas de papel, prestes a incendiar este presente dividido entre profunda resignação e a ira ocasional.

Dois dias e uma feira de livros anarquistas, livre de compromissos comerciais e institucionais.

Dois dias encharcados em idéias libertárias, longe dos antigos e dos novos pastores das massas, longe dos antigos e dos novos seguidores dos rebanhos. Pois tudo é sempre possível para o indivíduo que, entre a tensão individual e a transformação social, sente-se um indivíduo lutando para fundir idéias e práticas.

Estes dois dias ocorrerão em Marselha nos dias 21 e 22 de setembro de 2019.

>> Mais infos (programação):

foireanarchistemarseille.noblogs.org

Tradução > MarkusMarkus

agência de notícias anarquistas-ana

A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

[Espanha] Convocatória Semana de Luta Contra a Mudança Climática e Toda Nocividade – de 20 a 27 de setembro

Diversas instituições, grupos ecologistas, organizações sindicais, grupos estudantis, reunidos sob o nome de “Fridays for Future” [Sextas-feiras pelo Futuro], convocaram a chamada “Semana pelo clima” de 20 a 27 de setembro. Basicamente esta semana consiste em manifestações programadas e alienadas que solicitam do Estado e de outras instituições (ONU, G7…) que remediem ou tomem medidas diante do desastre que estão causando. Em seu discurso simplista, recuperador e direcionador em nenhum momento criticam a causa da devastação em curso: o capitalismo tecno-industrial e sua organização técnica do mundo. São os que criticam as mudanças climáticas sem criticar os que as produzem: têm um cadáver na boca, os que defendem o mito do progresso, do desenvolvimento sustentável e de uma vida “confortável” em troca da escravidão e comercialização de todos os aspectos de nossa vida, uma vida vendida à dominação tecnológica. São os que compraram no supermercado da rebelião o novo produto da moda: a mudança climática. Sextas-feiras pelo futuro? Hoje, mais que nunca, o futuro não existe, vivemos em um eterno presente e qualquer vestígio do passado foi apagado. As próteses tecnológicas que nos rodeiam e colonizam nos fazem viver em um sonambulismo contínuo, onde a catástrofe não está por vir como se empenham em nos advertir com sua venda nos olhos, a catástrofe é aqui e agora, a catástrofe é o capitalismo tecno-industrial, a catástrofe é essa vida alienante dirigida pelos algoritmos de nossos “assistentes virtuais”, a catástrofe é um mundo já devastado pela indústria.

A mudança climática é uma das milhares de consequências nocivas da revolução industrial (a única revolução que começou dois séculos atrás que chegou em todo o planeta, colonizou e comercializou tudo que está vivo) a mudança climática é indissociável do sistema tecno-industrial: desmatamento, acidificação dos oceanos, desertificação, extinção de milhares de espécies animais e vegetais, milhares de produtos químico-tóxicos que condenam nossa existência, poluição da terra, ar e água são apenas alguns dos efeitos nocivos de todas as consequências deste sistema. Acreditamos, então, que falar apenas de mudanças climáticas sem criticar o sistema tecno-industrial é cair em um reducionismo, não é ir à raiz do problema.

A mudança climática e todas as nocividades são as consequências do projeto da tecnocracia que gestiona e administra nossas vidas. Um projeto que consiste em colonizar, dominar e comercializar tudo que é vivo. Uma vez colonizada e dominada a natureza, o objetivo são os seres humanos, um projeto baseado na convergência das tecnologias conhecidas como NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, tecnologias da informação, ciências cognitivas) às quais poderíamos acrescentar robótica e inteligência artificial, sua avareza e ganância não têm fim. Se tudo é comercializado até nossas atividades cotidianas, os benefícios não pararão de aumentar. Converter o mundo e tudo o que o habita em uma máquina programada onde nada escapa de seu controle: mundo-máquina, humano-máquina. O que nos leva a uma visão mecanicista do mundo, de nós mesmos e de tudo o que nos rodeia.

O sistema tecno-industrial precisa de grandes quantidades de energia para poder funcionar, centenas de programas de pesquisa com investimentos multimilionários são dedicados a encontrar novas fontes de energia. Esta necessidade de energia para que o mundo funcione em consequência à devastação do território e à aniquilação de milhões de animais humanos e não humanos. A energia industrial move o mundo, é necessária para a produção e distribuição de todos os objetos desnecessários que encontramos ao nosso redor, é a economia e é a guerra. O sistema entendeu e viu como um grande negócio que apenas as energias “renováveis” e “limpas” permitirá sua expansão e sobrevivência, o novo projeto da tecnocracia é “renovável” e “sustentável”, é ecológico. Esse novo projeto se estende por todo o território, desde os desertos industriais de painéis solares e campos eólicos (causados também pela mudança climática, devastação do território, doenças, etc.) até as eco-cidades (não-lugares onde tudo é controlado, otimizado e automatizado, produzindo também centenas de nocividades e uma vida alienante). Assim, defender a energia verde é defender o projeto que nos dirige em alta velocidade ao ritmo do progresso em direção ao abismo, é defender o projeto daqueles que estão criando um mundo totalitário, é defender o projeto daqueles que gerenciam e administram nossas robotizadas vidas.

É por isso que fazemos um chamado a uma semana de luta contra a mudança climática e toda nocividade de 20 a 27 de setembro de uma perspectiva anarquista, que excede os limites impostos pela social-democracia. Mais uma semana, na qual, através da ação direta em qualquer de suas formas, os diferentes indivíduos e grupos enfrentam o sistema tecno-industrial. A semana de 20 a 27 de setembro é apenas uma meta para o ecologismo liberal e estatista, mas para aqueles que aspiram à eliminação do Estado, do capitalismo, do patriarcado e do sistema tecno-industrial é uma oportunidade de transbordar as estreitas margens da domesticação e iniciar um caminho autônomo, anticapitalista e anarquista contra a nocividade tecno-industrial.

Nem o Estado nem a tecno-ciência nos salvarão.

A luta é o único caminho.

contratodanocividad.espivblogs.net

Tradução > keka

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agência de notícias anarquistas-ana

Ligeiro tremor
nas folhas do pessegueiro —
O esquilo foge…

Kazue Yamada

[Grécia] Dois camaradas foram gravemente feridos no ataque da MAT em Exarchia

Ontem, 14 de setembro, depois da manifestação na Propilea, no centro de Atenas, um grupo de 20 anarquistas atacou o posto de controle militar da MAT [tropa de choque] em Exarchia, por volta das 16h00, com molotovs.

Desde o início, a MAT começou a usar armas químicas no bairro de Exarchia e a aterrorizar as ruas. Alguns minutos depois, a MAT entrou na praça de Exarchia e começou a bater em qualquer um que estivesse em seu caminho. Durante o evento, a MAT quebrou a mão de um camarada da Alemanha; um segundo camarada, uma pessoa menor de idade, foi parado pela MAT, que derrubou ele no chão [foto em destaque] da rua Stournari (ao lado da praça de Exarchia), chutando ele tão forte que nosso camarada precisou ir para o hospital.

De acordo com as informações de advogados e camaradas que foram levados de Exarchia para a GADA [delegacia], 17 camaradas foram detidos e levados do bairro, dois deles estão presos acusados por conta dos coquetéis molotov.

Ontem (14/09) à noite, depois de fazer uma chamada de solidariedade na GADA, a MAT chegou ao ponto de se reunir para não permitir que camaradas se reunissem próximo da delegacia, então os camaradas foram para o outro lado da rua e se reuniram ao lado da estação de metrô de Ambelokipi, até que todos os camaradas foram liberados da GADA (aqueles que não foram efetivamente presos).

Anarquistas

Tradução > Brulego

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A tranqüilidade
De andar sozinho,
Divertir-se sozinho.

Shiki

[Polônia] Anarquistas marcham em Poznan em defesa da okupação Rozbrat

“Quem atacar Rozbrat, prepare-se para a guerra!”, “Rozbrat está aqui para ficar!”, cantavam os cerca de 1000 participantes da manifestação realizada neste sábado, 14 de setembro, no centro de Poznan, em defesa da histórica okupação anarquista Rozbrat.

Gritos contra o Estado, o capitalismo, a gentrificação e a polícia também foram ouvidos nas ruas da cidade polonesa. Muitos manifestantes carregavam faixas e bandeiras anarquistas. Não houve incidentes ou prisões, apesar do forte esquema de segurança montado pelas autoridades.

Além disso, na sexta e no sábado, Rozbrat organizou um festival comemorando o 25º aniversário da okupação. “Faz 25 anos que Rozbrat apareceu no mapa de Poznan, enchendo a cidade de conteúdo político, social e cultural. Durante esse período, milhares de atividades, debates, shows, vernissages, eventos esportivos, oficinas e outras formas de educação mútua ocorreram no espaço“, disse um membro do Rozbrat.

> Vídeo (02:39) do protesto:

https://www.youtube.com/watch?v=sfjx_TO0MhM&fbclid=IwAR0I9LoKClSEmy7Roz8FzRPKZUe–F1Xwlcula4DybkqmZI5OECd6tyWa7s&app=desktop

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[Polônia] A luta continua! Ato em defesa da ocupação Rozbrat

[Polônia] Rozbrat está aqui para ficar!

agência de notícias anarquistas-ana

Os ipês em flor,
ali e acolá no prado —
o mugir dum boi.

H. Masuda Goga

[Grécia] Bancos e sedes do partido Nova Democracia são alvos de uma série de ataques simultâneos

Os ataques às agências bancárias e escritórios da Nova Democracia (ND) aconteceram simultaneamente nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, 16 de setembro, em Glyfada, Alimos, Kypseli e Kesariani, localidades de Atenas. Até agora, nenhum grupo reivindicou os ataques.

“O partido Nova Democracia (ND) lamenta os fatos que atentam contra a democracia”, afirma trecho de nota divulgada pelo partido do primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis.

agência de notícias anarquistas-ana

Estrelas, surgindo
Aqui e acolá —
Ah, o frio!

Taigi

[Grécia] Ataque com tintas à sede do partido governante Nova Democracia em Heraklion

Ao amanhecer do último sábado, 14 de setembro, atacamos os escritórios do partido Nova Democracia (ND) local como um sinal de solidariedade com os refugiados que foram desalojados por uma operação repressiva do Estado e de seus mecanismos. Agora os sofridos refugiados estão trancados em prédios a portas fechadas. O ataque neoliberal já começou e esses são seus primeiros projetos.

Nem rendição nem trégua

Anarquistas de Heraklion

agência de notícias anarquistas-ana

As estrelas no lago
Aparecem e desaparecem —
Chuva de inverno.

Sora

[Grécia] Sede da Nova Democracia em Pefki é atacada com bomba caseira

Uma sede regional da Nova Democracia (ND), do primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, foi atacada na madrugada de quinta-feira (12/09) com um explosivo caseiro, em mais um incidente destas características ocorrido em apenas duas semanas.

Inquilinos de um prédio vizinho alertaram o Corpo de Bombeiros, mas, quando chegaram, o fogo já havia sido extinto. O ataque causou danos materiais extensos. Até agora, nenhum grupo assumiu a responsabilidade pela ofensiva.

“Este é o segundo ataque aos escritórios da ND em poucos dias, desta vez em Pefki, é um ataque contínuo à democracia”, afirmou o ND em comunicado, acrescentando: “Deixamos claro que esses ataques não nos intimidam. Continuaremos trabalhando pela segurança dos cidadãos, que é um componente essencial de um Estado democrático”.

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

[Grécia] Não toquem na manifestação!

As mídias do poder contam que a polícia grega se manteve impecável em manter uma boa distância, ontem (14/09) em Atenas.

NÃO TOQUEM NA MANIFESTAÇÃO!

A realidade é outra: ao longo de anos, nós também não estivemos bem protegidos por todos os lados, conhecendo a vontade do poder de semear a confusão para dissuadir as outras pessoas de juntarem-se a nós.

Aqui, por exemplo, todo o flanco da frente esquerda da manifestação esteve sob a proteção dos companheiros do K*Vox e do Rouvikonas, equipados com capacetes, máscaras de gás e bastões como bandeiras (foto, na praça Syntagma, em frente ao Parlamento).

Não toquem nas pessoas procuradas, não toquem nos refugiados e imigrantes, com ou sem papéis, não toquem nas pessoas muitos jovens ou muito idosas abrigadas no coração da passeata. Não toquem na manifestação ao todo!

Recuam, valetas do poder, Exarchia está saindo, com seus apoiadores cada vez mais numerosos. Amigos, não temam nada: venham à próxima manifestação para a defesa das okupações. Nós retornaremos juntos, em segurança, à vizinhança onde ninguém é estrangeiro, exceto qualquer um que ameace algum de nós.

A primeira forma de ajuda mútua é a nossa proteção mútua contra o poder e seus subordinados. “Um ataque contra um é um ataque contra todos”.

Yannis Youlountas 

Fonte: http://blogyy.net/2019/09/15/pas-touche-a-la-manif/

Tradução > Kérolyne H.

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Será que foi sonho…
Escutei nesta noite
um grilo cantar.

Hazel de S.Francisco