As Promessas Quebradas do Vietnã: As Críticas de um Anarquista Vietnamita

A crítica de um anarquista vietnamita ao chamado socialismo no Vietnã.

Vietnam 2021, o clima geral parece ser de otimismo. A busca incessante de uma estratégia de Zero-Covid tem recebido ampla aprovação tanto dentro do país como internacionalmente. A economia conseguiu escapar com um crescimento positivo onde seus vizinhos sofreram um declínio devido à pandemia. Mas debaixo de toda a confusão, alguém estaria certo ao sentir que algo está errado. Há esta sensação incômoda de que ninguém parece ser capaz de colocar o dedo na ferida. Quase como se houvesse um espectro assombrando o Vietnã, o espectro do comunismo – o comunismo real, sem os sinos e assobios.

Como Emma Goldman observou com astúcia, não havia comunismo na URSS. O mesmo pode ser dito do Vietnã hoje em dia. O partido dominante – o Partido Comunista do Vietnã – há muito tempo se desviou do caminho do comunismo.

Antes do atual líder do partido iniciar seu terceiro mandato (2020-2025), ele formulou um roteiro ambicioso no qual, até 2045, o Vietnã se tornaria um país “desenvolvido”, em pé de igualdade com o Japão, a Coréia do Sul e Cingapura. Para nós, radicais, isto é uma traição à classe trabalhadora, aos povos indígenas e aos grupos marginalizados que tanto sacrificaram pela revolução vietnamita. Mas, como os marxista-leninistas de olhos claros com convicções inabaláveis lhe diriam, faz tudo parte do plano e 2045 será o ano tão esperado quando o Vietnã finalmente evoluirá para um país sem classe, sem dinheiro e sem Estado.

Entretanto, um olhar mais atento à sociedade vietnamita de hoje mostra que este plano é completamente ilusório e que as promessas são meras justificativas para que a classe dominante e a classe capitalista continuem a vampirizar o Vietnã por ainda mais tempo. A diferença entre o que as elites do Partido pregam e o que elas permitem que aconteça na realidade são como a noite e o dia.

Na medida em que a economia do Vietnã cresce a passos largos, cresce também a abismal brecha entre ricos e pobres. E nenhuma quantidade de bem-estar e regulamentação pode impedir a acumulação de capital ou o fluxo inverso de riqueza das mãos da maioria para as de poucos. Em nenhum lugar esse acúmulo é mais difundido do que no sistema de propriedade da terra. Este sistema permite que o controle da terra seja tirado das mãos dos camponeses e das pessoas comuns em troca de uma compensação mínima e entregue aos capitalistas que frequentemente lucram várias vezes mais com isso. Em todo o país, surgiram ricos edifícios residenciais, mas muito poucas pessoas deslocadas por eles podem se dar ao luxo de se mudar para cá. O bilionário Pham Nhât Vượng, cuja família tem a mesma riqueza que 800.000 homens e mulheres vietnamitas, não poderia ter construído seu império sem que a propriedade pública tivesse sido colocada em seus bolsos desta maneira.

Os ecossistemas já precários do Vietnã e as comunidades indígenas também estão pagando um preço pesado por este rápido desenvolvimento econômico. O plano para o setor elétrico até 2045 concedeu algumas concessões para as energias renováveis enquanto apoiava a construção de novas usinas elétricas alimentadas a carvão, ignorando sua enorme pegada de CO2 e os muitos avisos sobre a ligação entre a energia do carvão e a névoa PM (partículas finas) 2,5 que cobre as grandes cidades, ameaçando o bem-estar de milhões de pessoas. Em meados de 2010, centenas de pequenas centrais hidrelétricas foram construídas em áreas montanhosas em todo o país para satisfazer o apetite por eletricidade nas cidades e fábricas. Essas plantas não só perturbaram o sistema fluvial e privaram as terras agrícolas com privação de sedimentos essenciais, mas também causaram grandes e não mencionados estragos nos ambientes onde as comunidades indígenas vivem durante sua construção e operação. As usinas de energia solar em Ninh Thuận roubaram as terras de pastagem indígenas Chăm. O Delta do Mekong, a principal área de cultivo de arroz do Vietnã, vê atualmente sua existência ameaçada pelas muitas represas que estão sendo construídas aos montes na Tailândia e na China. E, ao mesmo tempo em que um plano nacional para plantar um bilhão de árvores está sendo ratificado, os capitalistas receberam um grande número de aprovações para lhes permitir transformar milhares de hectares de fazendas e florestas em campos de golfe e resorts.

Por trás de tudo isso está um profundo senso de nacionalismo – uma ferramenta eficaz para silenciar qualquer crítica significativa ao Estado, um valor que pode ser usado para minar outras lutas populares em nome de um interesse superior abstrato. O nacionalismo se tornou o elemento que determina o valor de um cidadão vietnamita.

Foi o nacionalismo que catapultou a Việt Minh [Liga pela Independência do Vietnã] na década de 1940. Foi o nacionalismo que impulsionou milhões de jovens vietnamitas a colocar o interesse da nação acima de seus próprios interesses enquanto lutavam de corpo e alma contra o imperialismo. Desde os primeiros dias do Partido, tem havido um esforço constante para cultivar um forte senso de nacionalismo em todos os lugares. O nacionalismo faz parte do currículo das crianças do Vietnã, em nossas canções, nossos poemas, nossa arte e em toda a mídia. Um dos maiores sucessos do Partido tem sido semear a confusão entre a identidade nacional e a lealdade do Partido. Em capitalistas vietnamitas contemporâneos como o VinGroup ou BKAV, pode-se ver a inspiração da máquina de propaganda estatal e a incorporação de elementos nacionalistas na comercialização de seus produtos.

Ironicamente, são os nacionalistas que afirmam serem os herdeiros da revolução “comunista” do Vietnã, mas é o grupo que mais se opõe a ideias radicais como a libertação animal, a libertação sexual e de gênero, a autonomia dos povos indígenas, a descriminalização do trabalho sexual e a solidariedade internacionalista com lutas como as de Hong Kong e Mianmar. A persuasão nacionalista transformou-se previsivelmente em uma força contrarrevolucionária e reacionária vestida de vermelho.

As vítimas do nacionalismo vietnamita incluem (não de forma exaustiva):

• Pessoas Queers, que continuam a enfrentar altos níveis de discriminação no Vietnã. Os avanços recentes em matéria de gênero e libertação sexual vieram em grande parte de elementos liberais, como o movimento Orgulho, que nada mais é do que um estratagema de marketing para empresas locais e estrangeiras. Mudanças substantivas, como o reconhecimento da paternidade do mesmo sexo e o reconhecimento das necessidades médicas das pessoas trans como direitos, sempre ficam em segundo plano para “as questões mais urgentes”.

• Trabalhadores sexuais, que são estigmatizados e alvo da polícia. Aos olhos da sociedade patriarcal vietnamita, o trabalho sexual não é reconhecido como trabalho, mas como uma mera patologia moral a ser erradicada. Como resultado, o trabalho sexual é culpado pela disseminação de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV e os trabalhadores do sexo, especialmente os trabalhadores do sexo que são queers, são marginalizados.

• As comunidades indígenas, que têm sofrido a investida das políticas expansionistas vietcong desde o período feudal, não encontram paz sob o regime “anti-imperialista” do estado atual. Pior ainda, sua opressão se intensificou à medida que o Estado adquire novas e mais eficazes ferramentas para neutralizar qualquer resistência e monitorar pró-ativamente a população aborígine.

No exterior, muitos defensores do “socialismo” no Vietnã testemunharam estes sinais de alerta óbvios, mas os ignoraram como justificados em nome do desenvolvimento de seu estado “socialista” preferido. Isto demonstra apatia e ignorância em relação à luta contínua do povo vietnamita por uma sociedade justa, bem como o apoio ao capitalismo, desde que ele esteja embrulhado em uma bandeira vermelha e afirme ser contrário às ambições imperialistas do “Ocidente”, particularmente as dos Estados Unidos, mesmo que tudo indique que o comunismo não está e nunca esteve nos planos.

Para concluir, existir é em si uma vitória, na verdade um papel claro, um papel para representar as vozes dos ativistas radicais no Vietnã. Chegamos à próxima classe trabalhadora, a juventude, que tanto perpetua como é oprimida pelo capitalismo e pelo Estado, para que possam se libertar das cadeias da opressão.

Mèo Mun

Fonte: https://libcom.org/meo-mun-broken-promises-vietnam

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

Nem brancos, nem dos barcos: os mitos da Argentina racista

Por Mauro Millán

“Os indígenas não saímos debaixo de uma pedra, da selva, nem de alguma cordilheira. Estávamos aqui há milhares de anos com nossas próprias normas, estruturas e conhecimentos do mundo que habitamos. Neste território éramos mais de cinco milhões, quando chegaram os barcos avassalando esta forma de vida”, escreve o lonko (liderança) mapuche Mauro Millán sobre a construção do Estado Nacional argentino à base de mitos e preconceitos.

O Estado argentino foi inaugurado com normas, estruturas, linguagem, religião, ideologias trazidas da Europa. Mas esse ato fundacional incluiu uma das tragédias mais dolorosas que se viveu neste território: centenas de milhares de indígenas assassinados, deslocados, escravizados e expropriados de seu território ancestral. E essa conformação não foi em um processo de consenso entre povos indígenas e europeus nascidos aqui. Por isso, dizer que o Estado argentino é um país de consensos e acordos é acrescentar esse negacionismo impregnado de racismo e supremacismo.

O presidente argentino Alberto Fernández disse: “Os mexicanos saíram dos índios, os brasileiros saíram da selva, mas nós, os argentinos, chegamos nos barcos da Europa”. Terá expressado isso porque o invade uma profunda ignorância da história deste continente ou porque deixou fluir seu pensamento como mais uma peça do colonialismo estrutural? O que surpreende é que o presidente seja tão sincero ao momento de negar a nossa existência. Os indígenas não “saímos” debaixo de uma pedra, da selva, nem de alguma cordilheira. Estávamos aqui há milhares de anos com nossas próprias normas, estruturas e conhecimentos do mundo que habitamos. Neste território éramos mais de cinco milhões, quando chegaram os barcos avassalando esta forma de vida.

O que se subentende nessa frase não é um simples tema de discriminação, tampouco é uma mera discussão midiática. Porque o problema não é que ao nosso território tenha chegado gente europeia, com cor de pele diferente e distintas identidades, o terrível é que muitos trouxeram uma ideologia de ódio que cultivaram aqui; uma ideologia baseada na exploração, na invasão, na apropriação e no privilégio.

O presidente está expressando nitidamente sua postura de sustentar esse projeto ansiado pela argentinidade branca; um projeto inviável sem a violência permanente aos povos indígenas que sobrevivemos e nos voltamos a levantar nosso território, como é a história do Povo Mapuche.

Os dizeres do presidente tornam sinceras as intenções das políticas que perseguem os povos e evidenciam o por quê de não estarmos nas agendas da diplomacia política e sim na agenda do sistema judicial ou de segurança. E aqui as tendências não contam. Quem expressa sua postura à direita, centro ou centro-esquerda tem a mesma visão, a mesma ideologia negacionista.

Estas expressões racistas também explicam por que ao Povo Mapuche Tehuelche se judicializa, por que esse Estado “descido dos barcos” nos persegue sistematicamente até o grau de nos assassinar e por que os assassinatos ficam impunes, como o de Rafael Nahuel. A frase de Alberto sentencia nossas lutas pelo território. Revela os fundamentos racistas com o que legitima o processo de criminalização de quem leva adiante essas lutas e reivindicações de direitos.

Em seu pedido de desculpas pelo Twitter o presidente disse que em meados do século XX chegaram mais de cinco milhões de imigrantes da Europa e de outras partes do mundo como Ásia ou Oriente Médio. Disse que esses imigrantes “conviveram” com “nossos povos originários”, inclusive acrescentou que se “sente orgulhoso dessa diversidade”. Em primeiro lugar, os povos indígenas não somos propriedade de ninguém. Falar de “nossos aborígenes”, “nossos indígenas” ou “nossos povos originários” implica em um olhar paternalista, muito recorrente nos setores progressistas de direitos humanos, do que já estamos mais do que fartos. Além disso, e em segundo lugar, a meados do século XX não houve tal “convivência”. Nas décadas de 1920 a 1950 houve um processo sistemático de despejos massivos e muito violentos. Acabávamos de padecer a tentativa de extermínio, porém estávamos remontando nossas economias e fortalecendo nossa cultura ancestral. Então, o Estado inicia uma nova onda de despejos. Para o Povo Mapuche Tehuelche essas décadas de “meados do século XX” foram nefastas, foram anos de muita tristeza. Com a expansão da pecuária e a chegada dos imigrantes do Estado legitimou massivas expulsões de comunidades mapuches tehuelches e de outros povos originários no resto do país. Em terceiro lugar, o presidente disse estar “orgulhoso”.

Evidentemente a desconstrução do pensamento colonial está longe de quem são os mandatários ou quem administram os destinos deste país. Contudo, há de ter uma mensagem para o resto dos argentinos: a identidade como nação não foi consultada, mas imposta e o primeiro ato fundacional que o Estado argentino teve foi tomar para si nossos territórios ancestrais. Mas a sociedade argentina tem que saber que estamos e que existimos, por mais que nos neguem.

Expressões tão obtusas, míopes e ignorantes como a que o presidente expressou de forma crua, põem em evidência que o Estado argentino está cada vez mais em conflito com a presença dos povos que reivindicam seus direitos fundamentais.

>> Mauro Millán é lonko mapuche da comunidade Lof Pillan Mawiza, Chubut Puelmapu.

Fonte: http://cosecharoja.org/ni-blancos-ni-de-los-barcos-los-mitos-de-la-argentina-racista/

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Arco-íris no céu,
chega ao fim o temporal:
tobogã de gnomos.

Ronaldo Bomfim

Datas da realização da X Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS)

Ao longo dos tempos, desde sua aparição, o Anarquismo tem se caracterizado por sua capacidade de perturbar as ordens, as moralidades, as normalidades. Desde as iniciativas das greves, até os tiranicídios, uma marca acompanha xs anarquistas: a não negociação com a autoridade.

Nesse intuito, e seguindo essa bela e negra tradição, xs anarquistas longe da polarização (esquerda-direita) ainda acreditamos que a única solução a iniquidade e exploração da terra e das pessoas é a destruição total da maquinaria política, econômica e social que criou e defende essa normalidade.

Mantemos aceso, assim, o convite a todas e todos para compartilhar, expor, construir, agir e sobretudo se encontrar para mais uma vez pensar a anarquia na sua potencia antagônica à dominação. Queremos fincar este chamado marcando as datas da realização da Décima Feira do Livro Anarquista em Porto Alegre:

Sexta-feira 26 de Novembro / Sábado 27 de Novembro / Domingo 28 de novembro

Morte ao Estado e Viva a Anarquia!

FLA-POA2021

flapoa.libertar.se

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/12/x-feira-do-livro-anarquista-de-porto-alegre-rs-novembro-2021/

agência de notícias anarquistas-ana

Entre os mugidos do gado
E o cheiro de capim,
Nasce a lua cheia.

Paulo Franchetti

Novo vídeo: Levante Pela Terra: O Bra$il É Terra Indígena!

Desde o dia 8 de junho de 2021, indígenas de diferentes etnias protestam em Brasília (DF) contra o Projeto de Lei 490. Esse Projeto de Lei abre as terras indígenas para a exploração econômica predatória e inviabiliza a demarcação de novas terras.

>> Assista o vídeo (02:20) aqui:

https://antimidia.org/levante-pela-terra-o-brail-e-terra-indigena/

agência de notícias anarquistas-ana

Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

Humberto del Maestro

[Estados Unidos] Navio de carga israelense bloqueado no porto de Seattle

A campanha #BlockTheBoat continua em todo o mundo. Após a vitória em Oakland, onde ativistas pró-Palestina impediram um navio de carga israelense de atracar no porto para descarregar suas mercadorias¹, foi a vez de Seattle se mobilizar pelas mesmas razões. Assim como na Bay Area, trata-se de um navio da empresa israelense Zim Integrated Shipping Services Ltd (ZIM) que está tentando atracar no porto de Emerald City.

Bloqueados no mar desde 2 de junho, a tripulação do barco tentou entrar no porto no sábado 12 de junho, mas várias centenas de pessoas os impediram de fazê-lo após responder a uma chamada do grupo feminista palestino Falastiniyat de Seattle². Há quase duas semanas, a empresa israelense vem perdendo milhares de dólares. Todos os dias que o navio passa no mar sem poder atracar no porto é uma vitória para os ativistas dos direitos palestinos! Viva a Filasṭīn livre!

[1] Após 17 dias de bloqueio, o navio de carga partiu sem poder descarregar sua carga.

[2] Falastiniyat é um coletivo de base de feministas da diáspora palestina que vive e se organiza em Seattle na intersecção da luta pela igualdade de gênero e anticolonialismo.

Fonte: http://ucl-saguenay.blogspot.com/2021/06/etats-unis-blocage-dun-bateau-cargo.html

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/14/israel-nossas-forcas-armadas-sao-uma-organizacao-terrorista/

agência de notícias anarquistas-ana

chuva na praia
o céu beija o mar
– gaivota espera

Zezé Pina

[França] Com apoio de Marine Le Pen, policiais franceses protestam em frente ao Parlamento

Milhares de policiais franceses se manifestaram nesta quarta-feira (19/05) em frente à Assembleia Nacional para exigir mais severidade aos agressores das forças de segurança. A manifestação, convocada pelos sindicatos da polícia, duas semanas após o assassinato de Eric Masson, um policial de Avignon morto por um traficante de drogas, teve a presença do ministro do Interior, Gérald Darmanin, e “total apoio” da líder de extrema direita, Marine Le Pen, que estava em Bordeaux. Seu partido, o Reunião Nacional (RN), tem se utilizado do tema da segurança para angariar simpatizantes e votos.

A um mês das eleições regionais na França e a apenas um ano das presidenciais, para as quais já se configura uma nova disputa entre o presidente Emmanuel Macron (centro) e Marine Le Pen, o ambiente era particular na tarde desta quinta-feira (19/05) em frente à Assembleia Nacional francesa, em Paris. No início desta semana, os sindicatos da polícia convocaram os cidadãos a se juntarem a eles, o que abriu a brecha para os políticos, mudando totalmente o tom da manifestação.

Em meio à campanha pelas regionais, toda a classe política francesa compareceu ao protesto dos policiais, exceto A França Insubmissa, o partido de esquerda radical liderado por Jean-Luc Mélenchon.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, que se diz às vezes mais radical que Marine Le Pen, esteve presente para “cumprimentar” os policiais, e quase todos os membros eleitos do partido de extrema direita Reunião Nacional (RN) estavam lá, exceto a própria Le Pen, que foi visitar uma delegacia de polícia em Bordeaux.

Vários representantes do partido Os Republicano, de direita, Olivier Faure, do Partido Socialista, e Fabien Roussel, do Partido Comunista, além de Yannick Jadot, do Europa Ecologia Os Verdes, estiveram presentes.

A direita e a extrema direita estavam fazendo “sua parte” nos dias que antecedem as eleições regionais, já que a segurança é o seu “mantra” e eles sabem o peso político que ela desempenha na cabeça dos eleitores. Já para os políticos de esquerda, o objetivo é ocupar a rua, para mostrar que eles também se preocupam com as demandas da polícia. Mas a utilização política destas presenças não é necessariamente bem vista pelos policiais que convocaram o ato.

“Eles não vão sequestrar a palavra da polícia e dos cidadãos”, alertou Olivier Hourcot, do sindicato policial Alliance. “Não é um fórum político. Eles terão outros espaços. Eles estão se preparando para as eleições. Eles terão projetos para defender e demandas para realizar. Mas hoje é a palavra dos policiais e dos cidadãos. Se eles [os políticos] estão lá para apoiar a polícia, tudo bem. Se amanhã eles estiverem no comando, terão que resolver o problema por conta própria. A polícia espera muito deles”, declarou.

Penas mais duras

A um ano das eleições presidenciais, a polícia francesa pressiona os dirigentes por uma resposta penal mais forte para os crimes cometidos contra os seus pares. Para eles, a Justiça deve ser mais firme e mais rápida quando há um ataque às forças de segurança.

O governo do presidente Emmanuel Macron tenta apaziguar os ânimos. Mais € 10 milhões foram anunciados pelo primeiro-ministro Jean Castex há dez dias, um montante que vai reforçar a segurança das tropas. Mas há também a lei de segurança global, que, segundo Castex, vai fortalecer o arsenal jurídico da polícia.

Mas essas medidas não são suficientes para os manifestantes. Alguns estão pedindo a implementação de sentenças mínimas obrigatórias. Outros simplesmente gostariam da aplicação das sentenças existentes.

A violência contra os encarregados da aplicação da lei dobrou em 20 anos na França. No início do ano, mais de 85 incidentes de “violência contra pessoas que detêm autoridade pública” foram registrados diariamente em todo o país, apenas para a polícia nacional.

A polícia está esgotada. Alguns vão trabalhar com uma bola no estômago. E acima de tudo, eles se sentem cada vez mais rejeitados por parte da população.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

Despertar Feminino

DESPERTAR FEMININO: LEITURA [READING] COLE[C]TIVA [E]

CHAMADA ABERTA::: LLAMADA ABIERTA::: OPEN CALL 

Convidamos mulheres artistas cis e trans, pessoas não binárias, militantes anarquistas, anarcafeministas e feministas autônomas para, na intenção de Maria A. Soares, nos “lançarmos  na luta” e lermos coletivamente em [português, espanhol e inglês], seu texto Despertar Feminino, de 1914, originalmente publicado no jornal A Lanterna. A Leitura será domingo, dia 20 de junho, às 15 horas [São Paulo].

O texto, Despertar Feminino, conclama a união das mulheres contra tudo o que as impede de realizar a verdadeira emancipação da humanidade. Maria A. pede para não nos aliarmos aos que exercem opressão em nome de um “ridículo orgulho masculino”. O texto também denuncia a condição feminina da época. 

Despertar inicia com críticas ao crescente movimento sufragista que reivindicava pelas mulheres o direito ao voto. Maria A. se posiciona contrária a essa bandeira crendo ser “uma coisa inútil”. 

A leitura acontecerá no domingo, dia 20 de junho, às 15 horas, via ZOOM. É gratuita e as inscrições podem ser feitas através do link disponível na bio [Inscrição leitura Despertar Feminino]. O encontro terá como resultado um vídeo que será lançado como parte da campanha do primeiro livro da coleção #charlasyluchas.

>> Mais infos em português, espanhol e inglês:

https://www.tendadelivros.site/despertarfeminino?mc_cid=ce69783fb5&mc_eid=8caea939b8

agência de notícias anarquistas-ana

Linha de combate:
as granadas e os petardos
são de chocolate.

Flora Figueiredo

[Escócia] Pink Peacock, café queer e anarquista, enfrenta acusações criminais por causa da sacola “Fuck the police”

Recém-inaugurado, Pink Peacock, um café queer, anarquista e idishista localizado em Glasgow, está sendo acusado de “violação da paz” por exibir uma sacola “Fuck the Police” (foda-se a polícia) em sua vitrine.

Na segunda-feira (14/06) xs companheirxs receberam a “visita” da polícia com uma “advertência formal”. Um porta-voz da ordem disse: “A polícia de Glasgow recebeu reclamações do público em relação a um item exibindo linguagem ofensiva na vidraça das instalações na área de Victoria Road em Govanhill”.

Alguns minutos após a partida, os policiais retornaram ao café. Disseram que precisavam apreender a sacola como “prova do crime”.

À medida que a hostilidade em relação ao café se intensificou, também aumentou a generosidade: na última quinzena, o café recebeu mais de £ 3.000 em doações e, nos últimos três dias, mais de 200 pedidos da sacola “foda-se a polícia” para sua loja online.

Recentemente, o Pink Peacock teve sua vitrine pichada e quebrada por um homem. O segundo ataque “conservador” em menos de um ano (o café tem apenas 7 meses de funcionamento parcial).

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

[França] Tapa na cara do Macron | Três reflexões

Três reflexões sobre o tapa dado em Macron por um homem, provavelmente monarquista ou fã dos Visitantes, antes de gritar “Montjoie Saint-Denis, no momento de atingir o presidente.

Ingratidão: Macron deu tudo para a extrema-direita. Nomeou um ministro do Interior da Ação Francesa, liderou uma política de extrema-direita ao mesmo tempo autoritária e racista, votou  com o RN as leis mais duras desde a Liberação contra os exilados, reprimiu todas as mobilizações sociais, ou mesmo vagamente de esquerda, reforçou o estado policial. Além dessa violência, Macron mostrou sua amizade com o extremista de direita Phillippe De Villiers e presenteou em seu Puy du Fou, amigo com o jornal reacionário Valeurs Actuelles, mantido por Eric Zemmour e ficou em silêncio a todas as violências da extrema-direita há 4 anos. E apesar disso levou um tapa de um indivíduo de extrema-direita. Vingança do destino.

Vulnerabilidade: Uma tradição bem francesa se instalou desde Sarkozy: os líderes políticos não andam sem um exército do CRS [Companhias Republicanas de Segurança] e guardas super equipados. O ponto máximo foi atingido por Macron, que mesmo numa visita ao interior da França é acompanhado de dezenas de forças da ordem. Mas mesmo com uma guarda pretoriana, ninguém é invulnerável. Esta bofetada é um exemplo, mas também, há alguns dias numa cidade do Lot, quando os habitantes gritaram para ele: “Você não vai durar, Macron” e “Onde está Steve?” Visto o clima de tensão política reinante, é provável que este não seja o único incidente.

União sagrada: depois da bofetada toda a classe política levou seu “apoio” a Emmanuel Macron e “condenação” ao ato. Uma espécie de “remake” da “Frente Republicana”, tipo de união em torno do presidente. Um concerto de hipocrisia. Quem nunca sonhou em bater em um presidente da república? Quem nunca desejou expressar sua raiva frente a Macron? O que é uma bofetada frente a quatro anos de mutilações, crimes policiais, de violência social e insultos? O corpo do monarca presidencial é mais sagrado que os outros? Quanto à denúncia da extrema-direita, é indigno usar essa bofetada para tentar falar de antifascismo a pessoas que metodicamente fazem crescer Marine Le Pen. A violência de extrema-direita, os ataques à mesquitas, as agressões racistas, os militantes violentados, acontecem a cada semana frente a uma indiferença mortífera. Nenhum apoio aos cúmplices do fascismo.

Nantes Révoltée

agência de notícias anarquistas-ana

o céu e o mar
no horizonte nenhuma fresta,
para te espiar.

Núbia Parente

Declaração da Delegação Internacional para a Paz e Liberdade no Curdistão

A UCL (União Comunista Libertária – França) participou da delegação europeia para observar os crimes de guerra turcos no Curdistão iraquiano.

Esta delegação acontece no momento em que Erdogan é recebido na cúpula da OTAN. Seu encontro formal com Macron, não esconde seu objetivo, que é obviamente legitimar sua invasão ilegal do Iraque, e obter da OTAN um cheque em branco para continuar sua campanha militar. Seu pretexto: erradicar o PKK, uma “organização terrorista” de acordo com a lista negra do Conselho da Europa.

Sua estratégia: intimidar as nações europeias, manter os bombardeios, a pressão militar e a destruição das plantações no Curdistão iraquiano, forçar o PDK de Mahmoud Barzani a colaborar abertamente com ele, contra seus irmãos e irmãs no Curdistão.

No momento da publicação destas informações, a conferência da delegação foi impedida pelo PDK, e o hotel onde é realizada é cercado pelos militares, e nossos camaradas foram enviados de volta à França após interrogatório pela polícia do PDK, traidor da causa curda.

Nós, como delegação de toda a Europa, viemos ao Curdistão em busca de paz e liberdade. Políticos, acadêmicos, ativistas de direitos humanos, ambientalistas e feministas, sindicalistas, jornalistas de mais de 10 países queriam ter uma impressão de primeira mão da situação e se mobilizar para deter a guerra e a destruição. Com 150 pessoas, quisemos estabelecer um diálogo com membros do parlamento, todos os partidos políticos e visitar ONGs a fim de contribuir para a construção de um diálogo entre os diferentes atores políticos curdos.

A invasão do exército turco, que viola o direito internacional, é inaceitável. Entretanto, lamentamos ver que a comunidade internacional permanece impassível diante dela e não garante o respeito ao direito internacional e aos direitos humanos.

O Governo Regional do Curdistão (KRG) impediu a delegação de estabelecer um diálogo com os atores políticos do Curdistão do Sul. As organizações que queríamos visitar foram intimidadas a abandonar seus compromissos já programados. Uma grande parte da delegação não pôde chegar ao Curdistão. 14 pessoas foram deportadas até agora, ou estão prestes a ser deportadas. Pelo menos 27 pessoas foram detidas no aeroporto de Düsseldorf na Alemanha e proibidas de sair.

Estamos indignados com as deportações ilegais de nossos amigos estrangeiros por ordem do Governo Regional do Curdistão e com as proibições de viagem por “parecerem politizadas”, sem nenhuma base legal clara. A liberdade de imprensa e o engajamento da sociedade civil são elementos essenciais de qualquer sistema democrático e não devem ser suprimidos em nenhuma circunstância.

A fim de promover a paz, não poupamos esforços e fomos bem recebidos no Curdistão do Sul. Pudemos visitar locais culturais, religiosos e históricos e fomos convidados a conversar com Baba Sheikh, o mais alto representante religioso da comunidade Yezidi. No campo de refugiados Yezidi de Sharya, que sofreu um grande incêndio há uma semana, falamos com pessoas que são particularmente afetadas pela guerra, deslocamento e destruição.

A amizade e a hospitalidade que experimentamos com as pessoas que vivem aqui é muito gratificante e nos encoraja ainda mais a perseguir nosso objetivo. Estamos aqui em solidariedade com o povo curdo e com todos os grupos étnicos e religiosos do Curdistão.

Somos internacionalistas, e não representamos nenhum partido curdo específico ou movimento político. Nos opomos à colonização do Curdistão por terceiros Estados. Não estamos aqui para nos opor a nenhum partido curdo. Pelo contrário, queremos apoiar um diálogo entre todas as diferentes opiniões. Este não é um problema curdo, mas uma agressão do Estado turco e do exército turco contra a população local e a natureza das regiões curdas.

É uma armadilha e um perigo para a paz e para o futuro de todo o Oriente Médio se for provocada uma disputa ou mesmo um conflito armado entre os curdos. Gostaríamos de advertir fortemente todos os curdos sobre isto e apelar para o estabelecimento e a continuação do diálogo. Uma solução política deve ser encontrada e é necessário permanecer unido contra as ameaças externas.

Portanto, nossas exigências são as seguintes:

1. Todos aqueles que quiseram se juntar à delegação e foram impedidos de embarcar, presos ou deportados em um dos aeroportos devem ser liberados e autorizados a se juntar a nós.

2. Todos os atores políticos curdos devem retomar o diálogo uns com os outros.

3. Exortamos todas as organizações internacionais e instituições políticas a apoiarem uma solução pacífica. O exército do estado turco deve retirar-se imediatamente de toda a região.

Os curdos têm as montanhas, mas hoje eles também têm amigos. Todos os amigos dos curdos são chamados a se mobilizarem, a divulgarem a mensagem e a contribuírem em seu nível para o processo de paz.

Delegação Internacional para a Paz e Liberdade no Curdistão

Erbil, Curdistão do Sul, 13 de junho de 2021

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Declaration-de-la-Delegation-internationale-pour-la-paix-et-la-liberte-au

Tradução > Liberto

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velho jornal
levado pelo vento
prevê temporal

Carlos Seabra

[França] Julgamento dos assassinos de Clément: a extrema-direita é um veneno mortal

Na sexta-feira 4 de junho, o Tribunal de Evry Assize condenou os dois ex-nazistas skinheads pela morte de nosso camarada Clément Méric a oito e cinco anos de prisão. Estas sentenças, menos severas do que em primeira instância, confirmaram, no entanto, que eram de fato os nervos fascistas que estavam por trás do ataque e tinham atingido os primeiros golpes.

Este julgamento e seu veredicto são uma clara negação da tese dos apoiadores dos assassinos, incluindo seu ex-mentor, Serge Ayoub, vulgo Batskin (ex-líder carismático dos skinheads neonazistas parisienses), e amplamente divulgada na mídia de extrema-direita e não só: esta não foi uma simples briga entre duas gangues rivais que deu errado. Os assassinos agiram de forma consciente e por ódio político.

Esta agressão é característica da verdadeira natureza da extrema-direita e da essência de seu projeto político: estabelecer uma ordem racista, patriarcal e autoritária pela violência ou pelas urnas. Vemos isso todos os dias com a multiplicação de ataques racistas, antissemitas, islamofóbicos, contra pessoas LGBTI, mas também contra todos aqueles que lutam por um mundo mais justo. Clément Méric, um ativista do Solidaires Etudiants-e-s e da Ação Antifascista Paris-Banlieue foi um inimigo designado, como todos aqueles que carregam um projeto político de solidariedade e emancipação social.

A extrema-direita se alimenta das desigualdades sociais deste sistema capitalista para prosperar. Para lutar contra um é preciso lutar contra ambos. Diante da extrema-direita, nossa resposta deve ser firme, unida e intransigente. Já saudamos o sucesso da manifestação de 5 de junho em Paris e pedimos a todos que amplifiquem ainda mais a mobilização pelas liberdades e contra as ideias de extrema-direita em 12 de junho em todo o território e em 3 e 4 de julho em Perpignan durante o congresso do Rassemblement national.

Antifascistas, em todos os lugares, o tempo todo.

UCL, 6 de junho de 2021

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Proces-des-assassins-de-Clement-l-extreme-droite-est-un-poison-mortel

Tradução > Liberto

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Todos dormem.
Eu nado na noite que
entra pela janela.

Robert Melançon

Jornadas Anarco Punk on-line

A Jornada Anarco Punk on-line (edição 2021) busca dar continuidade a um processo presencial interrompido pela pandemia. Temas previstos em 2020 serão lançados neste encontro digital, provocando a galera a conversar, debater e participar em três momentos previstos nos próximos finais-de semana (19 e 20 de junho, 26 e 27 de junho, 03 e 04 de julho) às 20h. Os temas destes encontros serão A Educação Sabotadora AnarcoPunk – Mauricio Remigio; Desobediência Audiovisual: uma câmera na mão e insurgências na cabeça – Léo Pimentel; Movimentos Sociais Populares: desafios, impasses e lições na história Rogério Nascimento; Punk, Memória e Esquecimento – Leandro Sousa, No Corpo, Sexo é Capital – Gisele Gallicchio, Zonas Libertárias – Josimas Ramos. Fique atento aos links que serão fornecidos semanalmente para nossa conexão.

A EDUCAÇÃO SABOTADORA ANARCOPUNK

20/06-20h

on-line

DESOBEDIÊNCIA AUDIOVISUAL: UMA CÂMARA NA MÃO E INSURGÊNCIA NA CABEÇA

Link dia 19/06 https://meet.google.com/mvr-sfgp-yez

Link dia 20/06 https://meet.google.com/ioy-xgus-qvz

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manhã de sol
sombra do pardal no poste
primeira visita do dia

Alonso Alvarez

 

[Espanha] Apresentação do livro “Pedagogía Incendiaria”

Sábado, 19 de junho, às 18h30, na CNT-AIT, Vilanova i la Geltrú, c/ Teatre, 21. 

Acreditamos em uma escola aberta que não acredita nos estigmas nem nas más notas. Vamos fazer voar as paredes da tradicionalidade e empurrar nossos docentes ao século XXI, trazidos à força pelos estudantes.

Os dinossauros da velha escola têm que dar passagem à contemporaneidade. Já acabou a hora de pensar em utopismos, em melhorar as estatísticas e na “educação do futuro”. O tempo é agora e é uma realidade.

Quando foi a última vez que se perguntou aos estudantes que é que queriam estudar ou fazer?

O que teria de mal que a aula saia um pouco do controle?

Por que não permitimos que nos ensinem sobre seu mundo e trabalhar desde seu ponto de vista?

No interior deste livro se encontrará uma crítica à realidade docente de princípios do Século XXI e um compêndio de ideias sobre como modificar a educação atual desde as bases, para que ir à escola não seja uma tortura para ninguém e passe a ser um espaço lúdico e criativo, fiel ao que se espera do mundo contemporâneo, transformando desde a base a escola padronizada.

Havendo tanto investimento em grandiloquentes especialistas em educação não consigo compreender como pode ser que os resultados cada vez refletem mais decepção pelo Sistema Educativo, sem importar o país ou situação social da qual se fale. Por isso minha frustração e por isso apresento este livro, (contracapa do livro). “Pedagogía Incendiaria”. Abel Lisman

Tradução > Sol de Abril

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Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.

Eolo Yberê Libera

[Itália] Alessandria: 7ª edição do Festival do Canto Anárquico Popular e Autoral

Dia 20 de junho, a partir das 15h00 | No Laboratório Anarquista PerlaNera, na via Tiziano Vecellio 2

NA MINHA HORA DE LIBERDADE

Onde todas as diferentes facetas do canto anarquista se apresentarão. Durante todo o dia de domingo, de fato, música de autoria ou canções folclóricas tradicionais e de luta, será cantada por um ou mais cantores e também por coros, unidos por letras ou músicas que tenham uma abordagem anárquica no sentido social. Durante todo o dia, haverá serviço de bar e bebidas.

Se apresentarão:

Giada Salerno & Marco Cavina / Michelangelo Di Cerbo / Rocco Rosignoli / Coro Stazione Rossa / Fooga & Nico / OltreCoro / Sebastiano Guida / Davide Giromini / Cranked / CorAut

FB: https://www.facebook.com/events/511888096822703/?ref=newsfeed

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Outono em fuga
Assustado com o frio
De cara feroz.

Leosan

Encontro digital | Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio

Conversa digital com as articuladoras Marcia Lysllane e Marisa Feffermann | Dia 19 de junho, às 19h.

A p r e s e n t a ç ã o

Nós somos um movimento que se pauta no trabalho em rede, composto por organizações, como coletivos, ONGs e Pastorais, e pessoas, com atuação voluntária, que são ativistas e profissionais de várias áreas, tanto do setor público quanto do setor privado no Estado de São Paulo.

Desde 2017, buscamos formas organizadas e sistemáticas de proteção e resistências às violações de direitos praticadas pelo Estado brasileiro, que representam uma violência institucional: a criminalização, o encarceramento massivo e a morte violenta da população pobre do país que atinge especialmente quem é jovem negro e periférico.

As referências de concepção das nossas propostas de ação consideram quatro conceitos: juvenicídio, genocídio, trabalho em rede e territorialidade.

redecontraogenocidiosp@gmail.com

@RedeContraoGenocidio

https://www.facebook.com/RedeContraoGenocidio

https://drive.google.com/file/d/1gdOhxO2OEcAdphU-4FkLi-ZXx5hI14Qr/view

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial

FB: https://www.facebook.com/events/232249532044300/?ref=newsfeed

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Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti

[Argentina] Apresentação do livro “La vida es un arma”. Antologia de Rafael Barrett

Sábado, 19 de junho, às 17h00. Transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Biblioteca Alberto Ghiraldo

https://youtu.be/62iLzC0ir6s

La vida es un arma“. Onde ferir, sobre que obstáculo tensionar nossos músculos, em que cume pendurar nossos desejos? Será melhor gastarmos de um golpe e morrer a morte ardente da bala esmagada contra o muro ou envelhecer no caminho sem fim e sobreviver à esperança? As forças que o destino esqueceu um instante em nossas mãos são forças de tempestade.”

A obra de Rafael Barrett é de uma profundidade comovente, revolucionária e indefinível. Impregnada das vozes que o rodeiam, não se parece a nenhuma. Fala livremente, fala com desenvoltura, traçando percursos inimagináveis.

A presente antologia reúne uma seleção de seus ensaios, contos, conferências e artigos. Escritos que, ainda que à distância, continuam encontrando-nos na crítica e rechaço dos males deste mundo.

Ver livro em: https://lazoediciones.blogspot.com

FB: https://www.facebook.com/events/523174502214871/

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Pardal orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan