
Instituto de Estudos Libertários (IEL) entrevista o artista Bacuri | Fevereiro de 2026
Oi Bacuri! Obrigada pela entrevista! Fale um pouco de você?
Olá, agradeço pelo convite.
Bem, eu sou nascido e criado nas ruas do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo e, como todo jovem da periferia, por volta de 1996 tive contato muito cedo com a cena da pixação, ingressando ativamente nesse segmento até o início dos anos 2000. Depois, fiz uma breve migração para o graffiti. Entre 2005 e 2006, comecei a fazer, quase de forma experimental, meus primeiros trabalhos com a técnica do stencil, sempre realizando intervenções pelas ruas de forma não autorizada.
Após esse período, tive um hiato na vida artística devido ao meu envolvimento com outras questões ilegais. Retomei meu trabalho nas ruas a partir de 2016 de forma mais sólida, utilizando a técnica do stencil como principal método artístico — período que também converge com o início da minha formação como anarquista.
Como você conheceu o anarquismo?
É uma longa história, diferente da maioria. Até mesmo pelo círculo marginal do qual eu fazia/faço parte, o anarquismo nunca me foi apresentado por ninguém. Eu costumo dizer que minha formação política começou com o rap. Em 1994, por influência dos amigos da rua, ganhei um vinil dos Racionais MC’s (Raio X do Brasil). Isso foi determinante pra minha formação: ali eu aprendi que não se deve confiar na polícia, que o Estado não gosta de gente como a gente, etc.
Outra coisa é que o rap sempre incentivou a busca pelo conhecimento, o estudo e a leitura. Quando eu ainda vivia uma vida ilegal, um dia entrei em um sebo procurando algum livro pra ler, quando a capa de um livro me chamou a atenção. O livro era O que é isso, companheiro?, do Fernando Gabeira. Eu não fazia ideia de quem era o autor (e depois descobri que aquilo era, em parte, uma fabulação do próprio), mas fiquei fascinado com a ação de captura do embaixador americano.
Resumidamente, comecei a puxar um novelo: o que é um crime político? Quem eram essas pessoas e por que fizeram essa ação? No que elas acreditavam? Eu mal sabia que o Brasil tinha vivido uma ditadura — era tudo novo pra mim. Aí descobri o que era o comunismo. Puxando mais o novelo, descobri o que era marxismo. Li bastante literatura marxista, mas nunca me considerei marxista. Embora eu gostasse do que estava aprendendo, havia uma certa rigidez com a qual eu não me identificava.
Eu não sabia nada sobre anarquismo, principalmente porque a literatura marxista, quando não faz uma crítica superficial ao anarquismo, simplesmente o ignora. Até que um dia, também em um sebo, procurando algo para ler, outro livro me chamou a atenção pela capa: Um cadáver ao sol, da Iza Salles. Comprei sem muita pretensão, mas rapidamente devorei o livro e me identifiquei muito com a história do Antônio Bernardo Canellas. Achei incrível ele ter ido até a URSS e contrariado os dirigentes comunistas.
Aí comecei a puxar esse novelo, igual fiz com o marxismo. Olhando pra minha própria história, como alguém que sempre foi refratário à autoridade, e olhando pra história de pessoas como Bakunin, Makhno e Durruti, minha identificação foi imediata. Então minha descoberta do anarquismo foi quase acidental. Também pode-se dizer, ironicamente, que o que me levou ao anarquismo foram justamente as questões com as quais eu não me identificava no marxismo — não só na estratégia política, mas, principalmente, para um artista como eu, também no campo da estética.
>> Leia a entrevista na íntegra aqui:
https://ielibertarios.wordpress.com/2026/02/13/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-o-artista-bacuri/
agência de notícias anarquistas-ana
o lutador, na velhice,
conta à sua mulher o combate
que não devia ter perdido
Buson
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!
Vida longa à uaf! Vida longa ao anarquismo!