
Desde a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) de Córdoba, como sindicato de classe, internacionalista e profundamente antimilitarista, manifestamos nossa mais enérgica rechaço ao ataque brutal iniciado em 28 de fevereiro passado pelas forças militares dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
Esta ofensiva armada, camuflada sob o pretexto banal dos “ataques preventivos” e uma suposta “democratização” da região, constitui uma agressão imperialista de grande envergadura. Seu objetivo real não é outro que garantir o controle geopolítico e dos recursos energéticos do Oriente Médio. Estamos ante um passo definitivo na “israelização” da ordem internacional impulsionada pela administração Trump, onde os EUA rompem com qualquer simulacro de respeito à legalidade internacional e aos princípios elementares da diplomacia. Se aposta, em troca, pelo sequestro ou assassinato de dirigentes de países soberanos com total impunidade, a imagem e semelhança da política criminosa desenvolvida por Israel de Netanyahu na Palestina e que teve seu antecedente mais próximo na agressão dos EUA contra a Venezuela ainda em curso.
A ruptura dos últimos vestígios da ordem internacional — por injustiça que esta fosse — nos leva à lei do mais forte. Este cenário só leva a aprofundar a crise ecossocial global e a depauperar ainda mais a classe trabalhadora. A escalada bélica cumpre a aspiração israelense de arrastar os EUA a um conflito regional massivo para emergir como potência dominante sob o programa do “Grande Israel”. Nem Trump nem Netanyahu duvidaram em provocar o caos e a destruição, assumindo milhares de vítimas civis e empurrando nossas sociedades a uma crise inflacionária sem precedentes, superior inclusive à provocada pela agressão russa contra a Ucrânia.
Assistimos a consolidação da deriva militarista de um “fascismo fóssil” assentado em petroestados que recorrem à guerra para defender seus interesses vinculados ao controle da energia.
Nossas Considerações :
• Contra a Guerra do Capital: Rechaçamos a política belicista de Trump e Netanyahu. A guerra é uma ferramenta das elites para dirimir suas cotas de poder à custa do sangue e da economia dos que nada tem a ganhar neste conflito: a classe trabalhadora.
• Solidariedade com o Povo do Irã: Nossa solidariedade é com os trabalhadores e os trabalhadores iranianos, que sofrem o duplo golpe da agressão externa e da opressão interna. Não apoiamos regimes teocráticos nem autoritários, mas sustentamos que a liberação dos povos só pode emanar deles mesmos. A história no Iraque, Líbia ou Afeganistão demonstra que as invasões estrangeiras nunca trazem democracia nem soberania.
• Nem um Soldado, Nem um Euro para a Guerra: Exigimos o cessar imediato da agressão e o fim da cumplicidade europeia com os EUA e Israel. A Europa não pode seguir vinculada aos interesses internacionais de um governo como o dos EUA, que viola sistematicamente o direito internacional e se converte no principal risco para a segurança global, e que pretende manter a Europa em uma dependência estratégica, econômica e energética que prejudica os interesses da classe trabalhadora europeia.
• Não ao uso das Bases da OTAN: Aplaudimos o rechaço ao uso das bases militares em solo espanhol (como Rota ou Morón) para fins logísticos neste massacre. Exigimos ao Governo da Espanha uma neutralidade ativa e o desmantelamento das bases da OTAN, que nos convertemos em cúmplices necessários da barbárie.
• Soberania Energética e Descarbonização: É urgente nos independizarmos da chantagem dos petroestados, desde EUA e até Rússia como monarquias do Golfo. Necessitamos de uma transição energética baseada em renováveis que caiba com as dependências que alimentam estas guerras e nos permita avançar na descarbonização real de nossas sociedades.
• Mobilização Permanente: Chamamos à mobilização social, à objeção e à desobediência civil frente à maquinaria de morte. Não permitiremos que o silêncio nos faça cúmplices de novos massacres que se somem ao genocídio na Palestina, protagonizado por esta mesma dupla de agressores.
Tradução > Sol de Abril
agência de notícias anarquistas-ana
casca oca
um charuto
cantou-se toda
Matsuo Bashô
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!