[Alemanha] Milhares de jovens saem às ruas para protestar contra o serviço militar obrigatório

Em 8 de maio de 1945, os fascistas de Hitler capitularam; a Europa jazia em ruínas. Mesmo dentro do campo conservador, os alemães juraram: “Nunca mais guerra, nunca mais fascismo!”
 
Os organizadores do movimento de greve estudantil escolheram deliberadamente um dia de grande significado histórico para a terceira greve estudantil nacional contra a ameaça iminente do serviço militar obrigatório. Segundo seus cálculos, 45 mil jovens em mais de 150 cidades voltaram às ruas na sexta-feira (08/05) para lembrar a todos para onde o mundo caminhava quando o imperialismo alemão aspirava, pela última vez, ter o “exército convencional mais poderoso da Europa”. Os estudantes exigiram a revogação da “Lei de Modernização do Serviço Militar”, o fim da reintrodução gradual do serviço militar obrigatório e a suspensão da presença da Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) nas escolas.
 
Em Berlim, segundo os organizadores, cerca de 9.000 jovens atenderam ao chamado para uma greve. A manifestação se reuniu no Portão de Brandemburgo e seguiu dali pelo parque Tiergarten. Ao passarem pelo Monumento aos Mortos da Guerra Soviéticos, um forte grito de “Alerta, alerta, antifascistas!” ecoou. A manifestação em Berlim foi, mais uma vez, fortemente influenciada pelos slogans da luta de classes. As numerosas bandeiras palestinas também demonstraram que muitos jovens estão bastante conscientes da conexão entre solidariedade internacional, anti-imperialismo e antimilitarismo.
 
Assim como durante a greve estudantil de 5 de março, a polícia voltou a estar presente em grande número e várias prisões foram efetuadas. Segundo informações imprensa local, diversos jovens foram detidos em conexão com vários incidentes após retrucarem a provocações de sionistas e outros fascistas.
 
Casos de repressão estatal também foram relatados em outras cidades. Por exemplo, em Essen, a polícia ameaçou apresentar queixa e exigiu a remoção de uma faixa com os dizeres “Merz, lamba suas bolas”. Em Münster, os dados pessoais de manifestantes que entoavam o mesmo slogan foram registrados. Em Wuppertal, as autoridades também ameaçaram apresentar queixas por faixas semelhantes. Em Munique, uma pessoa foi presa por carregar uma faixa com os dizeres “Merz, morra você mesmo na Frente Oriental”. A manifestação final também foi cercada por um cordão policial.
 
Diversas táticas usuais de intimidação estatal já haviam vindo à tona. Por exemplo, dois adolescentes que participavam do movimento de greve estudantil em Kiel relataram em um vídeo no Instagram que foram abordados pelo Escritório de Proteção da Constituição e pela Polícia Criminal Federal. Um deles disse que, a caminho da escola, foi parado por um homem que se dizia funcionário do serviço nacional de inteligência.
 
No entanto, esses métodos não impedem os estudantes de planejarem novas ações contra o rearme e os preparativos para a guerra. Os organizadores anunciaram que o próximo passo será uma mobilização de uma semana contra o Dia dos Veteranos, de 15 a 21 de junho. Depois disso, eles usarão as férias de verão para realizar reuniões internas dentro do movimento para organizar a próxima greve no outono.
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.
 
Paulo Franchetti

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