[Suíça] 200 zines

A fanzinoteca gratuita de Friburgo acaba de distribuir seu 200º fanzine. Ótima oportunidade para compartilhar uma primeira avaliação.

O projeto nasceu com a chegada do inverno de 2024, quando dois amigos se perguntavam como se manter ocupados nos meses frios que se aproximavam. Depois de hesitar em divulgar textos, criando uma dupla teatral, veio a ideia de circular ideias em papel. Foi quando nasceu a fanzinoteca livre, inicialmente, formada por uma simples pilha de folhetos e fanzines empilhados num canto. Os primeiros zines estavam lá, o desejo de divulgá-los também, e encontramos um bom nome para o projeto. Só faltava um lugar para guardar os volumes.

Consideramos diversas opções. Alugar um espaço, dividir a biblioteca de fanzines em pequenas caixas espalhadas por diferentes lugares, ou criar um projeto móvel para levar em eventos e festivais. Nesse período de reflexão, a pilha de fanzines continuou a crescer.

Foi quando apareceu uma casa. O projeto emergente encontrou refúgio no restaurante Les Menteurs, no antigo Espace Cardinal. Em março de 2024, Pascal, ou GG, Gentil Gérant, abriu a porta para nós, primeiro, como alternativa temporária, depois por período ilimitado. Os fanzines empilhados encontraram seu lugar em prateleiras bonitas, prontos para serem escolhidos e levados por vocês, caros leitores.

Desde então, a cada semana, às prateleiras se adicionaram novos folhetos, livros, zines, revistas e até alguns jogos. Foram escolhidos da seguinte forma.

1.            Pedidos ou impressões de publicações que vemos nos nossos canais de comunicação.

2.            Compras ou trocas com outras fanzinotecas, info-quiosques e livrarias.

3.            Compras ou doações de pessoas que criam fanzines, tanto os já conhecidos de nós, como outros, que vieram fazer contato.

Tudo é distribuído gratuitamente, independente do custo de aquisição. Até agora, o equilíbrio está funcionando: o pouco dinheiro arrecadado financia futuras aquisições.

Diferente de outros projetos semelhantes, optamos por não funcionar como biblioteca de arquivo. Mesmo que seja perfeitamente possível ler no local, enquanto se desfruta de uma bebida ou de um prato preparado pela equipe do restaurante Menteurs, com ênfase explícita em passar adiante. Queremos que as pequenas obras circulem, passem de mão em mão, estimulem mentes.

Assim, nascem zines e outras produções autônomas: o desejo de compartilhar ideias, paixões, reflexões e experiências com o mundo exterior sem passar por canais comerciais ou midiáticos tradicionais, que muitas vezes não são muito acessíveis para os mortais comuns. Nisso reside, de modo profundo, o aspecto político do projeto.

A liberdade de imprensa só é assegurada a quem tem impressora“, diziam os editores anarquistas russos quando lutavam para derrubar o regime do tzar. Hoje, o cenário da comunicação (mídia e editoras) está cada vez mais concentrado nas mãos de grandes grupos ricos, às vezes, servindo a uma estratégia assumida de extrema-direita. O grupo Bolloré é um exemplo emblemático: dono de grande parte dos meios e edições francófonos.

As principais plataformas de redes sociais, há muito apresentadas como alternativa à monopolização da liberdade de expressão pela mídia tradicional, também se uniram, sem constrangimento, aos projetos fascistas de figuras como o Trump. Nesse contexto, podíamos até atualizar o slogan dos editores russos: “A liberdade de expressão será assegurada por aqueles que se expressam“.

Colocar as ideias no papel e circular como o seu entorno é uma ótima maneira de se expressar livremente, com total independência.

É exatamente isso que gostamos de fazer na fanzinoteca gratuita. Venha nos visitar e aprecie os próximos 200 fanzines!

Fonte: https://renverse.co/analyses/article/200-zines-8437

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

sob o luar
até eu
sou paisagem

Cláudio Feldman

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