[Espanha] Morre o cantor flamenco José Domínguez ‘el Cabrero’ aos 81 anos

Por Cristina Pérez | 13/05/2026
 
O cantor flamenco José Domínguez, conhecido como El Cabrero , faleceu em Sevilha na manhã de terça-feira, aos 81 anos. Uma figura carismática, de espírito livre e admirada no mundo do flamenco nas últimas décadas.
 
Desde a infância e durante boa parte da sua vida adulta, ele foi pastor de cabras, embora só tenha entrado nas redes sociais na fase final da sua carreira artística. O pastoreio dava-lhe bastante tempo para “pensar e olhar para o futuro”, servindo-lhe como “um refúgio”.
 
A capela funerária será montada no Teatro Municipal da cidade sevilhana de Aznalcóllar, seu local de nascimento, e, por expresso desejo da família, a cobertura da mídia não será permitida, de acordo com a promotora Acción Producciones.
 
El Cabrero estava afastado dos holofotes há alguns anos. Em 2020, ele se despediu dos palcos e do público por sofrer de “dores no diafragma”, após interromper sua turnê de despedida em maio de 2019 devido a um AVC.
 
Figura lendária, José Domínguez foi tema de uma biografia ficcionalizada pelo jornalista Eduardo Izquierdo, intitulada “Devo ser uma presa muito boa quando tenho tantas espingardas apontadas para mim“. Ele foi uma figura singular na música popular espanhola, distinguindo-se por sua personalidade forte, porém humilde, e por seu status de poeta do povo.
 
Seu início como cantor de flamenco foi inspirado no álbum Canta Jerez, com Tío Borrico, Terremoto, El Sernita, El Sordera, Romerito, El Mono, El Indio e Morao no violão.
 
Emblema cultural da Transição, seu primeiro álbum, em 1975, foi Así canta el Cabrero (Assim canta o Pastor de Cabras). Ele alcançou fama internacional, e a emissora francesa La Sept dedicou-lhe um documentário em 1988: El Cabrero. El canto de la Sierra (O Pastor de Cabras. O canto da Serra). Em seus anos dourados, os clubes de flamenco disputavam seus serviços, ainda mais do que ícones como Camarón ou El Lebrijano.
 
Apaixonado por tango
 
Um cantor flamenco apaixonado pelo tango apresentou os clássicos “Volver”, “Ventarrón”, “Cuesta abajo” e “El último organito” no Festival Internacional de Tango de Granada, acompanhado pelo trio Tango al Sur. El Cabrero recebeu aplausos estrondosos como cantor de tango.
 
O sucesso que alcançou nos palcos de Granada levou-o a tomar uma decisão inédita: gravar um álbum inteiramente dedicado ao tango, sem qualquer fusão ou referência ao flamenco. O álbum, Sin Remache, produzido por Daniel Giraudo, recebeu a mesma aclamação que as suas apresentações ao vivo, tanto em Espanha como na Argentina.
 
Em 1988, o cantor recebeu um convite para participar do Festival de Tango de Buenos Aires, uma honra inesperada que teve de recusar por motivos profissionais.
 
Na década de 1990, ele participou de festivais de música do mundo todo e até se juntou à turnê Secret World Tour de Peter Gabriel em 1993. Colaborou com o grupo de rock Reincidentes, e outra banda, Marea, fez um cover de sua música “Como el viento de Poniente” para o álbum Besos de perro (2002), o que o levou a um público mais amplo.
 
Anarquista filiado à CNT, suas canções retratam trabalhadores braçais, pescadores e lavradores. Seus versos expõem as hierarquias sociais perversas, o vazio dos políticos e as maquinações dos poderosos, ao mesmo tempo que exaltam a dignidade da humanidade.
 
O flamenco nasceu na pobreza da Baixa Andaluzia. Muitas de suas letras e melodias mais representativas são uma expressão perfeita do sofrimento. Por isso, essa arte é e continua sendo um instrumento de conscientização, uma bandeira que El Cabrero, ergueu como nenhuma outra, que descanse em paz.
 
Fonte: https://www.rtve.es/noticias/20260513/muere-cantaor-jose-dominguez-cabrero-81-anos/17066793.shtml
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Tarde de outono —
Assustada a coruja
Acorda com o trovão
 
Eduardo Balduino

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