João Argolo: caráter de ferro, coração de ouro.

Por Carlos Ferreira de Araújo Júnior

João Valentim Argolo foi operário cozinheiro e destacado militante no estado do Rio de Janeiro. Iniciou como anarquista. Na década de 1920 se converteu ao comunismo. Foi delegado da União Culinária e Panificação Marítima no Terceiro Congresso Operário Brasileiro em abril de 1920, no Rio de Janeiro. Argolo esteve por um tempo à frente do Centro Cosmopolita no Rio de Janeiro. Em novembro de 1921, foi um dos fundadores do Grupo Comunista do Rio de Janeiro. Ele também fez parte do Comitê Pró-Libertação de José Leandro da Silva, como tesoureiro. José Leandro foi um operário cozinheiro e colega de Valentim Argolo.

João Argolo ficou conhecido entre anarquistas e comunistas por sua lealdade e solidariedade para com os companheiros, especialmente, nas horas mais difíceis. Argolo escondeu por muito tempo em sua casa, o ex-anarquista Octávio Brandão, perseguido pelas autoridades. Pressionado a revelar o paradeiro do comunista, Argolo foi levado a um navio prisão onde foi brutalmente torturado. Nada revelou. Por conta disso, Octávio Brandão o descreveu como um homem enorme, gordo, caráter de ferro, mas o coração de ouro. José Valentim Argolo faleceu em maio de 1947.

BATALHA, Cláudio H.M. Dicionário do Movimento Operário.

BRANDÃO, Octávio. Combates e Batalhas. P.283.

DULLES, John W. Foster. Anarquistas e Comunistas do Brasil.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente: anarquistas e socialistas negros

RODRIGUES, Edgar. Companheiros.vol.03

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

agência de notícias anarquistas-ana

Os trigais maduros
marcaram de cor dourada
minha pobre infância.

Urhacy Faustino

Leave a Reply