
Este ensaio de Malik foi escrito no final de março de 2026 enquanto estava detido no Eastern Oregon Correctional, pouco antes de ser transferido para a Carolina do Sul.
Há um padrão aqui: nos últimos três Ramadãs, eu tenho sido alvo. Sou retirado da ala comum e levado para a solitária sob a justificativa de “Investigação”. Acusam-me de alguma suposta “Organização Não Autorizada” e fico trancado na solitária pelo resto do ano. É comum que pessoas visadas na prisão, aquelas consideradas ativistas ou revolucionárias, sejam enviadas para a solitária não pelo que fizeram, mas pelo que a administração acredita que elas PODEM vir a fazer. Para eles, é melhor agir preventivamente. Não muito diferente dos ataques “preventivos” dos EUA e de Israel contra o Irã. É apenas uma desculpa para fazerem o que já queriam fazer de qualquer maneira.
Há três anos venho lidando com isso. Agora estou aqui novamente, passando mais um Ramadã na solitária por nada além da fragilidade branca. Do ego masculino branco. Ferido pela ideia de que eu não apenas não gosto nem respeito o Estado fascista, mas de que existe uma ampla rede de pessoas que também odeiam o Estado e não acreditam que o que ele faz seja um “bem público”, mas sim um genocídio. Escravidão sob outro nome.
Então fico na solitária por “Desrespeito”, por ter falado ao telefone com minha companheira sobre minhas frustrações com os agentes penitenciários. Recebi uma punição de 14 dias, que terminou em 16 de março. Eles se recusam a me devolver à ala comum, colocando-me em “retenção STM” por tempo indeterminado (Gestão de Ameaças à Segurança). Sem justificativa. Mas, afinal, o Estado não precisa de uma razão para nos reprimir, ele precisa de razões para não fazê-lo.
A verdadeira razão para tudo isso? Esclarecer as pessoas, transmitir conhecimento. Eu comprava livros para outras pessoas, estudava obras como Blood In My Eye, Settlers, As Veias Abertas da América Latina, estudava o pensamento anarquista negro, de Lucy Parsons a William C. Anderson, de Martin Sostre a Lorenzo Irvin e muitos outros. Esse foi meu verdadeiro crime.
Com a proibição de livros se espalhando pelo país, há uma repressão crescente à literatura. Oregon depende fortemente da divisão, do racismo, da política e das drogas para manter as pessoas alienadas. Então, quando veem um grupo multirracial de homens estudando junto, discutindo política global, a interseccionalidade das opressões, desconstruindo os sistemas que produzem nossas condições materiais, estudando a história dos movimentos e das pessoas que resistiram e desafiaram a ordem existente, isso os perturba.
Dê às pessoas oprimidas os livros com os quais elas podem libertar-se, EDUCAÇÃO, e eles enlouquecem. A verdade é simples: não se pode escravizar uma mente que conhece a si mesma. Para se libertar, é preciso ter plena consciência de que se é um escravo.
Portanto, a verdadeira razão pela qual estou novamente em segregação é a mesma de sempre: medo. Medo dos negros, medo do potencial desconhecido, medo daqueles que eles não conseguem controlar. Pedem que eu seja “amigável” e converse com os funcionários. Pedem que eu me desculpe pela minha conversa e que não “veja os funcionários como inimigos”.
Não vou fazê-lo.
Não vou me censurar. Não vou capitular. Sairei da prisão dizendo “Foda-se a polícia” da mesma forma que entrei. Porcos são porcos, não amigos. ACAB inclui os agentes penitenciários também. Não importa em que buraco me coloquem, não abandonarei meus princípios.
Vocês não podem suprimir o povo para sempre. Essa centelha de conhecimento crescerá e se espalhará, esteja eu na solitária ou não.
Amor, Raiva e Solidariedade,
– Malik
Você pode escrever para Malik em:
Malik Muhammed
#400523
Kirkland Reception and Evaluation Center
Unit F3A-203
4344 Broad River Rd
Columbia, SC 29210 – EUA
As comunicações de Malik estão atualmente muito restritas, mas, embora provavelmente ele não possa responder por escrito, apreciaria profundamente receber cartas.
Malik pediu que as pessoas incluam seu endereço nas cartas, pois a transferência fez com que ele perdesse o acesso ao seu caderno de endereços.
Ele também não tem permissão para possuir fotografias até que seja transferido novamente.
Fonte: https://www.abcf.net/blog/in-order-to-break-free-one-must-be-acutely-aware-of-being-a-slave-by-malik-muhammad/
Tradução > Contrafatual
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agência de notícias anarquistas-ana
Ventos nos umbrais
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Sandra Maria de Sousa Pereira
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