
Avante, espíritos ferozes, espíritos sem tempo, tempo dos espíritos ferozes!
Nove anos desde que desapareceram, em territórios diferentes, talvez distantes geograficamente, embora a afinidade em práticas e inquietudes rompa qualquer limite e fronteira.
Uma pessoa desapareceu na rodovia “nazional” 40, em território dominado pelo Estado argentino, na província de Chubut, que na língua tewsün — falada pelo povo Tehuelche — significa “transparente” (pela água limpa e clara), “tortuoso” ou “com muitas curvas” (pelas curvas do leito do rio), irônico como o humor do companheiro.
Nesse local, o fogo interior solidário que caracteriza todo ser anárquico e, em particular, do companheiro Santiago Andrés Maldonado Peloso, “el lechu” ou “el brujo” (como muitos o chamavam e se lembram com carinho), em 1º de agosto de 2017, ele desapareceu por 78 dias, após um bloqueio de estrada em solidariedade ao Pu lof mapuche de Cushamen e contra a prisão e a extradição para o território dominado pelo e$tado $hileno do Lonco Facundo Jones Huala, acusado de diversas ações.
O bruxo chegou lá não por acaso, mas por convicção, por uma decisão de vida que vinha amadurecendo há muito tempo; não importa a quem isso incomode e apesar de todas as falácias que foram ditas, são ditas e serão ditas, ele não foi uma vítima, mas um combatente anarquista decidido e encapuzado… por isso o reivindicamos, recusando-nos a ser cúmplices do silêncio e do esquecimento. A repressão por parte da Gendarmeria Argentina a esse bloqueio de estrada nos tirou um dos nossos; por isso continuamos insistindo em sua memória, não como um fardo que carregamos por obrigação, mas com o sorriso sarcástico, como o do “feiticeiro” que ainda ressoa nas montanhas, e, nesse sentido, mantemos viva sua chama e a nossa. Seu corpo foi encontrado em 17 de outubro de 2017, após 78 dias desaparecido no rio Chubut.
Por outro lado, mas ao mesmo tempo, o companheiro Brian Matos desapareceu, em território dominado pelo e$tado Bra$ileiro. Ele foi visto pela última vez na entrada de sua casa, na estrada do Vale da Forqueta, em Maquiné, Rio Grande do Sul, território ameaçado pelo extrativismo e pelos lenhadores furtivos que destroem a floresta, que o companheiro Brian defendia com unhas e dentes.
Companheiro solidário, motivado pela okupação e pela vida em harmonia com a natureza… organizando atividades com seu projeto musical “Minininha pirracenta”, no qual expressou suas ideias práticas, anticarcerárias, de autonomia em todas as esferas da vida e questionando tudo… até hoje, o companheiro continua desaparecido. (buscandobrian.wordpress.com)
Ambos, tanto “el brujo” quanto Brian, deixaram suas vozes registradas em suas canções, as quais continuam nos permitindo dialogar com suas vidas, sem idealizá-los, mas sim aproximando-nos de suas inquietudes, sensibilidades, ideias e práticas — em suma, de suas vidas com tudo o que isso significa.
Por fim, gostaríamos de dizer que organizamos esta atividade com carinho fraterno, porque “seus passos deixaram marcas no caminho de muitos”.
Domingo, 2 de agosto de 2026
A partir das 17 horas
Flash day
Tatuadores:
@siniestrattt13.
@bat.rats.
Rayo la piel
Música: Tijera
*Projeção
*Bate-papo
Exposição de desenhos “Brujisticxs”
*Feira anárquica (traga seu pano)
*Delícias veganas e chás.
*Zines e fitas cassete
Email: biblioangryantiso@riseup.net
Confira nosso: biblioangry.noblogs.org
Biblioteca Anárquica Nihil Sebastián Oversluij Seguel
Morte à IA!
Viva o H.T.M.!
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agência de notícias anarquistas-ana
grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos
Carlos Seabra
Que isso, anarquia mesmo? Achei interessante esse ponto sobre a revolução espanhola, mas confesso que nunca tinha parado pra pensar…
O texto ficou bem natural, dá para sentir que veio de uma experiência real. Esses detalhes pequenos acabam prendendo mais…
Viva a revolução espanhola e viva a anarquia!
bom texto!
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!