A Feira Anarquista do Distrito Federal aconteceu nos dias 15 e 16 de novembro, no Conic, situado na região central do DF. O intuito era apresentar um outro tipo de anarquismo, mais propositivo e prático, a partir da experiência e da diferença, além de oxigenar e movimentar a região.
A composição da programação contou com o encerramento de ambos os dias com a participação do Preta Bandêra, grupo de estudo e prática de jongo, de Santo André (SP), juntamente com o lançamento do zine “Anarquismo Negro e mais textos de liberdade negra”, por Abamodá, questionando as referências anarquistas brancas e europeias a partir da visibilidade à resistência dos povos afroindígenas no nosso contexto. Houve também o lançamento/debate do zine “Estratégia: coletivo – espaço – território”, proposta de organização anarquista, que traz uma discussão sobre horizonte político e como isso deve pautar as ações de coletivos para uma ocupação territorial anarquista, partindo de uma transformação cotidiana, no sentido da micropolítica para a macro.
Na exposição/debate “Lidando com os inimigos internos de coletivos anarquistas” foram discutidos problemas comuns a vários coletivos e espaços libertários que se extinguiram e o que podemos propor para alcançar a durabilidade deles, sem perder de vista um processo geracional nas nossas ações.
Outra atividade que chamou muita atenção foi sobre “Anarcofeminismo e a institucionalização do feminismo”, em que foram expostas resistências pós-coloniais, o contexto da luta rural e indígena de mulheres na Nicarágua, as pautas do feminismo negro e a sua relação com o feminismo hegemônico. Diversas mulheres negras presentes se sentiram à vontade para problematizar a questão de raça no meio anarquista e feminista e o debate foi muito enfático na reflexão sobre silenciamento de minorias em espaços libertários.
“A impossibilidade da saúde individual” evidenciou os conceitos de doença e de capacitismo (discriminação, opressão e abuso advindos da ideia de corpos considerados “não-capazes”, aqueles com “deficiências” ou “doenças” crônicas) relacionando-os com uma necessidade do sistema de controle e adequação dos corpos para a produção e o consumo e o quanto isso socialmente é confundido com o cuidado.
No contexto do DF, a feira foi um evento que aproximou algumas pessoas que já possuíam uma militância autônoma e outras que tinham um interesse prévio no anarquismo, mas ainda não sabiam ao certo como participar e conhecer mais profundamente as iniciativas, discussões e os materiais de cunho anarquista.
Coletivo (A)narquista Anu
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Tempo traz vento
Natureza canta e desencanta.
Mara Mari

Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
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