Eleição é farsa!!! Democracia também. Aqui ou acolá!

[Alemanha] Antifascista em fuga preso em Berlim

Ações de solidariedade sendo organizadas para com “Nanuk”, acusado de atacar nazistas na Saxônia

Juju Alerta ~

O antifascista Thomas J., também conhecido como “Nanuk”, foi preso por investigadores do Departamento de Polícia Criminal do Estado da Saxônia em Berlim na segunda-feira, 21 de outubro, informa a mídia alemã. Após sua prisão, ele foi levado perante um juiz em Karlsruhe e está sob custódia desde então. Além disso, duas casas foram revistadas em Berlin-Kreuzberg e Berlin-Mitte.

As autoridades estaduais estão atualmente na procura de múltiplos antifascistas escondidos. Supostamente conectados ao caso “Antifa Ost” – no qual um grupo de antifascistas foi condenado a penas de prisão por ataques a nazistas desde 2019. Nanuk é acusado também de participar do ataque de 2019 ao Tribunal Federal de Justiça em Leipzig.

Inicialmente, as investigações sobre o ataque de Leipzig se concentraram na Seção 129a (filiação a uma organização terrorista), que permite poderes investigativos expandidos, como explorar secretamente históricos de bate-papo em smartphones ou grampear apartamentos, como já aconteceu antes no caso Antifa Ost. No entanto, este caso foi encerrado em junho e acusações individuais de incêndio criminoso e danos materiais foram encaminhadas ao Ministério Público.

Ocorrendo logo após a deportação para a Hungria de Maja T, outre antifacista, esta investigação reflete uma nova dimensão de repressão visando indivíduos envolvidos em movimentos antifascistas. Também conectada ao caso de Budapeste está a prisão em maio da antifascista Hanna, em Nuremberg. No caso dela, o Ministério Público Federal está agora tentando fabricar uma acusação de tentativa de homicídio, porque ela teria participado de ataques a fascistas durante uma contramanifestação por ocasião do anual “Dia da Honra” em Budapeste.

Após a prisão de Nanuk, grupos antifascistas organizaram manifestações de solidariedade em várias cidades alemãs. O grupo de solidariedade do julgamento Antifa Ost declarou que as autoridades estaduais estavam tentando “usar a teoria da ferradura para equiparar nossos camaradas aos nazistas que foram atacados”. O grupo de solidariedade enviou também “força a todos aqueles que escaparam com sucesso das autoridades, a todos aqueles atrás das grades e aqueles de fora que continuam a lutar pelas ideias que o estado tenta suprimir”.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/10/28/antifascist-in-hiding-arrested-in-berlin/

Tradução > Alma

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/10/29/alemanha-a-deportacao-de-maja-t-policia-saxonica-mobiliza-forcas-antiterroristas-sem-nenhuma-evidencia-concreta/

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Pesos de papel
sobre os livros de figuras –
Vento de primavera.

Takai Kitô

Anarquia organizada

Por muito tempo, gerações de pessoas anarquistas se debruçaram  no desafio de organizar, para os mais variados fins e tem se mostrado um esforço grande, compensador em muitos casos e muito frustrante em outros.

A busca de um entendimento de organização que não seja opressor e nem explorador entre pessoas que a priori pensam de forma semelhante tende a se tornar uma batalha exaustiva. Nenhuma das pessoas envolvidas também não querem ser oprimidas ou exploradas, mantendo a guarda erguida entre pessoas consideradas companheiras, mas curiosamente, ao menos aqui no nas terras brasileiras, há um relaxamento dessa guarda quando se tem um relacionamento com grupos não anarquistas, como grupos hostis de partidos de esquerda, particularmente marxistóides autoritários. É até comovente perceber pessoas anarquistas “declarando voto” de 2 em 2 anos ou se submetendo às estruturas institucionais estatais, assessorando partidos e usando todas as táticas autoritárias e políticas profissionais nas organizações que participam.

Não podemos culpá-las porque os ambientes e as vivências de muitas dessas pessoas foram em sua maioria de práticas autoritárias, hierarquizadas, centralizadoras, competitivas e impositivas.

O que podemos e temos como compromisso é evidenciar essas práticas, rompe-las de forma direta com a metodologia anarquista, de tal forma processar mudança das atitudes e consciência das pessoas.

A organização anárquica em sua concepção mais simples e direta é uma prática onde todas as pessoas envolvidas não são opressoras e nem oprimidas; que todas as pessoas envolvidas não sejam exploradas e nem exploradoras.

Escrito e combinado isso, tudo o mais é o melhor arranjo possível entre todas as pessoas, inclusive, isso abre um leque enorme de possibilidades organizativas, onde gera muitos desentendimentos e cizânias.

O que a nossa experiência tem nos mostrado, que muitas vezes as pessoas não conseguem lidar com propostas de consenso ou que o que é apresentado não está de acordo com as ideias de alguma grande “pensadora idolatrada” da vez e que é repetida como uma gravação contínua lacradora sem nenhum tipo de filtragem, o que leva a enormes discussões sem fim e rachas que se tornam insuperáveis pelo tempo. “A nossa organização é mais organizada que a sua”… “a minha organização faz mais textos lacradores e ostenta mais teoria, tem mais anarcologia que as outras”… besteira!

Nossa obsessão por uma revolução de base anarquista se torna tão grande que não percebemos que patinamos nos processos iniciais de organização e sacrificamos o pouco tempo e recurso que temos em picuinhas secundárias, enquanto o sistema nos oprime e explora por 24h de forma ininterrupta, isso em nossa localidade, em nossa região e com a nossa gente.

Então, onde é que a atuação direta é necessária?

Na base,  organizando a revolta e a rebeldia, descentralizando e horizontalizando tudo em zonas autônomas de luta e resistência.

Nessa altura da leitura, é possível que tenham pessoas que estejam concordando com isso. Fica então com o convite e a provocação de agir local em práticas anárquicas e se possível com mais pessoas. Por mais poderosas que sejamos, se nos unirmos às outras pessoas poderosas, formaremos um grupo, um coletivo, uma associação, uma sociedade muito mais poderosa… se a concórdia e os egos permitirem!

Na anarquia, há uma concepção organizativa muito presente, diferente do que muita distopia tenta associar ou que muita gente associa com caos, bagunça e baderna. A anarquia é vivida sem controle de forma nenhuma, em livre associação de todas as pessoas em comum acordo, tendo em vista não oprimir e nem ser oprimida nem explorar e nem ser explorada, isso é repetido pela importância do conceito.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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Rumo sem destino
Borboletas amarelas
voam par em par.

Rafaela Cristiane W. Kowalski

[França] Louise Michel é autora de Vinte Mil Léguas Submarinas (1954)

Por Gérard de Lacaze-Duthiers | 31/08/2023

O aniversário da morte de Júlio Verne em 1905 [1] foi uma ocasião para falar muito sobre seus romances de antecipação científica. Ele foi, sem dúvida, um escritor cuja obra não deixa de ser interessante, um precursor ou, se preferirmos, um utópico, pelo menos para sua época, já que a maioria de suas antecipações se tornou realidade. É sobretudo seu romance Vinte Mil Léguas Submarinas que tem sido objeto de comentários da maioria dos jornalistas e escritores que erraram ao ignorar, ou fingir ignorar, que o verdadeiro autor desse romance não foi Júlio Verne, mas uma “plebeia” chamada Louise Michel.

Os estudiosos, e não menos importantes, concordam que Júlio Verne previu os submarinos atômicos nessa obra publicada por Hetzel em 1870. Vamos esclarecer as coisas. Naquela época, Louise Michel estava empenhada em resolver certos problemas científicos cuja solução, acreditava ela, poderia beneficiar a humanidade. É claro que a “boa Louise” estava longe de prever o uso que o aprendiz de feiticeiro faria de tal descoberta: ela teria preferido deixar seu manuscrito trancado a sete chaves, ou destruí-lo sem piedade, em vez de publicá-lo.

Ela também previu o avião, que teria o mesmo destino, sendo usado para a destruição de pessoas e coisas, embora tenha garantido a ele um propósito pacífico. Ela não profetizou que a humanidade futura teria cidades aéreas, uma previsão que está muito próxima de ser cumprida? Ela também poderia ter previsto viagens à Lua, a Marte e a outros planetas. Ela também previu os raios X e pensou na fotografia, no cinema e na televisão. E menciono aqui apenas algumas de suas previsões, quando ela defendeu o diagnóstico psiquiátrico dos doentes e, em outro campo, o cuidado com as crianças, a educação de adultos e muitas reformas sociais em harmonia com o progresso material.

Ela era uma revolucionária, que esperava que chegasse o dia em que os seres humanos se tornassem mais conscientes, sendo, no momento, não mais do que primatas de ideias, enquanto amanhã a humanidade, educada com mapas do mundo, telescópios e microscópios, deixaria de ser presa de um misticismo entorpecido. Na Comuna, ele esperava que as descobertas da ciência levassem a humanidade na direção da verdade e da bondade; ela tinha ideias originais sobre tudo, e seria um erro de avaliação de suas ações não levar a sério essa faceta de seu temperamento.

Mas voltemos à navegação submarina, que em uma peça, Le Monde nouveau, ela previu que logo seria realizada ao mesmo tempo que a navegação aérea. Essa ideia era muito cara a ela, e foi isso que a levou a escrever uma peça que outra pessoa assinaria em seu lugar. Uma coisa muito curiosa”, escreveu Emile Girault em La Bonne Louise (1885), Psychologie de Louise Michel, “é que, embora Louise não fosse uma cientista, ela tinha intuições maravilhosas. Muitas pessoas – se não todas – ficarão muito surpresas ao saber, por exemplo, que o famoso Vinte Mil Léguas Submarinas, publicado por Júlio Verne, foi escrito por ela, não, é claro, o romance como apareceu, mas a ideia fundamental; o que ela concebeu foi o submarino, o universalmente conhecido Nautilus. Sua cópia tinha cerca de duzentas páginas e, um dia, quando o que ela mais precisava era de dinheiro, vendeu seu manuscrito por cem francos ao famoso divulgador.

Não é a ideia fundamental, o Nautilus, o coração da obra, que a torna interessante e valiosa? Júlio Verne nunca teria escrito seu livro se não tivesse essas duzentas páginas em suas mãos. Somente elas constituem três quartos do volume. Ele tinha pouco a acrescentar. Isso não diminui em nada o talento, a inteligência ou o conhecimento do homem que escreveu o livro. De forma alguma diminui seus dons como escritor. Ele sabia como usar o material pronto para o edifício iniciado pela mulher que a burguesia bem pensante chamava desdenhosamente de “Virgem Vermelha”.

Na primeira edição de Vinte Mil Léguas Submarinas, no capítulo XI, intitulado “O Nautilus”, Júlio Verne apresenta o submarino nos seguintes termos, durante a conversa de um passageiro com o capitão do navio: “Devo admitir que este Nautilus, a força motriz que ele contém, os dispositivos que permitem que ele seja manobrado, o poderoso agente que o impulsiona, tudo isso excita minha curiosidade no mais alto grau. No capítulo seguinte, intitulado “Tudo por eletricidade”, o capitão lista os dispositivos necessários para a navegação subaquática:

Você conhece alguns deles, como o termômetro, que dá a temperatura dentro do Nautilus; o barômetro, que pesa o ar e indica as mudanças climáticas; o higrômetro, que indica o grau de secura da atmosfera; o grama-estrela, que, quando se decompõe, anuncia a chegada de tempestades; a bússola, o cronômetro e os óculos que permitem ver de dia e de noite, um manômetro, sondas etc. Ele é um agente a bordo, tudo é feito por meio dele. Ele me ilumina, me aquece, é a alma do meu equipamento mecânico. Esse agente é a eletricidade. Mas como eu a gero? Eu só peço ao mar que me dê os meios. Todos os metais encontrados no mar são usados para alimentar as baterias. O Nautilus pode andar a 50 milhas por hora.

Este capítulo de Vinte Mil Léguas Submarinas é fundamental. É bem ao estilo de Louise Michel, que, como as professoras de sua época, só podia ter dados científicos básicos, mas que, com base neles, enxergava muito mais longe e tirava conclusões que poderiam mudar o mundo futuro, que, segundo ela, seria um novo mundo no qual a ciência contribuiria para a felicidade da humanidade ao mudar seus hábitos e crenças.

Não temos motivos para suspeitar da boa fé de Emile Girault, que possuía inúmeras cartas de sua “boa Louise” e que tinha em suas mãos a maioria dos manuscritos dela. Fernand Planche, em seu livro Vie ardente et intrépide de Louise Michel (Vida ardente e intrépida de Louise Michel), concorda com ele: Ainda nesse gênero científico e social, Louise Michel escreveu Vingt mille lieues sous les mers (Vinte mil léguas submarinas). Seu manuscrito ainda não estava terminado e um dia, quando precisava de dinheiro, ela o vendeu por 100 francos a Júlio Verne. Quando as pessoas dizem”, acrescenta Fernand Planche, “que Júlio Verne era extraordinário, que ele previu os submarinos, elas estão erradas. O Nautilus foi projetado por Louise Michel. Júlio Verne simplesmente terminou o livro acrescentando capítulos. O livro foi seu maior sucesso e lhe rendeu uma fortuna. Foram feitas quase cem edições e o livro foi traduzido para vários idiomas, inclusive alemão, inglês, espanhol, italiano e russo. Sua editora não podia reclamar. Ele ganhou vários milhões. Quanto à “boa Louise”, o pouco que ganhou com essa colaboração – apenas o nome de Júlio Verne aparecia na capa – ela distribuiu para os pobres.

Em um artigo publicado no Le Monde libertaire n°29 de junho de 1957 (“Autour de Louise-Michel”), Gérard de Lacaze-Duthiers retomou esse artigo após uma solicitação de esclarecimento de Hem Day.

Notas

[1] No mesmo ano que Elisée Reclus e Louise Michel.

Fonte: https://www.partage-noir.fr/louise-michel-est-l-auteur-de-20-000-lieues-sous-les-mers

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Da terra ao céu
Há muitas coisas
Verdade, tire o véu.

Augusto Menezes

[Espanha] Lançamento: “Vidas en rojo y negro”. Uma família anarquista que desafia o silêncio

Um dos livros que sacudiram o panorama editorial do Uruguai em 2023 chega agora ao estado espanhol pela mão de La Vorágine. “Vidas en rojo y negro” é uma história que começa em uma pequena aldeia da Cantábria e que se escreve em Montevidéu. Ali vive Antonio Ladra, o descendente de uma família humilde e anarquista que pagou com sangue, exílio ou silêncio a ousadia de sonhar e pôr em marcha um mundo mais justo.

Agora, chega a Traficantes de Sueños Antonio Ladra(Montevidéu, 1956), jornalista e escritor com vários livros de investigação publicados, mas também de poesia; também é permanente animador dos festivais de jazz com o Hot Club de Montevidéu, ainda que não toque nem o tambor.

A história que conta em Vidas en rojo y negro é a de sua família, uma das que não tem espaço nos livros de história oficiais. A família Ladra —desde o diminuto povoado de Toñanes (Alfoz de Lloredo, Cantábria)— apostou pela anarquia, pela liberdade e a democracia em uma Espanha sequestrada pelo totalitarismo franquista.

Agora, o filho de Sol Ladra, desde Montevidéu, indaga, relata e traz à luz uma história tão diminuta como heroica, tão necessária como invisibilidade. Este livro faz com que umas vidas qualquer  por fim sejam contadas com detalhe e, ao fazê-lo, a morte retrocede, a singularidade aflora.

Este é o último desafio ao silêncio de uma família anarquista que se mantêm firme mas sobrevive estilhaçada pela repressão e a derrota, pela repressão e o exílio, pelo castigo e o silêncio.

VIDAS EN ROJO Y NEGRO

Antonio Ladra

11,00€

lavoragine.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A felicidade
nem de mais e nem de menos –
Minha primavera.

Issa

Lula é… um Zé Ruela ambiental!!!

[Chile] Marcha do Dia Mundial do Veganismo em Santiago

o de novembro está chegando, data em que se comemora o dia mundial do veganismo e que, contraditoriamente, não temos nada a comemorar enquanto a exploração animal continuar existindo. O mínimo que podemos fazer é manifestar nosso legítimo descontentamento contra toda a opressão sofrida por nossos irmãos e irmãs, que continuam sendo objetos de consumo dessa sociedade carcerária e capitalista.

Conclamamos toda a afinidade antiespecista a nos reunir novamente para marchar pela libertação animal. Traga sua faixa, cartaz, bandeira, folhetos ou qualquer material de propaganda.

Nos encontraremos na sexta-feira, 01 de novembro, a partir das 16:00 horas, na Plaza Los Héroes e depois marcharemos pela Alameda até a Plaza Dignidad.

Compartilhe e participe, faça isso pelos animais!

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da grama,
Surge uma luz repentina.
Vaga-lume acorda.

Renata Paccola

Dia do Trabalho na Nova Zelândia: um dia para refletir, resistir e reinventar

À medida que o Dia do Trabalho se aproxima na Nova Zelândia [1], vale à pena recordar as suas origens – não como um mero dia de folga, mas como um lembrete do poder da união dos trabalhadores contra a exploração e na busca por uma sociedade mais justa. Originalmente concebido para homenagear a luta por uma jornada de trabalho de oito horas, o Dia do Trabalho destaca uma história cheia de solidariedade, ação direta e resistência. Mas quanto deste espírito sobrevive nas celebrações do Dia do Trabalho de hoje? E como podem os anarquistas e anticapitalistas reivindicar este dia como um momento de reflexão e resistência radicais?

O Dia do Trabalho na Nova Zelândia tem suas raízes na década de 1840, quando o carpinteiro Samuel Parnell se recusou a trabalhar mais de oito horas por dia, desencadeando um dos primeiros movimentos em direção à jornada de trabalho de oito horas. No final do século XIX, a jornada de trabalho de oito horas tinha se espalhado e, em 1890, o país celebrou o seu primeiro Dia do Trabalho oficial para homenagear o espírito de unidade da classe trabalhadora.

Inicialmente, o Dia do Trabalho comemorava as vitórias da organização sindical e da resistência dos trabalhadores, um dia em que os trabalhadores, muitas vezes com o apoio dos sindicatos, saíam às ruas. Desfiles, discursos e comícios centravam-se nos direitos laborais, salários justos e condições de trabalho mais seguras. Mas com o passar dos anos, o significado do Dia do Trabalho tem sido diluído, mercantilizado e transformado em nada mais que um fim de semana prolongado em Outubro – muito longe de seu princípio radical.

O significado do Dia do Trabalho foi desgastado à medida que os direitos dos trabalhadores diminuíram através de políticas neoliberais, legislação anti-sindical e interesses corporativos. Na Nova Zelândia de hoje, existe uma grande disparidade de riqueza entre os ricos e a classe trabalhadora, a filiação sindical diminuiu e os trabalhadores estão enfrentando empregos precários e custos de vida altíssimos, com salários que não acompanham. À medida que o Dia do Trabalho se torna mais uma questão de vendas e churrascos do que de solidariedade e resistência, é crucial considerar como podemos recuperar este dia para a classe trabalhadora.

Tal como Parnell e os seus pares lutaram por uma jornada de oito horas há mais de 150 anos, os trabalhadores de hoje enfrentam as suas próprias batalhas. Espera-se de quem atua na hotelaria, nos setores de serviços, no varejo e na logística que trabalhe longas horas por baixos salários, muitas vezes sob vigilância e demandas de trabalho eventual baseadas em aplicativos.

Para os anarquistas, o Dia do Trabalho é um lembrete claro de que o capitalismo depende fundamentalmente da exploração dos trabalhadores para sobreviver. Os anarquistas não vêem a erosão dos direitos laborais como um mau funcionamento dentro do capitalismo, mas sim como a sua função inevitável. A luta dos trabalhadores não é simplesmente para melhorar as condições de exploração, mas para acabar com ela. Em vez de negociar melhores condições para os trabalhadores sob o capitalismo, os anarquistas imaginam um mundo onde o trabalho seja uma questão de cooperação, apoio mútuo e associação voluntária – e não de necessidade ou coerção.

O Dia do Trabalho não deve limitar-se à negociação de pequenas reformas, melhores condições ou salários mais justos, mas deve ser visto como um momento para sonhar alto. Imagine um mundo onde todos pudessem partilhar a riqueza da sociedade sem compulsão, onde os trabalhadores administrassem os locais de trabalho e as comunidades das quais fazem parte, sem patrões ou proprietários. Esta visão desafia a própria estrutura do capitalismo e do Estado.

Retomando o Dia do Trabalho: o que podemos fazer?

  1. Pratique Ação Direta: Use o Dia do Trabalho como uma oportunidade para organizar ações que apóiem diretamente os trabalhadores na Nova Zelândia. Isto pode significar redes de apoio mútuo, organização no local de trabalho ou apoio a greves e protestos existentes. Ao resistir ativamente e ao perturbar os sistemas exploradores, resgatamos o Dia do Trabalho como um dia de ação.
  2. Educar e Aumentar a Conscientização: Aproveite este dia para educar a comunidade sobre a verdadeira história do Dia do Trabalho e discutir as limitações das “reformas” capitalistas. Organizar palestras públicas, distribuir zines e criar conteúdos online pode encorajar outros a pensar criticamente sobre o trabalho e o capitalismo.
  3. Desafie o consumismo: resista à mercantilização do Dia do Trabalho como um feriado comercial. Organize ou participe de “dias sem compra” (“buy-nothing days”), eventos de compartilhamento de habilidades ou iniciativas locais de “mercado realmente muito livre” (“really, really free markets”). Estes eventos fornecem exemplos tangíveis de um mundo onde os recursos são partilhados livremente e não comprados e vendidos.

O Dia do Trabalho deveria ser mais do que um feriado ou um aniversário da jornada de oito horas de trabalho; deveria ser um apelo ao desmantelamento das estruturas que nos mantêm presos a uma vida de exploração. Ao reinventarmos o Dia do Trabalho como um dia de resistência anticapitalista, podemos lembrar uns aos outros que os trabalhadores têm o poder de resistir, reconstruir e reivindicar um novo futuro. Se avançarmos e agirmos coletivamente, o Dia do Trabalhador pode mais uma vez ser um ponto de encontro para aqueles que acreditam num mundo onde o trabalho serve às pessoas e não ao lucro.

Neste Dia do Trabalho, vamos rejeitar a conformidade, rejeitar os símbolos vazios da política reformista e, em vez disso, lembrar que a mudança radical começa com a nossa disposição de resistir e reinventar.

Fonte: https://awsm4u.noblogs.org/post/2024/10/27/labour-day-in-new-zealand-a-day-to-reflect-resist-and-reimagine/

Nota:

[1] Na Nova Zelândia, o Dia do Trabalho é comemorado na quarta segunda-feira de outubro.

Tradução > mariposa

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Um tico-tico
Todo colorido
Pinta meu coração.

Kátia Viana Barros

[EUA] Resenha do livro: Cinquenta anos depois, o romance de Ursula K. Le Guin sobre anarquistas utópicos continua tão relevante quanto sempre

Em Os Despossuídos (The Dispossessed), um físico se encontra pego entre sociedades

Por Alan Scherstuhl | 15/10/2024

FICÇÃO

The Dispossessed: A Novel (50th Anniversary Edition)

por Ursula K. Le Guin.

Harper, 2024 ($35)

Um pouco depois da metade de Os Despossuídos, o romance de ficção científica inesgotavelmente rico e sábio de Ursula K. Le Guin sobre um físico pego entre sociedades, o protagonista, Shevek, nascido e criado em um coletivo anarquista, fica bêbado (pela primeira vez) em uma festa chique de uma sociedade capitalista em um planeta que não é o seu. Lá, esse brilhante mas perplexo cientista, é encurralado por um plutocrata com perguntas impertinentes. Qual é o objetivo dos esforços de Shevek para criar uma Teoria Temporal Geral que reconcilie “aspectos ou processos do tempo”?

Shevek explica que o tempo em nossas percepções é como uma flecha, movendo-se em apenas uma direção.

No cosmos e no átomo, no entanto, ele se move em círculos e ciclos, a “repetição infinita” um “processo atemporal”.

“Mas de que adianta esse tipo de “compreensão”, pergunta o plutocrata, “se não resulta em aplicações práticas e tecnológicas?”

As tensões que Le Guin explora aqui — entre o teórico e o aplicável, o cientista e a sociedade — não diminuíram nos 50 anos desde que The Dispossessed conquistou os prêmios Hugo, Locus e Nebula. A ciência neste romance de 1974 — agora reeditado com uma introdução comemorativa cheia de angústias sobre o presente da escritora Karen Joy Fowler — é vaga, uma física explorada através de metáforas. Mas a representação de Le Guin de um cientista preso entre totalmente convincentes mundos opostos continua emocionante em sua precisão, às vezes até mesmo assustadora.

No planeta coletivista Anarres, uma paisagem desértica devastada pela fome, a busca de Shevek por uma Teoria Temporal Geral é frustrada por cientistas-burocratas que estão preocupados que suas descobertas possam se mostrar contrarrevolucionárias. Depois de arquitetar uma fuga diplomática para a exuberante Urras, financiada pela abundância capitalista, Shevek descobre que seu trabalho é visto como proprietário — um produto. Essa perspectiva o muda. Shevek se vê se comportando como os “proprietários” patriarcais de Urras. Bêbado e solitário, esse homem gentil cuja linguagem não tem pronomes possessivos, agarra uma mulher como se ela fosse sua. É um ato que mais tarde o enoja — e o coloca em um curso revolucionário que afetará todos os mundos que a humanidade alcançou.

Le Guin, que morreu em 2018, deixa para os leitores fazerem o que quiserem dessa mudança. A flecha do tempo avançou rapidamente desde 1974, mas os círculos e ciclos da obra-prima de Le Guin continuam a sugerir, com urgente humanidade, tanto o presente quanto o futuro.

Fonte: https://www.scientificamerican.com/article/book-review-fifty-years-later-ursula-k-le-guins-novel-about-utopian/

Tradução > Alma

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agência de notícias anarquistas-ana

viagem de trem
entre as estações
a primavera

Joaquim Pedro

[Espanha] A Biblioteca Anarquista Maria Rius de Lleida recebe documentação do anarquista César Broto

  • O escritor Miquel Àngel Bergés doa ao arquivo os documentos usados para compilar sua biografia de Broto.

 O escritor Miquel Àngel Bergés doou ao arquivo da Biblioteca Anarquista Maria Rius, em Lleida, os documentos que utilizou para compilar sua biografia do anarquista César Broto Villegas.

O livro foi publicado em 2006 pela Pagès Editors com o título Lleida Anarquista. Memórias de um militante da CNT durante a República, a Guerra Civil e o franquismo. O material consiste em gravações das entrevistas realizadas e em vários documentos e anotações escritos pelo próprio Broto e por Bergés.

O autor também publicou, entre outros livros, Coisas que fizemos antes de sermos esquecidos (Pagès Editores, 2023), um romance sobre as revoltas anarquistas, a Guerra Civil, o franquismo e o exílio dos anarquistas Félix Lorenzo Páramo, o primeiro prefeito anarquista de Lleida; Josep Larroca, presidente do Tribunal Popular e a miliciana Maria la Caçadora.

César Broto Villegas (Zaragoza, 1914 – La Pobla del Duc, 2009) foi um militante ativo da CNT-AIT e da FAI em Lleida durante a década de 1930, participando da fundação do jornal “Acracia”.

Frente Segre

Membro da Coluna Durruti – 26ª Divisão, foi ferido na queda da frente de Segre e condenado a 15 anos de prisão. Libertado quatro anos depois, em 1945 foi secretário da CNT catalã e, mais tarde, secretário-geral da CNT. Preso novamente, ele passou mais 15 anos nas prisões e campos de trabalho de Franco.

Em 2021, a Fundación de Estudios Libertarios Anselmo Lorenzo (FAL) publicou seu livro O grande tráfico de escravos, no qual Broto narra como o franquismo usou prisioneiros como mão de obra escrava para a construção de grandes obras públicas e também para o benefício de empresas privadas e setores simpáticos ao regime. O livro foi apresentado em junho passado no Seu Vella de Lleida, como um lembrete de que esse espaço também foi um campo de concentração.

A Biblioteca Anarquista Maria Rius agradeceu a Bergés pela doação e disse que ela estará disponível para consulta assim que o arquivamento e a digitalização do material registrado forem concluídos.

A biblioteca, que leva o nome da anarquista arbequina Maria de Riu Berenguer (Arbeca, 1900 – França, 1970), abriu suas portas no bairro de Balàfia, em Lleida, em 2016. Ela funciona de forma autogerida, horizontal e em assembleia, com o objetivo de disseminar o pensamento e as práticas anarquistas, promovendo o conhecimento, a reflexão e o debate.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/local/lleida/20241016/10027624/biblioteca-anarquista-maria-rius-lleida-recibe-documentacion-anarquista-cesar-broto.html

Tradução > Liberto

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poesia sem inspiração.
a culpa, certamente,
é a mudança da estação.

Lineu Cotrim

[Grécia] Patras | Cartaz antinacionalista e antimilitarista nas escolas da cidade pela Assembleia Libertária Antifascista

Cartaz colado nas escolas da cidade pela Assembleia Libertária Antifascista de Patras

O 28 de outubro – como qualquer “feriado nacional” – promove e normaliza a uniformidade, o militarismo, a indústria da guerra, a morte, as crenças nacionalistas e religiosas.

Contra à imposição do nacionalismo e do militarismo nas escolas

Lutamos por uma sociedade livre, solidária e inclusiva

Defendemos a unidade da classe contra todas as formas de fascismo, nacionalismo e qualquer forma de divisão

Assembleia Libertária Antifascista de Patras | asp2023@espiv.net

agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Yosa Buson

[França] Um livro para redescobrir | A insurreição argelina e os comunistas libertários

Há setenta anos, em 1º de novembro de 1954, teve início a revolta que levaria à independência da Argélia. Desde seus primeiros dias, a Fédération communiste libertaire (na França) e o Mouvement libertaire nord-africain (na Argélia) apoiaram a causa dos combatentes da resistência contra o colonialismo francês.

Para marcar esse 70º aniversário, a Editions d’Alternative libertaire convida você a redescobrir, nas livrarias e em nossa loja on-line, um livro que reúne os testemunhos de ativistas da época: Georges Fontenis (FCL), Léandre Valéro (MLNA), Guy Bourgeois (Groupes anarchistes d’action révolutionnaire), Denis Berger (La Voie communiste).

O livro também inclui uma extensa seção de fotos com muitas fotos de arquivos particulares, bem como reproduções do semanário Le Libertaire, que acabou sendo estrangulado por ações judiciais movidas pelo Estado francês.

  • Coletivo, L’Insurrection algérienne et les communistes libertaires, Ed. d’Alternative libertaire, 2006, 80 páginas.

Essa história também é contada neste vídeo:

https://vimeo.com/205203011 

unioncommunistelibertaire.org

agência de notícias anarquistas-ana

Abre o camponês
sulcos de arado na terra:
no seu rosto rugas.

Anibal Beça

[Chile] Santiago: “Anarquia de bicicleta”. Atividade de solidariedade com o Arquivo Histórico La Revuelta – 30 de outubro

Queridos compas.

Vocês estão superconvidados, nesta quarta-feira, 30 de outubro, a participar desta atividade de solidariedade com o Arquivo Histórico La Revuelta.

Com o eixo temático da bicicleta como forma de luta e mobilização fora do âmbito institucional, exibiremos o documentário “Cicletada por la Memoria Ácrata”, que consiste em um registro editado – com material histórico – da Cicletada por la Memoria Ácrata realizada em 2022, onde diferentes grupos antiautoritários se organizaram para realizar um passeio de bicicleta que percorreu diferentes lugares de Santiago onde ocorreram eventos e processos relevantes para a história do anarquismo nesta cidade. O documentário será apresentado e comentado por seu realizador e por aqueles que organizaram o passeio de bicicleta.

Por outro lado, haverá uma apresentação/conversa sobre o uso anárquico da bicicleta e sobre as cicletadas anarquistas, encapuzadas e punks de bicicleta como forma de protesto e ataque ao poder entre 2008 e 2020, em relação a uma investigação que está sendo realizada por um companheiro do Arquivo, buscando fazer um exercício coletivo de memória e analisando o alcance e as limitações da bicicleta em ambientes antagonistas.

Teremos música ao vivo, poesia, drinques, pizzas veganas e muito mais!

Compareça, espalhe a notícia e viva a Anarquia.

@archivo_larevuelta
@malakleta

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera –
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

Lançamento de vídeo anarcopunk em Fortaleza (CE)

Release Projeto C.O.I.C.E. – Com Objeção e Indignação Continuamos Existindo Desde 2015, o C.O.I.C.E., projeto de estúdio criado por Maurício Remígio, explora as fronteiras da música de forma independente e sem compromisso com o mercado. Com influências que vão do anarcopunk ao pós-punk, somadas às sonoridades locais, o C.O.I.C.E. é um experimento sonoro que reflete uma busca constante por comunicar resistência por meio do som. O projeto é, acima de tudo, uma expressão pessoal, onde Maurício compõe, executa e grava, criando paisagens sonoras que desafiam convenções e abraçam a contracultura. Cada música é resultado de inquietações e evoca sentidos que surgem da busca por uma existência que recusa o conformismo. O C.O.I.C.E. é um grito de objeção e indignação, permanecendo fiel à sua essência DIY (faça você mesmo), carregando em sua estética a resistência e o desejo de continuar existindo em um mundo que tenta silenciar as vozes destoadas. Com o C.O.I.C.E., Maurício Remígio cria uma sonoridade única que questiona, provoca e inspira, em um esforço contínuo para se conectar com aqueles que ainda acreditam em existências outras.

Sobre o videoclipe:

CHAMADO, o muZine, ou seja, um videoclipe realizado por um Zineasta anarca e punk, é uma obra visceral aos olhos. já que eu tinha de fazer justiça com a força da música. para chegar às imagens, que cheguei, deitei e rolei na edição zinematográfica, fiquei ouvindo a música várias vezes seguidas. até que me veio a ideia de criar uma narrativa irônica, ou uma zombaria crítica, que devia misturar, realidade, ficção e humor. para isso transformei o super-homem em super-cifrão, o grande herói da religião, do estado e do capital. e daí evoquei nossa rebeldia ancestral e nossa revolta atual para a gente agir por um futuro melhor. assim é o CHAMADO, todes nós juntes, numa união simbolizada por vários tipos de anarquismos, como a mais potente kriptonita contra esse grande capitão do mato. considero esse muZine como o segundo passo dado do DIY: se começamos no “faça-você-mesme”, agora seguimos no “façamos-nós-mesmes”!

Amante da Heresia {Léo Pimentel}

Sobre a música:

Chamado” é uma música de resistência, um grito que contrasta com os poderes que saqueiam vidas e molestam a paz. Denuncia a manipulação e o controle sobre as populações, expondo aqueles que, nas sombras, acumulam propriedades enquanto tentam silenciar as vozes que ousam resistir. Com influências do punk e sonoridades dos povos tradicionais, “Chamado” emerge dos fazeres DIY como uma rejeição profunda ao sistema. Os tambores e vozes ecoam saberes que atravessam o tempo, anunciando que outros mundos existem e resistem. “Chamado” é uma convocação à solidariedade e à criação de existências libertárias, nascendo do desejo de romper com a dominação e de expor aqueles que se beneficiam do sofrimento e da exploração alheia.

Maurício Remígio

O vídeo pode ser acessado nesse link:

https://youtu.be/euJh-0w-mEM?si=ag0OHJT1XD6QktEP

Sobre o Lançamento:

Esse videoclipe será lançado no cinemolotov nas jornadas anarcopunk em Fortaleza-CE no dia 01 as 19h.

agência de notícias anarquistas-ana

No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[Espanha] La Pantera Rossa, Centro Social e Livraria em Zaragoza

Respostas a algumas perguntas de Redes Libertárias: LA PANTERA ROSSA, Centro Social e Livraria. Zaragoza

Como e quando surgiu o Centro Social e Livraria?

La Pantera Rossa nasceu em sua localização atual, em Zaragoza, no inverno de 2010, graças à confluência de diferentes coletivos dos quais participavam as pessoas que a fundaram (economistas críticas, planejadores urbanos sociais, antimilitaristas e antirracistas pelos direitos dos migrantes “sem documentos”), que haviam sido persuadidos por nós que formávamos a antiga equipe editorial aragonesa do jornal Diagonal (hoje El Salto). Conseguimos avançar graças a essa grande equipe de pessoas, aos microcréditos pessoais de solidariedade (sem juros) e ao apoio de experiências amigáveis do ecossistema crítico do livro com presença em outros territórios que confiavam e apostavam em multiplicar geograficamente a rebelião cultural, especificamente a editora e distribuidora libertária Virus em Barcelona, Traficantes de Sueños em Madri e La Hormiga Atómica em Iruña-Pamplona (hoje Katakrak).

Que objetivos vocês estabeleceram quando fundaram a La Pantera Rossa, e vocês acham que eles foram alcançados?

Nosso objetivo original era construir um espaço público à margem da cultura de mercado, capaz de oferecer recursos básicos aos movimentos sociais locais, de reunir o descontentamento social e produzir antagonismo por meio da promoção de encontros críticos e livros. “Abrimos por causa da crise”, clamava uma grande faixa que exibimos na vitrine de nossa loja durante os primeiros dias de abertura. Estávamos nos referindo não à crise econômica ou financeira que nos cercava, mas à crise da organização social, abandonada ao identitarismo, à endogamia e à dinâmica cega e autodestrutiva da esquerda autoritária, também responsável pela desmobilização social que nos assolava. Queríamos abrir um “buraco” nessa dolorosa realidade para nos questionarmos e, assim, podermos pintar o mundo de outra cor.

Sabíamos, porque fazíamos parte deles, que os coletivos sociais de Zaragoza precisavam, que nós precisávamos, de um lugar aberto e livre de preconceitos e estereótipos, onde pudessem se expressar e falar “ao mundo” para difundir e convocar a revolta social, e queríamos, ao mesmo tempo, divulgar uma cultura radical, que abordasse a raiz dos conflitos sociais, com dignidade e garantias de permanência. Hoje podemos afirmar que, apesar das dificuldades econômicas, e em particular da venda de livros, com o que nos autofinanciamos, conseguimos consolidar o espaço social que pretendíamos, devido à qualidade de seus meios e propostas e à quantidade e substância heterogêneas das ações transformadoras que abrigamos.

Que ações são prioritárias nas suas atividades?

A disseminação da literatura e do conhecimento crítico, a promoção da auto-organização popular e do protesto político, a subversão cultural e a extensão da economia social e solidária e do cooperativismo como uma alternativa prática ao capitalismo.

Que setores sociais vocês atingem?

Os setores sociais com os quais estamos em contato são múltiplos e diversificados, desde a população “local” do bairro velho onde estamos localizados (La Magdalena), até pessoas do resto da cidade ou visitantes de outros lugares que simpatizam com o projeto cultural em uma ampla gama ideológica que vai de posições socialistas e humanistas a posições libertárias. La Pantera Rossa é “habitada” por ativistas ambientais, feministas, antimilitaristas e pacifistas, sindicalistas de “classe” e pessoas sensíveis a essas mesmas ideias que estão procurando um ponto de encontro seguro.

Que meios de divulgação de suas atividades vocês utilizam (web, redes, etc.)?

Os meios de divulgação que usamos são comunicados à imprensa, as redes sociais, um boletim informativo por e-mail e nosso próprio website. E, em algumas ocasiões, fazemos divulgação impressa que distribuímos pela cidade.

Como você avalia sua trajetória na cidade?

Após quase quatorze anos de existência, nosso balanço é positivo pela recepção e aceitação social diversificada que temos encontrado, o uso do espaço pelos movimentos sociais e outras iniciativas da cidade é abundante, às vezes avassalador para um projeto comunitário pequeno como o nosso. Acreditamos que conseguimos garantir um espaço de autogestão e crítica cultural, independente de qualquer meio de pressão política ou econômica, com dignidade e reconhecimento público.

>> La Pantera Rossa www.lapanterarossa.net/

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/06/28/la-pantera-rossa-centro-social-libreria-zaragoza/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

velho caminho
sol estende seu tapete de luz
passos de passarinho

Alonso Alvarez

[França] Radio Libertaire em alerta

Caros amigos e amigas ouvintes,

A Radio Libertaire, assim como cerca de 700 estações de rádio comunitárias em toda a França, está em perigo com a Lei de Finanças de 2025!

Esse projeto de lei prevê uma redução de 35% no financiamento alocado ao Fonds de Soutien à l’Expression Radiophonique (FSER).

Mas o que é exatamente o FSER?

Criado em 1982, o FSER foi projetado para permitir que as estações de rádio comunitárias cumpram, e eu cito, “sua missão de comunicação social local”.

Até 2008, esse fundo era composto pela receita de um imposto baseado nos valores pagos pelos anunciantes pela transmissão de mensagens publicitárias no rádio e na televisão.

Desde 2009, eles vêm de uma alocação fixa do orçamento do Estado e são alocados por ordem do Ministro da Cultura e Comunicação.

Esse procedimento tem sido frequentemente usado pelo Estado para monopolizar recursos que eram gerenciados sem sua intervenção. (Fundo para garantir o regime de pensão, tentativa de assumir as reservas do regime Agirc-Arrco, aquisição dos regimes de seguro-desemprego, Previdência Social, sob o pretexto de déficits, às vezes organizados pelo Estado). É insuportável!

A RL solicita e recebe um “subsídio operacional” anual que, embora automático, exige que ela preencha um grande número de formulários e forneça os documentos de apoio. Ele representa mais de dois terços de seu orçamento.

Como a Radio Libertaire não tem funcionários assalariados e suas atividades são baseadas, vale lembrar, em trabalho voluntário, a maior parte de seu orçamento é gasta em operações.

Para as outras estações de rádio, aquelas com funcionários, será necessário demitir pessoal e/ou abandonar a transmissão DAB+. Para algumas, será simplesmente o fim da aventura.

Sob o pretexto de rigor orçamentário, essa é uma oportunidade de varrer da paisagem os atores independentes ou daqueles que são um pouco rebeldes demais. Nestes tempos de tendências de extrema direita, há motivos para preocupação.

Por enquanto, estamos em contato com as várias organizações que representam as rádios comunitárias, como a SNRL e a CNRA, que já estão pedindo mobilizações.

Você pode nos ajudar fazendo uma doação no site da RL, na guia “nous soutenir” (Apoie-nos): https: //radio-libertaire.org/soutien.php. Mas, acima de tudo, espalhe a notícia e prepare-se para se mobilizar pela Radio Libertaire e por todas as outras estações de rádio que ainda são livres.

O secretariado da Radio Libertaire

radio-libertaire.org

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/04/franca-radio-libertaire-40-anos-de-voz-poderosa-e-rebelde/

agência de notícias anarquistas-ana

folhas no quintal
dançam ao vento
com as roupas do varal

Carlos Seabra