[Portugal] Debate: Heranças de Maio de 68

A complementar a abertura da exposição ‘revista A Ideia – 50 anos”, realizou-se a 15 de Outubro de 2024 no auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa, um debate subordinado a este tema. Apesar da chuva que caía, estiveram presentes cerca de 40 pessoas e o debate prosseguiria ainda bem além das duas horas se a instituição não tivesse imperativamente de encerrar as suas portas.

Todos os oradores convidados haviam sido exilados políticos e foram protagonistas dessa tão referida revolta estudantil em Paris. Fernando Medeiros (já licenciado do IEDES) abriu a sessão e esboçou a sua análise sobre o significado histórico desses acontecimentos, considerando-os como o fecho de um ciclo secular que simbolicamente concretizou aquele que fora um sonho do sindicalismo anarquista – uma greve geral revolucionária, definitivamente emancipadora –, porém apenas abrindo a porta para uma nova fase do desenvolvimento capitalista. Num breve intermezzo e em nome da organização do evento, João Freire agradeceu a presença de todos e evocou a dimensão “trabalhista” daquela greve geral, que viria a influenciar o período efervescente do “PREC” português.

Manuel Villaverde Cabral (então trabalhador-estudante radicado em Paris desde há uns anos) orientou a sua intervenção no sentido de evidenciar a importância do factor-chave da quebra demográfica em Portugal (como na Europa e no Ocidente), ligando-o à evolução da estrutura familiar nestes países e, implicitamente, às emergências culturais dessa revolta juvenil.  

Na mesa, da esquerda para a direita: M. V. Cabral, Helena Cabeçadas, Fernando Medeiros (moderador), Fernando Pereira Marques, José Rodrigues dos Santos e João Freire (de pé). João Freire que apresentou a mesa, recordou o tempo em que trabalhava na fábrica Renault. Invocou o papel dos anarquistas na génese do protesto estudantil e a memória desses operários que “espontaneamente” se colocaram em greve de solidariedade (à margem da direcção sindical) com os estudantes e salientou os ganhos substantivos obtidos pelos trabalhadores e operários franceses depois das jornadas de Maio de 68. No conjunto, o Maio de 68 acabou por reforçar a construção do Estado social francês que estava em curso.

Helena Cabeçadas, que estudava ciências sociais em Bruxelas, transferiu-se rapidamente para Paris, onde se envolveu em muitos dos acontecimentos seguintes, e falou da remise en cause do modo de vida até então dominante, destacando especialmente a componente da emancipação feminina.

Fernando Pereira Marques, então estudante na Sorbonne (e, como manifestante, detido pela polícia logo no início do mês), referiu diversas dimensões do Maio de 68, apontando em particular que ele significou o fim da longa hegemonia do marxismo-leninismo sobre o movimento operário mundial e as correntes marginais que também se opunham aos autoritarismos e a outras facetas do poder capitalista.

Por fim, José Rodrigues dos Santos (ao tempo activista em Nanterre e mais tarde professor de ciências sociais na Universidade de Évora e na Academia Militar), numa análise de longue durée, traçou o itinerário histórico do pensamento radical e de algumas das correspondentes práticas, com especial enfoque em momentos-chave no domínio cultural (literatura, pintura, etc.), na emancipação das mulheres e em acontecimentos políticos internacionalmente relevantes ao longo do último século, terminando com uma apreciação crítica que evidenciou aspectos da degenerescência em algumas das movimentações sociais protagonizadas por jovens nas grandes metrópoles mundiais.

Estas densas intervenções terão impressionado alguns dos presentes, em sentidos diversos. Apenas foi de lamentar a quase impossibilidade de debate destes oradores com a assistência, devido às condições externas já assinaladas.

JF

16.10.2024

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2024/10/17/debate-herancas-de-maio-de-68/

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a cerca já era
coroa de rosas
entre chifres do touro

Nenpuku Sato

Nada de novo no Front: A Ditadura do Capital é a realidade no Brasil

No dia 14 de setembro de 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Luíz Roberto Barroso, em uma sessão de julgamento da corte, afirmou que “não há vestígio de ditadura porque nós temos eleições livres e periódicas a cada dois anos no Brasil. E do proletariado muito menos. Talvez a Faria Lima tenha mais influência do que o proletariado“, afirmou o ministro em meio a risos.

Essas declarações do magistrado sobre a preponderância do poder do mercado e dos empresários revelam uma percepção acurada da realidade política e econômica do país por parte deste membro de alto escalão do Estado Brasileiro. O que o juiz explicitou é um fato que a sociedade brasileira, em geral e infelizmente, ainda não percebe claramente (ou parece não se importar): a classe trabalhadora, historicamente vista como força motriz de transformações sociais profundas, não representa, no momento atual, uma ameaça ao status quo.

A ausência de uma mobilização popular consistente e organizada, capaz de desafiar e destruir o poder econômico e político das elites, cria um vácuo que é prontamente ocupado pelo capital e seus lacaios. As reformas trabalhistas, a precarização das relações de trabalho e a fragilidade das organizações sindicais são apenas alguns exemplos de como o Estado brasileiro, em nome da competitividade e do desenvolvimento, tem privilegiado, como sempre foi, os interesses das grandes corporações em detrimento dos direitos dos trabalhadores.

Ao afirmar que vivemos em uma ditadura do capital, não estamos sugerindo a existência de um regime político autoritário no sentido clássico do termo (sendo certo, no entanto, que tal possibilidade também pode voltar a ocorrer em determinado momento histórico). A dominação do capital se manifesta, sobretudo, através de mecanismos sutis e perversos, como a concentração de renda, a alienação cada vez mais intensa que produz, a influência das empresas sobre as políticas públicas e a cooptação das instituições ditas democráticas. A mídia, por exemplo, atua como porta-voz dos interesses do mercado, moldando a opinião pública, legitimando as desigualdades sociais e desencorajando as possibilidades de transformações sociais.

Em suma, o comentário de Barroso reflete uma realidade incômoda, mas inegável: o Estado brasileiro, longe de temer uma revolução proletária, antiestatal e anticapitalista, é um instrumento a serviço do capital, enquanto a classe trabalhadora, fragmentada e desmobilizada, assiste passivamente à consolidação de um modelo econômico que beneficia uma minoria privilegiada, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais e a exclusão. No entanto, não será pela captura do Estado que iremos alterar esta conjuntura – a história bem o mostra.

A superação desse cenário exige uma profunda transformação das relações políticas e de produção, com a participação efetiva de todos os setores explorados e marginalizados da sociedade, uma transformação que avance justamente contra o Estado e o Capital. Eis o desafio.

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

[Espanha] O Ministro da Memória Democrática anula a sentença de Salvador Puig Antich

Memória Libertária CGT 16 de outubro de 2024

O Movimento Libertário e, dentro dele, a CGT, sempre defendemos e temos muito claro que o fascismo de Franco e a ditadura subsequente foram a causa de milhares de mortes inocentes, da dura repressão nas prisões e nas ruas, dos trabalhadores, do exílio e da morte das liberdades.

Depois de DUAS leis da Memória, a 52/2007 e a atual, a 20/2022, que em breve completarão dois anos, ineficazes e não cumpridas, o que podemos concluir e exigir? Que chegou a hora de erradicar o franquismo, em suas raízes, como um câncer maligno para nossa sociedade, para impedir sua expansão social e sua propagação para as gerações futuras. Agora mesmo.

Se o Ministro da Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, entregar à família do militante anarquista Salvador Puig Antich, (executado em 2 de março de 1974 por garrote), nesta quarta-feira, 16 de outubro de 2024, uma declaração de reconhecimento e reparação, como vítima do franquismo, assinando a nulidade da sentença e do tribunal que o julgou, estamos totalmente de acordo, é justo, mas também deve ser feita justiça às milhares de vítimas, muitas anônimas, desde o golpe de 1936 até quase hoje. Há quanto tempo o franquismo está ocorrendo e quanto franquismo ainda precisa ser erradicado.

Puig Antich, somos todas vítimas, sua acusação e execução foram realizadas por um poder repressivo e judicial, que se perpetuou, em muitos casos, até hoje. Seu caso, 106/73, seguido no Conselho de Guerra de 8 de janeiro de 1974 em Barcelona, e executado pelo regime de Franco em 2 de março de 1974, são todos os casos abertos contra as antifranquistas desde 18 de julho de 1936.

Portanto, independentemente do que um ministro faça hoje, é o judiciário que deve anular, extinguir, tornar ineficaz e informar ao público que, em conformidade com a lei, os conselhos de guerra e suas sentenças estão revogados, que a legislação de Franco está invalidada e que levamos mais de 80 anos para concluir isso, quanto tempo o franquismo nos levou. Todos os vestígios do franquismo devem ser extirpados de qualquer órgão judicial, sem esse passo, tudo o que pudermos fazer institucionalmente em prol da Verdade, da Justiça e da Reparação serão “cantos de sereia”, claramente ineficazes e com o único objetivo de lavar consciências, não de praticar a verdadeira equidade e igualdade com “todas as vítimas do fascismo de Franco”.

memorialibertaria.org

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

a lua ilumina
na roda do chimarrão
o choro do violão

José Ramos Gomes

Associe-se à União Anarquista Federalista (UAF)!

A associação à União Anarquista Federalista é uma iniciativa de grande relevância para aqueles que acreditam na força da união libertária de grupos e  indivíduos em prol de causas comuns ao anarquismo. Quando nos unimos, ampliamos nossas vozes e nossa capacidade de ação, atuando de forma estratégica em diversos campos. Juntos, temos mais capacidade para defender e divulgar nossas ideias, exercendo um impacto maior na sociedade e contribuindo para as transformações que almejamos. A coletividade permite que cada esforço individual seja potencializado, promovendo uma sinergia que, isoladamente, seria inalcançável.

Organizações como a nossa desempenham um papel crucial no atual cenário histórico, político e econômico. Vivemos tempos de incertezas e profundas mudanças, em que a atuação coordenada de indivíduos e grupos com valores e objetivos claros se torna essencial para enfrentar os desafios impostos pelo capitalismo.  Ademais, por sermos associados da Internacional de Federações Anarquistas (IFA), com diversos grupos ao redor do mundo, o alcance de nossa atuação se amplia ainda mais.

Assim, a importância de associar-se à UAF vai além da simples filiação. Trata-se de participar ativamente de um movimento, enquanto indivíduo ou grupo,  que busca construir uma sociedade mais justa, solidária e humana. Em um contexto global marcado por crises e desigualdades, a força da nossa União se torna um baluarte de resistência e transformação.

Filie-se à União Anarquista Federalista (UAF)!

Apoie o movimento anarquista!

Escreva para uaf@riseup.net e saiba mais!

uafbr.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

ao voltar dos campos
abro a porta
e a lua entra comigo

Rogério Martins

[Porto Rico] Sobre cercos, solidariedade e energia solar

Relatório da Mutual Aid Disaster Relief [“Apoio Mútuo Ajuda em Desastres”] sobre os esforços atuais de ajuda mútua para construir infraestrutura autônoma em Porto Rico.

Borikén (Porto Rico) está acostumada a cercos. La Junta de Control, PROMESA, Jones Act e outras políticas coloniais tornaram as importações para a ilha mais difíceis e caras, elevando os preços, impedindo a ajuda, agindo como um estrangulamento econômico e forçando muitas pessoas a se exilarem em busca de melhores oportunidades econômicas.

A tempestade tropical Ernesto deixou áreas de Borikén inundadas devido às fortes chuvas e à cheia dos rios. Ela também causou uma interrupção de energia que mergulhou 650.000 pessoas na escuridão. Teria havido mais três centros de apoio mútuo e refúgio, com sistemas solares completos fora da rede elétrica convencional, se os equipamentos de energia solar que a Mutual Aid Disaster Relief comprou e entregou à ilha não tivessem ficado presos no porto devido às políticas coloniais de extorsão dos EUA.

Felizmente, acabamos conseguindo retirar os equipamentos do porto e concluir essas três instalações de sistemas solares em San Sebastián, Vieques e Lares, para acrescentar à infraestrutura solar resiliente já instalada e em operação em Humacao, Caguas, Las Carolinas e Las Marias.

Esses refúgios de solidariedade em meio às tempestades oferecem um lugar para se conectar, carregar dispositivos essenciais, manter medicamentos refrigerados, comunicar-se com entes queridos, lavar e secar roupas, cozinhar alimentos, receber cuidados de um jeito sensível a traumas, e atuar como centros para esforços comunitários de resposta a desastres, restaurando a esperança e ensinando a responsabilidade cívica – tudo isso alimentado pelo sol.

Em toda a ilha, em resposta ao fato de o governo não estar cumprindo suas responsabilidades, as pessoas resgataram antigos edifícios governamentais abandonados por anos (e às vezes décadas) e recuperaram esses espaços para projetos comunitários de solidariedade, sobrevivência e autonomia. Aqui, não comemos austeridade.

Aqui, sabemos que somente as pessoas salvam as pessoas. Portanto, não importa quais desastres climáticos ou políticos cheguem às nossas praias, os capitalistas podem até ter o dinheiro, e os governos, o monopólio da violência; mas nós temos o poder.

Fonte: https://itsgoingdown.org/on-sieges-solidarity-and-solar/

Tradução > anarcademia

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Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.

Mailde Tripoli

[Chile] “O voto é um fracasso” | Chamado para manifestação nos dias 18 e 19 de outubro

Um novo circo eleitoral se aproxima e a expressão dos setores antagônicos deve estar presente em todas as mídias e mais ainda nas ruas. No mês em que lembramos a revolta de 2019, também seus caídos, mutilados e presos, a institucionalidade ainda não solidamente restabelecida nos convoca a confiar neles novamente, assim como há 5 anos, quando através da unidade de todos os setores políticos da ordem prometeram “acordar”, “dialogar”, “avançar” para salvar o país.

Meia década depois, os mesmos escândalos de corrupção e abusos que levaram o povo a sair às ruas em 2019, com um governo de esquerda confortável que levou o povo que acreditava neles, das ruas e da esperança, à desilusão e à apatia e com uma direita cada vez mais afundada nos mesmos velhos escândalos de abuso sexual e corrupção de recursos públicos, as leituras são claras, NADA MUDOU, O POVO MOBILIZADO NÃO GANHOU NADA.

Alguns analistas, economistas e políticos temerosos já começam a prever novos protestos no futuro. Os fatores e as condições são sempre dados dentro desse modelo de empobrecimento que nos deixa com o custo de vida nas alturas e com um clima torturante de insegurança nas ruas.

A raiva continua intacta e a classe política, juntamente com os grandes empresários, continua a alimentar o motor com seus escândalos cada vez mais frequentes de saquear os recursos do povo para enriquecer enquanto a maioria mal consegue sobreviver. Eles são o crime organizado que tem total impunidade para fazer e desfazer.

Diante da obrigação do poder de nos levar às urnas ameaçando-nos com multas, conclamamos a repudiá-los, puni-los e não financiá-los, pois cada voto representa renda para os corruptos e suas famílias.

Convocamos também a nos manifestarmos nas ruas nos dias 18 e 19 de outubro, em memória de todos aqueles que saíram em busca de pão para suas famílias e nunca mais voltaram.

26 e 27 de outubro.

ANULAR, NÃO PARTICIPAR E NÃO FINANCIÁ-LOS.

UMA VIDA SEM ELES É TOTALMENTE POSSÍVEL E NECESSÁRIA. ESCOLHA A LUTA!!!

Fonte: https://lapeste.org/el-voto-es-un-fracaso-llamado-a-manifestarse-este-18-y-19-octubre/

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A enorme formiga
Caminha sobre o tatame—
Ah, tanto calor!

Inoue Shirô

[Chile] Que a Revolta seja permanente…

Cinco anos após a revolta, o Poder tenta anulá-la, esvaziar seu conteúdo, minimizar sua potência. Nossa posição/ação é defender a ofensiva desencadeada naqueles meses incontroláveis de experiência e aprendizado de combate, que colocaram os bastardos policiais e militares na mira do ataque, arrasando infraestruturas e símbolos do capital, por momentos acabando com a impunidade dos poderosos.

Aos grupos de ação e individualidades anárquica, o chamado é para que se preparem com a memória dos eventos de outubro intacta, para não esquecer a brutalidade dos aparatos estatais que deixaram feridos, mutilados, estuprados e mortos. Para materializar sem piedade o ataque e a vingança contra o Poder e seus defensores.

Sozinho ou acompanhado, com autocuidado e coragem, nos vemos nas ruas.

POR UM 18 DE OUTUBRO INSURRECIONAL!

PELA EXPANSÃO DO CAOS E DA ANARQUIA!

agência de notícias anarquistas-ana

Mundo de orvalho,
não mais que um mundo de orvalho.
Só que, apesar disso…

Kobayashi Issa

[EUA] Feira do Livro Anarquista de Boston

19 a 20 de outubro de 2024
Cambridge Community Center (5 Callender St.)
Cambridge, MA

A BABF 2024 está chegando!

Prepare-se para a Feira do Livro Anarquista de Boston de 2024, dias 19 a 20 de outubro, no Cambridge Community Center, onde estamos sediando uma feira do livro celebrando o anarquismo e suas muitas formas. É o local onde autores, editores, ativistas e a comunidade se reúnem para uma das feiras radicais do livro mais antigas de Boston.

Introdução:

Uma feira de livros anarquista é um encontro dinâmico que adota os princípios do anarquismo – uma filosofia enraizada na cooperação voluntária, na ajuda mútua e no desafio às estruturas hierárquicas. É um espaço empolgante onde autores, editores, ativistas e indivíduos de diversas origens se reúnem para explorar perspectivas alternativas, trocar ideias e questionar noções convencionais de poder e autoridade.

Uma rica história de ideias fortalecedoras:

Boston Anarchist Bookfair ostenta um legado que remonta à sua criação em 2011. Evoluindo de seu início popular para um evento anual altamente esperado, a feira de livros tem servido consistentemente como uma plataforma influente para a disseminação de ideias que desafiam sistemas opressivos e inspiram transformações positivas. A dedicação inabalável ao desmantelamento de várias formas de opressão, incluindo a supremacia branca, o fascismo, o colonialismo, o capitalismo e o patriarcado, é fundamental para os valores centrais da feira de livros.

Ao nos reunirmos na próxima Boston Anarchist Bookfair, também aproveitamos esta oportunidade para elevar e celebrar os esforços incansáveis de anarquistas e ativistas de todo o mundo que trabalham em solidariedade para uma visão compartilhada de um mundo mais justo e livre. Dos movimentos de base à organização comunitária, sua dedicação persistente abriu caminho para mudanças positivas e inspirou inúmeras pessoas a desafiar sistemas opressivos. Esta feira de livros serve como um ponto de encontro para promover conexões e colaborações, permitindo que aprendamos com as experiências e os sucessos uns dos outros. Ao reconhecer e apoiar o trabalho contínuo dos anarquistas solidários, renovamos nosso compromisso com a ação coletiva e a busca contínua pela justiça social. Juntos, permanecemos unidos, sabendo que nossa jornada compartilhada rumo a uma sociedade mais compassiva e equitativa é mais forte quando apoiamos os esforços uns dos outros.

Informada pelos princípios do anarquismo e do pensamento esquerdista mais amplo, a feira de livros incentiva o cultivo da imaginação radical. Por meio do sonho coletivo, aspiramos a criar um futuro caracterizado pela cooperação voluntária, ajuda mútua e relacionamentos equitativos. Essa visão inspiradora serve como base para a criação de um mundo mais justo e livre.

Estamos ansiosos para recebê-lo no evento deste ano!

bostonanarchistbookfair.org

agência de notícias anarquistas-ana

susto na cama
almofada é monstro
em sonho drama

Carlos Seabra

[Chile] Santiago: Debate “Tensionando a revolta” – 20 outubro

A 5 anos da Revolta de Outubro estendemos o convite para realizar uma crítica coletiva e tensionar as ideias e as práticas dentro, durante e depois da Revolta.

A ideia é gerar reflexões coletivas desde uma perspectiva anárquica que sirvam para aperfeiçoar as análises e coordenações dentro dos diversos projetos em luta no território.

Também se aproveitará para inaugurar a Livraria Anárquica “Tortuga” para que também venham ver livrinhos subversivos.

Também teremos comida vegana, música ao vivo e poesia.

Pela expansão da Revolta!

Seguimos procurando que viva a anarquia.

Fonte: https://lapeste.org/santiago-conversatorio-tensionando-la-revuelta-20-octubre/

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Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

Bashô

[EUA] Anarquia Pós-Esquerda?

Continua a existir um grande número de pessoas anarquistas que continuam a identificar-se estreitamente com a esquerda política, legalizada, formatada, institucional entre outras variações. Mas há um número crescente de pessoas dispostas a abandonar grande parte do peso morto associado à tradição de um pretensa esquerda guarda-chuva.

Durante a maior parte da sua existência, ao longo dos últimos dois séculos, ativistas, pessoas teóricas, grupos e movimentos conscientemente anarquistas têm habitado consistentemente uma posição minoritária dentro do mundo eclético de pessoas aspirantes a revolucionárias de esquerda.

Na maioria das insurreições e revoluções que definiram o mundo durante esse período – aquelas que tiveram alguma permanência significativa nas suas vitórias – as pessoas rebeldes autoritárias eram geralmente uma maioria óbvia entre as pessoas revolucionárias ativas. E mesmo quando não eram, muitas vezes ganhavam vantagem por outros meios. Quer fossem pessoas liberais, social-democratas, nacionalistas, socialistas ou comunistas, continuaram a fazer parte de uma facção majoritária dentro da esquerda política explicitamente comprometida com toda uma constelação de posições autoritárias. Juntamente com uma dedicação admirável a ideais como justiça e igualdade, esta corrente majoritária favorece a organização hierárquica, a liderança profissional (e, muitas vezes, os cultos de e mitagens), ideologias dogmáticas (especialmente notáveis ​​nas suas muitas variantes marxistoides), um moralismo hipócrita e uma aversão generalizada à liberdade social e à comunidade autêntica e não hierárquica.

Especialmente após a sua expulsão da Primeira Internacional, as pessoas anarquistas geralmente se deparam com uma escolha difícil. Elas poderiam localizar as suas críticas em algum lugar dentro da esquerda política – mesmo que apenas nas suas periferias. Ou então poderiam rejeitar a cultura da oposição majoritária na sua totalidade e correr o risco de serem isoladas e ignoradas.

Dado que muitas, se não a maioria, das ativistas anarquistas saíram da esquerda através da desilusão com a sua cultura autoritária, a opção de se agarrar às suas periferias e adaptar os seus temas numa direção mais libertária manteve um fascínio constante.

O anarco-sindicalismo pode ser o melhor exemplo deste tipo de anarquismo de esquerda. Permitiu que as pessoas anarquistas usassem ideologias e métodos esquerdistas para trabalhar por uma visão esquerdista de justiça social, mas com um compromisso simultâneo com temas anarquistas como a ação direta, a autogestão e certos valores culturais libertários (muito limitados).

O anarco-esquerdismo ecológico de Murray Bookchin, seja sob o rótulo de municipalismo libertário ou de ecologia social, é outro exemplo. Distingue-se pelo seu fracasso persistente em ganhar uma posição segura em qualquer lugar, mesmo no seu terreno preferido da política verde. Um outro exemplo, o mais invisível (e numeroso?) de todos os tipos de anarquismo de esquerda, é a escolha de muitas pessoas anarquistas de submergir em organizações de esquerda que têm pouco ou nenhum compromisso com quaisquer valores libertários, simplesmente porque não veem possibilidade de trabalhar diretamente com outras pessoas anarquistas (que muitas vezes estão igualmente escondidas, submersas em ainda outras organizações de esquerda).

Talvez nesse momento,  com as ruínas da esquerda política continuando a implodir, para que as pessoas anarquistas considerassem sair em bloco desses escombros da esquerda. De fato, ainda há uma hipótese, se um número suficiente de pessoas anarquistas conseguirem dissociar-se suficientemente da miríade de fracassos, expurgos e “traições” do esquerdismo, as pessoas anarquistas poderão finalmente manter-se por si próprias.

Além de se definirem nos seus próprios termos, as pessoas anarquistas poderão mais uma vez inspirar uma nova geração de pessoas rebeldes, que desta vez poderão estar menos dispostas a comprometer a sua resistência na tentativa de manter uma frente comum com uma esquerda política que historicamente se opôs à criação de liberdades. Pois a evidência é irrefutável.

A presença de pessoas revolucionárias libertárias de qualquer tipo foi consistentemente negada na grande maioria das organizações de esquerda (desde a ruptura da 1ª Internacional em diante); forçadas ao silêncio em muitas das organizações de esquerda às quais foram “autorizadas” a aderir (por exemplo, as pessoas anarca-bolcheviques); e perseguidas, presas, assassinadas ou torturadas por quaisquer pessoas esquerdistas que tenham alcançado o poder político ou os recursos organizacionais necessários para o fazer.

Por que tem havido uma história tão longa de conflito e inimizade entre pessoas anarquistas e a esquerda? É porque existem duas visões fundamentalmente diferentes de mudança social incorporadas no leque das suas respectivas críticas e práticas (embora qualquer grupo ou movimento específico inclua sempre elementos contraditórios).

Na sua forma mais simples, as pessoas anarquistas – especialmente as pessoas anarquistas que menos se identificam com a esquerda – geralmente se envolvem numa prática que se recusa a estabelecer-se como uma liderança política separada da sociedade, recusa a inevitável hierarquia e manipulação envolvida na construção de organizações populares, e recusa a hegemonia de qualquer ideologia dogmática única.

A esquerda, por outro lado, tem-se envolvido mais frequentemente numa prática substitutiva e representacional, na qual as organizações populares estão sujeitas a uma liderança elitista de pessoas intelectuais e políticas oportunistas. Nesta prática, o partido substitui-se pelo movimento popular e a liderança do partido substitui-se pelo partido.

Na realidade, a principal função da esquerda tem sido historicamente a de recuperar todas as lutas sociais capazes de confrontar diretamente o capital e o Estado, de modo que, na melhor das hipóteses, apenas uma representação substituta da vitória tenha sido alcançada, sempre ocultando o segredo público da contínua acumulação de capital, a continuação da escravatura assalariada e a continuação da política hierárquica e estatista, como sempre, mas sob uma retórica insubstancial de resistência e revolução, liberdade e justiça social.

A questão fundamental é: poderão as pessoas anarquistas fazer melhor fora da esquerda – a partir de uma posição de crítica explícita e intransigente, do que aquelas que escolheram habitar dentro da esquerda, o faz?

Jason McQuinn.

Texto adaptado em escrita neutra.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] A extrema direita, a esquerda e a armadilha da política eleitoral

Presa ao capitalismo e ao eleitoralismo, a esquerda estadista não tem nada a oferecer durante um período de crise e reestruturação – deixando o campo para os fascistas.

 ~BladeRunner~

Ao longo da última década, testemunhamos o surgimento de um padrão histórico familiar, com segmentos da classe trabalhadora e das comunidades mais pobres recorrendo cada vez mais a figuras de extrema-direita como Trump e Le Pen. A Áustria é o último país a dar uma guinada acentuada à direita, com o anti-imigração, pró-Rússia Partido da Liberdade (FPÖ), garantindo a posição vencedora nas eleições do último domingo, que teve uma impressionante participação eleitoral de 80%. Isto confirma uma tendência crescente observada recentemente em países como Itália, Hungria, Polônia, Brasil e França.

Os principais círculos de esquerda, frequentemente, interpretam esta mudança como um resultado das suas próprias “falhas” para encaminhar os interesses da classe trabalhadora. Um argumento comum é que ocorreu uma “reversão de classe”, com os partidos de esquerda sendo cooptados pelas educadas elites neoliberais. Outros afirmam que a esquerda tem abandonado a análise econômica em favor das políticas identitárias.

Contudo, a raiz do problema reside nas falhas do próprio sistema de democracia eleitoral. Os sentimentos de traição e desilusão decorrem do fracasso histórico da esquerda estadista em desafiar o espetáculo da política eleitoral, que serve para manter o sistema de classes a todo custo. Em vez disso, os partidos de esquerda cooptaram períodos de insurreição e agitação, durante o colapso dos ideais social-democratas nas crises econômicas na chegada do século XXI. Ao fazê-lo, a esquerda (focada atualmente no New Deal Verde, no identitarismo e nos direitos humanos) posicionou-se como um dos dois pilares da política hegemônica, sendo o outro a direita (focada na negação das alterações climáticas, no nacionalismo e na religião).

A esquerda estadista moderna enfrenta uma tragédia fundamental. Atrelada ao eleitoralismo, enreda-se na teia da governança neoliberal, não oferecendo nem soluções alternativas reais nem desafiando eficazmente o sistema capitalista durante um período de crise e de reestruturação – um momento que deveria ser uma excelente oportunidade para avançar num novo caminho. Entretanto, a elite mantém o controle, desviando os trabalhadores da ação direta e orientando-os para opções eleitorais de extrema-direita ou para motins xenófobos orquestrados. Estas distrações dão tempo à classe dominante para reestruturar a produção e os sistemas políticos para se adaptarem às duras realidades do colapso climático e do ecocídio.

Ironicamente, é a extrema direita, e não à esquerda, que prospera com falsas promessas. Os líderes da extrema-direita escondem-se numa retórica anti-establishment, posicionando-se como heróis da classe trabalhadora “esquecida”. Ao explorar mitos como a “Grande Substituição” e a degeneração da civilização ocidental, canalizam a raiva da classe trabalhadora para o nacionalismo e a xenofobia. A sua agenda mais uma vez fratura a classe trabalhadora, dividindo-a em classificações raciais, étnicas e nacionais. Uma vez no poder, a extrema-direita capitaliza o desespero econômico que inicialmente impulsionou a sua ascensão, impondo políticas de austeridade e anti-trabalhadores que aprofundam ainda mais as desigualdades.

Desta forma, reforçam tanto as barreiras materiais quanto ideológicas que protegem, dentro da cidadela, os privilegiados dos “outros” excluídos, espalhando o medo e o ódio em ambos os lados. Aos excluídos é negada a entrada nas zonas de prosperidade da Fortaleza Europa, enquanto o Estado exerce controle sobre a população “próspera”, mostrando tolerância zero para qualquer um que esteja fora dos limites do depressivo realismo capitalista.

A solução não reside na reforma dos partidos eleitorais de esquerda para alinhá-los com o colapso do sistema capitalista em curso. Está na construção de um movimento que rejeite todo o quadro da política eleitoral. A resposta está na ação direta, no apoio mútuo e na organização de base comunitária que rejeite tanto a xenofobia da extrema-direita como as promessas vazias da esquerda. Somente com uma radical consciência de classe e uma organização anti-autoritária é que as estruturas capitalistas e estatais que continuamente nos traem podem ser desmanteladas.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/10/07/the-far-right-the-left-and-the-trap-of-electoral-politics/

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Um aroma chegando
na brisa que sopra do mar —
é primavera!

Marco Antônio Fontolan

[Holanda] Estações de recarga elétrica sabotadas em Amsterdã

À medida que os impactos da mudança climática se tornam cada vez mais evidentes, o capitalismo procura se rebatizar uma imagem nova e verde. Dizem-nos que, se calcularmos nossa pegada pessoal de CO2, comprarmos os produtos certos (caros) e fizermos nossa parte na reciclagem, poderemos salvar o planeta. Isso é categoricamente falso. Nenhuma maneira de consumir nos tirará desta crise. O que pode impedir o derretimento dos glaciares, o incêndio das florestas e o deslocamento de humanos e animais dos seus habitats é nada menos do que um afastamento radical do crescimento sem fim exigido pelo capitalismo.

A mudança para veículos elétricos que está sendo promovida pelos governos de toda a Europa e pelas empresas automobilísticas que esses estados subsidiam é parte dessa tentativa velada de recuperar a catástrofe climática chamada capitalismo. Não há nada de sustentável em um carro elétrico. Cada etapa da cadeia de suprimentos global que envia um veículo elétrico fabricado nos Estados Unidos para nossa porta em Amsterdã envolve a exploração de trabalhadores e a destruição do planeta. A mineração de minerais para a bateria, por si só, é um processo incrivelmente destrutivo. O lítio extraído no Chile contamina as fontes de água locais, o cobalto extraído no Congo envolve trabalho infantil e o níquel extraído na Indonésia libera metais pesados no oceano. Sem mencionar o aço, o titânio, o alumínio e o plástico necessários para a estrutura do carro. Essas matérias-primas são escassas e a corrida dos Estados e das empresas para garantir o acesso está alimentando uma nova onda de colonialismo no sul global.

Depois que nosso carro tiver sido enviado para o outro lado do mundo, podemos ficar parados no trânsito a caminho do trabalho com a consciência tranquila, sabendo que não há CO2 saindo do escapamento. Só que a energia para alimentar as estações de recarga elétrica tem de vir de algum lugar e na Holanda, como em quase todos os outros países do mundo, mais de metade desta energia ainda provém de combustíveis fósseis. O crescente setor de energia renovável enfrenta os mesmos problemas de poluição que a fabricação de um veículo elétrico: as baterias necessárias para armazenar energia não são nada limpas e o transporte e a fabricação da infraestrutura de energia consomem muitos recursos. Ao mudarmos para alternativas supostamente renováveis, estamos apenas terceirizando para as partes mais pobres do mundo a devastação ambiental necessária para manter o nosso crescente abastecimento de energia cada vez maior.

É por isso que ontem (26/09) à noite sabotamos uma dúzia de estações de recarga elétrica em Amsterdã, enchendo suas portas de recarga com espuma de construção. Essas estações são de propriedade da TotalEnergies, uma das sete maiores empresas de petróleo. Nenhuma quantidade de greenwashing [mentira verde] pode limpar uma empresa que está poluindo a Terra há cem anos.

Sabotar a normalidade capitalista.

Fonte: https://indymedia.nl/node/55098

agência de notícias anarquistas-ana

final de tarde
se amontoam sabiás
a cantar entre nós

Antonio Marcos Amorim

[Espanha] CNT e decrescimento para o fim do capitalismo

O sindicalismo combativo, o ambientalismo de base e os movimentos sociais reunidos em Xixón discutiram quais mecanismos podemos colocar em prática fora do Estado e das instituições para enfrentar o cenário de crise global, lançando as bases para o gerenciamento generalizado das necessidades básicas em uma estrutura de sociedades com menor disponibilidade de energia, mas mais democráticas e solidárias.

A lógica capitalista não compreende os limites ambientais ou sociais. Qualquer necessidade vital é suscetível de se tornar um nicho de mercado, a colonização cruzando qualquer fronteira política, física, social e mental. A sociedade de consumo que começou a se modular no século passado acelerou o processo de desculturação com as novas tecnologias de comunicação e informação como a mais recente alavanca. Os movimentos de base deixaram de ter hegemonia cultural no início do século XX para se tornarem irrelevantes na tempestade comunicativa de hoje. Isso levou a uma banalização da vida, da natureza e da sociedade que dificilmente podemos confrontar com a mídia convencional. Apesar de tudo, temos a experiência acumulada de séculos de luta, com a memória viva de conselhos, ateneus, grupos, sindicatos… que resolveram tantos problemas e que ainda são capazes de unir as lutas em resposta às agressões dos poderosos em suas mais diversas manifestações: capitalismo, patriarcado, extrativismo, racismo, fascismo…

Da mesma forma que os povos indígenas colocam a vida e a natureza no centro de sua luta, o sindicalismo combativo, o ambientalismo de base e as plataformas de defesa do território estão comprometidos com o enfrentamento das muitas empresas que colocam os interesses especulativos acima das pessoas e do meio ambiente; com o estabelecimento e a promoção de uma nova cultura de cuidado; com o apoio a projetos autogerenciados que estão construindo uma economia alternativa e solidária que possibilita não apenas a satisfação das necessidades vitais por meio da restauração da natureza, mas também a reconstrução dos laços sociais de baixo para cima.

O caos climático, mas, acima de tudo, a extinção da biodiversidade e um colapso mais do que provável das sociedades industriais estão colocando em risco um modo de vida consumista e irrefletido que não deve ser substituído por um ainda mais totalitário. Diante do perigo de que isso aconteça, é essencial se organizar e semear novas alternativas por meio da escuta e também da ação.

Mais informações em: apoyomutuoocolapso@riseup.net.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-y-el-decrecimiento-para-el-fin-del-capitalismo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=cnt-y-el-decrecimiento-para-el-fin-del-capitalismo

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/05/espanha-jornadas-decrescentistas-unitarias-em-xixon-6-16-setembro/

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Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

Marcar nossas peles como um ato de convicção anárquica. Flash Tattoo Solidário na Feira do Livro Anarquista. Porto Alegre 2024

Os eventos de tatuagens solidárias como o Solidariedade à Flor da Pele, tem marcado uma forma de autogerir a solidariedade anti-carcerária.

Assim como nas últimas Feiras do Livro Anarquista em Porto Alegre, levamos adiante essa iniciativa mais uma vez, porque acreditamos que marcar nossas peles como um ato de convicção anárquica e prática solidária deixa em nossos corpos muito mais do que desenhos ou letras.

O evento acontecerá no sábado, dia 9 de novembro, das 9 da manhã até as 18 horas, na Sede da Escola de Samba Acadêmicos da Orgia. Avenida Ipiranga 2741, Porto Alegre.

Acompanhe a agenda de horários reservados na aba especial aqui no blog:

https://feiradolivroanarquistapoa.noblogs.org/category/flash-tattoo/

Para entrar em contato e agendar horário:

@marceloarakno @Juwtattoostudio

fla-poa2024@riseup.net @flapoa

feiradolivroanarquistapoa.noblogs.org

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Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!

Arakida Moritake

Apresentação página Anarquismo em Movimento

A propaganda anarquista tem a finalidade de aproximar as pessoas dos princípios que carregamos. Repetindo constantemente o mundo que buscamos e como podemos chegar até lá, e com isso, somar pessoas em nossas atividades, potencializando o que já é feito, e criando novas ações.

Precisamos compartilhar e tornar visível os esforços de cada companheiro, apresentar solidariedade a quem se sente sozinho em suas ações, e mostrar oportunidades para quem possui vontade mas não sabe onde atuar, ou por onde começar algo novo.

Esse é o motivo do por que há 8 anos atuamos nesta página, e buscamos o apoio de quem possa ser alcançada por ela.

Queremos que todo aquele que se sente sozinho, estreite seus laços com quem todo aquele que compartilha os mesmos princípios libertários que nós. E contamos com seu apoio para isso.

E por isso, apesar do desgaste, retomamos, mais uma vez, as atividades desta página.

Fortaleçamos a luta que já existe, criemos a luta onde não há.

Instagram: @anarquismoemmov

Facebook: @anarquistasvaledosinos

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o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra

Alta abstenção no 1º turno das eleições 2024 | “O TSE deveria apertar as regras e aumentar a multa para os faltantes”

Com abstenção alta no 1º turno nas eleições de 2024 em muitas cidades do Brasil, autoridades, cientistas sociais, jornalistas e “especialistas” já comentam que é preciso “endurecer” as regras para os abstencionistas e “estimular a votação no país”.

Ao anunciar o índice de abstenção após o encerramento das urnas na noite de domingo (06/10), a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, afirmou: “Nós tivemos índice de abstenção que continua sendo alto para os nossos padrões”. Em seguida, defendeu que medidas precisam ser tomadas para estimular a votação no país.

“As sanções aplicadas aos faltosos são extremamente brandas. A multa para quem não vota é de apenas R$3,51 por turno, um valor irrisório que não impõe um custo significativo para os eleitores que optam por ser abster”, opina um cientista político.

“A facilidade em justificar o voto e o valor baixo da multa imposta aos ausentes são fatores que estimulam a abstenção. O TSE deveria apertar as regras e aumentar a multa para os faltantes”, diz um jornalista.

“As pessoas deveriam ser mais coagidas a votar, a exercer seu poder através do voto. A sensação para quem não participa das eleições é de que não votar não tem consequência, que a punição é leve”, comenta um “especialista”.

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Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina