Apresentação do Relatório da Primeira Conferência no México de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas

Convidamos você a assistir à apresentação do Relatório da Primeira Conferência no México de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas, realizada de 22 a 26 de maio de 2023, na qual foram apresentados muitos trabalhos interessantes sobre o papel das mulheres anarquistas em diferentes épocas e latitudes e que agora podemos consultar, em formato digital, em um documento que compila a pesquisa que foi apresentada naquela ocasião.

Para participar pessoalmente, esperamos vê-lo na próxima quinta-feira, 10 de outubro, às 16h, na Sala do Conselho Margarita Nolasco da Escola Nacional de Antropologia e História da ENAH ou no canal da ENAH tv no YouTube: https://www.youtube.com/@enahtv5804.

Você pode fazer o download da publicação em:

https://drive.google.com/…/1zUihpZ9jX5KbpdGbnWUwcc…/view

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/20/memoria-da-primeira-conferencia-de-pesquisa-sobre-mulheres-anarquistas-no-mexico/

agência de notícias anarquistas-ana

Amo primavera
e o seu calor em cor
e o seu botão se abrindo, menino!

PatriciaBC

Tradução • Ajuda • Colaboração

[Reino Unido] Bilionários no espaço

O turismo de elite não está “abrindo caminho para a humanidade em direção às estrelas”, mas sim a fuga das elites de um planeta moribundo

Andrew J Boyer ~

Jared Isaacman se tornou o primeiro bilionário a caminhar no espaço, em uma missão bem-sucedida da Space-X intitulada Polaris Dawn. O evento atraiu manchetes por pouquíssimos motivos, além do fato de ele ser um bilionário americano e não um astronauta tradicional. De forma semelhante, no ano passado, a Virgin Galactic de Richard Branson completou seu primeiro voo comercial no espaço, com passagens custando mais de US$ 450.000 por assento (cerca de 2,5 milhões de reais). Existe ainda, é claro, a Blue Origin de Jeff Bezos, que promete lugares não apenas para turismo espacial, mas para viver e trabalhar no espaço.

Enquanto alguns podem achar inspirador que um empresário possa comprar o bilhete de um agradável passeio cósmico, o resto de nós fica desanimado com a sensação de que até o espaço pode ser transformado em mercadoria. Os capitalistas descartam conceitos como uma sociedade sem dinheiro, abolicionismo, apoio mútuo e democracia direta como ridículos e utópicos, mas no momento em que o espaço é mencionado a um bilionário, seus olhos brilham como a Via Láctea.

A ideia de bilionários abrindo caminho para viagens espaciais através do turismo destaca a questão: o que consideramos progresso? Uma justificativa comum para estados e para o capitalismo é que eles permitem projetos de grande escala como explorações espaciais e que construir foguetes é impossível sem estruturas de comando e um motivo de lucro. Mas enquanto esse senso grandioso de progresso é presunçosamente elogiado e defendido, a pobreza corre solta como sempre, guerras e genocídios continuam, desastres ecológicos varrem o planeta, grupos marginalizados enfrentam violência e muitas pessoas continuam exploradas e isoladas de suas comunidades. Há claramente uma diferença nas prioridades.

De alguma forma, o turismo (de qualquer tipo) sempre foi uma fuga privilegiada para um destino mercantilizado e com uma experiência cultural excessivamente selecionada. Mas os direitos de se gabar que alguém imagina ter quando posta suas fotos de férias nos Fiórdes nórdicos no Instagram, empalidecem em comparação ao sentimento divino que um membro rico da elite pode ter quando olha para a Terra de longe. A alegria deles não é ir “onde ninguém jamais foi”, mas sim “onde ninguém pode se dar ao luxo de ir”.

Mas tal arrogância cai nos ouvidos cínicos de gerações preocupadas com a destruição ambiental da Terra. Com o calor extremo se tornando a principal causa de morte relacionada ao clima, os mais jovens têm muito pouco interesse em viagens espaciais nostálgicas no estilo Apollo e preferem usar o custo de sua ”teórica passagem espacial” para pagar por moradia, alimentação e educação.

O desejo de viajar é completamente natural e não há nada do que se envergonhar. Explorar o espaço tem sido um sonho (ou pelo menos um pensamento passageiro) para todo ser humano que já olhou para a Ursa Maior. Mas a caminhada espacial de Jared Isaacman não é uma conquista heroica que abrirá caminho para nossos sonhos. Em vez disso, ela mostra como, diante de uma ameaça à sobrevivência da vida na Terra, as elites já estão se preparando para comprar sua saída do planeta.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/09/16/billionaires-in-space/

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

nas ondas cintila o luar.
longas algas,
verde cabelo do mar

Alaor Chaves

[Cuba] Prisão e escravidão moderna no “paraíso” dos trabalhadores

As Nações Unidas condenaram os trabalhos forçados impostos aos presos políticos em Cuba relatados no estudo sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, segundo a ONG Prisoners Defenders.

No documento, apresentado oficialmente em setembro, as Nações Unidas citam que “a existência de leis e regulamentos nacionais que permitem o trabalho obrigatório por expressar opiniões políticas ou participar em greves continua a ser um motivo de preocupação em Cuba”.

De acordo com a organização não-governamental Prisoners Defenders, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata, “adota explicitamente” o “breve relatório da ONG sobre o trabalho forçado nas prisões cubanas”, que dá exemplos concretos da “situação alarmante nas prisões cubanas, especialmente dolorosa para os prisioneiros de consciência e os presos políticos”.

A produção de carvão vegetal de Marabú e o corte de cana-de-açúcar para a colheita da cana são duas das principais formas de trabalho forçado a que são submetidos os presos políticos em Cuba, segundo os testemunhos recolhidos pela Prisoners Defenders.

A ONG afirmou que a situação afeta também os menores, que as jornadas diárias de trabalho são superiores a nove horas, que a alimentação dos trabalhadores é escassa e que não existe um controle médico prévio.

A Prisoners Defenders denuncia ainda que o carvão cubano produzido em regime de trabalho forçado em Cuba é comercializado na Europa, aspecto que a organização não-governamental espera que o relatório do relator da ONU ajude a alterar.

Fonte: agências de notícias

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/04/incidentes-repressivos-ou-violadores-de-direitos-humanos-em-centros-penitenciarios-cubanos/

agência de notícias anarquistas-ana

Lua crescente.
Onde está a outra parte?
Derramou no mar.

Rafael Medeiros

Por que as eleições não conseguem trazer mudanças reais

Os 10 filtros que as tornam ineficazes para a esquerda radical

Por que as 99% não podem simplesmente votar em um governo que atue em seu interesse e não no de 1%?

Em um nível simples, eleições parlamentares parecem a maneira ideal para as “despossuídas” usar seus números para superar o poder e as influências do pequeno número de “possuídas”. Muitos grupos e coletivos anárquicos sobre essa divisão na linguagem do 1% e 99%; uma aproximação grosseira que reflete uma realidade onde o número de lideranças ricas é na verdade muito pequeno, de fato menos de 1%. Então, por que as 99% não podem simplesmente votar em um governo que atue em seu interesse e não no do 1%?

Vamos começar reconhecendo que isso não é por falta de tentativa. A luta pelo sufrágio pleno no século XIX foi muito atraída pela ideia de que, uma vez que todas tivessem o direito de voto, um governo da maioria trabalhadora poderia ser eleito e redistribuiriam a riqueza no interesse de todas. Não era apenas uma grande parte da esquerda que via as coisas dessa forma, a elite rica também via e elas estavam aterrorizadas com o sufrágio em grande escala por esse motivo. Mas elas passaram a ver que o tipo de força de trabalho educada de que cada vez mais precisavam em sua sociedade em desenvolvimento não poderia ser negado para sempre e, portanto, mudaram da oposição ao sufrágio para concedê-lo somente depois de descobrirem como contê-lo e usá-lo em seu benefício. Sua capacidade de controlar o voto e o sistema eleitoral foi claramente demonstrada no século XX , quando governos de esquerda foram eleitos repetidamente, mas mudanças fundamentais quase sempre foram evitadas. Como isso foi alcançado?

As pessoas anarquistas às vezes são culpadas de simplificar demais esse processo seguindo as linhas do velho slogan “Se votar mudasse alguma coisa, seria ilegal”. O argumento é que se um governo radical fosse eleito, a classe capitalista o derrubaria usando sua influência sobre as pessoas militares para dar um golpe. Há muitos exemplos históricos de exatamente isso acontecendo, o Chile em 1973 é um que é frequentemente citado. Mas é uma simplificação grosseira que significaria que em muitos países da OCDE não é visto uma interferência no “processo democrático” por um longo período de tempo. Na verdade, como vemos, um golpe é apenas a última medida desesperada se todo o resto falhar. O método preferido é filtrar a mudança radical e substituí-la por uma fachada inofensiva e uma pequena reforma.

Uma maneira de entender como isso acontece é comparar o processo a um sistema de filtragem. Cada filtro no sistema é projetado para capturar um tipo específico de ameaça. Idealmente, aquelas que estão sendo filtradas não apenas não sabem que isso está acontecendo, mas na verdade cooperam no processo. O que são esses filtros?

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://anarkio.net/index.php/por-que-as-eleicoes-nao-conseguem-trazer-mudancas-reais/

agência de notícias anarquistas-ana

que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

Carlos Seabra

Flecheira Libertária 782 | “representativa e blá blá blá”

os negócios 1

A produção de manifestos ou abaixo-assinados se tornou uma prática usual de ativistas com suas “celebridades”, e seus acadêmicos, jornalistas, empresários etc. Na última semana antes do primeiro turno da eleição municipal em São Paulo, grupelhos se uniram e redigiram documentos a favor de um ou do outro candidato. Tudo em nome do chamado voto útil com a finalidade de barrar o fortalecimento da direita e da ultradireita. Esses grupelhos são a verdadeira consciência destinada a nos guiar. Tolo é o rebanho que acredita que as urnas são capazes de inviabilizar a proliferação de condutas reacionárias e as mutretas nos diferentes negócios levados adiante nas cidades, com forte incidência do chamado crime organizado, empresariado local ou não, governantes, parlamentares etc. Pelo contrário: elas apenas ajudam a robustecelos e a perpetuá-los.

os negócios 2

O rebanho, por sua vez, ama ser governado, seja por sindicalista, liderança de movimento social, [político profissional ou por vocação, milico, coach… Enquanto isso, independentemente de resultados eleitorais, muitos dos postulantes do momento saem vencedores de antemão, organizando seus nichos, projetando-se, viabilizando seus objetivos imediatos e futuros etc. Afinal, política e, portanto, democracia também são negócios e dos “bons”. Tolos, mas produtivistas são os “intelectuais” de direita, de esquerda e até certos anarquistas que gastam tempo discutindo sobre a essência da “verdadeira” política ou democracia, seja direta, indireta, representativa e blá blá blá.

>> Leia o Flecheira Libertária 782 na íntegra aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/10/flecheira782.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Choveu há pouco –
O sol baixa das nuvens
Finas cortinas de névoa.

Paulo Franchetti

[Uruguai] Convite para participar da 10ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu

Algumas editoras, editores e livreiros fazem este convite para participar da Feira do Livro Anarquista de Montevidéu, para compas deste e de outros territórios.

Estaremos recebendo iniciativas e propostas de diferentes tipos (palestras, oficinas, estandes ou outras que sejam pertinentes ao tema da feira) no seguinte e-mail: feriadellibroanarquistademvdeo@riseup.net

Contra o circo eleitoral e a apatia geral, hoje, mais do que nunca, vamos continuar gerando espaços para aguçar as práticas e o debate anarquista.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/03/uruguai-9a-feira-do-livro-anarquista-de-montevideu/

agência de notícias anarquistas-ana

gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

[São Paulo-SP] Evento no CCS, 12/10: “Guerra Civil Espanhola através dos cartazes”

O Centro de Cultura Social (CCS) de SP receberá Maria de Lourdes Souza, professora aposentada da rede pública estadual de SP e autora de “Ay Carmela: Cartazes da Guerra Civil Espanhola” (Ed. Appris). Haverá uma apresentação e roda de conversa sobre sua pesquisa para a escrita desse livro. 

Durante a Guerra Civil Espanhola, houve um intenso engajamento político de artistas visuais e literatos. Esses produziram farto material de propaganda política, como os cartazes, usualmente utilizados neste período histórico. Eram eficientes como propaganda por serem de produção barata, reprodução rápida, além de possuir ampla visibilidade pois seus suportes eram nas ruas através dos postes e muros. Aliando-se a essas questões, a produção de belíssimas criações nos cartazes os tornaram esteticamente significativos nas artes visuais.

“Guerra Civil Espanhola através dos cartazes”

Data: 12/10/24 (sábado)

Horário: 16h – abriremos às 15h30

CCS – SP: Rua General Jardim, 253 – sala 22 – Vila Buarque – SP (metrô República)

Evento gratuito, presencial e aberto!

Lembrando que no CCS nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Roubar um banco é uma honra (Pré-venda)

Lucio Urtubia (Autor); Paul Sharkey (Tradutor); Philip Ruff (Prefácio)

Pela primeira vez em inglês, a autobiografia do revolucionário fora da lei que colocou o Citibank de joelhos.

Em 1981, Lucio Urtubia recebeu uma mala cheia de dinheiro dos executivos do Citibank, entregou as placas que havia usado para falsificar 20 milhões de dólares em cheques de viagem e foi embora impune. Esta é a verdadeira história do mais famoso Robin Hood do século XX, um anarquista por toda a sua vida, que roubou dos ricos para doar às lutas de libertação em todo o mundo.

Nascido em uma família pobre no País Basco, Urtubia foi recrutado para o exército de Franco antes de fugir para o exílio em Paris, onde trabalhou como pedreiro durante o dia e colaborou com os anarquistas catalães à noite. Logo ele estava planejando assaltos a bancos para financiar a luta espanhola, roubando armas e planejando a fuga de combatentes da resistência. Após as revoltas de maio de 1968, Urtubia abriu uma gráfica, produzindo panfletos políticos enquanto secretamente falsificava passaportes e contracheques de trabalhadores – até que descobriu o esquema que o tornaria famoso. “Ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão!”, declarou Urtubia. Durante décadas, ele canalizou apoio para organizações como as Brigadas Vermelhas da Itália, o grupo Baader-Meinhof da Alemanha Ocidental, os Panteras Negras nos EUA e os separatistas bascos do ETA.

Contado com o calor e o humor fluidos de Urtubia, “Roubar um banco é uma honra” [To Rob a Bank Is an Honor] narra as histórias de vida e as convicções políticas de uma figura de grande envergadura no centro de uma era incendiária.

Lucio Urtubia (1931-2020) foi um pedreiro, antifascista, falsificador, ladrão de bancos e anarquista. Nascido no País Basco, viveu a maior parte de sua vida em Paris. Conheceu sua esposa, Anne Garnier, durante os eventos de maio de 1968 e juntos tiveram uma filha. Em 1991, eles abriram um centro social anarquista no bairro de Belleville, em Paris, chamado L’Espace Louise-Michel, que continua funcionando após sua morte. A vida de Urtubia foi tema do documentário Lucio (2007) e do filme da Netflix A Man of Action (2022).

Paul Sharkey disponibilizou um vasto conjunto de obras anarquistas em inglês, incluindo as de Peter Kropotkin, Errico Malatesta, Nestor Makhno e muitos outros. Ele mora na Irlanda.

Philip Ruff é um historiador e o autor de “Uma Chama que se Avoluma: A vida e o contexto do elusivo anarquista letão Pedro, o pintor” [A Towering Flame: The Life & Times of the Elusive Latvian Anarchist Peter the Painter].

Editora: AK Press

Formato: Livro

Páginas: 264

Lançamento: 3 de dezembro, 2024

ISBN-13: 9781849355780

$16.50

akpress.org

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

Alienação e a Decadência sob a Lente das Apostas: Um Reflexo da Sociedade Brasileira

A revelação de que beneficiários do Bolsa Família direcionaram bilhões de reais para casas de apostas (as famigeradas Bets) em um único mês expõe um sintoma profundo da sociedade capitalista brasileira: a alienação e a decadência. Esse dado alarmante, longe de ser um mero detalhe estatístico, revela um quadro mais amplo de uma população marginalizada, presa a um sistema que a mantém em um ciclo de precariedade, ilusão e dependência.

A aposta, enquanto prática, representa uma tentativa desesperada de escapar da realidade, uma busca ilusória por uma mudança de status social instantânea. No contexto do Bolsa Família, programa brasileiro destinado a mitigar a fome e a pobreza, essa prática revela uma profunda desconfiança no sistema e na possibilidade de uma mobilidade social real. Os beneficiários, pessoas em situação de pobreza, ao invés de utilizarem os recursos para investir em educação, saúde ou compra de alimentos básicos, veem nas apostas uma falsa promessa de enriquecimento rápido, perpetuando assim um ciclo de dependência e vulnerabilidade.

Essa realidade é um reflexo da lógica do capitalismo neoliberal, que incentiva o individualismo exacerbado, a competição desenfreada e a busca incessante por prazeres imediatos. A propaganda massiva das casas de apostas, que prometem a vida dos sonhos com um simples clique, encontra um terreno fértil em uma sociedade marcada pelas desigualdades e pela falta de perspectivas de futuro.

A alienação, nesse contexto, não é uma escolha individual, mas sim um produto de um sistema que molda as consciências e as necessidades. Os trabalhadores em situação de extrema pobreza, ao invés de ser visto como sujeitos de direitos e protagonista de suas próprias histórias, são transformados em alvo de um mercado que lucra com suas dificuldades.

É urgente, a partir de nosso espectro anarquista, que promovamos debates e reflexões sobre as causas profundas desse problema, que vão além da mera regulamentação estatal das casas de apostas. É preciso trabalharmos para reconstruir a consciência de classe entre os explorados e oprimidos, para que possam entender e, depois, combater esse ciclo vicioso de alienação, construindo uma sociedade mais justa e igualitária – que por consequência há de ser erigida sobre os escombros do Capital e do Estado.

Liberto Herrera.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/18/espanha-mais-salas-de-apostas-a-junta-de-castilla-y-leon-anuncia-36-novas-concessoes/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/14/espanha-o-jogo-sujo-das-casas-de-apostas-ate-cinco-anos-de-carcere-por-mobilizar-se/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/07/02/espanha-fora-casas-de-apostas-de-nossos-bairros/

agência de notícias anarquistas-ana

Um gosto de amora
Comida com sol. A vida
Chamava-se: “Agora”.

Guilherme de Almeida

[Espanha] Uma grande marcha em Xixón mostra a unidade sindical em defesa das 6 de La Suiza

Todos os partidos de esquerda asturianos, organizações sociais e centenas de cidadãos participaram de uma marcha em defesa das sindicalistas condenadas à prisão após ações sindicais.

Onze organizações sindicais – CCOO, UGT, USO, CGT, CNT, CSI, CT, ISA, RCT, SF e SUATEA – marcharam neste sábado pelas ruas de Xixón em uma mobilização maciça convocada sob o slogan “Sindicalismo não é crime”. Camaradas, vocês não estão sozinhas”, em defesa dos Seis de La Suiza, seis sindicalistas condenadas à prisão após realizarem ações sindicais contra o proprietário de uma padaria nessa cidade.

Todos os partidos de esquerda asturianos, organizações sociais e centenas de cidadãos participaram de uma passeata que, de acordo com os organizadores, reuniu mais de 5.000 pessoas.

Elas são acusadas de um crime continuado de coerção grave e de um crime contra a administração da justiça por atos de assédio contra o proprietário da padaria que levaram ao seu fechamento, apesar de o estabelecimento já estar à venda há um ano.

As sindicalistas sempre sustentaram que seu trabalho se limitava à realização de trabalho sindical. A atividade sindical consistiu na negociação de um caso de assédio sexual relatado por um ex-trabalhadora – arquivado por falta de provas – e em manifestações na calçada do outro lado da rua. A Suprema Corte, que ratificou as sentenças em junho de 2024, indicou que a condenação se baseou na convocação por meio de redes sociais para manifestações em frente ao estabelecimento com faixas, na entrega de folhetos contra o empregador, bem como na divulgação de um vídeo em que o denunciavam por assédio no trabalho e assédio sexual.

O movimento em defesa das sindicalistas, que ainda aguardam a sentença de prisão, sustenta que a condenação, ratificada pela Suprema Corte, é uma ofensiva contra o sindicalismo e o direito de protesto e organização coletiva.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/represion/unidad-sindical-defensa-6-de-suiza

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/26/espanha-la-suiza-manifestacao-28-de-setembro/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

Novo vídeo: Os Movimentos Sociais Perderam as Eleições

Não importa quem vença as eleições, os movimentos sociais e as lutas populares nunca vão sair ganhando.

A cada dois anos muitas pessoas dedicam uma quantidade enorme de tempo, energia e recursos materiais para tentar eleger candidaturas com a esperança de melhorar as condições de vida da população. Mas esse é um jogo que não podemos vencer. Se alguma representante de movimentos sociais for eleita, ela terá que conciliar com as elites políticas e financeiras que criaram esse sistema para conseguir alcançar seus objetivos mais moderados. Qualquer mudança mais radical dentro do sistema então, é impossível, pois ao usarmos as instituições do Estado sempre vamos reproduzir as dinâmicas de opressão e violência inerentes a essas instituições.

Nossa situação piora a cada dia que deixamos de lutar esperando alguma mudança institucional ou uma conjuntura mais favorável. Mas temos uma alternativa: podemos começar a construir o mundo que queremos agora mesmo, com nossas próprias mãos. Organize-se coletivamente! Viva como você gostaria de viver e vamos enfrentar juntas o Estado e os capitalistas quando tentarem nos impedir de transformar este mundo.

>> Assista o vídeo em: https://antimidia.org/os-movimentos-sociais-perderam-as-eleicoes/

agência de notícias anarquistas-ana

Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.

Guilherme de Almeida

[França] Anarquismo e a palavra escrita

Qual é a relação entre o anarquismo e a palavra escrita? No século 19, a única mídia disponível era a mídia que usava a palavra escrita. Havia quase apenas livros, jornais, folhetos, para circular ideias para o maior número. Os encontros, que certamente poderiam reunir um grande público, mas limitado por uma área geográfica e pontualidade. A palavra escrita circula, é compartilhada. Ao mesmo tempo em que o anarquismo começou a ser escrito, as publicações apareceram como um dos meios de alcançar e compartilhar ideias libertárias.

Um grande número e uma diversidade de estilo e tom

Quando me interessei pelo anarquismo, fiquei agradavelmente surpreso ao descobrir uma coleção de livros muito importante que tratava de uma diversidade de assuntos como feminismo, ecologia, história do anarquismo, questão social, racismo, entre outros. Esta coleção não está congelada no tempo, novas publicações vêm todos os anos para se concentrar nas ideias e lutas políticas atuais. Essas publicações são feitas em muitas línguas, o internacionalismo tem seus méritos.

Na internet, existem inúmeros sites e blogs anarquistas que usam a palavra escrita. A página de papel e a página de tela têm uma coisa em comum: a página.

Em muitos países, livrarias e bibliotecas participam da distribuição de revistas, livros, brochuras e jornais.

Escrever?

É paradoxal pensar que com a internet escrevemos menos ou não escrevemos mais. No entanto, a internet é acima de tudo um meio de comunicação, essencial. Claro, a comunicação audiovisual é possível e difundida na web. Como então podemos explicar um número muito grande de páginas da web usando a palavra escrita? E essa persistência da palavra escrita?

Quer você escreva em um jornal, uma revista, um zine ou na internet, é apenas a mídia que muda, apenas o compartilhamento de ideias é importante.

Para quê?

As lutas atuais oferecem oportunidades para escrever, se expressar e compartilhar seus pontos de vista. Na internet, se você não publica, não existe, suas ideias não serão compartilhadas, já é difícil ser referenciado ou levado em consideração por algoritmos, não publicar não ajudará em nada. A publicação em papel está em declínio, isso é um fato, mas não desapareceu totalmente, além disso, nem todos têm acesso à internet, seja por opção ou por falta de meios financeiros. O papel pode ser transportado, distribuído e não está sujeito ao corte da Internet por um governo, como já aconteceu durante as revoluções (a Primavera Árabe, por exemplo), uma simples impressora permitirá contornar a censura eletrônica publicando folhetos, pequenos textos, prontos para distribuição. Calar-se, não escrever, é deixar espaço para as ideias que estamos combatendo e impondo a si mesmas.

Quem?

A escrita não é reservada a uma elite, muitos anarquistas autodidatas, não tendo estudado por muito tempo, colocaram-se por escrito, em jornais, livros de literatura proletária, livros políticos, poesia. Então, sim, qualquer um pode escrever. Um pouco de exercício, ajuda, compartilhamento, o hábito é tomado. Medo de julgamento? Isso não deve limitá-lo, o importante está em outro lugar. O prazer de compartilhar seus escritos anarquistas, seus sentimentos, suas lutas, suas experiências. Se outros podem, você também pode.

Durante séculos, estivemos em uma sociedade da palavra escrita e da mídia que quer ‘o que não está escrito ou midiatizado não existe’. O anarquismo não é exceção.

Para seus teclados, suas canetas e esperando lê-lo muito em breve.

Frédéric Clere

Grupo da Comuna de Paris

Fonte: https://monde-libertaire.net/?articlen=7982&article=Lanarchisme_et_lecrit

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/13/eua-imprimindo-a-anarquia/

agência de notícias anarquistas-ana

Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.

Urhacy Faustino

[Itália] Alfredo fora da 41 bis. Tirem as mãos das publicações anarquistas.

Reunião de solidariedade por ocasião da audiência preliminar da operação Sibilla (Perugia, Itália, 10 de outubro, 2024)

Alfredo fora da 41 bis.

Tirem as mãos das publicações anarquistas.

Está marcada para 10 de outubro a audiência preliminar da operação Sibilla, que em novembro de 2021 levou a uma operação dirigida principalmente contra o jornal anarquista ‘Vetriolo’, uma operação destinada a ser um aviso repressivo contra publicações anarquistas revolucionárias. Nessa data, será solicitado o indiciamento de 12 anarquistas por 19 acusações, quase todas elas agravadas pelo propósito de terrorismo.

Para atacar os anarquistas e os caminhos revolucionários, o Estado fala em “incitar” e “orientar” capacidades em um âmbito tal como o movimento anarquista, que sempre foi um defensor de uma autonomia obstinada e radical de pensamento e ação. Uma afirmação que anda de mãos dadas com o fato de ter apoiado, no julgamento da Scripta Manent, condenações por “massacre político” no país onde os massacres, os verdadeiros, sempre foram perpetrados pelo aparato do Estado.

Juntamente com esse julgamento, a operação Sibilla foi decisiva na transferência de Alfredo Cospito, um dos 12 réus nesse caso, para o regime de prisão 41 bis. Com a intensa mobilização de 2022 a 2023 contra o 41 bis e a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, conseguimos impedir sentenças que iam até a prisão perpétua resultantes da Scripta Manent devido à acusação de “massacre político”. Hoje, como ontem, com a aproximação de um possível julgamento relativo à Sibilla, nós nos solidarizamos com Alfredo, defendemos as publicações anarquistas e apoiamos a urgência da luta revolucionária.

Enquanto os Estados se preparam para a guerra e os lucros com armamentos crescem desproporcionalmente, os órgãos de repressão novamente se apressam em levar os anarquistas a julgamento, um “inimigo interno” que deve ser erradicado por causa de sua longa luta contra o Estado e o capital. A repressão contra as publicações anarquistas faz parte das políticas de guerra; o 41 bis é uma prisão de guerra.

Reunião de solidariedade: Quinta-feira, 10 de outubro, às 9h30, em frente ao tribunal de Perugia, na via XIV Settembre 86 (antigo prédio da Enel).

Reunião para discutir a audiência e a luta contra o 41 bis: quarta-feira, 9 de outubro, às 20h, no Circolo Anarchico ‘La Faglia’, via Monte Bianco 23, Foligno.

PDF: https://lanemesi.noblogs.org/files/2024/09/alfredo-out-of-41-bis-hands-off-the-anarchist-publications.pdf

Tradução > anarcademia

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/26/italia-alfredo-cospito-e-anna-beniamino-condenados-a-23-e-17-anos-de-prisao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/25/italia-ultima-operacao-repressiva-contra-anarquistas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/26/supremo-tribunal-italiano-rejeita-pedido-de-alfredo-cospito-para-sair-do-41bis/

agência de notícias anatquistas-ana

Os grilos cantam
Apenas do meu lado esquerdo –
Estou ficando velho.

Paulo Franchetti

[EUA] Lançamento: On a Move: O notório atentado a bomba na Filadélfia e a batalha de uma vida inteira de um filho nativo por justiça

Mike Africa Jr. (autor);  D. Watkins (co-autor)

Antes de a polícia lançar uma bomba em um bairro residencial em 13 de maio de 1985, poucas pessoas fora da Filadélfia sabiam que uma organização de liberdades civis liderada por negros havia criado raízes no local. Fundada em 1972 por um ideólogo carismático chamado John Africa, a missão do MOVE era proteger todas as formas de vida da opressão sistêmica. Sua ideologia foi inspirada no Partido dos Panteras Negras e antecedeu grupos de direitos dos animais e do meio ambiente, como o PETA e o Earth First. O MOVE surgiu em uma época em que os negros da Filadélfia sofriam com as políticas devastadoras trazidas pela longa e condenada guerra no Vietnã, a vigilância policial abertamente racista do prefeito Frank Rizzo e, por fim, a Guerra às Drogas do presidente Ronald Reagan. Os membros do MOVE moravam juntos em um conjunto de casas geminadas no oeste da Filadélfia e adotaram o sobrenome Africa por admiração ao fundador do grupo.

Mas, no estilo de vida do MOVE, as autoridades municipais viram ameaças ao seu status quo. O bombardeio das casas do MOVE chocou o país e virou notícia internacional. Onze pessoas foram mortas, incluindo cinco crianças. E a Cidade do Amor Fraterno ficou conhecida como a Cidade que se Bombardeou.

Entre as crianças mais afetadas pelo bombardeio estava Mike Africa Jr. Nascido na cadeia após um ataque policial ao MOVE que levou seus pais a ficarem presos por décadas, Mike tinha seis anos de idade e morava com sua avó quando o MOVE foi bombardeado. Nos anos que se seguiram, Mike buscou um propósito nas cinzas deixadas para trás. Ele começou a aprender sobre a lei quando era adolescente e se tornou adepto de falar e inspirar apoio público com a ajuda de outros membros do MOVE. Em 2018, aos 40 anos, ele finalmente conseguiu que seus pais fossem libertados da prisão.

On a Move é uma das histórias mais inimagináveis de injustiça e resiliência da história americana recente. Mas não se trata apenas de uma tragédia. Trata-se do amadurecimento de um jovem ativista, dos fortes laços familiares e, contra todas as probabilidades, de aprender a aceitar as indignidades e a trabalhar dentro do próprio sistema que as criou. Ao mesmo tempo um relato pessoal angustiante e um exame apaixonado do racismo e da violência policial, On a Move é um testemunho do poder do amor e da esperança, em face de uma espantosa injustiça.

Editora: Mariner Books

Formato: Livro

Encadernação: capa dura

Páginas: 304

Lançado: 6 de agosto de 2024

ISBN-13: 9780063318878

$24.38

harpercollins.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

no vaso menor
um punhado de terra
violeta em flor

Ricardo Silvestrin

Lula é um fascista ambiental!!!